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	<title>Arquivos Ciências da Comunicação - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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		<title>Franklin Martins e Jean Wyllys debatem como o jornalismo pode resistir aos algoritmos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Oct 2021 21:33:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A resposta para a ultra segmentação dos algoritmos está na rua, na ágora”. É o que defende Franklin Martins, jornalista e ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, entre 2007 e 2010, no governo do ex-presidente Lula. “Tem que ter tecnologia, mas tem que ter a embocadura da praça pública. A ultra segmentação é coisa para [&#8230;]</p>
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<p>“A resposta para a ultra segmentação dos algoritmos está na rua, na ágora”. É o que defende Franklin Martins, jornalista e ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, entre 2007 e 2010, no governo do ex-presidente Lula. “Tem que ter tecnologia, mas tem que ter a embocadura da praça pública. A ultra segmentação é coisa para impedir que a política seja feita e decidida em praça pública. Temos que sair da bolha, falar com quem pensa diferente da gente”.</p>



<p>Figura central na resistência contra a ditadura militar, Franklin falou, nesta sexta-feira, 8 de outubro, sobre “jornalismo de resistência” durante o <a href="https://marcozero.org/intercom-maior-evento-cientifico-de-comunicacao-comeca-segunda-feira-e-sera-promovido-pela-unicap/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">44º Intercom – Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação</a>. Descartando a contratação de um “super marqueteiro”, como nas disputas anteriores, Lula convidou Franklin para coordenar a comunicação de sua pré-campanha a 2022. O jornalista, naturalmente, não quis falar sobre as estratégias que serão adotadas ao ser perguntado sobre o convite ao final da mesa no congresso.</p>



<p>Franklin dividiu o momento com o jornalista e ex-deputado federal Jean Wyllys e o juiz federal Edevaldo de Medeiros. A mediação foi de Felipe Pena, jornalista, psicólogo, roteirista e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). <a href="https://marcozero.org/a-comunicacao-sob-a-otica-de-paulo-freire-no-centro-dos-debates-do-44o-intercom/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Paulo Freire e a comunicação como prática de liberdade, resistência e cidadania</a> são os grandes temas deste ano do maior evento científico da área de comunicação da América Latina, que acontece na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife, até este sábado, 9 de outubro.</p>



<p>A mesa &#8211; sem participação de nenhuma mulher, diga-se de passagem -, frisou o tempo inteiro: resistência é a palavra-chave para entender o momento brasileiro. Como disse Pena, citando o guerrilheiro Che Guevara, lembrando dos exatos 54 anos de seu assassinato, em 8 de outubro de 1967, “A revolução vai começar depois que vencermos essa guerra”.</p>



<p>Franklin também falou sobre censura e pluralidade: “Não é só a censura um gravíssimo problema. Ela é intolerável, inadmissível, mas ela é um dos perigos que ameaçam a liberdade de imprensa e do resto da sociedade de se informar. O outro é a falta de pluralidade. Se houver monopólio, com agentes decidindo entre si o que pode ou não ser publicado, eles estão controlando uma área essencial, da circulação da informação e da organização do debate político”.</p>



<p>“Jornalismo e resistência são duas coisas muito ligadas, principalmente nas épocas mais sombrias da sociedade”, pontuou Franklin, que fez parte do movimento estudantil e começou a fazer jornalismo ainda na adolescência, na boca do golpe militar. “Minha geração cometeu vários erros, mas não cometeu o pior erro, que seria não lutar&#8221;, relembrou, ao frisar que a ideia de insubmissão foi essencial na construção da democracia e do jornalismo no Brasil.</p>



<p>Tão crítico quanto otimista, Franklin defendeu que “o jornalismo de manipulação esconde os grandes interesses da sociedade para fazer com que discursos que não têm consistência na sociedade possam dominar”. A fala dele cabe perfeitamente no atual momento em que narrativas valem mais do que verdades e também na análise da cobertura da Vaza Jato e, agora mais recentemente, do Pandora Papers. Nas palavras do jornalista, “a imprensa sentou em cima” dessas coberturas ao não repercuti-las como “gravidade monumental”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O aquário das bigtechs</h2>



<p>Partindo também da própria experiência de resistência individual, Jean Wyllys, que precisou renunciar ao mandato de deputado federal e hoje vive em Barcelona, na Espanha, disse que vem estudando modos de furar as bolhas e como ter comportamentos que não nos aprisionem às redes. “Com diversificação de conteúdo, perfis e produções que não possam ser escrutinadas pelos algoritmos”, cita.</p>



<p>Para ele, “as tecnologias não são em si problemáticas, nós humanos é que somos”. Sobre seu retorno ao Brasil, Jean adiantou: &#8220;Vamos criar um cinturão sanitário em torno da direita e, quando isso acontecer, eu vou voltar, eu vou querer voltar”.</p>



<p>Os debates do Intercom têm sido bastante permeados pela <a href="https://marcozero.org/intercom-discute-os-efeitos-perversos-do-monopolio-das-cinco-gigantes-da-internet/">discussão em torno das bigtechs</a>, das cinco gigantes Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft (“Gafam”). Sobre isso, Jean também defende a ideia das plataformas como colonizadoras do espaço e redutora das relações, num certo sentido: “Tínhamos um oceano a nossa frente e as plataformas e seus algoritmos, a forma como programa operam, criaram em torno de nós um aquário”. Tudo isso, complementa, para servir a um modelo de negócios, um capitalismo de plataforma, e que teve impactos negativos sérios nos processos democráticos e decisórios, levando à ascensão da extrema-direita em diferentes partes do mundo.</p>



<p>Não por acaso, em 2022, ano de eleições, o tema central do Intercom será desinformação.</p>



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