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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 17 Jul 2025 16:45:47 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Missa do Vaqueiro em dose dupla e com Ministério Público de olho nas duas festas em Serrita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2025 16:45:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A cidade de Serrita, no Sertão Central de Pernambuco, vai contar neste mês com uma celebração dupla da Missa do Vaqueiro. Em meio a disputas históricas e recentes controvérsias sobre a criação pela prefeitura da Festa do Jacó, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) garantiu que “fará um acompanhamento rigoroso de ambas as festividades”, fiscalizando [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A cidade de Serrita, no Sertão Central de Pernambuco, vai contar neste mês com uma celebração dupla da Missa do Vaqueiro. Em meio a disputas históricas e recentes controvérsias sobre a criação pela prefeitura da Festa do Jacó, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) garantiu que “fará um acompanhamento rigoroso de ambas as festividades”, fiscalizando atos administrativos e contratações das festas.</p>



<p>Até 2022, a organização da Missa do Vaqueiro não era da prefeitura, mas da Fundação Padre Câncio. A prefeitura rompeu as relações com a Fundação após aceitar do Governo do Estado a cessão do Parque Estadual João Câncio no final de 2021. Isso levou à situação atual de duas celebrações em 2025: a da prefeitura, que ocorre de 17 a 20 de julho, e a da Fundação, no domingo seguinte (27 de julho). O prefeito Aleudo Benedito (MDB) justificou a criação da Festa do Jacó como uma forma de captar mais recursos.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/missa-do-vaqueiro-tera-duas-edicoes-em-meio-a-disputas-e-irregularidades-em-serrita/" class="titulo">Missa do Vaqueiro terá duas edições em meio a disputas e irregularidades em Serrita</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Em evento realizado no Recife para anunciar as atrações da prefeitura, Benedito informou que a festa da prefeitura, que inclui a Festa do Jacó e a Missa do Vaqueiro, está estimada entre R$ 4,5 milhões e R$ 5 milhões neste ano. Ele afirmou ter a garantia de que 70% das atrações serão custeadas pelo Governo do Estado, esperando cerca de R$ 3 milhões do governo.</p>



<p>A criação da Festa do Jacó foi cercada de controvérsias. O prefeito já havia tentado criar a festa no mandato anterior, mas não conseguiu, pois não tinha a maioria da Câmara de Vereadores, o que mudou quando foi reeleito. Antes da lei ser sancionada, o MPPE fez uma recomendação para proteger a identidade cultural da Missa do Vaqueiro, patrimônio imaterial consolidado do sertão pernambucano, e ao mesmo tempo garantir que a memória de Jacó seja celebrada de forma autêntica.</p>



<p>“Quando se cria, por lei municipal, uma festividade imediatamente anterior à Missa — com temática, ritos e locais semelhantes — há risco de diluir o valor histórico da própria Missa, sobrepor programações e competir pelo mesmo orçamento público. Embora a nova “Festa do Jacó” não revogue a Missa, ela ocuparia espaço e datas tradicionalmente reservados ao evento original, podendo deslocar atenção e recursos. O MPPE, entretanto, não pretende impedir nenhuma das celebrações; ao contrário, busca assegurar que ambas ocorram, cada qual em seu âmbito próprio, preservando a história de Jacó e da Missa do Vaqueiro como manifestações culturais distintas”, afirmou o promotor de Serrita, Leon Klinsman Farias Ferreira, em entrevista à MZ.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">MPPE reúne Prefeitura, PM e Corpo de Bombeiros para assegurar proteção ao público </span>

		<p><span style="font-weight: 400;">O MPPE firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o município de Serrita, a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) e o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBM-PE) para garantir a segurança da 55ª Missa do Vaqueiro da prefeitura. O objetivo principal é salvaguardar o público estimado em até 400 mil pessoas durante os dias de festividade no Parque Estadual João Câncio.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os principais pontos do TAC, ficou estabelecido que o planejamento das medidas de segurança para as futuras edições da Missa do Vaqueiro deverá ter início antecipado no mês de fevereiro de cada ano. A prefeitura de Serrita se comprometeu a articular com o Governo do Estado a disponibilização de 650 diárias ou permutas para reforçar o efetivo do 8º Batalhão de Polícia Militar na área.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A gestão municipal terá também a responsabilidade de coibir a entrada de materiais perigosos, como garrafas de vidro e facas, através da instalação de detectores de metais e realização de revistas na entrada do parque. Outras obrigações incluem a ordenação dos &#8220;paredões&#8221;, a disponibilização da estrutura para vistoria do CBM-PE com as devidas licenças, a instalação de um posto de atendimento médico com profissional de saúde e ambulância, e a presença de bombeiros civis nos camarotes. O Corpo de Bombeiros, por sua vez, avaliará o projeto de prevenção contra incêndio e pânico, podendo sugerir adequações em sinalização, saídas de emergência, iluminação e extintores.</span></p>
	</div>



<p>De acordo com o promotor, a legislação sobre patrimônio cultural imaterial costuma envolver tanto normas estaduais quanto municipais. “Como a Missa do Vaqueiro já é regulada em nível estadual e existe um termo de cessão que distribui responsabilidades pela celebração, qualquer nova festa com características semelhantes pode suscitar dúvidas jurídicas sobre a divisão de competências (arts. 24, VII e IX, e 30, I, da Constituição) e sobre o alcance daquele termo de cessão. O entendimento do MPPE é de que a análise deve considerar se a nova lei municipal, na prática, altera obrigações ou interfere em compromissos assumidos perante o Estado e os cessionários. Caso isso ocorra, haveria necessidade de ajustes ou de diálogo entre as esferas de governo para compatibilizar os instrumentos já vigentes, garantindo segurança jurídica e respeito às tradições culturais”, explicou o promotor.</p>



<p>Após a recomendação do MPPE, a prefeitura encaminhou resposta comunicando vetos parciais ao projeto de lei. “Esses vetos indicam uma revisão da proposta original em atendimento, ao menos em parte, às preocupações levantadas pelo MPPE”, disse o promotor. “A Promotoria continuará fiscalizando os atos administrativos relacionados ao novo evento — inclusive contratações de artistas, montagem de estruturas e serviços — para assegurar legalidade, transparência e economicidade, conforme previsto na Constituição Federal”, concluiu o promotor de Serrita.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/missa-do-vaqueiro-vira-megaevento-com-show-de-gusttavo-lima/" class="titulo">Missa do Vaqueiro vira megaevento com show de Gusttavo Lima e briga na Justiça</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Na festa de 2023, a prefeitura gastou R$ 3.758.700,00 Isso ocorreu mesmo com uma recomendação prévia do MPPE para reduzir os gastos e em uma cidade com alta mortalidade infantil e falta de medicamentos. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) apontou superfaturamento na contratação de artistas e irregularidades na habilitação da empresa organizadora. A prefeitura também concedeu a área pública, o Parque João Câncio, sem estudo técnico que justificasse a decisão.<br><br>Em fevereiro deste ano, o TCE-PE julgou irregulares a licitação e os contratos de 2023 e multou o prefeito Aleudo Benedito em R$ 10.650,97.</p>



<h2 class="wp-block-heading">As duas missas</h2>



<p>A Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) afirmou em nota à Marco Zero que recebeu as demandas de apoio para a Missa do Vaqueiro, realizada no município de Serrita. “Neste ano, o evento contará com duas celebrações, e o Governo prestará apoio tanto à realizada no dia 20 de julho, organizada pela Prefeitura de Serrita, quanto à do dia 27 de julho, promovida pela Fundação João Câncio”, diz a nota, que não informou quanto será destinado para cada festa.</p>



<p>De acordo com a presidenta da Fundação João Câncio, Helena Câncio, a Empetur vai apoiar a missa e as festividades com um pouco mais de R$ 100 mil. “Foi o que a gente pediu. Artistas para o domingo. Estrutura será pela Secretaria de Cultura de Pernambuco, com verbas oriundas de emenda parlamentar da deputada Socorro Pimentel e do deputado Fabrizio Ferraz”, afirmou.</p>



<p>A festa da prefeitura, de 17 a 20 de julho, contará com shows de artistas de fama nacional como Wesley Safadão e Joelma. A programação musical também incluirá shows de Wallas Arrais, Priscila Senna, que também cantou lá em 2023, e Márcia Felipe. Para o momento religioso da Missa do Vaqueiro, a celebração será conduzida por dom José Vicente e padre Antônio Júlio. Além disso, contará com a participação musical de Josildo Sá e o Quinteto Violado.</p>



<p>Já a festa da Fundação, no dia 27 de julho, será celebrada pelo padre e cantor Antônio Maria. Entre as atrações musicais estão Chambinho do Acordeon, Fábio Carneirinho, Sarah Leandro, Gabi Cysneiros, Henrique Brandão, Daniel Gonzaga — filho de Gonzaguinha e neto de Luiz Gonzaga — e Anastácia, junto ao tradicional Coral Aboios.</p>



<p>Também haverá a participação de poetas e aboiadores como Chico Justino, Cícero Mendes, Fernando Aboiador, Zé Carlos do Pajeú, André Santos, Léo Aboiador e Antônio Santana.</p>



<p>Ambas as festas são gratuitas, mas a da prefeitura conta com um espaço vip à venda, mais perto do palco dos shows.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/missa-do-vaqueiro-1.jpg" alt="A imagem mostra uma missa ao ar livre celebrada por padres vestidos com paramentos verdes e brancos. Eles estão atrás de um altar coberto com uma toalha branca e enfeitado com castiçais, cálices e objetos litúrgicos. Na parte da frente do altar, estão pendurados diversos itens do vestuário tradicional de vaqueiros nordestinos: gibões de couro, perneiras, chapéus, selas e outros acessórios usados na lida com o gado. Ao fundo, várias pessoas assistem à cerimônia com atenção." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Evento da prefeitura será no dia 20 de julho, já a missa tradicional será no domingo seguinte
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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			</item>
		<item>
		<title>Missa do Vaqueiro terá duas edições em meio a disputas e irregularidades em Serrita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 May 2025 22:44:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[missa do vaqueiro]]></category>
		<category><![CDATA[serrita]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seis recepcionistas com vestidos pretos e curtos recebem os convidados na área de shows do Terraço Carvalheira, um bar e restaurante bem espaçoso no topo de um dos estacionamentos do Shopping Recife. Dentro, mesas se espalham pelo amplo salão, que conta com dois bufês de comida quente – o destaque vai para o croquete de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Seis recepcionistas com vestidos pretos e curtos recebem os convidados na área de shows do Terraço Carvalheira, um bar e restaurante bem espaçoso no topo de um dos estacionamentos do Shopping Recife. Dentro, mesas se espalham pelo amplo salão, que conta com dois bufês de comida quente – o destaque vai para o croquete de costela –, dois telões, um palco e garçons passando com suco, refrigerante e água. Os cantores Wallas Arrais, Priscila Senna e Márcia Felipe fazem rápidas apresentações no evento que foi aberto pelo Quinteto Violado tocando ao vivo com Josildo Sá. O astro João Gomes era esperado, mas acabou não comparecendo naquela noite de quarta-feira de chuvas fortes e trânsito abominável.</p>



<p>Apesar do evento ser no Recife, a maioria dos convidados veio do sertão. Vários deles, <em>influencers</em> locais. Há encontros animados entre políticos que vão do centrão até a extrema direita. Os deputados estaduais Jarbas Filho (MDB), Roberta Arraes (PP) e Aglailson Victor (PSB) sobem no palco, assim como o deputado federal André Ferreira (PL). Anderson Ferreira (PL), o candidato bolsonarista ao governo de Pernambuco na eleição passada, chega no finalzinho, a tempo de dar um abraço no irmão e no prefeito de Serrita, Aleudo Benedito (MDB).</p>



<p>Estamos na coletiva de imprensa da Festa do Jacó (assim mesmo, “do”, como os sudestinos falam) e da Missa do Vaqueiro, que acontece anualmente em Serrita, no sertão central.</p>



<p>Ou, pelo menos, de uma das duas Missas do Vaqueiro deste ano.</p>



<p>Ainda que tenha sido anunciada como uma coletiva de imprensa, o que ocorreu foi bem além disso. Um evento super produzido – que chegou a ter transmissão ao vivo em telão em Salgueiro – para anunciar com pompa e circunstância uma mega festa com shows de Wesley Safadão e Joelma, além dos artistas já citados nos parágrafos acima e outros mais.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/missa-do-vaqueiro-vira-megaevento-com-show-de-gusttavo-lima/" class="titulo">Missa do Vaqueiro vira megaevento com show de Gusttavo Lima e briga na Justiça</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/territorio/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Território</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Mas se engana quem pensa que o evento deixou os vaqueiros de lado. Seja como uma homenagem sincera ou uma forma de se blindar das críticas, houve um cortejo de vaqueiros de Serrita, trajados no terno de couro completo. Foram para frente do palco tocando chocalho e foram ovacionados. O prefeito estava ele próprio trajado como vaqueiro, sempre ao lado da primeira dama.</p>



<p>No telão, foi exibido um documentário com imagens de arquivo e da Missa do Vaqueiro de 2023 contando um pouco da sua história: desde a criação com o então padre João Câncio e Luiz Gonzaga, no ano de 1970, até a super estrutura com show de Gusttavo Lima – cujo cachê custou R$800 mil para a prefeitura de Serrita.</p>



<p>É até difícil explicar como uma missa em homenagem a um vaqueiro assassinado nas quebradas do sertão se transformou em motivo para uma megafesta. A trama envolve um prefeito ambicioso – questionado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e multado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) –, a viúva do ex-padre João Câncio e uma série de conflitos e irregularidades que levaram às duas missas do vaqueiro neste 2025.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/vaqueiro-1-prefeito-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/vaqueiro-1-prefeito.jpg" alt="A foto mostra Aleudo Benedito, prefeito de Serrita (PE), em destaque, usando traje típico de vaqueiro nordestino. Ele veste um colete de couro verde e laranja com bordados e usa um chapéu de couro combinando. Está em ambiente interno com iluminação quente, que destaca seu rosto e roupas. Aleudo olha sério para a esquerda, enquanto responde a uma entrevista. Um celular azul aparece próximo a ele, com uma mão segurando o aparelho celular. O fundo está escuro e desfocado, mantendo o foco totalmente sobre ele." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Aleudo não seguiu recomendações do MP e TCE
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">A Festa do Jacó, recomendações e multa</h2>



<p>Raimundo Jacó era o nome do primo vaqueiro de Luiz Gonzaga assassinado em 1954, em um crime sem punição. Em 2022, o prefeito Aleudo Benedito  enviou para a Câmara de Vereadores de Serrita um pedido para que a festa da Missa do Vaqueiro mudasse de nome para Festa do Jacó. Foi uma celeuma na cidade e, sem a maioria dos vereadores, ele não conseguiu a mudança. Isso, contudo, não impediu que no ano seguinte ele gastasse milhões de reais com atrações no parque Estadual Padre Câncio, antigo sítio Lajes, onde acontecem os eventos. Além de Gusttavo Lima, teve Priscila Senna, que volta este ano, Xand Avião e Nattan, entre outros.</p>



<p>Em um cidade com menos de 20 mil habitantes, onde a mortalidade infantil é maior que a do Amapá (o estado com o maior índice do Brasil) e há <a href="https://portal.mppe.mp.br/w/mppe-recomenda-que-prefeitura-de-serrita-regularize-o-fornecimento-de-medicamentos-nas-farm%C3%A1cias-e-caps-do-munic%C3%ADpio" target="_blank" rel="noreferrer noopener">falta de medicamentos na rede de atenção básica à saúde</a>, a prefeitura gastou R$3.758.700 na festa de 2023, apesar de recomendação prévia do MPPE para reduzir os gastos.</p>



<p>O Tribunal de Contas de Pernambuco TCE-PE fez uma auditoria apontando diversas irregularidades nos shows de 2023, como o superfaturamento na contratação de artistas. Além disso, o TCE questionou os gastos elevados com o evento em relação à situação financeira do município, especialmente considerando a declaração de situação de emergência na zona rural de Serrita devido à estiagem daquele ano.</p>



<p>Na auditoria, destacou-se a habilitação indevida da empresa Andrew Balbino Gomes, organizadora do evento. A empresa não apresentou o balanço patrimonial de 2022, documento obrigatório para comprovar sua capacidade econômico-financeira na licitação. Além disso, a prefeitura concedeu a área pública (o parque João Câncio) destinada à festa sem qualquer estudo técnico que justificasse a decisão.</p>



<p>Em fevereiro deste ano, a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ULdlHEQFM_Y" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Segunda Câmara do TCE-PE julgou irregulares a licitação e os contratos</a> firmados pela prefeitura de Serrita. Foram aplicadas multas de R$10.650,97 ao prefeito Aleudo Benedito, e ao ex-secretário adjunto de Cultura, João Filho Sá Gonçalves. A então secretária de Administração, Bruna Quezado, e o pregoeiro, Aroldo Rosendo da Silva, também foram multados em R$5.325,48 cada.</p>



<p>Em abril deste ano, o reeleito Aleudo Benedito finalmente conseguiu que a Câmara de Vereadores – na nova legislatura – votasse a favor da criação da tal Festa do Jacó, que já surge envolta em possíveis irregularidades.</p>



<p>Pouco antes da aprovação, o Ministério Público emitiu uma recomendação afirmando que a nova festa representa uma substituição simbólica indevida da Missa do Vaqueiro, que é patrimônio cultural imaterial protegido por lei estadual. Além disso, a recomendação destaca que o projeto de lei inclui uma dotação orçamentária de forma irregular, o que afronta a legislação orçamentária. O Ministério Público então recomendou que o prefeito não sancionasse a lei “ou, caso já o tenha feito, que tome medidas para sua revogação ou não execução”. Nada disso foi feito.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Motivos para o MPPE pedir a revogação da lei que cria a Festa do Jacó</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<ul>
<li>Violação ao patrimônio cultural protegido por legislação estadual e tentativa de substituição simbólica da tradicional “Missa do Vaqueiro”;</li>
<li>Invasão da competência legislativa do governo esrtadual em matéria de cultura e proteção dos bens imateriais;<!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></li>
<li>Inobservância do termo de cessão, que veda a cessão total do evento pelo município;<!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></li>
<li>Irregularidade formal da previsão de dotação orçamentária, em descompasso com o processo legislativo orçamentário e com o princípio da exclusividade</li>
</ul>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<p>No ano passado, ano eleitoral, a Missa do Vaqueiro teve somente a celebração religiosa, sem shows. Agora, alheio a todas recomendações e multas, e com apoio do Governo do Estado, Aleudo Benedito dobrou a aposta na Festa do Jacó/Missa do Vaqueiro. O evento da prefeitura vai de 17 a 20 de julho, inclusive com shows após a missa, no domingo (20/07). Na festa de abertura, em entrevista à MZ, Aleudo Benedito calculou que o evento deste ano vai custar entre R$ 4,5 milhões e R$ 5 milhões.</p>



<p>Questionado quanto desse valor virá da prefeitura, Aleudo informou que ainda não sabe. “Mas 70% das atrações serão custeadas pelo Governo do Estado. A gente já tem essa garantia e espera uns R$3 milhões do governo”, afirmou. A Marco Zero perguntou à assessoria do governo de Raquel Lyra (PSD) quanto será investido na festa, mas ainda não recebeu a resposta.</p>



<p>O prefeito justifica que a criação da Festa do Jacó foi para conseguir mais recursos para o evento. “O Estado é laico e para a gente conseguir recursos com o Ministério do Turismo, da Cultura e também com o Governo do Estado, a gente precisava aprovar esse projeto de lei para que a gente pudesse fazer captação de recursos”, afirma, ainda que por décadas o Governo do Estado tenha feito investimentos na Missa do Vaqueiro. O prefeito também afirmou que os shows de 2023 movimentaram mais de R$ 30 milhões na região e que circularam cerca de 300 mil pessoas por Serrita, de acordo com pesquisa da própria prefeitura.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>As duas Missas do Vaqueiro de Serrita</strong></h2>



<p>Até 2022, não era a prefeitura de Serrita quem rotineiramente organizava de fato a Missa do Vaqueiro, que sempre teve uma parte cultural, com vaquejada, pega de boi e shows, geralmente de forró pé-de-serra, em palcos bem mais modestos. No final de 2021, a prefeitura aceitou a cessão do Parque Estadual João Câncio feita pelo Governo do Estado. E rompeu de vez as relações com a Fundação Padre Câncio, presidida pela viúva de João Câncio, Helena Câncio, que cuidava da produção da missa e da festa.</p>



<p>“A Fundação pode escolher estar ou não estar na Missa do Vaqueiro, mas é um compromisso que temos com a memória de João Câncio, que idealizou a missa com Luiz Gonzaga e a ajuda de tantas outras pessoas, como Pedro Bandeira e Janduhy Finizola. São 55 anos de trabalho, quase 30 só pela Fundação. A gente até preferia não estar envolvido nessas questões, porque envolve também questão econômica, política. Na década de 1980, João Câncio já enfrentava muitas perseguições. A gente nem se sentia seguro, mas a responsabilidade com a memória dele nos fez seguir adiante”, diz Helena Câncio. “A gente se envergonha de ver pesquisadores de outros países irem para a Missa do Vaqueiro e a história estar tão descaracterizada. Em 2023, o município não cedeu o uso do solo para a Fundação fazer absolutamente nada. E foi uma reclamação unânime dos vaqueiros e do público de que a missa estava descaracterizada, que não tinha aboios. O foco do município é excluir a fundação da história”, reclama.</p>



<p>Do outro lado, os apoiadores do prefeito dizem que essa tal pureza sertaneja não era seguida com muito afinco pela Fundação e citam um show do cantor romântico Fábio Júnior, em 2011. “Por que a gente contratou Fábio Júnior? Porque na época fomos dialogar com o município, que pediu a contratação desse artista que estava aqui nas mediações, se não me engano, em Sertânia. Não é que ele se encaixe no formato da Missa do Vaqueiro, mas cedemos no sentido de estar aceitando outras opiniões. Houve somente Fábio Júnior, o resto foi tudo forró”, defende Helena.</p>



<p>O fato é que a presidenta da Fundação João Câncio perdeu muitos apoios da classe artística quando a Missa do Vaqueiro de 2019 acabou em calote: a Empetur não aceitou a prestação de contas e não liberou aproximadamente R$ 500 mil prometidos para a festa. Assim, quase ninguém recebeu naquele ano. Helena Câncio conta que levou o caso para a Justiça, mas ainda não houve uma definição.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/vaqueiro-4-missa.jpg" alt="A foto mostra uma multidão participando de um evento tradicional no sertão, com muitos homens vestidos como vaqueiros nordestinos — usando chapéus e roupas de couro. Em destaque, um homem carrega uma menina no colo; ela está bocejando com os braços levantados sobre a cabeça. O clima é de celebração e devoção, sugerindo um momento de fé típico da missa do vaqueiro." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O prefeito também usa esse episódio para justificar o motivo de ter se apossado da Missa do Vaqueiro. “Eu não vejo como uma disputa política. A Fundação vinha há muito tempo fazendo o evento e chegou num certo período onde a Fundação ficou inadimplente com o estado por falta de prestações de contas. O Governo do Estado não estava mais mandando recursos para a Fundação. Esse foi o maior agravante. E agora o município está querendo tomar conta do evento para entregar para o turista, entregar para os <em>jacoseiros</em> e <em>jacoseiras</em> uma Missa do Vaqueiro, uma Festa do Jacó e aumentar a altura do evento”, disse Aleudo à MZ.</p>



<p>Tradicionalmente, a Missa do Vaqueiro acontece na manhã do terceiro domingo de julho. Neste ano, essa será a data da missa da prefeitura. Quem vai celebrar é dom José Vicente e padre Antônio Júlio, contando com a presença de Elba Ramalho, Josildo Sá, Quinteto Violado e outros artistas.</p>



<p>No domingo seguinte, acontece a Missa do Vaqueiro promovida pela Fundação, tendo como celebrante o padre carioca Antônio Maria, que é um padre-cantor-celebridade no mundo católico.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O empresário mecenas</h3>



<p>Sem dinheiro da prefeitura nem do governo, quem está apoiando a realização da Missa do Vaqueiro pela Fundação João Câncio é o empresário Antônio Souza, que tem negócios em segurança, tecnologia e até carros 4&#215;4 – a Cab Motors, em Campina Grande. Cearense, mas morando em Araripina há muitos anos, ele é uma figura em ascensão na política sertaneja. Filiado ao partido Rede, tentou se candidatar à prefeitura da cidade em 2024 e agora está interessado em uma vaga no Senado. É “amigo pessoal” de Davi Alcolumbre (DEM), presidente do Senado, e apoia ações do padre progressista Júlio Lancellotti, em São Paulo. </p>



<p>No instagram, onde tem mais de 4 milhões de seguidores, frequentemente compartilha visitas ao padre Antônio Maria, que está levando para celebrar a Missa do Vaqueiro.</p>



<p>Helena Câncio já falou com o presidente da Empetur para liberar o parque João Câncio para a Missa do Vaqueiro do dia 27 de julho. Ela estava receosa de que o prefeito pudesse vetar a celebração. Em entrevista à MZ, Aleudo Benedito garantiu que não irá criar caso. “Quantas missas forem necessárias podem ser realizadas lá, a gente não vai barrar nenhuma”, disse. </p>
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		<title>Missa do Vaqueiro vira megaevento com show de Gusttavo Lima e briga na Justiça</title>
		<link>https://marcozero.org/missa-do-vaqueiro-vira-megaevento-com-show-de-gusttavo-lima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 17:31:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Empetur]]></category>
		<category><![CDATA[gusttavo lima]]></category>
		<category><![CDATA[missa do vaqueiro]]></category>
		<category><![CDATA[serrita]]></category>
		<category><![CDATA[sertão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Serrita &#8211; Luiz Gonzaga moldou um imaginário do Nordeste na música, mas também tinha um projeto de Nordeste. E ele próprio fazia questão de executá-lo. Na sua adorada Exu construiu o primeiro posto de gasolina e um complexo turístico com pousada e museu &#8211; o Parque Aza Branca. Acreditando na educação, pagava ônibus para levar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Serrita &#8211;</strong> Luiz Gonzaga moldou um imaginário do Nordeste na música, mas também tinha um projeto de Nordeste. E ele próprio fazia questão de executá-lo. Na sua adorada Exu construiu o primeiro posto de gasolina e um complexo turístico com pousada e museu &#8211; o Parque Aza Branca. Acreditando na educação, pagava ônibus para levar os estudantes para a faculdade na vizinha Crato, no Ceará. Quando o primo vaqueiro Raimundo Jacó, de Serrita, foi assassinado e o crime ficou impune, em 1954, Gonzaga fez uma das suas canções mais bonitas e doídas<em>, <a href="https://music.youtube.com/watch?v=DjwxlsRXD6o&amp;feature=share" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A morte do vaqueiro</a></em>. Mas não ficou só nisso.</p>



<p>Em 1971, o então pároco de Serrita, padre João Câncio, o procurou e, juntos, deram forma à Missa do Vaqueiro no Sítio Lajes, onde Jacó trabalhou e foi encontrado morto, a 35 quilômetros do centro da cidade, no caminho para Exu. Câncio era um padre progressista, cheio de ideias, que incorporava a cultura da região nas suas missas. Nas mãos do “padre vaqueiro” e de Gonzagão, a missa era não só uma homenagem a Jacó, mas um grito contra as injustiças e impunidades contra o povo mais pobre, em meio a tantas brigas sangrentas por terras e poder político no Sertão.</p>



<p>O que se desenvolveu ao longo dos anos 1970 e 80 é um mosaico da iconografia sertaneja: a figura do vaqueiro trajado de couro, o cortejo a cavalo, o altar com as peças de couro no ofertório. Ainda havia as músicas especialmente compostas para a ocasião por Janduhy Finizola, os poemas e repentes de Pedro Bandeira, também um dos fundadores da missa, os lindos e quase infinitos aboios. Tudo envolvido na liturgia católica, na comunhão do religioso com o sagrado gonzagueano.</p>



<p>À missa, foram se incorporando shows de artistas do forró pé de serra. Foi, por muito tempo, uma festa e uma celebração para os vaqueiros, suas famílias e os aficionados pela ideia do Nordeste vivo, resiliente, festeiro e justo de Gonzaga e seus seguidores.</p>



<p>Corta para 2023.</p>



<p>O comentário em Serrita é sobre a maior Missa do Vaqueiro já vista. É número para todo lado: 500 vaqueiros no cortejo, mais de 400 mil pessoas nos quatro dias de eventos. E o show de Gusttavo Lima? o maior já visto por ali, um público de 120 mil pessoas, mais de 3h de congestionamento para sair do Parque João Câncio, no Sítio Lajes. “Foi um exagero, uma coisa nunca vista por aqui”, diz o vaqueiro Mário Artur, que participa da Missa do Vaqueiro desde a primeira edição.</p>



<p>Faz tempo que o prefeito de Serrita, Aleudo Benedito (MDB), não vem tendo uma vida fácil com a Câmara de Vereadores, formada por uma maioria de aguerrida oposição. Já houve até ameaça de impeachment. Na madrugada de quarta para quinta-feira, ele teve um trunfo: foi chamado ao palco por Gusttavo Lima, e, ao lado da primeira dama, discursou para o público. “A prefeitura agradece seu show. Você está realizando um sonho de muitos serritenses, obrigado por tudo, por ter adotado a cultura do vaqueiro, nossa história”, falou no microfone.</p>



<p>Havia, no entanto, uma liminar que proibia que o prefeito subisse ao palco, usando a Missa do Vaqueiro com possíveis fins políticos. Há uma briga judicial ao redor do evento deste ano: de um lado, a Fundação Padre João Câncio, que por 22 anos fez a produção da festa, do outro, a prefeitura de Serrita, que conta com o apoio do Governo do Estado e da Diocese de Salgueiro.</p>



<p>No cerne da questão, a descaracterização da Missa do Vaqueiro de um evento tradicional sertanejo, com o vaqueiro como protagonista, para um mega festival de música, no estilo da gigantesca ExpoCrato. E um gasto vultoso, que ultrapassa os R$ 3 milhões, em um cidade com apenas 18,2 mil habitantes e 54,5% da população vivendo com menos de um salário mínimo por mês.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/missa10-1024x683.jpg" alt="Grupo de vaqueiros montados em seus cavalos e usando trajes de couro, segurando bandeiras do Brasil e uma bandeira com as cores do arco-íris." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Vaqueiros marcam posição com bandeiras do movimento LGBTQIA+. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.
</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">Uma missa apressada, quase sem aboios nem repente</h2>



<p>Os shows no palco principal se encerraram na noite de sábado. A Marco Zero esteve na Missa do Vaqueiro no domingo pela manhã. Muitos quilômetros antes do Sítio Lajes começa a movimentação intensa de carros, ônibus e caminhões carregando gente e animais. Nos acostamentos, homens, mulheres e crianças seguem montados em seus cavalos.</p>



<p>São imagens bonitas: algumas centenas de metros antes da entrada do Parque João Câncio, os vaqueiros, vaqueiras &#8211; ou, na verdade, qualquer pessoa que tenha uma montaria disponível &#8211; vão chegando para esperar o cortejo até o palco onde é feita a missa.</p>



<p>Se esperou até que a governadora Raquel Lyra (PSDB) e a vice, Priscila Krause (Cidadania) &#8211; ambas cobertas por bandeiras de Pernambuco &#8211; se posicionassem em seus cavalos brancos, ao lado do prefeito de Serrita e do deputado estadual Aglailson Victor (PSB). Esse quarteto foi à frente das centenas de vaqueiros e vaqueiras durante todo o trajeto. Assistiram também boa parte da missa montados em seus cavalos. Na parte final, subiram ao palco.</p>



<p>Recém-chegado à diocese de Salgueiro &#8211; da qual a paróquia de Serrita faz parte &#8211; o bispo Dom José Vicente já começou a celebração se desculpando. Era a primeira vez dele ali, mas ia precisar fazer uma missa enxuta pois, sem se aperceber das longas distâncias do Sertão, havia marcado um compromisso em Araripina &#8211; que fica a 178 quilômetros de Serrita &#8211; às 16h.</p>



<p>Logo depois, cometeu uma gafe: chamou Francisco Assis Domingos de filho de Raimundo Jacó. Não é: Assis Vaqueiro, como é conhecido, estava no palco representando os vaqueiros, mas não é parente do primo de Gonzagão. Único filho ainda vivo de Raimundo Jacó, Vicente Jacó não compareceu à missa deste ano.</p>



<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>A matéria não acaba aqui</strong>, mas interrompemos sua leitura para lembrar que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro.</p>



<p>Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para continuar apurando, escrevendo, fotografando e publicando com um mínimo de tranquilidade.<strong> </strong></p>



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</blockquote>



<p>Na missa, os vaqueiros não pegaram o microfone &#8211; apenas um, para uma rápida leitura bíblica. O tradicional coral de aboios mal foi ouvido. A diocese não quis que músicas originais, compostas para a missa por Janduhy Finizola, fossem executadas. “Não será permitida a &#8216;Toada de Gado&#8217; e o ato a que se destina”, diz mensagem da diocese enviada para Helena Câncio &#8211; que se casou com João Câncio nos anos 1980, quando ele abandonou a batina, e comanda a fundação que leva o nome do marido.</p>



<p>Desde o ano 2000, ela estava à frente da organização da Missa do Vaqueiro. Com as exigências do novo bispo, ela desistiu de participar da missa neste ano. Outra mudança drástica estabelecida pela paróquia de Serrita e a diocese foi no ofertório: “Os vaqueiros poderão depositar indumentárias e apetrechos próprios dos vaqueiros, contudo, em silêncio e sem manifestação. Não serão lidos textos”, diz outra mensagem da diocese enviada para Helena.</p>



<p>Ainda que tolhida, houve emoção na missa, principalmente para quem estava ali pela primeira vez. Do altar, se via um mar de vaqueiros e vaqueiras trajados de couro. Velhos, moços, meninas. Chocalhos ressoavam no ar nas respostas ao rito.</p>



<p>O mais bonito mesmo foi a hora do ofertório, certamente por ser a única com alguma participação dos vaqueiros e vaqueiras. Sem sair da sela dos cavalos, eles cruzam o palco e fazem das suas peças de couro uma oferta ao altar. Com os aboios dos vaqueiros e os repentes deve ser muito mais emocionante. Mesmo assim, é um momento intenso, com perneira, gibão, alforje, colete, chapéu, chicote, luvas, botas e outras peças sendo montadas uma a uma no altar.</p>



<p>Ao final da missa, que durou menos de duas horas, o bispo Dom José Vicente relembrou o tão importante e inadiável compromisso em Araripina para avisar que não tiraria fotos com os fiéis. Estava apressado.</p>



<p>Ficou a dúvida: algo deveria ser mais importante para um bispo da diocese de Salgueiro do que a Missa do Vaqueiro, a mais famosa do sertão?</p>





<h3 class="wp-block-heading">A disputa pelo legado de Câncio e Gonzaga</h3>



<p>No mesmo ano em que Gonzagão morreu, faleceu também João Câncio. A Missa do Vaqueiro ficava órfã em 1989 &#8211; Pedro Bandeira não se envolvia tanto na produção. Ao longo de 53 anos, o evento teve algumas organizadoras. A Fundação Quinteto Violado foi a responsável de 1976 a 1983. “Depois outra fundação tomou conta. Neste ano, o prefeito convidou o Quinteto e ficamos muito felizes”, contou o vocalista Marcelo Melo. A última vez do grupo no evento havia sido em 2014.</p>



<p>Na época em que o Quinteto Violado organizava a festa, não havia estrada com asfalto, nem energia elétrica no Sítio Lajes. Tinha que levar gerador. Apesar de dizer que não quer se envolver na polêmica entre a Fundação e a prefeitura, Marcelo considera que há uma descaracterização do evento. “É uma festa que tem a ver com o grito de justiça do vaqueiro e por melhores condições de trabalho. Sempre batalhamos nesse caminho. Mas esses shows não têm nada a ver com a nossa realidade. Agora, tem a mídia que domina sobre a juventude e quer esse tipo de música, mas que não tem identidade cultural com a região. O importante é a emoção, a identificação cultural. A festa é para o vaqueiro”, diz.</p>



<p>Quando o Quinteto Violado parou de produzir a festa, o padre João Câncio assumiu tudo. Mas houve um afastamento quando ele se casou e, por conta das represálias da Igreja Católica, deixou o Nordeste. Quando faleceu, a missa também ficou por 11 anos sem uma produção. Nesses hiatos, foi a paróquia de Serrita quem assumiu, junto com a prefeitura, a Missa do Vaqueiro. Desde 2000 a Fundação João Câncio fazia quase tudo, privilegiando artistas regionais, do forró pé de serra.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2023/07/missa11-1024x576.jpg" alt="Vista aérea do palco onde se celebra a missa do vaqueiro, com cavaleiros de roupa de couro em seus cavalos, em amplo espaço de terra batida." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Com prefeitura e paróquia, cantores sertanejos ganharam espaço que era da cultura popular. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.
</p>
	                
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<p>O imbróglio entre a Fundação e a prefeitura de Serrita começou ano passado quando Aleudo Benedito tomou para si a organização da festa, com apoio do Governo do Estado e da paróquia, conduzida por um sacerdote de perfil conservador. Teve show de Wesley Safadão nos dias de festa pagã, mas quem organizou a missa em si foi a Fundação, com o então bispo Dom Magnus Henrique Lopes, que abraçava a causa do vaqueiro &#8211; ele foi transferido neste ano para a diocese do Crato (CE).</p>



<p>Em 2023, o prefeito foi mais longe. Tentou mudar o nome das festividades de Missa do Vaqueiro para “Festa do Jacó”. Como não tem a maioria da Câmara de Vereadores, não conseguiu. Mas montou uma área vip em frente e ao lado do imenso palco dos shows – coisa digna do carnaval no Marco Zero – com cobrança de ingressos. E não foi só Gusttavo Lima quem veio: teve show de Nattan &#8211; estouradíssimo no Brasil, com mais de 30 shows no mês de junho –, Simone, ex-dupla de Simaria e que está com tudo nos eventos do governo Raquel Lyra, Xand Avião, Priscilla Sena, entre outros.</p>



<p>A Fundação, então, entrou na Justiça questionando a cessão da prefeitura para explorar comercialmente o Parque Estadual João Câncio, como é chamado hoje o Sítio Lajes.</p>



<p>Na pequena cidade, há uma propagação imensa de boatos, difamando ambas as partes. Quase sempre, os boatos envolvem desvios de verbas públicas para festa. Uma das causas de boatos contra a Fundação é o não pagamento de muitos dos fornecedores da festa de 2019.</p>



<p>Helena Câncio afirma que não recebeu os R$ 500 mil então prometidos pela Empetur naquele ano. “Esse dinheiro era para fazer absolutamente tudo. Da limpeza do parque até a produção de shows. Desde 2015, o projeto vinha sofrendo com glosas (faturamentos recusados) de valores relativamente altos. Mas sempre comprovamos por A mais B os investimentos da Empetur, que na verdade nem davam para cobrir tudo. Em 2019, o Governo do Estado não pagou um real e estamos devendo”, lamenta.</p>



<p>Na missa, em entrevista à MZ, o prefeito Aleudo Benedito afirmou que a festa deste ano teve um custo total de mais de R$ 3 milhões e que desde o ano passado a Empetur triplicou o investimento na festa, passando para R$ 1,5 milhão. A prefeitura bancou os outros 50%, segundo ele. “Fizemos tudo sem jamais prejudicar o erário público do município, mantendo as contas e nossas obrigações em dia”, garantiu. “As atrações foram pagas uma parte pelo município e outra parte pela Empetur”, disse. No dia seguinte à festa, ele anunciou nas redes sociais o pagamento de 50% do 13º salário dos servidores da prefeitura.</p>



<p>A Marco Zero entrou em contato com a Empetur para saber o motivo das contas de 2019 da Fundação João Câncio não terem sido aceitas e também quanto foi investido na Missa do Vaqueiro deste ano. Assim que chegar a resposta, esta matéria será atualizada.</p>



<p>Sobre as críticas à descaracterização da Missa do Vaqueiro, o prefeito afirma que o público deu a resposta. “São opiniões contrárias a tudo isso que vivenciamos. A nossa gestão está transformando e dando uma roupagem nova aqui para toda estrutura desse evento. E o que aconteceu este ano? Colocamos o maior público. Buscamos recursos junto ao Governo do Estado, ao Governo Federal e agora Serrita já está incluída no calendário de eventos nacionais”, afirmou.</p>



<p>Como se nota, há novamente uma tentativa de tensionar as mudanças na festa para a disputa entre tradição e modernidade, tão comum ultimamente nas festas tradicionais nordestinas &#8211; <a href="https://marcozero.org/falta-forro-no-sao-joao-da-capital-do-forro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vide o São João de Caruaru</a>. É como se no Nordeste tudo tivesse que ceder às poderosas e irresistíveis forças populares do sertanejo, mantendo apenas um tiquinho de sua essência. Vale lembrar que recentemente um levantamento feito com Google Trends e YouTube mostrou que Pernambuco é o estado com o menor interesse em música sertaneja, com apenas 15% das buscas.</p>



<p>(E aqui a repórter abre um parênteses: uma boa forma de “modernizar” a Missa do Vaqueiro seria fiscalizar os maus tratos contra os animais. Sol a pino, e dois imensos bois Nelores, visivelmente extenuados, eram usados para que as pessoas tirassem fotos em cima deles. Um dos bois tinha uma argola no nariz e nela colocaram uma corda que o prendia a uma estaca. Exausto, o boi se deitou no chão e ficou com o focinho levantado, pois a corda era muito curta para que pudesse abaixar a cabeça. Uma maldade.)</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sem leite e sem saúde, mas com Gusttavo Lima</h2>



<p>Há dúvidas se é mesmo a afinidade com o gosto do público o que leva uma prefeitura de 18,2 mil habitantes no Sertão a gastar tanto na contratação de sertanejos como Gusttavo Lima e Simone. O Ministério Público solicitou da prefeitura de Serrita o fornecimento de vários documentos, incluindo planilha de todos os gastos com a festividade.</p>



<p>O MPPE afirma que serviços públicos básicos essenciais estão sendo postergados por alegação de incapacidade financeira do município de Serrita. Há diversos procedimentos extrajudiciais instaurados na Promotoria de Justiça de Serrita envolvendo demandas relacionadas à prefeitura. “Há, ainda, ações civis públicas ajuizadas perante o Poder Judiciário contra o município de Serrita para garantir tratamentos de saúde, fornecimento de leite, além de serviços de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia à população que necessita”, diz nota do MPPE.</p>



<p>O Ministério Público também recomendou que a prefeitura faça a atualização imediata de seu <a href="https://serrita.pe.gov.br/acessoainformacao.php" target="_blank" rel="noreferrer noopener">portal de transparência</a>, divulgando informações sobre licitações e contratações públicas, em conformidade com a Lei de Acesso à Informação.</p>



<p>Ao ser questionada pela Marco Zero sobre a descaracterização da Missa do Vaqueiro, a governadora Raquel Lyra, disse que não tem participado das discussões. “Nosso propósito como governo é garantir que o evento possa acontecer. E a gente espera que haja sempre conciliação entre todos os atores envolvidos, que são super importantes na manutenção desta tradição, que são o poder público, o terceiro setor, a família do padre João Câncio, de Raimundo Jacó. Que possam estar todos juntos ano que vem e essas brigas sejam superadas”.</p>



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