<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos marco zero conteudo - Marco Zero Conteúdo</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/marco-zero-conteudo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/tag/marco-zero-conteudo/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 27 Mar 2024 13:47:36 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Arquivos marco zero conteudo - Marco Zero Conteúdo</title>
	<link>https://marcozero.org/tag/marco-zero-conteudo/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Marco Zero integra projeto da Repórteres sem Fronteiras de apoio ao jornalismo independente no Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/marco-zero-integra-projeto-do-reporteres-sem-fronteiras-de-apoio-ao-jornalismo-independente-no-brasil/</link>
					<comments>https://marcozero.org/marco-zero-integra-projeto-do-reporteres-sem-fronteiras-de-apoio-ao-jornalismo-independente-no-brasil/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2020 19:25:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo independente]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de expressao]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<category><![CDATA[repórter sem fronteira]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=28651</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Repórter Sem Fronteiras, organização internacional com sede em Paris, está lançando o Programa de Apoio ao Jornalismo (PAJor) com o objetivo de fortalecer a mídia independente no Brasil e promover a liberdade de imprensa. O projeto terá três anos de duração e vai contribuir com uma rede de oito veículos de comunicação espalhados por [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marco-zero-integra-projeto-do-reporteres-sem-fronteiras-de-apoio-ao-jornalismo-independente-no-brasil/">Marco Zero integra projeto da Repórteres sem Fronteiras de apoio ao jornalismo independente no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Repórter Sem Fronteiras, organização internacional com sede em Paris, está lançando o Programa de Apoio ao Jornalismo (PAJor) com o objetivo de fortalecer a mídia independente no Brasil e promover a  liberdade de imprensa. O projeto terá três anos de duração e vai contribuir com uma rede de oito veículos de comunicação espalhados por três regiões do  país. A Marco Zero Conteúdo é uma desses grupos.                   </p>



<p>A  mídia independente e plural é condição indispensável para a construção e  a consolidação da democracia em qualquer país. Não há democracia  efetiva sem uma real diversidade de vozes. O<em> </em>projeto reúne organizações de 4 estados brasileiros: <a rel="noreferrer noopener" href="https://amazoniareal.com.br/" target="_blank"><em>Amazônia Real</em></a> e <a rel="noreferrer noopener" href="https://foirn.org.br/rede-de-comunicadores-indigenas-do-rio-negro/" target="_blank"><em>Rede Wayuri</em></a> do Amazonas; <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.facebook.com/nucleodecomunicacaocaranguejouca/" target="_blank"><em>Ação Comunitária Caranguejo Uçá</em></a> e <a rel="noreferrer noopener" href="http://marcozero.org/" target="_blank"><em>Marco Zero Conteúdo</em></a>, de Pernambuco; <a rel="noreferrer noopener" href="https://datalabe.org/" target="_blank"><em>Data_labe</em></a> e <a rel="noreferrer noopener" href="https://falaroca.com/" target="_blank"><em>Fala Roça</em></a>, do Rio de Janeiro;&nbsp; <a rel="noreferrer noopener" href="https://almapreta.com/" target="_blank"><em>Alma Preta</em> </a>e <a rel="noreferrer noopener" href="http://nosmulheresdaperiferia.com.br/" target="_blank"><em>Nós, mulheres da periferia</em></a>, de São Paulo.</p>



<p>Estes oito veículos vêm exercendo papel decisivo na mobilização em torno  da defesa dos direitos humanos e na divulgação da cultura periférica &#8211;  tanto na sua diversidade de expressões culturais e artísticas, quanto  na produção de conhecimento e representação política. A atuação de  suas equipes, comumente, representa a garantia do direito à informação  confiável para camadas da população que estão à margem dos processos de  comunicação hegemônicos.  </p>



<p>No entanto, essas mídias trabalham num cenário de grande insegurança.  A polarização do debate político no país tornou seus comunicadores alvo recorrente de ataques como ameaças, assédio digital e agressões  físicas. Além disso, estes grupos têm menor visibilidade e pouco, ou  nenhum, suporte institucional em comparação com as grandes redações.</p>



<p>&#8220;<em>Na última década, mais de 40 jornalistas foram assassinados no 
Brasil. O que vemos hoje é um ambiente cada vez mais hostil à prática do
 jornalismo. Comunicadores são frequentemente ameaçados e assediados por
 estarem realizando seu trabalho, afetados diretamente por um discurso 
oficial por parte do governo que estigmatiza a profissão</em>&#8220;, ressalta Emmanuel Colombié, diretor do escritório para a América Latina da Repórteres sem Fronteiras.</p>



<p>Para combater essa situação de grande vulnerabilidade, o PAJor vai 
agir segundo uma lógica de colaboração e apoiará os veículos na 
elaboração de protocolos de segurança digital e física. Também serão 
realizadas oficinas sobre desenvolvimento institucional e 
sustentabilidade financeira, voltadas para o fortalecimento de cada 
mídia enquanto organização.&nbsp;</p>



<p>O debate sobre liberdade de expressão será transversal aos 3 anos de 
projeto, através da realização de rodas de conversas e conferências 
sobre o tema. O programa prevê ainda intercâmbios entre os grupos 
participantes e a produção de reportagens em parceria.</p>



<p><strong>#DefendingVoices</strong></p>



<p>O Programa de Apoio ao Jornalismo faz parte da iniciativa  internacional Defending Voices, desenvolvida em parceria com a  Repórteres sem Fronteiras Alemanha (<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.reporter-ohne-grenzen.de/" target="_blank">Reporter ohne Grenzen</a>) e financiada pelo Ministério da Cooperação e Desenvolvimento alemão (<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.bmz.de/de/index.html" target="_blank">Bundesministerium für wirtschaftliche Zusammenarbeit und Entwicklung &#8211; BMZ</a>). A iniciativa também inclui um braço de atuação no México organizado pela ONG <a rel="noreferrer noopener" href="https://propuestacivica.org.mx/" target="_blank">Propuesta Cívica</a>,  que implementará uma série de ações destinadas a reverter práticas e  marcos regulatórios que minam a liberdade de imprensa no país, buscando  ainda justiça e reparação de danos para jornalistas, e seus familiares,  que tenham sido vítimas de violações dos direitos humanos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Repórteres sem Fronteiras lança programa de apoio ao jornalismo independente no Brasil" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/E5TjJC3Vw0w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>Brasil e México são dois dos países mais perigosos para se praticar 
jornalismo no continente americano. O México ocupa a 143ª posição, 
enquanto o Brasil está em 107ª entre os 180 países listados no <a href="https://rsf.org/pt/classificacao">Índice Mundial de Liberdade</a> de Imprensa publicado em 2020 pela RSF.</p>



<p><strong>Saiba mais sobre os veículos de comunicação do PAJor</strong></p>



<p><a href="http://marcozero.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Marco Zero Conteúdo</em></a><br></p>



<p>Organização de Recife, fundada em 2015, que aposta na produção de 
conteúdo que dê destaque a temas de interesse público invisibilizados 
pela grande mídia. Aborda questões relacionadas aos direitos humanos, à 
democracia, a identidade, a gênero e ao direito à cidade. Suas pautas 
contemplam ainda grupos de territórios periféricos, ao falarem sobre a 
perda de direitos, a violência praticada por agentes públicos e ao 
acompanhar demandas como o direito à moradia e à livre manifestação.<br></p>


<p><!--EndFragment--></p>


<p><a href="https://www.facebook.com/nucleodecomunicacaocaranguejouca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Ação Comunitária Caranguejo Uçá</em></a></p>



<p>Desde 2002, a organização atua na Ilha de Deus, comunidade da grande 
Recife, reivindicando direitos básicos como acesso a educação e serviços
 de saúde. Comunicam suas demandas através de uma rádio comunitária, de 
um jornal exibido via internet e emissora pública, e ainda promovem 
ações culturais ligadas à cinema, teatro e música.<br></p>



<p><a href="https://almapreta.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Alma Preta</em></a></p>



<p>Agência especializada na temática racial no Brasil. Fundada em 2015, 
produz reportagens, colunas, análises, produções audiovisuais, 
ilustrações e ainda divulga eventos da comunidade afro-brasileira. Tem 
como objetivo construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e
 recursos, através de um jornalismo que evidencie as desigualdades de 
raça no país.&nbsp;<br></p>



<p><a href="https://amazoniareal.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Amazônia Real</em></a></p>



<p>Agência voltada à democratização e ao acesso à comunicação na 
Amazônia, a partir da valorização de grupos sociais que estão na 
invisibilidade ou de temas poucos explorados na mídia nacional. Desde 
2013, produzem reportagens, artigos, infográficos, fotografias e 
vídeos/documentários sobre temas como proteção ambiental; mudanças 
climáticas; povos indígenas e tradicionais; conflitos agrários; 
política; economia; migrações; e defesa dos direitos humanos, das 
crianças, dos adolescentes e das mulheres.<br></p>



<p><a href="https://datalabe.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Data_labe</em></a></p>



<p>Laboratório que trabalha paralelamente com jornalismo; formação; 
monitoramento e geração cidadã de dados. Nasceu em 2015 na favela da 
Maré e desenvolve reportagens, consultorias, relatórios analíticos, 
oficinas e eventos que levam em conta as potências e complexidades dos 
territórios populares e de seus moradores.<br></p>



<p><a href="https://falaroca.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Fala Roça</em></a></p>



<p>Jornal feito por e para moradores da Rocinha, favela carioca 
considerada a maior do Brasil. Criada em 2013, a publicação trabalha 
questões de identidade, representatividade, cultura e direitos humanos 
através da comunicação. Hoje, ampliou sua produção com narrativas em 
vídeo, sempre buscando combater visões estereotipadas do território.<br></p>



<p><a href="http://nosmulheresdaperiferia.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Nós, mulheres da periferia</em></a></p>



<p>Coletivo jornalístico formado por mulheres da periferia de São Paulo.
 Lançou-se como portal de notícias em 2014 e, hoje, atua nas mais 
diferentes plataformas de comunicação. Sua meta é construir narrativas 
mais humanas e contextualizadas, dialogando com a tríplice gênero, raça e
 classe social, tendo a periferia como território e suas moradoras como 
protagonistas.<br></p>



<p><a href="https://foirn.org.br/rede-de-comunicadores-indigenas-do-rio-negro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Rede Wayuri</em></a></p>



<p>Iniciativa que surgiu em 2017 a partir da necessidade de melhorar a 
comunicação e a circulação de notícias na região do Rio Negro. 
Mensalmente, a rede publica boletins de áudio feitos com a participação 
de comunicadores dos diversos territórios indígenas que fazem parte da 
região. Os boletins são, por muitas vezes, gravados nas línguas 
originais dos comunicadores e também traduzidos para o português.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marco-zero-integra-projeto-do-reporteres-sem-fronteiras-de-apoio-ao-jornalismo-independente-no-brasil/">Marco Zero integra projeto da Repórteres sem Fronteiras de apoio ao jornalismo independente no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/marco-zero-integra-projeto-do-reporteres-sem-fronteiras-de-apoio-ao-jornalismo-independente-no-brasil/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>2019 em fotos</title>
		<link>https://marcozero.org/2019-em-fotos/</link>
					<comments>https://marcozero.org/2019-em-fotos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2019 11:13:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[foto]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<category><![CDATA[retrospectiva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=24549</guid>

					<description><![CDATA[<p>2019 em fotos by Marco Zero Conteúdo on Exposure</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/2019-em-fotos/">2019 em fotos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<iframe class="exposure-post-embed" src="https://marcozeroconteudo.exposure.co/0efdb73239c41e621bf77d90b9ac559d?embed=true" style="width:100%;height:850px;margin-bottom:10px;border:solid 1px #ccc;border-radius:2px;"></iframe><br><a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/0efdb73239c41e621bf77d90b9ac559d">2019 em fotos</a> by <a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/">Marco Zero Conteúdo</a> on <a href="https://exposure.co" style="text-transform:uppercase">Exposure</a>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/2019-em-fotos/">2019 em fotos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/2019-em-fotos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marco Zero e Alma Preta vão dar minicurso de crítica de mídia no Festival 3i</title>
		<link>https://marcozero.org/marco-zero-e-alma-preta-vao-dar-minicurso-de-critica-de-midia-no-festival-3i/</link>
					<comments>https://marcozero.org/marco-zero-e-alma-preta-vao-dar-minicurso-de-critica-de-midia-no-festival-3i/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Oct 2019 21:30:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Institucional]]></category>
		<category><![CDATA[Alma Preta]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de mídia]]></category>
		<category><![CDATA[festival 3i]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=19170</guid>

					<description><![CDATA[<p>Os portais de jornalismo independente Marco Zero Conteúdo (PE) e Alma Preta (SP) vão ministrar juntos o workshop Leitura Critica de Mídia e Conteúdos Online na 2ª edição do Festival 3i – Inovador, Inspirador e Independente, que se realizará entre os dias 18 e 20 de outubro no Rio de Janeiro. Com duração de três [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marco-zero-e-alma-preta-vao-dar-minicurso-de-critica-de-midia-no-festival-3i/">Marco Zero e Alma Preta vão dar minicurso de crítica de mídia no Festival 3i</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os portais de jornalismo independente Marco Zero Conteúdo (PE) e Alma Preta (SP) vão ministrar juntos o workshop <strong>Leitura Critica de Mídia e Conteúdos Online</strong> na 2ª edição do Festival 3i – Inovador, Inspirador e Independente, que se realizará entre os dias 18 e 20 de outubro no Rio de Janeiro.</p>
<p>Com duração de três horas o minicurso tem o objetivo de estimular a reflexão crítica sobre a produção e a circulação de conteúdos na mídia tradicional e nas mídias digitais – no cenário de disseminação de desinformação – e sua interferência na qualidade do debate público.</p>
<p>Serão dois blocos. O primeiro terá como referência a pesquisa <strong>Narrativas Brancas, Mortes Negras</strong>, que analisa a cobertura da Folha de S. Paulo sobre as rebeliões em presídios de Manaus, Boa Vista e Natal no início de 2017. O estudo é uma parceria da Iniciativa Negra Por uma Nova Política Sobre Drogas (INNPD), Centro de Estudo Latino Americano Sobre Cultura e Comunicação (CELACC-USP), Ponte Jornalismo e Alma Preta.</p>
<p>No segundo bloco, serão debatidos o contexto político da difusão de desinformação nas plataformas digitais e as formas de sua propagação. Com os exemplos do caso Marielle, da eleição de 2018 e do governo Bolsonaro, quando a desinformação passa a compor o modelo de comunicação oficial. Serão evidenciados também os desafios da produção de conteúdo jornalístico no ambiente hiperconectado.</p>
<p>O workshop, que acontecerá entre as 14h e 17h do dia 18 de outubro, será ministrado pelos jornalistas Laércio Portela e Pedro Borges.</p>
<p>Laércio Portela é co-fundador da Marco Zero Conteúdo. Trabalhou no Jornal do Commercio e no Diario de Pernambuco. Em Brasília, atuou na comunicação do Ministério da Saúde e da Presidência da República. Assina o argumento da série de TV Vulneráveis, que conta o impacto humano de grandes obras no interior de Pernambuco, e é co-roteirista do documentário Bora Ocupar, sobre as ocupações secundaristas nas escolas públicas do Recife em 2016.</p>
<p>Pedro Borges é co-fundador e editor chefe do Alma Preta. Jornalista formado pela UNESP, compõe a Rede de Jornalistas das Periferias, é colunista da Mídia Ninja e do Do Lado de Cá. Pedro também é da Coalizão Negra por Direitos.</p>
<p>As incrições para o Festival 3i e os nove workshops que serão oferecidos podem ser feitas pelo <a href="https://bit.ly/2kwM30Y">Sympla</a>.</p>
<p>O primeiro dia do Festival será dedicado exclusivamente aos workshops, ministrados pelas entidades que fazem parte do Conselho Curador do 3i (Agência Pública, Congresso em Foco, Énois, Jota, Marco Zero Conteúdo, Nexo, Nova Escola, Poder360, Ponte Jornalismo, Projeto #Colabora e Repórter Brasil).</p>
<p>Além da Leitura Crítica de Mídia, haverá cursos de Fact-cheking, Lei de Acesso à Informação, Cobertura de Protestos, Como Escrever um Projeto, Podcast, Segurança Digital para Jornalistas, Como Fazer Vídeos para Online e Iniciação à Reportagem Investigativa.</p>
<p><strong>DIVERSIDADE</strong></p>
<p>O sábado e o domingo serão dedicados a mesas de discussão e exposições. Jornalistas de oito países estarão reunidos para discutir os desafios e o futuro do jornalismo no Brasil e no mundo.</p>
<p>A jornalista Carol Monteiro, co-fundadora da Marco Zero Conteúdo, vai mediar a mesa <strong>Quem tem voz nas redações?</strong>, que discutirá como as organizações digitais trabalham internamente com suas equipes e quais os desafios para ampliar a diversidade nas redações. Participarão do debate um representante do Coletivo La Garganta Poderosa, da Argentina; Andre Santana, da Midia Étnica e Correio Nagô, de Salvador; e Paula Cesarino Costa, editora de Diversidade da Folha de S.Paulo.</p>
<p>Carol Monteiro é doutora em Design pela Universidade Católica de Pernambuco e coordena o primeiro curso de pós-graduação em Jornalismo Independente, também na Unicap. Atuou durante 17 anos na redação do Diario de Pernambuco, onde foi repórter, editora-assistente e Editora de Internet até o início de 2015. É presidenta do Conselho Diretor da Marco Zero.</p>
<p>Entre os convidados internacionais da 2ª edição do Festival 3i estarão os jornalistas Glenn Greenwald (The Intercept Brasil), Maria Teresa Ronderos (Centro Latioamericano de Investigación Periodistica ), Millie Trans (New York Times &#8211; EUA) Esther Alonso (El Diario – ES), Giannina Segnini (Universidade de Columbia), Tania Montalvo (Animal Politico &#8211; MEX), Ariel Merpet (Chequeado &#8211; ARG), Nelly Amancio (Ojo Politico – Peru) e Darryl Holliday (City Bureau – EUA).</p>
<p>Todos os ingressos para o Festival 3i dão direito à participação nas mesas do sábado e do domingo, além da palestra de abertura na sexta-feira à noite. Para participar dos workshops é necessário comprar um ingresso especial que dá direito à inscrição em uma das nove oficinas. Cada uma delas tem 25 vagas. A escolha do workshop deve ser feita no ato da compra, pela plataforma de venda de ingressos.</p>
<blockquote><p><strong>Serviço</strong><br />
O que: Festival 3i<br />
Data: 18, 19 e 20 de outubro de 2019<br />
Local: Fundição Progresso – Rua dos Arcos, 24 – Centro – Rio de Janeiro.<br />
Ingressos (R$ 320,00 e R$ 185 (inclui um workshop), R$ 270 e R$ 135.</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marco-zero-e-alma-preta-vao-dar-minicurso-de-critica-de-midia-no-festival-3i/">Marco Zero e Alma Preta vão dar minicurso de crítica de mídia no Festival 3i</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/marco-zero-e-alma-preta-vao-dar-minicurso-de-critica-de-midia-no-festival-3i/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marco Zero e artistas presenteiam leitores no aniversário de 4 anos do coletivo</title>
		<link>https://marcozero.org/marco-zero-e-artistas-presenteiam-leitores-no-aniversario-de-4-anos-do-coletivo/</link>
					<comments>https://marcozero.org/marco-zero-e-artistas-presenteiam-leitores-no-aniversario-de-4-anos-do-coletivo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2019 20:30:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[campanha]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<category><![CDATA[sorteio]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=15883</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Marco Zero quer te mostrar mais conteúdo diretamente através dos Stories do Instagram, para você ver mais jornalismo investigativo e independente de forma rápida pelo seu celular. Chega de “link na bio”. Para conseguir o recurso de link na plataforma (botão “saiba mais”, aquele que você arrasta para cima), a nossa conta tem que [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marco-zero-e-artistas-presenteiam-leitores-no-aniversario-de-4-anos-do-coletivo/">Marco Zero e artistas presenteiam leitores no aniversário de 4 anos do coletivo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Marco Zero quer te mostrar mais conteúdo diretamente através dos Stories do Instagram, para você ver mais jornalismo investigativo e independente de forma rápida pelo seu celular. Chega de “link na bio”. Para conseguir o recurso de link na plataforma (botão “saiba mais”, aquele que você arrasta para cima), a nossa conta tem que atingir 10 mil seguidores.</p>
<p>Para isso, precisamos da sua ajuda e vamos te presentear no dia da comemoração dos quatro anos de vida do nosso coletivo. No dia 14 de junho, a gente celebra mais um ano de trabalho na produção de matérias aprofundadas e de interesse público. Vai ter link nos Stories, vai ter presente e vai ter festa.</p>
<p>Um grupo de artistas, escritoras e escritores que apoiam a MZ também está nessa missão e se juntou para sortear livros, camisetas e gravuras. A festa e a entrega dos presentes vão ser no Forró de Seu Vital, no Poço da Panela, na Zona Norte do Recife. Porque somos nordestinos e nada melhor do que comemorar com forró às vésperas do São João.</p>
<p>Faremos quatro sorteios, um por semana. Basta seguir a Marco Zero Conteúdo no Instagram, curtir a imagem do sorteio da semana e marcar três amigos ou amigas. E aí vamos nessa? Acesse nosso Instagram (<a href="https://www.instagram.com/stories/marcozeroconteudo/">@marcozeroconteudo</a>) e confira todos os detalhes.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marco-zero-e-artistas-presenteiam-leitores-no-aniversario-de-4-anos-do-coletivo/">Marco Zero e artistas presenteiam leitores no aniversário de 4 anos do coletivo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/marco-zero-e-artistas-presenteiam-leitores-no-aniversario-de-4-anos-do-coletivo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como a ditadura impediu o Nobel da Paz que Dom Hélder ganharia</title>
		<link>https://marcozero.org/como-a-ditadura-impediu-o-nobel-da-paz-que-dom-helder-ganharia/</link>
					<comments>https://marcozero.org/como-a-ditadura-impediu-o-nobel-da-paz-que-dom-helder-ganharia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Mar 2019 15:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Jornalismo Crônico]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[dom helder]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<category><![CDATA[nobel da paz]]></category>
		<category><![CDATA[premio]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=1621</guid>

					<description><![CDATA[<p>No dia 20 de outubro de 1971, um nome aparecia como franco favorito para ganhar o Prêmio Nobel da Paz, que seria anunciado em Oslo, na Noruega: Dom Hélder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife. Conhecido internacionalmente pela denúncia que vinha fazendo das torturas e crimes cometidos pela ditadura, que tomara o poder em 1964, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/como-a-ditadura-impediu-o-nobel-da-paz-que-dom-helder-ganharia/">Como a ditadura impediu o Nobel da Paz que Dom Hélder ganharia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 20 de outubro de 1971, um nome aparecia como franco favorito para ganhar o Prêmio Nobel da Paz, que seria anunciado em Oslo, na Noruega: Dom Hélder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife.</p>
<p>Conhecido internacionalmente pela denúncia que vinha fazendo das torturas e crimes cometidos pela ditadura, que tomara o poder em 1964, Dom Helder sabia, através de contatos internacionais, que estava no páreo. Em uma de suas famosas Circulares Conciliares, cartas que escrevia aos colaboradores mais próximos, geralmente na solidão das madrugadas em seu quarto, comentou sobre seus sentimentos.</p>
<p>“Tenho que admitir a hipótese da loteria sair para o Recife. Na hipótese do faz de conta, o Nobel só valeria na medida em que ajudasse a marcha das ideias, que não são apenas minhas, mas nossas!” Após uma enorme expectativa internacional, foi anunciado o vencedor. Por três votos a dois, o Nobel de 1971 foi para o chanceler alemão Willy Brandt do Partido Social Democrata. Mais um voto, e o arcebispo brasileiro teria vencido, ganhando uma projeção mundial.</p>
<p>A derrota, no entanto, teve um motivo fundamental – uma batalha feroz nos bastidores da diplomacia e da cúpula da ditadura brasileira, que contou com uma rede de apoios, intimidação a empresários noruegueses, reuniões entre embaixadores e a criação de um dossiê para influenciar a decisão do Comitê do Prêmio. O trabalho incansável, especialmente do embaixador brasileiro em Oslo, Jayme de Souza Gomes, acabou dando resultados.</p>
<p>Em 29 de outubro de 1970, num ofício secreto, ele já comemorara um feito:</p>
<p>“Acredito que, cercada do maior cuidado e sigilo, esta Embaixada, embora sem efetuar qualquer gestão oficial, pôde contribuir para o afastamento, pelo menos este ano, da candidatura de Dom Helder Câmara ao Prêmio Nobel da Paz”.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/Tore-Munck-19710001.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft size-medium wp-image-1625" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/Tore-Munck-19710001-224x300.jpg" alt="Tore Munck 19710001" width="224" height="300"></a>No ofício, ele cita a “campanha jornalística” realizada na Noruega contra a primeira candidatura do arcebispo brasileiro. Ele cita um personagem que teria papel de destaque tanto naquele ano, quanto nos seguintes: Tore Munck, um dos diretores da Munck do Brasil S.A, que tinha duas fábricas de guindastes em São Paulo. Além disso era diretor de jornais em Oslo e Bergen.</p>
<p>Munck, relata Jayme, colheu “farto material” em suas viagens ao Brasil sobre a “vida pregressa” de Dom Helder graças às relações que mantinha com Júlio Mesquita Neto, diretor e proprietário do jornal O Estado de São Paulo.</p>
<p>Na volta a Oslo, encarregou um de seus jornais, o Morgenposte, a polemizar com o brasileiro, que já era citado como “sendo o mais provável ganhador do Prêmio Nobel da Paz deste ano”. O jornalista escalado foi Alrild Lilleb.</p>
<p>Um dos artigos do jornalista tinha como manchete “Prêmio da Paz para ex-fascista”, e foi encaminhado ao governo brasileiro com tradução.</p>
<p>“Teve decisiva influência junto à Comissão do Parlamento norueguês, havendo sido até anexado ao respectivo dossier”, comenta o embaixador brasileiro, que em alguns documentos assinava como J. de Souza-Gomes. O artigo era ilustrado com uma fotografia, da época em que Dom Hélder fora integrante da Ação Integralista Brasileira.</p>
<p>Para concluir o sucesso da operação para barrar o arcebispo em 1970, Tore Munck teria conversado com Sjur Sandebaekke, diretor do Bergens Private Bank, novo membro da Comissão do Nobel, alertando-o para a “má repercussão que teria a vitória de Dom Helder nos meios políticos brasileiros”, pela sua atitude de “acintosa, sistemática e injusta crítica ao atual governo do Brasil”.</p>
<p>Jayme informa que a opinião de Munck foi retransmitida por Sjur aos demais membros da Comissão, se tornando “um fator de grande valia que prevaleceu na indicação final do nome do Dr. Norman Ernest Borlaug”, como o vencedor de 1970.</p>
<p>O persistente Jayme manda telegrama à Secretaria das Relações Exteriores em 30 de dezembro de 1970, e alerta para um desafio ainda maior: a premiação de 1971.</p>
<p>“A candidatura de Dom Helder Câmara ao Prêmio Nobel da Paz de 1971 aumenta de vulto à proporção que se aproxima a data da escolha final, só encontrando, aparentemente, um nome que lhe oponha – o do Chanceler Willy Brandt”, diz em ofício datado de 25 de maio de 1971.</p>
<p>Uma nova arma seria utilizada: a monografia “A dialética política de Dom Hélder Câmara”, produzida por Felix A. Morlion, por intermédio do então embaixador Roberto Campos, entregue pessoalmente pelo “incansável colaborador da nossa campanha, senhor Tore de Albert Munck”.<br />
No mesmo ofício, Jayme informa que iria entregar o estudo para “membros da Comissão Nobel do Parlamento Norueguês”, e já tinha determinado, de imediato, a multiplicação mimeográfica do trabalho.</p>
<p>Por fim, uma indicação de como deveria ser o “programa de ação” para tirar o Nobel de Dom Helder – as ações deveriam se concentrar no aspecto econômico-social. Naquele momento, o Brasil era o país estrangeiro com o qual a Noruega tinha mais investimentos, e que o governo norueguês havia dado “garantia à aplicação de parte desses capitais através do projeto Borrregard”.</p>
<p>A lógica era simples. Se fosse projetado mundialmente com o Prêmio, o brasileiro ajudaria a “concorrer para a formação de um ambiente político-social que venha a por em risco os capitais estrangeiros”, entre os quais se encontravam os noruegueses. Dois exemplos eram citados para esse “ambiente”: Cuba e o Chile. A batalha para 1971 estava apenas começando.</p>
<h1>100 laudas</h1>
<p>Todos os detalhes dos bastidores que impediram Dom Helder de ganhar o Prêmio Nobel da Paz, de 1970 a 1973, foram relatados com uma impressionante riqueza de detalhes e cópias de documentos oficiais, pela Comissão Estadual da Memória e da Verdade Dom Hélder Câmara. A partir de documentos obtidos diretamente com o Itamaraty, a Comissão reconstituiu todo o caminho escolhido, através de canais diplomáticos e políticos, para denegrir a imagem de Dom Helder e evitar o prêmio.</p>
<p>Cadernos da memória e verdade – volume 4 &#8211; Prêmio Nobel da Paz – a atuação da ditadura militar brasileira contra a indicação de Dom Helder Câmara, tem 230 páginas. A tramoia dos militares, no entanto, é contada em apenas 64 páginas. O restante da publicação é composto da reprodução de documentos oficiais e secretos.</p>
<p>O novelo começou a ser desatado em agosto de 2014, quando os membros da Comissão que investigam as violações de direitos humanos nos meios religiosos, Manoel Moraes, Nadja Brayner e Henrique Mariano, foram ao Itamaraty. Queriam confirmar uma série de suspeitas, especialmente sobre a premiação do Nobel de 1971. Falaram com Alexandre Peña Ghislen, diretor do departamento de recursos humanos e temas sociais.</p>
<p><div id="attachment_1626" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/manoel-moraes.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1626" class="size-medium wp-image-1626" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/manoel-moraes-300x169.jpg" alt="Manoel Moraes/Reprodução" width="300" height="169"></a><p id="caption-attachment-1626" class="wp-caption-text">Manoel Moraes/Reprodução</p></div></p>
<p>“A gente teve notícia de que houve uma operação contra Dom Hélder, para ele não ganhar o Nobel da Paz em 1971. O que vocês têm nos arquivos do Itamaraty sobre isso?”, perguntou Moraes, um dos autores do livro.</p>
<p>“Esse tipo de ação, ninguém deixa por escrito. Se fizeram mesmo isso, dificilmente vai ter registro”, respondeu Alexandre, que ficou de verificar os arquivos do Itamaraty. Um mês depois, Manoel recebe um telefonema. Era Alexandre.</p>
<p>“A gente encontrou o que vocês estão procurado”, disse.</p>
<p>“Sério?’”, respondeu Manoel.</p>
<p>“Sério. E é um material bem denso”.</p>
<p>Em dezembro, Manoel recebeu em casa um pacote com 100 laudas, já organizadas por ordem alfabética. Dos 50 documentos iniciais disponíveis, a Comissão passou a trabalhar com 200.<br />
Como em muitos momentos históricos, alguns burocratas acabam tendo uma importância que somente o tempo vai revelar. É o caso do obstinado Jayme de Souza Gomes.</p>
<p>O embaixador conta, a cada ofício, todos os caminhos escolhidos para influenciar os cinco jurados do Nobel.</p>
<p>“A meu ver, ele foi decisivo”, avalia Manoel.</p>
<p><a href="http://200.238.101.22/docreader/docreader.aspx?bib=Nobel&amp;pasta=Premio%20Nobel%20da%20Paz" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Clique para ver a publicação do Cadernos da Memória na íntegra</a></p>
<p><a href="http://200.238.101.22/docreader/docreader.aspx?bib=DOMHEL&amp;pasta=DOM%20HELDER%20C%C3%82MARA" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Clique para ver o prontuário completo de Dom Helder Câmara, produzido pelo DOPS/PE</a></p>
<p><a href="http://www.cepedocumento.com.br/comissao-verdade.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Clique para ver todos os documentos disponibilizados pela Comissão da Verdade</a></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/como-a-ditadura-impediu-o-nobel-da-paz-que-dom-helder-ganharia/">Como a ditadura impediu o Nobel da Paz que Dom Hélder ganharia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/como-a-ditadura-impediu-o-nobel-da-paz-que-dom-helder-ganharia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Marco Zero é finalista do Prêmio CNH de Jornalismo</title>
		<link>https://marcozero.org/marco-zero-e-finalista-do-premio-cnh-de-jornalismo/</link>
					<comments>https://marcozero.org/marco-zero-e-finalista-do-premio-cnh-de-jornalismo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Oct 2018 18:46:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio de jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[salgueiro]]></category>
		<category><![CDATA[the intercept brasil]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=11314</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Marco Zero Conteúdo está na final do 25º Prêmio CNH de Jornalismo. O trabalho &#8220;Salgueiro, a cidade que ficou no meio do caminho&#8220;, da repórter Mariama Correia, concorre na categoria Transporte.&#160; A&#160;reportagem conta como Salgueiro, no Sertão pernambucano, foi do auge ao declínio econômico a partir da interrupção de grandes obras federais, sobretudo da [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marco-zero-e-finalista-do-premio-cnh-de-jornalismo/">Marco Zero é finalista do Prêmio CNH de Jornalismo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Marco Zero Conteúdo está na final do 25º Prêmio CNH de Jornalismo. O trabalho &#8220;<a href="http://marcozero.org/salgueiro-a-cidade-que-ficou-no-meio-do-caminho/">Salgueiro, a cidade que ficou no meio do caminho</a>&#8220;, da repórter Mariama Correia, concorre na categoria Transporte.&nbsp; A&nbsp;reportagem conta como Salgueiro, no Sertão pernambucano, foi do auge ao declínio econômico a partir da interrupção de grandes obras federais, sobretudo da Ferrovia Transnordestina.</p>
<p>Realizada em uma parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o The Intercept Brasil, a reportagem foi publicada simultaneamente por ambos os veículos de jornalismo independente em maio deste ano.</p>
<p>Este ano o Prêmio CNH bateu o recorde histórico de 675 reportagens inscritas em todo o país.&nbsp;Este ano, a tradicional premiação também conta com uma novidade: a inscrição de fotografias, que contou com 364 trabalhos para avaliação. Uma equipe de jornalistas e fotógrafos experientes selecionou<a href="http://www.media.latam.cnhind.com/pagina/352/visualizarelease.aspx?codigo=NTUzMA=="> 40 reportagens e 12 fotografias </a>&nbsp;finalistas por sua excelência jornalística, qualidade, criatividade e contribuição para a sociedade. Na lista figuram trabalhos de destaque que abordaram assuntos relevantes dentro das quatro categorias: Agronegócio, Macroeconomia, Construção e Transporte.</p>
<p style="color: #2b383b;">Agora, os vencedores serão selecionados pela Comissão Julgadora, composta por jornalistas, economistas, acadêmicos, especialistas e representantes de associações e órgãos públicos e privados. A entrega dos prêmios acontece no dia 22 de novembro.</p>
<h2><strong>Sobre o Prêmio CNH Industrial de Jornalismo</strong></h2>
<p>Há 25 anos, o Prêmio CNH Industrial de Jornalismo prestigia e reconhece os profissionais que explicam e traduzem as informações econômicas e sociais que acontecem no Brasil e no mundo. Assim, tornou-se, nestas mais de duas décadas, uma das premiações mais respeitadas do setor, com muita credibilidade e grande prestígio no meio jornalístico.</p>
<p>O Prêmio mantém as categorias trabalhadas na última edição e, de forma inédita, premiará também as melhores fotografias publicadas em veículos de comunicação. Dessa forma, continuará a reconhecer reportagens econômicas e também fotografias que abordam os segmentos de atuação da CNH Industrial, com o objetivo de valorizar e reforçar a importância de cada um deles para o desenvolvimento do Brasil. São elas: Agronegócio, Macroeconomia, Construção e Transporte.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/marco-zero-e-finalista-do-premio-cnh-de-jornalismo/">Marco Zero é finalista do Prêmio CNH de Jornalismo</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/marco-zero-e-finalista-do-premio-cnh-de-jornalismo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Projeto da Marco Zero é selecionado em edital de jornalismo independente</title>
		<link>https://marcozero.org/projeto-da-marco-zero-e-selecionado-em-edital-de-jornalismo-independente/</link>
					<comments>https://marcozero.org/projeto-da-marco-zero-e-selecionado-em-edital-de-jornalismo-independente/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Nov 2017 22:39:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[edital jornalismo independente]]></category>
		<category><![CDATA[Fundo Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://marcozero.org/?p=5873</guid>

					<description><![CDATA[<p>O Fundo Brasil divulgou nesta segunda-feira (13) o resultado do edital “Jornalismo Investigativo e Direitos Humanos”, lançado em junho deste ano para estimular a produção de reportagens que contem histórias relevantes e contribuam para melhorar a compreensão da sociedade sobre violações de direitos humanos. A fundação recebeu 300 propostas e 18 foram selecionadas para receber [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/projeto-da-marco-zero-e-selecionado-em-edital-de-jornalismo-independente/">Projeto da Marco Zero é selecionado em edital de jornalismo independente</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #6c7984;">O Fundo Brasil divulgou nesta segunda-feira (13) o resultado do edital “Jornalismo Investigativo e Direitos Humanos”, lançado em junho deste ano para estimular a produção de reportagens que contem histórias relevantes e contribuam para melhorar a compreensão da sociedade sobre violações de direitos humanos.</p>
<p style="color: #6c7984;">A fundação recebeu 300 propostas e 18 foram selecionadas para receber o apoio. Os apoiados e apoiadas são: Manuela Regina Tecchio; Clarissa de Oliveira Pinto Levy; Júlia Rohden Ramos; Escola de Jornalismo da Énois; Cláudia Campelo Tavares; Marco Zero Conteúdo; Articulação de Movimentos do Centro Antigo de Salvador; Coletivo Nós, mulheres da periferia; Data_Labe; De Olho nos Ruralistas; Gizele de Oliveira Martins; Ponte Jornalismo; Juliana Tinoco; Livre.jor; Walter Teixeira Lima Junior; Fronteira – Agência de Jornalismo; Jornal A Sirene; Everton Dantas Beserra.</p>
<p style="color: #6c7984;">O edital é realizado por meio de uma parceria do Fundo Brasil com a Fundação Ford, a Fundação Open Society e a Clua (Climate and Land Use Alliance). Serão destinados R$ 680 mil para apoiar os projetos – cinco deles estão relacionados a questões de violação de direitos socioambientais. Cada projeto receberá até R$ 40 mil para realizar a reportagem no período de um ano.</p>
<p style="color: #6c7984;">A seleção foi feita por um comitê independente, formado por especialistas. O comitê identificou os projetos a serem apoiados e depois os apresentou à governança do Fundo Brasil, responsável pela decisão final.</p>
<p style="color: #6c7984;">O comitê foi formado por Bianca Santana, jornalista, escritora e doutoranda em Ciência da Informação na Escola de Comunicações e Artes da USP; João Brant, militante das áreas de comunicação e cultura, um dos fundadores do Intervozes e ex-secretário executivo do Ministério da Cultura; e Cristiane Fontes, jornalista e consultora, mestre em mídias interativas, com experiência no ISA – Instituto Socioambiental, na embaixada britânica e a primeira coordenadora da Clua no Brasil.</p>
<p style="color: #6c7984;">“Conseguimos abranger o território nacional e uma diversidade grande de proponentes”, analisou Bianca após a seleção. “De fato o jornalismo investigativo pode ser um caminho importante para comunicar as violações e as resistências que têm acontecido pelo Brasil e para a gente se fortalecer para o que vem”.</p>
<p style="color: #6c7984;">Foram analisadas propostas de jornalistas experientes e novatos; e indivíduos e coletivos de todas as regiões brasileiras.</p>
<p><div id="attachment_5875" style="width: 1034px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/Fundo-brasil-seleção.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5875" class="wp-image-5875 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2017/11/Fundo-brasil-seleção.jpg" alt="Fundo brasil seleção" width="1024" height="575"></a><p id="caption-attachment-5875" class="wp-caption-text">Reunião do comitê de seleção com governança do Fundo Brasil para selecionar projetos (Crédito: Simone Nascimento)</p></div></p>
<p style="color: #6c7984;">“O conjunto das propostas selecionadas reflete uma diversidade importante”, disse Brant. “É importante jogar luz sobre cenários que são muitas vezes entendidos de forma genérica, mas que na prática não conhecemos. Mostrar quem são os sujeitos dessas histórias, o que eles pensam”.</p>
<p style="color: #6c7984;">Os principais critérios para a seleção foram relevância e estruturação da pauta; pré-apuração; qualidade e diversidade das fontes; plano de disseminação; importância da reportagem para melhor compreensão de determinados temas; diversidade temática e regional; diversidade de perfis; e novas formas de apresentar a reportagem.</p>
<p style="color: #6c7984;">Devido ao caráter sigiloso da apuração jornalística, os detalhes dos projetos serão divulgados apenas após a conclusão dos mesmos.</p>
<p style="color: #6c7984;"><strong>Fundo Brasil</strong></p>
<p style="color: #6c7984;">O Fundo Brasil é uma fundação independente, sem fins lucrativos. É um elo entre doadores e organizações locais. Oferece apoio financeiro e técnico a essas organizações, para viabilizar projetos de defesa e promoção de direitos humanos. São iniciativas que empoderam pessoas e fortalecem a sociedade civil.</p>
<p style="color: #6c7984;">A fundação atua para que integrantes de grupos vulneráveis e vítimas de violações possam ser protagonistas de suas próprias causas, ampliando suas vozes para defendê-las.</p>
<p style="color: #6c7984;">O Fundo Brasil tem ainda o objetivo de dar visibilidade ao papel das organizações na defesa dos direitos humanos. É também dessa forma que contribui para transformar realidades de violação e para o fortalecimento da democracia.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/projeto-da-marco-zero-e-selecionado-em-edital-de-jornalismo-independente/">Projeto da Marco Zero é selecionado em edital de jornalismo independente</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/projeto-da-marco-zero-e-selecionado-em-edital-de-jornalismo-independente/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As razões da Moura Dubeux</title>
		<link>https://marcozero.org/as-razoes-da-moura-dubeux/</link>
					<comments>https://marcozero.org/as-razoes-da-moura-dubeux/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carlos Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2016 12:20:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[balanco contabil moura dubeux]]></category>
		<category><![CDATA[construtora Moura Dubeux]]></category>
		<category><![CDATA[Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<category><![CDATA[Moura Dubeux]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://beta.marcozero.org/?p=1881</guid>

					<description><![CDATA[<p>O estudo do balanço financeiro da Moura Dubeux nos últimos anos explica ao menos em parte, embora não justifique, a agressividade da empresa na campanha por tornar realidade o Projeto Novo Recife, que prevê a construção de 12 torres de até 40 andares em área histórica da cidade. A construtora, principal empresa do consórcio que [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-razoes-da-moura-dubeux/">As razões da Moura Dubeux</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O estudo do balanço financeiro da Moura Dubeux nos últimos anos explica ao menos em parte, embora não justifique, a agressividade da empresa na campanha por tornar realidade o Projeto Novo Recife, que prevê a construção de 12 torres de até 40 andares em área histórica da cidade. A construtora, principal empresa do consórcio que pretende edificar o empreendimento no cais José Estelita, passa por uma situação preocupante e delicada em suas contas e na sua operação.</p>
<p>Nessas circunstâncias, não é equivocado considerar que a venda das 12 torres projetadas representam um alívio de caixa para a empresa. O contexto econômico, por outro lado, avisa dificuldade que será negociar a venda do empreendimento.</p>
<p>O quadro geral da contabilidade da empresa permite confirmar a crise geral que se abate sobre o setor da construção civil no país. É que nos últimos dois anos o mercado imobiliário brasileiro vem passando por uma virada com toques dramáticos. Essa mudança se refere basicamente a um processo de desaceleração: queda de vendas, aumento de estoques, redução nos lançamentos, juros mais altos, disparada dos distratos, maior desemprego no setor, etc. “Nesse quadro, muitas empresas do setor de construção e incorporação estão muito endividadas e precisam se desfazer urgentemente dos imóveis que construíram para quitarem débitos”, afirmou o proprietário de uma grande construtora local que pediu sigilo.</p>
<p>Em números: nos últimos 12 meses o preço dos imóveis em 20 cidades brasileiras subiu apenas 0,53% quando se leva em conta o índice FipeZap. Essa é a menor variação desde 2008. Por outro lado, a inflação medida pelo IPCA deve ficar na casa dos 9,5% no mesmo período, segundo o Boletim Focus do Banco do Brasil. Assim, considerando o efeito da inflação, é uma queda média real de 8,1% no preço de imóveis.</p>
<p>O setor registrou, no último trimestre encerrado em janeiro de 2016, uma queda de 14,8% nos lançamentos frente ao mesmo período de 2015. Os indicadores de vendas (-16,6%), e, principalmente, de entregas (-39,2%) também recuaram na mesma base de comparação. Segundo a consultoria ITC, as obras residenciais receberam aportes de US$ 39,42 bilhões em 2015 – o que já representou uma diminuição de 19,6% em relação a 2014.</p>
<p>“Nessas circunstâncias acho difícil o consórcio (Novo Recife) conseguir vender todo o projeto. A economia está mais frágil, o comprador está inseguro e as empresas endividadas”, afirma a mesma fonte.</p>
<p>Por outro lado, os balanços financeiros da Moura Dubeux também explicitam o modelo em que esse setor da economia em especial se apóia para continuar a produzir e circular riqueza.</p>
<p>Resolvemos ir a fundo na análise contábil das contas da Moura Dubeux no período que vai de 2010 a 2015, num conhecido caminho de investigação: saber por onde circula o dinheiro. Ou por onde deveria circular. Esse esforço de análise se justifica: a construtora tornou-se nos últimos anos um personagem importante do cenário de mudanças pelo qual a cidade do Recife passa, sendo acusada de interferir diretamente na formulação de políticas públicas e/ou intercedido nas <a href="http://marcozero.org/o-recife-tem-dono/">atividades de funcionários públicos</a>.</p>
<p>Seguindo essa tese, o interesse público vem sofrendo intervenções guiadas pelo vetor do interesse privado. Então é razoável afirmar que é importante conhecer melhor esse ator do cenário político e econômico. Como a empresa é de capital aberto e tem ações cotadas na bolsa de valores, <a href="http://www.econoinfo.com.br/financas-e-mercados/demonstracoes?codigoCVM=21067">suas contas são disponíveis</a> publicamente justamente para a discussão pública, o que fazemos aqui.</p>
<p>O trabalho foi feito em parceria com um professor pesquisador de uma instituição de ensino Federal da área de economia, especializado em certificações financeiras e formação em Finanças e que atua em outro estado da federação. O profissional prefere não se identificar.</p>
<h1>Liquidez</h1>
<p>A informação que corre a boca miúda na cidade Maurícia é que empresa estaria com sérios problemas financeiros. Até agora não se sabia da veracidade e extensão dessa informação. De fato, a empresa vem passando por dificuldades. Mas cabe detalhar de que tipo e como vem-se tentando resolver essa questão. O estudo do balanço financeiro da empresa também revela que a maior parte do lucro bruto é formado pelo resultado de receitas oriundas de investimentos em empresas <a href="http://www.econoinfo.com.br/governanca-corporativa/grupo-economico?codigoCVM=21067" target="_blank" rel="noopener noreferrer">coligadas</a> e controladas e que se transformaram em receita – e não da venda de imóveis. Veja a lista das empresas controladas e coligadas nesse <a href="http://www.econoinfo.com.br/governanca-corporativa/grupo-economico?codigoCVM=21067" target="_blank" rel="noopener noreferrer">link</a>.</p>
<p>Isso aconteceu em todos os anos da série dos balanços analisados (2010 a 2015). De acordo com o profissional que analisou as contas da empresa, “o fluxo de caixa gerado com o negócio Construtora Moura Dubex é negativo, ou seja, sai mais dinheiro do que entra de suas operações de venda. Este caixa gerado está negativo desde 2011”.</p>
<p>Um dos problemas mais evidentes nos indicadores contábeis é a liquidez, que indica a capacidade de uma determinada empresa quitar suas dívidas. A liquidez imediata representada no gráfico abaixo indica a quantidade de dinheiro que a empresa dispõe imediatamente em caixa para quitar suas dívidas de curto prazo. Na prática, indica quantidade de Reais que a empresa dispõe de imediato para saldar cada R$ 1,00 de suas dívidas. A tendência desejável é que o índice seja ascendente.</p>
<p><script id="infogram_0_liquidez-99094605" title="liquidez" src="//e.infogr.am/js/embed.js?LPX"></script></p>
<div style="padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;"><a style="color: #989898!important; text-decoration: none!important;" href="https://infogr.am/liquidez-99094605" target="_blank" rel="noopener noreferrer">liquidez</a></div>
<p>Seguindo esse conceito, em 2010 a empresa tinha R$ 8,32 em Caixa para saldar cada R$ 1,00 em dívida. No registro do balanço de 2015, dispunha de apenas R$ 0,31 para saldar cada R$ 1,00 em dívida. Na maior parte das vezes, a liquidez imediata é menor que 1 mesmo, porque nenhuma empresa é totalmente líquida e deve possuir estoques e contas a receber para &#8216;girar seus ativos&#8217; (ou seja, desencalhar os estoques de imóveis. Vender mais, aumentar a participação de produtos por clientes, etc. Quando uma empresa não &#8216;gira os ativos&#8217; está estagnada). O que chama a atenção é a derrocada desse índice no período mencionado.</p>
<p>Pode-se afirmar que a empresa praticamente ficou sem caixa em 2014, pois tinha apenas R$ 0,05 para quitar cada real de suas dívidas de curto prazo. Em 2015 detinha R$ 0,31 em caixa para fazer o mesmo trabalho. O aperto nos índices de liquidez são provocadas por vendas menores ou ampliação do endividamento, ou as duas coisas atuando conjuntamente.</p>
<p>Outros índices de liquidez (corrente e seca) também apontam o mesmo.</p>
<h1>Pense numa demora</h1>
<p>Neste momento, a empresa está com dificuldades de realizar as vendas necessárias para girar seus ativos, ou seja, vender mais, aumentar a participação de produtos por clientes, etc. Quando uma empresa não gira os ativos está estagnada. É desejável que a rotação dos ativos (a eficiência nas vendas) seja predominantemente decrescente.</p>
<p>Para entender melhor como ler esse índice: suponha que você abriu uma “bodega”, com um investimento de R$ 100 mil para montar a loja (mobiliário, design, estoque, propaganda, etc.). A rotação dos ativos significa quanto tempo você precisaria vender R$ 100 mil. A quantidade de vendas para “empatar” com aquilo que você investiu no negócio. O negócio estará bem se esse retorno for no menor tempo possível.</p>
<p>É o que não está acontecendo com a Moura Dubeux. O resultado do índice, com expressivo aumento de tempo para retorno dos ativos quando comparado com as vendas, indica que está mais difícil para a empresa (sócios) e os investidores (bancos e investidores independentes) recuperarem seu investimento: o giro do ativo era de 21,05 anos em 2010. Ou seja, a empresa precisaria de 21,05 anos de vendas para cobrir seu patrimônio global. O índice passou para 34 anos em 2013, para 25 anos em 2014 e 84,84 anos em 2015, tendo por base os resultado de três exercícios de 2015 com balanços já divulgados.</p>
<p><script id="infogram_0_rotacao-410037892" title="rotacao" src="//e.infogr.am/js/embed.js?NIu"></script></p>
<div style="padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;"><a style="color: #989898!important; text-decoration: none!important;" href="https://infogr.am/rotacao-410037892" target="_blank" rel="noopener noreferrer">rotacao</a></div>
<p>O salto desse índice no ano de 2015 se explica porque tanto as dívidas quanto os ativos dobraram como efeito das vendas em declínio. Os ativos e passivos (que contabilmente são iguais) da Moura Dubeux estiveram em crescimento expressivo ao longo do tempo, passando de R$ 1,15 Bilhões em 2010 para R$ 2,982 Bilhões em 2015.<br />
Dinheiro em caixa ou em bancos; bens, direitos e valores a receber no prazo máximo de um ano, ou seja, realizável a curto prazo, (duplicatas, estoques de mercadorias produzidas, etc); aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. Esse conjunto de coisas (no vocabulário contábil, ativos circulantes) diminuiu nos últimos anos, principalmente por causa da redução das aplicações financeiras.</p>
<p>A empresa passou a privilegiar o investimento nas empresas coligadas. As aplicações financeiras foram reduzidas de R$ 524 milhões para 5,5 milhões em 2014, comprometendo todos os indicadores de liquidez. Ao mesmo tempo, a empresa tem tido dificuldades em vender. Houve aumento dos estoques de apartamento para vendas de 41 para 95 milhões de 2015, o que justifica a piora nos indicadores de giro dos ativos.</p>
<h1>Dívidas</h1>
<p>Já o nível de endividamento total demonstra a relação entra a <a href="http://www.econoinfo.com.br/financas-e-mercados/projecoes-relatorios-endividamento?codigoCVM=21067" target="_blank" rel="noopener noreferrer">dívida total da empresa</a> e seu próprio capital. A empresa apresentou endividamento de longo prazo crescente com coligadas (R$ 824,9 milhões) e endividamento por conta de adiantamento de clientes – o pagamento que os clientes fazem dos imóveis na planta. Nesses casos, o cliente está financiando a empresa por sua total conta e risco. Contabilmente esse adiantamento de dinheiro é dinheiro de terceiros, um passivo da empresa.</p>
<p><script id="infogram_0_edividamento-8303" title="edividamento" src="//e.infogr.am/js/embed.js?z1C"></script></p>
<div style="padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;"><a style="color: #989898!important; text-decoration: none!important;" href="https://infogr.am/edividamento-8303" target="_blank" rel="noopener noreferrer">edividamento</a></div>
<p>Por fim, há de se considerar o lucro nas vendas realizadas. Obviamente, o que se espera de uma empresa saudável é que essa relação seja crescente. E, de fato, a margem líquida de vendas foi crescente ao longo do tempo. Mas há um detalhe que precisa ser observado.</p>
<p>Entre 2010 e 2015, a maior parte do lucro bruto foi formado por atividades que nada tem a ver com o negócio da empresa, que é vender imóveis. Essa fonte representava de 2010 a 2014 respectivamente: 77%, 80%, 64%, 60%, 49% do lucro. Esta participação vem caindo, mas foi bastante significativa e chegou a 80%. Ou seja, 80% do caixa para a geração de resultados em 2011 veio dos ganhos de capital contra apenas 20% gerado das vendas realizadas pela empresa.</p>
<p>Como, na prática, uma empresa faz isso? Primeiro, compra ações de uma empresa coligada a R$ 1,00 com investimento de 1 milhão – isso forma um bolo de ações que valem em conjunto R$ 1 milhão. Ao longo do tempo estas ações valorizaram, e hoje valem individualmente R$ 2,00, e aquele investimento inicial agora vale, R$ 2 milhões. Esta diferença entre o que foi investido (R$ 1 milhão) e o que o investimento em coligada vale hoje (R$ 2 milhões) representa um ganho de capital (lucro) do investimento. Esse ganho é computado no balanço da Moura Dubeux como lucro, afetando positivamente o resultado. O que os economistas e contabilistas chamam de lucro não operacional. Ele nada tem a ver com as vendas dos imóveis.</p>
<p>“Em diversos exercícios os lucros serão bem maiores que as vendas, porque a empresa está gerando um caixa negativo de suas operações, vende pouco para o seu tamanho e o resultado está &#8220;marombado&#8221;, &#8216;turbinado&#8221;, &#8220;bombado&#8221;, com receitas que não representam atividades operacionais da empresa”, afirma nosso amigo analista.<br />
Estratégias</p>
<p>Para sanar as dificuldades, a empresa aumentou a sua posse e participação nas empresas coligadas e controladas – de R$ 327 milhões para 1,49 Bilhões em 2015. Sinalizando que, no adverso cenário econômico e político atual, a empresa está apostando a suas fichas no investimento em coligadas.</p>
<p>A empresa também desacelerou investimentos próprios e ampliou em empresas controladas por ela. Nesse processo, o ativo circulante reduziu-se de R$ 657 milhões em 2010 para R$ 316,7 milhões em 2015. As contas a receber caíram também e passaram de R$ 174 milhões em 2014 para R$ 94 milhões em 2015. Também emitiu debêntures no valor de R$ 400 milhões. Debênture é um título de dívida, de médio e longo prazo, que confere a seu detentor um direito de crédito contra a companhia emissora. Quem investe em debêntures se torna credor dessas companhias.</p>
<p>Com isso, a maior parte do lucro bruto tem sido formado pelo resultado dos investimentos em coligadas e controladas e que se transforma em receita do exercício. Isso aconteceu em todos os anos da série, uma estratégia legal, prevista na legislação contábil e fiscal do Brasil. Excluindo essa forma de lucro, verifica-se que desde 2010 a empresa opera no vermelho – exceção ao ano de 2013.</p>
<p>Com esse conjunto de providências, o grupo permanece no azul, informa o consultor que realizou o trabalho de análise.</p>
<h1>Aqui pra nós</h1>
<p>Entramos em contato a com a empresa, através de sua assessoria de imprensa, para que a empresa comentasse seus balanços e também sua expectativa em relação ao Projeto Novo Recife. O empreendimento foi anunciado como efeito de um investimento total de R$ 1,5 bilhão e gerador de 6 mil empregos durante o período de obras e dois mil empregos gerados depois de concluídas as obras.</p>
<p>Procuramos saber se a sua venda tem uma representatividade destacada no esforço que vem sendo feito para manter a Moura Dubeux com saúde. Os dados de seu balanço disponíveis publicamente não permitem avaliar a importância do Projeto Novo Recife na contas presentes e futuras da empresa.</p>
<p>O contato foi realizado no 2 de Abril às 13h35. O e-mail enviado para a assessoria solicitava o seguinte.</p>
<p>&#8211; Em que medida a crise econômica impactou a queda de liquidez da empresa?<br />
&#8211; Que outros elementos podem ter interferido nessa queda?<br />
&#8211; Em que medida a crise econômica impactou a venda de imóveis da empresa?<br />
&#8211; Que outros elementos podem ter interferido nessa queda?<br />
&#8211; Quais as perspectivas da empresa para o ano de 2016 em relação à recuperação de liquidez e vendas?<br />
&#8211; Qual o peso do Projeto Novo Recife nesse processo de recuperação?</p>
<p>A empresa informou que não tem interesse em comentar assuntos relacionado à crise nem a seu balanço financeiro.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/as-razoes-da-moura-dubeux/">As razões da Moura Dubeux</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/as-razoes-da-moura-dubeux/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Transnordestina: a ferrovia no meio do roçado</title>
		<link>https://marcozero.org/transnordestina-a-ferrovia-no-meio-do-rocado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Mar 2016 00:05:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<category><![CDATA[transnordestina]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://beta.marcozero.org/?p=1765</guid>

					<description><![CDATA[<p>Era manhã e Francisco Alírio Henrique seguia sua rotina, trabalhando desde o nascer do sol na lavoura. Primeiro, escutou o som de machadadas e um vozerio animado. Depois, viu os homens com foices, enxadas e machados, cortando todas as árvores e arrasando as roças de milho, feijão e macaxeira que encontravam pela frente. Uma hora [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/transnordestina-a-ferrovia-no-meio-do-rocado/">Transnordestina: a ferrovia no meio do roçado</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Era manhã e Francisco Alírio Henrique seguia sua rotina, trabalhando desde o nascer do sol na lavoura. Primeiro, escutou o som de machadadas e um vozerio animado. Depois, viu os homens com foices, enxadas e machados, cortando todas as árvores e arrasando as roças de milho, feijão e macaxeira que encontravam pela frente. Uma hora depois, com o sol já no alto, ele demorou a entender e a reagir quando derrubaram a sua própria cerca e entraram como se fossem donos, destruindo tudo, no lote de terra em que criou os filhos. Eram muitos, usavam o uniforme da Odebrecht, e mudaram sua vida para sempre.</p>
<p>Com mais espantado do que raiva, reclamou, perguntou o que era tudo aquilo. Como resposta, escutou outra pergunta:</p>
<p>&#8211; O senhor não recebeu o comunicado, não?</p>
<p>Sim, havia recebido e só naquele momento entendeu o que realmente queria dizer a carta em papel timbrado entregue algumas semanas antes. O texto do informe era burocrático, nele a empresa e o Governo Federal (governo Lula) comunicavam que suas terras estavam no caminho da ferrovia Transnordestina e que seria indenizado em breve. Ele compreendeu apenas que uma linha de trem passaria ali perto, afinal as frases não falavam nada de destruição dos roçados, nem de cercas derrubadas. O papel foi amassado, jogado no lixo e a vida seguiu. Até aquela manhã quente de 2009.</p>
<p><div id="attachment_1769" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/03/IMG_20160225_172611.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1769" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/03/IMG_20160225_172611-300x180.jpg" alt="Francisco e Inocência são apenas dois entre os milhares que viviam ou ainda vivem no caminho da Transnordestina" width="300" height="180" class="size-medium wp-image-1769"></a><p id="caption-attachment-1769" class="wp-caption-text">Francisco e Inocência são apenas dois entre os milhares que viviam ou ainda vivem no caminho da Transnordestina</p></div></p>
<p>Francisco e sua esposa, Inocência Conceição Hora Henrique são apenas dois entre os milhares de agricultores que viviam ou ainda vivem no caminho da Transnordestina. Construída para escoar a produção e dinamizar a economia regional, antes de ser inaugurada a ferrovia mudou &#8211; para pior &#8211; a vida dessas famílias, a maioria proprietária de pequenos lotes de terra. Francisco e Inocência, por exemplo, tinham 6 hectares. Agora, tem 4,8. Os outros foram transformados num desfiladeiro artificial. No fundo desse valão, cujas paredes de rocha chegam a sete metros de altura, os trens vão passar.</p>
<p>O casal mora na comunidade de Estaca, a 15 quilômetros de Ouricuri, município situado a 623 quilômetros do Recife, para onde o Marco Zero foi a convite da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) para acompanhar uma Caravana Agroecológica do Araripe. Ali, pelo menos 100 famílias passaram por experiência semelhante. Dois anos depois do início das obras, ninguém tinha recebido um tostão de indenização. Foi preciso o presidente da associação de moradores contratar um advogado em Ouricuri para acionar a Justiça Federal. As indenizações só começaram a ser pagas a partir do final de 2013. Quase todos os moradores já receberam, mas os valores foram irrisórios. Mesmo que não fossem, dificilmente pagariam a destruição de um modo de vida.</p>
<h1>Tão perto, tão longe</h1>
<p>“Pode ser que o trem vá trazer alguma coisa boa para alguém. Pra nós só fez piorar tudo”. A vala escavada na rocha cortou em dois pedaços o que sobrou de seu lote, quase três hectares de um lado, dois do outro.<br />
De um lado estão o barreiro que ele obrigou a Odebrecht a construir para substituir o antigo reservatório, destruído pelos tratores, e o terreno onde o casal pretende retomar a lavoura quando o ânimo e as chuvas voltarem.</p>
<p>Do outro, estão as três vacas que sobraram. “A gente tinha 15 cabeças de gado, mas não dá para criar tudo isso numa terra tão pequena e longe da água do barreiro”, explica Inocência, que se recupera de uma cirurgia no cérebro que evitou o rompimento de um aneurisma.</p>
<p>Do lado de lá também está o que há de mais valioso: a filha mais velha do casal e a neta nascida há apenas cinco meses. As duas moram numa casa situada a apenas 200 metros, se a vida fosse uma linha reta.  “Pra chegar na casa dela, a gente tem de andar quase dois quilômetros para ir e outro tanto para voltar”, conta Francisco, explicando uma matemática absurda. É que não dá para simplesmente descer pela rocha e subir do outro lado. Não há escadas e as paredes são muito íngremes. “O único jeito é andar até o ponto em que a linha do trem corre no nível do chão e depois vir voltando até a casa dela”. Para cuidar dos animais, a caminhada é a mesma.</p>
<p>Os 4,8 hectares incluem a área devastada e erodida em que se transformou o terreno usada para as manobras dos caminhões. Esse trecho mais parece uma clareira às margens do precipício onde estão os trilhos e dormentes da ferrovia.</p>
<p>E as coisas já foram piores, muito piores.</p>
<p>Por quase três anos, o casal teve de suportar uma rotina bem diferente daquela vivida por camponeses. Praticamente todos os dias, as rochas na sua propriedade e na vizinhança eram dinamitadas. Meia hora antes da explosão, o som estridente de uma sirene sinalizava quando todos deviam correr para bem longe. Sem os jipes ou caminhões a serviço dos operários, Francisco e Inocência literalmente corriam quase um quilômetro. Quando voltavam, o cenário que encontravam era sempre o mesmo: telhas quebradas, paredes rachadas, louça destruída, galinhas apavoradas ou mortas.</p>
<p>Naquela época, Inocência e o filho caçula dormiam todos os dias na casa da cunhada, às margens da BR-316, a dois quilômetros de distância. Francisco permanecia em casa para evitar o furto dos seus poucos pertences.<br />
“A gente comia cuscuz, carne e poeira. Era poeira no almoço e poeira na janta”, recorda a mulher. Além das explosões, o movimento de veículos e enormes tratores na frente da casa não cessava por causa do tal pátio de manobras da empreiteira.</p>
<p>Não dava para plantar nada, viviam do bolsa-família. Um ano depois, com o trecho que atravessa Ouricuri pronto, Francisco e Inocência tentam retomar a vida, esperando mais chuvas para retomar o plantio. Como a construtora e o empreendimento sequer providenciaram a reconstrução da casa, toda a indenização recebida foi gasta para erguer uma nova, ao lado da anterior, que permanece em pé. “A gente não derrubou a casa velha por causa das lembranças”, afirma Francisco. Quanto Francisco e Inocência receberam de indenização por tudo isso? R$ 4.300,00. Dos quais, R$ 950,00 foram pagos ao advogado a título de honorários.</p>
<h1>Sofrimento individual, luta coletiva</h1>
<p>Sem ter como lutar contra o dilaceramento de suas terras pela Transnordestina, a comunidade se uniu para, ao menos, amenizar as perdas e os sofrimentos individuais. Acelerar o pagamento das indenizações por via judicial foi apenas mais uma entre as várias causas que mobilizaram os agricultores. A que gerou mais tensão foi garantir o maior número possível de “passagens” para veículos em pequenos túneis sob a ferrovia. Por economia, a empreiteira tentou reduzir como pôde a quantidade de passagens, ignorando quase que completamente o traçado das estradas de terra que ligavam as propriedades da própria comunidade e entre as comunidades vizinhas.</p>
<p>Segundo João Henrique, presidente da Associação de Moradores da Comunidade do Sítio Estaca e irmão mais velho de Francisco, os planos originais previam apenas uma passagem para a área, situada entre Ouricuri e a divisa com Parnamirim. “Do jeito que eles queriam, as pessoas iam ter de andar até quatro quilômetros para ir de um lado para o outro, mas como a gente lutou e fez muito barulho, hoje dá no máximo uns dois quilômetros”. A questão do número de passagens saiu da mesa de negociação e transformou-se em luta escancarada quando os seguranças da Odebrecht proibiram o ônibus escolar atravessar o canteiro de obras para pegar as crianças “do outro lado”. Dezenas de estudantes ficaram sem aula: foi a gota d’água que fez transbordar a paciência dos agricultores.</p>
<p>João Henrique lembra os acontecimentos daquele dia sem esconder o orgulho: “Peguei a moto e passei nas casas de todo mundo. Em meia hora, tinha umas 50 motos bloqueando a entrada dos caminhões”. No meio do bate-boca, um dos dois vigias armados falou demais. “Eu disse que a gente podia botar mais umas 100 pessoas ali na frente, aí o segurança rebateu dizendo que o revólver dele tinha seis revólveres, que ele podia morrer, mas levava seis com ele”. Como o motim foi na clareira aberta bem na frente da casa de Francisco, João percebeu que podia engrossar o tom: “Eu disse ‘você está dentro da terra da minha família, saía agora. Aqui você não fica’, ele saiu reclamando, mas chamou a PM. Pior para ele: quando a viatura chegou, o cabo da polícia nos deu razão”.</p>
<p>Os seguranças então deram lugar à assistente-social enviada pela construtora no mesmo dia. Ela pediu alguns dias de prazo e assumiu o compromisso de que uma passagem seria construída no local onde o ônibus escolar costumava passar, a um quilômetro dali. As obras começaram no dia prometido, o que rendeu uma comemoração com sanfoneiro e muita festa.</p>
<blockquote>
<h1>Saiba mais:</h1>
<p>Quando ficar pronta, a Transnordestina terá 1.728 quilômetros de extensão, cruzando os sertões do Piauí , Ceará e Pernambuco para ligar os portos de Suape, de Pecém e a área de fruticultura irrigada do cerrado piauiense. O custo total da obra deverá ultrapassar os R$ 6,7 bilhões. As cadeias econômicas da produção de frutas para exportação e do gesso deverão ser as maiores beneficiadas, pois a ferrovia reduzirá os custos do escoamento da produção em velocidade maior do que a atual.</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/transnordestina-a-ferrovia-no-meio-do-rocado/">Transnordestina: a ferrovia no meio do roçado</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Chantagem, ameaças e dossiês para tirar mais um Nobel de Dom Hélder</title>
		<link>https://marcozero.org/dom-helder-e-o-nobel-1971/</link>
					<comments>https://marcozero.org/dom-helder-e-o-nobel-1971/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Feb 2016 13:56:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Jornalismo Crônico]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[dom helder camara]]></category>
		<category><![CDATA[marco zero conteudo]]></category>
		<category><![CDATA[nobel da paz]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://beta.marcozero.org/?p=1635</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em meados de fevereiro de 1971 durante um almoço oferecido a ministros de negócios estrangeiros, na embaixada do Brasil em Oslo, surgiu o primeiro boato de que o arcebispo de Olinda e Recife e Olinda, Dom Helder Câmara, estaria novamente entre indicados aceitos para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, como ocorrera no ano anterior. [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/dom-helder-e-o-nobel-1971/">Chantagem, ameaças e dossiês para tirar mais um Nobel de Dom Hélder</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><div id="attachment_1637" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/willy-brandt.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1637" class="size-medium wp-image-1637" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/willy-brandt-300x221.jpg" alt="Willy Brandt. Foto: Reprodução." width="300" height="221"></a><p id="caption-attachment-1637" class="wp-caption-text">Willy Brandt. Foto: Reprodução.</p></div></p>
<p>Em meados de fevereiro de 1971 durante um almoço oferecido a ministros de negócios estrangeiros, na embaixada do Brasil em Oslo, surgiu o primeiro boato de que o arcebispo de Olinda e Recife e Olinda, Dom Helder Câmara, estaria novamente entre indicados aceitos para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, como ocorrera no ano anterior. Surgiu também a novidade: o chanceler alemão Willy Brandt, nome de peso na política europeia, também estava no páreo.</p>
<p>Em 11 de março de 1971, o embaixador em Oslo, Jayme de Souza Gomes, envia um telegrama à secretaria geral do Itamaraty, confirmando a notícia e já antecipando os candidatos mais cotados para ganhar – o brasileiro e o alemão. Quanto ao brasileiro, era preciso agir para que fosse derrotado. E torcer pelo crescimento do alemão. Adepto dos longos relatórios, Jayme faz seus contatos de sempre e descobre quem participou dos trabalhos da Comissão Nobel do Parlamento Norueguês, o que foi dito, número de inscritos, e avalia os pontos positivos e negativos de Brandt, Dom Helder e dos irmãos indigenistas Cláudio e Orlando Villas-Boas, que logo seriam descartados.</p>
<p>Sobre Dom Helder, os pontos positivos, a exemplo da eleição que de 1970, seguiam os mesmos, acrescidos de um sentimento forte, entre diversos meios de comunicação noruegueses e europeus, de que o brasileiro fora injustiçado, no ano anterior. “Aqui, pois, não caberia realçar o prestígio do prelado brasileiro. Seria uma inútil repetição do que esta Embaixada tem informado”, diz o embaixador. Mas o que importava era saber o que “enfraquecera” Dom Helder, no conceito da Comissão Nobel.</p>
<p>Um dos pontos negativos fora fruto de uma artimanha do empresário Tore Munck, um dos diretores da Munck do Brasik S.A, que colheu no Brasil e publicou, em seu jornal, na Noruega – o Morgenposte &#8211; artigos apontando Dom Helder como “ex-fascista”, pelo fato de ter sido integrante da Ação Integralista Brasileira. Mas o principal “enfraquecimento” era o “receio” de que o brasileiro pudesse ter, com a outorga do Prêmio Nobel, cada vez mais influência, e isso pudesse contribuir “para a implantação de um governo de extrema esquerda no Brasil”, a exemplo do que acontecera recentemente no Chile – ou até em Cuba – com os problemas de “expropriação” ou “estatização”. Isso poderia colocar em risco os capitais estrangeiros. Os noruegueses, donos do Prêmio Nobel, despejavam rios de investimentos no Brasil, em 1971.</p>
<p>Era um raciocínio movido mais pelo bolso do que pela ciência política. No mínimo, a transformação de um arcebispo miúdo e cativante, num Che Guevara alucinado. O Brasil, em março de 1971, era governado sob a truculência do general Emílio Garrastazu Médici, os grupos de guerrilha rural ou urbana estavam sendo dizimados, a classe média celebrava o crescimento econômico. O país terminou 1970 com um crescimento de 9,5% do PIB e inflação de 20%. Não havia, nem nos maiores delírios, a possibilidade de um Governo de extrema esquerda. Mas detalhes como “ameaça aos capitais estrangeiros” e “risco aos investimentos noruegueses” se tornara o mote que a ditadura brasileira passou a utilizar, de forma sistemática e articulada, para derrubar Dom Helder pela segunda vez. Ou, como diziam os documentos da embaixada, para “neutralizar” a campanha do prelado brasileiro ao Nobel.</p>
<p>Na publicação Cadernos da memória e verdade – volume 4, publicado recentemente pela Comissão da Verdade Dom Helder Câmara de Pernambuco, que analisa o papel da ditadura brasileira contra a indicação de Dom Helder ao Nobel, há um episódio que ilustra os bastidores de uma “neutralização”. Vasco Mariz, então chefe do Departamento Cultural do Itamaraty, teria sido convocado para uma reunião com o secretário-geral do órgão, Jorge de Carvalho e Silva. Tinha sido a primeira indicação de Dom Helder ao Nobel, em 1970, e o alarme disparou. Muniz foi informado que o brasileiro era favorito. Recebeu a missão de convocar uma reunião com os embaixadores dos países escandinavos (Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia) e comunicar o desconforto do governo brasileiro.</p>
<p>O encontro aconteceu, ironicamente, na Sala dos Índios, do Palácio Itamaraty. Foi solicitado, com todas as letras, “a título excepcional”, que os embaixadores interviessem junto à Fundação Nobel, “para evitar a escolha”. Segundo o relato de Mariz, todos os embaixadores voltaram, dias depois, e deram a mesma resposta – seus governos não interfeririam em “temas do Nobel”.<br />
No livro que publicou em 2013, intitulado Nos bastidores da diplomacia: memórias diplomáticas, resgatado pela Comissão da Verdade de Pernambuco, Mariz conta uma história impressionante, que escutara de Alarico Silveira, então chefe do Serviço de Informações do Itamaraty:</p>
<p>“Foram convocados os presidentes e diretores de todas as empresas escandinavas no Brasil, como Volvo, a Scania, Vabis, a Ericsson, a Facit, a Nokia e outras menores, e lhes foi solicitado que interviessem na Fundação Nobel para evitar a concessão ao Prêmio Nobel a Dom Helder Câmara. Todos lamentaram não poder intervir no caso”. O oficial general que presidia a reunião simplesmente deu um murro na mesa e anunciou: “Se os senhores não intervierem com firmeza e Dom Helder chegar a receber o prêmio Nobel da Paz, então as suas empresas no Brasil não poderão remeter um centavo de lucros para as respectivas matrizes”.</p>
<p><div id="attachment_1639" style="width: 239px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/felix-morlion.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1639" class="size-medium wp-image-1639" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/felix-morlion-229x300.jpg" alt="Felix Morlion. Foto: Reprodução" width="229" height="300"></a><p id="caption-attachment-1639" class="wp-caption-text">Felix Morlion. Foto: Reprodução</p></div></p>
<p>Ao ler este relato em um livro de memórias de um ex-diplomata, Manoel Moraes esfregou os olhos e não acreditou. “Fiquei tão impressionado, que telefonei para ele, que confirmou tudo. Foi exatamente isso que aconteceu”, diz, um dos autores do livro da Comissão da Verdade. Um ilustre desconhecido entra em cena: Felix A. Morlion, O.P. Pelos documentos diplomáticos fornecidos pelo Itamaraty à Comissão Estadual da Memória e da Verdade Dom Helder Câmara, de Pernambuco, em dezembro de 2014, o cerco à candidatura do brasileiro, em 1971, passou por inúmeras articulações. Tudo valia a pena, desde que ele não vencesse.</p>
<p>Era maio de 1971, quando Tore Munck chegou à embaixada brasileira, desta vez não com alguma informação ou picuinhas dos bastidores do Comitê do Nobel, mas com uma novidade – uma monografia –, que tinha o estranho título “A dialética Política de Dom Helder Câmara”, produzida por Felix A, Morlion, O.P, um nome desconhecido para os brasileiros. Segundo Munck, o material teria sido viabilizado pelo embaixador Roberto Campos.</p>
<p>Belga, Morlion era uma figura ambígua: se por um lado ajudou judeus a fugirem da Gestapo na II Guerra e escreveu roteiros para o cinema neorrealista italiano, a partir do pontificado de Pio XII atuou nos bastidores do Vaticano como diplomata, mantendo vínculos estreitos com a democracia-cristã italiana e, provavelmente, com a máfia. Morlion se propunha a fazer uma “análise conteudista de acordo com a metodologia da análise do discurso”, dividindo depoimentos e entrevistas de Dom Helder em “quatro planos dialéticos”. Após expor as idéias do arcebispo, todas numeradas, abria um bloco e fazia perguntas, de sua autoria, contestando o arcebispo. Todas também numeradas. Em muitos momentos, ele não esconde uma certa admiração pelo brasileiro e certa vocação para se perder em divagações.</p>
<p>“A análise dos textos escritos por Dom Helder nos faz possível perceber o quão impressionante e dinâmicos são seus pronunciamentos para esses grupos. Não podemos então partir do geral para o particular, dos efeitos imediatos, intermediários e causas principais. “Se não tivermos o sucesso em entender a força espiritual de Dom Helder Câmara e, ao mesmo tempo, prover respostas concretas ao que ele tem arguido, nós não podemos reclamar de sermos taxados de culpados pelo pecado da omissão”.</p>
<p>O documento tinha uma característica – grandes colagens de depoimentos do arcebispo, sem data ou fonte, como no capítulo “A estrutura do novo socialismo”: “Eu sou socialista. Deus criou o homem na sua imagem para que este possa participar da sua criação, e não ser escravo, como se pode aceitar o fato de a maioria dos homens ser explorada a viver como escravos? Eu não consigo ver nenhuma solução no capitalismo. Mas eu também não vejo a solução nem nos exemplos do socialismo oferecido atualmente porque estes são baseados na ditadura”. “Meu socialismo é especial, um socialismo que respeita a pessoa humana e segue os evangelhos. Meu socialismo é justiça”.</p>
<p>A embaixada do Brasil em Oslo precisava de uma novidade para sensibilizar os jurados do Nobel e providenciou rapidamente a tradução e a impressão do documento, para distribuição entre os membros da Comissão do Nobel do Parlamento Norueguês – com especial atenção ao relator do processo de Dom Helder. Depois de espalhar a “Dialética”, surgiu um questionamento básico: afinal de contas, quem é esse tal Felix A.Morlion, O.P? Jayme Sousa Gomes manda carta ao embaixador Roberto Campos, que morava no Rio de Janeiro, pedindo dados biográficos do “Senhor Félix”, para melhor identificá-lo perante a Comissão do Nobel. Ao que parece, foi olimpicamente ignorado. Após dois meses mandando ofícios e telegramas, cobrando respostas, somente em julho de 1971 recebe um telegrama da embaixada brasileira no Vaticano.</p>
<p>“Fui informado que padre Felix Andre Morlion nega existência da mencionada monografia. Consegui, entretanto averiguar que ele está organizando no maior sigilo um estudo sobre Dom Helder Câmara cuja essência e finalidade, devido ao caráter sigiloso que ainda se reveste o assunto, não me foi possível até agora desvendar”, responde um funcionário que assina o documento secreto como Jobim.</p>
<p>Ele complementa:“Posso assegurar a vossa excelência que Padre Morlion não desfruta de bom conceito em esferas responsáveis do Vaticano, pois segundo Monsenhor Benelli me confiou ontem em caráter pessoal, trata-se de um imaturo, adjetivo esse que, dentro do contexto como foi empregado tem o sentido de irresponsável”. Além de irresponsável, esperto.</p>
<p>Jobim contou que Morlion conseguiu ligações nos Estados Unidos para criar a insittuição PRO DEO, arrecadando “vultosas subvenções”. No Brasil, ele conseguiu uma generosa doação de US$ 400 mil. Somente dia 29 de julho de 1971, Jobim consegue confirmar a autoria da “Dialética Política de Dom Helder”. Uma boa fonte eclesiástica revelou que fora mesmo Morlion o autor da monografia, que teve “cópias em número restrito e de circulação sigilosa”. O informante de Jobim garantiu que tinha seu exemplar, mas que seu intuito era “não dar conhecimento a ninguém”.</p>
<p>As tramoias eram certas. No dia 20 de outubro de 1971, o chanceler Willy Brandt foi anunciado pela Academia Sueca como vencedor do Prêmio Nobel da Paz. Teve três votos. Dom Helder, dois.</p>
<blockquote>
<h1>Os estranhos bastidores Nobel da Paz de 1970</h1>
<p>Em janeiro de 1971, a embaixada brasileira em Oslo conseguiu uma cópia de um extenso relatório, de 61 páginas, produzido pelo Comitê Nobel do Parlamento da Noruega. Número de inscritos, relatórios individuais, nomes de cada um dos relatores, que resumiam a trajetória de cada concorrente, da premiação referente a 1970. Estava assinado por August Schou, diretor do Instituto Nobel, e a palavra “Confidencial”, no alto da capa, de nada serviu. Dos 38 candidatos que passaram pela pré-seleção, sete foram considerados finalistas. Entre eles, estavam os brasileiros Dom Helder Câmara e Josué de Castro.</p>
<p>O número de páginas dedicado a cada candidato, poderia ter algum peso, mas naquele ano, coisas estranhas aconteceram. Josué de Castro, cientista brasileiro de renome internacional, autor do clássico Geografia da Fome, publicado em 1946, amargando seu exílio após o Golpe de 1964, ganhou pouco mais de duas páginas, escritas com imensa má vontade pelo consultor e doutor em Economia, Prebem Muthe. A julgar pelo primeiro parágrafo, o recifense jamais seria um Prêmio Nobel da Paz.</p>
<p>“O perito em nutrição, Josué de Castro, já foi proposto como candidato ao Prêmio da Paz em 1963, e a sua atividade foi objeto de um relatório, naquele ano. Tendo sido difícil obter informações suplementares sobre o trabalho de Castro desde aquela época e a proposta, deste ano, de Lord Boyd Orr [o proponente à candidatura de Castro] não contém nada de novo a cerca (sic) da obra de Castro”.</p>
<p>A julgar pelo relator, o Nobel de 1970 não foi muito cuidadoso com os convidados para emitirem pareceres. “Um ponto, entretanto, está esclarecido: ele deixou o Brasil depois do golpe de Estado em 1964, e ele vive atualmente em Paris. Quanto à sua projeção dentro das Organizações Internacionais de Alimentação, é difícil ter-se uma ideia de sua verdadeira atuação”. Candidato de número seis, Dom Helder Câmara foi relatado pelo consultor e doutor em Filologia, Jakob Svendrup. A indicação do brasileiro fora proposta pelo Nobel da Paz de 1968, René Cassin, Presidente do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, acompanhado de vários parlamentares do Eire, parlamento da Holanda e três membros do Parlamento Sueco.</p>
<p><div id="attachment_1642" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/norman-baulug.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1642" class="size-medium wp-image-1642" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/02/norman-baulug-300x246.jpg" alt="Norman Baulug. Foto: Reprodução" width="300" height="246"></a><p id="caption-attachment-1642" class="wp-caption-text">Norman Baulug. Foto: Reprodução</p></div></p>
<p>São 16 páginas datilografadas com esmero pelo relator, que produz um breve e denso perfil humano e social do arcebispo brasileiro, apontado como um “protagonista importante para a não-violência e na obtenção de reformas sociais”. Ao longo do texto, Svendrup não esconde a admiração por Dom Helder. Lembra que sua presença constante na imprensa mundial, e o relaciona diretamente aos acontecimentos no Brasil. “Isso é devido ao fato de que ele é considerado como líder da oposição contra um regime que se torna cada vez mais ditatorial. A luta que ele leva não é sem risco. A sua casa foi metralhada e um de seus colaboradores mais íntimos, Henrique Neto, foi brutalmente assassinado”, diz, referindo-se ao brutal assassinado do Padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, em 26 de maio de 1969, no Recife”. O vencedor foi o agrônomo norte-americano do Centro Internacional de Melhoramento do Milho e Trigo, o hoje esquecido Norman Borlaug, ganhou apenas duas páginas de avaliação do Comitê do Nobel. Ele tinha criado um “novo panorama para a produção de alimentos no mundo”.</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/dom-helder-e-o-nobel-1971/">Chantagem, ameaças e dossiês para tirar mais um Nobel de Dom Hélder</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/dom-helder-e-o-nobel-1971/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
