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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Segurança pública é o maior problema do Brasil para 8 em cada 10 mulheres nordestinas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 May 2025 19:49:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Nordeste, 82% das mulheres consideram a segurança pública o principal problema do Brasil. É o que revela a pesquisa Mulheres em Diálogo, realizada pelo Instituto Update em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, que investigou percepções femininas em diferentes regiões do país. O dado reforça a gravidade do tema especialmente entre as nordestinas, [&#8230;]</p>
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<p>No Nordeste, 82% das mulheres consideram a segurança pública o principal problema do Brasil. É o que revela a pesquisa <em>Mulheres em Diálogo</em>, realizada pelo Instituto Update em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA, que investigou percepções femininas em diferentes regiões do país. O dado reforça a gravidade do tema especialmente entre as nordestinas, que também demonstram forte preocupação com a saúde pública e a falta de acesso a serviços essenciais.</p>



<p>Considerando o levantamento nacional da pesquisa, 77% das mulheres do Brasil apontam a segurança como a maior preocupação. A aflição é mais forte entre mulheres de 35 a 44 anos e acima dos 60, com mais de 80% desses grupos destacando o tema. De acordo com o estudo, a preocupação atinge mulheres de diferentes classes sociais, faixas etárias e aspectos políticos ideológicos.</p>



<p>“Questões como igualdade salarial e segurança refletem preocupações universais entre as mulheres brasileiras e podem ser a base para ações que promovam avanços nos direitos das mulheres”, afirma Carolina Althaller, diretora executiva do Instituto Update.</p>



<p>A saúde também é prioridade para boa parte das entrevistadas — principalmente no Nordeste (57,5%) e Centro-Oeste (56,9%). Entre as nordestinas, destaca-se o engajamento com pautas relacionadas à melhoria da infraestrutura e do acesso ao atendimento médico.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Consensos e divisões</strong></h2>



<p>O consenso mais forte revelado pela pesquisa diz respeito à igualdade salarial: 94% das mulheres concordam total ou parcialmente que homens e mulheres devem receber a mesma remuneração por cargos equivalentes. Já a saúde figura entre as três maiores preocupações para 47% das brasileiras. A desinformação (<em>fake news</em>) aparece como preocupação relevante para mulheres com maior escolaridade, sobretudo no Sul do país.</p>



<p>A representatividade feminina na política também conta com apoio expressivo: 72% das entrevistadas defendem o aumento da presença de mulheres em cargos políticos.</p>



<p>Apesar dos diversos pontos de consenso, a pesquisa revela divisões marcantes em temas morais e ideológicos. Apenas 48% das entrevistadas se identificam como feministas, enquanto 43% rejeitam essa identidade. A adesão ao feminismo é maior entre jovens de 16 a 44 anos, com ensino médio ou superior e pertencentes às classes AB e C. Já entre mulheres mais velhas, evangélicas e de classes D/E, o termo é amplamente rejeitado.</p>



<p>A descriminalização do aborto enfrenta ampla rejeição: somente 16% das mulheres apoiam a medida. Mesmo entre as que se consideram progressistas, 61% são contrárias à legalização. Entre as conservadoras, esse índice chega a 82%. O índice sobe ainda mais entre mulheres que são mães — 85% rejeitam a legalização. Apesar disso, a maioria das entrevistadas é contrária à prisão de mulheres que realizam o procedimento fora das exceções legais.</p>



<p>Outro ponto de divergência é a influência religiosa nas decisões políticas. Para 53% das mulheres, valores religiosos devem orientar decisões políticas; 43% discordam. Evangélicas e católicas praticantes tendem a apoiar essa influência, enquanto mulheres sem religião e católicas não praticantes são majoritariamente contrárias.</p>



<p>Para a diretora do Instituto Update, os dados revelam tanto caminhos para as possibilidades de diálogo quanto a complexidade da realidade feminina. “Compreender como idade, religiosidade e classe social moldam as percepções é essencial para promover um diálogo respeitoso e produtivo a fim de construir soluções que representem verdadeiramente a diversidade de experiências femininas no Brasil”, analisa Carolina Althaller.</p>



<p>A pesquisa <em>Mulheres em Diálogo</em> contou também com a colaboração da cientista política Camila Rocha e da cientista social Esther Solano, e <a href="https://www.institutoupdate.org.br/proyecto/mulheres-em-dialogo/">está disponível na íntegra no site do Instituto Update</a>.</p>
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		<title>A dura vida de quem trabalha com artes visuais no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/a-dura-vida-de-quem-trabalha-com-artes-visuais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jan 2024 18:54:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[artistas visuais]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura no Recife]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sobreviver da arte é um desafio enfrentado por diversos artistas. Uma inédita pesquisa qualitativa deu contornos mais precisos do que significa esse desafio para 1.535 trabalhadores do campo das artes visuais que atuam no Recife. Por pesquisa qualitativa, entenda-se a análise e aprofundamento de possíveis cenários sobre determinado assunto com um grupo específico. No caso [&#8230;]</p>
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<p>Sobreviver da arte é um desafio enfrentado por diversos artistas. Uma inédita pesquisa qualitativa deu contornos mais precisos do que significa esse desafio para 1.535 trabalhadores do campo das artes visuais que atuam no Recife. Por pesquisa qualitativa, entenda-se a análise e aprofundamento de possíveis cenários sobre determinado assunto com um grupo específico. No caso da <a href="https://dorso.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa “Dorso”</a>, realizada pela jornalista Nathália Sonatti, entre 2022 e 2023, participaram 30 profissionais de diversas áreas do setor. </p>



<p>A pesquisa identificou que, apesar do talento e competência, esses fazedores da cultura estão constantemente expostos a múltiplas funções, instabilidade e falta de recursos.O estudo partiu de uma metodologia com diferentes métodos de coletas, como entrevistas com agentes culturais do Recife, debates com profissionais das artes visuais e pesquisa histórica.</p>



<p>Quando questionados sobre como é trabalhar com artes visuais no Recife, as respostas que mais se repetem são frases como &#8220;muitos malabarismos e jornadas de trabalho para conseguir pagar as contas&#8221;, &#8220;muita gente termina adoecida, cansada, sem saúde mental&#8221;, &#8220;é trabalhar o tempo todo com instabilidade&#8221; e &#8220;tem que topar fazer de tudo um pouco&#8221;.</p>



<p>As respostas expressam a instabilidade da vida profissional dos artistas visuais e de quem trabalha em atividades dessa área, que convivem com a falta de direitos trabalhistas. &#8220;A maioria dos profissionais de artes visuais não consegue se aposentar por não trabalhar com carteira assinada; ou se aposenta apenas com um salário mínimo&#8221; e &#8220;Muitas vezes as pessoas que trabalham como MEI não têm acesso aos equipamentos necessários para realização do trabalho, como computadores e internet&#8221; foram outras respostas frequentes. </p>



<p>A inquietação de Nathália Sonatti para analisar as condições de trabalho com as artes visuais surgiu após anos de trabalho com o setor. Muitas questões problemáticas e poucas discussões que poderiam embasar estratégias para a melhoria das atividades, foram as principais motivações para chegar até a pesquisa. “A gente acaba tendo que condensar várias funções em poucos profissionais para poder fazer as coisas acontecerem, por causa dessa sobrecarga e das precarizações que existem no setor”, afirma a pesquisadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Longe das políticas públicas</h2>



<p>Quando se fala de políticas públicas e recursos direcionados às artes visuais na capital, poucas são as iniciativas governamentais ou legislativas para favorecer o setor. Da década de 1960 até 2013, por exemplo, foram mapeados apenas 35 ações, entre leis, decretos, conferências, nomeações, criação de movimentos e comissões, planos de orçamento e entre outros, disponibilizados no <a href="https://legis.alepe.pe.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Portal da Legislação Estadual de Pernambuco (Legis).</a></p>



<p>Se o recorte é feito para os últimos dez anos, mais precisamente entre 2013 e 2023, a pesquisa mostra que “não há disponível para consulta pública nenhum decreto ou lei que faça referência a cultura e artes visuais/plásticas no portal LEGIS”. Todas as informações sobre investimentos do setor neste período foram disponibilizadas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).</p>



<p>Quando o assunto é investimentos, a pesquisa aponta que para os editais &#8220;o olhar das bancas avaliadoras é um olhar burocrático. Muitas vezes, importa mais a formatação do documento enviado do que o conteúdo dos projetos&#8221; e &#8220;valores muito baixos e que não são reajustados há anos. Há projetos em que se trabalha 12 meses, mas se recebe o equivalente a cinco ou quatro e se continua trabalhando&#8221;. </p>



<p>Sobre mercado e instituições os artistas entrevistados responderam que &#8220;as instituições não estão preparadas para acolher produções e corpos dissidentes&#8221;, &#8220;Recife é um eixo econômico artístico fora do eixo econômico principal do país e não tem um mercado relevante de colecionadores de arte&#8221;, &#8220;ter alguma visibilidade não significa prosperidade financeira&#8221; e &#8220;apenas trabalhos legitimados por instituições reconhecidas são valorizados pelo mercado&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Evento com artistas plásticos recifenses. Crédito: Divulgação</p>
	                
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<p>Assim, o desenrolar dos trabalhos do setor se tornam, além de resistentes, independentes. O estudo revela que &#8220;se não se enquadra no cubo branco &#8211; a galeria, o museu -, se recorre à rua, às festas, à cena noturna&#8221;, &#8220;os equipamentos culturais não recebem verba suficiente para manter uma agenda própria. Para realizar ações nesses espaços, é preciso buscar financiamento de outro lugar (muitas vezes do próprio bolso)&#8221;  e &#8220;é preciso correr muito atrás para fazer um nome, fazer muita coisa de graça, pensar em muitos projetos e tentar financiá-los de alguma forma para conseguir fazer o campo girar, fazer as coisas acontecerem&#8221;.</p>



<p>“A gente configura trabalhar com a arte como uma estratégia muito grande de insistência, em uma tentativa de ter uma ação que acaba sendo extremamente multifacetada também em função dessa sobrevivência, uma vez que se torna um trabalho que, em boa parte das oportunidades, se encontra precarizado, acaba que as pessoas que trabalham com artes visuais lidam com o esgotamento e uma sobrecarga muito grande do que elas fazem”. Essas são as palavras do curador, educador e pesquisador Guilherme Moraes. Ele é um dos fundadores e atual editor da <a href="https://www.instagram.com/propagulo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Propágulo</a>, uma plataforma independente sobre artes visuais em Pernambuco que surgiu como uma revista semestral e agora coexiste com outras produções como livros, podcasts, exposições e outros conteúdos.</p>



<p>Foi constatado que não houve investimento específico para cada linguagem cultural aprovado no orçamento do Legislativo Municipal. A gestão da Prefeitura do Recife destaca que “na programação Municipal destinada às Artes Visuais/Artes Plásticas, normalmente são produzidas exposições de iniciativas da sociedade civil, as quais não envolvem repasse de valores por parte do Poder Público Municipal. Nesses casos ocorrem apenas a cessão do equipamento cultural e tais exposições, desta forma, são realizadas em parceria com os Órgãos Gestores de Cultura do Município”.</p>



<p>Ainda de acordo com as informações via LAI coletadas pela pesquisadora, destaca-se que nos últimos cinco anos, foram realizados investimentos de diferentes fontes, pois o orçamento destinado ao Setor das Artes Visuais/Artes Plásticas tem sido provenientes de parcerias, editais de fomento, patrocínios e do próprio Poder Público Municipal. Foram R$ 413.000,00 pela Lei Aldir Blanc; R$ 927.780,00 pela Prefeitura do Recife e R$ 1.910.599,19, para exposições e outras ações culturais tendo como fontes parcerias com outros agentes sociais.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Atuação coletiva x trabalho individual</h3>



<p>A coletividade é um outro ponto destacado por Nathália Sonatti. Para a pesquisadora, diferente da cadeia produtiva de setores como teatro e música, as artes visuais ainda são vistas numa perspectiva muito individual dos artistas, no entanto, existe uma cadeia produtiva envolvida para que o setor funcione.</p>



<p>“Existe essa demanda para conseguir transformar essas articulações do coletivo, da cadeia dos trabalhadores de artes visuais em estratégias para gerar proposições para cobrar o Estado e fazer as coisas acontecerem de formas mais institucionais e ver mudanças efetivas, com investimentos que envolvam todos, seja por editais ou outros incentivos”, conclui.</p>



<p>Entre todas as demandas, os profissionais participantes da pesquisa trazem à luz possíveis soluções para melhor a qualidade do trabalho. Para o setor público, a &#8220;construção de políticas públicas que de fato funcionem e que sejam proporcionais ao tamanho da cadeia de artes visuais, garantindo a participação de mais trabalhadores nas discussões e formações sobre a categoria&#8221;, além de &#8220;democratizar o acesso às artes visuais, aprofundando o contato com a área na educação de crianças e adolescentes e aumentando a oferta de cursos gratuitos para a população&#8221;. </p>



<p>Já no setor privado, os artistas afirmaram que &#8220;as instituições de artes, ao mesmo tempo que precisam de mais incentivo estatal, também devem atuar voltando esse incentivo à cadeia produtiva, principalmente com a inserção de mais pessoas jovens, negras e LGBTQIA+ nesses espaços&#8221;, consequentemente, &#8220;precisa perceber a potência &#8211; inclusive econômica &#8211; de investir em artistas emergentes, na capacitação e no intercâmbio dentro das artes visuais&#8221;. </p>



<p>Coletivamente, em uma auto organização, os trabalhadores identificaram que precisam &#8220;traçar estratégias para mobilizar e educar a sociedade civil em torno das demandas e potencialidades das artes visuais&#8221;, se articulando para &#8220;desconstruir a tradição elitista das artes visuais, é preciso uma articulação muito transparente entre os esforços do governo, das instituições privadas e da categoria&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Trinta artistas visuais participaram da pesquisa qualitativa. Crédito: Andréa Rego Barros/PCR</p>
	                
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<p></p>
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		<title>Pesquisa aponta impactos na biodiversidade quatro anos após vazamento de petróleo</title>
		<link>https://marcozero.org/pesquisa-aponta-impactos-na-biodiversidade-quatro-anos-apos-vazamento-de-petroleo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 17:26:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Alice Sales, do portal Eco Nordeste Após quatro anos desde o início do derramamento de petróleo cru no litoral brasileiro, um recente estudo do  Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), aponta uma série de impactos em espécies marinhas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Alice Sales, do portal <a href="https://agenciaeconordeste.com.br/pesquisa-revela-impactos-na-biodiversidade-quatro-anos-apos-vazamento-de-petroleo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eco Nordeste</a></strong></p>



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<p>Após quatro anos desde o início do derramamento de petróleo cru no litoral brasileiro, um recente estudo do  Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), aponta uma série de impactos em espécies marinhas já percebidos como consequência de um dos maiores crimes ambientais em mares tropicais. </p>



<p>A pesquisa, publicada no&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0141113623000648?via%3Dihub">periódico internacional&nbsp;<em>Marine Environmental Research</em></a>, revelou problemas como a ingestão de óleo, alterações nas proporções de sexo e tamanho, anormalidades em larvas e ovos, alterações comportamentais e aumento de mortalidade. Além disso, as consequências do desastre também ainda são sentidas pelas populações litorâneas. O estudo buscou detectar esses danos e apontar quais dados ainda são deficientes sobre o ocorrido nas áreas ambiental e científica.&nbsp;</p>



<p>Um dos dados apontados pelo estudo foi a extensão das áreas atingidas de cada ecossistema. Segundo a pesquisa, dez diferentes ecossistemas foram prejudicados pelo óleo, sendo os principais:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Estuários (4.929,74 km² de área atingida)</li><li>Florestas de mangue (489,83 km²)</li><li>Prados de ervas marinhas (324,77 km²)</li><li>Praias (185,30 km²)</li><li>Planícies de maré (63,64 km²),</li><li>Corais de águas profundas (45,95 km²)</li><li>Corais de águas rasas (9,69 km²)</li></ul>



<p>De acordo com o estudo, os recifes de corais estão entre os ecossistemas com menor extensão de áreas atingidas pelo óleo, contudo, foram os ambientes mais estudados e por isso, são regiões onde foram detectados mais impactos.</p>



<p>“Os recifes tiveram a menor área impactada, diferente dos estuários e manguezais, que tiveram mais quilômetros atingidos. Contudo, foram os ambientes mais estudados devido a sua relevância como o ecossistema marinho mais diverso e, por isso, onde foram detectados mais impactos. Isso pode se atribuir ao acesso mais fácil dos pesquisadores a esses ambientes”, explica o professor Marcelo Soares, do Labomar, um dos autores do artigo. Ele assina a publicação com a professora Emanuelle Fontenele Rabelo, pesquisadora na Ufersa.</p>



<p>O pesquisador também destaca que “por lógica, a gente imagina que quanto menos óleo recebeu, menos impacto há naquela área, só que o resultado é diferente disso. Depende muito do ambiente. As praias receberam mais óleo que os recifes, mas são constantemente lavadas pelas marés, ondas e correntes, assim como também foi mais fácil fazer a retirada desses óleo na areia da praia, com relação aos recifes”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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	                                        <p class="m-0">Mais de 5 mil toneladas de petróleo foram recolhidos no litoral, em 11 estados, do MA ao RJ. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Alteração na fauna</h2>



<p>A pesquisa também revelou dados mais minuciosos sobre o estado das espécies:&nbsp;alterações mutagênicas e morfológicas de espécies, contaminação por metais e hidrocarbonetos tóxicos, mudanças nas taxas de sobrevivência, diminuição na riqueza geral das espécies e aumento oportunista de organismos mais tolerantes a óleos.</p>



<p>Os dados também alertam para regiões prejudicadas que abrigam pelo menos 35 espécies ameaçadas de extinção, dentre eles elasmobrânquios (subclasse que inclui tubarões e raias), peixes, invertebrados, aves migratórios, tartarugas marinhas e mamíferos marinhos.</p>



<p>“Esse impacto do óleo soma-se a outros impactos que essas espécies estão sofrendo, como caça, pesca e destruição de habitat. Ainda não temos dados para estimar se houve redução da população dessas espécies”, alerta o pesquisador.</p>



<p>O trabalho dos pesquisadores também concluiu que a maior parte dos estudos que se dedicam especificamente sobre as espécies atingidas tiveram grande foco nos chamados organismos bentônicos, que vivem em associação com o fundo do ambiente aquático, de onde tiram seus recursos de alimentação.</p>



<p>“Quando o óleo chega a uma região, esses organismos bentônicos são os primeiros a sofrerem danos ecológicos. Assim, nosso estudo mostra efeito em diferentes organismos e diferentes ecossistemas, o que demonstra o impacto significativo desse crime ambiental contra o litoral brasileiro”, ressalta Marcelo Soares, ao explicar que observar esses organismos é importante porque eles costumam servir como bons indicadores de impactos ambientais.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Lacunas</h3>



<p>Embora já exista uma quantidade significativa de pesquisas que investigam o derramamento do petróleo cru e seus impactos, ainda há muitas perguntas sem respostas, principalmente quando se pensa em consequências que ainda serão observadas em longo prazo, já que é um desastre que ocorreu há um tempo considerado recente.&nbsp;</p>



<p>“Faltam estudos de médio e longo prazo, de 5 a 10 anos, para ver se as populações de animais se recuperaram. Além disso, outros ambientes precisam ser estudados (como recifes mais profundos e bancos de algas calcáreas) para se entender melhor os impactos. Estudos de contaminação nas cadeias alimentares também são necessários, bem como sua relação com a saúde humana”, lista o professor Marcelo Soares.</p>



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		<title>Pobres do Recife têm três vezes mais chances de pegar dengue do que ricos e classe média</title>
		<link>https://marcozero.org/pobres-do-recife-tem-tres-vezes-mais-chance-de-pegar-dengue-do-que-ricos-e-classe-media/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 19:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[arbovirose]]></category>
		<category><![CDATA[chikungunya]]></category>
		<category><![CDATA[dengue]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quanto menor a renda, mais fácil para um morador do Recife ser contaminado por uma arbovirose. A diferença da “força da infecção” chega a três vezes entre os moradores de um bairro rico e de um bairro pobre. Enquanto a grande maioria da população tem anticorpos contra algum dos quatro tipos de dengue, doença que [&#8230;]</p>
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<p>Quanto menor a renda, mais fácil para um morador do Recife ser contaminado por uma arbovirose. A diferença da “força da infecção” chega a três vezes entre os moradores de um bairro rico e de um bairro pobre. Enquanto a grande maioria da população tem anticorpos contra algum dos quatro tipos de dengue, doença que voltou a circular por aqui há mais de 25 anos, metade já teve zika, que teve seus primeiros casos no Recife há oito anos. As conclusões são de uma pesquisa sobre arboviroses na população recifense realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE).</p>



<p>“A diferença entre classes sociais é, na verdade, algo bem óbvio”, diz a pesquisadora Cynthia Braga, que liderou os estudos. As pesquisas foram realizadas em duas etapas com coletas em 2005/2006 e em 2018/2019. “A transmissão das arboviroses é muito alta em toda cidade, mas a maior intensidade de transmissão se dá nos ambientes mais pobres, nos bairros mais precários”, diz.</p>



<p>A Fiocruz-PE visitou residências em três áreas socioeconômicas e ambientais distintas de Recife. Nas duas fases foram recolhidas e analisadas amostras de sangue de apro dois mil indivíduos.</p>



<p>Na <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19896921/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeira pesquisa</a>, a soroprevalência da dengue &#8211; ou seja, a detectação de exposição prévia ao vírus &#8211; foi alta em todas as camadas sociais. Mas houve diferenças importantes: 74,3% dos moradores de áreas com melhores condições socioeconômicas &#8211; no estudo, os bairros de Casa Forte e Parnamirim &#8211; já haviam tido um dos quatro tipos de dengue. A pesquisa não fez diferenciação entre os quatro tipos. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-falta-para-a-vacina-contra-a-dengue-chegar-aos-postos-de-saude/" class="titulo">O que falta para a vacina contra a dengue chegar aos postos de saúde</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
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<p>Nos bairros mais pobres, esse percentual dá um salto para 91,1% &#8211; o bairro utilizado foi Brasília Teimosa. O bairro intermediário foi o Engenho do Meio, e, por lá, a soroprevalência ficou apenas um pouco menor do que no bairro mais pobre, com 87,4%. </p>



<p>A força da infecção, porém, é bem maior nos bairros de baixa renda. A pesquisa verificou que 59% das crianças já haviam sido expostas ao vírus da dengue aos 5 anos de idade. A estimativa da força de infecção foi três vezes maior do que na área privilegiada. O risco de infecção aumentou com a idade nas três áreas. “Nas áreas intermediárias e privilegiadas, as curvas de prevalência por idade atingiram platôs por volta dos 20 anos, sugerindo que, em vez de uma força constante de infecção, elas experimentaram picos de incidência em algum momento nos últimos 20 anos”, diz o artigo sobre a primeira pesquisa.</p>



<p>A segunda fase para o recolhimento de amostras ocorreu entre 2018 e 2019, já com um cenário em que duas novas arboviroses estavam circulando no Recife: a zika e a chikungunya, que foram o foco do estudo.</p>



<p>O artigo sobre a pesquisa está em <em>pré-prin</em>t, ou seja, ainda não foi revisado por pares, mas mostra um cenário preocupante: a primeira onda de chikungunya e zika foi um verdadeiro tsunami no Recife. Após a chegada dos vírus, em 2014/2015, cerca de 50% (zika) e 30% (chikungunya) da população do Recife apresentava marcadores de exposição a essas arboviroses, demonstrando a alta vulnerabilidade da população para as doenças transmitidas pelo mosquito <em>Aedes aegypti</em>.</p>



<p>Cynthia Braga conta que muitas vezes as três infecções são confundidas e quando está ocorrendo uma alta de casos de dengue, pode ser, na verdade, zika ou chikungunya. “Até o exame feito durante a infecção dá muita reação cruzada. A zika é muito difícil de diferenciar, porque nem sempre apresenta as manchinhas vermelhas. Às vezes é somente uma febre, uma moleza. Então, esse rastreamento posterior é importante para mostrar o tamanho dessa primeira onda de zika no Recife”, diz a pesquisadora.</p>



<p>Ela cita um outro estudo de rastreio de arboviroses, também realizado entre 2018/2019, mas feito somente com grávidas, em uma maternidade. “Surpreendentemente, a maior parte das infecções prévias era de Chikungunya e Zika. Praticamente não encontramos casos de dengue. O sistema de notificação diz que é dengue, mas muitas vezes é chikungunya ou zika. O diagnóstico só na clínica é muito difícil de diferenciar”, explica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Primeiro surto do zika vírus em Pernambuco provocou nascimento de crianças com microcefalia. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Acesso à água é um dos pilares da prevenção </strong></h2>



<p>Os altíssimos índices de soroprevalência não são por acaso: dois terços da população recifense vive em áreas de alto risco para arboviroses. “As cidades nordestinas têm condições ambientais favoráveis para as arboviroses: temperatura ideal e a falta de estrutura”, aponta Cynthia.</p>



<p>Ela cita a irregularidade no fornecimento de água como um dos principais fatores de risco, principalmente nas áreas mais pobres. “Sem ter água todo dia nas torneiras, as pessoas vão ter que acumular água em caixas d&#8217;água, tonéis, bacias. As arboviroses são uma consequência da falta de saneamento, da falta de estrutura urbana da cidade. Temos 60% da população vivendo em condições precárias. É sujeira, meio ambiente degradado, tudo isso favorece a proliferação dos mosquitos”, diz.</p>



<p>As infecções por zika e chikungunya, segundo o estudo mais recente, foram associadas a níveis educacionais mais baixos como indicador de desigualdades em saúde e um fator de risco independente para a infecção em quase todas as camadas socioeconômicas. Além disso, viver em uma casa, em vez de um apartamento, aumentou em três vezes o risco de exposição à infecção por chikungunya ou zika. “No Recife, nos bairros mais ricos as pessoas moram em edifícios, o que dificulta para o mosquito. E também há a super população das habitações nos bairros pobres”, diz a pesquisadora.</p>



<p>Para Cynthia Braga, a prevenção às arboviroses passa sim pelo desenvolvimento de vacinas e por novas tecnologias &#8211; como os <a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisador-fala-sobre-importancia-da-expansao-da-producao-de-mosquitos-com-wolbachia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mosquitos modificados</a> que estão sendo testados pela Fiocruz &#8211; mas a principal ferramenta de prevenção é o saneamento básico, com acesso universal à água encanada.</p>



<p>“Vacinas são importantes, mas não resolvem o problema. Outras arboviroses podem aparecer. Há dez anos, por exemplo, não tínhamos aqui nem zika, nem chikungunya. Então a gente roda e roda e volta para a questão da pobreza, da miséria, das condições de vida da população. É preciso se pensar a médio e longo prazo em termos de cidades saudáveis para todos. E a saúde tem que ser um tema transversal a todas as políticas urbanas. Não só para arboviroses, mas para tantas outras doenças que temos no Recife, como a leptospirose, tudo passa pelo saneamento, pelo acesso à água, pela limpeza, pela educação. Será que um país como o Brasil não tem condições de melhorar as vidas nas cidades?”, questiona.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Dengue em alta pelo Brasil</h3>



<p>Depois de um período com queda de casos &#8211; ou queda de notificações? &#8211; durante a pandemia, o número de casos de dengue têm voltado aos patamares “normais” ou até ultrapassando a média histórica.</p>



<p>O Brasil teve 1.016 mortes por dengue no ano passado, segundo o Ministério da Saúde. Foi o recorde de óbitos pela doença, ficando na frente de 2015, quando 986 mortes foram registradas. O que vem chamando a atenção de pesquisadores é que em lugares com climas mais amenos a dengue tem avançado. No ano passado, por exemplo, o Rio Grande do Sul registrou 66 óbitos pela doença, sendo o quinto estado com mais mortes. O centro-oeste é o que tem concentrado o maior número de casos, em 2023. </p>



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<p>Os meses entre janeiro até o final de junho são considerados a época de sazonalidade das arboviroses. Mas essa sazonalidade está cada vez mais difícil de se perceber, com a doença ocorrendo ao longo de todo o ano.</p>



<p>“Antes, quando circulava só dengue, havia uma sazonalidade mais definida. Após o período das chuvas é que circulava mais, mas como temos a circulação de três vírus distintos, não conseguimos enxergar muito essa sazonalidade. Nos últimos anos, tem realmente sido nos primeiros meses do ano. Mas em geral o vírus circula permanentemente. Quando o sistema de informação identifica o aumento de casos, o vírus já está circulando na população com intensidade. O sistema detecta tardiamente, cerca de um mês depois”, diz Cynthia.</p>



<p>O boletim epidemiológico mais recente de Pernambuco aponta 6.539 casos suspeitos de dengue, 1.721 de chikungunya e 270 de Zika. Não houve nenhuma confirmação de óbito para dengue, nem zika, mas foram confirmadas duas mortes por chikungunya.</p>



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		<title>Coletivo Enegrecer a Política lança dossiê sobre como vota o eleitorado do Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/coletivo-enegrecer-a-politica-lanca-dossie-sobre-como-vota-o-eleitorado-do-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Mar 2023 10:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2022]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que pensa o eleitorado sobre a participação de pessoas negras na política? É para dar um horizonte para esse e outros questionamentos que o coletivo de movimentos Enegrecer a Política lança, nesta quinta-feira (30), o dossiê Como você vota &#8211; Análise do comportamento eleitoral do Norte e Nordeste. O evento acontece a partir das [&#8230;]</p>
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<p>O que pensa o eleitorado sobre a participação de pessoas negras na política? É para dar um horizonte para esse e outros questionamentos que o coletivo de movimentos Enegrecer a Política lança, nesta quinta-feira (30), o dossiê <em>Como você vota &#8211; Análise do comportamento eleitoral do Norte e Nordeste</em>. O evento acontece a partir das 19h na sede do coletivo Caranguejo Uçá, na Ilha de Deus, na Imbiribeira. Também vai ter<a href="https://www.youtube.com/@EnegreceraPolitica" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> transmissão online pelo YouTube</a>.</p>



<p>Este é o terceiro dossiê lançado pelo Enegrecer a Política que explora a participação negra na política institucional. Os outros dois foram realizados em 2020 e 2021, analisando as candidaturas de pessoas negras nas eleições de 2016 e 2020.</p>



<p>“Nestes dois primeiros dossiês, vimos que muitas pessoas negras estavam se candidatando. Então nesta terceira pesquisa fomos atrás de outra perspectiva: se tem tantas candidaturas negras, comprometidas com a defesa dos direitos humanos, por que elas não estão sendo eleitas? Essa terceira pesquisa focou no comportamento do eleitorado”, conta Marília Gomes,co-fundadora do Observatório Feminista do Nordeste e coordenadora de pesquisa do Enegrecer a Política.</p>



<p>Para elaborar o dossiê, o coletivo fez pesquisas quantitativas e qualitativas em três capitais brasileiras: Belém (PA), Fortaleza (CE) e aqui no Recife. A primeira etapa da pesquisa contou com a formulação e aplicação de 100 questionários por cidade em espaços públicos e centrais. A segunda etapa da pesquisa foi feita com três grupos focais, para aprofundar os dados coletados na etapa inicial. No Recife, o grupo focal contou com a participação de 11 pessoas, de perfis diversos. </p>



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<p>A pesquisa traz achados interessantes sobre o eleitorado recifense. Quando perguntado sobre o espectro político, por exemplo, a maioria, nas três capitais, optou por não responder. Recife foi a cidade com maior percentual de pessoas que não quiseram responder a pergunta (56%) e a menor com pessoas que disseram de esquerda, com 21% <em>(veja gráfico abaixo)</em>. Mas entre as três cidades pesquisadas, Recife foi a com o maior número de pessoas que declararam já ter votado em pessoas negras (69%).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Representatividade sim, mas com comprometimento </h2>



<p>Entre os deputados estaduais eleitos em 2022 em Pernambuco, há políticos conservadores de direita como Joel da Harpa (PL), William Brígido (Republicanos) e Cleiton Collins (PP) que se autodeclaram pretos ou pardos.</p>



<p>Porém, é uma representatividade que não está atrelada à luta antirracista, destaca Marília. “Mesmo que no documento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se declarem como negros, são pessoas que não defendem a pauta de defesa dos direitos humanos nem se posicionam como antirracistas”, afirma Marília Gomes.Na eleição passada, houve uma vitória: duas mulheres negras, militantes dos direitos humanos foram eleitas para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe): Dani Portela (PSOL) e Rosa Amorim (PT). <br><br>Na pesquisa qualitativa, com um grupo focal de 11 pessoas no Recife, as imagens de mulheres negras pontuaram alto em quesitos como credibilidade e competência. “Foi uma opinião unânime: as mulheres negras inspiram confiança e demonstram força. O principal motivo que os eleitores apontaram para não votar nessas candidaturas foi o desconhecimento da existência delas”, diz a coordenadora da pesquisa.</p>



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	                                        <p class="m-0">Marília Gomes. Foto: Thiago Paixão/ Divulgação</p>
	                
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<p>O conjunto dos três dossiês revela que as candidaturas de pessoas negras, especialmente de mulheres negras, têm aumentado, mas falta investimento. “O que vimos nesta pesquisa de agora é que as pessoas têm interesse e se sentem motivadas para votar em pessoas negras, mas ao mesmo tempo não sabem que essas candidaturas existem”, avalia Marília. “As iniciativas e candidaturas negras, de esquerda, não estão conseguindo chegar a esse eleitorado. É o que já intuíamos: são candidaturas que estão em uma bolha ainda muito restrita de pessoas que estão a par da política, com nível universitário, com conhecimento de movimentos sociais. Temos um cenário propício para que mais mulheres negras sejam opção de voto e é preciso furar essa bolha”, diz.</p>



<p>E para uma candidatura se tornar conhecida é necessário, principalmente, investimento. “Sem dinheiro não tem como percorrer as periferias, pagar gasolina, contratar uma boa equipe de comunicação, rodar panfletos. E as candidaturas negras recebem menos. Principalmente as mulheres negras”, diz Marília, que aponta uma solução. “O que é primordial hoje é fazer com que os partidos políticos cumpram de fato as leis de cotas da distribuição do fundo eleitoral e repassem os recursos em tempo hábil para que as candidaturas possam fazer uma boa campanha. Há muitos relatos de promessa de partidos e repasses que são só feitos às vésperas da eleição. Falta comprometimento dos partidos”, afirma.</p>



<p>Um trabalho importante, frisa Marília, e que também precisa de mais apoio, são as iniciativas que apoiam e divulgam as candidaturas de pessoas negras. Entre elas estão as plataformas <a href="http://euvotoemnegra.com.br/">Eu Voto em Negra</a> e <a href="https://mulheresnegrasdecidem.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mulheres Negras Decidem</a> e o <a href="https://www.institutomariellefranco.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Marielle Franco</a>.</p>



<p><strong>Serviço:</strong><br>Lançamento da pesquisa: <em>Como vota o eleitorado no Norte e no Nordeste</em><br><strong>Quando:</strong> Quinta-feira (30), das 19h às 21h<br><strong>Onde: </strong>Sede do Ação Comunitária Caranguejo Uçá &#8211; Rua São Geraldo, 96 &#8211; Ilha de Deus/ Imbiribeira, Recife-Pernambuco.</p>



<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Imagem: Enegrecer a Política/ Reprodução</p>
	                
                                    </figcaption>
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		<title>Instituto Butantan procura voluntários para teste da nova vacina da gripe no Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/instituto-butantan-procura-voluntarios-para-teste-da-nova-vacina-da-gripe-no-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Mar 2023 18:19:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Butantan]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[FioCruz]]></category>
		<category><![CDATA[gripe]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital Português]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Instituto Butantan precisa da ajuda dos pernambucanos para implementar uma vacina mais eficaz contra a gripe. Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece para a população a vacina trivalente, que protege contra três cepas do vírus influenza, causador da gripe. Mas é possível comprar em clínicas privadas a vacina tetravalente, mais completa, já [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Instituto Butantan precisa da ajuda dos pernambucanos para implementar uma vacina mais eficaz contra a gripe. Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece para a população a vacina trivalente, que protege contra três cepas do vírus influenza, causador da gripe. Mas é possível comprar em clínicas privadas a vacina tetravalente, mais completa, já que é eficaz contra quatro cepas. É para levar também para o SUS uma vacina tetravalente que foram reabertos os testes aqui no Recife.</p>



<p>Para essa nova etapa, estão sendo aceitos como voluntários crianças e adolescentes entre 3 e 17 anos (que devem ser levados pelos pais ou responsáveis) e idosos com idade maior ou igual a 60 anos. Todos os participantes irão receber uma vacina da gripe: a maioria vai receber a nova formulação tetravalente e os demais a vacina trivalente que já é aplicada no SUS. Ou seja, nenhum voluntário vai receber placebo (substância sem efeito) e todos estarão de certa forma protegidos contra a gripe. Todas são vacinas atualizadas, com proteção contra a cepa Darwin, que causou o <a href="https://marcozero.org/em-meio-a-apagao-de-dados-veja-o-que-voce-precisa-saber-sobre-os-novos-surtos-do-virus-da-gripe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">surto no final de 2021 e começo de 2022</a>.</p>



<p>O estudo da vacina tetravalente deveria ter ficado pronto no ano passado, mas não conseguiu voluntários suficientes entre crianças e idosos. Isso porque os protocolos da pesquisa só permitiam a participação de crianças que nunca haviam se vacinado na vida e de idosos que não haviam sido vacinados ainda naquele ano.</p>



<p>“A possibilidade de se encontrar uma criança, desta faixa etária, nunca vacinada contra a gripe é muito remota, e por este motivo essa faixa etária não foi preenchida. No outro extremo, a faixa etária de 60 anos também não foi completamente preenchida, pois a maioria desta população já estava vacinada (por ser grupo prioritário) e pelo fato da campanha de vacinação contra a gripe já estar bem avançada em 2021, quando iniciamos o estudo”, explica o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco (Fiocruz-PE) Rafael Dhalia, que é um dos coordenadores do estudo da nova vacina da gripe.</p>



<p>Os novos protocolos, aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), agora permitem uma participação mais ampla de voluntários. Só não podem participar pessoas que já tomaram a vacina da gripe em 2023, pessoas com doenças crônicas não controladas; pessoas que fazem uso de medicamento imunossupressor; alérgicos a ovo; e grávidas ou pessoas que têm intenção de engravidar.</p>



<p>O objetivo do estudo é conseguir dois mil voluntários em quatro meses de recrutamento. Quem participar será acompanhado até o fim da pesquisa por uma equipe multidisciplinar formada por médicos, farmacêuticos e biomédicos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Quem quiser ser voluntário e colaborar para que a vacina tetravalente chegue mais rapidamente ao SUS, deve ligar a partir desta sexta-feira (17) para o número (81) 3416-7967 ou enviar uma mensagem para os WhatsApps: (81) 99476-2173 (81) 99487-6755 (81) ou 998951-7781 para marcar a vacinação. Além do Butantan e da Fiocruz, são parceiros da pesquisa o Instituto Autoimune de Pesquisa e Educação Continuada e o Real Hospital Português, onde é feita a vacinação. Também é possível se inscrever pelo site: <a href="https://materiais.institutoautoimune.com.br/vacina-influenza" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://materiais.institutoautoimune.com.br/vacina-influenza</a></p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Três perguntas para Rafael Dhalia, coordenador da pesquisa</strong></h3>



<p><strong>Quais as vantagens de se participar de um estudo como esse, que não usa placebo?<br></strong>A grande vantagem é que além de ter uma chance quatro vezes maior de tomar a vacina Tetravalente da Gripe, que hoje só está disponível na rede privada, todos os voluntários serão acompanhados por uma equipe multidisciplinar especializada formada por médicos, enfermeiras e farmacêuticos. Outra vantagem é que como não tem placebo, todos serão vacinados contra a gripe.</p>



<p><strong>Quando o estudo deve ser concluído e qual a previsão para essa vacina chegar no SUS?<br></strong>A previsão da vacina era já entrar no SUS em 2023, mas como o estudo teve de ser reaberto para concluir as faixas etárias não completamente preenchidas em 2021, acreditamos que conseguiremos concluir o estudo em 2023 e que a vacina Tetravalente da Gripe do Instituto Butantan chegue ao SUS em 2025.</p>



<p><strong>Por que é importante que o SUS tenha uma vacina tetravalente contra a gripe?<br></strong>As duas vacinas disponíveis no SUS, também produzidas pelo Instituto Butantan, são trivalentes: possuem duas cepas de Influenza A (H1N1 e H3N2) e uma cepa de Influenza B (que pode ser a Victoria ou a Yamagata). Todos os anos é feita uma vigilância de prevalência da dispersão das cepas virais de Influenza B, para identificar qual está mais prevalente no mundo. A mais prevalente é escolhida para fazer parte da formulação da vacina trivalente do ano seguinte. O problema é que nos últimos anos aumentou bastante a prevalência de ambas as cepas de Influenza B, fazendo-se necessário incluir as duas cepas (tanto a Victoria como a Yamagata) para aumentar a eficiência da vacina contra a gripe. Resumindo: a vacina tetravalente é importante para que o SUS ofereça para a população uma vacina ainda mais eficaz, que as vacinas trivalentes já disponíveis.</p>



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		<title>Acervo de imagens mostra que luta contra violência é bandeira histórica das mulheres em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/imagens-mostram-que-luta-contra-violencia-e-bandeira-historica-das-mulheres-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 19:09:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8 de março]]></category>
		<category><![CDATA[exposição]]></category>
		<category><![CDATA[Fórum de Mulheres de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[movimento feminista]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No mês que celebra a luta pelos direitos das mulheres do planeta, pesquisadores e integrantes do Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE) lançam, nesta sexta-feira, 10 de março, a publicação FMPE: Imagens de Luta, em que a história do movimento feminista no estado é contada em imagens. O material é composto por um livreto, 22 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No mês que celebra a luta pelos direitos das mulheres do planeta, pesquisadores e integrantes do Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE) lançam, nesta sexta-feira, 10 de março, a publicação <em>FMPE: Imagens de Luta</em>, em que a história do movimento feminista no estado é contada em imagens. O material é composto por um livreto, 22 cartões-postais com registros fotográficos de atos políticos realizados por mulheres do Fórum e um cartaz, que serão distribuídos gratuitamente ao público. O lançamento acontece na sede do SOS Corpo, no bairro da Madalena, às 18h. </p>



<p>A publicação é resultado da pesquisa Rastros e Levantes em Pernambuco, de autoria dos pesquisadores Marcela Lins e Guilherme Benzaquem, e foi realizada com incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). Durante o desenvolvimento da pesquisa, os autores decidiram dialogar com os movimentos sociais para resgatar memórias da história de luta das mulheres e iniciaram um processo de imersão no acervo do Fórum de Mulheres de Pernambuco. </p>



<p>“É muito simbólico estarmos lançando essa publicação na semana em que é comemorado o Dia da Mulher porque um dos objetivos desse projeto é rememorar a luta de emancipação das mulheres, que buscam, há anos, criar uma sociedade mais igualitária e justa. É muito importante também poder homenagear a história do Fórum de Mulheres de Pernambuco, um movimento que nasceu no período da redemocratização e segue firme até hoje”, afirmou Marcela Lins. </p>



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	                                        <p class="m-0">As imagens selecionadas retratam os atos políticos e de formação. Crédito: Acervo do FMPE. </p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A seleção das imagens que compõem a publicação, e que serão reproduzidas e distribuídas em formato de cartões postais, foi feita coletivamente a partir de uma oficina de memória realizada pelo FMPE em 2022. O grupo elegeu como prioridade no processo de seleção a representação das mulheres em coletividade, participando de manifestações públicas reivindicatórias e em atividades de organização e formação.</p>



<p>Algumas das imagens escolhidas foram registradas nas mobilizações do 8M que ocorreram entre 1989 e 1991 e integram o acervo fotográfico do Fórum das Mulheres de Pernambuco, entidade protagonista na luta pelos direitos sociais, econômicos, políticos e reprodutivos.</p>



<p>No processo de edição, Marcela Lins e Guilherme Benzaquen contaram com a parceria da comissão de Memória do FMPE, coautores da pesquisa iconográfica e editorial, e a orientação da pesquisadora Fabiana Bruce. A publicação foi impressa na Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) com 200 exemplares que serão distribuídos ao público interessado, movimentos sociais e instituições públicas. </p>



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	                                        <p class="m-0">Imagem presente na publicação FMPE &#8211; Imagens de Luta. Crédito: Acervo FMPE</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<ul class="wp-block-list"><li><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></li></ul>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>
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		<title>Justiça Federal autoriza mais uma ONG pernambucana a plantar maconha e produzir óleo de cannabis</title>
		<link>https://marcozero.org/justica-federal-autoriza-mais-uma-ong-pernambucana-a-plantar-maconha-e-produzir-oleo-de-cannabis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Mar 2023 15:55:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cannabis sativa]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça Federal]]></category>
		<category><![CDATA[maconha]]></category>
		<category><![CDATA[óleo de cannabis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Justiça Federal autorizou a segunda organização não governamental pernambucana, a Aliança Medicinal, a cultivar a planta da maconha e a produzir óleo de cannabis para uso medicinal. A decisão foi tomada pela desembargadora Joana Carolina Lins Pereira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), a mesma que , em novembro de 2021, quando [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Justiça Federal autorizou a segunda organização não governamental pernambucana, a Aliança Medicinal, a cultivar a planta da maconha e a produzir óleo de cannabis para uso medicinal. A decisão foi tomada pela desembargadora Joana Carolina Lins Pereira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), a mesma que , em <a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2021/11/17/justica-federal-autoriza-associacao-do-recife-a-plantar-e-cultivar-cannabis-para-uso-medicinal.ghtml">novembro de 2021</a>, quando ainda era juíza titular da 12ª Vara da Justiça Federal, concedeu este direito à outra entidade de Pernambuco, a <a href="https://ammemedicinal.org/">AMME</a>.</p>



<p>Com essa decisão, a desembargadora revogou decisão anterior, em primeira instância, da 7ª Vara da Justiça Federal de Pernambuco que havia negado a tutela de urgência para a Aliança Medicinal. Com isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde estão obrigadas a emitir as licenças para “o cultivo, manipulação, preparo, produção, armazenamento, transporte, dispensa, importação e pesquisa da <em>Cannabis sativa</em> para fins exclusivamente medicinais”.</p>



<p>A Anvisa vinha negando a autorização alegando que a legislação brasileira não regulamenta a atividade e que os tratados internacionais assinados pelo Brasil impedem a liberação do plantio de Cannabis sativa. Em seu despacho, a desembargadora Joana Carolina desmonta a argumentação dos representantes da Anvisa.</p>



<p>Ainda sob o governo Bolsonaro, os advogados da agência federal recorreram a meias verdades e até a informações falsas para justificar o fato de sequer ter analisado os pedidos da Aliança Medicinal. O argumento de que a Convenção das Nações Unidas sobre entorpecentes proibia o cultivo da planta foi facilmente derrubado, pois, no final de 2020, a ONU retirou a maconha da lista de drogas de alta periculosidade do documento da Convenção.</p>



<p>A desembargadora decidiu que o fato de não existir regulamentação legal para o uso medicinal não significa que ele esteja proibido: “os associados, que dependem da substância &#8211; estão a ser prejudicados pela omissão do Poder Público em disciplinar e regulamentar a temática”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tratamento para 1.400 pessoas</strong></h2>



<p>A autorização judicial beneficiará diretamente 1.400 associados que recorrem ao uso do óleo de cannabis para tratamento de doenças como epilepsia, fibromialgia, transtorno do espectro autista, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, câncer, paralisia cerebral, síndromes convulsivas, síndrome do pânico, ataxia cerebelar ou esclerose. De acordo com o diretor-técnico da associação, o agrônomo Ricardo Hazin Asfora, o tratamento com óleo importado pode custar aos pacientes até R$ 2 mil todos os meses nos casos mais graves, mas a autorização garantirá a redução do custo para até 20% desse valor. </p>



<p>“Há outra coisa importantíssima: o óleo fabricado pelas organizações garante a profissionalização e a continuidade das pesquisas científicas, pois, sem isso, os médicos e pesquisadores não teriam acesso aos insumos necessários para estudar as substâncias”, explica Asfora, um dos fundadores da Aliança junto com sua esposa e com a ativista Hélia Lacerda. </p>



<p>O termo de cooperação técnica assinado entre a entidade e a Universidade Federal de Pernambuco foi mencionado pela desembargadora como motivo para justificar a autorização. A estrutura dos laboratórios e de segurança da Aliança, em Olinda, também foi usada como referência pela magistrada. “Um dos nossos objetivos é auxiliar a formação de profissionais de saúde e de pesquisadores interessados em trabalhar com a <em>Cannabis sativa</em>, pois esse conhecimento ainda não está disponível nas universidades”, afirma Asfora.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ricardo Asfora quer ONG profissionalizando a pesquisa da maconha. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>
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		<item>
		<title>Em resposta às ameaças do governo Bolsonaro, candidaturas indígenas crescem 32%</title>
		<link>https://marcozero.org/em-resposta-as-ameacas-do-governo-bolsonaro-candidaturas-indigenas-crescem-32/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 11:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[#eleições2022]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As candidaturas indígenas no Brasil tiveram um aumento de 32% em relação a 2018, mostra uma pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) em parceria com o coletivo Common Data. Do total de 27.951 candidaturas registradas para as eleições deste ano, 172 pessoas se autodeclaram indígenas no Brasil. Numericamente, são 42 candidaturas a mais que [&#8230;]</p>
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<p>As candidaturas indígenas no Brasil tiveram um aumento de 32% em relação a 2018, mostra uma pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) em parceria com o coletivo Common Data. Do total de 27.951 candidaturas registradas para as eleições deste ano, 172 pessoas se autodeclaram indígenas no Brasil. Numericamente, são 42 candidaturas a mais que em 2018.</p>



<p>Considerando a proporção de indígenas entre todas as candidaturas, houve um aumento de 0,47% para 0,62%. Parece pouco, mas é um aumento significativo porque mostra que os indígenas estão com representação porporcional à população nessas eleições. No censo de 2010, o IBGE indicou que 896.917 indígenas vivem no Brasil, equivalente a 0,5% da população brasileira.</p>



<p>Essa representação, porém, não acontece em todas as regiões do Brasil. As candidaturas estão concentradas na região Norte (41,86%) seguido por Nordeste (20,34%), Sudeste (19,18%), Centro-Oeste (11,04%) e Sul (8,72%) . Ainda segundo o Censo de 2010, dos 896.917 indígenas que vivem no Brasil, 342.836 estão na região Norte (38,22%); 232.739 (25,94%) no Nordeste; 143.432 no Centro-Oeste (15,99%); 99.137 no Sudeste (11,05%) e 78.773 no Sul (8,78%), o que revela como a população indígena principalmente no Nordeste e no Centro-Oeste ainda segue sub representada em termos de candidaturas.</p>



<p>Em relação aos estados, o destaque é para Roraima, com 27 candidaturas, e Amazonas, com 18. Pernambuco tem 8 candidatos e candidatas autodeclarados indígenas, o maior número do Nordeste. Alagoas e Goiás aparecem no estudo negativamente como os estados com menor número de candidaturas indígenas, apenas uma em cada estado.</p>



<p>Para o coordenador executivo da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santo (Apoinme), Sarapó Pankararu, os quase quatro anos de governo Bolsonaro, e de ataques à causa indígena, foram um alerta. &#8220;Percebemos a necessidade da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e da Apoinme de dialogar para que a gente pudesse colocar nomes nossos na politica, para buscar esses espaços de poder e de representação. Para que possamos ter a nossa voz dentro do congresso e das assembleias legislativas&#8221;, afirmou, em entrevista à Marco Zero. &#8220;Um exemplo muito claro de perseguição que nós indígenas sofremos é o caso do cacique Marcos Xucuru, que foi eleito em Pesqueira e foi perseguido desde sempre, não podendo assumir a prefeitura&#8221;, disse.</p>



<p>No começo deste mês, o <a href="https://marcozero.org/tse-confirma-inelegibilidade-do-cacique-marcos-xukuru-e-determina-novas-eleicoes-em-pesqueira-pe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TSE confirmou a inelegibilidade do cacique Marcos Xukuru e determinou novas eleições em Pesqueira (PE)</a>. Ele foi impedido de assumir o cargo por conta de uma condenação de 2015 na Justiça Federal por crime contra o patrimônio privado, no incêndio de uma residência particular em 2003, depois de ele ter sofrido um atentado e quase ter sido morto em um dos episódios da histórica disputa por terras no território indígena.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mobilização contra Marco Temporal em Brasília nos meses de abril e maio de 2022. Crédito: Hellen Loures/Cimi</p>
	                
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<p>Nestas eleições, o movimento indígena em Pernambuco fez uma articulação forte para uma candidatura coletiva com representantes, incluindo dois caciques, de cinco etnias: atikum, fulni-ô, pankararu, kambiwa e truká. A candidatura se chama <a href="https://www.instagram.com/coletivo_indigenape/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Indígena de Pernambuco</a>, é para a Assembleia Legislativa e sai pelo partido Rede Sustentabilidade. &#8220;É a forma que estamos vendo de conseguir espaço, de ter garantia de fala e de que vai ter alguém como nós, que sente as mesmas dores. Temos pensado que nós mesmos temos que estar nos espaços de diálogo, de poder, onde se decide as coisas. Aqui em Pernambuco a Assembleia Legislativa é um local que decide a política do nosso estado e a gente precisa estar lá, sendo nós mesmos os protagonistas da nossa história&#8221; diz Sarapó.</p>



<p>É nas assembleias estaduais que se encontram o maior número de candidaturas indígenas, segundo a pesquisa Inesc/Common Data. Quase 60% (59,88%) são para deputado(a) estadual e 31,97% para federal (31,97%). O número de indígenas é mínimo ou inexistente para cargos majoritários: não há nenhum candidato ou candidata para a presidência, apenas uma vice-presidente, duas candidaturas ao senado e duas a um governo estadual, com quatro candidaturas à vice-governador(a).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Maioria escolheu partidos de esquerda</h2>



<p>A pesquisa na base da dados do TSE também mostrou que das 172 candidaturas de pessoas indígenas, 98 estão concentradas em partidos de esquerda (56,97%). Com 24 candidaturas, o PSOL ocupa o primeiro lugar entre os partidos, seguido do PT (22). O PCB e o Unidade Popular, no campo da esquerda, são os partidos com menos indígenas entre os candidatos, ambos com apenas uma candidatura. Os partidos de centro lançaram 19 candidaturas indígenas (11,04%), concentradas no PROS, que lançou 06 candidatos e candidatas. Já na direita, foram 55 candidaturas indígenas (31,97%), com destaque para o PL, partido do presidente Bolsonaro, com 11 nomes.</p>



<p>Ainda que os homens sejam a maioria, a equidade fica a poucos percentuais: são 82 (47,67%) mulheres candidatas e 90 (52,32%) homens candidatos. É um percentual de mulheres bem acima do total de candidaturas, onde as mulheres correspondem a apenas 33,5% das candidaturas.</p>



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<p>Há, porém, um fator observado na pesquisa: o maior percentual de suplentes e vices é de mulheres indígenas. São 6 mulheres (ou 7,41%) na condição de suplente ou vice. &#8220;É um percentual muito maior do que encontrado em outros estratos de gênero/raça: a média, geral de suplentes em relação a raça é de 2,45%. Essa discrepância entre a média de suplentes/vice mulheres indígenas e a média de suplentes/vice geral possibilita a leitura que a candidatura de mulheres indígenas ainda não são prioridade dos partidos&#8221;, diz trecho da nota técnica do Ines/Common Data.</p>



<p>O estudo destaca também que duas candidatas indígenas ao Congresso Nacional utilizaram nas suas candidaturas o seu nome social. São candidaturas ideologicamente opostas: a tenente Silvia Waiapi (PL), do Amapá, é apoiadora de Bolsonaro, e Indinarae Siquieira (PT), do Rio de Janeiro, é uma ativista da causa trans.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> página de doação</a><em> ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado.</strong></cite></blockquote>
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		<title>Universidade e rede de jornalismo independente do NE lançam pesquisa inédita e aplicativo curador de conteúdo para cegos</title>
		<link>https://marcozero.org/universidade-e-rede-de-jornalismo-independente-do-ne-lancam-pesquisa-inedita-e-aplicativo-curador-de-conteudo-para-cegos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Apr 2022 14:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Projeto vencedor do desafio de inovação do Google revela estudo sobre (falta de) acessibilidade em sites jornalísticos e lança aplicativo de conteúdo de qualidade totalmente acessível Como as pessoas cegas e com baixa visão consomem jornalismo? E como melhorar o acesso à informação de qualidade para um grupo que encontra sérias dificuldades para navegar em [&#8230;]</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>Projeto vencedor do desafio de inovação do Google revela estudo sobre (falta de) acessibilidade em sites jornalísticos e lança aplicativo de conteúdo de qualidade totalmente acessível</em></p>



<p>Como as pessoas cegas e com baixa visão consomem jornalismo? E como melhorar o acesso à informação de qualidade para um grupo que encontra sérias dificuldades para navegar em sites que não atendem a critérios básicos de acessibilidade previstos em lei e em protocolos internacionais ? Destas questões nasceu o projeto <strong><em>&#8220;Acessibilidade jornalística &#8211; um problema que ninguém vê&#8221;</em></strong>, que mergulhou em uma ampla pesquisa para entender o consumo e a oferta de notícias por esta população estimada em 6,5 milhões de pessoas no Brasil.</p>



<p>Os resultados do estudo coordenado pela Marco Zero Conteúdo e pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) foram utilizados não apenas para qualificar o debate sobre inclusão e diversidade no jornalismo, mas para criar o aplicativo <a href="https://play.google.com/store/apps/details?id=com.lume.app" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Lume</strong></a>, que oferece conteúdo acessível e de qualidade produzido por nove organizações de jornalismo independente do Nordeste. Os resultados da pesquisa e o app estão sendo lançados nesta segunda-feira (11) como parte dos resultados de um projeto financiado pelo desafio de inovação do Google News Initiative (GNI), que premiou oito projetos brasileiros na sua edição do ano passado.</p>



<p>O projeto teve início em agosto de 2021 com a pesquisa que buscou entender como as pessoas cegas e de baixa visão se mantêm informadas e como os sites jornalísticos nacionais tratam a acessibilidade em suas páginas. “Em linhas gerais, os resultados indicam um nível muito baixo de conhecimento e de iniciativas por parte dos jornalistas sobre o tema, apesar de saberem da importância de ações que aumentem a inclusão no consumo de jornalismo sério e de interesse público em um cenário caótico de desinformação no qual o Brasil está mergulhado. Na outra ponta, há um grupo de pessoas que demonstra familiaridade com o universo digital mas têm dificuldades em encontrar informação de qualidade disponível de forma mais acessível”, resume Carolina Monteiro, coordenadora geral do projeto, diretora da Escola de Comunicação da Unicap e jornalista da Marco Zero.</p>



<p>Foram realizadas entrevistas em profundidade com 17 pessoas que apresentam diferentes níveis de cegueira ou baixa visão em várias regiões do Brasil e responderam sobre como se sentem em relação à inclusão e à representatividade nos conteúdos jornalísticos de sites e redes sociais, a relação com as fake news e a desinformação e também como lidam com este tipo de conteúdo. Em paralelo, um questionário online foi respondido por 53 organizações jornalísticas brasileiras para entender a relação dessas redações com os protocolos de acessibilidade e se esta forma de inclusão era uma questão para os veículos na hora de pensar, produzir e distribuir seus conteúdos.&nbsp;</p>



<p>De acordo com essa pesquisa, 71,7% dos jornalistas indicaram que têm pouco ou nenhum conhecimento sobre técnicas de acessibilidade para deficientes visuais e que este grupo não é destinatário de pautas e reportagens em 90,6% dos conteúdos produzidos. Somente 37,7% dos jornalistas que responderam aos formulários já contribuíram com reportagens adaptadas a pessoas cegas ou com baixa visão e quase a totalidade das organizações (98,1%) não contam com pessoas com este tipo de deficiência em suas equipes.&nbsp;</p>



<p>Ainda no âmbito da pesquisa, dois consultores cegos fizeram testes de acessibilidade nos sites das organizações que compõem o projeto &#8211; Marco Zero&nbsp; Conteúdo (www.marcozero.org), Olhos Jornalismo (<a href="https://olhosjornalismo.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://olhosjornalismo.com.br</a>/), Agência Saiba Mais (<a href="https://www.saibamais.jor.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.saibamais.jor.br</a>), Agência Diadorim (<a href="https://www.adiadorim.org" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.adiadorim.org</a>/), Newsletter Cajueira (<a href="http://cajueira.substack.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cajueira.substack.com</a>), Eco Nordeste (<a href="https://agenciaeconordeste.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://agenciaeconordeste.com.br</a>/), Agência Retruco (<a href="https://www.retruco.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.retruco.com.br</a>/), Revista Afirmativa (<a href="https://revistaafirmativa.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://revistaafirmativa.com.br</a>/) e Mídia Caeté (<a href="https://midiacaete.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://midiacaete.com.br</a><a href="https://midiacaete.com.br/">/</a>) e, também, nos 12 sites jornalísticos de maior audiência no Brasil, de acordo com o Digital News Report 2021, da Reuters Institute. O objetivo foi medir a acessibilidade desses sites e criar um ranking a partir dos resultados.&nbsp;</p>



<p>Para verificar os 21 endereços, o publicitário Michel Platini e a consultora em acessibilidade Bruna Alves utilizaram uma lista com 13 pontos indicados pela Cartilha de acessibilidade na web da W3C, organização internacional de padrões na internet. Os pontos foram divididos em níveis, do básico ao avançado. &#8220;Nenhum site sequer cumpriu com todos os critérios do nível básico&#8221;, aponta Michel. &#8220;Percebo esse estudo como algo interessante para evidenciar a falta de acessibilidade de maneira científica e aprofundada. A gente já sabia do problema há muito tempo, mas a pesquisa mostra dados que nos ajudaram a elaborar um diagnóstico. E também acredito que é um pontapé inicial para uma mudança de paradigma, para as redações perceberem que existe um público com deficiência visual. E é necessário, na hora de pensar na edição, pensar também em como alcançar esse público, seja com pautas, seja com descrição de imagens ou sites que rodem melhor leitor de tela&#8221;, analisa.<br><br>Os resultados de todo este trabalho de pesquisa foi aplicado na concepção do aplicativo <strong>Lume</strong>, que reúne notícias das nove organizações de mídia independente e nordestina que compõem o projeto. &#8220;O Lume vai servir de exemplo de que é possível ter os devidos requisitos de acessibilidade respeitados&#8221;, afirma Platini. Quando Bruna Alves acessou o aplicativo pela primeira vez, ficou emocionada. &#8220;Não existe nada parecido com o Lume. Ler uma notícia nele tem uma qualidade e facilidade enormes. O aplicativo ficou rápido, as imagens todas descritas, dá para curtir e compartilhar. Está muito inclusivo. Penso que as pessoas cegas e idosas, que não conseguem mexer muito em smartphone , vão poder usar e ler as reportagens também. É muito importante ter essa inclusão&#8221;, afirmou.&nbsp;</p>





<h3 class="wp-block-heading"><a href="https://play.google.com/store/apps/details?id=com.lume.app" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Baixe o aplicativo Lume na Play Store</strong></a></h3>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Jornalismo de qualidade contra a desinformação</strong></h2>



<p>A ideia de pesquisar como é a inclusão de pessoas cegas e de baixa visão no consumo do jornalismo partiu da jornalista Mariana Clarissa, quando era aluna no Mestrado em Indústrias Criativas da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). &#8220;Entrei no curso com a ideia de criar um agregador de notícias. Queria fazer algo pensando em diversidade, mas focado em igualdade racial, porque sou negra. Mas quando me aprofundei vi que já havia vários veículos pautando a discussão racial&#8221;, conta. Foi no trabalho, em uma secretária estadual que atende pessoas com deficiência, que ela encontrou o tema do projeto. &#8220;São pessoas que não têm tanto acesso à informações de qualidade e não tem ninguém falando sobre isso&#8221;, lamenta.</p>



<p>No mestrado, com orientação dos professores Luíz Carlos Pinto e Anthony Lins, Mariana chegou a desenvolver um protótipo do que seria o Lume, mas foi o aporte do Google News Initiative que permitiu expandir a pesquisa e lançar o aplicativo no mundo. &#8220;Com esse edital do GNI, o projeto ganhou corpo, expertise e uma equipe muito forte e com muita bagagem para ´dar sustância´. Trabalhamos com uma rede de jornalistas e&nbsp; estamos trazendo diversidade para a comunicação e incentivando o jornalismo independente, que precisamos fortalecer. Quanto mais as ideias são compartilhadas, mais elas crescem rápido e se consolidam&#8221;, acredita.</p>



<p>Mais de 6,5 milhões de brasileiros e brasileiras são cegos ou têm baixa visão, de acordo com os dados do censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A região Nordeste concentra a maior porcentagem dessa população, com mais de 2,1 milhões de pessoas com essas deficiências, o que corresponde a 4,1% da população. É uma parcela grande de nordestinos e nordestinas com pouco acesso a conteúdo jornalístico sem entraves.</p>



<p>Para o professor e jornalista Luiz Carlos Pinto, que orientou Mariana Clarissa coordenou o núcleo de pesquisa do projeto <strong>Acessibilidade jornalística: um problema que ninguém vê</strong>, as pessoas cegas e com baixa visão efetivamente não são atendidas por conteúdo jornalístico de qualidade. &#8220;Tanto os grandes, quanto os médios e pequenos veículos falham em políticas internas e na implementação de mecanismos de acessibilidade. São 6,5 milhões de pessoas que são deixadas à margem. É uma porta aberta para a desinformação&#8221;, diz. Entre os principais problemas encontrados nos sites de jornalismo estão fotos, links e ícones sem descrição e pop-ups de propaganda e de alerta de cookies que atrapalham os aplicativos que leem telas. Na pesquisa, a maioria dos entrevistados usava o aplicativo nativo do sistema Android para conseguir usar o celular.</p>



<p>Um ponto importante evidenciado pelo estudo é como este grupo recebe facilmente notícias falsas. &#8220;O leitor nativo do Android funciona muito bem no WhatsApp, o que acaba sendo um dos aplicativos favoritos para a desinformação. Essas notícias falsas chegam geralmente por pessoas próximas, então tem um processo de recomendação e isso gera por exemplo, a adesão a determinadas ideias e posicionamentos políticos, com base em processos de desinformação . Tentativas de golpes com informações enganosas que chegam via whatsapp também são queixas frequentes entre a população cega e de baixa visão&#8221;, alerta Luiz. Para o pesquisador, o aplicativo Lume é uma contribuição para um problema complexo. &#8220;Há falta de políticas internas nas empresas jornalísticas, falta de conhecimento técnico e de recursos para implementação de tecnologia. O Lume não resolve o problema de inclusão,&nbsp; que atinge outras políticas também, como a falta de diversidade dentro das redações, mas é um passo a mais na acessibilidade&#8221;, afirma.&nbsp;</p>



<p>A idealizadora Mariana Clarissa complementa que o aplicativo ajuda no combate à desinformação também ao fortalecer um hábito de leitura mais profundo. &#8220;As reportagens na curadoria do Lume são de veículos que trazem conteúdos mais estruturados, com muitas fontes, com personagens que nem sempre são ouvidos no jornalismo tradicional. Acredito que a leitura dessas reportagens vai oferecer uma visão e um senso crítico maiores, ampliando a consciência política e social&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Acessibilidade: mais trabalho, mas sem tantos custos</strong></h3>



<p>Um dos aspectos apontados na pesquisa para a não implementação de políticas de acessibilidade nas redações é a falta de recursos financeiros para programas de treinamento de equipes que elaborem e desenvolvam conteúdos acessíveis e a infraestrutura necessária. Para o coordenador de design e desenvolvimento do projeto, o professor da Unicap Anthony Lins, a acessibilidade é uma questão que pode ser resolvida sem tantos custos em softwares. &#8220;O custo é mais no tempo de trabalho que as informações têm que ser descritas. E do interesse do grupo jornalístico em ter essa acessibilidade&#8221;, afirma.</p>



<p>Anthony Lins foi responsável também pelo protótipo do aplicativo Lume, ainda no Mestrado. Por enquanto, o Lume está sendo alimentado com reportagens pela própria equipe de desenvolvimento. Em breve, as equipes dos nove veículos que fazem parte do programa irão receber treinamento para alimentar o aplicativo com notícias e reportagens, todos com acessibilidade para pessoas com deficiência visual.<br><br>O projeto &#8220;<strong>Acessibilidade jornalística &#8211; um problema que ninguém vê</strong>&#8221; segue até agosto deste ano. Até lá, ainda serão entregues um manual de boas práticas de acessibilidade para ser usado pelas redações jornalísticas e uma ferramenta online automatizada que vai analisar os níveis de acessibilidade dos sites. É uma espécie de automação do trabalho de conferência do <em>checklist</em> com 13 pontos que Michel e Bruna realizaram na pesquisa. &#8220;Assim, as redações poderão entender como podem adaptar os seus sites a partir da análise da ferramenta. Vamos colocar graus de acessibilidade e indicar o que é necessário para melhorar, para facilitar também a vida de quem faz a atualização das páginas&#8221;.&nbsp;</p>



<p><a href="https://drive.google.com/file/d/1oW-nvDmNWm_57WLGmS-KnFmLeXZBwstR/view?usp=sharing" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Baixe o relatório em PDF acessível</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading">Confira o relatório com os resultados da pesquisa:</h2>



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