<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos conjunto beira mar - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/conjunto-beira-mar/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/conjunto-beira-mar/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 18:22:18 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos conjunto beira mar - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/conjunto-beira-mar/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Um protesto e duas causas em Paulista: moradores do Beira-Mar se unem a trabalhadores de Maria Farinha</title>
		<link>https://marcozero.org/um-protesto-e-duas-causas-em-paulista-moradores-do-beira-mar-se-unem-a-trabalhadores-de-maria-farinha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jul 2023 18:42:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[conjunto beira mar]]></category>
		<category><![CDATA[direitos urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[luta por moradia]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Farinha]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Paulista]]></category>
		<category><![CDATA[Votorantim]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=56199</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Jeniffer Oliveira Moradores e ativistas de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, realizaram, na manhã desta segunda-feira (24), um protesto pelo direito à moradia, por segurança no Conjunto Beira-Mar e contra o projeto de loteamento da empresa Votorantim em Maria Farinha. A mobilização fechou um trecho da avenida Cláudio José Gueiros Leite, no Janga, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/um-protesto-e-duas-causas-em-paulista-moradores-do-beira-mar-se-unem-a-trabalhadores-de-maria-farinha/">Um protesto e duas causas em Paulista: moradores do Beira-Mar se unem a trabalhadores de Maria Farinha</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jeniffer Oliveira</strong></p>



<p>Moradores e ativistas de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, realizaram, na manhã desta segunda-feira (24), um protesto pelo direito à moradia, por segurança no Conjunto Beira-Mar e contra o projeto de loteamento da empresa Votorantim em Maria Farinha. A mobilização fechou um trecho da avenida Cláudio José Gueiros Leite, no Janga, sentido Olinda. De acordo com o ambientalista Fernando Macedo, do coletivo <a href="https://www.instagram.com/salvemariafarinha/">Salve Maria Farinha</a>, este é o terceiro ato realizado em uma semana. Estiveram presentes moradores do Conjunto Beira Mar, acompanhados dos ativistas do Salve Maria Farinha e do Movimento Nacional de Luta Pela Moradia.&nbsp;</p>



<p>As manifestações iniciaram após o <a href="https://marcozero.org/nunca-achei-que-fosse-cair-admite-sobrevivente-da-tragedia-no-conjunto-beira-mar/">desabamento do bloco D7 do Conjunto Beira-Mar, que matou 14 pessoas, no início de julho</a>. Desde então, 18 blocos do residencial foram interditados, com os moradores passando a conviver com a incerteza de quais tipos de apoio vão receber por parte do poder público. A segurança também é uma preocupação da população da área. “Depois do bloco D10 está tudo interditado, então não tem segurança, não tem policiamento, está um deserto”, contou Ilma Maria, moradora do Beira-Mar há 30 anos, oito deles no bloco D13, também interditado pela Defesa Civil de Paulista após a tragédia.&nbsp;</p>



<p>“A gente tá aqui pedindo ao Poder Judiciário que libere os alvarás para que sejam pagas as indenizações e os aluguéis que nós temos direito de receber pela seguradora Sulamérica”, afirmou o presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Beira Mar, Cláudio Adão. De acordo com ele, <a href="https://marcozero.org/moradores-de-predios-interditados-enfrentam-ameacas-de-saque-burocracia-e-lentidao-da-justica/">até o momento ninguém do poder público sentou com os moradores para tirar dúvidas ou auxiliá-los nos trâmites com a seguradora</a>, tiveram que buscar ajuda de instituições privadas para que o processo pudesse seguir.&nbsp;</p>



<p>“Vimos casos da omissão e do descaso com relação à moradia, no seu mais amplo leque. Porque a gente discute habitabilidade, transporte, saúde e educação. Também vimos companheiros que perderam sua forma de sustento, com o movimento Salve Maria Farinha”, reiterou Paulo André, dirigente do <a href="https://www.instagram.com/mnlmpe/">Movimento Nacional de Luta Pela Moradia</a>. Pautas dos moradores e trabalhadores de Maria Farinha também foram trazidas pelo grupo.&nbsp;</p>



<p>Os comerciantes e trabalhadores da praia de Maria Farinha participaram do protesto porque, há dois anos, a passagem para a praia, na altura da mata da Poty, foi interditada e, na semana passada, três quiosques teriam sido demolidos pela prefeitura de Paulista. O que acende o alerta dessa população que já vem perdendo clientes pela dificuldade de deslocamento. “Não temos acesso, a entrada do portão foi fechada. Fica muito longe pro pessoal andar e ir pros bares da gente. A gente sobrevive daquilo ali. E a prefeitura omissa não nos chama para tratar da situação real do que vai acontecer com a gente lá”, relatou Mibsa Rodrigues, comerciante e moradora da área há 16 anos.&nbsp;</p>



<p>De acordo com Karina Agra, representante da resistência dos portões de Maria Farinha, a população da região sofre com o descaso, sendo afetados não só pela queda da clientela, mas, por falta de assistência básica. “É lei federal ter acesso a cada 250 metros e lá, na área da Votorantim, existem praticamente dois quilômetros sem acesso. Então isso afeta, não só trabalho, mas moradia, segurança e saúde”, afirmou.&nbsp;</p>



<p>Na verdade, a legislação não explicita a distância mínima entre os acessos. O artigo 10 da <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7661.htm">Lei 7.661</a> diz que “as praias são bens públicos de uso comum do povo, sendo assegurado, sempre, livre e franco acesso a elas e ao mar, em qualquer direção e sentido”, e que “não será permitida a urbanização ou qualquer forma de utilização do solo na Zona Costeira que impeça ou dificulte o acesso”.</p>



<p>Já <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2004/decreto-5300-7-dezembro-2004-535018-publicacaooriginal-21847-pe.html">o decreto 5.300, de 2004</a>, que regulamenta a lei mencionada antes, afirma que “nas áreas a serem loteadas, o projeto do loteamento identificará os locais de acesso à praia”. Nos loteamentos já existentes onde não há acessos à areia da praia, “nas áreas já ocupadas por loteamentos à beira mar, sem acesso à praia, o Poder Público Municipal, em conjunto com o órgão ambiental, definirá as áreas de servidão de passagem”.</p>



<p>Sobre as demandas dos moradores do Conjunto Beira Mar, a prefeitura de Paulista informou, por meio de nota, que “não existe nenhum tipo de responsabilidade do órgão referente a indenizações, pois isso é uma questão pertinente entre os proprietários dos imóveis e a seguradora”. Sobre a segurança do local, afirmou que por ser uma área privada, a responsabilidade também é da seguradora. “Contudo, a PGM solicitou, através de ofício enviado ao 17º Batalhão da Polícia Militar (17º BPM), o reforço da área externa nas ruas adjacentes ao Conjunto Beira Mar.”&nbsp;</p>



<p>Já em relação ao acesso à praia de Maria Farinha, a prefeitura esclareceu que “a área é uma gleba privada (não possui loteamento) e por esse motivo, o órgão não tem ingerência nesse trecho para exigência de passagem até o mar”. Sobre a demolição dos quiosques, informou que “a ação foi realizada por determinação judicial, que deu ganho de causa à Superintendência do Patrimônio da União (SPU) e que não cabe recurso à indenização por se tratar de uma área federal ocupada irregularmente”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/24-de-julho-B-Paulista-300x216.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/24-de-julho-B-Paulista-1024x736.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/24-de-julho-B-Paulista-1024x736.jpeg" alt="Grupo de homens e mulheres segurando faixas de protesto contra a prefeitura de Paulista em calçada de avenida." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Trabalhadores da praia de Maria Farinha lutam por acesso em área da Votorantim. Crédito: Jeniffer Oliveira/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/um-protesto-e-duas-causas-em-paulista-moradores-do-beira-mar-se-unem-a-trabalhadores-de-maria-farinha/">Um protesto e duas causas em Paulista: moradores do Beira-Mar se unem a trabalhadores de Maria Farinha</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como o &#8220;Minha Casa, Minha Vida&#8221; pode evitar demolições e salvar prédios-caixão em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/como-o-minha-casa-minha-vida-pode-evitar-demolicoes-e-salvar-predios-caixao-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jul 2023 19:04:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[conjunto beira mar]]></category>
		<category><![CDATA[engenharia]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[prédios caixão]]></category>
		<category><![CDATA[reforma]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=56137</guid>

					<description><![CDATA[<p>Desde 1985, o engenheiro Carlos Wellington Azevedo de Pires Sobrinho se dedica ao estudo de técnicas construtivas, em especial a de alvenaria resistente, usada nos chamados prédio-caixão. Construídos em Pernambuco de 1970 a 2005, os prédios do tipo &#8220;caixão&#8221; abrigam hoje aproximadamente 106 mil pessoas, em cerca de 5,3 mil prédios. São um problema gigantesco [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/como-o-minha-casa-minha-vida-pode-evitar-demolicoes-e-salvar-predios-caixao-em-pernambuco/">Como o &#8220;Minha Casa, Minha Vida&#8221; pode evitar demolições e salvar prédios-caixão em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde 1985, o engenheiro Carlos Wellington Azevedo de Pires Sobrinho se dedica ao estudo de técnicas construtivas, em especial a de alvenaria resistente, usada nos chamados prédio-caixão. Construídos em Pernambuco de 1970 a 2005, os prédios do tipo &#8220;caixão&#8221; abrigam hoje aproximadamente 106 mil pessoas, em cerca de 5,3 mil prédios. São um problema gigantesco para a habitação: em 2005, a construção desse tipo de prédio foi proibida por ser tratar de uma técnica frágil. Foram 17 desabamentos de 1977 até este ano, resultando na morte de 54 pessoas.</p>



<p>Mas, saindo do senso comum, o especialista diz que a desocupação e a demolição dos cerca de 2,5 mil edifícios classificados pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) com risco alto e muito alto não é a resolução do problema. Pelo contrário. “Tira as pessoas de suas casas, criando um problema fundiário muito difícil. A demolição agride o meio ambiente, gera muito entulho e um vazio urbano <em>ad eternum</em>&#8220;<em>,</em> critica Carlos Wellington, que tem doutorado em engenharia pela Universidade do Porto, em Portugal, é pesquisador do ITEP e professor assistente da Universidade de Pernambuco (UPE).</p>



<p>Foi no ITEP que Carlos Welligton e equipe desenvolveram, após cinco anos de intensa pesquisa, técnicas capazes de recuperar esses edifícios, fazendo reformas nas fundações e nos pavimentos. “Todo prédio em pé você ainda consegue recuperar”, diz.</p>



<p>Em entrevista para a Marco Zero, o especialista também critica as ações judiciais que alegam vício de construção para conseguir o seguro residencial &#8211; “os escritórios de advocacia estão oferecendo uma ilusão para os proprietários” &#8211; e o descaso das prefeituras e do governo do estado com a questão da habitação. E aponta que o novo Minha Casa Minha Vida, assinado ontem (13/07) pelo presidente Lula, traz a solução financeira para a recuperação desses prédios.</p>



<p>Marcoi Zero &#8211; <strong>Quando começou a ter esse tipo de técnica de construção dos prédios-caixão? E por que em Pernambuco foram construídos tantos prédios desse tipo?</strong></p>



<p><strong>Carlos Welligton</strong> &#8211; Começou quando a ditadura militar, em 1969 ou em 1970, repassou para os estados a responsabilidade da política habitacional de cada estado. Então foram criadas as Cohabs, cada estado tinha uma. E aqui em Pernambuco havia um sindicato de ceramistas muito ativo, que era ali no Derby. Na época, na década de 1970, esse sindicato tinha um poder político muito grande. E deu uma solução para a Cohab daqui: construir prédios com blocos cerâmicos. Era uma solução barata muito atraente para pequenas construtoras iniciantes, que começaram então a construir esses prédios-caixão. Não havia uma norma técnica clara para as construções desses prédios, mas a pressão política era tão grande que os profissionais ficaram reféns desses projetos. Engenheiros assinaram projetos que não tinham nenhum embasamento técnico. Foram prédios construídos de forma quase empírica: não têm projetos calculados. O sindicato dos ceramistas fez a parte dele, de pressionar. O problema é que a sociedade, principalmente os construtores, ficaram reféns desse processo.</p>



<p><strong>E como é a construção desses prédios-caixão?</strong></p>



<p>Por norma, os blocos cerâmicos são usados para vedação. Se você tiver uma estrutura fortificada, funcionam bem para vedação. Mas se eles forem a estrutura em si &#8211; como é o caso da alvenaria resistente &#8211; não há sustentação técnica comprovada para isso, porque a esbeltez [a relação entre a altura do pé direito a e a espessura da parede] é acima do recomendado. A alvenaria não suporta tração, é boa para compressão. E o resultado é que esses prédios estão instáveis.</p>



<p><strong>Era mais barato fazer esse tipo de construção?</strong></p>



<p>Sim, era uma construção mais barata. Mas um barato que, se você construísse com cuidado e critérios, não seria tão crítico. A fome de ganhar dinheiro, porém, era tão grande que inseriram nessas construções já frágeis situações inimagináveis. Por exemplo, você construir um prédio com a fundação vazia, cheia d’água. Você construir um prédio sem cinta de amarração das lajes. Você construir um prédio sem vergas e contravergas nas janelas e portas &#8211; são pequenas cintas colocadas embaixo e em cima das janelas e portas para distribuir as tensões e não concentrá-las. Então, além do sistema já ser frágil, quiseram economizar mais ainda e eliminaram aspectos fundamentais de uma construção, como uma fundação bem feita e impermeabilizada. Deixaram a ermo. Paralelamente, para piorar ainda mais, a maioria dos blocos cerâmicos não eram calcinados (queimados) na temperatura mínima de 780 graus. Se você coloca uma elemento de argila para calcinar, ele só vira cerâmica após 780 graus. Os artesãos da Fenearte sabem disso, mas os ceramistas, muitos deles para economizar energia, colocavam pouco tempo no forno e a temperatura às vezes nem chegava a esse ponto. Saíam tijolos que na verdade não são cerâmicos e que voltam à posição de barro com a umidade.</p>



<p><strong>Até quando a alvenaria-revestida foi usada para construir prédios em Pernambuco?</strong></p>



<p>Até 2005. De 1970 a 2005 foram construídos mais de cinco mil prédios. A proibição veio por conta das quedas dos edifícios Érica e Serrambi, em 1999, que provocaram 12 mortes. A sociedade se comoveu e dois promotores, Helena Capela e Roberto Brayner, tomaram a frente para resolver. Foram dois protagonistas. O ITEP já tinha muitos trabalhos sobre prédios-caixão, fizemos o laudo do Ericka. E os promotores solicitaram ao ITEP uma metodologia para resolver o problema dos prédios-caixão. Essa metodologia foi desenvolvida em três etapas. Primeiro, caracterizar essas construções e determinar o grau de risco. A segunda etapa era para a realização de laudos mais consistentes dos prédios com risco muito alto. E depois, a última etapa, fazer projetos de recuperação. Tudo isso está em uma Ação Civil Pública movida pelos Ministérios Públicos de Pernambuco e Federal, que depois deu origem a uma lei, que foi sancionada e está em vigor. Esse estudo é de 2008.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/desabamento-paulista-300x169.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/desabamento-paulista.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/desabamento-paulista.jpg" alt="Foto aérea, durante o resgate, do conjunto Beira Mar e do prédio que desabou em Paulista." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Pesquisador do ITEP garante que há solução técnica para os prédios que estão em pé. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Em 1977, no primeiro desabamento relacionado aos prédios-caixão, do edifício Giselle, em Jaboatão dos Guararapes, morreram 22 pessoas. Na época não serviu como um alerta para esse tipo de construção?</strong></p>



<p>Não, porque às vezes o sentimento corporativista atrapalha. E atrapalha muito. Não foi só em 1999 com os desabamentos dos edifícios Ericka e Serrambi que a comunidade técnica ficou sabendo das fragilidades desses prédios. Foi bem bem, bem antes, mas o corporativismo superou a importância das coisas.</p>



<p><strong>Há como reformar esses edifícios para que eles se tornem habitações seguras? É um processo caro?</strong></p>



<p>Já fizemos alguns projetos de reforço para esses prédios e fica em torno de R$ 25 mil a R$ 35 mil por apartamento, para recuperar o prédio. Então, esse valor você enquadra facilmente em uma prestação subsidiada que os proprietários desses imóveis, a maioria de baixa renda, pode pagar.E aí que eu chamo atenção para a solução que está vindo. Hoje, quinta-feira (13), o presidente Lula está assinando o novo programa Minha Casa, Minha Vida. E o que tem de novo? No inciso II do artigo 2° está a possibilidade para famílias de baixa renda de &#8220;promover a melhoria das moradias existentes para reparar as inadequações habitacionais&#8221;. Além disso, permite que entidades, como prefeituras e condomínios, conduzam projetos para este fim, sendo desta forma, ao meu ver, a solução política, social e econômica para as famílias que habitam os prédios Caixão. <a href="https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/02/conhecas-algumas-das-principais-caracteristicas-do-novo-minha-casa-minha-vida" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acho que Lula nunca morou em um prédio-caixão, mas inconscientemente ele deu a solução para esse problema</a>. O que precisa é que entidades, talvez as prefeituras, talvez o governo do estado, se coloquem à frente de projetos para cada condomínio, usando suas ações sociais e jurídicas para promover para enquadrar essas pessoas no Minha Casa, Minha Vida. Porque aí se mantem os prédios com seus proprietários, sem interdições.</p>



<p><strong>O senhor então é contra as interdições desses prédios quando não há risco muito alto?</strong></p>



<p>Se você interdita um prédio, os proprietários vão embora e fica difícil resolver o problema de quem não é dono. Os donos é que têm que fazer a solicitação para entrar em um programa como esse, mas precisa de uma entidade que possa capitanear tudo isso.</p>



<p><strong>Mas é difícil conseguir que todas as 32 famílias que moram em um prédio com estrutura ameaçada, em um bairro precário, com esgoto correndo a céu aberto e com ruas sem calçamento, queiram pegar empréstimo para recuperar o prédio. E ainda existe a questão dos seguros dos imóveis, que muitas famílias esperam por esse dinheiro.</strong></p>



<p>Falta às prefeituras vontade para resolver esse problema. Demos toda a metodologia, só fizeram uma parte, são três. São obrigadas a fazer, mas ninguém está cobrando. Na semana passada, o Ministério Público de Pernambuco cobrou a prefeitura do Paulista, mas deveria cobrar de todas elas. Sobre os seguros, é outro problema. Quem está ganhando dinheiro e tirando proveito desta situação toda são os escritórios de advocacia. São os que estão lucrando com essa situação. Fazem com que as pessoas se iludam, abram um processo jurídico <em>ad eternum</em> e recebem por isso. Os escritórios de advocacia estão induzindo os proprietários a quererem mais um processo jurídico do que resolver o problema dos prédios. Essa é a situação. Todo processo jurídico se arrasta por muitos anos. As pessoas estão sendo usadas para os escritórios lucrarem.</p>



<p><strong>E como é essa técnica de recuperação que é feito nos prédio-caixão?</strong></p>



<p>Desenvolvemos várias técnicas de recuperação através de um projeto de pesquisa que foi de 2004 a 2009. Foram mais de 500 &#8220;paredinhas&#8221; de tijolos para se tentar chegar a uma solução. E chegamos a uma solução: já foram implementadas em vários edifícios, que receberam o reforço e estão tranquilos. São feitos trabalhos na fundação, no primeiro pavimento e, dependendo da situação, no segundo pavimento também. Às vezes são prédios muito reformados, em que paredes são cortadas, cada caso é um caso.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/paredinhasITEP-300x220.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/paredinhasITEP.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/paredinhasITEP.png" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">As paredes construídas no ITEP para encontrar uma solução para os prédios-caixão. Imagem: ITEP/Reprodução</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Quantos prédios-caixão já foram recuperados com as técnicas desenvolvidas pelo ITEP?</strong></p>



<p>Uma dezena de prédios, como o Edifício Rio Guaporé, na Iputinga, e o São Sebastião, na Iputinga também.</p>



<p><strong>O estudo que o senhor conduziu no ITEP diz que o risco de ruína de um prédio construído com a técnica de alvenaria resistente é de 1 prédio a cada 312. Na engenharia civil, o risco de ruína admissível é de 1 a cada 10 mil construções. Com essa reforma o risco desses prédios caírem passa a ser dentro do admissível?</strong></p>



<p>Sim, todo prédio em pé, você consegue recuperar. O que caiu não, mas o que ainda está de pé você consegue recuperar.</p>



<p><strong>O senhor se coloca contra as demolições de prédios-caixão que seguem de pé. Quais os riscos que essas demolições trazem?</strong></p>



<p>O meio ambiente sofre demais, cada prédio desse gera uma quantidade enorme de entulhos. Você não vai ter mais condições de intervir naquele terreno, o terreno vai ficar sem dono. E você não tem soluções. As pessoas vão embora. Os proprietários perdem o lar, se dispersam, criando uma problemática fundiária de difícil solução. A demolição agride o meio ambiente, gera muito entulho e um vazio urbano <em>ad eternum</em>. Para mexer nesse terreno precisa da posse do terreno e quem tem a posse do terreno? No conjunto Beira Mar cada um empurra para um lado. Imagine se demolissem todos os cerca de 2,5 mil prédios-caixão que estão em risco alto no Grande Recife? Seriam bilhões de toneladas de entulhos. A melhor solução é reformar esses prédios, aproveitando agora o financiamento pelo Minha Casa, Minha Vida. Isso resolve a situação.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/moradores-de-predios-interditados-enfrentam-ameacas-de-saque-burocracia-e-lentidao-da-justica/" class="titulo">Moradores de prédios interditados enfrentam ameaças de saque, burocracia e lentidão da Justiça</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Uma questão importante!</strong></p>



<p><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p>



<p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p>
</blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/como-o-minha-casa-minha-vida-pode-evitar-demolicoes-e-salvar-predios-caixao-em-pernambuco/">Como o &#8220;Minha Casa, Minha Vida&#8221; pode evitar demolições e salvar prédios-caixão em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>À espera da Justiça, moradores começam a esvaziar conjunto residencial em Paulista</title>
		<link>https://marcozero.org/a-espera-da-justica-moradores-comecam-a-esvaziar-conjunto-residencial-em-paulista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Jul 2023 23:17:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[conjunto beira mar]]></category>
		<category><![CDATA[desabamento]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[prédios caixão]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=56039</guid>

					<description><![CDATA[<p>Sentada em um banco na frente do bloco C15 do conjunto Beira-Mar, em Paulista, a professora Ana Carmen aguardava com duas sacolas a mãe sair do prédio. Ia levá-la para sua casa, em Olinda, de vez. Desde que o bloco D7 caiu na sexta-feira, matando 14 pessoas, a mãe dela, Anacleide Figueiredo, de 73 anos, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-justica-moradores-comecam-a-esvaziar-conjunto-residencial-em-paulista/">À espera da Justiça, moradores começam a esvaziar conjunto residencial em Paulista</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sentada em um banco na frente do bloco C15 do conjunto Beira-Mar, em Paulista, a professora Ana Carmen aguardava com duas sacolas a mãe sair do prédio. Ia levá-la para sua casa, em Olinda, de vez. Desde que o bloco D7 caiu na sexta-feira, matando 14 pessoas, a mãe dela, Anacleide Figueiredo, de 73 anos, não se sentia segura de dormir ali. “No dia que teve o desabamento, alguns moradores ouviram um estalo. A caixa d’água de cima do prédio está toda rachada e fica minando água pelo prédio todo. É um risco altíssimo estar aqui”, diz Anacleide. Assim como ela, hoje foi dia de mudança para muitos moradores do conjunto Beira-mar.</p>



<p>Inaugurado em 1982, o habitacional é um colosso com 29 blocos de edifícios tipo caixão, cada um com 32 unidades, o que soma 1.711 apartamentos. Ainda há oito edifícios pilotis, com 13 andares cada. Nos anos 2000, vários prédios foram condenados pela Defesa Civil e muitos foram desocupados. Entre um bloco e outro, em meio a ruas sem asfalto e esgoto correndo a céu aberto, há prédios abandonados vigiados por um ou dois seguranças, nas 24 horas do dia.</p>



<p>Isso acontece porque há um enorme rolo jurídico em relação aos destinos desses prédios. Por serem do tipo &#8220;caixão&#8221;, uma técnica considerada hoje inadequada para a construção de edifícios, grande parte dos proprietários entraram na Justiça para conseguir uma indenização da seguradora por vícios de construção. O conjunto foi erguido com financiamento da Caixa Econômica Federal e, ao longo dos anos, houve alternância entre a Caixa Seguradora e a Sulamérica como seguradora dos imóveis. </p>



<p>Em nota, a Sulamérica nega que seja a seguradora do conjunto. A questão está na Justiça, em processo complexo que será melhor explicado na próxima reportagem.</p>



<p>O que deu base para a abertura de muitos desses processos foram estudos do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) realizados entre 2007 e 2014 que apontaram riscos altos de desabamento em milhares de prédios tipo &#8220;caixão&#8221; no Grande Recife. Em 2008, em uma força-tarefa que vistoriou 5,3 mil prédios, mais de 2 mil foram considerados de risco. Somente em Paulista, são 100 edifícios interditados com base em dados do Itep.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-5-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-5.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-5.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ana Carmen foi ao conjunto para ajudar sua mãe a deixar o apartamento. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A Defesa Civil do Paulista informou que oito blocos de prédios do conjunto Beira-mar estão interditados. De sexta-feira até esta segunda foram seis prédios interditados, com os moradores sendo obrigados a sair. A prefeitura forneceu caminhões para levar a mudança dos ex-moradores para casas de amigos e parentes.</p>



<p>Morador do bloco D10<strong> </strong>há mais de 20 anos, o motorista Clécio Bunzen estava abrindo o portão para sair para o trabalho quando o parte do prédio da frente desabou. Foi um dos primeiros a ligar para os Bombeiros. No dia seguinte, a Defesa Civil condenou o prédio onde seu Clécio mora e, nesta segunda, autorizou a volta dos moradores só para fazer a mudança.</p>



<p>Desde 2008, ele e 24 dos 32 proprietários de apartamentos do prédio estão com uma ação judicial para tentar receber o seguro dos apartamentos. “Naquele ano o Itep veio aqui e viu que estava com alto risco do prédio cair. Entramos com a ação na Justiça contra a Caixa Econômica Federal e a Sulamérica, mas ainda não há uma decisão. Agora, resolveram tirar a gente daqui por conta desta tragédia do prédio da frente”, conta seu Clécio.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>À espera de um laudo</strong></h2>



<p>A situação do prédio dele é diferente do bloco C15, que abre esta reportagem. Por lá, a Defesa Civil ainda não foi fazer uma nova vistoria &#8211; algo prometido pela prefeitura do Paulista após o desabamento de sexta-feira. Por isso, os moradores ainda não têm o laudo comprovando que o prédio não tem condições de abrigar os moradores.</p>



<p>Ex-síndica do bloco C15, a professora Rosângela Ferreira só pretende deixar o apartamento onde mora há mais de 30 anos com o laudo em mãos. Pretende juntá-lo com a ação judicial que move contra a seguradora e receber com mais agilidade o valor do auxílio aluguel. No conjunto Beira-Mar, esse valor, pago pela seguradora SulAmérica, varia entre R$ 600 e R$ 1,5 mil.</p>



<p>Os moradores já não têm dúvidas de que o prédio vai ser interditado. A caixa d’água rachada, as paredes cheias de infiltrações, o piso “oco” e os constantes vazamentos são alguns dos muitos problemas apontados pelos moradores que também aproveitaram esta segunda-feira para fazer a mudança, mesmo sem o laudo de interdição.</p>



<p>No apartamento onde mora, a auxiliar de produção Nataly Braga de Lima retira com os dedos pedaços que se desprendem da parede. “Dois meses atrás ouvi um estrondo. Pensei que um tijolo tinha caído e era justamente época de chuvas. Mas não vi nada. Na semana passada, minha companheira ouviu um estalo. A Defesa Civil veio no ano passado e disse que aqui só precisava de manutenção. Mas quando o edifício caiu, na sexta, vi que o barulho era do prédio”, contou.</p>



<p>Nataly deixou o prédio onde morou por 12 anos nesta segunda-feira, com a companheira e as duas filhas. Não quis mais ficar no apartamento repleto de infiltrações e que fica embaixo da caixa d’água do prédio. Rosângela, que mora com a mãe idosa, vai esperar a vistoria da Defesa Civil. “Quero sair respaldada. De certa forma, estou representando os outros moradores, que já estão deixando o prédio. Fiz a denúncia, o protocolo está no meu nome. Quero a documentação dizendo quais são os riscos, mas independente de interditar ou não, vou sair daqui depois da vistoria”, diz.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-3-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-3.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-3.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Rosângela mostra ferragens expostas e paredes se desfazendo. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Ações paradas no STJ</h3>



<p>Os moradores do Conjunto Beira-Mar vivem um martírio jurídico. Nem a seguradora Sulamérica, nem a Caixa Seguros ou a Caixa Econômica Federal assumem a responsabilidade pelas indenizações.</p>



<p>A advogada Janielly Nunes, do escritório Gamborgi, Bruno e Camisão Associados Advocacia, que defende alguns dos mutuários, explica que as ações estão suspensas desde 2019, em razão de uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) frente a um recurso especial repetitivo. Esse tipo de recurso diz respeito a casos em que o STJ define uma tese a ser aplicada aos processos que discutem idêntica questão de direito.</p>



<p>Quatro anos depois, esses processos ainda estão parados porque a relatora, ministra Isabel Gallotti, não afastou a suspensão, que deveria ter durado apenas um ano. Além disso, houve uma nova decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em recurso extraordinário, determinando que alguns desses processos sejam remetidos à Justiça Federal, incluindo dois casos do bloco D7 do Conjunto Beira-mar.</p>



<p>“Agora aguardamos uma grande mediação para que esses processos tenham a solução definitiva”, diz Janielly. Essa seria, na visão dela, a melhor forma de resolver o problema de várias famílias de uma só vez. Pernambuco tem hoje 120 mil mutuários. O escritório em que a advogada trabalha representa 36 mil pessoas desse grupo, entre moradores de prédios &#8220;caixão&#8221; e casas.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O que dizem as autoridades</h3>



<p>Em nota, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) afirmou que instaurou na sexta-feira um procedimento administrativo para apurar a existência de outros edifícios em situações semelhantes ao que desabou no conjunto Beira-Mar. O órgão quer fazer um levantamento de prédios interditados na cidade de Paulista, ou que ainda precisam ser e que estão irregularmente ocupados.</p>



<p>Para a Defesa Civil de Paulista, o MPPE solicitou o envio, no prazo de 15 dias úteis, da relação de todos os imóveis interditados ou diagnosticados com risco de desabamento no município, “acompanhado dos respectivos autos de interdição, se houver, além de indicar os endereços e classificação do grau de risco de cada um e se os mesmos se encontram ocupados por população carente”, diz a nota do MPPE.</p>



<p>O MPPE também oficiou o Núcleo 4.0 do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) &#8211; um núcleo criado para centralizar essas ações contra seguradoras &#8211; requisitando o envio, também em 15 dias úteis, de todos os processos judiciais em andamento relativos a imóveis interditados e/ou diagnosticados com risco de desabamento na cidade de Paulista.</p>



<p>Em nota à Marco Zero, a Prefeitura do Paulista afirmou que 92 prédios já foram vistoriados na cidade, desde o último mês de maio, e a Defesa Civil está realizando a atualização desses locais.</p>



<p>“De acordo com um levantamento do Itep realizado em 2008, existem 245 prédios no município. Deste total, 70% são do tipo caixão e 30% são do tipo pilotis. Até o momento, 12 prédios do tipo caixão foram interditados em Paulista, desde o ano de 2007.</p>



<p>Naquele ano, um prédio foi interditado em Arthur Lundgren II e outro em 2018 (bloco D7, em Beira Mar). Em 2023, já foram interditados 10 (dez) pela Defesa Civil do município, sendo 1 (um) em Jardim Maranguape, 1 (um) em Maranguape I, e 8 (oito) no Conjunto Beira Mar, no Janga.</p>



<p>Segundo a Defesa Civil, à medida que são realizados os levantamentos, quando é visualizada a situação, aí sim é feita a interdição quando há risco de desabamento”, diz a nota da prefeitura.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-4-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-4.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-4.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores foram autorizados a voltar apenas para fazer mudança. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong><br><br><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-justica-moradores-comecam-a-esvaziar-conjunto-residencial-em-paulista/">À espera da Justiça, moradores começam a esvaziar conjunto residencial em Paulista</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>&#8220;Nunca achei que fosse cair&#8221;, admite sobrevivente da tragédia no conjunto Beira-Mar</title>
		<link>https://marcozero.org/nunca-achei-que-fosse-cair-admite-sobrevivente-da-tragedia-no-conjunto-beira-mar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Jul 2023 21:17:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[conjunto beira mar]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[janga]]></category>
		<category><![CDATA[Paulista]]></category>
		<category><![CDATA[prédios caixão]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=56031</guid>

					<description><![CDATA[<p>Foi coisa de segundos. Quando abriu a porta para fugir do apartamento onde morava,Maria da Conceição Pereira, 44 anos, já viu o céu todo na frente dela. Morava no bloco D7 do conjunto Beira-mar há dez anos até viver o horror da sexta-feira passada, quando parte do prédio desabou matando 14 pessoas e ferindo sete. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/nunca-achei-que-fosse-cair-admite-sobrevivente-da-tragedia-no-conjunto-beira-mar/">&#8220;Nunca achei que fosse cair&#8221;, admite sobrevivente da tragédia no conjunto Beira-Mar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Foi coisa de segundos. Quando abriu a porta para fugir do apartamento onde morava,Maria da Conceição Pereira, 44 anos, já viu o céu todo na frente dela. Morava no bloco D7 do conjunto Beira-mar há dez anos até viver o horror da sexta-feira passada, quando parte do prédio desabou matando 14 pessoas e ferindo sete. “Coloquei meus meninos na frente e eu fiquei. Quando abri a porta não vi mais nada: só o céu e a poeira subindo. Eu pulei e desmaiei”, contou nesta segunda-feira (10), enquanto retirava doações no centro de operações montado pela prefeitura do Paulista.</p>



<p>Desde 2010 o prédio estava interditado por conta do alto risco de desabamento. Mas foi ocupado em 2012 por pessoas que moravam em comunidades vizinhas. Maria da Conceição conhecia todos que faleceram. “Era o lugar que tinha para a gente morar, a gente não tinha para onde ir”, lamenta ela, que está temporariamente abrigada na casa de uma filha, perto do conjunto. </p>



<p>Maria da Conceição ainda não sabe quando vai começar a receber o auxílio moradia da prefeitura. Como não era proprietária, não pode pleitear o auxílio junto à seguradora. Ela também reclama da demora da prefeitura do Paulista em oferecer ajuda às vítimas. “A prefeitura só chegou hoje para cadastrar. Se não fosse as igrejas para ajudar não sei como teria sido”, diz.</p>



<p>Cunhada dela, Marli da Silva mora de frente ao bloco D7 e ajudou as vítimas logo após o desmoronamento. Ela conta que os bombeiros chegaram rápido, mas foi a população quem prestou os primeiros socorros. “Agora o que revolta a gente é vir aqui pegar cesta básica e dizerem que a prefeitura já deu. A prefeitura apareceu só hoje e não sabemos quando o auxílio vai sair. Quem está ajudando são as próprias pessoas pobres, dividindo seu pouquinho”, falou.</p>



<p>Entre os escombros, ficaram muitos objetos e documentos. E Maria da Conceição não sabe ainda se vai conseguir reaver algo. “Era um prédio que não estava bom faz tempo. Mas não havia material reciclável lá, como andaram falando. Também nunca lembro de ter visto vistoria ou a prefeitura oferecendo auxílio. Se não, eu teria saído na hora. A gente sabia que estava interditado, mas achava que dava para morar. Nunca achei que fosse cair”, diz.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-1024x682.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/conjunto-beira-mar-1024x682.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maria da Conceição viveu 10 anos no prédio que desabou. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Prefeitura cadastrou famílias hoje</h2>



<p>Uma igreja evangélica próxima ao bloco D7 virou o centro de operações da prefeitura para atender aos sobreviventes da tragédia. Lá, moradores estão sendo cadastrados para receber cestas básicas e entrarem, futuramente, no auxílio moradia, já que não são proprietárias dos apartamentos e, portanto, não têm direito ao auxílio da seguradora.</p>



<p>A secretária executiva de Assistência Social e Direitos Humanos, Elisa Alcântara, afirmou que, desde sexta-feira, a prefeitura está acolhendo as vítimas do desmoronamento. “Estamos nesse ínterim concedendo auxílio funeral e acolhendo as famílias, fazendo encaminhamentos para saúde e saúde mental. Há muitas famílias fragilizadas”, disse a secretária executiva, acrescentando que também está sendo disponibilizado kits de higiene e cestas básicas.</p>



<p>Uma escola está sendo usada como abrigo emergencial, mas apenas um ex-morador usou o local, mas já foi para casa de um parente. “Não houve requisição de abrigo”, garantiu a secretaria.</p>



<p>“As pessoas são cadastradas no Bolsa Família e também trabalham informalmente. Estamos ainda fazendo um levantamento das famílias que vieram até a assistência social e aguardamos também a lista da Defesa civil em relação às outras famílias, que não estavam nos apartamentos e precisam requerer os benefícios”</p>



<p>Por ora, há seis famílias cadastradas, que foram as que tiveram parentes mortos no desabamento, e outras três que conseguiram se salvar. As famílias receberam com vítimas receberam auxílio funeral (que inclui caixão e translado). Segundo Alcântara, já não há necessidade de doações de roupas e cestas básicas para os desabrigados. “Já temos roupas suficientes e a própria prefeitura tem contrato de cesta básica. Temos alimentos suficientes e também recebemos colchões”, diz.</p>



<p>O que a prefeitura de Paulista pretende fazer agora é uma lista pública com os contatos dos desabrigados, para que as doações sejam feitas diretamente a eles. A lista ainda não foi divulgada.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/nunca-achei-que-fosse-cair-admite-sobrevivente-da-tragedia-no-conjunto-beira-mar/">&#8220;Nunca achei que fosse cair&#8221;, admite sobrevivente da tragédia no conjunto Beira-Mar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
