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	<title>Arquivos oceano - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 26 Feb 2024 21:33:16 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos oceano - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Sem ação de governos, mudança climática vai provocar novas tragédias no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-acao-de-governos-mudanca-climatica-vai-provocar-novas-tragedias-no-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 10:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[oceano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seis meses atrás, depois de um dia e uma noite de chuva pesada, boa parte do litoral e da Zona da Mata de Pernambuco estava debaixo de lama e de água. Foi a maior tragédia nos últimos cem anos, com mais de 130 mortos e dezenas de milhares de desabrigados no estado. O que aconteceu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Seis meses atrás, depois de um dia e uma noite de chuva pesada, boa parte do litoral e da Zona da Mata de Pernambuco estava debaixo de lama e de água. Foi a maior tragédia nos últimos cem anos, com mais de 130 mortos e dezenas de milhares de desabrigados no estado. O que aconteceu naqueles últimos dias de maio e início de junho foi consequência direta das mudanças climáticas. Um aviso aterrador de que não se trata mais de uma crise para o futuro. Já começou. E pode piorar.</p>



<p>Na época daquelas chuvas, a parte do oceano Atlântico perto da costa de Pernambuco estava três graus acima do usual, de acordo com dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). Isso ocasionou uma forma mais extrema dos Distúrbios Ondulatórios de Leste (Dol), um fenômeno bem conhecido entre meteorologistas. É atribuída ao Dol também as fortes chuvas em Palmares, em 2010, que destruíram a cidade. E também às chuvas torrenciais em Natal, no Rio Grande do Norte, em plena Copa do Mundo de 2014.</p>



<p>Como está em uma zona quente, perto da linha do Equador, o litoral nordestino está mais propício às chuvas e secas extremas, explica o oceanógrafo Ronaldo Christofoletti, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para entender o que aconteceu em Pernambuco em maio, e que pode se repetir, ele explica que é preciso entender o papel do oceano no clima.</p>



<p>“O oceano é responsável por absorver a irradiação solar. Por consequência, nas áreas mais tropicais essa água fica mais quente, porque tem mais sol por mais tempo e mais calor”, explica Christofolleti.</p>



<p>O aumento da temperatura global tem alterado o ciclo das correntes oceânicas, que vêm do Caribe para a costa brasileira. “É o mesmo ciclo que faz com que tenha muita evaporação. Nas regiões tropicais mais quentes, que têm muita irradiação, o próprio oceano vai evaporando água e essa água forma as nuvens, que levam ao ciclo de chuvas. Quando temos uma alteração dessa relação oceano e clima, com o aumento da temperatura, o oceano não consegue transportar muito bem todo esse calor. Isso pode levar a ter muito mais evaporação. E também pode ter uma alteração nas correntes de vento no momento”, diz.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/somos-uma-comunidade-adoecida-jardim-monteverde-6-meses-depois-das-chuvas/" class="titulo">“Somos uma comunidade adoecida”: Jardim Monteverde, 6 meses depois das chuvas</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/racismo-ambiental/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Racismo ambiental</a>
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<p>É a capacidade do oceano de retirar e transportar o calor das águas que vai determinar esse ciclo de evaporação e, consequentemente, de chuvas. “ A mudança do clima não é algo para o futuro, ela já acontece agora. Momentos de chuva extrema ou de seca sempre existiram. O que é, então, um resultado da mudança climática? A intensidade. Esses eventos estão ocorrendo em um espaço de tempo cada vez mais curto. Temos primeiro entender que, infelizmente, vai ser cada vez mais frequente e cada vez mais forte”, lamenta.</p>



<p>E é extremo para chuvas e para secas. “Uma hora essa alteração da relação oceano-clima pode fazer, como foi esse ano, que haja uma chuva extrema, mas o desbalanceio dessa relação pode levar a que evapore menos na região e haja uma seca mais extrema”, afirma.</p>



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	                                        <p class="m-0">Aquecimento do oceano provoca secas e tempestades no litoral. Crédito: Centro Espacial Lyndon B. Johnson/Wikimedia Commons</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Mangue é proteção para cidades costeiras<br></strong><br>Vegetação símbolo do Recife, o mangue pode ajudar a amenizar as catástrofes de forma imediata e a médio prazo. “Os manguezais retiram bastante carbono da atmosfera, o que ajuda a evitar o aumento da temperatura. A médio prazo, o manguezal em pé ajuda para que haja menos eventos extremos de chuvas. Isso sem contar todos os benefícios que ele traz de biodiversidade, de filtração de água etc”, diz.<br><br>A curto prazo, os manguezais absorvem o impacto imediato de ondas fortes que chegam do oceano e da elevação mais rápida da quantidade de água. “Eles são uma franja que absorvem a água, vão proteger muito desse impacto hidrodinâmico. Não só as populações ribeirinhas, mas das cidades como um todo. É como os cílios. a gente não dá atenção, mas eles impedem que o suor entre nos olhos. O manguezal tem uma dupla importância: protege a costa e retira o carbono”, explica.</p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading">Governos devem se preparar para eventos extremos</h2>



<p>É possível evitar essas tragédias? Christofoletti lembra que o planeta ainda não chegou ao “ponto de não retorno”, quando nenhuma medida mais vai funcionar para impedir o avanço do aquecimento global. Ainda há tempo para mudanças. E elas têm que ser imediatas e também de médio e longo prazo.<br><br>Para o agora, é urgente aprender a viver com as mudanças climáticas que já se impõem. É preciso que as cidades tenham sistemas de prevenção e monitoramento da temperatura do oceano. “Temos que ter modelos de previsão mais claros, que permitam que se saiba a temperatura do oceano daqui a 15 dias. Não entender o oceano dificulta prever quando vai ter uma chuva muito forte”, diz.</p>



<p>O pesquisador cita a cidade de Santos, onde mora, como um modelo na previsão dessas urgências climáticas. Ele lembra que os investimentos na ciência precisam vir junto com a implantação de políticas públicas. “O dado científico é o que vai ajudar no plano de adaptação, mas os governos têm que estar preparados para receber esse dado científico e tomar uma decisão imediata. Não é só o monitorar”, diz. &#8220;A Defesa Civil de Santos, por exemplo, já tem uma rede de alerta por grupos de WhatsApp, principalmente para as comunidades mais atingidas, aquelas que estão na zonas de vulnerabilidades”, exemplifica.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/somente-as-chuvas-nao-explicam-mortes-nos-morros/" class="titulo">Somente as chuvas não explicam mortes nos morros</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/racismo-ambiental/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Racismo ambiental</a>
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<p>Para que os governos se preparem para as mudanças climáticas, e para que elas não avancem ainda mais, é preciso fazer o que todo mundo já sabe há décadas: proteger a natureza e reduzir as emissões de carbono na atmosfera. “Temos que diminuir a previsão que estipula o aumento da temperatura em 1,5 a 2 graus até 2050. Ao fazer isso, o oceano tem menos calor para absorver, as florestas têm menos carbono para retirar. Com isso, pelo menos vamos parar de aumentar a intensidade e a frequência dos eventos extremos e dar um respiro para que os governos e as pessoas tenham seus planos de adaptação. Não vai fazer ainda voltar ao que era, mas pelo menos vai fazer com que a gente consiga se planejar e entender o futuro”, diz.<br><br>As decisões, claro, passam pela política. Christofoletti lembra que a <a href="https://oeco.org.br/reportagens/lei-do-mar-propoe-marco-regulatorio-para-gestao-do-bioma-marinho-costeiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong><em>Lei do mar</em></strong></a> tramita há dez anos e nunca é prioridade. Projetos que dão garantias para as comunidades tradicionais pesqueiras e proteção para as áreas onde elas ficam também estão parados. Mas o contrário não ocorre. O professor da Unifesp alerta para dois projetos de lei que avançam rápido e podem ser extremamente prejudiciais para a saúde do oceano: um é o que <a href="https://oeco.org.br/analises/terrenos-de-marinha-sob-ameaca-novamente/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">extingue os terrenos da Marinha</a>, o que, na prática, privatiza parte da costa brasileira. Outro é o que autoriza a <a href="https://www.camara.leg.br/propostas-legislativas/2312502" target="_blank" rel="noreferrer noopener">privatização de 10% das praias</a> brasileiras.<br><br>“Acabamos de eleger um novo legislativo. A sociedade precisa estar mais próxima e cobrando aqueles que elege. Seja por meio de uma organização, seja por um contato direto com o gabinete, esses mecanismos de aproximação existem. O nosso papel de um voto consciente não é só no momento da urna. É também acompanhando, monitorando e cobrando o que a esperamos daqueles que estão tomando decisões que impactam na nossa vida depois”, finaliza.</p>



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	                                        <p class="m-0">Proteção de manguezais pode ajudar a proteger cidades. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>
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