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	<title>Arquivos Natal - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 22 Feb 2024 13:35:04 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Natal - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Sob a opressão de Israel, não há Natal na Terra Santa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Dec 2023 12:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariano Hebenbrock*, de Hamburgo (Alemanha) O sistema de tecnologia é precário e a comunicação ruidosa, principalmente quando se tenta fazer uma chamada de vídeo, para que possamos acompanhar de perto o trajeto entre o leste e o extremo sudoeste de Jerusalém, precisamente para o vilarejo de Susiya, localizado na zona C da Palestina. O [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mariano Hebenbrock*, de Hamburgo (Alemanha)</strong></p>



<p>O sistema de tecnologia é precário e a comunicação ruidosa, principalmente quando se tenta fazer uma chamada de vídeo, para que possamos acompanhar de perto o trajeto entre o leste e o extremo sudoeste de Jerusalém, precisamente para o vilarejo de Susiya, localizado na zona C da Palestina. O acordo de paz de 1995, conhecido como Oslo II e firmado entre Israel e a antiga Organização para a Libertação da Palestina (OLP), determinou a divisão da Cisjordânia em três tipos de zonas, que estão sujeitas a regimes diferentes até hoje.</p>



<p>Grandes cidades palestinas como Ramallah e Nablus formam a zona A, ou seja 18% do território, na qual toda a administração civil e atividades de segurança pública foram transferidas para a Autoridade Palestina. Na zona B, onde se localiza Jerusalém Oriental e uma série de pequenas cidades palestinas, a AP é responsável pela administração civil, enquanto o controle da segurança está inteiramente a cargo do exército israelense. Essa região corresponde a 20% do território. A área C constitui a maior parte da Cisjordânia (62%) e ainda está completamente sob a administração civil e militar israelense. É nesta vasta região onde os conflitos entre palestinos e colonos israelenses são mais violentos dentro da Cisjordânia.</p>



<p>Após alguns minutos na quebra da conexão a imagem da paisagem seca, ensolarada e pedregosa surge mais uma vez em minha tela, como confirmação de que Ahmad Abu Said ainda está a caminho de sua aldeia. “Para chegarmos ao Oeste Selvagem, como essa região é conhecida pelos Israelenses, precisaremos passar pela cidade de Bethlehem”, explica Ahmad. Após algumas trocas de palavras, para termos a certeza de que a conexão foi restabelecida, peço que a conversa entre ele e os convidados para esta entrevista seja gravada em inglês, diminuindo assim o desgaste da tradução. “Bethlehem é quase completamente cercada pelas barreiras israelenses”, afirma o primo, Hashid Said. E continua: “Efrat, por exemplo, é uma das primeiras grandes instalações israelenses”. </p>



<p>Durante a viagem a vegetação muda. As cadeias de colinas escassamente povoadas fundem-se numa paisagem desértica vazia, que abre amplas vista para o sul do país. Finalmente Ahmad chega a sua aldeia. A paisagem seca e desolada dá lugar a um amontoado de cabanas de plásticos, latões, lonas e madeiras. “Aquelas cavernas que você vê logo ali, são usadas pelos pastores de ovelhas palestinos para se defenderem do exército israelense e protegerem seus animais de ataques dos colonos. A vida dos pastores no sul da Cisjordânia quase não mudou durante séculos.” Afirma Hamza Said.</p>



<p>Em uma rodada de chá que é costume no oriente médio, Ahmad é recebido por familiares e amigos. Em meio a uma conversa entrecortada, o homem que se identificou apenas como Ayube explica para a câmara que as restrições na zona C, em relação à liberdade de locomoção e distribuição de licença para atividades comerciais, é válida apenas para palestinos. “Todos os trabalhos de construção, instalações de redes para computador, perfuração de novos poços e instalação de energia, precisam da autorização da administração civil israelense. Até algumas remessas de dinheiro que ultrapassem certas quantias devem ser controladas” conclui Ayube.</p>



<p>Ahmad Abu Said, que por muitos anos trabalhou em um escritório da ONU coordenando projetos humanitários na região, explica que a autoridade civil israelense, cuja sede fica no assentamento de Beit El, nos arredores de Ramallah, regula praticamente todas as facetas da vida na zona C. “Só ela decide quem recebe licença de construção e quem não recebe. Uma parte da imprensa israelense vem constantemente acusando a autoridade civil de empregar muitos colonos que têm interesse em expandir os seus próprios projetos de colonatos na Cisjordânia, inclusive criando fatos e rejeitando milhares de licenças de construção solicitadas pelos palestinos,” enfatiza Ahmad.</p>



<p>A aldeia palestina de Susiya fica numa colina entre um arrojado assentamento israelense, construído com tudo que existe de mais moderno e segregado por muralhas e guaritas de segurança armadas, e as ruínas de uma sinagoga da época romana. Um senhor de voz embargada, aparentando seus 90 anos, explica para Ahmad que “aldeia talvez não seja a palavra certa: Susiya nada mais é do que um conjunto de tendas improvisadas, entre as quais as crianças correm e brincam com as cabras e ovelhas que encontram pouca comida nos arredores rochosos”. As tendas de plástico dificilmente parecem adequadas para proteger os seus residentes dos fortes ventos que varrem os desertos no inverno.</p>



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	                                        <p class="m-0">A aldeia de Susiya, cercada por assentamentos israelenses. Crédito: Ahmad Abu Said</p>
	                
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<p>Nesta área árida, os moradores de Susiya continuam a sua vida tradicional. Eles vivem do que a criação de ovelhas produz e coletam a chuva do inverno em grandes cisternas naturais. “O risco de ser expulso permanentemente de Susiya tem aumentado constantemente nos últimos 37 anos. A primeira grande evacuação da aldeia pelos militares israelenses ocorreu em 1986, depois que os colonos israelenses começaram a povoar o corredor norte-sul, com o objetivo de circundar e isolar esta região. Os residentes de Susiya logo retornaram e reconstruíram sua aldeia. Desde então, foram despejados tantas vezes que acabaram por se contentar com as tendas fornecidas pela Cruz Vermelha Internacional”, esclarece Ahamd.</p>



<p>O mesmo idoso da voz embargada que, aparentemente, é o anfitrião da recepção, explica que a constante alternância de expulsão e retorno para casa continua até hoje. “Em 2021, Susiya foi novamente evacuada pelas forças de segurança israelenses, depois que um residente do assentamento judeu vizinho foi morto por um palestino. A maior ameaça, contudo, continua a ser a política oficial das autoridades civis israelenses. Como não aprovam uma única licença de construção, todas as habitações em Susiya são consideradas ilegais e podem ser demolidas a qualquer momento. Assim, os palestinos desta aldeia vivem ilegalmente em suas próprias terras,” conclui. Os palestinos na área C enfrentam não só o exército e as autoridades civis, mas também a fúria dos colonos israelenses, cujos ataques vem se tornando cada vez mais agressivos, desde a segunda intifada (2000-2005). Milhares de oliveiras palestinas são constantemente queimadas ou cortadas, e estábulos são incendiados causando mortes de centenas de ovelhas. Após o atentando do Hamas no Sul de Israel em 7 de outubro e a contra-investida do exército israelense em Gaza, um dos maiores historiadores israelenses em exílio na Inglaterra, o professor IIan Pappe alerta para a execução do plano de limpeza étnica palestina proposto por políticos israelenses desde a fundação do Estado em 1948.</p>



<p>A situação apresentada por Ahmad em Susiya pode ser acompanhada em várias partes da Zona C, como explica Mahmud Zahawre: “Eles estão nos tentando matar de fome em nossa própria terra.” Seu olhar fixo na câmara se desvia lentamente para a rodovia 60, que liga Jerusalém a Hebron e ao Sul da Cisjordânia. “Os militares e os colonos trabalham juntos. Eles formam uma equipe perfeita e de sucesso,” continua. Zahawre é administrador comunitário em Mas`ara, um vilarejo perto de Bethlehem. Na sua opinião, as mudanças populacionais graduais no sul da Cisjordânia não se devem apenas às políticas das autoridades, mas também ao comportamento violento dos colonos. “Acontece frequentemente que os pastores palestinos, que dependem das pastagens em redor de Asaël, são expulsos pelos colonos com pedras ou tiros de borracha” explica.</p>



<p>Mesmo dentro dos limites da sua propriedade legal de terra, os palestinos mal conseguem cultivar ou colher em seus campos. A situação é ainda mais complicada pelo fato de estarem sujeitos à jurisdição militar israelense em toda a área C. Isso se aplica a roubo ou violação de regulamentos de segurança. Os colonos, por outro lado, estão sujeitos à jurisdição civil como cidadãos israelenses, embora residam fora das fronteiras oficialmente reconhecidas de Israel. Em linguagem simples, isto significa que os agricultores palestinos são ameaçados de prisão pelos soldados de ocupação israelenses e de um longo julgamento perante um tribunal militar quando cultivam as suas próprias terras. Por outro lado, os colonos que agem de forma violenta contra os palestinos respondem a um tribunal civil, sem que nunca sejam efetivamente punidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Tudo para tornar a vida mais difícil</h2>



<p>O historiador Michael Wolffsohn, da Universidade Bundeswhr de Munique, explica que para evitar conflitos entre colonos e palestinos, os militares recorrem, na maioria dos casos, a uma medida que foi introduzida em 1945 por um decreto de emergência do então mandato britânico. “Certas áreas podem ser declaradas zonas militares fechadas, onde os civis só podem entrar com a permissão expressa do comandante responsável. O exército israelense utiliza repetidamente este regulamento para expulsar os palestinos das suas próprias terras ou bloquear o seu acesso a recursos como fontes de água, enquanto os colonos têm acesso ao que necessitarem” explica o pesquisador. Esta política baseia-se na ideia de que a população palestina pode ser melhor controlada em pequenas áreas urbanas, fazendo crescer assim a pressão para os centros urbanos.</p>



<p>Hussein Hadis, administrador comunitário de uma pequena aldeia na região de Husan, próximo a Bethlehem, explica que “qualquer autorização que a autoridade civil negue para a construção de casas ou de canalização de água e eletricidade, aumenta a dependência das aldeias, forçando uma mudança das populações palestinas para as cidades. Com isto as autoridades podem declarar estas terras como propriedades abandonadas e confiscá-las de acordo com as leis otomanas sobre propriedade, segundo as quais o direito de propriedade está vinculado a uma presença permanente na terra”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Polícia e exército de Israel fazem vistas grossas para crimes dos colonos. Crédito: Manuela Simões</p>
	                
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<p>A familia Salim, residente na aldeia Umm al-Kheir, localizada no topo de uma colina a leste do assentamento de Karmel, onde os beduínos vivem, é constituída de um conjunto de moradias improvisadas, como a maioria dos assentamentos neste canto sudoeste da Cisjordânia, explica Mustafá. Ahmad, com seu copo de chá adocicado servido por Fátima Salim, é lembrado que as autoridades israelenses usam até mesmo o menor projeto de construção, como uma latrina, como oportunidade para destruir toda a aldeia.</p>



<p>“Eles querem tornar as nossas vidas o mais difícil possível”, diz Abdullah, genro de Fátima e Mustafá. “Eles tiram até as necessidades mais básicas da vida, como água e banheiros, mas até agora temos ficado aqui. Não temos outra escolha,” conclui Nadja, filha mais velha do casal e esposa de Abdullah. Segundo dados da Cruz Vermelha Internacional ao menos 100 pessoas vivem na aldeia, que só pode ser alcançada através de uma estrada esburacada e perigosa. Ahmad explica que todos os pedidos de planejamentos apresentados pelos aldeões são regularmente rejeitados. “O contraste com o colonato israelense de Karmel torna a pobreza em Umm al-Kheir particularmente acentuada: as crianças parecem doentes e não há habitação permanente nem água corrente. A poucos passos de distância está o moderno assentamento judaico, onde vivem principalmente migrantes dos Estados Unidos, África do Sul, Alemanha e França”, conclui Ahmad.</p>



<p>A aprovação de medidas que facilitem a vida dos palestinos é difícil de se obter. As autoridades israelenses estão em lugares distantes das aldeias e para se chegar lá é necessária uma autorização de viagem, dificultando o acesso aos órgãos competentes. Abdullah explica que os responsáveis pelas autorizações de viagem só falam hebraico, idioma que ele não entende. Além disso, os escritórios abrem em horários e dias alternados. Ele geralmente pede a amigos israelenses que liguem para as autoridades competentes. “Mesmo os israelenses, têm muitas dificuldades em entender como funciona o sistema de licenças. Não importa o que façamos, no final das contas ficamos sem a licença.” Conclui.</p>



<p>Afim de evitar conflitos maiores entre agricultores palestinos e colonos israelenses e garantir que a comunidade internacional tome conhecimento da atual situação na região, ativistas de partidos de esquerdas e de ONGs como a <a href="https://taayush.org/">Taayush</a> e a <a href="https://www.breakingthesilence.org.il/">Breaking the Silence </a>recorrem ao tribunal de Jerusalém em vários casos a favor dos palestinos, para denunciar casos contra a prática injusta e unilateral das forças militares. Ahmad explica que mesmo com causas ganhas e o Tribunal Superior condenando repetidamente a administração militar, por estabelecer zonas militares fechadas e tornar a sobrevivência dos palestinos praticamente impossível, o exército continua ignorando as decisões judiciais e colocando em prática o seu plano de evacuação, expulsão e anexação de terras palestinas.</p>



<p>Para o historiador Wolffsohn, os acordos de Oslo foram originalmente concebidos como uma solução provisória, mas criaram uma estrutura administrativa confusa na Cisjordânia, que tem consequências fatais para o povo palestino. “Em última análise, uma série de leis impede os palestinos de obterem as licenças que desejam, facilitando a expansão territorial em uma região que, para o povo judeu, pertence às tribos de Judeia e Samaria”, afirma Wolffsohn. A política de colonato israelense é considerada um dos maiores pontos de discórdia entre Israel e os palestinos, complicando cada dia mais a perspectiva de uma solução de dois estados na região.</p>



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	                                        <p class="m-0">Na terra onde Jesus Cristo nasceu, o Natal é de medo e morte. Crédito: Manuela Simões</p>
	                
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<p><strong>*Bacharel em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (*Unicap), mestre em Política Internacional e Jornalismo Investigativo pela Universidade de Hamburgo (Alemanha) e doutor em Comunicação Política pela Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona&nbsp;(Espanha)</strong></p>



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		<title>Depois da Virgem Maria negra, Baile do Menino Deus tem indígena fulni-ô no papel de José</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 01:41:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Rosália Vasconcelos Desde o início de novembro, a rotina do ator pernambucano Pedro Caíque Gomes Ferraz, de 34 anos, se divide entre Recife e Águas Belas, município localizado no agreste de Pernambuco. Nas quartas e nas quintas, o rapaz vinha para a capital do estado, ensaiar para o Baile do Menino Deus, em que [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Rosália Vasconcelos</strong></p>



<p>Desde o início de novembro, a rotina do ator pernambucano Pedro Caíque Gomes Ferraz, de 34 anos, se divide entre Recife e Águas Belas, município localizado no agreste de Pernambuco. Nas quartas e nas quintas, o rapaz vinha para a capital do estado, ensaiar para o <em>Baile do Menino Deus</em>, em que representa o personagem José, pai de Jesus. Nos outros dias da semana, o ator voltava para a cidade onde reside com sua esposa e seus filhos. É que, durante os meses de primavera do ano &#8211; setembro, outubro e novembro &#8211; é realizado o ouricuri, ritual sagrado do povo indígena Fulni-ô, aldeado em Águas Belas e do qual o ator faz parte.</p>



<p>Caíque Ferraz é o primeiro ator indígena a representar o papel de José no <em>Baile do Menino Deus</em> e também o primeiro índigena a participar deste tradicional espetáculo pernambucano, que este ano completa 40 anos de encenação, sendo 20 deles de apresentações no Marco Zero. Durante os dois últimos meses, o ator vem vivenciando uma verdadeira experiência de sincretismo religioso.</p>



<p>“Hoje mesmo havia um compromisso com a equipe da indumentária, a prova de roupas, e eu não pude ir porque estou aqui em Águas Belas, concluindo os rituais sagrados. A primeira semana de setembro e a última semana de novembro são as mais emblemáticas para nós Fulni-ô, porque é o nosso encontro e a nossa despedida. Então, eu não poderia deixar de estar aqui com o meu povo”, contou o ator por telefone, no dia em que deu entrevista à repórter. Caíque vivenciava na época a última semana do seu ouricuri. No dia seguinte, contudo, ele estaria no Recife, participando dos ensaios.</p>



<p>Apesar de ter passado dois meses “dividido” entre os rituais de sua prática religiosa Fulni-ô e o mergulho na tradicional história do nascimento de Jesus, que fundamenta a origem do cristianismo, o ator, que se dedicou bastante aos estudos do personagem José, afirma que em nenhum momento sentiu que houve conflitos de valores religiosos. Pelo contrário.</p>



<p>“A concepção de valores cristãos é muito semelhante à concepção dos valores indígenas. As formas ritualísticas é que se diferenciam. As duas religiões comungam da mesma matriz do divino, do sagrado, e de toda a maravilha que é a concepção de um ser iluminado que veio proteger os seres humanos de suas próprias fragilidades. No meu entendimento, o que muda é que diferentes culturas dão nomes diversos”, defende Caíque.</p>



<p>Ele também diz que, como muitos brasileiros não cristãos, viveu em contato direto com a cultura religiosa cristã durante toda a sua vida. “O povo Fulni-ô é um povo milenar, que vive e resiste em uma reserva indígena a quatro quilômetros do bairro de Aldeia, em Águas Belas. Por conta das missões jesuítas para catequizar o nosso povo na época que os europeus invadiram o Brasil, foi construída uma igreja católica no meio da aldeia indígena. Então, de alguma forma, nós tivemos relação com o catolicismo”, lembra.</p>



<p>Segundo o ator, ensaiar o personagem José no <em>Baile do Menino Deus</em> também trouxe para ele um recorte diferente da vida de Jesus. “O roteiro do Baile traz que a escolha pelo homem José para ser o pai de Jesus teve um motivo, não foi em vão. Ele era um homem forte que acolheu Maria virgem, uma mulher que havia engravidado sem a presença da figura masculina. Imagina que para uma sociedade machista, muito mais naquela época do que hoje, José teve que enfrentar sua religiosidade, sua cultura e seu povo. A vida de Jesus é iluminada antes e depois do seu nascimento”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Direito de ser fulni-ô</h2>



<p>Caique Ferraz é ator, do coletivo de teatro <a href="https://www.youtube.com/@resta1coletivodeteatro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Resta1</a> e fez participação na série Cangaço Novo, do canal por assinatura Prime Vídeo. Ele nasceu no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), localizado no bairro dos Coelhos, área central do Recife, mas sua mãe e sua família materna nasceram todos na região de Águas Belas, onde está situado o povo Fulni-ô.</p>



<p>Apesar de ter crescido no bairro da Boa Vista, no Recife, desde criança a mãe o levava para participar do ouricuri nos três meses de primavera do ano, o que o deu direito a ser um fulni-ô. Durante sua adolescência e início da vida adulta, viveu entre Recife, Águas Belas e Flores, cidade natal do seu pai. Já adulto, após um período do que Caíque chamou de “crise existencial&#8221;, decidiu fixar sua residência de vez junto ao seu povo, em Águas Belas.</p>



<p>Sua esposa e seus filhos são naturais de Águas Belas e também são da etnia Fulni-ô. “Meus filhos vivem na Aldeia, vivenciando a cultura do nosso povo. É algo que faço questão”, orgulha-se Caíque, que além da língua portuguesa, é fluente no idioma dos fulni-ô, chamada Yaathê, que tem dicionário próprio, tamanha sua complexidade. De acordo com os pesquisadores linguistas Adair Pimentel Palácio e Aryon Rodrigues &#8211; dois nomes referências quando o tema é língua indígena brasileira &#8211; o povo Fulni-ô é o único do Nordeste a manter intacto seu idioma e um dos únicos no Brasil a manter viva diariamente sua língua nas atividades do dia-a-dia.</p>



<p>“A partir de janeiro de 2024, quero investir mais tempo em produção audiovisual, pretendo trabalhar no Coletivo Fulni-ô de Cinema, que veio a existir depois da minha formação como ator. Aqui em Águas Belas, temos maravilhosas paisagens e material humano incrível. Temos muitas habilidades a desenvolver e ninguém melhor do que nós para retratar a nossa história e nossa cultura”, planeja Caíque.</p>



<h3 class="wp-block-heading">40 anos de sincretismo no Baile</h3>



<p>O <em>Baile do Menino Deus</em> completa 40 anos em 2023 e se notabilizou ao longo desse tempo por contar a história do nascimento de Jesus, que embasa as festividades natalinas, mas pautada nos elementos da cultura brasileira, contrariando estrangeirismos típicos da época, como neve, papai noel, renas e pinheiros.</p>



<p>Mas não só isso. É um espetáculo que narra um nascimento mítico a partir das culturas formadoras do Brasil. Os três reis magos, por exemplo, representam em suas indumentárias um africano, um indígena e um ibérico, “a sínteses do povo brasileiro”, segundo as palavras de um dos autores da peça, Ronaldo Correia de Brito.</p>



<p>“O divino existe em todas as culturas do mundo. E os povos têm mitos semelhantes a respeito do nascimento do divino. Nós partimos do mito do nascimento de Jesus e ampliamos para um mito mais universal, que celebra nascimentos divinos”, justifica o escritor.</p>



<p>Ele entende que, embora tenha havia um processo de invasão e dominação entre os povos, nenhuma cultura é totalmente dominada por outra. “A forma de resistência cultural dos povos dominados era elaborar uma cultura própria a partir da cultura que estava sendo imposta a eles. E o baile recupera essa intersecção”, afirma Ronaldo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Correia de Brito explica que escolha de Caíque foi técnica e não pela etnia. Crédito: Andréa Rego Barros/PCR</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Durante essas quatro décadas, o <em>Baile do Menino Deus</em> buscou representar essa sinergia cultural do povo brasileiro não apenas no religioso, mas também em outras formas de expressão, como nas roupas, nas músicas e nas danças. Em seus primeiros anos de encenação, a partir de 1983, no Teatro Waldemar de Oliveira, o figurino, por exemplo, teve inspiração na cultura bizantina e depois passou a ter elementos do Natal do leste europeu. Na época, 13 atores formavam o elenco e a música era em <em>playback</em>.</p>



<p>Com o passar dos anos, a ampliação de outros elementos culturais aos religiosos foi um processo natural. No Marco Zero, a partir de 2003, o espetáculo traz um elenco de cerca de 60 pessoas, com orquestra ao vivo, coro adulto, coro infantil, corpo de baile e atores.</p>



<p>“No processo de concepção, fomos atrás de músicas dos séculos 15 e 16, algumas delas do processo de catequese de indígenas e africanos. E o Baile recupera também o contato desses povos com a cultura ibérica (portuguesa e espanhola) através desses cantares”, conta Ronaldo Correia de Brito. Já o texto da dramaturgia se manteve.</p>



<p>Mais recentemente, a direção do espetáculo tem inserido elementos culturais urbanos, como o hip hop e o breakdance. Nas apresentações deste ano, que acontecem nos dias 23, 24 e 25 de dezembro, o espetáculo conta com a participação do Rapper Okado do Canal. “A inserção dessas manifestações reflete bem a forma como o Baile se atualiza e absorve a cultura que está viva e que tem essa multiculturalidade”, frisa o escritor.</p>



<p>Sobre a participação do primeiro ator indígena nos 40 anos de cena, Ronaldo Correia de Brito afirma que Caíque Ferraz não foi selecionado por sua etnia, mas por sua qualidade técnica. “A seleção foi natural. Caíque passou por uma audição e nessa audição ele foi selecionado por mim, que sou uma pessoa extremamente exigente. O espetáculo é um guarda-sol aberto, debaixo do qual incluímos todo mundo. Basta ter talento. Ano passado, Maria foi uma atriz negra. Este ano, a Maria é ruiva. Nós selecionamos pela qualidade técnica”, diz.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Laís, a Maria mestiça</h3>



<p>A atriz que interpreta Maria em 2023 é Lais Senna, que prefere se identificar como mulher mestiça ou “negra de pele clara”. Sua formação cultural e religiosa representa exatamente o cerne do <em>Baile do Menino Deus</em>.</p>



<p>“Apesar de negra de pele clara, sou batizada e crismada na Igreja Católica. Mesmo assim, minha família frequentava centros espíritas e budistas. Não tenho vivência de terreiro, mas dancei dois anos no Balé de Cultura Negra do Recife, o que me fez ter contato com elementos das religiões africanas, porque trazíamos isso para o palco. Atualmente, pratico o Sukio Mahikari, que não é exatamente uma religião, mas uma prática religiosa de origem japonesa e que abraça outras religiões”, conta Laís.</p>



<p>Para ela, o Baile dialoga uma narrativa que já está no inconsciente coletivo com a fé das comunidades, a partir do entendimento do que é justo, do que é belo e do que é verdadeiro.</p>



<p>“Enxergo no Baile a grande celebração da cultura em torno do sagrado. A partir de um símbolo católico, o espetáculo traz outras possibilidades do que é sagrado e do que merece ser celebrado. O próprio mito cristão da castidade tem uma releitura a partir do momento em que Maria é humanizada no sentido de sentir dor, de enfrentar dificuldades e de ter o próprio romantismo na sua história com José. É neste sentido que o <em>Baile do Menino Deus</em> se sustenta e se renova, com uma diversidade legitimada e com a celebração da vida. Parece ser óbvio, mas não é”, declara Laís Senna.</p>



<p>Este ano, o B<em>aile do Menino Deus: Uma Brincadeira de Natal</em> acontece de 23 a 25 de dezembro, na Praça do Marco Zero, sempre a partir das 20h. O acesso é gratuito e, seguindo sua proposta de diversidade, o espetáculo possui acessibilidade para cadeirante, audiodescrição e intérprete em libras.</p>



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	                                        <p class="m-0">Peça foi encenada pela primeira vez há 40 anos e está há 20 no Marco Zero. Crédito: Marcos Pastich/PCR</p>
	                
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		<title>Vereadores de Natal decidem não votar projeto do prefeito que congelaria salários de professores</title>
		<link>https://marcozero.org/vereadores-de-natal-decidem-nao-votar-projeto-do-prefeito-que-congelaria-salarios-de-professores/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Oct 2023 19:43:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mirella Lopes, do portal Saiba Mais A sessão desta quarta (25) começou com a presença de 17 dos 29 vereadores da Câmara Municipal de Natal, que concluíram a votação dos vetos do prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), a matérias que haviam sido aprovadas pelos parlamentares. Dos 11 vetos analisados ontem, 9 foram mantidos [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mirella Lopes, do portal <a href="https://saibamais.jor.br/2023/10/vereadores-devolvem-projeto-de-alvaro-dias-sobre-professores-de-natal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Saiba Mais</a></strong></p>



<p>A sessão desta quarta (25) começou com a presença de 17 dos 29 vereadores da Câmara Municipal de Natal, que concluíram a votação dos vetos do prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), a matérias que haviam sido aprovadas pelos parlamentares. Dos 11 vetos analisados ontem, 9 foram mantidos e dois derrubados.</p>



<p>Desde o dia 18 a pauta da Casa estava trancada e os vereadores concentrados apenas na análise dos vetos do prefeito porque, segundo o Regimento Interno que regulamenta o funcionamento do legislativo natalense, vetos acumulados por mais de 30 dias têm prioridade e precisam ser votados para que seja dada continuidade à votação das demais matérias. Ao todo, dos 151 vetos analisados, 95 foram mantidos e 56 derrubados.</p>



<p>A votação ocorreu sob uma forte pressão dos professores da rede municipal de ensino que ocuparam as galerias da Casa e estavam em plena campanha pela retirada do Projeto de Lei Complementar (PLC) 19/2023, enviado pela Prefeitura do Natal.</p>



<p>O PLC prevê a criação de uma nova carreira na rede municipal de Educação com jornada de 30h semanais e extinção das atuais carreiras já existentes e regulamentadas pela lei nº 58/2004 (voltada para os professores do ensino fundamental) e pela lei nº 114/2010 (trata dos professores dos Centros Municipais de Educação Infantil).</p>



<p>Havia uma preocupação de que o projeto entrasse em votação logo após a conclusão da análise dos vetos, para garantir uma aprovação rápida e evitar um maior desgaste para o prefeito Álvaro Dias.</p>



<p>“Acreditamos que sim [que será o próximo projeto a ser votado na Câmara após os vetos] porque é desejo da gestão colocá-lo em votação o mais rápido possível para conter o desgaste”, avaliou o vereador Daniel Valença antes do início da votação.</p>



<p>Mas, com a presença em massa e diária dos professores na Câmara desde segunda (23), os vereadores da própria bancada da situação, que apoia o prefeito, decidiram retirar o projeto de tramitação. A medida foi comunicada por Nina Souza (PDT), que presidia a sessão.</p>



<p>“Antes de terminamos a sessão e amanhã já voltarmos com o expediente normal, eu gostaria de parabenizar o líder da nossa bancada, o vereador Hermes Câmara [PSDB], que vem ao longo de todo esse processo sendo a nossa voz no sentido de levar ao governo a nossa mensagem de que o PLC que versava a cerca da matéria da educação deveria ser retirada para que melhor fosse avaliada, melhor fosse construída e a categoria fosse respeitada no processo de construção”, encerrou Nina.</p>



<p>A decisão foi comemorada pelos professores, que já pediam a retirada do projeto de tramitação ou a recusa dos vereadores em votá-lo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>As críticas ao projeto</strong></h2>



<p>Os professores da rede municipal de ensino já disseram ser a favor da unificação da carreira, mas criticam e elaboração do projeto sem a participação da própria categoria.</p>



<p>De acordo com a Coordenação Geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte/RN), na prática, o Projeto de Lei complementar 19/2023 criaria uma terceira carreira, já que os próximos professores a ingressarem na rede municipal de ensino estariam sujeitos a uma nova regulação que, entre outras coisas, prevê o congelamento dos salários durante os quatro primeiros anos dos professores que ingressassem pelo novo regime, permitiria remoções arbitrárias e não garantiria a previsão de horas para o planejamento das aulas.</p>



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		<title>Prefeito de Natal quer congelar salários na rede municipal de ensino por quatro anos</title>
		<link>https://marcozero.org/prefeito-de-natal-quer-congelar-salarios-na-rede-municipal-de-ensino-por-quatro-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Oct 2023 21:10:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<category><![CDATA[rede municipal de ensino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mirella Lopes, do portal Saiba Mais Caso o Projeto de Lei Complementar (PLC) 19/2023 enviado para a Câmara Municipal de Natal seja aprovado, os professores que ingressarem na carreira pela nova regra terão quatro anos dos salários congelados. O alerta foi dado durante audiência pública realizada na Comissão de Educação da Câmara Municipal de [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mirella Lopes, do portal <a href="https://saibamais.jor.br/2023/10/novo-projeto-do-prefeito-de-natal-para-carreira-na-educacao-preve-congelamento-de-salario-por-quatro-anos/#:~:text=Em%20julho%20deste%20ano%2C%20os%20professores%20decidiram%20aceitar,ser%20pago%20nos%20quatro%20primeiros%20meses%20de%202024." target="_blank" rel="noreferrer noopener">Saiba Mais</a></strong></p>



<p>Caso o Projeto de Lei Complementar (PLC) 19/2023 enviado para a Câmara Municipal de Natal seja aprovado, os professores que ingressarem na carreira pela nova regra terão quatro anos dos salários congelados.</p>



<p>O alerta foi dado durante audiência pública realizada na Comissão de Educação da Câmara Municipal de Natal. “Além da extinção da carreira, temos um caso extremamente sério: os futuros ingressos na carreira se darão já com o salário rebaixado, menor do que atual, mas o que é mais grave, durante quatro anos estarão condenados a ter um único salário, sem aumento, porque estarão em estágio probatório e só terão progressão na carreira se forem avaliados e aprovados”, aponta Fátima Cardoso, coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte/RN).</p>



<p>O projeto, de autoria do prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), prevê a criação de uma nova carreira na rede municipal de Educação com jornada de 30 horas semanais. Porém, extingue as atuais carreiras já existentes e regulamentadas pela lei nº 58/2004 (voltada para os professores do ensino fundamental) e pela lei nº 114/2010 (que trata dos professores dos Centros Municipais de Educação Infantil). “Isso é um prato cheio para um prefeito que passou quatro anos congelando o salário dos professores da rede municipal nas carreiras existentes que já garantem, inclusive, a atualização salarial”, provoca Bruno Vital, que também coordena o Sinte/RN.</p>



<p>O município de Natal já possui uma carreira de 30 horas semanais e outra de 20h. A secretária de Educação de Natal, Cristina Diniz, justificou que a lei era necessária para a realização de concurso público, o que foi desmentido pela categoria.</p>



<p>“Esse feito está sendo alardeado como uma proposta que vai criar mais de 700 cargos não passa de uma falácia! Na própria mensagem do prefeito que dispõe sobre a estruturação e carreira do professor, ele não fala em cargos… não existe criação de cargos que dependa PL… desde 2018 o sindicato luta junto ao Ministério Público para a realização de concurso. É uma vergonha um município desse tamanho tenha mais de 750 cargos abertos. Será que também estão gestando o edital nos gabinetes, sem a participação do sindicato? Ou será mais uma falácia?”, questionou Fátima Cardoso.</p>



<p>“As duas leis atuais são suficientes para garantir a realização de concurso público”, acrescentou Bruno Vital. A categoria levantou a necessidade de alteração de, pelo menos, 26 pontos da lei que possui 40 artigos.</p>



<p>“Isso demonstra que a lei é extremamente frágil e ruim para a categoria. Isso se dá porque durante o processo de construção a parte mais afetada, mais interessada, não foi escutada”, critica Bruno. Os professores também aproveitaram o encontro na Câmara, com a presença de alguns vereadores, para pedir que os parlamentares se recusem a votar no projeto.</p>



<p>“A história já deu a Álvaro Dias o título que ele merece: inimigo da educação. A gente não quer inimigo destruidor da educação pública e dos profissionais da educação. Esperamos que os vereadores não queiram carregar, junto com o prefeito, esse título!”, ironiza Bruno Vital.</p>



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	                                        <p class="m-0">Bruno Vital. Crédito: Francisco de Assis/Saiba Mais</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Na tentativa de pressionar o prefeito de Natal a retirar o projeto de tramitação, os professores paralisaram as atividades da quarta-feira, dia 4 de outubro, até a terça, 10.</p>



<p>A ideia de fazer uma audiência pública durante a reunião da Comissão de Educação sobre o PLC foi do vereador Daniel Valença (PT). Também participaram do encontro os vereadores Robério Paulino (PSOL), Bispo Francisco, de Assis (PRB), Júlia Arruda (PCdoB), Brisa Bracchi (PT), Ana Paula Araújo (Solidariedade), Anderson Lopes (PSDB) e Nina Souza (PDT), além da deputada federal Natália Bonavides (PT).</p>



<p><em>“</em>Nós paralisamos a pauta aqui nessa Casa por duas semanas e somos só cinco. Se for necessário, vamos usar todos os instrumentos regimentais para declarar guerra à prefeitura de Álvaro Dias porque o que essa gestão está fazendo com os servidores da Educação, Saúde, Assistência Social e que, agora, desrespeita até o legislativo. Isso aqui é uma audiência pública, não é uma conversa de fim de semana não. Foi enviado memorando aos 28 vereadores e ofício à secretária de Educação, que foi avisada por WhatsApp também! Se ela não tem agenda, mande um adjunto, mande alguém, mas é obrigação estar aqui”, criticou Valença a postura da Secretaria de Educação, que não enviou representantes à audiência.</p>



<p>Por causa da quantidade de professores na Câmara, o plenário ficou lotado e tendas foram armadas do lado de fora.</p>



<p>“Estamos hoje nessa tribuna para a dizer à Prefeitura do Natal que ela vai passar! Vamos viver momentos melhores nesse município porque não tem como termos uma prefeitura que decide a vida dos trabalhadores mandar um projeto de lei, inclusive, com vários apelos desse sindicato, sem fazer qualquer debate”, critica o coordenador do Sinte/RN.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A favor da unificação</strong></h2>



<p>Durante o debate os professores afirmaram ser a favor da unificação da carreira. Mas, ponderaram que a atual proposta, além de ter sido elaborada sem a participação da categoria, traz pontos considerados prejudiciais à profissão, como a possibilidade de remoções arbitrárias e a ausência de horas destinadas ao planejamento das aulas.</p>



<p>“Ela fala em unificação, que é uma pauta histórica da categoria. Mas, como é que ela [a Prefeitura] vai unificar se está extinguindo duas carreiras? Ela está criando uma pior do que as que já existem. Não avança em nenhum ponto. O que observamos é que dentre o que já existe, estão sendo feitas modificações para incluir medidas autoritárias, como o caso de remoção, deixar que a Secretaria de Educação, por exemplo, possa remover da forma que ela quiser, sem o professor saber, inclusive, que será removido”, aponta Bruno.</p>



<p>Além da extinção das atuais carreiras, do congelamento dos salários e possibilidade de remoção arbitrária, os professores também afirmam que a nova regra não permite a migração de carreira entre as antigas e a nova; e não traz previsão de tempo para planejamento das aulas na jornada de 30 horas. Atualmente, a carreira na Educação do município prevê jornadas de 20h e 30h semanais.</p>



<p>“A intenção do prefeito de Natal é provocar uma divisão da categoria. Ele cria uma carreira que terá quatro anos de congelamento e outras duas carreiras já organizadas de outra forma”, acrescentou o coordenador do Sinte/RN.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>E o piso?</strong></h3>



<p>Em julho deste ano, os professores decidiram aceitar a proposta de 7% de reajuste apresentada pelo prefeito Álvaro Dias, a&nbsp;partir de julho deste ano, com retroativo dos meses entre janeiro e junho de 2023 para ser pago nos quatro primeiros meses de 2024.</p>



<p>“Ele [Álvaro Dias] deve a esses professores que estão aqui. Além de massacrar e tentar extinguir a carreira, ela também deve a quem está aqui e foi obrigado a sair das escolas”, denuncia Bruno Vital.</p>



<p>Os professores da rede municipal de ensino de Natal não tiveram a atualização do piso salarial de 2020 negociado. Na época, a Prefeitura do Natal pagou apenas a metade (6,42%) dos 12,84% anunciados pelo Ministério da Educação (MEC).</p>



<p>Já em 2022, o reajuste do piso pelo MEC foi de 33,24%, mas a prefeitura não concedeu aumento. Em 2023, a atualização do piso dos professores determinado pelo ministério foi de 14,24%. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong><br><br><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<item>
		<title>As recomendações para mais um fim de ano de pandemia da covid-19</title>
		<link>https://marcozero.org/as-recomendacoes-para-mais-um-fim-de-ano-de-pandemia-da-covid-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Dec 2021 20:24:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[fim de ano]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[omicron]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
		<category><![CDATA[variantes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=43035</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nas festas de fim de ano de 2020 a recomendação dos especialistas era para esperar a vacinação, fazer reuniões virtuais ou uma seguir uma série de precauções que incluíam isolamento ou testagem antes dos eventos. Foi um ano duro: a variante Gama mudou os rumos da pandemia no Brasil e foi responsável pela maioria das [&#8230;]</p>
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<p>Nas festas de fim de ano de 2020 a recomendação dos especialistas era para esperar a vacinação, fazer reuniões virtuais ou uma seguir uma série de precauções que incluíam isolamento ou testagem antes dos eventos. Foi um ano duro: a variante Gama mudou os rumos da pandemia no Brasil e foi responsável pela maioria das mais de 620 mil mortes registradas no país. Mas 2021 também trouxe sopros de esperança com o avanço da vacinação e a desaceleração das mortes.<br><br>Neste finalzinho do ano, porém, mais incertezas. A variante Ômicron, identificada em novembro, se espalha pelo mundo em uma velocidade sem precedentes e surtos de gripe desafiam uma população já muito cansada da pandemia e das medidas de restrição. Para completar, os governos estaduais estão com flexibilizações já nos últimos estágios e com poucas intenções de apertar a fiscalização. Mas nesse cenário de incertezas, as precauções ainda são necessárias, principalmente com os mais vulneráveis, como doentes crônicos, idosos e imunossuprimidos, e os que ainda não podem se vacinar, como as crianças.<br><br>Uma das recomendações para um fim de ano mais seguro que o físico Vitor Mori, que estuda a transmissão do coronavírus, acha mais importante é a de evitar aglomerações de pessoas de cidades diferentes, que vão ter que passar por viagens longas antes dos encontros. &#8220;Principalmente pessoas de cidades grandes que viajam para cidades menores nessa época do ano, onde a situação epidemiológica pode ser bem mais tranquila&#8221;, disse Mori, em conversa online promovida pelo International Center for Journalists (ICJ).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-meio-a-apagao-de-dados-veja-o-que-voce-precisa-saber-sobre-os-novos-surtos-do-virus-da-gripe/" class="titulo">Em meio a apagão de dados, veja o que você precisa saber sobre os novos surtos do vírus da gripe</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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	            </div>
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<p>O que mais preocupa nesse ano é a rápida disseminação da Ômicron. Estudos iniciais apontam que pode não infligir doença mais severa, mas já se sabe que é muito mais transmissível. &#8220;Vários aspectos podem tornar uma variante mais transmissível. Ela pode ter mais facilidade de entrar nas nossas células, ou seja, a quantidade de partículas que tem que entrar no nosso corpo para infectá-lo é menor. Uma exposição menor, mais curta, já pode causar uma infecção. Pode ser também que a pessoa infectada emita mais partículas infecciosas. Ou pode ser que a pessoa infectada consiga transmitir por um período maior de tempo&#8221;, explica.<br><br>&#8220;Para a Ômicron, temos dados iniciais que mostram uma maior transmissibilidade. Em termos práticos, o espalhamento é mais rápido. Agora, os mecanismos que levam a isso ainda está sendo estudado&#8221;, completa Mori.<br><br>Variante dominante no Brasil, a Delta, por exemplo, fica mais estável dentro de aerossóis &#8211; partículas microscópicas que ficam suspensas no ar e podem infectar as pessoas. &#8220;O vírus não viaja sozinho. Ele viaja envelopado dentro de uma partícula muito pequena de saliva, água ou outros líquidos. A Delta consegue ser mais estável nesse envelope: essa partícula fica infecciosa por mais tempo&#8221;, alerta.<br><br>A testagem em massa, que nunca foi realmente implantada no Brasil, poderia dar uma tranquilidade a mais nas festas de fim de ano, mas as dificuldades logísticas atrapalham. &#8220;Valeria a pena fazer teste, mas no Brasil não temos disponibilidade de testes para fazer em casa. Testes RT-PCR ou rápido de antígenos ainda têm preços proibitivos. O teste rápido de antígeno mais barato não sai por menos de R$ 100. Então se vai se fazer um encontro de uma família de quatro indivíduos com outra família de quatro indivíduos, cada uma vai gastar R$ 400 só nisso. Com a crise econômica, é uma recomendação distante da realidade&#8221;, lamenta.<br><br>Mori aposta em recomendações mais possíveis como fazer o encontro em lugares abertos e bem ventilados. E no uso de máscaras de boa qualidade, como as PFF2. E, claro, na vacinação de todas as pessoas do encontro, incluindo a dose de reforço, para todos que tiverem indicação.<br><br>Para 2022, Mori evita fazer projeções e acredita que muitos fatores podem influenciar o terceiro ano da pandemia. &#8220;Se acreditou que a delta poderia ser catastrófica e o Brasil segurou bem. Para a Ômicron, particularmente, acho que o Brasil é um dos países mais preparados para lidar com ela, por conta da enorme adesão da população à vacinação. E temos, infelizmente, uma quantidade muito grande de pessoas que já foram infectadas, o que diminui a quantidade de suscetíveis&#8221;, afirmou.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Recomendações práticas da Fiocruz</h2>



<p>Na semana passada a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou uma cartilha com recomendações práticas para as festas de fim de ano. &#8220;Estamos num cenário mais favorável do que no ano passado, mas ainda temos que nos manter alertas, especialmente diante das incertezas relacionadas à nova variante e à intensidade de circulação de pessoas nesse período do ano&#8221;, afirmou o coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Carlos Machado, no lançamento da cartilha.<br><br>&#8220;Reforçamos que o principal cuidado neste fim de 2021 é garantir que todos estejam vacinados com o esquema completo, incluindo a dose de reforço, caso a pessoa já tenha essa indicação. Quem ainda não está com o esquema completo, recomendamos que vá ao posto de saúde 14 dias antes do evento para que possa estar protegida e ajudar a proteger os outros também. Essa é uma mensagem que gostaríamos que fosse muito compartilhada e incentivada nos grupos de família e amigos do WhatsApp”, ressaltou Machado.<br><br>Devem evitar participar dos encontros pessoas que não se vacinaram, pessoas que estão com sintomas gripais, pessoas que tiveram contato com casos confirmados nos últimos 14 dias e quem está aguardando o resultado de exames para covid-19, mesmo que não esteja com sintomas.<br><br>Confira abaixo as principais recomendações para um encontro com todas as pessoas vacinadas. <a href="https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/cartilha_fim_de_ano.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">E confira aqui a cartilha completa.</a></p>



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<p><br><br></p>
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		<title>João Paulo erra. Salvador e Fortaleza recebem mais turistas do que Recife desde as gestões petistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Oct 2016 10:27:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Fortaleza]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Júlio]]></category>
		<category><![CDATA[João Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Um investiu no turismo. O outro (Geraldo Julio) abandonou o turismo deixando Recife atrás de Salvador, Fortaleza e Natal”, texto veiculado no programa eleitoral de TV de João Paulo nos dias 10 e 11 de outubro. Comparar para conquistar. Esta parece ser a estratégia do petista João Paulo no início do segundo turno das eleições. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #111111;"><span style="font-weight: bold;"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/blefePeq.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2684 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/08/blefePeq.jpg" alt="blefePeq" width="168" height="200"></a>“Um investiu no turismo. O outro (Geraldo Julio) abandonou o turismo deixando Recife atrás de Salvador, Fortaleza e Natal”, texto veiculado no programa eleitoral de TV de João Paulo nos dias 10 e 11 de outubro.</span></p>
<p style="color: #111111;">Comparar para conquistar. Esta parece ser a estratégia do petista João Paulo no início do segundo turno das eleições. Se já era de se esperar o confronto de números na saúde, educação e habitação, a surpresa ficou com o questionamento feito pelo petista para a área do turismo, sugerindo que o Recife perdeu posição em relação a outras três capitais nordestinas.</p>
<p style="color: #111111;">Questionada pelo Truco Eleições 2016 – projeto de<em>fact-checking</em>da Agência Pública em parceria com a Marco Zero Conteúdo – sobre a que dados específicos a campanha de João Paulo se referia, a assessoria do candidato sugeriu que as informações seriam do Convention &amp; Visitors Bureau e tratariam do número de desembarques registrados pela Infraero, mas ficou de confirmar. Não houve retorno.</p>
<p style="color: #111111;">Os dados anualizados da série histórica de desembarques aéreos contabilizados pela Infraero, e publicados nos anuários estatísticos do órgão, não batem com a afirmativa da campanha de João Paulo. Entre 2010 e 2015, o aeroporto de Salvador sempre esteve à frente do de Recife no número de desembarques nacionais e internacionais. Do mesmo modo, no mesmo período, o de Fortaleza ocupou posições abaixo do de Recife no ranking de 67 aeroportos divulgados pela Infraero.</p>
<p style="color: #111111;">No último levantamento, divulgado em 2015, Salvador estava na terceira posição do ranking nacional, com 8,7 milhões de desembarques de passageiros domésticos e 346 mil internacionais, perdendo para São Paulo e Rio de Janeiro. Recife ocupava a sexta colocação, somando 6,4 milhões de desembarques domésticos e 271 mil internacionais com Fortaleza logo atrás, na sétima posição (6,1 milhões passageiros do Brasil e 237 mil estrangeiros).</p>
<p style="color: #111111;">O Truco entrou em contato com o Ministério do Turismo. Fomos informados de que a pesquisa por amostragem mais recente de Demanda Turística Doméstica realizada para o Governo Federal pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) é de 2012, último ano da gestão petista de João da Costa. Nela o Recife é apontado como o sexto destino turístico brasileiro, atrás de Salvador e Fortaleza, em terceiro e quarto lugares, e a frente de Natal, em sétimo. Em 2007, penúltimo ano da gestão João Paulo, o Recife ocupava a décima terceira posição no mesmo ranking, superado por Salvador (quinto) e Fortaleza (nono). Natal era o décimo nono destino preferido dos turistas brasileiros.</p>
<p style="color: #111111;">O que estes números mostram é que historicamente Recife atrai menos turistas do que Salvador e Fortaleza e, portanto, este não é um fenômeno novo, vinculado à gestão Geraldo Julio. Ao contrário, os números recentes mostram um fortalecimento do turismo na capital pernambucana e o avanço da cidade no ranking nacional, acompanhando a melhoria de desempenho das outras capitais nordestinas citadas pelo candidato petista.</p>
<p style="color: #111111;"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/10/Índice-Competitividade1.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-3168 alignleft" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/10/Índice-Competitividade1.png" alt="indice-competitividade" width="479" height="342"></a></p>
A avaliação de que o Recife está ficando para trás no quesito turismo também não se sustenta quando analisamos os dados do Índice de Competitividade do Turismo Nacional 2015. Produzido pelo Ministério do Turismo, Sebrae e Fundação Getúlio Vargas, o ranking das cidades com o turismo mais competitivo no Brasil leva em consideração 13 variáveis entre infraestrutura, serviços, economia local, promoção, atrativos turísticos e aspectos sociais, ambientais e culturais. Foram avaliados 65 destinos. Recife subiu uma posição em relação ao último levantamento ocupando agora a sexta colocação no índice geral, com 77,2 pontos. A melhor colocação entre as cidades nordestinas.

Nos rankings setorizados, Recife se destacou no item “aspectos culturais”, obtendo a terceira melhor média nacional (88,6), perdendo apenas para Salvador (91,8) e Rio de Janeiro (90,5). Em “serviços e equipamentos turísticos” e “atrativos turísticos” ficou com a quinta melhor nota nacional, respectivamente 83,2 e 79,1, a frente de Salvador, Fortaleza e Natal. Outros bons desempenhos foram registrados nos quesitos “capacidade empresarial” e “acesso” computando o sexto lugar com médias 93,2 e 83,4 e “marketing e promoção” com a média 70,6 e a oitava posição. Dos 13 itens avaliados, Recife aparece entre os dez melhores em seis deles, Salvador em quatro, Fortaleza em três e Natal em apenas dois.
<p style="color: #111111;"></p><p>O post <a href="https://marcozero.org/joao-paulo-erra-salvador-e-fortaleza-recebem-mais-turistas-do-que-recife-desde-as-gestoes-petistas/">João Paulo erra. Salvador e Fortaleza recebem mais turistas do que Recife desde as gestões petistas</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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