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	<title>Arquivos dengue - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 21 Aug 2025 20:38:13 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos dengue - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Dengue do tipo 3 reacende alerta em Pernambuco, mas clima deve evitar epidemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Aug 2025 20:38:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Butantan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde 2002, a dengue do tipo 3 quase não aparecia em Pernambuco. Em 2023, voltou timidamente, com a identificação de quatro casos no Estado, subindo para 17 casos no ano seguinte. Já nos sete primeiros meses deste ano, houve um salto, com a identificação de mais 150 casos. Em uma população majoritariamente com anticorpos contra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde 2002, a dengue do tipo 3 quase não aparecia em Pernambuco. Em 2023, voltou timidamente, com a identificação de quatro casos no Estado, subindo para 17 casos no ano seguinte. Já nos sete primeiros meses deste ano, houve um salto, com a identificação de mais 150 casos. Em uma população majoritariamente com anticorpos contra os sorotipos 1 e 2 da dengue, a presença de casos da dengue 3 gera um alerta: a segunda infecção pelo vírus da dengue, seja por qual sorotipo for, costuma ser mais grave, gerando mais hospitalizações e mortes.</p>



<p>No Brasil, é comum que os sorotipos 1 e 2 se revezam ao longo dos anos. Os sintomas de todos os sorotipos são parecidos – dor no corpo, febre alta, dor de cabeça e atrás dos olhos, mal estar, manchas vermelhas pelo corpo. De acordo com o Ministério da Saúde, a dengue 3 é considerada um dos sorotipos mais virulentos do vírus da dengue, ou seja, tem maior potencial de causar formas graves da doença. Há também a ameaça de uma alta de casos, já que a maioria da população não tem anticorpos contra o sorotipo 3. </p>



<p>Mas Pernambuco pode ter dado sorte. Isso porque a maioria dos casos de dengue 3 foi identificado já no final da sazonalidade da doença por aqui, que vai de março a julho. Há uma inversão na tendência de queda ao final da sazonalidade, mas não um aumento de casos – que, no geral, está 61% menor que no ano passado, de acordo com o último boletim epidemiológico das arboviroses em Pernambuco.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p class=" "><strong>O que são sorotipos da dengue?</strong></p>
<p class=" ">Sorotipos são variações do vírus que, embora pertençam à mesma espécie, possuem diferenças em sua composição. No caso da dengue, os quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) são suficientemente distintos para que uma infecção por um deles não ofereça imunidade contra os outros.</p>
<p class=" ">Isso significa que uma pessoa pode ser infectada até quatro vezes durante a vida, uma por cada sorotipo. Além disso, infecções subsequentes por diferentes sorotipos aumentam o risco de formas mais graves da doença.</p>
<p class=" ">A infecção por determinado sorotipo tem efeito protetor permanente contra aquele sorotipo especifico e efeito protetor temporário contra os outros sorotipos.</p>
<p>Fonte: Ministério da Saúde</p>
        </div>
    </div>



<p>Os casos de dengue 3 se concentram na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata. De acordo com o diretor de Vigilância Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde, Eduardo Bezerra, o clima contribui para segurar uma provável epidemia de dengue 3. “Foi um inverno atípico, com temperaturas mais baixas em geral, o que dificulta a reprodução do mosquito <em>Aedes aegypti</em>”, disse.</p>



<p>Outro fator é que não tivemos fenômenos climáticos como o La Niña e El Niño, o que também contribuiu para a diminuição de casos de dengue neste ano. “Apesar do aumento de casos de dengue 3, não houve um crescimento exponencial ou explosivo no número total de casos neste ano, o que leva a uma expectativa de que não se atinja um quadro mais grave devido às condições climáticas favoráveis. Eu, particularmente, acho que não vamos ter um crescimento de casos neste ano”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pesquisa-da-fiocruz-confirma-quanto-mais-calor-mais-dengue/" class="titulo">Pesquisa da Fiocruz confirma: quanto mais calor, mais dengue.</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>O <em>Aedes aegypti </em>é um mosquito que gosta de calor — mas não muito. A reprodução dele é mais eficaz em temperaturas de 25 a 30 graus, enquanto que a transmissão da dengue pode ocorrer entre 17 e 34 graus, sendo mais eficaz aos 29º. Com um inverno mais frio, tanto a reprodução quanto a transmissão foram afetadas. “Em regiões como Garanhuns e Salgueiro houve diminuição da proliferação do mosquito. No entanto, na região metropolitana, essa baixa de temperatura pode não ser suficiente para afetar a capacidade de reprodução do mosquito. A expectativa é que o final do período de chuvas e a entrada em um período mais quente e com menos chuva ajudem a evitar uma explosão de casos”, diz Eduardo.</p>



<p>Ainda que as temperaturas aumentem nas próximas semanas, com o fim das chuvas, a tendência é que a água parada diminua, fazendo com que o mosquito perca seu local de reprodução. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Casos de dengue diminuíram 60,1% em relação ao ano passado</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O mais recente Boletim Epidemiológico de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), divulgou nesta quarta-feira (20), com dados das semanas epidemiológicas de 29/12/2024 a 16/08/2025, aponta 28.503 casos notificados de dengue, representando uma diminuição de 60,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior no estado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram confirmados 6.818 casos de dengue em Pernambuco, incluindo 147 casos graves e 5 óbitos confirmados. O Boletim 33 revela que 114 municípios pernambucanos têm baixa incidência de casos de dengue, 43 localidades apresentam incidência média e 20 apresentam alta incidência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O boletim também traz 4.509 casos notificados de Chikungunya, com 676 confirmações. Para o Zika, houve 958 casos notificados, porém sem confirmações. Pernambuco também registra 183 casos de Febre do Oropouche desde maio de 2024, com 7 casos confirmados em 2025.</span></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Vacina brasileira contra a dengue pode mudar cenário</h2>



<p>Em dezembro de 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou a vacina Qdenga, do laboratório japonês Takeda. Mas, com poucas doses disponíveis, o público foi limitado. Hoje, só pessoas entre 10 e 14 anos podem receber a vacina pelo SUS, que é em duas doses. De acordo com Eduardo Bezerra, ainda não há mudanças epidemiológicas desde a adoção da vacina. Além de ser uma faixa etária restrita, há poucas doses e baixa adesão da população.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/conheca-a-vacina-do-butantan-capaz-de-prevenir-a-dengue-com-apenas-uma-dose/" class="titulo">Conheça a vacina do Butantan capaz de prevenir a dengue com apenas uma dose</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“Embora cerca de 90 mil crianças tenham recebido a primeira dose em Pernambuco, apenas 35 mil retornaram para a segunda dose. A segunda dose é considerada muito importante para fixar e manter a imunidade”, afirmou Bezerra.</p>



<p>A Qdenga também não tem doses suficientes para ser distribuída em todo o estado, apenas nas regionais do Grande Recife, de Garanhuns (Agreste) e Salgueiro (Sertão). É mais eficaz contra os sorotipos 1 e 2, os prevalentes no Brasil. “Apesar de ter uma eficácia de 47% contra a dengue tipo 3, esse percentual é considerado muito bom no contexto da farmacologia e da imunologia, e não deve ser interpretado com a mesma lógica de cálculos gerais”, acrescenta o diretor de vigilância ambiental de Pernambuco.</p>



<p>A Qdenga é encontrada também na rede privada, com cada dose custando cerca de R$ 570. O intervalo entre as duas doses é de três meses.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Vacina Qdenga pelo SUS é restrita a pessoas entre 10 e 14 anos. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O que pode realmente ter impacto no controle da dengue é uma vacina em dose única e amplamente oferecida à população. Desde o começo deste ano a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir de um protótipo do Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. Em dose única, a possível vacina é vista como a principal promessa para uma imunização ampla da população.</p>



<p>A expectativa do Butantan era de que a vacina fosse aprovada ainda neste ano. Em nota à Marco Zero, a Anvisa afirmou que recebeu, no dia 6 de fevereiro deste ano, o pedido de registro da vacina. “A partir desse pedido, a avaliação teve início, sendo que, em 14 de fevereiro, a Agência enviou à equipe do laboratório uma exigência técnica, solicitando informações e dados complementares necessários para o prosseguimento da análise”, informou a nota.</p>



<p>A resposta ao primeiro pedido foi dada pelo Butantan em 7 de março. Uma nova exigência técnica foi feita pela Anvisa em 22 de maio e atendida pelo laboratório em 13 de junho. “Esse tipo de solicitação ocorre quando a Anvisa identifica alguma lacuna de informação nos dados e estudos apresentados, exigindo explicações ou dados complementares. Trata-se de uma dinâmica comum na análise de vacinas e medicamentos, e as equipes da Agência e do Butantan mantêm um canal constante de comunicação”, diz a nota.</p>



<p>A nota da Anvisa também informa que no dia 31 de julho foi realizado um painel com consultores externos para discussão dos dados da vacina apresentados pelo Butantan. “A próxima etapa será discutir com o Instituto Butantan sobre os encaminhamentos necessários para o prosseguimento do processo de registro, com vistas à formalização do termo de compromisso, necessário para a conclusão da análise técnica”, diz a nota, que concluiu afirmando que “a Anvisa está comprometida com a avaliação da eficácia e da segurança da vacina, de forma que sua análise ocorra no menor tempo possível”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">A prevenção contra a dengue</span>

		<p>Embora medidas amplas como saneamento básico universal e limpeza urbana sejam as medidas realmente efetivas, é possível fazer alguma diminuição individual de riscos. Evitar o acúmulo de água é o principal deles.</p>
<p><strong>Os cuidados essenciais são:</strong></p>
<p>&#8211; manter caixas d’água limpas e vedadas;</p>
<p>&#8211; fechar bem sacos de lixo e lixeiras;</p>
<p>&#8211; dispensar o uso ou preencher com areia os “pratinhos” de plantas;</p>
<p>&#8211; manter as calhas limpas e livres para o total escoamento da chuva;</p>
<p>&#8211; esfregar o fundo e as laterais dos potes de água oferecidos a animais;</p>
<p>&#8211; manter em dia a manutenção de piscinas.</p>
<p>A fim de reforçar os cuidados, vale instalar telas nas janelas e portas, e mosquiteiros em cima de camas e berços. Também é recomendado aplicar repelente na parte da pele exposta e por cima da própria roupa.</p>
<p>Fonte: Instituto Butantan</p>
	</div>



<p>Em nota à MZ, o Butantan afirmou que os ensaios clínicos do imunizante foram encerrados em junho do ano passado, quando o último participante completou 5 anos de acompanhamento. Os dados de segurança e eficácia divulgados da vacina mostram 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática. “Resultados da fase 3 do ensaio clínico publicados na The Lancet Infectious Diseases mostraram, ainda, uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme, além de eficácia e segurança prolongadas por até cinco anos”, diz a nota.</p>



<p>Em caso de aprovação pela Anvisa, o Instituto Butantan poderá disponibilizar cerca de 100 milhões de doses ao Ministério da Saúde nos próximos três anos. De acordo com o órgão, um milhão de doses da vacina poderão ser entregues já em 2025, em caso de aprovação. “As outras cerca de 100 milhões de doses poderão ser entregues nos anos de 2026 e 2027. A definição dos critérios de vacinação da população deverá ser feita pelo Ministério da Saúde, por meio do PNI (Programa Nacional de Imunizações)”, diz a nota.</p>



<p>Enquanto a vacinação ampla não chega, a prevenção, ainda que difícil, segue sendo a saída. “A composição urbana atual das cidades e as mudanças climáticas tornam a prevenção ainda mais desafiadora hoje em dia”, afirma Bezerra, que alerta que a dengue não é uma doença que deve ser subestimada. “É preciso estar muito atento aos sintomas, já que a dengue pode se agravar e pode levar ao óbito num período muito curto. Não se deve demorar para procurar assistência médica”, ressalta Eduardo Bezerra.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/dengue-do-tipo-3-reacende-alerta-em-pernambuco-mas-clima-deve-evitar-epidemia/">Dengue do tipo 3 reacende alerta em Pernambuco, mas clima deve evitar epidemia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Conheça a vacina do Butantan capaz de prevenir a dengue com apenas uma dose</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Dec 2024 16:01:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Butantan]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É esperada para 2025 a aprovação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan e que deve ter distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sendo aprovada pela Anvisa, será a primeira vacina do mundo em dose única contra uma doença que só faz crescer no Brasil: foram mais de 6,5 milhões de casos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É esperada para 2025 a aprovação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan e que deve ter distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sendo aprovada pela Anvisa, será a primeira vacina do mundo em dose única contra uma doença que só faz crescer no Brasil: foram mais de 6,5 milhões de casos prováveis de dengue até o começo de dezembro de 2024, um aumento colossal de 400% em relação a 2023. Apesar de comum, é uma doença grave e que mata, com 5.872 mortes  confirmadas em 2024.</p>



<p>A vacina Butantan-DV é um alento na luta contra a dengue por vários motivos. Além de ser dose única, o que ajuda na adesão à vacinação, é tetravalente, protegendo contra os quatro sorotipos do vírus, e será produzida no Brasil, aumentando o acesso e a disponibilidade de doses, uma das barreiras da vacina Qdenga, do laboratório japonês Takeda, única hoje disponível no SUS apenas para uma faixa etária restrita. A nova Butantan-DV também pode ser tomada por quem já teve e por quem nunca teve dengue.</p>



<p>A vacina não é completamente brasileira. Foi desenvolvida a partir de um protótipo do Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. No Butantan passou muitos anos sendo aprimorada e testada em seres humanos – o protótipo precisava ser mantido a -80 graus Celsius e a atual é em pó, por exemplo.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pesquisa-da-fiocruz-confirma-quanto-mais-calor-mais-dengue/" class="titulo">Pesquisa da Fiocruz confirma: quanto mais calor, mais dengue.</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Em estudo publicado em agosto na revista <em>The Lancet Infectious</em> a vacina também se mostrou bastante eficaz. Quatro anos após a aplicação da vacina, a proteção caiu de 79,6% para, em média, 67,3% das pessoas imunizadas apresentarem sintomas leves, moderados ou graves de dengue. E houve uma proteção de 89% contra dengue grave/sinais de alarme.</p>



<p>“A redução da proteção de 79,6% para 67,3% após quatro anos da administração mostra que, apesar de uma leve queda na imunidade, a proteção ainda é significativa. Esses resultados indicam que, pelo menos até o momento, não há necessidade de se adotar uma dose de reforço”, afirmou o cientista Rafael Dhalia, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, que trabalhou no desenvolvimento da vacina.</p>



<p>A Marco Zero conversou com Dhalia sobre outros aspectos da produção da vacina. Confira abaixo.</p>



<p><strong>Por que demorou tanto para desenvolver essa vacina da dengue no Brasil? Como foi a parceria com o Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos?</strong></p>



<p>O desenvolvimento de uma vacina contra a dengue é um processo longo, independentemente do país de origem. A primeira vacina, por exemplo, a Dengvaxia® da Sanofi-Aventis, levou mais de duas décadas para ser desenvolvida. As vacinas Qdenga® da Takeda e a Butantan-DV do <a href="https://butantan.gov.br/dengue" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Butantan</a> iniciaram suas fases de desenvolvimento no final da década de 1990. A demora no desenvolvimento dessas vacinas se deve ao fato de serem tetravalentes, compostas por vírus atenuados que devem fornecer uma resposta imunológica equilibrada contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-01, DENV-02, DENV-03 e DENV-04). O processo de atenuação e confirmação de segurança, bem como a avaliação da proteção contra os quatro sorotipos (que depende da sazonalidade de circulação do vírus), são aspectos que tornam o desenvolvimento dessas vacinas mais laborioso e demorado.<br><br>A parceria com o NIH ocorreu após uma década de desenvolvimento das cepas atenuadas para os vírus DENV-01, DENV-02, DENV-03 e DENV-04. Quando os cientistas do NIH identificaram os melhores candidatos para a formulação de uma vacina tetravalente contra a dengue, o Instituto Butantan obteve as patentes das cepas. A partir daí, após quatro anos de experimentação para chegar a uma versão final, iniciou-se em 2016 um Estudo Clínico Multicêntrico em 16 centros de pesquisa brasileiros, incluindo a Fiocruz Pernambuco.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/02/WhatsApp-Image-2021-02-01-at-16.51.19-300x200.jpeg">
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	                                        <p class="m-0">Rafael Dhalia, da Fiocruz, participou do desenvolvimento da nova vacina
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/Fiocruz</span>
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<p><strong>O que a vacina da dengue do Butantan tem de diferente das demais para conseguir ser eficaz apenas com uma dose? Deve ser tomada apenas uma vez na vida? O esquema de vacinação ainda pode mudar?</strong></p>



<p>Ainda não existe uma resposta definitiva para explicar porque apenas a vacina Butantan-DV é eficaz com uma única dose, embora a maior variedade de proteínas do vírus dengue presentes na vacina do Butantan seja um fator que provavelmente contribui para essa eficácia. Enquanto a composição da Dengvaxia inclui 8 proteínas específicas do vírus da dengue, a Qdenga possui 16 e a Butantan-DV contém 32 proteínas específicas da dengue. A maior variabilidade de proteínas das diferentes cepas de dengue na Butantan-DV pode ser um dos fatores que explicam sua eficácia com uma dose única, mas isso ainda requer uma investigação mais detalhada.<br><br>No que diz respeito ao número de doses necessárias ao longo da vida, ainda não é possível determinar se apenas uma dose será suficiente. Essa avaliação só poderá ser realizada através de estudos de farmacovigilância em indivíduos vacinados, analisando-se os níveis de anticorpos protetores e a resposta celular induzida pela vacina ao longo dos anos. Considerando que a tecnologia usada na vacina da dengue é a mesma empregada na vacina da febre amarela, é razoável especular que uma segunda dose após um período de 10 anos poderá ser necessária para manter a eficácia da vacina contra a dengue. No entanto, o esquema vacinal pode ser ajustado dependendo dos resultados dos estudos de farmacovigilância mencionados anteriormente.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O Instituto Butantan já afirmou que tem capacidade para disponibilizar cerca de 100 milhões de doses ao Ministério da Saúde nos próximos três anos, sendo um milhão de doses da vacina entregues já em 2025.</p>
        </div>
    </div>



<p><strong>A vacina contra a dengue do Butantan é tetravalente, mas ela funciona melhor para algum dos quatro tipos de vírus da dengue?</strong></p>



<p>A vacina do Butantan foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Durante o estudo de Fase III da Butantan-DV, apenas os sorotipos 1 e 2 circularam no Brasil. Nesse contexto, foi possível descrever uma eficácia de 89,5% contra o DENV-1 e de 69,6% contra o DENV-2.<br>Embora ainda seja necessário avaliar a eficácia da vacina contra os sorotipos DENV-3 e DENV-4, que não circularam no Brasil durante o estudo, as etapas anteriores da pesquisa indicaram que a vacina induz a produção de anticorpos neutralizantes contra todos os quatro sorotipos do vírus. Até o momento, podemos afirmar que a vacina é mais eficaz contra o DENV-1.</p>



<p><strong>No final de setembro, o Ministério da Saúde afirmou que apenas 48,88% das 4.792.411 vacinas contra a dengue distribuídas pelo Governo Federal desde fevereiro foram aplicadas. A procura tem sido baixa, mesmo com mais um ano com recorde de casos de dengue. Por que você acha que existe essa hesitação? A vacina do Butantan, por ser por uma faixa etária mais ampla e de dose única, pode ter uma adesão maior?</strong></p>



<p>A hesitação vacinal é um fenômeno mundial agravado por campanhas de desinformação, conhecidas como <em>fake news</em>. Infelizmente, na era da pós-verdade, opiniões de leigos nas redes sociais ganham força e impactam diretamente as taxas de vacinação. Isso resulta no ressurgimento de doenças evitáveis e no aumento da mortalidade e morbidade por doenças infecciosas.<br><br>Para mitigar esse problema, é urgente que o Governo Federal invista em campanhas de educação e informação para combater a desinformação. Também é essencial fortalecer a confiança da população e facilitar o acesso às vacinas. No caso específico da vacina contra a dengue, existe a percepção equivocada de que crianças e adolescentes de 10 a 14 anos são menos suscetíveis a agravamentos da doença, quando, na verdade, essa faixa etária concentra o maior número de hospitalizações por dengue.<br>Para vencer essa batalha, cada um de nós pode contribuir atuando como propagadores da importância da vacinação. O fato de a Butantan-DV ser de dose única e abranger uma faixa etária mais ampla certamente facilitará a adesão e a logística de vacinação.</p>



<p><strong>O pedido de vacina para a Anvisa foi para pessoas de 2 a 59 anos, independente do histórico de infecção prévia de dengue? Já existem testes encaminhados para pessoas com mais de 60 anos?</strong></p>



<p>A Butantan-DV pode ser administrada em pessoas de 2 a 59 anos, tanto naqueles que já foram expostos ao vírus da dengue quanto naqueles que nunca contraíram a doença. O Instituto Butantan está preparado para produzir e entregar 100 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunização (PNI) nos próximos três anos, prometendo um impacto significativo na saúde pública.<br><br>Um novo estudo clínico de Fase III da vacina Butantan-DV, desta vez para a faixa etária a partir de 60 anos, deverá ser iniciado no primeiro trimestre de 2025. Esse estudo visa ampliar a cobertura vacinal para incluir também os idosos. A Fiocruz Pernambuco será um dos cinco centros nacionais participantes deste novo estudo, e em breve poderemos trazer mais notícias para os leitores da Marco Zero.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/12/dengue2.jpg" alt="A imagem mostra duas mãos enluvadas manuseando pequenos frascos de vidro contendo um pó branco. Os frascos estão dispostos sobre uma superfície verde brilhante. Ao fundo, há uma fileira de frascos semelhantes. A cena parece ser de um ambiente laboratorial, possivelmente relacionado à produção ou análise de substâncias químicas ou farmacêuticas." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Novo estudo clínico da vacina para a faixa etária a partir de 60 anos deverá ser iniciado em 2025. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Renato Rodrigues/Comunicação Butantan</span>
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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/conheca-a-vacina-do-butantan-capaz-de-prevenir-a-dengue-com-apenas-uma-dose/">Conheça a vacina do Butantan capaz de prevenir a dengue com apenas uma dose</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Pesquisa da Fiocruz confirma: quanto mais calor, mais dengue.</title>
		<link>https://marcozero.org/pesquisa-da-fiocruz-confirma-quanto-mais-calor-mais-dengue/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Apr 2024 19:37:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[calor]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando há ondas de calor, há aumento dos casos de dengue. Essa relação direta é apontada por uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que analisou os padrões de incidência de dengue em um período de 21 anos nas microrregiões do Brasil comparando com as anomalias térmicas no mesmo período — quando as temperaturas são [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando há ondas de calor, há aumento dos casos de dengue. Essa relação direta é apontada por uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que analisou os padrões de incidência de dengue em um período de 21 anos nas microrregiões do Brasil comparando com as anomalias térmicas no mesmo período — quando as temperaturas são mais altas do que a média histórica. O estudo <a href="https://www.nature.com/articles/s41598-024-56044-y"><em>Mudanças climáticas, anomalias térmicas e a recente progressão da dengue no Brasil</em> </a>serve como um indicador de previsão de surtos principalmente para regiões que eram consideradas de pouca incidência de dengue e que estão sofrendo com ondas de calor. E também acende um alerta para o Nordeste.</p>



<p>De acordo com os resultados do estudo, a frequência das anomalias térmicas durante o verão são o indicador climático mais importante no aumento das taxas de incidência de dengue no longo prazo. Áreas de maior altitude, antes consideradas um fator que restringia a transmissão da dengue, representam hoje uma zona geográfica suscetível à expansão da área de transmissão da dengue e também de outras arboviroses, diz a pesquisa.</p>



<p>No estudo, o que mais chamou a atenção foi o Centro-Oeste e parte do Sudeste e do Sul do país, que desde o final do ano passado sofrem com a alta de casos de dengue. <br><br>“Há cidades grandes, quentes e chuvosas que têm dengue circulando o ano todo, como Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belém. Mas só que do ano passado para cá teve uma novidade que foi o interior. Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, áreas que tinham baixa incidência de dengue começaram a ter uma incidência muito alta. E aí que entra a tal da mudança climática, porque começou a ter onda de calor ano passado no meio do inverno, em agosto e setembro, e isso fez disparar todo o processo da transmissão de dengue”, diz o pesquisador e autor do estudo Christovam Barcellos, do Observatório de Clima e Saúde, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).</p>



<p>Há ainda uma relação intrínseca com o desmatamento do cerrado. “Falamos muito da Amazônia, mas a região mais desmatada do Brasil é o cerrado. É onde está se transformando floresta em pasto para produção de campos de soja, de milho. E o que está acontecendo é um desmatamento com migração para as cidades. Essas culturas usam pouca mão de obra. Tanto o trabalhador quanto o empresário, o fazendeiro proprietário de terras, não moram no campo. Geralmente moram em pequenas e médias cidades em torno do campo. Então isso inchou e aqueceu as cidades, criando uma bolhas de calor”, diz o pesquisador.</p>



<p>A correlação entre as anomalias térmicas e o aumento de casos de dengue já foi também recentemente estudado na Argentina. Lá, uma pesquisa semelhante também mostrou que os dias com temperatura acima da média são mais importantes no espalhamento da dengue do que o aumento da temperatura média ou das chuvas. Assim como boa parte do Brasil, a Argentina também está passando por uma epidemia de dengue, com hospitais lotados e até falta de repelentes nas farmácias.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/dengue-christovam.jpg" alt="Foto do tórax para cima de Christovam Barcellos. Ele é um homem branco de cabelos castanhos grisalhos, magro, de óculos de aro estreito de metal, usando uma camisa social rosa com uma caneta azul enfiada no bolso da camisa." class="" loading="lazy" width="398">
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	                                        <p class="m-0">Christovam Barcellos.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/Fiocruz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Como são regiões &#8211; e países &#8211; onde a dengue não tinha tanta incidência, a população vulnerável aos quatro sorotipos do vírus da dengue é muito mais ampla do que no Nordeste, por exemplo. “Muita gente não tinha anticorpos contra a dengue. Então a velocidade de espalhamento é muito maior e pega muito mais gente. Isso explica, por exemplo, a rapidez com que os casos de dengue aumentaram no Centro-Oeste, por exemplo”, diz Barcellos.</p>



<p>Entre as limitações do estudo estão questões de dados das variáveis ​​climáticas e epidemiológicas. O quadro pode não ser adequado para uma única cidade, ou seja, os surtos de dengue nem sempre são resultado de anomalias da temperatura local em uma cidade específica.</p>



<p>O estudo, contudo, mostra que a posição geográfica e outras características demográficas das cidades potencializam o efeito de anomalias térmicas. “Os surtos são previsíveis. Se a gente ficar olhando o termômetro e perceber essas ondas de calor, é um sinal de que muito provavelmente vai haver surtos de dengue depois. Então, nós, empresas, prefeituras, governos temos que já nos preparar para evitar um surto de dengue”, completa o pesquisador.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Nordeste em novo patamar?</strong></h2>



<p>Uma pesquisa anterior da Fiocruz Pernambuco, realizada em 2005/2006, mostrou que boa parte da população recifense já teve contato com o vírus da dengue. E há uma variação em relação aos bairros que as pessoas moravam: nas áreas mais nobres, 74,3% dos moradores de áreas já haviam tido um dos quatro tipos de dengue, enquanto nos bairros mais pobres esse percentual dava um salto para 91,1%. A pesquisa não fez diferenciação entre os quatro tipos.</p>



<p>Esse contato prévio com o vírus pode diminuir o ritmo de propagação da dengue na população nordestina, mas também pode significar uma probabilidade maior da população desenvolver casos mais graves da doença. “Porque essas pessoas provavelmente já tiveram casos de dengue anteriormente. Os infectologistas afirmam que uma infecção atrás da outra de dengue, com diferentes sorotipos, pode agravar os casos”, diz Barcellos.</p>



<p>Há ainda uma outra preocupação que os dados do estudo mostram para o Nordeste. É só observar nos gráficos: tirando o litoral, grande parte do Nordeste está em vermelho desde 2007. O que quer dizer que são áreas que tiveram de 12 a 30 dias com temperaturas acima da média em meses de verão.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Dias em que foram registradas anomalias térmicas, as ondas de calor, durante o verão: verde, menos de seis; laranja, de seis a doze dias; de vermelho, de 12 a 30 dias; branco, sem alteração</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>“Se há onda de calor atrás de onda de calor, não podemos nem mais chamar de onda. Já é um patamar diferente. Pode significar uma elevação de temperatura de um grau, até dois graus acima do valor histórico. Pode ser que as mudanças climáticas estejam acontecendo definitivamente nessas áreas. Não é mais uma anomalia térmica, como ainda chamamos, mas um novo normal”, destaca o pesquisador.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Um problema complexo, uma solução complexa</strong></h3>



<p>A dengue é uma doença difícil de ser combatida tanto por conta da sua forma de propagação &#8211; pela picada de um mosquito &#8211; quanto pelos fatores socioeconômicos que favorecem a propagação deste vetor. A eliminação do <em>Aedes aegypti</em> já teve e tem várias estratégias: mosquitos geneticamente modificados para reproduzir mosquitos que morrem antes da fase adulta; mosquitos infectados com a wolbachia, uma bactéria que impede que os vírus se desenvolvam no<em> Aedes aegypti</em>; e os famosos fumacês, pulverização maciça de inseticidas. Mas nada disso parece funcionar isoladamente.</p>



<p>“Você achar que vai eliminar um mosquito é muita arrogância do ser humano”, diz a pesquisadora de saúde pública da Fiocruz Pernambuco Eduarda Cesse. Ela defende que não há bala de prata para um problema tão grave e complexo quanto a epidemia de dengue no Brasil . “Há uma relação muito forte da doença com os determinantes sociais. Há ondas de calor, mas as pessoas não têm abastecimento de água adequado, então vão juntar água, que irão virar criadouros. Não acredito que o mosquito possa ser eliminado. O que a gente precisaria, que também é difícil, seria eliminar os condicionantes do mosquito”, afirma.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/dengue-eduarda-cesse.jpg" alt="Foto colorida de Eduarda Cesse: mulher branca de meia-idade, de cabelos loiros ondulados e cortados na altura do pescoço. Ela tem olhos verdes, está sorrindo e olhando direto para a câmera. A foto é um close do seu rosto, mas é possível ver um colar de estrelinhas de metal brilhante e a parte de cima de uma blusa ou vestido preto com listas brancas verticais." class="" loading="lazy" width="329">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Eduarda Cesse
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/Fiocruz</span>
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<p>A mesma pesquisa da Fiocruz Pernambuco citada nesta matéria também mostrou que a “força da infecção” chega a ser três vezes maior entre os moradores de um bairro rico e de um bairro pobre.</p>



<p>Para Eduarda Cesse, o que é necessário, e urgente, para se combater o aedes aegypti é uma gestão de saúde coordenada. “Com tecnologia, mas com várias frentes. E com o empoderamento da população, mas não culpabilizando essa população. Quando uma pessoa junta água no quintal, não é porque ela está querendo fazer um criador propositalmente. É porque a água não chega na torneira dela. Então, ela precisa entender, já que a gente não consegue ter uma política pública que diminua ou controle todas essas desigualdades, que o principal criadouro da dengue está dentro da casa dela. E não é culpa dela isso. Mas que se ela não tiver esse cuidado, ela vai ser a principal vítima também. A gestão coordenada e o empoderamento da população são questões fundamentais”, afirma.</p>



<p>O mais próximo de uma solução definitiva pode ser a vacinação em massa da população. Mas a única vacina existente no Brasil é a do laboratório japonês Takeda, em quantidade ainda insuficiente. E que mesmo assim ainda está sobrando nos postos de saúde de algumas cidades autorizadas para a vacinação &#8211; que é apenas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.</p>



<p>Há, ainda, a expectativa de que a vacina do Butantan &#8211; em estudo há mais de 20 anos &#8211; finalmente saia da fase de teste e siga para o pedido de aprovação da Anvisa. “Só quando tiver realmente aprovada e com muita gente imunizada é que vamos ver como vai se dar a imunização da população. Por enquanto, não podemos contar com uma vacina que não está disponível. Quem trabalha com saúde pública sabe como é importante uma vacina para controlar uma epidemia”, diz Cesse.</p>



<p>Para Barcellos, a vacinação em massa deveria seguir o modelo da febre amarela. “Não existe negacionismo contra a vacina da febre amarela. É uma doença horrível, como a dengue também é, e que pode ser controlada com a vacinação. As pessoas tomam quando vão para áreas em que há a circulação do vírus, não se pode viajar sem tomá-la. Acho que a vacinação será o mais próximo que teremos como bala de prata contra a dengue”, afirma.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Deputado bolsonarista mente na tribuna para desgastar o presidente Lula</title>
		<link>https://marcozero.org/deputado-bolsonarista-mente-na-tribuna-para-desgastar-o-presidente-lula/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 19:12:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[alepe]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos representantes do bolsonarismo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Alberto Feitosa (PL) propagou, da tribuna da Casa, informação falsa sobre o número de mortes provocadas por dengue. O parlamentar sustentou que a doença mata 25 mil pessoas por dia no Brasil. No entanto, dados do boletim epidemiológico mais recente do Ministério da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um dos representantes do bolsonarismo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado Alberto Feitosa (PL) propagou, da tribuna da Casa, informação falsa sobre o número de mortes provocadas por dengue. O parlamentar sustentou que a doença mata 25 mil pessoas por dia no Brasil. No entanto, dados do <a href="http://Informe Diário COE Dengue nº 18 | 21 de março de 2024 — Ministério da Saúde (www.gov.br)">boletim epidemiológico</a> mais recente do Ministério da Saúde, publicado em 21 de março, apontam que são 682 mortes pela doença confirmadas e outras 1.042 em investigação, até o momento.</p>



<p>A fake news de Alberto Feitosa já circula nas redes sociais; inclusive, nas do deputado, filiado ao mesmo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Este repórter recebeu um corte do discurso em um grupo de homens que estudaram juntos no mesmo colégio. O emissor achou “engraçado” o vídeo e, por isso, o repassou aos colegas. O motivo da graça: a exposição de uma caricatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o uso do trocadilho &#8220;presidengue&#8221;. A encenação serviu de embalagem para o discurso em que Feitosa distorce dados oficiais.</p>



<p>“E eu pergunto: com quase 25 mil mortes por dia, deputado Cleiton Collins, com dois milhões de pessoas contaminadas, com quase 700 mil mortes no país por causa da dengue, o que faz o governo federal?”, discursou o deputado. Na verdade, são 714 mil casos confirmados da doença no mês de março no Brasil, e não óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde.</p>



<p>O vídeo com a fala de Alberto Feitosa na íntegra está disponível <a href="https://www.youtube.com/live/MkixlUvvu3Q?si=jlVkboEYRHGQrdKb">no canal da Alepe no YouTube</a>. Por uma decisão editorial, não será aqui mostrado. O discurso foi proferido durante o pequeno expediente da sessão ordinária, formato que não permite a intervenção de parlamentares</p>



<p>A iniciativa do deputado pernambucano de ir à tribuna da Casa para propagar fake news forçou o Ministério da Saúde a publicar um alerta. “A situação da dengue no Brasil é coisa séria e não deve ser usada para disseminar informações falsas e apavorar a população”.</p>



<p><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/e-falso-que-25-mil-pessoas-morreram-por-dengue-no-brasil#:~:text=ATEN%C3%87%C3%83O!,Isso%20%C3%A9%20falso.">É falso que 25 mil pessoas morreram por dengue no Brasil — Ministério da Saúde (</a><a href="http://www.gov.br/">www.gov.br</a><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/e-falso-que-25-mil-pessoas-morreram-por-dengue-no-brasil#:~:text=ATEN%C3%87%C3%83O!,Isso%20%C3%A9%20falso.">)</a></p>



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<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Alerta fake news!<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f6a8.png" alt="🚨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />É falso que a dengue mata mais de 25 mil brasileiros por dia. Ao contrário do que foi mencionado por um parlamentar ontem, de acordo com o último informe diário de dengue, de 21 de março, o Brasil registrou 682 óbitos em 2024, uma taxa de letalidade de 0,03%.</p>&mdash; Ministério da Saúde <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1fa75.png" alt="🩵" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> (@minsaude) <a href="https://twitter.com/minsaude/status/1771256069265748290?ref_src=twsrc%5Etfw">March 22, 2024</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
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<p>A reportagem procurou Alberto Feitosa, por meio da assessoria de imprensa, para saber qual foi a base dos números sustentados por ele na tribuna. Mas não obteve retorno, até a publicação deste texto.</p>



<p>Em dezembro passado, a <strong>Marco Zero</strong> publicou um perfil do deputado do PL, em função da decisão judicial que determinou medidas protetivas em relação a uma mulher que ele precisa cumprir.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/deputado-alberto-feitosa-responde-a-processo-de-violencia-domestica-e-tem-medida-protetiva-imposta-pela-justica/" class="titulo">Deputado Alberto Feitosa responde a processo de violência doméstica e tem medida protetiva imposta pela Justiça</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Feitosa repete Eurico na performance na tribuna</strong></h2>



<p>O ano era 2005, o terceiro do primeiro governo Lula. O então deputado estadual Pedro Eurico (PSDB) performou na tribuna da mesma Assembleia Legislativa de Pernambuco, ainda no Palácio Joaquim Nabuco, antiga sede do Legislativo. Para criticar o valor da compra do avião presidencial, o “Aerolula”, ele exibiu pequenos aviões de plástico e, depois, os distribuiu a colegas de plenário.</p>



<p>“Isso corresponde à indignação da população brasileira com tamanho gasto de verba federal”. À época, Eurico já era um deputado veterano, estava no exercício do quinto mandato consecutivo e havia sido presidente da Assembleia. Feitosa viria a se eleger pela primeira vez só no ano seguinte (2006). De 2007 a 2010, o experiente Eurico e o estreante Feitosa foram colegas de parlamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Situação atual da dengue no Brasil</strong></h2>



<p>O Brasil vive um surto de dengue. Os números de agora relativos à doença já são os maiores registrados desde os anos 2000, início da série histórica da doença no território nacional. No país, foram mais de 2 milhões de casos da doença notificados ao longo de 11 semanas epidemiológicas.</p>



<p>Março ainda não acabou e já foram anotados 714 mil casos, quase o dobro do registrado no mesmo mês no ano passado (381 mil casos). Distrito Federal, oito estados e cinco capitais decretaram estado de emergência em saúde por conta da alta transmissão da doença no território.</p>



<p>Os estados são Acre, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Entre as capitais, Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Natal (RN) e Belo Horizonte (MG) também declararam emergência epidemiológica.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que é a dengue?</span>

		<p>Doença causada por um vírus transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Por isso, é uma arbovirose (vírus transmitido por artrópodes).</p>
<p><strong>Principais sintomas da doença: </strong>Febre alta, dores musculares, dor de cabeça intensa, náusea e vômito, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas pelo corpo. A infecção também pode ser assintomática, que não apresenta sintomas.</p>
<p><strong>Sinais de gravidade: </strong>Sangramento da mucosa, acúmulo de líquidos, hemorragias, dores abdominais muito fortes e vômito persistente.</p>
	</div>
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		<title>Não há previsão para vacina contra dengue chegar a Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/nao-ha-previsao-para-vacina-contra-dengue-chegar-a-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Feb 2024 21:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
		<category><![CDATA[vacina contra dengue]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após anos de testes e com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias (Conitec), a vacina contra a dengue foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Denominado Qdenga, o imunizante produzido pelo laboratório japonês Takeda começou a ser distribuído neste mês e, de acordo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após anos de testes e com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias (Conitec), a vacina contra a dengue foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Denominado Qdenga, o imunizante produzido pelo laboratório japonês Takeda começou a ser distribuído neste mês e, de acordo com o Ministério da Saúde, até dezembro de 2024, pelo menos 6,2 milhões de doses devem ser aplicadas  em todo o país.</p>



<p>Contudo, devido a capacidade restrita do laboratório em produzir o imunizante em larga escala, o Ministério da Saúde resolveu montar um esquema de distribuição que prioriza os estados e municípios do país que possuem uma maior incidência de transmissão do vírus, além da faixa etária com maior risco de agravamento da doença &#8211; pessoas de 10 a 14 anos.</p>



<p>Devido a esta decisão, neste primeiro momento, Pernambuco ficou de fora da lista dos estados contemplados pelo Ministério da Saúde e ainda não há previsão de quando as doses serão disponibilizadas. “A Coordenação Estadual de Imunização informa que Pernambuco não foi contemplado com o Plano de Vacinação contra a dengue. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), diante da capacidade limitada de produção de vacinas pelo laboratório, foi necessário definir critérios para estratégia de vacinação em conjunto com Conass e Conasems, órgãos representantes de estados e municípios”, afirmou a secretaria estadual de Saúde por meio de nota enviada à reportagem.</p>



<p>A Secretaria de Saúde informou ainda que, em 2023, Pernambuco registrou uma diminuição de 42,5% nos casos de dengue em comparação ao ano anterior, com o registro de 8.910 casos prováveis &#8211; confirmados e em investigação, 54 casos graves da doença e três mortes confirmadas nos municípios de Limoeiro, Petrolina e Recife.</p>



<p>Na primeira etapa da distribuição, as doses foram enviadas para os estados de Goiás, Bahia, Acre, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Amazonas, São Paulo, Maranhão e o Distrito Federal.</p>



<p>De acordo com o Ministério da Saúde, a princípio o público vacinado será menor porque a Qdenga necessita de duas aplicações em um intervalo de três meses para a imunização completa, com isso, o órgão definiu os seguintes critérios para a fase inicial da distribuição: o grupo prioritário para receber a vacina são pessoas de 10 a 14 anos por ser o grupo com maior taxa de internação; tiveram prioridade municípios com mais de 100 mil habitantes e com alto índice de transmissão de dengue tipo 2 (tipo de vírus que não induz uma boa resposta imune).</p>



<p>Ainda de acordo com Governo Federal, em 2024 o Brasil já registrou 90 mortes causadas pela dengue e 532.921 casos prováveis da doença. Outros 348 óbitos estão em investigação. Entre os estados com maior índice de infecção estão o Distrito Federal, Paraná, Minas Gerais, Acre e Goiás.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sobre a Qdenga</strong></h3>



<p>O imunizante Qdenga foi aprovado pela Anvisa em março de 2023. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim), a vacina é tetravalente e protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. A Qdenga é feita com vírus vivo atenuado e interage com o sistema imunológico para gerar uma resposta semelhante àquela produzida pela infecção natural, portanto, quem já teve dengue pode se vacinar. A vacina é exclusiva para a dengue e não protege contra as demais arboviroses como zika e chikungunya.</p>



<p>O imunizante é indicado para pessoas de quatro a 60 anos e apresenta contraindicação para gestantes e lactantes, além de pessoas com imunodeficiências primárias ou adquiridas e indivíduos que tiveram reação de hipersensibilidade à dose. Os estudos clínicos comprovaram que a vacina pode gerar reações de gravidade leve a moderada e que duram de um a três dias, entre as reações relatadas com mais frequência estão dor na região de aplicação da vacina, dor de cabeça e dor muscular.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-falta-para-a-vacina-contra-a-dengue-chegar-aos-postos-de-saude/" class="titulo">O que falta para a vacina contra a dengue chegar aos postos de saúde</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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		<title>O que falta para a vacina contra a dengue chegar aos postos de saúde</title>
		<link>https://marcozero.org/o-que-falta-para-a-vacina-contra-a-dengue-chegar-aos-postos-de-saude/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 21:43:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Butantan]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
		<category><![CDATA[vacina contra dengue]]></category>
		<category><![CDATA[vacinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de uma relativa baixa durante o auge da pandemia, a dengue voltou a preocupar com números recordes. No ano passado, o Brasil registrou mais de 1,4 milhão de casos de e mais de mil mortes, o mais alto número desde o início do relatório, na década de 1980. Agora, em 2023, os números seguem [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Depois de uma relativa baixa durante o auge da pandemia, a dengue voltou a preocupar com números recordes. No ano passado, o Brasil registrou mais de 1,4 milhão de casos de e mais de mil mortes, o mais alto número desde o início do relatório, na década de 1980. Agora, em 2023, os números seguem em patamar alto, sobretudo no Centro-Oeste.</p>



<p>Por conta de questões ambientais e socioeconômicas, o controle da dengue é difícil, principalmente a curto prazo. Entre as muitas ações que podem ser feitas para a prevenção da doença está a vacinação, que tem tido avanços. Há duas vacinas já aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e uma terceira está sendo esperada para o ano que vem.</p>



<p>Para a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Flávia Bravo, as vacinas são importantes aliadas com outras ações de prevenção. “Basta ver os números da dengue no país para ver o peso da dengue na saúde pública. É uma luta de décadas contra uma doença transmitida por picada de mosquito, que sabemos que é muito difícil controlar o vetor. É transmitida em ambiente urbano, as pessoas podem pegar dentro de casa. Então ter proteção contra uma infecção que, mesmo quando não traz sequelas, leva às pessoas a atendimento médico e as afasta do trabalho, é algo muito necessário”, diz.</p>



<p><strong><em>Saiba mais sobre as vacinas contra a dengue:</em></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dengvaxia</strong></h2>



<p>Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Brasil (Anvisa) desde 2015, é a única disponível comercialmente no Brasil. A popularização da Dengvaxia tem um obstáculo principal: a necessidade de um teste prévio para que a vacina possa ser administrada.</p>



<p>“Foi uma vacina lançada com bons estudos de pré-licenciamento e foi aprovada. Só que a vigilância farmacológica continua, os vacinados continuam sendo acompanhados para avaliação. E a própria Sanofi verificou que existia um risco, ainda que muito pequeno, mas maior do que o geral, de que pessoas que nunca tiveram dengue e tomaram a vacina da Sanofi desenvolverem quadros mais graves ao pegar a doença pela primeira vez. Então, por conta disso, se passou a pedir a comprovação de ter tido dengue anteriormente”, explica Flávia Bravo.</p>



<p>No Recife, por exemplo, estima-se que mais de 90% da população já teve contato com o vírus da dengue. O que torna toda essa população apta para tomar a vacina. Mas, além da obrigatoriedade do teste, é uma vacina não muito fácil de encontrar. O preço é alto: a média é de R$ 500 por dose. E são necessárias três doses, com espaço de seis meses entre elas.</p>



<p>É por essas características que a vacina nunca foi incorporada ao Sistema Único de Saúde. “Sabemos que já é difícil hoje em dia levar as pessoas para vacinar. Se elas precisam de mais doses, é mais difícil ainda que completem seus esquemas. E no caso da Dengvaxia é um intervalo maior, de seis meses entre as doses. Quanto maior o intervalo, mais difícil”, diz Bravo.</p>



<p>Vacinas com menos doses e intervalo menor tendem a funcionar melhor para vacinações em massa. Não só pela adesão, mas também pelos custos. “E não é apenas o custo da vacina em si. Mas de seringas, armazenamento, pessoal”, diz a especialista. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pobres-do-recife-tem-tres-vezes-mais-chance-de-pegar-dengue-do-que-ricos-e-classe-media/" class="titulo">Pobres do Recife têm três vezes mais chances de pegar dengue do que ricos e classe média</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saneamento/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saneamento</a>
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<p>Atendendo aos requisitos da bula, a Dengvaxia é segura e eficaz. “Previne aproximadamente oito em cada dez casos de dengue grave e com risco de hospitalização, com proteção de longo prazo por até 6 anos. Em resultado de estudo, foi demonstrada uma eficácia global de aproximadamente 76% contra casos sintomáticos de dengue em pessoas com infecções prévias de dengue, sendo observada uma proteção mais eficaz contra o sorogrupo 4’, diz nota da Sanofi à Marco Zero.</p>



<p>No Nordeste, há a circulação dos quatro tipos de dengue, sendo mais frequente, nos últimos anos, os sorotipos 1 e 2. “Reforçamos que Dengvaxia® é eficaz para proteção contra os quatro sorotipos da dengue para pessoas com infecção prévia por dengue, conforme sua atual indicação em bula”, diz o Sanofi. O laboratório também afirmou que não tem novos estudos para que a Dengvaxia possa ser administrada também em pessoas que também nunca tiveram dengue.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qdenga</strong></h2>



<p>Aprovada pela Anvisa em março deste ano, a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, apresenta vantagens sobre a Dengvaxia: não precisa de teste prévio, já que provou segurança e eficácia também para quem nunca teve dengue, e o esquema é de duas doses, com o espaço de três meses.</p>



<p>Os estudos para a vacina contaram com a participação de 28 mil pessoas, em oito países. “&#8230;incluindo populações expostas e não expostas à dengue em oito países endêmicos para essa doença na Ásia e na América Latina e acompanhado por um período de 4,5 anos [quatro anos e meio]”, diz nota do laboratório enviada para a Marco Zero.</p>



<p>Os estudos da Takeda demonstraram, ao longo dos quatro anos e meio, uma eficácia de 80,2% na redução dos casos de dengue, independente do sorotipo ou do estado imune prévio da população avaliada. Ou seja, a cada dez pessoas vacinadas, foram evitados oito casos de dengue. “Em relação aos casos hospitalizados por dengue, a eficácia foi ainda mais significativa com redução de 90,4%. Ou seja, de cada dez pessoas que potencialmente seriam hospitalizadas, a vacina evitaria nive destas hospitalizações”, diz nota da Takeda.</p>



<p>Os estudos sugerem que é uma vacina que mantém boa eficácia ao longo do tempo. Ao término dos 4,5 anos, a proteção da Qdenga contra hospitalizações foi de 84% e de 61,2% para casos gerais. A vacina também demonstrou ser eficaz contra todos os quatro sorotipos, porém foi variável por sorotipo, sendo maior contra o 1 e o 2 em comparação com o 3 e o 4.</p>



<p>A expectativa é de que, em breve, a Qdenga esteja disponível para o público. Depois da aprovação na Anvisa, a vacina agora está em análise na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, que define o preço para novos medicamentos. “Só após a conclusão dessa nova etapa, podemos seguir com a importação e comercialização do imunizante”, diz nota do laboratório.</p>



<p>O imunizante ainda vai passar por uma bateria de avaliações do Ministério da Saúde, que irá definir se ela vai entrar ou não para o Programa Nacional de Imunizações (PNI). “É uma vacina para ser considerada. No acompanhamento de quatro anos e meio demonstrou uma segurança ótima e há dados de dez anos, ainda não publicados, que mostram que a vacina se mantém eficaz e segura. É um excelente perspectiva em termos de saúde pública, principalmente nos estados onde a dengue é mais importante”, afirma Bravo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fiocruz-PE participou da pesquisa da vacina do Butantan. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>A vacina do Butantan</strong></h2>



<p>Na última etapa de testes desde 2016, a vacina do Butantan contra os quatro sorotipos da dengue tem a promessa de ficar pronta em 2024. E tem uma excelente vantagem para a disponibilização na rede pública: é em dose única. Se aprovada pela Anvisa, a vacina também poderá ser aplicada tanto em quem já teve dengue quanto em quem nunca pegou a doença.</p>



<p>É uma vacina que está em desenvolvimento há bastante tempo, pelo menos 25 anos, mas tem avançado nos últimos anos. Em dezembro do ano passado, o Butantan anunciou os primeiros resultados da pesquisa, com o acompanhamento de dois anos dos vacinados. Foram promissores: eficácia de 79,6% para evitar a doença e, durante o período, não foi reportado nenhum caso grave de dengue nos participantes.</p>



<p>Ao todo, a fase três do estudo envolve 16.235 voluntários de dois a 59 anos, avaliados por 16 centros de pesquisa de diferentes regiões do país. Em Pernambuco, foram cerca de 1,2 mil voluntários, que se vacinaram na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Começamos a vacinar em 2016 e vacinamos até 2018. A última visita do participante que entrou por último vai ser em 2024. O tempo maior é para a necessidade de avaliação a longo prazo dos quatro sorotipos”, diz o pesquisador da Fiocruz-PE Rafael Dhalia, que lidera os estudos aqui em Pernambuco.</p>



<p>O Butantan fez a vacinação de voluntários em lugares com alta, média e baixa prevalência da dengue. &#8220;Para ver como a vacina se comporta em diferentes situações de endemia. Antigamente, o Nordeste tinha a maior prevalência de dengue e hoje é o Sudeste&#8221;, explica Dhalia. A vacina usa a tecnologia de vírus atenuado, assim como a Qdenga e a Dengvaxia. </p>



<p>Para Flávia Bravo, a vacina do Butantan conta com as vantagens de custos e fornecimento. &#8220;A Fiocruz e o Butantan são dos maiores produtores de vacinas das Américas e, por serem públicos e brasileiros, há uma facilidade maior de controlar os fluxos de fornecimento para o SUS. Esperamos ansiosamente por essa vacina“, diz a presidente da Sbim. </p>





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			</item>
		<item>
		<title>Pobres do Recife têm três vezes mais chances de pegar dengue do que ricos e classe média</title>
		<link>https://marcozero.org/pobres-do-recife-tem-tres-vezes-mais-chance-de-pegar-dengue-do-que-ricos-e-classe-media/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 19:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[arbovirose]]></category>
		<category><![CDATA[chikungunya]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[zika]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=54852</guid>

					<description><![CDATA[<p>Quanto menor a renda, mais fácil para um morador do Recife ser contaminado por uma arbovirose. A diferença da “força da infecção” chega a três vezes entre os moradores de um bairro rico e de um bairro pobre. Enquanto a grande maioria da população tem anticorpos contra algum dos quatro tipos de dengue, doença que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quanto menor a renda, mais fácil para um morador do Recife ser contaminado por uma arbovirose. A diferença da “força da infecção” chega a três vezes entre os moradores de um bairro rico e de um bairro pobre. Enquanto a grande maioria da população tem anticorpos contra algum dos quatro tipos de dengue, doença que voltou a circular por aqui há mais de 25 anos, metade já teve zika, que teve seus primeiros casos no Recife há oito anos. As conclusões são de uma pesquisa sobre arboviroses na população recifense realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE).</p>



<p>“A diferença entre classes sociais é, na verdade, algo bem óbvio”, diz a pesquisadora Cynthia Braga, que liderou os estudos. As pesquisas foram realizadas em duas etapas com coletas em 2005/2006 e em 2018/2019. “A transmissão das arboviroses é muito alta em toda cidade, mas a maior intensidade de transmissão se dá nos ambientes mais pobres, nos bairros mais precários”, diz.</p>



<p>A Fiocruz-PE visitou residências em três áreas socioeconômicas e ambientais distintas de Recife. Nas duas fases foram recolhidas e analisadas amostras de sangue de apro dois mil indivíduos.</p>



<p>Na <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19896921/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeira pesquisa</a>, a soroprevalência da dengue &#8211; ou seja, a detectação de exposição prévia ao vírus &#8211; foi alta em todas as camadas sociais. Mas houve diferenças importantes: 74,3% dos moradores de áreas com melhores condições socioeconômicas &#8211; no estudo, os bairros de Casa Forte e Parnamirim &#8211; já haviam tido um dos quatro tipos de dengue. A pesquisa não fez diferenciação entre os quatro tipos. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-falta-para-a-vacina-contra-a-dengue-chegar-aos-postos-de-saude/" class="titulo">O que falta para a vacina contra a dengue chegar aos postos de saúde</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Nos bairros mais pobres, esse percentual dá um salto para 91,1% &#8211; o bairro utilizado foi Brasília Teimosa. O bairro intermediário foi o Engenho do Meio, e, por lá, a soroprevalência ficou apenas um pouco menor do que no bairro mais pobre, com 87,4%. </p>



<p>A força da infecção, porém, é bem maior nos bairros de baixa renda. A pesquisa verificou que 59% das crianças já haviam sido expostas ao vírus da dengue aos 5 anos de idade. A estimativa da força de infecção foi três vezes maior do que na área privilegiada. O risco de infecção aumentou com a idade nas três áreas. “Nas áreas intermediárias e privilegiadas, as curvas de prevalência por idade atingiram platôs por volta dos 20 anos, sugerindo que, em vez de uma força constante de infecção, elas experimentaram picos de incidência em algum momento nos últimos 20 anos”, diz o artigo sobre a primeira pesquisa.</p>



<p>A segunda fase para o recolhimento de amostras ocorreu entre 2018 e 2019, já com um cenário em que duas novas arboviroses estavam circulando no Recife: a zika e a chikungunya, que foram o foco do estudo.</p>



<p>O artigo sobre a pesquisa está em <em>pré-prin</em>t, ou seja, ainda não foi revisado por pares, mas mostra um cenário preocupante: a primeira onda de chikungunya e zika foi um verdadeiro tsunami no Recife. Após a chegada dos vírus, em 2014/2015, cerca de 50% (zika) e 30% (chikungunya) da população do Recife apresentava marcadores de exposição a essas arboviroses, demonstrando a alta vulnerabilidade da população para as doenças transmitidas pelo mosquito <em>Aedes aegypti</em>.</p>



<p>Cynthia Braga conta que muitas vezes as três infecções são confundidas e quando está ocorrendo uma alta de casos de dengue, pode ser, na verdade, zika ou chikungunya. “Até o exame feito durante a infecção dá muita reação cruzada. A zika é muito difícil de diferenciar, porque nem sempre apresenta as manchinhas vermelhas. Às vezes é somente uma febre, uma moleza. Então, esse rastreamento posterior é importante para mostrar o tamanho dessa primeira onda de zika no Recife”, diz a pesquisadora.</p>



<p>Ela cita um outro estudo de rastreio de arboviroses, também realizado entre 2018/2019, mas feito somente com grávidas, em uma maternidade. “Surpreendentemente, a maior parte das infecções prévias era de Chikungunya e Zika. Praticamente não encontramos casos de dengue. O sistema de notificação diz que é dengue, mas muitas vezes é chikungunya ou zika. O diagnóstico só na clínica é muito difícil de diferenciar”, explica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Primeiro surto do zika vírus em Pernambuco provocou nascimento de crianças com microcefalia. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Acesso à água é um dos pilares da prevenção </strong></h2>



<p>Os altíssimos índices de soroprevalência não são por acaso: dois terços da população recifense vive em áreas de alto risco para arboviroses. “As cidades nordestinas têm condições ambientais favoráveis para as arboviroses: temperatura ideal e a falta de estrutura”, aponta Cynthia.</p>



<p>Ela cita a irregularidade no fornecimento de água como um dos principais fatores de risco, principalmente nas áreas mais pobres. “Sem ter água todo dia nas torneiras, as pessoas vão ter que acumular água em caixas d&#8217;água, tonéis, bacias. As arboviroses são uma consequência da falta de saneamento, da falta de estrutura urbana da cidade. Temos 60% da população vivendo em condições precárias. É sujeira, meio ambiente degradado, tudo isso favorece a proliferação dos mosquitos”, diz.</p>



<p>As infecções por zika e chikungunya, segundo o estudo mais recente, foram associadas a níveis educacionais mais baixos como indicador de desigualdades em saúde e um fator de risco independente para a infecção em quase todas as camadas socioeconômicas. Além disso, viver em uma casa, em vez de um apartamento, aumentou em três vezes o risco de exposição à infecção por chikungunya ou zika. “No Recife, nos bairros mais ricos as pessoas moram em edifícios, o que dificulta para o mosquito. E também há a super população das habitações nos bairros pobres”, diz a pesquisadora.</p>



<p>Para Cynthia Braga, a prevenção às arboviroses passa sim pelo desenvolvimento de vacinas e por novas tecnologias &#8211; como os <a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisador-fala-sobre-importancia-da-expansao-da-producao-de-mosquitos-com-wolbachia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mosquitos modificados</a> que estão sendo testados pela Fiocruz &#8211; mas a principal ferramenta de prevenção é o saneamento básico, com acesso universal à água encanada.</p>



<p>“Vacinas são importantes, mas não resolvem o problema. Outras arboviroses podem aparecer. Há dez anos, por exemplo, não tínhamos aqui nem zika, nem chikungunya. Então a gente roda e roda e volta para a questão da pobreza, da miséria, das condições de vida da população. É preciso se pensar a médio e longo prazo em termos de cidades saudáveis para todos. E a saúde tem que ser um tema transversal a todas as políticas urbanas. Não só para arboviroses, mas para tantas outras doenças que temos no Recife, como a leptospirose, tudo passa pelo saneamento, pelo acesso à água, pela limpeza, pela educação. Será que um país como o Brasil não tem condições de melhorar as vidas nas cidades?”, questiona.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Dengue em alta pelo Brasil</h3>



<p>Depois de um período com queda de casos &#8211; ou queda de notificações? &#8211; durante a pandemia, o número de casos de dengue têm voltado aos patamares “normais” ou até ultrapassando a média histórica.</p>



<p>O Brasil teve 1.016 mortes por dengue no ano passado, segundo o Ministério da Saúde. Foi o recorde de óbitos pela doença, ficando na frente de 2015, quando 986 mortes foram registradas. O que vem chamando a atenção de pesquisadores é que em lugares com climas mais amenos a dengue tem avançado. No ano passado, por exemplo, o Rio Grande do Sul registrou 66 óbitos pela doença, sendo o quinto estado com mais mortes. O centro-oeste é o que tem concentrado o maior número de casos, em 2023. </p>



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<p>Os meses entre janeiro até o final de junho são considerados a época de sazonalidade das arboviroses. Mas essa sazonalidade está cada vez mais difícil de se perceber, com a doença ocorrendo ao longo de todo o ano.</p>



<p>“Antes, quando circulava só dengue, havia uma sazonalidade mais definida. Após o período das chuvas é que circulava mais, mas como temos a circulação de três vírus distintos, não conseguimos enxergar muito essa sazonalidade. Nos últimos anos, tem realmente sido nos primeiros meses do ano. Mas em geral o vírus circula permanentemente. Quando o sistema de informação identifica o aumento de casos, o vírus já está circulando na população com intensidade. O sistema detecta tardiamente, cerca de um mês depois”, diz Cynthia.</p>



<p>O boletim epidemiológico mais recente de Pernambuco aponta 6.539 casos suspeitos de dengue, 1.721 de chikungunya e 270 de Zika. Não houve nenhuma confirmação de óbito para dengue, nem zika, mas foram confirmadas duas mortes por chikungunya.</p>



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<p></p>
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		<title>Desarticulação do atendimento no SUS prejudica crianças com microcefalia</title>
		<link>https://marcozero.org/desarticulacao-do-atendimento-no-sus-prejudica-criancas-com-microcefalia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2019 11:58:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[arboviroses]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde novembro de 2015, quando o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional por causa do surto do vírus Zika, algumas medidas foram tomadas para fortalecer a rede de atenção.&#160;Em Pernambuco houve a descentralização e a ampliação da rede para atender os nascidos com microcefalia, de duas instituições para atualmente 34 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Desde novembro de 2015, quando o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional por causa do surto do vírus Zika, algumas medidas foram tomadas para fortalecer a rede de atenção.&nbsp;Em Pernambuco houve a descentralização e a ampliação da rede para atender os nascidos com microcefalia, de duas instituições para atualmente 34 unidades de referência. Ainda assim as famílias relatam dificuldades para marcar consultas e tratamentos.

<strong>Leia a primeira parte da reportagem: </strong>

<a href="http://marcozero.org/?p=17863&amp;preview=true"><strong>Quatro anos depois do surto do Zika, crianças com microcefalia ainda não têm assistência adequada</strong></a>

“Sei de mães que esperam na fila por anos para ter acesso a uma fisioterapia.&nbsp;Muitas vezes só conseguimos marcar terapias de 15 em 15 dias. Isso prejudica o desenvolvimento porque elas precisam se estímulos diários, cada pequeno avanço é uma vitória”, explica Germana Soares, presidente da União de Mães de Anjos (UMA). “Imagine se seu filho só vai para escola de 15 em 15 dias? O que ela vai aprender?”, questiona.

Bernadete Perez, pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), acompanha crianças que nasceram com microcefalia no estado desde 2015, ano do pico do número de casos, para analisar rede de assistência do ponto de vista clínico e psicossocial. “O problema é que a rede pública é desarticulada. As equipes não se comunicam, os tratamentos não são coordenados e não se considera as particularidades do desenvolvimento de cada indivíduo”, analisa.

A pesquisa realizada por ela em Pernambuco&nbsp; constatou problemas como a demora da resposta por parte do poder público às complicações desenvolvidas pelas crianças ao longo do tempo de crescimento; a falta de continuidade de atendimento quando os bebês saem da maternidade; a falta de comunicação entre as equipes de saúde, entre outros.

Apesar de todas as queixas das mães e das constatações da pesquisadora, feitas com bases científicas, do ponto de vista do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) não há problemas da rede de assistência pública. Um inquérito de dois anos que investigava falhas nos atendimentos às crianças com microcefalia no estado foi encerrado no fim do ano passado e “todos os problemas foram sanados”, garante a promotora do MPPE, Helena Capela. “As famílias se queixavam que&nbsp;tinha que andar mais de 200 km para serem atendidas, isso foi resolvido com a descentralização das unidades. Também pediam a liberação do medicamento anticonvulsivante, o Kepra, que foi incorporado pela farmácia do Estado antes mesmo de ter sido incorporado no SUS”, detalha.

Sobre os problemas no SUS, a secretaria de Saúde de Pernambuco informou que tem incorporado medicações para atender às necessidades clínicas das crianças com microcefalia e feito investimentos na contratação de profissionais e na rede de assistência (reproduzimos&nbsp; parte das respostas no fim da reportagem). Por três vezes, o ministério da Saúde pediu que reenviássemos o e-mail com perguntas alegando não ter recebido a mensagem. O primeiro envio foi feito em 25 de julho. O último em 2 de agosto. Até o momento da publicação, a reportagem não recebeu respostas do ministério.
<h4><b>Sinal de alerta na saúde e desamparo social</b></h4>
Liana Ventura é médica da Fundação Altino Ventura (FAV), onde funciona um centro de atendimento que reabilita 156 crianças com microcefalia pelo SUS. Depois de uma avaliação global, elas recebem um plano terapêutico específico para cada caso com estímulos diversos. A família também é incluída no acompanhamento,&nbsp; que conta com grupo de apoio psicológico e social.

Esse modelo de assistência articulada e mais completo é o ideal por ser o que melhor contribui para o desenvolvimento dos pacientes, defende Liana, mas é preciso investir. Em vez de avançar neste sentido, a assistência pública mostra retrocessos. Por limitações financeiras, por exemplo, a FAV não consegue atender mais crianças no centro de reabilitação. Há meses o governo de Pernambuco atrasa repasses para a instituição. “O que recebemos cobre apenas o custeio no centro de reabilitação. Precisaríamos contratar mais profissionais para ampliar nossa capacidade de atendimento”, comenta a médica.

<div id="attachment_17917" style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Credito-Izabele-Brito-12.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17917" class="wp-image-17917 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Credito-Izabele-Brito-12.jpg" alt="Centro de reabilitação da FAV incorpora vários tratamentos (Crédito: Izabele Brito/Fundação Altino Ventura)" width="700" height="467"></a><p id="caption-attachment-17917" class="wp-caption-text">Centro de reabilitação da FAV incorpora vários tratamentos (Crédito: Izabele Brito/Fundação Altino Ventura)</p></div>

O comprometimento dos investimentos na saúde pública é um problema no Brasil&nbsp; diante do endividamento de municípios, estados e dos contingenciamentos do orçamento Federal com a imposição do teto de gastos do governo. Tudo isso recai no sucateamento do SUS, no desabastecimento de medicamentos em farmácias públicas e em outros desajustes que aprofundam o abismo entre a assistência ofertada e as necessidades das crianças com microcefalia, cuja maioria é de baixa renda.
<blockquote><strong>90% das famílias de crianças com microcefalia em Pernambuco vivem com um salário mínimo, geralmente do Benefício de Prestação Continuada (BPC)</strong></blockquote>
O desamparo escancara o descaso do Estado com populações mais vulneráveis e pessoas com deficiência. &#8220;Quase que a totalidade das famílias vitimadas por essa epidemia são de baixa renda. Não têm acesso à saneamento básico, nem oferta de água permanente, fatores que contribuíram para que o vírus se alastrasse&#8221;,&nbsp;aponta a pesquisadora da Fiocruz, Tereza Maciel, autora de estudo sobre impactos sociais do Zika vírus.&nbsp;&#8220;O Estado é culpado tanto pela epidemia, quanto por não fornecer atendimento e qualidade de vida às crianças. Os governos nunca foram penalizados, as famílias jamais receberam qualquer indenização&#8221;, desabafa Germana Soares, que, além de presidir a UMA também é mãe de criança com microcefalia.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Perfil-das-famílias-de-crianças-com-microcefalia-associada-ao-Zika-em-Pernambuco.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-17933" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Perfil-das-famílias-de-crianças-com-microcefalia-associada-ao-Zika-em-Pernambuco-623x1024.jpg" alt="Perfil das famílias de crianças com microcefalia associada ao Zika em Pernambuco" width="300" height="492"></a>

Germana narra a luta das&nbsp;mães, que muitas vezes cuidam das crianças sozinhas. &#8220;Todos os meses é uma briga. Quando não é a falta de leite, que já ficou quatro meses sem ser fornecido pela rede pública, é um tratamento que deixa de ser oferecido ou tem que insistir para liberar um remédio na Farmácia do Estado&#8221;, comenta. No mês passado, 22 famílias de crianças com microcefalia em Pernambuco tiveram o BPC bloqueado sem aviso prévio do Governo Federal. &#8220;As pessoas ficaram sem ter o que comer. Quatro anos depois do surto do Zika o BPC ainda não foi universalizado. Ou seja, se a família tiver outra fonte de renda é retirada do benefício”, comenta a presidente da Associação de Mães e Famílias Raras (Amar), Poliana Dias.

Tantas agruras no cotidiano também causam o adoecimento das famílias. &#8220;Essas pessoas sofreram todo tipo de preconceito e de violência psicológica&#8221;, comenta a médica Liana Ventura. Ela diz que quando os casos começaram a surgir, havia muita desinformação. Por isso, muitas mulheres só descobriram a condição dos filhos no parto. &#8220;As pessoas apontavam as crianças na rua, achavam que era contagioso. Era horrível&#8221;, lembra.

Nadja Bezerra recorda que Alice foi desenganada pelos médicos ainda na sua barriga. &#8220;Comecei a gritar no consultório. Alice não teve chá de fraldas, porque eu não tinha esperança que ela sobrevivesse. As coisas do quarto dela ficaram empacotadas durante toda a gestação&#8221;. O trauma da mãe jamais foi&nbsp;superado, até porque&nbsp;falta estrutura para acompanhamento psicológico direcionado às famílias dessas crianças no estado.

Tereza Maciel, da Fiocruz, lembra que a maioria dos bebês com microcefalia não vieram de uma gestação planejada. Embora a rede pública distribua contraceptivos, falta orientação. Foi assim no caso de Nadja, que não esperava engravidar novamente aos 42 anos, mas suspendeu o anticoncepcional por orientações médicas. &#8220;Ele disse que a essa altura da vida não tinha mais perigo de engravidar. Quando os sintomas da gestação apareceram, pensei que estava na menopausa”, recorda.

<div id="attachment_17902" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/MZC_4250.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17902" class="wp-image-17902 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/MZC_4250-1024x683.jpg" alt="Nadja se dedica integralmente à filha Alice (Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo)" width="702" height="468"></a><p id="caption-attachment-17902" class="wp-caption-text">Nadja se dedica integralmente à filha Alice (Foto: Inês Campelo/MZ Conteúdo)</p></div>

A dedicação dela à Alice é comovente. Ainda assim, ela diz que gostaria de voltar a trabalhar, mas os cuidados com a filha a impedem. Está com depressão. A maior carga dos problemas familiares termina recaindo sempre sobre os ombros das mulheres, lembra a pesquisadora da Fiocruz, Tereza Maciel. “Muitos maridos abandonaram o lar. Sobrou para a mãe cuidar da criança, abandonar o trabalho, o estudo, os sonhos”. O adoecimento psicológico é uma consequência. &#8220;Ninguém preparou essas mães para terem um filho com deficiência.&#8221;, ressalta Germana Soares da UMA. &#8220;A vida só foi lá e entregou a criança”.
<h4>Ameaça constante</h4>
A assistência de saúde tem regredido de modo geral no Brasil, na avaliação Bernadete Perez, pesquisadora da UFPE. Ela acreditam que essa realidade é fruto de um retrocesso social percebido no aumento da desigualdade, da pobreza, de doenças evitáveis como sarampo e da mortalidade infantil, que parou de cair. O enxugamento de financiamentos para pesquisas por parte do Governo Federal é outro sintoma dessa involução.
<blockquote><em><strong>“No começo do surto houve um investimento, mas agora deixou de ser prioridade. Se os cortes se confirmarem, o impacto na produção acadêmica pode atrasar a vacina contra o Zika, que ainda está sendo testada, e pesquisas importantes para antecipar complicações das crianças com microcefalia que podem orientar tratamentos”, considera Tereza Maciel, da Fiocruz.&nbsp;&nbsp;</strong></em></blockquote>
Como os problemas socioambientais não foram resolvidos, o vírus da Zika continua sendo uma ameaça constante no Brasil, assim como a dengue e a chikungunya, outras arboviroses transmitidas pelo mesmo mosquito. Depois de dois anos sem notificações, nascimentos de crianças com microcefalia pelo Zika foram registrados no final do ano passado. Em Pernambuco, um nascimento foi confirmado este ano e outros estão sendo investigados. Até maio, a secretaria estadual de Saúde de registrou crescimento de 158,1% nas notificações de Zika, 73,2% nas de chikungunya e 68,4% nas de dengue. A preocupação dos estudiosos e médicos é que os casos de microcefalia voltem a aumentar com a chegada do Verão, em dezembro, quando os mosquitos costumam se multiplicar.
<h4><strong>Leia alguns trechos das respostas enviadas pela secretaria de Saúde de Pernambuco:&nbsp;</strong></h4>
<blockquote><strong>Sobre os atendimentos:</strong>

As unidades de atendimento estão em todas as 12 Regiões de Saúde, ou seja, cada uma das Regiões conta com no mínimo um serviço estadual de referência para reabilitação e isto tem um impacto importante para estas famílias, que não precisam percorrer grandes distâncias para garantirem o atendimento. Atualmente, essa distância foi reduzida para menos de 50 quilômetros de distância.

<strong>Sobre treinamentos e profissionais de saúde na rede pública</strong>

Com o intuito de qualificar e padronizar o atendimento em todos os serviços de saúde que atendem as crianças com microcefalia, todas as equipes multidisciplinares dos serviços de referência para as crianças com SCZ/microcefalia receberam capacitação para prestar esse tipo de assistência. Entre 2016 e 2018, cerca de 3 mil profissionais de saúde de diversas especialidades e de diversos serviços, como das Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs) e dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs), participaram de capacitações que abordaram temas como os atendimentos de urgência e emergência, estimulação precoce, reabilitação e o cuidado na puericultura. Entre as atividades, aulas teóricas e presenciais na AACD, unidade de referência de reconhecida expertise em reabilitação.

<strong>Sobre <em>home care</em> pelo SUS</strong>

O Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil não possui <em>home care</em> no seu rol de procedimentos, que é estabelecido pelo Ministério da Saúde (MS). O que existe é o serviço de assistência domiciliar, de responsabilidade dos municípios.

<strong>Sobre rol de procedimentos</strong>

O rol de procedimentos vem sendo ampliado de acordo com as necessidades apresentadas pelas crianças. A rede tem ofertado sessões de fisioterapia, cirurgias (gastrostomia, procedimentos ortopédicos), aplicação de toxina botulínica, entre outros. Importante reforçar que os tratamentos e planos terapêuticos são indicados pelas equipes multiprofissionais de acordo com a necessidade e evolução de cada paciente. Além disso, o Núcleo de Apoio às Famílias de Crianças com Microcefalia atua permanentemente para monitorar e acompanhar, de modo regionalizado, as crianças notificadas durante toda a linha do cuidado, além de prestar apoio às famílias e desenvolver estratégias para garantir seus direitos.</blockquote><p>O post <a href="https://marcozero.org/desarticulacao-do-atendimento-no-sus-prejudica-criancas-com-microcefalia/">Desarticulação do atendimento no SUS prejudica crianças com microcefalia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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