blefePeq“Um investiu no turismo. O outro (Geraldo Julio) abandonou o turismo deixando Recife atrás de Salvador, Fortaleza e Natal”, texto veiculado no programa eleitoral de TV de João Paulo nos dias 10 e 11 de outubro.

Comparar para conquistar. Esta parece ser a estratégia do petista João Paulo no início do segundo turno das eleições. Se já era de se esperar o confronto de números na saúde, educação e habitação, a surpresa ficou com o questionamento feito pelo petista para a área do turismo, sugerindo que o Recife perdeu posição em relação a outras três capitais nordestinas.

Questionada pelo Truco Eleições 2016 – projeto de fact-checking da Agência Pública em parceria com a Marco Zero Conteúdo – sobre a que dados específicos a campanha de João Paulo se referia, a assessoria do candidato sugeriu que as informações seriam do Convention & Visitors Bureau e tratariam do número de desembarques registrados pela Infraero, mas ficou de confirmar. Não houve retorno.

Os dados anualizados da série histórica de desembarques aéreos contabilizados pela Infraero, e publicados nos anuários estatísticos do órgão, não batem com a afirmativa da campanha de João Paulo. Entre 2010 e 2015, o aeroporto de Salvador sempre esteve à frente do de Recife no número de desembarques nacionais e internacionais. Do mesmo modo, no mesmo período, o de Fortaleza ocupou posições abaixo do de Recife no ranking de 67 aeroportos divulgados pela Infraero.

No último levantamento, divulgado em 2015, Salvador estava na terceira posição do ranking nacional, com 8,7 milhões de desembarques de passageiros domésticos e 346 mil internacionais, perdendo para São Paulo e Rio de Janeiro. Recife ocupava a sexta colocação, somando 6,4 milhões de desembarques domésticos e 271 mil internacionais com Fortaleza logo atrás, na sétima posição (6,1 milhões passageiros do Brasil e 237 mil estrangeiros).

O Truco entrou em contato com o Ministério do Turismo. Fomos informados de que a pesquisa por amostragem mais recente de Demanda Turística Doméstica realizada para o Governo Federal pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) é de 2012, último ano da gestão petista de João da Costa. Nela o Recife é apontado como o sexto destino turístico brasileiro, atrás de Salvador e Fortaleza, em terceiro e quarto lugares, e a frente de Natal, em sétimo. Em 2007, penúltimo ano da gestão João Paulo, o Recife ocupava a décima terceira posição no mesmo ranking, superado por Salvador (quinto) e Fortaleza (nono). Natal era o décimo nono destino preferido dos turistas brasileiros.

O que estes números mostram é que historicamente Recife atrai menos turistas do que Salvador e Fortaleza e, portanto, este não é um fenômeno novo, vinculado à gestão Geraldo Julio. Ao contrário, os números recentes mostram um fortalecimento do turismo na capital pernambucana e o avanço da cidade no ranking nacional, acompanhando a melhoria de desempenho das outras capitais nordestinas citadas pelo candidato petista.

indice-competitividade

A avaliação de que o Recife está ficando para trás no quesito turismo também não se sustenta quando analisamos os dados do Índice de Competitividade do Turismo Nacional 2015. Produzido pelo Ministério do Turismo, Sebrae e Fundação Getúlio Vargas, o ranking das cidades com o turismo mais competitivo no Brasil leva em consideração 13 variáveis entre infraestrutura, serviços, economia local, promoção, atrativos turísticos e aspectos sociais, ambientais e culturais. Foram avaliados 65 destinos. Recife subiu uma posição em relação ao último levantamento ocupando agora a sexta colocação no índice geral, com 77,2 pontos. A melhor colocação entre as cidades nordestinas.

Nos rankings setorizados, Recife se destacou no item “aspectos culturais”, obtendo a terceira melhor média nacional (88,6), perdendo apenas para Salvador (91,8) e Rio de Janeiro (90,5). Em “serviços e equipamentos turísticos” e “atrativos turísticos” ficou com a quinta melhor nota nacional, respectivamente 83,2 e 79,1, a frente de Salvador, Fortaleza e Natal. Outros bons desempenhos foram registrados nos quesitos “capacidade empresarial” e “acesso” computando o sexto lugar com médias 93,2 e 83,4 e “marketing e promoção” com a média 70,6 e a oitava posição. Dos 13 itens avaliados, Recife aparece entre os dez melhores em seis deles, Salvador em quatro, Fortaleza em três e Natal em apenas dois.