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	<title>Arquivos cultura pernambucana - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 27 Sep 2024 14:32:41 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos cultura pernambucana - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>As últimas horas da loja de CDs que não vende discos de música estrangeira nem sertanejos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Sep 2024 14:30:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[comércio no Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Yuri Euzébio Foi de surpresa, sem fazer alarde ou qualquer aviso prévio, que no último dia 10 a loja Passa Disco, símbolo da resistência na venda de CDs e LPs do Recife, comunicou o encerramento de suas atividades através de sua página oficial no Instagram. A loja, que funciona atualmente no bairro do Espinheiro, [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Yuri Euzébio</strong></p>



<p>Foi de surpresa, sem fazer alarde ou qualquer aviso prévio, que no último dia 10 a loja Passa Disco, símbolo da resistência na venda de CDs e LPs do Recife, comunicou o encerramento de suas atividades através de sua página oficial no Instagram. A loja, que funciona atualmente no bairro do Espinheiro, promoverá um evento de despedida neste último sábado do mês (28) com a feira do vinil, bora bora e lançamento de livro.</p>



<p>‘Tudo finda porque tudo tem começo!’. E a Passa Disco está chegando ao fim… Isso mesmo, depois de mais de 20 anos, a loja vai fechar, com a certeza de missão cumprida e meu coração já explodindo de saudade antecipada…”, diz o comunicado de Fábio Cabral de Mello nas redes sociais.</p>



<p>Mais que uma loja, a Passa Disco funcionou como um pulsante centro cultural efervescente que alimentava a cena musical de Pernambuco. Desde novembro de 2003, sua inauguração, a loja foi palco dos mais diversos lançamentos de CDs, DVDs, livros de artistas locais, além de tardes de autógrafos e feira de vinis, que pavimentaram a identidade do espaço como casa da música de Pernambuco durante os 21 anos de loja, 15 no Shopping Sítio da Trindade e mais seis no Espinheiro.</p>



<p>“A forma de ouvir música mudou. Eu achava que era o seguinte: tinham as plataformas, mas tinha a forma física também. Eu tinha a certeza de que havia o comprador, isso foi desde o início porque nunca foi fácil, só que de uns dois anos pra cá o disco físico praticamente acabou”, desabafou Fábio. </p>



<p>O lojista exemplifica essa condição ao relembrar que já houve ano em que foram lançados 220 discos de artistas pernambucanos e em 2024, até esse mês de setembro, só houve dois lançamentos. “Desses dois um eu vendo aqui, que é o de Dalva Torres, e o outro é o de Júlio Ferraz que optou em não vender em lojas, tá vendendo em shows e com amigos deles”, explicou.</p>



<p>“A mídia física sempre teve como público principal os jovens, desde os Beatles as músicas que vendiam mais eram para essa faixa etária e hoje em dia os jovens não consomem mais mídia física, eles estão todos no streaming”, afirmou o lojista.</p>



<p>Fábio é um sujeito simpático, boa praça e acima de tudo um aficionado por música brasileira. Quem já frequentou a loja, certamente já deve ter passado bons momentos conversando sobre música com o lojista, que de maneira simples e sem afetação coloca todo seu conhecimento musical, quase enciclopédico, a serviço de quem esteja interessado. Fábio construiu amizades no cotidiano da loja e sempre procurava realizar eventos para movimentar o espaço.</p>



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	                                        <p class="m-0">Lia de Itamaracá e outros nomes da música pernambucana frequentavam a loja
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo Passa Disco</span>
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                    </figure>

	


<p>Apesar do anúncio ter sido uma surpresa, o dono da loja já vinha há alguns meses amadurecendo a ideia. “Eu venho pensando há uns seis meses já, mas não dizia pra ninguém nem pra minha família porque eu não queria que ninguém me convencesse, eu precisava fazer isso sozinho. Eu já passei dos 60, sou dono da minha vida e todo dia vinha alguém me dar conselhos aqui sobre o que eu devia fazer com a loja”, brincou Fábio.</p>



<p>Entre os conselhos que cansou de receber ao longo de duas décadas no comércio, o mais recorrente era a recomendação para vender discos de medalhões e mega estrelas do rock, pop, sertanejo ou música baiana. Nada disso chegava às gôndolas da Passa Disco, que jamais vendeu um reles CD cantado em inglês, por exemplo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Obituário de uma era</h2>



<p>No jornalismo dito tradicional, sempre que alguém notável parte dessa para uma melhor, há um registro necrológico veiculado. O obituário é um formato jornalístico que registra a morte de uma pessoa, famosa ou conhecida em sua área de atuação, com informações sobre a vida do falecido. Este obituário específico se propõe a celebrar o legado e a importância de um espaço fundamental para a música pernambucana, reconhecido por artistas de diferentes gerações e gêneros.</p>



<p>Juliano Holanda, cantor e compositor, é um dessas dezenas de músicos que teve sua trajetória profissional ligada à loja. Um dos mais profícuos músicos da atual cena pernambucana, Juliano fazia parte da banda Coqueiro Novo, que tocou na inauguração da loja e destaca o bem que o espaço fez para a cultura pernambucana. “Quando Fábio abriu a Passa Disco algo de muito essencial se fundou no cenário cultural de Pernambuco. Era uma peça que faltava naquele período e foi no momento exato.”, afirmou.</p>



<p>“Aquelas paredes riscadas foram a perfeita materialização de um sentimento de pertencimento. Digo, sem medo de errar, que a música promovida nos últimos vinte anos não seria a mesma sem a presença da Passa Disco. Estávamos todos, cada qual a sua maneira, construindo uma grande casa, porém foi Fábio quem cuidou da janela ”, completou.</p>



<p>Quem também estava com Juliano Holanda na Coqueiro Novo tocando no dia da abertura da loja, foi a cantora e percussionista Alessandra Leão que guarda outras lembranças no espaço. “Toquei na abertura da loja com Juliano Holanda, Tiné e Rudá Rocha. Além disso, lembro da minha irmã Manoela Leão, fazendo a logomarca, desenhando, redesenhando, até chegar nessa imagem que ficou cravada na nossa memória”, conta.</p>



<p>“E assim a Passa Disco entrou não apenas na minha vida, mas na vida da cidade, como espaço de encontros. Foi lá que conheci Alaíde Costa, quando lancei meu primeiro disco solo. Foi lá que ouvi um tanto de música nova e que encontrei muita gente massa. Nunca foi apenas uma loja, foi um espaço que nos lembrava sempre de dar uma passadinha para respirar e ouvir a cidade de outro jeito”, completou a cantora.</p>



<p>Para o poeta, cantor e jornalista Marco Polo, a Passa Disco ultrapassou as barreiras de uma simples loja. “Sou até hoje um adepto do disco físico, seja CD ou vinil, e frequento a Passa Disco desde quando funcionava no Sítio da Trindade. É mais que uma loja, é um templo do disco físico e também um ponto de encontro com gente interessante a partir do dono, também um grande amigo. Participei de vários eventos lá, um deles o lançamento do meu livro <em>Ave Sangria e Outras Batalhas</em>, contou o vocalista da Ave Sangria.</p>



<p>Já Isaar, destaca que a loja era a referência de música pernambucana e criava uma relação de identificação com os artistas locais. “A Passa Disco foi por muitos anos um ponto especial para a difusão e fruição da música pernambucana. Era lá que a gente indicava para achar nossas músicas. Mas, não era só isso, era um ponto de encontros”, detalhou a cantora, que também é coordenadora da Linguagem de Música da Secretaria de Cultura de Pernambuco. “E a gente se identificava porque a loja era tão independente quanto nós e ainda tinha a parceria de Fábio em muitas empreitadas”.</p>



<p>Com exceção do seu primeiro disco <em>Fome Dá Dor de Cabeça</em> (1998) com a banda Cascabulho, todos os discos de Silvério Pessoa passaram pela Passa Disco e ele resume bem a importância da loja para a cena musical da cidade. “De uma forma mais ampla, a importância da Passa Disco pros músicos foi exatamente suprir a demanda e a necessidade de casas intermediárias que oferecessem espaço não só para lançamentos de discos, showcases, autógrafos e venda de produtos”, explicou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Passa Disco promoveu dezenas de eventos com músicos regionais 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo Passa Disco</span>
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                    </figure>

	


<p>“Fábio Passadisco inaugurou um estilo próprio de ser loja e manteve uma estética de atrair o público consumidor que via na loja um centro de cultura, pois havia toda uma circulação artística no espaço, seja com eventos, pessoas ou mesmo cartazes. Foi um espaço que fez parte do calendário cultural de Pernambuco, atraindo artistas e pessoas do Brasil todo”, completou Silvério. Para o músico, o fechamento da loja é consequência de uma mudança da indústria cultural.</p>



<p>Maciel Salú vai além e enxerga na figura de Fábio um patrono da música pernambucana. “Fábio é um colaborador e um defensor da nossa música, não só da cena de Pernambuco, mas de todo o Brasil e da cultura popular. Ele sempre contribuiu muito, foi um parceiro da nossa música com lançamentos e eventos, além das coletâneas”, contou o músico. “Além disso, Fábio tem essa preocupação de contar a história do artista, do álbum, conversar sobre música com os clientes. Eu acho que a Passa Disco é um meio de comunicação que levava informação sobre a cena pra quem tava interessado em música”.</p>



<p>Para Sofia Freire o simples fato de ir a Passa Disco já fazia uma diferença no ato de consumir música. “Acho que ir à uma loja de disco é um pequeno ritual. Debulhar os discos pra descobrir um som novo. Depositar confiança no tato do lojista, pra quem você pede sugestões, pergunta o que há de novo. Fábio sempre pegava o disco que você estava paquerando e tocava um trechinho na hora; quando você via, estava trocando uma ideia, ouvindo várias coisas, nunca era só uma passadinha.”, descreveu.</p>



<p>Mesmo antes de atuar profissionalmente, a cantora já era frequentadora assídua do espaço. “Eu sempre morei perto de onde ficava a loja, por trás do Sítio da Trindade, e a frequentava desde antes de seguir carreira na música, quando havia só o desejo de assinar aquela parede e vender um disco lá, e lembro da sensação de realização quando isso aconteceu de fato, como se tivesse recebido o selo de artista, agora sim, uma validação”, relembrou.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Como a loja surgiu</h3>



<p>O proprietário Fábio Cabral tem sua história umbilicalmente ligada a retomada da produção musical pernambucana. O lojista nasceu no dia 21 de fevereiro de 1963, em Palmares, Zona da Mata Sul de Pernambuco, e é o quinto dos seis filhos do casal Fernando e Maria da Graça, a Gracinha.</p>



<p>Agrônomo de formação e amante de música por natureza, logo após se formar nos anos 1980 Fábio trabalhou com seu irmão caçula Felipe Cabral &#8211; produtor e o nome à frente do festival de música Guaiamum Treloso. O primeiro trabalho foi como bilheteiro da peça teatral <em>É uma brasa, mora? </em>que reunia o irmão com o ator Aramis Trindade.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:39% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="900" height="1600" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Fabio-vertical.jpg" alt="" class="wp-image-66131 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Após isso, quando o empreendedor começava a trabalhar com jardinagem, Felipe mais uma vez o convidou para trabalharem juntos. No terreno ao lado da sementeira onde Fábio trabalhava, o caçula inaugurou o bar Guaiamum Treloso – que, inicialmente, se chamava Casa do Guaiamum. O lugar atraiu a presença de alguns artistas. Chico Science, Geraldo Azevedo e Lenine visitaram o espaço. Dois anos depois, Felipe sugeriu a Fábio sociedade num novo bar que ele abriria: a cachaçaria Rei do Cangaço.</p>



<p>Este ficava próximo ao estúdio de gravação de Zé da Flauta, em Casa Forte, e acabou se tornando um reduto dos músicos, inclusive aqueles que viriam a ser alguns dos grandes nomes da música pernambucana, como Chico Science, Lenine, Lula Queiroga e Silvério Pessoa.</p>
</div></div>



<p>Foi justamente em um lançamento de CD desse último, que a ideia de possuir uma loja que abrangesse toda aquela gama de produção musical pernambucana surgiu a partir de uma conversa com Michelle de Assumpção, então repórter de cultura do Diário de Pernambuco. Os dois falavam sobre o momento de efervescência que a música pernambucana vivia naquele período.“Eu sempre gostei de música, desde moleque, e eu comecei a colecionar vinis e fita cassete, aí com o passar do tempo eu sempre tive essa vontade de ter uma loja, mas era muito difícil no passado ter uma loja de CDs.” conta ele.</p>



<p>Inicialmente o nome da loja seria Cantoria, mas ainda quando trabalhava com jardinagem e tinha a Luni Produções como cliente, Fábio sempre conversava com o cantor e publicitário Lula Queiroga, que sugeriu o nomePassaDisco.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Música de pai pra filhos</h3>



<p>Fábio é casado há 34 anos com a psicóloga Maria Auxiliadora (Cila), os dois são pais de Marina, que é gastrônoma, e Jáder, músico e cantor. Ambos cresceram visitando a Passa Disco e habitando o universo musical do pai tanto na loja, quanto em casa.</p>



<p>O fato de crescer rodeado por música, influenciou diretamente na escolha da carreira de Jáder. “A relação com a música sempre foi muito forte lá em casa, meu pai sempre apresentou muitos artistas pra gente desde cedo. Nós ouvíamos muito Lenine, Otto, Jackson do Pandeiro desde criança e brincadeiras como música, enfim, música sempre foi um tema central da nossa educação”, lembrou o cantor.</p>



<p>Jáder é um artista e performer recifense, não binário e ativista dos direitos LGBTQIAP+ que produz um forró pop sedimentado com outros elementos regionais e recorda o impacto que o dia da inauguração da Passa Disco teve em sua vida. “Eu me lembro muito quando eu tava na terceira série do colégio e um dia tive que sair correndo da aula pra gente ir se arrumar pro lançamento da loja e eu achei tudo aquilo muito mágico, místico até”, conta.</p>



<p>“Com o tempo, eu fui crescendo, virando adolescente e adulto, frequentando a loja e essa referência musical continuou muito forte. Meus pais me deram um violão, eu acho que tava na oitava série, e foi muito automático fazer música nos parâmetros que ele me mostrou”, continuou.</p>



<p>Jáder recorda que quando começou a aprender a tocar violão, naturalmente já passou a compor e já formou a primeira banda. “Quando ainda tínhamos poucas músicas, meu pai me disse ‘Não, vamos fazer um cd!’ e prensou mil cópias, com isso já conseguimos acessar festivais e fazer shows. Nos fez enxergar isso de forma muito profissional e foi muito impulsionador pra mim”, revela o músico.</p>



<p>Todos os projetos lançados pelo músico saíram em mídia física, influência direta (mas nunca forçada) do seu pai. Não foi diferente com <em>Quem mandou me chamar???</em> (2022), seu mais recente lançamento e estreia na carreira solo. Um CD, com um belo encarte com as letras das músicas e ensaio de fotos.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Resistência e declínio</h3>



<p>O crítico e pesquisador musical José Teles relembra o início da loja e compara com outro espaço marcante na memória da cidade. “Quando Fábio começou, eu acho que ele não imaginava nunca que ia dar naquilo. Porque já era difícil com a história do cd, mp3, música digital, mas ele marcou época porque o pessoal estava carente de um lugar feito a Passa Disco aqui”, disse. As visitas o faziam lembrar da Allegro Cantante: “foi uma loja marcante daqui nos anos 1980 e quando você chegava lá todo o mundo que estava ali era gente que gostava de música ou que fazia música”.</p>



<p>Para o pesquisador, o fim da Passa Disco é o símbolo final do ocaso da indústria de discos em Recife, cidade que já teve a maior cadeia de lojas de música do Brasil. “O mundo mudou, a tecnologia mudou e o vinil se mantém ainda porque é caro e compensa. As gravadoras incentivam a fazer vinil pelo alto custo, a música digital já venceu porque tem um alcance muito maior e a adesão dos jovens”, afirmou. “Curioso é que Recife que já abrigou a Aky Discos, loja de João Florentino, que já foi a maior do Brasil”.</p>



<p>A Passadisco também se tornou um selo que fomentava a produção de disco. Algumas coletâneas foram lançadas pela iniciativa, sempre evidenciando os talentos e ritmos locais, como <em>Pernambuco cantando para o mundo</em>, <em>Pernambuco forrozando para o mundo</em>, <em>Pernambuco frevando para o mundo</em> e <em>Arrisque</em> (com cantores e músicos surgidos no período anos de atividade da loja). Também saíram pelo selo discos de artistas como Bruno Souto, Zé da Flauta, Maurício Cavalcanti, Zé Manoel e DJ Dolores.</p>



<p>No anúncio de despedida da loja, Fábio enumerou as inúmeras batalhas que travou no mercado fonográfico. &#8220;Enfrentei a pirataria, os compartilhamentos, os downloads, o MP3, o pen drive… e por muito tempo as plataformas digitais… Mas um dia, sem nem perceber, vi que fiquei pra trás e resolvi fechar a Passa Disco&#8221;, disse. &#8220;Nem vou esperar fevereiro chegar… pois já entrou setembro e com ele fecho esse ciclo. E fecho com a certeza que foram os melhores anos da minha vida. Vou programar um evento no último sábado do mês pra gente se encontrar, se abraçar… e dançar uma ciranda, um forró, um frevo, um coco, um maracatu&#8221;, concluiu.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Pós-Passa Disco</h3>



<p>Neste mesmo texto, o lojista também diz que irá continuar a comercializar CDs e LPs na internet. “Vou ficar com a loja virtual porque preciso me ocupar, preciso de dinheiro e gosto também. Tenho meu estoque ainda e vai ser um dos filões principais dessa nova fase”, planeja Fábio que irá realizar as vendas por meio da página do Instagram @passadisco.</p>



<p>Além disso, após mais de duas décadas trabalhando de segunda a sábado, o inquieto e mobilizador agora pretende passar para o outro lado do balcão. “Vou começar a ir para os eventos dos outros, né? Vou ser frequentador agora, o novo irmão evento, ou melhor o ex-lojista evento”, disse aos risos em uma alusão aos irmãos Joel e Abrahão Datz, que ficaram conhecidos na cidade pelo apelido de Irmãos Evento por marcarem presença nas mais variadas festividades do Recife.</p>



<p>O Cabral de Mello da sua assinatura vem da mesma família do renomado poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. Fábio é primo de segundo grau do autor de <em>Morte e Vida Severina</em>. Porém, apesar do sobrenome famoso, já faz um tempo que passou também a ser conhecido pelo nome da loja. Fábio Passadisco eterniza em seu nome o espaço que é uma extensão de sua vida.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/loja-dentro.jpg" alt="foto mostra o interior de uma loja de discos vibrante e cheia de vida. Há várias prateleiras cheias de discos de vinil, e as paredes estão decoradas com quadros e pôsteres. Vários clientes estão explorando a loja: uma pessoa à esquerda está examinando discos em uma caixa, outra está no centro olhando para uma prateleira, e duas outras estão à direita, uma delas folheando álbuns em uma caixa enquanto a outra está ao lado. O chão é de azulejos brancos e há holofotes iluminando o espaço. A atmosfera sugere um lugar rico em história e cultura musical, provavelmente interessante para entusiastas da música." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Ùltimo dia de funcionamento da Passa Disco será no sábado, 28 de setembro
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
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		<title>Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, volta ao palco do Teatro do Parque</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 15:45:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Um trabalho na zona de fronteira da música com a poesia e a performance. É assim que José Paes de Lira, o Lirinha, define seu novo trabalho, MEIKÊ RÁS FÂN. Com oito faixas inéditas produzidas pelo artista, o álbum é o terceiro solo na carreira desse sertanejo, natural do município de Arcoverde, [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Um trabalho na zona de fronteira da música com a poesia e a performance. É assim que José Paes de Lira, o Lirinha, define seu novo trabalho, <em>MEIKÊ RÁS FÂN</em>. Com oito faixas inéditas produzidas pelo artista, o álbum é o terceiro solo na carreira desse sertanejo, natural do município de Arcoverde, projetado para o Brasil e o mundo no começo dos anos 1990, com o Cordel do Fogo Encantado. E que hoje, aos 46 anos, vivencia sua fase mais inventiva.</p>



<p>“Sempre observei os mais velhos, sempre tive atenção para os mestres e mestras. Nesse ambiente da poesia, vão melhorando com o tempo, apurando os sons na construção da mensagem. Hoje tenho mais possibilidades de experimentar, com mais plenitude, ferramentas e recursos”, define ele, em conversa com a reportagem da Marco Zero Conteúdo.&nbsp;</p>



<p>É Lirinha quem assina a direção artística e musical do espetáculo, com duração de 80 minutos e arranjos eletrônicos e paisagens sonoras dos instrumentistas Dan Maia e Dizin. Sob iluminação e aparelhagem de construção cênica, o show é composto pelas músicas inéditas e também poesias e canções que marcaram a trajetória solo do artista.</p>



<p>Estão no repertório faixas como “Ah se não fosse o amor”, “Sidarta”, “Ela vai dançar”, do primeiro álbum <em>Lira</em>; “Ser” e “Filtre-me”, do seu segundo disco <em>O Labirinto</em> e<em> o Desmantelo</em>, além de “Jabitacá”, composição gravada pela eterna Gal Costa. Será executada também “O Amor é um Tubarão”, cantada no filme <em>Piedade</em>, de Cláudio Assis, pela personagem de Fernanda Montenegro.</p>



<p>Este terceiro trabalho solo foi concebido por Lirinha entre 2020 e 2022. Nele, tudo tem como base um universo fictício. A própria expressão que dá nome ao álbum é uma invenção fonética e sonora do artista. Nem o Google é capaz de oferecer resposta à consulta por <em>MEIKÊ RÁS FÂN</em>. “Este trabalho é um sonho que realizei, a união da música e poesia, algo que tenho até dificuldade de nomear o gênero”, diz ele.&nbsp;</p>



<p>O álbum conta com a participação das vozes de Gabi da Pele Preta, em “Estrela Negríssima”; Nash Laila, em “Bebe<em>”</em>; Lana Balisa, em “Mesmo”; o coral de Dan Maia, em “Oyê”; Iara Rennó, em “Amor Vinil”; e Sofia Freire, em “No Fim do Mundo”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Teatro do Parque, um lugar de memórias</strong></h2>



<p>José Paes de Lira pisou pela primeira vez no palco do Teatro do Parque há mais de três décadas. Aos 12 anos, participou de um festival de cantadores. Os tempos eram outros. Miguel Arraes era o governador de Pernambuco pela segunda vez, após a volta do exílio e o fim do regime militar. E Lirinha era uma criança com a cabeça no mundo das palavras.&nbsp;</p>



<p>“Antes da música, comecei com poesia. Me considero um declamador, cresci participando dos festivais de repentistas e violeiros. Foi nesse contexto a minha primeira apresentação no Teatro do Parque. Essa casa também foi o palco para o lançamento do primeiro disco do Cordel do Fogo Encantado. Naná Vasconcelos estava na plateia. É especial poder voltar a esse teatro.”&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Serviço:</strong></p><p>Quando: sábado, 4 de novembro<br>Horário: a partir das 20h<br>Onde: Teatro do Parque, rua do Hospício, 81, Boa Vista, Recife<br>Classificação: Livre<br>Como comprar ingressos? <a href="https://www.sympla.com.br/evento/lirinha-meike-ras-fan-o-show/2207741">https://www.sympla.com.br/evento/lirinha-meike-ras-fan-o-show/2207741</a></p></blockquote>



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		<title>O futuro do brega funk com a gestão Raquel Lyra</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2022 13:40:00 +0000</pubDate>
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<p><strong>Por Tássia Seabra*<br></strong><br>Uma pesquisa realizada pela<em> </em>Agência Eixo contratada pelo instituto Kondzilla, na qual fui uma das entrevistadas, revela que a falta de dados sobre a potência criativa da periferia resulta na baixa autoestima dos jovens. &#8220;Vivemos em uma era de dados, mas não temos informações positivas sobre coisas relacionadas à periferia. Sabemos que a cada 23 minutos morre um jovem negro no Brasil. Mas as coisas positivas não sabemos&#8221;, reflete Thaisa Machado, co-fundadora do AfroFunk Rio e pesquisadora da cultura periférica e também uma das entrevistadas.</p>



<p>Esses dados não existem porque o Estado só enxergao jovem periférico como problema e nunca como solução. O brega e o brega funk sempre foram tratados como questão de segurança pública. Sem espaços na mídia, nas casas de shows, os MCs resistiram à perseguição e à criminalização do movimento, inovando sem nada e tornaram o movimento brega funk o maior que temos hoje. Responsável diretamente pelo sustento de diversas famílias pernambucanas, gerando e sendo fonte de renda para as mesmas. Além disso, o brega funk éferramenta essencial para a construção e o desenvolvimento da autonomia e da autoestima dos jovens periféricos e, sobretudo, uma alternativa diretapara esses mesmos jovens se manterem longe da violência.</p>



<p>Nas ultimas eleições, acompanhei de perto a aproximação dos políticos tanto de esquerda quanto de direita com a comunidade do gênero. O reconhecimento mais direto e efetivo está sendo por parte da gestão João Campos, mas as oportunidades precisam ser ampliadas e os acessosdemocratizados para que o movimento cultural tão importante não vire moeda de troca entre políticos e empresários locais que enxergam o gênero apenas como produto. Festivais de brega centralizados não podem ser a única ação, onde apenas uma pequena parcela da cadeia produtiva e do público é beneficiada. Enquanto isso, os produtores independentes periféricos que exercem o papel do Estado promovendo atividades culturais na periferia são impedidos de realizar eventos em seus territórios, onde a única presença efetiva do poder público é através da polícia militar, acabando ou nem deixando começar o único lazer dos moradores que não têm recursos financeiros para frequentar casas de show nazona sul e eventos no centro da cidade.</p>



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<p>&#8221;É por isso que vemos os bailes em praças, fechando ruas. A não legitimidade desses lugares e a criminalização dificultam a relação dos funkeiros com a comunidade e geram atrito social. (…) Não existe frente de governo que dialogue com o funk. Em vez de criminalizar, o Estado deveria criar uma espécie de operação `baile funk`, que legalize fluxos, dialogue com os organizadores e compreenda a dinâmica e as necessidades de cada localidade, porque os eventos nas periferias são deixados de lado, ao contrário do que ocorre em ações culturais no centro da capital paulista&#8221;, afirma Renata Prado em entrevista para o jornal Estado de São Paulo. Renata é coreógrafa, pedagoga e especialista na cultura do funk ( e minha amiga), fundadora da Frente Nacional das Mulheres no Funk, na qual sou articuladora nacional representandoPernambuco.</p>



<p>O brega funk com números expressivos é responsável por movimentar milhões de reais no mercado fonográfico digital por ano. A nacionalização do gênero começou em 2018 após o <em>boom</em> da MC Loma e a consagração vem em 2020, quando quatro das dez músicas mais tocadas nas plataformas de streaming eram do gênero, despontando diversos nomes e atraindo olhares de grandes distribuidoras de música como a Sua Música e a ONErpm, tendo a última como a maior do país que abriu filial na cidade. O fenômeno das redes sociais trouxe ainda mais reconhecimento e, em específico o TikTok, com os famosos &#8220;Challenge&#8221; e suas dancinhas virais que mudaram completamente a forma de consumo de músicae o processo criativo dos artistas e produtores dos gêneros mais comerciais. As batidas do brega funk possibilitam coreografias cada vez mais elaboradas e estão sempre ocupando os <em>trends</em> das redes dominadas pela geração Z, que segue ditando as tendências do mercado.</p>



<p>É fundamental que a próxima gestão também reconheça o brega funk como economia criativa e, em parceria com a gestão de cultura da capital, dê continuidade à inclusão que vem sendo feita e, juntos, desenvolvam políticas públicas mais efetivas com a participação detoda a cadeia produtiva do gênero. Mas o perfil conservador da primeira governadora mulher do Estadoao meu ver será um desafio aos avanços que o brega funk vem fazendo no diálogo com o poder público. Raquel Lyra bebe diretamente na fonte retrógrada do pensamento padrão da elite provinciana do nosso estado, que só reconhecea cultura popular tradicional como cultura pernambucana, renegando historicamente asexpressões oriundas das camadas mais populares como o brega e o brega funk e, me arrisco a dizer, que são questões semelhantes ao que o mangue beat passou. Quem não se lembra do &#8220;conflito geracional&#8221; entre Chico e Ariano? Termo usado para suavizar o racismo estrutural sofrido por todo artista negro e periférico, independente do gênero musical.</p>



<p>A futura gestão não tem propostas concretas para a cultura do estado que é reconhecido mundialmentecomo a capital cultural do país e desconhece a amplitude das linguagens e expressões culturais que Pernambuco dispõe. Expressões culturais periféricas como o brega funk sempre foram historicamente associadas à marginalidade pelas mesmas pessoas que vão ocupar a Secretaria da Cultura na próxima gestão. Ao meu ver, a garantia da continuidade no diálogo passa pela criação de uma cadeira de cultura periférica no Conselho de Cultura do Estado. Estamos falando de jovens que historicamente nunca tiveram acesso aos mecanismos de cultura e que sempre se reinventaram com o que tinham em suas mãos e não seria diferente na era da tecnologia. O papel do poder público é estar atento à potência desse novo mercado musical digital que tem o estado fortemente representado pelo brega funke pra isso precisamos qualificar essa mão de obra para que, de maneira adequada,possa colher os frutos de todas receitas que o mercado digital oferece e muitos deles ainda desconhecem.</p>



<p>* <strong>Tássia Seabra é aceleradora de cultura,comunicadora social, roteirista, diretora e ativista da cultura periférica. Articula nacionalmente o <a href="https://www.instagram.com/funknopoder/">Coletivo Funk No Poder </a>e <a href="https://www.instagram.com/frentenacionaldemulheresdofunk/">Frente Nacional das Mulheres no Funk</a> que pautam o funk e suas vertentes enquanto movimento cultural e político. É tambémco-fundadora da <a href="https://www.instagram.com/frentedeculturaperiferica_pe/">Frente de Fazedores de Cultura Periférica de Pernambuco </a>e do <a href="https://www.instagram.com/iburamaiscultura/">Coletivo Ibura Mais Cultura </a>.</strong><br></p>



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