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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Recife recebe reunião anual da SBPC e se transforma na capital nacional da ciência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jul 2025 20:12:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os dias 13 e 19 de julho, Recife sediará a 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior encontro da ciência com a sociedade no país. Com mais de 200 atividades gratuitas e abertas ao público, o evento transforma a capital pernambucana em um centro de efervescência científica, [&#8230;]</p>
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<p>Entre os dias 13 e 19 de julho, Recife sediará a <a href="https://ra.sbpcnet.org.br/77RA/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)</a>, o maior encontro da ciência com a sociedade no país. Com mais de 200 atividades gratuitas e abertas ao público, o evento transforma a capital pernambucana em um centro de efervescência científica, cultural e educacional.</p>



<p>Pela primeira vez, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no campus Dois Irmãos, será a anfitriã do evento. A cerimônia oficial de abertura está marcada para o domingo (13), no Teatro do Parque, no centro do Recife. A programação científica e cultural se estende ao longo da semana, com o encerramento no sábado (19), durante o “Dia da Família na Ciência”, voltado a atividades lúdicas e interativas para todas as idades.</p>



<p>Sob o tema “Progresso é ciência em todos os territórios”, esta será a sexta vez que Recife recebe a Reunião Anual da SBPC. A edição promete reunir mais de 20 mil pessoas, entre cientistas brasileiros e estrangeiros, estudantes, professores, lideranças sociais, povos tradicionais e representantes de diversos setores da sociedade.</p>



<p>Entre os nomes confirmados estão os ministros Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Camilo Santana (Educação) e Wolney Queiroz (Previdência Social), além de personalidades internacionais como Sudip S. Parikh, CEO da American Association for the Advancement of Science (AAAS), e Brian Lin, diretor de conteúdo do EurekAlert!. O biomédico e divulgador científico Lucas Zanandrez, do canal &#8220;Olá, Ciência&#8221;, também participará do evento.</p>



<p>Um dos momentos mais simbólicos da programação será a posse da nova diretoria da SBPC. A cientista Francilene Garcia, professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), assumirá a presidência da entidade. Pela primeira vez, as duas maiores instituições científicas do país — SBPC e Academia Brasileira de Ciências (ABC) — serão lideradas simultaneamente por mulheres.</p>



<p>Além das conferências, mesas-redondas, minicursos, exposições e apresentações culturais, a Reunião Anual contará com espaços temáticos que buscam ampliar o acesso e a diversidade no ambiente científico:</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Espaços temáticos</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>SBPC Criança: voltado à iniciação científica para o público infantil</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>SBPC Jovem: com oficinas, feira de ciências e planetário</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>SBPC Afro-Indígena e Comunidades Tradicionais: promovendo rodas de conversa e oficinas com quilombolas, indígenas, pescadores artesanais e povos de terreiro</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>SBPC Mulher: com debates sobre gênero, raça e ciência</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>SBPC Cultural: com apresentações artísticas, exposições e uma tenda gastronômica multicultural</p>
            </div>
            </div>



<p>Outro destaque é a ExpoT&amp;C – Exposição de Ciência, Tecnologia e Inovação, considerada a maior mostra científica do Brasil. O espaço reunirá universidades, centros de pesquisa, startups, agências de fomento e museus em estandes interativos e acessíveis.</p>



<p>Realizadas desde 1949, as Reuniões Anuais da SBPC são reconhecidas por promover o diálogo entre ciência e sociedade, além de fomentar o debate sobre políticas públicas nas áreas de ciência, tecnologia, inovação e educação.</p>



<p>A 77ª edição é organizada pela UFRPE e pela SBPC, com apoio de instituições como a Faperj, Finep, Fiocruz e ICTIM. O evento conta ainda com o patrocínio de entidades como BNB, Baterias Moura, Suape, Facepe, Fapesp e SUDENE.</p>



<p>As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo <a href="https://ra.sbpcnet.org.br/77RA" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site oficial do evento</a>. Minicursos exigem inscrição prévia e uma taxa simbólica. Jornalistas interessados em cobrir o evento também podem se credenciar pela mesma plataforma.</p>



<p></p>
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		<title>Raquel Lyra rompe tradição ao ignorar consulta para a Facepe e preocupa cientistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 May 2025 18:44:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[ciências]]></category>
		<category><![CDATA[Facepe]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Parte da comunidade científica de Pernambuco recebeu com surpresa e certa apreensão a nomeação da professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Flávia Lucena Frédou para a diretoria científica da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). Não pelo nome escolhido – engenheira de pesca, ela tem ampla experiência [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Parte da comunidade científica de Pernambuco recebeu com surpresa e certa apreensão a nomeação da professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Flávia Lucena Frédou para a diretoria científica da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). Não pelo nome escolhido – engenheira de pesca, ela tem ampla experiência tanto acadêmica como em gestão –, mas porque a pesquisadora havia ficado em segundo lugar na lista tríplice entregue à governadora Raquel Lyra (PSD). Até então, o cargo sempre foi ocupado pelo primeiro lugar da lista, que é elaborada após uma consulta aos docentes de pós-graduações do estado. </p>



<p>Principal fonte de bolsas e verbas para pesquisas do Governo do Estado, a Facepe teve um orçamento de mais de R$ 74 milhões para bolsas no ano passado. O cargo mais alto, a presidência, é ocupado por indicação do governo, sem consulta à comunidade científica. A diretoria científica, porém, tem um rito diferente, com a escolha de uma lista tríplice elaborada por meio de uma votação online. É um balanço entre comunidade científica e governo, para evitar que a Facepe fique refém de projetos político-partidários.</p>



<p>Não é uma lei, e nem mesmo uma regra, mas desde 1989, quando a instituição foi fundada, os governadores têm respeitado a decisão da consulta e nomeiam os primeiros colocados da lista tríplice. A diretoria científica tem um papel central em ajudar a presidência da Facepe a elaborar a política científica de Pernambuco, apoiando a Secretaria de Ciências e Tecnologia não só institucionalmente, mas também na própria elaboração da política. </p>



<p>Para concorrer à vaga, pesquisadores e pesquisadoras precisam cumprir as regras do edital, que inclui angariar cartas de recomendação de instituições de Pernambuco. Para ter a inscrição homologada, é necessário ter no mínimo dez apoios. Para esta consulta, quatro pessoas se inscreveram e três tiveram suas inscrições homologadas: Walter Franklin Marques Correia (Centro de Artes e Comunicação da UFPE), Severino Alves Júnior (Centro de Ciências Exatas e da Natureza da UFPE) e a a nomeada, Flávia Lucena Frédou (UFRPE). Na inscrição, Walter saiu bem à frente, colocando 232 cartas de recomendação, enquanto Flávia inscreveu 35 cartas e Severino, 18.</p>



<p>Depois, houve o processo de votação – ou de consulta, como é oficialmente chamado. Dos 2.129 eleitores aptos, 903 votaram eletronicamente – uma abstenção de 57,58%. Também foram contabilizados 11 votos em branco (0,46%) e 4 votos nulos (0,44%). Os resultados foram bem próximos:</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Prof. Dr. Walter Franklin Marques Correia (UFPE), com 313 indicações válidas (35,25%)  </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Profa. Dra. Flávia Lucena-Frédou (UFRPE), com 289 indicações (32,54%) </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Prof. Dr. Severino Alves Júnior (UFPE), com 286 indicações (32,21%)</p>
            </div>
            </div>



<p>Para a Academia Pernambucana de Ciências (APC) não se trata de comparar currículos. A competência de Flávia Lucena Frédou não está em disputa: é pesquisadora 1D CNPq (nível alto de reconhecimento e experiência na área de pesquisa), doutora em modelagem com formação na Inglaterra e na França, com mais de 140 publicações científicas. Ela também participou da equipe de transição do governo Lula na temática de pesca e foi titular da Secretaria Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa do Ministério da Pesca e Aquicultura, que é comandado por André de Paula, do mesmo Partido Social Democrático (PSD) da governadora Raquel Lyra.</p>



<p>“A surpresa foi a governadora – que tem um perfil de defesa da democracia – ter escolhido o segundo nome, e não o primeiro. Em hora alguma questionamos a competência da nomeada. Aliás, qualquer um dos três da lista tem competência para o cargo”, afirma o presidente da APC, o professor Anderson Gomes, do Departamento de Física da UFPE. A entidade tampouco pede que haja mudança na nomeação. &#8220;É um fato consumado, não estamos pleiteando nenhuma revogação &#8220;, diz.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Situação do IPA é preocupante</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Há ainda outra insatisfação da comunidade científica com o Governo de Pernambuco, que é o sucateamento do Instituto Agronômica de Pernambuco (IPA), que tem sido usado por vários governos como cabide de políticos. “É uma situação totalmente diferente da Facepe&#8221;, pondera Gomes.  &#8220;O IPA é uma instituição eminentemente técnica. Até não tem um problema ser um gestor político com uma equipe extremamente técnica trabalhando, nós não vemos problema”, diz Gomes. &#8220;Mas não é isso o que está acontecendo&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final de março, o governo nomeou o advogado Miguel Duque para a presidência do órgão. Ele é filho do deputado estadual Luciano Duque (Solidariedade). “O problema é que o IPA tem perdido o protagonismo que ele já teve. Já é a segunda ou terceira vez que a nós, enquanto academia, nos reportamos ao IPA, porque ele está sendo muito mal usado. E essa reclamação é procurando contribuir para o protagonismo que a ciência pode fazer pelo Estado”, diz Gomes. </span></p>
	</div>



<p>A APC, contudo, alerta para dois fatores. Um é a abertura de um precedente que pode ser perigoso, com o não cumprimento da vontade da comunidade científica, abrindo brecha para uma futura indicação política para um cargo técnico. Gomes cita como exemplo o que aconteceu durante o governo Bolsonaro, em que listas tríplices de indicações para reitores de universidades federais foram ignoradas, em uma afronta à democracia e à autonomia das universidades.</p>



<p>O outro fator é que, uma vez que há a consulta à comunidade científica, deve haver também a devolutiva, com a indicação da vontade da comunidade. &#8220;A escolha é uma prerrogativa da governadora, que poderia ter escolhido qualquer um da lista, ou até nem atendido a lista. Mas é importante ressaltar que ela não quis nomear o primeiro colocado. O fato da comunidade científica ser consultada e indicar uma pessoa não tem mais importância? Como é que vamos nos mobilizar se o governador ou a governadora faz o que quiser?”, questiona Gomes.</p>



<p>Um <a href="https://www.change.org/p/em-defesa-da-autonomia-institucional-da-facepe-e-pela-nomea%C3%A7%C3%A3o-de-walter-franklin-correia?recruited_by_id=f2643c90-27b3-11f0-8426-c3138c5dc384&amp;utm_source=share_petition&amp;utm_campaign=share_petition&amp;utm_term=psf_combo_share_initial&amp;utm_medium=whatsapp" target="_blank" rel="noreferrer noopener">abaixo-assinado foi lançado online</a> solicitando que “diante da gravidade do ocorrido” e “em favor da democracia, da decisão da comunidade científica e da autonomia institucional da Facepe”, a governadora Raquel Lyra reconsidere a sua posição e emposse o primeiro lugar. O documento já tem 539 assinaturas.</p>



<p>Apesar das críticas, uma carta de apoio à nomeação foi publicada no <a href="https://jc.uol.com.br/opiniao/artigo/2025/05/07/uma-nomeacao-nao-apenas-acertada-mas-legitima-urgente-historica-e-necessaria.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jornal do Commercio </a>desconsiderando essas ponderações e colocando a nomeação de Flávia como uma vitória, por ela ser uma mulher. A carta foi assinada por 17 professores, a maioria da UFRPE, incluindo a reitora Maria José de Sena. Foi a primeira vez que um docente da UFRPE foi escolhido pelo governo para o cargo. </p>



<p>&#8220;A nomeação da Dra. Frédou corrige uma grave distorção histórica. Em toda a trajetória da Facepe, apenas duas mulheres presidiram a Fundação. No cargo que será ocupado por Frédou, apenas uma outra mulher — e por um curto período de um ano — esteve presente. Sua chegada representa, portanto, um avanço institucional e simbólico incontornável&#8221;, diz trecho da carta, que defende também a governadora: &#8220;a consulta, como é sabido, tem natureza consultiva e não deliberativa. A decisão cabe, portanto, à governadora, que, ao optar por Flávia Frédou, não apenas respeita as regras institucionais como reafirma sua visão estratégica e de futuro para a ciência no Estado&#8221;. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Governo diz que decisão foi &#8220;estratégica&#8221;</h2>



<p>Docente do Departamento de Design da UFPE e professor no Programa de Pós-graduação em Design (PPGDesign), o primeiro colocado da lista, Walter Franklin, já ocupou diversos cargos de gestão, sendo por oito anos o diretor do CAC. Foi a primeira vez em que um docente da área de Ciências Humanas foi o mais votado na lista tríplice. </p>



<p>“Isso [ser da área de humanas] foi algo que pesou muito para os colegas que foram para a consulta”, disse Walter à MZ, lamentando a falta de transparência. “Não houve nenhuma manifestação da Facepe ou da governadora para a comunidade científica sobre qual foi o motivo de não seguir a ordem da lista. A nomeação saiu na véspera do feriadão de primeiro de maio, numa jogada estratégica para não ter nenhuma repercussão”, acredita Walter, que está fazendo um pós-doutorado até novembro na Holanda. “Mas se eu tivesse sido nomeado eu voltaria para o Recife para assumir o cargo”, diz.</p>



<p>Em nota para a Marco Zero, o governo reiterou o resultado apertado da consulta, falou da carreira exitosa de Flávia Lucena Frédou e que a nomeação dela levou em conta “critérios técnicos, estratégicos e alinhados às diretrizes da atual gestão”. Ao pontuar o currículo da nova diretora, a nota do Governo de Pernambuco  destaca a participação dela em organizações nacionais e internacionais, “o que foi considerado um diferencial relevante para o projeto estratégico da Facepe nos próximos anos”, diz a nota.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Confira a nota completa que o Governo de Pernambuco enviou para a Marco Zero:</span>

	    <div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;">O Governo de Pernambuco, através da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti/PE), ressalta que a nomeação da professora Flávia Lucena Frédou para a Diretoria Científica da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) foi feita a partir de lista tríplice homologada pelo Conselho Superior da Facepe, elaborada com base em ampla consulta à comunidade científica pernambucana, seguindo os trâmites legais e levando em consideração critérios técnicos, estratégicos e alinhados às diretrizes da atual gestão.</span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;"> </span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;">Com o resultado da consulta ao setor científico estadual, identificou-se que os três nomes tiveram praticamente o mesmo percentual (pouco mais 30%) de indicações válidas, o que indica que todos estavam referendados pelo corpo científico do Estado para ocupar o cargo de direção da Facepe. </span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;"> </span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;">A professora Flávia Lucena Frédou é doutora em modelagem com formação na Inglaterra e na França, professora titular da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) com mais de 140 publicações científicas e extensa atuação em redes de pesquisa nacionais e internacionais. Seu perfil combina a área científica com a gestão, tendo atuado como secretária nacional no Ministério da Pesca e Aquicultura e incluindo representações em órgãos nacionais, como o Grupo Técnico Científico do Ministério da Pesca e Aquicultura, e internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas (ICCAT) e Institut de Recherche Pour Le Développement (Ird), o que foi considerado um diferencial relevante para o projeto estratégico da Facepe nos próximos anos.</span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;"> </span></div>
<div><span style="font-family: Arial; font-size: medium;">É importante reforçar que o processo de escolha para a Diretoria Científica da Facepe não se trata de uma eleição nos moldes tradicionais, como as realizadas para cargos políticos. O processo é uma consulta à comunidade acadêmica e científica, cujo objetivo é subsidiar a gestão estadual com indicações qualificadas e representativas. Portanto, de forma transparente, institucional, republicana e democrática, o Governo do Estado de Pernambuco, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, reafirma que todos os trâmites em volta da nomeação da nova diretoria científica da Facepe obedeceram ao rigor da lei.</span></div>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/raquel-lyra-rompe-tradicao-ao-ignorar-consulta-para-a-facepe-e-preocupa-cientistas/">Raquel Lyra rompe tradição ao ignorar consulta para a Facepe e preocupa cientistas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Inovação tecnológica: uma possibilidade de horizonte estratégico para o campo progressista</title>
		<link>https://marcozero.org/inovacao-tecnologica-uma-possibilidade-de-horizonte-estrategico-para-o-campo-progressista/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Feb 2025 19:44:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[campo progressista]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[esquerda]]></category>
		<category><![CDATA[inovação tecnológica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Rodrigo Cirilo* e Jacqueline Ernesto** Há poucos dias, houve o lançamento de uma nova tecnologia em Inteligência Artificial &#8211; IA, desenvolvida na China, que provocou abalo significativo nas estruturas de um mercado que sempre teve os Estados Unidos como referência. A DeepSeek é uma startup chinesa formada há menos de dois anos por jovens [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Rodrigo Cirilo* e Jacqueline Ernesto**</strong></p>



<p>Há poucos dias, houve o lançamento de uma nova tecnologia em Inteligência Artificial &#8211; IA, desenvolvida na China, que provocou abalo significativo nas estruturas de um mercado que sempre teve os Estados Unidos como referência. A DeepSeek é uma <em>startup</em> chinesa formada há menos de dois anos por jovens engenheiros, que desenvolveram processos muito mais rápidos e de custos bem menores, alterando o paradigma em IA. Na história recente é perceptível que investimentos em educação e inovação tecnológica são a força motriz para alavancar os indicadores sociais e econômicos de uma nação, seja a China, Singapura, Austrália, Coreia ou Japão.</p>



<p>O Brasil ainda está muito aquém nesse quesito, figurando em 50º lugar no Índice Global de Inovação (WIPO, 2024), mas vem mudando a percepção sobre o assunto ao longo do tempo. O montante de recursos endereçado ao setor de inovação vem crescendo, impulsionado principalmente pela ação dos governos, de todas as esferas, no fomento e estímulo a área. Destaca-se, ainda, a nova lei de licitações que possibilita a contratação de <em>startups</em> – negócios de base tecnológica que se desenvolvem em um ambiente de grandes incertezas &#8211; para a resolução de problemas da própria gestão via edital.</p>



<p>Entretanto, para falarmos das relações entre tecnologia, economia e sociedade, é necessário puxar um fio que ajude a compreender sua caminhada histórica. Nesta discussão será admitido como marco o final do século XVIII, momento de eclosão da primeira Revolução Industrial, segundo o pensamento hegemônico atual. A partir desse ponto, a sucessão de saltos tecnológicos resultou em outras três revoluções, onde cada uma delas incidiu sobre o modo de vida das pessoas nos respectivos tempos históricos.</p>



<p>Na primeira, as máquinas a vapor trouxeram uma nova velocidade de produção, alterando significativamente o mundo do trabalho e do comércio. A revolução posterior é marcada pela utilização massiva da luz elétrica e a distribuição de energia nos centros urbanos, que alteraram a relação humana com as noites. Em seguida, a internet e a automação trouxeram acomodação e aceleraram o ritmo dos acontecimentos. A última delas, a que hoje estamos inseridos, é caracterizada pela manipulação de quantidades massivas de dados.</p>



<p>Em todas as revoluções, há um componente comum que extrapola o processo produtivo e incide diretamente na visão de mundo daqueles que vendem sua mão de obra para sobreviver. Para manter a classe trabalhadora a serviço da exploração capitalista, a classe dominante associa o modo de produção a um conjunto de valores e crenças na sociedade, buscando incessantemente moldar o pensamento dos trabalhadores, para que aceitem sem questionamentos a penúria que os acomete.</p>



<p>O modo de produção capitalista e suas crises constantes chegam ao ponto da adoção de um ideário extremo onde a desumanização e a necropolítica são utilizados como estratégia ou <em>modus operandi</em> para a obtenção e manutenção do lucro a qualquer custo. Com similaridades aos momentos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, revitalizou-se o discurso fascista, compatível com momentos de repressão econômica e falta de perspectiva, para animar os ressentidos e fazer frente ao pacto civilizatório consolidado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.</p>



<p>Os veículos de mídia, que hoje em dia têm a companhia das chamadas <em>Big Techs</em> e suas redes sociais de escala planetária, são parceiras na disseminação de um imaginário coletivo de prosperidade para os trabalhadores. Até pouco tempo atrás, o toyotismo exaltava a parceria para a produção ao chamar os profissionais de “colaboradores”. Agora, a fase atual do capitalismo reverbera que os trabalhadores têm autonomia e são chefes de si mesmo, denominando-os “empreendedores”. Em ambas situações, o discurso serve apenas para acalmar os ânimos, retirar direitos, aumentar a carga de trabalho e reduzir salários.</p>



<p>O que se vê é a ascendência da ocupação de espaços por políticos e lideranças de extrema direita em todos as áreas da atuação humana: os parlamentos, os governos, os mercados, as escolas, as igrejas e até em organizações da sociedade civil. Atualmente, as grandes empresas de tecnologia detêm a dianteira nas relações sociais em seus aplicativos, estabelecendo o que Pierre Lévy define como um estado-plataforma, na qual as leis são definidas exclusivamente pelos seus donos, estando o serviço à disposição daqueles que o remuneram.</p>



<p>A dinâmica imposta pela extrema direita mundial, de ataque incessante à classe trabalhadora e às minorias, deveria servir de mote para um levante das forças progressistas no Brasil. No entanto, o que se vê é a defesa irrestrita de uma pretensa governabilidade por vias da conciliação, que já se mostrou insuficiente para a disputa dos dias atuais. A falta de um horizonte político que deixe clara a visão de futuro do nosso campo deixa as esquerdas inertes, fragilizadas e desarticuladas.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;A soberania de uma nação está relacionada ao incentivo e fomento para o desenvolvimento de produtos de base tecnológica&#8221;</p>
</div>


<p>Arrisco-me a propor que as esquerdas compreendam melhor sobre como a soberania de uma nação está relacionada ao incentivo e fomento para o desenvolvimento de produtos de alto valor agregado, ou seja, aqueles de base tecnológica. Essa poderia ser a visão de futuro para a saída da inércia, para o fortalecimento e para a rearticulação daqueles que lutam por justiça social.</p>



<p>Enquanto isso, vence o argumento da extrema-direita onde o empreendedorismo e o mérito levam ao sucesso, logrado de forma individual e fruto exclusivo do esforço. Para tal, deixa-se de lado a formação e qualificação profissional para a observação incessante de oportunidades de mercado, na qual sempre há uma solução simples e muito lucrativa. O conhecimento é visto de forma estritamente utilitária e, caso tudo isso seja insuficiente, opta-se pela elaboração de vídeos virais ou a sorte em casas de apostas.</p>



<p>Do nosso lado, há uma grita generalizada pela “volta às bases”, principalmente nas camadas menos abastadas da população, com o intuito de fazer o enfrentamento a avalanche de notícias falsas contra o governo. Reestabelecer o diálogo direto com o povo é, sem dúvidas, o grande desafio do campo progressista, porém, qual a perspectiva de futuro que iremos oferecer a essas pessoas? Iremos retornar às bases com o único objetivo de defender Lula? Como vamos sustentar bandeiras históricas do nosso campo frente a eficiente rede de desinformação a serviço da extrema direita?</p>



<p>No que se refere ao ecossistema de inovação em si, o senso comum é bem diferente daquele apregoado pela extrema direita. Há uma consciência coletiva de que estruturar e fazer crescer novos negócios é uma tarefa difícil e que exige bastante dedicação, é constante a oferta de cursos de capacitação para aqueles que desejam adentrar no ecossistema e é muito forte o entendimento de que os negócios gerados devem fortalecer a economia dos territórios onde esses estão inseridos, respeitando a cultura e as vocações locais. E em se tratando de produção de conhecimento, é nítido o reconhecimento da contribuição das universidades na sólida formação teórica, técnica e humanística dos indivíduos.</p>



<p>Cabe destacar que o modelo mental mais utilizado para a criação de produtos e serviços é sustentado por pilares como a empatia e a colaboração, estimula-se o trabalho em grupos e a cooperação entre os atores para que todo o ambiente venha a se beneficiar do sucesso conquistado. Em alguns casos, são desenvolvidos negócios de impacto social que fortalecem a igualdade de gênero, raça e orientação sexual, ou que denunciam e tratam de violências e violações. Pode-se perceber que os valores disseminados pelo ecossistema também são muito próximos àqueles defendidos pelo campo progressista.</p>



<p>Infelizmente, as esquerdas gastam tempo e energia combatendo pseudo-empreendedores e findam por acreditar que, de fato, aquilo representa o ecossistema. A consequência direta dessa falsa impressão é a impossibilidade de avançar no sentido da inovação, adotando-o enquanto horizonte estratégico de transformação social e econômica do nosso país. Há ainda o mito de que a inovação acontece por obra e graça exclusiva da iniciativa privada, o que destoa totalmente do suporte estatal dado a esse tipo de negócios em todo o mundo.</p>



<p>São vários os esforços das gestões públicas para aumentar os investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação – CT&amp;I. O ministério voltado essa temática por parte do Governo Federal mais do que dobrou o montante aportado, girando em torno de R$ 26,3 bilhões nos últimos dois anos. Ao focarmos as ações para o ecossistema local de Pernambuco, houve um anúncio recente por parte do governo estadual destinando R$ 1 bilhão dos cofres estaduais para o fomento à área, como também são diversas as iniciativas da Prefeitura do Recife em inovação e transformação digital.</p>



<p>Talvez as esquerdas demonstrem desinteresse pela temática por fazer uma associação automática entre inovação e práticas capitalistas. Contudo, é importante compreender que fazer negócios, vender e comprar são traços característicos do comércio, que existe desde muito tempo no percurso da história da humanidade. O capitalismo diz muito mais sobre um padrão de acumulação visceral, do que propriamente sobre mercados. Até mesmo porque nada é mais repulsivo à concorrência do que monopólios e cartéis, procedimentos sonhados por quaisquer capitalistas.</p>



<p>Ante o exposto, que o campo progressista se permita, ao menos, a reflexão do quão benéfica será a aproximação com o meio de tecnologia e inovação. É consenso que precisamos voltar urgentemente as bases, mas que esse retorno seja pautado tanto nas importantes e necessárias teorias políticas, quanto nas oportunidades que o universo da inovação tecnológica possa oferecer.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Professor dos cursos de engenharia Elétrica e Eletrônica da Universidade Federal Rural de Pernambuco</strong></p>
<p><strong>**<span style="font-size: medium;">Assistente social e educadora social</span></strong></p>
    </div>



<p></p>
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		<title>&#8220;Já investimos mais em ciência e tecnologia do que nos quatro anos anteriores&#8221;, afirma Luciana Santos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jan 2024 19:54:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[CNPq]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em janeiro de 2023, a pernambucana Luciana Santos se tornou a primeira mulher negra a assumir o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), assumindo o compromisso de retomar o investimento em pesquisa, após os anos de paralisia dos governos anteriores. Um ano depois, ela concedeu entrevista exclusiva para a Marco Zero para fazer um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em janeiro de 2023, a pernambucana Luciana Santos se tornou a primeira mulher negra a assumir o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), assumindo o compromisso de retomar o investimento em pesquisa, após os anos de paralisia dos governos anteriores. Um ano depois, ela concedeu entrevista exclusiva para a Marco Zero para fazer um balanço do seu primeiro ano à frente da pasta.</p>



<p>Novamente cotada para disputar a prefeitura de Olinda, cargo onde ganhou relevância regional nos anos 2000, Luciana evitou o tema durante a conversa. Engenheira e presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ela preferiu recordar que, ao assumir o ministério, destacou seu desejo em valorizar a ciência brasileira garantindo um maior aporte financeiro para pesquisadores e pesquisadoras. Luciana Santos afirmou ainda ter compromisso com a agenda da paridade de gênero ao declarar que a sua gestão honraria as “milhares de mulheres que produzem e pesquisam nesse país”.</p>



<p>Antes de assumir a pasta, Luciana já tinha intimidade com a agenda da ciência e tecnologia, pois já havia sido secretária durante o governo Eduardo Campos e integrou as comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática na Câmara dos Deputados.</p>



<p>Ao longo da entrevista, Santos destacou as medidas que tomou com foco na retomada de investimentos em pesquisas que agradaram a comunidade científica, sendo a mais popular delas o aumento do valor das Bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que não passavam por reajuste desde 2013. A medida beneficiou mais de 6 mil bolsistas que atuam em oito modalidades diferentes de pesquisa. Em alguns casos, o reajuste chegou a ser de mais de 70%.</p>



<p>Com a recomposição integral do recurso do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia no governo Lula, e o aporte financeiro de R$ 10 bilhões, o MCTI conseguiu financiar e anunciar diversas iniciativas de fomento à pesquisa, entre elas, a expansão da infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica em universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) com o investimento de R$ 3,6 bilhões no edital Pró-Infra; e o Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência, que oferta bolsas de doutorado-sanduíche e pós-doutorado para pesquisadoras negras, ciganas, quilombolas e indígenas estudarem no exterior.</p>



<p>“Em oito meses nós investimos mais do que os quatro anos do governo anterior em Ciência e Tecnologia”, afirmou Luciana Santos. A pernambucana tem o desafio de comandar uma pasta que tem bastante capilaridade e é responsável por diversos órgãos oficiais de fomento à pesquisa em áreas distintas como o CNPq e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). </p>



<p>Marco Zero<strong> &#8211; Qual era a situação do MCTI quando você assumiu, após os quatros anos do governo Bolsonaro?</strong></p>



<p><strong>Luciana Santos &#8211; </strong>Uma coisa muito emblemática que marcou o governo Bolsonaro foi a infeliz coincidência dele ser presidente da República num fenômeno mundial que foi a Covid. Acho que, naquele momento, ficou muito cravado o quanto o negacionismo é perverso. O negacionismo é sempre uma forma de você negar as evidências científicas, ou reescrever a história de forma falaciosa, seja do ponto de vista dos fenômenos sociológicos, econômicos, seja do ponto de vista das evidências científicas propriamente ditas. Então, no caso da Covid, ficou muito claro o quanto perverso é um governo com essa característica, porque não teve nenhuma orientação da Organização Mundial de Saúde nem das instituições de pesquisa e de ensino que fossem atendidas por uma política pública. Até mesmo a decisão sobre a vacina não teve a gestão direta do ministério, do Governo Federal. O Butantan tomou a iniciativa de fazer a pesquisa da Coronavac com os chineses e a Fiocruz, mesmo sendo um órgão do Ministério da Saúde, fez o convênio com a AstraZeneca praticamente à revelia do próprio ministério. Além das demais consequências do negacionismo para as políticas de saúde, com a volta dos casos de sarampo, poliomielite.</p>



<p>E claro, outro traço marcante do governo Bolsonaro foi a perseguição aos grandes cientistas, como Ricardo Galvão, que estava à frente do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], e foi perseguido e demitido por tornar públicas as evidências do desmatamento na floresta amazônica.</p>



<p>Para além disso, o que houve no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação durante o antigo governo, foi um corte financeiro drástico, a gestão agiu de modo a estancar os investimentos em ciência e tecnologia, tanto dos recursos discricionários como também do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia. Nós tivemos uma verdadeira saga da comunidade acadêmica e científica para recuperar o fundo desde 2021, quando se conseguiu aprovar a lei que impedia o contingenciamento do fundo, mas que Bolsonaro vetou. E, mesmo assim, a força da comunidade acadêmica científica e do próprio setor produtivo derrotou o veto e ele aprovou uma medida provisória, que contingenciou o fundo até 2026. Porém, uma das primeiras medidas do governo Lula foi enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional] que recompôs integralmente o recurso do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, com um aporte de 10 bilhões de reais.</p>



<p><strong>Quais foram as principais estratégias adotadas por você para retomar os investimentos na ciência no Brasil?</strong></p>



<p>Em primeiro lugar, nós recompomos os recursos do principal instrumento de fomento do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, que é o Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, então, nós o recuperamos e, em oito meses, nós conseguimos fazer todos os investimentos dos 10 bilhões de reais da Ciência e Tecnologia, tanto para crédito do setor produtivo, como para o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia.</p>



<p>Nós traçamos eixos estratégicos para a retomada da ciência e tecnologia do Brasil, lançamos dez programas do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia e conseguimos executá-lo dentro dessas prioridades, entre elas, da agenda da nova industrialização brasileira, para que o Brasil retome o crescimento em novas bases tecnológicas. Então, esses são aspectos que são mais estruturantes da retomada da ciência no Brasil, em oito meses nós investimos na área mais do que os quatro anos do governo anterior.</p>



<p><strong>Durante o momento mais crítico da pandemia e de todo o governo anterior, houve ataques constantes à ciência e isso resultou no avanço do negacionismo. O que o MCTI pretende fazer para combater esse negacionismo e despertar o interesse dos brasileiros na ciência?</strong></p>



<p>A primeira decisão foi retomar a Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social, que tinha sido extinta no governo anterior. Nós retomamos essa secretaria com uma de  suas funções intrínsecas é a de popularizar a ciência, até porque, em função do negacionismo, nós precisamos fazer com que a ciência fique mais próxima da população, que não seja uma coisa distante, inalcançável. </p>



<p>Fizemos também uma grande Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em 2023, e estamos retomando, de maneira intensa, as olimpíadas de ciência e matemática. Também vamos realizar a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em 2024, que não acontece desde 2010, e é um momento onde são coletadas informações e subsídios para a formulação das políticas públicas, um momento de escuta do público e da comunidade acadêmica. A etapa nacional só acontece em meados deste ano, mas as conferências estaduais e regionais já estão acontecendo desde o ano passado.</p>



<p>São 100 milhões de reais investidos para a política de popularização da Ciência e Tecnologia que já está em curso, e que tem essa pegada e essa perspectiva de ajudar as pessoas a compreenderem como o seu dia a dia tem a ver com ciência. Em todas as pautas possíveis, do combate à fome à mudança climática, você perpassa necessariamente pela ciência.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ministra Luciana Santos anunciou R$ 100 milhões para meninas e mulheres na ciência. Crédito: Diego Galba (Ascom/MCTI)</p>
	                
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<p><strong>Quais medidas foram ou serão tomadas pelo MCTI para incluir <strong>mulheres e pessoas negras na ciênci</strong>a?</strong></p>



<p>Já existem alguns programas, como o Futuras Cientistas, e nós queremos ampliá-lo em uma escala nacional. Nós vamos lançar também o edital de R$ 100 milhões do CNPq só para meninas e mulheres na ciência, para a área de Ciência da Natureza, Engenharia e Ciência da Computação. O edital tem o foco de estimular a inclusão feminina de meninas, jovens e mulheres, oriundas da escola pública, para que elas montem redes para solucionar alguns desafios nessa área. Quanto à questão da igualdade racial também é um foco que nós estamos procurando ter dentro do CNPq. Para isso, nós vamos fazer uma capacitação em larga escala, com dinheiro da lei de informática, e ela vai ter um recorte também racial para poder garantir uma política pública efetiva de promoção de inclusão.</p>



<p>Nós também teremos um recorte regional nos investimentos em Tecnologia e Inovação no Brasil e investiremos forte nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que são regiões onde analisamos que a capacidade instalada de laboratórios, pesquisadores e recursos é inferior às demais. Nós precisamos enfrentar a desigualdade regional, ter institutos que possam ajudar o desenvolvimento local, nós temos, por exemplo, o Instituto Nacional do Semiárido, que é na Paraíba e precisa de investimentos, temos este próprio prédio em que estamos agora, o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) que é referência em pesquisa e inovação. Para isso, haverá um cálculo baseado na atual capacidade de produção de cada região e de acordo com os resultados, o MCTI vai duplicar, triplicar e até quadruplicar o investimento em determinada região. Além disso, iniciativas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão uma reserva de 30% das vagas nos editais de financiamento do ministério.</p>



<p><strong>O aumento das bolsas do CNPq foi uma medida do MCTI bastante elogiada, porém agora os pesquisadores também estão defendendo direitos previdenciários para os pós-graduandos. Qual é o posicionamento da pasta quanto a essa proposta?</strong></p>



<p>Já faziam dez anos que as bolsas não tinham reajustes, a média foi de 40 % de aumento de remuneração e teve algumas bolsas de Iniciação Científica que chegaram a ter um aumento de 200%, de tão baixo que era o valor. Então, agora nós estamos articulando um modo de fazer com que a política de reajuste das bolsas seja algo permanente.</p>



<p>A questão da aposentadoria está dentro de um debate mais estrutural com a ANPG, a Associação Nacional de Pós-Graduandos, porque para o pesquisador, propriamente dito, aquele de carreira, isso está previsto. O debate atual é se o bolsista, quando ele já entra ali nas suas carreiras iniciais, se esse tempo já conta na previdência e vai acumulando.</p>



<p>O CNPq está debruçado sobre isso para apresentar uma proposição que consiga ter sustentabilidade porque isso teria um impacto na Previdência e nós precisamos apresentar algo viável economicamente, mas nós achamos que é inevitável que isso aconteça e a princípio somos a favor, só precisamos estudar a fundo a estrutura da proposta.</p>



<p>Nós não temos dúvidas do impacto positivo que essa medida pode ter na produção científica, garantindo uma permanência do pesquisador, porque muitos desses bolsistas perdem a perspectiva, vão percorrer outro caminho e acabam abandonando a carreira científica. Essa é uma política necessária para o Brasil, uma vez que somos o 13º país de produção científica, mas isso não se realiza em produtos e serviços. Há um fosso muito grande entre o que é produzido e o que é realizado e isso faz com que a nossa capacidade de inovação seja muito baixa,somos o 49º no mundo nesses termos.</p>



<p><strong>Quais são as perspectivas de investimentos do MCTI para os próximos anos?</strong></p>



<p>A perspectiva é aumentar os investimentos em Ciência e Tecnologia, em 2024 o orçamento do MCTI vai passar de 10 para 12 bilhões de reais. Um dos nossos focos principais é na agenda da reindustrialização anunciada por Alckmin, que está à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A agenda da industrialização é múltipla e ampla, vale para a transformação digital, para a transição energética, investimentos em saúde. Dos 100 bilhões que o Ministério de Alckmin anunciou, 41 bilhões serão destinados ao MCTI e com isso, nos próximos anos, nós poderemos investir na retomada do crescimento das bases tecnológicas e de inovação.</p>



<p>Vamos focar na autonomia do complexo industrial da saúde, depender menos de outros países para a produção de medicamentos e equipamentos, isso está previsto no Plano de Aceleração do Crescimento [PAC] do governo Lula. Então, por exemplo, nós queremos nos tornar autônomos em radioisótopos, que é um insumo essencial para medicamentos de câncer. Nós vamos fazer o nosso reator multipropósito. Nós também vamos ter no Brasil um laboratório de segurança máxima para manipular vírus, que vai ser instalado em Campinas, no nosso Centro Nacional de Pesquisas de Energia e Materiais (CNPEM), onde está um síncrotron de luz, que é um acelerador de partículas e que vai se ligar a esse laboratório para possibilitar uma análise e manipulação de vírus em um estágio muito avançado. Esse será o único equipamento do mundo, seremos pioneiros.</p>



<p>Está também previsto no PAC a ampliação do monitoramento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden); a ampliação da rede de banda larga do território brasileiro, principalmente para instituições de ensino, pesquisa e de saúde. Também vamos capacitar em larga escala pessoas na área de TI, porque nós temos um déficit de programadores no Brasil, há vagas e não tem programador. Nisso também vamos dar um recorte de gênero e de raça. Vamos ainda abrir 40 mil vagas para as pessoas viverem a experiência de programação e de solução de software junto às empresas, e isso vai dar outra inclusão social, principalmente para os jovens que não trabalham nem estudam ou que estão terminando o ensino médio e muitas vezes não continuam os estudos.</p>



<p>Nossa atuação é e continuará sendo multidisciplinar e multisetorial, está interligada com diversas áreas. Porém, nosso foco é na pesquisa e seus desenvolvimentos. Tudo o que diz respeito à pesquisa e a inovação está na nossa agenda.</p>
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