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	<title>Arquivos demolição - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 Mar 2024 19:31:30 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos demolição - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Com pressa e sem aviso, Prefeitura do Recife derruba casas e despeja idosa na Vila Esperança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 15:35:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[demolição]]></category>
		<category><![CDATA[despejo]]></category>
		<category><![CDATA[ponte do monteiro]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vizinhas, as irmãs Gilvanilda Lopes Freire, 56 anos, e Adelaide Lopes Freire, 62 anos, foram surpreendidas às 8h desta quinta-feira por agentes do grupo especial da Grupo de Controle Urbano Tático da Guarda Municipal para despejá-las das casas onde moram há décadas. As irmãs são moradoras da Vila Esperança, no bairro do Monteiro, que está [&#8230;]</p>
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<p>Vizinhas, as irmãs Gilvanilda Lopes Freire, 56 anos, e Adelaide Lopes Freire, 62 anos, foram surpreendidas às 8h desta quinta-feira por agentes do grupo especial da Grupo de Controle Urbano Tático da Guarda Municipal para despejá-las das casas onde moram há décadas. As irmãs são moradoras da Vila Esperança, no bairro do Monteiro, que está sendo destruída para a construção da ponte e dos acessos viários que vão ligar as zona norte e oeste do Recife.</p>



<p>Gilvanilda está com processo de desapropriação correndo e já recebeu uma parte da indenização. Porém, sem ainda ter para onde ir, solicitou à prefeitura mais uma semana para resolver a questão da mudança.</p>



<p>Já Adelaide garante não ter recebido qualquer indenização da prefeitura e nem sequer houve o início da negociação. Há três meses, ela foi procurada por um oficial de justiça, que informou que ela tinha , então, apenas uma semana para deixar a casa. Ela está com um processo contra a prefeitura para ser indenizada pela casa onde mora há 20 anos com o filho.</p>



<p>As casas das irmãs são coladas uma na outra, parede com parede. Ou seja, se derrubarem a de casa de Gilvanilda, a de Adelaide fica comprometida.</p>



<p>Quem também afirmou não ter recebido nenhum aviso sobre a demolição da casa dela nem qualquer indenização foi a moradora Maria Célia Almeida, de 62 anos. “Cheguei aqui em 1990. Eu chegava na prefeitura e era escorraçada, passei mal. Disseram que não iam me indenizar porque eu não pagava imposto. Mas que imposto? Quando eu chegava lá, não tinha imposto para pagar. A gente não pagava imposto porque era Zeis. Não fiz acordo, fui para o judiciário”, conta Maria Célia, que possui dois imóveis na Vila Esperança, um ponto comercial e a casa onde mora.</p>



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	                                        <p class="m-0">Desolada, Maria Célia foi amparada por vizinhos. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>“A juíza disse que tinha R$ 200 mil para mim, a prefeitura disse que pagava R$ 140 mil, e ainda descontava os impostos. Querem me pagar agora R$ 72 mil desse ponto (comercial) e R$ 32 mil da casa. Não aceitei. Estou sendo despejada hoje e não recebi nada, nada. Está tudo em juízo. Vieram aqui hoje, derrubaram dentro, tiraram as coisas”, reclamou Maria Célia, ainda de pijamas. Com a luz cortada, sem indenização e sem ter para onde ir, ela vai ficar abrigada na casa de uma vizinha.</p>



<p>A Marco Zero chegou hoje à Vila Esperança quando os moradores ainda tentavam negociar com a polícia para que as casas não fossem demolidas. O cenário é de destruição: as demolições são feitas, mas os entulhos não foram removidos. Uma retroescavadeira está derrubando as casas.</p>



<p>Moradores também reclamam que como a prefeitura chega para fazer as demolições sem aviso prévio, eles não conseguem retirar todos os pertences das moradias. Furtos e roubos estão sendo constantes na Vila Esperança, em meio às demolições, com esgoto a céu aberto e muito lixo acumulado.</p>



<p>Há ainda uma série de reclamações sobre o processo das indenizações. Gilvanilda diz que foi lesada, que a medição da casa dele foi feita aquém da real dimensão. “Minha casa foi medida duas vezes e tem 64 m<sup>2</sup> construídos, mas colocaram 34 m<sup>2</sup> construídos para não pagarem o certo. É por isso que estou sofrendo até agora para encontrar um lugar digno para morar, só encontro lugar destruído. Não tenho mais dinheiro para construir, já estava terminando minha casa aqui”, diz a mulher, que mora no local há 33 anos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Quatro imóveis foram derrubados nesta quinta-feira, 7 de março. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Todo mundo está saindo daqui chutado, a pulso. Estão colocando a gente para fora à força. Eu lutei para ter minha casa, sou mãe de família. E agora estou passando por essa situação por causa do prefeito João Campos. Aquele viaduto não era dentro da nossa comunidade, mas do outro lado da escola Silva Jardim, e João Campos colocou dentro da nossa comunidade, destruindo a vida da gente”, desabafa.</p>



<p>Por hoje, Gilvanilda conseguiu salvar a casa dela. Os agentes da Prefeitura do Recife deram um novo prazo para a demolição, no dia 18 de março. De acordo com ela, a Prefeitura do Recife não quer indenizar sua irmã, Adelaide Lopes, alegando que o imóvel é um só e que as casas são conjugadas. Contudo, a moradora está correndo atrás na Justiça para conseguir que sua irmã seja indenizada. &#8220;Eles querem pagar só R$ 22 mil pela casa da minha irmã, é muito pouco&#8221;, diz.</p>



<p>Já a casa de Maria Célia já foi completamente desocupada e os agentes da prefeitura iniciaram imediatamente o processo de demolição do imóvel.</p>



<p>Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura do Recife afirmou que as indenizações de Maria Célia Almeida e Gilvanilda Lopes já foram pagas. Confira o pronunciamento da PCR na íntegra: </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A prefeitura do Recife explica:</span>

		<p>A Autarquia de Urbanização do Recife (URB) esclarece que, desde 16/03/23 Maria Célia Almeida foi indenizada integralmente. Já à Givanilda Lopes Ferreira, também foi pago, em 14/12/23, o valor integral determinado como indenização. A gestão municipal esclarece que, de acordo com a Legislação vigente, após os pagamentos dos valores os imóveis devem ser desocupados em um prazo de cinco dias úteis, o que foi informado por diversas vezes às ocupantes, que são acompanhadas pela equipe social da URB que atua na região. Em relação à Adelaide Lopes Freire, no dia 16/03/23, recebeu parte da quantia total mediante acordo judicial, restando apenas um pequeno montante a ser quitado. No mais, os 49 imóveis restantes já foram devidamente quitados e seus moradores já desocuparam o local. A todos os moradores de Vila Esperança, foi ofertada uma Unidade Habitacional no complexo que será construído no local, sendo que as três personagens da matéria declinaram da oferta.</p>
<p>A URB explica que cada imóvel é avaliado individualmente e recebe um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores. Os valores oferecidos são baseados em tabela atualizada anualmente e validada pelos órgãos de controle, como Tribunal de Contas do Estado e Caixa Econômica Federal. No local a URB está construindo um conjunto habitacional, com 75 apartamentos, como opção de moradia para que as famílias residentes na Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) Vila Esperança/Cabocó, afetadas pela construção da Ponte Jaime Gusmão, possam permanecer no local. A obra já está em andamento, com investimentos em torno de R$ 10,5 milhões. Além disso, a comunidade ganhará também uma creche.</p>
<p>O habitacional será construído num terreno desapropriado pela Prefeitura do Recife, vizinho à ZEIS e terá dois blocos, um com 40 unidades e o outro com 35, contando com jardim, horta comunitária, playground e bicicletário. Os apartamentos medirão cerca de 40 m2 e os prédios terão tipologia do tipo térreo mais quatro pavimentos.</p>
	</div>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/uma-vila-perdida/" class="titulo">Uma Vila perdida</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><strong>Com colaboração de Maria Carolina Santos</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Em 10 dias, duas casas são demolidas e aceleram destruição do patrimônio modernista</title>
		<link>https://marcozero.org/em-10-dias-duas-casas-sao-demolidas-e-acelera-destruicao-do-patrimonio-modernista/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2020 00:13:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[demolição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os vizinhos do número 83 da rua Jacobina, nas Graças, foram surpreendidos com o ruído de tratores e de paredes desabando na manhã de terça-feira, 13 de outubro. Muitos moradores interromperam o café da manhã e foram para suas respectivas janelas e varadas para fotografar e filmar a segunda demolição de uma casa modernista no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os vizinhos do número 83 da rua Jacobina, nas Graças, foram surpreendidos com o ruído de tratores e de paredes desabando na manhã de terça-feira, 13 de outubro. Muitos moradores interromperam o café da manhã e foram para suas respectivas janelas e varadas para fotografar e filmar a segunda demolição de uma casa modernista no Recife no intervalo de 10 dias.</p>



<p>Logo, as imagens de uma retroescavadeira derrubando a casa conhecida como Residência Emir Glasner, construção modernista de 1972 projetada pelo arquiteto pernambucano Vital Pessoa de Melo, se espalharam pelas redes sociais. Várias postagens já informavam que, além do significado, o imóvel contava com jardins assinados pelo paisagista Roberto Burle Marx e vitrais da artista plástica franco-brasileira Marianne Peretti.</p>



<p>Os vizinhos conheciam bem a casa. No início dos anos 2000, a residência esteve no centro de um conflito entre os novos proprietários, o grupo Ser Educacional (na época ainda chamava-se Faculdade Maurício de Nassau) e grupos de moradores das Graças, inconformados com as modificações realizadas na estrutura original.</p>



<p>Em 2007, a Justiça determinou que os novos donos não poderiam mais fazer reformas ou alterar o jardim desenhado por Burle Marx. Na época, circulava a informação que a pretensão da Maurício de Nassau era construir um edifício garagem no local.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Arquitetura fora do eixo RJ-SP</strong></h2>



<p>Em sua dissertação de mestrado na Universidade de São Paulo (USP) sobre a arquitetura de Vital Pessoa de Melo, a arquiteta pernambucana Clara de Oliveira Reynaldo dedicou um capítulo inteiro ao estudo desse imóvel de 700 m<sup>2 </sup>de área construída, situada num lote de 40m x 30m de terreno irregular. </p>



<p>O projeto foi encomendado por Emir Glasner de Barros, engenheiro cuja empresa foi responsável por várias obras públicas, incluindo o túnel Cascavel, na serra das Ruças.</p>



<p>De acordo com a arquiteta, um dos pontos altos do projeto seria, além do aproveitamento das irregularidades do terreno, o uso de vários elementos como o cobogó, peitoris e portas pivotantes para assegurar a ventilação e o menor uso possível de ar-condicionado e ventiladores, pois “a preocupação da arquitetura com as condições climáticas” era uma constante nos projetos de Pessoa de Melo.</p>



<p>Em São Paulo onde mora, Clara Reynaldo foi surpreendida com a notícia da demolição. Segundo ela, Pessoa de Melo acreditava que &#8220;o lugar deveria ser o ponto de partida para o projeto e só desta forma o projeto faria sentido naquele espaço. Além desta preocupação, fica evidente na sua vasta obra a racionalidade estrutural e o pleno domínio técnico&#8221;.</p>



<p>A arquiteta explica que a produção de Vital contribuiu bastante para &#8220;dar visibilidade para a arquitetura que se fazia fora do eixo Rio-SP, entre as décadas de 1970 e 1980. Pena que, para algumas pessoas, possuir um bem histórico é um empecilho, quando deveriam tirar partido disso &#8220;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Tombamento foi pedido</h3>



<p>Em dezembro de 2007, depois que a Justiça proibiu a destruição do jardim, Maria Lúcia Moura, presidente da Associação Por Amor às Graças, solicitou à prefeitura o tombamento definitivo do imóvel, com sua inclusão na lei dos Imóveis Especiais de Preservação (IEP).</p>



<p>Para saber se a casa de Emir Glasner fazia parte da relação de imóveis a serem tombados, elaborada em 2013 pela Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, a secretaria municipal de Planejamento Urbano do Recife foi procurada pela Marco Zero Conteúdo. Também questionamos se a prefeitura do Recife tinha perspectiva de aprovar a proteção para alguns desses imóveis.</p>



<p>Até o momento do fechamento dessa reportagem, a prefeitura ainda não havia respondido ou se posicionado. Quando isso acontecer, as respostas e o posicionamento oficial do poder público municipal serão acrescentados a este texto.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress aligncenter wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="yHdSr1A20h"><a href="https://marcozero.org/mais-uma-casa-modernista-e-demolida-as-escondidas-em-recife/">Mais uma casa modernista é demolida às escondidas no Recife</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Mais uma casa modernista é demolida às escondidas no Recife&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/mais-uma-casa-modernista-e-demolida-as-escondidas-em-recife/embed/#?secret=jQ1uEvLDEG#?secret=yHdSr1A20h" data-secret="yHdSr1A20h" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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		<item>
		<title>A ameaça ao Centro de Saúde Alternativa da Muribeca e a extinção de um bairro</title>
		<link>https://marcozero.org/a-ameaca-ao-centro-de-saude-alternativa-da-muribeca-e-a-extincao-de-um-bairro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2019 15:48:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cesam]]></category>
		<category><![CDATA[demolição]]></category>
		<category><![CDATA[Jaboatão dos Guararapes]]></category>
		<category><![CDATA[Muribeca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pelo caminho até o Centro de Saúde Alternativa da Muribeca (Cesam) o que se vê parece um cenário de filme pós-apocalíptico: construções comerciais semidestruídas, prédios abandonados, entulhos com muitos metros de altura, grandes áreas sem nada. O Cesam lembra, então, um oásis: uma casa grande, com primeiro andar, rodeada por jardim e quintal repletos de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pelo caminho até o Centro de Saúde Alternativa da Muribeca (Cesam) o 
que se vê parece um cenário de filme pós-apocalíptico: construções 
comerciais semidestruídas, prédios abandonados, entulhos com muitos 
metros de altura, grandes áreas sem nada. O Cesam lembra, então, um 
oásis: uma casa grande, com primeiro andar, rodeada por jardim e quintal
 repletos de plantas. O cheiro de ervas no ar se harmoniza com a 
serenidade das mulheres que, há 21 anos, trabalham na terra e no 
laboratório do centro, plantando, manipulando e vendendo remédios 
fitoterápicos. Agora, esse espaço também está ameaçado pelo processo 
judicial que determinou a demolição dos 69 blocos do 
ConjuntoResidencial da Muribeca.</p>



<p>No dia 13 deste mês, as seis mulheres que fazem parte do Cesam  receberam uma notificação da 5ª Vara Federal para desocupar o prédio em  um prazo de 15 dias. A alegação é de que o prédio estava em terreno  irregular, no entorno do bloco 10 quadra 1 do conjunto Muribeca. Além do  Cesam, cinco pequenas casas na frente também foram notificadas no mesmo  dia. O temor de moradores e entidades que atuam no bairro é que a ação  judicial, que começou há mais de 20 anos por conta de falhas estruturais  nos blocos do conjunto habitacional, agora está se expandindo, já em  sua fase de execução, para uma ação voltada para desocupar terrenos sem  documentação na Muribeca.</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Prédio do Cesam é ameaçado de despejo" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/JXvPqbBJNH8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption>Imagens: André Soares (especial para MZC)</figcaption></figure>



<p>OCesam é uma terra fértil para mais de 100 plantas com propriedades 
medicinais. Para várias enfermidades, há uma solução ou um alívio. 
Tintura de azeitona para diabetes, shampoo de babosa para queda de 
cabelo, xarope de xambá para tosse, tintura de mulungu para insônia. 
Algumas plantas são sazonais: só quando as chuvas batem na terra, elas 
começam a brotar. É uma riqueza que está, então, não apenas no 
laboratório onde os medicamentos são feitos, mas na própria terra.</p>



<p>Em uma comunidade onde há apenas um posto de saúde – só com 
consultas, sem atendimento de emergência – as mulheres do Cesam têm 
também um papel importante de oferecer noções básicas de saúde. Enquanto
 conversava com a reportagem da Marco Zero, Giselda Alves, uma das 
fundadoras, atendia com atenção quem chegava por lá em busca de algum 
remédio, oferecendo informações e encaminhamentos. “Médicos do posto da 
Muribeca e de bairros vizinhos também costumam receitar nossos 
remédios”, comenta.</p>



<p>O trabalho do centro é amplamente reconhecido na comunidade 
acadêmica. Já foi tema de pesquisas de mestrado na UFPE e de curso de 
extensão da Universidade de Ottawa, no Canadá. As fundadoras já 
participaram de seminários até na Holanda. A UFPE, a UFRPE, o IFPE e a 
Fiocruz desenvolveram trabalhos em conjunto com o Cesam. Excursões de 
alunos de escolas públicas e privadas são frequentes por lá.</p>



<p>Em frente à casa do Cesam está um enorme terreno vazio, onde antes  eram blocos de apartamentos. As cinco edículas  – como Justiça e  prefeitura de Jaboatão dos Guararapes chamam as pequenas construções e  puxadinhos – notificadas na mesma data ficam coladas com o muro, mas não  afetam a construção principal.</p>



<h2 class="wp-block-heading"> A quem interessa, então, a desocupação do Cesam? </h2>



<p>Não dá para falar do Cesam sem falar também da história da Muribeca. 
Em 1988, pouco depois da entrega dos blocos aos proprietários, o bloco 1
 já apresentou problemas na estrutura e foi apelidado de “Balança mas 
não cai”. O extinto Banco Nacional de Habitação (BNH) – absorvido pela 
Caixa – fez a mudança das famílias para outro residencial e demoliu o 
prédio.</p>



<p>A igreja Católica, que havia recebido do BNH um terreno que alagava, 
fez uma troca em 1996: ficou com o terreno do bloco 10 em troca do 
outro, cedido pelo banco como um espaço de convivência presente no 
projeto original da Muribeca. Como a igreja já havia sido construída em 
outro local, em 1998 o padre Paulo apoiou a proposta para que no local 
funcionasse um centro comunitário, do qual o Cesam faz parte. A casa foi
 construída por meio de doações do Lions Clube da Holanda.</p>



<p>À época, o BNH fez um documento de cessão do terreno para a paróquia.
 Semana passada, com a inesperada notificação de desocupação, o Cesam 
foi atrás de um documento da Arquidiocese repassando o terreno para o 
centro comunitário. “Fomos muito bem recebidas. Dom Saburido (arcebispo)
 não estava, mas deixou um representante para nos receber e dizer que o 
que fazemos aqui é o evangelho vivo”, contou Giselda.</p>



<p>Na segunda-feira (25), munida dos dois documentos, a advogada Lívia  Santos, que cresceu acompanhando as atividades da mãe, Arnaílda  Ferreira, no Cesam, despachou com a juíza Nilcéa Maggi. Além do  documentos que comprovam que o terreno não é da Caixa, levou um dossiê  sobre a importância do trabalho do Cesam e uma carta de apoio com a  assinatura de mais de 80 entidades. A juíza, então, solicitou duas notas  técnicas: uma à Caixa e outra à prefeitura, sobre a legalidade do  terreno e o impacto no imóvel da demolição de outras estruturas. A  pedido das mulheres do Cesam, Lívia também incluiu no pleito as cinco  construções na frente do centro. Tanto a Caixa quanto a prefeitura têm  cinco dias para apresentar à Justiça as notas. A partir delas, e com o  material entregue pela defesa, a juíza deverá dar sua decisão sobre o  futuro do Cesam.</p>



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	                                        <p class="m-0"> Vista aérea de parte da Muribeca, já com os blocos demolidos (Foto: André Soares)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Não se sabe quemapontou à Justiça a desocupação do Cesam. Em nota à 
Marco Zero, tanto a Caixa quanto a prefeitura de Jaboatão dos Guararapes
 negaramter feito qualquer pedido desta natureza. A Caixa disse que 
acompanha exclusivamente a demolição dos blocos residenciais 
originalmente existentes no Conjunto Residencial Muribeca. No mapa de 
demolição da AC Engenharia, contratada pela Caixa para as demolições, 
também não consta o prédio do Cesam.</p>



<p>Por um termo assinado na Justiça em 2015, a Prefeitura de Jaboatão 
dos Guararapes ficou responsável por indicar e notificar as edículas do 
Conjunto Residencial da Muribeca. Isso porque, como são muitas pessoas, 
seria muito complicado usar oficiais de justiça. À prefeitura, também 
coube demolir essas construções. Em nota, a prefeitura afirma que “fez 
acordo com a CEF para a própria instituição financeira realizar o 
serviço na mesma ocasião em que demolisse os prédios. Quanto ao Cesam, 
cabe à Justiça Federal e à Caixa Econômica Federal esclarecer o motivo 
da demolição do imóvel”. O motivo, como está escrito na própria 
notificação, seria por estar ilegalmente em terreno da Caixa, o que não é
 o caso.</p>



<p>“Talvez tenha sido um equívoco. Não queremos apontar o dedo para a  prefeitura, não é o nosso intuito. Essa ação serviu para mostrar a força  popular, acadêmica e comunitária do Cesam. Veio para mostrar para o  município, o estado e a União a pedra preciosa que está aqui na  Muribeca”, defende a advogada Lívia Santos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"> Muribeca, um bairro em extinção </h3>



<p>Tentar entender a situação dos moradores do bairro da Muribeca é como
 caminhar em um labirinto: há vários caminhos a se seguir e nem sempre 
uma saída. Existem os que eram mutuários/proprietários dos apartamentos 
do conjunto habitacional. São em torno de 2 mil famílias. Recebem 
auxílio aluguel da Caixa Econômica, no valor de R$ 907, e receberam uma 
indenização por danos morais (em torno de R$ 12 mil), mas ainda aguardam
 a indenização pela perda do imóvel ou a construção de um outro. Os 
valores ainda não foram definidos.</p>



<p>Dos que moravam nos puxadinhos dos edifícios, a maioria foi para o 
conjunto habitacional Fazenda Suassuna, na Muribequinha. Foram 
enquadrados na faixa mais baixa do Minha Casa, Minha Vida, que beneficia
 famílias que recebem até R$ 1,8 mil. “Para quem recebe um pouco a mais 
que isso, não foi concedida nenhuma opção”, reclama Luiz Cláudio Gomes, 
do movimento Somos Todos Muribeca. “É, também, um bairro longe, quase 
sem comércio, com dificuldade de transporte, de educação e saúde”, 
continua.</p>



<p>Uma terceira leva de moradores da Muribeca é a que está agora no 
centro da ameaça à despovoação do bairro. São aqueles que moram em casas
 nos arredores do antigo conjunto habitacional. Surgiram de ocupações 
das terras ao redor, que foram crescendo ao longo dos anos. No final de 
2018, o grupo Somos Todos Muribeca conseguiu uma verba para fazer um 
censo de quantas pessoas estão nessa situação. A pesquisa é comandada 
por mulheres da Ilha de Deus, que já têm conhecimento sobre como fazer 
recenseamentos em áreas de comunidades.</p>



<p>Até recentemente, a determinação da Justiça era de que as construções  distantes até seis metros dos conjuntos também deveriam ser demolidas.  As situadas entre seis e doze metros, seriam desocupadas somente durante  as obras de demolição, para evitar riscos. Mas no começo de novembro  esse entendimento mudou: o critério deixou de ser o de risco para ser o  de legalidade. No caso de uma Igreja Batista, que foi notificada e  recorreu, a juíza Nilcéa Maggi decidiu que “toda e qualquer construção  que estiver dentro do terreno Conjunto Muribeca, em conformidade com a  planta apresentada pelo Setor de Engenharia da Caixa, precisarão ser  demolidas, independentemente da distância que estejam dos blocos do  conjunto”. Ou seja, as ocupações, mesmo as que não oferecem riscos,  poderão ser demolidas.</p>



<h4 class="wp-block-heading"> Justiça e prefeitura em sintonia </h4>



<p>Há seis anos, o TRF-5 confirmou que a Caixa era culpada pelas falhas 
na construção do Conjunto Residencial da Muribeca. O Ministério Público 
Federal levantou que 63 dos 69 blocos restantes tiveram algum tipo de 
erro na construção: os blocos pré-fabricados em concreto dos 
prédios-caixão foram os principais responsáveis pela instabilidade das 
construções, apontavam as muitas perícias da Defesa Civil e de 
consultorias.</p>



<p>Reformas não pareciam surtir efeitos de longo prazo. Em 1994, o Bloco
 15 foi interditado porque havia o risco de desabar. Após meses de 
reforma, os moradores voltaram ao prédio no mesmo ano. Porém, 12 anos 
depois, foi interditado novamente, com os mesmos riscos estruturais.</p>



<p>O foco das várias perícias eram as falhas na construção. Erros que se
 repetiram em outros prédios do tipo caixão na Região Metropolitana do 
Recife, o que levou o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) a 
vetar em 2005 a construção de prédios-caixão com esta técnica, chamada 
de alvenaria autoportante.</p>



<p>A Justiça usou um estudo de macrodrenagem da região de Jaboatão Baixo
 para suspender qualquer construção para habitação nos 20 hectares do 
antigo conjunto, pois a área seria sujeita a alagamentos. As famílias 
que tiveram seus apartamentos e casas demolidos, portanto, não poderiam 
mais voltar a ter um lar na Muribeca, mesmo com edificações construídas 
com técnicas seguras.</p>



<p>Essa decisão bate de frente com o fato de que, desde 2016, aMuribeca
 voltou a ser uma Zeis (Zona de Especial Interesse Social), o que inclui
 destinação para habitação popular. Mesmo assim, a prefeitura não foi 
atrás de novas perícias ou estudos específicos sobre o solo da região da
 Muribeca, aceitando sem contestar a determinação judicial de não 
construir habitações ali. Também ainda não foi feito um plano 
urbanístico específico para o bairro, como prevê a legislação das Zeis.
 “A prefeitura está aguardando a finalização do processo demolitório 
para estudar os novos parâmetros urbanísticos da referida Zeis”, diz 
nota da prefeitura.</p>



<p>A CAUS – Cooperativa Arquitetura,CAUS Urbanismo e Sociedade está 
trabalhando em um plano urbanístico alternativo, feito junto com a 
comunidade. Estudos da topografia indicam que a área está entre sete e 
nove metros acima do mar. “Não lembro de alagamento no conjunto de 
prédios. Pelo contrário, pessoas de outras comunidades se abrigavam das 
chuvas aqui. A única vez que entrou água foi na chuva de 2005”, conta 
Luiz Cláudio. Naquela ocasião, o rio Jaboatão chegou a subir oito metros
 em um único dia.</p>



<p>No mês passado, o prefeito Anderson Ferreira se reuniu com o 
presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir recursos federais 
para a construção de um parque na área do antigo conjunto, que, também 
pela decisão judicial, será doado ao poder municipal. Questionada sobre 
quais os planos para o futuro terreno, a prefeitura disse em nota que 
“por determinação da Justiça federal, o terreno do Conjunto Muribeca 
deverá ser utilizado como espaço público. Por ser uma área que mede 
cerca de 20 hectares, o município trabalha para contar com recursos 
federais”.</p>



<p>Para o advogado Renan Castro, que acompanha a situação das famílias 
da Muribeca pelo Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), parece 
existir uma espécie de força-tarefa entre o judiciário e a prefeitura 
para remover as famílias do bairro. “Eles têm uma sintonia. Uma sentença
 judicial determinar que não pode construir habitação é algo bastante 
heterodoxo no direito. Não cabe à justiça definir planejamento urbano. A
 questão da condenação dos blocos acabou dando constitucionalidade para 
que o judiciário e o executivo agissem de acordo com a especulação 
imobiliária”, acredita.</p>



<p>O que representantes de moradores veem é um projeto de gentrificação 
da Muribeca: quando moradores mais pobres são expulsos de uma região, 
abrindo espaço para o mercado. “Se você pergunta o que é a Muribeca para
 um ex-morador, muitos têm uma visão saudosista. Houve uma época de 
muitas festas, de festivais, de equipamentos públicos que funcionavam, 
de acesso a transporte público. A Muribeca fica muito bem localizada: 
perto da BR 101, de Suape, com acesso fácil à BR-232. Quando falam em 
parque, querem atingir um outro público, diferente dos que hoje moram 
aqui. E, depois, outros tipos de empreendimento podem surgir, voltados 
para a classe média”, diz Luiz Cláudio, do Somos Todos Muribeca.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-ameaca-ao-centro-de-saude-alternativa-da-muribeca-e-a-extincao-de-um-bairro/">A ameaça ao Centro de Saúde Alternativa da Muribeca e a extinção de um bairro</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<item>
		<title>Ocupe Estelita consegue liminar na Justiça e demolição é suspensa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Mar 2019 15:23:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[demolição]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupe Estelita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O movimento Ocupe Estelita conseguiu na manhã desta terça-feira (26) uma liminar que suspende as obras de demolição dos galpões do Cais José Estelita. A liminar foi concedida pela Justiça após pedido do Ministério Público de Pernambuco e teve efeito imediato. As máquinas na obra pararam logo após a intimação. A ação do MPPE questiona [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/urgente-ocupe-estelita-consegue-liminar-para-suspender-demolicao/">Ocupe Estelita consegue liminar na Justiça e demolição é suspensa</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[O movimento Ocupe Estelita conseguiu na manhã desta terça-feira (26) uma liminar que suspende as obras de demolição dos galpões do Cais José Estelita. A liminar foi concedida pela Justiça após pedido do Ministério Público de Pernambuco e teve efeito imediato. As máquinas na obra pararam logo após a intimação. A ação do MPPE questiona a legalidade do plano urbanístico de 2015, que “abraçou” o Novo Recife, dando legalidade ao projeto em contradição ao plano diretor de 2008.

O juiz Augusto Napoleão Sampaio Angelim da 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital determinou a imediata suspensão da licença de demolição que a Prefeitura do Recife concedeu para execução das obras na área. Na decisão, também determina que o Novo Recife Empreendimento ou qualquer outro grupo empresarial que por acaso tenha assumido o projeto, suspenda, imediatamente, as obras de demolição dos galpões. Em caso de descumprimento da liminar, o juiz arbitra multa diária de R$ 5 mil.

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De acordo com o ativista Leonardo Cisneiros, a ação partiu de uma denúncia que o Ocupe Estelita fez em agosto do ano passado. “Tem uma ação geral do plano urbanístico de 2015, mas nesta ação o juiz da primeira instância afirmou que não poderia ser uma ação civil pública para discutir lei, teria que ser uma ação de inconstitucionalidade. Então o MPPE entrou com esta nova ação em outubro. Só que no ano passado saiu o loteamento do cais, o início de um ato concreto. Então fizemos a denúncia de que o consórcio estava tendo atos de acordo com o plano urbanístico e o MPPE fez uma nova ação: com argumentos do plano urbanístico e os atos das construtoras”, explicou Cisneiros.

A ação estava pronta para julgamento. Ontem, a promotora de urbanismo e habitação Lisandra Carvalho foi despachar com o juiz e ele acatou o pedido de liminar. “O juiz reconheceu que era tão urgente que ele autorizou que a própria promotora fizesse a intimação e não um oficial de justiça”, contou o ativista.
<h2>Reintegração de posse e vigília</h2>
A Moura Dubeux solicitou ontem a reintegração de posse da área onde os ativistas estão. Advogados do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH) vão contestar o pedido. A Justiça ainda não se pronunciou. “Vamos continuar ocupando. Entendo que foi a ocupação que garantiu a decisão da Justiça. Asim como aconteceu em 2014: sem a ocupação não teria o levantamento do Iphan”, comenta Cisneiros.

Há barracas no local e alguns ativistas passaram a noite no cais. Luiza* foi uma das que dormiu por lá. Mesmo com a liminar e a chuva, não pretende deixar o espaço. “Estamos aqui pela valorização da nossa cidade. É uma cidade que está sendo cada vez mais destruída, esta é uma área que está negligenciada, abandonada. É importante estar aqui para trazer a vida de volta para este lugar”, diz.<p>O post <a href="https://marcozero.org/urgente-ocupe-estelita-consegue-liminar-para-suspender-demolicao/">Ocupe Estelita consegue liminar na Justiça e demolição é suspensa</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Prefeitura do Recife concede licença e começa demolição do Cais José Estelita</title>
		<link>https://marcozero.org/prefeitura-do-recife-concede-licenca-e-comeca-demolicao-do-cais-jose-estelita/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2019 14:05:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[cais estelita]]></category>
		<category><![CDATA[demolição]]></category>
		<category><![CDATA[Moura Dubeux]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupe Estelita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os galpões do Cais José Estelita estão sendo demolidos. A Prefeitura do Recife concedeu nesta manhã a licença de demolição para o consórcio de construtoras responsável pelo projeto Novo Recife, que pretende construir 13 prédios no terreno dos armazéns. O levantamento arqueológico que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fez no local [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Os galpões do Cais José Estelita estão sendo demolidos. A Prefeitura do Recife concedeu nesta manhã a licença de demolição para o consórcio de construtoras responsável pelo projeto Novo Recife, que pretende construir 13 prédios no terreno dos armazéns. O levantamento arqueológico que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fez no local foi concluído na segunda-feira passada (18). Na tarde da quinta-feira (21), a construtora Moura Dubeux entrou com o pedido para a licença de demolição.

<iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/5efzV6elhu4" allowfullscreen="allowfullscreen" width="560" height="315" frameborder="0"></iframe>

O secretário de Mobilidade e Controle Urbano da Prefeitura do Recife, João Braga, afirmou nesta manhã à Marco Zero que não havia mais nenhum obstáculo jurídico ou de patrimônio para que a licença não fosse concedida. “Em 2014 a prefeitura já havia dado a licença de demolição, mas ela foi suspensa depois, na época das manifestações (quando integrantes do Ocupe Estelita ocuparam a área). Houve um redesenho do projeto e, em 22 de dezembro de 2015, o Conselho de Desenvolvimento Urbano aprovou o novo projeto”, afirmou Braga.
<blockquote><a href="https://marcozero.org/termina-embargo-do-iphan-que-impedia-demolicao-do-cais-jose-estelita/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Termina embargo do Iphan que impedia demolição do Cais José Estelita</a></blockquote>
Segundo ele, o projeto aprovado em 2015 prevê a manutenção dos 28 armazéns que ficam mais próximos ao Forte das Cinco Pontas. “Estes armazéns serão totalmente reformados pelo consórcio e serão entregues à prefeitura, que irá decidir o que fazer com ele”, diz Braga, completando que a principal ação mitigadora da construção de 13 torres no Cais é a criação de um parque linear, de frente para a Bacia do Pina. “O sistema viário vai ficar dentro do terreno”, diz.

Não há, ainda, um cronograma de construção dos prédios e das ações mitigadoras. “Esta licença que demos hoje é só para a demolição. Para a construção, serão outras licenças. Em 2015 a realidade econômica do Brasil era outra, então acredito que um novo cronograma será feito”, comentou Braga.

Ao longo dos anos, o movimento Ocupe Estelita fez uma série de críticas ao projeto do Novo Recife. Há ações na Justiça que questionam desde a legalidade do leilão – a área foi vendida pelo Governo Federal às construtoras por apenas R$ 10 milhões, valor muito abaixo do mercado – até o plano urbanístico de 2015, que deu apoio legal para abarcar o Novo Recife, em contradição com o plano diretor de 2008.

“(o plano urbanístico) Foi decalcado em cima do projeto (Novo Recife). Ao invés dos projetos seguirem a lei, uma nova lei foi feita para beneficiar um projeto privado dando aos empreendedores um direito adquirido que nunca existiu. O Estelita é um grande símbolo de como as coisas dão errado”, afirmou na quinta-feira passada Leonardo Cisneiros, do Ocupe Estelita, durante a primeira audiência pública na Câmara dos Vereadores para a discussão do novo plano diretor do Recife.
<h2>Cais José Estelita para poucos</h2>
Desde o começo do ano, a construtora Moura Dubeux iniciou as vendas dos apartamentos de luxo de duas torres: o Mirante do Cais Sul e do Cais Norte. São quatro vagas na garagem por apartamento, que serão distribuídas em edifícios-garagem. “Além dos espaços tradicionais, como piscina, sauna, salão de festas, playground, brinquedoteca e espaço gourmet, a área de lazer terá quadra de tênis profissional, piscina coberta e aquecida, pista de cooper, horta e pomar orgânicos”, diz trecho do anúncio no site. É um privilégio para poucos, com metro quadrado na média de R$ 7,5 mil: na torre sul, o apartamento mais “barato” custa R$ 1.550.000,00. Na norte, R$ 1.799.000,00.

A construtora anuncia que a previsão de entrega é de 52 meses após o início das obras. Nesta semana, a Moura Dubeux iniciou também as vendas do Parque do Cais, um prédio de flats de 32m² ou 65m² a partir de R$ 256 mil. Nas imagens de divulgação, só esses prédios são mostrados ao lado de uma ampla área verde. Na verdade, o projeto prevê ainda a construção de outros dez edifícios, de 14 a 38 andares. A construtora informou nesta sexta-feira (22) que ainda não há previsão para o início das obras no Cais José Estelita.<p>O post <a href="https://marcozero.org/prefeitura-do-recife-concede-licenca-e-comeca-demolicao-do-cais-jose-estelita/">Prefeitura do Recife concede licença e começa demolição do Cais José Estelita</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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