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	<title>Arquivos neopentecostalismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos neopentecostalismo - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Evangélicos promovem &#8220;cercos&#8221; a terreiros para intimidar candomblé</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jan 2025 00:24:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Assembleia de Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Candomblé]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana do Dia do Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, última terça-feira, ao menos três episódios de intolerância religiosa contra povos de terreiro de candomblé foram registrados na Região Metropolitana do Recife. Um dos casos aconteceu no domingo (19) em frente ao quase centenário Terreiro de Xambá, em Olinda. Em dia [&#8230;]</p>
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<p>Na semana do Dia do Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, última terça-feira, ao menos três episódios de intolerância religiosa contra povos de terreiro de candomblé foram registrados na Região Metropolitana do Recife. </p>



<p>Um dos casos aconteceu no domingo (19) em frente ao quase centenário <a href="https://marcozero.org/livro-conta-a-historia-de-luta-do-terreiro-de-xamba-em-olinda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Terreiro de Xambá</a>, em Olinda. Em dia de solenidade do Toque de Obaluaiê, os frequentadores da casa foram surpreendidos por um grupo de aproximadamente 100 evangélicos da Assembleia de Deus com carro de som, microfone, faixa e instrumentos tentando realizar um culto em frente ao terreiro. </p>



<p>Nesta sexta (24), Pai Ivo, liderança de Xambá, formalizou um Boletim de Ocorrência por conta do episódio. No próximo domingo (26), a partir das 14h, haverá um protesto no local contra a tentativa de intimidação organizado pela Xambá e pelo perfil do Instagram Macumba Ordinária, administrado por Renato Fonseca, que está sendo alvo de ameaça por um grupo de evangélicos também da Assembleia de Deus (saiba mais ao longo da matéria).</p>



<p>“Por volta das 14h do domingo, eu comecei a ouvir uma zuada. Quando eu desci, havia um som tocando coisas evangélicas, eu pensei que eles iam passando. Mas, quando fui na janela olhar melhor, vi que havia um carro de som parado, um cara com um microfone fazendo proselitismo e culto na frente do terreiro”, relata Pai Ivo. Neste mês de janeiro, diversas denominações evangélicas estão em cruzada de evangelização.</p>



<p>“Eu disse ao pastor ‘pastor, o que o senhor está fazendo aqui é intolerância religiosa’. Eles vieram propositalmente, eles sabiam que era dia de toque”, afirma Pai Ivo. Segundo ele, pessoas do grupo disseram palavras ofensivas conta a casa e chamaram sua filha de “Jezebel”. Fundado em 1930, único de nação Xambá na América Latina, localizado no primeiro quilombo urbano do Brasil, o Portão de Gelo, o terreiro é Patrimônio Vivo de Pernambuco.</p>



<p>“Fazemos também um trabalho social aqui e não podemos, de jeito nenhum, nós nem qualquer terreiro de candomblé nesse país, passar por essas intolerâncias religiosas”, diz o babalorixá sobre a busca por justiça. “Você já pensou se eu pegasse o povo do terreiro aqui e chegasse na frente dessa igreja para fazer um xirê ou um toque?”, questiona.</p>



<p>&#8220;Eu costumo dizer que os negros não trouxeram religão para o Brasil, o que os negros trouxeram foi a espiritualidade sociocultural. Porque 90% da cultura que tem neste país saiu de dentro do candomblé, o samba, a capoeira, o maculelê, a ciranda, o coco. Então todos esses movimentos estão convidados para o domingo próximo, às 14h, fazermos o movimento e pedir às autoridades sensibilidade de que não só o terreiro xambá como os outros terreiros de candomblé de Pernambuco e outras religiões de matriz não sejam mais importunados. Religião não se discute, se respeita&#8221;, publicou Pai Ivo no <a href="https://www.instagram.com/p/DFOXvhmC1j8/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram do terreiro</a>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Babalorixá Pai Ivo, do Terreiro de Xambá 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Elimar Pereira/CulturaPE</span>
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<h2 class="wp-block-heading">Influenciador e Xambá ameaçados</h2>



<p>Outro caso que veio à tona esta semana foram as ameaças sofridas pelo influenciador digital Renato Fonseca, administrador da página Macumba Ordinária no Instagram, com 40 mil seguidores. Os ataques aconteceram depois que um perfil evangélico seguido por mais de um milhão de pessoas publicar um vídeo em que ele denuncia o que aconteceu em Xambá.</p>



<p>O título do vídeo é “Macumbeiro fica revoltado com marcha da igreja no projeto ‘Pernambuco para Cristo’. A postagem recebeu mais de 4,3 mil comentários, entre eles o da missionária Patrícia Macena, do Ibura, dizendo “O terreiro vai fechar em nome de Jesus”. O comentário foi seguido por diversas mensagens de apoio. “É perseguição ou não é?”, questiona Renato.</p>



<p>Depois ele recebeu mensagens privadas ameaçadoras de uma pessoa identificada como Alex Medeiros, dizendo que, no domingo (26), os evangélicos irão novamente para a frente da Xambá: “Vai sacrificar quantas galinhas? Só não suje a rua com oferendas, que domingo a gente vai passar aí de novo e dessa vez vai ser 2x vezes melhor. Com som alto e pregando a palavra. O inferno não tem poder sobre as trevas. Abraços, Jesus te ama. Ah, eu não tenho medo de Exu, Tranca Rua, Preto Velho e esses teus orixás, pode ficar tranquilo”.</p>



<p>Nesta sexta-feira, 24, Alex postou um <a href="https://www.instagram.com/p/DFOQWRNPmsJ/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vídeo</a> de desculpas a Renato. &#8220;Eu tive a intenção de defender minha religião e eu reconheci que acabei passando dos limites. Venho aqui pedir perdão, pedir desculpas se eu atingi a honra ou a dignidade de alguém, essa realmente não era minha intenção. Peço aqui desculpas a todos os irmãos de religiões de matriz africana e à comunidade xambá&#8221;, diz o trecho inicial do vídeo. </p>



<p>O influenciador fez um Boletim de Ocorrência nesta sexta (24) contra Alex Medeiros, a missionária Patrícia Macena e a Assembleia de Deus e disse que o pedido de desculpas não muda sua conduta nem o protesto agendado para domingo (26). </p>





<p>A expectativa dele, porém, é baixa sobre o que será feito a partir do BO. “Minha expectativa é zero, porque a gente sabe como funciona a polícia, como funciona a Justiça no Brasil. E ainda mais quando se trata de uma pessoa que é macumbeira e preta. A Justiça no Brasil é feita para incriminar o preto, não para defender o preto”, lamenta.</p>



<p>Para Renato, essas ações estão sendo orquestradas com o intuito de deslegitimar o dia 21 de janeiro, data do Combate à Intolerância Religiosa. “Essas pessoas se sentem tão à vontade em sair da sua casa, em sair das suas igrejas, para ir fazer esse tipo de ato na frente de terreiros, justamente porque o nosso povo tem a cultura de ser pacífico”, comenta. “Eu acho que está na hora de o povo de terreiro dar um basta”, protesta.</p>



<p>“Eu tomei todas as medidas cabíveis, fui na delegacia, como manda a cartilha. Mas não que eu ache que vai acontecer alguma coisa através desse BO. Acredito que vai acontecer alguma coisa através do ato que vamos fazer no domingo, às 14h. Será um recado muito forte para o governo e para as igrejas”, avalia, lembrando que os grupos de evangélicos não só simplesmente passaram na rua onde ficam os terreiros, mas pararam para ofender e fazer proselitismo. “Não vamos recuar, vamos defender o nosso direito”.</p>



<p>O terceiro caso que chegou ao conhecimento da reportagem aconteceu em Prazeres, Jaboatão dos Guararapes, no terreiro de Pai Dicinho de Oxalá. O espaço foi alvo dos evangélicos numa situação bastante semelhante à da Xambá, enquanto a casa se preparava para realizar a tradicional Festa das Águas para Oxalá. Um grupo concentrou-se em frente ao local proferindo ofensas e palavrões e dizendo que os membros do terreiro iriam &#8220;arder no fogo do inferno&#8221;. </p>



<p>O terreiro publicou uma <a href="https://www.instagram.com/p/DFJrTDQuImI/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota de repúdio</a> nesta quinta (23) em que reafirma &#8220;o compromisso com os princípios de justiça, respeito e dignidade, que são valores fundamentais e inegociáveis&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;A Justiça lida da pior forma possível com o racismo religioso&#8221;</h2>



<p>Em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, a professora de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Ciani Neves falou sobre o Poder Judiciário brasileiro em casos de racismo e intolerância religiosa. Ela é pesquisadora em direito e relações raciais, coordenadora do Projeto de Pesquisa e Extensão PEJI (Promoção da Educação e Justiça para a Igualdade Racial), que realiza o mapeamento de casos judicializados de racismo, oferece serviço de orientação para vítimas de racismo religioso e oferece orientação e assessoria gratuita na elaboração de estatutos para os terreiros.</p>



<p>Ciani lembrou que &#8220;tudo isso é a comprovação de que nós estamos em disputa por um projeto de mundo, que se encontra amplamente ameaçado pelo fundamentalismo religioso e se irradia para todos os espaços do Estado. Isso implica em invadir o sistema de Justiça, o Poder Legislativo, o Poder Executivo, o Ministério Público, as escolas e universidades, que são espaços de formação e que hoje a gente está em disputa contra o obscurantismo&#8221;.</p>



<p>Confira os principais techos da entrevista:</p>



<p>Marco Zero &#8211;<strong> Como a Justiça brasileira lida com os casos de racismo e intolerância religiosa? Esses casos chegam ao judiciário?</strong></p>



<p><strong>Ciani Neves &#8211;</strong> O sistema de Justiça brasileiro lida da pior forma possível, não só em se tratando de uma questão de racismo religioso, mas de um sistema estatal estruturado nas bases do racismo para negar a humanidade da população negra no país. O racismo desumaniza. Então, tudo que está relacionado à gente preta, à população negra é objeto de desumanização. Isso se aplica também às religiões de matriz africana.</p>



<p>O que chega à justiça são alguns elementos que a gente precisa considerar. O primeiro deles é um desafio imenso que temos quando lidamos com questões que dizem respeito a problemas estruturais no Brasil, como o enfrentamento ao racismo. São as portas de entrada para o sistema de justiça.</p>



<p>A gente tem uma dificuldade imensa nas delegacias porque a gente tem, não só a formação — e aí essa não é uma característica só das delegacias, mas de todos os serviços do sistema de Justiça — que é amplamente racista para todos os seus quadros.</p>



<p>Então, mesmo que a gente diga que há uma abordagem de direitos humanos nos cursos de capacitação, e aí dentro dessa abordagem tem uma abordagem de raça e de gênero, mas são elementos pontuais que são utilizados nesse processo formativo e que aí você vai disputar com um período imenso de formação desse sujeito. Não só no momento do ingresso dele no serviço público, como dos elementos que ele vai associando no seu processo de socialização.</p>



<p>Temos uma sociedade que é racista, amplamente racista, estruturada no racismo e, aí quando a gente se depara com isso, no momento que chega à delegacia, já começa a primeira grande dificuldade, porque isso vai depender de quem é a pessoa integrante da religião de matriz africana. Se a gente se depara com uma pessoa negra, ela vai ser tratada de uma forma diferente de uma pessoa branca. É importante a gente dizer que, quando a gente fala de religiões de matriz africana e de matriz afro-indígena, estamos<br>falando de religiões que têm essa matriz, mas também que hoje são frequentadas por pessoas brancas. É preciso dizer que, em decorrência do elemento religioso, essas pessoas sofrem racismo religioso — não estou dizendo que uma pessoa branca sofra racismo no Brasil, estou dizendo que, se ela é adepta de uma religião de matriz africana ou de matriz afro-indígena, vai sofrer racismo religioso. </p>



<p>Na maior parte das vezes, vai se entender, ainda que a lei 9.459 fale da intolerância religiosa e ainda que a lei 14.532 trate da injúria racial e do racismo religioso, por parte do agente de polícia, o delegado de polícia como briga de vizinho ou como vias de fato. Então temos um processo de omissão do Estado quando se trata de proteção dos povos e comunidades de matriz africana e de matriz afro indígena. Atrelado a esse processo, temos a omissão do Estado na hora de proteger esse segmento, um processo de criminalização que tem avançado em larga escala contra os terreiros.</p>



<p><strong>É preciso haver delegacias especializadas?</strong></p>



<p><strong>Ciani &#8211;</strong> Se tiver, é viável porque sabemos que uma delegacia especializada em determinada violação de direitos pode ter uma prática menos danosa do que a delegacia comum. Mas, se não existe esse serviço, é obrigação da delegacia comum acolher a ocorrência e fazer o registro, para que a vítima não se sinta novamente vitimizada.</p>



<p>É importante que ocorra porque a gente trata da perspectiva da política pública de ação afirmativa. E aí quando estamos falando de povos e comunidades expostos aos efeitos do racismo cotidiano, precisamos considerar a necessidade de viabilizar toda sorte de política pública de ação afirmativa que possa acolher esses sujeitos.</p>



<p>Mas, na inexistência dela, não há justificativa para o não registro da ocorrência, para o não acompanhamento, para a não investigação que não seja o que a gente pode chamar de omissão e conivência com as violações de direitos.</p>



<p><strong>Qual é a diferença entre racismo e intolerância religiosa?</strong></p>



<p><strong>Ciani &#8211;</strong> Intolerância religiosa é uma prática que se dá motivada pelo preconceito, pelo desconhecimento, pela ignorância e que ela está sujeita a todo e qualquer indivíduo em decorrência do segmento religioso que ele professe. São práticas de desrespeito e discriminação, mas que não necessariamente vão ter a motivação da destruição.</p>



<p>O racismo não. O racismo é projeto de dominação e exploração, uma ferramenta de poder, um sistema que tem como perspectiva a dominação dos indivíduos a partir da sua desumanização, que tem como perspectiva destruir todos os elementos que remetam àquela existência, àquela identidade.</p>



<p>O racismo religioso está atrelado a essa perspectiva, sendo uma das ferramentas desse sistema de dominação, atrelado ao projeto de destruir qualquer referência de saberes e formas de vida negras e indígenas. Essa relação é o que vai estar configurado, que vai causar danos, violação de direitos de forma mais ampla, expulsão dos territórios e segregação.</p>
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		<title>&#8220;O campo progressista precisa ter respeito com a gramática da fé&#8221;, alerta pastor Henrique Vieira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 May 2023 15:59:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[CPMI]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[neopentecostalismo]]></category>
		<category><![CDATA[pastor]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
		<category><![CDATA[religião e política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na contramão dos parlamentares evangélicos ultraconservadores que compõem o Congresso Nacional, o pastor Henrique Vieira, &#8211; eleito deputado federal pelo PSOL no Rio de Janeiro com 53.933 votos -, se apresenta como um defensor do Estado laico, dos direitos humanos, de pautas identitárias e antiproibicionistas.  Henrique Vieira é conhecido nacionalmente devido tanto às suas atividades [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na contramão dos parlamentares evangélicos ultraconservadores que compõem o Congresso Nacional, o pastor Henrique Vieira, &#8211; eleito deputado federal pelo PSOL no Rio de Janeiro com 53.933 votos -, se apresenta como um defensor do Estado laico, dos direitos humanos, de pautas identitárias e antiproibicionistas. </p>



<p>Henrique Vieira é conhecido nacionalmente devido tanto às suas atividades como professor &#8211; formado em História, Sociologia e Teologia -, escritor, militante, quanto pelas suas participações no filme “Marighella”, de Wagner Moura, e no disco AmarElo, do rapper Emicida. Aos 36 anos, exerce seu segundo cargo eletivo. Antes, de 2013 a 2016, o pastor foi vereador do município de Niterói, no Rio de Janeiro, sua cidade natal.</p>



<p>Durante as eleições de 2022, o líder da Igreja Batista do Caminho foi responsável pela campanha “Derrotar Bolsonaro é um ato de amor”, movimento que teve o objetivo mobilizar os cristãos contra a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro.Henrique Vieira se recusou a compor a Frente Parlamentar Evangélica, &#8211; composta majoritariamente por deputados e deputadas bolsonaristas e que apresenta um histórico de defesa do conservadorismo e contra pautas identitárias que envolvem, por exemplo, a legalização do aborto e o direito de pessoas LGBTQIA+ &#8211; e afirmou que não fará um mandato em prol dos interesses da igreja.</p>



<p>Em visita ao Recife, onde cumpriu uma agenda de encontros com lideranças políticas e religiosas, &#8211; como as deputadas estaduais Dani Portela (PSOL), Rosa Amorim (PT) e o babalorixá Pai Ivo de Xambá &#8211; , e participou de um evento do Movimento Negro Evangélico, Henrique Vieira conversou com a Marco Zero Conteúdo sobre as expectativas para o seu mandato, a luta em combate ao fundamentalismo religioso e a sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) que vai investigar os atos golpistas do 8 de janeiro, prevista para ser instalada na próxima quinta-feira, 25 de maio.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>***</strong></p>



<p>Marco Zero Conteúdo<strong> &#8211; Durante esses poucos meses de atuação, quais são os pontos positivos e negativos de sua experiência no Congresso Nacional? </strong></p>



<p><strong>Henrique Vieira</strong> &#8211; O ponto positivo é que o mandato está conseguindo encaixar pautas importantes. Nós estamos como um dos vice-líderes do governo Lula na Câmara, estamos como representantes do governo na comissão de Segurança Pública enfrentando a indústria armamentista e o bolsonarismo raiz, estamos conseguindo ter uma articulação ampla dentro do campo democrático, dentro do campo progressista. Vamos participar da CPMI do dia 8 de janeiro como um dos nomes indicados pelo PSOL. Estamos com a iniciativa de duas frentes parlamentares, uma em defesa do Estado laico, outra em defesa das comunidades quilombolas. Já estamos em articulação com muitos movimentos, desde MTST e MST, passando por uma articulação nacional do movimento Hip Hop. Estamos também acompanhando a pauta do combate ao trabalho análogo a escravidão, a pauta da saúde mental e o enfrentamento a lógica manicomial das comunidades terapêuticas. Então, eu acredito que é um mandato que está com pautas relevantes, com articulações importantes dentro da Câmara e com isso vem ganhando algum nível de destaque e de visibilidade.</p>



<p>O ponto negativo é, de fato, o tamanho da extrema direita na Câmara. A extrema direita foi derrotada nas urnas mas ainda não foi derrotada no horizonte da história, ela tem força institucional e capilaridade popular. A extrema-direita coloca uma gramática muito tóxica e muito violenta no parlamento, é a vitória da mediocridade, é o rebaixamento da capacidade de divergir com inteligência. A extrema-direita é um problema do nosso tempo, tenho visto isso no cotidiano do parlamento. Outro ponto negativo, que eu tenho observado, é a dificuldade do governo Lula em produzir maioria. Se você soma a extrema-direita, o centrão e a influência do Arthur Lira, é um governo que tem dificuldade de avançar nas pautas via Congresso.</p>



<p><strong>Nesse contexto, de um Congresso ainda tomado pelo bolsonarismo e pela extrema-direita, é possível estabelecer diálogo com os políticos evangélicos mais conservadores?</strong></p>



<p>É muito difícil. Eu consigo algum diálogo com poucos, mas somos expressões muito diferentes do que é o evangelho, do que é ser discípulo de Jesus e do que é a política. Eu já encontrei alguns bolsonaristas que tem disposição ao diálogo, mas é um recorte minoritário. A maioria usa a gramática da beligerância, da lacração, das frases de efeito, da ameaça, da intimidação, da personalização do debate, por isso eu não consigo encontrar espaço para o diálogo. Nisso eu me refiro à extrema direita, porém, eu já vi eleitores e deputados próximos ao Bolsonaro com quem eu consigo dar uma distensionada e produzir ali algum diálogo, alguma reflexão, mesmo que na divergência.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-default"><blockquote><p>&#8220;A extrema-direita coloca uma gramática muito tóxica e muito violenta no parlamento, é a vitória da mediocridade, é o rebaixamento da capacidade de divergir com inteligência&#8221;. </p></blockquote></figure>



<p><strong>Ainda antes de ser eleito, você defendia que política e religião podem sim se misturar, apesar da participação de pastores evangélicos na política brasileira ter produzido um cenário de ascensão do discurso fundamentalista no Brasil. Agora, atuando na Câmara dos Deputados, essa percepção entre política e religião mudou de alguma forma?</strong></p>



<p>Eu acredito que religião e política necessariamente se misturam. O que não tem relação com religião é se apropriar do Estado, isso eu sou contra. A questão é que nós não vamos conseguir colocar a religião num confinamento privado, que não tenha nenhuma relevância pública, eu nem defendo isso. Acho que a religião pode ser útil para a sociedade na promoção do bem comum, da justiça social, de uma cultura de paz. A questão não é se a religião se relaciona com a política, eu parto da constatação de que se relaciona sim, por isso, já que necessariamente existe uma relação qual é a qualidade dessa relação e o objetivo dela? Quando essa relação se dá por um projeto de poder isso é antidemocrático, anti-laico, autoritário e perigoso. Você pega uma moral religiosa e tenta impor à sociedade por meio do Estado, é isso que o fundamentalismo procura fazer. Agora, quando a religiosidade inspira uma ação pública em prol do bem comum eu vejo isso com alegria. A importância dos terreiros para uma vida mais comunitária e democrática, a soberania alimentar, a importância das tradições da espiritualidade indígena, tudo isso é muito importante.</p>



<p>A religião pode ser útil, ela não tem que se transformar num projeto de poder que se sobrepõe à constituição e que usa o Estado para fazer proselitismo religioso. A minha percepção continua a mesma. A religião pode servir a sociedade numa perspectiva de pluralismo, de diálogo, de convívio nas diferenças em prol do bem comum.</p>



<p><strong>Após o grande número de votos que Bolsonaro recebeu dos evangélicos, e que foi decisivo na eleição que garantiu a vitória dele em 2018, o diálogo com esse público virou uma pauta política importante para a formulação da extrema direita no país. Com isso, como podemos dialogar com os evangélicos e criar estratégias para que nas próximas eleições não tenhamos que enfrentar uma forte projeção política da extrema direita?</strong></p>



<p>Existe uma coisa que é estratégia de governo e existe uma outra coisa que é a estratégia como sociedade civil, e eu diferencio isso.</p>



<p>O governo, na minha opinião, deve criar um espaço para que as religiões, no plural, possam contribuir com uma agenda de país com valores da democracia, do estado laico, dos direitos humanos, da justiça social, do combate a fome, ou seja, eu não defendo que o governo deve ter uma linha prioritária de diálogo com os evangélicos.<strong> </strong>Eu não considero isso estratégia de governo dentro de um Estado que é laico, e que a gente precisa proteger e garantir essa laicidade. Eu defendo que o governo valorize o fenômeno religioso porque faz parte da vida, do cotidiano, da cultura, da perspectiva laica e plurireligiosa. Isso pra mim é estratégia de governo: criar um espaço institucional, um conselho, uma secretaria, um departamento, para que as diversas experiências religiosas possam contribuir com uma agenda de país.</p>



<p>Agora, o PSOL como partido, como movimento social, sem estar dentro da esfera do Estado, pode ter uma estratégia de diálogo mais específico com o campo evangélico, porque se entende que é um campo que cresce, que se entende e que daqui a pouco vai ser a maior religião do Brasil, e vai ter um forte caráter preto, popular, periférico, composto majoritariamente por mulheres. É uma parcela da classe trabalhadora, por isso, me parece interessante ter uma estratégia de diálogo com esse campo para contribuir com uma perspectiva de democracia.</p>



<p>São muitos caminhos e, como diz o poeta, o caminho se faz ao caminhar, ou seja, não tem resposta pronta, tem que te fazer experiência. Eu acredito muito ainda na leitura popular e comunitária da Bíblia, ou seja, disputar a memória e interpretação da Bíblia, tirar a lente do fundamentalismo e resgatar o sentido mais generoso, amoroso, social e político da escritura, da vida de Jesus. A leitura e a interpretação da Bíblia, na minha opinião, são chaves de disputa e de produção de símbolos e comportamentos, mas não só isso, eu acho que tem que ir na mística, na espiritualidade, na liturgia, no canto, no culto. A gente precisa entender que as pessoas pensam o mundo também pelos seus afetos, por suas emoções.</p>



<p>A mística é um elemento de consolo, de estender a mão, de aliviar o coração diante das dores da vida e isso não pode ser visto necessariamente como um processo de alienação. Eu acredito que o campo progressista precisa ter respeito com a gramática da fé e estabelecer, a partir desse respeito, uma conexão, e assim, com a leitura popular da bíblia e da mística cristã, pensar um projeto de país.</p>



<p><strong>Você foi escolhido pela federação PSOL-Rede para compor a Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar os atos golpistas de 8 de janeiro. Quais são as expectativas para a CPMI e qual vai ser seu principal objetivo nessa atuação?</strong></p>



<p>A CPMI é uma oportunidade histórica de derreter a extrema direita no Brasil a fim de não permitir o apagamento da memória sobre o que o governo Bolsonaro fez e também de responsabilizar pessoas por atitudes irresponsáveis, ilegais e criminosas, ou seja, de impedir uma anistia.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>Eu quero colocar uma lupa na CPMI sobre essa relação entre fanatismo religioso, extrema direita, golpismo e autoritarismo no Brasil, inclusive, indo aos nomes dos gestores desse caos em nome da religião.</p></blockquote></figure>



<p>O Brasil vem produzindo e perpetuando violências pela falta de memória. Eu não estou falando de vingança, não estou falando de linchamento, nada disso habita meu coração. Não é revanchismo, mas é produção de memória. Talvez porque não tenhamos dado nome ao holocausto que foi a escravidão o racismo esteja tão presente até hoje. Talvez porque não tenhamos responsabilizado de fato os gestores da ditadura civil militar que  Bolsonaro tenha sido eleito em 2018. Se você não dá nome e não gera memória e responsabilidade, é mais fácil a atrocidade se atualizar no tempo, e continuar voltando. Por isso, eu acredito que a CPMI cumpre um papel necessário, urgente e pedagógico.</p>



<p>Com as devidas e corretas investigações e o direito de defesa e presunção de inocência dos acusados, nós queremos ir às últimas consequências sobre a tentativa de golpe e o significado do bolsonarismo e da extrema-direita no Brasil. Por isso, a nossa estratégia é chegar aos financiadores, aos idealizadores e aos operadores da tentativa de golpe. No meu caso, com uma lupa específica sobre a participação de religiosos nesse processo.</p>



<p>Estou muito interessado em entender se houve uma participação mais direta de determinadas lideranças religiosas na arquitetura do golpe. Que existe relação simbólica e política, disso não tenho a menor dúvida. Silas Malafaia fazia vídeos abertamente chamando Bolsonaro a defender a democracia, ou seja, a dar um golpe de Estado e não respeitar o resultado eleitoral, isso está dito. Mas eu quero saber se, nos bastidores, tem mais do que isso, eu quero colocar uma lupa na CPMI sobre essa relação entre fanatismo religioso, extrema direita, golpismo e autoritarismo no Brasil, inclusive, indo aos nomes dos gestores desse caos em nome da religião.</p>



<p><strong>Em uma de suas falas na atuação do filme “Marighella”, seu personagem afirmou que Jesus era negro e muita gente discordou e contestou essa fala. Recentemente você também lançou o livro <em>O Jesus Negr</em>o: <em>O grito antirracista da bíblia</em>. Por que é importante reforçar a imagem e a história do Jesus negro e por que essa perspectiva incomoda? </strong></p>



<p>Incomoda porque o racismo é estrutural e ele é estrutural inclusive dentro da teologia cristã hegemônica. A relação do cristianismo hegemônico com a escravidão, com a colonização, com o embranquecimento ideológico da figura de Jesus, cumpre uma função histórica de acomodar opressões, por isso um Cristo negro incomoda tanto. Porque o Jesus branco parece natural, já o Jesus negro soa forçação de barra, pois o racismo produz a naturalização e a universalização daquilo que é branco e o negro é o exótico, é o estranho, é o forçado.</p>



<p>Eu acredito que falar do Jesus negro é denunciar esse racismo estrutural, não só da sociedade como um todo, mas da própria teologia cristã e hegemônica. É resgatar o contexto histórico do evangelho de Jesus. Ora, Deus se fez gente em Jesus, mas onde e em que circunstância? Como parte de um povo oprimido e explorado. James Cone [James Hal Cone], teólogo que defende uma teologia negra, fala sobre isso: se Jesus foi um judeu na Palestina do primeiro século, então ele é negro nos Estados Unidos de agora. E, eu diria, ele também é negro no Brasil, porque Deus escolheu o rosto do oprimido para ser o seu semblante na história.</p>



<p>Esse não é um critério circunstancial ou casuístico, é um critério histórico que permanece. Eu vou continuar discernindo o corpo de Cristo no corpo daquele que sofre, e nessa terra há a produção crônica de um sofrimento sobre o corpo negro. Então, eu me sinto autorizado pelo testemunho bíblico de dizer ‘olha o rosto de Cristo no Brasil tem a marca da pele preta, tem a marca da experiência negra, mais do que a epiderme, é a experiência política, histórica e existencial negra’. Isso não deveria incomodar, o próprio incômodo já gera ou já denuncia o racismo. O Jesus branco você passa para a próxima página, o Jesus negro tem que fazer um livro pra explicar.</p>



<p>Se o povo branco tivesse sido escravizado por quatro século, se houvesse uma abolição inconclusa da escravidão sobre o povo branco, se a cada 28 minutos um jovem branco fosse executado, se eu ligasse a TV e visse uma sub-representação dos brancos nos espaços de privilégio, então, Jesus seria branco. Não é uma questão ontológica, existencial, é uma questão histórica relacional, Jesus pra mim vai sempre aparecer prioritariamente no rosto daquele que sofre.</p>



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	                                        <p class="m-0">Cartaz de lançamento do livro O Jesus Negro. Crédito: Reprodução/Instagram. </p>
	                
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<p><strong>Você ganhou uma grande notoriedade e atualmente é uma referência para o movimento evangélico progressista. Você acredita que é possível que outros líderes religiosos progressistas ganhem força política diante de um contexto onde os evangélicos conservadores parecem ter protagonismo?</strong></p>



<p>Eu não sou o primeiro, não sou o último, nem o único. Eu sou parte de uma tradição, e não vou nem dizer só evangélica, mas cristã, e o cristianismo tem disputas e fissuras dentro dele. Tinham os escravocratas, mas tinham as pessoas que, a partir da fé em Jesus, lutavam contra a escravidão. O cristianismo na sua história também tem Tereza d&#8217;Ávila, São Francisco de Assis, Frei Tito, Martin Luther King e comunidades, para além de nomes cristãos, que atuaram na história em favor da emancipação humana, dos direitos humanos, da justiça social, da luta contra as diversas formas de opressão e violência.</p>



<p>Eu me sinto parte dessas pegadas, dessa espiritualidade cristã à margem do poder, à margem das grandes estruturas religiosas, mas eu não quero só me colocar como uma exceção ou uma pessoa excêntrica, uma novidade do momento, um pastor da hora, tem pegadas atrás de mim e irmãos ao meu lado. Eu caminho ao lado de Felipe dos Anjos, Ronilson Pacheco, Nancy Cardoso, pastor Wellington e tantos outros nomes que amam Jesus, que amam o evangelho, que têm um ímpeto generoso dentro do coração, que fazem diálogo inter-religioso, que produzem teologia negra, teologia feminista, que estão pensando direitos humanos, justiça social, combate a fome, que estão fazendo um trabalho de base na periferia, no campo, na cidade. Eu sou parte desse campo espiritual, histórico e político, inclusive na arena da política institucional e não ocupo esse lugar para fazer proselitismo religioso, nem para defender interesse de igreja, mas para dar um testemunho. Para poder dizer: ‘olha, tenho fé em Jesus e estou aqui defendendo o Estado laico, a democracia, a escola pública, o posto de saúde. Estou aqui defendendo reforma agrária, o direito de culto dos povos tradicionais das religiões de matriz africana. Estou aqui defendendo a dignidade e cidadania para LGBTs. Estou aqui defendendo a Amazônia, a Mata Atlântica, as comunidades quilombolas e a demarcação de terras indígenas’.</p>



<p>Eu quero que mais pessoas possam dizer que a fé não precisa ter como consequência a barbárie, que é o que a extrema direita faz, um fanatismo religioso que atualiza o espírito das fogueiras da inquisição em pleno século 21, e isso mata. Então, eu quero que mais gente se contraponha a isso e que tenham essa disposição no coração, para essas pessoas eu quero dizer: ‘você não está sozinho’.</p>



<p>Tem um monte de gente com essa inquietude no coração, sentido vergonha das principais representações evangélicas nos espaços de poder. É gente que discorda de Edir Macedo, Silas Malafaia, Valdemiro, R.R. Soares. E eu quero dizer que esses caras não têm o controle e o monopólio sobre o cristianismo e sobre Jesus.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>A conversão da última umbandista do quilombo Teixeira</title>
		<link>https://marcozero.org/a-conversao-da-ultima-umbandista-do-quilombo-teixeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Apr 2023 18:54:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Coletivo Acauã]]></category>
		<category><![CDATA[evangélicos]]></category>
		<category><![CDATA[neopentecostalismo]]></category>
		<category><![CDATA[quilombo Teixeira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Géssica Amorim, em parceria com o Coletivo Acauã A última vez em que estive na comunidade quilombola Teixeira, localizada na zona rural do município de Betânia, Sertão do Moxotó, foi em setembro de 2021. Àquela época, fui até lá para entrevistar dona Francisca dos Santos, que era a última umbandista do Quilombo Teixeira.&#160; Quando [&#8230;]</p>
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<p><strong>por <a href="https://instagram.com/gescamorim?igshid=YmMyMTA2M2Y=" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Géssica Amorim</a>, em parceria com o <a href="https://www.instagram.com/p/CrbriGnv4ry/?igshid=MDJmNzVkMjY=" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Acauã</a></strong></p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Coletivo Acauã</p>
	                
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<p>A última vez em que estive na comunidade quilombola Teixeira, localizada na zona rural do município de Betânia, Sertão do Moxotó, foi em setembro de 2021. Àquela época, fui até lá para entrevistar dona Francisca dos Santos, que era a última umbandista do Quilombo Teixeira.&nbsp;</p>



<p>Quando conversei com ela há quase dois anos, Francisca fazia parte de um pequeno grupo de habitantes da comunidade que ainda não havia aderido ao neopentecostalismo.&nbsp; Isolada, nos limites de um quartinho construído próximo à sua cozinha, ela praticava a sua religião tentando escapar dos julgamentos e do assédio de familiares e vizinhos que tentavam convertê-la.&nbsp;</p>



<p>Na última quinta (13), voltei à casa de Dona Francisca e, enquanto conversávamos sobre a sua vida religiosa, ela me revelou que cedeu. Com a crença convertida, há pouco mais de um ano, ela frequenta, na comunidade, um templo da Igreja Mundial do Poder de Deus. A igreja tem sede fundada em 1998, na cidade de São Paulo, pelo <a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2022/07/07/divida-danos-morais-e-mais-as-condenacoes-da-igreja-de-valdemiro-santiago.htm">pastor Valdemiro Santiago, frequentemente envolvido em escândalos</a> ligados à exploração da fé alheia e propaganda enganosa.&nbsp;</p>



<p>Dono de mais de 6 mil templos espalhados pelo Brasil e por outros 21 países, em 2021 ele foi flagrado tentando transferir irregularmente 1,2 milhão de reais da própria igreja para o seu patrimônio pessoal. Já em 2020, durante a pandemia, o pastor foi acusado de estelionato, ao anunciar na televisão a venda de sementes de feijão com poderes de curar a covid-19.</p>



<p>É possível que os moradores da comunidade quilombola Teixeira não estejam atentos aos escândalos em que o pastor Valdemiro Santiago está envolvido e nem ao fato de muitos pastores evangélicos serem denunciados por venderem falsos milagres e se apoiarem na teologia da prosperidade para exaltar muitos privilégios que o dinheiro pode trazer e, assim, buscarem doações para os seus ministérios.&nbsp;</p>



<p>O Quilombo Teixeira é habitado por uma média de 300 famílias. Em sua maioria, famílias evangélicas, de ramificações distintas. Além da igreja que Dona Francisca hoje frequenta, no território do quilombo ainda há mais outras duas: Adventista do Sétimo Dia e a Assembleia de Deus &#8211; Ministério de Madureira.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Como havia dito, quando escrevi sobre as crenças e a religião de Dona Francisca, há quase dois anos, considerando as mudanças de caráter religioso em sua comunidade e a intolerância e perseguição históricas às religiões de matrizes africanas, é inevitável pensar que a influência pentecostal tem conseguido interferir na vida e na cultura da população do Quilombo Teixeira, silenciando e apagando as suas origens e tradições.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/francisca-dos-santos-a-ultima-umbandista-do-quilombo-teixeira/" class="titulo">Francisca dos Santos, a última umbandista do quilombo Teixeira</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Ao ser perguntada se os julgamentos e toda a violência que sofreu por praticar a sua antiga religião, a umbanda, colaboraram para sua conversão, dona Francisca reconhece que sim. “Acredito que sim, isso faz parte dos motivos. Tudo me deu desgosto. É ruim você ser julgada por um mal que não fez. Eu sofria muito. Então, eu pedi a Deus que ele me desse força e que me libertasse. Prometi que se eu conseguisse sair [da umbanda], eu passaria pra lei de crente. Hoje, eu frequento a Mundial, que é perto de casa”.</p>



<p>Confesso que estranho, quando ouço Dona Francisca falar de liberdade, ao se referir ao movimento de deixar a umbanda, religião que praticou durante toda a vida, carregando ensinamentos, saberes&nbsp; da cultura dos seus ancestrais. Depois de tanto julgamento, intolerância, e de toda a pressão que sofreu para que se convertesse, de onde viria esse pensamento?</p>



<p>Dona Francisca conta que sempre foi procurada por pessoas de outras cidades e até de outros estados, que chegavam à sua casa para pedir ajuda para tratar de casos de doença e até&nbsp; para afastar espíritos ruins de corpos dominados por eles. Hoje, quem a procura com intenções parecidas, é recebido de maneira diferente. E, por isso, ela expõe que tem sido cobrada pelos espíritos que antes eram os seus guias espirituais. “Eles [os espíritos] me cobraram muito. Não faz muito tempo que eu levei um tapa tão grande de um deles, na cara. Eles falam perto do meu rosto, eu ouço as vozes em cima da casa, quando vou dormir. Mas eu creio que eles não podem mais do que Deus. E, quando dobro meu joelho, é pra pedir a ele que não me tire desse caminho que eu estou agora”.</p>



<p>O quartinho de dona Francisca está fechado. As imagens foram retiradas do altar, cobertas com um lençol e guardadas em um armário nos fundos da casa. Por respeito às divindades, ela não se desfez completamente de tudo. “Eu não joguei no mato. Eu não me desfiz de nada, só guardei. E eu fiz isso porque eles me ajudaram muito, me defenderam, ajudaram a minha família. Com o tempo, tudo se acaba. Eu só não quero mais trabalhar, praticar”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A vizinha ex-evangélica</h2>



<p>Depois do encontro com Dona Francisca,&nbsp; conversei com a pedagoga Mailza Costa, 33, que vive no Quilombo Teixeira desde que nasceu. Por motivos pessoais, que sobre os quais prefere não comentar, recentemente ela decidiu parar de frequentar a Assembleia de Deus &#8211; Ministério de Madureira. Mailza frequentou o templo da Assembleia por mais de seis anos.</p>



<p>Crescendo na comunidade e vivendo perto da casa de dona Francisca dos Santos, a pedagoga conta que, por muito tempo, enxergou de maneira negativa a antiga religião e as práticas de Dona Francisca. Ela considera que, para isso, foi motivada pela falta de conhecimento a respeito das religiões de matrizes africanas e pelos julgamentos e comentários maliciosos que ouvia de pessoas ao seu redor, a respeito do assunto.&nbsp;</p>



<p>Com o afastamento da igreja e começando a buscar com mais disposição saber sobre as suas raízes e os seus ancestrais, ela chega a lamentar a maneira como se deu a conversão de Dona Francisca. “De alguma forma, a gente perde a nossa essência, perde as nossas raízes. Nós até tentamos fazer um resgate, mas a gente não consegue. Aqui, na comunidade, a gente tem pessoas de várias religiões, mas a maioria é evangélica. É claro que não parte de todas as pessoas que aderiram ao protestantismo, mas existe a perseguição religiosa. A questão de colocar o seu Deus como o único e suficiente, nos fazendo pensar que quem tem outra religião cultua o diabo”.</p>



<p>Hoje, Mailza se considera uma pessoa sem religião. E acredita que, em tudo, há um lado bom e ruim, aplicando o pensamento à crença e à fé. “Hoje, eu estou na minha, tranquila. Não tenho religião. Respeito todas elas, e, com relação às de matrizes africanas, eu comecei a buscar entender, a me interessar, para conhecer as raízes dos meus ancestrais. E eu vejo que tudo o que está relacionado a isso faz parte dos costumes, da cultura. Não é algo demoníaco, como cresci ouvindo”.</p>



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	                                        <p class="m-0">A pedagoga Mailza era evangélica e, agora, quer conhecer melhor a umbanda. Crédito: Géssica Amorim/Coletivo Acauã</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa&nbsp;</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a>&nbsp;</strong><em>ou, se preferir, usar nosso&nbsp;</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Brasil tem 34 projetos de lei estadual para impedir uso da linguagem neutra</title>
		<link>https://marcozero.org/brasil-tem-34-projetos-de-lei-estadual-para-impedir-uso-da-linguagem-neutra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Oct 2021 14:28:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Camilla Figueiredo e Paulo Malvezzi, do site Diadorim Em 19 estados brasileiros e no Distrito Federal, o uso de gênero neutro na língua portuguesa é tema de projetos de leis, neste momento, de acordo com um levantamento feito pela Agência Diadorim. Ao todo, 34 propostas tramitam em Assembleias Legislativas do país. Todas querem impedir [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Camilla Figueiredo e Paulo Malvezzi, do site <a href="https://www.adiadorim.org/post/brasil-tem-34-projetos-de-lei-estadual-para-impedir-uso-da-linguagem-neutra">Diadorim</a></strong></p>



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<p id="viewer-1thff">Em 19 estados brasileiros e no Distrito Federal, o uso de gênero neutro na língua portuguesa é tema de projetos de leis, neste momento, de acordo com um levantamento feito pela <strong>Agência Diadorim</strong>. Ao todo, 34 propostas tramitam em Assembleias Legislativas do país. Todas querem impedir a variação na norma gramatical para além do binário masculino e feminino.</p>



<p id="viewer-bct84">A primeira lei aprovada e sancionada é de Rondônia. Ela foi assinada pelo governador Marcos Rocha (PSL) em 19 de outubro e proíbe a linguagem neutra na grade curricular e no material didático de instituições de ensino públicas ou privadas e em editais de concursos públicos.</p>



<p id="viewer-3jrun">Os lugares com mais projetos desse tipo, cada um com três propostas, são Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O Sudeste é a região onde há maior concentração de proposições, 11, seguido do Nordeste, com 10, e do Centro-Oeste e Sul, ambos com seis. No Norte, apenas o Amazonas discute o assunto, além de Rondônia, que se tornou o primeiro estado a aprovar uma legislação sobre o tema.</p>





<ul class="wp-block-list"><li><strong>Confira os projetos de lei estado por estado:</strong></li></ul>





<p id="viewer-cin08">A linguagem neutra considera o uso da letra “e” em vez de “o” ou “a”, em substantivos, e a inclusão dos pronomes “elu”, “delu”, “ile” e “dile”, no idioma. Ela é reivindicada principalmente por grupos de pessoas agênero e não-binárias.</p>



<p id="viewer-fernb">A discussão nas Assembleias Legislativas brasileiras em torno da linguagem neutra é liderada majoritariamente por partidos de direita do espectro político-ideológico. Dos 34 projetos, 13 são de parlamentares eleitos pelo PSL, ex-partido do presidente Jair Bolsonaro. Os dados apurados pela <strong>Diadorim </strong>mostram ainda que 31 propostas são de autoria de homens, o que representa 88,57 % dos casos. Oito deles foram criados por deputados militares (sargentos, tenentes, capitães ou delegados). Há também um pastor e um “apóstolo”.</p>



<p id="viewer-ee9ep">Para a presidenta da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Symmy Larrat, embora os deputados justifiquem em seus discursos a “defesa da família”, a política construída é “de morte”. “Com esse discurso de ódio, nos retiram da família, nos expulsam, nos colocam em vulnerabilidade”, diz ela. “Eles já aprenderam que quando eles contam essas mentiras, ganham voto. Esse movimento tem levado oportunistas religiosos ao poder.”</p>



<p id="viewer-fbv6u">Os principais eixos temáticos das propostas visam à proibição da linguagem não-binária na educação, 28, e na administração pública, 16. Algumas incluem ambas as áreas. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, há projeto de lei tratando também de restrição no campo de produções culturais, um em cada estado.</p>



<p id="viewer-bkf7v">Larrat acredita que o tema da linguagem neutra deve estar presente também nas eleições de 2022. “É mais um assunto de um movimento de mentiras. Vai entrar no discurso do mesmo jeito que entraram a ‘mamadeira de piroca’ e todas as mentiras sobre a vacina”, afirma. “Mas eu espero que as pessoas tenham percebido que isso está matando gente.”</p>



<p id="viewer-c8m8e">A ABGLT, diz a presidenta, tem orientado seus representantes em todos os estados brasileiros a dialogarem com deputadas e deputados para se opor aos PLs.</p>





<h2 class="wp-block-heading"><strong>A linguagem neutra na academia e nas artes</strong></h2>



<p id="viewer-94un7">A linguagem neutra é um mecanismo de inclusão e visibilidade, de acordo com o linguista Iran Melo, coordenador do NuQueer (Núcleo de Estudos Críticos do Discurso e Teoria Queer), da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco). Para ele, a língua também é uma ferramenta de disputa de poder. “O que repercute na língua é o que repercute na demanda social de maneira geral. De modo que as pessoas têm se reconhecido cada vez mais fora dos padrões de masculino e feminino e elas têm promovido novas maneiras de representatividade sobre suas identidades pela língua”, opina.</p>



<p id="viewer-fhkgm">O enfrentamento aos conceitos hegemônicos de gênero desperta reações violentas, pois “há um grande projeto de sociedade que não aceita as possibilidades de as pessoas terem liberdade com o corpo, com a vida, uma liberdade da categoria fundamental de suas vidas que é o gênero”, segundo o pesquisador. “Qualquer coisa que venha promover um outro modo de ser no mundo se apresenta como ameaça para esse projeto sócio-cultural, sócio-político.”</p>



<p id="viewer-6eo84">Em 24 de julho deste ano, o uso da palavra “todes” em uma postagem do Museu da Língua Portuguesa, nas redes sociais, despertou reação do secretário especial de Cultura do governo federal, Mário Frias. Ele acusou a instituição de vandalizar a cultura e afirmou que tomará medidas “para impedir que usem dinheiro público federal para piruetas ideológicas”. Após os ataques de Frias, nove projetos de lei foram apresentados por deputados estaduais.</p>



<p id="viewer-1rh2v">A linguagem neutra também já vem sendo incluída em obras artísticas no país. Recentemente, ela foi anunciada como elemento narrativo na novela “Cara e Coragem”, da Globo, escrita por Claudia Souto e prevista para estrear em maio de 2022. Na exposição sobre a vida e obra de Maria Carolina de Jesus — em cartaz até 30 de janeiro de 2022 no Instituto Moreira Salles de São Paulo — , os textos da curadoria incluem termos de gênero neutro, como “todes” e “outres”.</p>



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		<title>Francisca dos Santos, a última umbandista do quilombo Teixeira</title>
		<link>https://marcozero.org/francisca-dos-santos-a-ultima-umbandista-do-quilombo-teixeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Sep 2021 19:39:54 +0000</pubDate>
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<p>A comunidade quilombola Teixeira, zona rural do município de Betânia, no Sertão do Moxotó, é habitada por uma média de 300 famílias. Em sua maioria, famílias evangélicas, de ramificações variadas. Na comunidade, entre os poucos habitantes que não aderiram ao pentecostalismo, vive a agricultora aposentada Francisca Maria dos Santos, de 71 anos. Dona Francisca é da umbanda e, isolada, com o auxílio de outros dois amigos, que também são umbandistas, mas moradores de outro quilombo do mesmo município, o Sítio Bredos, ela pratica a religião nos limites de um quartinho pegado à cozinha da casa onde mora com a mãe, seus filhos e seus netos.</p>



<p>Atualmente, no território do povoado, há três igrejas, a Adventista do Sétimo dia, a Assembleia de Deus &#8211; ministério de Madureira, e a Mundial do Poder de Deus. A última, com sua sede fundada em 1998 na cidade de São Paulo, pelo pastor Valdemiro Santiago,  aqueçe frequentemente envolvido em escândalos ligados à exploração da fé alheia e propaganda enganosa <a href="https://www.youtube.com/watch?v=oyLagXgpYAA" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&#8211; quem não lembra de Valdemiro Santiago, em agosto do ano passado, fazendo propaganda na TV de sementes de feijão &#8220;ungidas&#8221;, suportamente capazes de curar a covid-19, custando até R$ 1 mil cada uma?</a></p>



<p>Vendendo falsos milagres, se apoiando na teologia da prosperidade, exaltando os privilégios que o dinheiro pode trazer e incentivando a doação aos seus ministérios partindo da premissa de que, doando, os fiéis irão aumentar a sua riqueza material, muitas igrejas evangélicas têm penetrado e se estabelecido em lugares com determinadas culturas e costumes que não poderíamos antes imaginar. A comunidade Teixeira é um deles.</p>



<p>Recentemente, estive na casa de dona Francisca. Conheci o seu lugar, parte da sua&nbsp; história e conversei com ela sobre a sua vida religiosa.&nbsp; Há muitos anos, ela é procurada por pessoas de vários lugares da região e de outros estados do país, para ajudar a tratar casos de doença e para afastar espíritos ruins de corpos dominados por eles. “Aqui já chegaram carros e carros no meu terreiro. Já veio gente de São Paulo, da Bahia, de todo canto. Isso pra eu fazer trabalho pra ajudar em problema de saúde e pra afastar espírito ruim também. O que eu não faço é coisa ruim, pra prejudicar os outros”.</p>



<p>Dona Francisca chama a sua prática religiosa de “obrigação”. E essa obrigação teve início quando ela ainda era muito nova, antes do seu primeiro aniversário. Abro espaço para dona Francisca contar como tudo começou e que rumo a sua vida tomou a partir daquele dia:</p>



<p>&nbsp;&nbsp;“Eu comecei essa obrigação quando eu tinha três meses de vida. Foi a primeira vez que um espírito baixou e falou em mim. Pai viu eu falar e contava que, no dia, quase enlouqueceu. Que o espírito dizia que eu não pertencia a meus pais, eu pertencia a ele. Aí veio um vendaval dentro de casa, derrubou tudo, arrastou as coisas. Ficou tudo revirado.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;E eu sei que fui crescendo e fui desenvolvendo. Eu sentia quando uma pessoa ia chegar em casa, sabia que ela vinha. Nunca fui disciplinada por ninguém. Tudo o que eu aprendi, eu via em sonho. Vinha um homem com um livro me ensinar. Parecia que ele estava na minha frente, como você tá agora. Se uma pessoa fosse matar outra por aqui, eu sabia. Ele vinha me avisar.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Quando eu fui fazer essa obrigação declarada pra todo mundo, eu já tinha 17, 18 anos. Pai não queria, não achava que era coisa de Deus. Mãe via, mas não dizia nada.&nbsp; Por aqui, não tinha ninguém pra eu falar, conversar sobre essas coisas. Meu avô Francisco, pai de meu pai, que o povo chamava Chico Pintado, era quem tinha parte com isso também, mas ele não morava aqui. O contato que eu tive com ele foi pouco. Eu sempre fui vendo e fazendo as coisas sozinha, mesmo.</p>



<p>&nbsp;E eu vou lhe dizer: quando eles [os espíritos] me pegam, eu não vejo nada.&nbsp; Eu já dei pisa em homem, já dei cacetada, já quebrei dedo de mulher. Até em meu pai, um dia, eu danei um machado pra cortar o pescoço dele. É uma coisa que eu não vejo, não sinto, só acontece. Antes, eu recebia mais, baixava mais espírito em mim. Agora, são dois, só. Um dá o nome de Mané Caboclo e o outro nunca disse o seu nome. E esse é o que baixou em mim quando eu tinha três meses. Ele nunca foi embora”.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Cansada, quase desistindo</h2>



<p>Francisca me confessou que agora se sente cansada, sem forças para continuar com a “obrigação” que lhe foi dada ainda criança. A tensão das mudanças ao seu redor, a visita frequente de evangélicos à sua casa e a conversão de seus filhos ao protestantismo têm lhe feito considerar a possibilidade de se converter também. Ela tem pensado em frequentar a Igreja Mundial do Poder de Deus, que está construindo um templo na comunidade. </p>



<p>“Olhe, eu lhe digo que a minha corrente é da Umbanda. Aqui, eu só trabalho com meus amigos Joaquim e Maria das Dores, que vêm de outro canto pra cá, pra gente trabalhar. Mas o nome que eu levo por aqui é só de macumbeira. Tem coisa que entristece a gente. Às vezes, tem bicho morto na estrada, em encruzilhada, e o povo já passa dizendo ‘eita, quem terá sido esse que Francisca lascou?’. Eu não faço mal a ninguém. E essa obrigação que eu faço, é de muita responsabilidade, de muita energia, eu ando muito cansada. Tenho pensado muito em passar pra lei de crente”.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;A realidade em que vive dona Francisca e a sua família, como em muitas outras comunidades rurais sertanejas, por muito tempo, se equilibrou numa negociação pela ocupação do seu território apenas com o dito catolicismo popular e a sua predileção pelo devocional ao sacramental. Agora, a comunidade passa a limitar ainda mais o espaço para o culto e a prática de outras religiões, principalmente as de matrizes africanas.</p>



<p>Olhando para a história de Dona Francisca, para as mudanças de caráter religioso que têm ocorrido em sua comunidade e para a perseguição e intolerância histórica contra religiões de matrizes africanas, é inevitável pensar que a influência pentecostal em Teixeira tem impactado e interferido na vida e na cultura da sua população, trabalhando para o silenciamento e apagamento das suas origens e tradições.</p>



<p>Os amigos de Francisca, Joaquim dos Santos, 72 anos, e Maria das Dores, 75, seguem resistindo e não consideram a possibilidade de conversão para o protestantismo. &#8220;Eu venho lá da comunidade dos Bredos, pra fazer esse trabalho aqui, com elas duas. Eu tenho visto muita gente passar pra lei de crente, mas não tenho vontade não. Em mim, baixa um caboclo caçador brabo, que não me deixa nunca. Isso é desde que me entendo por gente e vai até quando eu morrer&#8221;, conta seu Joaquim.  </p>



<p>Dona Maria das Dores concorda com o amigo e acredita que a sua prática religiosa faz parte do seu destino. &#8220;Disso, a gente não foge. Não tem jeito. Não adianta ter medo, tentar se esconder, se desviar. Faz parte da nossa missão aqui. Eu respeito quem é evangélico, acho muito bonito as palavras, as homenagens que eles fazem quando um deles morre, mas não pretendo passar para a lei deles não&#8221;.</p>



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