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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Moradores da Comunidade do Bode pedem paz e justiça após tiroteio que matou criança de um ano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jun 2023 13:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade do Bode]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por volta das 23h da última sexta-feira, 2 de junho, Andréa Carla Barros, de 17 anos, e sua filha, Aryelly Lavínia Barros, de 1 ano e 2 meses, estavam em uma lanchonete na Rua Oswaldo Machado, na Comunidade do Bode, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife, quando foram atingidas por disparos de arma [&#8230;]</p>
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<p>Por volta das 23h da última sexta-feira, 2 de junho, Andréa Carla Barros, de 17 anos, e sua filha, Aryelly Lavínia Barros, de 1 ano e 2 meses, estavam em uma lanchonete na Rua Oswaldo Machado, na Comunidade do Bode, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife, quando foram atingidas por disparos de arma de fogo. A mãe foi socorrida e sobreviveu, mas a criança não resistiu aos ferimentos e morreu. </p>



<p>Além de Andréa e Aryelly, os disparos atingiram os moradores Cláudio Barbosa, de 22 anos, Ana Karolina Rodrigues, de 23 anos, e Rosane Gomes, de 47 anos. Rosane também não resistiu e faleceu no local. As demais vítimas foram socorridas no Hospital da Restauração (HR) e já receberam alta. </p>



<p>De acordo com a Polícia Militar, o tiroteio foi realizado por homens encapuzados que efetuaram os disparos na comunidade. O caso está sob investigação da Polícia Civil de Pernambuco e foi registrado como dois homicídios dolosos &#8211; quando há intenção de matar &#8211; consumados e três homicídios tentados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Insegurança e revolta na Comunidade</strong></h2>



<p>O tiroteio que resultou na morte de duas pessoas despertou revolta da população na Comunidade do Bode. A fim de chamar a atenção do poder público na garantia de segurança para o bairro e em memória das vítimas, nesta segunda-feira, 5 de junho, integrantes de movimentos sociais que atuam na comunidade realizaram uma manifestação. </p>



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	                                        <p class="m-0">O ato foi convocado por familiares de Aryelly Lavínia e integrantes de movimentos sociais da Comunidade do Bode. Crédito: Ingrid Veloso / Coletiva Cabras</p>
	                
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<p>O ato teve início às 16h, na Rua Oswaldo Machado, local onde ocorreu o tiroteio, e às 18h seguiu em caminhada até a Igreja do Pina, na Avenida Herculano Bandeira.Vestidos de branco e carregando bolas brancas e cartazes, moradores da Comunidade do Bode, familiares das vítimas e líderes de movimentos sociais do bairro clamaram por paz e justiça.</p>



<p>“Nós estamos fazendo um ato simbólico para demonstrar solidariedade aos familiares e também para cobrar justiça. A comunidade toda respira esse sentimento de luto e impunidade, porque a gente acompanha esses casos, tidos como tragédias, acontecendo frequentemente. A gente fica só esperando o próximo caso e é muito triste que isso continue acontecendo, é um descaso com as nossas vidas, principalmente com os jovens e as crianças da favela”, declarou Mariana Passos, integrante do Maracatu Encanto do Pina e do grupo Maracatu Baque Mulher. </p>



<p>Aryelly também participava das ações dos movimentos sociais que atuam na Comunidade do Bode. Com apenas um ano, a criança já integrava e participava das reuniões do maracatu junto com a mãe. Ainda se recuperando da tragédia, Andréa não conseguiu participar do ato desta segunda-feira.</p>



<p>“Andréa ainda está muito abalada. Ela tem ferimentos por várias partes do corpo: cabeça, braço, perna, por isso ela está em casa se cuidando. Mas a pior dor que fica é a perda da filha, a ficha do que aconteceu ainda está caindo e está sendo muito difícil, principalmente, pra ela que tem apenas dezessete anos e já perdeu uma filha dessa forma”, disse Mariana Passos. </p>



<p>Bastante abalados, o pai de Aryelly, Guilherme Nogueira, e a avó da criança, Joana D’arc Barros participaram da manifestação. “Foi a primeira filha que Deus me deu e esses bandidos levaram. Eu só quero justiça”, declarou o pai da criança.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ato em memória de Aryelly Lavínia. Na imagem: à esquerda, Joana D&#8217;arc, avó da criança. À direita, Mariana Passos. Crédito: Ingrid Veloso / Coletiva Cabras</p>
	                
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<p>Para os integrantes das organizações Maracatu Encanto do Pina, Baque Mulher, Coletiva Cabras e Projeto Criança Urgente &#8211; Procriu, que organizaram o ato por paz e justiça na Comunidade do Bode, a tragédia do dia 2 de junho é um atestado do cenário de descaso e insegurança que faz parte do cotidiano da população. </p>



<p>“Esse ato é também uma chamada para o poder público atuar na nossa comunidade através da educação, da convivência cidadã, trazendo oportunidades para as pessoas. Os movimentos sociais estão aqui tentando suprir aquilo que o poder público não dá à comunidade e mesmo assim, com todo nosso empenho, de repente, a vida de uma criança que integra nossos projetos é tirada de uma forma violenta. Não é com violência que vamos resolver e sim trazendo educação e cidadania para essas pessoas”, afirmou Luiz Henrique dos Santos, liderança do Projeto Criança Urgente &#8211; Procriu.</p>



<p>De acordo com o levantamento do Instituto Fogo Cruzado, em 2023, já ocorreram 6 tiroteios no bairro do Pina. Ao todo, sete pessoas morreram e três ficaram feridas. No primeiro semestre de 2022, o Instituto mapeou dez tiroteios no bairro. Na época, seis pessoas morreram e duas ficaram feridas. </p>



<p>A integrante da Coletiva Cabras, Ana Menezes, reforçou do cotidiano violento da Comunidade do Bode, no Pina: “A gente tá passando por um processo de apagamento da vida das pessoas que vivem dentro da favela e nós resolvemos fazer essa mobilização também para trazer visibilidade para a comunidade e para que o poder público possa trazer soluções para a violência. Não chegar com ações truculentas pra dentro do bairro, mas pensar estrategicamente como acabar com a violência”.</p>



<p>“A minha neta era uma criança muito querida na comunidade e graças a ela todo mundo se mobilizou. Eu quero justiça pela minha neta, uma criança que morreu inocentemente, e também pela minha filha que está sofrendo muito. A gente só quer paz”, declarou Joana D’arc Barros, avó de Aryelly. </p>



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		<title>Minha casa vai cair</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Dec 2020 21:59:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade do Bode]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por LIVROTECA BRINCANTE DO PINA* Cercada por arranha-céus, prédios de luxo e condomínios fechados dos bairros do Pina e Boa Viagem, o Bode, Comunidade Tradicional Pesqueira localizada na Zona Sul do Recife, segue resistindo às ofensivas da especulação imobiliária e violência do Estado. A comunidade do Bode integra a ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por</strong> <strong>LIVROTECA BRINCANTE DO PINA</strong>*</p>



<p><strong><em>Cercada por arranha-céus, prédios de luxo e condomínios fechados dos bairros do Pina e Boa Viagem, o Bode, Comunidade Tradicional Pesqueira localizada na Zona Sul do Recife, segue resistindo às ofensivas da especulação imobiliária e violência do Estado.</em></strong></p>



<p>A comunidade do Bode integra a ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) do Bairro do Pina. De acordo com a Prefeitura do Recife, aproximadamente 12.000 habitantes vivem em uma extensão territorial de 1 km², entre palafitas, barracos e casas de alvenaria localizadas às margens do Rio Capibaribe. Situada entre dois dos bairros mais caros e elitizados de Recife, Boa Viagem e o Pina – atual metro quadrado mais caro da cidade –, a comunidade encontra-se inserida em uma lógica urbana que privilegia os interesses das classes mais abastadas e do capital privado. O processo de verticalização sofrido evidencia um contraste muito além do arquitetônico: a desigualdade social.</p>



<p>Apropriando-se dos sonhos de melhorias nas condições de vida, as grandes imobiliárias, em parceria com a Prefeitura do Recife, prometem um planejamento de cidade mais justa e para todos. No entanto, essa dinâmica é pensada virada de costas para o mangue e de frente para o mar, sem levar em consideração os modos de vida, memórias e necessidades da população. Assim, as grandes construções urbanas dos últimos anos, como, por exemplo, o Shopping RioMar, concluído em 2015, tem seu início e término concretizados sem consulta popular ou mesmo pesquisas que mensuram o impacto direto no cotidiano dos moradores e moradoras que, além de serem retirados dos seus lugares, vêem a sua principal fonte de renda ameaçada, já que grande parte da sujeira produzida pelo empreendimento é expelida na maré, poluindo as águas e dificultando a atividade de pesca. O controle e nivelação da cidade, desse modo, não se restringem a ignorar a existência de determinados grupos sociais, com seus anseios e histórias, mas também surge como uma tentativa de expulsá-las da paisagem urbana.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Victor Farias</p>
	                
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<p>No bairro do Pina, o projeto de habitacional e espaço público desenvolvido pela Prefeitura do Recife para o terreno do Antigo Aeroclube de Pernambuco avança sem participação da comunidade que mora no entorno. Desapropriado em 2013 para a construção da Via Mangue, o terreno passou por um período de disputa na Câmara Municipal, até ser apresentada a proposta de habitação popular, com a construção do Conjunto Habitacional Encanta Moça I e II, UPA e creche. A área reservada para moradia e equipamentos públicos, no entanto, ocupa a menor parcela do terreno, sua grande extensão destina-se à construção do que é apresentado como maior parque urbano da cidade do Recife, com 11,9 hectares de área.</p>



<p>Na capital pernambucana, o déficit habitacional chega a 71 mil casas, o que torna as promessas políticas de moradia popular rentáveis eleitoralmente. A construção do habitacional destinado às famílias moradoras de palafitas da comunidade do Bode, Beira Rio e Brasília Teimosa foi uma das principais bandeiras de campanha do primeiro mandato do atual prefeito Geraldo Júlio (PSB), em 2012. Após 8 anos de espera, as obras começaram no segundo semestre de 2020, ano de eleições municipais. Sem a participação das famílias que residem nas palafitas, as obras seguem interferindo nas dinâmicas de cooperação e gerando situações internas de conflito, já que o número de 600 moradias apresentado pela prefeitura não corresponde às demandas por habitação das comunidades vizinhas.</p>



<p>“<em>O habitacional… seria bom o habitacional… Mas para mim mesmo, seria melhor aqui, na ocupação. Porque aqui a gente faz de alvenaria, do tamanho da gente. A gente tá acostumado aqui, já conhece as pessoas, os vizinhos… </em>” explica Márcia, 52 anos e moradora do Sítio dos Pescadores, desde a criação da ocupação no Bode, em 2015. Assim como a maioria dos moradores da comunidade, o sonho de Márcia é poder ter acesso à moradia digna e segura, sem risco de despejo por parte do poder público, ou de desastres associados às chuvas fortes e incêndios influenciados pelo sistema de eletricidade improvisado. Devido à falta de infra-estrutura, no mês de agosto deste ano, um incêndio acometeu o Sítio dos Pescadores, impactando diretamente três residências e colocando em risco todas as famílias. Após a situação de calamidade, mais precisamente no dia 5 de outubro, data em que se comemora o Dia Mundial do Habitat, as 96 famílias moradoras da ocupação conquistaram, ao lado do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Mandata Coletiva das Juntas (PSOL), a regularização fundiária da área.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Sabe-se, no entanto, que a criação de habitacionais não é o suficiente. É preciso que exista, simultaneamente, a elaboração de projetos políticos que acabem com as raízes da desigualdade. Há uma necessidade de mudança que vai além da moradia. A ausência de vontade real de colocar fora do estado de pobreza as pessoas se escancara nas promessas feitas pelo Estado, onde não há, por exemplo, um planejamento sobre como aquelas pessoas realocadas nos habitacionais vão manter as despesas com energia elétrica e água encanada, ou como elas vão acessar a sua fonte principal de sustento: a maré. Uma solução igual para todas as pessoas não permite o acesso à igualdade; ao contrário, uniformiza modos de vida, saberes e paisagens, desacelerando o processo de chegada a uma sociedade mais justa, respeitosa das diferenças e necessidades.</p>



<p>As palafitas são moradias tradicionais em comunidades pesqueiras e estão presentes em outras regiões do país. Basta conversar com um dos moradores da comunidade para entender a urgência da criação e efetivação de políticas de preservação. A consequência da ausência de planejamento público destinado a esse tipo de habitações, sustentadas por estroncas de madeira às margens do rio, é a precarização. Mayara, 20 anos, morando em uma palafita desde criança, explicou que as madeiras não tratadas para uso em área molhada e sujeitas às oscilações da maré, precisam ser trocadas a cada 6 meses para não cair. Esse mesmo cuidado vale também para as paredes e telhados, assim como o chão das casas. A necessidade de troca semestral das estroncas<strong> </strong>contradiz a ideia comum de que as pessoas que vivem em palafitas moram “de graça”. Além disso, as famílias moradoras relatam ter perdas materiais e/ou sofrerem acidentes dentro de casa devido ao apodrecimento do material em que as palafitas são construídas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Quando a maré enche, a água traz de volta o lixo da cidade para dentro das casas, e com eles os ratos, expondo seus moradores a zoonoses. Crianças andam em meio ao lixo e mães, como Lene, que nos relata as noites mal dormidas com medo que os ratos que circulam nas palafitas mordam seus filhos. A maré e o manguezal acabam virando um esgoto a céu aberto por causa do descaso das autoridades públicas que, além de prejudicar as oportunidades dos moradores de saírem do estado de pobreza, invisibiliza e destrói um patrimônio urbano e ambiental do país: o ecossistema do manguezal. O mangue é o berço de várias espécies e de grande importância para a melhoria do ar, por servir como um filtro biológico, absorvendo boa parte dos nutrientes advindos da poluição nos rios, além de fonte de renda e alimentação de diversas famílias que vivem da pesca.</p>



<p>O Recife se ergueu sobre o manguezal e possui a maior área de mangue em espaço urbano do país. Ainda assim, persiste a necessidade de investimentos públicos para um melhor direcionamento do lixo produzido na cidade, como a implementação e aumento da coleta de escombros e do tratamento de esgoto para as comunidades contíguas à maré. Aliado a isso, conscientizar e educar toda a sociedade sobre a valorização do mangue ainda se faz necessário.</p>



<p>Enfrentando essas dificuldades e na urgência de encontrar soluções para conseguir sobreviver, os moradores respondem por meio de organizações coletivas.<strong> </strong>A maioria das palafitas são erguidas e mantidas em modelos de autoconstrução, por meio da cooperação de familiares e vizinhos. Coletivos criados dentro da comunidade como a Livroteca Brincante do Pina, uma biblioteca comunitária, e a aceleradora social Palafitti Produções, que nasceram às margens da maré, dentro de palafitas, e são referências de ações em nível cultural e político.</p>



<p>O fato é que a comunidade do Bode não é um caso isolado. O descompasso existente entre as necessidades de milhares de pessoas e as políticas de habitação social, visto que somente 10.072 moradias populares foram construídas nos últimos 19 anos, se reflete nas lutas diárias, muitas vezes em condições desumanas, que muitas comunidades do Recife ainda enfrentam. Situação agravada pela crise sanitária da Covid-19, que revelou, mais uma vez, o quanto as existências, capacidades e conhecimentos de moradores de favelas estão sujeitos à desvalorização estrutural. Além dos problemas rotineiros, que vão desde incêndios até doenças transmitidas por ratos, as comunidades sofrem os maiores impactos da pandemia.</p>



<p>Primeiro pelas dificuldades de manter o isolamento social e higiene pessoal quando as casas possuem em média dois cômodos e não se tem água encanada. Segundo pelos danos colaterais da pandemia, como o aumento substancial dos preços de bens de primeira necessidade, desde o botijão de gás até o álcool em gel. Passado o auge da pandemia, restam seus ecos, como a precarização dos postos de trabalho e o aumento do desemprego. Para quem vem ouvir, muitas vezes as histórias dos moradores são de luta para conseguir o básico necessário. Assim, Lelo, desenhista autodidata de 26 anos, conta que coloca de lado seu sonho de ser desenhista profissional para trabalhar em outras atividades e conseguir renda suficiente para sustentar a família e realizar melhorias em sua casa, onde vive com a sua esposa e suas três filhas.</p>



<p>Moradia digna é um direito humano somente garantido quando há respeito às culturas, pertencimentos e histórias de todos e todas. As comunidades pesqueiras são patrimônio da nossa cidade e a melhor maneira que pescadores e pescadoras encontraram para ter acesso à maré, por isso, precisam ser mantidas de pé, com dignidade. É necessário haver uma resposta estatal imediata e eficiente, que incorpore as demandas de seus habitantes em suas ações. Como aponta Leydiane, 25 anos, mãe de 2 filhas e moradora do Beco do Sururu: <em>“Precisamos de uma moradia digna, onde a gente pode botar a cabeça e dizer que não vai sair, não vai ter risco de cair, e não vai ter medo de ir ali na venda e voltar com tudo destruído, tudo caído e a maré levando.”</em></p>



<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="jGfJ6mVZPO"><a href="https://marcozero.org/minha-casa-vai-cair/">Minha casa vai cair</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Minha casa vai cair&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/minha-casa-vai-cair/embed/#?secret=SCO5nASToc#?secret=jGfJ6mVZPO" data-secret="jGfJ6mVZPO" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>



<p>*A <strong>Livroteca Brincante do Pinaé um projeto de incentivo à leitura, integração artística, cultural e ambiental que tem como base uma biblioteca comunitária, com foco na informação popular. É localizado na Comunidade do Bode, bairro do Pina, Zona Sul do Recife.Nesse tempo de pandemia, a Livroteca se mobiliza para informar a população do Bode acerca do coronavírus e realiza ações de assistência emergencial, entregando comida e materiais de higiene para as famílias da comunidade.</strong></p>
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		<title>Minha casa vai cair &#8211; fotorreportagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Dec 2020 21:58:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[bacia do pina]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade do Bode]]></category>
		<category><![CDATA[especulação imobiliária]]></category>
		<category><![CDATA[território pesqueiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por LIVROTECA BRINCANTE DO PINA* A comunidade do Bode se situa na Zona Sul de Recife, Pernambuco, às margens do Rio Capibaribe e entre os bairros de Boa Viagem e do Pina. A Igreja do Pina e seus arredores em 1920. Nessa época ainda não existiam prédios no Pina e em Boa Viagem. O manguezal [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por LIVROTECA BRINCANTE DO PINA</strong>*</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Mapa Turístico de Recife/Acervo da Prefeitura do Recife</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">A comunidade do Bode se situa na Zona Sul de Recife, Pernambuco, às margens do Rio Capibaribe e entre os bairros de Boa Viagem e do Pina.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Divulga Pernambuco</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">A Igreja do Pina e seus arredores em 1920. Nessa época ainda não existiam prédios no Pina e em Boa Viagem. O manguezal estava ocupando quase todo o espaço atrás da igreja. Foi nos anos 1930 que famílias começaram a ocupar o trecho de ilha “Encanta Moça” que iria ganhar o nome de Comunidade do Bode por conta da criação do animal à beira da maré.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-dots"/>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: 1950/Pescadores do Pina/Ajax Lins Pereira</p>
	                
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                    </figure>

	


<p class="has-text-align-center">Os pescadores tomaram a posse do Pina por fruto de muito trabalho, aterrando os terrenos para construir casas de alvenaria, além das palafitas.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-dots"/>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<p class="has-text-align-center">A comunidade do Bode vista desde a Via Mangue: o Rio Capibaribe e o manguezal, as palafitas e as casas de alvenaria. No fundo, os prédios de Boa Viagem. Uma verticalidade que contrasta com a horizontalidade das moradias das 10 mil pessoas que vivem na beira da maré. Uma evidência visual da especulação imobiliária e da desigualdade social.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">As palafitas são moradias tradicionais dos pescadores e pescadoras da Comunidade do Bode, fazendo parte do patrimônio da cidade do Recife. Ainda assim, o olhar das políticas públicas de urbanização desconsidera toda essa história, negligenciando seu papel fundamental para garantir os direitos básicos dessas pessoas. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">O bairro da Beira Rio, apelidado como Beco do Sururu, faz parte do manguezal do Pina, na Zona Sul do Recife. Na localidade falta acesso a serviços básicos como esgoto, água, ou eletricidade. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">Para chegar até as casas do Beco do Sururu, é preciso passar entre becos feitos de madeira. Os moradores constroem as suas habitações com o material que encontram. Usando gambiarras para conseguir eletricidade, que são extremamente perigosas por causa dos riscos de incêndio. </p>



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<p class="has-text-align-center">O Beco do Sururu tem apenas uma torneira e uma bomba de água para mais de 50 famílias. Os moradores vêm sofrendo há mais de um mês sem água nas torneiras, tendo que pegar em baldes no rio para lavar alimentos e para usos pessoais. </p>



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<p class="has-text-align-center">Por serem construídas na beira do rio e expostas às oscilações da água, as palafitas precisam de muito cuidado e manutenção para não desabar. A cada seis meses as colunas de sustentação deveriam ser trocadas. </p>



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<p class="has-text-align-center">Muitas palafitas são construídas com restos de madeira, apresentando altos riscos de cair. </p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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</div></div>



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<p class="has-text-align-center">Basta olhar para descobrirmos o manguezal: um ecossistema costeiro de transição terrestre e marinha. Aqui no Pina encontramos o &#8220;Parque dos Manguezais&#8221;, resistindo há tempos como a maior reserva desse tipo de vegetação em área urbana do Brasil. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">Ainda que indevidamente poluído, o Rio Capibaribe abriga uma imensa biodiversidade, como por exemplo a garça-azul. A ave se reproduz nesse ecossistema e costuma viver em pequenos grupos ou sozinha. Se alimenta de peixes e pequenos invertebrados.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p class="has-text-align-center">A maré é a fonte de renda principal de uma grande parte dos moradores e das moradoras na Comunidade do Bode. Eles vivem da pesca do sururu, mariscos e caranguejo. </p>



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        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">Os pescadores e pescadoras produzem seus próprios barcos para pesca e transporte. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">Por vezes, pescadores e pescadoras passam toda uma noite catando e tratando marisco para garantir que esse alimento chegue até a mesa. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">A poluição presente na Bacia do Pina, gerada principalmente pela falta de acesso a coleta de lixo e saneamento básico, ameaça a biodiversidade da maré e a pesca. Ocasionada pela quantidade de resíduos presentes nela, já tem resultado na morte de mariscos e na migração de peixes da região. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">O descaso de políticas públicas orientadas para reduzir a poluição da maré, precariza as vidas dos moradores e moradoras da Comunidade. Ratos entram nas casas onde dormem crianças, trazidos pela maré ao lado de todo tipo de embalagens. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">“<em>Depois que foi construído esse Shopping RioMar, destruiu a gente aqui. Porque até a poluição de lá, tá prejudicando a gente na pesca</em>”, explica Leydiane, moradora da Comunidade Beira Rio. O centro comercial, inaugurado em 2012, ocasionou na destruição de boa parte do manguezal e no aumento da poluição, afetando principalmente o ecossistema e as pessoas que moram às margens da Bacia do Pina. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Livroteca Brincante do Pina</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">Para lutar contra a poluição da Maré, a Livroteca Brincante do Pina organiza cada ano a Gincana Ecológica. Voluntários e voluntárias se juntam a moradores para limpar a beira da maré. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">A arquitetura da Comunidade do Bode representa a diversidade e reúne as camadas da memória e da urbanização da cidade, entre palafitas e casas de alvenaria. No fundo os prédios de Boa Viagem num agressivo contraste. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p class="has-text-align-center">Em meio aos arranha-céus, a Comunidade do Bode se ergue como um símbolo de resistência contra a especulação imobiliária. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p class="has-text-align-center">Mais perto da avenida Herculano Bandeira, na rua Encanta Moça, há vestígios de outra época: são casas inspiradas no estilo colonial, habitadas ou abandonadas como essa.</p>



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<h2 class="has-text-align-center wp-block-heading"><strong><em>O SÍTIO DOS PESCADORES</em></strong></h2>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">O terreno fica entre as ruas Artur Lício e Eurico Vitrúvio. Foi batizado Sítio dos Pescadores porque a maioria das famílias que mora na ocupação era de pescadoras expulsas de palafitas localizadas na margem do manguezal.</p>



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        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Natália Cordeiro/Acervo Pessoal</p>
	                
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<p class="has-text-align-center">A ocupação foi iniciada em 2015 e abriga hoje mais de 96 famílias. Ao lado dos moradores, o Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) organizou várias ações para defender o direito à moradia digna e segurança que vem sendo fragilizado de maneira repetitiva como testemunha Banzay, um dos representantes do hip hop na cidade e morador do Sítio: <em>“Desde quando ocorreu essa ocupação, a gente vem enfrentando muitos problemas, com o próprio sistema. E o que o sistema chama de segurança pública, a gente aqui chama de agressão social”</em>. </p>



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        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Livroteca Brincante do Pina</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p class="has-text-align-center">O processo de limpeza e revitalização da Livroteca Brincante do Pina, a biblioteca comunitária que nasceu numa palafita, foi iniciado em agosto de 2013 pelos moradores, artistas locais e afins. Com o poder coletivo local, o prédio abandonado se transformou em um lugar de arte, militância e cultura para as crianças e adolescentes da comunidade do Bode. </p>



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        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p class="has-text-align-center">O Pocilga do Bode, popularmente conhecido como o “Chiqueiro de Wala”, é provavelmente o único lugar em Recife onde há criação de porcos flutuante. “<em>Em relação aos porcos, de vez em quando eles correm pra rua. Fogem. Entram pra debaixo do barraco. Começa a tremer as estroncas. Chega dá medo de quebrar alguma, como já quebrou</em>”, diz Daniela, moradora de um barraco que fica em frente ao chiqueiro do Bode. </p>



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        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p class="has-text-align-center">Além dos problemas rotineiros como incêndios e ratos, os moradores da comunidade sofrem em dobro os impactos da pandemia da Covid-19. ¨<em>Como vou me prevenir se nem água na torneira tem?</em>” pergunta o <em>Passinho da Prevenção</em> interpretado pelos MCs Boby e Alê do Pina. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p class="has-text-align-center">Apenas durante os primeiros meses da pandemia distribuições de cestas básicas foram organizadas. Esses paliativos temporários aliviaram, por parte emergencial, a sobrevivência dos moradores que estão em uma situação constante de extremo abandono.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p class="has-text-align-center">Terreno do antigo Aeroclube, onde serão construídos os habitacionais Encanta Moça I e II. Promessa feita há 8 anos pela atual gestão da cidade e que tiveram as obras iniciadas no segundo semestre de 2020: ano de eleições municipais. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Prefeitura de Recife</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p class="has-text-align-center">Maquete do projeto de habitacionais no antigo Aeroclube divulgada pela Prefeitura de Recife. O conjunto de moradias está se erguendo com a ausência da opinião popular e de forma lenta. </p>



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        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Fiona Forte</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p class="has-text-align-center">A pichação é um ato político, símbolo da liberdade de expressão e da chegada aos espaços que geralmente são negados a partes da sociedade. Esta pichação foi feita pelo artista Crânio, no muro onde estão sendo construídos os habitacionais Encanta Moça I e II. Desde o início das obras, foram implantadas paredes que cercam o antigo terreno do Aeroclube. </p>



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        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Crédito: Filipe Frazao/Dreamstime.com</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p class="has-text-align-center">O problema não é a existência de palafitas, moradias tradicionais de comunidades pesqueiras, e sim da falta de um olhar respeitoso vindo do Estado. É o exemplo de palafitas como essas, na cidade de Manaus, Amazonas, que recebem cuidado e são consideradas patrimônio a preservar, que as políticas públicas precisam seguir. </p>



<p></p>



<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="czRjUdjGm6"><a href="https://marcozero.org/minha-casa-vai-cair-fotorreportagem/">Minha casa vai cair &#8211; fotorreportagem</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Minha casa vai cair &#8211; fotorreportagem&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/minha-casa-vai-cair-fotorreportagem/embed/#?secret=cfglXd16Y8#?secret=czRjUdjGm6" data-secret="czRjUdjGm6" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>



<p></p>



<p>*A <strong>Livroteca Brincante do Pinaé um projeto de incentivo à leitura, integração artística, cultural e ambiental que tem como base uma biblioteca comunitária, com foco na informação popular. É localizado na Comunidade do Bode, bairro do Pina, Zona Sul do Recife.Nesse tempo de pandemia, a Livroteca se mobiliza para informar a população do Bode acerca do coronavírus e realiza ações de assistência emergencial, entregando comida e materiais de higiene para as famílias da comunidade.</strong></p>
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		<title>&#8220;Corpxs em Alvo&#8221;: festival na Comunidade do Bode promove política com tintas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2019 21:41:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade do Bode]]></category>
		<category><![CDATA[grafitti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Festival Internacional Pão e Tinta, que acontece há oito anos na Comunidade do Bode, Zona Sul do Recife, já se consolidou como uma das principais datas do grafitti no Brasil. É um evento sobre arte, mas principalmente sobre política. Política feita na base, política que discute direito à cidade, juventude, racismo e violência. Com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://www.paoetinta.siteo.one" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Festival Internacional Pão e Tinta</a>, que acontece há oito anos na Comunidade do Bode, Zona Sul do Recife, já se consolidou como uma das principais datas do <em>grafitti</em> no Brasil. É um evento sobre arte, mas principalmente sobre política. Política feita na base, política que discute direito à cidade, juventude, racismo e violência.</p>
<p>Com o tema “Corpxs em Alvo”, durante três dias, de 6 a 8 setembro (sexta a domingo), dezenas de artistas de vários estados se reuniram para pintar os muros da comunidade tradicional pesqueira onde vivem 25 mil pessoas, cravada no bairro do Pina, um dos metros quadrados mais caros do país. Também veio gente do Equador, da Argentina, França e Alemanha.</p>
<p><div id="attachment_18870" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/PÃO-E-TINTA036_menor.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18870" class="wp-image-18870 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/PÃO-E-TINTA036_menor-1024x682.jpg" alt="(crédito: Thiago Miranda/divulgação)" width="702" height="467"></a><p id="caption-attachment-18870" class="wp-caption-text">Na foto, o trabalho de Alexsandra (@alexsandraribeiro_dinha), do Bode e moradora do Farol. Crédito: Thiago Miranda/Divulgação</p></div></p>
<p>“Não são só os muros pintados. Pintar se tornou a parte mínima, o Pão e Tinta é um movimento político”, resume Shell Osmo (<a href="https://www.instagram.com/shell.osmo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@shell.osmo</a>), artista e um dos idealizadores e organizadores do festival. “No mês de setembro, a gente passou a ir para a capa dos jornais, e não foi com morte nem carro roubado”.</p>
<p>“Cada dia mais o Pão e Tinta se transforma num coletivo de arte que pauta a política, de maioria favelada e preta, todo ano com um tema que reflete a nossa realidade”, explica Stilo Santos (<a href="https://www.instagram.com/stilosantos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@stilosantos</a>), acelerador social, agitador cultural e também um dos idealizadores e organizadores. Sobre os corpos que sempre estiveram em alvo, ele conta que perdeu 26 amigos vítimas de homicídio em 2017. “Não é fácil descapitalizar. Por isso temos que nos aquilombar nas lutas, descristalizar esse sistema nos juntando”.</p>
<p><div id="attachment_18865" style="width: 806px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/paoetinta2019.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18865" class="size-full wp-image-18865" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/paoetinta2019.jpg" alt="(arte: Wendell Araújo - @wendellnarkedmi)" width="796" height="960"></a><p id="caption-attachment-18865" class="wp-caption-text">Arte: Wendell Araújo &#8211; @wendellnarkedmi</p></div></p>
<p>O Festival Pão e Tinta é sobre isso, é sobre a força de resistir e salvar vidas. O mais recente Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado em junho, mostrou um patamar recorde de violência, em que 75,5% das vítimas de homicídio no país são pessoas negras, a maior proporção da última década (em 2007, esse percentual era de 63,3%). Enquanto 16 mil pessoas não negras foram assassinadas, 49,5 mil corpos negros foram alvo de violência letal.</p>
<p>“Sete de Setembro, independência para quem?”, questiona Stilo, na problematização sobre a data, no sábado, enquanto o Festival Pão e Tinta tomava conta dos becos do Bode com o mutirão de <em>grafitti</em> e também com shows, poesia, batalha de break e de rap e oficinas, sem contar com o estímulo à economia e ao consumo locais.</p>
<p>Segundo os organizadores do evento, o conceito de mutirão de <em>grafitti</em> nasceu nas periferias do Recife e se espalhou pelo mundo. Hoje inspira iniciativas como o famoso <a href="https://www.meetingofavela.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Meeting of Favela (MOF)</a>, que virou tradição na Vila Operária, em Duque da Caxias, no Rio de Janeiro.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/uiVBbJiOe_E" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Tanto a abertura na sexta (6) quanto o domingo (8) do festival não poderiam ter acontecido num local mais simbólico, o terreno de 21 hectares (cerca de 21 campos de futebol) do antigo Aeroclube do Recife, área fechada em 2013 para a construção da Via Mangue. A prefeitura da cidade já anunciou que pretende construir os residenciais Encanta Moça 1 e 2 em uma parte da área, que deve ser transformada num espaço multiuso. Mas as comunidades do Bode e de Brasília Teimosa reivindicam mais unidades habitacionais para que mais famílias possam ser contempladas.</p>
<p>Segundo Shell, mais de 100 casas já foram medidas para desapropriação por técnicos da Prefeitura do Recife este ano e a informação dada aos moradores e às moradoras é que as negociações começam em janeiro do ano que vem.</p>
<h2>“Monte sua panela”</h2>
<p>Como todo ano tinha reclamação de que o festival só escolhia “a panelinha” &#8211; expressão recifense usada quando só se escolhe gente de um grupo restrito -, o Pão e Tinta resolveu montar um conselho de curadoria coletiva. Foi daí que surgiu a ideia do “Monte sua panela”. Quinze coletivos listaram suas preferências, minimamente paritárias entre homens e mulheres, e a organização tirou uma média dos nomes que mais apareceram, sendo que quatro deles foram de pessoas LGBTQI.</p>
<p>Marqx (<a href="https://www.instagram.com/maxmottawtf/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@maxmottawtf</a>) foi um dos selecionados do “Monte sua panela”. Designer gráfico e artista visual nascido nos Torrões, Zona Oeste do Recife, ele grafita desde 2003 e conta que, desde que voltou, em janeiro, de uma temporada de quase seis anos no Sudeste, esperava ansioso pelo Pão e Tinta &#8211; “é o principal evento do ano”.</p>
<p>O portão antes e depois de receber o <em>grafitti</em> de Marqx:</p>
<p><div id="attachment_18866" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-07-at-17.08.42.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18866" class="size-large wp-image-18866" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-07-at-17.08.42-1024x576.jpeg" alt="(crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-18866" class="wp-caption-text">Antes. Crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p><div id="attachment_18868" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-07-at-17.08.491.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18868" class="size-large wp-image-18868" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-07-at-17.08.491-1024x576.jpeg" alt="(crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-18868" class="wp-caption-text">Depois. Crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Ao todo, a curadoria este ano selecionou 70 artistas, que foram custeados pelo evento e receberam material da Paris 68, uma das principais marcas de tinta spray do mercado. Além dela, o Pão e Tinta contou com apoio da Escola de Ativismo, Action Aid, Pacs e Fase.</p>
<p>Mas as atividades rolam mesmo é através do esforço coletivo e da vontade de fazer acontecer. “A gente começou fazendo um luau, reunindo os amigos e cada vez foi chegando mais gente. A própria comunidade passou a pedir para a gente pintar, para se empoderar no lugar daquele cinza que já não existia mais”, relembra Shell.</p>
<p>Ele é dos leiloeiros do “Leilão em chamas”, que também rolou durante o festival. Funciona assim: os artistas colocam seus trabalhos na roda e um lance mínimo é dado. Se ninguém levar, a obra é queimada.</p>
<p><div id="attachment_18869" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo5168104143091509241.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18869" class="wp-image-18869 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo5168104143091509241-1024x576.jpg" alt="(crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-18869" class="wp-caption-text">Na foto, Hugão e João, de Fortaleza, que pintaram o mesmo portão em 2017 &#8211; @hashtag.eu Crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo</p></div></p>
<h2>Mulheres no <em>grafitti</em></h2>
<p>“Assumir e impor a nossa presença no <em>grafitti</em> é uma batalha diária para nos superarmos e sermos respeitadas”, diz Cona (<a href="https://www.instagram.com/cona.opg/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@cona.opg</a>), artista de Ouro Preto, Olinda, no <em>grafitti</em> desde 2017. Junto com um grupo de mais de 10 mulheres, elas formam o Pixe Girls (<a href="https://www.instagram.com/pixegirls/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@pixegirls</a>) e brigam por espaço na cena. “Eu já tive que ouvir frases do tipo ‘vou salvar teu trampo’”, conta Mila Barros (<a href="https://www.instagram.com/millabaarros/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@millabaarros</a>), que é mãe e luta também pelo lugar da maternidade solo nesse universo. “É para que a gente esteja no rolé sem ter que ouvir ‘com quem tu deixou teu filho?’”.</p>
<p><div id="attachment_18872" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo5168104143091509247.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18872" class="size-large wp-image-18872" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/photo5168104143091509247-1024x576.jpg" alt="Parte do coletivo Pixe Girls (crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo)" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-18872" class="wp-caption-text">Parte do coletivo Pixe Girls. Crédito: Raíssa Ebrahim/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>A presença de Naara Tati (<a href="https://www.instagram.com/naaratati/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@naaratati</a>), artista e organizadora do Point Bomb, movimento que reúne <em>grafitti</em> e hip hop, foi também representativa da resistência das mulheres e das pessoas com deficiência. “Esse universo é uma resistência para mim que sou mulher e tenho um defeito no olho, para mostrar que podemos, sim, quebrar barreiras”, defende.</p>
<p>Ela costuma fazer trabalhos de grande porte para provocar, “para as pessoas ficarem encucadas mesmo, pensando ‘porra, é uma mulher’”. Naara fala da necessidade e importância de olhar o próximo, de prestar atenção nos corpos em alvo ao redor.</p>
<p><div id="attachment_18871" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/PÃO-E-TINTA022_menor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18871" class="size-large wp-image-18871" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/09/PÃO-E-TINTA022_menor-1024x683.jpg" alt="Naara Tati (crédito: Thiago Miranda/divulgação)" width="702" height="468"></a><p id="caption-attachment-18871" class="wp-caption-text">Naara Tati. Crédito: Thiago Miranda/Divulgação</p></div></p>
<p>O artista que&nbsp;aparece na foto de&nbsp;abertura desta matéria é Rodolfo de Araújo Tavares (<a href="https://www.instagram.com/antsocialmfc/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@antsocialmfc</a>)</p>
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