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	<title>Arquivos Geraldo Júlio - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 27 Mar 2024 22:19:29 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Geraldo Júlio - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Para evitar novas tragédias no futuro, Recife precisa reaprender com seu passado</title>
		<link>https://marcozero.org/para-evitar-novas-tragedias-no-futuro-recife-precisa-reaprender-com-seu-passado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jun 2022 22:20:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[direito à moradia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para saber como evitar tragédias como a desses dias, com 128 mortes, a maior em Pernambuco neste século, o Recife e a Região Metropolitana não precisariam ir buscar soluções em outros estados ou outros países. Veneza e Amsterdam sem dúvidas são cidades que aprenderam a conviver com a fúria de suas águas. Há bons exemplos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para saber como evitar tragédias como a desses dias, com 128 mortes, a maior em Pernambuco neste século, o Recife e a Região Metropolitana não precisariam ir buscar soluções em outros estados ou outros países. Veneza e Amsterdam sem dúvidas são cidades que aprenderam a conviver com a fúria de suas águas. Há bons exemplos de convivência com riscos também em Minas Gerais. Mas para começar a evitar que a tragédia se repita, basta que o Recife olhe para o seu passado. E o atualize para enfrentar cenários ainda mais adversos.<br><br>À falta de orçamento para habitação e melhoria da vida nos morros se aliou um desmantelamento das políticas públicas que foram adotadas pela prefeitura do Recife desde a década de 1990. Nos dois mandatos de Geraldo Julio (PSB) foi onde se gastou menos com os morros recifenses, que ocupam 67,43% da área da cidade. <a href="https://www.instagram.com/p/CeKTcz7Lw_v/?utm_source=ig_web_copy_link" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em um texto que viralizou</a>, a engenheira civil Edinéa Alcântara, que também é professora do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), fez um breve histórico sobre como foi o tratamento aos morros em gestões anteriores.<br><br>&#8220;Muitas cidades têm situações de vulnerabilidade por conta da condição geográfica. Não é justificativa para que se aconteçam tragédias como essa. Se fosse assim, o Japão estaria acabado, já que são ilhas em cima de placas tectônicas que se movem&#8221;, afirmou à Marco Zero. &#8220;Na gestão de Jarbas Vasconcelos começaram a levar os morros mais a sério e, principalmente nas duas gestões de João Paulo, ocorreram ações de tratamento das barreiras, obras de melhorias urbanas, deixando os morros mais seguros. Também ações disciplinadoras das águas, como plantio de gramas, colocação de lonas…são ações simples, mas que impedem que as chuvas encharquem o solo. Se um morro estiver com lona, a água não chega na barreira. As lonas precisam ser trocadas periodicamente, porque ressecam e rasgam. É uma ação paliativa, mas rápida de ser feita&#8221;, afirma.<br><br>Para a engenheira e professora, foi o abandono das ações preventivas que levaram à tragédia. &#8220;Como temos um engenheiro (João Campos é formado em engenharia civil pela UFPE) à frente da prefeitura há um ano e meio e porque ele se descuidou dos morros, eu não sei. Se tivesse feito uma ação emergencial, de colocar lonas de plástico e revestir tudo, muitas barreiras não teriam caído&#8221;, acredita. &#8220;Agora, é hora de aproveitar para fazer uma política robusta e efetiva. Temos conhecimento técnico para isso e experiências anteriores. Nas inundações de Barreiros, por exemplo, o pai dele (o ex-governador Eduardo Campos) fez uma boa gestão do desastre&#8221;, diz.</p>



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	                                        <p class="m-0">Programa Mais Vida nos Morros não prioriza segurança. Crédito: Marcos Pastich/PCR
</p>
	                
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<p>Nas gestões do PSB, o carro-chefe foram ações de pintura e embelezamento do programa <em><a href="https://maisvidanosmorros.recife.pe.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mais Vida nos Morros</a>.</em> &#8220;Pintar o morro é massa, mas vamos cuidar antes? Beleza é ótimo, mas é algo secundário. Primeiro temos que pensar em obras que contemplem a contenção das águas, o saneamento, tragam conforto e segurança às pessoas. Não adianta construir um muro de arrimo e ele cair, construir uma escadaria e os moradores sofrerem acidentes nela. Segurança tem que vir antes&#8221;, critica Edinéa.</p>



<p>Outro ponto que o Recife tem deixado a desejar é no cuidado com o escoamento das águas, haja visto a grande quantidade de bairros, ruas e avenidas que ficaram alagados com as chuvas de 2022 &#8211; ou em qualquer outra grande chuva antes. &#8220;As micro e macro drenagens não estão funcionando. A macro são os canais, os rios, que precisam estar sem lixo, com suas margens preservadas, sem assoreamento. E esse cuidado não se faz durante as chuvas, se faz antes. Tem também o sistema de micro drenagem que são as sarjetas, as galerias, tudo que passa nas ruas para escoar as águas. Isso também não está funcionando&#8221;, diz.<br><br>O serviço de manutenção da drenagem, porém, pode não ter hoje o mesmo efeito que teve anos e décadas atrás. É preciso que o Recife e a região metropolitana atualizem seus sistemas. Na sua fala, Edinéa cita a <a href="https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/5111" target="_blank" rel="noreferrer noopener">tese de doutorado da engenheira Alessandra Ramos </a>que, em 2010, já sugeria uma nova equação para calcular os projetos de drenagem na capital. A nova equação levou em conta 36 cenários e a maior intensidade das chuvas devido às mudanças climáticas. O resultado explica porque áreas que não costumavam alagar tiveram as casas invadidas pela água dessa vez: há 12 anos, o sistema de drenagem do Recife já deveria ser 41% maior.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Informação pode evitar mortes</h2>



<p>Entre 1993 e 1996 foram registrados <a href="https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=28182" target="_blank" rel="noreferrer noopener">757 deslizamentos no Grande Recife</a>, que causaram aproximadamente 70 mortes. Já entre entre 1994 e 2005 foram registradas cem mortes em toda a Região Metropolitana. Em 2008, existiam 3.500 mil áreas de risco somente no Recife. Hoje, estima-se que seja três vezes mais. <br><br>Como apenas 23,26% do Recife é composto de áreas planas, e são justamente as áreas mais valorizadas pelo mercado imobiliário, é improvável que toda a população seja retirada das áreas de risco ou que todos os milhares pontos de risco sejam mitigados. Mas também é possível criar mecanismos de convivência com o risco. &#8220;Em Minas Gerais, por exemplo, há sirenes que ecoam para as pessoas deixarem suas casas quando há risco nas barragens&#8221;, conta Edinéa.</p>



<p>Mas só aviso é insuficiente. Na sexta-feira, quando as chuvas se intensificaram, a prefeitura emitiu um SMS para 32 mil pessoas que viviam em áreas de risco. E destinou dois abrigos, no bairro de São José, para quem quisesse dormir em segurança. Ambos abrigos, que costumam receber a população de rua, somavam apenas 120 vagas &#8211; extremamente aquém das mais de 5 mil que ficaram desabrigadas na cidade.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito:  IRRD-PE
</p>
	                
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<p>Para a urbanista Rebeca Mello, que em 2018 elaborou um estudo para a prefeitura sobre habitação de interesse social no Recife, é necessário mais planejamento e foco. &#8220;Por conta das mudanças climáticas já temos eventos mais extremos, com mais chuvas, mais secas. Isso tudo vai mudar a configuração do adensamento dessas áreas mais vulneráveis, que tendem a ficar ainda mais densas. A prefeitura precisa ter um plano de ação efetivo, informado com antecedência à população, não é esperar que a chuva chegue&#8221;, diz &#8220;Já estava chovendo há mais de uma semana, o solo vai encharcando e vai aumentando os riscos de deslizamento. Como a Defesa Civil não agiu antes? As áreas de risco estão mapeadas, deveriam ter sido retiradas para lugares seguros&#8221;, questiona Rebeca.</p>



<p>Ela cita diversos planos, projetos e estudos feitos sobre o Recife e Região Metropolitana nos últimos anos. &#8220;A prefeitura é bem munida de diagnósticos sobre a cidade. Se formos parar para analisar, vemos que a prefeitura tem um arcabouço muito bom de fontes e de cartografia. Há informações que ajudam a mitigar os deslizamentos e óbitos&#8221;, diz Rebeca. &#8220;Já tivemos gestões que investiram nos morros. O programa Guarda Chuva, por exemplo, foi um modelo usado pelo Ministério das Cidades&#8221;. <br><br>Edinéa Alcântara defende a necessidade da retomada do trabalho de educação e informação junto aos moradores dos morros. &#8220;Mostrar que não se deve plantar muitas plantas que retêm água, como bananeiras. Mas o mais importante é que os moradores saibam como é o plano de contingência. Nessa tragédia de agora, as pessoas não sabiam para onde deveriam ir, onde ia ter abrigo. Em outras gestões, havia essa integração das secretarias, os moradores eram orientados&#8221;, diz.</p>



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	                                        <p class="m-0">Prefeitura dispõe de diagnósticos e muitas informações sobre morros da cidade. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo
</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading">Mortes diminuíram 87% quando morros foram prioridade </h3>



<p>Na semana passada, a prefeitura do Recife anunciou que iria investir 50% a mais nos morros neste ano do que no ano passado, chegando a R$ 148 milhões. Isso aconteceu às vésperas do fim de semana de chuvas, quando já chovia no Recife há alguns dias, inclusive com cinco mortes na região metropolitana.<br><br>Para o ex-prefeito João Paulo, hoje deputado estadual, a sua gestão teve êxito nos morros porque isso foi uma prioridade. &#8220;Já havia uma política implementada pela gestão de Jarbas Vasconcelos, com o urbanista Jaime Gusmão. Na nossa gestão, expandimos essa política, sob o comando de Margareth Alheiros. Não era algo que era pensado somente durante o período de chuvas. Era 365 dias ao ano. Começamos com 10.500 pontos de risco e conseguimos ir para 3.500 pontos. Hoje, parece que estamos com 9.000 pontos de risco, então regredimos&#8221;, diz João Paulo.<br><br>A atuação maior da prefeitura nas duas gestões de João Paulo foi nos morros da zona norte e do Ibura. Outro ponto que ele destaca é a atuação coordenada de várias secretárias. &#8220;Várias secretarias atuavam juntas, inclusive as de Meio Ambiente, de Educação e de Saúde&#8221;, lembra. Sobre a tragédia do final de maio, João Paulo considera que as advertências foram ignoradas. &#8220;Houve uma certa negligência na área de prevenção nas gestões que vieram depois. Mas também não é algo que se resolve logo, é preciso tempo&#8221;, afirma.<br><br><a href="https://marcozero.org/geraldo-omite-reducao-de-mortes-nos-morros-do-recife-durante-gestoes-do-pt/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aconteceram oito mortes nos morros durante os dois mandatos de João Paulo</a>. Uma média de uma morte por ano. Ele recorda de pelo menos duas: uma pessoa que morreu por conta do estouro de uma tubulação da Compesa e outra que teve a família retirada da residência, mas voltou para pegar um cachorro. Foi uma queda recorde: de 87% em relação aos anos anteriores, de acordo com <a href="https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/42455" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento da tese de doutorado</a>  da pesquisadora Werônica Meira de Souza. <br><br>No trabalho, ela mostra também que o número de ocorrências atendidas nos morros na gestão de João Paulo foi muito superior à média anterior. Em 2007, por exemplo, não teve nenhum óbito. No mesmo ano, mais de 1,6 milhão de metros de lonas plásticas foram colocadas e mais de 21 mil ocorrências atendidas. Para se ter uma ideia também do absurdo das 127 mortes somente no final do mês de maio, sendo mais de 40 delas no Recife: nos 24 anos que a pesquisa analisou, de 1984 até 2008, foram 97 mortes com relação com as chuvas no Recife.<br><br>Com Geraldo Julio, os investimentos nos morros desabaram. Como mostra a reportagem da Marco Zero (link abaixo), as duas gestões do PSB (Geraldo e João Campos) apresentam os níveis mais baixos de verbas destinadas a urbanização em áreas de risco dos últimos 20 anos, com uma média de 0,37% do orçamento geral nos últimos nove anos (tempo do partido à frente da prefeitura).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/somente-as-chuvas-nao-explicam-mortes-nos-morros/" class="titulo">Somente as chuvas não explicam mortes nos morros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/racismo-ambiental/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Racismo ambiental</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Ocupação desigual empurra Recife para o risco</h2>



<p>Uma planície rodeada de morros e ainda com boa parte dessa planície abaixo do nível do mar. Recife não é uma cidade fácil de se planejar. Mas é a pressão dos setores econômicos mais fortes que tem ditado há décadas como a cidade é desenhada. E não suas características geográficas.<br><br>Ao longo dos anos, a população mais pobre foi sendo sistematicamente empurrada para as regiões de morros. O Atlas das Infraestruturas Públicas em Comunidades de Interesse Social, elaborado pela Prefeitura do Recife em 2014, mostrou que 60% da população recifense mora em áreas de morro. Apenas 24% mora nas planícies e 16% na paisagem litorânea ou estuarina.<br><br>Outra pesquisa mais recente, do IBGE, divulgada no final de 2017, aponta que apenas 3,5% da população mora nas áreas de melhor qualidade de vida, como os bairros de Casa Forte, Espinheiro e Boa Viagem. A maioria da população do Grande Recife mora mal: 67% vivia, em 2017, em locais classificados como baixa (56,8%) ou baixíssimas (10,3%) condições.</p>



<p>Mais: segundo dados IBGE, <a href="https://geoftp.ibge.gov.br/organizacao_do_territorio/tipologias_do_territorio/tipologia_intraurbana/Tipologia_Intraurbana.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em pesquisa realizada em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden)</a>, o Recife possui 206.761 pessoas vivendo em áreas de risco, ou seja, 13,4% da população.<br><br>&#8220;Espaço para habitação em locais seguro Recife tem. O problema não é espaço, porque sabemos adensar, Recife sabe construir prédios altos. A questão não é a falta de espaço, mas a falta de uma política habitacional consistente. As pessoas moram nos morros não porque querem, mas porque foram impelidas, porque não há outros locais em que elas possam viver. O ideal seria que todos morassem em locais seguros. Mas se não é possível, é preciso criar garantias de que as pessoas não vão perder suas vidas. Há casos em que é possível adotar medidas de mitigação de risco, e em outros casos, é necessária a remoção e relocação das famílias nas proximidades&#8221;, afirma Rebeca Mello.</p>



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<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Promotor afirma não haver justificativa para PCR desapropriar terreno junto à Ferreira Costa da Imbiribeira</title>
		<link>https://marcozero.org/promotor-afirma-nao-haver-justificativa-para-pcr-desapropriar-terreno-junto-a-ferreira-costa-da-imbiribeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 21:20:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[desapropriação]]></category>
		<category><![CDATA[direitos urbanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ferreira Costa]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Júlio]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os moradores da Vila Nossa Senhora de Fátima, na Imbiribeira, saíram animados da reunião com o promotor Rinaldo Jorge da Silva, da 35ª Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo. O encontro aconteceu para que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) avaliasse se há interesse público que justifique a desapropriação de uma terreno de 250m2 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os moradores da Vila Nossa Senhora de Fátima, na Imbiribeira, saíram animados da reunião com o promotor Rinaldo Jorge da Silva, da 35ª Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo. O encontro aconteceu para que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) avaliasse se há interesse público que justifique a desapropriação de uma terreno de 250m<sup>2 </sup>nos fundos da igreja Católica da comunidade para viabilizar um prolongamento de um trecho da rua Jacy até o muro da loja da Ferreira Costa.</p>



<p>A prefeitura do Recife alega que o terreno precisa ser desapropriado para que seja construída uma solução viária que ajude a desafogar a movimentada avenida Marechal Mascarenhas de Moraes pela minúscula rua Jacy. Os argumentos do assessor jurídico da secretaria municipal de Controle Urbano, Rafael Bezerra de Souza, não convenceram o promotor. De acordo com <a href="https://www.mppe.mp.br/mppe/comunicacao/noticias/15176-mppe-acompanha-luta-de-moradores-pela-nao-desapropriacao-de-lote-da-vila-nossa-senhora-de-fatima-na-imbiribeira">a assessoria de comunicação do MPPE</a>, após a reunião, Rinaldo Jorge afirmou que “ao analisar a real situação, nós percebemos que os motivos determinantes do ato desapropriatório não tinha até então a utilidade e a necessidade pública alegada pelo município”.</p>



<p>No final de 2020, nas últimas semanas da gestão de Geraldo Julio (PSB), a desapropriação chegou a ser consumada pela prefeitura a um custo de R$ 281 mil, mas o juiz Djalma Andrelino Nogueira Júnior, da 4ª Vara da Fazenda Público suspendeu a imissão da posse para o município. Na época, a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, instituição que é dona do terreno, interviu em apoio à comunidade e acionou o MPPE, que já estudava o caso por solicitação da deputada estadual Teresa Leitão (PT), que participou do encontro ao lado do vereador Ivan Moraes (Psol).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>As intenções da PCR</strong></h2>



<p>Durante a reunião, o assessor jurídico da prefeitura informou que a CTTU concluiu que o prolongamento da rua Jacy iria reduzir os congestionamentos da avenida, que conta com a faixa azul exclusiva para ônibus, com a oferta de transporte coletivo de 105 ônibus por hora nos horários de pico e que a abertura de um novo acesso representaria a redução média de 1.602 veículos por dia na avenida. A obra seria necessária porque iria melhorar “a mobilidade e dos fluxos no entorno, possibilitando rotas diretas para Boa Viagem e Ipsep, sem interferências e reduzindo o fluxo nesta parte da Mascarenhas”.</p>



<p>Na reportagem publicada em fevereiro pela Marco Zero, os moradores disseram acreditar que as reais intenções são bem diferentes: o objetivo da Ferreira Costa seria usar o futuro portão da rua Jacy como acesso de caminhões à área de descarga de mercadorias, o que atualmente só pode ser feito à noite e durante a madrugada pelo portão da avenida Sul, o que aumenta os custos das transportadoras e da própria loja, que tem pagar horas extras e garantir mais seguranças.</p>



<p>Metalúrgico aposentado e morador da Vila desde que ela foi fundada pelo então arcebispo dom Helder Câmara, Cícero Lisboa participou da reunião e disse que as palavras o encheram de esperança de que os moradores continuem usando o terreno como área de convivência para realização de festas, casamento, batizados e festas juninas: “O promotor entendeu que não tem cabimento a ideia de que um terreno desse tamanho, numa rua dessas, vá desafogar o trânsito da Imbiribeira, do Ipsep e de Boa Viagem”. Curiosamente, a reunião aconteceu exatamente no terreno em disputa, único local da comunidade com espaço o suficiente.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-luta-de-duas-comunidades-contra-os-poderes-do-municipio-e-da-ferreira-costa/" class="titulo">A luta de duas comunidades contra os poderes do município e da Ferreira Costa</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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		<title>Atenção básica será desafio de João Campos na saúde</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Dec 2020 17:32:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[atenção básica]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Júlio]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em meio a promessas de “ampliar o que está dando certo”, como foi bastante repetido na campanha, manter os hospitais da mulher e do idoso e ainda abrir o hospital da criança, o prefeito eleito do Recife, João Campos (PSB), terá, pelo menos, três grandes e importantes desafios na área da saúde: garantir verba para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em meio a promessas de “ampliar o que está dando certo”, como foi bastante repetido na campanha, manter os hospitais da mulher e do idoso e ainda abrir o hospital da criança, o prefeito eleito do Recife, João Campos (PSB), terá, pelo menos,  três grandes e importantes desafios na área da saúde: garantir verba para cumprir o que prometeu, fortalecer a atenção básica &#8211; que, em alguns pontos, afirmam médicos e especialistas, não está dando tão certo assim &#8211; e ainda articular a rede para uma futura vacina contra a Covid-19. Tudo isso em meio ao cenário de retração de recursos e de pandemia, que não deve arrefecer em 2021 no Brasil.</p>



<p>Em um contexto de provável redução de recursos, João Campos aposta num equipamento exclusivo para as crianças, no Ibura, zona sul, enquanto somente metade da cidade está coberta por uma unidade de saúde da família e o acesso a hospitais referenciados têm a atenção básica como porta de entrada. Para entender o peso desses grandes hospitais no orçamento da saúde, o Hospital da Mulher, gerido por uma Organização Social (OS), a Sociedade Pernambucana de Combate ao Câncer, consumiu, em 2019, R$40 milhões, enquanto toda a manutenção da rede básica de saúde custou R$ 52 milhões.</p>



<p>A manutenção da rede básica implica na distribuição de recursos para uma extensa lista de programas importantes: o Programa de Saúde da Família, as Unidades Básicas Tradicionais, a Academia da Cidade, equipes e insumos para a rede de saúde bucal, o Programa Agente Comunitário de Saúde, as práticas integrativas, o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), a população em situação de rua e o Mãe Coruja.</p>



<p>João Campos tem um problema concreto para resolver. Ele comandará a primeira gestão após a mudança na política de financiamento da atenção básica anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em vez de o dinheiro federal chegar aos municípios de acordo com a quantidade de habitantes, ele será repassado com base na quantidade de pessoas inscritas no sistema, com matrícula, cartão do SUS e vínculo com uma equipe de saúde da família. Porém, com uma cobertura de apenas 50% na capital, a conta das promessas corre o risco de não fechar.</p>



<p>Quando a medida foi promulgada, em 2019, a prefeitura correu para cadastrar o máximo de recifenses. Mas aí veio a pandemia e essa missão ficou comprometida. Para tornar ainda mais complexa a situação, a prefeitura resolveu mudar o sistema de cadastro, tendo que capacitar os trabalhadores, e, segundo quem atua na rede, não está havendo acompanhamento efetivo da gestão, que está distante dos distritos sanitários. Também não há Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) suficientes para cumprir a missão.</p>



<p>“Estou passando por uma reterritorialização da unidade em que trabalho por que eu e uma companheira médica imploramos porque os dados do e-SUS não correspondem à realidade. Os cadastros estão defasados e dependemos disso para que o financiamento não seja cortado em janeiro. E ninguém está falando nisso”, desabafa uma médica de saúde da família que preferiu não ser identificada.</p>



<p>“Nosso mapa de território de abrangência é absolutamente desconhecido pela prefeitura, cuja base de dados é de 2014. Então estamos tentando, a partir dos cadastros do e-SUS alimentados pelos ACSs, definir a quantidade de pessoas por equipe”, detalha, lamentando também a falta de planejamento, acompanhamento e conhecimento específico na área porque muitos cargos gerenciais estão ocupados por comissionados. “Tem Agente Comunitário de Saúde que tem 80 pessoas cadastradas quando deveria ter 600”, contabiliza a médica reforçando que não há quem cobre.</p>



<p>“Os ACSs ainda estão em capacitação para uso dos tablets, muitos não sabem nem criar um e-mail, então é demorado. Hoje eles fazem o cadastro em uma ficha e passam para um computador. Alguns mandam para o distrito, que tem um digitador. O ano é 2020 e ainda estamos trabalhando com a possibilidade de um digitador”, acrescenta.</p>



<p>Numa cidade em que equipes de saúde da família chegam a cobrir 4,5 mil pessoas, há um “colapso gerencial” na atenção básica do Recife, define o médico do SUS e professor de saúde da família na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Rodrigo Cariri. Para o doutorando na Fiocruz Pernambuco, há um enorme desafio estrutural, num cenário de desmantelamento do SUS e ausência de retaguarda federal.</p>



<p>Com uma demanda reprimida enorme por conta dos atendimentos eletivos que pararam na pandemia, Cariri afirma também que “a gestão perdeu o contato com trabalhadores junto a suas equipes”. “Em 2020, as equipes de saúde da família abandonaram todas as metas. Na minha equipe, fomos fazer exame de citologia oncótica no mês passado porque eu insisti. Mas, ainda assim, fazemos somente de cinco a 10 exames por semana numa população de mil mulheres que estão há um ano sem fazer o exame anual”, relata.</p>



<p>Na saúde mental, contabiliza Cariri, já são seis meses sem atendimento. “Os Caps (Centro de Atenção Psicossocial) não estão admitindo ninguém, nem o ambulatório. Só há a emergência do Hospital Psiquiátrico Ulysses Pernambucano, com um movimento grande”, diz o professor. A preocupação se agrava ainda mais por conta da proximidade de João Campos com a ala evangélica que defende as comunidades terapêuticas e com a notícia de que o governo Bolsonaro pretende revogar uma série de portarias que estruturam a política de saúde mental no Brasil, em vigor desde a década de 1990.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A pirâmide invertida da saúde </strong></h2>



<p>Filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto do ex-governador Miguel Arraes, João Campos disse na campanha que pretende, além de construir o hospital da criança, expandir a atenção básica construindo novas Upinhas, priorizando territórios que ainda têm um vazio na atenção básica e piores indicadores. O atual prefeito Geraldo Julio (PSB) prometeu erguer 20 Upinhas, mas só entregou 15.</p>



<p>Especialistas e parte da oposição avaliam que o projeto de saúde de Geraldo Julio, que João Campos prometeu continuar, é insustentável financeiramente, além de ter um grande problema: com uma cobertura de saúde da família que não contempla a todos, quem não está cadastrado também não consegue acessar os hospitais referenciados.</p>



<p>Um exemplo concreto é Passarinho, na zona norte, que, descoberto de referência, não entra nas estáticas. Uma mulher do bairro não consegue, por exemplo, acessar o Hospital da Mulher. Sendo a atenção básica a porta de entrada, cria-se assim uma pirâmide invertida, com estruturas de excelência no topo, mas uma base estreita de acesso.</p>



<p>Na avaliação da médica sanitarista, professora do Centro de Ciências Médicas da UFPE e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Bernadete Perez, João Campos deixou evidente que a estratégia será novamente a de “apostar em grandes marcas”.</p>



<p>Ela, que também faz parte da Rede Solidária em Defesa da Vida, grupo multidisciplinar criado na pandemia, critica a falta de apostas em equipamentos como os hospitais pediátricos Helena Moura &#8211; que nunca teve o investimento merecido, nem na gestão PT -, localizado na Tamarineira, zona norte, e o Cravo Gama, fechado e que tem projeto pronto em parceria com o estado. Seriam possibilidades de investir na pediatria com equipamentos existentes, sobretudo para atenção hospitalar e urgência e emergência. Isso sem contar com Barão de Lucena, Imip, Hospital de Areias e Barros Lima.</p>



<p>“Investir em atenção básica é reduzir a demanda para média e alta complexidade. Se ampliar de forma resolutiva a capacidade de resolver problemas nos territórios, você diminui a necessidade de internação, sobretudo de crianças”, mostra.</p>



<p>A impressão que Bernadete teve na campanha é que a aposta de João Campos para a atenção básica são as Upinha, que, de acordo com ela, não têm sustentabilidade financeira porque custam mais sem ter uma alta resolutividade. São 24h, mas não contam, por exemplo, com apoio diagnóstico, terapêutico e leito de retaguarda. “É uma lógica que parte do gerencialismo, não há continuidade”, avalia.</p>



<p>A médica aposta que a resolutividade da Unidade de Saúde da Família, se houvesse uma melhor estrutura, com equipes completas e de retaguarda, conseguiria solucionar o que as UPAs fazem, a exemplos de sutura, drenagem de abscesso, raio x, exames de coleta, leitos de observação, inserção de DIU e pequenos procedimentos.</p>



<p>A médica defende que o trabalho deveria ser apostar numa garantia de cobertura de pelo menos 80%, com ampliação a partir de áreas de maior risco, garantindo acesso e continuidade, com a inauguração de serviços novos a partir da atenção básica tendo uma vigilância integrada das pessoas nos territórios.</p>



<p>O assessor parlamentar do mandato do vereador de Ivan Moraes (Psol) André Araripe tece críticas semelhantes, com foco nos recursos que podem diminuir, uma vez que a atenção básica, para receber mais do governo federal, precisaria de expansão. Porém o dinheiro municipal deverá com João Campos continuar seguindo para as grandes obras, que custam mais para serem erguidas e também mantidas.</p>



<p>Araripe lembra ainda que os hospitais da mulher, do idoso e da criança não existem no modelo do SUS como caracterização da atenção básica. São feitos com os cofres municipais. As Upinhas, por sua vez, são uma criação do PSB e também não existem no SUS, que, lembra o assessor, deveria ser igual do Oiapoque ao Chuí. A prefeitura do Recife investe 17% em saúde, mais do que os 15% exigidos. É uma das capitais que mais investem em saúde percentualmente.</p>



<p>“Mas com o quê?”, provoca. “Com mega obras que consomem muito dinheiro do município, mas não abrangem a todos”. “Essa é uma crítica muito difícil de ser feita, parece ir de encontro a um hospital para crianças. Mas no fim das contas, é um plano que aumenta a desigualdade”, observa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Longe dos territórios </strong></h2>



<p>Na pandemia, o Recife, aponta o médico e professor Rodrigo Cariri, fez mapeamento de zona quente com drones e outros “fetiches tecnológicos”, mas não tem como ir para a rua andar e analisar a situação no chão. “O paciente faz o teste, recebe o resultado e tchau”, resume. Não há vigilância efetiva nem rastreio de contatos. Na avaliação dele, isso tem a ver com o modelo de gestão “gerencialista focal”, que prioriza algumas áreas em detrimento da micropolítica nos territórios.</p>



<p>“Eles (o PSB) vendem que são empresariais, gerenciais e não fazem aparelhamento político. O resultado é o distanciamento dos trabalhadores e da população. A gestão se comunica com os trabalhadores via WhatsApp”, informa comentando que recentemente a prefeitura lançou a Mostra de Saúde da Família Municipal e foi pelo app que os profissionais ficaram sabendo.</p>



<p>A questão da vigilância é um ponto fraco da gestão PSB no Recife e que se agravou com a pandemia. “Estamos vendo muitos pacientes circulando quando deveriam estar em isolamento. Sabemos disso porque estamos dentro da comunidade. Tem a ver com a vigilância que não está sendo efetiva e nós não conseguimos fazê-la porque não está bem integrada”, explica um médico do distrito sanitário IV, que abarca parte da zona oeste.</p>



<p>A prefeitura utiliza o sistema Atende em Casa, exclusivo para Covid-19, mas que não dialoga com o sistema e-SUS, que estrutura as informações da atenção básica. Isso complica ainda mais o acesso ao histórico e o acompanhamento dos pacientes. “Se o paciente foi atendido, por exemplo, em outro município ou pelo estado, em uma UPA, não há convergência das informações. Isso dificulta o monitoramento dos pacientes e dos contactantes”, detalha o profissional. Como o próprio SUS coloca, “a qualificação da gestão da informação é fundamental para ampliar a qualidade no atendimento à população”.</p>



<p>O médico exemplifica na prática: recentemente ele atendeu, na unidade em que trabalha, uma mulher com problema de saúde que não era Covid-19. Ela estava acompanhada na recepção de uma familiar que estava com o vírus, havia sido atendida numa Upinha, mas estava circulando por não estar mais com os sintomas naquele momento. Alguns dias depois, o profissional ficou sintomático e, na mesma semana, recebeu por WhatsApp a informação de que a paciente que ele atendeu também havia positivado.</p>



<p>“As pessoas são atendidas num ambiente em que não existe continuidade e não se conhece a família. A gente não tem telefone para fazer os atendimentos remotos a que fomos orientados. O que funciona mais é o WhatsApp mesmo”, complementa o médico dizendo que a prefeitura orientou o trabalho remoto, mas não deu condições para isso. Alguns médicos compraram um chip e colocaram num aparelho exclusivo para essa finalidade, para não misturar com o pessoal.</p>



<p>Outro ponto tem sido o relaxamento das medidas de biossegurança: “Está havendo muita dupla entrada nos serviços (sem separação de pacientes suspeitos de Covid-19), misturando o negócio. E aí há um desafio: mostrar que a pandemia ainda está aí inclusive para o pessoal da própria saúde. As pessoas estão cansadas, os protocolos estão sendo quebrados. Já começamos a ter infecção cruzada dentro dos serviços, como foi o meu caso. Se houver o repique, isso terá que ser reestruturado”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Nem Prefeitura do Recife nem João Campos se posicionaram</h3>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> procurou a assessoria de imprensa de João Campos no dia 4 de dezembro para ouvir o novo prefeito eleito. Porém, até o momento a reportagem não recebeu retorno. Deixamos aos nossos leitores a lista de perguntas enviadas:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Como João Campos pretende ampliar o percentual de cobertura de saúde da família?</li><li>Com a mudança na regra de financiamento feita por Bolsonaro para envio de verba para atenção básica &#8211; não mais baseado em número de habitantes, e sim em população cadastrada -, como João Campos irá garantir que não haja queda de repasse federal?</li><li>De onde virá o recurso para manter os hospitais da mulher e do idoso e ainda ampliar Upinhas e construir o hospital da criança?</li><li>Qual a previsão de investimento e manutenção anual do hospital da criança?</li><li>Há previsão para realização de concurso para ACS?</li><li>Médicos que entrevistei relataram baixa vigilância e monitoramento nos territórios e colocaram isso como um problema no combate à Covid-19, com uma gestão que, segundo os profissionais, focou pouco na questão territorial e de acompanhamento de pacientes positivados e contactantes. Como João Campos avalia?</li></ul>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> também procurou a Secretaria de Saúde do Recife através da assessoria de imprensa. Igualmente não teve retorno até o fechamento desta matéria. A reportagem deixa aqui a lista de perguntas que ficaram sem respostas:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Qual foi a última vez que a PCR fez concurso para ACSs?</li><li>Médicos que entrevistei relataram que o sistema do Atende em Casa não dialoga com o sistema e-SUS, o que dificultaria a convergência de informações e o trabalho de monitoramento e vigilância de pacientes e seus contactantes. Como a PCR avalia isso?</li><li>Médicos também colocaram que a PCR orientou o atendimento remoto, mas não deu condições para isso. Muitas vezes o que funciona entre eles e os pacientes é o WhatsApp pessoal ou um chip que o próprio profissional comprou. Como a PCR avalia isso?</li><li>Como está o cadastro de usuários da atenção básica no Recife após a mudança de regra feito por Bolsonaro para envio da verba federal aos municípios? Houve mudança no sistema de cadastramento? A PCR pode esclarecer como isso está se dando?</li></ul>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero&#8230;</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
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		<title>Ameaçada e esquecida pela prefeitura, Caranguejo Tabaiares resiste ao despejo feito às pressas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Sep 2019 21:44:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Caranguejo Tabaiares]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Júlio]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A promessa de um habitacional para as famílias de Caranguejo Tabaiares é antiga. Ela se soma aos vários projetos de moradia popular que nunca saíram do papel no Recife, mas sempre marcam presença nos guias de TV em época de campanha. A comunidade, instalada numa Zona Especial de Interesse Social (Zeis) de tradição pesqueira, onde [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[A promessa de um habitacional para as famílias de Caranguejo Tabaiares é antiga. Ela se soma aos vários projetos de moradia popular que nunca saíram do papel no Recife, mas sempre marcam presença nos guias de TV em época de campanha. A comunidade, instalada numa Zona Especial de Interesse Social (Zeis) de tradição pesqueira, onde vivem cerca de cinco mil pessoas, está situada entre os bairros de Afogados e da Ilha do Retiro, na Zona Oeste. Em julho deste ano, parte das moradoras e dos moradores foi surpreendida com um decreto (nº 32.680) de desapropriação em caráter de urgência assinado pelo Prefeito Geraldo Julio (PSB).

A justificativa é a obra de requalificação do Canal do Prado (parte do programa Capibaribe Melhor), que prevê serviços de drenagem, pavimentação, construção de calçadas, iluminação pública e paisagismo das vias que margeiam o canal. Também está prevista a implantação de três faixas de rolamento de veículos em um trecho que passa por dentro de Caranguejo Tabaiares, justamente na área onde seria construído o prometido habitacional.

O trecho viário vai da Estrada dos Remédios até as proximidades do braço do Rio Capibaribe, na altura da Rua Jordânia (a nota enviada pela Prefeitura para a Marco Zero cita, erroneamente, o rio Beberibe, que na verdade está distante sete quilômetros). O entorno é uma das zonas de forte especulação imobiliária na cidade, sobretudo na Av. Beira Rio e arredores.

Para viabilizar o projeto, orçado em R$ 1,6 milhão, a Prefeitura do Recife afirma que é necessária a desocupação das áreas onde serão realizadas as intervenções previstas e a realocação das famílias. A gestão municipal diz que essa obra finalmente irá, além de possibilitar o acesso ao canal, viabilizar a construção do lendário habitacional com 176 unidades.

Enquanto isso, o Recife convive com um déficit habitacional estimado em mais de 71 mil domicílios. O número, de 2017, é do Plano Local de Habitação de Interesse Social, com base nos dados do Censo Demográfico, da Fundação João Pinheiro e da Secretaria Executiva de Habitação e Urbanização Social.

<strong>Leia também:</strong>

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<a href="http://marcozero.org/dividas-de-r-346-milhoes-de-iptu-expoem-abandono-e-cobica-no-centro-do-recife/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Dívidas de R$ 346 milhões de IPTU expõem abandono e cobiça no Centro do Recife</a>

“Essas melhorias serão para quem?”, provoca Sarah Marques, do coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste. “Recife foi o pioneiro em áreas Zeis e pode ser também o pioneiro de retirada de áreas Zeis. Porque, quando você começa a expulsar as famílias sem conversar direito com elas, sem reorganizar a comunidade no lugar correto, onde as famílias construíram a sua história, você pode chegar e fazer isso em qualquer outra zona da cidade. E isso é o que nos dá força para lutar, porque não estamos pensando só em Caranguejo Tabaiares, estamos pensando na cidade como um todo”, protesta.

<iframe src="https://www.youtube.com/embed/u1dtXE5Kvxs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>
<h2>A luta de Caranguejo Tabaiares</h2>
Caranguejo Tabaiares tornou-se uma Zeis há 23 anos. Até o mês passado, nenhuma providência havia sido tomada para efetivar a regularização fundiária do local. Quem passa próximo ao Sport Clube do Recife não imagina a vida e as histórias que se estabeleceram há mais de um século no território.
<blockquote>ZEIS

Significa o reconhecimento, por parte do poder público, de que a comunidade constitui-se enquanto assentamento habitacional consolidado de baixa renda, surgido espontaneamente e carente de infraestrutura básica, devendo, portanto, ser realizada a sua regularização fundiária.

Significa também o direito de permanência das moradoras e dos moradores das áreas Zeis em continuar residindo em seu território afetivo de origem, protegidos de serem desapropriados ou removidos para lugares distantes e periféricos em relação ao centro da cidade.</blockquote>
O poder público municipal vem dando três opções para que as famílias que vivem na área onde passará a obra se retirem: um apartamento no Conjunto Habitacional Casarão do Barbalho, na Iputinga, a sete quilômetros de Caranguejo Tabaiares; uma indenização calculada com base apenas nas benfeitorias empregadas; ou um auxílio-moradia de R$ 200,00 por mês até que o habitacional fique pronto.

Até agora, 32 famílias foram retiradas e realocadas para o Casarão do Barbalho. Mais três famílias estão aguardando o processo de mudança para o mesmo local e outros três imóveis serão retirados mediante pagamento de indenização. Como nada da obra ainda foi feito, boa parte dessas moradias já foram reocupadas.

“Estamos aqui até agora resistindo porque minha mãe não quer ir. Pode ser até um lugar bom (o Habitacional Casarão do Barbalho) para quem está dando, mas para mim e para a minha família não é. Minha mãe nunca sonhou com isso”, diz a auxiliar administrativa Suzana Maria da Silva. “Não é um lugar bonito, ninguém quer morar de frente para o esgoto. Mas não queremos sair daqui. Queremos melhorias aqui, temos esse direito”.

Ela é uma das filhas de Maria José Domingos, moradora da comunidade há 40 anos, dona de uma das moradias ameaçadas de remoção. A PCR só pode dar início às obras com essas retiradas. A senhora de 75 anos relata que chegou a ser abordada por técnicos da prefeitura quando estava sozinha em casa. “Por sorte, minha filha já tinha me alertado para que eu não assinasse nada”. A outra filha de Dona Maria é cadeirante e trabalha no Recife Antigo, mais um motivo para que elas não queiram deixar a comunidade.

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<h2>O conflito fundiário</h2>
A construção de um habitacional em Caranguejo Tabaiares já estava prevista no plano urbanístico de 2008. Em 2013, depois que a comunidade foi atingida por um incêndio, o prefeito Geraldo Julio (PSB) esteve no local e reafirmou a intenção do projeto assinando um contrato de cessão de um terreno onde seriam erguidas as moradias populares.

Uma licitação para escolha da empresa chegou a ser lançada, mas, no meio do caminho, teve início uma disputa judicial envolvendo parte do terreno que pertence a uma sociedade de médicos. Assim, o convênio com a Caixa Econômica, através do Minha Casa Minha Vida, nunca foi assinado.

O acirramento do conflito fundiário em Caranguejo Tabaiares começou há cerca de um ano, quando a Prefeitura do Recife anunciou que precisaria desapropriar aproximadamente 100 famílias para a obra de requalificação do Canal do Prado.

O advogado do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), Stélio Cavalcanti, chama a atenção para o fato de esse processo, que desconsidera o traçado urbano já consolidado na comunidade, estar em desrespeito à Lei municipal nº 16.113 de 1995, de Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social (Prezeis), que define os parâmetros construtivos em área de Zeis.

&#8220;A atual luta de moradores de Caranguejo Tabaiares evidencia mais um passo do processo de gentrificação do Recife, onde o poder público, ao deixar de aplicar e respeitar a legislação, como a Lei do Prezeis, termina por criar as condições políticas e legais para que o mercado imobiliário dite o desenho da cidade&#8221;, avalia o advogado do CPDH.

Na semana passada, o centro entrou com um mandado de segurança para suspender os efeitos e anular o decreto de desapropriação de Caranguejo Tabaiares. O mandado ainda não foi apreciado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. Segundo os advogados, trata-se de “um processo de desapropriação ilegal, uma vez que, enquanto área Zeis, a comunidade deve destinar-se precipuamente, por força de lei, à regularização fundiária plena”.

Além disso, o decreto de Geraldo Julio viola também, segundo o CPDH, a Lei Federal nº 13.465/2017, uma vez que a organização entrou com pedido de regularização fundiária cerca de um mês antes, que ainda não foi apreciado. A lei diz que, enquanto o pedido não tiver sido apreciado, o que pode levar até um ano, não pode haver qualquer remoção na área.

Os advogados ainda chamam a atenção para a consolidação da comunidade há quase um século, o que ocorreu com a conivência do poder público, que permitiu a permanência das famílias e ainda realizou pavimentação de ruas, incentivando as ocupações através de políticas públicas habitacionais de doação de recursos e de materiais de construção para auxiliar as moradoras e os moradores na autoconstrução ou na realização de melhorias de suas moradias.

As desapropriações, por sua vez, denuncia o CPDH, estão sendo realizadas mediante indenizações calculadas com base apenas nas benfeitorias empregadas, com valores insuficientes para que as famílias possam comprar uma casa do mesmo padrão construtivo.

Outra opção dada pelo poder público municipal é inscrever as famílias num cadastro de beneficiários do programa de auxílio-moradia para que recebam uma ajuda de R$ 200 por mês até que a solução habitacional de Caranguejo Tabaiares saia do papel. Para se ter ideia, em Salvador esse auxílio é de R$ 400 e, em São Paulo, de R$ 800. Tudo isso, então, está longe de garantir uma alternativa habitacional digna.

Em nota, a prefeitura garante que “todo o processo de urbanização da área tem sido realizado a partir do diálogo com os moradores, com a realização de várias reuniões, incluindo uma apresentação do projeto na comunidade e, em duas outras ocasiões, na sede da Autarquia de Urbanização do Recife (URB)”. Moradoras e moradores, porém, dizem que esses encontros têm sido insuficientes e que muita gente na comunidade ainda não entende o processo.
<h2>A contradição da Prefeitura do Recife</h2>
Não bastassem as reiteradas promessas do prefeito Geraldo Julio de beneficiar a comunidade, há outra contradição do poder público municipal: a Prefeitura do Recife está oferecendo ajuda para que as famílias reformem suas casas em Caranguejo Tabaiares. O Parceria na Sua Casa é uma ação do programa Chegando Junto, que abarca uma série de projetos, com ações de assistência à população e apoio à geração de renda.

O objetivo é realizar pequenas reformas que custem até R$ 5 mil nas casas contempladas, após uma triagem, como, por exemplo, reparos nos telhados, banheiro, cozinha, reboco e piso das casas. As ações são feitas pelos próprios moradores com apoio técnico da prefeitura, que banca o material. Na justificativa da PCR, “o projeto também reforça o compromisso da gestão de ampliar as políticas públicas voltadas à habitação”.

A escolha da comunidade Caranguejo Tabaiares, relembra a própria prefeitura, foi deliberada em plenária no Fórum do Prezeis e o Parceria na Sua Casa é baseado na <a href="https://leismunicipais.com.br/a/pe/r/recife/lei-ordinaria/2015/1819/18189/lei-ordinaria-n-18189-2015-dispoe-sobre-o-programa-de-melhoria-habitacional-que-trata-da-realizacao-de-melhorias-de-unidades-habitacionais-para-promocao-da-dignidade-da-pessoa-humana-e-da-funcao-social-da-cidade-daqueles-que-tem-perfil-socioeconomico-para-habitacao-de-interesse-social-localizadas-no-municipio-de-recife" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Lei nº 18.189/2015</a>, que dispõe sobre o programa de melhoria habitacional daqueles que têm perfil socioeconômico para habitação de interesse social.

<em>Atualizado em 23h35</em><p>O post <a href="https://marcozero.org/ameacada-e-esquecida-pela-prefeitura-caranguejo-tabaiares-resiste-ao-despejo-feito-as-pressas/">Ameaçada e esquecida pela prefeitura, Caranguejo Tabaiares resiste ao despejo feito às pressas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Prefeitura do Recife gasta R$ 10,7 milhões em publicidade em três meses</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 May 2019 00:04:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Prefeitura do Recife já gastou em publicidade, entre janeiro e março, quase a totalidade do orçamento aprovado para a área pela Câmara Municipal para 2019. Foram R$ 10.761.582,72 gastos para um orçamento anual de R$ 11,9 milhões. A conta só fecha porque a Prefeitura fez pelo menos oito remanejamentos de verbas aumentando o orçamento [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/prefeitura-do-recife-gasta-r-107-milhoes-em-publicidade-em-tres-meses/">Prefeitura do Recife gasta R$ 10,7 milhões em publicidade em três meses</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[A Prefeitura do Recife já gastou em publicidade, entre janeiro e março, quase a totalidade do orçamento aprovado para a área pela Câmara Municipal para 2019. Foram R$ 10.761.582,72 gastos para um orçamento anual de R$ 11,9 milhões. A conta só fecha porque a Prefeitura fez pelo menos <a href="http://marcozero.org/pelo-segundo-ano-seguido-prefeitura-do-recife-altera-orcamento-e-amplia-gastos-com-propaganda/">oito remanejamentos de verbas aumentando o orçamento original da publicidade em R$ 25.098.978,07</a>.

Um levantamento feito pela equipe do mandato do vereador Ivan Moraes (Psol) checou cada centavo gasto este ano em publicidade pela Secretaria de Governo e Participação Social para chegar aos mais de R$ 10 milhões. De todas as informações colhidas chamam a atenção o alto volume de recursos destinados à promoção institucional da Prefeitura (41%) e a concentração de verbas na TV Globo (23.6%).

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/gastosPCR__011.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15587" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/gastosPCR__011.png" alt="gastosPCR__01(1)" width="600" height="320"></a>Os dados foram acessados no portal da transparência da Prefeitura e sistematizados pela equipe do gabinete de Ivan. Ficou de fora dessa conta a verba para “promoção da cidade” sob responsabilidade da Secretaria de Turismo.

Somadas, as campanhas institucionais custaram aos cofres públicos no primeiro trimestre deste ano R$ 4.599.589,16. Um crescimento bastante expressivo se compararmos aos gastos do último trimestre do ano passado, quando os custos com publicidade institucional ficaram em R$ 1.824.675,49.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/gastosPCR__02.png"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15589" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/gastosPCR__02.png" alt="gastosPCR__02" width="600" height="248"></a>

A campanha institucional mais cara é a Novo Slogan, que já custou R$ 1.434.457,57 nos primeiros três meses do ano. Se somarmos a esse número o valor gasto com a mesma campanha entre outubro e dezembro do ano passado chegamos à quantia de R$ 2.959.982,84. A campanha Novo Slogan divulga o Compaz e o mote “Recife não para”, abordando obras nos morros, escadarias, habitacional e educação, entre outros temas.

O Plano Diretor do Recife, atualmente em discussão na Câmara Municipal, foi tema para uma das campanhas institucionais neste primeiro trimestre de 2019, consumindo R$ 1.040.225,33. A propaganda fazia um contraponto <a href="http://marcozero.org/recife-de-luta-denuncia-irregularidades-na-revisao-do-plano-diretor-ao-banco-mundial-e-lanca-propostas/">às críticas da sociedade civil de falta de participação popular no processo</a>, enfatizando a realização de audiências públicas.

A campanha educativa de maior custo é a “Recife que se cuida” que pagou R$ 1.396.174,01 entre janeiro e março de 2019, bem menos do que os R$ 2.265.665,26 desembolsados nos últimos três meses de 2018. A campanha envolve alerta sobre sífilis, pré-natal, orientações para idosos e outros assuntos de saúde.

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<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/gastosPCR__03.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15590" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/gastosPCR__03.png" alt="gastosPCR__03" width="600" height="652"></a>Os dados também revelam a concentração de recursos de publicidade da Prefeitura do Recife na TV Globo. Dos R$ 10.761.582,72 pagos no primeiro trimestre de 2019, 23,6% foram destinados à emissora, somando R$ 2.544.843,94. Considerando os pagamentos feitos também no último trimestre de 2018 os recursos para a TV Globo chegam a R$ 4,5 milhões nos últimos seis meses.

Na avaliação do vereador Ivan Moraes, fica evidente a estratégia da Prefeitura de colocar um orçamento menor para a publicidade e suplementar ao longo do ano, recordando os remanejamentos que fizeram subir a previsão orçamentária da publicidade no ano passado para R$ 74 milhões. A diferença, informa o parlamentar, é que depois de dois anos pressionando a Prefeitura os dados da publicidade finalmente passaram a ser discriminados no portal da transparência a partir de janeiro deste ano.

O percentual de recursos destinados à publicidade institucional, embora não esteja em desacordo com a lei, fere o direito à informação da população, na visão do parlamentar. “Achamos 40% de verba institucional um valor muito alto. Eugênio Bucci&nbsp; (professor de comunicação da USP e ex-presidente da Radiobrás) diz que não deveria existir propaganda oficial, eu discordo. Mas acho 40% um percentual muito alto. E há um direcionamento dessa propaganda, com um fim eleitoral. Não é preciso dizer o nome de Geraldo Julio. O marketing sabe como trabalhar isso indiretamente, no posicionamento da marca, no enquadramento. Infelizmente esse tipo de comunicação promove a gestão quando deveria promover o direito à comunicação de todas as pessoas.”

A concentração da verba publicitária da Prefeitura em poucos veículos de comunicação também é criticada por Ivan. “Há um claro predomínio das emissoras de TV, que levam 50% da verba. De cada 4 reais investidos, 1 real fica com a Rede Globo. Praticamente não existe investimento público na mídia comunitária e popular, na mídia de território. São as mesmas empresas que faturam um valor muito alto”.

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// ]]&gt;</script><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/gastosPCR__04.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-15604" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/05/gastosPCR__04.png" alt="gastosPCR__04" width="600" height="495"></a>
Ivan alerta para que as pessoas não pensem nos recursos da comunicação como investimentos que deveriam ser transferidos para outras áreas, como saúde e educação. “Muita gente pode achar R$ 10 milhões muito dinheiro para a comunicação. Mas esse é um tema importante também. O problema é que deveríamos ter uma política pública de comunicação e, na prática, temos uma política de comunicação da gestão pública, o que é bem diferente. Os recursos deveriam fortalecer núcleos de comunicação popular e comunitária, rádios comunitárias. A própria Rádio Frei Caneca”, defende.

Escalado pela Prefeitura do Recife para responder às críticas dos vereadores de oposição, o vereador Eriberto Rafael (PTC), por meio de sua assessoria, encaminhou texto para rebater as declarações de Ivan Moraes: &#8220;Os valores citados pelo vereador estão dentro do limite permitido para investimentos em comunicação institucional e seguem à risca a Lei Municipal 18.004/14. Importante frisar que a comunicação institucional tem por objetivo a transparência, a informação, a prestação de contas e de serviços à população. Assim, as campanhas são realizadas seguindo critérios técnicos de audiência e público atingido&#8221;.<p>O post <a href="https://marcozero.org/prefeitura-do-recife-gasta-r-107-milhoes-em-publicidade-em-tres-meses/">Prefeitura do Recife gasta R$ 10,7 milhões em publicidade em três meses</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Pelo segundo ano seguido, Prefeitura do Recife altera orçamento e amplia gastos com propaganda</title>
		<link>https://marcozero.org/pelo-segundo-ano-seguido-prefeitura-do-recife-altera-orcamento-e-amplia-gastos-com-propaganda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2019 15:07:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[gastos com publicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Júlio]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como aconteceu em 2018, bastou o ano começar para a Prefeitura do Recife alterar o orçamento público e garantir a ampliação dos gastos com propaganda nos meses seguintes. O modus operandi foi o mesmo: aprovado em novembro pela Câmara Municipal, o orçamento começou a ser mutilado em janeiro. Mudaram os valores, a data do primeiro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Como aconteceu em 2018, bastou o ano começar para a Prefeitura do Recife alterar o orçamento público e garantir a ampliação dos gastos com propaganda nos meses seguintes. O <em>modus operandi</em> foi o mesmo: aprovado em novembro pela Câmara Municipal, o orçamento começou a ser mutilado em janeiro. Mudaram os valores, a data do primeiro empenho e o parlamentar de oposição que denuncia a operação.

Se em 2018, a denúncia partiu da Assembleia Legislativa na voz da deputada estadual Priscila Krause (DEM), desta vez veio de um vereador, Jayme Asfora (sem partido), que identificou todos decretos de suplementação orçamentária em benefício da secretaria de Governo e Participação Social, responsável pelos gastos de publicidade.
<blockquote><a href="http://marcozero.org/prefeitura-gasta-r-36-milhoes-em-comunicacao-sem-transparencia/"><strong>Prefeitura gasta R$ 36 milhões em comunicação sem transparência </strong></a></blockquote>
O levantamento realizado pela equipe do gabinete do vereador revela que, em 2019, a prefeitura foi ainda mais ousada: o primeiro remanejamento ocorreu no dia 4 de janeiro. Foram retirados R$ 53.978,07 que, originalmente, seriam destinados à contratação por tempo determinado de pessoal para executar a política de proteção animal. No ano passado, a equipe do prefeito Geraldo Julio demorou um pouco mais: a primeira alteração foi no dia 20 de janeiro, retirando R$ 2 milhões dos encargos da dívida pública interna.

Em 8 de fevereiro houve uma alteração de grande porte com a retirada de R$ 3 milhões que seriam usados para pagar vencimentos e vantagens fixas de pessoal da secretaria de Planejamento e Gestão de Pessoas (Seplag). Ao todo – ao menos até agora – foram oito remanejamentos que somaram R$ 25.098.978,07 ao orçamento da publicidade. A maior alteração, de R$ 6 milhões, também atingiu a folha salarial da Seplag.

De acordo com a lei orçamentária aprovada pela Câmara, a dotação inicial para todos os gastos da Secretaria de Governo seria de R$ 22,2 milhões, dos quais apenas R$ 11,9 milhões seriam usados em publicidade. Ou seja, em quatro meses a prefeitura ampliou em 114%.
<h2>“Autopropaganda do prefeito&#8221;</h2>
Jayme Asfora conta que, quando a proposta de Lei Orçamentária foi enviada para a Câmara, “uma das poucas rubricas de investimento foi a de publicidade, mas com um orçamento baixo, pois quando os vereadores viram o valor de menos de R$ 22 milhões para a Secretaria de Governo consideraram aquilo aceitável, pois a pasta tem outras atribuições, como a proteção animal, então não apresentaram emendas. Mas a prefeitura começa a suplementar em 4 de janeiro. É uma falta de respeito com a Câmara e uma falta de transparência absurda”.

Ele também questiona a legalidade do conteúdo da propaganda oficial: “A prefeitura quer intensificar a autopropaganda do gestor e da gestão, que são pouco respeitosas ao princípio da impessoalidade, por mais sutis ou subliminares que sejam”.

O vereador também lembrou que o remanejamento também tem o objetivo de aumentar a média de gastos com publicidade, pois, de acordo com a legislação, em ano eleitoral o Poder Público só pode gastar a média daquilo que foi gasto nos três anos anteriores do mandato. “Assim, a prefeitura poderá concentrar bastante gastos com propaganda nos primeiros meses de 2020”.
<h2>Posição da prefeitura</h2>
A Marco Zero Conteúdo entrou em contato com o gabinete de Imprensa da prefeitura e recebeu a informação de que a posição oficial seria dada pelo vereador Eriberto Rafael, líder do Governo na Câmara, cuja assessoria repassou a seguinte nota:

“Os valores citados pelo vereador são previsões do orçamento do município, podendo ou não serem executados na sua totalidade. Além disso, enquanto instrumento dinâmico, o orçamento permite a realocação de recursos, que no caso da comunicação tem por objetivo a transparência, a informação, a prestação de contas e de serviços à população. Assim, os ajustes feitos estão dentro da média de investimentos realizados ao longo do exercício da gestão”.<p>O post <a href="https://marcozero.org/pelo-segundo-ano-seguido-prefeitura-do-recife-altera-orcamento-e-amplia-gastos-com-propaganda/">Pelo segundo ano seguido, Prefeitura do Recife altera orçamento e amplia gastos com propaganda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Obra abandonada há uma década garantiria habitação para 448 famílias no Coque</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Dec 2018 10:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Coque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ano era 2009. O então prefeito do Recife, João da Costa (PT), em seu primeiro ano de mandato, anunciou, com pompa e cenografia, que um investimento de aproximadamente R$ 15 milhões tiraria, já no final de 2010, 448 famílias de palafitas na área central da cidade para morarem no Conjunto Habitacional Vila Brasil I, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/habitacional-vila-brasil-448-familias-e-uma-decada-de-promessas-e-abandonos-no-centro-do-recife/">Obra abandonada há uma década garantiria habitação para 448 famílias no Coque</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[O ano era 2009. O então prefeito do Recife, João da Costa (PT), em seu primeiro ano de mandato, anunciou, com pompa e cenografia, que um <a href="http://www.recife.pe.gov.br/diariooficial-acervo/exibemateria.php?cedicacodi=52&amp;aedicaano=2009&amp;ccadercodi=1&amp;csecaocodi=1&amp;cmatercodi=2&amp;QP=vila+brasil&amp;TP=" target="_blank" rel="noopener noreferrer">investimento de aproximadamente R$ 15 milhões tiraria, já no final de 2010, 448 famílias de palafitas</a> na área central da cidade para morarem no Conjunto Habitacional Vila Brasil I, em Joana Bezerra, bem próximo ao Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano. Mas o sonho da moradia popular afundou na lama.

Mesmo a prefeitura tendo efetuado pagamentos às duas empresas licitadas, entre 2009 e 2013, no total de mais de R$ 4 milhões,  a obra, super atrasada, foi abandonada. Quase uma década depois, já no segundo mandato do atual prefeito Geraldo Julio (PSB), que assumiu em 2013, a construção constrange o poder público municipal.

O Vila Brasil II, que seria erguido na mesma área, sequer teve um tijolo assentado até hoje, mesmo a prefeitura tendo anunciado, no final de 2017, que havia garantido recursos junto ao governo federal. Na época, o <a href="http://www2.recife.pe.gov.br/noticias/08/11/2017/prefeitura-do-recife-garante-recursos-para-contratacao-de-996-novas-unidades" target="_blank" rel="noopener noreferrer">anúncio</a> falava em mais de R$ 80 milhões através do Ministério das Cidades para unidades habitacionais nos bairros do Recife, Bongi, Tejipió, Cordeiro e Joana Bezerra.

A demora é tanta que, em 2016, um grupo de 120 famílias de outros bairros, que não faziam parte do cadastro para o Vila Brasil, resolveram ocupar a obra para pressionar a prefeitura por uma solução habitacional. A ocupação recebeu o nome de Solange Souza, líder comunitária do Rosarinho, na Zona Norte.

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A reportagem da <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> esteve no Vila Brasil na primeira semana de dezembro. Os oito dos 14 blocos do projeto inicial que chegaram a ser erguidos, alguns já com cerâmica, mas atualmente em estado de degradação e com materiais de construção furtados, ficam num terreno tomado por mato alto e muita sujeira, próximo à ponte Joaquim Cardoso. Sem contar as cisternas abertas, potenciais focos de proliferação do mosquito <em>Aedes aegypti</em>.

Confira a apresentação do projeto original:

<iframe loading="lazy" src="https://e.issuu.com/anonymous-embed.html?u=marcozeroconteudo&amp;d=apresentaovilabrasilecoelhos2009-09" width="944" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe>

O projeto tornou-se um dos principais retratos da negligência e falta de vontade política em resolver o problema do déficit habitacional estimado em mais de 71 mil domicílios em 2017 na capital de Pernambuco. O número é do <a href="http://conselhodacidade.recife.pe.gov.br/sites/default/files/biblioteca/PLHIS%20-%20Produto%2003%20-%20AP%20CONCIDADE%2019-12-2017.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Plano Local de Habitação de Interesse Social</a>, com base nos dados do Censo Demográfico, da Fundação João Pinheiro e da Secretaria Executiva de Habitação e Urbanização Social.

O habitacional Vila Brasil I deveria ter campo de futebol, jardim, área de lazer, estacionamento e centro comunitário. Regina Célia, de 48 anos, é uma das 448 famílias cadastradas para receber um apartamento. Da casa onde mora com um quarto sem janela onde dorme com o neto, na Comunidade da Ponte Joaquim Cardoso, no Coque, ela olha todos os dias para o conjunto inacabado. A promessa de um apartamento com sala, dois quartos, cozinha, banheiro e área de serviço, numa área de 40,71 m², hoje é apenas um simples papel de cadastro com pouca informação.

<div id="attachment_12302" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/31337797577_f36a7074e2_o.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12302" class="wp-image-12302 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/31337797577_f36a7074e2_o.jpg" alt="Regina exibe o único documento que tem de comprovação de cadastro para o Habitacional Vila Brasil I (foto: Inês Campelo/Marco Zero Conteúdo)" width="1600" height="1067" /></a><p id="caption-attachment-12302" class="wp-caption-text">Regina exibe o único documento que tem de comprovação de cadastro para o Habitacional Vila Brasil I (foto: Inês Campelo/Marco Zero Conteúdo)</p></div>

Sem poder trabalhar, com o salário mínimo que recebe do Benefício de Prestação Continuada Regina também sustenta a filha, Beatriz de Santana, cujo marido está preso, e três netos pequenos. Diabética, já perdeu dois dedos dos pés, além de conviver com uma lista de problemas de coluna e ter passado por duas cirurgias, uma em cada perna, que lhe renderam grandes cicatrizes.

“Sabe esse cheiro ruim? É do chiqueiro que tem aqui atrás de casa”, explica, enquanto procura o papel de cadastro em meio a documentos desorganizados numa bolsa,  salvos de uma inundação recente, quando a casa ainda tinha coberta de tábua.

<div id="attachment_12303" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/31337797317_363d6e51c4_o.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12303" class="wp-image-12303 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/31337797317_363d6e51c4_o.jpg" alt="Regina vive numa pequena casa de quarto sem janela ao lado do terreno onde o Habitacional Vila Brasil foi abandonado (foto: Inês Campelo/Marco Zero Conteúdo)" width="1600" height="1067" /></a><p id="caption-attachment-12303" class="wp-caption-text">Regina vive numa pequena casa de quarto sem janela ao lado do terreno onde o Habitacional Vila Brasil foi abandonado (foto: Inês Campelo/Marco Zero Conteúdo)</p></div>

<strong>APENAS PROMESSAS</strong>

Em maio de 2009, João da Costa, acompanhado de secretários municipais e assessores, chegou a <a href="http://www.recife.pe.gov.br/diariooficial-acervo/exibemateria.php?cedicacodi=53&amp;aedicaano=2009&amp;ccadercodi=1&amp;csecaocodi=1&amp;cmatercodi=1&amp;QP=vila+brasil&amp;TP=" target="_blank" rel="noopener noreferrer">visitar a comunidade Vila Brasil</a> &#8211; definida como Zona Especial de Interesse Social (Zeis) em 2014 -, explicou aos moradores o andamentos dos trabalhos e declarou, na ocasião, que já tinha “assegurado o dinheiro para a realização das obras”. Logo depois, a licitação foi lançada. Em outubro, a <a href="http://www.recife.pe.gov.br/diariooficial-acervo/exibemateria.php?cedicacodi=118&amp;aedicaano=2009&amp;ccadercodi=2&amp;csecaocodi=7&amp;cmatercodi=2&amp;QP=vila+brasil&amp;TP=" target="_blank" rel="noopener noreferrer">vencedora para execução do projeto foi a Edificarte Construtora e Incorporadora</a>. Os recursos viriam do Ministério das Cidades, repassados pela Caixa, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em 2010, a <a href="http://www.recife.pe.gov.br/diariooficial-acervo/exibemateria.php?cedicacodi=107&amp;aedicaano=2010&amp;ccadercodi=2&amp;csecaocodi=3&amp;cmatercodi=2&amp;QP=&amp;TP=edificarte" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Edificarte recebeu um aditivo do contrato</a>, de nº 125, de cerca de R$ 4 milhões, fazendo o valor do projeto crescer 21%, passando dos R$ 19,55 milhões, montante que aparece no <a href="http://www.recife.pe.gov.br/diariooficial-acervo/exibemateria.php?cedicacodi=126&amp;aedicaano=2009&amp;ccadercodi=2&amp;csecaocodi=3&amp;cmatercodi=2&amp;QP=vila+brasil&amp;TP=" target="_blank" rel="noopener noreferrer">extrato de contrato publicado no final do ano anterior</a>, para R$ 23,66 milhões. A justificativa? “Execução de serviços extras e excedentes”.

Detalhe: nesse mesmo ano, a Comunidade Vila Brasil sofreu um incêndio agravando ainda mais a situação de algumas famílias ribeirinhas, que então passaram a receber auxílio-moradia.

Tanto em <a href="http://www.recife.pe.gov.br/diariooficial-acervo/exibemateria.php?cedicacodi=76&amp;aedicaano=2011&amp;ccadercodi=2&amp;csecaocodi=2&amp;cmatercodi=1&amp;QP=vila+brasil&amp;TP=" target="_blank" rel="noopener noreferrer">2011</a> quanto em <a href="http://www.recife.pe.gov.br/diariooficial-acervo/exibemateria.php?cedicacodi=79&amp;aedicaano=2012&amp;ccadercodi=2&amp;csecaocodi=49&amp;cmatercodi=1&amp;QP=vila+brasil&amp;TP=" target="_blank" rel="noopener noreferrer">2012</a>, a construção do Conjunto Habitacional Vila Brasil I aparece na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), na área que aborda planos para “melhorar as condições de habitabilidade e saneamento ambiental”.

A partir de 2019, João da Costa voltará à cena política. Ele ocupará uma das vagas de vereador do Recife abertas com a eleição do titular para a Assembleia Legislativa.

<strong>UMA PROMESSA AFUNDADA É POUCO&#8230;</strong>

Em 2013, quatros anos depois do primeiro anúncio, a promessa aparece novamente, desta vez atrelada a um outro projeto que igualmente afundou: a navegabilidade do Rio Capibaribe. Logo no início do primeiro ano da gestão do PSB, <a href="http://www2.recife.pe.gov.br/noticias/17/01/2013/pcr-construira-habitacionais-para-832-familias" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Geraldo Julio e o então governador Eduardo Campos assinaram um convênio</a>, durante a cerimônia que marcou o início da dragagem do rio, para construção de habitacionais que abrigariam, ao todo, 832 famílias. E lá estava ele de novo: o Vila Brasil e suas 448 famílias abandonadas voltavam a ser mencionadas numa cerimônia oficial.

<div id="attachment_12304" style="width: 690px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/prefeituradorecife_govpernambuco_capibaribe.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12304" class="wp-image-12304 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/prefeituradorecife_govpernambuco_capibaribe.jpg" alt="O prefeito do Recife, Geraldo Julio, e o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, assinam convênio, em 2013, para construção do Habitacional Vila Brasil I (foto: Andréa Rêgo Barros/PCR)" width="680" height="340" /></a><p id="caption-attachment-12304" class="wp-caption-text">O prefeito do Recife, Geraldo Julio, e o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, assinam convênio, em 2013, para construção do Habitacional Vila Brasil I (foto: Andréa Rêgo Barros/PCR)</p></div>

O acordo previa que a PCR retirasse das margens do rio todas as palafitas e a população ribeirinha entre as pontes Velha e Joaquim Cardoso, nos bairros dos Coelhos e de São José. A medida permitiria ao Estado construir uma estação de navegabilidade próxima à Estação Ferroviária Central do Recife. O valor anunciado ainda era o mesmo de três anos antes, perto de R$ 24 milhões.

No segundo semestre, o poder público municipal abriu uma <a href="http://www.recife.pe.gov.br/diariooficial-acervo/exibemateria.php?cedicacodi=91&amp;aedicaano=2013&amp;ccadercodi=2&amp;csecaocodi=7&amp;cmatercodi=1&amp;QP=vila+brasil&amp;TP=" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nova licitação para o Vila Brasil I</a>, desta vez para “execução dos serviços de conclusão da construção de 128 unidades habitacionais e sua infraestrutura interna dotada de abastecimento de água, esgotamento sanitário, rede elétrica, área de lazer e pavimentação interna”. A <a href="http://www.recife.pe.gov.br/diariooficial-acervo/exibemateria.php?cedicacodi=139&amp;aedicaano=2013&amp;ccadercodi=2&amp;csecaocodi=65&amp;cmatercodi=1&amp;QP=vila+brasil&amp;TP=" target="_blank" rel="noopener noreferrer">vencedora foi a DHF Engenharia</a>, com contrato de quase R$ 5 milhões e prazo de execução de nove meses.

Em 2014, começam os trâmites para licitação do Habitacional Vila Brasil II. A vencedora foi a HBR Engenharia. Mas, apesar de<a href="http://www2.recife.pe.gov.br/noticias/08/11/2017/prefeitura-do-recife-garante-recursos-para-contratacao-de-996-novas-unidades" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Geraldo Julio ter reafirmado, em 2017, que os recursos estavam garantidos juntos ao governo federal</a>, nada consta como pago à empresa no Portal da Transparência do Recife.

Levantamento do mandato do vereador Ivan Moraes (Psol) feito com dados do Portal da Transparência do Recife mostra que já foram efetivamente pagos pela prefeitura um total de R$ 4,18 milhões, sendo R$ 3,81 para a Edificarte e R$ 370 mil para a DHF.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/vilabrasil_gastospcr.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-12305" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/vilabrasil_gastospcr.png" alt="vilabrasil_gastospcr" width="569" height="412" /></a>

Nossa reportagem tentou contato com as três empresas envolvidas, mas não conseguiu contato através dos telefones que constam no cadastro da Receita Federal. Mas seguimos abertos para contatos que possam surgir depois da reportagem através do e-mail marcozero@marcozero.org.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Habitação do Recife foi contactada pela reportagem pela primeira vez na quinta, 13, para explicar o abandono o Vila Brasil e falar sobre a possibilidade de uma possível retomada. Até agora, mesmo após ligações e novos emails, a gestão municipal não se posicionou.

<strong>ABANDONO VIRA OCUPAÇÃO</strong>

<div id="attachment_12329" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/vilabrasil71.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12329" class="size-full wp-image-12329" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/vilabrasil71.jpg" alt="Frases pintadas nos muros do Habitacional Vila Brasil mostram a revolta popular (foto: Inês Campelo/Marco Zero Conteúdo)" width="1600" height="900" /></a><p id="caption-attachment-12329" class="wp-caption-text">Frases pintadas nos muros do Habitacional Vila Brasil mostram a revolta popular (foto: Inês Campelo/Marco Zero Conteúdo)</p></div>

Em 2016, como protesto por moradia digna, um grupo de 120 famílias ocupou a construção do Vila Brasil. A prefeitura na época, em troca de uma saída rápida e pacífica, realizou um cadastro e prometeu a construção de um outro habitacional, que também nunca saiu da promessa. Entre tantas artes que estampam as paredes do abandono no Vila Brasil, a frase “Casa sem gente, gente na rua”, no que seria o bloco D, também simboliza a luta da ocupação que se chamou Solange Souza, líder comunitária do bairro do Rosarinho, na Zona Norte.

Daise da Silva, 32 anos, é uma das recifenses que participaram da Ocupação Solange Souza e forma cadastradas pela prefeitura e aguardam até hoje uma solução para sair da casa onde mora no Coque.

<div id="attachment_12306" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/31337797437_02e85f0e36_o.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12306" class="size-full wp-image-12306" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/31337797437_02e85f0e36_o.jpg" alt="Daise fez parte da Ocupação Solange Souza, foi cadastrada e aguarda desde 2016 por uma solução (foto: Inês Campelo/Marco Zero Conteúdo)" width="1600" height="1067" /></a><p id="caption-attachment-12306" class="wp-caption-text">Daise fez parte da Ocupação Solange Souza, foi cadastrada e aguarda desde 2016 por uma solução (foto: Inês Campelo/Marco Zero Conteúdo)</p></div>

No último dia 10, o Movimento Revolucionário Cidadão, do qual a ocupação faz parte, realizou um <a href="http://marcozero.org/movimento-fecha-a-av-norte-por-moradia-digna-chegou-nosso-dia-de-furia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">protesto na Av. Norte</a> contra o atraso do pagamento do auxílio-moradia referente a um habitacional no bairro do Jordão, que também não ficou pronto, e por uma solução em relação à promessa feita durante a ocupação do Vila Brasil em 2016.<p>O post <a href="https://marcozero.org/habitacional-vila-brasil-448-familias-e-uma-decada-de-promessas-e-abandonos-no-centro-do-recife/">Obra abandonada há uma década garantiria habitação para 448 famílias no Coque</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Prefeitura gasta R$ 36 milhões em comunicação sem transparência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Sep 2018 21:44:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nos nove primeiros meses deste ano, mais de R$ 30 milhões foram gastos pela Prefeitura do Recife em uma ação descrita no Portal da Transparência como &#8220;Outras medidas&#8221;, dentro dos recursos de Publicidade. Sob o item &#8220;Ação não informada&#8221; a gestão Geraldo Julio (PSB) executou outros R$ 6 milhões. Audiência pública, realizada na Câmara dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Nos nove primeiros meses deste ano, mais de R$ 30 milhões foram gastos pela Prefeitura do Recife em uma ação descrita no Portal da Transparência como &#8220;Outras medidas&#8221;, dentro dos recursos de Publicidade. Sob o item &#8220;Ação não informada&#8221; a gestão Geraldo Julio (PSB) executou outros R$ 6 milhões. A<span style="color: #000000;">udiência pública, realizada na Câmara dos Vereadores do Recife, na última quarta-feira (19), perguntava &#8220;Para onde vai nosso dinheiro?&#8221; e teve o silêncio como resposta. Questionamentos&nbsp;previamente enviados pelo mandato do vereador Ivan Moraes (Psol), que convocou a audiência, sequer foram respondidos pela Prefeitura do Recife, que também não enviou representante.&nbsp;</span>O vereador e organizações da sociedade civil presentes vão subscrever uma representação ao Ministério Público de Pernambuco pela ausência, que descumpriria a Lei Orgânica do Recife.

<span style="color: #000000;">Um estudo do mandato feito pelo gabinete do vereador via Portal da Transparência identificou um aumento de sete vezes na previsão de gastos com publicidade para este ano: o&nbsp;orçamento original de R$ 10,9 milhões pulou para R$ 74,3 milhões, por meio de uma sucessão de decretos. Um crescimento da ordem de R$ 63,2 milhões. Esse número diz respeito à previsão de gastos, não necessariamente ao que já foi pago pelo Poder Público.</span>

A atual gestão já gastou em 2018 mais do que a média dos últimos anos.&nbsp;Até setembro de 2018, um total de R$ 42,2 milhões já foram executados. Na divisão desse bolo, os únicos gastos descriminados são os com campanhas publicitárias, propaganda de utilidade pública, educativa e institucional (de acordo com o Portal da Transparência, no valor de R$ 4,2 milhões) e com &#8220;Promoção e Articulação do Governo Municipal com os Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo (R$ 1,3 milhão).
<p style="color: #000000;">O levantamento do histórico de gastos executados com publicidade nos últimos anos da gestão de Geraldo Julio apresentado na audiência reforça a tendência ao gasto recorde nos últimos cinco anos.</p>


<div id="attachment_10540" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/Captura-de-Tela-2018-09-20-às-11.37.10.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10540" class="wp-image-10540 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/Captura-de-Tela-2018-09-20-às-11.37.10-1024x685.png" alt="Captura de Tela 2018-09-20 às 11.37.10" width="702" height="469"></a><p id="caption-attachment-10540" class="wp-caption-text">Fonte: Estudo realizado por mandato de Ivan Moraes (Psol)</p></div>
<p style="color: #000000;">&#8220;Nos preocupa que haja mais de R$ 40 milhões do bolso do cidadão que a gente não sabe para onde foi. Nós precisamos saber como é feito esse planejamento e acontece um aumento de mais de sete vezes.&#8221;, argumentou o vereador. Segundo Ivan Moraes, a Prefeitura descumpre a Lei Federal 12.232, que obriga todas as gestões públicas a pôr na transparência ativa todo gasto com propaganda.</p>

<blockquote>
<p style="color: #000000;">O artigo 16 da Lei citada pelo vereador, determina que &#8220;As informações sobre a execução do contrato, com os nomes dos fornecedores de serviços especializados e veículos, serão divulgadas em sítio próprio aberto para o contrato na rede mundial de computadores, garantido o livre acesso às informações por quaisquer interessados.&nbsp;Parágrafo único.&nbsp; As informações sobre valores pagos serão divulgadas pelos totais de cada tipo de serviço de fornecedores e de cada meio de divulgação&#8221;.</p>
</blockquote>
Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Prefeitura do Recife não comentou as questões levantadas pelo vereador.

Não bastasse o mistério de como foram gastos certa de R$ 36 milhões da comunicação do governo, a audiência pública foi palco de denúncias de descumprimento do Estatuto da Pessoa com Deficiência, no que diz respeito à adequação de peças de comunicação&nbsp;a normas de acessibilidade comunicacional &#8211; destinadas à população que precisa de audiodescrição, intérprete de Libras e legenda para surdos e ensurdecidos.

Para o consultor em acessibilidade comunicacional Roberto Cabral, um dos convidados para a audiência na Câmara do Recife, falta vontade política para incluir a população que necessita de tecnologias de acessibilidade comunicacional. &#8220;Somos colocados como&nbsp;subcidadãos.&nbsp;O que falta para proporcionar dignidade para pessoas que pagam tributos como todas as outras?&#8221;, questiona. Para ele, &nbsp;se a população em geral tem um déficit de informação e acesso a políticas de comunicação, as pessoas com necessidades especiais sofrem mais ainda. No Recife, de acordo com dados apresentados por Cabral, mais de 300 mil pessoas têm algum tipo de deficiência. Cerca de 28,05% precisam de acessibilidade comunicacional.
<h2><strong>De onde veio o aumento?</strong></h2>
<span style="color: #000000;">É possível encontrar no Diário Oficial a origem de parte dos recursos transferidos para o orçamento de comunicação.&nbsp;Para aumentar os recursos, a Prefeitura transferiu R$ 50 milhões&nbsp;do orçamento destinado a &#8220;crédito de obras e instalações de Urbanização de áreas de Risco, por meio dos decretos nº 31.345, de 16 de abril de 2018, e nº 31.394, de 27 de abril de 2018&#8221;. Os dados foram levantados no estudo realizado pelo gabinete do vereador psolista.</span>

<span style="color: #000000;">O aumento dos recursos destinados à publicidade em mais de sete vezes foi realizado dentro das normas legais, por meio de decreto. No entanto, a população questiona a moralidade da ação.</span>

<span style="color: #000000;">Karla da Costa, 23 anos, moradora da comunidade do Bode, na Zona Sul do Recife, foi uma das que questionou a destinação de recursos sem qualquer justificativa. Segundo ela, no dia a dia do local em que vive ouve da mesma Prefeitura que não há recursos para melhoria dos serviços na comunidade, a exemplo de creches. &#8220;</span>Eu vi uma publicidade da Prefeitura que mostra uma criança dizendo que depois que entrou no Compaz ele virou cidadão. Pra mim qualquer pessoa que nasce já é cidadão. Nossas crianças que não passam por um Compaz não são cidadãs?&#8221;, perguntou indignada.

<span style="color: #000000;">Carol Vergolino, integrante do movimento por mais mulheres na política partidA e candidata a deputada estadual da Juntas, pelo Psol, questionou possível uso dos recursos para beneficiar indiretamente a campanha a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB), do mesmo partido e grupo do prefeito do Recife, ambos escolhidos pelo ex-governador Eduardo Campos. &#8220;Basta ver e somar dois mais dois. Esse ano a prefeitura esta fazendo propaganda para a prefeitura e para governo do estado. A gente tem que entender isso e colocar isso. Não podemos aceitar nada disso que está acontecendo. O que a gente pode fazer é se reunir e lutar para fazer barulho&#8221;, defendeu.</span>

<div id="attachment_10581" style="width: 510px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-19-at-17.29.24.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10581" class="wp-image-10581" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-19-at-17.29.24-300x200.jpeg" alt="" width="500" height="334"></a><p id="caption-attachment-10581" class="wp-caption-text">Rosa Sampaio, jornalista e integrante do Fopecom. Foto: Beto Figuerôa</p></div>
<h2><strong>Sem transparência e diversidade</strong></h2>
Parte dos recursos executados com Comunicação deveria ser destinado à Rádio Frei Caneca, mas não há menção ao veículo nos gastos disponibilizados pelo portal. A rádio pública, atualmente vinculada à Fundação de Cultura do Recife, precisou de mais de 50 anos para ir ao ar &#8211; uma das reivindicações históricas do movimento pela democratização da comunicação no Estado. Rosa Sampaio, jornalista e integrante do Fopecom (Fórum Pernambucano de Comunicação) lembrou que a rádio só foi ao ar a partir de pressão da sociedade civil, e que agora tem informações a conta gotas sobre como o veículo está sendo conduzido. Para ela, o modo genérico como os gastos são expostos no Portal dificultam o acesso à informação que precisaria estar clara para a população.

A jornalista defendeu que parte dos recursos utilizados de forma indiscriminada poderia fomentar a formação em comunicação nos territórios como parte de uma política pública de comunicação. Segundo ela, a gestão do PSB tem dívidas com propostas que não andaram, como o Compaz. &#8220;Os Compaz não são suficientes, mas poderiam cumprir papel de formar comunicadores comunitários, populares. <span style="color: #000000;">Estamos aguardando até hoje um plano de formação.</span>&nbsp;Isso representa a falta de pensamento da comunicação como direito humano, como vetor para integração de direitos, de educação. O vazio dessas cadeiras (referindo-se à ausência de representantes da Prefeitura do Recife na audiência pública) é um desrespeito com o povo do Recife, e não só com os movimentos sociais, mas também com quem está lá fora escutando a rádio&#8221;, criticou.&nbsp;<span style="color: #000000;">Camerino Neto, gerente da Rádio Frei Caneca, que representaria Diego Rocha, presidente da Fundação de Cultura do Recife, também não compareceu à audiência.</span>
<p style="color: #000000;">Wagner Souto, da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias em Pernambuco, que representa quase 400 veículos com outorga em Pernambuco, defendeu que parte dos recursos públicos sejam investidos também na comunicação alternativa, comunitária &#8211; além da mídia privada. &#8220;A verdade é que isso é uma caixa preta. As questões de licitação, tudo bem, mas na hora de dividir esse bolo esses recursos não chegam nas rádios comunitárias, na comunicação alternativa. E a gente sabe a farra que existe de gastar dinheiro público com mídia&#8221;.</p>
<p style="color: #000000;">De acordo com ele, na atual gestão da Abraço não há projetos ou convênios com o município do Recife, apesar de terem iniciado um diálogo. &#8220;A gente quer que haja investimento na mídia alternativa em si.&nbsp;A gente tem batalhado muito no Congresso Nacional não só sobre transparência, mas sobre mais espaço para mídia alternativa. Para manter uma rádio atualmente é muito mais difícil do que ter uma rádio sem outorga&#8221;, analisou o radialista.&nbsp;Para montar rádio comunitária é preciso investir cerca de R$ 10 mil, informou Wagner.</p>


<div id="attachment_10559" style="width: 1110px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/Captura-de-Tela-2018-09-20-às-12.53.41.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-10559" class="wp-image-10559" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/Captura-de-Tela-2018-09-20-às-12.53.41-1024x309.png" alt="Captura de Tela 2018-09-20 às 12.53.41" width="1100" height="333"></a><p id="caption-attachment-10559" class="wp-caption-text">Fonte: Estudo realizado por mandato de Ivan Moraes (Psol)</p></div>
<h2><strong>Transparência questionável</strong></h2>
Outra questão levantada pelo vereador é a barreira para conhecer o destino final dos gastos com comunicação &#8211; incluindo publicidade, propaganda e campanhas educativas. Atualmente, não é possível identificar como foram aplicados os recursos nas caixinhas que aparecem no Portal da Transparência. Para os curiosos, a única forma de saber que empresa recebeu dinheiro público é identificando o CNPJ e, a partir dele, buscar todos os empenhos por parte da Prefeitura.

Para o cidadão comum, um caminho com mais obstáculos. Na prática, boa parte das pessoas desiste no processo. Assim, sequer sabemos que empresa, produtora de vídeo ou veículo de comunicação recebeu para publicar peças de comunicação pagas com dinheiro público.&nbsp;<span style="color: #000000;">&#8220;A Prefeitura do Recife se gaba de ter o melhor ou um dos melhores portais da transparência do Brasil, mas eu discordo.&nbsp;Precisamos saber como foi gasto esse dinheiro, quem são os destinatários finais desse dinheiro. Eu quero saber como foi feito, como foi gasto cada parte do dinheiro&#8221;, criticou o vereador Ivan Moraes.&nbsp;</span>
<blockquote style="color: #000000;">
<h3><strong>As perguntas sem respostas:</strong></h3>
<span style="color: #1d2129;">1. Como foi realizada a execução do montante destinado na rubrica&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">Coordenação, Supervisão e Execução das Políticas de&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">Comunicação e Relações Institucionais? Quem são os&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">destinatários finais dos recursos (agências, produtoras, veículos&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">de mídia)?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">2. Dos R$ 74.140.000,00 atualmente previstos para esta rubrica,&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">quase 40 milhões já foram executados até agora. Qual é a&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">previsão de alocação do restante desses recursos até o final do&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">ano?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">3. Foram liquidados R$ 27.247.861,01 sob o título &#8216;outras medidas&#8217;.&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">Que &#8216;outras medidas&#8217; são essas e qual foi o destino final desses&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">recursos?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">4. Também foram liquidados R$ 5.232.487,39 sob o título &#8216;ação não&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">informada&#8217;. Que ações são essas e qual foi o destino final desses&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">recursos?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">5. Por que a rubrica de Publicidade iniciou o ano com pouco mais de R$ 10 milhões e hoje ultrapassa os 70 milhões? Como a&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">prefeitura explica essa diferença entre o planejado e o&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">executado?</span><br style="color: #1d2129;"><br style="color: #1d2129;"><span style="color: #1d2129;">6. Durante o ano de 2018, quanto no total foi investido na&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">estruturação (investimento e custeio) da rádio frei caneca FM?</span></blockquote>
Em reposta à críticas de opositores, Moraes reafirmou que não defende que acabe o dinheiro para comunicação &#8220;mas queremos que tenha dinheiro pra política pública de comunicação, a gente não quer que seja gasto só com propaganda do prefeito&#8221;, disparou.
<dl id="attachment_10589" class="wp-caption alignleft" style="width: 510px;">
 	<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-19-at-17.29.23-2.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10589" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/09/WhatsApp-Image-2018-09-19-at-17.29.23-2-300x200.jpeg" alt="" width="500" height="334"></a></dt>
 	<dd class="wp-caption-dd">Audiência Pública convocado pelo vereador Ivan Moraes (Psol) denuncia gastos com R$ 36 milhões em publicidade sem justificava. Foto: Beto Figuerôa</dd>
</dl>
<h2><strong>Nova audiência&nbsp;</strong></h2>
Com duas horas de atraso, um ofício da Prefeitura do Recife com data do mesmo dia da audiência chegou à Câmara. O documento informava a ausência do secretário <span style="color: #545454;">de Governo e Participação Social</span>&nbsp;Sileno Guedes, assim como a justificativa para a ausência da diretora Executiva, de licença médica, e propunha o adiamento da audiência pública para o dia 9 de outubro, dois dias após o primeiro turno das eleições.

<span style="color: #000000;">Para a realização de uma audiência é preciso aprovação pelo coletivo de vereadores e no mínimo 15 dias de antecedência. Para Ivan, não há justificativa plausível para a falta de respostas e a ausência que, segundo ele,&nbsp;fere a Lei Orgânica da Cidade do Recife, &#8220;que obrigada a prefeitura a comparecer quando convocada&#8221;, disse.&nbsp;</span>&#8220;A Prefeitura não pauta essa casa. Quando um secretário falta duas reuniões o nome disso é improbidade administrativa. E a gente vai cobrar”, garantiu o vereador, engrossando o tom.

Ainda assim, foi acatado pelas organizações e movimentos presentes a realização de nova audiência no dia sugerido pelo secretário, na ofício encaminhado com duas horas de atraso.

O vereador Ivan Moraes vai encaminhar um requerimento para que todas as peças de publicidade da Prefeitura cumpram as normas de acessibilidade comunicacional, outro tema que foi debatido na audiência.<p>O post <a href="https://marcozero.org/prefeitura-gasta-r-36-milhoes-em-comunicacao-sem-transparencia/">Prefeitura gasta R$ 36 milhões em comunicação sem transparência</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Um &#8220;boulevard&#8221; entre o turismo e a miséria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2017 21:44:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade do Pilar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os recentes investimentos públicos na revitalização da Avenida Rio Branco, no Recife Antigo, obra para a qual o Governo do Estado destinou R$ 5,5 milhões financiados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), por meio do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), abrem caminho para o debate sobre a ocupação democrática de espaços públicos. Se por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Os recentes investimentos públicos na revitalização da Avenida Rio Branco, no Recife Antigo, obra para a qual o Governo do Estado destinou R$ 5,5 milhões financiados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), por meio do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), abrem caminho para o debate sobre a ocupação democrática de espaços públicos. Se por um lado é louvável a iniciativa de valorizar áreas de convivência que priorizem os pedestres, por outro, conectar as comunidades periféricas a esses novos ambientes é um desafio que ainda não parece pautar os planos urbanísticos da capital pernambucana.

Chamado de “boulevard”, o projeto de requalificação da Rio Branco foi inaugurado na última quinta-feira (21). O passeio público recebeu novo piso, bancos, iluminação, teve os fios embutidos e ganhou novos quiosques de venda de alimentos e revistas, que se uniram a lanchonetes e salões de beleza já presentes no local. A cerimônia de entrega do equipamento teve clima de campanha com bandas, apresentações artísticas e a presença de secretários de governo e do município, além do governador Paulo Câmara (PSB) e do prefeito Geraldo Júlio (PSB). Os políticos percorreram parcimoniosamente os 300 metros de extensão da via distribuindo cumprimentos entre turistas e frequentadores do bairro.

A proposta é que o projeto fomente o turismo, considerando que a via é uma importante ligação com o Marco Zero da cidade, visitado por milhares de turistas, onde atualmente funcionam bares e restaurantes no antigo espaço de armazéns. “É também um lugar onde as pessoas podem se encontrar, fazer apresentações culturais”, disse o prefeito Geraldo Júlio. O gestor não detalhou, contudo, se há um planejamento de atividades para integrar comunidades periféricas que fazem parte daquela região, como a do Pilar, a menos de dez minutos de caminhada da Avenida Rio Branco, ao novo espaço.

“O projeto é positivo porque se inicia uma nova forma de pensar o Recife Antigo, cujo desenvolvimento antes estava muito ligado a prédios privados. A ideia de priorizar espaços para pedestres é importante, sobretudo numa cidade desenhada para carros. Mas é importante que o plano de ocupação desses espaços seja conhecido, o que ainda não aconteceu nesse caso”, pondera a professora titular do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, Circe Monteiro. Para estimular a apropriação do espaço por parte da população, é importante que se ofereçam atividades. “É preciso ter um mix de programações em vários horários e voltadas para diversas classes sociais”, pontua.

A estudante Tamires Flora de Paula, 23 anos, moradora do Pilar, pouco sabia sobre o projeto que promete ser um espaço aberto à convivência. Para ela, o esposo e o filho dele, que tem apenas cinco anos, um passeio naquelas ruas tão próximas da sua pequena casa é, na verdade, uma realidade distante. “Meu marido trabalha de flanelinha no Recife Antigo, porém está com problemas porque a prefeitura não está liberando o cadastro dele. Não temos dinheiro para passear. O que sobra é pra comprar comida e gás”, diz.

<div id="attachment_6372" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/12/Pilar_-4.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6372" class="wp-image-6372 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/12/Pilar_-4.jpeg" alt="Pilar_ (4)" width="800" height="450"></a><p id="caption-attachment-6372" class="wp-caption-text">Tamires não frequenta o Recife Antigo por falta de recursos. Foto: Inês Campelo</p></div>

<strong>TÃO PERTO E TÃO LONGE</strong>

Quem passeia tranquilamente pelas lanchonetes e quiosques de coco do agradável cenário do &#8220;boulevard&#8221; construído na Avenida Rio Branco pode duvidar que, tão perto dali, se revele um ambiente de tanta escassez como a comunidade do Pilar. À margem do desenvolvimento econômico e turístico da região onde se insere, a dura realidade dos moradores da comunidade reproduz os contrastes sociais da cidade. As ruas, sem saneamento público e sem calçamento, abrigam moradores que muitas vezes vivem em barracos e em construções precárias, como é o caso de Tamires. Ela, assim como muitos moradores da comunidade, aguardam o cumprimento da promessa de entrega de apartamentos que seriam construídos pela Prefeitura do Recife.

“Já faz mais de cinco anos. Mês passado teve uma reunião com a prefeitura, mas eles não resolveram nada”, conta Tamires. “Tem a promessa de fazer um mercado público aqui para abrigar o comércio local. Há mais de dez anos a gente espera por isso”, reclama o comerciante Marcelo Ezequiel Soares, que mantém um pequeno mercadinho de bairro na casa onde mora. O projeto de requalificação da comunidade do Pilar foi anunciado no ano 2000 e teve início dez anos depois. Contudo, até agora, a totalidade dos habitacionais não foi entregue. E, em alguns casos, mesmo quem chegou a receber o apartamento, revela problemas. “Meu apartamento foi entregue cheio de defeitos, vazamentos. Além disso me colocaram no terceiro andar, mas eu não podia ficar porque tenho um problema ortopédico”, conta Lucivânia Gomes, dona de casa que precisou desocupar o apartamento, seis meses atrás, por não conseguir um acordo com o Poder Público. “O apartamento está fechado e o caso está na Justiça”, acrescenta a moradora do Pilar.

<div id="attachment_6369" style="width: 810px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/12/Pilar_-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6369" class="wp-image-6369 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/12/Pilar_-1.jpeg" alt="Pilar_ (1)" width="800" height="450"></a><p id="caption-attachment-6369" class="wp-caption-text">Marcelo Soares ainda aguarda o residencial prometido pela prefeitura. Foto: Inês Campelo</p></div>

No ano passado, o Ministério Público Federal em Pernambuco (MPF/PE) expediu uma recomendação à Empresa de Urbanização do Recife (URB) para que entregasse, até setembro de 2016, as então 108 unidades habitacionais restantes do Programa de Requalificação Urbana e Social da Comunidade do Pilar. Mas a entrega não foi finalizada. As obras foram financiadas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e previam um conjunto habitacional com 588 apartamentos populares, escola, creche, posto de saúde, mercado público comunitário, praça, pavimentação e iluminação pública, que deveriam ter sido construídas até 2012. A reportagem perguntou à Prefeitura do Recife quantos residenciais ainda precisam ser entregues, mas não obteve resposta até o momento de publicação desta matéria. A prefeitura também não emitiu posicionamento sobre a situação das famílias do Pilar. Confira a situação da comunidade do Pilar no vídeo:

<iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/pMhVaAr0g08" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe><p>O post <a href="https://marcozero.org/um-boulevard-entre-o-turismo-e-a-miseria/">Um &#8220;boulevard&#8221; entre o turismo e a miséria</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Projeto da Prefeitura aprovado a toque de caixa pela Câmara beneficia grandes construtoras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jun 2017 14:18:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[especulação imobiliária Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Júlio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quatro das principais empresas que atuam no ramo da construção e exploração imobiliária no Recife são as grandes beneficiárias do projeto de lei número 11 enviado em regime de urgência pelo prefeito Geraldo Julio e aprovado a toque de caixa pela Câmara de Vereadores na terça-feira (27): Moura Dubeux, Queiroz Galvão, Pernambuco Construtora e Conic. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[Quatro das principais empresas que atuam no ramo da construção e exploração imobiliária no Recife são as grandes beneficiárias do projeto de lei número 11 enviado em regime de urgência pelo prefeito Geraldo Julio e aprovado a toque de caixa pela Câmara de Vereadores na terça-feira (27): Moura Dubeux, Queiroz Galvão, Pernambuco Construtora e Conic.

O PL 11 prorrogou por 12 meses o prazo de validade das aprovações de projetos iniciais e alvarás de construção que iriam expirar em 2017. A medida beneficia ao todo 174 projetos na área da construção civil na capital pernambucana, sendo 85 no primeiro caso (projetos iniciais) e 89 no segundo (alvarás de construção).

Desses 174 projetos que perderiam a validade e que foram salvos pelo gongo, 12 são considerados projetos de impacto, com mais de 20 mil metros quadrados de área construída: sete projetos iniciais e cinco projetos com alvará de construção expedidos.

Entra no leque dos projetos iniciais aprovados e cuja validade iria expirar em 2017, a polêmica construção do complexo habitacional/comercial do Novo Recife, no Cais José Estelita. Ao todo quatro projetos arquitetônicos do Projeto Novo Recife estavam em xeque e ganharam sobrevida. Somados, eles contemplam mais de 244 mil metros quadrados de área construída.

O consórcio Novo Recife é formado pelas empresas Moura Dubeux Engenharia, Queiroz Galvão, Ara Empreendimentos e GL Empreendimentos.

Também estão na lista de projetos iniciais que ganharam mais prazo de vigência, a construção de prédio de 13 andares do Hospital Esperança, na Ilha do Leite, com 20.969,79 m² e a construção de dois outros prédios residenciais. Um deles é um espigão de 33 andares da Queiroz Galvão, no bairro da Encruzilhada, com 21.337,77 m² ; e o outro da Pernambuco Construtora, na Tamarineira, com 16 andares e 26.963,8 m2.

Uma análise sobre os projetos com alvarás de construção que ganharam mais prazo para sair do papel mostra para onde caminha a exploração imobiliária no Recife. Dos cinco projetos, três preveem obras de edifícios residenciais no bairro de Santo Amaro: um da Pernambuco Construtora (21.753,04 m²) e dois da MDPE Novo Horizonte, do grupo Moura Dubeux (53.873,88 m² e 78.679,33 m²).

Os outros dois projetos são o Condomínio Reserva de Apipucos, no bairro de Monteiro, um empreendimento do Conic com mais de 50 mil metros quadrados de área construída; e um prédio residencial no bairro da Várzea sob a responsabilidade da Morganita Empreendimentos LTDA.

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/06/Construtoras1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5167" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/06/Construtoras1.png" alt="Construtoras1" width="823" height="546"></a>

<a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/06/Quadrocontru2x.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5179" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/06/Quadrocontru2x.png" alt="Quadrocontru2x" width="666" height="378"></a>

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