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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>O Neymar da praia</title>
		<link>https://marcozero.org/o-neymar-da-praia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sérgio Miguel Buarque]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Aug 2021 19:48:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Medina é uma espécie de Neymar das águas. O surfista brasileiro é craque no que faz, está sempre no noticiário e nos trending topics das redes sociais. Ganha muito dinheiro, tem um monte de gente para passar a mão na cabeça depois das pisadas de bola e… é bolsonarista. Mesmo sem levar medalha, apesar [&#8230;]</p>
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<p>Gabriel Medina é uma espécie de Neymar das águas. O surfista brasileiro é craque no que faz, está sempre no noticiário e nos trending topics das redes sociais. Ganha muito dinheiro, tem um monte de gente para passar a mão na cabeça depois das pisadas de bola e… é bolsonarista. Mesmo sem levar medalha, apesar do favoritismo absoluto, Medina dominou a mídia no início das competições (até hoje tem propaganda na TV com ele). Apesar da badalação, saiu dos jogos menor do que entrou. É um daqueles grandes atletas que são péssimos desportistas.</p>



<p>Por isso, não surpreende a notícia de sua não participação na última etapa da temporada do Mundial de Surfe, no Taiti, por não ter tomado a vacina contra a covid-19. Ou seja, ele foi para Tóquio sem estar vacinado. Medina alegou incompatibilidade com sua agenda, mas, segundo o jornalista Demétrio Vecchioli, do Uol,<a href="https://marcozero.us18.list-manage.com/track/click?u=6903930ec168971e947bb728b&amp;id=359ea2210f&amp;e=71396904d8" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> o atleta teve, pelo menos, quatro oportunidades de se vacinar</a>. Não foi o único, diga-se de passagem. Como ele, <a href="https://marcozero.us18.list-manage.com/track/click?u=6903930ec168971e947bb728b&amp;id=84e513fb46&amp;e=71396904d8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cerca de trinta atletas brasileiros foram ao Japão sem tomar ao menos uma dose do imunizante</a>.<br><br>A despolitização sempre dominou o ambiente esportivo, onde predomina uma lógica autoritária/paternalista na relação entre dirigentes, técnicos e atletas e uma postura bélica em relação aos adversários (sem esquecer o machismo, o racismo, o capacitismo e a homofobia). A verdade é que o esporte de alto rendimento, que exige sacrifícios absurdos de um lado e oferece prestígio e fama do outro, é uma máquina de produzir pessoas individualistas, pouco empáticas e extremamente competitivas, formadas em um ambiente que coloca a meritocracia acima de tudo. “Você só chegou até aqui por seus méritos” ou “você perdeu porque não se esforçou o suficiente” são as frases escutadas por atletas desde a escolinha. São repetidas o tempo todo pela maior parte de treinadores, mas caberiam muito bem na boca de um deputado do partido Novo.</p>



<p>A boa notícia é que as Olimpíadas de Tóquio também apresentaram um contraponto a tudo isso. Se de um lado tivemos Medina ou os bolsonaristas declarados do vôlei masculino, para citar os <em>minions</em> mais conhecidos, do outro lado brilharam atletas como Isaquias Queiroz (canoagem), Ana Marcela (maratona aquática), Rebeca Andrade (ginástica artística), Douglas (vôlei), Hebert Conceição e Bia Ferreira (boxe) ou Paulinho e Marta (futebol), entre outros, que se posicionaram publicamente com uma fala empática, politizada e conectada com a realidade. Foram elas e eles que fizeram valer as madrugadas acordadas.</p>
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		<title>Episódio #50: A Olimpíada de Tóquio merece medalha?</title>
		<link>https://marcozero.org/episodio-50-a-olimpiada-de-toquio-merece-medalha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jul 2021 17:50:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Olimpíadas]]></category>
		<category><![CDATA[podcast]]></category>
		<category><![CDATA[podcast nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[Simone Biles]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O post <a href="https://marcozero.org/episodio-50-a-olimpiada-de-toquio-merece-medalha/">Episódio #50: A Olimpíada de Tóquio merece medalha?</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Spotify Embed: A Olimpíada de Tóquio merece medalha?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/77tsQaqjbccZM5jRH0iFhn?si=P3Q8Y3oQQw-qeDbvRwxutA&#038;dl_branch=1&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div><figcaption>Em plena pandemia e com recorde de casos de covid no Japão, os Jogos Olímpicos seguem gerando intensos debates nas redes sociais. A resistência das atletas à sexualização dos seus corpos, a defesa da diversidade de gênero e o apelo à preservação da saúde mental feito pelas campeãs Simone Biles e Naomi Osaka estão entre os temas debatidos no Arrumadinho desta semana. Laércio Portela e Inácio França receberam os jornalistas esportivos Ana Paula Santos e Márcio Markman para saber se a Olimpíada merece ou não subir no pódio.</figcaption></figure>
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		<title>Férias sem diálogo e sem skate no Parque Santana</title>
		<link>https://marcozero.org/ferias-sem-dialogo-e-sem-skate-no-parque-santana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Dec 2018 12:54:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[felipe carreras]]></category>
		<category><![CDATA[obra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até meados de maio deste ano, o Parque Santana, na Zona Norte do Recife, tinha a única pista de skate no formato snake da cidade. Era uma pista para surf skate – uma modalidade sem tantas manobras de subidas e descidas -, que também atendia quem andava de patins ou patinete. De um dia para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Até meados de maio deste ano, o Parque Santana, na Zona Norte do Recife, tinha a única pista de skate no formato <em>snake</em> da cidade. Era uma pista para <em>surf</em> skate – uma modalidade sem tantas manobras de subidas e descidas -, que também atendia quem andava de patins ou patinete. De um dia para o outro, a Secretaria de Turismo e Lazer do Governo do Estado apresentou o projeto de uma nova pista e derrubou todo o cimento da pista antiga. O projeto de 1.655 m² foi licitado por R$ 474.832,56, oriundos do Ministério dos Esportes. Passados mais de 40 dias do prazo de conclusão, a pista segue em obras, a passos lentos. E vai ficar ainda mais cara.</p>
<p>Na tarde da sexta-feira passada, por exemplo, não havia nenhum trabalhador no local. “À vezes têm duas, às vezes têm seis pessoas trabalhando. Às vezes não tem ninguém ”, conta o funcionário público José Oscar Lira, que era frequentador da antiga pista. “Era uma pista que tinha seus problemas, mas atendia perfeitamente aos usuários, famílias, crianças, pessoas mais velhas, até cadeirantes”, conta.</p>
<p><div id="attachment_12289" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12289" class="wp-image-12289 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/pistaantigasantaAlexandre-1024x568.jpeg" alt="pistaantigasantaAlexandre" width="702" height="389"><p id="caption-attachment-12289" class="wp-caption-text">Imagem aérea de como era a pista antiga do parque Santana. Foto: Alexandre Rocha/Cortesia</p></div></p>
<p>Também frequentadora da antiga pista, a educadora física Andrea Azoubel critica a obra, afirmando que não houve nenhuma discussão prévia com os frequentadores do parque. “É um absurdo. Um equipamento que era funcional, que vivia cheio, foi interrompido para a construção de outro, que não foi nem entregue no prazo. Tiveram que escavar, derrubar o que tinha, o que deixa a obra mais cara. É uma péssima decisão de gestão. Há vários espaços no Recife que precisariam de um equipamento desses, por que colocar justamente em um parque que já tinha um? É um desperdício de dinheiro público”, questiona Andrea.</p>
<p>Na época em que a obra da pista começou, houve um racha entre frequentadores do estilo <em>surf</em> e os skatistas do <em>street</em>, ou os &#8220;profissionais&#8221;, como por vezes são chamados ou se autointitulam. Hoje, com o atraso da obra e possíveis problemas estruturais da pista, que dizem já conseguir perceber, a divisão se dissipou.</p>
<p>&#8220;Se você me pergunta se quase R$ 600 mil em uma pista é caro, eu vou responder que, se for uma pista fuderosa, não é, está pago&#8221;, conta o skatista Eduardo Carvalho, um dos que apoiou a demolição e construção da nova pista. &#8220;Mas essa que está sendo feita não vale isso. O<em> flat</em> (a parte lisa do cimento) está bom, mas as transições (para os obstáculos) estão péssimas, é uma vergonha. Finalmente tivemos a chance de ter uma pista excelente e vamos perder essa chance. Contrataram uma empresa de engenharia que não sabe nada sobre a construção de pistas de skate. Um funcionário comentou outro dia que não sabia o que estava construindo. O skate vai ser um dos esportes da próxima Olimpíadae esta pista seria um ótimo investimento para os atletas pernambucanos. Infelizmente, pelo que vemos na obra, será outra pista problemática”, diz.</p>
<p>Praticante do esporte desde criança e empresário do ramo, Eduardo tinha sérias críticas quanto à pista anterior. “Não é porque vivia cheia que era uma pista boa. Deviam ter contratado uma empresa especialista em construção de pista de skate, como foi com a pista Marcelo Lyra, no Pina. Mas contrataram uma empresa de engenharia qualquer”, critica.</p>
<p>A pista antiga já havia passado por pelo menos duas reformas e foi alvo de algumas intervenções da Prefeitura do Recife &#8211; que faz a manutenção do parque, mas não participa diretamente da obra da pista.</p>
<p>O advogado Alexandre Rocha, skatista da modalidade surf, tem atuado como uma espécie de fiscal informal da obra. Desde que a antiga pista que tanto gostava foi demolida, faz acompanhamentos periódicos usando um drone para captar imagens aéreas da construção.</p>
<p>Ele também reclama da morosidade e da falta de uma empresa especializada na obra. &#8220;Acabei de sair de lá&#8221;, contou Alexandre na tarde da terça-feira passada. &#8220;Só tinha um trabalhador na betoneira. A pista anterior tinha seus defeitos, mas era a única pista em formato<em> snake</em> de Pernambuco. O que a gente queria era que ela fosse melhorada, mas não destruída. Ainda mais gastando esse valor”, critica.</p>
<h3>Obra deve ficar perto dos R$ 600 mil</h3>
<p>De acordo com a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer, foi recebido um repasse de R$ 594.417,90 do Ministério dos Esportes. O projeto do desenho da pista é do governo. Em janeiro, a secretaria abriu uma licitação no valor de R$ 523.855,13 para contratar uma empresa para executar a obra, pelo menor preço. Duas empresas foram habilitadas, a USA Construção e Incorporação e a Pilartex. A USA saiu vencedora, com a proposta de R$ 474.832,56. A Pilartex orçou a obra em apenas R$ 1,1 mil abaixo do teto (mais precisamente: R$ R$ 522.754,86).</p>
<p><div id="attachment_12208" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-12208" class="wp-image-12208 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/12/44403907050_69a247185d_h-1024x576.jpg" alt="44403907050_69a247185d_h" width="702" height="394"><p id="caption-attachment-12208" class="wp-caption-text">Obra é feita com dinheiro de repasse do Ministério dos Esportes. Foto: Inês Campelo/MZC</p></div></p>
<p>No dia 28 de março o então secretário Felipe Carreras assinou o contrato com a USA Construção e Incorporação, empresa aberta em 2015 e sediada em Olinda. O contrato inicial previa uma vigência de sete meses, sendo cinco meses de execução da obra. No dia 15 de maio, foi feita uma reunião para apresentar o projeto aos frequentadores. No dia seguinte, a pista já começou a ser quebrada.</p>
<p>A Secretaria de Turismo, Lazer e Esportes não disponibilizou representante para falar com a Marco Zero sobre a obra na pista. Por meio da assessoria de comunicação, enviou nota em que afirma que a pista foi um pedido dos frequentadores e que deve ficar pronta em janeiro, sem especificar o dia. Na nota, informa que a conclusão inicial estava prevista para setembro passado, apesar da placa na obra indicar 25 de outubro.</p>
<p>O atraso é justificado por “uma antiga estrutura de concreto que, ao contrário do que foi previsto originalmente, não pode ser aproveitada. Foi necessário fazer um replanejamento para contemplar a demolição da antiga estrutura e implantação do novo concreto.” Por conta disso, a obra vai ficar ainda mais cara que os R$ 474 mil licitados.</p>
<p>Segundo a secretaria já está em andamento a “celebração de um termo aditivo para a conclusão da obra”. Em notícias da época do início da nova pista, já se usava o valor de “cerca de R$ 600 mil”, valor total do repasse do Ministério dos Esportes. Em repasses do tipo, o dinheiro não utilizado volta para a Ministério.</p>
<p>Procurado pela reportagem, o dono da USA Construção, Albérico Barros, afirmou que preferia não se pronunciar sobre a obra, mas que está tudo dentro da lei e que, quando inaugurada, “será a maior e melhor pista de skate do Norte e Nordeste”. Além do contrato para fazer o skatepark, a USA Construção também ganhou outro contrato neste anocom a Secretária de Turismo. Em junho, foi homologado o resultado da licitação no valor de R$ 1.746.130,10 para a implantação e modernização das academias da cidade do Recife, do qual a USA foi vencedora.</p>
<p><strong>Confira a nota completa abaixo: </strong></p>
<p>“A Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer (Seturel-PE) informa que a obra de requalificação da pista de skate do Parque Santana está em andamento e deverá ser concluída em janeiro de 2019. Inicialmente orçada em R$ 474.832,56 e prevista para ser entregue em setembro de 2018, a obra atrasou devido a uma antiga estrutura de concreto que, ao contrário do que foi previsto originalmente, não pode ser aproveitada. Foi necessário fazer um replanejamento para contemplar a demolição da antiga estrutura e implantação do novo concreto. Desta forma, encontra-se em andamento a celebração de um termo aditivo para a conclusão da obra. O valor total do contrato de repasse do Ministério do Esporte para execução dos serviços é de R$ 594.417,90. Valores não utilizados serão devolvidos aos cofres da União.</p>
<p>A requalificação da pista de skate do Parque Santana visa atender a uma demanda antiga dos usuários do equipamento, que não havia sido construído seguindo critérios técnicos adequados e tinha apenas 40% da área aproveitada. A nova pista atenderá diversas modalidades, com 12 obstáculos diferentes, podendo servir como espaço para treinamento de skatistas profissionais, usuários amadores e famílias que já frequentam o parque.”</p>
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		<title>Hackeando o Brasil</title>
		<link>https://marcozero.org/hackeando-o-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2015 01:53:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vazamento do WikiLeaks detalha investidas da empresa italiana Hacking Team para vender software espião a polícias de todo o país, de olho nas Olimpíadas. A PF teria começado a usar o produto em maio deste ano Por Natalia Viana Da Agência Pública A notícia de que a empresa Hacking Team teve seus e-mails hackeados em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>				<em>Vazamento do WikiLeaks detalha investidas da empresa italiana Hacking Team para vender software espião a polícias de todo o país, de olho nas Olimpíadas. A PF teria começado a usar o produto em maio deste ano</em></p>
<p>Por <a href="http://apublica.org/autor/natalia-viana/" rel="tag">Natalia Viana</a><br />
Da <a href="http://apublica.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agência Pública</a></p>
<p>A notícia de que a empresa Hacking Team teve seus e-mails hackeados em junho foi um choque para o mercado da vigilância digital. Normalmente acostumada a espionar e-mails alheios, a companhia viu suas comunicações internas vazarem a conta-gotas na internet. Em 8 de julho, o WikiLeaks publicou nada menos que 1 milhão de e-mails, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/">organizados em um banco de dados</a> que pode ser explorado através de buscas por palavras-chave.</p>
<p>Os documentos mostram como a empresa – que vende somente para governos e tem entre seus clientes desde o FBI e o exército americano até regimes que reprimem e perseguem oposicionistas como Marrocos, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Azerbaijão – atua para fazer lobby e conquistar novos clientes. No Brasil, a Hacking Team tem atuado fortemente junto à Polícia Federal, o Exército e diversas polícias estaduais desde 2011. Por outro lado, diversas forças policiais brasileiras procuraram os italianos em busca dos seus produtos.</p>
<p>Em maio deste ano, através de um contrato com a representante nacional YasniTech, um dos polêmicos softwares de espionagem da Hacking Team foi usado para uma investigação da PF, em um projeto piloto de três meses, segundo os e-mails.</p>
<h3><strong>Controle de celulares e computadores</strong></h3>
<p>O negócio da Hacking Team é desenvolver maneiras de “infectar” diferentes aparelhos digitais para permitir seu monitoramento ao vivo, 24 horas por dia, a chamada “tecnologia de segurança ofensiva” – ou espionagem digital. Seus equipamentos permitem às polícias realizar vigilância seletiva e também vigilância massiva, em milhares de celulares e computadores ao mesmo tempo.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Foto_monitoring-and-loggingP.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-965" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Foto_monitoring-and-loggingP.jpg" alt="Foto_monitoring-and-loggingP" width="750" height="500" /></a></p>
<p>Seu principal produto é o Sistema de Controle Remoto “Da Vinci”, que permite invadir e controlar uma máquina, driblando as comunicações criptografadas, além de espionar Skype e comunicações por chat. Segundo a empresa, o Da Vinci pode ligar remotamente microfones e câmeras de computadores e celulares e depois gravar todo o conteúdo. E, mesmo com o computador desconectado da internet, pode acessar históricos, conversas, fotos e deletar ou modificar arquivos. Para a “infecção” a Hacking Team usava, <a href="http://g1.globo.com/tecnologia/blog/seguranca-digital/assunto/virus/1.html">por exemplo</a>, uma brecha no programa Flash, criando páginas na internet web que instalavam automaticamente o software através do programa. “É uma tecnologia de segurança ofensiva. É um <em>spyware</em>. É um cavalo de Troia. É um grampo. É uma ferramenta de monitoramento. É uma ferramenta de ataque. É uma ferramenta para controlar os pontos finais, ou seja, os PCs”, diz a Hacking Team <a href="https://www.wikileaks.org/spyfiles/files/0/31_200810-ISS-PRG-HACKINGTEAM.pdf">em uma propaganda</a> feita para seus clientes.</p>
<p>Em 2013, a organização Repórteres sem Fronteiras colocou a empresa na lista dos <a href="http://surveillance.rsf.org/en/hacking-team/">inimigos da internet</a>. “Crescentemente o uso de censura cibernética e a vigilância cibernética estão ameaçando o modelo de internet idealizado pelos seus fundadores: a internet como um lugar de liberdade, um lugar para a troca de informações, conteúdo e opiniões, um lugar que transcende fronteiras”, disse a organização na ocasião.</p>
<p>O software é vendido sob uma licença para o “usuário final” durante determinado tempo, com um contrato de confidencialidade. Segundo <a href="http://www.spiegel.de/netzwelt/netzpolitik/eric-rabe-vom-hacking-team-trifft-auf-den-aktivisten-jacob-appelbaum-a-886744.html">reportagem</a> da revista alemã <em>Der Spiegel</em>, o porta-voz da Hacking Team afirmou durante um debate que a empresa pode compreender “até certo limite” o que os clientes fazem com seu software, já que o programa mantém contato “constante e não especificado” com seus criadores. Após o vazamento, a segurança dos produtos da Hacking Team tem sido ainda mais questionada.</p>
<h3><strong><em>Roadshow</em></strong><strong> no Brasil</strong></h3>
<p>“Os produtos de nossos competidores só conseguem gerenciar algumas dezenas de alvos ao mesmo tempo”, explicou o gerente de vendas da Hacking Team, Marco Bettini, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/446795">em um email</a> de outubro de 2012. “Já com o Da Vinci você pode aumentar para centenas de milhares de aparelhos monitorados apenas adicionando hardware.” No mesmo e-mail, ele diz ainda que “dentre as instalações que temos atualmente no mundo todo, mais de três têm aproximadamente dois mil aparelhos monitorados cada”.</p>
<p>O e-mail de Bettini foi enviado em resposta ao então representante brasileiro Gualter Tavares Neto, ex-secretário adjunto de Transporte do Distrito Federal (DF) e sua empresa DefenceTech, a primeira a trazer a tecnologia da Hacking Team ao Brasil, em 2011.</p>
<p>No final de 2012, Gualter Tavares organizou um verdadeiro <em>roadshow</em> dos produtos entre polícias e militares brasileiros. Para isso, dois membros da Hacking Team vieram ao Brasil, o gerente de contas Massimiliano Luppi e o engenheiro de sistemas Alessandro Scarafile.</p>
<p><a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/446723">Foram feitas exibições</a> de uso dos produtos para o Comando da Aeronáutica no dia 27 de novembro, com a presença do chefe de inteligência; no dia 28, às 2 da madrugada, a equipe esteve na sede do Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Distrito Federal, com presença de toda a equipe; no mesmo dia, às 17h30, fizeram uma demonstração na sede do Departamento de Polícia Federal, em Brasília. Estiveram também na sede do Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército Brasileiro (CCOMGEX) no dia 29. O grupo foi ainda recebido na sede da Abin no dia 30 de novembro às 8h30.</p>
<p>Em meados do ano seguinte, Gualter organizou mais uma rodada de reuniões pessoais em Brasília, inclusive com a Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo os e-mails. “Ontem nós recebemos um pedido do Sr. Marcelo Beltrão Caiado (chefe da Divisão da Segurança da Informação da Procuradoria-Geral da República – PGR) requisitando que a reunião seja no dia 25 de julho entre as 14 e as 17 horas. Embora haja agora uma discussão sobre os poderes do Procurador-Geral para investigações. Apesar desse debate, o procurador segue investigando e nós acreditamos que o debate vai acabar fortalecendo a PGR”, diz Gualter <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/446721">em e-mail</a> no dia 19 de junho de 2013. Na mesma visita, Massimiliano esteve com a Polícia Civil do Distrito Federal, após intervenção junto ao gabinete do governador, diz outro <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/446943">e-mail</a>.</p>
<p>Nas correspondências, o brasileiro mostrava preocupação em convencer as polícias nacionais sobre a superioridade da Hacking Team contra concorrentes, como os softwares espiões da empresa israelense Elbit Systems e o Finfisher, do britânico Gamma Group, também conhecido e apreciado pelos potenciais clientes.</p>
<p>As negociações, no entanto, avançaram pouco. No ano seguinte, a Hacking Team ainda não havia concretizado nenhuma venda. “Durante todo esse tempo, nós tivemos a chance de estar em Brasília diversas vezes e fizemos algumas demonstrações”, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/7226">escreveu Massimiliano Luppi</a> no final de fevereiro de 2014. Ele afirma ter feito mais de três demonstrações à PF, mais de três à Polícia Civil do Distrito Federal, além do Exército, a PGR e a Abin. “Depois das ‘demos’, não houve nenhum <em>follow-up</em>”, reclama. Em especial, lhe desagradava o sobrepreço do “parceiro” brasileiro na negociação com a PF: “Eles vieram com um preço extremamente alto se comparado com o nosso orçamento para eles”. Enquanto a Hacking Team teria pedido 700 mil euros, a DefenseTech teria enviado um orçamento de “mais de 1,5 milhão [de euros] para o usuário final”.</p>
<p>Assim, Luppi decidiu cortar o intermediário e negociou diretamente com o Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE) uma visita no dia 19 daquele mês, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/439472">comunicando-se</a> com o capitão instrutor Flávio Augusto Coelho Regueira Costa.</p>
<p>Procurada pela reportagem da <strong>Pública</strong>, a assessoria do Comando do Exército reconheceu ter feito contatos com a Hacking Team para avaliar os produtos da empresa, mas disse que não houve aquisição. “A prospecção de ferramentas que permitem a realização de testes de penetração em sistemas de informática é um fato cotidiano que é realizado para manter o CIGE atualizado e identificar novas ferramentas que possam simular para seus alunos o ambiente real de ataques que ocorrem nos sistemas informacionais”, disse o CIGE por meio de nota.</p>
<h3><strong>Sem legislação</strong></h3>
<p>A partir de 2014, outro representante brasileiro, Luca Gabrielli, da empresa 9isp (e, posteriormente, da YasniTech), assume as negociações com as polícias brasileiras, com um <em>approach</em> bastante diferenciado, como detalha um <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/440433">e-mail </a>em italiano, de 28 de maio de 2014. A nova estratégia de entrada no mercado brasileiro foi traçada com a colaboração do advogado Antenor Madruga, ex-secretário Nacional de Justiça e ex-diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional.</p>
<p>“Não há nenhuma legislação específica para o uso de um produto como esse e/ou uma doutrina legal clara. Por isso, temos que construir uma estratégia de vendas para impedir a venda antes de queimar o produto (isso inclui todos os atores: políticos – nossos apoiadores –, jornalísticos, comerciais etc.).” Luca Gabrielli sugere ter cuidados com órgãos que poderiam fazer uso ilegal do software, como as polícias civis do Rio de Janeiro e do Amazonas. “Todo mundo concorda que o produto será bem-sucedido, mas vendê-lo antes das eleições em outubro é um risco alto, com grande probabilidade de abusos.” A consequência, explica ele, é que como intermediária sua empresa poderia ser corresponsabilizada nesse caso. “Precisamos realmente construir uma estratégia de comercialização completa, sabendo que, como provavelmente acontecerá no Brasil, pode haver tanto uso impróprio quanto uma publicação em algum jornal.”</p>
<p>A solução, para ele, era identificar um primeiro cliente “que não impacte negativamente a opinião pública” – a Polícia Federal.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Yasnitech-600x270.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-966" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/07/Yasnitech-600x270.png" alt="Yasnitech-600x270" width="600" height="270" /></a></p>
<h3><strong>Abrindo as portas na Polícia Federal </strong></h3>
<p>O novo intermediário promoveu, em novembro de 2014, uma nova visita dos italianos ao Brasil. Os detalhes são discutidos ao longo de vários <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/440130">e-mails</a>. Primeira parada: Polícia Civil de São Paulo, onde Luca realizou, ao lado do técnico Eduardo Pardo, uma “demo” no departamento de inteligência (Dipol). Entusiasmados, os chefes da Polícia Civil agendaram duas demonstrações no dia seguinte, no Departamento de Narcóticos (Denarc) e no Departamento de Investigações Criminais (Deic).</p>
<p>Na mesma viagem ao Brasil, a Hacking Team <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/7305">fez apresentações</a> para o Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro (Cinpol), o Ministério Público fluminense e o cliente preferencial, a PF, cuja sede foi visitada nos dias 20 e 21 de novembro. Finalmente, os esforços valeram a pena.</p>
<p>Para utilizar o produto, a equipe da PF obteve a necessária autorização judicial – foi a primeira vez no Brasil, segundo os e-mails.</p>
<p>As comunicações mais recentes revelam que, no final de <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/1102033">maio</a> deste ano, a equipe da Hacking Team esteve em Brasília treinando delegados da PF para usarem não apenas o software, mas “engenharia social”, um método de investigação que inclui a manipulação de pessoas para conseguir acesso a informações confidenciais, em busca de conhecer melhor os “alvos” a serem infectados. Mostram, ainda, que a equipe do Hacking Team teve amplo acesso à investigação, treinando, opinando e orientando os delegados brasileiros – desde o técnico enviado ao Brasil até o CEO e fundador, David Vincenzetti. O custo do contrato, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/7014">segundo e-mail</a> de Luca Gabrielli (a esta altura ele já respondia em nome da empresa YasniTech), foi de R$ 25 mil por mês, durante três meses.</p>
<p>“Na segunda-feira [18 de maio] começamos o projeto conforme o plano com o cliente [PF]. Em 3 meses teremos IMPRESSIONADO o cliente que aceitou ser uma referência para nós. Nós fechamos o acordo para [fornecer o software a] 100 agentes que eles têm a proposta e todos nós finalmente celebramos bebendo MUITA caipirinha ou vinho – você escolhe. Nós seguimos adiante com a PC-SP [polícia civil de São Paulo] baseada na referência da PF (estou esperando esse começo para buscar ativamente a PC-SP que está esperando uma referência)”, explica Gabrielli no e-mail.</p>
<p>O passo seguinte leva em conta as Olimpíadas, a serem realizadas em 2016 no Rio “Nós vamos tentar tornar essa solução um padrão no Brasil via SESGE”, escreve, referindo-se à Secretaria Especial de Segurança para Grandes Eventos, ligada ao Ministério da Justiça.</p>
<h3><strong>Olimpíadas vigiadas </strong></h3>
<p>Levado pelas mãos do delegado da PF, o representante da Hacking Team <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/6963">manteve conversas</a> com membros da Secretaria desde o começo deste ano. “Nós (eu e Hugo) discutimos com o Secretário Especial da SESGE uma implantação global no país para auxiliar na segurança dos Jogos Olímpicos; as licenças, então, seriam doadas para a PF em vários estados. Eu fiz uma apresentação para o departamento de inteligência da SESGE, que quer uma demonstração durante o piloto [da PF]. Nesta fase, há a possibilidade de expansão para até 1000 agentes em todo o país (a SESGE confirmou a disponibilidade de orçamento mas apenas se executada em agosto/setembro de 2015). Tudo depende do sucesso do projeto-piloto.”</p>
<p>Não foi a primeira vez que a SESGE demonstrou interesse nos softwares espiões. Pouco depois da Copa do Mundo, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/239414">no dia 4 de setembro de 2014</a>, o coordenador-geral de Contrainteligência da secretaria, Rogerio Giampaoli, escreveu para o gerente de vendas da Hacking Team, Alex Velasco: “Prezado Senhor Alex, Gostaríamos de conhecer um pouco mais sobre a ferramenta GALILEO de vossa empresa, tais como funcionalidade e operacionalidade. Teriam algum representante no Brasil?”. Um ano antes Alex Velasco já tinha feito sucesso na maior feira de venda de equipamentos para inteligência e vigilância do mundo, a ISS World, que ocorrera em Washington de 25 a 27 de setembro de 2013. Ali, um agente do Departamento de Estado americano o procurou para falar da necessidade de vigilância nas Olimpíadas. “O Brasil quer um sistema para a Copa do Mundo da FIFA e as Olimpíadas. Eles vão trabalhar junto com o Departamento de Estado dos EUA para conseguir financiamento. É do interesse dos EUA estar em boa cooperação com o Brasil, não apenas pelas relações internacionais mas também por razões de segurança. Isso é o que o agente do Departamento de Estado Peter MacDonald mencionou para mim”, <a href="https://www.wikileaks.org/hackingteam/emails/emailid/329194">escreveu</a> aos chefes.</p>
<p>Procurada pela <strong>Pública</strong>, a assessoria de comunicação da Polícia Federal não respondeu à publicação. A SESGE também não respondeu às perguntas da reportagem.</p>
<p><a href="http://apublica.org/2013/09/empresas-que-lucram-com-o-mercado-de-vigilancia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Leia também: Quem lucra com a vigilância?</a></p>
<p><a href="http://apublica.org/2013/09/copa-brasil-vira-mercado-prioritario-da-vigilancia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Leia Também: Com a Copa, Brasil vira mercado prioritário da vigilância</a>		</p>
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