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	<title>Arquivos jornalismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos jornalismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Imprensa, medo e a coragem de dizer em tempos difíceis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 15:21:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jane Santos* “O medo não cria princípios. Ele os destrói.” (Edward R. Murrow, em Boa Noite e Boa Sorte) Lançado em 2005 e dirigido por George Clooney, Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck) é ambientado nos anos do macartismo e acompanha a história real do confronto entre o jornalista Edward [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Jane Santos*</strong></p>



<p>“O medo não cria princípios. Ele os destrói.” (Edward R. Murrow, em<em> Boa Noite e Boa Sorte</em>)</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Good Night and Good Luck Trailer" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/1Qg9ZahBu8c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Lançado em 2005 e dirigido por George Clooney, <em>Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck)</em> é ambientado nos anos do macartismo e acompanha a história real do confronto entre o jornalista Edward R. Murrow e um tempo histórico em que a suspeita passou a valer mais do que os fatos, o devido processo legal foi relegado a um lugar secundário e não havia espaço para o contraditório. Em jogo não estava apenas a carreira de um profissional e de sua equipe, mas o próprio papel da imprensa quando o medo se organiza como método.</p>



<p>Murrow não foi um jornalista qualquer. Foi um dos nomes fundadores da prática jornalística moderna e uma referência de integridade profissional em um dos períodos mais sombrios da história política dos Estados Unidos. O escritor David Halberstam o definiu como “um dos raros casos de homem do tamanho do mito” &#8211; alguém cuja estatura ética resistiu ao tempo e às pressões do poder. Em uma era em que o jornalismo eletrônico ainda engatinhava, Murrow ajudou a consolidar a ideia de que informar não é amplificar o medo, mas enfrentá-lo com fatos, contexto e responsabilidade pública.</p>



<p>Quando a imprensa abdica desse papel, não é apenas a informação que se fragiliza — é a própria democracia que perde seus mecanismos de defesa. <em>Boa Noite e Boa Sorte</em> mostra que regimes autoritários não se impõem apenas pela força, mas pela erosão gradual dos espaços de contraditório, pelo medo disseminado e pela naturalização do silêncio.</p>



<p>A narrativa do filme é contida, quase austera. Não há heróis de linguagem rebuscada nem vilões caricatos. Há redações, microfones, decisões difíceis — e silêncios. O roteiro expõe como a intimidação pode se infiltrar nas rotinas, como o autocontrole pode deslizar para a autocensura e como o silêncio, muitas vezes apresentado como prudência, já configura renúncia.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0"> &#8220;Informar não é amplificar o medo, mas enfrentá-lo com fatos, contexto e responsabilidade pública&#8221;.</p>
</div>


<p>Esse rigor ético encontra eco na linguagem cinematográfica. O super elenco— com David Strathairn, Patricia Clarkson, Jeff Daniels, Robert Downey Jr. e o próprio George Clooney — sustenta interpretações precisas, sem excessos. O uso do preto e branco reforça a dimensão temporal e moral do relato, aproximando o espectador do clima documental da época e dialogando com a tradição do cinema noir.</p>



<p>A fotografia e a montagem são primorosas, criando uma sensação quase claustrofóbica de repetição, vigilância e tensão permanente. Um gesto especialmente potente é o uso de imagens reais do senador Joseph McCarthy, que “atua” como ele mesmo: o arquivo histórico dispensa caricaturas.</p>



<p>E a vinculação do filme com os tempos atuais? Vivemos hoje um momento marcante para a humanidade, atravessado por desafios impressionantes que frequentemente são encobertos por uma sensação enganosa de normalidade &#8211; como se tudo estivesse sob controle, em um clima artificial de “estabilidade”.</p>



<p>Nesse contexto, a comunicação ocupa um lugar decisivo. A parcialidade disfarçada de equilíbrio, a omissão apresentada como cautela e a desinformação amplificada por interesses editoriais e mecanismos de visibilidade não são desvios técnicos: são escolhas que moldam o espaço público e redefinem o que pode &#8211; ou não &#8211; ser dito.</p>



<p>Não se trata apenas de mentiras explícitas. Muitas vezes, a manipulação opera pelo enquadramento: títulos que destacam meias verdades, a escolha deliberada do pior ângulo de uma situação, a hierarquização seletiva de informações para produzir desgaste, medo ou descrédito. Textos que parecem neutros, mas carregam vieses sutis; coberturas que silenciam contextos essenciais enquanto amplificam suspeitas. Em paralelo, redes sociais fervilham e apostam também fortemente na desinformação. O resultado não é informação. É ruído orientado.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:44% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="600" height="800" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster.webp" alt="" class="wp-image-74722 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster.webp 600w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster-225x300.webp 225w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/boa-noite-poster-150x200.webp 150w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Quem já trabalhou e atuou em instituições sob pressão reconhece esse movimento. O silêncio raramente é neutro. Ele preserva posições, evita conflitos, garante sobrevivências &#8211; mas também autoriza excessos. <em>Boa Noite e Boa Sorte</em> lembra que a comunicação pública não é apenas um direito; é uma responsabilidade histórica. Quando dela se abdica, não se perde apenas relevância — perdem-se sentidos e memórias, como bem destaca Murrow em discurso, quando homenageado.</p>
</div></div>



<p>Falo disso não como abstração. Ao longo da minha trajetória profissional — e como cidadã — aprendi que o medo raramente se apresenta de forma explícita. Ele se instala em camadas: na sugestão de cautela excessiva, no convite à espera, no argumento de que “não é o momento”. Reconhecer esse método — e decidir não se omitir — nunca foi simples. Os bons e as boas jornalistas sabem disso. Mas é exatamente aí que ética e responsabilidade precisam deixar de ser conceitos e se tornar prática.</p>



<p>Há um fio claro que liga este filme com o que apresentei anteriormente. Se em <em>O Vento Será Tua Herança</em> discutíamos o direito de pensar, aqui o deslocamento é decisivo: trata-se do dever de dizer.</p>



<p>Pensar em silêncio não basta quando o medo se organiza, quando o ruído substitui o debate e quando novas formas de controle já não precisam de censura explícita — contam com a naturalização do silêncio e com a dispersão programada da atenção, como refletem pensadores contemporâneos que estudam a comunicação, a política e a sociedade da informação, a exemplo de Noam Chomsky e Christian Dunker.</p>



<p>Nessa perspectiva, o filme termina lembrando que a coragem, muitas vezes, não está no gesto heroico, mas na decisão cotidiana de não se furtar ao papel que se ocupa. Em tempos difíceis, esse papel não diminui. Ele se torna ainda mais inadiável.</p>



<p>Não falo como especialista em comunicação, mas como alguém que consome informação cotidianamente e busca, sempre, identificar a desinformação e suas nuances.</p>



<p>Se for assistir o filme, considere partir de dois questionamentos: O que acontece com a democracia quando a imprensa confunde prudência com omissão — e silêncio com responsabilidade? e Que silêncios este filme nos ajuda a reconhecer — e quais conversas ele ainda nos convoca a ter?</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Onde assistir?</strong></li>
</ul>



<p><em>Boa Noite, e Boa Sorte</em> não está atualmente disponível de forma regular nas plataformas de streaming por assinatura no Brasil. O filme pode ser encontrado em edições físicas (DVD e Blu-ray), à venda em livrarias especializadas e lojas on-line. Em alguns países, o título aparece de forma intermitente em catálogos internacionais de plataformas digitais, para aluguel ou compra, com disponibilidade variável conforme a região. Trata-se, hoje, de um filme que circula sobretudo por aquisição direta &#8211; o que também diz algo sobre a necessidade de preservar obras fundamentais para a memória crítica do nosso tempo.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong>Médica sanitarista e psiquiatra, atuou como gestora pública e integrou o staff do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), onde se aposentou como especialista em políticas públicas do escritório regional para os estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco.</p>
    </div>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Vale e JBS são as que mais patrocinam cobertura jornalística da COP30 na grande mídia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 14:43:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[COP30]]></category>
		<category><![CDATA[Intercept]]></category>
		<category><![CDATA[JBS]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Alice de Souza, do The Intercept Brasil* Envolvida nos rompimentos das barragens de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais, duas das principais tragédias socioambientais do Brasil na última década, a Vale é a principal patrocinadora da cobertura da imprensa tradicional brasileira sobre a COP30. Um levantamento do Intercept Brasil mostra que a mineradora está [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Alice de Souza, do <a href="https://www.intercept.com.br/2025/11/10/vale-e-jbs-sao-as-que-mais-patrocinam-cobertura-jornalistica-da-cop30-na-grande-midia/">The Intercept Brasil</a>*</strong></p>



<p>Envolvida nos rompimentos das barragens de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais, duas das principais tragédias socioambientais do Brasil na última década, a Vale é a principal patrocinadora da cobertura da imprensa tradicional brasileira sobre a COP30.</p>



<p>Um levantamento do Intercept Brasil mostra que a mineradora está patrocinando a cobertura de oito veículos de comunicação diferentes. Entre eles, estão alguns dos jornais de maior circulação no Brasil, como a Folha de S.Paulo, O Globo e Valor Econômico, o jornal do Pará O Liberal, bem como a rádio CBN, a revista Veja, e os portais de notícias Neofeed e Brazil Journal.</p>



<p>Mas a Vale não é a única empresa envolvida em desastres e crimes ambientais na última década que está financiando a cobertura jornalística brasileira da maior conferência sobre clima do mundo.</p>



<p>As notícias sobre a COP30, evento que começa oficialmente nesta segunda-feira, 10, em Belém e almeja traçar compromissos e metas globais para lidar com a crise climática, também estão sendo bancadas por outras corporações apontadas como grandes contribuintes do colapso do planeta.</p>



<p>A segunda empresa que mais está patrocinando a cobertura da mídia tradicional sobre a conferência, segundo o levantamento, é a gigante da indústria da carne JBS, financiando sete veículos: CBN, Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, Valor Econômico, Veja e Neofeed.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Casa-COP-Intercept-1.webp" alt="A imagem mostra um conteúdo patrocinado publicado no Instagram pelo perfil @hydronobrasil em parceria com o jornal Estadão, destacando a atuação da empresa Hydro na Amazônia. À esquerda, sobre um fundo escuro, há uma frase em destaque que diz: “Hydro acelera na descarbonização e no desenvolvimento sustentável da Amazônia”. À direita, vê-se uma fotografia de três pessoas usando capacetes e equipamentos de segurança, em pé sobre uma plataforma metálica acima de um corpo de água, sugerindo um ambiente industrial. A legenda informa que, com a aproximação da COP30 — conferência global sobre mudanças climáticas — a cidade de Belém se prepara para sediar o evento, e o Brasil terá a oportunidade de mostrar seus avanços. A empresa Norsk Hydro, que atua no Pará há mais de dez anos, é apresentada como exemplo de compromisso com inovação e sustentabilidade, tendo investido R$ 12,6 bilhões nos últimos cinco anos." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Patrocínio inclui tanto publicação editorial quanto conteúdos nas redes sociais
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução Instagram</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Maior produtora de proteína animal do mundo, a JBS é também a empresa do setor de carne que mais emite gases do efeito estufa no planeta, segundo um <a href="https://profundo.nl/projects/roasting-the-planet-big-meat-and-dairy-s-big-emissions-/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório recente</a> da ONG Profundo que avaliou o impacto climático da indústria de carne e laticínios.</p>



<p>Completam a lista das empresas que mais patrocinam as coberturas da COP neste ano no Brasil duas gigantes com histórico de violações ambientais. A primeira é a Hydro, multinacional norueguesa do setor de alumínio, condenada pela Justiça Federal no ano passado a pagar R$ 100 milhões por um <a href="https://www.trf1.jus.br/sjpa/noticias/empresa-norueguesa-e-condenada-pela-justica-federal-a-pagar-r-100-milhoes-por-desastre-ambiental" target="_blank" rel="noreferrer noopener">desastre ambiental em Barcarena</a>, no Pará.</p>



<p>A segunda é a Suzano, gigante do setor de papel e celulose, envolvida em <a href="https://cptnacional.org.br/2020/05/28/quilombolas-denunciam-empresa-suzano-por-contaminacao-de-solo/">denúncias de uso de agrotóxicos e violações de direitos</a> contra comunidades quilombolas em diferentes regiões do país.</p>



<p>Ambas patrocinam quatro veículos cada. A Hydro está apoiando a cobertura de CNN, Estadão, Exame e do jornal O Liberal, do grupo Liberal de comunicação, do Pará, estado-sede da COP30. Já a Suzano patrocina CBN, O Globo, Valor Econômico e UOL Capital Reset.</p>



<p>Na lista das empresas patrocinadoras do jornalismo tradicional durante a COP ainda estão empresas como a Ambipar, que patrocina a cobertura da Exame, Folha de S.Paulo e Estadão, enquanto lidera projeto de carbono que pretende usar terras públicas e está impedindo pescadores de trabalhar <a href="https://www.intercept.com.br/2025/10/13/donos-de-hotel-de-pos-luxo-proibem-pesca-em-ilha-para-erguer-novo-empreendimento/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">na Ilha do Caju, no Maranhão</a>, em aliança com um empresário sueco. Procurada, a Ambipar afirmou que não irá se posicionar.</p>



<p>Outra patrocinadora é a Philip Morris Brasil, gigante do setor de tabaco que já teve entre seus fornecedores, segundo a <a href="https://reporterbrasil.org.br/2024/10/cemiterio-de-animais-e-achado-em-fornecedor-da-philip-morris-e-fabricas-da-moda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Repórter Brasil</a>, uma fazenda investigada por manter um cemitério de animais silvestres em canais de irrigação. Procurada pela reportagem, a Philip Morris Brasil afirmou que “seus contratos com empresas de mídia não envolvem qualquer influência em conteúdo jornalístico” e que “todos os conteúdos institucionais produzidos pela empresa são devidamente sinalizados em todas as publicações”.</p>



<p>No total, segundo o levantamento do Intercept, 59 entidades diferentes, entre empresas privadas, multinacionais, governos, farmacêuticas, bancos, supermercados e ONGs, patrocinam a cobertura da imprensa na COP30.</p>



<p>Para fazer o levantamento, o Intercept considerou dados de TVs, rádios, veículos impressos e online com maior alcance, segundo o Reuters Digital News Report 2025, relatório produzido anualmente pelo Instituto da Reuters na Universidade de Oxford, na Inglaterra, que analisa as tendências de consumo de mídia.</p>



<p>Também foi feita uma pesquisa manual, por meio de buscadores online, utilizando termos combinados como “patrocínio”, “cobertura”, “apoio” e “COP30”, entre os meses de setembro e outubro, além de uma pesquisa nas redes sociais dos veículos.</p>



<p>O levantamento ainda apontou que pelo menos 13 veículos de comunicação brasileiros tiveram patrocínios de empresas privadas, ao longo deste ano, com foco na conferência do clima. Além do patrocínio direto à cobertura, também foi disponibilizada verba corporativa para a realização de séries de debates e formações para jornalistas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Os interesses por trás do patrocínio</h2>



<p>O patrocínio dessas empresas à cobertura da COP30 não significa necessariamente uma influência na linha editorial das reportagens publicadas. No entanto, segundo Melissa Aronczyk, professora da escola de comunicação da Rutgers University, uma das principais pesquisadoras do mundo sobre influência das empresas poluidoras na mídia e autora do livro “Natureza Estratégica”, a atitude das empresas deve no mínimo acender o alerta sobre interesses corporativos ao se vincular a uma agenda de sustentabilidade.</p>



<p>“Não existe patrocínio neutro. Nenhuma organização e certamente nenhuma empresa privada dará dinheiro, apoio ou seu nome a outra organização ou evento, a menos que veja um benefício para si mesma”, afirma Aronczyk.</p>



<p>Para a professora, por meio do patrocínio da cobertura noticiosa, as empresas querem promover uma associação positiva na mente das pessoas entre a marca delas e a COP30, e isso tem preceito histórico. Foi também no Brasil, durante a Rio 92, conferência considerada a mãe das COPs, que observou-se pela primeira vez na história o patrocínio corporativo tomando conta das cúpulas do clima da ONU.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Casa-COP-Intercept-2.webp" alt="A imagem é uma captura de tela de uma publicação no Instagram feita pela Folha de S.Paulo, anunciando o lançamento do “Espaço Folha” na COP30, evento internacional sobre mudanças climáticas que será sediado pelo Brasil pela primeira vez em novembro. O post informa que a Folha terá um estande próprio e um jornal diário no local, reforçando seu compromisso com temas como clima, sustentabilidade e políticas públicas, por meio de uma cobertura jornalística plural e conectada às transformações globais. Na parte superior da imagem aparecem os logotipos dos patrocinadores Ambipar Group, JBS e Vale, além do apoiador LIBERTA. A publicação recebeu 2.970 curtidas e foi postada em 13 de abril. Também há uma referência fotográfica a Ricardo Stuckert, datada de 14 de novembro de 2025." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Logos das patrocinadoras da cobertura da COP30 nos carrosséis do Instagram da Folha de S.Paulo.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução Instagram</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Em 1992, líderes de empresas, agências de relações públicas, publicitários e lobistas vieram ao Rio para garantir que a voz das empresas fosse representada. E isso só piorou a cada ano, desde então. Temos mais de 30 anos de cooptação da Cúpula das Nações Unidas sobre o Clima”, diz Aronczyk.</p>



<p>O que mineradoras e empresas do agro tentam fazer agora na COP do Brasil, com tentativas de usar os veículos de comunicação para limpar a própria imagem, está no DNA da expansão de setores como os da mineração, carvão, produtos químicos e petróleo e gás.</p>



<p>“Os primeiros clientes das empresas de relações públicas eram empresas poluidoras que tinham o desejo de promover uma imagem positiva, mesmo enquanto continuavam poluindo”, analisa Aronczyk.</p>



<p>Nas décadas de 1970 a 1980, com a ascensão do discurso sobre mudanças climáticas, as empresas de combustíveis fósseis passaram a trabalhar em estreita relação com agências de relações públicas. Mas, enquanto naquela época o foco delas era negar as mudanças do clima, hoje o objetivo dessas empresas ao usar a mídia é outro: atrasar a busca e o encontro de soluções.</p>



<p>“São formas sutis de obstrução climática, que envolvem manipular jornalistas ou manipular os veículos de comunicação, com o uso de mídias sociais e influenciadores também, para divulgar mensagens e outros tipos de campanhas que atrasam as ações contra as mudanças climáticas, questionando a necessidade de políticas e regulamentações climáticas”, afirma a professora.</p>



<p>Coordenadora geral de pesquisa do Netlab, o Laboratório de Internet e Redes Sociais da UFRJ, a pesquisadora Deborah Salles também pondera que não é possível fazer uma correlação direta entre o patrocínio das empresas e a linha editorial das coberturas, mas alega que o financiamento levanta suspeitas sobre a capacidade de o jornalismo brasileiro cobrir temas complexos e sensíveis, inclusive para os seus patrocinadores.</p>



<p>“A ideia de jornalismo patrocinado é, em si, algo problemático”, pontua. Para Salles, a busca pelo patrocínio nas coberturas midiáticas da COP30 tem a função, ainda, de frear o senso crítico com relação à mineração, à exploração de petróleo e gás, mas também de garantir que os interesses dessas empresas não estejam em risco em um momento tão sensível como é o de negociações por metas e financiamento climático.</p>



<p>“Ao influenciar a opinião pública e tomadores de decisão e garantir que a cobertura vai continuar sendo pouco incisiva, a gente continua com essa possibilidade de passar projetos de lei da devastação e derivados. Em alguma medida, a comunicação corporativa tem como objetivo garantir mais espaço para essas empresas, e mais espaço é menos estresse para as suas atividades”, analisa Salles.</p>



<p>O Intercept questionou os veículos de comunicação mencionados nesta reportagem sobre os produtos resultantes dos patrocínios e influência das empresas na linha editorial. No caso do UOL Capital Reset, a publisher Vanessa Adachi afirmou ao Intercept Brasil que as cotas de patrocínio para a cobertura da COP30 do veículo incluem a editoria da COP30, uma série de eventos, podcast, webinars. “As empresas patrocinadoras do projeto COP não têm qualquer interferência no conteúdo editorial do Reset, que preza por fazer um jornalismo econômico independente”, afirmou Adachi.</p>



<p>Já a CNN Brasil afirmou que “todos os patrocinadores do projeto terão exposição de marca nas entregas comerciais previstas, sem qualquer interferência no conteúdo editorial”.</p>



<p>A Folha de S.Paulo afirmou que as empresas patrocinadoras da sua cobertura da COP não têm influência no conteúdo editorial e que adota os procedimentos publicados em seu Manual da Redação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Empresas com histórico de problemas socioambientais</strong></h2>



<p>Maior patrocinadora da cobertura da imprensa tradicional na COP30, a Vale <a href="https://www.infomoney.com.br/mercados/vale-deveria-ser-a-maior-mineradora-do-mundo-diz-ceo-gustavo-pimenta/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">almeja se tornar a maior produtora</a> de metais do mundo em valor de mercado. A empresa, entretanto, integra um dos setores que mais contribui para as mudanças climáticas, de acordo com <a href="https://www.unepfi.org/themes/climate-change/climate-risks-in-the-metals-and-mining-sector/#:~:text=Mining%20and%20metals%20are%20some,meet%20their%20net%2Dzero%20commitments." target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório da ONU</a>.</p>



<p>Segundo o levantamento, publicado no ano passado, as minerações de aço, alumínio, ouro e cobre são responsáveis por 11%, 3%, 0,4% e 0,2% das emissões globais de dióxido de carbono, respectivamente. No Brasil, o setor da mineração diz responder por só 0,55% das emissões totais.</p>



<p>Por outro lado, um levantamento do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração afirma que as estimativas de emissões de commodities minerais costumam excluir o impacto das operações logísticas terrestres e marítimas. Segundo a entidade, elas poderiam representar cerca de 40% da pegada de carbono do setor de minério de ferro, do qual a Vale é uma das principais líderes mundiais.</p>



<p>Enquanto busca alinhar a imagem às ações de sustentabilidade, a Vale é reincidente em casos de desastres ambientais recentes brasileiros. A empresa é uma das duas acionistas da Samarco, a mineradora que operava a barragem de Fundão, em Mariana, que rompeu em novembro de 2015, derramando lama de rejeitos na bacia do Rio Doce e matando 19 pessoas. O caso é conhecido como o maior desastre ambiental do Brasil.</p>



<p>A Vale também operava a barragem da Mina Córrego do Feijão, que rompeu em Brumadinho, Minas Gerais, em 2019, causando a morte de 272 pessoas. Até hoje, as vítimas do desastre seguem buscando reparação para o ocorrido e reclamam que apenas 10% dos atingidos foram indenizados.</p>



<p>O Ministério Público Federal denunciou a Vale por crimes contra a fauna, a flora e de poluição pelo ocorrido. O caso segue tramitando na Justiça Federal.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Casa-COP-Intercept-3-1024x684.webp" alt="A imagem mostra um cenário de desastre natural, possivelmente causado por uma enchente ou deslizamento de terra. Em primeiro plano, um socorrista veste capacete vermelho e uniforme de proteção da mesma cor, caminhando por uma rua completamente coberta de lama espessa. Ele carrega um porco sobre os ombros, indicando uma operação de resgate de animais. Ao fundo, é possível ver construções e vegetação parcialmente encobertas pela lama, reforçando o estado de devastação da área." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A Vale é acionista da Samarco, que operava a barragem que rompeu em Mariana, há 10 anos.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Douglas Magno/AFP/Getty Images</span>
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                    </figure>

	


<p>Um <a href="https://earthworks.org/wp-content/uploads/2025/04/a-verdade-sobre-a-vale-sa-web.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório divulgado</a> neste ano pela organização Earthworks, que atua com comunidades afetadas por atividades extrativistas, afirma que a Vale “promove a imagem de empresa social e ambientalmente responsável” por meio de “narrativas fantasiosas”. Já o <a href="https://emdefesadosterritorios.org/lancamento-relatorio-de-conflitos-da-mineracao-no-brasil-2023/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mapa de Conflitos da Mineração</a> posiciona a Vale como a mais violadora entre as 112 empresas mapeadas, com 147 ocorrências.</p>



<p>Em nota, a Vale afirmou que “realiza de forma recorrente parcerias com veículos jornalísticos, de forma a amplificar a visibilidade de posicionamentos prioritários da companhia sobre temas relevantes para a sociedade”. Neste ano, o tema priorizado foi a COP30, “pelo grande interesse público em torno da conferência do clima”. A mineradora afirmou que os conteúdos patrocinados são sempre identificados como conteúdo publicitário e que respeita a independência jornalística dos órgãos de imprensa, “não havendo nenhum tipo de interferência em conteúdos editoriais”. Segundo a empresa, ainda, um dos objetivos da parceria é mostrar “como a mineração é importante para a descarbonização e a transição energética no mundo”. A Vale negou qualquer prática de <em>greenwashing</em>.</p>



<p>Já a JBS, segunda colocada no ranking de maiores patrocinadoras da cobertura da imprensa na COP30, pretende se posicionar no evento como uma liderança dos interesses do “agronegócio sustentável”, mas vem sequencialmente sendo denunciada por ativistas por lucrar em cima do desmatamento da Amazônia e violar compromissos climáticos assumidos na última década.</p>



<p>Neste ano, <a href="https://newclimate.org/resources/publications/corporate-climate-responsibility-monitor-2025-food-and-agriculture-sector" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um estudo do NewClimate Institute e Carbon Market Watch</a>, divulgado no Monitor de Responsabilidade Climática Corporativa, CCRM, na sigla em inglês, reprovou as metas climáticas da JBS. O relatório afirma que a JBS é a única dentre as empresas analisadas que foi classificada como sem metas climáticas claras para 2025. A empresa permanecia expandindo a pecuária industrial sem investir significativamente em alternativas, como as proteínas vegetais, e não seria transparente nos seus relatórios.</p>



<p>Apesar de se vender como sustentável, a JBS ainda ajudou a patrocinar uma campanha de lobistas na América do Sul para mudar a forma como se calcula o metano expelido pela produção do setor da carne, como <a href="https://www.intercept.com.br/2025/09/18/embrapa-abraca-plano-do-agro-para-maquiar-o-impacto-climatico-da-pecuaria/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mostrou o Intercept</a>, o que impediria o setor de ser responsabilizado pelo seu impacto no aquecimento do planeta.</p>



<p>Além disso, <a href="https://www.intercept.com.br/2025/09/29/relatorio-mostra-possivel-conexao-entre-jbs-e-fazenda-com-historico-de-desmatamento/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a empresa permanece sendo vinculada</a> por investigações do <a href="https://cozinhandooplaneta.org.br/">Greenpeace a esquemas de lavagem de gado</a> – o termo é usado para descrever a ação de tirar bois de fazendas com histórico de ilegalidades ambientais, levá-los para fazendas consideradas limpas e, depois, transferi-los para os frigoríficos. A JBS foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem.</p>



<p>Na lista das empresas que estão patrocinando a cobertura jornalística da COP30, também está a Hydro, empresa acusada de vazamento tóxico no rio Amazonas em 2018.</p>



<p>A gigante do alumínio, que vem patrocinando conteúdos na imprensa tradicional afirmando que acelera “na descarbonização e no desenvolvimento sustentável da Amazônia”, foi acusada de realizar ao menos 10 grandes derramamentos de “lama vermelha”, decorrente na produção de minério, em rios que abastecem comunidades tradicionais e quilombolas em Barcarena, no Pará, como também <a href="https://www.intercept.com.br/2022/10/21/norsk-hydro-aluminio-contaminacao-bacarena-para/">mostrou o Intercept</a>.</p>



<p>Em nota, a Hydro apoia iniciativas de comunicação e eventos paralelos à COP30, priorizando veículos e projetos que “promovem debates qualificados sobre transição energética, descarbonização e desenvolvimento sustentável da Amazônia”, mas que o faz “sem qualquer influência sobre a produção jornalística”.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Casa-COP-Intercept-4-1024x683.webp" alt="A imagem mostra um protesto em frente a uma instalação industrial com estruturas metálicas e fumaça ao fundo. Um grupo de manifestantes segura faixas com mensagens em português que denunciam impactos ambientais e de saúde causados pela empresa Hydro na cidade de Barcarena, no Pará. As frases destacam acusações de crimes ambientais, a ausência de ação dos governantes e a associação da empresa com casos de câncer na comunidade. Veículos estão estacionados diante do complexo, e o clima é de urgência e reivindicação." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Protesto contra a Hydro em Barcarena, no Pará
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Alessandro Falco/Bloomberg/Getty Images</span>
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                    </figure>

	


<p>A empresa alegou que a COP30 “representa uma oportunidade única de diálogo global sobre o futuro do clima e o papel da Amazônia” e refutou qualquer alegação de greenwashing, reforçando que “todas as informações socioambientais divulgadas pela companhia são baseadas em metas concretas e mensuráveis”.</p>



<p>Já a gigante de papéis e celulose Suzano vem sendo denunciada por comunidades rurais do Maranhão, Pará e Tocantins por causar danos ambientais e abordar de forma violenta trabalhadores rurais na região da fronteira agrícola do Matopiba. A empresa é acusada de avançar com o plantio de eucalipto sobre áreas produtivas e pulverizar agrotóxicos, impedindo a agricultura familiar e agroecológica.</p>



<p>Um <a href="https://environmentalpaper.org/wp-content/uploads/2024/07/Pulp-Fiction-Fact-check-about-Suzano-PT.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório da ONG Environmental Paper Network</a>, do ano passado, afirma que a empresa teria adquirido áreas ilegalmente tomadas e age para confrontar e criminalizar representantes de comunidades tradicionais. Operando em três biomas brasileiros – Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica –, a Suzano controla 2,7 milhões de hectares de terras no país.</p>



<p>Questionada, a Suzano afirmou em nota que “as relações com os veículos de comunicação são guiadas pela ética, a transparência e o diálogo construtivo” e que “a agenda de sustentabilidade integra o modelo de negócio da empresa, desde a operação até a atuação institucional”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Gastos com conteúdos patrocinados podem ser milionários</h3>



<p>Não há dados públicos que permitam confirmar o valor desembolsado por essas empresas para financiar o jornalismo na cobertura da COP30, mas mídia kits de veículos de comunicação brasileiros revelam uma estimativa de quanto seria o financiamento de um projeto de cobertura ou a publicação de conteúdos patrocinados.</p>



<p>Prometendo alcançar quase 18 milhões de seguidores nas redes sociais e mais de 35 milhões de usuários únicos, o Estadão vende uma página dupla no jornal de domingo, para branded content (conteúdo patrocinado), por cerca de R$ 2,5 milhões. Já um banner para o site pode custar entre R$ 400 mil e R$ 600 mil.</p>



<p>A Hydro publicou pelo menos um <a href="https://www.instagram.com/p/DQX1447ka_1/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conteúdo patrocinado no Instagram</a> do Estadão em outubro, na qual traz a perspectiva do CEO da empresa no Brasil para a COP30.</p>



<p>No caso da Editora Globo, o patrocínio para a cobertura especial feita pelos jornais O Globo e Valor Econômico e pela rádio CBN contempla a realização de eventos, publicação de matérias semanais e suplementos especiais ao longo do ano, além da cobertura in loco em Belém.</p>



<p>Em seu mídia kit, O Globo promete chegar a uma em cada cinco pessoas do Brasil. No jornal, um conteúdo patrocinado no primeiro caderno pode chegar a R$ 4,8 mil, segundo dados de preço do mídia kit da editora de 2024, mas um pacote completo de conteúdo patrocinado digital pode chegar a mais de R$ 400 mil. Já um pacote premium no Valor Econômico pode chegar a R$ 600 mil.</p>



<p>Um post nas redes sociais do Valor Econômico pode chegar a quase R$ 50 mil, enquanto no Globo pode chegar a mais de R$ 70 mil. A Petrobras, de acordo com a biblioteca de anúncios da Meta, fez pelo menos 18 conteúdos patrocinados com O Globo e o Valor Econômico entre setembro e outubro deste ano.</p>



<p>Na Folha de S.Paulo, um banner pode custar de R$ 179 a R$ 400 mil, enquanto uma produção de conteúdo patrocinado em vídeo pode passar de R$ 1 milhão. Um único conteúdo patrocinado em texto e foto pode chegar a R$ 600 mil. Oito conteúdos com texto e foto ou infografia, mais presença nas redes sociais, podem chegar a R$ 3 milhões. Já um post patrocinado no feed do Instagram pode custar R$ 900 mil.</p>



<p>No site do jornal, todas as matérias veiculadas à COP30 trazem pelo menos um banner anunciando empresas apoiadoras e patrocinadoras da cobertura. Na sua página do Instagram, a Folha também menciona os patrocinadores em posts sobre a conferência.</p>



<h3 class="wp-block-heading">As consequências desses patrocínios</h3>



<p>De acordo com Melissa Aronczyk, professora da escola de comunicação da Rutgers University, é comum as empresas poluidoras usarem as agências de relações públicas para disseminar três tipos de conteúdos. O primeiro é divulgar ações que está fazendo para “ajudar o meio ambiente”. “Geralmente, esse tipo de greenwashing acompanha a obstrução de políticas governamentais que realmente controlariam o que essas empresas fazem”, afirma.</p>



<p>O segundo tipo é fazer parcerias com grupos ambientalistas, por exemplo, anunciando um projeto específico em uma comunidade vulnerável afetada pelas mudanças climáticas, ao mesmo tempo que expande a produção de combustíveis fósseis em outro lugar. O terceiro é tentar veicular mensagens que transferem a responsabilidade delas para os indivíduos, como estimular a reciclagem.</p>



<p>Há ainda uma quarta ação que costuma ser coordenada pelas empresas de RP para as poluidoras, conforme a professora, que é negar a viabilidade de soluções apresentadas pela sociedade civil, alegando que não há tecnologia ou logística disponíveis na cadeia de abastecimento. Por fim, há a própria divulgação de soluções promovidas pela empresa, que não necessariamente são a melhor solução para o problema das mudanças climáticas.</p>



<p>“Na verdade, se trata de empresas promovendo soluções que não transformarão a situação e não levarão à transição energética”, alerta a Aronczyk. De acordo com a pesquisadora, termos como “pegada do carbono” foram inventados pelas indústrias de combustíveis fósseis.</p>



<p>Para Aronczyk, ao criar incertezas, fazendo lobby junto aos governos e patrocinando a cobertura de eventos como a COP30, as empresas poluidoras ocupam um papel desproporcional no debate sobre políticas públicas para o clima. A consequência é ter mais influência e, assim, ter seus interesses guiando as decisões sobre o que as políticas devem abranger ou não.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Casa-COP-Intercept-5-1024x683.webp" alt="A imagem mostra uma paisagem vista de cima, com terreno seco e coberto por gramíneas amareladas, além de vegetação esparsa composta por arbustos e pequenas árvores. Espalhados pela área, há vários animais brancos, provavelmente bois ou vacas, pastando livremente. O solo parece árido, com poucas manchas verdes, sugerindo um ambiente de clima seco. Caminhos de terra cortam o terreno, indicando circulação de pessoas ou animais." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Greenpeace acusa JBS de comprar gado de fazenda com histórico de desmatamento
</p>
	                
                                            <span>Crédito: João Paulo Guimarães/Intercept Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>É o que também aponta Max Boykoff, professor do departamento de Estudos Ambientais da Universidade do Colorado em Boulder. Segundo ele, a forma como as empresas de combustíveis fósseis, por exemplo, agiram usando a mídia ao longo dos anos levou a sociedade a ter uma visão distorcida sobre como agir de forma eficaz quando o tema é a crise climática.</p>



<p>Boykoff também enfatiza que há duas táticas muito frequentes usadas por essas empresas, com o suporte da mídia: transferir a responsabilidade para os indivíduos e alegar que a transição energética é um desafio impossível. “Também tem havido um esforço consistente de apresentar o que podem ser soluções, mas que, na verdade, substituem ações realmente eficazes”, alerta.</p>



<p>De acordo com Salles, coordenadora geral de pesquisa do Netlab, da UFRJ, também tem acontecido um processo de normalização de afirmações falsas, distorcidas e exageradas sobre a performance ambiental das empresas e instituições. “São afirmações que, na verdade, não se sustentam, não têm evidências e vão contribuindo para um entendimento problemático tanto da situação socioambiental e climática quanto do papel que essas empresas têm no aquecimento global, nas mudanças climáticas”, afirma.</p>



<p>No relatório “Os Novos Mercadores da Dúvida”, a organização Changing Markets mapeou as principais ações da indústria da carne e laticínios, por exemplo, para influenciar o debate sobre mudanças climáticas. De acordo com a organização, a indústria gera distração do público e faz com que a população geral não consiga dimensionar o real impacto da indústria na crise climática.</p>



<p>“No Brasil, por exemplo, o agronegócio usa campanhas públicas para consolidar a ideia de que o setor, particularmente a indústria de carne e laticínios, é fundamental para a cultura e a história do Brasil”, afirma Madeleine Haughton-Boakes, pesquisadora da Changing Markets.</p>



<p>Segundo Haughton-Boakes, a COP tem sido cada vez mais utilizada pela indústria para fazer lobby, seja por meio da presença de lobistas em delegações nacionais, seja por meio de agendas próprias durante o evento. “Na agenda da COP30, eles têm se apresentado como amigos da COP e detentores das soluções”, pontua.</p>



<p>Para ela, essa presença a divulgação dessa agenda precisa ser vista de forma tão crítica quanto como é vista a presença das grandes petrolíferas e as empresas de combustíveis fósseis na COP. A Changing Markets fez <a href="https://changingmarkets.org/report/the-meat-agenda-agricultural-exceptionalism-and-greenwash-in-brazil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um levantamento</a> das ações criadas pelo agro brasileiro para criar a narrativa de solução que o setor levará à COP30 e considerou os patrocínios para as coberturas da Folha de S.Paulo, do Estadão e do Globo como parte dessa estratégia mais ampla.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><span style="font-weight: 400;">*Esta reportagem foi produzida por The Intercept, por meio da </span><b>Cobertura Colaborativa Socioambiental da COP 30</b><span style="font-weight: 400;">. Leia a reportagem original em: </span><a href="https://www.intercept.com.br/2025/11/10/vale-e-jbs-sao-as-que-mais-patrocinam-cobertura-jornalistica-da-cop30-na-grande-midia/"><span style="font-weight: 400;">https://www.intercept.com.br/2025/11/10/vale-e-jbs-sao-as-que-mais-patrocinam-cobertura-jornalistica-da-cop30-na-grande-midia/</span></a></p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>Conheça a rede que oferece proteção a jornalistas e comunicadores alvos de ataques e ameaças</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Oct 2025 14:20:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação popular]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Vladimir Herzog]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Rede de Proteção]]></category>
		<category><![CDATA[violencia contra comunicadores]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra jornalistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ser agredido ou ameaçado durante o exercício do seu trabalho é um dos riscos que jornalistas e comunicadores correm enquanto apuram denúncias no cotidiano da profissão. De acordo com o último Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, produzido pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), 144 jornalistas foram atacados em 2024. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ser agredido ou ameaçado durante o exercício do seu trabalho é um dos riscos que jornalistas e comunicadores correm enquanto apuram denúncias no cotidiano da profissão. De acordo com o último <em><a href="https://fenaj.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Relatorio-da-Violencia-2024.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil</a>,</em> produzido pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), 144 jornalistas foram atacados em 2024. Esse número foi o menor em seis anos, tendo casos constantes desde o início do mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro.</p>



<p>Para combater essas violências, a <a href="https://rededeprotecao.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rede Nacional de Proteção a Jornalistas e Comunicadores</a> oferece um serviço de atendimento e acolhimento psicológico e jurídico, além de orientações e dicas para prevenir novas ameaças ou ataques. Lançada oficialmente em 2021 pelo <a href="https://vladimirherzog.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Vladimir Herzog</a> e a organização <a href="https://artigo19.org/">Artigo 19</a>, a Rede foi articulada em meio a um crescente número de ataques aos jornalistas e, hoje, já conta com mais de 270 atendimentos.</p>



<p>Gizele Martins, é jornalista e comunicadora comunitária há mais de 20 anos. Morou na favela da Maré no Rio de Janeiro por quase toda a vida e foi lá que construiu sua carreira e acabou ganhando alguns desafetos no poder público. Martins, sofre intimidações e assédios online há, pelo menos, dez anos. Ao longo desse tempo, tentou acolhimento por várias instituições, o que só aconteceu quando entrou em contato com o Instituto Vladimir Herzog.</p>



<p>“Sempre senti dificuldades em relação ao atendimento a quem é comunicador, ou seja, a quem é considerado um não jornalista, mesmo com diploma, pois existe uma questão de classe ainda muito nítida na nossa sociedade. Então, quando eu buscava apoio de organizações médicas ou de outro tipo, sempre sentia uma dúvida sobre os casos que relatávamos”, afirma a comunicadora.</p>



<p>Envolvida na Rede desde sua fundação, em 2018, Gizele foi de articuladora nacional à integrante da equipe de atendimento e acolhimento, cargo que ocupa hoje. Ela está na linha de frente para receber os casos denunciados pelos profissionais. O serviço funciona da seguinte maneira:</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>A rede possui uma plataforma segura que recebe as solicitações de atendimento dos comunicadores. Nela, é possível enviar fotos, prints, documentos, vídeos para relatar o que está sofrendo;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Quando o jornalista ou comunicador submete a denúncia, a equipe recebe uma notificação na mesma hora por um e-mail seguro;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Depois, a equipe analisa o caso e se divide para entrar em contato com a vítima e iniciar os atendimentos; </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span> Para dar os encaminhamentos necessários, os atendimentos são feitos por e-mail;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>A duração do acompanhamento acontece no tempo que for necessário, pois a organização acompanha as vítimas com orientações sobre segurança digital;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>6. </span>Quando os casos requerem encaminhamentos jurídicos, os acompanhamentos podem durar anos; </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>7. </span>Para iniciar um atendimento, basta acessar a plataforma da rede. </p>
            </div>
            </div>



<p>Apesar de ter o lançamento oficial em 2021, as articulações para a criação da rede iniciaram em 2018, durante a campanha presidencial, sob o discurso inflamado do ex-presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas e comunicadores. O cofundador da rede Giuliano Galli, pontuou que esse discurso foi bem acolhido por parte da sociedade, assim, os ataques começaram a ser mais recorrentes. O primeiro encontro da Rede aconteceu no final de 2018 com aproximadamente 40 jornalistas e comunicadores.</p>



<p>“A gente diagnosticou uma espécie de terreno fértil que Jair Bolsonaro estava preenchendo para que a população se manifestasse, principalmente por meio de redes sociais, de maneira muito violenta contra jornalistas e comunicadores de forma geral”, afirma Giuliano.</p>



<p>A partir desse alerta, o Instituto Vladmir Herozg começou a dialogar com outras organizações e com alguns veículos locais para entender como os casos de violência ocorriam em cada região e se aprofundar nesse contexto.</p>



<p>“A gente percebeu que o Brasil, sempre foi e continua sendo até hoje, um país muito violento para jornalistas e comunicadores. Então, ainda que a gente não convivesse, até aquele momento, pré-Jair Bolsonaro, com agentes de Estado se sentindo completamente à vontade para atacar a imprensa de forma pública, quando a gente percorria o Brasil, a gente percebia que o jornalismo ainda era vítima de muitas formas de violência”, relembra Galli.</p>



<p>A Rede de Proteção se formou, então, como um mecanismo para intervir nessa realidade. E, hoje, atua com três diferentes frentes: articulação, formação e denúncia. Junto às organizações fundadoras, estão o coletivo Intervozes e o Repórteres Sem Fronteiras. Além deles, são 75 organizações entre coletivos de comunicação populares e independentes, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e entidades de defesa dos direitos humanos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Jornalistas são alvos</h2>



<p>Os números não mentem. De 2018 até 2024, foram 1.902 episódios de violência contra jornalistas, segundo Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil.Entre os tipos de violências mais recorrentes em 2024, se destacou assédio judicial como uma das práticas mais graves, com 15,97% dos casos registrados envolvendo o uso do sistema de Justiça como instrumento de<br>intimidação e censura.</p>



<p>O relatório também apontou 30 casos de agressões físicas e 27 ameaças diretas. Além de 11 casos de censura. O relatório também ressalta que políticos, assessores e apoiadores continuarem no topo da lista dos agressores de jornalistas no Brasil. &#8220;Entre esses agentes, a maioria se configura no campo ideológico da direita e extrema direita, respondendo por mais de 40% dos casos registrados neste relatório&#8221;, aponta o documento.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/image-300x169.png">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/image.png" alt="O gráfico intitulado “Episódios de violência contra jornalistas (2018–2024)” apresenta a variação anual da quantidade de casos no período. Em 2018 foram registrados 135 episódios, número que subiu para 208 em 2019 e teve um forte aumento nos anos seguintes, chegando a 428 em 2020 e ao pico de 430 em 2021. A partir daí, observa-se uma queda progressiva: 376 casos em 2022, 181 em 2023 e 144 em 2024. A linha azul com marcadores circulares representa esses valores ao longo do tempo, e a legenda indica o termo “QUANTIDADE”." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Fonte: Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/conheca-a-rede-que-oferece-protecao-a-jornalistas-e-comunicadores-alvos-de-ataques-e-ameacas/">Conheça a rede que oferece proteção a jornalistas e comunicadores alvos de ataques e ameaças</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Teco Barbero, o fotógrafo deficiente visual que &#8220;enxerga o mundo com os olhos da alma&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/teco-barbero-o-fotografo-deficiente-visual-que-enxerga-o-mundo-com-os-olhos-da-alma/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jul 2025 19:20:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[baixa visão]]></category>
		<category><![CDATA[cegos]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[pessoa com deficiência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Elismarcia Tosta, Josyclaudia Gomes e Wander Vieira* Antônio Walter Barbero, conhecido como Teco Barbero, nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, e desde o início enfrentou desafios que moldariam sua trajetória de forma singular. Com uma lesão cerebral grave ao nascer, desenvolveu baixa visão e dificuldades motoras, o que exigiu um processo educativo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por</strong> <strong>Elismarcia Tosta, Josyclaudia Gomes</strong> <strong>e</strong> <strong>Wander Vieira</strong>*</p>



<p>Antônio Walter Barbero, conhecido como <a href="https://tecobarbero.blogspot.com/">Teco Barbero</a>, nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, e desde o início enfrentou desafios que moldariam sua trajetória de forma singular. Com uma lesão cerebral grave ao nascer, desenvolveu baixa visão e dificuldades motoras, o que exigiu um processo educativo e terapêutico adaptado desde a infância.</p>



<p>Ainda criança, iniciou um método inovador de estimulação chamado Pedaços de Inteligência, com sessões rápidas em que era exposto a imagens variadas, como pássaros, máquinas e borboletas, ajudando a expandir seu vocabulário e percepção do mundo. Essa experiência foi essencial para estimular seus sentidos e memória visual.</p>



<p>Foi em uma clínica no Rio de Janeiro que Teco se submeteu ao método Lindoma, voltado ao desenvolvimento do potencial humano. O processo o ajudou a conquistar marcos importantes, como andar, diferenciar claro e escuro e manipular objetos de forma independente.</p>



<p>Durante os anos 1990, quando ainda não existiam políticas inclusivas efetivas nas escolas, Teco contou com o apoio incondicional da família para progredir nos estudos. Sem acesso a tecnologias modernas, foi com esforço coletivo que conseguiu transpor as barreiras impostas pela deficiência.</p>



<p>Seu interesse por idiomas sempre foi marcante: é fluente em italiano, espanhol e inglês, além de possuir conhecimento básico em francês e alemão. Inicialmente pensou em cursar tradução, mas como essa opção não estava disponível em Sorocaba, optou pelo jornalismo com o apoio de educadores.</p>



<p>Teco cursou Jornalismo na Universidade de Sorocaba (Uniso) entre 2001 e 2004. Embora algumas disciplinas como fotografia e telejornalismo gerassem dúvidas sobre sua execução, ele enfrentou os desafios com coragem, curiosidade e criatividade.</p>



<p>O divisor de águas foi o filme <em>Janela da Alma</em>, que apresenta histórias de pessoas com deficiência visual, entre elas o fotógrafo <a href="https://revistacarbono.com/artigos/06-entrevista-evgen-bavcar/">Evgen Bavcar</a>. Inspirado, o fotógrafo Werinton Kermes criou um curso de fotografia para cegos e convidou Teco a participar, marcando o início de sua jornada fotográfica.</p>



<p>Inicialmente cético, Teco aceitou o convite por incentivo de uma amiga. Ali começou sua transformação em fotógrafo. O curso promovia o uso do corpo, da audição e da intuição para guiar a câmera e enquadrar imagens, criando uma estética própria e sensível.</p>



<p>Em 2009, iniciou oficialmente sua atuação na fotografia. Um de seus primeiros grandes desafios foi cobrir a Agrishow em Ribeirão Preto, evento com a presença do governador do estado. O ambiente dinâmico exigiu agilidade e adaptação para conseguir capturar imagens relevantes.</p>



<p>Outro momento marcante foi o ensaio com cinco paratletas para os Jogos Paralímpicos. Com criatividade e sensibilidade, fotografou momentos únicos, mesmo sem roteiro e com recursos limitados. Uma dessas fotos foi parar na revista IstoÉ, ganhando repercussão nacional.</p>



<p>No curso pioneiro de fotografia para pessoas com deficiência visual, Teco aprendeu a usar diferentes sentidos para criar imagens: ouvir, tocar e sentir o ambiente. Desenvolveu um método para entender proporções, distâncias e movimentos com extrema precisão.</p>



<p>A barreira tecnológica da época era grande. Câmeras com visores pequenos dificultavam a visualização. O primeiro impacto positivo foi com uma câmera Mavica digital, que lhe permitia enxergar imagens de longe. A acessibilidade digital foi, aos poucos, transformando suas possibilidades.</p>



<p>Apesar dos avanços tecnológicos, Teco destaca que o maior obstáculo ainda é mental. A desconfiança das empresas e o preconceito visual afastam profissionais com deficiência das redações. O mercado exige adaptação, mas raramente investe em acessibilidade.</p>



<p>Fotografar reuniões, eventos e fazer coberturas exigem dele uma constante reafirmação de competência. Costuma brincar dizendo que “não cortou a cabeça de ninguém” nas fotos, como forma de descontrair e reafirmar sua capacidade técnica.</p>





<p>O preconceito ainda é uma barreira. A aparência e a deficiência visual afastam profissionais da frente das câmeras. Para Teco, isso é um grande absurdo, pois competência não depende da visão, mas da sensibilidade, técnica e dedicação.</p>



<p>Em sua carreira, Teco também se dedica à formação de novos fotógrafos com deficiência visual. Criou o projeto Olhar Sensível, onde ensina fotografia de forma acessível, combinando técnica e arte. Muitos de seus alunos já participaram de exposições e se profissionalizaram.</p>



<p>Um marco foi quando uma obra de sua aluna Giovanna foi entregue ao tenor Andrea Bocelli. Foi um reconhecimento simbólico da potência do projeto e da capacidade transformadora da arte quando acessível a todos.</p>



<p>Além da fotografia, Teco ministra cursos, participa de eventos e promove inclusão por meio da imagem. Acredita que é possível transformar vidas e percepções com arte, empatia e acessibilidade verdadeira.</p>



<p>O jornalismo, para ele, deve acompanhar a evolução tecnológica e abraçar a diversidade. A inclusão não deve se limitar às rampas de acesso, mas envolver também o investimento em softwares, licenças e confiança na capacidade dos profissionais com deficiência.</p>



<p>A mensagem de Teco é de persistência e inspiração: acreditar em si mesmo, superar as barreiras e transformar limitações em possibilidades. Seu legado vai além das imagens: é um convite a enxergar o mundo com o coração, a alma e, sobretudo, com respeito às diferenças.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Estudantes de Jornalismo, estagiárias do convênio entre a Marco Zero Conteúdo e a Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat).  O texto faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso dos estagiários, aprovado com nota 10. </strong></p>
    </div>
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		<title>Joel Santos Guimarães, repórter por toda a vida</title>
		<link>https://marcozero.org/joel-santos-guimaraes-reporter-por-toda-a-vida/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2025 17:20:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e democracia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando cheguei na redação paulistana de O Globo, em meados dos distantes anos 1990, Joel Santos Guimarães era mais uma lenda do que uma pessoa de carne e osso. Era “o” repórter. Experiente, cheio de moral, pouco era visto na sucursal. Construía suas próprias pautas, que ganhavam corpo em forma de reportagens especiais depois de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando cheguei na redação paulistana de O Globo, em meados dos distantes anos 1990, Joel Santos Guimarães era mais uma lenda do que uma pessoa de carne e osso. Era “o” repórter. Experiente, cheio de moral, pouco era visto na sucursal. Construía suas próprias pautas, que ganhavam corpo em forma de reportagens especiais depois de apurações exaustivas, viagens, entrevistas com gente poderosa da República, encontros em locais discretos com fontes discretíssimas.</p>



<p>Naqueles primeiros meses no Globo, foram poucas as vezes em que vi Joel, profissional cuja carreira e prestígio estavam em uma prateleira inalcançável para um garoto de vinte e poucos anos recém chegados a um dos veículos de mídia mais importantes do país. Sua vida de repórter era mais parecida com a dos jornalistas fictícios dos filmes de Hollywood do que com a nossa, do “chão de fábrica” de notícias que eram os jornais no final do século XX.</p>



<p>Os textos com sua assinatura tinham espaço garantido e mereciam manchetes de primeira página no jornal.</p>



<p>Em uma de suas viagens, ele tinha ido conhecer prisões paraguaias onde presos brasileiros mofavam sem sentença, sem processo nem defesa. Recusou as passagens de avião oferecidas pelo Globo e viajou de carro, com motorista do jornal e o fotógrafo José Luiz da Conceição. No caminho de volta, pararam para almoçar numa cidade paranaense.</p>



<p>No meio da refeição, foram surpreendidos por dezenas de viaturas policiais que chegavam à cidadezinha em alta velocidade, cantando pneus e com as sirenes ligadas. Havia um sequestro em curso na cidade, mas alguém viu a quadrilha invadindo a casa de um empresário local e avisou a polícia. Joel e Conceição testemunharam o início do cerco policial que durou cinco dias e virou notícia nacional. </p>



<p>Repórter precisa ter sorte para esbarrar por acaso num negócio desses.</p>



<p>O problema é que, ao longo daquela cobertura, Joel torceu o pé, sofreu uma lesão nos ligamentos. A direção do jornal, no Rio de Janeiro, mandou ele abandonar o caso e procurar um hospital. Mesmo se arrastando com dor e o pé inchado, Joel desobedeceu e ficou até o final. Era tudo o que a chefia queria.</p>



<p>De volta a São Paulo, com o pé imobilizado, Joel assumiu a chefia provisória da equipe de reportagem nacional da sucursal paulista, cargo que ele já havia recusado duas vezes, pelo menos. A desobediência deu aos diretores o pretexto para encurralá-lo e fazê-lo aceitar a coordenação com o respectivo aumento de salário. Joel passou a ser meu chefe direto.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Joel-1-O-Globo-1024x619.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Joel-1-O-Globo-1024x619.jpg" alt="A imagem é da capa de um jornal chamado O Globo, datado de 30 de abril de 1995, um domingo. O título principal, em letras grandes, diz: Polícia liberta reféns e mata bandidos. Há uma grande foto central que mostra uma mulher sendo levada por policiais. Ela parece estar machucada e é descrita na legenda como Leina, que ficou ferida durante a operação de invasão de uma casa. O texto na capa discorre sobre uma ação policial no Paraná, onde equipes especiais libertaram reféns e eliminaram três sequestradores. O cenário tem um ar dramático e enfatiza uma narrativa de resgate e confronto." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Contra sua vontade, cobertura por acaso no Paraná levou Joel Guimarães à chefia em O Globo 
</p>
	                
                                            <span>Acervo José Luiz da Conceição</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Curiosamente, foi aí que percebi que ele era o oposto do jornalista “estrela” que eu imaginava. Não poderia haver alguém mais distante da vaidade e da arrogância, coisas que cresciam como mato nas redações daqueles anos &#8211; ainda hoje, provavelmente.</p>



<p>Passei a almoçar um prato feito com o chefe no botequim “pé sujo” frequentado também pelos motoristas e <em>office boys</em> do jornal. Isso fez muito bem para minha saúde financeira, pois, para me enturmar com os colegas da redação, costumava acompanhar outros repórteres nos sushis e bistrôs de culinária “contemporâneos” da Faria Lima ou do Itaim Bibi. Saía mais em conta e, estrategicamente, era mais vantajoso dividir o prato do dia com o chefe.</p>



<p>Foram muitos almoços e cafezinhos onde escutei suas histórias de bastidores de reportagens em que nunca se colocava como protagonista ou &#8220;herói&#8221;. Esses papéis cabiam ora ao fotógrafo ora ao motorista. Naqueles &#8220;causos&#8221; que contava, o mais comum era Joel reservar para si o papel de trapalhão, distraído ou desastrado. Ou tudo isso junto. Ele ria de si mesmo.</p>



<p>Joel vivia jornalismo 24 horas por dia. Melhor dizendo, ele vivia as pautas, apuração e texto. Era isso o que o interessava na profissão. Não conhecia e não comentava as fofocas das redações nem as intrigas nas cúpulas dos maiores veículos de comunicação do Brasil. Sua preocupação era como nosso trabalho poderia fazer o mundo ficar melhor, como impactar na vida dos brasileiros sem dinheiro nem poder.</p>



<p>Essa obsessão pelo fazer jornalístico se refletia em suas cobranças. Ele exigia dos repórteres o mesmo rigor e cuidado com que dispensava a dados, endereços, fontes, documentos, números, frases dos entrevistados. Para ele, jornalista precisa ter lado: o lado dos pobres, dos oprimidos. “Se não for assim não é jornalista, é lobista ou canalha”. Fazia questão de não ser considerado &#8220;pessoa de confiança&#8221; de seus patrões, Roberto Marinho e filhos. </p>



<p>Viramos amigos depois que saí do Globo São Paulo e vim para a sucursal no Recife. Visitávamos a casa um do outro. Ouvi ele falar das dores insanáveis que carregava na alma desde criança. E da esperança na justiça social, de sua fé de ateu na luta pelo fim da desigualdade e da miséria.</p>



<p>Acompanhei a criação da <a href="https://anba.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência de Notícias Brasil-Árabe</a>, projeto que ele ajudou a colocar de pé em 2003 e comandou durante uma década em que sua equipe ganhou 11 prêmios de jornalismo. Depois, ele testemunhou a fundação da Marco Zero, projeto que o empolgou.</p>



<p>“Isso que vocês fazem é Jornalismo de verdade, com maiúsculas”, me disse não sei quantas vezes.</p>



<p>Joel então abraçou a ideia da Marco Zero, se ofereceu para ajudar. Nos primeiros quatro anos do site, escreveu 17 reportagens e entrevistas. Seu nome e foto aparecia em nosso expediente. Era uma contribuição luxuosa para uma iniciativa que dava os primeiros passos no cenário do jornalismo independente.</p>



<p>Na Marco Zero, ele publicou <a href="https://marcozero.org/?s=%22joel+santos+guimar%C3%A3es%22" target="_blank" rel="noreferrer noopener">seus últimos textos</a>. A partir de 2019, problemas de saúde impediram que continuássemos a contar com sua experiência e sensibilidade. Mesmo assim, ele permaneceu acompanhando nossa produção de conteúdo. Perdi as contas dos generosos elogios que fazia às nossas repórteres depois que lia as reportagens publicadas. Como editor da MZ, recorro com frequência a alguma frase de Joel que me faz parecer mais capaz ou inteligente diante da nossa equipe.</p>



<p>Ontem, domingo, 23 de março de 2025, seu coração parou. Ele tinha 73 anos. Vou sentir falta de nossos longos telefonemas no meio do expediente.</p>



<p><strong>P.S.</strong> &#8211; Após ler esta crônica, Leonardo Lênin, filho de Joel, me informou que seu pai foi sepultado vestido com sua camiseta do MST, uma caderneta com anotações antigas de alguma reportagem e um caneta BIC azul. </p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Leia o último texto publicado por Joel Santos Guimarães:</strong></li>
</ul>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-mst-quer-acabar-com-o-mst/" class="titulo">O MST quer acabar com o MST</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/entrevista/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Entrevista</a>
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		<p>O post <a href="https://marcozero.org/joel-santos-guimaraes-reporter-por-toda-a-vida/">Joel Santos Guimarães, repórter por toda a vida</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quatro bolsas de R$ 6 mil para coletivos de comunicação de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/quatro-bolsas-de-r-6-mil-para-coletivos-de-comunicacao-de-pernambuco/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Apr 2024 21:28:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[bolsas]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Fala]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia e comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se você faz parte de um coletivo de jornalismo, comunicação e/ou cultura em Pernambuco, que já existe há mais de um ano, então essá notícia lhe interessa diretamente: a Marco Zero e o Instituto Fala! lançaram hoje o Edital FALA! 2024 de Jornalismo, comunicação e cultura nos territórios: novos formatos como meio de transformação social. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/quatro-bolsas-de-r-6-mil-para-coletivos-de-comunicacao-de-pernambuco/">Quatro bolsas de R$ 6 mil para coletivos de comunicação de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se você faz parte de um coletivo de jornalismo, comunicação e/ou cultura em Pernambuco, que já existe há mais de um ano, então essá notícia lhe interessa diretamente: a Marco Zero e o Instituto Fala! lançaram hoje o <a href="https://festivalfala.org.br/2024/04/29/regulamento-do-edital-fala-2024-para-coletivos-de-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Edital FALA! 2024 de Jornalismo, comunicação e cultura nos territórios: novos formatos como meio de transformação social</a>.</p>



<p>O Edital FALA! é sempre destinado aos coletivos do estado por onde passou o Festival FALA!. Por isso, estarão aptos a concorrer às bolsas os coletivos de jornalismo, comunicação e/ou cultura que atuem nos territórios periféricos do estado de Pernambuco.</p>



<p>Serão quatro bolsas de 6 mil reais para a produção de reportagens que abordem as agendas de justiça climática, justiça social e da democracia nos territórios periféricos a partir de experiências de novos formatos e linguagens nas áreas de jornalismo, comunicação e cultura. As inscrições começam hoje, 29 de abril e vai até 19 de maio, com a divulgação do resultado no dia 03 de junho de 2024.</p>



<p></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Para que você não tenha dúvidas se a sua proposta de reportagem se encaixa nos eixos do Edital FALA! 2024, a gente detalhou aqui:</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Justiça Climática: os trabalhos apresentados para o eixo de justiça climática podem abordar temas como aquecimento global; racismo ambiental; tecnologias sociais e ancestrais desenvolvidas em territórios periféricos para mitigar e superar as consequências de ambos os fenômenos, dentre outros tópicos correlatos. </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Justiça Social: os trabalhos apresentados para o eixo de justiça social devem abordar problemas estruturais da sociedade brasileira em decorrência de raça, etnia, gênero, sexualidade, classe e território. </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Democracia: os trabalhos apresentados para o eixo de democracia devem abordar estratégias de incidência política de determinados grupos sociais; atuação de movimentos sociais (entendidos aqui de forma ampla, podendo ser movimentos que atuam na pauta de cultura, educação, tecnologia etc); resultados concretos de ações políticas de movimentos populares; dentre outros tópicos correlatos. </p>
            </div>
            </div>



<p></p>



<p></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>UFMA lança o Manual de Redação para o jornalismo independente</title>
		<link>https://marcozero.org/ufma-lanca-o-manual-de-redacao-para-o-jornalismo-independente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2024 14:11:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo independente]]></category>
		<category><![CDATA[UFMA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com a demanda de criar um manual de jornalismo pensado pelo e para o Nordeste, foi na disciplina de Jornalismo e Realidade Regional, do curso de Jornalismo, no Campus Imperatriz da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que a professora Marta Alencar reuniu os estudantes para cumprir essa tarefa de maneira coletiva. O resultado foi guia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com a demanda de criar um manual de jornalismo pensado pelo e para o Nordeste, foi na disciplina de Jornalismo e Realidade Regional, do curso de Jornalismo, no Campus Imperatriz da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que a professora Marta Alencar reuniu os estudantes para cumprir essa tarefa de maneira coletiva. O resultado foi guia de como fazer e editar reportagens com a linguagem nordestina. </p>



<p>Para produzir o inédito <a href="https://drive.google.com/file/d/1e7GIqPtxKaDCs2h--4sebHPLkg4nnvta/view">Manual de Redação de Jornalismo Independente do Nordeste</a>,  22 estudantes e jornalistas parceiros de todo o Nordeste, durante cinco meses. </p>



<p>&#8220;Esse manual preenche um vazio que meus alunos sentiam e, eu tenho certeza, que outros alunos e outros jornalistas sentiam. A gente de certa forma ressalta o nosso jeito de falar, a nossa identidade e a nossa cultura&#8221;, afirmou a professora Marta.  </p>



<p>Logo no prefácio, o Manual mostra para que veio: &#8220;Histórias nordestinas podem e devem ser contadas por nordestinos. A obra, atenta às mudanças, inclusive no jornalismo, encontra sentido na percepção de um Nordeste mais amplo do que aquele que nos fora contado em narrativas coloniais, nutrientes de visões xenofóbicas, que teimam em inferiorizar esse canto do mundo, tão imenso e diverso&#8221;.</p>



<p>Uma das estudantes envolvidos no projeto do início ao fim foi Renata Lima que ressalta o compromisso da turma para concluir o projeto, mesmo de férias: </p>



<p>&#8220;A gente sabe que tem manuais incríveis de outras regiões do Brasil que não tem ênfase na nossa região. Mas não é do Nordeste, então a gente quer uma coisa nossa, a gente queria trazer nao só um manual, não só uma coisa bem feita, mas um manual que tivesse nossa cultura, que tivesse nossos elementos culturais, nossa maneira de falar, nosso olhar do jornalismo para os jornalistas nordestino. Pra mostrar pra gente e para o mundo&#8221;, afirma Renata.</p>
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		<title>Diario de Pernambuco apresenta planilhas com informações erradas em audiência na Justiça do Trabalho</title>
		<link>https://marcozero.org/diario-de-pernambuco-apresenta-planilhas-com-informacoes-erradas-em-audiencia-na-justica-do-trabalho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jan 2024 22:44:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[diario de pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mídia tradicional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Trabalhar no jornal mais antigo em circulação na América Latina, como diz o surrado slogan da empresa, continua sendo uma experiência amarga para, pelo menos, quase 300 profissionais &#8211; entre funcionários, ex-funcionários e terceirizados &#8211; do Diario de Pernambuco. Desde 2017, a rotina desses trabalhadores é de luta para garantir salários e direitos trabalhistas. Essa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Trabalhar no jornal mais antigo em circulação na América Latina, como diz o surrado <em>slogan</em> da empresa, continua sendo uma experiência amarga para, pelo menos, quase 300 profissionais &#8211; entre funcionários, ex-funcionários e terceirizados &#8211; do Diario de Pernambuco. Desde 2017, a rotina desses trabalhadores é de luta para garantir salários e direitos trabalhistas. Essa história já rendeu denúncia de assédio, demissões em massa, salários atrasados, greves e protestos, e não há previsão acabar. </p>



<p>A quinta-feira, 25 de janeiro, foi mais um dia sem desfecho nessa história. O que inicialmente parecia um vislumbre de esperança para levar os entraves jurídicos a algum lugar acabou em frustração quando o desembargador Fábio Farias, no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, compreendeu que o Diario de Pernambuco levou planilhas incompletas e desatualizadas das dívidas trabalhistas acumuladas para a audiência pública para elaboração do Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT).<br><br>A audiência acabou com o desembargador determinando que os advogados do Diario organizassem corretamente a lista de credores e valores devidos.  </p>



<p>O Tribunal Superior do Trabalho define o PEPT com o “objetivo de centralizar, arrecadar e distribuir os valores devidos pelos executados. O plano visa dar efetividade às decisões judiciais e garantir a continuidade da atividade econômica, com o pagamento equânime e parcelado dos débitos trabalhistas de grandes devedores”.</p>



<p>Apesar do PEPT ter sido solicitado pelo próprio Diario de Pernambuco, a empresa não teria apresentado as informações devidas para a continuidade da proposta do Plano. Segundo Márcia Santos, advogada dos Sindicatos dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope), a lista de informações dos credores foi apresentada com irregularidades, por isso precisa ser atualizada. Entre as proposições constam também um deságio, ou seja, redução de 40% do valor total da dívida, que segundo a advogada, não faz parte do PEPT. </p>



<p>&#8220;Para solicitar o PEPT, a empresa traz uma petição inicial com os valores a pagar, tem que colocar os valores atualizados de juros futuros que não vieram, ela tem que constar o nome dos empregados, dos advogados e dos valores que também não vieram nessa lista. Quando ela dá entrada, diz como quer pagar esses valores e em quanto tempo, no caso, eles pediram para pagar em 60 meses e, depois, entraram com um aditamento para pagar em 72 meses, ou seja, em seis anos&#8221;, explica Márcia. </p>



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	                                        <p class="m-0">Ex-funcionários do Diario de Pernambuco compareceram à audiência pública no TRT-6ª Região. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>O Diario têm pendências com muitos desses trabalhadores há aproximadamente seis anos, considerando a aprovação do PEPT, serão 12 anos para receber as verbas rescisórias de direito. No plenário havia diversos jornalistas, inclusive idosos que continuam na luta. Sebastião Araújo, por exemplo, tem 69 anos, iniciou no jornal como repórter, fez carreira até o cargo de editor, posição que ocupava quando foi demitido em 2020.  </p>



<p>Consequentemente a empresa propõe que um homem prestes a completar 70 anos de idade, terá que ver seus direitos vindos de anos de trabalho serem diluídos em seis anos. &#8220;Há três anos eu vivo essa angustiante expectativa de sair esse dinheiro da ação trabalhista. Quando eu saí do jornal em 2020, saí com uma mão na frente outra atrás. Simplesmente, o RH mandou que eu procurasse a Justiça do Trabalho, uma forma de despedida nada agradável&#8221;, lamenta Sebastião que tem mais de 40 anos de jornalismo. </p>



<p>O Sinjope reforça que a grande luta é que não haja o fechamento do veículo, tendo em vista que o pagamento será ainda mais difícil, além de fechar diversos postos de trabalho, que apesar de não serem ideais, ainda mantém a subsistência de profissionais de um mercado em crise. &#8220;O sindicato quer que a empresa se mantenha de pé, mas que cumpra todos os requisitos legais. Não pode funcionar de qualquer jeito, como se pensa. Pra gente se tiver um acordo devido, que todos recebam seus direitos, é importante que se faça&#8221;, pontua Jailson da Paz, presidente do Sinjope.  </p>
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		<title>O racismo do Armazém Coral e o protesto pelo professor discriminado</title>
		<link>https://marcozero.org/o-racismo-do-armazem-coral-e-o-protesto-pelo-professor-discriminado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jan 2024 17:47:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos antirracistas]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Martihene Oliveira* Quando esta jornalista negra se dirige a fazer uma reportagem sobre racismo, nunca é só sobre o fato. É sobre quem será entrevistado, sobre as circunstâncias que se encontra a fonte principal e sobre a própria jornalista também, afinal, talvez um dos exemplos mais convincentes para a sociedade de que a imparcialidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Martihene Oliveira*</strong></p>



<p>Quando esta jornalista negra se dirige a fazer uma reportagem sobre racismo, nunca é só sobre o fato. É sobre quem será entrevistado, sobre as circunstâncias que se encontra a fonte principal e sobre a própria jornalista também, afinal, talvez um dos exemplos mais convincentes para a sociedade de que a imparcialidade jornalística é um mito é quando entrevistadores e entrevistados se parecem, comungamos no mesmo diálogo.</p>



<p>Meus olhos marejaram quando o professor Eduardo Nogueira chorou, e eu senti um arrepio imensurável, por dentro e por fora, quando conversei com seu advogado que também é negro. Ao falar sobre o caso de seu cliente, o profissional acabou me relatando algumas de suas dores em uma conversa informal. A jornalista, o professor e o advogado encontraram-se na última quarta-feira (17), nas portas do Armazém Coral Achaqui, com mais umas 50 pessoas; entre nós, alguns brancos antirracistas. Todos com a mesma bandeira: a política de atendimento a clientes e funcionários negros do Armazém Coral de materiais de construção precisa urgente ser reconstruida. Não é só responsabilizar o funcionário, é capacitá-lo para um atendimento respeitoso, que não nos constranja quando na loja entrarmos, passarmos ou sairmos, além de indenização para a vítima e de cumprimento da lei.</p>



<p>O fato se deu porque no dia 6 de janeiro deste ano, quando o professor Eduardo comprou um produto no estabelecimento, foi constrangido por funcionários a abrir sua mochila e tirar todos os seus pertences na loja da avenida Getúlio Vargas, em Bairro Novo, Olinda. “Meu sentimento é de repúdio diante da minha integridade. Nunca roubei, nem matei e nem fiz nada de errado para isso ter acontecido. Fui acusado pelo gerente e pelo segurança de ter roubado o produto da loja e eu não roubei nada”, enquanto o professor me falava, lembrei das incontáveis preocupações em manter minhas mãos sempre à mostra quando entro nas lojas com sacolas. É que a gente respira melhor quando entramos em uma loja e já lacramos a sacola, melhor do que entrarmos com ela aberta, né não?! A gente tem todos os cuidados e ainda passa por isso. Lembrei do dia em que insinuaram que eu e meu irmão teríamos furtado brincos de R$ 5,00 em uma loja de miçangas e dos relatos das irmãs Adriana e Betânia, moradoras do Córrego do Sargento, em Linha do Tiro, que ao entrarem nas lojas Americanas com seus filhos, todos retintos, ouviram o grito de uma vendedora para a outra: “Olha o baculejo!”.</p>



<p>Essas coisas que a gente fala, todo mundo sabe que acontece. Sabe, sabe sim. Ninguém é inconsciente sobre isso, nem mesmo o negro sem letramento racial, que sente dores mas não sabe de onde vem, e, se ele não sabe de onde vem, não tem diagnóstico e, se não tem diagnóstico, demora pra encontrar remédio, mas, ainda que com toda essa problemática, causada pelo roubo da nossa identidade, até ele sabe que isso sempre acontece. Aí eu pergunto a vocês: o que nos cura do racismo sofrido?</p>



<p>“Eu provei a eles que estava com a sacola da própria loja e com a nota fiscal, mesmo assim, ele queria que eu abrisse a mochila e mostrasse o produto que estava dentro dela. Eu pedi para que chamassem a polícia e chamassem também alguém de testemunha para mim. Aí apareceu Betânia e Alexandre, seu esposo, clientes da loja, que serviram de testemunhas. Foi quando eu coloquei a mochila na mesa, tirei as coisas de dentro dela e não tinha nada da loja porque eu não roubei, a não ser o produto que eu paguei e que estava com a nota fiscal”, continuou.</p>



<p>Quando chegamos ao local do ato, o Movimento Negro Unificado (MNU) estava lá, a CUT, sindicatos e diversos movimentos sociais, algumas viaturas da Polícia Militar também, o que me gerou um questionamento instantâneo sobre a pressa da PM em estar no local, e eu tendo a certeza de que não foi o nosso povo quem chamou, – pois é, se não foi a gente, a serviço de quem a PM chegou? – a pressa da PM em evitar nossa “desordem”, como “negras e negros arruaceiros” que somos, não foi a mesma para atender o professor. Algo percebido por mim e por ele, e sei que se eu entrevistasse mais pessoas, elas também comentariam sobre isso. As cinco horas de espera para ser atendido foi destaque nos jornais da TV quando esse caso ocorreu.</p>



<p>Para o professor, houve negligência no atendimento da polícia, para mim, também. “Eu achei estranho o atraso da polícia, o primeiro registro foi às 11h09, e a polícia só chegou depois das 16 horas. Se fosse o contrário? Hoje, aqui neste ato, a gente chega e tem diversas viaturas aqui, porque não tiveram essa mesma urgência para atender a minha denúncia?”, disse.</p>



<p>Nesse ato, eu vi, um estudante branco que passou correndo para pegar o ônibus, enquanto ele corria, mostrava o dedo do meio ao armazém. Do outro lado da rua, um homem branco, de cabelos escuros, nariz afilado e um relógio caro, filmava por horas o nosso protesto, por trás de uma árvore, entre as folhagens. Depois, entrou tranquilamente, sem riscos de ser agredido, passando pelo nosso grupo ao som que saía dos nossos microfones, dizendo que ele podia filmar porque não vamos recuar. Brancos constrangidos rompiam nosso motim, alguns com cara de poucos amigos e enquanto isso, funcionários negros cravavam seus pés na porta da loja, enquanto outros puxavam carros de cimento para fora e entravam com carros vazios para dentro. Foi assim durante todo o protesto.</p>



<p>O advogado da vítima, informou que teve acesso às imagens da câmera de segurança e que não há nenhum sinal que possa ser subentendido que Eduardo estaria cometendo um crime. “Ao todo, cinco pessoas foram demitidas, mas o que queremos não é a demissão dos funcionários, o segurança, por exemplo, um homem negro, exerceu seu papel conforme foi orientado pela funcionária que operava as câmeras de vigilância. Nós queremos retratação do Armazém Coral com uma política de capacitação dos funcionários e de combate à discriminação racial, bem como a indenização para o professor”, afirmou o jurista.</p>



<p>Apesar da minha parcialidade, pela ética e pelo direito de resposta do outro lado, procurei o Armazém Coral para ouví-lo, não me receberam. Eu sei! Mesmo apresentando meu DRT, não foi minha câmera que intimidou o armazém. Foi o meu black, a minha cor, o meu vestido colorido que me denunciou. Eu não estava a favor deles.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Martihene Oliveira entrevista professor vítima de racismo em Olinda. Crédito: Agência Mazella</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>*Martihene Oliveira é mulher negra, jornalista, idealizadora do Coletivo de Mídia Independente e Popular Sargento Perifa e autora do Livro-reportagem <em>Urubu Marrom &#8211; Relatos de uma jornalista da favela</em>.</strong></p>
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		<title>Longe da charge política, Clériston começa carreira como pintor aos 70 anos. E Lula é o culpado</title>
		<link>https://marcozero.org/longe-da-charge-politica-cleriston-comeca-carreira-como-pintor-aos-70-anos-e-lula-e-o-culpado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Dec 2023 13:03:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[artes visuais]]></category>
		<category><![CDATA[cartum]]></category>
		<category><![CDATA[charge]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Estou dando entrevista não por mim, mas por todas as pessoas da minha idade, ou até mais novas, que vivem a velhice apenas falando de doença e esperando a morte chegar&#8221;. O autor desta frase está prestes a completar 71 anos. Trata-se de Antônio Clériston de Andrade, nome e sobrenome conhecidos, provavelmente, apenas pelos amigos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Estou dando entrevista não por mim, mas por todas as pessoas da minha idade, ou até mais novas, que vivem a velhice apenas falando de doença e esperando a morte chegar&#8221;. O autor desta frase está prestes a completar 71 anos. Trata-se de Antônio Clériston de Andrade, nome e sobrenome conhecidos, provavelmente, apenas pelos amigos mais chegados e por centenas de estudantes de Jornalismo e Publicidade para quem deu aulas na Unicap e na UFPE durante 24 anos. O círculo de pessoas que o reconhece se torna mais amplo &#8211; e de faixa etária mais avançada &#8211; se usarmos seu nome artístico: Clériston. </p>



<p>Era assim que, da segunda metade dos anos 1970 até o fim da década seguinte, ele assinava as charges políticas publicadas pelo Diário de Pernambuco em dias alternados com outro cartunista, Lailson, morto em outubro de 2021 de covid-19. Encravadas em páginas em que senadores, deputados e governadores favoráveis à ditadura militar tinham espaço assegurado, as charges da dupla Lailson-Clériston destoavam. Piadas gráficas que ridicularizavam aqueles mesmos políticos e generais, os desenhos logo se tornaram símbolos visuais da luta pela redemocratização no estado, reproduzindo no âmbito local o que Jaguar, Millôr e Henfil faziam no Pasquim e na mídia nacional na mesma época. </p>



<p>Clériston ainda assinou charges no Jornal do Commercio, nos anos do governo Collor, e por mais 12 anos na primeira página da Folha de Pernambuco.</p>



<p>Durante a campanha que levou Lula à presidência pela terceira vez, ele abandonou definitivamente a aposentadoria e voltou a usar o nome artístico ao começar uma nova carreira: a pintura. &#8220;Matei o cartunista, agora quero ser reconhecido como pintor&#8221;.</p>



<p>O que Lula, lá em Brasília, tem a ver com as decisões pessoais e os rumos existenciais da velhice de um artista? &#8220;Durante a campanha, meu irmão Samuca [<a href="https://www.samucartum.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Samuca Andrade</a>, também cartunista] sugeriu que eu fizesse umas charges para vender na <a href="https://maumaugaleria.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">galeria MauMau</a>. Gostei da ideia, achei mais útil do que ficar arengando nas redes sociais. Era um acerto em que metade do valor da venda ficava com o artista e a outra metade seria convertida em materiais de campanha. Foi aí que vi uma moçada pintando camisas no quintal e quis aprender a fazer também&#8221;, recorda Clériston. </p>



<p>Uma de suas camisas virou objeto de desejo da militância e eleitores de esquerda. &#8220;Vendi mais de R$ 2.000 em camisas! Isso me animou, até que ouvi a pergunta que mudou minha vida: &#8216;por que você não pinta em tela?'&#8221; Da última vez em que arriscou usar uma tela, ele tinha 15 anos. E detestou. Por isso, resistiu um pouco à ideia. Mas só um pouco. </p>



<p>O autor da pergunta crucial, o artista plástico e ex-presidente da <a href="https://www.cultura.pe.gov.br/fundarpe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundarpe</a>, Fernando Duarte, deu a primeira dica: usar tinta acrílica, não tinta a óleo. &#8220;Foi amor a primeira vista, adorei a acrílica, nunca tinha usado. Adorei, ela seca rápido&#8221;, entusiasma-se Clériston, com a animação de fez uma grande descoberta aos 70 anos. Depois de incorporar a sugestão,  passou o final do ano de 2022 fazendo cursos e estudando por conta própria, pintando quadros e mais quadros &#8220;só para aprender&#8221;. Algumas dessas pinturas já nem existem mais: &#8220;pintei outras coisas por cima, sem pena&#8221;.</p>



<p>Os primeiros meses de 2023 ainda foram de aprendizado, mas ele ainda se apresentava como cartunista, desenhista ou professor aposentado. Só a família sabia de seu investimento na pintura. &#8220;Foi quando a dona da mesma galeria MauMau perguntou se conhecia alguém interessado em alugar uma salinha lá para usar como ateliê. Disse que conhecia: eu mesmo. Ela se espantou: &#8216;você? mas você é pintor desde quando?&#8217;, não era, mas quando aluguei um ateliê me atrevi e passei a me apresentar como pintor. Na minha cabeça, se tem ateliê, é pintor, porque chargista não tem ateliê&#8221;, diz, acompanhando a frase de efeito com uma risada.</p>



<p>Desde então, ele já aceitou até pintar &#8220;ao vivo&#8221;, diante do público, em um badalado bar-restaurante na zona norte. A plateia não o incomoda. Pelo contrário, ser alvo das atenções é algo que aprendeu desde cedo com o pai pastor. &#8220;Meu pai fazia uns sermões bem longos, era capaz de passar duas, três horas pregando na igreja, com os fiéis vidrados nele. Talvez eu carregue isso, pois sempre trabalhei para ser visto, inclusive como professor, que é um profissional que tem o público dele cativo na sala de aula&#8221;, especula.<br><br>Segundo ele, iniciar uma nova carreira foi mais um apelo emocional, quase um impulso, do que uma escolha racional, planejada cuidadosamente. &#8220;Nem pensei no risco de errar. Ao longo da vida, fiz mais de 20 mil desenhos, por baixo, talvez chegue a 30 mil, mas o risco de errar é maior. Quando rasgo o plástico que envolve uma tela, me sinto como aqueles atores e atrizes dos filmes da Netflix que rasgam a roupa um do outro para transar na cozinha&#8221;. As metáforas e frases de efeito do entrevistado facilitam a vida do repórter.</p>



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	                                        <p class="m-0">Clériston diz que matou o cartunista para ser pintor. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading">A charge política</h2>



<p>Quando diz que &#8220;matou o cartunista&#8221;, Clériston se refere às diferenças entre a atividade que, na juventude, o deixou famoso na militância progressista local e a pintura. A explicação é simples: agora ele já não desenha os traços e contornos antes de preencher os espaços com tinta. &#8220;Já entro direto com o pincel&#8221;. </p>



<p>No entanto, sua reputação nas artes visuais foi riscada com nanquim, caneta e lápis.<br><br>De 1976 a 1988, mais do que as manchetes da primeira página ou os títulos bem ao gosto dos políticos que davam sustentação à ditadura, o que se destacava na imprensa pernambucana eram as tiradas cheias de sarcasmo, ironia e bom humor das charges de Clériston e Lailson. Se fosse hoje, seria fácil comprovar que os desenhos da dupla receberiam mais <em>likes</em> do que as matérias destacando o prefeito biônico [como se chamavam os chefes do executivo indicados pelos militares, sem eleição] Gustavo Krause, os senadores Aderbal Jurema e Nilo Coelho ou os governadores biônicos Moura Cavalcanti e Marco Maciel.</p>



<p>Ele guarda algumas das charges originais daquele período em um grande envelope pardo. Outros 64 desenhos fazem parte de uma coletânea publicada em livro em 2016, <em>Minha verdade sobre a ditadura</em>, cada desenho acompanhado de uma crônica sobre o contexto da publicação. </p>



<p>Além disso, há as histórias para serem contadas, como a que levou o senador Aderbal Jurema a telefonar para a direção do jornal e reclamar: &#8220;a gente gasta milhões para fazer um comício, aí vem um desenhista e estraga tudo&#8221;, se referindo a uma charge em que Krause, de costas &#8211; não se vê o rosto, mas o público da época sabia de quem se tratava &#8211; fala ao microfone para um público que não é formado por gente, mas por dezenas de ônibus com a palavra &#8220;especial&#8221; no letreiro acima do vidro dianteiro.</p>



<p>&#8220;Eu e Lailson fomos proibidos pela direção do jornal de desenhar os rostos dos políticos locais e usar as siglas dos partidos. A charge que tanto incomodou o senador não tem nada disso, mas desmascarava o fato da multidão no comício governista ser de gente trazida de longe nos ônibus&#8221;, recorda Clériston.</p>



<p>Enquanto desenhava para o jornal, outro projeto pegava carona no sucesso das charges. O jornal O Rei da Notícia circulou de 1983 a 1987 com reportagens aprofundadas, crônicas e quadrinhos sobre temas que jamais teriam espaço nos veículos impressos daqueles anos finais da ditadura e de redemocratização. O tabloide acabou durante o desmantelo provocado pelos planos econômicos do governo José Sarney, o primeiro de um civil após o golpe de 1964.</p>



<p>No fim da conversa, Clériston dispara mais uma frase de efeito, na medida para encerrar este texto: &#8220;Tem gente que costuma dizer que sou inteligente por já ter feito tanta coisa na vida. A verdade é bem diferente: sou tão burro que não sei ser velho. Tenho 70, mas não consigo ser velho&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">As charges do Diário de PE se tornaram símbolos visuais da luta contra a ditadura. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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