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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>“Tecendo o futuro com as próprias mãos”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jun 2025 22:35:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[artesanato]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que tem em comum entre uma bolsa de palha de carnaúba trançada em Cabreiro de Cima, distrito de Aracati (CE), e uma bolsa de crochê produzida na Casa de Maria, em Jaboatão dos Guararapes (PE)? Além de belíssimas, as duas peças são exemplos de como o trabalho manual, aliado a uma boa dose de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/tecendo-o-futuro-com-as-proprias-maos/">“Tecendo o futuro com as próprias mãos”</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que tem em comum entre uma bolsa de palha de carnaúba trançada em Cabreiro de Cima, distrito de Aracati (CE), e uma bolsa de crochê produzida na Casa de Maria, em Jaboatão dos Guararapes (PE)? Além de belíssimas, as duas peças são exemplos de como o trabalho manual, aliado a uma boa dose de empreendedorismo, vem gerando renda e empoderando dezenas de mulheres brasileiras.</p>



<p>São duas realidades bem diferentes uma da outra, mas, ao serem mostradas e colocadas lado a lado, elas se somam e ajudam a pintar um quadro mais completo da potência transformadora do artesanato no Brasil. Estamos falando de Aracati e seu entorno e da Casa de Maria, mas poderia ser de qualquer outro lugar do país.</p>



<p>Vamos começar a história por Cabreiro de Cima, ou melhor, por Natália Sena Costa. Nat, como é mais conhecida, tem trinta anos e trabalha com palha há sete, incentivada pela tia Socorro Saboia, 62 anos, que, por sua vez, aprendeu o ofício com a mãe. Como muitas das meninas da região, começou fazendo descanso de panela e depois passou para bolsas e cestos que são peças mais elaboradas. Tudo feito com palha de carnaúba, palmeira-símbolo do Ceará e principal matéria-prima para o artesanato da região.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Nat, a sócia Vanessa e tia Socorro. Foto: Inês Campelo/MZ
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O que diferencia Nat da maioria das mulheres que fazem trabalho com palha é a visão empreendedora. Antes do artesanato, ela já era ativa no Instagram, com uma conta sobre autoaceitação de pessoas com deficiência. Aqui cabe uma explicação: Natália nasceu com uma malformação na coluna vertebral chamada de escoliose. Em 2018, ela levou a experiência digital para o artesanato e abriu uma loja virtual. “Pesquiso tudo no Instagram. Sou muito curiosa. Aprendi sobre tráfego pago e estou usando. As vendas cresceram muito.”</p>



<p>Nat é uma influenciadora do bem. Somando seu perfil pessoal (<a href="https://www.instagram.com/costa_natt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@costa_natt</a>) e o profissional (<a href="https://www.instagram.com/natartartesanato/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><a href="https://www.instagram.com/natartartesanato/#">natartartesanato</a></a>) já está batendo os 100 mil seguidores. Mas ela não ficou apenas no “virtual”. “Com a paixão pelo artesanato e a vontade de empreender, decidi reunir as mulheres artesãs da minha família e criar a empresa Nat Art Artesanato em novembro de 2018. Minha primeira venda em atacado foi no mês seguinte”.</p>



<p>Natália começou seu negócio muito mais na intuição. “Comecei sem plano nenhum e ao longo dos meses as vendas foram aumentando”. Mas ela viu que só intuição, talento e boa vontade não seriam suficientes. Foi aí que resolveu investir em formação profissional. Fez vários cursos, entre eles o Empretec, uma metodologia criada pela ONU, oferecida pelo Sebrae no Brasil, com o objetivo de desenvolver o comportamento empreendedor e identificar novas oportunidades de negócio. Deu certo. “Já vendi para todos os estados do Brasil”.</p>



<p>Tudo isso fez de Nat um exemplo. “Meu trabalho incentiva outras mulheres com deficiência. Mas ainda há preconceito: por ser do interior, por ser deficiente. Sempre me perguntam se tenho capacidade de entregar.”</p>



<p>Vanessa da Silva Barbosa, 18 anos, é parceira de Nat nas vendas e produção. Desde os 12, trabalha com customização de palha. As duas formam uma dupla inseparável. Vanessa vê no artesanato uma forma de garantir renda e manter os laços com sua história.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Laços de palha e amizade</strong></h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Retrato das tardes de trançar palha e bater papo na casa de Santinha. Foto: Inês Campelo/MZ
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Natália é o que se pode chamar de “caso de sucesso”. Mas, como ela, existem milhares de mulheres que são responsáveis pela região do baixo Jaguaribe ser reconhecida pela excelência do artesanato feito com palha de carnaúba, técnica passada de geração em geração, com beleza, saber e resistência.</p>



<p>Na comunidade de Tabuleiro do Luna, em Itaiçaba (CE), por exemplo, a força da tradição se entrelaça com os fios da amizade. Francisca da Silva dos Santos, 75 anos, é uma referência pela qualidade do seu trabalho, bom humor e espírito agregador. Junto com outras nove mulheres, Santinha, como é conhecida, forma um grupo que produz de maneira compartilhada: cada uma é especialista em um ponto ou etapa. “Somos amigas desde os anos 1970.” Estão no grupo Rita Araújo (81), Ocirema Rodrigues (60), Maria de Lurdes (65) e seu marido Aluísio de Lima (74, que costura as esteiras), e Maria do Carmo Araújo (57), filha de dona Rita.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p><em>O litoral leste do Ceará e o Baixo Jaguaribe — que inclui municípios como Aracati, Itaiçaba, Palhano, entre outros — é marcado por paisagens de carnaubais, mangues e dunas, com comunidades rurais e pesqueiras espalhadas entre vilarejos e zonas urbanas. Nessas áreas, o artesanato com palha de carnaúba é uma prática tradicional, especialmente entre as mulheres, unindo saberes transmitidos por gerações ao uso sustentável dos recursos naturais, e representando uma importante fonte de identidade e renda para a população local.</em></p>
        </div>
    </div>



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	                                        <p class="m-0">Santinha e as tranças de carnaúba. Foto: Inês Campelo/MZ
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/MZ</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Santinha aprendeu a arte com a mãe e a avó. “As coisas que elas faziam eram mais simples&#8230; chapéus grosseiros. A inovação chegou e melhoramos o trabalho.” Ela nunca trabalhou em uma empresa. Construiu sua casa e criou os 12 filhos com a renda da palha. “Só um ainda trabalha com isso, cortando palha.” E lamenta: está cada vez mais difícil conseguir matéria-prima.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Da pintura ao banquinho de bode</strong></h2>



<p>Para que a bolsa, aquela que falamos no início da reportagem, faça sucesso no Instagram e nas lojas especializadas, existe antes uma cadeia de produção.</p>




	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Como a palha vira ouro</span>

		<p><strong>Matéria-prima:</strong></p>
<ul>
<li>Utiliza-se a folha da carnaúba, conhecida como “olho da carnaúba”.</li>
</ul>
<p><strong>Secagem:</strong></p>
<ul>
<li>A folha é colhida e passa por um processo de secagem ao sol que dura até 4 dias.</li>
</ul>
<p><strong>Riscagem:</strong></p>
<ul>
<li>Após a secagem, a artesã usa uma pequena faca para “riscar” o olho da carnaúba.</li>
<li>Nesse processo, separa-se o “lombo” da palha, parte que dá volume e estrutura à peça.</li>
</ul>
<p><strong>Armazenamento:</strong></p>
<ul>
<li>A palha é guardada em local arejado.</li>
</ul>
<p><strong>Preparação para uso:</strong></p>
<ul>
<li>Antes de ser trabalhada, a palha é umedecida com um pano para ficar mais maleável.</li>
</ul>
<p><strong>Confecção da peça:</strong></p>
<ul>
<li>A artesã inicia a criação usando pontos abertos e fechados.</li>
<li>Quando necessário, utiliza-se uma forma de madeira como molde para garantir o formato desejado.</li>
</ul>
	</div>



<p>Outro trabalho importante é a pintura das palhas. Em Itaiçaba, apenas três mulheres fazem esse trabalho de forma mais sistemática. Uma delas é Maria Lúcia Barbosa, 66 anos, que aprendeu a pintar palha observando a vizinha pela cerca no seu quintal. “O pacote de corante custa R$ 7 e pinta 75 olhos de palha. Preto e verde musgo são os que mais saem.”</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Maria Lúcia tingiu a palha para que a reportagem conhecesse o processo. Foto: Inês Campelo/MZ
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ela vende cada olho de palha pintado por R$ 3. O preço fica por R$ 2,50, se a palha for da cliente. Pinta cerca de 150 olhos por mês. “Trabalho quieta, mas firme. Tenho um casal de filhos.”</p>



<p>Já Iracema Maria de Lima, 51 anos, brinca dizendo que trabalha com palha desde “dentro da barriga da mãe”. Começou com camisa de litro, peça que veste as garrafas decorando-as, passou 15 anos em Petrópolis (RJ), mas voltou para casa. Hoje, faz roupas de palha e banquinhos em forma de bode e jumento. Peças únicas. Mora com a mãe, o marido e o filho de 14 anos. “É difícil fazer e nem sempre as pessoas dão valor.” Venceu três vezes o tradicional concurso de artesanato da festa da Pescaria da cidade, no Sete de Setembro.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Iracema e sua mãe, artesãs. Crédito: Inês Campelo/MZ
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Esvaziamento de uma tradição</strong></h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/06/No-rastro-da-palha_Carnauba_0014___-300x225.jpg">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Viveiro de camarão no distrito de Cabreiro de Cima, Aracati. Foto: Inês Campelo/MZ
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A palha de carnaúba não é só matéria-prima. É símbolo de pertencimento e sobrevivência. Seu ciclo envolve cuidado com a natureza, técnica apurada e um olhar coletivo. É uma economia de afeto, saber e resistência, exatamente o oposto da carcinicultura, atividade econômica que se expande velozmente na região. Neste contexto, o aumento de áreas para criação de camarões tem provocado impactos negativos cada vez maiores na cadeia produtiva do artesanato local.</p>



<p>A principal preocupação, a mais visível e mensurável também, é a destruição de áreas naturais onde crescem as carnaubeiras, convertidas em fazendas de camarão. Como essas plantações exigem grandes extensões de terra e água, há uma redução nas áreas disponíveis para o cultivo e coleta da palha, essencial para a produção artesanal. Além disso, alterações ambientais provocadas pela atividade, como a poluição da água e perda de biodiversidade, também comprometem a qualidade da matéria-prima.</p>



<p>Outro efeito significativo da carcinicultura é a mudança na dinâmica econômica local. Com a promessa de empregos e lucros rápidos, a criação de camarões atrai investimentos e mão de obra que antes estavam ligados ao artesanato. Isso provoca um esvaziamento do setor artesanal, reduzindo a produção de peças em palha de carnaúba e enfraquecendo a cultura local. A longo prazo, esses impactos colocam em risco tanto o sustento de artesãos quanto a preservação desse saber tradicional.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Cerzina mostrando o trançado das bolsas de carnaúba. Crédito: Inês Campelo/MZ
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Cerzina Ferreira da Silva, presidente da <a href="https://www.instagram.com/arti.itaicaba/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação das Mulheres Artesãs</a>, que já teve mais de 200 integrantes, hoje conta com apenas cerca de 60 participantes ativos, fala das dificuldades que se acumulam: a redução das áreas de carnaubeira, a perda de qualidade da água e o desinteresse da juventude.</p>



<p>“De janeiro até maio, junho, por conta das chuvas, as famílias artesãs sofrem muito. As palhas mofam e o valor cai”, explica Cerzina. “É mais fácil um jovem ser vigia de um viveiro de camarão do que ir trabalhar com artesanato.” Além dos desafios materiais, há um sistema de exclusão mais profundo. “O sistema que está por trás disso tudo não deixa a gente crescer”.</p>



<p>“Aqui era cheio de carnaubeira. No caminho para Aracati era tudo carnaúba. Agora é só viveiro de camarão. Esculhambou o rio, esculhambou as carnaúbas, esculhambou tudo”, resume Dona Raimunda Ferreira, mãe de Cerzina.</p>



<p>O ex-secretário de agricultura Raimundo Nonato, 56 anos, conhece de perto esse cenário. Ele pagou os estudos com a renda do artesanato feito com a mãe. Formado em contabilidade e administração, teme que o saber que moldou sua trajetória desapareça. “Daqui uns dez anos, tenho medo que o artesanato com palha de Itaiçaba se acabe.”</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>OURO FEMININO</strong></h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Aula de macramê na Casa de Maria. Crédito: Inês Campelo/MZ
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<p>Lembra a história de Santinha e suas amigas criando juntas peças de palha de carnaúba lá em Itaiçaba? Pois bem, em Pernambuco, mais especificamente em Jaboatão dos Guararapes, a lógica é a mesma. Aqui os nós do empreendedorismo já foram desatados, e, como nos pontos de macramê e de crochê, a <a href="https://www.instagram.com/projetocasademaria/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Casa de Maria</a> junta sempre o criar e empreender na mesma peça. A frase na entrada da sede do projeto resume o espírito do lugar: “Tecendo o futuro com as próprias mãos”.</p>



<p>Primeiro, é preciso entender o que é o projeto. A <a href="https://www.instagram.com/projetocasademaria/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Casa de Maria</a> nasceu, em 2017, a partir do compartilhamento de conhecimento de crochê entre as mães que aguardavam seus filhos atendidos pelo <a href="https://www.instagram.com/projetoariasocial/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ária Social</a>. A ideia foi reconhecida e abraçada por Cecília Brennand, presidenta do Ária, que de imediato promoveu a profissionalização de artesãs, gerando renda através do empreendedorismo social. O nome vem da junção do “M” de mãe com o “aria” do projeto inicial, resultando em Maria.</p>



<p>Atualmente são atendidas 140 mulheres, divididas em cinco oficinas: macramê, crochê, amigurumi, tecelagem de jornal e costura. E não é só isso. A busca pela excelência é constante, está presente em todas as etapas da formação e na produção das peças para as coleções que são comercializadas nas <a href="https://projetocasademaria.com/?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAafHNqTd2Ch3UlFQhQHqoDckcd3Rxjh0uAAjQ0B8Lt9u5Jksr47QKANbo2Ts-Q_aem_ks9GBHl6CTvHEQf6I3vqrg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">lojas do projeto</a>. Já passaram pela Casa designers renomados como Sérgio Matos e Luly Vianna, criando coleções com várias técnicas.</p>



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	                                        <p class="m-0">Inês fazendo o protótipo de uma bolsa. Foto: Inês Campelo/MZ
</p>
	                
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<p>Maria Inês Costa Silva, é uma das responsáveis pela produção de bolsas em material sintético na Casa de Maria. “Eu tenho a responsabilidade de criar ou de tirar do desenho as peças, a gente recebe visitas de designers, pessoas que criam peças em desenhos, e eu sou responsável por tirar esse desenho do papel”, explica.</p>



<p>Ela participa do projeto desde 2016, quando acompanhava uma prima. “Eu aprendi a fazer crochê e passei a ensinar o que eu aprendi. Depois, Sérgio Matos chegou e trouxe também uma outra técnica, que a gente batizou de Sérgio Matos, porque a gente não sabe exatamente o nome”.</p>



<p>Inês afirma, com convicção, que a entrada no projeto transformou sua vida. “Mudou muito. Antes eu trabalhava como operadora de telemarketing. Gosto de estar aqui por conta da variedade de coisas que a gente consegue fazer. Não fico presa apenas a uma coisa. O tempo todo chega gente com ideias novas, com produtos novos.”</p>



<p>Gilliane da Silva Torres Lins, que está no projeto há sete anos, desde que sua filha começou a fazer aulas de balé, violão e dança contemporânea. “Comecei na Casa de Maria fazendo os cursos. Já fiz de tecelagem. Depois, fiz de macramê. E, agora, faço parte da equipe de produção de macramê da Casa. Faço a bolsa Freda que é toda em macramê com fio sintético. É uma bolsa que leva uns quinze dias para ficar pronta”, diz orgulhosa.</p>



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	                                        <p class="m-0"> Gilliane e a bolsa Freda. Na Casa de Maria o nome de todas as peças homenageiam mulheres. Crédito: Inês Campelo/MZ
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<p>Sempre tem novidade. “É muito bom o que acontece aqui, porque assim, além da gente aprender sempre uma coisa diferente, tem a socialização com as outras mães, a gente conversa bastante, aí uma vai ensinando pra outra, é um momento de descontração, de aprendizado, é um convívio muito bom”, complementa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Tatiana mostra suas ferramentas de trabalho. Foto: Inês Campelo/MZ
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<p>A transformação é profunda e, na maioria das vezes, rápida. Se Gilliane está há sete anos, Tatiana Lúcia da Silva, por exemplo, entrou no ano passado. “Minha filha tem 10 anos, faz balé, teatro e toca flauta. E, eu aprendi crochê do zero. Nunca peguei em uma agulha e hoje faço vários modelos de Amigurumi. Faço as peças da Casa de Maria e ainda faço peças para vender na lojinha que eu tenho em casa. Depois que eu vim pra cá, tudo melhorou muito”, comemora.</p>



<p>A história de Jaísas Lima reflete o caminho que a maioria das mães podem percorrer dentro do Ária. Entrou como aluna e hoje é professora.“Minha vida mudou depois que eu entrei aqui. Passei a ser reconhecida. A gente aprende coisas novas todo dia. Conseguimos chegar onde a gente quer, no nosso objetivo. Sempre digo isso para minhas alunas: não quero ouvir a frase, eu não posso. Ah, eu não consigo. Quando a gente quer, a gente pode e a gente consegue”.</p>



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	                                        <p class="m-0">O espírito de criação conjunta é registrado na aula de crochê de Jaísas. Foto: Inês Campelo/MZ
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                                    </figcaption>
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<h6 class="wp-block-heading">A reportagem decidiu publicar foto de cada uma das mulheres que dedicou parte do seu dia contando um pouco da sua história.</h6>
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		<title>Gaby Dantas, a estilista que faz moda sustentável na praia do Sossego, em Itamaracá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Oct 2023 20:40:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* Da Praia do Sossego, na Ilha de Itamaracá, no Grande Recife, de onde cria e produz, Maria Gabrielly Dantas, 26 anos, é a única empreendedora com atuação em Pernambuco entre 20 profissionais selecionada(o)s pelo Re-Farm Cria, edital de fortalecimento de jovens talentos cujo trabalho tenha conexão com  o chamado ecossistema da moda. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti*</strong></p>



<p>Da Praia do Sossego, na Ilha de Itamaracá, no Grande Recife, de onde cria e produz, Maria Gabrielly Dantas, 26 anos, é a única empreendedora com atuação em Pernambuco entre 20 profissionais selecionada(o)s pelo <a href="https://www.farmrio.com.br/re-farm-cria" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Re-Farm Cria</a>, edital de fortalecimento de jovens talentos cujo trabalho tenha conexão com  o chamado ecossistema da moda. Ao todo, foram 370 inscrições das cinco regiões do Brasil. Na categoria sustentabilidade, ela executa um dos quatro projetos aprovados, o Moda Sustentável do Sossego. Em meados de novembro, um desfile acontecerá em praça pública na ilha. O objetivo é envolver a comunidade e valorizar o território e a produção artística que será confeccionada por artesãos e pescadores durante os encontros.</p>



<p>“Hoje eu construo moda preta sustentável numa perspectiva do que a minha avó já fazia. Ela pegava a blusa de lã do bazar da igreja, desmanchava e costurava uma nova. Hoje, com o acesso da moda, isso se chama mundialmente <em>upcycling</em>”, conta Gaby, como a empreendedora também é conhecida. A especialidade de ressignificar coisas, objetos e lugares é um aprendizado repassado de uma geração a outra. Os encontros do Moda Sustentável Sossego acontecem na Casa de Sal, construção que une os conceitos de moradia e ecologia popular que ela e a mãe, Edna Dantas, ergueram. A empreitada durou seis meses de trabalho e teve com matéria-prima mais de 13 mil garrafas de vidro recolhidas do meio ambiente.</p>



<p>Nos encontros do projeto, acontecerá o processo de produção de peças e artigos de moda a partir de boas práticas, como a recuperação de resíduos e o “design vernacular”. A expressão se refere a formas não-acadêmicas de design com artefatos do dia-a-dia de quem a realiza e vínculo com a cultura local. “Produzo moda numa linguagem conectada com os jovens negros, periféricos, LGBTQIA+, criados por vó. Reuso criativo é a sabedoria popular de quem vive num país escasso”, analisa. </p>



<p>Criadora da Cabrochas Brechó, Gaby Dantas tem presença ativa nas redes sociais. No Instagram, ela é a <a href="https://www.instagram.com/pretaquepariu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@pretaquepariu</a>. Surge exuberante sempre em modelos coloridos, alegres e personalizados. Muitos dos cenários tem a Ilha de Itamaracá como locação para as fotos e vídeos. “A minha grande referência na ilha é a Lia de Itamaracá. Me apresentei para esse território, que tem me acolhido e potencializado. E aqui eu estou. Com o meu trabalho, acredito que também posso ser guardiã desse território negligenciado na política socioambiental”, conta. Pretaquepariu é natural de Curitiba, no Paraná. Habita a Praia do Sossego há cinco anos.</p>



<p>O ambiente sem barreiras físicas do mundo digital tem sido ferramenta para a projeção do trabalho de Gaby Dantas para o Brasil. No final do ano passado, ela estampou as páginas do Estadão, na editoria de Meio Ambiente e Sustentabilidade. Falou um pouco do que significa produzir moda fora do eixo Rio-São Paulo para o jornal que é a cara e a voz da elite paulista.</p>





<p>Abaixo, veja um pouco da conversa da designer de moda com a reportagem da Marco Zero Conteúdo.</p>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Qual a dimensão da influência da sua avó na sua formação e no seu trabalho?</strong></p>



<p><strong>Gaby Dantas</strong> &#8211; Minha avó, dona Severina, 84 anos, sempre cuidou de mim enquanto minha mãe trabalhava. Sempre foi uma referência, talvez pelo fato de eu ter sido uma criança negra em um dos estados mais brancos do Brasil, o Paraná. E ter uma referência nordestina dentro de casa, num contexto de Sul, de racismo e xenofobia, foi importante. Minha avó é pernambucana, do agreste, do município de Iati, um lugar indígena. E isso tudo foi formando a minha opinião, o meu pensamento crítico, meu lugar afetivo. Posso dizer que a maior parte boa em mim, da minha veia artística, é minha avó, uma guardiã de saberes, uma mulher do reaproveitamento, do reuso criativo.</p>



<p><strong>Qual a tua experiência sobre produzir no Nordeste, fora do eixo Rio-São Paulo?</strong></p>



<p>O Nordeste é um dos maiores berços culturais da humanidade. Não tem como falar de Cultura sem falar do Nordeste brasileiro, que acaba sendo um grande lugar de inspiração e referência para muitos criativos, para muitas marcas. Mas, na maioria das vezes, na hora do desenvolvimento dos projetos aqui, usa a estrutura do Sul. Ou seja, não fomenta, de fato, o Nordeste. O mundo inteiro está vendo os artistas de brega funk acontecerem, por exemplo. Na grande maioria, jovens negros das periferias de Pernambuco, que batem números que são verdadeiros recordes. E você não vê uma marca grande fazendo publicidade com esses jovens, que têm Instagram com muitos números, já que é isso que importa, os números.</p>



<p><strong>Como você descreve o seu trabalho e a dimensão da sustentabilidade nele? </strong></p>



<p>A luta socioecocultural eu trago enquanto uma postura de pensar. Que eu posso criar e fomentar algo bom para meu povo, que precisa de muita coisa. Eu vejo na sustentabilidade, na moda preta sustentável que eu produzo, esse caminho. Ailton Krenak traz isso, né: ideias para adiar o fim do mundo. Estamos vivendo num mundo que pede cuidado, que pede conservação, a nossa atenção. Para isso alcançar mais gente, é preciso criar estratégias de grandes redes, nos conectar, conectada com a periferia a grande massa.</p>



<p>*<strong>Jornalista com 19 anos de atuação profissional e especial interesse na política e em narrativas de garantia, defesa e promoção de Direitos Humanos e Segurança Cidadã</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Serviços de entrega e a promessa de &#8220;empreendedorismo&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/servicos-de-entrega-e-a-promessa-de-empreendedorismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Mar 2021 10:36:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[entregadores de aplicativo]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres entregadoras]]></category>
		<category><![CDATA[uberização]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Adriana Amâncio</strong></p>



<p><em>Delivery</em> é uma atividade típica da economia digital, que segundo o teórico Phillip Kotler, considerado o pai do marketing moderno, é marcada pela forte presença da tecnologia, especialmente a conexão com a internet. No entanto, segundo a secretária Nacional de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Junéia Batista, o campo para a intensificação desta atividade, marcado pela precarização das relações de trabalho, foi preparado anteriormente, no fim de 2016, tendo como ponto alto a reforma trabalhista de 2017.&nbsp;</p>



<p><strong>“</strong>A precarização do mundo do trabalho no Brasil se intensificou muito fortemente já no governo golpista de Michel Temer. Em 2017, foi sancionada a lei da reforma trabalhista e, já no comecinho de 2018, conseguimos ver vários trabalhadores e trabalhadoras sem emprego formal, sem direito à proteção social. Durante debates sobre desemprego promovidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e por organizações interamericanas, o Brasil já registrava 26 milhões de pessoas na informalidade e 10 milhões com empregos formais precários. Esses dados são de junho de 2020, agora, os números devem ter aumentado significativamente”, explica Junéia Batista.</p>



<p>O grande atrativo do serviço de entrega de aplicativos é o seu perfil empreendedor ao se oferecer a ideia de que “você é o seu patrão”. “O lucro depende muito de como cada entregador trabalha. Se você trabalha mais, recebe mais. Se você não quiser vir trabalhar uma semana, pode ficar em casa, mas não vai receber por esses dias”, explica Jaqueline de Albuquerque, entregadora.</p>



<p>Sem opção no mercado de trabalho formal, quem encontra um caminho nos serviços de entrega já começa gastando. De acordo com as entregadoras, apps como Rappi vendem a bolsa térmica por R$ 30, desde que o entregador faça a adesão em até dez dias úteis após a realização do cadastro. Passado este prazo, a bolsa é repassada por R$ 40, descontados em duas parcelas.</p>



<p>Em aplicativos como o Ifood, o entregador recebe apenas a capa da bolsa, mais o valor de R$ 30 para compra de álcool em gel. Neste caso, a caixa térmica deve ser comprada. O custo médio do equipamento no Recife é de R$ 100.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong><em>A Reforma Trabalhista é regida pela Lei 13.467 de 2017 e foi aprovada em 11 de julho de 2017. Dentre outras mudanças, esta reforma deu validade jurídica aos Acordos Coletivos, desde que não interferisse em direitos como 13º salário e férias, extinguiu a obrigatoriedade da contribuição sindical equivalente a um dia de trabalho e permitiu a pactuação de mudanças na jornada de trabalho, antes fixada em 8 horas por dia e 44 horas semanais, para 12h por dia, com descanso de 36h, respeitando o limite de 220 horas mensais.&nbsp;</em></strong></p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Um produto da uberização&nbsp;</strong></h3>



<p>O serviço de <em>deliver</em>y desponta como atividade da economia digital, marcada por empresas gerenciadas por aplicativos, sem sede física, e que funcionam a partir da conexão da internet. Nesse meio, ganha força uma nova forma de trabalho, a uberização.&nbsp;</p>



<p>De acordo com Simone Freitas, doutora em Comunicação Estratégica e Organizacional e professora da Faculdade de Olinda, Focca, e do Centro Universitário Unifavip, a uberização é a informalização do trabalho, ou seja, um trabalho para o mercado informal. “Este termo surgiu do aplicativo Uber que criou a tendência levando as suas características para um novo tipo de trabalho. As características são trabalho informal, a adoção de uma economia compartilhada, que une oferta de serviços e demanda por meio de uma plantaforma conectada à internet, explica Simone Freitas.&nbsp;</p>



<p>A promessa de ser empreendedor, de ser dono do seu próprio tempo é o grande atrativo do serviço, segundo Simone. “Essas são as grandes características da uberização, exercer um trabalho informal, ter acesso à tecnologia, fazer o seu próprio horário e oferecer os seus serviços para outras pessoas, através dessa tecnologia”, explica</p>



<p>A pesquisadora acredita que este caminho é sem volta. Ainda segundo ela, os lucros das empresas uberizadas são altos. A própria Uber, que possui menos de dez anos de vida,&nbsp; já&nbsp; fatura mais de US$ 60 milhões. Há profissionais dispostos a aderirem ao serviço e também há demandas por esses serviços. Por essa razão, completa a pesquisadora, usa-se com ainda mais frequência o termo precariado como marca desta nova geração profissional.</p>



<p>“Este termo surgiu nos 1980, foi criado pelo economista da Universidade Londres, autor do livro <em>O Precariado &#8211; anova classe perigosa</em> (em tradução livre). Este termo é uma junção do adjetivo precário com o substantivo proletariado e identifica uma nova classe emergente no mundo, formada por trabalhadores informais, cientes das suas responsabilidades, mas ao mesmo tempo, que se torna ainda difícil viver uma vida de total insegurança que o mercado informal oferece,” define Simone Freitas.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O que mudou após as mobilizações de julho de 2020</h3>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Paulo Lima, conhecido como Galo, liderança dos entregadores antifacistas. Crédito: Instagram/ Galodelutaoficial</p>
	                
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<p>O dia 1º de julho de 2020 ficou marcado pela paralisação inédita dos profissionais de delivery em diversas capitais brasileiras. Conhecida como Breque dos Apps, a mobilização teve o seu ponto de partida em São Paulo sob a liderança de grupos organizados de entregadores.</p>



<p>Os profissionais foram às ruas por melhores condições de trabalho, pelo fim dos bloqueios arbitrários e dos desligamentos sem justificativa, em defesa dos auxílios alimentação, transporte e manutenção do veículo e pelo pagamento de uma taxa de R $2 por quilômetro percorrido. Passados oito meses, o entregador e membro do grupo paulista Entregadores Antifascistas, um dos líderes do Breque dos Apps, Paulo Lima, mais conhecido como Galo, diz que a situação ficou ainda pior.</p>



<p>&#8220;Não houve mudança alguma! Nosso trabalho continua sendo feito na precariedade. Hoje, está ainda pior, pois o nosso lucro diminuiu com o aumento do número de entregadores por causa da demanda gerada pela pandemia. Quanto maior o número de entregadores, menos viagens individuais e menor é o lucro. A única mudança é que as mobilizações fizeram com que a sociedade conhecesse mais a nossa realidade&#8221;, avalia Galo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><cite>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.<br>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.<br>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.<br>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.<br><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></cite></blockquote>
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		<title>Projeto Conexões: &#8220;Existe vida fora da grande mídia&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2016 15:49:06 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Segunda-feira à noite e o auditório da Jump Brasil, aceleradora do Porto Digital que funciona no bairro de Santo Amaro, estava lotado de jornalistas para participar do terceiro encontro do Projeto Conexões. O interesse dos profissionais de comunicação se justifica pelo tema escolhido: “Empreendedorismo, o mundo além da grande mídia”. Neste momento de aprofundamento da crise que afeta a chamada indústria jornalística, a proposta de focar em quem planeja montar seu próprio negócio em comunicação é atual e urgente.</p>
<p>O Projeto Conexões, que é uma parceria entre o Porto Digital, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Sindicato dos Jornalistas, contou neste terceiro encontro com a participação da Marco Zero Conteúdo. Como ponto de partida para o debate, algumas questões fundamentais: &#8220;Como empreender na área?&#8221;, &#8220;Como estabelecer parâmetros de monetização?&#8221;, &#8220;É possível formatar uma startup especializada em comunicação?&#8221;, &#8220;Quais experiências locais podem servir como exemplos bem sucedidos de empreendedorismo?&#8221;</p>
<p>A difícil missão de responder aos questionamentos coube ao Diretor-Presidente do Porto Digital, Francisco Saboya, à professora do curso de Comunicação Social de Caruaru, Ana Beatriz Nunes, e a Sérgio Miguel Buarque, da Marco Zero Conteúdo. A mediação foi feita por Osnaldo Moraes, diretor do Sindicato dos Jornalistas.</p>
<p>O Projeto Conexões é uma série de cinco encontros que tem como objetivo discutir o impacto das novas tecnologias na comunicação, além de apontar alguns caminhos de transformação em uma área carente de iniciativas inovadoras. A programação segue até o dia 02 de maio, com mais dois eventos nas próximas segundas-feiras, sempre às 19h, na Jump Brasil (rua Capitão Lima, 420). Os encontros são gratuitos mediante inscrição prévia, realizada sempre a partir das quartas-feiras que antecedem os encontros.</p>
<p>Confira abaixo a programação e os próximos palestrantes:</p>
<blockquote><p><strong>25/04 &#8211; Do mercado para a academia: qual a pergunta?</strong></p>
<p>Palestrantes: As professoras da UFPE Ana Beatriz Nunes, Sheila Borges e Ana Veloso, com mediação de Andréa Trigueiro, diretora do Sindicato dos Jornalistas e professora do curso de Jornalismo da Unicap.</p>
<p><strong>02/05 &#8211; A captação de recursos para projetos culturais: o público e o privado</strong></p>
<p>Palestrantes: A produtora cultural Carla Denise, Carol Vergolino, da Rec Produções, e Jair Pereira, da 2JP produção cultural, com mediação de Eduardo César Maia, professor da UFPE de Caruaru e editor do Café Colombo.</p></blockquote>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/04/jump2.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1962" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/04/jump2.jpg" alt="jump2" width="528" height="960"></a></p>
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