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	<title>Arquivos dia das mães - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos dia das mães - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Ser trabalhadora e mãe, a conta não fecha!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 May 2025 19:37:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[6x1]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[redução de jornada de trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Manuela d&#8217;Ávila* e Eugênia Lima** A proximidade entre o 1º de maio, Dia das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, e o Dia das Mães, comemorado neste ano no dia 11 de maio, é uma oportunidade para refletirmos sobre o descompasso entre a forma como está organizado o mundo do trabalho e o papel social atribuído às [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Manuela d&#8217;Ávila* e Eugênia Lima**</strong></p>



<p>A proximidade entre o 1º de maio, Dia das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, e o Dia das Mães, comemorado neste ano no dia 11 de maio, é uma oportunidade para refletirmos sobre o descompasso entre a forma como está organizado o mundo do trabalho e o papel social atribuído às mães. </p>



<p>A consolidação da escala de trabalho 6&#215;1 se deu em um momento histórico no qual vigorava a ideia de que o principal papel das mulheres na sociedade era o de cuidadora da família e do lar. Apesar de sabermos que a dedicação exclusiva aos trabalhos domésticos nunca foi uma realidade para as mulheres pobres e negras, que sempre lidaram com a sobrecarga da busca pelo sustento material e o trabalho doméstico, a crescente presença das mulheres no mercado de trabalho, resultado de décadas de luta feminista, escancara a contradição entre o direito ao trabalho e a responsabilização solitária pelo cuidado.</p>



<p>O trabalho de cuidado é essencial à sustentação da vida. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que, se contabilizado, o trabalho relacionado aos afazeres domésticos e cuidado da família acrescentaria 13% ao PIB brasileiro. O mesmo estudo indica ainda que esse trabalho não pago é realizado majoritariamente pelas mulheres, que em média dedicam mais que o dobro de horas por semana a essas atividades do que os homens. </p>



<p>Mesmo em contextos urbanos como o da Região Metropolitana do Recife, a desigualdade é gritante: mulheres chefes de família gastam até 22 horas semanais apenas com tarefas domésticas. Essa sobrecarga retira o direito de nós mulheres ao descanso, ao lazer, à plena participação na vida cultural e política e é um importante obstáculo à construção de nossa autonomia financeira. Apesar das mulheres terem alcançado níveis educacionais mais altos que os homens, ainda somos minoria nos cargos de chefia e ocupamos mais trabalhos em tempo parcial, o que faz com que as mulheres brasileiras tenham um rendimento médio 20% menor do que os homens.</p>



<p>A invisibilidade histórica do cuidado como trabalho é sustentada por uma lógica patriarcal que transfere às mulheres, especialmente às mães, a obrigação exclusiva de sustentar a vida. A superação de tal situação requer medidas amplas e diversas voltadas à valorização do cuidado como direito e responsabilidade coletiva. Meninos e homens precisam ser educados para o exercício do cuidado de si, do outro e do ambiente em que vivem. O setor privado deve se responsabilizar e arcar com os custos da sustentação da vida. O Estado, além de prover políticas públicas que absorvam o trabalho de cuidado realizado pelas mulheres com, por exemplo, ampliação de vagas em creches, em escolas de tempo integral e serviços de saúde, deve induzir mudanças amplas para a promoção do cuidado como responsabilidade coletiva. No lugar da omissão e do silêncio, é urgente que as políticas públicas reconheçam o cuidado como uma função social que sustenta o conjunto da vida em sociedade.</p>



<p>É nesse sentido que estamos propondo legislações concretas voltadas à promoção de direitos para trabalhadoras e trabalhadores que exercem o cuidado cotidiano. Uma das medidas mais urgentes é a que garante o abono de faltas para quem precisa acompanhar filhos, tutelados ou pessoas sob sua responsabilidade em situações de saúde ou escolares. Elas buscam transformar a contratação pública em instrumento de indução de práticas justas e inclusivas, fortalecendo uma rede de proteção à infância, à família e às cuidadoras e cuidadores.</p>



<p>Atualmente, a CLT assegura ao trabalhador e à trabalhadora o direito de se ausentar do trabalho, sem prejuízo do salário, em duas situações específicas relacionadas aos filhos: para acompanhar crianças de até seis anos em consultas médicas e para participar de reuniões escolares, limitado a um dia por ano. Qualquer pessoa que acompanha minimamente a rotina de uma criança ou adolescente sabe que esta regulamentação é completamente insuficiente. É chocante pensar que a legislação brasileira parte do pressuposto de que sempre haverá uma pessoa sem vínculo empregatício, disponível para levar crianças maiores de seis ao serviço de saúde. Nesse sentido, nossa proposta diz também sobre os direitos de pessoas vulneráveis como crianças, adolescentes e idosos de terem o devido acesso ao cuidado.</p>



<p>Atualmente, mulheres dependem da boa vontade e favores de chefes para exercer o cuidado. E sabemos que relações trabalhistas desregulamentadas são um campo fértil para abusos e assédios.</p>



<p>Essa medida é especialmente benéfica para as mulheres mães, que historicamente carregam o maior peso das responsabilidades domésticas e do cuidado com os filhos, muitas vezes acumulando jornadas duplas ou triplas de trabalho. Políticas públicas que promovem o compartilhamento do cuidado ampliam a participação de mulheres na política e assim, a democracia. Além disso, a rigidez das relações de trabalho e a falta de políticas de apoio à parentalidade contribuem para que muitas sejam prejudicadas em suas carreiras, com menos oportunidades de contratação, crescimento e maior vulnerabilidade à demissão. </p>



<p>Um direito como esse representa um avanço necessário para reduzir a desigualdade de gênero no mundo do trabalho e reconhecer, ainda que minimamente, o valor social do cuidado. Mas ele também representa algo mais profundo: a chance de transformar a cultura patriarcal que ainda estrutura o trabalho e a vida no Brasil.</p>



<p>A luta pelo reconhecimento da maternidade como trabalho não é apenas uma reivindicação por direitos — é uma convocação para reorganizarmos a sociedade em torno do cuidado e da vida. Por isso, não basta denunciar. É hora de agir. É hora de legislar. E de fazer do cuidado uma política de Estado. A maternidade é trabalho. E precisa virar lei.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*É jornalista e doutoranda em políticas públicas pela UFRGS. Foi a vereadora mais jovem de Porto Alegre, deputada federal mais votada do Brasil e deputada estadual mais votada em 2014.</strong></p>
<p>**<strong>Vereadora de Olinda, advogada e mestra em desenvolvimento urbano.</strong></p>
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		<title>As mães do Córrego do Sargento não vão ganhar o presente que mais desejam</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 May 2025 18:59:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Córrego do Sargento]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era noite de segunda-feira quando fomos à sala ao cômodo onde funciona o Sargento Perifa, no Córrego do Sargento, uma das mais atuantes organizações da sociedade civil na zona norte do Recife. Na semana que antecede ao Dia das Mães, as mulheres da comunidade foram convidadas para participar de uma roda de conversa sobra o [&#8230;]</p>
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<p>Era noite de segunda-feira quando fomos à sala ao cômodo onde funciona o Sargento Perifa, no Córrego do Sargento, uma das mais atuantes organizações da sociedade civil na zona norte do Recife. Na semana que antecede ao Dia das Mães, as mulheres da comunidade foram convidadas para participar de uma roda de conversa sobra o que é ser uma mãe negra na periferia do Recife.</p>



<p>O encontro seria mediado por uma psicóloga experiente, Ceça Costa, ela também uma mulher negra, ex-presidente do Conselho Regional de Psicologia.</p>



<p>A verdade é que equipe da Marco Zero não estava ali para cobrir a reunião. Nosso objetivo original era captar algumas imagens e conversar com algumas mulheres para uma pauta bem diferente, mas isso não durou muito.</p>



<p>Quando a mediadora pediu uma voluntária para fazer a fala de abertura, Lidiane, que aos 36 anos é mãe solo de três moças, adolescentes, e de um bebê com meses de vida, se ofereceu para falar. A contundência de suas palavras mudou a razão de nossa visita e deu o tom da conversa que viria a seguir.</p>



<p>Aquelas 40 mães e avós, que largaram a novela da televisão e interromperam as urgências do lar, não estavam ali para ouvir dicas de saúde, de alimentação ou educação. Tampouco tinham disposição para temas abstratos ou discutir o reino dos céus, mesmo a maioria evangélica.</p>



<p>O que Lidiane Maria da Paixão Silva colocou – ou melhor, arremessou com força &#8211; na roda de conversa foi a brutalidade da Polícia Militar de Pernambuco nas escadarias e becos. Quem lê essas linhas no sofá de um apartamento no Espinheiro ou em uma varanda ventilada de Setúbal, provavelmente, vai questionar “ora, a PM não vai combater o tráfico com flores&#8230;”.</p>



<p>Para a classe média, progressista ou reacionária, violência policial é uma abstração ou uma realidade distante, quase uma guerra na Ucrânia. Por isso, no dia das Mães, talvez seja melhor se dedicar à leitura de textos inspiradores sobre a maternidade ou apreciar a cara de satisfação da mãe ou esposa com o presente comprado no shopping.</p>



<p>Para as mulheres do Córrego do Sargento, o desrespeito é diário, as humilhações e o medo são constantes.</p>



<p>A psicóloga nem precisou estimular o debate com técnicas de dinâmica de grupo, uma a uma as vozes das mulheres iam se alternando. Elas estavam ansiosas para falar.</p>



<p>Uma delas, avó com mais de 70 anos, contou que teve a porta derrubada a pontapés no meio da madrugada por policiais que procuravam alguém que eles sabiam que não vivia ali.</p>



<p>Outra, bem mais jovem, relatou a vez em que os PMs encapuzados atirando quando no meio da tarde, quando crianças brincavam na escadaria na frente das casas.</p>



<p>Uma terceira, também avó, falou que esticou as mãos e gritou “me prenda, vá, me prenda”, quando um oficial ameaçou prendê-la por desacato por ter se queixado dos tiros disparados sem direção nem necessidade.</p>



<p>“Aqui é um dos poucos lugares que tenho pra falar. Uma empregada doméstica como eu não tem muito a oportunidade de ser escutada”, explica Lidiane, cuja filha se prepara para ser jornalista, enquanto o caçula é um bebê de colo. Ela perdeu o emprego quando informou à patroa que estava grávida.</p>



<p>No meio da discussão, surge o nome de um policial. Trata-se de homem que, há anos, aterroriza as comunidades da zona norte. A descrição de seu comportamento mais parecem com a de um psicopata ou um sádico em pleno surto, jamais de um “agente da lei”. Ele esfrega canos de pistolas nas bochechas de mulheres grávidas, destrói portas e janelas a qualquer hora, invade qualquer casa ou barraco quebrando móveis; rouba celulares de adolescentes, espanca crianças. E isso não é nem o começo.</p>



<p>Os córregos e altos do Recife ignoram a existência do mandado judicial. A Justiça de Pernambuco ignora a existência e os direitos de quem vive nos córregos e nos altos da capital.</p>



<p>É por isso que Eliane Lira, avó de 59 anos, aquela que não teve medo de ser algemadas pelo oficial, quer um apito dos mais estridentes no bolso de todas aquelas mães. Um apito que possa soar para alertar e unir a comunidade quando a PM invadir a casa de uma vizinha ou ameaçar quem quer seja. Em um córrego vizinho, o do Euclides, os apitos avisam quando uma mulher está sendo vítima de violência doméstica, lembram as participantes.</p>



<p>“Precisamos nos ajudar e ajudar até quem é errado, pois para eles basta ser preto para estar errado. Se é pra prender, que prenda, mas não precisa estourar a cabeça do preso na parede como fazem sempre”, brada Eliane. </p>



<p>Perto do fim da reunião, várias mulheres admitiram que todas precisam agir como Sueli, a vizinha que está sempre disposta a ajudar as demais, aquela que todas consideram como a amiga mais leal. Ela pede a palavra e aponta que todas precisam caminhar juntas para garantir seus direitos.</p>



<p>Mais de uma voz disse que, tanto as evangélicas quanto as do candomblé estão sujeitas aos mesmos ataques da PM. A união independe das crenças de cada uma.</p>



<p>É provável que, neste domingo, a maioria das mulheres daquele grupo que se reuniu na noite de segunda-feira receba presentes ou lembrancinhas dos seus filhos e filhas. No entanto, o presente que mais desejam – o respeito do poder público – não virá neste Dia das Mães.</p>
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		<title>Não existe Dia das Mães em presídio feminino</title>
		<link>https://marcozero.org/nao-existe-dia-das-maes-em-presidio-feminino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 May 2023 18:59:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
		<category><![CDATA[encarceramento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Pedro Paz* Em 15 de março deste ano, iniciei apuração jornalística acerca da tese de doutoramento de minha amiga, antropóloga e oficial da justiça Núbia Guedes, sobre o encarceramento em massa de mulheres, sobretudo mulheres negras, defendida em 29 de novembro do ano passado, sob orientação da professora e pesquisadora Flávia Pires, com o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Pedro Paz*</strong></p>



<p>Em 15 de março deste ano, iniciei apuração jornalística acerca da tese de doutoramento de minha amiga, antropóloga e oficial da justiça Núbia Guedes, sobre o encarceramento em massa de mulheres, sobretudo mulheres negras, defendida em 29 de novembro do ano passado, sob orientação da professora e pesquisadora Flávia Pires, com o intuito de divulgar seus principais resultados por meio de alguma mídia independente, assim como a Marco Zero Conteúdo.</p>



<p>Em 26 de abril, assisti ao lançamento do livro <a href="https://www.editorafi.org/ebook/698-praticas-comunicativas"><em><u>Práticas comunicativas na pesquisa científica no cárcere</u></em></a>, organizado pelas professoras e pesquisadoras na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Josilene Ribeiro e Suelen Brito. Núbia participou como debatedora e, embora tenha assistido à defesa da sua tese, me impressionaram novos detalhes acerca de como é um dia de domingo em uma prisão feminina.</p>



<p>Nesta última terça-feira (9), ao dialogar com minha também amiga, professora e colega de doutorado Renálide Carvalho sobre a qualidade estética da tese da Núbia e sua capacidade de estabelecer relações e significados ao que observa, lembrei-me de que, no debate do lançamento do livro, ela destacou diferenças entre os dias de domingo em um presídio feminino e em um presidio masculino. Por exemplo, há mais movimentação no comércio local, no entorno de presídios masculinos, por conta de um maior trânsito de pessoas. De todo modo, em ambos os casos, os dias de domingo são reservados à visitação de familiares, companheires e entes queridos.</p>



<p>Imediatamente a solicitei, por meio de mensagem no WhatsApp, breve relato sobre como é o Dia das Mães em um presídio feminino. A pedi não só por que o Dia das Mães deste ano será celebrado no próximo domingo (14). Mas principalmente pelo fato de julgar que as pessoas precisam saber o que acontece nesse importante dia para nossa cultura, em um espaço marginalizado como um presídio feminino.</p>



<p>Para início de conversa, não há Dia das Mães em um presídio feminino. Enquanto celebramos o segundo domingo de maio em nossas casas, superlotamos restaurantes ou vamos ao cemitério para rememorar aquela que cuidou da gente, imperam o vazio, o silêncio, a tristeza, a solidão nos presídios femininos, uma espécie de punição secundária, assim como ocorreu durante a pandemia de covid-19, quando as visitas foram interrompidas.</p>



<p>Segundo Núbia Guedes, o Dia das Mães em um presídio feminino é comumente celebrado antecipadamente, assim como o Domingo de Páscoa, porque as mães dos agentes do sistema penitenciário são, no entendimento das administrações, mais importantes. Definitivamente, não é a mesma coisa comemorar o Dia das Mães antecipadamente, pelo simples fato de não acontecer de modo simultâneo aos demais grupos sociais. Em tempos nos quais os registros podem ser compartilhados através de redes sociais digitais, o fato de não ocorrer no mesmo dia faz uma diferença danada.</p>



<p>“No Dia das Mães, as crianças não visitam as suas mães. De forma enfática, não há comemoração no dia culturalmente estabelecido em nossa sociedade, o segundo domingo de maio. É uma maneira de esvaziar de significado o valor mãe para uma mulherprisioneira”, avalia Núbia.</p>



<p>Se houvesse Dia das Mães nos presídios femininos, ele seria ao menos como um domingo comum, vivenciado e etnografado por Núbia, no qual as mães presidiárias estenderiam seus lençóis no chão, para receber seus filhos, com o intuito de simular um lar e gerar algum sentimento de pertencimento aos seus filhos, geralmente na companhia das suas avós.</p>



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<p>Na visita, sobre os lençóis, como em um piquenique, enquanto conversas, beijos e abraços vão e vêm, repousariam frutas, biscoitos, sanduíches, sucos e petiscos, alimentos fáceis de comer, de preferência com as mãos, sem a necessidade de utensílios, que certamente seriam barrados na revista das crianças e avós. Repousariam sobre chão de cimento, em vez de grama. E sem ar livre. Porque não há qualquer tipo de liberdade em um presídio feminino.</p>



<p>“As dádivas trazidas pelas famílias amainavam a dor dilacerante do cárcere. Nesse dia, as famílias, com muita alegria, sentimentos expressos pelos corpos, com emoções causadas pelo bom encontro, aumentavam a potencialidade de existir daquelas subalternas”.</p>



<p>A pandemia legitimou uma prática já encontrada no sistema: o interdito da visita da família, critica Núbia. A maternidade, portanto, foi empurrada para a solidão. “Em nome de uma prolatada biossegurança, o Estado restringiu a visita. Assim, as mulheres não tiveram interação no domingo, dia observado como o dia de maior potencialidade entre as famílias das prisioneiras, principalmente, para as crianças”.</p>



<p>Na sua análise, Núbia descreve a visita como uma confraternização de famílias pobres, marginalizadas, algumas abaixo da linha de pobreza. “Nas agruras da prisão, por mais sofrimentos sentidos em contextos diversos, a visita da família no dia de domingo se faz “unguento” na dor causada pelo encarceramento, mas ainda consubstancia a única forma de humanização da pena encontrada, dado observado como um fator macrossocial”.</p>



<p>Por curiosidade, resolvi verificar o que tem, sobre o Dia das Mães em presídios femininos, no <em>Google</em>, principal motor de busca no mundo e atualmente investigado no Brasil por campanhas contra a PL das Fake News. Encontrei nada, exceto notícias sobre Suzane von Richthofen ter deixado a prisão para “saidinha” temporária de Dia das Mães, em 2019, e apenas uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=RHLtXs3NzEE"><u>reportagem</u></a> acerca do Dia das Mães no Complexo Penitenciário de Ponte Nova, em Minas Gerais, produzida pela TV Educar, em 2017.</p>



<p>Assim como relata Núbia, no material jornalístico, fica evidente que a data fora celebrada dias antes da culturalmente estabelecida. Apenas cinquenta presas participaram da ação promovida pela direção do presídio, em parceria com a Defensoria Pública, Pastoral Carcerária e Igreja Universal, visando humanização. As outras encarceradas foram privadas da atividade. Praticamente não há figuras masculinas nas imagens, como maridos, pais, irmãos, tios. Há majoritariamente presas, crianças e avós cercadas de arame farpado nos elevados muros rosas do presídio, cor que marca a identidade de gênero daquelas que ali estavam enclausuradas.</p>



<p>Vale a pena reproduzir algumas das entrevistas porque elas dão a tônica da experiência de ser uma presa que tem filho(s). Em uma delas, Ivanir diz: “Gostaria de dizer a ela [sua filha] que eu amo ela muito, muito, e que hoje seria uma dia muito melhor do que todos que eu tô passando aqui se ela pudesse ter vindo me abraçar, que eu sinto o cheiro dela todos os dias e que explicar pra ela que o motivo de eu estar aqui não é isso que ela pensa, pra ela continuar sendo essa filha maravilhosa, filha obediente que ela é, dizer pra ela que eu amo ela do fundo do meu coração”.</p>



<p>Paola, também presa, falou: “Ter meu filho nos meus braços é a melhor coisa que tem, porque o amor de mãe por um filho é inexplicável e pelo tempo que eu tô sem ver ele também, tem seis meses que eu tô presa aqui, eu tinha visto ele no mês de dezembro e foi muito dolorido ele chagando aqui e me rejeitando, porque ele não me queria, porque tinha desacostumado comigo, e me doeu muito um filho rejeitar a mãe. Dói demais. Só tenho a agradecer por ele estar comigo neste momento”.</p>



<p>Katierry não tinha mais mãe e chamou sua tia de anjo por cuidar da sua filha. Cristina estava há quatro anos sem ver seu filho, que não compareceu ao evento. Chorando, disse que daria sua vida para estar perto dele. Erika aproveitou a câmera para se declarar para sua mãe e jurar que iria mudar. Viviane, Sheila, Roseli e Bruna enviaram mensagens de amor para seus filhos.</p>



<p>Tanto Diva quanto João estavam presos. Os presídios ficam próximos, mas só puderam se encontrar naquele dia. Gilmária utilizou a entrevista para se defender: “Não precisa sentir vergonha nem ódio de mim não. Por eles [seus filhos], é amor de mãe, puro e verdadeiro. Fui presa por um homicídio que não cometi. Eu só simplesmente assumi, porque não tem condição de uma pessoa sozinha ter feito uma brutalidade que o delegado jogou nas minhas costas”. A família de Martha não pôde ir. Ela disse que se sentia muito sozinha.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dupla prisão</strong></h2>



<p>Núbia Guedes é hoje doutora pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia (PPGA) da UFPB. Ela entente que as prisões brasileiras são espaços de segregação, de higienização social dos corpos consideráveis abjetos e indesejáveis pelo sistema do capital de produção. Para ela, a prisão é mais árdua para as mulheres do que para os homens, porque as mães prisioneiras têm seus direitos à maternidade suprimidos.</p>



<p>“A mulher, quando comete crime, sofre preconceito em relação à maternidade, é atravessada por discursos estigmatizantes praticados pelos agentes de Estado e pela sociedade no tocante ao seu papel social de mãe, tendo em vista que são impedidas de vivenciarem os afetos de seus filhos, por conta de todo um sistema punitivo, aspecto evidenciado pelo castigo da proibição de visita”.</p>



<p>Núbia relata que as prisioneiras a revelaram que ser mulher e estar presa é “tirar duas cadeias”. Ou seja, na prática, é uma dupla prisão, pois são confinadas da própria liberdade e da convivência com os filhos.</p>



<p>Muitas dessas mulheres são presas por suposta associação ao tráfico ou por irrisórios roubos para dar de comer a seus filhos. “As mães presas com quem tive contato durante todo o meu percurso de pesquisa foram observadas como boas mães. São mães que têm amor e zelo por seus filhos, na maioria, crianças. O fato dessas mulheres ingressarem em crimes com uso ou não de violência na prática delituosa não se interliga com a qualidade de mãe no sentido de bons cuidados e afetos”, defende Núbia.</p>



<p>Na visão da antropóloga, o sistema carcerário capitaliza os sentimentos da mulher prisioneira, porque a pena é intensificada e ultrapassa a reprimenda do crime, pelo fato de os filhos também serem castigados, ao terem a convivência com a mãe restringida. “Nesse sentido, o Estado encarcera a maternidade e as crianças são atravessadas pela prisão sob o corolário da burocracia”.</p>



<p>O Brasil é o país com o 3° maior número de mulheres presas no mundo. Fica atrás apenas de EUA (211 mil) e China (145 mil), segundo dados divulgados em outubro do ano passado, na <a href="https://www.prisonstudies.org/sites/default/files/resources/downloads/world_female_imprisonment_list_5th_edition.pdf"><u>quinta edição </u></a><a href="https://www.prisonstudies.org/sites/default/files/resources/downloads/world_female_imprisonment_list_5th_edition.pdf"><em><u>do World Female Imprisonment List</u></em></a>, levantamento global sobre mulheres presas realizado pelo Instituto de Pesquisa em Políticas Criminal e de Justiça (ICPR), da <em>Birkbeck College</em>, Universidade de Londres, no Reino Unido.</p>



<p>De acordo com o estudo, o número de mulheres presas quadruplicou desde os anos 2000, no país. Com esse aumento, o Brasil chegou a 42 mil presas, ultrapassando a Rússia (37 mil), atualmente na quarta posição.</p>



<p>No Brasil, 74% das mulheres presas são mães e 56% têm dois ou mais filhos, segundo dados do <a href="https://www.gov.br/mj/pt-br"><u>Ministério da Justiça e Segurança Pública</u></a>, em 2018. Entre as presas brasileiras, 63,5% são mulheres negras, 47,3% são jovens e 51,9% têm apenas o Ensino Fundamental Incompleto.</p>



<p>Informações de 2018 do <a href="https://www.cnj.jus.br/"><u>Conselho Nacional de Justiça (CNJ)</u></a>, a partir de registros no CadÚnico, mostraram que a renda familiar mensal per capita de mulheres presas era de R$ 40, enquanto a de mulheres não presas era de R$ 100.</p>



<p>No país, três a cada cinco mulheres presas respondem por crimes relacionados à Lei de Drogas, conforme o <a href="https://dados.mj.gov.br/dataset/infopen-levantamento-nacional-de-informacoes-penitenciarias"><u>Infopen (Sistema de informações estatísticas do sistema penitenciário brasileiro)</u></a>, em 2018. No mundo, a população prisional feminina cresceu 60%, nos últimos 20 anos, somando 740 mil mulheres.</p>



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		<title>A travesti que virou mãe e a família que devia acabar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 May 2021 14:45:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
		<category><![CDATA[gênero]]></category>
		<category><![CDATA[mães trans]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade trans]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Amanda Palha* Passava um pouco das 19h daquela sexta-feira quando tudo na casa aquietou. Uma luz forte que entrava pela janela entreaberta rasgava o escuro do quarto de casal e repousava sobre o corpo de Apollo, que era temporariamente a única fonte de algum som. Uma pausa, então um grito que anunciou a primeira [&#8230;]</p>
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<p>Por <strong>Amanda Palha</strong>*</p>



<p>Passava um pouco das 19h daquela sexta-feira quando tudo na casa aquietou. Uma luz forte que entrava pela janela entreaberta rasgava o escuro do quarto de casal e repousava sobre o corpo de Apollo, que era temporariamente a única fonte de algum som. Uma pausa, então um grito que anunciou a primeira das últimas contrações. Gradualmente, o cômodo passava a ser habitado por um ser a mais, que ganhava lentamente espaço ao ar livre. Sincronicamente, uma luz dourada começou a brotar no nosso peito, claramente visível atravessando nossa pele, e a gravidade no ambiente pareceu se alterar. Enquanto Linda Leone saía, a luz se expandia gradualmente para as extremidades e nosso corpo, notamos, já não tocava mais o chão. Um forte coro de trompetes acompanhou a saída definitiva do bebê, enquanto nossos corpos levitavam no centro do quarto e a luz que vinha da janela era interrompida pelo vulto de anjos, espíritos e entidades diversas. Até o Sagrado Feminino tentou aparecer, mas ficou um pouco confuso e não chegou a entrar. A parteira, com os cabelos a um vento invisível, ergueu Linda como Simba em nossa direção e a luz do nosso corpo explodiu, lançando-nos à cama, gravidade restaurada, de almas expurgadas.</p>



<p>Estávamos então lá, nós três: pai, mãe e filha, três seres completamente novos. Senti tudo novo. Eu não queria mais o fim da Família, não me sentia mais inegociavelmente feminista e a revolução parecia, ali, uma palavra antiga que o tempo enrugou. A criança nasceu e renasci com ela, quase que exorcizada. A travesti, enfim, virou mãe.</p>



<p>***</p>



<p>Porém não.</p>



<p>Teve muito grito, muito sangue, muita dor. Teve muita violência também. Nove meses de violência, aliás. Institucional, obstétrica, social. E mais um tanto depois. E teve beleza, também, teve muita beleza. E um tanto de apoio e empatia, aqui e ali. E certamente nos transformou e nos transforma todos os dias. Violentamente, aliás. Valores, noções de tempo e espaço, noções de “eu” e de “nós” são desestabilizados a cada passo mais firme que a cria dá. Sinto que é muito como um luto, até. Mas uma coisa que o processo de se tornar mãe <strong>não</strong> é, certamente, é uma redenção.</p>



<p>E alguém pode dizer “óbvio que não!”, mas imagino que outras mães LBT entendam ao que me refiro quando falo das expectativas, a nosso respeito, da maternidade como redenção. Alguns pais GBT também, sobre paternidade. E trabalhadoras do sexo. E mais um tanto de gente, mas o ponto é: o estigma de marginalidade moral, impresso em vidas vistas como devassas, perniciosas, infecciosas até, tropeça de repente nessa coisa romantizada e sacralizada que é a maternidade. A única conclusão possível para o olhar coletivo, moralmente e estruturalmente condicionado &#8211; cristão até quando ateu, inclusive &#8211; é a expectativa de redenção.</p>



<p>“Fulana é lésbica, mas tá com Cicrana e tão até tentando ter filho!”. “Beltrano é gay, mas é super tranquilo, ele e o companheiro tão até pensando em adotar”. “É travesti mas tem uma vida direita, tem família e tudo”.</p>



<p>“São meio diferentes, mas são gente de bem”.</p>



<p>***</p>



<p>No meu caso, esse caldo de expectativas e cobranças exorcísticas envolvendo a maternidade foi jogado pra cozinhar numa panela muito estranha: foi enquanto meu companheiro gestava, no início do ano passado, que viralizaram recortes de um vídeo onde eu afirmava que deveríamos, sim, lutar para destruir a família.</p>



<p>Trata-se de excerto de um debate em que participei no seminário Democracia em Colapso, da Editora Boitempo, em 2019. Recortado de uma debate de duas horas, o trecho de alguns segundos rodou portais evangélicos, perfis de influenciadores cristãos e líderes religiosos e mesmo de candidatos à vereança, sempre acompanhado de ofensas pessoais e teorias conspiratórias sobre uma “ditadura da ideologia de gênero” ou algo assim. Meus canais de comunicação ficaram lotados de ofensas e ameaças de todo tipo.</p>



<p>De repente, virei “a travesti que quer destruir a família”.</p>



<p>Só que a travesti-que-quer-destruir-a-família também é a travesti-que-virou-mãe. E a travesti-que-virou-mãe, tão perto, tadinha, de ser purificada pela maternidade, falou que quer destruir a família!</p>



<p>Para grande parte de quem saiu em minha defesa naquele processo, a conclusão foi simples: “é que a Amanda se referia à família tradicional, né, essa coisa normativa”. Justifica tudo, né? Afinal, se ela está formando uma família, então não poderia ser contra qualqueeer família&#8230; Ela agora até é mãe!</p>



<p>Equivocam-se, ainda que com boas intenções. Minha posição política nunca foi “contra a família tradicional”, foi contra a família. E eu sei que é menos palatável assim, e que é até mais difícil de me defender por isso, mas é o que é. E não só minha, aliás, porque eu não inventei nenhuma roda sobre isso. São fartas as produções teóricas e políticas sobre o problema da família como instituição, como forma de organizar a vida e a reprodução na nossa sociedade. Não “a família tradicional conservadora”, como se fosse uma questão do tipo de família. A Família, essa forma insalubre e violenta de organizar socialmente a produção industrial de corpos mercadoria.</p>



<p>Se a expectativa era a de que a maternidade me amaciasse sobre isso, preciso contar que a travesti-que-quer-destruir-a-família e a travesti-que-virou-mãe são na verdade amicíssimas! Cada dia na rotina com Linda me comprova o quanto essa instituição é violenta. Física, emocional e psicologicamente violenta. Me faz pensar que é preciso muito condicionamento coletivo, muito reforço ideológico e muita coerção social pra sustentar a ideia de que essa é uma forma saudável de organizar a vida social: uma ou duas pessoas, associadas, últimas responsáveis pela manutenção da própria vida e da garantia de sobrevivência, formação, educação e criação de uma criança. A quantidade de trabalho envolvida nisso – tanto remunerado, quanto doméstico, quanto emocional – é absurda e não só incompatível com uma vida saudável, como também absolutamente inviável de ser dada conta com qualidade.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Apolo, Amanda e Linda. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A gente erra o tempo todo. Erra com nós mesmos. Erra um com o outro. Erra com ela. É um sistema que não é feito pra funcionar bem, só pra funcionar, a pulso mesmo.</p>



<p>É preciso muito condicionamento e violência para nos convencer de que se trata de um sacrifício lindo e natural, ao ponto de nos impedir de sonhar (ou lembrar) formas outras de dar conta da vida coletiva. Formas outras de cuidar, de criar, de compartilhar e de viver.</p>



<p>Eu posso ter “virado mãe” quando Linda nasceu, mas a gente vai sendo feita mãe desde cedo. Desde sempre. Mesmo pela negação e pela marginalização – e nosso caso, LBTs, quase sempre pelo segundo. Desde sempre somos ensinadas pelo mundo que a família é o grande referencial do bom e do bem; que a adequação a essa instituição é o termômetro para a felicidade; que esse é o destino natural de todo mundo; que desviar das suas normas nos faz sujas, nos custa violências e violações; que essa instituição é a fonte última de sentido para nossas vidas; que ser quem a gente é ofender essa instituição; mas que essa instituição sempre estará lá para nos redimir.</p>



<p>Mas sabe? Não existe realmente redenção. O nascimento de Linda não cicatriza as feridas que me trouxeram até aqui, nem as de Apollo; não me blinda das violências que a sociedade reserva para corpos como o nosso e certamente não arrefece meu desejo e meus esforços de revolução. Pelo contrário, só os fortalece. Criar Linda me faz querer mais do que nunca destruir a família, para que ela e as próximas possam conhecer outra forma de viver.</p>



<p>Porque a mão do meu companheiro segurando a minha, não é sobre “família”, é sobre carinho e cumplicidade. O respirar tranquilo da minha filha quando deita no meu colo é sobre um bem-querer que explode o peito. O cheiro tranquilizante do colo de mainha é sobre segurança e gratidão. A vontade de estar junto, o querer bem, o amor se assim quiser chamar, nada disso &#8220;é&#8221; família. Apenas &#8220;estão&#8221;. E por estarem hoje, “família”, estão também cheios de coisas que não são. É para que um dia possam ser plenos que precisamos construir outras formas para eles estarem.</p>



<p><strong>* Amanda Palha é travesti, bissexual, mãe, feminista e anticapitalista. É educadora popular e Trv. em estudos de gênero.</strong></p>
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		<title>Mães lésbicas e trans se impõem contra preconceito</title>
		<link>https://marcozero.org/maes-lesbicas-e-trans-se-impoem-contra-preconceito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 May 2021 10:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
		<category><![CDATA[mães lésbicas]]></category>
		<category><![CDATA[mães trans]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste domingo (9), as redes sociais serão tomadas por fotos, vídeos e hashtags em homenagem a muitas mulheres. Na televisão e no rádio, peças publicitárias vão explorar famílias felizes, na tentativa de vender seus produtos, afinal de contas é Dia das Mães &#8211; historicamente a segunda melhor data para o comércio, só perdendo para o [&#8230;]</p>
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<p>Neste domingo (9), as redes sociais serão tomadas por fotos, vídeos e hashtags em homenagem a muitas mulheres. Na televisão e no rádio, peças publicitárias vão explorar famílias felizes, na tentativa de vender seus produtos, afinal de contas é Dia das Mães &#8211; historicamente a segunda melhor data para o comércio, só perdendo para o Natal.<br><br>Este será o segundo Dia das Mães em meio à pandemia do coronavírus, então boa parte das mensagens, sobretudo as comerciais, deverão trazer em seu contexto as recomendações sanitárias para prevenir a covid-19. Outra certeza são os formatos de famílias e as figuras maternas que tenderão a ser representados nesses comerciais.<br><br>O que também ainda é tradição neste domingo é o movimento de invisibilização das mães lésbicas e das mães que são mulheres trans. Umas são críticas à data “por ser mais uma oportunidade de exploração do capitalismo”, já outras acham “importante a comemoração”. O que todas elas concordam, é que o Dia das Mães é uma oportunidade para visibilizar todas as configurações familiares e de “lutar contra a discriminação”.<br><br>A professora Layla Pereira Sampaio, 33, engravidou há 9 anos, depois de uma noite com um amigo. Já consciente da sua orientação sexual e tendo após isso apenas relacionamentos com outras mulheres, ela só soube da gestação quando estava no quinto mês, depois de desconfiar do ganho de peso e procurar um ginecologista. Na época, Layla tinha concluído a graduação em matemática e se preparava para a seleção de mestrado fora do Brasil.<br><br>“Embora não estivesse nos meus planos, recebi a notícia da gravidez com tranquilidade. No dia seguinte à confirmação, comuniquei ao meu amigo, agora pai da minha filha Luiza, e de imediato começamos a organizar tudo para a chegada dela”, lembra Layla.<br><br>Desde então, todas as consultas e demais compromissos que envolvam a pequena Luiza, os dois cumprem juntos, tudo é dividido. “Com Lulu eu percebo que o preconceito aparece quando eu conto nossa história a quem não nos conhece, aí sempre se referem ao pai dela como meu ex-marido ou ex-namorado, mesmo explicando que sempre fomos amigos”, conta.<br><br>Há quase três anos, Layla começou a namorar a veterinária Isabel Sampaio, 33. Desde o início da relação, Bel, como é chamada, externou seu desejo de ser mãe estando em um relacionamento ou não. Pouco depois de um ano de casadas resolveram fazer uma inseminação caseira a partir do semen de um doador anônimo. A intervenção deu certo e Lília está para chegar em junho.</p>



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	                                        <p class="m-0">Para Layla (d), o Dia das Mães tem sido uma data para o consumismo e deveria ser encarado como &#8220;mais um dia importante de luta&#8221;. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Sofremos discriminação com três obstetras, ou insistiam na pergunta de quem era o pai, mesmo nós explicando que não tinha pai e sim um doador, ou questionando se eu era a amiga que estava acompanhando Bel e não sua esposa. É diferente do que aconteceu com Luiza, mas a raiz é o mesmo preconceito”, afirma Layla.<br><br>Para a professora, o Dia das Mães já deveria ter sido substituído oficialmente pelo Dia da Família. Do jeito que é, para ela, não passa de uma data para o consumismo. “Há vários formatos de família, inclusive, sem mãe. Imagine o sofrimento de uma criança na escola, por exemplo, como os filhos do ator Paulo Gustavo? Entendo que esta data precisa ser mais um dia importante de luta”, diz</p>



<h1 class="wp-block-heading">Reconhecimento</h1>



<p>Lutar é um dos verbos que fazem parte do vocabulário da líder comunitária, em Garanhuns (PE), Renata Alexsandra Gonçalves de Souza, 44. “Infelizmente nasci no corpo errado”, afirma a primeira mulher trans da cidade do agreste pernambucano.<br><br>Antes de completar 18 anos e tomar a decisão de fazer o processo de transição para o gênero que sempre se identificou, Renata foi casada com uma mulher, desde os 14 anos, com quem teve quatro filhos. “Por preconceito do meu pai e da minha família tradicional do município, ele colocava na minha cabeça que eu tinha que ser homem”, relembra.<br><br>Por quase 30 anos, Renata viveu se apresentando como era, uma mulher, mas oficialmente nos documentos os dados eram masculinos. A retificação dos registros oficiais é mais um dos problemas enfrentados por pessoas trans e que muitas vezes serve de instrumento para a discriminação.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Renata diz que ser mãe independe do sexo biológico: &#8220;é muito forte, não é pra qualquer uma&#8221;. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Renata é chamada de pai pelos dois casais que são seus filhos e têm entre 24 e 28 anos. Além deles, ela já é avó de seis crianças.<br><br>“O Dia das Mães é uma data muito importante para nós mulheres trans e para todas as outras mulheres que também são mães. Ser mãe é algo muito forte, não é para qualquer uma e isso não depende do sexo biológico. É também uma data de reconhecimento para todas nós que assumimos a maternidade”, declara.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Espaço e visibilidade</h2>



<p>É numa casa, na cidade de Salgueiro, sertão de Pernambuco, que o Dia das Mães também ganha o sentido de resistência. A autônoma Adriana Gomes da Silva, 38, nunca pensou em gerar uma criança, mas sonhava em ser mãe por adoção. Quis o destino que ela não tivesse um, mas quatro filhos.<br><br>Adriana foi casada por 17 anos com outra mulher com quem criou o filho Davi, adotado de uma família do mesmo município. O casal participou de todo processo gestacional, consultas de pré-natal, compra de enxoval, preparação de quarto e até levou a mãe biológica à maternidade.<br><br>“Costumo dizer que Daniel é um presente de Deus. Aqui, por ser interior, é muito mais complicado para a pessoa homossexual assumir, não sofremos violência física, mas já fomos vítimas de muito preconceito. Uma vez na escola, um colega disse que ao meu filho que era para ele se afastar porque ele tinha duas mães. Conversamos com a professora e a família do menino e resolvemos a questão, hoje temos uma boa relação. Mas sabemos que nem sempre é assim”, conta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/05/Adriana-Gomes-da-Silva-e-a-esposa-Cristiane_-1_.jpg" alt="Adriana Gomes da Silva e a esposa Cristiane" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Cristiane e Adriana estão casadas há 5 anos e juntaram os quatro filhos. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><br>Adriana ficou viúva e casou novamente há cinco anos com Cristiane, que já tinha três filhos, hoje com 18, 21 e 23 anos. “Não vemos a mídia mostrar família como a nossa e é importante que a gente apareça também no Dia das Mães porque as pessoas ainda julgam muito quem é homossexual. A partir do momento que as pessoas passam a conhecer, entender, acaba o preconceito. Aqui conquistamos o nosso espaço e podemos andar pela rua de mãos dadas, mas sei que na maioria dos lugares não, por isso é muito importante essa visibilidade”, explica.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Esta reportagem é uma produção do Programa de Diversidade nas Redações, realizado pela Énois – Laboratório de Jornalismo Representativo, com o apoio do Google News Initiative”.</em></p></blockquote>



<p><br></p>
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