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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Sob protestos, João Campos assina início da obra da ponte Cordeiro-Casa Forte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 21:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O prefeito João Campos (PSB) assinou nesta quinta-feira (12) o início da construção da ponte que vai ligar os bairros do Cordeiro e de Casa Forte. Foi um ato em ritmo de campanha, cercado por vereadores, deputados, o vice-prefeito, Victor Marques, e secretários de várias pastas. Antes de começar o evento, moradores dos dois bairros [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O prefeito João Campos (PSB) assinou nesta quinta-feira (12) o início da construção da ponte que vai ligar os bairros do Cordeiro e de Casa Forte. Foi um ato em ritmo de campanha, cercado por vereadores, deputados, o vice-prefeito, Victor Marques, e secretários de várias pastas. Antes de começar o evento, moradores dos dois bairros haviam decidido fazer um protesto com cartazes. Para a construção da ponte e dos sistema viário, serão pelo menos três desapropriações totais na comunidade de Santana e mais de 100 na comunidade de Cocheira, no Cordeiro.</p>



<p>Mas, lá dentro do futuro canteiro de obras, só os representantes da Zona Norte mostraram seus cartazes.</p>



<p>Antes do evento começar os dois grupos foram abordados por funcionários da prefeitura. Os moradores da Cocheira desistiram de protestar por conta da promessa de uma reunião na prefeitura. “Disseram pra gente ficar quieto, porque aí a gente iria ser recebido pelo presidente da URB (Autarquia de Urbanização do Recife). Se a gente fizesse algazarra não iriam nos receber, aí cancelamos o nosso protesto”, contou um morador, que não quis se identificar.</p>



<p>Acordo semelhante foi oferecido aos moradores de Santana, com a promessa de serem recebidos pelo prefeito João Campos, mas eles preferiram levantar os cartazes. Do lado da zona norte, a principal reclamação é que o projeto da ponte foi todo feito sem incorporar as reivindicações e sugestões da população.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/sem-corredor-de-onibus-e-com-ciclovia-de-1m-de-largura-ponte-cordeiro-casa-forte-e-alvo-de-denuncia-ao-mppe/" class="titulo">Sem corredor de ônibus e com ciclovia de 1 m de largura, ponte Cordeiro-Casa Forte é alvo de denúncia ao MPPE</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“A gente não está dizendo aqui que a gente não teve nenhuma tratativa com a URB nem com a Prefeitura do Recife. Mas nenhum desses diálogos a gente considera produtivo. A gente tem um saber na comunidade, temos uma equipe de jurídico, de arquitetos e engenheiros de tráfego que nos auxiliam e que leram o projeto da ponte e apontaram gravidades nele”, afirma a historiadora Rosely Bezerra da Silva, moradora da comunidade de Santana. “Mas isso não foi escutado nem pela Prefeitura do Recife, nem muito menos pela URB. O que a gente continua escutando é que o prefeito quer fazer e vai fazer a obra. Desde 2024 a gente luta para que a gente possa participar e colaborar nesse projeto, principalmente quando a gente soube que o único mercadinho dentro da comunidade seria afetado”, acrescentou Rosely.</p>



<p>Ao discursar, João Campos afirmou que existe uma comissão permanente liderada pelo vice-prefeito Victor Marques – que deve assumir a prefeitura em abril quando Campos renunciar para concorrer ao Governo do Estado – e pela URB “para dialogar, para quem quiser questionar as desapropriações, renegociar valores, judicializar” e que é “ fundamental a gente construir sempre ouvindo as pessoas, mas jamais deixar de fazer algo que a cidade espera e sonha, porque um ou outro pode ser contra, inclusive politicamente”. O prefeito também falou que não tem “medo de cara feia”.</p>



<p>Para a comunidade de Santana, que há dois anos busca sem sucesso participar e ser ouvida sobre o projeto da obra, o discurso não caiu bem. “Me senti hostilizada, porque aqui, enquanto moradora da comunidade Santana, acredito que devo ter voz e diálogo. E isso não aconteceu, e não vai acontecer pelo que ele (João Campos) falou hoje. E o mais difícil é ver pessoas que estão trabalhando para a prefeitura operando para que a gente não exerça nem mesmo o nosso direito de se manifestar, nossa liberdade de expressão. Pediram para a gente abaixar o cartaz, que não precisava ficar aqui na frente e expor. Isso mostra a gravidade do silenciamento, que é constante”, criticou Rosely.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Indenizações não seguem padrões, denunciam moradores</h2>



<p>Do outro lado do rio, a luta é para que as indenizações dêem para comprar uma casa digna em outro lugar. Ocupação que começou a ganhar fôlego de dez anos para cá, quando já se falava na construção de uma ponte no local, Cocheira vai praticamente sumir do mapa: são 107 desapropriações totais para a construção da ponte e mais 13 para o sistema viário.</p>



<p>A construção da ponte tem um valor total inicial de R$ 236,4 milhões. A pretensão inicial da Prefeitura do Recife é gastar um valor estimado de R$ 5.657.549,15 com as desapropriações. Ou seja, o valor das indenizações corresponde a apenas 2,3% do valor inicial do projeto. Quando dividido pelo número de desapropriações, dá cerca de R$ 50 mil para cada família — valor insuficiente para comprar um imóvel escriturado no mesmo bairro, onde a média do metro quadrado é de R$ 5 mil.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Projeto não tem faixa exclusiva para ônibus</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O projeto da nova ponte faz parte do complexo viário da III Perimetral. A ponte Cordeiro-Casa Forte terá 380 metros de extensão e cerca de 11 metros de altura. A expectativa é de que fique pronta no prazo previsto de 38 meses. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo a prefeitura, serão requalificadas 17 vias do entorno, totalizando 7,3 quilômetros de extensão, incluindo 2 quilômetros que hoje não são pavimentados. Também haverá melhorias de drenagem, iluminação pública, construção de calçadas acessíveis e implantação de ciclofaixa de 1,2 quilômetros, além da recuperação da Praça Flor de Santana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prefeitura justifica a necessidade da obra como complemento à ponte Jaime Gusmão – que liga os bairros do Monteiro e Iputinga – para desafogar o trânsito na área e encurtar as distâncias entre zona norte e zona sul, já que o acesso para bairros como Boa Viagem ficará mais fácil pela avenida San Martin – a prefeitura afirma que a nova ponte vai reduzir em até 63% o tempo de deslocamento entre as avenidas Dezessete de Agosto e San Martin.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No discurso, o prefeito João Campos (PSB) afirmou que novas linhas de ônibus serão criadas com a inauguração da ponte. Mas a <a href="https://marcozero.org/sem-corredor-de-onibus-e-com-ciclovia-de-1m-de-largura-ponte-cordeiro-casa-forte-e-alvo-de-denuncia-ao-mppe/" target="_blank" rel="noopener">Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo) denunciou ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE)</a> que a ponte e seu sistema viário não prevêem faixa exclusiva para o transporte público e o projeto traz ciclofaixas mais estreitas do que o recomendado pela própria lei municipal. </span></p>
	</div>



<p>Mas há grande disparidade nos valores oferecidos pela prefeitura. Há moradores felizes com suas indenizações, outros que lutam para aumentar o valor e outros que aceitaram porque se sentiram pressionados. Este último é o caso da moradora Vitória Carolaine, que mora lá há aproximadamente dez anos. “Fui na URB e disseram que minha indenização iria ser de R$ 59 mil, reclamei e me disseram assim “rabo de cavalo só cresce para baixo”. Estão querendo dizer o que com isso? Que vão diminuir o valor só porque a gente está reclamando? E foi o que aconteceu comigo! Na outra semana, disseram que a indenização iria ser de R$ 57 mil. Por quê baixou? Ninguém sabe explicar, só dizem que seguem uma tabela, só têm essa conversa”, reclama.</p>



<p>Em outro caso, uma reforma de apenas R$ 600 fez quase dobrar o valor inicial da avaliação da URB, como aconteceu com um morador que não quis se identificar. “Tive que aceitar na pressão, porque disseram que iam colocar na Justiça. Depois de eu chorar bem muito, fecharam nos R$ 80 mil. A indenização dobrou da oferta inicial porque eu chorei e tive que fazer uma reforma na minha casa”, contou. “A URB disse que não ia reavaliar porque eles já vinham avisando que não era para mexer mais na casa. Mas como é que a gente não vai mexer se o valor que eles ofereceram de primeira era injusto? A gente vai morar onde com R$ 40 mil? Aí eu tive que fazer uma reforma. Eles reavaliaram e aumentaram o valor”, disse.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/desapropriacoes-para-construcao-da-ponte-cordeiro-casa-forte-deverao-custar-cerca-de-r-56-milhoes/" class="titulo">Desapropriações para construção da ponte Cordeiro-Casa Forte deverão custar cerca de R$ 5,6 milhões</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/moradia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Moradia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Também moradora da Cocheira, Danielle Luiz está na comissão que vai discutir as indenizações com a URB. Disse que falou rapidamente com o vice-prefeito e com o presidente da URB antes do evento e que ambos disseram desconhecer a situação dos moradores do Cordeiro. Uma reunião foi marcada para ainda esta semana.</p>



<p>“Minha casa tem 13,9 metros de comprimento, toda no PVC, toda na laje, toda na cerâmica. O banheiro também é todo na cerâmica. O que vieram dizer pra gente é que a parte molhada – no caso, o banheiro – não é contabilizada. Mas quando a gente chegou lá no armazém para comprar cerâmica, a gente não disse “é para banheiro, tem que ser de graça”. A gente não está brigando, a gente só quer realmente o nosso direito”, afirmou.</p>



<p>Em resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) feito pela Marco Zero, a prefeitura do Recife afirmou que os imóveis são avaliados considerando sua tipologia, condições, tempo de construção e área, “aplicando-se a isso os índices estabelecidos pelas tabelas oficiais de engenharia e as normas da ABNT”. De acordo com a resposta à LAI, nos imóveis escriturados também é avaliado o valor do terreno.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/ponte.jpg" alt="A foto mostra duas áreas urbanas muito diferentes separadas por um rio. De um lado, vemos uma comunidade de casas pequenas e simples, construídas com materiais variados, em ruas estreitas e pouco estruturadas. Do outro lado, aparecem prédios altos e modernos, representando uma parte mais desenvolvida e rica da cidade. O contraste entre os dois espaços evidencia a desigualdade urbana: pobreza e riqueza convivendo lado a lado, mas divididas pela água e pela vegetação." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Comunidade da Cocheira irá praticamente sumir do mapa com obra da ponte
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sob-protestos-joao-campos-assina-inicio-da-obra-da-ponte-cordeiro-casa-forte/">Sob protestos, João Campos assina início da obra da ponte Cordeiro-Casa Forte</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Moradores do Cordeiro reclamam do valor das indenizações para dar lugar à nova ponte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Dec 2025 16:16:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Boa parte da comunidade da Cocheira vai sair do mapa com a construção da ponte que ligará o bairro do Cordeiro, na zona oeste, aos de Casa Forte e Santana, na zona norte do Recife. Sem negociação prévia com a prefeitura do Recife, os moradores foram informados, há pouco mais de duas semanas, que deveriam [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Boa parte da comunidade da Cocheira vai sair do mapa com a construção da ponte que ligará o bairro do Cordeiro, na zona oeste, aos de Casa Forte e Santana, na zona norte do Recife. Sem negociação prévia com a prefeitura do Recife, os moradores foram informados, há pouco mais de duas semanas, que deveriam ir à Autarquia de Urbanização do Recife (URB) para saber quanto iriam receber de indenização por suas casas. Moradores ouvidos pela Marco Zero dizem que, entre 2022 e 2024, muitas das casas foram medidas por técnicos da URB – mas eles ainda não sabiam exatamente para o que seria. E que, mesmo com os rumores do projeto da ponte existindo há vários anos, achavam que seria mais um projeto que nunca sairia do papel.</p>



<p>“Quando a ponte da Iputinga foi inaugurada, a uns quatro quilômetros daqui, a gente achou que essa ponte daqui não iria sair mais”, conta o morador Luiz Augustinho, que há aproximadamente seis anos vive na comunidade, em uma casa de dois andares. Foi ele quem praticamente informou aos moradores de Cocheira – também conhecida como Argolinha – sobre a desapropriação depois que compareceu com alguns vizinhos à reunião da URB, no começo de novembro.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/comunidade-no-cordeiro-deve-ter-o-maior-numero-das-150-desapropriacoes-da-ponte-casa-forte-cordeiro/" class="titulo">Comunidade no Cordeiro deve ter o maior número das 150 desapropriações da ponte Casa Forte-Cordeiro</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/mobilidade/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Mobilidade</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A Marco Zero esteve presente naquela reunião em que tanto os técnicos da URB quanto um homem que se identificou como funcionário da secretaria de Governo da Prefeitura do Recife garantiram que uma reunião naqueles mesmos moldes, de apresentação do projeto e das desapropriações, seria realizada no Cordeiro. No entanto, isso nunca aconteceu. “Já chegaram com um papel dizendo que tinha que ir na prefeitura para ver a indenização. Não teve conversa nem apresentação nenhuma”, contou Patrícia Maria, mãe solo de três filhos e que não sabe quando terá de sair da casa onde mora há dez anos. Na prefeitura, ela foi informada que sua casa, com dois quartos, sala, cozinha, área de serviço e um pequeno terraço, valia R$ 45 mil. “Não sei para onde vou com esse valor”, reclama.</p>



<p>A comunidade de Cocheira é um lugar pobre, mas não miserável. O terreno era usado para criação de cavalos – o local fica ao lado do Parque de Exposição de Animais do Cordeiro. Pelas imagens do Google Earth, dá para ver que a ocupação da área com moradias se intensificou bastante de uma década para cá. Os moradores acreditam que vivam hoje lá entre 50 e 60 famílias. A maioria dos moradores ouvidos pela Marco Zero contou que mora lá desde pouco antes da pandemia. Muitos vieram de outras comunidades ao redor: aproveitaram as construções das cocheiras dos animais sem uso e foram construindo suas casas. Hoje, são casas de alvenaria, muitas delas com pisos de cerâmica e gradeadas. Há ainda casas confortáveis, com amplos terraços e garagem.</p>





<p>Quando a Marco Zero esteve na comunidade, na semana passada, as indenizações oferecidas pela prefeitura variavam de R$ 14 mil a R$ 59 mil. Todos os entrevistados reclamaram desses valores. “Estão oferecendo valores que nem mesmo um barraco aqui próximo a gente consegue comprar. A gente está saindo da nossa moradia que a gente construiu, que a gente investiu, que a gente criou sonhos, para ficar ao léu”, desabafou Luiz Fernando de Lima, que mora lá com a família há oito anos. “Mas a família da minha esposa vive aqui há mais de 20 anos”, afirmou.</p>



<p>De acordo com os moradores, semanalmente a URB tem chamado dez famílias para irem até a prefeitura para ficar sabendo o valor da indenização. A casa de Luiz Fernando foi toda medida, mas, quando ele chegou lá, a foto que lhe mostraram era a da casa de um vizinho. A URB estava novamente fazendo a medição da casa dele quando a reportagem foi ao local. “Ninguém sabe como é que eles chegaram a esses valores. É muito abaixo do que a gente esperava. Estão oferecendo R$ 40 mil em casas com cerâmica, com PVC…isso é um absurdo”, reclamou Luiz Fernando.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">As desapropriações da ponte Casa Forte-Cordeiro</span>

		<p><strong>Desapropriações para a ponte: </strong></p>
<p><strong>Somente no Cordeiro</strong><br />
Edificações: 102<br />
Terrenos: 05<br />
Total: 107</p>
<p><strong>Desapropriações para o sitema viário:</strong></p>
<p><strong>Cordeiro</strong><br />
Edificações com desapropriação total: 9<br />
Edificações com desapropriação parcial: 10<br />
Edificações com recuo de muro: 13</p>
<p><strong>Santana</strong><br />
Edificações com desapropriação total: 3<br />
Edificações com desapropriação parcial: 3<br />
Edificações com recuo de muro: 5</p>
<p><strong>Total: 43</strong> (sendo, 12 total, 13 parcial e 18 somente o muro)</p>
<p><em>Fonte: Apresentação da URB na comunidade de Santana</em></p>
	</div>



<p>Sem trabalho e cuidando do pai cadeirante, Raiane Marques da Silva, de 24 anos, não quer deixar a casa que a família construiu devagarzinho ao longo de uma década. “Aqui é um lugar tranquilo. Um lugar que a gente não vai encontrar mais. Todo mundo é, vamos dizer, uma mesma família. Faz mais de dez anos que eu moro aqui, mais de dez anos que eu deixo minha porta aberta. As crianças brincam na rua, onde a gente vai encontrar um lugar desse?”, questionou. Para a casa dela, a prefeitura ofereceu R$ 40 mil.</p>



<p>“O outro lado (Santana), como é uma classe mais nobre, é um pessoal que tem uma condição aquisitiva maior do que a nossa, tiveram palestra da prefeitura, tiveram representantes, fizeram até uma movimentação com advogados. Aqui a gente praticamente não teve nada. O que veio foi um vereador de não sei de onde dizer que ia ajudar, que não ajudou em nada. E um pessoal do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) leu <a href="https://marcozero.org/comunidade-no-cordeiro-deve-ter-o-maior-numero-das-150-desapropriacoes-da-ponte-casa-forte-cordeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a reportagem de vocês [da Marco Zero]</a> e veio aqui, disse que nos daria apoio para pegar informações na prefeitura e apoio jurídico. Eu senti firmeza neles, mas outro pessoal daqui não sentiu, então acabamos descartando esse apoio. E agora está a prefeitura aqui medindo as casas de novo. Estamos sozinhos”, lamentou Luiz Fernando.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Indenizações pagas pela prefeitura não compram moradia digna</span>

		<p>No ano passado, o mandato do então vereador Ivan Moraes (PSOL) publicou a nota técnica <a href="https://drive.google.com/file/d/164DIMwrcGKoR54X2hB515P-wwEKJ8w77/view" target="_blank" rel="noopener">(Des)Política habitacional do Recife</a>, que levantou dados sobre as desapropriações feitas na capital. A publicação informa que de 2013 a 2023 quase 70% das indenizações pagas na cidade do Recife foram abaixo de R$ 50 mil enquanto um imóvel de 40 m² (tamanho base das unidades habitacionais do MCMV Faixa 1) no bairro com o menor valor de metro quadrado da cidade custaria no mínimo R$ 130 mil.</p>
<p>Outro dado mostra que as famílias desapropriadas não conseguem sair de suas casas para uma moradia digna com o valor das indenizações pagas pela Prefeitura do Recife: das 2307 desapropriações realizadas pela URB e pela Secretaria de Saneamento, no período de 2013 a 2023, 469 delas, ou seja, 20,2% foram indenizações com valores abaixo de R$ 10 mil.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Moradia avaliada em R$ 14 mil</h2>



<p>Há menos de dois anos, o barbeiro Pablo Fernando foi morar na Cocheira na casinha que a avó dele morava. É bem pequena, com um vão de sala e cozinha, um quarto, um corredor estreito e um banheiro. Na URB, foi informado que receberia R$ 14 mil de indenização.</p>



<p>“Na verdade, a gente não é contra a ponte. A gente só queria um preço justo para a gente poder arrumar uma moradia em outro lugar. Eu, como tenho dois filhos pequenos, não posso sair daqui para uma casa que seja ainda menor”, diz Pablo, que mora lá com a companheira, um bebê de quase dois anos e outro de apenas quatro meses. “A gente estava contente, feliz, achando que ia receber um valor justo”, disse ele, que reclama que o pequeno banheiro não foi medido pelos técnicos da URB.</p>



<p>Se o valor não mudar, Pablo e a família pensam em ir para um terreno ou barraco em outra ocupação – permanecendo em uma moradia precária que contribui para o número de ocupações irregulares no Recife. “E depois, quando a prefeitura quiser tirar a gente dessa outra ocupação, vai ver que eu já recebi uma indenização daqui. Ou seja, chegar lá vamos ter que botar no nome de outra pessoa. Isso vira um ciclo. A gente quer sair daqui para uma moradia digna, mas com esse valor não tem como, vamos ter que ir para outra ocupação”, diz.</p>





<p>Luiz Agostinho ainda não foi chamado para ir saber quanto vai ser sua indenização. Está apreensivo de que o valor não seja condizente com o que gastou. A casa que construiu em Cocheira tem 100 m², quatro quartos, cozinha grande, dois banheiros. “É uma casa ótima. Uma casa dessa em algum bairro próximo daqui não é menos de 200 mil”, diz ele. “Vamos supor que eu gastei mais de 120 mil na minha casa. Não sei se a prefeitura vai me oferecer um valor desse. Porque eles chegam e dão a proposta. A gente aceita ou não. Se não aceitar, derruba de todo jeito e depois a pessoa se vira na Justiça. E aí pode demorar anos”, lamenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Prefeitura não dá respostas sobre desapropriações</strong></h2>



<p>A MZ questionou a prefeitura do Recife sobre o motivo de não ter sido feita reunião com os moradores do Cordeiro, quais os critérios para definir os valores das indenizações e quais serão os imóveis desapropriados. A prefeitura não respondeu. A MZ então abriu uma solicitação via Lei de Acesso à Informação (LAI) e, quando for respondida, essa reportagem será atualizada.</p>



<p>Ao responder um outro pedido de informação em janeiro deste ano, que está <a href="https://transparencia.recife.pe.gov.br/uploads/cgai_arquivoPedido/2025_38453_17_0_R.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">disponível no Portal da Transparência</a>, a URB disse, naquela época, que, como o projeto ainda se encontrava em fase de ajuste, “não se dispõe de elementos concretos que justifiquem notificação e/ou diálogo com as comunidades a serem afetadas pelo mesmo”. Ou seja, o diálogo com a população – quando existe – só é feito após o projeto já estar todo pronto. </p>



<p>Neste mesmo pedido de informação do mês de janeiro, a URB informou que não havia previsão de vagas em habitacionais para as famílias desapropriadas e que a “forma de compensação prevista, até agora, é indenização por benfeitoria, e terreno, se for apresentado o respectivo RGI do imóvel”. Ou seja, como são comunidades de ocupação, sem escritura, só entra na indenização o valor daquilo que foi construído.</p>
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		<title>Sem diálogo com a comunidade, Prefeitura do Recife confirma remoção de casas para ponte Casa Forte-Cordeiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Sep 2025 21:21:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Forte]]></category>
		<category><![CDATA[Cordeiro]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Prefeitura do Recife confirmou que a construção da ponte Casa Forte-Cordeiro removerá casas da comunidade de Santana. A gestão iniciou o levantamento de imóveis na área e já marcou algumas residências, mas afirmou que ainda não há definição sobre a quantidade de casas que serão retiradas. As obras estão previstas para começar no primeiro [&#8230;]</p>
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<p>A Prefeitura do Recife confirmou que a construção da ponte Casa Forte-Cordeiro removerá casas da comunidade de Santana. A gestão iniciou o levantamento de imóveis na área e já marcou algumas residências, mas afirmou que ainda não há definição sobre a quantidade de casas que serão retiradas. As obras estão previstas para começar no primeiro semestre de 2026.</p>



<p>O silêncio da prefeitura perante os moradores tem gerado medo e tensão desde as eleições de 2024, quando o prefeito João Campos (PSB) anunciou a obra como promessa de campanha.</p>



<p>Apesar de sucessivos pedidos de informações e solicitações de reuniões e participação na concepção do projeto, o diálogo com a comunidade só será realizado no período de publicação do edital, segundo a prefeitura. Ou seja, quando o projeto já estiver finalizado e sem possibilidade de alterações.</p>



<p>É quando, segundo nota enviada à Marco Zero, “os moradores terão a oportunidade de conhecer os detalhes do projeto, esclarecer dúvidas e acompanhar de perto as etapas da obra”. Atualmente, o projeto encontra-se em fase de revisão e deverá ser concluído até o mês que vem. Em seguida, até o fim de 2025, será realizada a publicação do edital de licitação.</p>



<p>A obra pretende conectar Casa Forte e bairros vizinhos da zona norte a Boa Viagem, na zona sul, num fluxo mais curto, passando pelas avenidas General San Martin e Recife, sem precisar passar pela avenida Agamenon Magalhães. A ponte é parte da terceira perimetral da cidade, corredor viário planejado desde a década de 1980.</p>



<p>Parte das 800 famílias que vivem em Santana acompanharam de perto o trauma vivido por diversos moradores no bairro ao lado, com a construção da ponte Engenheiro Jaime Gusmão, inaugurada em agosto do ano passado. Também ligando as Zonas Norte e Oeste, conectando Monteiro à Iputinga, a obra causou desapropriações e pagamento de indenizações de baixo valor. Relembre <a href="https://marcozero.org/condenada-pela-prefeitura-do-recife-vila-esperanca-recusa-se-a-desaparecer/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



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                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero Conteúdo</span>
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<p>A reportagem mostrou, em abril, a <a href="https://marcozero.org/silencio-da-prefeitura-sobre-ponte-casa-forte-cordeiro-gera-medo-na-comunidade-santana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">angústia das famílias de Santana</a> por não saberem se serão obrigadas a deixar suas casas e histórias, seus comércios e laços comunitários, o que pode impactar diretamente rotinas e fontes de renda.</p>



<p>Após pressão, o único encontro formal que a comunidade conseguiu com a prefeitura, desde as últimas eleições, foi uma reunião com a Autarquia de Urbanização do Recife (URB), em outubro de 2024. O que os representantes de Santana ouviram foi basicamente que não seria possível ainda participar da então fase de estudo de viabilidade da ponte.</p>



<p>Uma questão que pesa nessa conta é a ausência de regularização fundiária. Como a maioria das famílias não possui título de propriedade com registro em cartório de imóveis, o valor pago é apenas o da benfeitoria, não incluindo o terreno.</p>



<p>No ano passado, o Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH) e o mandato do ex-vereador Ivan Moraes (PSOL) publicaram uma atualização da nota técnica “(Des)política habitacional do Recife”, lançada em 2023, que apresenta um panorama dos despejos no Recife entre 2013 e 2023. O documento destaca a quantidade de remoções, os valores de indenização e casos emblemáticos.</p>



<p>Segundo o levantamento, quase 70% das indenizações não ultrapassaram R$ 50 mil. O maior percentual (31%) ficou entre R$ 20 mil e R$ 50 mil, valor insuficiente para a aquisição de novas moradias na cidade.</p>



<p>Como alternativa, a prefeitura pode também conceder auxílio-moradia, de R$ 300, enquanto a família aguarda uma unidade habitacional. Esse valor dificilmente paga um aluguel na cidade, mesmo em áreas periféricas — ainda mais em Santana, rodeada de bairros nobres e que passa por valorização imobiliária na última década, sob influência do Parque Santana.<br> </p>



<p></p>



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