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	<title>Arquivos mulher trans - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 05 Sep 2024 19:38:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos mulher trans - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>“Marçal é um efeito surpresa para nos lembrar de jamais subestimar a extrema-direita”, afirma Erika Hilton</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 19:37:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Erika Hilton]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se há uma figura pública que entende do enfrentamento à extrema-direita, essa pessoa é a deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo. E ela é firme em cravar: “classifico Pablo Marçal como pior do que Bolsonaro”. A disposição de Erika para o debate e o bate-boca com parlamentares bolsonaristas tem sido reconhecida. Na [&#8230;]</p>
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<p>Se há uma figura pública que entende do enfrentamento à extrema-direita, essa pessoa é a deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo. E ela é firme em cravar: “classifico Pablo Marçal como pior do que Bolsonaro”. A disposição de Erika para o debate e o bate-boca com parlamentares bolsonaristas tem sido reconhecida. Na semana passada, ela foi anunciada vencedora do Prêmio Congresso em Foco 2024, na votação popular da categoria “Melhores da Câmara”.</p>



<p>Na madrugada da terça-feira (3), mesmo com o pé machucado, a deputada manteve a vinda ao Recife. O principal compromisso da agenda foi um ato, à noite, na praça da Várzea, de demonstração de apoio à candidatura da colega de partido, Jô Cavalcanti. A atividade contou também com a presença da candidata a prefeita Dani Portela. Durante o dia, porém, Erika aproveitou para gravar mensagens de apoio a outras candidaturas e conceder entrevista à imprensa. Num estúdio localizado no centro, conversou com a <strong>Marco Zero</strong>, depois de falar ao portal Afoitas.</p>



<p>Marco Zero &#8211; <strong>Esta é a primeira eleição depois da disputa presidencial disputada por Lula e Bolsonaro. Como a extrema-direita tem buscado atuar?</strong></p>



<p><strong>Erika Hilton</strong> &#8211; Acho que há um esforço muito forte de tentar retomar a força que foi perdida com a derrota do bolsonarismo. Agora, nas eleições municipais, a extrema-direita está ensaiando para se organizar para o que será 2026. A gente, então, tem que tomar muito cuidado. Não podemos subestimar essa força. O inimigo foi derrotado nas urnas em 2022, mas pode fazer um estrago absurdo nas principais capitais do País.</p>



<p><strong>Como a senhora avalia o efeito Pablo Marçal em São Paulo e no Brasil?</strong></p>



<p>Marçal é um efeito surpresa para nos lembrar de jamais subestimar a extrema-direita. Ele é um homem perigoso, um condenado pela justiça, mas que tem uma capacidade de se vender como popular, de vender sonhos fáceis, de se comunicar com as massas de maneira assustadora. Precisamos desmascará-lo. Precisamos nos comunicar com as massas. Não merecemos um coach que vende ilusões como soluções para os desafios que demandam estratégia, planejamento, experiência e organização.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230; a visão do Nordeste é diferenciada e torço muito por isso (&#8230;) de que o Nordeste seja de novo esse fiel da balança&#8221;</p>
</div>


<p><strong>Mas como fazer isso?</strong></p>



<p>A gente precisa tirar das pessoas essa sensação de que, de maneira simples e por um caminho curto, elas vão ter as suas necessidades e dores solucionadas. Porque é isso que ele vende e é dessa maneira que ele se conecta com grande parte das pessoas, em especial com as periferias de São Paulo. A gente precisa de um antídoto para lembrar quem é esse senhor, como ele construiu a sua riqueza. Precisamos desmontar essa estratégia de comunicação da venda de soluções milagrosas. Eu o classifico como pior do que Bolsonaro, porque acho que, do ponto de vista econômico, de fingir ter um verniz democrático, ele se coloca como um cara moderado, apesar de ser mentira. A gente viu ele no programa Roda Viva acenando ao Supremo Tribunal Federal, dizendo que o país merece ser repactuado. Isso é característica de um estrategista.</p>



<p><strong>A impressão que dá é que o sistema político não está preparado para alguém que age como ele. A Justiça Eleitoral bloqueou as contas no Instagram. Pouco tempo depois, outras recém-criadas já tinham mais de 3 milhões de seguidores.</strong></p>



<p>O Poder Judiciário, em especial nas eleições, avançou, tomou medidas importantes, mas precisa se revisitar para entender quais são e como funcionam esses mecanismos digitais utilizados pela extrema direita para atacar, mentir e cooptar parte da sociedade. As eleições não podem ser sequestradas por essas narrativas e métodos. As eleições precisam ser baseadas em propostas e debates.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Erika-5-com-Jo-1.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Erika-5-com-Jo-1.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Erika-5-com-Jo-1.jpg" alt="Foto noturna de Erika Hilton entre outras duas mulheres em cima de um palco ou palanque iluminado. Erika Hilton usa blusa e calça azul em tonalidade semelhante a jeans. Ela é uma mulher de pele escura, cabelos lisos e loiros, está fazendo um gesto de coração pela metade com a mão esquerda. À esquerda da imagem, de perfil, está Jô Cavalcanti, uma mulher negra com cabelos trançados, colar colorido e vestido na cor bordô. À direita dela, aparece uma mulher negra, de conjunto lilás, levemente desfocada." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Erika Hilton elogiou postura da Justiça Eleitoral
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação/PSOL</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Na eleição presidencial de 2022, o Nordeste se mostrou um contraponto ao bolsonarismo. Para a senhora, como essa polarização se dará na região nas eleições municipais?</strong></p>



<p>Torço muito para que o Nordeste siga nessa frente. Tivemos governos de direita em algumas partes, mas acho que a visão do Nordeste é diferenciada e torço muito por isso. As eleições são uma incógnita. Não tenho acompanhado a fundo o cotidiano nas principais capitais, mas tenho esperança de que o Nordeste seja de novo esse fiel da balança, para dizer que não há espaço para o fascismo.</p>



<p><strong>Recentemente, o resultado do PIB foi divulgado e se mostrou melhor do que a análise de parte da grande mídia e do mercado financeiro. A que a senhora atribui esse tipo de postura?</strong></p>



<p>A grande mídia mantém um certo ranço. O problema não é do governo, é de um mercado que não aceita políticas pensadas para determinados grupos sociais. Há um atachamento de uma série de questões. Mas é um governo que prioriza ainda o povo. Estamos dentro de um Estado e uma sociedade capitalistas, que não aceitam, mesmo com números favoráveis, políticas voltadas às minorias, à classe trabalhadora, ao povo pobre e preto. Ainda que o governo Lula não caminhe na perspectiva de ser o governo mais socialista do mundo, até porque a correlação do Congresso Nacional jamais permitiria, ele ainda é um governo que está puxando o debate fiscal e econômico para o lado de cá. Prioridades como educação, saúde e meio ambiente são pautas secundárias para o mercado. Então, mesmo com o PIB acima da expectativa, a diminuição do desemprego e a valorização real do salário mínimo e aumento do consumo, a gente ainda vê essas críticas.</p>
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		<title>&#8220;Jamais será possível falar de cidadania sem contar com a presença das pessoas trans&#8221;, diz Dayanne Louise</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Cavalcanti]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jul 2024 20:58:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara Municipal do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[cidadã do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[mulher trans]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assim que recebeu o título de cidadã do Recife, a educadora Dayanne Louise ocupou a tribuna da Câmara Municipal do Recife para discursar. Aproveitou para quebrar o protocolo e convidar todas as pessoas trans e travestis presentes naquele momento à sessão a estarem de pé, ombro a ombro, em frente à mesa diretora do plenário. [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p>Assim que recebeu o título de cidadã do Recife, a educadora Dayanne Louise ocupou a tribuna da Câmara Municipal do Recife para discursar. Aproveitou para quebrar o protocolo e convidar todas as pessoas trans e travestis presentes naquele momento à sessão a estarem de pé, ombro a ombro, em frente à mesa diretora do plenário.</p>



<p>O momento sintetizou um simbolismo: em dezembro do ano passado, a Casa havia reunido 20 dos 24 votos necessários para a aprovação do projeto que propunha a homenagem a Dayanne. Por conta da articulação de vereadores fundamentalistas, a concessão acabou sendo rejeitada. O autor Ivan Moraes (PSOL) apresentou, novamente, a proposta e, dessa vez, a cidadania recifense foi aprovada e o título, entregue.</p>



<p>A sessão foi realizada na tarde de terça-feira (2). Essa foi a segunda vez na história secular da Casa José Mariano que uma mulher trans foi condecorada com o título de cidadã do Recife. A primeira foi a ativista Chopelly Santos, em fevereiro de 2022, por iniciativa da vereadora Cida Pedrosa (PCdoB).</p>



<p>No dia seguinte à solenidade em que foi homenageada, Dayanne atuou como facilitadora em uma formação política com a equipe da <a href="https://www.escolalivredereducaodedanos.org/br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Escola Livre de Redução de Danos</a>, organização social que atua com mulheres trans e travestis em situação de vulnerabilidade. Foi onde concedeu à Marco Zero a entrevista abaixo.</p>



<p>Assistente social e professora da rede pública estadual, atualmente ela está licenciada de sala de aula para concluir o doutorado na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Natural de Carpina, Mata Norte pernambucana, hoje reside em Sergipe. Filiada ao PSOL desde 2020, descarta a disputa das eleições deste ano, mas segue determinada no enfrentamento à extrema-direita.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/trans-Guga-Matos.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/trans-Guga-Matos.jpg" alt="Foto do plenário da Câmara Municipal do Recife, com várias pessoas vestindo roupas casuais perfiladas junto à mesa diretora. Algumas estão aplaudindo, enquanto, no alto à esquerda, Dayanne Louise, mulher loira, de cabelos ondulados e pele bronzeada, vestindo camiseta preta decotada. Ao fundo, painel exibe imagens do que está acontecendo no plenário e foto em close da homenageada." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mulheres e homens trans ocuparam o plenário da Câmara ao receber homenagem
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Guga Matos/Câmara Municipal do Recife</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Marco Zero &#8211; <strong>Gostaria de começar perguntando como você está?</strong></p>



<p><strong>Dayanne Louise</strong> &#8211; Estou bem e feliz pela experiência de termos recebido o título de cidadania recifense. Falo no plural por entender que esse título representa uma conquista de um movimento que se faz na coletividade e que representa um projeto alternativo para a cidade do Recife. O sentimento que me move é o de muita gratidão, de que nós estamos caminhando, com muita assertividade.</p>



<p>A partir do momento em que você olha para a fotografia da sessão (de entrega do título), entende que nós estamos criando uma nova fotografia política. Com outras cores, outros gêneros, outras formas de ser e de se expressar. Estamos no rumo certo, mas a gente ainda tem muito a caminhar. A partir desses movimentos e dessas estratégias, temos conseguido honrar aquilo que a gente herdou da nossa ancestralidade, que é a coragem de se mover para além das dores e dos problemas.</p>



<p><strong>Como você avalia o momento político do Brasil hoje?</strong></p>



<p>Acredito que o Brasil precisa colocar na centralidade da discussão sobre cidadania a pauta trans e travesti. É impossível a gente falar de um outro projeto de cidadania brasileira sem pensar na população trans e travesti, que, historicamente, teve seus direitos negados por esse Estado.</p>



<p>Instituições como a <a href="https://antrabrasil.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Antra</a> (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) têm desenvolvido importantes pesquisas e dossiês sobre a nossa realidade através de uma secretaria de educação, de uma secretaria de saúde, de geração de empregabilidade. A <a href="http://redetransbrasil.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rede Trans</a> tem pensado o Brasil com um projeto político. A população trans e travesti tem um projeto político e de cidadania para esse País.</p>



<p><strong>E que projeto é esse?</strong></p>



<p>É um projeto mais inclusivo, que respeita a diferença. É um projeto que reivindica, por exemplo, uma educação a partir da perspectiva paulofreireana. É um projeto que modifica as lentes da saúde, ao reconhecer que saúde não é só a questão de você curar uma doença, mas de você promover o bem viver. É um projeto que representa uma pluralidade de bandeiras históricas.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0"> &#8220;A população trans e travesti tem um projeto político e de cidadania mais inclusivo, que respeita a diferença&#8221;</p>
</div>


<p><strong>Quais são os desafios para lidar com a extrema-direita?</strong></p>



<p>Nós estamos em um país polarizado, em que a extrema-direita utiliza artifícios mais perversos: investimento massivo em <em>fake news</em>, desinformação, propagação de discurso de ódio. Os quatro anos de governo de extrema-direita legitimaram discursos de ódio que, anteriormente, estavam guardados nos armários, mas ainda sim surtindo efeito nos lares, nas salas de professores, nas clínicas de saúde.</p>



<p>O governo de extrema-direita conseguiu fazer com que esse discurso fosse institucionalizado através de falas públicas de autoridades. E isso ainda tem força no Brasil. Não se desfaz de um dia para o outro. A extrema-direita revelou a face que, por exemplo, a população trans e travesti já conhecia. Nós somos um País em que a transfobia, o racismo e o machismo são estruturais.</p>



<p><strong>Você concorda com a análise de que a direita está mais à direita e a esquerda menos à esquerda?</strong></p>



<p>Acho que a gente precisa pensar que temos uma direita que ainda é possível para um processo de diálogo, que estabelece um regime democrático no sentido da disputa de ideias. E nós temos uma extrema-direita que é esse grupo que, de fato, tem promovido um processo perverso de ascensão de o que existe de pior no cenário político.</p>



<p>A extrema-direita, de fato, é um grande desafio porque a gente precisa dar enfrentamento e, ao mesmo tempo, entender que a esquerda é um campo muito plural. Por isso, é complicado dizer se está menos à esquerda porque a gente precisa entender que ela é composta por um grupo muito diverso. O grande desafio é estabelecer um diálogo honesto, reconhecendo essas diferenças e unindo forças para combater o avanço do facismo, mas também entendendo que há princípios inegociáveis.</p>



<p><strong>E quais são eles?</strong></p>



<p>A gente não pode mais pensar que os direitos da população LGBT estão na mesma de negociação, em troca de governabilidade. A gente não pode mais naturalizar que pautas como a criminalização das drogas e a questão do aborto e dos direitos sexuais e reprodutivos virem pautas ditas de costume. E que a esquerda não compre, de fato, a briga pela efetivação dos direitos humanos para todas as pessoas. É preciso que a gente tenha a maturidade para trazer isso à centralidade do debate, porque a extrema-direita consegue se articular para promover o desmonte das políticas.</p>



<p><strong>Mais cedo, você havia falado sobre a importância das pessoas trans e travestis sonharem. Qual é o sonho de Dayanne hoje?</strong></p>



<p>Que o Recife seja uma cidade onde a população trans e travesti seja capaz de sonhar, mas também de concretizar seus sonhos. Que ocasiões como essa entrega do título não seja exceção. Que outros trabalhos sejam reconhecidos e essa coletividade seja fortalecida. Que as casas legislativas sejam, de fato, casas do povo. Que a gente tenha mais rostos de pessoas trans e travestis visibilizados pelos seus méritos, e não mais em páginas policiais ou em lápides de cemitério. O meu sonho é que a gente possa ter um Brasil plural, democrático e com justiça social.</p>



<p><strong>Como você definiria a sessão de entrega do título de cidadã recifense?</strong></p>



<p>Um recado da população trans e travesti do Recife para o Recife. E que recado é esse? O de que jamais, nessa cidade, será possível falar de cidadania sem contar com a nossa presença.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/trans-Beto.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/trans-Beto.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/trans-Beto.jpg" alt="A imagem retrata um evento interno no salão onde funciona o plenário da Câmara Municipal do Recife. Há um pódio na frente com microfones e um arranjo floral. Uma mulher loira de blusa preta está no pódio, lendo a partir de um papel. Na frente do pódio, há uma faixa com várias cores e o que parece ser texto, embora o conteúdo específico do texto não esteja claro. A audiência está de frente para o orador, e várias pessoas estão em pé enquanto outras estão sentadas em fileiras de cadeiras. O fundo mostra grandes janelas e bandeiras, incluindo uma que parece ser as bandeira do Brasil e de Pernambuco. com sua combinação de cores verde, amarelo, azul e branco." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dayanne diz que não se pode aceitar que direitos de pessoas trans sejam negociados
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Beto Figueiroa</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/jamais-sera-possivel-falar-de-cidadania-sem-contar-com-a-presenca-das-pessoas-trans-diz-dayanne-louise/">&#8220;Jamais será possível falar de cidadania sem contar com a presença das pessoas trans&#8221;, diz Dayanne Louise</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Quem é a jovem trans que vai representar Pernambuco em conferência global de segurança de dados</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-e-a-jovem-trans-que-vai-representar-pernambuco-em-conferencia-global-de-seguranca-de-dados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Nov 2023 13:23:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ibura]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[mulher trans]]></category>
		<category><![CDATA[segurança de dados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cria do bairro do Ibura, na zona sul do Recife, Luana Maria acredita que a tecnologia é uma ferramenta de transformação social capaz de desenvolver políticas de bem viver para as pessoas negras, LGBTQIA+ e periféricas. Aos 23 anos, a programadora e diretora executiva da Pajubá Tech vai representar Pernambuco na Data Privacy Global Conference, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cria do bairro do Ibura, na zona sul do Recife, Luana Maria acredita que a tecnologia é uma ferramenta de transformação social capaz de desenvolver políticas de bem viver para as pessoas negras, LGBTQIA+ e periféricas. Aos 23 anos, a programadora e diretora executiva da <a href="https://www.instagram.com/pajubatech/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pajubá Tech</a> vai representar Pernambuco na <a href="https://dpgconference.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Data Privacy Global Conference</a>, a conferência internacional que realiza debates sobre o ecossistema regulatório dos direitos digitais e novas tecnologias, que acontece em São Paulo nesta segunda-feira, 27 de novembro. </p>



<p>“Eu vou para aprender e também para marcar território e dizer que a nossa população preta, LGBT e periférica  pode estar dentro desses espaços e pode ainda ocupar cargos de liderança”, afirmou a jovem mobilizadora social. Mulher trans, Luana Maria tem o sonho de utilizar seus conhecimentos na área de tecnologia e programação para criar soluções práticas para os problemas sociais que incidem dentro de sua comunidade, sobretudo para mudar a realidade de violência enfrentada pela população trans. “Eu vejo que a tecnologia está cada vez mais abrindo vagas afirmativas para a diversidade e, ao mesmo tempo, eu me vejo inserida em um contexto desumano onde Pernambuco lidera como <a href="https://marcozero.org/pernambuco-e-o-segundo-estado-do-brasil-que-mais-mata-pessoas-trans/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um dos estados que mais mata pessoas trans no Brasil,</a> por isso que meu trabalho é voltado para uma tecnologia social, que seja capaz de proporcionar soluções diversas para as problemáticas da quebrada”, declarou a programadora. </p>



<p>Movida pela curiosidade e pela inquietação, a trajetória de Luana tem muito a nos ensinar sobre a potência intelectual e estratégias de resistência da juventude negra e periférica que lutam para conseguir promover mudanças e melhorias não só para si mesmo, mas para toda a sua comunidade. Além de ressaltar a importância da educação pública na formação de lideranças. Sendo assim, deixemos Luana conduzir este relato. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ingresso na área de tecnologia</strong></h2>



<p>&#8220;Eu fui nascida e criada lá no Ibura, que é um bairro que tem o desenvolvimento humano bem baixo, uma das periferias mais violentas do Recife e Região Metropolitana e sempre foi um desafio muito grande para gente viver dentro da periferia. Mas ao mesmo tempo o Ibura é uma fábrica de artistas, de pessoas multiplicadoras. E então, em 2017, eu comecei a me empoderar e pensar nas soluções para os desafios do nosso cotidiano porque eu sou essa pessoa que gosta de propor soluções. Foi aí que, enquanto articuladora social, eu cofundei um coletivo chamado Favela LGBT, que é um coletivo que visa, principalmente, dar visibilidade a artistas LGBTs na periferia.</p>



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	                                        <p class="m-0">Aos 23 anos, Luana Maria vai representar Pernambuco na Data Privacy Global Confere. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Depois disso, em 2019, ingressei no IFPE [Instituto Federal de Pernambuco], no curso técnico de Saneamento, e foi onde começou o meu interesse por tecnologia, especificamente em uma disciplina chamada Geoprocessamento, onde a gente estuda geotecnologia, georreferenciamento e a gente utiliza um programa chamado QGIS.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O QGIS é um aplicação de Sistema de Informações Geográficas (SIG) gratuito e de código aberto que oferece suporte à visualização, edição e análise de dados geoespaciais. O SIG facilita a manipulação e análise de dados espaciais e se refere a todos os aspectos do gerenciamento e uso de dados geográficos digitais, como dados vetoriais e raster</p></blockquote>



<p>E aí eu fui pesquisar, porque eu sou uma pessoa muito curiosa, e vi que o QGIS é um software livre. Um software livre é, basicamente, uma comunidade que vai cada vez mais melhorando naquela plataforma, e esse movimento do software livre é um movimento incrível que democratiza o acesso do conhecimento técnico da área da tecnologia, da programação. Então, eu comecei a ter interesse por essa área.</p>



<p>A partir disso, eu comecei a pesquisar escolas, organizações que dessem aulas de programação de graça, porque estudar a programação em si é um conhecimento muito elitizado, enfim, a área da tecnologia é composta, basicamente, por homens brancos, cisgêneros, héteros, que têm dinheiro para poder investir na sua formação e eu não tenho. Então, eu fui em busca de organizações que ajudassem a impulsionar a minha carreira na área da tecnologia. Foi aí que eu encontrei o <a href="https://minasprogramam.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Minas Programam</a> e ingressei no programa de formação em 2021.  </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O Minas Programam é uma iniciativa criada em 2015 para desafiar os estereótipos de gênero e de raça que influenciam nossa relação com as áreas de ciências, tecnologia e computação. A iniciativa promove oportunidades de aprendizado sobre programação para meninas e mulheres, priorizando àquelas que são negras ou indígenas.</p></blockquote>



<p>Em 2022, eu ingressei no Bootcamp da <a href="https://brazil.generation.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Generation Brasil</a>, que é uma organização lá de São Paulo, e me formei como desenvolvedora Java First Tech Junior, e me tornei alguém capaz de desenvolver software, com instrução sobre linguagem e programação. No final de 2022, consegui uma bolsa pelo Prouni no curso de Sistemas para a Internet, na Faculdade Imaculada Conceição do Recife. Ainda em 2022 participei do Cidadão Digital, que é um programa da <a href="https://new.safernet.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Safernet Brasil</a>, junto com a Meta, que visa pensar as tecnologias, as redes sociais para serem utilizadas de forma mais ética, para poder repassar para os jovens informações de segurança e evidenciar que podemos usar as redes sociais de forma não violenta porque a internet não é uma terra sem lei, é um espaço público e por isso precisamos pensar em sua regulamentação. Foi o Cidadão Digital que me empoderou dessas informações, de pensar uma cidadania digital, de pensar uma internet segura&#8221;.<strong> </strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Pajubá Tech: iniciativa estratégica de inclusão </strong></h3>



<p>&#8220;Em outubro de 2022, comecei a ter essa inquietação, de querer proporcionar espaços para outras pessoas trans e travestis também ingressarem na área da tecnologia. Eu vejo que a tecnologia está cada vez mais abrindo vagas afirmativas para a diversidade e ao mesmo tempo eu me vejo inserida em um contexto desumano onde Pernambuco lidera como estado que mais mata pessoas trans no Brasil, por isso que meu trabalho é voltado para uma tecnologia social, que seja capaz de proporcionar soluções diversas para as problemáticas da quebrada. </p>



<p>Então decidi criar a Pajubá Tech, que é uma iniciativa, um empreendimento social, que entende a tecnologia como tecnologia social e não apenas como tecnologia da informação. Atualmente, a Pajubá Tech tem dois objetivos: propor consultorias para que as empresas possam tornar seus processos seletivos mais diversos e proporcionar ambientes de trabalhos acolhedores para pessoas negras e LBTQIA+ , e o objetivo Adocacy que é apresentar estratégias de incidências políticas que afirmem a inclusão de pessoas trans e travestis no mercado de trabalho. </p>



<p>Esse ano eu consegui minha primeira experiência como desenvolvedora, só depois de dois anos como estudante dentro do mercado da tecnologia, e fundar a Pajubá chega como uma solução para a falta de oportunidades para pessoas trans ingressarem no mercado de trabalho.</p>



<p>Hoje, a Pajubá foca muito no território do Ibura, mas a gente realizou o Summit Tech LGBTQIA + periférico, que foi o primeiro encontro de tecnologia e inovação voltado para a comunidade LGBTQIA +, e o evento acabou tomando uma expansão muito maior e várias pessoas da região metropolitana participaram, e  isso reforça o fato de que não há espaços dentro do nosso território que sejam inclusivos e abracem a nossa diversidade, e uma organização como a Pajubá é composta por três mulheres trans e travestis, que são do Ibura, e é a prova de que mulheres trans e travestis sempre estiveram na liderança de diversas iniciativas, sobretudo no movimento LBTQIA+. </p>



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	                                        <p class="m-0">O 1ª Summit Tech LGBTQIA+ aconteceu em setembro de 2023, no Ibura. Crédito: Dimitri Carlovich Gouveia</p>
	                
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<p>Então a Pajubá Tech é também sobre continuar um legado de outras mulheres trans e travestis, que precisam criar estratégias, que morreram de forma violenta, e nós queremos outras mulheres e homens trans através da nossa atuação e trajetória, queremos que essas pessoas tenham outras narrativas e oportunidades que não seja a prostituição, porque o que a gente vê hoje dentro do nosso território é que pessoas trans e travestis são mortas e ninguém faz nada, porque nosso corpo é visto como um nada&#8221;. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Criação de ferramenta para a população trans</strong></h3>



<p>&#8220;O Data Privacy abriu bolsas com uma vaga para cada região do Brasil e eu decidi me inscrever. No processo de seleção tive que escrever uma carta motivacional falando o porquê que eu gostaria de participar da conferência e também como eu replicaria o conhecimento adquirido lá. A Data Privacy Global Conference é uma conferência que reúne diversos setores, várias instituições do mundo todo para poder discutir segurança de dados e discutir como a inteligência artificial tem sido utilizada para pensar as regulamentações da internet.</p>



<p>No Brasil, o debate sobre essas novas tecnologias ainda não está tão avançado, nós temos a Lei Geral de Proteção de Dados, mas ela ainda é muito falha. Então, precisamos discutir como os dados podem ser utilizados como uma ferramenta de transformação social, esse é o meu objetivo tanto na minha participação na conferência como no trabalho que desenvolvo na Pajubá Tech.</p>



<p>A gente vem pensando cada vez mais como não há dados sobre  o emprego formal para as pessoas trans e travestis e quando não existe dados a gente basicamente está dizendo que aquele público não existe. E se a gente for pensar de forma geral, quem hoje fomenta os dados de assassinato de pessoas trans e travestis, por exemplo, é a Antra [Associação Nacional de Travestis Trantexuais],  e a Pajubá pensa em criar uma solução tecnológica que contribua para o monitoramento de dados de pessoas trans que não estão empregadas. </p>



<p>Então, ir para a Data Privacy é muito além de aprender e trazer essas informações para o meu território, para a minha organização, é para discutir como a gente pode fazer essas cooperações que ajudem a contribuir com políticas públicas para a população trans e travesti. Por isso, eu vou para aprender e vou também para marcar território e dizer que a nossa população preta, LGBT e periférica pode estar dentro desses espaços e pode ainda ocupar cargos de liderança.</p>



<p>A partir do ano que vem, especificamente no mês de janeiro, que é o mês da visibilidade trans, a gente quer começar a co-construir esse diálogo com o poder público para que a gente possa ter um protótipo dessa solução que a gente quer efetivar e construir. E isso não só a Pajubá Tech construindo, mas também quem está lá no território do Ibura, a travesti, que está lá na ponta, que está se prostituindo, porque a gente entende que a participação não é só de quem está na linha de frente, fazendo o ativismo e tal,  mas quem também não está tão empoderada dessas articulações, mas vive e entende o cotidiano da periferia&#8221;.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><br><br><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Quem são as candidatas negras e trans à vaga no STF ignoradas pela mídia tradicional</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-sao-as-candidatas-negras-e-trans-a-vaga-no-stf/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Sep 2023 14:28:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório Duvivier]]></category>
		<category><![CDATA[juristas negras]]></category>
		<category><![CDATA[mulher trans]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A reação dos setores da esquerda mais próximos do PT à campanha humorista e apresentador Gregório Duvivier para o presidente Lula indicar uma mulher negra para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi tão violenta que os nomes propostos pelo movimento Mulheres Negras Decidem ficaram em segundo plano no debate público. Com isso, o ministro da [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p>A reação dos setores da esquerda mais próximos do PT à campanha humorista e apresentador <a href="https://youtu.be/2lxWhuw9-ZQ?si=wGepOUwQsjqNNKPb" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gregório Duvivier</a> para o presidente Lula indicar uma mulher negra para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi tão violenta que os nomes propostos pelo movimento<a href="https://mulheresnegrasdecidem.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Mulheres Negras Decidem</a> ficaram em segundo plano no debate público. Com isso, o ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB) e o advogado-geral da União Jorge Araújo Messias, passaram a ser tratados pela mídia nacional e por atores políticos como favoritos para ocupar a vaga da ministra Rosa Weber, atual presidente da suprema corte.<br><br>À margem das articulações nos gabinetes de Brasília, com autoridades se mexendo para tentar emplacar seus favoritos, os movimentos sociais ofereceram ao presidente Lula alternativas de nomes comprometidos com a luta popular.</p>



<p>Além da iniciativa das mulheres negras, esta semana a <a href="https://aliancalgbti.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aliança Nacional LGBTI+</a> e grupos independentes no meio jurídico apresentaram a candidatura de uma advogada e professora de Direito trans.</p>



<p>Finalmente, quem são e quais os atributos das três juristas negras e uma mulher trans cujos nomes e perfis praticamente sumiram do noticiário?</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Adriana Alves dos Santos Cruz</strong></li></ul>



<p>Comecemos por Adriana Alves dos Santos Cruz, secretária-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde também exerce a função de juíza auxiliar. Não é a primeira vez que seu nome foi ventilado para ocupar uma vaga no Supremo, pois, em 2014, a presidente Dilma Rousseff foi apresentada ao nome dela, mas acabou optando por Edson Facchin.</p>



<p>Adriana foi procuradora do Banco Central até 1999, quando se tornou juíza federal do Tribunal Regional Federal da 2ª região, no Rio de Janeiro. Foi ela quem condenou a quatro anos e oito meses de prisão, por tráfico de armas, o pistoleiro e ex-policial militar Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco.</p>



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	                                        <p class="m-0">Adriana Alves. Crédito: Justiça Federal</p>
	                
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<p>Ela é mestre em direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), doutora em Direito Penal pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e professora da mesma disciplina na PUC-Rio.</p>



<p>No mestrado, a juíza pesquisou como a<a href="https://www.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0812071_2010_pretextual.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> 2ª instância da Justiça Federal costuma decidir em casos em que o racismo ameaça a democracia</a>. No doutorado, ela mudou o foco dos seus estudos e tratou das possibilidades e limites de<a href="https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/9173#:~:text=Ao%20longo%20do%20trabalho%20foram%20problematizadas%20a%20fragilidade,criminaliza%C3%A7%C3%A3o%20do%20financiamento%20ilegal%20como%20tipo%20penal%20aut%C3%B4nomo." target="_blank" rel="noreferrer noopener"> compliance penal nos partidos políticos</a>, ou seja, práticas e procedimentos que podem ser adotadas pelos partidos para atuar em sintonia com a legislação criminal.</p>



<p>Em entrevista para o canal da Justiça Federal, ela expressou sua visão da Justiça: “o Direito Penal é a ferramenta da sociedade para punir com limites, com parâmetros civilizatórios. Nós temos pessoas que, eventualmente, vão praticar condutas que serão incompatíveis com a vida em sociedade e que, por isso, precisam de uma resposta, precisam ser responsabilizadas. Porém, a resposta do Estado a essas condutas precisa se dar com limites e dentro de determinados marcos. Historicamente, o Direito Penal sempre foi exercido como ferramenta de controle para grupos específicos, no nosso caso, para conter a população negra desde seu marco zero”.<br></p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Lívia Sant’anna Vaz</strong></li></ul>



<p>A segunda indicada pelo Mulheres Negras Decidem, Lívia Sant’anna Vaz foi considerada na agenda da Década Internacional das Nações Unidas para Afrodescendentes como uma das 100 pessoas de descendência africana mais influentes do mundo, na edição Lei e Justiça. O motivo para isso foi sua atuação como promotora do Ministério Público da Bahia no combate ao racismo e à intolerância religiosa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Lívia Vaz. Crédito: MPBA</p>
	                
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<p>Lívia Vaz ingressou no MP baiano em 2004. Depois de passar por várias comarcas no interior, em Salvador ela passou a atuar na promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e também passou a coordenar, em 2015, o Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação no MP. Os resultados levaram outros ministérios públicos pelo Brasil a tomar iniciativas semelhantes.</p>



<p>Seu currículo acadêmico também é bastante recheado: ela é mestra em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade de Lisboa. O caminho foi longo e sofrido para alcançar esse patamar. Na escola, ainda criança, Lívia Sant’anna recorda que chegou a ser espancada por colegas brancos que gritavam “aguenta, negrinha!”</p>



<p>Em<a href="https://www.youtube.com/live/CBhsHOaSM3s?feature=shared" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> entrevista para o jornalista Bob Fernandes, no canal da TVT</a>, Lívia Sant’anna explicou que, apesar da indicação para o STF não ter nascido de um projeto pessoal, ela resolveu assumir o compromisso de encarar o desafio publicamente em razão da baixíssima representatividade das mulheres negras no sistema de Justiça, onde ocupam apenas 6% dos cargos e funções. “Nunca me imaginei nesse lugar [a vaga no STF], pra falar a verdade. E racismo também é sobre isso, é muito difícil para nós, mulheres negras, nos enxergamos onde não estamos representadas”.<br></p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Soraia da Rosa Mendes</strong></li></ul>



<p>Por ordem alfabética, a escritora e advogada gaúcha<a href="https://www.escavador.com/sobre/8091747/soraia-da-rosa-mendes" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Soraia Mendes</a> é a terceira jurista negra apresentada pelo movimento social com todas as condições para ocupar uma vaga de ministra do STF. Assim como Adriana Alves Cruz, essa também não foi a primeira vez que seu nome surgiu como opção para a suprema corte: em 2021, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu indicar o “terrivelmente evangélico” André Mendonça, a<a href="https://www.abjd.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Associação Brasileira de Juristas pela Democracia</a>, representando dezenas de organizações sociais, apresentou sua candidatura para o cargo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Soraia Mendes. Crédito: BdF</p>
	                
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<p>Filha de uma empregada doméstica e de um operário sindicalista, ela passou a infância na vila Sepé Tiaraju, uma favela em Viamão, município da região metropolitana de Porto Alegre, Soraia é doutora em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-doutora em Teorias Jurídicas Contemporâneas, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</p>



<p>Como autora, publicou livros que se tornaram referências doutrinárias para o Direito Penal em temas como delação premiada, feminicídio, liberdade de comunicação e processo penal feminista. Ela foi nomeada perita redenciada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no processo que resultou na primeira condenação internacional do Brasil por feminicídio.</p>



<p>Hoje, ela representa as vítimas no caso de escândalo sexual envolvendo as funcionárias da Caixa Econômica Federal contra o ex-presidente da instituição do governo Bolsonaro, Pedro Guimarães.</p>



<p>Em entrevista para o programa <a href="https://www.youtube.com/live/SKV2jS8cwUs?feature=shared" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Podcast do Conde, do canal Rede TVT</a>, ela explicou que vê o Poder Judiciário como “uma estrutura que acaba tendo uma responsabilidade que, por ação ou omissão, chancelam violações. É preciso tecer críticas a essa estrutura e também ao Ministério Público, que teve um papel terrível nesses últimos anos, mas também reconhecer que o Judiciário desempenhou o papel de tábua de salvação”.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Antonella Torres Galindo</strong></li></ul>



<p>A caruaruense Antonella Torres Galindo, vice-diretora da Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é a mulher trans lançada candidata à vaga no STF com apoio da Aliança Nacional LGBTI+ . Mestra e doutora em Direito pela UFPE, fez estágio doutoral na Universidade de Coimbra, em Portugal. Depois de ser aprovada em primeiro lugar em concursos públicos de três universidades federais, optou pela UFPE, onde foi coordenadora de curso, da pós-graduação e de Pesquisa &amp; Extensão, antes de assumir a vice-diretoria.</p>



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	                                        <p class="m-0">Antonella Galindo. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
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<p>Na FDR/UFPE,<a href="https://www.escavador.com/sobre/537358/bruno-cesar-machado-torres-galindo" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> é professora de Direito Constitucional</a>, direcionando suas pesquisas e estudos à área de dos direitos humanos, com foco no direito antidiscriminatório e a defesa de vulneráveis, além de temas considerados mais técnicos ou teóricos, como justiça de transição, da democracia defensiva contra o autoritarismo, do Estado democrático de direito, das instituições e da jurisdição constitucional.</p>



<p>A trajetória acadêmica de Antonella Galindo inclui a colaboração com programas de pós-graduação da UFPB, UFRN, UFAL, , Universidade do Vale do Rio Sinos (Unisinos) e da Universidade Autónoma de Lisboa/Portugal, além de participar de grupos de pesquisas da Universidade de Oxford, no Reino Unido: Oxford Transitional Justice Research e do Public International Law Group.</p>



<p>Seus livros e artigos &#8211; parte deles publicados ainda com seu nome anterior à transição de gênero, Bruno César Machado Torres Galindo) são referências para decisões de vários tribunais. No Tribunal Regional Federal da 5ª Região, ela é faz parte da Unidade de Monitoramento do Cumprimento das Decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos.</p>



<p>Para o canal <a href="https://youtu.be/U9akhElTYn4?si=_dtwcW9W0kiedhAh" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Takin Wave Podcast</a>, no YouTube, ela afirmou que a Constituição de 1988 “permitiu uma vivência democrática e alguns avanços democráticos interessantes, mas resiste com muita dificuldade porque, de alguns pra cá, encontrou um terreno arenoso, de mudanças políticas significativas e isso acaba abalando a confiança na Constituição. Para uma Constituição funcionar, precisamos de um consenso básico, mesmo entre setores que pensem diferente. Já os extremos buscam destruir o outro”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Lula indicar jurista para vaga de Rosa Weber em outubro. Crédito: Nelson Jr./STF</p>
	                
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<p></p>
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		<title>Primeira deputada trans do Brasil, Erica Malunguinho pode não ser candidata</title>
		<link>https://marcozero.org/primeira-deputada-trans-do-brasil-erica-malunguinho-evita-confirmar-candidatura-e-pensa-em-voltar-ao-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Aug 2022 21:46:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[candidaturas transexuais]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Erica Malunguinho]]></category>
		<category><![CDATA[mulher trans]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi na praia do Janga, no município de Paulista, ao som dos sucessos do Grupo Revelação, que Erica Malunguinho encontrou a equipe da Marco Zero para compartilhar os momentos marcantes de sua trajetória pessoal e política. O local, escolhido pela entrevistada, ficava a poucos metros da casa de sua mãe, e era nítido o valor [&#8230;]</p>
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<p>Foi na praia do Janga, no município de Paulista, ao som dos sucessos do Grupo Revelação, que Erica Malunguinho encontrou a equipe da Marco Zero para compartilhar os momentos marcantes de sua trajetória pessoal e política. O local, escolhido pela entrevistada, ficava a poucos metros da casa de sua mãe, e era nítido o valor afetivo que existia ali. Vestida com uma camiseta do Grêmio Recreativo Escola de Samba Preto Velho, de Olinda, e saboreando um caldinho à beira mar, a primeira deputada estadual trans do Brasil se despiu da formalidade do cargo eletivo e expôs a pernambucanidade que lhe forma e sustenta sua luta.</p>



<p>Durante a conversa, entretanto, Malunguinho surpreendeu e não confirmou se disputará as eleições este ano para renovar seu mandato ou buscar um assento na Câmara Federal, apesar da convenção do PSOL paulista ter realizado sua convenção no sábado, dia 30 de julho, e aprovado seu nome como candidata a deputada federal, enquanto ela estava no Recife. Outra surpresa: ela quer se reaproximar de Pernambuco.</p>



<p>“Sou deputada em São Paulo, mas faço questão de afirmar a todo momento que sou de Pernambuco porque tenho absoluta certeza que tudo que eu sou diz respeito à formação afetiva e intelectual que tive neste lugar”. A afirmação veio seguida por diversas histórias marcantes de sua vida e de sua família, que tem origem na cidade de Tracunhaém, na Zona da Mata Norte, conhecida como “cidade do barro”.</p>



<p>“O início da minha família é em Tracunhaém, depois tanto minha mãe quanto meu pai migram para o bairro de Água Fria, em Recife. Mas depois que minha avó faleceu minha mãe se mudou para Paulista, onde passamos praticamente a vida toda”, contou a deputada.</p>



<p>Apesar de frequentar bastante o bairro de Água Fria, devido a sua ligação com o Terreiro Sítio do Pai Adão, foi no bairro de Arthur Lundgren, no Paulista, que Erica Malunguinho passoua infância e adolescência. “Eu tinha uma reserva de Mata Atlântica na esquina da minha casa, então eu vivia brincando na mata. Eu tenho essa experiência de uma infância muito poderosa, de viver sempre na mata, nos rios, conversando com os mais velhos”.</p>



<p>Ao relembrar da infância, Erica reforçou a importância de suas vivências culturais no estado como base de uma formação política: “o que move meu pensamento é a relação com as pessoas, com a sociedade e com a cultura. E Pernambuco é um território fértil e riquíssimo nesses três aspectos. Meu saber é sensível por conta da percepção desse território. As imagens que formam a minha cabeça são dos caboclos de lança, das cirandas. A primeira vez que eu vi uma travesti foi em um maracatu”.</p>



<p>Educadora e artista plástica, Erica Malunguinho foi eleita deputada estadual em São Paulo em 2018 pelo PSOL e se tornou a primeira mulher trans a ocupar o cargo de deputada no Brasil. Nomeado como “Mandata Quilombo”, o mandato gestão de Erica caminha para se tornar o primeiro gabinete político do país a ser completamente composto por pessoas pretas. Os votos e o cargo, contudo, não lhe trouxeram soberba. </p>



<p>Erica acredita que o diálogo humanizado com as ditas minorias no Brasil &#8211; negros, mulheres, indígenas, LGBTQIAP+ &#8211; continua sendo o melhor caminho para construir uma revolução política e social. “Eu acredito na revolução porque não há ser humano neste mundo que esteja condicionado à opressão e a submissão. Era para a maioria da população negra desse país estar morta agora, mas nós fizemos quilombos porque não nos conformamos com as chicotadas e com a morte”, declarou a deputada.</p>



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	                                        <p class="m-0">De pés no chão, no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo. Crédito: Divulgação/Assessoria Erica Malunguinho</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mãe guardiã</strong></h2>



<p>Sendo o Brasil um país formado por um sistema colonizador e escravocrata, a miscigenação &#8211; processo violento e desumano, muitas vezes sendo visto como benéfico de forma errônea e racista &#8211; fez com que muitos negros e negras demorassem a se reconhecer como tal. Isso aconteceu com a repórter que vos escreve, que só aos 15 anos começou a se reconhecer e identificar como mulher negra. Para Erica Malunguinho, porém, esse momento de descoberta nunca existiu.</p>



<p>“Eu tive muitos professores e professoras negras, no meu bairro tinha muita gente preta e minha família também é completamente negra, então, a experiência do racismo passou de outro jeito por mim, eu nunca me descobri negra porque não tinha o que descobrir, era todo mundo preto”, afirmou a deputada.</p>



<p>Apesar de viver em um bairro periférico, a vulnerabilidade e pobreza extrema não fizeram parte da vida de Erica, mas isso não impediu que ela notasse as desigualdades: “eu tive uma vida muito simples, mas organizada, onde todo mundo trabalhava, não tinha uma situação de extrema vulnerabilidade ali, porém era uma vida limitada, obviamente”.</p>



<p>Dentro da comunidade em que Erica foi criada, questões de raça e classe eram problemas conhecidos e comuns, por isso não traziam para ela uma sensação constante de insegurança. No entanto, gênero e sexualidade ainda eram questões que a colocavam em um lugar de opressão. “Óbvio que eu passei por muitas situações de violência por conta da minha identidade de gênero, fui violentada por crianças, por pessoas mais velhas, já me bateram, me deixaram pelada na rua, me trancaram no banheiro da escola para que eu não fizesse uma prova, muita coisa aconteceu, mas eu sempre tive um lugar de proteção que era a minha família, minha mãe”, relatou a deputada.</p>



<p>Protetora, melhor amiga, referência política, pilar de sustentação, se Pernambuco foi um território fundamental para a formação intelectual e afetiva de Erica Malunguinho, a sua mãe foi &#8211; e ainda é &#8211; a guardiã de sua trajetória.</p>



<p>“Minha mãe é uma mulher preta e, como as estatísticas de abandono parental mostram, ela sempre criou os filhos e grande parte da família sozinha. E mesmo quando ela voltava cansada do trabalho como enfermeira, ao invés de descansar, ela ia atender o bairro, e eu sempre ia junto com ela. Eu cresci vendo essa sensibilidade e solidariedade que ela tinha com as pessoas”, contou Erica sobre sua mãe, que ela preferiu não nomear por temer que ela sofra perseguições e represálias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os caminhos até São Paulo</strong></h2>



<p>Na adolescência, Erica Malunguinho começou a usar a moda como uma ferramenta artística para questionar gênero e sexualidade. “Eu iniciei um processo de criação artística, fazendo intervenções através da linguagem da moda. Com o vestuário eu fui transgredindo os estereótipos de gênero. Eu usava roupas pensadas para chocar”, afirmou a deputada.</p>



<p>De 1996 até 1998, Erica criava e modelava com suas próprias criações pelas ruas do Recife. A deputada contou que adorava desfilar pelas ruas do Recife Antigo: “imagina a classe dominante de Recife vendo eu muito fina”.</p>



<p>A paixão pela arte impulsionou o desejo em explorar sua corporalidade e, em 2001, Erica Malunguinho decide ir morar em São Paulo. “Eu sabia que precisava ter uma vida independente principalmente porque tinham algumas questões de gênero e sexualidade que eu precisava viver e isso seria muito difícil se eu tivesse ficado aqui, porque tinha toda uma relação familiar que não dava conta. Então, eu fui para São Paulo pensando em explorar a minha existência. [&#8230;] As pessoas de São Paulo sempre esperam que eu tenha um discurso de uma vida muito difícil e sofrida em Pernambuco e esse seria o motivo que me fez migrar, mas não foi isso, eu fui por uma escolha pessoal”, declarou a deputada.</p>



<p>Em São Paulo, Erica Malunguinho começou a trabalhar e iniciou sua graduação em Pedagogia. Em seguida, a educadora passou a realizar formações focadas em gênero, raça e sexualidade e ingressou no mestrado em Artes Plásticas. Não foi um percurso fácil: “eu sempre estive produzindo arte, fazendo performance, desenho, fotografia, literatura e tudo isso tendo que enfrentar muita coisa, racismo, xenofobia, transfobia. Eu conheci o racismo em São Paulo. Havia uma violência constante durante todo esse processo na educação onde eu fui muito interditada, por isso eu me agarrei na intelectualidade para provar com o meu conhecimento que aquele lugar que eles queriam me colocar não era certo”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Aparelha Luzia: um bioma das inteligências negras</strong></h3>



<p>Em 2016, Erica Malunguinho percebeu a urgência em radicalizar as discussões sobre raça, gênero, sexualidade e classes sociais e começou a idealizar a melhor maneira de unir arte e política. Através do desejo em construir um espaço para acolher, ensinar e impulsionar políticas pensadas pelo o povo negro e para o povo negro, nasceu a Aparelha Luzia.</p>



<p>Centro cultural, casa de shows, centro de formação, organização não governamental ou espaço político? Tudo isso e nada disso. Erica prefere denominar a Aparelha como quilombo urbano e explica porquê: “é um lugar essencialmente político, do lugar mais genuíno de onde eu entendo a política, que não é apenas dentro de uma casa legislativa. Política é agir na sociabilidade, na pólis, isso é fazer política, e a Aparelha está sempre fazendo isso, uma política baseada em afeto, em reciprocidade, em conflitos a serem resolvidos entre nós, pessoas pretas, e com isso ela dialoga também com a política institucional”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Evento na Aparelha Luzia. Crédito: reprodução/Instagram</p>
	                
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<p>“É um bioma das inteligências negras, um espaço de sociabilidade e discussões diversas e com isso responde uma pergunta muito interessante: ‘o que as pessoas pretas podem fazer quando não precisam pensar em racismo?’”, especula Erica Malunguinho.</p>



<p>A Aparelha Luzia recebe diversas ações políticas e culturais de diferentes iniciativas do movimento negro, e está localizada no bairro de Campos Elíseos, em São Paulo.</p>



<p>A própria escolha do nome “Aparelha” é um ato político e faz referência aos espaços de resistência, abrigo ou esconderijo utilizados pelos militantes de esquerda durante a ditadura, que eram chamados de “aparelho”. “Aparelha é aparelha porque a revolução é feminina e a palavra ‘mandata’ vem do mesmo lugar, para fazer uma torção e uma provocação necessária sobre essa masculinidade compulsória que também está presente na língua e no ethos”, explicou Erica.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Política partidária</strong></h3>



<p>Até 2018, Erica Malunguinho não era filiada a nenhum partido político. Foi a ascensão do bolsonarismo e do discurso fascista que despertou na educadora a urgência em lançar uma candidatura que pudesse abrir espaços na política institucional.“Eu sabia que nós precisávamos colocar alguém com um discurso e com uma prática radical, então eu olhei pro lado, olhei pro outro, não vi ninguém, e pensei ‘eu vou’”, disse a deputada.</p>



<p>Erica contou que apesar da demora em ingressar de forma mais direta na política, a sua história familiar já era marcada por atuações no campo progressista: “minha avó apoiou Miguel Arraes, quando ele foi preso ela foi protestar na porta da delegacia. Minha mãe era ligada a Francisco Julião, um dos maiores líderes das Ligas Camponesas. Então, não tinha como eu não estar envolvida com esse campo progressista da política, eu só fui lapidando isso, porque antes eu achava que era uma luta de classes, mas atualmente eu entendo que antes de tudo é um conflito racial que gera um conflito de classes no Brasil”.</p>



<p>Após ser eleita, Erica Malunguinho resolveu levar ao seu mandato, que ela chama de “Mandata Quilombo&#8221;, todas as suas lutas pessoais e políticas e formou um gabinete composto 100% por pessoas negras e com maioria de mulheres e pessoas LGBTQIAP+.</p>



<p>“A gente vai entregar para São Paulo e para o Brasil o primeiro e único gabinete 100% negro do país e isso já é uma revolução, porque a gente sabe como o racismo institucional opera de modo a interditar que pessoas pretas sejam participantes, ainda mais em uma totalidade como essa. Não é possível que toda pessoa que projeta e constrói ônibus não anda de ônibus, então se eu estou falando de romper violência e desigualdade, é óbvio que tem que ser o meu povo, o povo negro, que precisa estar pensando nisso. Essa mandata é uma experiência que afirma e comprova o que a gente já sabia: que o povo preto sabe fazer política institucional também”, afirmou.</p>



<p>Entre os feitos de sua &#8220;mandata&#8221;, Erica Malunguinho ressaltou o aumento no número de emendas parlamentares destinados aos povos de terreiros, quilombolas e população negra e LGBTQIAP+. Um dos seus projetos aprovados, estabeleceu que, em São Paulo, as mulheres trans vítimas de violências devem ser atendidas pelas delegacias da mulher.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Adeus à vida pública e volta a Pernambuco?</h3>



<p>Apesar de ter lançado sua pré-candidatura a a deputada federal nas eleições de outubro, ela nitidamente desconversou quando a conversa chegou a esse assunto, inevitável, aliás. Questionada sobre qual seriam seus próximos passos na política, sua resposta foi evasiva: “o próximo passo é: nós vamos eleger a maior bancada de pessoas negras, LGBTs, indígenas e mulheres da história desse país. Também vamos eleger Lula presidente, porque ele é o nosso maior estadista e nesse momento é a única pessoa capaz de colocar as coisas no lugar. Eu confio muito nisso e vou usar toda minha energia para que isso se materialize”.</p>



<p>“A gente tem solução e precisamos colocar ela em prática porque nós não vamos mais ser apenas destinos de políticas públicas, vamos ser as pensantes delas. Esse é um compromisso que Lula também deve assumir, porque foi muito importante instituir as políticas afirmativas, como as cotas, mas agora a gente tem uma geração que é fruto desse processo afirmativo e essas pessoas precisam estar nas estatais, nas políticas, pensando toda a formação da sociedade, não há mais desculpa para dizer que essas pessoas não têm capacidade de estar nesses lugares”, concluiu a deputada.</p>



<p>Nesse momento, ela deixou no ar a possibilidade de retornar  de vez a Pernambuco sequer sair candidata, pois antes de despedir-se, admitiu que está com saudade de viver em Pernambuco e que essa última visita ao estado mexeu com ela de uma forma diferente. Seria um chamado do lugar que a formou. “Quem sabe? Será que vem aí uma Aparelha Luzia no Recife? Imagina”, respondeu a deputada.</p>



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	                                        <p class="m-0">Erica será candidata? Ela respondeu com evasivas. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Mulher sofre ataque transfóbico após evento de boas-vindas LGBT dentro da UFPE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2018 19:15:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[ataque de ódio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dália Celeste, 25 anos, mais uma mulher trans vítima de um ataque transfóbico em espaços públicos por ser quem é. Na noite da sexta-feira (23), a estudante do pré-vestibular solidário da UFPE foi espancada de maneira covarde por dois homens quando se preparava para voltar para casa, depois de participar de evento cultural de acolhida [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dália Celeste, 25 anos, mais uma mulher trans vítima de um ataque transfóbico em espaços públicos por ser quem é. Na noite da sexta-feira (23), a estudante do pré-vestibular solidário da UFPE foi espancada de maneira covarde por dois homens quando se preparava para voltar para casa, depois de participar de evento cultural de acolhida e boas-vindas à comunidade LGBT da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Dália foi atingida por uma pedra quando chegava na parada de ônibus, em seguida foi atacada por pelo menos dois homens que ela não teve tempo de ver de onde vieram. “Quebra o rosto dela”, foi a última frase que ouviu antes de conseguir correr para salvar sua vida. Dália não é apenas trans, mas mulher negra, feminista e de periferia.</p>
<p>Mais cedo, na mesma noite, Dália já tinha sofrido uma agressão de um homem conhecido na região da Cidade Universitária e do bairro da Várzea por perseguir mulheres trans e andar sempre em grupo, com outros homens, promovendo ataques lgbtfóbicos. De acordo com outra estudante trans, que preferiu não se identificar para resguardar sua segurança, ele já a intimidou e perseguiu em outras ocasiões. Ele seria morador da Várzea e teria o costume de aparecer em eventos abertos dentro da própria universidade, o que levanta a suspeita de que não estaria sozinho. Segundo relato de Dália, em postagem em sua rede social, o homem se aproximou dela e questionou, em tom agressivo, se ela era uma mulher. Dália estava acompanhada de outras mulheres no momento e confrontou o interlocutor, que saiu do espaço sob vaias das pessoas que viram a cena.</p>
<p>Dandara Alves, estudante de Ciências Sociais, bolsista e integrante da Diretoria LGBT da UFPE (mas que não fala oficialmente pela Diretoria), estava na organização do evento e relatou que por dois momentos as atividades foram paralisadas para realizar falas de repreensão. Uma delas foi a agressão sofrida por Dália. A primeira foi devido a uma mulher que relatou conflito com um homem presente no evento. “A diretoria não compactua com nenhum tipo de violência contra nenhuma mulher. A pauta do feminismo é intimamente ligada à pauta LGBT”, explicou. A Diretoria LGBT é ligada à Reitoria da UFPE e tem entre seus integrantes estudantes LGBT da universidade. De acordo com o site oficial da instituição, ela “é responsável pela execução da Política LGBT da UFPE, cujo objetivo primordial é favorecer o acolhimento, a inserção e a permanência da comunidade LGBT da UFPE”.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/post-dália.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-7652" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/post-dália-269x300.png" alt="post dália" width="400" height="446"></a>“Nós fizemos uma intervenção no palco, explicando que não seriam aceitas lgbtfobia e transfobia, sobretudo no evento que estávamos fazendo”, contou Dandara. Dália também tomou a fala e explicou o episódio no microfone, durante o ato. “Eu sei que infelizmente se a gente não se preservar em alguns espaços nos tornaremos alvos fáceis”, explicou Dandara. Ela e outras mulheres que estavam na hora alertaram Dália que ficasse por perto, com outras mulheres, por receio de que o homem voltasse ao local. “Me parece que ele estava muito seguro para fazer isso. O que me faz pensar que talvez fosse algo pensado. Ele não tem respeito nenhum pelas travestis.&nbsp; Isso é fato. Ele&nbsp;foi para um lugar onde tinham muitas travestis e veio falar que nós somos homens. Então para fazer isso ele tem que ser, no mínimo, burro, confortável”,&nbsp;completa&nbsp;a estudante trans que pediu para não ser identificada.</p>
<p>O evento encerrou às 21h30. Apenas quando chegou em casa, Dandara teve notícias do ataque, que, segundo ela explica, vem sendo distorcido nas redes sociais. “Estamos recebendo vários ataques oportunistas de pessoas que estão aproveitando o que aconteceu com Dália para atacar a Diretoria LGBT”, denuncia.</p>
<p>“O que aconteceu com Dália ali poderia ter acontecido comigo, com qualquer uma de nós ali. Não foi omissão da gente. A gente fez um evento LGBT para que as pessoas se sentissem acolhidas para que nesses momentos soubessem que a diretoria está com elas. Estou muito fragilizada, estou com medo de sair de casa e ainda mais com esses ataques”, desabafou. &#8220;Agora nós estamos preocupados com a acolhida dela. É importante que ela vá para a delegacia. Em seguida vamos nos posicionar&#8221;, explicou Dandara.</p>
<p>Em seu perfil em uma rede social, Dália publicou imagens do rosto machucado denunciando a violência e questionando que cara tem a transfobia. Certamente não a dela, vítima, mas a de seus agressores. “Meu nome é Dália, sou uma mulher trans, negra e feminista. Antes de relatar minha história, eu quero mostrar a vocês o rosto que não é meu, quero mostrar o rosto que é da misoginia, o rosto da transfobia. O rosto de milhares de mulheres. Mostrar o rosto que antes de tudo denunciou, o único rosto que me fez ter vergonha de chegar em casa e olhar para minha mãe”.</p>
<p><strong>Desprotegidas no campus</strong></p>
<p>De acordo com Dandara, atos de violência e lgbtfóbicos são mais comuns do que se imagina, muitos envolvendo pessoas de fora da comunidade universitária.&nbsp;Apesar de ser o terceiro grande evento desde o retorno das aulas – antes da cultural aconteceram duas calouradas – parece que não houve atenção especial da segurança do campus.</p>
<p>Além disso, a estudante relata outros casos que aconteceram em dias comuns, como o de uma amiga, também trans, perseguida por três homens depois de deixar a aula no prédio do CFCH (Centro de Filosofia e Ciências Humanas) até a moradia universitária, onde reside.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/28953854_1321988287946249_1674598766320623759_o.jpg"><img decoding="async" class="alignright wp-image-7643" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/03/28953854_1321988287946249_1674598766320623759_o-212x300.jpg" alt="28953854_1321988287946249_1674598766320623759_o" width="350" height="495"></a></p>
<p>A parada de ônibus para a qual Dália estava a caminho é também outro local visado para ataques LGBT, com pouca iluminação e segurança. “A Dália é uma travesti negra da periferia. Estamos muito assustadas. A UFPE tem muitas pessoas trans estudantes, precisa de atenção especial”, diz Dandara.</p>
<p>“Como fica nossa segurança depois disso? Foi numa cultural LGBT que foi muito bonita, a Diretoria LGBT arrasou muito, mas ainda assim a gente fica à mercê dessa violência”,&nbsp;questiona a estudante que preferiu não se identificar.</p>
<p>Procurada pela reportagem, a Assessoria de Comunicação da UFPE informou que a Diretoria LGBT publicaria nota oficial sobre o caso. Em página em rede social, a Diretoria <a href="https://www.facebook.com/diretorialgbtufpe/photos/a.1236498076380219.1073741828.1220875547942472/2214044698625547/?type=3&amp;theater">publicou nota em que expressa indignação e revolta com o ataque</a>. &#8220;<span style="color: #1d2129;">Informamos ainda que a estudante está sendo devidamente assistida e amparada pela nossa equipe. Todas as medidas administrativas já estão sendo tomadas no sentido de cooperar para possível identificação e punição do agressor nas instâncias cabíveis&#8221;. Leia nota na íntegra no fim da reportagem.</span></p>
<p><strong>Resistência</strong></p>
<p>Na segunda-feira (26), às 14h, o Pré-Vestibular Solidário, coletivos, grupos e movimentos que atuam na&nbsp;UFPE&nbsp; vão realizar um&nbsp;ato contra o ataque a Dália e em defensa de uma estratégia de proteção às pessoas LGBT que fazem parte da comunidade universitária. A Diretoria LGBT da UFPE também estará presente. A manifestação acontecerá no Centro de Educação, mesmo local em que ocorreu a cultural de recepção.</p>
<blockquote><p><strong>Nota da Diretoria LGBT da UFPE:</strong></p>
<p><em><span style="color: #1d2129;">A Diretoria LGBT da UFPE, órgão ligado ao Gabinete do Reitor e responsável pelo acolhimento, inserção e permanência dessa população no âmbito da universidade, vem por meio desta nota expressar nossa total indignação por mais um lamentável episódio de transfobia.</span></em></p>
<p><em>No dia 23 de março 2018 foi realizado, em frente ao Centro de Educação (CE), um evento de incentivo às manifestações artísticas e culturais promovidas pelas pessoas LGBTs da UFPE. Na ocasião, fomos procuradas por uma<span class="text_exposed_show">&nbsp;estudante do Vestibular Solidário, cursinho preparatório para o ENEM, que nos informou que havia sofrido discriminação e violência verbal/ simbólica por parte de um homem cisgênero ainda não identificado. De imediato, paramos as apresentações e repudiamos publicamente e enfaticamente as atitudes do agressor. Ratificamos que a Universidade Federal de Pernambuco, NÃO TOLERA qualquer tipo de discriminação e violência contra a população LGBT, em especial as pessoas trans e as travestis. Em seguida, a Cultural transcorreu tranquilamente sendo finalizada de igual maneira às 21:30.&nbsp;</span></em></p>
<div class="text_exposed_show">
<p><em>Contudo, após o término do evento, a estudante foi fisicamente agredida quando voltava para casa, a caminho da parada de ônibus. Vivemos no país do mundo que mais mata travestis e mulheres trans, o dado é conhecido, mas quando a violência chega tão perto de nós é ainda mais estarrecedor. São tempos difíceis para ser quem a gente é diante de tanto ódio e intolerância.</em></p>
</div>
<p style="color: #1d2129;"><em>Nesse sentido, faz-se necessário expressar nossa indignação e revolta diante dos fatos ocorridos. Informamos ainda que a estudante está sendo devidamente assistida e amparada pela nossa equipe. Todas as medidas administrativas já estão sendo tomadas no sentido de cooperar para possível identificação e punição do agressor nas instâncias cabíveis. Acontecimentos como o que estamos repudiando somente reforçam a importância do nosso trabalho e nos move na luta pela construção de uma sociedade democrática e inclusiva para todos e todas.&nbsp;</em></p>
<p style="color: #1d2129;"><em>Não passarão!</em></p>
<p style="color: #1d2129;"><em>Recife, 24 de março de 2018.</em><br />
<em>Diretoria LGBT UFPE</em></p></blockquote>
<p style="color: #1d2129;">*Atualizada às 21h59.</p>
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