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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>O gosto amargo da missa de 1 ano da morte de Olavo de Carvalho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2023 21:15:48 +0000</pubDate>
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<p><strong>Por Lula Pinto</strong>*</p>



<p>O primeiro aniversário da morte do escritor bolsonarista Olavo de Carvalho não passou em brancas nuvens em Casa Amarela, um dos bairros mais populares da Zona Norte do Recife. Sob a responsabilidade do padre Paulo Sérgio Vieira Leite, a Igreja da Harmonia foi palco de uma homenagem a um dos responsáveis pela elaboração da linha ideológica que dá forma à extrema direita brasileira. A lembrança de Olavo aconteceu por meio de uma missa realizada durante a noite quente e abafada que fazia neste dia 24 de janeiro, durante a qual se celebrou também a passagem de quatro outros fiéis vinculados direta ou indiretamente à paróquia.</p>



<p>Às 19h00, quando a cerimônia começou, não mais que 40 pessoas estavam presentes na nave principal da igreja, que passou recentemente por uma reforma interna. O público fiel nesta terça-feira não destoava do perfil majoritariamente branco de classe média e pobre que frequenta as missas nos dias da semana. Exceção à presença de um já manjado conjunto local de seguidores dos cursos que o ex-astrólogo dava no Youtube, antes de essa plataforma o expulsar pelos discursos de ódio que propagava.</p>



<p>Percebi que Olavo foi o único dos mortos a ter o nome inteiro pronunciado ao longo da cerimônia. O que é compreensível: o autor preferido dos filhos de Bolsonaro, e de diferentes linhas de extremismo à direita no Brasil de hoje, estampou um dos posts do perfil da paróquia no Instagram, que recebeu uma chuva de comentários negativos e foi deletado no início da noite, pouco antes da missa começar. E o padre precisou, assim, logo no início do encontro, dar algumas justificativas para manter Olavo de Carvalho na lista, seguindo a solicitação que geralmente é enviada por parentes ou admiradores da pessoa homenageada.</p>



<p>A essa altura, passados somente cerca de 10 minutos do início da missa, e de ter me postado para assisti-la, achava que o calor teria arrefecido por causa dos muitos ventiladores que somavam zumbidos ao trânsito lá fora. O Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite desenhou o argumento que lhe conduziu até o final das homenagens: por um lado, a coincidência do dia 24 de janeiro, data da morte de Olavo, ser uma data reservada pela Igreja Católica para lembrar de São Francisco de Sales. Nascido em meio aristocrático, na família dos Barões de Boisy, em 1567, São Francisco de Sales é o patrono dos escritores e dos jornalistas.</p>



<p>E, por outro, a associação da própria vida de Olavo de Carvalho e sua obra à vida de São Francisco de Sales e seu trabalho junto à Igreja Católica num sentido muito específico. O Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite afirmou, ressaltando a importância de Olavo de Carvalho para a Igreja que: “Conheço muitas pessoas que se converteram (ao Catolicismo) por conta dos ensinamentos de Olavo de Carvalho”. E completou afirmando que, “Assim como São Franciso de Sales, que através das suas pregações ajudou muitas pessoas a voltarem ao seio da Igreja, Olavo fez da profissão dele seu apostolado”.</p>



<p>Os dois argumentos convergiram, então, na reflexão do Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite, para um ponto pertubador: a necessidade de focar na piedade como instrumento para ler o mundo, as ações das pessoas e em especial a do senhor que vivia em Richmond, morto há um ano. Foi nesse ponto que me lembrei que o autor já havia argumentado que a cultura inferior de civilizações africanas é a razão da escravização que se intensificou em África partir do século XVI. E que por isso, negras e negros não merecem nenhum tipo de políticas de reparação no mundo contemporâneo.</p>



<p>Olavo também foi um apologista da superioridade da cultura ocidental em sua matriz judaico-cristã e da filosofia Grega sobre as de culturas de África, o que lhe serviu, em determinado ponto de suas aulas e escritos, a afirmar que negras e negros se beneficiaram dos processos de colonização.</p>



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	                                        <p class="m-0">Card divulgado nas redes sociais oficiais Paróquia do Bom Jesus do Arraial &#8211; Igreja da Harmonia</p>
	                
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<p>Nesse ponto passei a me fazer aquela pergunta retórica que mutos andamos nos fazendo a tempo demais talvez: como foi que chegamos até aqui mesmo? Eu já suava um bocado, apesar disso não deixei de me arrepiar com a ideia que havia na entrelinha daquele argumento, que eu ouvia em stéreo – são muitas as caixas de ressonância. Porque o Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite sugeria, apoiando-se num personagem da história da Igreja Católica, identificando o percurso de Olavo ao de São Francisco de Salles e no argumento básico do cristianismo (o amor e o perdão), algo que me pareceu a mais uma anistia, uma remissão ao horror, o tipo de conciliação que a dinâmica social brasileira não pode mais tolerar.</p>



<p>“Todos somos chamados a sermos instrumentos de Deus. E para sermos instrumentos de Deus, precisamos ter coragem, não passaremos ilesos, vamos sofrer decepção, dificuldades, difamação, tudo. Mas é preciso ter fé em Nosso Senhor. Então vamos nos preparar para a nossa celebração, protegidos por esse grande santo que encontrou atalhos para os casos mais graves tendo em vida piedade. Porque é a piedade no coração da gente, ter piedade é a forma de ver as coisas de maneira diferente. É a piedade que nos faz entrar na mensagem de hoje, fora disso é só ideologia, é só guerra, é só confusão, é tudo, menos, vida cristã”, ecoavam nas caixas de som a voz do Pároco.</p>



<p>Na sequência, um dos integrantes do coral entoou um “Senhor, que vieste salvar, os corações arrependidos”, ao que a nave respondeu: “Piedade, Piedade, Piedade de nós; Piedade, Piedade, Piedade de Nós”. “Ó Cristo que vieste chamar os pecadores humilhados”, a nave: “Piedade, Piedade, Piedade de nós; Piedade, Piedade, Piedade de Nós”. Senhor que intercedeis por nós, junto a Deus Pai que nos perdoa”: “Piedade, Piedade, Piedade de nós; Piedade, Piedade, Piedade de Nós”.</p>



<p>Estava assim entre esses pensamentos, mas percebendo também que nada nas palavras do Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite gerou reação perceptível nas pessoas que estavam ali para honrar seus mortos. Ao final da missa, me aproximei de alguns fiéis para comentar a forte presença da defesa do trabalho de Olavo de Carvalho, feita pelo Pároco, saber como interpretavam ou consideravam a celebração. Ninguém me deu um depoimento definido. Ou por não querer comentar ou por não saber do que se travava.</p>



<p>Depois de argumentar que não devemos julgar e condenar ninguém por seus atos em vida e de lembrar a necessidade de rezar pelos cristãos como era o mais célebre falecido, uma das falas do Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite voltou a tratar de forma direta de Olavo e da polêmica que havia se armado no tal post da Paróquia.</p>



<p>O padre defendeu a necessidade de rezar para o cristão que se arrepende, diferenciando esse ato da simples homenagem, e completou: “Eu fico surpreso com o número de pessoas convertidas através da palavra de Olavo de Carvalho, aqui mesmo há pessoas. Eu tenho tido muitos contatos com essas pessoas, que tem se aproximado da religião, deixado de ser protestante, outras… através desse homem. Que era desbocado, que tinha uns radicalismos, quem de nós não tem na época eleitoral?”. Antes de finalizar a celebração, o Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite ainda confirmou que há diversos pontos nos escritos de Olavo de Carvalho que valoriza.</p>



<p>Sem perceber, a meio tom entre ligeiro e devagar, numa igreja meio cheio e meio lotada, sob o calor pleno de uma noite na Zona Norte, o Pároco Paulo Sérgio Vieira Leite homenageava sim um ideólogo do caos e da banalidade do mal.</p>



<p>Eles devem ser sempre bem lembrados. Lembrá-los bem significa a necessidade ética de qualquer pessoa e instituição de colocá-los diante do valor da vida em toda as suas formas e intensidades e fazer escolhas.</p>



<p>Saí da igreja da Harmonia com um gosto amargo na boca e com um frio, apesar do calor, me perguntando coisas. Até que ponto vamos presenciar as diversas formas de defesa da anistia? Qual o real nível da aproximação de setores de instituições como a Igreja no Brasil de grupos e formadores da extrema direita?</p>



<p><strong>* Lula Pinto é jornalista, formado pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente é coordenador do Mestrado em Indústrias Criativas e professor do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco.</strong></p>



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		<title>Produtora de filmes bolsonarista gastou R$ 1,2 milhão em publicidade no Facebook durante 2020</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2021 13:24:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[bolsonarismo]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Paralelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o início de agosto, quando o Facebook passou a dar transparência aos gastos com publicidade política ou social em suas plataformas, a empresa atualiza diariamente um ranking de quem investiu dinheiro impulsionando postagens desse tipo. A primeira posição dessa lista no Brasil é surpreendente. Mesmo em ano eleitoral quem mais desembolsou não foi um [&#8230;]</p>
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<p>Desde o início de agosto, quando o Facebook passou a dar transparência aos gastos com publicidade política ou social em suas plataformas, a empresa atualiza diariamente um ranking de quem investiu dinheiro impulsionando postagens desse tipo. A primeira posição dessa lista no Brasil é surpreendente. Mesmo em ano eleitoral quem mais desembolsou não foi um candidato a prefeito de metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro nem um dos grandes partidos do país, como PT, PSDB, DEM ou MDB. </p>



<p>Quem mais investiu em publicidade política no Facebook, Instagram e WhatsApp foi a Brasil Pararelo, uma produtora de filmes e séries de extrema-direita, que já chegou a ser rotulada de “netflix dos bolsonaristas”.</p>



<p>Considerando apenas os dados dos últimos cinco meses – os únicos informados pelo Facebook – o Brasil Paralelo gastou R$ 1.240.623,00 para impulsionar pouco mais de 15.600 anúncios pedindo apoio financeiro para viabilizar seus filmes, promovendo “cursos de formação” ou divulgando campanhas de assinaturas. Em tese, a Brasil Paralelo não recebe recursos públicos pois o Portal da Transparência não há registros de pagamento realizado pelo Governo Federal para a LHT Higgs Produções Audiovisuais LTDA, razão social da produtora.</p>



<p>Entramos em contato com a empresa por meio do endereço de e-mail fornecido em seu site, mas não recebemos resposta.</p>



<p>Em <a href="https://www.terra.com.br/noticias/netflix-dos-bolsonaristas-gastou-r-328-mil-em-anuncios-de-facebook-e-instagram,95d2a6cacc3975f7e2c62b7eadfc7d84p5licuy7.html">reportagem publicada no final de setembro</a> pelo portal Terra, um dos sócios da empresa, Lucas Ferrugem, disse para o repórter Alexandre Bazzan que a “Brasil Paralelo tem dois planos de assinatura, um de R$ 10 e outro de R$ 49, que dão acesso a conteúdos exclusivos e palestras”. Naquele mês, a produtora contava com 115 mil assinantes, mas o plano é alcançar um milhão no final de 2022. Na mesma entrevista, Ferrugem explicou que o custo para produzir e divulgar cada filme ou episódio de minissérie era de R$ 2 milhões.</p>



<p>Ao longo de 2020, a produtora entrou na mira da Sleeping Giants brasileira, iniciativa de progressistas americanos que interpela anunciantes que fazem propaganda em páginas que espalham fake news e discurso de ódio. Por causa disso, a empresa que operava o sistema de pagamento da Brasil Paralelo acabou recuando e encerrou o contrato.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A gratidão do Zero Três</strong></h2>



<p>Mesmo sem receber dinheiro público, a Brasil Paralelo é constantemente beneficiada pelo <em>merchandising </em>gratuito que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) costumam fazer dos seus filmes. O Zero Três é um entusiasmado garoto-propaganda da empresa ao fazer pelo menos 70 postagens com elogios para seus filmes e séries.</p>



<p>A família Bolsonaro parece ter muito a agradecer à Brasil Paralelo. Em 2018, às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, a produtora lançou um vídeo nas redes sociais protagonizado por um engenheiro bolsonarista que, usando uma fórmula matemática utilizada em auditorias fiscais e contábeis, dizia “provar” a fantasiosa fraude na eleição de 2014 que elegeu Dilma Rousseff (PT).</p>



<p>Em poucos dias, o tal vídeo foi visto dois milhões de vezes. Na mais extensa verificação do <a href="https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/video-com-suspeitas-sobre-eleicoes-de-2014-usou-lei-matematica-que-nao-prova-fraude/">Projeto Comprova</a>, foi constatado que o engenheiro, Hugo Hoeschl era, ele mesmo, uma fraude, pois jamais tinha sido delegado da policial civil do Paraná ou professor “credenciado” da Universidade Federal de Santa Catarina, como se apresentava na tela. Os cálculos usados por Hoeschl não resistiram às análises feitas por matemáticos e físicos acionados pelo projeto.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Eduardo Bolsonaro é garoto propaganda da Brasil Paralelo</p>
	                
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                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Conteúdo da era vitoriana</strong></h3>



<p>Pretensão e distorção embaladas em certo esmero técnico. Essa poderia ser uma boa definição da produção da Brasil Paralelo que foi analisada pela Marco Zero Conteúdo. Os filmes, a maioria com pouco mais de 40 minutos aos quais o público se acostumou nas plataformas de <em>streaming</em> tradicionais, abordam os temas caros à extrema-direita com mais sutileza que as grosseiras peças de desinformação das redes bolsonaristas.</p>



<p>Boa parte dos anúncios impulsionados no Facebook e Instagram nas últimas semanas tinha como foco o financiamento dos três episódios do “Especial de Natal” da produtora. A série contou com a Orquestra Sinfônica de Heliópolis tocando clássicos natalinos e de compositores como Beethoven.</p>



<p>A música clássica serve claramente como atrativo para os cursos de formação em música oferecidos pelo site. Aliás, esse gênero musical é apresentado como sendo um exemplo de arte pura, expoente máximo da civilização ocidental, em contraponto aos ritmos contemporâneos que se caracterizam pela fusão de samba, rap, funk ou brega. Qualquer semelhança ao nazismo não é mera coincidência.</p>



<p>O cenário do Especial parece ter sido copiado das velhas fotos das reuniões natalinas da família real britânica. Mais uma vez, não há coincidência. Uma das estrelas do primeiro episódio é o “príncipe” Luiz Phellippe de Orleans e Bragança.</p>



<p>E o que o deputado federal monarquista faz no filme? Fala obviedades conservadoras, insípidas. Exemplo: “A família real é igual a qualquer outra (&#8230;) família dá confiança, estabilidade, dá origem e propósito”. Isso é dito num contexto em que seis homens brancos e ricos, sob a mediação do ícone midiático da extrema-direita, Luís Ernesto Lacombe, fazem uma roda de conversa sobre o tema “a crise da família”, quando ficamos sabendo que a crise é de amor. Nada mais. Simples assim.</p>



<p>O segundo episódio trata do sucesso e conta com a única mulher convidada a participar do Especial, a ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel, apresentada como “comentarista política” (sic). Os outros cinco participantes da roda de conversa são homens. Brancos. O cenário e a composição étnica e de gênero (desta vez sem nenhuma mulher) se repete no terceiro episódio sobre o significado do Natal, com o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, o olavista e monarquista Rafael Nogueira alegando que, ao contrário de todas as outras religiões e civilizações, “os símbolos do cristianismo estão associados a um fato histórico.” Como se os assassinos <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/151222_wahabismo_origens_fn">wahabistas do Estado Islâmico não dissessem algo parecido da religião muçulmana</a>.</p>



<p>O marketing agressivo, sempre à caça de assinaturas, é uma constante em todos os vídeos. Num episódio sobre o movimento Black Lives Matter, são três inserções com ofertas comerciais da própria empresa em pouco mais de 40 minutos. Nesse vídeo, os primeiros 33 minutos se arrastam, com um historiador americano, gravando de sua casa, admitindo o caráter racista da escravidão e da segregação racial.</p>



<p>O roteiro desse filme é semelhante a uma emboscada: o conteúdo supostamente neutro dos primeiros 2/3 – “supostamente porque os agentes da liberdade dos negros são os líderes brancos ou negros que lutam pacificamente” – levam à desqualificação dos protestos contemporâneos, fundados por mulheres que seriam manipuladas por uma fundação marxista que as treinou para “mudar a sociedade”. Olavo de Carvalho deve ter curtido.</p>



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		<title>Troca de guarda: coronel assume diretoria estratégica da Fundaj</title>
		<link>https://marcozero.org/troca-de-guarda-coronel-assume-diretoria-estrategica-da-fundaj/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2019 17:12:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O coronel Robson Santos da Silva vai começar nos próximos dias a trabalhar na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Especialista em ensino à distância, ele ocupava até segunda-feira (12) o cargo de assessor especial do ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez. O militar foi nomeado diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundaj no mesmo dia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O coronel Robson Santos da Silva vai começar nos próximos dias a trabalhar na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Especialista em ensino à distância, ele ocupava até segunda-feira (12) o cargo de assessor especial do ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez. O militar foi nomeado diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundaj no mesmo <a href="http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/66389673/do2e-2019-03-11-portarias-de-11-de-marco-de-2019-66389669" target="_blank" rel="noopener noreferrer">dia em que outros seis comissionados do alto escalão foram exonerados </a>dentro da disputa de influências no Ministério da Educação.</p>
<p>A nomeação deixou apreensivos os funcionários do órgão. A diretoria e a presidência da Fundaj continuam a não ter um único profissional de carreira &#8211; e apenas um servidor público, o diretor de pesquisas sociais, Carlos Osório. Há quem veja na chegada do militar um novo front no que os bolsonaristas chamam de guerra cultural: fazer um revisionismo histórico da ditadura militar, mudando a leitura de golpe para a de uma revolução, e impedir a divulgação de certos temas. A Fundaj seria o palco perfeito para isso, já que oferece cursos, promove eventos e tem uma editora própria. Com experiência em ensino à distância, o coronel poderia ampliar esse alcance.</p>
<p>Há também outra leitura da chegada do coronel Robson Santos da Silva: o começo da retirada dos comissionados indicados por Mendonça Filho (DEM), ministro da Educação no governo Temer. Sem citar o que exatamente seria, o Ministério da Educação voltou na segunda-feira a citar a “Lava Jato na Educação”, que, se investigar o governo Temer, poderia atingir a gestão do ex-ministro. Nos bastidores, o que se comenta é que a ex-presidente interina Ivete Lacerda, hoje Diretora de Planejamento e Administração, pode ser a próxima do grupo ligado a Mendonça Filho a ser afastada da Fundaj.</p>
<blockquote><p><a href="http://marcozero.org/fundaj-o-organograma-do-aparelhamento/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Leia mais: Manual do aparelhamento da Fundaj</strong></a></p></blockquote>
<p>A diretoria que o coronel vai ocupar é estratégica. Foi criada em 2016 por Luiz Otávio Cavalcanti e ganhou bastante autonomia dentro da Fundaj, sendo considerada por muitos até como um núcleo à parte. Ocupa hoje boa parte do prédio do Derby, local historicamente ligado à área cultural. A maioria dos funcionários é de comissionados, com poucos funcionários de carreira. A diretoria engloba cursos de curta duração, cursos mais voltados para o mercado, a escola de governo da Fundaj e também os cursos de especialização e mestrado, alguns voltados para a formação de professores.</p>
<p>O primeiro diretor da Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco foi Felipe Oriá, que depois ficaria mais conhecido por usar o aplicativo de paquera Tinder para fazer campanha para deputado federal pelo PPS (apesar da ousadia, teve pouco menos de 12 mil votos). À frente da diretoria, Oriá e seu braço direito Vinícius Werneck promoveram ações para dar visibilidade à gestão, com parcerias com prefeituras do interior e criação de prêmios.</p>
<p>Em alguns meses, o salário de diretor no valor de R$ 13.623,39 (DAS 101.5) era abastecido por gratificações, já que Oriá e Vinícius se colocavam também como instrutores dos cursos que a própria diretoria oferecia.</p>
<p>Oriá deixou o cargo para se candidatar. Vinícius assumiu a vaga e saiu no ano passado, na época em que o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União fizeram uma auditoria na Fundaj. Tiago Diniz, também ligado a Mendonça Filho, assumiu no segundo semestre de 2018. Foi uma gestão curta, interrompida abruptamente. Funcionários que trabalhavam na diretoria só ficaram sabendo da exoneração pelo Diário Oficial.</p>
<h2>Caos no MEC</h2>
<p>Em conversas em reserva, funcionários da Fundaj dizem que antes da chegada de Alfredo Bertini à presidência da Fundação, o que se comentava nos corredores era que um militar poderia assumir o cargo. A Fundaj não é território desconhecido para o coronel Robson Santos da Silva. Em pelo menos duas ocasiões neste ano, como assessor especial do ministro, ele veio ao Recife para reuniões com a diretoria do órgão.</p>
<p>Já Bertini é tido como um presidente frágil, que nunca ficou muito tempo em um cargo público. Teria se aproximado do guru bolsonarista Olavo de Carvalho – a quem chama de “mestre” &#8211; durante a celeuma para exibição de um documentário sobre ele no festival Cine PE, que comanda há mais de 20 anos. Também participou de encontros com a equipe de Paulo Guedes em Brasília durante a transição Temer-Bolsonaro. Foi indicado por Vélez, com aval de Olavo.</p>
<p>Nas últimas semanas, o Ministério da Educação ganhou as manchetes com as disputas entre os vários grupos que o compõem: alunos de Olavo, militares, técnicos e ex-alunos de Vélez. O vexame da carta às escolas pedindo a gravação do hino nacional foi a gota d’água para uma reestruturação. O ‘viés ideológico’ dos olavetes (como Olavo se refere a seus discípulos) foi posto em xeque e gerou uma série de troca de farpas entre os grupos. No fim de semana, Vélez e Bolsonaro se reuniram. Na segunda-feira, seis assessores do alto escalão tiveram suas exonerações publicadas no Diário Oficial – entre eles, Tiago Diniz, substituído na mesma publicação pelo coronel.</p>
<p>Houve baixas de vários lados. Para cessar as críticas do seu guru, Bolsonaro pediu a demissão do coronel Ricardo Wagner Roquetti, que era diretor de programa da secretaria-executiva. Ele foi acusado por Olavo de perseguir e boicotar seus ex-alunos no ministério. Outro exonerado, Silvio Grimaldo, que ocupava o cargo de assessor especial e é ex-aluno de Olavo, publicou nas redes sociais que ofereceram a ele, e não foi aceito, um cargo na Capes para “enxugar gelo e fazer guerra cultural”.</p>
<p>Ao contrário dos seus antecessores na diretoria de Formação Profissional e Inovação da Fundaj, o coronel Robson Santos da Silva tem um currículo lattes extenso. Possui quatro graduações (pedagogia, licenciatura plena em matemática e  em português e bacharelado em ciências militares pela Aman), oito especializações e dois mestrados. Atualmente é doutorando em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catariana. Foi também diretor da Associação Brasileira de Ensino à Distância e publicou quatro livros sobre o tema. Com esse currículo, funcionários da Fundaj acham difícil que ele venha “enxugar gelo”. Já guerra cultural&#8230;</p>
<h3>O outro lado</h3>
<p>A Marco Zero solicitou um comentário do presidente da Fundaj Alfredo Bertini sobre a nomeação do coronel Robson Santos da Silva. A assessoria de comunicação da Fundaj disse que ele não iria se pronunciar sobre o assunto. A Marco Zero também questionou o Ministério da Educação sobre a mudança na Fundaj. Não obteve resposta até a publicação desta matéria.  Também tentamos contato com o coronel pelas assessorias da Fundaj e da editora Novatec, que publica seus livros, sem sucesso.</p>
<p>Em (confusa) <a href="http://portal.mec.gov.br/component/content/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=74011:comunicado-oficial-mec&amp;catid=33381&amp;Itemid=86" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nota divulgada na segunda-feira</a>, o MEC afirmou que “As movimentações de pessoal e de reorganização administrativa, levadas a efeito nos últimos dias, em nada representam arrefecimento no propósito de combater toda e qualquer forma de corrupção. Ademais, envolveram cargos e funções de confiança, de livre provimento e exoneração.”</p>
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