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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Sem auxílio, famílias de Olinda ainda sofrem com os estragos da enchente de 1º de maio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 20:50:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três meses após as chuvas de 1º de maio, que deixaram seis pessoas mortas e quase 3 mil desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco, a Marco Zero voltou ao bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda, para saber como ficou a vida das famílias que, atingidas por mais uma enchente do rio Beberibe, não receberam do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Três meses após as <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chuvas de 1º de maio</a>, que deixaram seis pessoas mortas e quase 3 mil desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco, a <strong>Marco Zero</strong> voltou ao bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda, para saber como ficou a vida das famílias que, atingidas por mais uma enchente do rio Beberibe, não receberam do Governo do Estado o Auxílio Pernambuco, no valor de R$ 2,5 mil. O que a reportagem encontrou foi um misto de revolta e desesperança.</p>



<p>A gestão Raquel Lyra (PSD) destinou R$ 8,75 milhões a 3,5 mil famílias nos 27 municípios que tiveram situação de emergência decretada, na época, na Região Metropolitana do Recife (RMR), na Zona da Mata e agreste. O dinheiro, porém, não foi, nem de longe, suficiente para atender todo mundo que teve casas danificadas e perdeu móveis e eletrodomésticos.</p>



<p>Somente Olinda, Recife e Goiana (um dos municípios mais atingidos, localizado na Zona da Mata Norte) cadastraram, juntos, 13.782 pessoas. Essa soma é quase quatro vezes maior que o total de famílias beneficiadas com Auxílio do governo estadual em todo o estado (3,5 mil famílias).</p>



<p>O reflexo dessa diferença pode ser visto nas comunidades Beira-Rio, Condor, Cabo Gato, Boa Esperança, Cuscuz e Embalo, todas em Peixinhos, onde moradores ainda não conseguiram se reestabelecer totalmente.</p>



<p>A título de comparação, a gestão do ex-governador Paulo Câmara (na época, no PSB) destinou R$ 150 milhões para 100 mil famílias atingidas pelas chuvas de maio de 2022, que deixaram 130 mortos e quase 130 mil desabrigados ou desalojados no estado. O valor do auxílio, na época, foi de R$ 1,5 mil.</p>



<p>No Recife, o então prefeito João Campos (PSB), hoje candidato a governador na disputa com Raquel, e a Câmara Municipal, adicionaram mais de R$ 1 mil à ajuda do governo estadual, criando o Auxílio Municipal e Estadual (AME), de R$ 2,5 mil para quase 2,5 mil pessoas.</p>



<p>Apesar de o desastre de 2022 ter sido bem maior, as comunidades de Olinda relataram, em maio, que naquela comunidade o impacto da enchente foi bem maior este ano, quando moradores “nadaram”, dentro de casa, com lixo, ratos e cobra. Naquele dia, a lama invadiu até mesmo casas mais distantes das margens do Beberibe, que teve sua última obra de dragagem feita em 2013. Relembre <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Cadastro tardio e verba insuficiente</h2>



<p>Em Olinda, a gestão Mirella Almeida (PSB) cadastrou, tardiamente, quatro mil moradores após as chuvas de maio, mas o pagamento foi direcionado a apenas 726 pessoas, isto é, 18,15% dos cadastros. Nas comunidades que a <strong>MZ</strong> visitou pela segunda vez este ano, conta-se nos dedos quem recebeu o dinheiro, porém é grande a quantidade de pessoas que perderam mobílias ou tiveram danos graves nas residências. Das três mulheres entrevistadas pela reportagem, apenas uma recebeu o benefício.</p>



<p>No dia das chuvas, Daniele Freitas, de 34 anos, e Ketilyn Ferreira, de 23 anos, beneficiárias do Bolsa Família e moradoras da comunidade do Cuscuz, viram suas casas racharem com o aumento da intensidade das chuvas. Ao passo que o aguaceiro ia aumentando, as casas iam rachando ainda mais.</p>



<p>Ketilyn mora com Andreza Beatriz, de 21 anos, e o filho de cinco anos com autismo nível três de suporte, no final da comunidade, uma das últimas casas. A base alta da construção não impediu que houvesse danos. O piso abriu e a água começou a minar do chão, então a parede cedeu e começou a se afastar da base.</p>



<p>Nessa altura, a família de Ketilyn estava ilhada. Ela só conseguiu sair com a ajuda do pai e do irmão, que saíram do bairro de Campo Grande, no Recife, para resgatá-los.</p>



<p>Se não fosse a mobilização da família, a casa ainda estaria rachada, pois elas não teriam condições de minimamente recuperar o imóvel. “Meu pai e minha mãe se juntaram, pediram para um homem ajeitar e botaram calha. Mas pode ver que, onde tem a ferragem, já está rachando de novo. Aí a mesma coisa agora com a última cheia [chuvas que aconteceram no começo de julho]. A água entrou por debaixo do piso e estourou todinho”, detalha.</p>



<p>Ketilyn está cadastrada no CadÚnico e luta para receber ao benefício a que o filho tem direito. Mesmo assim, não conseguiu acesso ao Auxílio Pernambuco. A frustração toma conta da família. Andreza reflete: “Como o auxílio foi para as pessoas que tinham crianças, pessoas que perderam a casa, que foram danificadas, a gente ficou sem entender porque não recebeu. Porque a gente tem ele e os documentos estão todos certos”.</p>



<p>No começo do beco, Daniele passou por algo parecido, mas a casa está ainda sem móveis, sem telhado e com rachaduras grandes. Ela precisou alugar outra residência, por R$ 250, para morar com a filha e o marido, pois, no momento, não tem condições de fazer os reparos necessários para retornar.</p>



<p>A dor de perder tudo relembra o que viveram em 2022. “Eu já não tinha quase nada. Porque já foi problema para eu conseguir dar uma ajeitadinha na casa, aquela cheia em 2022 me atingiu também, e muito. Cedeu a minha casa. Como a cheia entrou com força, a correnteza da água vinha todinha para cá. Aí, com os R$ 1,5 mil que eu recebi na época [do governo Paulo Câmara], tive como ajeitar. Também peguei emprestado, arrumei um cartão para comprar material. Eu já não tinha condições, já fiz o máximo possível para dar uma ajeitadinha para eu ficar aqui”, relata Daniele.</p>



<p>Próximo dali, na comunidade do Bote, Alexandre José, de 40 anos, mora há mais de dez anos em um barraco de madeira às margens do rio Beberibe. “Tentei salvar a geladeira, mas não deu tempo”, conta o homem que perdeu tudo. Três meses depois, ainda vê sua casa revirada junto com os poucos móveis e eletrodomésticos que não foram arrastados pelas chuvas.</p>



<p>Também beneficiário do Bolsa Família, Alexandre complementa a renda fazendo a travessia dos moradores de Peixinhos para Cajueiro pelo rio. O pouco dinheiro que pegou, nos últimos dias, foi para recuperar o bote com que trabalha. “Não chega ninguém para ajudar a gente aqui, não. Se não formos eu e ele aqui, acabou. Como se diz aqui, a gente é esquecido”, lamenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A vulnerabilidade extrema da falta de documentos</strong></h2>



<p>Se a verba do Auxílio Pernambuco não foi suficiente para os cadastrados, a possibilidade ficou ainda mais distante para quem não tem nem os documentos básicos. É o caso do flanelinha Zenon Ferreira, de 69 anos. O idoso, que não é aposentado, quase perdeu a vida dentro do barraco onde mora. As paredes improvisadas com madeiras, telhas e papelões foram embora com a correnteza.</p>



<p><strong>&#8220;</strong>Foi a pior cheia. Já teve cheia grande também, viu? Faz tempo, há uns 10 anos ou mais. Mas essa de maio foi a pior que teve&#8221;, lamenta Zenon, que mora no local há 31 anos. Agora, ele está com os documentos em dia para tentar a aposentadoria.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-Zenon.jpg" alt="Um homem idoso está sentado em uma cadeira branca no interior de uma casa precária, com piso de terra batida irregular e paredes de madeira cobertas por um telhado de zinco ondulado que deixa entrar raios de luz por entre as frestas. Ele veste camiseta amarela com estampa colorida, shorts xadrez, chinelos vermelhos e um boné listrado, e olha para cima com as mãos sobre as pernas, enquanto ao seu redor se veem baldes, recipientes, um barril com etiqueta, panos pendurados fazendo divisórias e troncos de madeira sustentando a estrutura, num ambiente de pouca luz marcado pelo contraste entre claridades que entram pelas brechas e sombras profundas." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Agora, a esperança de Zenon Ferreira é conseguir se aposentar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo a gestão estadual, o pagamento do Auxílio Pernambuco usou como base a quantidade de cadastros repassada ao governo pelas prefeituras no princípio da situação de emergência provocada pelas chuvas do dia 1º. Havia pressa por causa da situação e da necessidade de envio do Projeto de Lei à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).</p>



<p>“Naquele momento, os municípios tinham formado aquela quantidade de famílias e foi a quantidade que nós trabalhamos. Então algumas famílias que estão reclamando ou não estavam no critério ou realmente chegaram depois e não estavam nesse critério de priorização”, afirmou a secretária estadual de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS), Andreza Pacheco, em julho, após uma onda de protestos.</p>



<p>O decreto do Auxílio Pernambuco priorizou pessoas com deficiência, gestantes e mulheres responsáveis pelo núcleo familiar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Mobilização da comunidade</h3>



<p>Os cadastros em Olinda foram realizados tardiamente após pressão popular. Em Peixinhos, a gestão de Mirella Almeida começou a realizar os cadastros nas comunidades em 21 de junho. Em 26 de junho de 2026, a gestão ainda informava que estava realizando o cadastramento das famílias atingidas no bairro de Rio Doce.</p>



<p>A visita às casas afetadas aconteceu ao lado de mobilizadores locais integrantes do Comitê Popular de Luta pelo Direito à Vida. Um mês depois do início dos cadastros, o comitê se reuniu com moradores e representantes do Governo do Estado para tratar desse e de outros assuntos.</p>



<p>Com mais de 30 pessoas presentes, os moradores compartilharam suas angústias e a sensação de insegurança e desamparo. No entanto, Josiane Silva, diretora da Secretaria Estadual de Periferias de Pernambuco, foi categórica ao afirmar que não haveria mais pagamentos a quem se cadastrou e não foi contemplado.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-reuniao.jpg" alt="Em uma sala de paredes brancas com piso de cerâmica clara, dezenas de pessoas — homens e mulheres de diferentes idades, alguns de máscara e roupas casuais — estão sentadas em cadeiras plásticas dispostas em duas fileiras que se enfrentam, formando um corredor central, enquanto participam de uma reunião comunitária; o ambiente é decorado com bandeirinhas coloridas de festa junina, fotos e documentos afixados nas paredes, e ao fundo, além de um arco, vê-se uma parede azul-clara com um crucifixo e um ventilador de teto, sugerindo um espaço de caráter religioso ou comunitário." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Moradores pressionaram representantes do governo estadual em reunião
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<p>Questionada pelos moradores sobre a escolha das pessoas que receberiam o dinheiro, a representante afirmou que quem selecionou e encaminhou para o Governo do Estado foi a própria prefeitura.</p>



<p>A <strong>MZ</strong> perguntou à Prefeitura de Olinda sobre os critérios de seleção utilizados e por que tantas pessoas ficaram de fora. A gestão respondeu “realizou os cadastros em conformidade com os critérios estabelecidos pelo Governo do Estado. Além de atender às exigências do processo, o levantamento também servirá como instrumento de mapeamento da realidade local, permitindo a coleta de informações que subsidiem a elaboração de políticas públicas voltadas à população”.</p>
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		<title>O trauma de passar pelo setor de traumatologia do Hospital Otávio de Freitas</title>
		<link>https://marcozero.org/o-trauma-de-passar-pelo-setor-de-traumatologia-do-hospital-otavio-de-freitas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 14:19:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[hospital Otávio de Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Isis recebeu alta, mas sua vida jamais será a mesma. Após quebrar o braço em um acidente de moto voltando de Carpina, na Zona da Mata Norte, para o Recife, Isis François, de 26 anos, tem vivido situações que não deseja a ninguém. O acidente aconteceu em setembro e, após passar por diferentes hospitais, 24 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Isis recebeu alta, mas sua vida jamais será a mesma. Após quebrar o braço em um acidente de moto voltando de Carpina, na Zona da Mata Norte, para o Recife, Isis François, de 26 anos, tem vivido situações que não deseja a ninguém. O acidente aconteceu em setembro e, após passar por diferentes hospitais, 24 horas depois ela foi parar no Hospital Otávio de Freitas (HOF), na zona oeste do Recife, onde chegou com o ferimento já infeccionado. Por isso, passou um mês internada até ter condições de passar pela cirurgia.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-76450 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-576x1024.jpeg 576w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-169x300.jpeg 169w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-768x1365.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-864x1536.jpeg 864w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3.jpeg 900w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O Hospital Otávio de Freitas é uma referência no atendimento a esse tipo de ferimento. Lá, de janeiro de 2025 a julho de 2026, foram realizadas 2.683 cirurgias de traumato-ortopedia. Dessas, 1.747, o que equivale a 65,1% do total, foram realizadas pelo plantão de emergência. O total de cirurgias representa, aproximadamente, 1/3 (um terço) de todos os procedimentos desse tipo realizados nos hospitais da rede estadual.</p>
</div></div>



<p>Quando imaginava que teria apenas de se cuidar durante o pós-operatório para garantir uma boa recuperação, tudo desandou para Isis. Logo após receber alta pela primeira vez, já começou a se sentir mal. Na consulta retorno da cirurgia, 15 dias depois, percebeu um ponto inflamado e questionou o médico, que disse ser normal.</p>



<p>“Foi criando como se fosse uma queloide. Aí as pessoas que viam diziam que queloide não ficava assim, porque inchava e desinchava. Depois de eu ficar correndo atrás, no pé, o médico passou um antibiótico e chegou um tempo que ela secou. E eu dizendo que aquilo não era normal. No que secou, depois fazendo as fisioterapias, apareceu uma bolinha longe da cicatriz como se fosse um furo de agulha de onde saia secreção”, conta.</p>



<p>Sempre que tinha oportunidade questionava o médico sobre esse furo na pele e todas as vezes ouvia a mesma resposta: é normal. Foi em uma ida ao INSS para conseguir o auxílio-doença, no mês de março, que a desconfiança aumentou. “Ela [a médica] disse que eu teria que voltar no médico porque isso não era normal não, que estava saindo secreção”, relata.</p>



<p>A situação piorou com o tempo. Em maio, Isis se internou novamente, mas antes disso teve que passar dois dias em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) aguardando uma ambulância para ser transferida. “Quando eu cheguei lá, foi o mesmo ortopedista. Ele disse que eu não ia poder ficar no hospital porque tinha gente pior que eu. Então eu respondi &#8216;olha, eu vou ficar porque eu não aguento mais essa dor&#8217;,&#8221; recorda. Àquela altura, a placa de titânio implantada pela equipe médica do Otávio de Freitas teria sido rejeitada pelo corpo da jovem, começou a ficar exposta e precisou ser retirada. Isso aconteceu depois de um mês de internação, mais 40 dias tomando antibióticos em casa e muitas idas ao hospital.</p>



<p>Até hoje, ela sofre com uma infecção resistente, mas, como o material retirado não foi coletado para a cultura, não se sabe qual a bactéria causadora da doença. “Depois da cirurgia eu já estava sentindo umas molezas, alguma coisa estranha. Antes era &#8216;só&#8217; a secreção que saía do braço, mas depois que passou a anestesia, eu comecei a ficar sentindo o corpo mole, dor de cabeça. Hoje, sinto moleza nas pernas, a cabeça doendo dos dois lados, tortura, febre e o braço fica furando, com uma sensação de pinicar”, reflete.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O cenário do abandono</h2>



<p>As paredes limpas com aparência de recém-pintadas podem ser vistas nos corredores externos. A grama bem cortada também. No entanto, basta entrar na enfermaria da traumatologia para o cenário mudar. Ali, o mato no pátio interno está alto, há muito não recebe uma poda, para impedir que as pessoas passem há caçambas de lixo.</p>



<p>Os quartos são quentes, abafados e pequenos. A maioria das portas não têm fechaduras, os banheiros ostentam infiltrações, as privadas não têm assentos, falta tampa nas caixas acopladas e higiene adequada. Todos os pacientes ouvidos pela reportagem reclamaram da limpeza. Ou melhor, da sujeira. A mãe de Isis, por exemplo, precisou levar desinfetante para amenizar o odor enquanto a filha estava internada.</p>



<p>Os animais merecem um capítulo à parte na lista de reclamações. Gatos e timbus são vistos circulando pelos corredores das enfermarias repletas de pacientes recém cirurgiados, fora os ratos, baratas e tudo quanto é inseto.</p>



<p>O caso de Isis, como se vê, não é isolado. A Marco Zero foi até o hospital e, com ajuda das famílias de pacientes, passou todo o período de visitas em contato com quatro pessoas internadas na enfermaria de traumatologia para retirada de placas, tratamento de infecções que persistem, causados por bactérias não identificadas. Outro paciente está internado há quatro meses, mas não quis que sua história fosse publicada. Mas todos eles contaram viver um drama tão angustiante quanto dolorido.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-2-1024x726.jpeg" alt="A foto mostra um pequeno banheiro simples e um pouco desgastado. No centro há um vaso sanitário branco, sem tampa no reservatório de água, deixando o interior visível. À esquerda do vaso, há uma pia branca pequena fixada na parede, com torneira e canos aparentes. O fundo é formado por uma parede de azulejos brancos, alguns escurecidos ou manchados, especialmente próximos ao chão e à pia. No piso, que parece ser de cimento ou cerâmica marrom, há um balde plástico branco com inscrições parcialmente legíveis e uma tampa de ralo circular branca caída ao lado. O ambiente aparenta estar úmido e precisar de limpeza ou manutenção." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Banheiro no setor de traumatologia no Hospital Otávio de Freitas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Colapso dos rins, ameaça de amputação e mais infecções</strong></h2>



<p>Em leitos próximos, Henrique Cavalcanti, de 51 anos, e Edcley Xavier, de 35 anos, contam histórias parecidas e que se prolongam há vários meses. Henrique está internado desde janeiro. Isso mesmo: há quase sete meses numa enfermaria, onde foi parar depois que desviou sua moto para não atropelar um carroceiro em Boa Viagem e acabou se chocando com a carroça.</p>



<p>Quando ele foi levado para o Otávio de Freitas com o fêmur e a perna esquerda quebrados, Edcley já estava lá há um mês, também por causa de um acidente de moto.</p>



<p>Não é só isso que os dois têm em comum. Ambos lutam contra infecções persistentes. Henrique enfrenta uma osteomielite, uma doença grave que atinge os ossos, cujo tratamento o levou à hemodiálise por mais duas semanas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Em respeito à imagem e à vulnerabilidade dos pacientes, não publicaremos suas fotografias feitas durante a visita da equipe da MZ.</p>
        </div>
    </div>



<p>Segundo ele, ao prescrever um antibiótico forte por 21 dias, o médico advertiu: “tem um antibiótico que é muito bom e é muito forte. Agora esse antibiótico, você corre o risco de perder a audição. Você corre o risco de ficar com a pele toda escura. E vamos rezar para não afetar os rins”, conta. Tomou apenas 14 dias da medicação e precisou ir para hemodiálise às pressas. Ou seja, os rins foram severamente afetados.</p>



<p>O pior estava por vir. Em uma das frequentes trocas de médicos, o residente que teria acompanhado a penúltima limpeza fez uma sugestão que deixou o paciente apavorado: amputar a perna. “Eu disse que achava que isso era o último caso, a última instância. Se lá tem medicamento, tem estrutura, tem tudo para fazer, se não tem aqui, me manda para o hospital que faz. Mas chegar ao ponto de dizer isso ao paciente sem discutir com outro médico antes?”</p>



<p>A poucos metros de Henrique, Edcley espera o fim do tratamento com antibióticos porque também contraiu uma infecção no hospital. Quando estivemos lá, a previsão de alta estava próxima.</p>



<p>Assim que chegou, passou quatro dias na emergência sem comer e sem tomar água aguardando a cirurgia. Só conseguiu fazer o procedimento depois disso. O fixador foi colocado e Xavier passou mais dois meses internado. Depois da retirada do fixador, foram mais 15 dias para colocar a placa de titânio. Após 30 dias voltou para tirar os pontos. Foi aí que começou a sair secreção do local, um quadro quase idêntico ao de Isis.</p>



<p>A própria equipe médica afirmou que a infecção ocorreu no bloco cirúrgico.</p>



<p>Além disso, como a cirurgia foi próximo ao joelho, segundo o rapaz a indicação é que ao retirar a placa, o médico aproveitasse para tirar também a fibrose do joelho, o que não aconteceu. Por isso, vai precisar passar por uma nova cirurgia. “É sofrimento e risco. Esse hospital aqui tá todo contaminado”, pontua.</p>



<p>O homem denuncia que os médicos circulam pelos corredores com roupas que utilizam na cirurgia. “O médico tem que estar lá dentro do bloco cirúrgico. O médico não é para estar vindo aqui no corredor buscar paciente com a roupa que vai operar, não. É um açougue?”, questiona.</p>



<p>Além disso, Edcley e o parente que lhe acompanha questionam a falta de higiene do local. São gatos, cachorros, timbus, árvores com cupins, mato alto e limpeza precária que, para eles, aumenta o risco de contaminação. Os vídeos recebidos pela MZ confirmam isso.</p>



<p>Se Edcley aguarda a próxima cirurgia, Henrique alimenta a esperança de que o tratamento surta efeito e que possa recuperar minimamente a sua perna. Dias antes de conversar com a Marco Zero, teve um vislumbre de esperança, pois na última avaliação, outro médico descartou a possibilidade de colocar o fixador novamente e prescreveu seguir com os antibióticos.</p>



<p>Além disso, há o desalento. Para quem chegou para tratar fraturas e sofreu o impacto do colapso dos seus rins e a ameaça de amputação, agora ele convive com um profundo desânimo. “Dentro da hemodiálise eu tinha visto as piores coisas que eu nunca tinha visto ainda, nunca pensei que uma hemodiálise fosse um negócio tão pesado, um sistema tão pesado que a máquina é toda adaptada dentro de você. Um cateter, ou no pescoço ou na virilha. O meu não conseguiu pegar no pescoço, pegou aqui na virilha… eu não estava com opção naquele momento. Eu estava numa situação que afetou a perna, afetou os rins e o psicológico já está a mil, sem saber o que focar realmente na vida”, lamenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), no período entre janeiro de 2025 e julho de 2026, “foram registrados 50 procedimentos de retirada de placas, parafusos ou outros materiais de síntese. Esse número corresponde a 1,86% das 2.683 cirurgias ortopédicas realizadas. Os 50 registros representam procedimentos, e não necessariamente 50 pacientes distintos, não podendo ser interpretados como 50 casos de infecção ou de ‘rejeição’”.</p>
<p>Seguindo essa lógica, após as primeiras cirurgias e colocação da placa, as repetidas cirurgia realizadas apenas nos pacientes mostrados nesta reportagem juntos somam seis procedimentos. O equivalente a 12% dos 50 casos informados pela SES.</p>
	</div>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Enfermaria da traumatologia Hospital Otávio de Freitas" width="422" height="750" src="https://www.youtube.com/embed/q_WAyAaRzo4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading">O que diz o Governo de Pernambuco</h3>



<p>A Marco Zero procurou a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) questionando os pontos apontados nesta reportagem e pedindo um representante do órgão para falar das denúncias feitas. Ignoraram a possibilidade e enviaram uma nota que afirma:</p>



<p>Sobre os três casos dos pacientes descritos, a conduta médica foi direcionada ao controle da infecção, à preservação do membro e à reavaliação da necessidade de procedimentos reconstrutivos ou complementares, conforme a evolução clínica. Nos documentos analisados, não há indicação formal de amputação.</p>



<p>Sobre a atuação dos médicos residentes, O Hospital Otávio de Freitas (HOF) reforça que eles são profissionais graduados em medicina e regularmente inscritos no Conselho Regional de Medicina (CRM). A residência médica é uma modalidade de especialização em serviço, realizada sob supervisão de médicos especialistas e preceptores.</p>



<p>Os residentes podem examinar pacientes, registrar evoluções, realizar procedimentos e participar de cirurgias, conforme seu nível de formação, sempre integrados à equipe responsável. As descrições cirúrgicas dos casos apresentados identificam os cirurgiões responsáveis e seus auxiliares. Não existe orientação institucional para que procedimentos ou decisões complexas sejam realizados por residentes sem supervisão. Eventuais queixas relacionadas ao tempo de visita, à comunicação ou à identificação do médico responsável podem ser apuradas individualmente, desde que sejam fornecidas informações que permitam localizar o episódio.</p>



<p>Sobre a questão de animais transitando pela unidade, a direção do HOF informa que mantém contratos regulares de limpeza e desinfecção hospitalar, seguindo protocolos técnicos e sanitários estabelecidos pelas normas vigentes. Além disso, são realizadas ações periódicas de controle ambiental e manejo da área externa, incluindo medidas voltadas à prevenção e mitigação da presença de animais nas dependências da unidade.</p>



<p>A direção informa ainda que a unidade vem desenvolvendo ações educativas junto aos funcionários, pacientes e acompanhantes para orientá-los a não alimentar nem interagir com os animais e, também, a comunicar sua presença sempre que identificados. Rotineiramente, são realizadas rondas pela administração do serviço para identificar a presença de animais. Além disso, foram instaladas barreiras físicas para impedir o acesso desses animais às dependências da unidade.</p>



<p>Em relação aos apontamentos sobre o Setor de Traumatologia do HOF, a unidade esclarece ainda que a Superintendência de Engenharia e Manutenção elaborou e atualizou o Plano de Ação para Requalificação do Trauma Adulto e Pediátrico, contemplando intervenções nas enfermarias, postos de enfermagem e depósitos de material de limpeza (DML), incluindo a recuperação de paredes, tetos, pias, vasos sanitários, revestimentos, portas, fechaduras, sistemas de ventilação e demais adequações estruturais.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Problema crônico</h3>



<p>Os problemas não são de hoje. O hospital tem uma reputação negativa entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Em 2021, a Marco Zero acompanhou <a href="https://marcozero.org/hospital-otavio-de-freitas-esta-um-caos-e-gente-por-cima-de-gente/">denúncias de superlotação feitas por pacientes e acompanhantes</a>. Os pacientes eram amontoados pelos corredores da unidade e ficavam à mercê de uma vaga em um leito.</p>



<p>Em 26 de maio deste ano, a então governadora Raquel Lyra (PSD) e a vice-governadora Priscila Krause (PSD) entregaram a requalificação do centro cirúrgico ambulatorial da unidade, alegando ainda a melhoria da recepção da emergência, fachada e portaria da unidade. Comemoram o investimento de mais de R$ 800 mil, somando mais de R$ 158 milhões em investimentos, com obras de ampliação, novos equipamentos, modernização da estrutura e abertura de novos leitos. No entanto, os relatos dos pacientes indicam que esse investimento ainda não chegou na traumatologia.</p>



<p>Apenas dois dias depois, o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) julgou a auditoria especial operacional realizada no primeiro semestre de 2025, com objetivo de, segundo o documento, “analisar os fatores operacionais internos e externos que têm impactado a produção cirúrgica do centro cirúrgico”, relatada pelo conselheiro Marcos Loreto.</p>



<p>O julgamento divulgado em 02 de junho no Diário Oficial do TCE-PE, constatou, entre os problemas apresentados, que a unidade possuía inadequações na estrutura física do centro cirúrgico, como o descascamento do revestimento nas paredes e na junção com o piso em todas as salas operatórias, a existência de diversos equipamentos inoperantes nos blocos cirúrgicos e a ausência de reserva técnica &#8211; os aparelhos de backup para o sistema.</p>



<p>Também identificou que “o centro cirúrgico apresentou baixa efetividade operacional, revelada por indicadores de processo, destacando-se elevado índice de cancelamentos de cirurgias (entre 16,7% e 18,6%) por causas em grande parte evitáveis, e significativo atraso para o início da primeira cirurgia do dia”.</p>



<p>Além disso, “a análise do desempenho do Bloco da Traumatologia/Ortopedia revelou efetividade de apenas 47,5% (ORE /ECC), abaixo da média observada em centros brasileiros de porte similar (50-60%), enquanto o Bloco Central (Geral) não pôde ter seu indicador mensurado devido à impossibilidade de definir o Tempo Total Disponível e o Tempo Total Utilizado”.</p>



<p>O documento também constatou a inconsistência nos dados e informações disponibilizadas no sistema informatizado, causando subutilização e falhas de registro pelas equipes.</p>



<p>Entre as considerações, atestou-se que “a baixa efetividade do centro cirúrgico na realização de cirurgias eletivas, evidenciada pelo indicador <em>Overall Equipment Effectiveness (ORE/ECC)</em>, de apenas 47,5% no Bloco da Traumatologia/Ortopedia — índice inferior à média de centros de porte similar —, e pelo fato de a maior parte das cirurgias ditas “eletivas” ser proveniente da Emergência, gerando fila de espera e aproveitamento aquém do ideal da capacidade instalada”.</p>



<p>Por fim, ficou determinado que a Secretaria Estadual de Saúde e a Direção do HOF adotassem medidas para sanar as deficiências apresentadas e melhorar a qualidade dos atendimentos aos pacientes em 60 dias. Como já apresentado nesta reportagem, mesmo com as melhorias divulgadas pelo governo do estado, ainda há denúncias de desassistência na unidade.</p>



<div data-wp-interactive="core/file" class="wp-block-file"><object data-wp-bind--hidden="!state.hasPdfPreview" hidden class="wp-block-file__embed" data="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/DOU-TCE-PE-02.06.2026.pdf" type="application/pdf" style="width:100%;height:600px" aria-label="Incorporado de DOU TCE-PE 02.06.2026."></object><a id="wp-block-file--media-c7ece1d0-f5e8-4c84-9b70-59877272ff97" href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/DOU-TCE-PE-02.06.2026.pdf">DOU TCE-PE 02.06.2026</a><a href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/DOU-TCE-PE-02.06.2026.pdf" class="wp-block-file__button wp-element-button" download aria-describedby="wp-block-file--media-c7ece1d0-f5e8-4c84-9b70-59877272ff97">Baixar</a></div>
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		<title>Raquel Lyra comemora queda de homicídios, mas violência policial cresce em PE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 14:52:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[redução da violência]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto a redução geral dos homicídios ocupa o centro da narrativa da gestão Raquel Lyra (PSD) na área da segurança pública, Pernambuco registrou um aumento nas mortes por intervenção policial em 2025, com 89 pessoas assassinadas no ano passado, 30,9% a mais do que em 2024, . A letalidade da polícia tem cor, gênero, idade [&#8230;]</p>
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<p>Enquanto a redução geral dos homicídios ocupa o centro da narrativa da gestão Raquel Lyra (PSD) na área da segurança pública, Pernambuco registrou um aumento nas mortes por intervenção policial em 2025, com 89 pessoas assassinadas no ano passado, 30,9% a mais do que em 2024, .</p>



<p>A letalidade da polícia tem cor, gênero, idade e território: 94,4% das vítimas eram negras, 100% eram homens, 71,9% eram jovens de até 29 anos e 12,4% (o maior percentual registrado) estavam no Recife quando foram mortas.</p>



<p>Os números fazem parte da sétima edição do estudo <em>Pele Alvo: entre racismo e letalidade</em>, <em>o amanhã</em>, que monitora dados de letalidade policial fornecidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelas secretarias de segurança de nove estados (Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo).</p>



<p>Com os resultados de 2025, foi possível contabilizar que, na média dos nove estados, negros têm quatro vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos. Em Pernambuco, essa chance chega a ser 11 vezes maior.</p>



<p>De acordo com o estudo, nos nove estados monitorados, o ano passado encerrou com um número recorde de mortes provocadas por policiais (4.330), um aumento de 6,4% em relação a 2024. Considerando os registros de raça ou cor “não informados”, o racismo na segurança torna-se evidente: 86,3% (3.104) das vítimas eram negras.</p>



<p>“Quando analisamos os dados de 2025 em Pernambuco, percebemos uma contradição muito importante. Ao mesmo tempo em que o estado vem divulgando a redução das mortes violentas e intencionais como um resultado positivo da política de segurança, principalmente por meio do programa Juntos pela Segurança, o número de mortes decorrentes de intervenção policial aumentou. Isso nos faz refletir sobre o que realmente significa falar em prevenção da vida quando a violência produzida pelo próprio Estado também cresce. Quando a gente para e olha quem são essas vítimas, o cenário fica mais preocupante”, avalia Dália Celeste, pesquisadora do estudo “Pele Alvo” em Pernambuco.</p>



<p>Afrotransfeminista e estudante de Direito e de Letras, Dália destaca que “existe um perfil muito evidente de qual corpo é atingido por essa violência”. Ela afirma que “isso demonstra que a letalidade policial não acontece de forma aleatória, ela atinge principalmente jovens negros. O que reforça a necessidade de discutirmos o racismo estrutural e as desigualdades presentes na política de segurança pública”.</p>



<p>Outro dado que chama a atenção no estudo é que, apesar de Pernambuco ter informado raça ou cor em 100% dos registros, 78,7% das vítimas não tiveram a profissão identificada. Para Dália, esse contraste é revelador, uma vez que o estado registra a cor daqueles que morrem, mas apaga suas trajetórias nos documentos oficiais.</p>



<p>“Embora o estado consiga informar a raça de todas as vítimas, não sabemos nada sobre quem eram essas pessoas antes da morte. Os dados mostram que um policial, inclusive, foi vítima de uma decorrência da intervenção da própria polícia. Isso aponta que a lógica do confronto também produz riscos para os próprios profissionais da segurança pública”, diz a pesquisadora.</p>



<p>“A nossa preocupação é que o debate sobre segurança pública não fique restrito apenas à redução dos homicídios. É preciso cobrar do estado mais transparência, responsabilização e políticas públicas que tenham como prioridade a preservação da vida”, argumenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pernambuco segue tendência nacional</h2>



<p>Embora os números ainda sejam altos, Pernambuco vem apresentando uma retração nos principais indicadores criminais monitorados pela Secretaria de Defesa Social (SDS-PE), acompanhando uma tendência verificada na média brasileira.</p>



<p>O estado encerrou os cinco primeiros meses de 2026 (janeiro a maio) com os menores índices já registrados, em toda a série histórica, para Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) e Mortes Violentas Intencionais (MVIs). Até maio, foram registradas 8.070 ocorrências de CVP, o menor resultado dos últimos 16 anos, e 1.167 ocorrências de MVI, o menor resultado dos últimos 23 anos.</p>



<p>O governo estadual aponta o programa Juntos pela Segurança como principal responsável pela melhora do cenário, associado aos investimentos em tecnologia, inteligência e ações policiais.</p>



<p>Já o Brasil atingiu, em 2024, a menor taxa de homicídios em 11 anos, segundo o <em>Atlas da Violência 2026</em>, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) — esses são os dados nacionais mais recentes.</p>



<p>Os pesquisadores apontam que essa redução nacional dos homicídios está relacionada a um conjunto de fatores. Entre eles, estão a adoção de políticas de segurança pública mais orientadas por dados, permitindo ações focadas nas áreas com maior incidência de violência; mudanças na atuação de grupos criminosos, incluindo períodos de menor confronto entre facções em algumas regiões; e o envelhecimento da população, uma vez que os jovens continuam sendo o grupo mais exposto ao risco de assassinato.</p>



<p>Apesar da tendência de queda, o estudo recomenda cautela na interpretação dos números. Isso porque houve aumento dos registros de mortes violentas classificadas como de causa indeterminada, categoria que pode incluir homicídios não identificados oficialmente. Com base nessa hipótese, os autores estimam que o Brasil pode ter contabilizado até 49.673 homicídios em 2024. Nesse cenário, a redução em relação ao ano anterior seria de apenas 0,4%, significativamente menor do que a indicada pelos dados oficiais.</p>
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		<title>À espera da dragagem, rio Beberibe transborda lixo, lama e doenças a cada enchente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 19:18:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rio Beberibe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quase duas semanas depois das chuvas de 1º de maio, famílias que vivem às margens do rio Beberibe em Peixinhos, na periferia de Olinda, ainda estão limpando a lama e tentando reorganizar a vida e o que sobrou das casas. Enquanto imploram, há mais de uma década, por uma dragagem, comunidades como Beira Rio, Nova [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quase duas semanas depois das chuvas de 1º de maio, famílias que vivem às margens do rio Beberibe em Peixinhos, na periferia de Olinda, ainda estão limpando a lama e tentando reorganizar a vida e o que sobrou das casas. Enquanto imploram, há mais de uma década, por uma dragagem, comunidades como Beira Rio, Nova Esperança, Embalo, Condor e Cabo Gato enfrentaram mais uma enchente. Por causa da intensidade das chuvas, no dia seguinte o governo estadual decretou situação de emergência em 27 municípios, incluindo Olinda.</p>



<p>Moradores relatam que, no feriado do Dia do Trabalhador, “nadaram”, dentro de casa, com lixo, ratos e cobra, literalmente. Para muita gente, a cheia deste ano foi pior que a provocada pelas chuvas de maio de 2022. Agora, as famílias temem pelo aumento dos casos de arboviroses e leptospirose, como acontece todos os anos.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> esteve nas comunidades de Peixinhos, na semana passada, para acompanhar a situação. Debaixo da ponte Campina do Barreto, que liga Recife a Olinda, só o que restou, do lado olindense, foram entulhos e os porcos, em meio a muita sujeira e um odor forte de lixo misturado com bicho morto que não passa. “É o cheiro da cheia”, definem os moradores.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dias depois da enchente, mau cheiro ainda era forte às margens do Beberibe
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A última vez que o Beberibe passou por uma dragagem foi em 2013, penúltimo ano da segunda gestão do então governador Eduardo Campos (PSB). Antes disso, uma dragagem tinha sido realizada em 1982. A calha do rio está bastante obstruída por resíduos sólidos, restos de construção, vegetação, troncos, galhos, sedimentos e plantas flutuantes. Por isso, a cada ano, o nível da água sobe mais quando chove forte, invadindo até mesmo casas mais distantes das margens, que são ocupadas por moradias irregulares.</p>



<p>Na sexta-feira (8), com o período chuvoso já tendo começado, a governadora Raquel Lyra (PSD) anunciou mais um serviço emergencial de limpeza do Beberibe, entre as pontes Dalva de Oliveira e avenida Cidade de Monteiro, no Recife — o que ajuda, mas não resolve o problema.</p>



<p>A gestão fez o mesmo há exato um ano: era dia 19 de maio quando o governo iniciou a limpeza (também emergencial) do rio, começando justamente por Olinda. Agora, mais uma chuva forte veio, outras estão à caminho e o questionamento das famílias de Beira Rio, Nova Esperança, Embalo, Condor e Cabo Gato é um só: “cadê a dragagem?”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55254039927_05d5898aa1_c.jpg" alt="A imagem mostra uma vista aérea de uma área urbana densamente ocupada, com casas simples e construções improvisadas próximas a um rio de águas turvas. Um estreito passarela de madeira atravessa o rio, ligando os dois lados da comunidade. As moradias estão muito próximas umas das outras, e há vegetação misturada com entulho nas margens. No canto superior, vê-se um galpão e uma área pavimentada, sugerindo uma zona industrial ou comercial próxima." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Moradores de Peixinhos esperam por dragagem que não vem 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em agosto de 2024, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) celebrou o anúncio da dragagem que, segundo o discurso dela, estaria na iminência de ser licitada. &#8220;A dragagem no rio Beberibe já está com edital de contratação publicado e estamos garantindo R$ 84 milhões em obras &#8230; Vamos remover sedimentos acumulados no leito do rio e assim contribuir para melhorar a qualidade de vida dessa população que vive na divisa com a cidade do Recife&#8221;, <a href="https://www.instagram.com/p/DA5qL_zufVj/">anunciou Krause em seu perfil no Instagram</a>.</p>



<p>Quase dois anos depois, no entanto, a obra capaz de resolver boa parte do problema dessas famílias ainda não saiu do papel, apesar de a empresa contratada em fevereiro de 2025 já ter realizado os devidos estudos técnicos e elaborado os projetos executivos. </p>



<p>O governo informou, em nota, que está agora em fase final do processo licitatório para definição da empresa responsável pela execução do serviço, que será realizado entre o Recife e Olinda, da avenida Cidade do Monteiro, em Porto da Madeira, até a Escola Aprendizes de Marinheiro.</p>



<p>No mês passado, a licitação da dragagem foi parar no Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que determinou a suspensão do processo, por meio de medida cautelar, em razão da ausência de documentação ambiental relacionada aos serviços previstos no edital. Saiba mais no final da reportagem.</p>



<p>Em comunicado à imprensa, a gestão disse que a nova ação emergencial de limpeza “visa diminuir os riscos de inundação durante o período chuvoso, beneficiando todas as comunidades existentes ao longo do curso do rio. A operação inicia nesta sexta (8) e seguirá pelo tempo necessário, até que sejam concluídos os trabalhos em todas as áreas do rio. Os equipamentos empenhados na operação são quatro retroescavadeiras, oito caminhões caçamba e uma escavadeira”.</p>



<p>Com a ação, o governo prevê a retirada de 2 mil metros cúbicos de lixo, entulhos, vegetação aquática e demais materiais que potencializam os transbordamentos e as inundações.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>Rio Beberibe agoniza</strong></h2>



<p>Com as chuvas mais recentes, em alguns pontos da comunidade a água arrastou tudo que havia dentro das casas. Foi o caso de Socorro Maria Fernandes, de 57 anos. Analfabeta, ela vive com o pai acamado, de 88 anos. “Consegui colocar meu pai na casa da minha irmã. Ele terminou adoecendo, está com uma diarreia que não passa, eu não sei o que é. Esses dias, dormindo, começou a chamar pela minha mãe, já falecida, dizendo ‘Lica, cuidado com a cheia’”, conta a dona de casa.</p>



<p>Objetos, móveis e eletrodomésticos de Socorro foram levados para o quintal pela força da correnteza. Só o que ela conseguiu salvar foi uma geladeira. “Eu fiquei com a água na cintura e os ratos nadando e subindo pelas paredes”, detalha.</p>



<p>Um dos principais cursos d’água da região metropolitana, o rio Beberibe nasce em Camaragibe e passa por Recife e Olinda, percorrendo 24 km, até se juntar ao rio Capibaribe e desaguar no Atlântico. No lado recifense, estão os bairros Campina do Barreto, Porto da Madeira, Beberibe, Dois Unidos e Linha do Tiro. Já do lado olindense, estão Águas Compridas, Caixa D’água e Peixinhos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55255077853_7833d13f9b_c.jpg" alt="A imagem mostra uma mulher em pé entre muitos objetos acumulados, como caixas plásticas, baldes, um colchão encostado e outros utensílios domésticos. Ela veste uma camiseta vermelha com estampa de personagem e shorts jeans, e parece observar algo fora do quadro. O ambiente é apertado e improvisado, com uma parede de tijolos sem reboco ao fundo e diversos materiais empilhados, sugerindo um espaço de moradia em condições precárias." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Socorro Maria conseguiu retirar a tempo o pai acamado
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Nesse curso, o rio arrasta bastante poluição, em meio ao saneamento básico precário e a construções irregulares, muitas inseridas em Áreas de Preservação Permanente (APP), por causa da falta de soluções habitacionais e de planejamento urbano. Quem vive às margens do Beberibe divide espaço com o lixo e a criação de porcos e cavalos, que ajudam no sustento.</p>



<p>Larissa Gomes da Cunha, de 19 anos, vivia com o filho de um ano e nove meses na beira do rio. Perdeu tudo. A reportagem esteve na casa dela, só havia lama e pedaços de objetos agora imprestáveis. Quando conversou com a <strong>MZ</strong>, Larissa estava no abrigo montado pela prefeitura na Escola Estadual Monsenhor Arruda Câmara. Sem moradia, ela não sabia para aonde ir depois do encerramento das atividades do abrigo, que chegou a receber mais de 400 pessoas no sábado (2).</p>



<p>Na casa de Aldeci Maria da Silva, de 54 anos, até cobra apareceu. “Minha neta, de 12 anos, pede o tempo todo ‘vó, vamos sair dessa casa’. Mas vamos para onde?”, questiona a faxineira, que ganha menos de um salário mínimo por mês.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55255329470_e0f2099060_c.jpg" alt="A imagem mostra uma mulher adulta e uma menina sentadas em um sofá simples dentro de uma casa de paredes pintadas de azul. A mulher à direita usa uma blusa estampada e shorts claros, enquanto a jovem ao lado veste uma camiseta escura e shorts. O ambiente é pequeno e modesto, com um refrigerador branco à esquerda e um corredor ao fundo que leva a outro cômodo iluminado em tom amarelado. O chão é coberto por pedaços de cerâmica irregular, e há uma cortina clara separando os espaços." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Aldeci da Silva não tem para aonde ir com a neta de 12 anos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco (Seduh), “está prevista a implantação de 464 unidades habitacionais em área localizada ao lado da Compesa, no bairro de Peixinhos, bem como aproximadamente 700 unidades habitacionais adicionais, atualmente em fase de prospecção, destinadas ao atendimento da demanda identificada”.</p>



<p>Para quem vive em Olinda, o valor do auxílio-moradia é de apenas R$ 260 mensais. Atualmente, de acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, 778 pessoas recebem o valor, em toda a cidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Dragagem vai parar no TCE</h3>



<p>Após a suspensão da licitação da dragagem pelo conselheiro Ranilson Ramos, no mês passado, através de uma medida cautelar, por causa de documentos ambientais, o Governo do Estado foi autorizado, no último dia 5, a dar prosseguimento ao processo licitatório, também por meio de cautelar, que agora seguiu para homologação na Segunda Câmara do TCE-PE, no próximo dia 19.</p>



<p>Depois do recurso apresentado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e pela Companhia Estadual de Habitação e Obras de Pernambuco (Cehab/PE), o conselheiro relator dos processos da Seduh autorizou a retomada. </p>



<p>A nova decisão levou em consideração a apresentação de medidas de viabilidade ambiental autorizadas pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), além da situação de emergência decretada pelo Governo de Pernambuco em municípios do Estado no dia 2 de maio. O Tribunal de Contas informou que continuará acompanhando tanto a licitação quanto a execução dos serviços de dragagem do rio Beberibe.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55254040507_ab4aef4d87_c.jpg" alt="A imagem mostra o interior de uma casa muito simples e deteriorada, construída com chapas metálicas enferrujadas e tábuas de madeira. O teto é de zinco corroído, com furos por onde entra luz natural. O chão é de terra batida, coberto por entulhos e objetos quebrados, como pedaços de madeira e plásticos. Há também um fio verde pendurado do teto, sugerindo improvisação elétrica. O ambiente parece abandonado ou em ruínas, sem móveis ou sinais de uso recente." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Isto é tudo que sobrou da casa onde Larissa Cunha mora com o filho pequeno
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/">À espera da dragagem, rio Beberibe transborda lixo, lama e doenças a cada enchente</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Quando resolver não interessa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 18:18:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[deslizamento de barreira]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[inundações]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Igor Travassos* Um colete laranja da Defesa Civil, às vezes dentro de um helicóptero ou em um local de calamidade, fala para a câmera dizendo que conversou com fulano ou ciclano e que está à disposição para ajudar no que for necessário. É sempre assim, o roteiro é o mesmo. A ação, no entanto, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Igor Travassos*</strong></p>



<p>Um colete laranja da Defesa Civil, às vezes dentro de um helicóptero ou em um local de calamidade, fala para a câmera dizendo que conversou com fulano ou ciclano e que está à disposição para ajudar no que for necessário. É sempre assim, o roteiro é o mesmo. A ação, no entanto, nunca é efetiva, contínua ou definitiva.</p>



<p>Políticos usam tragédias como palco, mas essa é só a ponta do iceberg de uma indústria que produz o desastre e lucra com ele. O lucro, nesse caso, é financeiro e político. Mas tem mais uma camada nisso tudo. Porque não se trata apenas de explorar o desastre, trata-se também de encená-lo.</p>



<p>A imagem no helicóptero, o sobrevoo, o olhar grave, a fala protocolar: tudo isso não é só comunicação, é espetáculo. Não no sentido de algo grandioso, mas no sentido de algo mediado pela imagem, pensado para ser visto, consumido e compartilhado. A tragédia deixa de ser apenas uma crise concreta e passa a ser também um produto simbólico. E, quanto mais visível, mais útil politicamente.</p>



<p>Por que o mesmo problema se repete tantas e tantas vezes e nunca é resolvido? Já fizemos essas perguntas inúmeras vezes e quase sempre caímos na resposta mais imediata: a culpa é dos políticos, que só estão interessados em si mesmos. Isso já é praticamente consenso. Se a gente se aprofunda, começa a perceber que essa inação não é falha, é método. Existe um <em>modus operandi</em>, um ciclo que se retroalimenta e que tem um resultado bastante claro, que é a manutenção do poder.</p>



<p>Pensemos o seguinte: uma tragédia acontece e é necessário dar uma resposta rápida. O dinheiro aparece. Precisa aparecer. Porque é preciso mostrar ação, presença, comando da situação. Só que esse dinheiro não pode ficar parado, ele precisa virar movimento, precisa virar imagem.</p>



<p>Resolver de forma definitiva leva tempo, planejamento, requer obras estruturantes. Mas o desastre exige urgência. E a urgência justifica atalhos. É como uma compra de última hora, em que você não pesquisa, não compara, não negocia. Você resolve. E aceita o prejuízo depois. Na política pública, a dispensa de licitação em situações de calamidade segue essa mesma lógica, mas com uma diferença fundamental: estamos falando de recursos públicos.</p>



<p>E, mais do que isso, estamos falando de tragédias que já não são mais imprevisíveis. Elas se repetem, com data, lugar e vítimas mais ou menos conhecidas, pessoas negras, periféricas, em sua maioria.</p>



<p>A exceção virou regra. Política de morte.</p>



<p>E, quando não há licitação, não há parâmetro claro de preço, de escolha, de critério. Quem decide onde comprar é quem está no poder. E isso abre margem para um tipo de escolha que não é exatamente técnica. Imagina comprar sempre na loja que te dá o maior <em>cashback</em>. O prejuízo, nesse caso, deixa de ser prejuízo.</p>



<p>Mas o retorno não é só financeiro, e talvez nem seja o mais importante. Ele também é simbólico: é o vídeo entregando cesta básica com dinheiro público, é a foto no meio da lama, é o discurso de prontidão, é a performance da presença.</p>



<p>Na lógica da sociedade do espetáculo, não basta agir, é preciso parecer agir. E, muitas vezes, parecer é mais eficiente do que resolver. Porque resolver encerra o problema, e encerrar o problema reduz a necessidade de novas aparições, novos discursos, novas demonstrações de poder.</p>



<p>Já o desastre contínuo garante palco permanente. E é assim que a desgraça se transforma em ativo político. São muitas as formas de transformar sofrimento em capital, seja ele eleitoral, financeiro ou de imagem. E, no fim, o que se consolida não é a solução do problema, mas a sua gestão contínua.</p>



<p>Porque, para alguns, o desastre não é uma falha do sistema.</p>



<p>É o funcionamento pleno dele.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Comunicador e ativista socioambiental, integrante da Articulação Negra de Pernambuco e da Coalizão Negra por Direitos, atua junto a organizações com direito à cidade e enfrentamento ao racismo ambiental.</p>
    </div>



<p><br></p>
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		<item>
		<title>Agricultores saem, torres ficam: Governo de PE e complexo eólico fecham acordo para retirar famílias</title>
		<link>https://marcozero.org/agricultores-saem-torres-ficam-governo-de-pe-e-complexo-eolico-fecham-acordo-para-retirar-familias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 21:49:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Complexo Ventos de São Clemente]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mppe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um mês após serem alvo de uma ação inédita por danos socioambientais, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e o complexo eólico Ventos de São Clemente, no agreste de Pernambuco, firmaram um acordo judicial que privilegia os aerogeradores em detrimento da permanências das famílias impactadas nos territórios onde elas vivem e trabalham há gerações. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um mês após serem alvo de uma <a href="https://marcozero.org/complexo-eolico-e-cprh-sao-alvos-de-acao-inedita-em-pernambuco-por-danos-socioambientais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ação inédita por danos socioambientais</a>, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e o complexo eólico Ventos de São Clemente, no agreste de Pernambuco, firmaram um acordo judicial que privilegia os aerogeradores em detrimento da permanências das famílias impactadas nos territórios onde elas vivem e trabalham há gerações.</p>



<p>Por não cumprir requisitos obrigatórios para renovação, o empreendimento atua, há mais de um ano, sem licença de operação. As torres estão funcionando somente graças a uma liminar concedida pela Justiça em segunda instância. O complexo é operado pela Echoenergia e formado por oito parques e 126 aerogeradores nos municípios de Caetés, Venturosa, Pedra e Capoeiras.</p>



<p>O termo de compromisso firmado entre CPRH e a empresa prevê a realocação das famílias que vivem a até 280 metros das torres. Na prática, os camponeses saem e as torres ficam.O acordo, no entanto, não explicita o que acontecerá no caso daquelas famílias que não quiserem, por algum motivo, deixar seu local de origem. </p>



<p>Outra problemática do termo, segundo o MPPE e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que representa os agricultores, é que ele não inclui uma solução para todas as pessoas comprovadamente já impactadas pelo complexo, apesar das tentativas de conciliação já se arrastarem desde o final de março de 2025.</p>



<p>&#8220;Na prática, as famílias estão sendo expulsas. Aceitar deixar o território é a única forma que elas estão encontrando de se verem livres do sofrimento que estão suportando há mais de 10 anos. Mas não são as famílias que deveriam ter que sair, não são elas que estão irregulares, é o empreendimento. É uma inversão muito grande. E o próprio Governo de Pernambuco e o Judiciário vendem essa imagem de que não é possível tirar as torres e que são as famílias que têm que deixar seus territórios&#8221;, avalia a advogada da Pastoral da Terra Mariana Vidal.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>Confira <a href="https://marcozero.org/complexo-eolico-e-cprh-sao-alvos-de-acao-inedita-em-pernambuco-por-danos-socioambientais/" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> a linha do tempo que a <strong>Marco Zero</strong> publicou, no mês passado, mostrando a cronologia dos danos provocados por eólicas em Caetés e adjacências desde 2012, quando a Casa dos Ventos (hoje Ventos de São Clemente) chegou prometendo renda mensal complementar, emprego para os filhos, dinamização da economia da região, melhoria da qualidade de vida e energia elétrica mais barata.</p>
	</div>



<p>Os trabalhadores rurais que vivem entre 500 e mil metros das torres continuarão sem possibilidade de realocação ou qualquer outra forma de indenização, a menos que haja comprovação que as torres ultrapassam os limites sonoros. O &#8220;detalhe&#8221; é que a comprovação poderá ser feita pela própria empresa operadora do complexo, apesar de diversos estudos já terem demonstrado que quem reside a uma distância de pelo menos 500 metros está submetido a ruídos de intensidade acima dos parâmetros adotados por ordenamento jurídico.</p>



<p>Na última sexta-feira, 17 de abril, o MPPE protocolou, por meio da Central de Recursos Cíveis, um agravo interno para reformar a homologação do acordo entre CPRH e Ventos de São Clemente. O procurador de Justiça Sílvio Tavares quer a revogação do acordo e a inclusão da cláusula aditiva proposta pelo MPPE, que agora aguarda apreciação pelo TJPE.</p>



<p>Essa cláusula aditiva tem como finalidade ampliar o raio de indenizações e elevar as sanções pecuniárias pelos danos socioambientais. Segundo Tavares, o acordo firmado carece de especificidade e cria brechas para interpretações subjetivas que prejudicam diretamente as famílias afetadas.</p>



<p>“Ao rechaçar as condicionantes, o acordo esvazia a proteção integral do meio ambiente e viola o interesse público, pois representa uma diminuição injustificada do patamar de proteção ambiental e social já consolidado. O Ministério Público, por fim, considera inadmissível que as populações vulneráveis, destinatárias dos efeitos do acordo, não tenham participado de sua formatação e fiquem desprovidas de salvaguardas claras que garantam a sua segurança jurídica e subsistência”, fundamentou o procurador.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Veja o que pede o MPPE</span>

		<p>1- Elaboração de plano de realocação das famílias;</p>
<p>2- Realocação ou indenização justa para todas as famílias que residem em raio de até 500 metros de aerogeradores, com pagamento de auxílio-aluguel até a efetiva realocação dos moradores;</p>
<p>3- No caso de moradores entre 500 e 1.000 metros dos aerogeradores onde os limites sonoros forem ultrapassados, respeito à opção da família pela realocação ou descomissionamento da torre;</p>
<p>4- Contratação de órgão independente (não contratado pela empresa) a fim de assegurar isenção na emissão dos laudos de ruídos e na avaliação dos imóveis para pagamento de indenização;</p>
<p>5- Participação comunitária na construção das soluções.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Eólica opera sem licença</h2>



<p>Para pressionar a CPRH, as comunidades atingidas, organizadas em parceria com outros atores, promoveram um protesto, em fevereiro de 2025, ocupando a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), no Recife. O órgão ambiental, na época, indeferiu o pedido de renovação da Licença de Operação da Ventos de São Clemente, determinando a imediata paralisação dos aerogeradores. </p>



<p>A empresa iniciou então o desligamento dos aerogeradores. No entanto, isso durou pouco tempo. O empreendimento logo recorreu e, em segundo instância, conseguiu retomar as atividades graças a uma liminar. Poucos dias depois, em março, uma torre aerogeradora se rompeu e despencou, num terreno onde, felizmente, não havia circulação de pessoas e não houve feridos.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Empresa e governo estadual são alvo por danos socioambientais</h3>



<p>É extensa a lista de violações apresentadas à Justiça de Pernambuco, no mês passado, pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em ação inédita no estado, contra a Ventos de São Clemente e a CPRH. Pela primeira vez em Pernambuco, empresas eólicas são alvo de uma Ação Civil Pública (ACP) por danos socioambientais.</p>



<p>Além da Ventos de São Clemente Holding S.A., também são rés no processo judicial a Casa dos Ventos Energias Renováveis S.A. e a Echoenergia Participações S.A. A MZ detalhou a situação em <a href="https://marcozero.org/complexo-eolico-e-cprh-sao-alvos-de-acao-inedita-em-pernambuco-por-danos-socioambientais/">reportagem</a> publicada no dia 23 de março.</p>



<p>As mais de 500 famílias afetadas, segundo a pastoral, vivem nas comunidades Pau Ferro, Pontais, Laguinha, Barrocas, Tanque Novo, Paraguai, Mulungu, Quitonga, Piado, Exu, Montevidéu, Toquinho, Vermelha e Serrote. São famílias que, em geral, têm um longo histórico de posse da terra, que remonta a várias gerações, e que vivem da agricultura familiar e da criação de animais.</p>



<p>A operação das turbinas provocou, em 10 anos, uma série de danos tanto à saúde física e mental quanto à produção agropecuária e consequentemente à segurança alimentar e à geração de renda dessas pessoas.</p>



<p>Relembre <a href="https://marcozero.org/complexo-eolico-e-cprh-sao-alvos-de-acao-inedita-em-pernambuco-por-danos-socioambientais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> em reportagem da <strong>MZ</strong>.</p>



<p>À reportagem, a CPRH informou que não comenta casos judicializados. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a Ventos de São Clemente</span>

		<p>Em nota, a Echoenergia afirmou que ainda não foi notificada sobre o agravo do MPPE, que segue com as ações mitigatórias e permanece empenhada em assegurar o cumprimento integral das obrigações ambientais do complexo eólico.</p>
<p><strong>Confira a nota na íntegra</strong></p>
<p><em>A Echoenergia mantém seu compromisso com a responsabilidade socioambiental, condicionantes ambientais legais e condução da operação do Complexo Eólico Ventos de São Clemente. O termo de compromisso assinado com a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH) consolida um conjunto de medidas já em execução pela Echoenergia, destinadas à mitigação de eventuais impactos socioambientais, garantindo transparência, rigor técnico e a participação efetiva das famílias em todas as etapas previstas.</em></p>
<p><em>A companhia ainda não foi notificada sobre o agravo interno mencionado, no entanto, Echoenergia vai adotar as medidas cabíveis para proteger suas prerrogativas legais assim que for intimada.</em></p>
<p><em>Desde que assumiu a gestão de Ventos de São Clemente, a Echoenergia vem implementando um conjunto estruturado de ações voltadas à mitigação de impactos ambientais adicionais aos previamente avaliados no processo de licenciamento, em conformidade com as condições e padrões estabelecidos pela legislação ambiental vigente e pelas condicionantes da licença de operação original. As ações visam o atendimento das comunidades do entorno do empreendimento, beneficiando 130 famílias das comunidades onde se localiza o complexo eólico. Além disso, foram construídas 192 cisternas, que beneficiaram no total 453 famílias, em 14 comunidades.</em></p>
<p><em>A Echoenergia segue com as ações mitigatórias e permanece empenhada em assegurar o cumprimento integral das obrigações ambientais do Complexo Eólico Ventos de São Clemente – como medida de proteção, ainda que não se existam danos atestados – conduzindo as iniciativas com responsabilidade, transparência e alinhamento às melhores práticas socioambientais do setor.</em></p>
	</div>



<p><em>Reportagem atualizada em 24 de abril de 2026, às 10h54</em></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/agricultores-saem-torres-ficam-governo-de-pe-e-complexo-eolico-fecham-acordo-para-retirar-familias/">Agricultores saem, torres ficam: Governo de PE e complexo eólico fecham acordo para retirar famílias</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Complexo eólico e Governo de Pernambuco são alvo de ação inédita por danos socioambientais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 19:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[CPRH]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[eólicas]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É extensa a lista de violações apresentadas à Justiça de Pernambuco pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em ação inédita no estado, contra os responsáveis pela instalação e operação do complexo eólico Ventos de São Clemente, formado por oito parques e 126 aerogeradores nos municípios de Caetés, Venturosa, Pedra e Capoeiras, no agreste. Pela primeira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É extensa a lista de violações apresentadas à Justiça de Pernambuco pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em ação inédita no estado, contra os responsáveis pela instalação e operação do complexo eólico Ventos de São Clemente, formado por oito parques e 126 aerogeradores nos municípios de Caetés, Venturosa, Pedra e Capoeiras, no agreste.</p>



<p>Pela primeira vez em Pernambuco, empresas eólicas são alvo de uma Ação Civil Pública (ACP) por danos socioambientais. A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) também foi denunciada na ação, protocolada na sexta-feira 13 de março. Além da Ventos de São Clemente Holding S.A., também são rés no processo judicial a Casa dos Ventos Energias Renováveis S.A. e a Echoenergia Participações S.A.</p>



<p>Na última segunda (16), famílias camponesas junto à Escola dos Ventos e à CPT fizeram uma mobilização em frente à Vara Única da Comarca de Caetés. Formada por agricultores, pastoral, representantes da Fiocruz e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a escola é um coletivo de mobilização, pesquisa e ação contra os impactos das eólicas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/caetes-1-300x225.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/caetes-1-1024x768.jpeg" alt="A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em frente a um prédio, segurando um grande banner preto com letras brancas pintadas à mão. O texto no banner diz “EÓLICAS MATAM”, em português, indicando um protesto contra projetos de energia eólica. Ao fundo, há paredes revestidas de azulejos brancos, colunas de tijolos vermelhos, além de plantas e palmeiras que compõem o cenário externo. É uma cena de manifestação pública, marcada pela crítica a empreendimentos ligados às turbinas de vento." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores prejudicados já fizeram vários protestos contra eólicas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Cortesia/CPT</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Linha do tempo: das promessas aos problemas</strong></h2>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> montou uma linha do tempo com base nas informações da Ação Civil Pública, mostrando a cronologia dos danos provocados por eólicas em Caetés e adjacências desde 2012, quando a Casa dos Ventos chegou prometendo renda mensal complementar, emprego para os filhos, dinamização da economia da região, melhoria da qualidade de vida e energia elétrica mais barata. Depois o complexo foi adquirido pela Echoenergia, em 2017.</p>



<p>A linha do tempo vai até os dias atuais, envolvendo um embate jurídico e o complexo eólico Ventos de São Clemente funcionando sem licença de operação, autorizada apenas por uma liminar obtida em segunda instância na Justiça.</p>





<div style="height:780px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading">A extensão dos danos</h2>



<p>As mais de 500 famílias afetadas, segundo a pastoral, vivem nas comunidades Pau Ferro, Pontais, Laguinha, Barrocas, Tanque Novo, Paraguai, Mulungu, Quitonga, Piado, Exu, Montevidéu, Toquinho, Vermelha e Serrote. São famílias que, em geral, têm um longo histórico de posse da terra, que remonta a várias gerações, e que vivem da agricultura familiar e da criação de animais.</p>



<p>Muitas têm ascendência indígena, plantam milho, feijão, batata doce, macaxeira e palma, criam vacas para produção de leite e queijo e também porcos, cabras, ovelhas e galinhas. A operação das turbinas provocou, em 10 anos, uma série de danos tanto à saúde física e mental quanto à produção agropecuária e consequentemente à segurança alimentar e à geração de renda dessas pessoas.</p>



<p>Os problemas apresentados na Ação Civil Pública incluem ainda rachaduras nas casas após uso de explosivos para detonação e abertura de estradas; diminuição da disponibilidade hídrica em face do soterramento de barreiros e da destruição de lajedos e caldeirões; perda de vegetação nativa com a supressão de caatinga sem reposição no mesmo território; adoecimento da população; desenvolvimento de doenças diversas, de natureza tanto psíquica quanto física, como insônia, diminuição da capacidade auditiva, dor de cabeça, ansiedade. depressão, irritação nos olhos, problema de visão, fadiga, alergia na pele, palpitações no coração e hipertensão.</p>



<p>Os animais domésticos, por sua vez, apresentam sinais de estresse, adoecimento, morte prematura e alteração reprodutiva. As famílias relatam seus animais estão visivelmente estressados (com sinais de agitação e agressividade); as vacas vêm produzindo menos leite; as galinhas vêm pondo menos ovos ou quase nenhum; os poucos ovos postos terminam por não “gorar”, isto é, não desenvolvem o embrião, que apodrece durante a incubação; há cada vez maior incidência de filhotes (bezerros, porcos, pintos e outros) natimortos ou que, nascidos vivos, vêm a óbito em poucos dias, porque estão debilitados; e as galinhas vêm morrendo prematuramente.</p>



<p>De 2013 para cá, também houve diminuição ou desaparecimento da fauna silvestre, com diminuição drástica da presença de pássaros, morcegos e abelhas, importantes polinizadores e disseminadores de sementes. Houve ainda redução da produtividade agrícola e diminuição da geração de renda familiar e da segurança alimentar.</p>



<p>Muitas edificações racharam, comprometendo a segurança das casas e a inutilidade das cisternas. Os parques eólicas também foram responsáveis por uma quebra da inversão térmica noturna, alteração do padrão natural do vento e a diminuição da umidade do solo.</p>



<p>Embora os complexos Ventos de São Clemente e Ventos de Santa Brígida tenham sido construídos pelo mesmo empreendedor (Casa dos Ventos Energias Renováveis S.A.) e conformem juntos um único complexo maior, denominado Complexo Caetés, com um total de 233 aerogeradores, as licenças foram solicitadas em separado, o que, segundo a CPT, facilitou a burocracia para operação e questões de comprovação de possíveis impactos.</p>



<p>Além disso, não se levou em consideração os sítios vizinhos às turbinas, que têm sido diretamente atingidos pelo seu funcionamento, apesar de não terem torres instaladas e por isso não receberem qualquer contrapartida financeira. Na prática, elas também arcam com todos os ônus e prejuízos de terem, a poucos metros de distância, os aerogeradores em funcionamento.</p>



<p>Atualmente já se sabe, por meio de estudos, que famílias residentes a uma distância de pelo menos 500 metros de distância das torres estão submetidas a ruídos cuja intensidade está acima dos parâmetros adotados pelo ordenamento jurídico.</p>



<h3 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>Um complexo que opera sem licença</strong></h3>



<p>As comunidades atingidas, organizadas em parceria com outros atores (inclusive com a população atingida pelo complexo Ventos de Santa Brígida), promoveram um novo protesto, em fevereiro de 2025, desta vez ocupando a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), no Recife, para pressionar a CPRH.</p>



<p>O órgão ambiental, na época, indeferiu o pedido de renovação da Licença de Operação, determinando a imediata paralisação dos aerogeradores. A Ventos de São Clemente iniciou então o desligamento dos aerogeradores. No entanto, isso durou pouco tempo. A empresa logo recorreu e, em segundo instância, conseguiu retomar as atividades graças a uma liminar. Poucos dias depois, em 12 de março, uma torre aerogeradora se rompeu e despencou, num terreno onde, felizmente, não havia circulação de pessoas e não houve feridos.</p>



<p>Instaurou-se então um processo de conciliação, na tentativa de uma solução consensual entre a CPRH e a Ventos de São Clemente/Echoenergia. Não houve, contudo, participação ativa de representantes das comunidades atingidas, denuncia a CPT. Essa tentativa de conciliação já se arrasta desde o final de março de 2025.</p>



<p>Uma das mais recentes movimentações foi a apresentação de um quinto plano pela Echoenergia, após os quatros anteriores terem sido indeferidos pela CPRH, que prevê tão somente a permuta de terras para as famílias situadas a até 280 metros dos aerogeradores e dispostas a sair do território.</p>



<p>“A proposta é, portanto, de que as famílias abram mão de seus terrenos e recebam, em troca, outras terras previamente selecionadas pela Echoenergia. O plano deixa expresso que ‘não serão oferecidas compensações financeiras ou alternativas’, mas apenas a realocação para terras equivalentes, identificadas como ‘elegíveis’ pela Echoenergia”, reclama a CPT em ação.</p>



<p>Com relação às famílias que não pretendem deixar o território, a Echoenergia não apresentou qualquer proposta sobre como pretende afastar e reinstalar as torres aerogeradoras em locais seguros. Mesmo assim, em audiência judicial realizada em outubro de 2025, a CPRH posicionou-se no sentido de aprovar o 5º Plano da Ventos de São Clemente/Echoenergia. Em seguida, elaborou e firmou um Termo de Compromisso com a empresa.</p>



<p>A <strong>MZ</strong> procurou a Echoenergia e a CPRH para ouvi-los, mas não houve qualquer retorno até o fechamento desta reportagem.</p>
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		<item>
		<title>Enquanto governo estadual comemora, Grande Recife bate recordes de violência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 15:41:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[Violência armada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Franca* Raquel Lyra se elegeu com a bandeira da segurança pública como prioridade. Prometer reduzir a violência é fácil. Difícil é sustentar o compromisso com políticas eficientes. Em novembro de 2023, a governadora apresentou o plano estadual “Juntos Pela Segurança” com a ambiciosa meta de reduzir em 30% as mortes violentas intencionais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Ana Maria Franca*</strong></p>



<p>Raquel Lyra se elegeu com a bandeira da segurança pública como prioridade. Prometer reduzir a violência é fácil. Difícil é sustentar o compromisso com políticas eficientes.</p>



<p>Em novembro de 2023, a governadora apresentou o plano estadual “Juntos Pela Segurança” com a ambiciosa meta de reduzir em 30% as mortes violentas intencionais até 2026. No entanto, a poucos meses do prazo estabelecido pelo próprio governo, o Relatório Anual do Fogo Cruzado indica que as metas de segurança pública seguem distantes da realidade. Enquanto a governadora comemora reduções pontuais, Pernambuco bate recordes históricos de violência armada.</p>



<p>Em 2025, a região metropolitana do Recife registrou recordes em três indicadores críticos: 16 crianças de 0 a 11 anos baleadas, o maior número desde 2019; 132 adolescentes de 12 a 17 anos baleados; e 72 pessoas foram vítimas de bala perdida, um aumento de 49% em relação a 2024 e recorde nos últimos sete anos.</p>



<p>Os dados contrastam com a narrativa governamental. A taxa de Mortes Violentas Intencionais foi de 32,74 por 100 mil habitantes em 2025 — uma redução que a governadora celebra, mas ainda muito distante da meta de 26,5 prometida para 2026.</p>



<p>A estratégia do governo tem sido priorizar o investimento no aumento de efetivo policial e aparato bélico. No entanto, os recordes mostram que insistir na lógica do confronto e da ostensividade não protege quem mais precisa.</p>



<p>Entre abril de 2018 e dezembro de 2025, período em que monitoramos a região, 902 adolescentes foram baleados no Grande Recife, sendo que 42% dessas vítimas ocorreram durante a gestão Lyra. E as circunstâncias dessas mortes revelam um padrão: 96% foram homicídios diretos.</p>



<p>Chama atenção também que quase 80% das mortes violentas intencionais foram cometidas com armas de fogo, mas o plano estadual não apresenta estratégias específicas para reduzir a circulação desses armamentos.</p>



<p>Em ano eleitoral, o governo Lyra tende a apresentar investimentos em efetivo e equipamentos como “avanços”, mas crianças e adolescentes que fazem parte do grupo prioritário do plano continuam desprotegidos, as disputas entre grupos armados explodiram e o recorde de vítimas de balas perdidas mostra o descontrole da violência armada.</p>



<p>Os dados produzidos pela sociedade civil são importantes para a população compreender de fato o que acontece em suas cidades, para além dos dados oficiais. Metas e promessas precisam ser checadas. E as informações produzidas pelo Fogo Cruzado estão à disposição para isso.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Ana Maria Franca</strong> é coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco</p>
    </div>



<p></p>
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		<item>
		<title>Cajueiro, o bairro do Recife que, há 40 anos, sofre com as cheias do rio Beberibe</title>
		<link>https://marcozero.org/cajueiro-o-bairro-do-recife-que-ha-40-anos-sofre-com-as-cheias-do-rio-beberibe/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Feb 2026 20:53:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cajueiro]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Carina Barros* Imagine morar em um bairro onde o acesso à moradia digna é prejudicado por frequentes alagamentos e enchentes de um rio. Essa é a realidade dos moradores da parte mais baixa do bairro de Cajueiro, na zona norte do Recife. Com 59 hectares, o bairro é dividido em duas partes, a alta, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Carina Barros*</strong></p>



<p>Imagine morar em um bairro onde o acesso à moradia digna é prejudicado por frequentes alagamentos e enchentes de um rio. Essa é a realidade dos moradores da parte mais baixa do bairro de Cajueiro, na zona norte do Recife. Com 59 hectares, o bairro é dividido em duas partes, a alta, com ruas asfaltadas, ladeiras e casarões elegantes, e a parte mais baixa, formada por casas próximas ao rio Beberibe, na divisa entre Recife e Olinda. Nessa área, quando chove, o medo aflora junto com as águas das enchentes.</p>



<p>Desde a década de 1980, o rio Beberibe já passou por muitas intervenções por parte do poder público, amplos foram os programas do Governo do Estado em parceria com as prefeituras dos municípios (Recife e Olinda) e iniciativas do Governo Federal para realizar obras de revitalização. O mais recente projeto é o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em 2007 pelo Governo Federal, que estava voltado para os investimentos em infraestrutura para todas as regiões do Brasil.</p>



<p>Segundo o Ministério das Cidades, o programa, dividido em duas fases &#8211; PAC 1 (2007-2010) e PAC 2 (2011-2014) -, totalizou mais de 600 bilhões de reais em investimentos. Contudo, foi interrompido por causa de crises econômicas e políticas.</p>



<p>O bairro de Cajueiro, no entanto, foi deixado de lado e muitos moradores tiveram que deixar suas casas para morar de aluguel em outros lugares, pois as enchentes continuaram a ser um transtorno rotineiro. Atualmente, os poucos moradores que ficaram continuam porque o acesso à moradia digna na Região Metropolitana do Recife custa caro.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroRua-300x225.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroRua.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroRua.jpeg" alt="A foto de Nivaldo Belmiro mostra uma rua de terra em área residencial, bastante enlameada, com marcas de pneus e poças de água espalhadas; de cada lado há casas com fachadas desgastadas, algumas com pintura desbotada ou grafites, e fios elétricos cruzam o céu parcialmente nublado, onde o sol projeta sombras; à direita, vê-se um amontoado de lixo ou objetos descartados, compondo uma cena que evidencia condições precárias de infraestrutura e saneamento no local." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Alagamentos constantes nas ruas do bairro expulsam moradores
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Quem fica sempre é o mais preto, pobre e periférico</h2>



<p>De acordo com um estudo realizado pelo <a href="https://polis.org.br/estudos/">Instituto Pólis</a>, em 2022, na Região Metropolitana do Recife, a população periférica e negra é a que mais sofre com os riscos de enchentes, que afetam 59% das pessoas com renda domiciliar de R$ 2,1 mil. Os dados da pesquisa também apontam que cerca de 22% dos lares atingidos são chefiados por mulheres que ganham até um salário mínimo. Além de ser difícil ter uma boa qualidade de vida recebendo esse valor, as famílias ficam ainda mais vulnerável a doenças ocasionadas pela falta de saneamento básico.</p>



<p>Segundo a bióloga, professora e pesquisadora Paula Fortunato, a população circunvizinha do Beberibe sofre com a fragilidade do meio ambiente e, como o rio é muito canalizado, o uso da água para consumo se torna inapropriado. &#8220;Na recente pesquisa, realizada pelos meus alunos do Curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário da UniFafire, no ano de 2024, encontramos cianobactérias e microorganismos que têm potencial tóxico que podem ocasionar graves doenças”, relata.</p>



<p>A falta de oportunidade de viver em um lugar seguro se reflete na história de Laudicéia Silva, de 68 anos, moradora do bairro há 40. Ela lembra bem das noites mal dormidas em períodos de fortes chuvas em que sempre teve a casa inundada. Atualmente, a casa dela está em reforma, pois as chuvas extremas de 2022 que afetaram a Região Metropolitana do Recife e matou 134 pessoas nos municípios de Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e Olinda. Na pior tragédia do século no Recife, ela ficou desabrigada.</p>



<p>A dona de casa não conseguiu mais voltar para a residência e, até o momento, mora num local alugado na mesma região. &#8220;Quando chove muito aqui, também alaga. Já tive que sair com água no peito e tive uma doença bacteriana nas pernas. Meu sonho é sair daqui,&#8221; disse.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroLaudiceia.jpeg" alt="A foto de Laudiceia Silva mostra o interior de um cômodo em reforma, com paredes pintadas de verde e piso de azulejos; no centro há um espaço retangular aberto no chão, como um buraco em obra, e ao fundo vê-se uma porta que leva a outro ambiente com prateleiras e objetos guardados; o teto é de vigas de madeira parcialmente expostas e, à direita, uma janela com grades deixa entrar a luz natural; Laudiceia está em pé, usando uma camiseta colorida com um personagem estampado, além de bermuda azul e sandálias, compondo uma cena que transmite simplicidade e o esforço de melhorar a casa." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Com a temporada das chuvas prestes a começar, Laudiceia perde o sono
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
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<p>Débora Silva, de 63 anos, irmã e vizinha de Laudicéia, também compartilha do mesmo sentimento. A dona de casa relata que nem guarda-roupa tem mais, porque já perdeu a maioria dos móveis com as enchentes. É tanta desilusão que ela não acredita que algum dia o poder público possa olhar para a comunidade. &#8220;Há 30 anos que moro aqui e sempre alagou, meu sonho é viver em uma casa digna e sair daqui, para a gente já deu&#8221;, afirmou.</p>



<p>Se as enchentes recorrentes trazem desesperança para a comunidade, ainda é mais difícil para quem vive na casa que é sempre a primeira a alagar. Essa é a realidade de Iraci Silva, de 62 anos. Na casa em que a doméstica mora com o marido, não tem muitos móveis e a situação é de extrema pobreza.</p>



<p>Há 36 anos morando na região, ela desabafa: &#8220;quando enche, não tenho para onde ir, às vezes vou para um abrigo, mas não gosto muito, porque não há nada melhor do que a nossa casa. Então, fico na rua esperando secar e nesse tempo todo não temos nada concreto, só temos promessas da prefeitura, até já cadastraram a gente, mas disseram que não tem lugar para fazer a casa.&#8221;</p>



<p>Nivaldo Belmiro, de 57 anos, autônomo e morador há 40 anos da região, lembra que viu a favela ser construída ao longo dos anos e presenciou a chegada das enchentes recorrentes que atravessam a vida dos vizinhos ao redor. Na foto que abre esta reportagem, ele mostra as marcas da água na parede. </p>



<p>Na casa em que mora com a esposa, Nivaldo já mantém os móveis suspensos, pois tem medo de perdê-los durante as enxurradas. Quando a enchente chega ao bairro, além da marca da lama que segue o percurso até o leito do rio, as paredes ficam úmidas e mofadas. Para o morador, o desastre de 2022 marcou toda a comunidade. &#8220;As águas do rio cobriram o portão da minha casa, não saímos daqui, era impossível passar. Logo depois veio assistência de bombeiros, psicólogos, Defesa Civil, mas a maioria daqui não recebeu auxílio, e era para todo mundo receber diante da nossa condição social&#8221;, disse.</p>



<p>Entre os anos 2023 e 2024, Nivaldo passou por um momento delicado de saúde, pois depois do contato com a água poluída do rio, contraiu leptospirose e quase morreu. Dentre tantas vulnerabilidades que o morador enfrenta com a família, ele percebe que a cor da pele influencia na forma como as pessoas vivem na sociedade.</p>



<p>&#8220;Dói ver como algumas pessoas são simplesmente esquecidas e marginalizadas por sua cor de pele e pela idade, como se não servissem mais ao Estado. É doloroso presenciar a relutância de quem vem de fora em pisar em nossas casas. Morando aqui, vejo pessoas constantemente ficarem doentes. E a gente vê que pessoas com mais recursos hesitam em entrar em um lar onde há um enfermo. Julgam a nossa moradia, por mais que sejamos limpos e, quando oferecemos algo, nunca querem nada&#8221;, desabafou.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroGeladeira.jpeg" alt="A foto mostra o interior simples de uma casa com paredes de blocos de concreto aparentes e teto de chapas metálicas; contra a parede há uma geladeira branca elevada sobre um suporte, com sacolas penduradas na porta, e ao lado um televisor transmite um jornal que noticia em português um acidente envolvendo caminhão e trem; abaixo da TV há uma pequena prateleira com objetos variados como um ventilador e um brinquedo de pelúcia, enquanto no chão aparecem uma bacia vermelha cheia de roupas e uma caixa de ferramentas verde; ao fundo, uma cortina vermelha com estampas florais separa o espaço principal de uma área de depósito com prateleiras e recipientes, compondo um ambiente modesto e organizado de forma prática." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">O surrealismo dos móveis suspensos é a cena normal para quem vive em Cajueiro
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>O racismo ambiental presente</strong></h2>



<p>Entender o racismo ambiental ajuda a explicar como as consequências de um mesmo evento podem variar drasticamente conforme o CEP, a cor da pele e os acessos de cada indivíduo. O termo se originou na década de 1980 nos Estados Unidos, por meio de pesquisas realizadas pelo químico Robert Bullard, que percebeu que comunidades brancas eram mais privilegiadas do que as comunidades negras e pobres na forma como o governo norte-americano limpava os aterros de lixos tóxicos e punia os poluidores.</p>



<p>Uma experiência concreta para esse estudo foi em Afton, no Condado de Warren, na Carolina do Norte, em que o fator raça e classe social estavam interligados. Diante de tanta injustiça ambiental, foi a partir dessa pesquisa que o reverendo Benjamin Chavis Jr. cunhou a expressão racismo ambiental. Esse conceito se aplica às regiões brasileiras em que as vulnerabilidades socioambientais estão cada vez mais escancaradas devido à negligência do Estado.</p>



<p>Nas comunidades ribeirinhas do rio Beberibe, esse racismo se concretiza quando o avanço das mudanças climáticas sobressai na parcela da população mais negra da sociedade. Nesse contexto socioambiental, segundo a cientista social, pesquisadora e presidente da Associação Gris, Joice Paixão, a segurança na moradia não é um direito de todos.</p>



<p>&#8220;Nos bairros de classe média, rios são locais de lazer. Já para quem vive nas margens do Beberibe, o rio se transforma em fonte de tragédia. Isso não é culpa da natureza, mas reflexo direto do racismo estrutural e ambiental que molda a cidade. Precisamos de uma governança que coloque os territórios no centro, não só para opinar, mas sim para planejar, executar e avaliar, pois uma política pública que não conversa com a comunidade não funciona&#8221;, afirmou Paixão.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Salve o Beberibe!</h3>



<p>Com o objetivo de denunciar as mazelas que assolam o rio Beberibe, em 2020 surgiu o coletivo Salve o Beberibe. A iniciativa é tocada por nove integrantes e conta com mais de 50 voluntários. Ações de limpeza e o trabalho com o diálogo sobre educação ambiental nas escolas e no território são o carro chefe dessa instituição que atua sem sede e sem fins lucrativos.</p>



<p>O coordenador do projeto e estudante de Ciências Biológicas com ênfase em ciências ambientais, Victor Santana, também entende que a população negra e periférica vive às margens do Beberibe por falta de acesso a oportunidades a lugares melhores e, por consequência disso, são empurradas para áreas vulneráveis devido à especulação imobiliária.</p>



<p>&#8220;As pessoas que residem em áreas mais sensíveis sofrem mais intensamente com enchentes. É muito importante falar também sobre a especulação imobiliária desenfreada, pois quando as cidades crescem, elas crescem, de uma maneira característica aqui e em toda a América Latina, de maneira horizontal, elas crescem em área e crescem em população. Então, conforme as cidades vão crescendo, a pobreza é destinada para a periferia. É tudo proposital&#8221;, afirmou.</p>



<p>Apesar de ser tão degradado, o rio Beberibe já foi fonte de renda e sustentou diversas famílias que moram às suas margens. É por isso que o coletivo leva em consideração que é preciso defender e resistir no território. &#8220;Temos o sentimento de pertencimento por saber que o rio já foi limpo e que sustentou diversas famílias no passado. Apesar de degradado, ainda vemos vidas no rio Beberibe. A gente também enxerga que há a possibilidade de continuar lutando para preservá-lo e reutilizá-lo um dia&#8221;, concluiu.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Conheça mais sobre o Salve Beberibe</strong></li>
</ul>





<ul class="wp-block-list">
<li><strong>O que os órgãos Públicos têm a dizer?</strong></li>
</ul>



<p><strong>Nota da Prefeitura do Recife</strong></p>



<p>A prefeitura informa que captou R$ 57,5 milhões, junto ao Governo Federal, para realizar obras de urbanização nas comunidades vulneráveis do bairro de Cajueiro. Os recursos vêm do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Seleções e o projeto executivo está sendo elaborado. A intervenção inclui ações de Saneamento Integrado e melhoria da mobilidade, com a construção de mais um trecho da via marginal do Rio Beberibe, conectando as partes já existentes e criando uma ligação entre o Arruda e a BR-101.</p>



<p>A Prefeitura do Recife esclarece que, constitucionalmente, rios que têm nascente e foz no território do Estado são de responsabilidade dos governos estaduais, o que restringe a atuação da gestão municipal no tocante à dragagem, alargamento de calha ou de limpeza, enquanto atua diretamente na autuação de ligações clandestinas na rede de esgotamento sanitário na cidade do Recife. O Beberibe nasce no município de Camaragibe, passando ainda pela cidade de Olinda para convergir com o rio Capibaribe na cidade do Recife.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroRiacho.jpeg" alt="A foto mostra um canal estreito de água turva que atravessa uma área residencial, ladeado por margens com grama; à esquerda há um muro alto com grafites e casas atrás dele, enquanto à direita aparece uma parede de tijolos com mais residências, algumas com varandas e antenas parabólicas; fios elétricos cruzam o céu parcialmente nublado, onde também se vê uma grande palmeira destacando-se no centro da cena; o reflexo do céu e da vegetação na superfície da água cria um efeito simétrico" class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Coletivos como o Salve Beberibe mobilizam voluntários para reduzir danos das cheias
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
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                    </figure>

	


<p><strong>Nota do Governo do Estado de Pernambuco</strong></p>



<p>Em nota, o governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado (Seduh), informou que o governo investe R$ 113 milhões nas obras de desassoreamento do Rio Beberibe, em Peixinhos, Olinda. O projeto executivo está em fase final para que a licitação seja aberta. Além disso, o Governo já está realizando obras de saneamento e pavimentação da área.</p>



<p>Essas intervenções são complementares às ações previstas pelo governo do Estado no programa Periferia Viva, do governo federal, uma parceria que prevê investimentos de mais de R$ 291 milhões, sendo R$ 130 milhões do governo do Estado e R$ 161 milhões do governo federal. Essas iniciativas do Estado contribuíram para que o Governo Federal se sentisse motivado a selecionar a iniciativa do Periferia Viva para ser implantada em Pernambuco.</p>



<p>A parceria com o governo federal já garantiu a instalação do Posto Territorial em Peixinhos. O espaço é base das equipes técnicas e ponto de atendimento à população, promovendo diálogo, reuniões e ações para fortalecer a participação comunitária nas melhorias do território.</p>



<p>O trecho do Cajueiro localizado na faixa ribeirinha do Rio Beberibe está inserido na área de intervenção do Periferia Viva. Nas proximidades da Rua Alice Tibiriçá, estão em andamento estudos técnicos para definir as obras necessárias e avaliar possíveis remoções de moradias em áreas de risco ou interferência direta com a intervenção.</p>



<p>Caso haja necessidade de remoção, os moradores impactados serão contemplados com aluguel social e, posteriormente, com unidades habitacionais, conforme as diretrizes do programa. O projeto do Periferia Viva prevê a construção de mais de 1.000 unidades habitacionais que serão destinadas às famílias ribeirinhas da região.</p>



<p>A Seduh reafirma seu compromisso com o desenvolvimento urbano sustentável, a segurança das populações ribeirinhas e a condução de políticas públicas que promovam transformação social com responsabilidade e diálogo.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Carina Barros</strong> é é jornalista pela Universidade Federal de Pernambuco e mestranda em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM/UFPE) com enfoque em jornalismo ambiental, racismo ambiental e análise em cobertura jornalística televisiva e Técnica em Artes Visuais, formada pela Instituição Federal de Pernambuco &#8211; (IFPE)</p>
<p><strong>Esta reportagem foi produzida no âmbito do Programa de Fellowship para Jornalistas Negros e Negras do Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), iniciativa que fortalece a cobertura jornalística antirracista sobre justiça climática e populações negras no Brasil</strong></p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Corregedoria da SDS diz que vai apurar denúncia de violência policial no festival Rec-Beat</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 17:53:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mais um carnaval em que choveram relatos de agressões sem motivo a foliões e uso desmedido da força policial em blocos e shows. Em Olinda, uma mulher denunciou nas redes sociais que estava andando na Rua do Sol com a família quando, do nada, levou um tapão no peito de um policial militar. Em vídeos feitos no tradicionalíssimo O Homem da Meia-Noite, policiais militares apareceram usando os cacetetes indiscriminadamente, acertando quem passasse por perto. Violência semelhante ocorreu no show do rapper Djonga, no festival Rec-Beat, no Recife Antigo, na noite de terça-feira (17).</p>



<p><a href="https://www.instagram.com/recbeatfestival/p/DU6GvlukU4D/?img_index=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em nota de repúdio</a>, o festival afirmou que não houve nenhum incidente até a intervenção policial, se solidarizou com as vítimas e disse que a “garantia de segurança pública deve estar alinhada ao respeito aos direitos fundamentais, à integridade física das pessoas e à preservação do caráter cultural e democrático de um evento dessa magnitude”.</p>



<p>O cantor Djonga também se manifestou nas redes sociais. &#8220;Eu avisei, com todo o respeito, que o show era assim mesmo. Depois de certa resistência e alguns empurrões na galera, eles saíram. Fui para o público e fiz o de sempre. Mas, no final, depois que saí do palco, começaram a agredir meus fãs numa postura que não tem nada a ver com o cumprimento da lei. Eu não vi nada de errado acontecendo, mas, se tivesse, o certo não era agredir, né?&#8221;, questionou.</p>



<p>Em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira, o Governo do Estado apresentou o balanço do carnaval. “Foi o Carnaval mais seguro de todos os tempos”, afirmou o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho. De acordo com o balanço da pasta, houve redução de 17,9% nas ocorrências gerais e redução de 16,8% nos furtos nos focos de folia. Os homicídios diminuíram 5%: 57 homicídios no Estado, o menor número de toda a série histórica, iniciada há 22 anos, segundo a SDS. Também houve uma redução de 40,1% nos assaltos entre a quinta (12) e a terça-feira (17) e redução de 51% no roubo de celulares.</p>



<p>O reconhecimento facial, que foi implementado em 2024, neste ano ajudou em três prisões no Galo da Madrugada e no Recife Antigo. Os presos, de acordo com a pasta, eram pessoas que eram procuradas por homicídio, tráfico de drogas e furto.</p>



<p>Sobre o uso desmedido da força por parte dos PMs, o secretário afirmou que “o Governo do Estado, a Secretaria (de Defesa Social) e a Polícia Militar não coadunam com nenhum tipo de excesso, nenhum tipo de violência. Eu tomei conhecimento de alguns fatos, só que as imagens que nos chegam ou que foram publicadas em redes sociais já mostram o momento da intervenção, não mostram o que aconteceu antes”, contemporizou. Neste ano, três mil novos policiais, os chamados &#8220;laranjinhas&#8221;, estavam nas ruas: foram justamente PMs com bonés laranjas que estavam envolvidos nas agressões no festival.  </p>



<p>Sobre o caso do Rec-Beat, ele informou que até a manhã de hoje a corregedoria não havia recebido ainda uma denúncia formal, mas uma investigação para apurar as agressões já foi iniciada. “Eu determinei à corregedoria da Secretaria de Defesa Social que instaurasse um procedimento. Então, nós vamos apurar, como nós sempre fazemos, para entender o que ocorreu e se houve excesso do grupo ou do policial e se não há uma justificativa, porque a força tem que ser utilizada até cessar uma agressão que esteja ocorrendo. Se houve excesso, o policial vai responder por esse excesso”, disse.</p>



<p>O secretário também afirmou que houve mais registros formais de violência contra policiais do que os praticados por eles. Segundo a pasta, foram 13 boletins de ocorrência que foram registrados no Carnaval tendo policiais como vítimas de agressões.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Corregedoria recebeu apenas três denúncias durante o Carnaval</h2>



<p>Em entrevista para a Marco Zero, o delegado Daniel Silvestre, da Corregedoria Geral da SDS, afirmou que só três denúncias contra policiais foram formalmente registradas durante o carnaval. Outras duas – a da mulher e a do Rec-Beat, citadas no começo dessa matéria – também estão sendo apuradas, já que foram expostas publicamente.</p>



<p>As três denúncias formais não foram divulgadas, para proteger a identidade das vítimas. “Não estou com os números exatos aqui, mas houve uma diminuição da quantidade de registros de ocorrências (contra policiais) em relação ao ano passado. Ainda podemos receber outras denúncias, mas com os números que temos até o momento, há uma redução de casos de violência praticados por policiais e um aumento dos casos de policiais como vítima”, afirmou o delegado.</p>



<p>Para fazer denúncias contra policiais, a vítima deve procurar a corregedoria na Avenida Conde da Boa Vista, 428, na Boa Vista. Também pode ligar para o número 3184-2756. A corregedoria afirma que garante o anonimato das vítimas.</p>



<p></p>
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