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	<title>Arquivos circo - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 23 Mar 2023 19:00:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos circo - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Fotógrafo da MZ expõe fotos do universo do circo no Recife Antigo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 19:00:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A exposição de fotografias do projeto Por trás da lona, do repórter fotográfico da Marco Zero Conteúdo, Arnaldo Sete, chega ao Recife neste final de semana depois de passar por Araripina, Caruaru e Palmares. Nos dias 25 e 26 de março, sábado e domingo, das 16h às 20h, a exposição estará na avenida Rio Branco, [&#8230;]</p>
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<p>A exposição de fotografias do projeto<em> Por trás da lona,</em> do repórter fotográfico da Marco Zero Conteúdo, Arnaldo Sete, chega ao Recife neste final de semana depois de passar por Araripina, Caruaru e Palmares. Nos dias 25 e 26 de março, sábado e domingo, das 16h às 20h, a exposição estará na avenida Rio Branco, no Recife Antigo.</p>



<p>A exposição, armada sob uma lona circense, que tem entrada gratuita, e conta com 32 fotografias no formato 30cm x 45cm, todas em preto e branco. “Em meus trabalhos autorais utilizo sempre essa estética, pois gosto de equilibrar as informações contidas na imagem, de forma que o observador possa caminhar seu olhar por toda superfície da fotografia e descobrir detalhes de cada composição”, explica o fotógrafo.</p>



<p>Em 2020, Arnaldo Sete mergulhou no universo circense. O mundo viva a pandemia e boa parte do seu período de “isolamento social”, se deu junto a artistas de um circo. Foram três meses acordando e dormindo com os profissionais que fazem parte do Circo Alves, instalação itinerante que estava em Caruaru, no agreste pernambucano, quando o projeto foi iniciado.</p>



<p>“A forma como fui acolhido pela família Alves foi inesquecível. As imagens que produzi foram feitas a partir do privilégio que tive de conviver com cada integrante e presenciar, de perto, situações que normalmente o grande público não tem acesso”, ressalta Arnaldo.</p>



<p>O projeto &#8220;Por trás da lona&#8221;, segundo o fotógrafo, buscou captar a essência da tradição circense itinerante, documentando a vida desses artistas para além do brilho e da espetacularidade do picadeiro, de modo a contribuir, de alguma forma, com a valorização e o reconhecimento dessa arte milenar. “A exposição chegou também para jovens, adultos e idosos que nunca tiveram a oportunidade de assistir um espetáculo circense”, conta Arnaldo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Arnaldo Sete e a exposição Por trás da lona. Crédito: Divulgação</p>
	                
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		<title>O esforço de uma trupe para salvar o circo</title>
		<link>https://marcozero.org/o-esforco-de-uma-trupe-para-salvar-o-circo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Mar 2022 19:56:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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		<title>O esforço de uma trupe de circo em Caruaru para recuperar o público e afastar a miséria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Feb 2022 19:07:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Faz mais de dois anos que o Circo Alves parou de viajar pelo Brasil. Desde o início da pandemia, a sua trupe tem circulado apenas pelos bairros de Caruaru, no Agreste.  Atualmente montado no distrito de Xicuru, zona rural do município, o circo tinha capacidade para receber mais de 500 pessoas antes da pandemia, mas [&#8230;]</p>
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<p>Faz mais de dois anos que o Circo Alves parou de viajar pelo Brasil. Desde o início da pandemia, a sua trupe tem circulado apenas pelos bairros de Caruaru, no Agreste.  Atualmente montado no distrito de Xicuru, zona rural do município, o circo tinha capacidade para receber mais de 500 pessoas antes da pandemia, mas hoje seus artistas, se alegram quando conseguem vender 50 ingressos por noite. </p>



<p>A família Alves mantém uma tradição circense que passa de geração para geração. A líder da trupe, Ira Gerdênia Alves, conhecida como Tita Alves, que nasceu e cresceu no circo, conta que, desde março de 2020, tem passado por dificuldades jamais vistas por ela ao longo do seu tempo de circo, ou seja, nos seus 52 anos de vida. “Em todo esse tempo, eu nunca me vi passando por uma situação como essa. Chegar ao ponto de faltar leite para os meus netos? Nunca. A gente sempre conseguiu o básico para deslocamento, manutenção das coisas, mas com a pandemia tem sido muito difícil”.</p>



<p>Na verdade, as restrições impostas pela pandemia só agravaram os problemas dos Alves, que, pouco tempo antes de ser decretado o <em>lockdown</em>, em janeiro de 2020, viram a lona do circo ruir, durante um temporal que atingiu o Agreste, período em que a família circense rodava com o seu espetáculo pela região. No desabamento, os artistas perderam muitos equipamentos e a sua única fonte de renda. “O meu circo caiu, acabou o meu circo. Iluminação, cadeira, aparelho de magia, som. Perdemos praticamente tudo”, conta Ira.</p>



<p>As dificuldades dos Alves foram começaram antes da pandemia e foram agravadas pela perda da lona, porém situação semelhantes se passa com a maior parte das quase 10 mil pessoas que tiram seu sustento nos <a href="http://dados.cultura.gov.br/dataset/mapeamento-dos-circos-no-brasil-por-macroregioes" target="_blank" rel="noreferrer noopener">651 circos brasileiros</a> mapeados pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) em 2020. Em março de 2021, a Associação Brasileira de Artes, Cultura e Diversões Itinerantes (ABACDI) informou à <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-03/sem-bilheteria-e-sem-calor-humano-pandemia-desafia-artistas-de-circo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Brasil </a>que a maioria dos artistas circenses não teve acesso aos recursos da Lei Aldir Blanc em razão da burocracia imposta pelos governos estaduais e municipais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Esperança durou pouco</h2>



<p>Em fevereiro de 2020, o Circo Alves teve uma chance para se recuperar da crise pela qual passava. Um amigo da família, que também é um artista circense, emprestou uma lona para que os Alves seguissem com os seus espetáculos e, assim, pudessem recuperar o ritmo de apresentações e de viagens que costumavam fazer antes da primeira paralisação das atividades. </p>



<p>A lona emprestada, que até hoje está com a família, é menor do que a antiga danificada pelo temporal. Isso fez com que os espetáculos sofressem adaptações e também com que a capacidade do circo para receber o público diminuísse. Mesmo assim, havia esperança de recuperação. Ainda que o circo recebesse menos gente, os artistas poderiam continuar circulando por vários lugares, como acontecia antes. </p>



<p>No entanto, infelizmente, em março veio a pandemia e a crise se agravou. O Circo Alves ficou preso em Caruaru. Não pôde sair da cidade e, de início, claro, nem abrir as suas portas ou rodar pelos bairros caruaruenses. “A pandemia foi a gota d’água. A gente está sempre mudando, a cada 15 dias, e tudo precisa de manutenção. A partir do momento que você passa mais de seis meses parado, tudo perece. As coisas enferrujam. Eu acordo à noite assustada, com medo de perder essa lona”, conta Tita.</p>



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	                                        <p class="m-0">Próxima da miséria, família de Tita Alves divide pequenos trailers sucateados. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">Do picadeiro para o sinal de trânsito</h3>



<p>Os integrantes da família Alves nunca trabalharam com outra coisa. De repente, precisaram buscar alternativas para conseguir se sustentar e manter o circo de pé. Isso abalou a família não só financeiramente, mas também psicologicamente. Tita Alves conta como foi difícil o período mais crítico para a sua família até aqui, desde o início da pandemia. “Nós fomos para os sinais aqui de Caruaru. Tudo o que aparecia, a gente tentava fazer. Arrumava um bico aqui, outro ali. A minha maior dor era ver meu material estragando e o meu psicológico ficar abalado. O sinal serviu para eu não enlouquecer. Eu trago uma carga genética itinerante. A gente não aguenta passar mais de um mês em canto nenhum. Nossa vida é o circo. Nós nascemos no circo, vivemos no circo, engravidamos no circo. Nós simplesmente não moramos em lugar nenhum”.</p>



<p>Ao todo, 25 pessoas integram o Circo Alves. Muitas delas precisaram se mudar e acompanhar outros parentes, também donos de circo, espalhados por outros lugares do país. Ao lado de Tita, ficaram o marido, dois filhos, duas noras, quatro netos e um sobrinho com a sua esposa e dois filhos. Ela conta que, além de se separar, a família precisou vender alguns veículos e até equipamentos usados nos números dos espetáculos. “Vendemos muita coisa. Vendemos trailer, carro de propaganda, som, e até aparelhos de mágica. O que a gente podia vender pra se manter, a gente vendeu. Tudo tem sido muito difícil”. </p>



<p>Mesmo com a volta gradual aos teatros, cinemas e outros eventos sociais, continua sendo difícil para a família Alves se manter com o pouco que consegue arrecadar na bilheteria do circo. Ainda assim, Tita se mantém otimista e segura da importância do seu trabalho e da sua arte. “Nesse retorno, que não é um retorno total, a gente está trabalhando bem mais barato, trabalhando clandestinamente, sem poder pagar as taxas que a prefeitura exige pra gente poder ocupar o espaço. Mas isso aqui é a minha vida. E a cultura vai perder muito se eu desistir do meu circo. A cultura salva, preserva a história. A arte permite ao ser humano sonhar. Eu não desisto fácil. Nessa pandemia, a gente não espera muita coisa,  só o suficiente pra gente ir se mantendo. O que Deus me der a mais, eu sou grata”.</p>





<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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<p></p>
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		<title>O circo popular e o espetáculo do respeito à diversidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Mar 2019 14:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No bairro da Macaxeira, Zona Norte do Recife, o respeitável público que costuma comparecer às apresentações da Escola Pernambucana de Circo (EPC) talvez não imagine que o maior dos espetáculos da organização aconteça todos os dias longe dos holofotes. A escola que funciona há 22 anos tem como princípio o conceito do “circo social”, em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No bairro da Macaxeira, Zona Norte do Recife, o respeitável público que costuma comparecer às apresentações da Escola Pernambucana de Circo (EPC) talvez não imagine que o maior dos espetáculos da organização aconteça todos os dias longe dos holofotes. A escola que funciona há 22 anos tem como princípio o conceito do “circo social”, em que os alunos aprendem, para além das artes circenses, o exercício da cidadania. Lá, o racismo e outros tipos de preconceitos são debatidos frequentemente e de forma aberta, ultrapassam os limites do que hoje é conhecido em muitas escolas regulares apenas como bullyng.</p>
<p>Quem acessa o site da instituição para entender um pouco de sua história, se depara com uma citação de Paulo Freire: “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.”. Questionada sobre a ligação entre a pedagogia utilizada na escola e o educador e filósofo pernambucano, a coordenadora pedagógica da EPC, Paula de Tárcia, afirma que a união acontece a partir da “educação popular”.“O que utilizamos muito de Freire é a consideração pelo que os meninos e meninas trazem, a vivência que compartilham. Eles têm história, têm experiência e é a partir disso que buscamos trabalhar a cidadania”, explica.</p>
<p><div id="attachment_14450" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Escola-Pernambucana-de-Circo_5fotos.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14450" class="wp-image-14450 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Escola-Pernambucana-de-Circo_5fotos.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="896" /></a><p id="caption-attachment-14450" class="wp-caption-text">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Atualmente, 52 crianças e 38 adolescentes fazem parte dos cursos pedagógicos da instituição que divide os grupos em faixas etárias de 6 a 10 e de 10 a 15 anos. Há rodas de avaliação no início e no fim de cada aula, em que os alunos comentam um pouco de si e sobre o que aprenderam naquele dia. Quinzenal ou semanalmente, acontecem rodas de diálogos direcionadas pelos arte-educadores e os temas são definidos a partir das demandas expressas pelos estudantes naquele período.</p>
<p>Na última quinta-feira (21), os direitos humanos foram debatidos na roda de diálogo e o marco de um ano da morte da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada no dia 14 de março de 2018, também foi um ponto de discussão. Marielle era negra e periférica, assim como muitos dos alunos da escola, mas eles já convivem com grandes referências no dia-a-dia.</p>
<p>Júlia Vitória Lopes, de 12 anos, está há três aprendendo as artes do circo e conta que se inspirou em uma prima mais velha. Seguindo a tradição, levou mais dois primos para a escola, porque se sente “livre” quando sai de sua casa no Alto Santa Isabel e cruza o limite entre a Avenida José Américo de Almeida e a grade vermelho e amarela da EPC. “Queria soltar sempre meu cabelo, mas tem lugares que tenho vergonha de fazer. Na escola de circo eu amo meu cabelo, mas antes de chegar na outra (a escola regular) eu amarro, porque as pessoas ficam comentando. Aqui é outro lugar, é muito diferente. Eu acho que é muito importante o respeito e aqui levamos a sério.”</p>
<p><div id="attachment_14564" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Julia-e-Karol.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14564" class="wp-image-14564 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/Julia-e-Karol.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="536" /></a><p id="caption-attachment-14564" class="wp-caption-text">Júlia e Karol, aluna e educadora. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Júlia tem um ano a mais de vida do que o tempo que a arte-educadora Maria Karolyna, de 21 anos, está na instituição. Chegou pequena, sem imaginar que ocuparia este lugar de troca daquilo que aprendeu brincando e seria referência para outras meninas que se veem nela. No mesmo passo, também há onze anos na escola, segue o arte-educador Ítalo Feitosa, de 23, que atualmente cursa educação física. Ítalo diz que descobriu sua potência como pessoa negra através do circo.</p>
<p>Mesmo na idade em que a escolha da profissão não é uma decisão necessária, muitas crianças e adolescentes afirmam a vontade de seguir carreira no circo. “Me espelho no jeito de ser de Karol e pelo fato dela ser muito empoderada, e porque é contorcionista. Já Ítalo, eu o admiro por causa força que ele tem.”, explica Larissa Beatriz Ferreira, de 14 anos, integrante da Trupe Circus. Ela foi transferida para a trupe antes de terminar o pedagógico. Entre mulheres da turma adulta, Larissa participou do espetáculo Flores Fortes, que aborda a sororidade –aliança entre mulheres baseada na empatia e companheirismo.</p>
<p>Ela gosta de fazer acrobacias aéreas e, com o Flores Fortes, passou a olhar com mais carinho para o malabarismo. Contudo, as artes do circo dividem espaço no seu coração com o seus sonhos de cursar direito e se tornar juíza e também de ser atleta de ginástica olímpica. Larissa, tem um bom tempo para pensar sobre suas escolhas profissionais, mas há aprendizados que teve na organização circense que irá levar para qualquer decisão que tomar.</p>
<p>“Aqui dentro somos respeitados. Podemos ser como for, mas depois daquele portão todo mundo começa a lhe respeitar. É como se fosse minha casa, porque tudo o que acontece lá fora some da minha cabeça quando eu passo por aquele portão. Eu me sinto bem no circo, não só porque estou há muitos anos na escola, mas porque o que faço me faz bem e o sorriso de todos me faz bem.”, conta.</p>
<p>[Best_Wordpress_Gallery id=&#8221;86&#8243; gal_title=&#8221;Escola Pernambucana de Circo&#8221;]</p>
<p>Jair Simão de Freitas Júnior, de 21 anos, conheceu a EPC há dois anos quando participou do curso de Introdução às Artes Circenses para jovens e adultos. Hoje atua como monitor das turmas do pedagógico. Morador do bairro do Fundão, na Zona Norte da capital, entrou na escola em um momento significativo da sua vida, quando estava descobrindo sua negritude apesar de sua pele mais clara, assumindo seu cabelo crespo e revendo conceitos que aprendeu desde pequeno. Para ele, quanto mais cedo estes processos de construção da identidade racial e social de uma pessoa acontecem, melhor.</p>
<p>“Acho que se eu tivesse me descoberto antes podia ser ainda melhor. Nunca deixei meu cabelo grande, só depois de crescer e entender algumas coisas, algumas questões. Fui vendo porque eu nunca tinha deixado crescer, sabe? Minha mãe achava que eu poderia sofrer racismo na escola, na rua, quando essa prática dentro de casa é também uma prática racista. Depois disso muita coisa mudou na minha vida, eu evidenciei minha negritude e gritei para o mundo que eu não tenho vergonha disso.”</p>
<p>Atuando no pedagógico, Jair fala que despertou ainda mais sua vontade de cursar a licenciatura em dança na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Gosta de unir o circo à dança, expressão artística que o acompanha desde 2015, quando fazia aulas na Escola Municipal de Artes João Pernambuco e no Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-13083 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg" alt="bannerAssine" width="730" height="95" /></a></p>
<p>“Dar aula ativa muitas coisas em mim que eu vou levar para a cena, sabe? A atenção e o foco, por exemplo. Vim aqui para somar o circo a minha dança e, quando fiz o curso de iniciação circense, me joguei para ser voluntário na escola. Eu adoro crianças e descobri o quanto é incrível estar facilitando a arte para elas que tem uma realidade tão semelhante a minha. Eu nunca passei por um processo acadêmico e as pessoas aqui me deram a oportunidade de ser um educador. Eu penso que as minhas vivências me ajudam muito como um ser social.”</p>
<p>Os pais e mães dos alunos assim como a comunidade do entorno da Escola Pernambucana de Circo não ficam de fora dessa construção de respeito à diversidade e combate aos preconceitos. Com 47 anos, Irês Francis de Barros vê a escola como uma “segunda casa” para ela e sua filha Aline Barros, de 11 anos, que está há quase um ano no curso pedagógico. Cuida da filha apenas com a renda que tira da coleta de materiais recicláveis desde que seu esposo faleceu há três anos.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Circo Popular e Cidadania" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/O_cn0d7hGcQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>“Eu digo: filha, você pode ser uma grande artista de circo. Digo isso porque ela mudou bastante desde que começou aqui, está mais afetiva, carinhosa e fez muitas amizades”</p>
<p>Janaina Lopes dos Santos, de 39 anos, é mãe de Poliana Lopes, que está há dois anos na EPC. Tem notado que a filha já coloca o circo em seus planos futuros. “Ela mudou o comportamento, está mais responsável. Fala sobre muitas profissões, mas, por enquanto, ser artista circense é o que está com mais força.”</p>
<p>Além das aulas, a escola realiza projetos como o Lona Verde, em que as alunas e os alunos escolhem lugares da comunidade para construir canteiros públicos com materiais reutilizados e o Se liga aí, um quadro em que notícias sobre política e economia são evidenciadas para estimular o debate a respeito da conjuntura política e social do país. A escola atende crianças, adolescentes e jovens da capital pernambucana e de toda Região Metropolitana do Recife (RMR).</p>
<p>As turmas voltadas para este público fazem parte do projeto Brincar e Aprender para Crescer e já estão formadas desde o início de fevereiro. Contudo, interessados em mais informações podem acessar o site o oficial da <a title="Escola Pernambucana de Circo" href="http://www.escolapecirco.org.br/website/">Escola Pernambucana de Circo</a> e visitar a organização no endereço: Avenida José Américo de Almeida, nº05, Macaxeira (Recife-PE).</p>
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