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	<title>Arquivos mulheres trans - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 19 Mar 2024 16:28:44 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos mulheres trans - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Histórias que repórteres policiais não têm tempo pra contar</title>
		<link>https://marcozero.org/historias-que-reporteres-policiais-nao-tem-tempo-pra-contar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Martihene Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2024 15:40:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres trans]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[transfobia]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cresci vendo minha mãe e minhas tias pretas em frente aos jornais policiais do meio dia, estraçalhando suas coxas de frango &#8211; quando se tinha &#8211; enquanto assistiam ao próprio genocídio pasmadas, estarrecidas, contudo, acostumadas. Nada diferente da imagem apresentada aos meus vizinhos, aos outros parentes, conhecidos e amigos de infância. Presenciar assassinatos na frente [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cresci vendo minha mãe e minhas tias pretas em frente aos jornais policiais do meio dia, estraçalhando suas coxas de frango &#8211; quando se tinha &#8211; enquanto assistiam ao próprio genocídio pasmadas, estarrecidas, contudo, acostumadas. Nada diferente da imagem apresentada aos meus vizinhos, aos outros parentes, conhecidos e amigos de infância.</p>



<p>Presenciar assassinatos na frente de minha casa, mesmo residindo na área mais privilegiada da favela, me mostrou, desde criança, que não é todo mundo que vê a morte como a gente vê. Na faculdade, a morte narrada por mim, estatalava a professora de outra cor e classe, mesmo morando em um bairro vizinho ao meu, mesmo sendo ela empática e comprometida com um jornalismo ético e justo.</p>



<p>É março de 2024 e já faz um ano que a voz de Evellyn, trans assassinada na comunidade de Caranguejo Tabaiares, no Recife, ainda ressoa em meu whatsapp. No último 8 de Março, as mulheres de Caranguejo marcharam pela comunidade com pelo menos uma trans a menos. A morte, que aconteceu em outubro, me fez ouvir seus áudios repetidamente. Em nenhum momento ela falou de ameaças, não como mulher trans, não por ser mulher negra, embora a premissa para as estatísticas da morte nos territórios de pretas e pretos é simplesmente estarem vivas e vivos. </p>



<p>Morre-se porque entrou para as drogas, morre-se porque se tornou o preto ou a preta metida, morre-se porque se tornou traficante, morre-se porque virou polícia, morre-se porque ficou doente, morre-se porque saiu pra correr, morre-se porque saiu pra trabalhar, morre-se porque ficou em casa dormindo. A bala chega pra a gente de todo jeito e, se não for em forma de projétil, pode ser nas longas filas de espera para nos curarmos e, entenda como quiser, não estou falando só do SUS.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;morre-se porque se tornou traficante, morre-se porque virou polícia&#8230;&#8221;</p>
</div>


<p>Por ser mulher, a <a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/03/08/brasil-tem-maior-numero-de-feminicidios-desde-que-o-crime-foi-tipificado.htm">cada seis horas ganho uma chance de viver</a>, como sou negra, <a href="https://www.cartacapital.com.br/sociedade/7-em-cada-10-mulheres-assassinadas-com-armas-de-fogo-no-pais-sao-negras-aponta-pesquisa/">de dez em dez mortes eu vou ganhando 7 vidas. </a>Se eu fosse trans, me estampariam na cara, todos os dias, que o país onde moro,<a href="https://www.poder360.com.br/brasil/assassinatos-de-pessoas-trans-aumentam-10-em-2023-diz-associacao/#:~:text=Com%20145%20mortes%2C%20Brasil%20permanece,2024%2C%20j%C3%A1%20s%C3%A3o%209%20homic%C3%ADdios&amp;text=A%20Antra%20(Associa%C3%A7%C3%A3o%20Nacional%20de,jan."> por 15 anos ininterruptos é responsável pelo maior número de assassinatos de pessoas como eu no mundo</a>.</p>



<p>Para a favela, jornalistas só perguntam sobre a morte. Eu quero conversar com alguém de Evellyn, para falar sobre a vida dela, mas, como em todo assassinato que ocorre em territórios periféricos, as pessoas sempre têm medo de falar. Sendo assim, tudo o que tenho por Evellyn são seus áudios que me falam de sua vida e a sensação de que como disseminadora de informação, se não fosse esse cenário, eu, Martihene, jornalista de favela, poderia ter mais.</p>



<p>Era tarde, dia 14 de março de 2023, quando enviei uma mensagem para Evellyn. Poucos dias antes, as mulheres da comunidade Caranguejo Tabaiares, no Bongi, em Recife, haviam reinventado o 8M. Com apitos, cartazes e faixas, elas cruzaram a ponte da resistência sobre o canal que atravessa a comunidade e, onde havia uma mulher, em cada porta, paravam para conversar sobre violência de gênero. Evellyn Sophia da Silva, na época com 23 anos, trans e negra, não perdeu tempo. Na cartolina amarela pintou de tinta rosa a reafirmação: “sou uma mulher trans”, que estendida ao sol, contrastava com o vermelho de suas admiráveis unhas.</p>



<p>– Oi, Evellyn, sou Martihene Oliveira, jornalista que atua no Mapa da Mídia Independente e Popular de Pernambuco, gostaria de conversar com você sobre o 8M que aconteceu com as mulheres de Caranguejo Tabaiares, tens um tempinho para mim? </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Sophia.jpg" alt="Fotografia impressa e colada em uma cartolina de Evelyn Sophia. Ela está ao ar livre, sob a luz do dia, usando uma touca azul cobrindo seus cabelos e parece estar segurando um pedaço de fruta. Sua camiseta tem texto impresso que não é completamente visível. Abaixo da fotografia, há um texto escrito à mão em português em um papel azul claro que está anexado à parte inferior da foto. O texto escrito à mão é acompanhado por um coração desenhado em tinta vermelha. O fundo atrás dessa composição é vermelho. O texto escrito à mão diz: “VOCÊ ESTARÁ ENTRE NÓS SEMPRE!”" class="" loading="lazy" width="273">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Coletivo Caranguejo Tabaiares</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Evellyn, atenciosa toda, me pediu para que aguardasse só um pouco, estava na rua e não podia bobear com o celular, uma hora depois a gente conversou.</p>



<p>&#8211; Oi, eu sou Evellyn, sou uma mulher trans. A marcha das mulheres foi muito legal. Estar inserida em trabalhos assim na comunidade mudou muito minha vida. Isso me fortalece como mulher trans, me ajuda a conseguir emprego, não ficar na rua nem depressiva dentro de casa. Me tratam como mulher, sabe? É muito difícil pra gente não ser tratada assim.</p>



<p>Na quarta-feira, dia 18 de outubro, Evellyn Sophia, aos 24 anos, foi assassinada dentro de casa. Eu não sabia que aquela conversa que tivemos teria sido a primeira e a última. Três dias antes, no domingo (15), um jovem havia sido assassinado na mesma área.</p>



<p>“Muita dor por aqui, temos lutado há muito tempo para que nosso território seja lugar de paz e sonhos realizados e quando vemos o que esse projeto da necropolítica faz, entramos em um lugar de muita dor. Precisamos pensar que isso não é um fato isolado de Caranguejo mas que estamos de novo servindo de vitrine para uma total falta de esperança alimentada por esse Estado, imprensa e muitas forças políticas”, afirmou uma moradora da comunidade.</p>



<p>A dor que a moradora fala segue silenciada pelo medo. Abafa o diagnóstico daqueles que dizem que o racismo do Brasil é velado, mas velado para quem? É tão fácil de ser identificado quem morre e quem vive no nosso país, quem come e quem passa fome, quem é preso e quem não é, quem chora e quem sorri. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;dizem que o racismo do Brasil é velado, mas velado para quem?&#8221;</p>
</div>


<p>O medo da favela, sempre que alguém é assassinado, não aponta testemunhas para as mortes, mas os jornais policiais e as páginas sensacionalistas noticiam com facilidade: “corpos pretos, favelados, vítimas usuárias de drogas”.</p>



<p>No caso de Evellyn, não fosse a imprensa tradicional que chegou rápido, fotografou e correu, talvez a história rendesse mais. Evellyn Sophia da Silva não seria apenas &#8220;usuária de drogas&#8221;. Renderia mais se as notícias não fossem veiculadas para falar do óbvio. Por exemplo: que tal desmarginalizar a mulher trans, a favela, o negro, a travesti?</p>



<p>No 8M de 2024, as mesmas mulheres se juntaram a outras e marcharam novamente no território contra o feminicídio, contra a violência de gênero, e ao assassinato em massa. Dessa vez, Evellyn não estava segurando um cartaz, mas, em uma cartolina branca estampada com sua foto, a frase “você está em nós sempre!” nos deixa com a reflexão sobre o medo de estarmos em cartazes nos próximos 8M’s.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Coletivo-Revelar.Si-2.jpg" alt="Grupo de mulheres de várias idades e algumas crianças segurando cartazes em um ambiente externo que parece ser uma comunidade ou favela. Os cartazes mostram textos e desenhos, indicando que elas estão em protesto ou evento comunitário. O ambiente é caracterizado por construções apertadas e roupas penduradas para secar, indicando uma área densamente povoada e possivelmente de baixa renda. Há uma variedade de cores vivas na imagem, tanto nas roupas das pessoas quanto nos cartazes que elas estão segurando. O céu é visível no topo da imagem, indicando que o evento está ocorrendo durante o dia." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">8M no Coletivo Caranguejo Tabaiares
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Coletivo Revelar.Si</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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		<title>Mulheres lésbicas, bi e transexuais vão discutir religiosidade em encontro inédito no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/mulheres-lesbicas-bi-e-transexuais-vao-discutir-religiosidade-em-encontro-inedito-no-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Sep 2023 17:49:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[ecumenismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de Pernambuco (Comlesbi-PE) irá realizar pela primeira vez, no próximo sábado, 30 de setembro, o Encontro Inter-religiosidade e a Interseccionalidade das Mulheres LBT´s. O evento acontecerá a partir das 9h, no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmetal), no centro do Recife. Está prevista a participação de representantes dos [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p>O Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de Pernambuco (Comlesbi-PE) irá realizar pela primeira vez, no próximo sábado, 30 de setembro, o Encontro Inter-religiosidade e a Interseccionalidade das Mulheres LBT´s. O evento acontecerá a partir das 9h, no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmetal), no centro do Recife.</p>



<p>Está prevista a participação de representantes dos ministérios dos Direitos Humanos e da Mulher, da Assembleia Legislativa de Pernambuco, além de organizações da sociedade civil como a Liga Brasileira de Lésbicas, Associação Brasileira de Lésbicas, Fórum LGBT de Pernambuco e a Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco (Amotrans).</p>



<p>O Encontro conta com apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (<a href="https://www.cese.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CESE</a>), entidade cristã fundada há 50 anos que atua em defesa dos direitos humanos em todo o país e é mantida conjuntamente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Episcopal Anglicana, Igreja Evangélica Luterana, Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e a Igreja Presbiteriana Unida.</p>



<p>A coordenadora do <a href="https://instagram.com/comlesbi?igshid=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Comlesbi</a>, Rivânia Rodrigues, explicou que o objetivo do encontro é fortalecer as mulheres religiosas lésbicas, bissexuais e transexuais no enfrentamento do fundamentalismo, para que possam viverem a sua sexualidade sem abrir mão do exercício da fé. “A onda fascista que avança no mundo, na América Latina e no Brasil requer que as forças vivas progressistas da sociedade desenvolvam ações, especialmente entre as instituições religiosas, a fim de fraturar o conservadorismo, particularmente, entre as igrejas neopentecostais, instrumentalizadas como esteio de sustentação do fascismo”, resumiu.</p>



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		<title>Como envelhecem as mulheres trans no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/como-envelhecem-as-mulheres-trans-no-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Apr 2023 20:28:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Gestos]]></category>
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		<category><![CDATA[travestis envelhecem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Quando nós somos jovens, temos valor, principalmente nós que trabalhamos com arte, com beleza. Mas quando vamos envelhecendo começamos a sentir insegurança, nos perguntamos o que vai ser de nós sem essa beleza”. Aos 50 anos, a performer Cristiane Falcão passou a experienciar as mudanças causadas pelo envelhecimento e os desafios que mulheres trans enfrentam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Quando nós somos jovens, temos valor, principalmente nós que trabalhamos com arte, com beleza. Mas quando vamos envelhecendo começamos a sentir insegurança, nos perguntamos o que vai ser de nós sem essa beleza”. Aos 50 anos, a <em>performer</em> Cristiane Falcão passou a experienciar as mudanças causadas pelo envelhecimento e os desafios que mulheres trans enfrentam nesta fase da vida.</p>



<p>No país que mais mata pessoas trans no mundo, Cristiane Falcão integra um grupo social ainda mais vulnerável e invisibilizado: pessoas trans com mais de 50 anos. As consequências de uma vida marcada pela exclusão social ocasionada pela transfobia são ainda mais acentuadas na velhice, como reitera a performer: “muitas mulheres trans e travestis abandonam a escola por terem sofrido violências e não conseguem se capacitar para o mercado de trabalho. Por isso a prostituição é a única saída para muitas dessas mulheres, mas com o envelhecimento não dá para continuar nessa vida. Como nos mantemos se não temos nenhum direito trabalhista?”.</p>



<p>Com o alto risco de morte violenta e prematura, travestis e mulheres trans brasileiras possuem uma expectativa de vida de apenas 35 anos, de acordo com o dossiê <em>Assassinatos e Violência Contra Travestis e Trans Brasileiras</em>, produzido pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra). A baixa expectativa de vida da população trans, que representa menos da metade da média da população em geral, &#8211; que é de 77 anos, segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) &#8211; , reflete a falta de ações voltadas para atender as demandas desse grupo social.</p>



<p>Para contribuir na elaboração de políticas e iniciativas que promovam a garantia de direitos e melhorias na qualidade de vida da população trans em processo de envelhecimento, a ONG Gestos &#8211; Soropositividade, Comunicação e Gênero, em parceria com o Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Idosa (Comdir), realizou o projeto “Travesti Também Envelhece”. Durante um ano, a organização promoveu reuniões e coletou informações por meio de entrevistas semiestruturadas com um grupo de travestis e mulheres trans com mais de 50 anos, residentes no Recife, e desenvolveu um levantamento com dados e diretrizes voltadas ao poder público.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sem educação, emprego e renda </strong></h2>



<p>A pesquisa “Travestis Também Envelhecem” contou com a participação de 36 travestis e mulheres trans com 50 anos ou mais. De acordo com a ONG Gestos, mesmo com a falta de dados que pudessem subsidiar uma estimativa da quantidade do grupo existente, havia uma expectativa de que fossem encontradas pelo menos 100 mulheres trans e travestis no município do Recife.</p>



<p>A maioria das entrevistadas, 32 das 36, têm entre 50 e 60 anos. Somente três têm entre 60 e 70 anos e apenas uma está com mais de 80 anos. De acordo com a pesquisa, “o pequeno quantitativo encontrado acima da fase da envelhescência pode ter entre as razões a baixa estimativa de vida das travestis e trans no Brasil, que aponta para uma média de 35 anos de vida em decorrência de assassinatos, uso abusivo de drogas, uso de silicone injetável (para moldar o corpo) e óbitos relacionado à Aids”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Michelly Cross afirma que políticas públicas para a população trans teriam custo baixo. Crédito: Beto Figueiroa / Vereador IvanMoraes</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Grande parte do grupo, 25 das 36, não imaginava chegar à fase da velhice. Entre os motivos citados para justificar a insegurança de envelhecer, estão: a violência contra travestis; a vulnerabilidade da prostituição; a descoberta da soropositividade e os efeitos colaterais dos antirretrovirais; o testemunho da morte de amigas vítimas da violência e da Aids; uso frequente de drogas; falta de moradia digna e viver em situação de rua; existência de grupo de extermínio na comunidade em que reside.</p>



<p>Para a historiadora e instrumentista, Michelly Cross, que foi uma das participantes da pesquisa, o baixo número de mulheres trans e travestis residentes no município do Recife evidencia o descaso do poder público com o grupo social. “Trinta e seis pessoas não lotam nem um ônibus. Se o governo municipal não consegue suprir as demandas de um grupo tão pequeno é por falta de vontade mesmo. Um programa de apoio a travestis e mulheres trans com mais de 50 anos no Recife poderia ser desenvolvido com um investimento que não representa nem 1% da verba pública anual”, defendeu a educadora.</p>



<p>Aos 56 anos de idade, Michelly é a única integrante da pesquisa que possui curso superior completo e expõe um dos principais problemas enfrentados pela população trans: a evasão escolar. A maioria das entrevistadas pela pesquisa, 83% do total, foram alfabetizadas e sabem ler e escrever, outras 5% apenas lêem e 11% não lêem, não escrevem e nem assinam o nome &#8211; quase o dobro do índice de analfabetismo da população brasileira, que aponta para 6,6% de pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler, nem escrever, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD). Entre as que foram escolarizadas, o maior percentual (19%) é de quem tem o ensino médio incompleto.</p>



<p>O levantamento da Gestos destacou que a falta de oportunidades no mercado de trabalho para pessoas trans está ligada à evasão escolar e à exclusão social gerada pela transfobia e, por isso, “estima-se que 90% das travestis e mulheres transexuais utilizam a prostituição como fonte primária de renda, sendo uma atividade cada vez mais difícil para aquelas que, ultrapassando a baixa expectativa de vida, têm 50 anos ou mais”.</p>



<p>“Muitas de nós não conhecem outras opções que não seja a prostituição, por isso a pesquisa foi fundamental para conhecer outras travestis e mulheres trans que tem emprego formal, que construíram família, e assim poder pensar em como construir outras possibilidades de vida também. Mas para construir essas novas possibilidades nós precisamos de oportunidades, precisamos de educação e emprego”, afirmou a performer Cristiane Falcão, que também integrou o grupo “Travestis Também Envelhecem”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Cristiane Falcão / Crédito: Arquivo Pessoal </p>
	                
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<p>A pesquisa revelou ainda que o valor médio da renda mensal das travestis e trans acima de 50 anos no Recife corresponde a menos de um salário mínimo, constituindo os rendimentos de 58% das entrevistadas. Cerca de 27% têm renda mensal de apenas um salário mínimo e 8% recebem até três salários mínimos. Ou seja, a renda da maioria está bem abaixo da média mensal do trabalhador brasileiro, que, de acordo com dados divulgados neste ano pelo IBGE, é de R$ 2.797,00.</p>



<p>A origem da renda de mulheres trans e travestis recifenses é predominantemente de benefícios sociais e do trabalho informal, com prestação de serviços de cabeleireira, faxina, vendas de cosméticos, artesanato e prostituição. Cerca de 50% das entrevistadas atuaram, ou ainda atuam, como profissionais do sexo, destas, 58% afirmam ter se prostituído por opção e 42% por falta de alternativa.</p>



<p>“Será que é tão difícil capacitar e empregar 36 pessoas? Os auxílios sociais de moradia e alimentação, por mais que ajudem, não são suficientes para suprir as necessidades das travestis e mulheres trans. Mas eu não acredito que seja tão difícil conseguir suprir as demandas de um grupo tão pequeno que reside no Recife”, reforçou Michelly Cross.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Assistência à saúde insuficiente</strong></h3>



<p>A falta de acesso a atendimentos e serviços de saúde de qualidade para pessoas trans, principalmente aquelas que passaram dos 50 anos, foi uma das questões mais enfatizadas pelas integrantes da pesquisa. Apenas 25% das travestis entrevistadas fazem acompanhamento hormonal e somente 24% receberam orientação profissional sobre os cuidados no uso do hormônio e do silicone. Apesar de ter vida sexual ativa há anos, 61% das entrevistadas nunca se consultou com um médico especialista nas áreas de proctologia e urologia.</p>



<p>Os dados demonstram que o ambulatório trans do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), que realiza cirurgias de redesignação sexual e hormonioterapia para travestis e transexuais, não dá conta da demanda da população. “Existe uma fila de espera de aproximadamente oito anos para as pessoas transexuais que desejam fazer a cirurgia de redesignação. Imagine para mim, que já tenho mais de 50 anos, esperar tanto tempo? Além disso, o tratamento hormonal é realizado com um medicamento que apresenta fortes efeitos colaterais, então o acompanhamento médico de pessoas trans é fundamental, para isso é preciso capacitar os profissionais de saúde também”, declarou Michelly Cross.</p>



<p>A educadora contou ainda da dificuldade que as travestis e mulheres trans encontram para conseguir fazer a cirurgia de remoção do silicone industrial. “Muitas travestis com mais de 50 anos sofrem as consequências de terem injetado silicone industrial na juventude e o material é muito nocivo para o corpo, podendo até ser fatal. Uma ação de saúde no Recife para realizar essas cirurgias poderia dar conta do problema”, afirmou Michelly.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O silicone industrial é uma substância líquida, de aspecto oleoso, e deve ser utilizado apenas para lubrificar e limpar peças e máquinas. Usado para procedimentos estéticos de forma irresponsável, o silicone industrial, quando injetado no corpo humano, pode causar diversas anomalias como deformações, dores, dificuldades para caminhar, infecção generalizada, embolia pulmonar e em alguns casos resulta em morte.</p></blockquote>



<p>A pesquisa revelou também que as políticas públicas dirigidas a pessoas idosas não são de conhecimento ou acessadas pela totalidade das participantes do levantamento.</p>



<p>Ao serem questionadas sobre qual política considera essencial para a população trans e travesti, a saúde foi a mais referenciada pelas entrevistadas, com 58% das respostas. Em seguida está a assistência social, com 38% e a segurança pública, com 11%. A política de segurança alimentar foi mencionada por 5% das entrevistadas, &#8211; 10% do grupo afirmou ter dificuldades em fazer as três refeições diárias.</p>



<p>De acordo com a Gestos, o projeto Travesti Também Envelhece “traz informações importantes que podem contribuir para elaboração de projetos sociais e propostas dirigidas a esse segmento nas três esferas de governo, independente da faixa etária, haja visto que alguns dados apresentados possivelmente refletem também a situação de travestis e mulheres trans mais jovens”.</p>



<p>O levantamento foi apresentado em uma audiência pública convocada pelo mandato do vereador Ivan Moraes (PSOL), que aconteceu na Câmara dos Vereadores do Recife, no dia 14 de abril. Na ocasião, integrantes da ONG Gestos, mulheres trans e travestis de movimentos sociais e representantes da Prefeitura do Recife debateram sobre o desenvolvimento de políticas públicas para a população trans e travesti com mais de 50 anos residente na capital pernambucana.</p>



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	                                        <p class="m-0">Resultados da pesquisa inédita foram apresentados na Câmara Municipal. Crédito: Beto Figueiroa / Vereador IvanMoraes</p>
	                
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		<title>Campanha oferta consultas médicas gratuitas para pessoas trans e não-binárias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Nov 2022 14:23:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[avon]]></category>
		<category><![CDATA[homens trans]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Avon, em parceria com a plataforma AVUS, realiza o “Mês Violeta”, uma iniciativa criada para conscientizar sobre a importância dos cuidados preventivos com a saúde para a população LGBTQIAP+. A campanha também oferece à comunidade trans e não-binária acesso a consultas médicas gratuitas. Até o dia 15 de novembro, o público-alvo da campanha poderá [&#8230;]</p>
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<p>A Avon, em parceria com a plataforma AVUS, realiza o “Mês Violeta”, uma iniciativa criada para conscientizar sobre a importância dos cuidados preventivos com a saúde para a população LGBTQIAP+. A campanha também oferece à comunidade trans e não-binária acesso a consultas médicas gratuitas.</p>



<p>Até o dia 15 de novembro, o público-alvo da campanha poderá realizar teleconsultas com profissionais de diversas áreas: psicologia, cardiologia, dermatologia, ginecologia, ortopedia, otorrinolaringologia, pediatria, psiquiatria, urologia, vascular e clínico geral. Além disso, serão disponibilizados atendimentos com fonoaudiólogos e nutricionistas com preços acessíveis, e descontos em medicamentos. </p>



<p>Para participar da ação, os interessados devem realizar um cadastro que está disponível no site da iniciativa e nas redes sociais da Avon. Ao longo do mês de novembro, também estarão disponíveis nas redes sociais da marca de cosméticos informações e conteúdos educativos sobre acesso à saúde em redes públicas e direitos específicos para pessoas trans previstos na legislação brasileira. </p>



<p>Assim como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, o objetivo do “Mês Violeta” é disseminar na sociedade civil conteúdos sobre a importância da realização de exames periódicos de prevenção ao câncer e do cuidado médico especializado, mas, com foco na comunidade LGBTQIAP+ que, por vezes, não se sente representada pelas campanhas nacionais de saúde.</p>



<p>“Em uma sociedade em que corpos transgêneros são invisibilizados, o acesso a direitos básicos, como à saúde, se torna mais difícil. Queremos fazer parte da mudança desse cenário, fornecendo acolhimento, apoio médico e informações relevantes e seguras para essa população”, declarou Viviane Pepe, diretora de comunicação da Avon Brasil.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa <a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong>ou, se preferir, usar nosso <strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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		<title>Assassinatos de mulheres trans não param e entidades cobram ações do governo em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/assassinatos-de-travestis-e-mulheres-trans-nao-param-e-entidades-cobram-acoes-do-governo-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Feb 2022 23:12:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres trans]]></category>
		<category><![CDATA[transfeminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[transfobia]]></category>
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		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A transfobia continua a fazer vítimas em Pernambuco. Os assassinatos de três mulheres trans em fevereiro &#8211; duas mortes aconteceram em São Bento do Una, no Agreste e outra em Palmares, na Mata Sul &#8211; somaram-se a outro caso registrado nos primeiros do ano no Cabo de Santo Agostinho, dando sinais de que o crescimento [&#8230;]</p>
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<p>A transfobia continua a fazer vítimas em Pernambuco. Os assassinatos de três mulheres trans em fevereiro &#8211; duas mortes aconteceram em São Bento do Una, no Agreste e outra em Palmares, na Mata Sul &#8211; somaram-se a outro caso registrado nos primeiros do ano no Cabo de Santo Agostinho, dando sinais de que o crescimento expressivo deste tipo de crime ao longo de  2021 poderá ter continuidade ao longo deste ano.</p>



<p>As vítimas foram mortas por disparos de arma de fogo, passaram a fazer parte de uma estatística que comprova a escalada de violência contra a população trans e de travestis do estado. De acordo com o dossiê anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra), em 2021, Pernambuco ficou em quinto lugar no ranking do maior número de assassinatos de pessoas trans, com 11 casos, subindo duas posições em relação ao ano anterior, quando registrou 7 transfeminicídios. O documento indicou também que o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo.</p>



<p>Com os assassinatos do último fim de semana, em apenas dois meses o estado já registrou 4 assassinatos de pessoas trans, ou seja, mais da metade do que foi registrado em todo ano de 2020. Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco afirmou que as investigações dos assassinatos já foram iniciadas e seguem até que os crimes sejam esclarecidos, mas não informaram se os suspeitos foram identificados ou detidos.</p>



<p>Na <a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/02/16/tres-travestis-foram-assassinadas-em-apenas-um-fim-de-semana-em-pernambuco" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sexta-feira, 11 de fevereiro</a>, no bairro Santa Rosa, em Palmares, um homem pilotando uma moto atirou numa mulher trans identificada como Júlia, de 23 anos, que morreu no local. No dia seguinte, na zona rural de São Bento do Una, duas mulheres trans, uma de 18 anos e outra de 31 anos, foram atacadas e mortas no distrito de Queimada Grande, em circunstâncias que a Polícia Civil não esclareceu. Antes, <a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2022/01/03/mulher-trans-e-morta-a-tiros-em-rua-no-cabo-de-santo-agostinho-enquanto-voltava-para-casa.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em janeiro</a>, no bairro Bela Vista, no Cabo, a auxiliar de cozinha Blenda Schneider foi morta a tiros quando voltava da casa de uma amiga.</p>



<p>Para Caia Maria Coelho, integrante da Nova Associação de Travestis e Transexuais de Pernambuco (Natrape) e da Rede Autônoma da Travestis e transexuais de Pernambuco (Ratts-PE), o aumento do número de assassinatos é consequência da falta de políticas públicas. “É uma realidade muito triste e o poder público precisa ser responsabilizado por essas mortes. Diversas entidades da sociedade civil estão interessadas em estabelecer um diálogo direto com os governos estaduais e municipais, mas ainda não há um processo de ouvidoria regular instaurado graças a uma institucionalização burocrática que dificulta essa escuta”, afirmou a ativista.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-politicas-publicas-esvaziadas-pe-enfrenta-onda-de-ataques-transfobicos/" class="titulo">Com políticas públicas esvaziadas, PE enfrenta ‘onda de ataques transfóbicos’</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Falta diálogo</strong> com governo</h2>



<p>A Ratts-PE, da qual Caia Coelho faz parte, foi criada em novembro de 20121, a partir da união de diversas entidades, para atuar de forma mais incisiva na criação de políticas públicas para pessoas trans com o objetivo de garantir segurança e qualidade de vida para essa população.</p>



<p>Um dos principais mecanismos utilizados pela rede para tentar diálogo com gestores governamentais foi a elaboração de uma carta proposta de combate ao extermínio de pessoas trans e travestis em Pernambuco. A expectativa era de que a carta fosse entregue ao governador Paulo Câmara em uma reunião que estava marcada para acontecer em janeiro de 2022, mas, até hoje, o encontro não aconteceu.</p>



<p>“Isso é muito preocupante, porque com a implementação das propostas que os movimentos sociais estão demandando, momentos políticos como esse, de aumento do transfeminicídio no estado, não estariam acontecendo”, declarou Caia.</p>



<p>A Marco Zero procurou a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos para saber se havia uma nova data para o encontro entre a Ratts e o governador, ou algum outro representante do governo. A assessoria da secretaria respondeu por meio de nota, mas não sinalizou a possibilidade de nenhuma reunião e apenas indicou quais são as iniciativas que estão em vigência no estado para o combate da violência contra a população LGBTQIA +.</p>



<p>Confira a íntegra da nota:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>De forma intersetorial e com diálogo com as gestões municipais, o Governo do Estado tem atuado para fortalecer o segmento LGBTQIA+ e prevenir casos de violência através da construção de ações afirmativas e de conscientização destinadas à população e da promoção de projetos de capacitação para as pessoas do segmento e para gestores e gestoras que atuam nessa política pública.</p>



<p>O Comitê de Prevenção e Enfrentamento da Violência LGBTfóbica foi instituído em 2021 e tem estruturado ações de enfrentamento a essas violações. Nele, estão reunidas as Secretarias Estaduais da Mulher; de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude; de Defesa Social; de Saúde; de Educação e Esportes; de Justiça e Direitos Humanos e de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas.</p>



<p>O comitê tem trabalhado de forma integrada para capacitar, assessorar e mobilizar, em articulação com os municípios, a prevenção, o acolhimento às vítimas e a punição aos agressores. As ações são desenvolvidas em equipamentos de cada secretaria. Um dos exemplos são as capacitações promovidas junto às equipes de assistência social nos municípios para encaminhamentos preventivos ou o acolhimento a eventuais vítimas.</p>



<p>Vale lembrar que equipamentos municipais e estaduais estão à disposição, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) – que dispõem de equipes capacitadas para atendimento a esse público –, além do Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH), disponível pelo telefone (81) 3182.7665.</p>



<p>Denúncias sobre violações aos direitos de pessoas LGBTQIA+, que são um passo importante para a prevenção de crimes mais graves, podem ser encaminhadas pelo Disque 100 ou pela Ouvidoria Social: 0800.081.4421, (81) 98494.1298 ou 98494.1291.</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O abrigo que não saiu da promessa</strong></h3>



<p>Uma das reivindicações presente na carta elaborada pela Ratts-PE é a disponibilização de casas abrigo para o público LGBTQIA+ em diversas cidades e regiões do estado. Em julho de 2021, após ao assassinato brutal da travesti Roberta Nascimento, de 33 anos, que foi queimada viva no Cais Santa Rita, área central do Recife, o prefeito João Campos (PSB) anunciou em suas redes sociais a autorização de edital para a criação de um espaço de acolhimento a pessoas LGBTIA+. Porém, mais de seis meses depois, o abrigo continua sendo uma promessa.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/27a1.png" alt="➡" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Casa de Acolhida LGBTI+ <br><br>Autorização para o edital de um novo espaço de acolhida para a população LGBTIA+, especialmente para pessoas trans e travestis. Serão ofertados leitos para amparar pessoas do segmento em maior situação de vulnerabilidade social.</p>&mdash; João Campos (@JoaoCampos) <a href="https://twitter.com/JoaoCampos/status/1412859947533148162?ref_src=twsrc%5Etfw">July 7, 2021</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p>No dia 28 de janeiro, a Ratts publicou uma nota cobrando o lançamento do edital para a criação do abrigo que, segundo Caia Maria Coelho, deveria ter sido publicado no final de janeiro. O documento foi apoiado pelas seguintes entidades não-governamentais: Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco (Amotrans), Monstruosas, Rede de Pessoas Trans Vivendo com Hiv Aids (Rntthp), Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+), Nova Associação de Travestis e Transexuais de Pernambuco (Natrape), Frente Trans PE e Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa).</p>



<p>“O projeto do abrigo é uma possibilidade de poder acolher mais gente, não só pessoas travestis e transexuais, mas todo o público LGBT. Assim a gente conseguiria oferecer mais cursos para qualificar essas pessoas para o mercado de trabalho, porque hoje em dia o nosso espaço é pequeno para atender tanta gente, mas a gente sempre dá um jeitinho”, afirmou Mirella Drielly, secretária da Amotrans.</p>



<p>Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Política sobre Drogas, afirmou que “A Prefeitura do Recife informa que está empenhada em viabilizar a casa de acolhimento para a população LGBTI+ uma vez que compreende as dimensões do preconceito e discriminação enfrentados por esse público. A Prefeitura esclarece ainda que o Termo de Referência para implantação de uma casa de acolhimento LGBTI+ para pessoas em situação de vulnerabilidade já foi iniciado e o texto do edital encontra-se em processo de avaliação pelos órgãos de controle do município. A previsão é que o Edital de Chamamento Público, que convocará Organizações Sociais, seja divulgado até o fim do mês de março”.</p>



<p>No dia 4 de fevereiro, em <a href="https://jc.ne10.uol.com.br/pernambuco/2022/02/14942401-mesmo-com-repercussao-de-mortes-pernambuco-continua-carecendo-de-politicas-e-casas-de-acolhimento-a-transexuais.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">matéria publicada pelo Jornal do Commercio</a>, a prefeitura havia informado que o edital de chamamento público seria divulgado até a segunda quinzena de fevereiro.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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		<title>Elas estão vivas, porém exaustas</title>
		<link>https://marcozero.org/elas-estao-vivas-porem-exaustas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Jul 2021 19:04:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[homicídios]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres trans]]></category>
		<category><![CDATA[transfeminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[travestis]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* e Julia Bueno** “Ontem sofri uma represália. Estou na delegacia, mas pode falar&#8221;. Foi assim que Fernanda Falcão, 28 anos, respondeu ao contato da reportagem enquanto tentava prestar uma queixa de violência, na tarde da última sexta-feira, 9 de julho, algumas horas depois do Hospital da Restauração (HR) confirmar que teve fim [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti* e Julia Bueno**</strong></p>



<p>“Ontem sofri uma represália. Estou na delegacia, mas pode falar&#8221;.</p>



<p>Foi assim que Fernanda Falcão, 28 anos, respondeu ao contato da reportagem enquanto tentava prestar uma queixa de violência, na tarde da última sexta-feira, 9 de julho, algumas horas depois do Hospital da Restauração (HR) confirmar que teve fim a via crucis de Roberta Nascimento Silva, 33 anos. Após internação de 16 dias em estado gravíssimo por ter tido o corpo queimado enquanto dormia, Roberta passou a fazer parte das estatísticas, tendo seu nome somado à lista das 80 pessoas trans assassinadas no País no primeiro semestre do ano. Não foi a primeira vez que Fernanda vivenciou risco de morte. Numa delas, foi atingida por disparo de arma de fogo no peito. Sobreviveu! </p>



<p>Roberta e Fernanda, mulheres trans negras e pobres, caçadas pelo sistema no Brasil machista, racista e “terrivelmente evangélico” de Jair Bolsonaro, critério que o presidente anunciou que usou para indicar o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).</p>



<p>No momento em que foram registrados em Pernambuco quatro crimes violentos letais intencionais e quatro tentativas de homicídio por transfobia num período de pouco mais de um mês &#8211; CVLI é a terminologia técnica utilizada para designar esses crimes nos dados oficiais, “transfeminicído” ainda não está tipificado na legislação -, a Marco Zero Conteúdo conversou com quatro mulheres trans &#8211; . Cibelle, Dália, Fabiana e Fernanda. </p>



<p>Elas são referências, ao lado de outras pessoas trans, na defesa da garantia e promoção dos direitos humanos. Todas são firmes em dizer que a “demonização” dos corpos trans é antiga e estrutural, estimulada por religiões e igrejas; e que as violências praticadas por homens ficaram mais intensas e constantes desde que Bolsonaro subiu a rampa do Palácio do Planalto.</p>



<p>Da impossibilidade do cuidado da saúde mental, da empregabilidade nos espaços de trabalho ao papel das famílias no acolhimento de parentes trans, a educação sem transfobia de crianças e jovens. E de como envelhecer é um privilégio das pessoas de identidade “cisgênera” &#8211; condição de quem tem a identidade de gênero correspondente ao gênero que lhe foi atribuído no nascimento.</p>



<p>Se você ainda não as conhece, aí estão elas. A reportagem solicitou que cada uma escolhesse a foto com a qual gostaria de ser retratada. As entrevistas tiveram início a partir da pergunta: “como vai você?”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Não são casos isolados, é cultura do extermínio”</strong></h2>



<p>Pesquisadora de dados na Rede de Observatório da Segurança, Dália Celeste, 30, atualmente realiza o monitoramento de 16 indicadores para o banco de informações qualificadas organizado no Estado pelo Gajop (Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares), incluindo ocorrências de violência contra a população LGBTQI+, feminicídio e abuso policial fazem parte do seu cotidiano. É a vida delas!</p>



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	                                        <p class="m-0">Dália monitora os dados da violência de gênero pelo Gajop (Crédito: Arquivo pessoal)</p>
	                
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<p>“Eu sempre pontuo bastante: não são casos isolados, sabe? Isso é a cultura do extermínio. Nós tivemos oito casos dentro de menos de 25 dias. Que foram quatro casos de transfeminicídio, com o resultado da Roberta ontem, e quatro casos de tentativa. Então, assim, não são casos que são emblemáticos por ser num contexto de ser uma vez ou outra. Mas são casos que sempre estão acontecendo e que, hoje, está se tomando uma repercussão no estado porque a gente tem trabalhado de forma bastante potente na divulgação. </p>



<p>Então, por muitas das vezes, Jorge, eu sempre gosto muito de definir que o transfeminicídio, por exemplo, é ocasionado por esse sistema, pelo contexto do homem no sentido dele não ter vergonha do desejo que sente por pessoas trans e travestis. Ele não tem essa vergonha do desejo, tanto que buscam esses corpos, mas eles matam porque não sabem lidar com o corpo que foram ensinados desde criança a odiar. </p>



<p>A gente está num processo que é um processo muito de urgência. A gente precisa urgentemente debater e conversar sobre a responsabilidade da transfobia, sabe? A responsabilidade da transfobia, quando falo nesse sentido, não é das pessoas trans e travestis. É uma responsabilidade da cisgeneridade. E a cisgeneridade precisa começar a dialogar sobre isso. Precisa conversar sobre isso entre si. Porque essa responsabilidade não é nossa. A gente precisa educar, inclusive, os nossos filhos. A cisgeneridade precisa educar seus filhos no sentido de também fazer com que crianças cresçam respeitando o outro. A gente sabe que a transfobia é estrutural, mas o caso da Roberta foi cometido por um adolescente. Então, perceba, um adolescente queimou uma mulher trans, uma travesti viva no Centro da cidade.”</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/07/Dalia-Celeste.mp3"></audio></figure>



<p>“Nessa conjuntura atual, nós não podemos dizer que estamos bem. No momento, eu estou buscando me manter viva, estou resistindo. Eu não gosto de utilizar essa palavra, resistir. Acho que termina sendo… Dá uma sensação de que a gente está aguentando o peso para poder tentar viver, quando o correto seria existir, apenas. Dentro desse processo, venho adoecido bastante psicologicamente, mas ao mesmo tempo buscando o autocuidado e ressignificar meus afetos e buscar estratégias de sobrevivência.”</p>



<p>“Falar de empregabilidade, no Brasil, ainda é tão sintomático visto que pessoas trans e travestis não possuem emprego formal, não são contratadas. A gente está dentro de um sistema que, realmente, nos exclui desses espaços. Até falar de empregabilidade, a gente precisa ter um debate educacional, que ainda existe essa dificuldade dentro desse debate. Eu sempre pontuo a importância de pessoas cis-aliadas, por exemplo, contratarem pessoas trans para trabalhar dentro de seus mercados. E, quando a gente percebe a negação dessa empregabilidade, isso só reforça o processo da transfobia, que é a exclusão dentro dos espaços formais de trabalho e o lançamento desses corpos, mais uma vez, na marginalização. Isso é como o sistema funciona e trabalha: para excluir.”</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>* * *</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Quando se queima uma trans, a referência são bruxas”</strong></h2>



<p>As memórias de Fernanda Falcão, 28 anos, são intensas o suficiente para render um livro sobre suas vivências. Coordenadora de articulação política do GTP+ (Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo) e da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, ela é enfermeira e tem no peito a marca da transfobia letal que quase custou-lhe a vida, há quatro anos. A tentativa de homicídio por arma de fogo não aconteceu numa esquina enquanto Fernanda fazia programa, mas dentro de uma instituição do Estado, quando ela exercia a função de mediadora de conflito dentro do sistema prisional de Pernambuco.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fernanda foi baleada quando trabalhava no sistema prisional (Crédito: Arquivo pessoal)</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>“O sentimento que mais está presente em mim é o de repulsa, de ódio do que vem acontecendo. Não que venha acontecendo de agora. E não que isso venha acontecendo só no governo Bolsonaro. Se propagou. Esse governo trouxe clareza para os pensamentos que estavam escondidos, guardados. Isso é muito pesado. Porque, se a gente refletir, desde a própria Inquisição, ela tinha esse trabalho de gerenciar e de tratar essas questões sexuais ou de qualquer outro tipo. Então não tem como estar bem com isso ou dizer que isso é algo que vem começando agora. Ou é só a partir desse governo, né? Até porque é inconcebível pensar que esse presidente se elegeu. Realmente, é inconcebível, em todas as formas, pensar que a nossa nação brasileira, de forma legítima, elegeu essa pessoa. </p>



<p>Claro, tendo em vista que a nossa população é formada, por sua grande maioria, de pessoas que são marginalizadas dentro do processo, da própria sociedade. Ainda somos colocados enquanto minoria como mulher, mas somos maioria, enquanto população negra, mas somos maioria. E o que eu venho vendo é que o reflexo do ontem está se posicionando e se fortalecendo hoje, como trouxe a própria Inquisição. E a gente vivencia, mais uma vez, isso, né? Nossos gêneros, nossa identidade de gênero, nossa orientação sexual sendo, mais uma vez, massacradas. </p>



<p>E a resposta, ela vem como no próprio tempo da Inquisição. As pessoas estão sendo queimadas. Nossos corpos, eles são demonizados dentro desse contexto. E a gente vê que isso se transversaliza muito com a religião. A religião tem um papel muito potente na morte de todas essas pessoas. Quando se queima… Se você for buscar relatos, não foram só aqui em Pernambuco. Quando se queima uma pessoa trans, quando se queima um ser humano, se traz muito aquela referência das bruxas, da demonização daquele ser.” ,</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/07/Fernanda-Falcao.mp3"></audio></figure>



<p>Não tem como se ter uma vida digna se você não consegue se autosubsistir, se você não consegue acessar os espaços. E espaços de prestígio, não só espaços marginalizados, não, como os espaços que a gente ocupa hoje, como o da prostituição. Agora, para mim, é algo muito perigoso. Para que a gente esteja se colocando em espaços de poder como lideranças, dentro de empresas ou, senão, dentro da própria gestão de algum espaço, seja ele público ou privado. </p>



<p>A gente sabe que a nossa vida está muito direcionada à retirada do direito, à retirada da credibilidade, da possibilidade de qualificação da pessoa. Ter acesso ao trabalho é dizer que você precisa, inicialmente, criar uma política pública que seja estratégica, que mantenha e reconheça essas pessoas inicialmente na escola. Antes disso, se forme uma sociedade em que pais e mães não coloquem seus filhos ou suas filhas trans ou travestis para fora de casa sempre muito jovens. Ou, no caso dos homens trans, um primo, um irmão ou um pai não estupre no intuito de corrigir. A gente está extremamente infectado com todo o contexto social. </p>



<p>Não consigo pensar, hoje, como dizer ‘vamos dar emprego à população trans’ que não seja, mais uma vez, de forma a marginalizar a mesma, a colocar mais uma vez o corpo transsexual e travesti dentro de salões de beleza ou no escuro, na prostituição. É complicado todo esse contexto porque o trabalho, aí principalmente o trabalho que te faça feliz, o trabalho em que você se reconheça, vem a partir de um contexto geral, né? Todo esse processo de estigma está arraigado na nossa cultura. O nosso corpo já foi marginalizado a um ponto, que eu volto a dizer, eles veem nosso corpo de forma extremamente demonizada. Não seria diferente isso dentro do trabalho, até porque eu coloco por mim mesma. Já estive gestora no governo desse estado e trabalhei um tempo na mediação de conflitos no sistema prisional. O meu pago foi um tiro no centro do peito, onde os demais não aceitavam e não entendiam o meu corpo enquanto um corpo de liderança.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>* * *</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Com 35 anos, a gente já é considerada uma pessoa idosa&#8221; </strong></h2>



<p>Natural de Tacaimbó, município do Agreste pernambucano, Cibelle Gracielle da Silva chegou ao Recife em 1985. À época, fazia mais de uma década que não se sentia bem com o corpo, mas ali não havia qualquer possibilidade de redefinir a identidade de gênero. A cirurgia de redesignação sexual só seria oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às mulheres trans em 2008. No Recife, o Espaço Trans foi aberto no Hospital das Clínicas. Cibelle fez a inscrição e deu início ao processo. Nasceu, de novo, no dia 7 de agosto de 2019. Hoje, aos 60 anos, ela é comunicadora popular, com um canal no Youtube, e parceira da Escola Livre de Redução de Danos.</p>



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	                                        <p class="m-0">A youtuber Cibelle diz que, aos 35 anos, travestis são idosas (Crédito: Arquivo pessoal)</p>
	                
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<p></p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/07/Cibelle-Gracielle-da-Silva-1.mp3"></audio></figure>



<p>Nos outros governos, a gente tinha uma perspectiva de mais apoio, de mais segurança. A gente tinha uma confiabilidade bem maior, né? Nos últimos dias, a gente vem passando por muitas dificuldades, principalmente porque a escalada da violência está muito forte. E a gente sente com isso. Com idade de 60 anos, a gente que é trans já ultrapassou da idade. Porque é considerada uma pessoa idosa uma pessoa trans com 35 anos. Eu ultrapassei essa idade de 35 anos e minha perspectiva é que a gente precisa ir para a rua, defender a bandeira da igualdade social, apesar de a gente enfrentar ainda muitas questões homofóbicas e transfóbicas. Que, no passado, era ruim o preconceito e a discriminação, mas hoje a coisa está se agravando mais. Até porque, no meu ponto de vista, as pessoas transsexuais precisam ocupar espaço na sociedade com cargos. Então é importante que a gente faça um trabalho de conscientização para as pessoas entrarem na política, nos movimentos sociais para a gente, juntos, levar essa bandeira da igualdade para a rua.</p>



<p>(&#8230;)</p>



<p>A cada dia que a gente tem um parlamentar fazendo discurso homofóbico, a cada dia que a gente assiste nas igrejas um pastor evangélico fazendo discurso homofóbico nas suas pregações, isso aumenta mais a ira das pessoas contra as travestis e transsexuais. Então a gente precisa levantar essa bandeira, ir para as ruas dizer que somos gente. Nós pagamos impostos e que nós não somos diferentes de ninguém. Nós somos iguais. Cis ou trans, nós somos iguais.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>* * *</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“A violência nos persegue e vai nos perseguir por muito tempo”</strong></h3>



<p>Fabiana Oliveira, 42 anos, faz parte da Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de PE (Amotrans) e vai concluir um curso superior. O diploma tem simbolismo e começou a ser construído há mais de 20 anos, quando Fabi entrou na faculdade pela primeira vez e viu-se forçada a abandonar os estudos por conta de transfobia. Viveu em São Paulo, fora do Brasil e, com as voltas que o mundo dá, retornou ao curso que um dia precisou largar. Hoje está a dois períodos de se formar psicóloga.</p>



<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Fabiana voltou à universidade para se formar em psicologia (Crédito: Arquivo pessoal)</p>
	                
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<p><strong>Marco Zero</strong> &#8211; <strong>O que fazer para cuidar da saúde mental sendo uma pessoa trans?</strong></p>



<p><strong>Fabiana</strong> &#8211; É praticamente impossível ter saúde mental nesse contexto, dentro de uma sociedade que desumaniza os corpos de travestis e transsexuais, que diariamente mata e violenta toda pessoa que não esteja seguindo a identidade de gênero compulsória cisheteronormativa.</p>



<p><strong>MZ</strong> &#8211; <strong>Como a transfobia se sustenta na nossa sociedade?</strong></p>



<p><strong>Fabiana</strong> &#8211; Quando você é lésbica, gay ou bissexual, ainda sim você está dentro de um status de humana e humano. Mas a gente não é percebida enquanto ser humano. Somos percebidas como bicho, monstro, aberração, diabólicas. Isso tudo não é de agora, foi construído ao longo de muito tempo, com a igreja atrelada a isso. Enquanto uma travesti branca, enfrento menos riscos do que uma travesti negra, por conta do racismo da nossa sociedade. Não uso a palavra privilégio porque é difícil falar de privilégio quando se é travesti. Está distante do nosso vocabulário.</p>



<p><strong>MZ &#8211; Como você avalia o governo Bolsonaro para as pessoas trans?</strong></p>



<p><strong>Fabiana</strong> &#8211; O que se está fazendo é uma não distribuição daquilo que os serviços prestam. O governo não está financiando nenhuma pauta LGBT. E isso faz com que as políticas sejam silenciadas. A violência que ele expressa verbalmente parece que tomou conta da sociedade. Hoje, depois de mais de 20 anos de transição, eu estou passando por um momento violento novamente. Parece que voltei aos anos 1990, quando a discussão era “eu não sou ele, eu sou ela”. A violência nos persegue e vai nos perseguir por muito tempo.</p>



<p><strong>MZ &#8211; Você usa com frequência as redes sociais para fomentar esse debate. O quanto exaustivo é isso?</strong></p>



<p><strong>Fabiana</strong> &#8211; Existe uma cobrança muito grande às pessoas que estão de frente nessa luta. As pessoas acham que a gente tem que estar 24 horas no ar, dispostas a bater de frente. Mas não é assim. Eu só posso cuidar da outra pessoa quando cuido de mim. E quem vai cuidar de mim? Às vezes a gente não tem ninguém. Mas nunca vou deixar de ser ativista. Nós que somos travestis somos a própria bandeira.<br></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Métodos medievais persistem: no Brasil, primeira morte foi em 1614</strong></p><cite>A sequência de casos de violência extrema contra pessoas trans em Pernambuco trouxe à luz o <a href="https://transfeminismo.com/transfeminicidio/">relatório da Antra</a> que documentou por transfobia, no primeiro semestre do ano no Brasil, 80 assassinatos, 33 tentativas de homicídio e 27 violações de direitos humanos, além de 9 casos de suicídios cometidos por pessoas trans. “A dinâmica do assassinato contra pessoas trans não segue o mesmo padrão dos homicídios em geral, pelo caráter que agrega o cruzamento entre o racismo, a violência de gênero e a transfobia estrutural direcionada às vítimas, assim como a forma e intensidade com que os assassinatos são cometidos”, destaca o documento.<br><br>O monitoramento da Antra ressalta como ainda persistem atuais os métodos e o nível de violência com que são perpetrados os crimes contra a vida desta população. Uma pesquisa histórica revela que o caráter medieval das mortes completou quatro séculos. No Brasil, a primeira pessoa executada por homofobia foi em 1614. Um indígena Tibira teria sido amarrado à boca de um canhão pela cintura. Com o disparo, o corpo foi dilacerado aos pés do do Forte de São Luís do Maranhão.<br><br>O motivo: o indígena seria afeminado demais para o julgo dos colonizadores europeus. À época, a pena capital era autorizada pelo papa ou pela Inquisição. Mas a execução sequer foi comunicada previamente às autoridades. O acontecido foi registrado pelo frade capuchinho Yves D’Évreux no diário Viagem ao Norte do Brasil. Em 2016, uma placa alusiva foi instalada no local para lembrar o “1º caso de homofobia do Brasil”.</cite></blockquote>



<p>*<strong>Jornalista com 16 anos de atuação profissional e interesse em narrativas decoloniais e de defesa e promoção dos direitos humanos. Acumula passagem nas redações do Jornal do Commercio e da TV Jornal e experiência em assessoria de comunicação política no Poder Legislativo (Assembleia Legislativa e Câmara do Recife)</strong></p>



<p><strong>**Formada em psicologia, especialista em Psicologia Política, Redutora de Danos da Escola Livre de Redução de Danos, também é membra da ARP-Trans PE (Associação Regional de Psicos Trans de Pernambuco), Poeta e trabalha com temas ligados a sexualidade, gênero, raça, defesa de direitos humanos e antiproibicionismo</strong></p>



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		<title>Vereadora mais votada em Aracaju é trans e de esquerda</title>
		<link>https://marcozero.org/vereadora-mais-votada-em-aracaju-e-trans-e-de-esquerda/</link>
					<comments>https://marcozero.org/vereadora-mais-votada-em-aracaju-e-trans-e-de-esquerda/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2020 22:41:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[aracaju]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2020]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres trans]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você talvez tenha lido sobre o alto índice de pessoas trans que se candidataram em 2020 por partidos de direita ou extrema direita. Tivemos um exemplo em Pernambuco: Paulette, a única vereadora transexual do estado, tentou , e perdeu, a reeleição pelo PSL, mesmo partido de Eduardo Bolsonaro. Um levantamento nacional da Associação Nacional de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Você talvez tenha lido sobre o alto índice de pessoas trans que se candidataram em 2020 por partidos de direita ou extrema direita. Tivemos um exemplo em Pernambuco: <a rel="noreferrer noopener" href="https://marcozero.org/unica-vereadora-trans-de-pernambuco-tenta-reeleicao-pelo-psl-conheca-paulette/" target="_blank">Paulette, a única vereadora transexual do estado</a>, tentou , e perdeu, a reeleição pelo PSL, mesmo partido de Eduardo Bolsonaro. Um levantamento nacional da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) mostrou que quase 40% das candidaturas de pessoas trans foram por partidos de direita neste ano.<br><br>Não é, nem de longe, o caso da vereadora mais votada de Aracaju, capital de Sergipe. Essa foi a terceira eleição que Linda Brasil (Psol) disputou. Nas duas primeiras, ela conseguiu boas votações, e, se estivesse em partidos com resultados mais expressivos, poderia até ter conquistado uma vaga ou uma suplência. Mas para Linda não fazia sentido: ela queria fazer um mandato de esquerda, com participação dos movimentos sociais.<br><br>&#8220;Tive convites, mas eu jamais iria para um partido de direita, mesmo que fosse para ser eleita. Não me representam. Se em um partido como o Psol, que tem setoriais de LGBT e de negros e negras, ainda há problemas para pessoas trans, imagina em um partido em que não há essa discussão&#8221;, disse a vereadora eleita com 5.733 mil votos, em entrevista por telefone ao projeto Adalgisas, da Marco Zero Conteúdo. Além dela, outras seis mulheres trans foram as mais votadas em cidades brasileiras.<br><br>A história de Linda Brasil tem um ponto de inflexão ligado ao qual credita sua entrada na política partidária. Linda foi empurrada para a prostituição e passou cinco anos trabalhando na Itália. Ao voltar para Aracaju, em 2008, não encontrou espaço no mercado formal. Abriu um salão de beleza e, em 2013, passou no Enem e foi cursar letras na Universidade Federal de Sergipe. Já no primeiro dia de aula, aconteceu o fato que a levaria para a militância LGBTI e ao movimento estudantil.<br><br>&#8220;Um professor se recusou a me chamar pelo meu nome. Se eu, que já tinha toda uma identidade social e estava dentro dos padrões aceitos da feminilidade, estava passando por aquilo, imagina o que não acontecia com outras mulheres trans e travestis&#8221;, lembra. A indignação a levou a prestar uma queixa formal contra o professor, que resultou em uma portaria da universidade assegurando o direito ao nome social. E fez com que Linda entrasse na militância estudantil, abrindo novas portas. &#8220;Consciência é empoderamento&#8221;, diz.<br><br>Na universidade, Linda participou de oficinais e palestras sobre teoria <em>queer</em>, entrou no movimento feminista Mulheres de Aracaju, ajudou a organizar edições da Marcha das Vadias e a criar a Associação e Movimento Sergipano Educação Trans, que incentiva pessoas trans a fazer Enem e entrar na vida acadêmica. Em 2015, se filiou ao Psol. &#8220;Antes, eu tinha verdadeira ojeriza à política. Sou de Santa Rosa de Lima, um povoado sergipano onde o coronelismo ainda reina, onde só ganha aquele mesmo dono do partido, com as mesmas pessoas há décadas. Mas conhecendo a militância que se faz junto aos movimentos sociais mudei minha visão sobre política&#8221;, diz.<br><br>Para vencer essa campanha, tanto Linda quanto o Psol tiveram que mudar as estratégias. Primeiro, o partido aumentou o número de candidatos, para tentar ter uma votação mais expressiva. Foram 11 candidaturas lançadas, com 9 candidatos que chegaram às urnas. A sindicalista Sônia Freire foi uma das candidatas que ajudou a puxar votos para a legenda, mas não conseguiu ser eleita.<br><br>Da sua parte, Linda mudou a estratégia no meio da campanha. &#8220;Foi tudo imprevisível com a pandemia. Decidimos focar nas redes sociais. Mas nas redes não ia adiantar tanto, o fascismo estava indo pras ruas. Mas estávamos receosos, por conta da Covid&#8221;, lembra. Um dia, Linda teve que ir no banco abrir uma conta para a campanha e aproveitou para levar uma plaquinha com a foto dela e o número. &#8220;Umas quatro pessoas vieram pedir para tirar foto, aí aproveitei para falar com elas. Ali vi que não ia adiantar só entregar papel. As pessoas estavam tristes, desanimadas com a política. E na conversa eu explicava a importância de se ter a primeira travesti na Câmara, as pessoas se animavam, havia uma energia muito legal, que também se refletia nas redes sociais&#8221;, conta.<br><br>Hoje com mestrado em educação, Linda Brasil pensa em um mandato alinhado com os movimentos que a fizeram chegar na Câmara Municipal de Aracaju. Na Câmara, vai ter a companhia de outras três mulheres. Os direitos LGBTI estão na pauta, claro, mas perpassam outras áreas . Um dos projetos que Linda quer aprovar é um para que guardas municipais e professores façam um curso de formação em direitos humanos. &#8220;A educação é a base para toda e qualquer política pública&#8221;, diz.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Números</strong><br><strong>28</strong> travestis e mulheres trans eleitas <strong>2</strong> homens trans eleitos                         <strong>41% </strong>são negras (pretas ou pardas)<br>Pelo Brasil: <strong>23</strong> no Sudeste, <strong>2</strong> no Nordeste, <strong>1</strong> no Norte e <strong>4</strong> no Sul</p><p><strong><a href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2020/11/Lista-das-pessoas-trans-eleitas-em-2020.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Leia a lista com todas as pessoas trans eleitas em 2020</a></strong></p></blockquote>



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