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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Um país que sumiu do mapa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Aug 2021 19:35:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica e pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[democracia em colapso]]></category>
		<category><![CDATA[democracia no Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto originalmente publicado na newsletter da Marco Zero. Clique aqui para assinar nossa newsletter O relato que ocupará os próximos parágrafos costuma gera reações que vão da tristeza à nostalgia entre as pessoas amigas que já o escutaram. É provável que, registrado por escrito, circulando pela internet entre um público mais diverso e, talvez, mais [&#8230;]</p>
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<p><strong>Texto originalmente publicado na newsletter da Marco Zero. <a href="https://marcozero.us18.list-manage.com/subscribe/post?u=6903930ec168971e947bb728b&amp;id=c1b8b74962">Clique aqui</a> para assinar nossa newsletter</strong></p>



<p>O relato que ocupará os próximos parágrafos costuma gera reações que vão da tristeza à nostalgia entre as pessoas amigas que já o escutaram. É provável que, registrado por escrito, circulando pela internet entre um público mais diverso e, talvez, mais jovem, soe como fantástico, tratando de um tempo e de um país que já não existem.</p>



<p>No entanto, a história que dá a dimensão das expectativas não realizadas e do quanto se tornou difícil viver no Brasil desde 2008, ano em que os fatos narrados aconteceram.</p>



<p>Até aquele ano, várias agências internacionais e fundos europeus que financiavam projetos e entidades da sociedade civil nordestinas que trabalhavam pela redução das desigualdades e na promoção de justiça social tinham escritórios no Recife, cidade que, para algumas delas, sediava toda a operação em território nacional. Então, todas decidiram que era hora de ir embora.</p>



<p>Instituições cuidadosas e responsáveis, convidaram para uma série de reuniões o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), em cujo escritório pernambucano este escriba trabalhava. Como, afinal, muitos dos projetos que apoiavam também eram financiados pela agência da ONU para as crianças e adolescentes, a ideia era fazer uma transição para que a decisão de saída do Brasil não criasse problemas para outros parceiros.</p>



<p>Participei de vários desses encontros com a presença dos técnicos e representantes de uma sopa de letrinhas: tinha gente da belga Volens, da norte-americana CRS (a Cáritas dos Estados Unidos), das alemães DED e GTZ, da britânica Oxfam-GB. Mas, por que essas instituições decidiram interromper o apoio financeiro aos projetos brasileiros? As explicações adicionam à história o tom surreal aos olhos de 2021.</p>



<p>As justificativas para a decisão repetiam frases como essas: “O Brasil está resolvido”; “o país caminha para a consolidação de um Estado do bem-estar social nos moldes europeus”; “O Brasil vive um momento de prosperidade e desenvolvimento irreversíveis”; “Os projetos tendem a se tornar política pública e serão financiados pelo próprio Estado brasileiro”; ou ainda “a classe média brasileira já tem condições financeiras de sustentar as ONGs com doações”.</p>



<p>Vivíamos a metade do segundo mandato do presidente Lula e tudo aquilo parecia sólido, principalmente para o olhar dos estrangeiros, que decidiram concentrar seus esforços e investimentos na África. Uma ou outra daquelas entidades manteve apoio a algumas iniciativas ambientais na Amazônia.</p>



<p>Ainda mantenho contatos esporádicos com algumas pessoas que participavam daquelas reuniões. Pelas redes sociais ou whatsapp, elas e eles me dizem que não conseguem entender como nem porquê as elites brasileiras foram capazes de sabotar o próprio país.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero</strong></em></p><p><em>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</em></p><p><em>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</em></p><p><em>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</em></p><p><em>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</em></p><p><em>É hora de assinar a Marco Zero</em></p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Clique aqui para doar</strong></a></p></blockquote>
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		<title>Motoqueiros bolsonaristas cancelam evento no domingo em apoio ao presidente</title>
		<link>https://marcozero.org/motoqueiros-bolsonaristas-cancelam-evento-no-domingo-em-apoio-ao-presidente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jun 2021 04:09:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[democracia no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois das passeatas à beira mar, dos cercadinhos em frente ao palácio do Planalto, dos trios elétricos e carreatas, o bolsonarismo abraçou nas últimas semanas mais uma forma de manifestação: as &#8220;motociatas&#8221;. A mais recente, em São Paulo, contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro infringindo uma série de regras sanitárias e de trânsito [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Depois das passeatas à beira mar, dos cercadinhos em frente ao palácio do Planalto, dos trios elétricos e carreatas, o bolsonarismo abraçou nas últimas semanas mais uma forma de manifestação: as &#8220;motociatas&#8221;. A mais recente, em São Paulo, contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro infringindo uma série de regras sanitárias e de trânsito (andou até em moto com placa coberta). Recife iria ter uma dessas motociatas neste domingo, mas foi suspensa.<br><br>O presidente não havia confirmado participação e a repercussão estava aquém do esperado, até com informações conflitantes sobre o local de saída. E, neste sábado, o movimento Fora Bolsonaro vai às ruas no centro do Recife. Uma comparação tão próxima poderia não ser uma boa ideia para os bolsonaristas pernambucanos.<br><br>Oficialmente, porém, o discurso é de que a organização vai seguir a recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para que o evento não ocorra. &#8220;A direita trabalha dentro da lei, ao contrário da esquerda&#8221;, disse à Marco Zero (&#8220;em conversa gravada&#8221;, frisou) Marcos Wanderlei, um dos coordenadores em Pernambuco do Aliança Brasil , o partido não fundado de Bolsonaro.<br><br>Não dá pra negar que essa justificativa se trata de uma fabulação: desde o começo da pandemia os movimentos bolsonaristas estão nas ruas, aglomerados e sem máscaras, tudo que é proibido por decretos estaduais e municipais. O presidente, inclusive, levou multa por não usar máscara e aglomerar tanto no Maranhão quanto na motociata em São Paulo.<br><br>Segundo Wanderlei, Bolsonaro não foi nem convidado para participar do agora cancelado protesto recifense. Imagens que colocavam Bolsonaro na motociata em Recife, seriam, então, falsas, para desmerecer o movimento. Um golpe da esquerda. &#8220;Na realidade foi feita uma montagem em cima de folder nosso dizendo que Bolsonaro viria. A esquerda pega tudo e modifica. <em>Fake news</em>. Estamos em um estado dominado pela esquerda, não tinha nem interesse em chamar Bolsonaro para cá. Era mais problema para ele&#8221;, afirmou Wanderlei, que acrescentou que o evento deve ocorrer tão logo seja &#8220;juridicamente possível&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Motociatas: barulho e novidade</h2>



<p>A motociata no Recife estava marcada mesmo antes da ocorrida em São Paulo, que foi um prato cheio para a realidade paralela do bolsonarismo. O núcleo presidencial e influenciadores bolsonaristas espalharam que havia mais de 1 milhão de motos na manifestação, um recorde no Guinnes Book. Os desmentidos, claro, foram feitos: o pedágio de SP divulgou que registrou apenas 6,6 mil veículos. Nas redes bolsonaristas, contudo, o delírio serviu até para posts em que se afirmava que a motociata tinha gerado R$ 40 milhões &#8220;em emprego e renda&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Jair Bolsonaro não confirmou presença e motoqueiros cancelaram passeio de motos. Crédito: Alan Santos/Agência Brasil</p>
	                
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<p><br><br>O cientista político e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Túlio Velho Barreto, vê nas motociatas uma estratégia bastante chamativa e de fácil mobilização, por meio de motoclubes. &#8220;Dá visibilidade, faz barulho. Gera conteúdo paras as redes bolsonaristas, mas pauta também a grande mídia, que termina noticiando esse tipo de mobilização, mesmo naqueles segmentos que não são favoráveis a Jair Bolsonaro&#8221;, analisa.<br><br>Para o cientista político Adriano Oliveira, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o formato das motociatas não faz muita diferença na estratégia bolsonarista. &#8220;O mais importante é o que está por trás disso. É um contraponto às pesquisas eleitorais que o colocam em baixa. O presidente quer mostrar que elas não têm credibilidade e que ele tem grande popularidade. E, por consequência, e aí vem o objetivo principal, colocar o resultado das eleições de 2022 em suspeição: &#8216;Olha, como pode tantas motos na rua e eu perdi a eleição? Não vou aceitar o resultado&#8217;. O presidente está montando toda uma euforia entre o eleitorado, e fora também, para dizer que ele tem o apoio da população brasileira. E caso ocorra um revés na eleição vindoura, ele está criando a narrativa de que estará diante de uma prova viva de fraude e não do resultado legítimo trazido pela democracia eleitoral&#8221;, acredita.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Voto impresso, a nova musa do bolsonarismo</h3>



<p>Se o formato dos eventos bolsonaristas está de cara nova com as motociatas, era preciso renovar também o tema. Agora, não é o fim do STF, a cabeça do presidente da Câmara (na época de Rodrigo Maia) ou a prisão de Lula que os bolsonaristas pedem. É algo, aparentemente, mais singelo: o fim do voto eletrônico e a volta do voto impresso.<br><br>É um tema que surgiu ainda na campanha de 2018, mas agora ganha protagonismo, já de olho nas eleições do ano que vem. &#8220;Quando Bolsonaro diz que defende o voto impresso, ele já está colocando em suspeita a urna eletrônica. Esse é um primeiro ponto. No momento que tem pesquisa de opinião que dá a ele uma reprovação em torno de 55 a 60%, ele vai lá e diz &#8220;não vamos confiar nessas pesquisas, vejam que elas erraram em 2018&#8243;. O que é uma mentira: elas não erraram em 2018. O questionamento do voto impresso e a tese do apoio popular, com as manifestações, se complementam&#8221;, diz Adriano Oliveira.<br><br>Túlio Velho Barreto destaca dois pontos na mobilização pelo voto impresso. &#8220;Se fica contra o STF, pela volta dos militares, que é recorrente, não causa mais tanto impacto. Não há nova palavra de ordem que mobilize as pessoas. Ao lançar esse lema, está se colocando um novo objetivo. E força a grande mídia também a dar isso&#8221;, afirma.<br><br>O outro ponto do pesquisador da Fundaj é o mesmo também defendido por Adriano Oliveira: um elemento a mais na narrativa que o presidente está construindo caso perca a reeleição. &#8220;A defesa pelo voto impresso prepara um ambiente para reproduzir o que aconteceu nos Estados Unidos, onde se questionou o processo eleitoral com a derrota de Trump. Vai criando um caldo, pensando em 2022. Há o deslocamento da luta contra o Congresso e o STF para o processo eleitoral, antecipando o que poderá mobilizar o eleitorado dele para a quebra da ordem democrática e a anulação da eleição. Ou um golpe. É uma medida defensiva, mas ao mesmo tempo mobilizadora&#8221;, analisa.<br><br>A hipótese de um golpe, caso Bolsonaro perca, está no radar dos dois cientistas políticos. &#8220;Tenho dito que as eleições de 2022 não podem ser entendidas apenas na normalidade democrática. Vejo que Bolsonaro trabalha com duas alternativas. A primeira é ganhar a eleição na democracia, a partir do aumento do valor do bolsa família, da recuperação da economia e associando o PT cada vez mais à corrupção. A segunda alternativa, que ele trabalha muito bem, é, se por ventura ele perder a reeleição, ter o apoio dos militares para que questionem o resultado das urnas&#8221;, diz Adriano Oliveira.</p>



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	                                        <p class="m-0">Cientistas políticos acreditam que Bolsonato tentará golpe armado em 2022. Crédito: Poder 360</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">Contraponto tem que ser amplo</h2>



<p><a href="https://marcozero.org/depois-da-violencia-da-pm-preparacao-do-19j-em-recife-e-marcada-por-cuidados-e-expectativa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em várias cidades pelo Brasil afora, o movimento Fora Bolsonaro ganha as ruas neste sábado</a>. Para o professor Adriano Oliveira, é hora dos movimentos serem estratégicos e juntar o máximo de pessoas possíveis em torno do mote principal. E isso significa abandonar bandeiras, a cor vermelha e, sim, Luiz Inácio Lula da Silva.<br><br>Isso porque, acredita ele, as manifestações geram um forte contraponto ao bolsonarismo, mas também revivem e evidenciam a rejeição a Lula. &#8220;As pesquisas qualitativas mostram que o PT é um partido com uma imagem associada à corrupção. Muitas pessoas vão para as ruas de vermelho, com a bandeira do PT. E o eleitor que não é de esquerda olha isso e pensa &#8216;lá vem eles de novo&#8217;. Temos que ter uma esquerda renovada e oxigenada para 2022. O próprio Lula precisa vir renovado. É importante que essas manifestações não proporcionem o ambiente criado nas eleições de 2018. Ou seja, um ambiente antipetista&#8221;, explica.<br><br>Mesmo Lula sendo disparado o candidato antibolsonaro mais bem posicionado nas pesquisas, Adriano crê que ele deve ser deixado de lado. O ex-presidente não confirmou presença em nenhum ato deste sábado e não participou das manifestações de 29 de maio. &#8220;Essa passeata não pode ser considerada uma passeata do Lula, do Ciro Gomes, do Dória, de quem quer que seja. Precisa ser uma passeata que, independentemente do candidato de 2022, seja contra o bolsonarismo&#8221;, acredita Adriano.<br><br>Ele vê que o grande desafio de Lula para 2022 é unir o maior número de antibolsonaristas no seu palanque. &#8220;Tem também o desafio conseguir limpar a imagem dele, que é muito associada à corrupção, e criar uma composição multipartidária. Mas o desafio do centro é muito maior: se contrapor não só a Lula, mas também ao atual presidente. Se Lula conseguir unir os partidos de centro e ser visto como uma pessoa que pode não só salvar a economia, mas colocar em pauta a defesa da saúde dos brasileiros, a defesa da democracia, aí sim ele passa a ter chances na eleição de 2022&#8221;, analisa.<br><br>Túlio Velho Barreto vai na mesma linha de uma manifestação mais centrada no objetivo maior, da união de forças contra o bolsonarismo. &#8220;As manifestações já ultrapassam a esquerda. É um segmento da sociedade que defende o estado democrático de direito, a vida, a vacinação. Não propriamente é de esquerda, mas está indignada com o descaso, a irresponsabilidade e a inconsequência que o governo tem agido com a crise sanitária e o quanto fomenta essa crise política e institucional&#8221;, diz.</p>



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		<title>Visões sobre a crise da democracia brasileira a partir da França</title>
		<link>https://marcozero.org/visoes-sobre-a-crise-da-democracia-brasileira-a-partir-da-franca/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Mar 2019 13:28:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[democracia no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[jair bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Jean Wyllys]]></category>
		<category><![CDATA[Márcia Tiburi]]></category>
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		<category><![CDATA[Monica Francisco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maria Eduarda Rocha e Yvana Fechine, de Paris, especial para a Marco Zero Conteúdo É crescente o interesse acadêmico pelo contexto político brasileiro como testemunhou o colóquio “La crise de la démocratie et le néolibéralisme à lumière de la situation brésilienne (A crise da democracia e o neoliberalismo a luz da situação brasileira), realizado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Eduarda Rocha e Yvana Fechine, de Paris, especial para a Marco Zero Conteúdo</strong></p>
<p>É crescente o interesse acadêmico pelo contexto político brasileiro como testemunhou o colóquio “La crise de la démocratie et le néolibéralisme à lumière de la situation brésilienne (A crise da democracia e o neoliberalismo a luz da situação brasileira), realizado nos dias 20 e 21 de março e organizado pela Universidade Paris Nanterre por meio do Laboratoire de Sociologie, Philosophie et Antropologie Politiques (Laboratório de Sociologia, Filosofia e Antropologia Políticas). Os debates sugerem algumas tendências na forma como o país está sendo visto na França.</p>
<p>Em primeiro lugar, existe um esforço para situar o caso brasileiro dentro de uma onda global de ascensão da extrema-direita. Isso coloca em um primeiro plano fatores que extrapolam a vida política brasileira, como o fato de que o fascismo tem sido uma resposta política a várias formas de insegurança que se acentuam no contexto atual, do medo da perda do emprego ao sentimento de identidade ameaçada, potencializado por discursos que pretendem defender uma comunidade imaginária diante de seus “inimigos”.</p>
<p>Esta comunidade pode ser imaginada a partir de elementos étnicos, raciais, de gênero, religião e orientação sexual, entre outras coisas, mas, em todos os casos classificáveis como “fascismo”, há uma proposta mais ou menos violenta de restauração da “pureza perdida” através da extirpação da ameaça ou, em outras palavras, um apelo a um certo “darwinismo social”.</p>
<p>Possivelmente, a diferença maior em relação à primeira onda fascista, na década de 1930, seja a centralidade das questões de gênero e sexualidade nesses discursos, o que amplia o apoio à extrema direita entre homens brancos heterossexuais. Se isso é verdade, as discussões recentes, também na França, permitem concluir que o caráter reativo da onda conservadora ao avanço dos direitos de mulheres e LGBTs precisa ser mais destacado e analisado, especialmente no caso brasileiro no qual a questão da imigração não tem o mesmo peso que na Europa e nos Estados Unidos.</p>
<p>Outro ponto em destaque foi o espelhamento entre os dois grandes do continente americano. No Brasil, a enorme inoperância da justiça e da justiça eleitoral permitiram o uso das táticas de guerrilha das redes sociais já testadas com sucesso na eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos. No Brasil, foi o sistema ainda mais oligopolizado de mídia que preparou o terreno para a guerra de desinformação disseminando, desde muito tempo, o ódio ao PT e o anti-lulismo.</p>
<p>Mas o que salta aos olhos de analistas que vimos circular por Paris é o caráter “grotesco” ou “disfuncional” do protagonista do “fascismo à brasileira”. As declarações de Jair Bolsonaro ainda como deputado e suas atitudes na Presidência são inimagináveis em qualquer contexto com um mínimo de cultura política democrática e com algum respeito pela liturgia do cargo.</p>
<p>Como mencionado por vários analistas, o presidente não desligou o “modo campanha”, e seu estilo dificilmente seria tolerado em um país como a França, apesar da escalada autoritária traduzida nas medidas recentes do Governo Macron contra o direito à manifestação e no potencial de crescimento da extrema-direita francesa nas próximas eleições europeias. Ou seja, por enquanto, bater tão abaixo da cintura como faz Bolsonaro nas redes sociais é algo ainda difícil de aceitar e explicar mesmo na França de Emmanuel Macron.</p>
<p>É evidente também entre analistas franceses a falta de articulação entre as três forças do Governo Bolsonaro, a neoliberal, a fanático-religiosa e a militar, para não falar da tumultuada relação com o Congresso. Tudo leva a crer que Bolsonaro, convertido no “cavalo de tróia” do anti-lulismo (na falta de apelo eleitoral dos candidatos de centro-direita), não tem proposta a não ser destruir as políticas públicas em nome de um neoliberalismo mais tosco, que pretende cortar direitos sociais, entregar para o capital privado os serviços de saúde e educação, além de privatizar as estatais. Criticou-se tanto a “militarização da administração pública” quanto o desrespeito às minorias que parecem conduzir o Brasil a uma “democratura” (uma espécie de ditadura com aparência de democracia).</p>
<p>Márcia Tiburi lamenta que, apesar do crescente interesse de acadêmicos e entidades pelo Brasil, as lideranças políticas da Europa parecem não se interessar muito pelo que está acontecendo no país sulamericano. “Nesse sentido é bom, entre aspas, que sujeitos que possam falar fora do Brasil alertem para tudo isso porque o que conhecemos do nosso destino até aqui é terrível. Temos histórias prévias que nos ensinam que precisamos puxar o freio de mão da história”, conclui a filósofa, referindo-se, entre outros, a movimentos como o Nazismo e reconhecendo a necessidade de maior pressão internacional. Tiburi juntou-se esta semana em Paris às vozes que denunciam os riscos que corre a democracia brasileira.</p>
<h2><strong>Homenagens a Marielle e o &#8220;sonho político&#8221; que ela representava</strong></h2>
<p>A situação política no Brasil foi o tema de pelo menos seis eventos acadêmicos e políticos realizados em Paris ao longo deste mês que marca um ano das execuções da vereadora Marielle Franco e do seu motorista, Anderson Gomes. O último deles foi realizado, na terça-feira (26), na sede da Prefeitura de Paris da décima região administrativa da cidade, com as presenças da deputada carioca Mônica Francisco (PSOL), que trabalhou com Marielle, e da filósofa, escritora e ex-candidata do PT ao Governo do Rio, Márcia Tiburi, que deixou o Brasil por receber ameaças de morte de grupos de extrema-direita.</p>
<p>O seminário “Marielle à Paris” foi organizado pela Red.br &#8211; Réseau Européen pour la Democratie au Brésil, que entrou com solicitação junto à Prefeitura de Paris pedindo que um lugar público da cidade receba o nome de Marielle Franco para marcar a solidariedade dos franceses com os defensores de direitos humanos no Brasil, sobretudo aos que estão engajados nas lutas das mulheres, dos negros e LGBTs, como Marielle.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-26-at-21.15.48.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignright size-medium wp-image-14582" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-26-at-21.15.48-300x225.jpeg" alt="WhatsApp Image 2019-03-26 at 21.15.48" width="300" height="225"></a></p>
<p>Para Márcia Tiburi, Marielle representava um “sonho político” que afrontava diretamente o “pesadelo” que o Brasil vive desde o Golpe de 2016 e que se aprofundou com o Bolsonarismo. “Marielle é o espectro que assombra o fascismo”, completou o ex-deputado do PSOL, Jean Wyllys, no vídeo exibido no evento como parte da campanha junto à Prefeitura de Paris para homenagear a vereadora do Rio, assassinada em 14 de março de 2018. Jean Wyllys, que também deixou o Brasil por sofrer ameaças de morte, gravou o vídeo e proferiu três palestras em Paris sobre a situação política brasileira ao longo da semana passada, uma delas na École de Hautes Études em Sciense Sociales (EHESS), a convite do Groupe de Refléxion sur le Brésil Contemporain (GRBC).</p>
<p>Nas manifestações em homenagem à vereadora carioca em Paris, com a participação de Wyllys e Tiburi, chegou-se a uma mesma constatação: a centralidade da luta das mulheres na resistência ao fascismo fez de Marielle um personagem universal. E por que Marielle se tornou esse símbolo? Em todas as intervenções, destacou-se sua condição de mulher, negra, lésbica, de origem pobre, mas sem esquecer sua ascensão social através da educação e da política, o que, segundo Marcia Tiburi, tornaram Marielle a materialização desse “sonho político” que ela encarnava.</p>
<p>“É mais que um nome de rua, é a prova da força da democracia e da vida”, disse a deputada carioca Mônica Francisco, dirigindo aos franceses e representantes da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, presentes no evento. Mônica Francisco lembrou que a morte de Marielle lançou luz sobre a crescente violência política no Brasil e advertiu que precisa haver muita pressão externa para que se responda, de fato, a questão “Quem mandou matar Marielle?”. Responder essa questão, segundo Mônica Francisco, não diz respeito apenas ao caso Marielle, no qual há, comprovadamente, envolvimento das milícias cariocas. Para ela, a elucidação das execuções de Marielle e Anderson é importante também para a situação de outros militantes dos direitos ameaçados ou mortos no Brasil. Assim como fez Jean Wyllys, em Paris, Mônica Francisco voltou a denunciar as ligações da família Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro.</p>
<p>O seminário, que, também teve o apoio da associação Autres Brésils e da Coletiva Marielles, faz parte da campanha da Red.br para obter uma decisão favorável da Prefeitura de Paris quanto ao seu pedido de homenagem a Marielle. A decisão do Conselho Municipal de Paris deve ser tomada na próxima semana. Marielle também foi homenageada na capital francesa, ao longo do mês, em outros dois eventos realizados pela associação Autres Brésils e pela Coletiva Marielle.</p>
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