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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Cota para pessoas negras e LGBTs trabalharem de graça constrange organização do REC&#8217;n&#8217;Play</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Oct 2023 20:28:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[festival REC&#039;n&#039;Play]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Digital]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na linguagem do mundo da comunicação institucional ou empresarial, o Festival REC’n’Play seria a típica “pauta positiva”, aquela que garante likes nas redes sociais, comentários elogiosos e, por fim, fortalece a imagem das instituições e empresas responsáveis pelo evento. A não ser que alguém decida criar uma cota de vagas de voluntariado destinada a “pessoas [&#8230;]</p>
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<p>Na linguagem do mundo da comunicação institucional ou empresarial, o Festival REC’n’Play seria a típica “pauta positiva”, aquela que garante <em>likes</em> nas redes sociais, comentários elogiosos e, por fim, fortalece a imagem das instituições e empresas responsáveis pelo evento. A não ser que alguém decida criar uma cota de vagas de voluntariado destinada a “pessoas pretas, periféricas, com deficiência e LGBTs” que, assim, teriam o questionável privilégio de trabalhar de graça para garantir a realização de um festival que conta com recursos financeiros de 20 patrocinadores.</p>



<p>Foi exatamente isso que aconteceu na 5ª edição do REC’n’Play.</p>



<p>A divulgação de garantia de vagas de trabalho sem remuneração transformou o festival em alvo de uma avalanche de críticas, similar a uma campanha de cancelamento nas redes sociais. O volume de comentários negativos levou o Porto Digital e a agência de publicidade Ampla Comunicação, organizadores do evento, a publicar uma postagem, no dia 3 de outubro, com uma justificativa que incluiu até o insosso e inodoro clichê “desculpa a quem possa ter se sentido ofendido&#8221;.</p>



<p>De acordo com a nota dos organizadores, “o REC’n’Play é sobre as pessoas. Por isso, estamos aqui para reconhecer que erramos no nosso último post sobre as vagas de voluntariado (&#8230;) Pedimos desculpas a quem possa ter se sentido ofendido com a nossa abordagem. O festival vem crescendo ano a ano e a ação dos voluntários vem se tornando bastante concorrida. Em 2022, foram mais de 1.000 inscrições para 120 vagas. Por esse motivo, o intuito dessa fase 2 foi de garantir a inclusão e a diversidade na ação”.</p>





<p>Se o time das redes sociais do festival esperava sossego, não teve. Os comentários da postagem contam com elogios ao programa de voluntariado, mas as críticas ásperas e os questionamentos prosseguiram.</p>



<p>“Vocês podem ser inclusivos e diversos remunerando os profissionais que já estão na margem da sociedade e que valoriza o projeto Rec&#8217;n Play. Nada mais justo que valorizar com remuneração além da experiência. Reconhecer o erro é louvável, porém ele seria facilmente evitado se a diversidade estivesse presente no desenvolvimento intelectual do projeto”, argumentou a gestora cultural e pesquisadora Vanessa Marinho (<a href="https://instagram.com/vann.marinho?igshid=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@vann.marinho</a>).</p>



<p>O comentário crítico de Vanessa recebeu 101 curtidas, mas também uma resposta agradável aos ouvidos dos organizadores: “Pessoas diversas trabalharam na equipe. Inclusive eu, mulher preta, mãe, periférica da cidade de Igarassu. Para além da experiência eu recebi uma grana que pagou as horas que trabalhei. Entendo a insatisfação de vocês mas é interessante conhecer o histórico do evento e a forma como eles estão contratando. Se tudo der certo eu vou trabalhar esse ano”, afirmou a dançarina Janaína Santos <a href="https://instagram.com/janainasantospe?igshid=MzRlODBiNWFlZA==">(@janainasantospe</a>).<br><br>A quem &#8220;não viu nada demais&#8221; na cota para o voluntariado, Gleybson de Souza (<a href="https://instagram.com/gleybsondsouza?igshid=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@gleybsondsouza</a>) foi duro: &#8220;Vou te explicar o porque de preto trabalhar &#8216;de graça&#8217; ser tão ofensivo não. Se tu não entendeu até hoje, não vai ser eu que vou fazer tu entender&#8221;. De Garanhuns, o músico Breno Ferreira (<a href="https://instagram.com/bferreira_percussao?igshid=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@bferreira_percussao</a>) traduziu assim sua crítica: &#8220;Voluntário pra um festival com recurso financeiro é sacanagem. Bora se valorizar, galera. Trabalhar de graça não é experiência&#8221;.<br><br>A designer Daniela Marreira (<a href="https://instagram.com/danielamarreira?igshid=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@danielamarreira</a>) ponderou, elogiando a importância e a atitude da organização do festival de &#8220;refletir e tentar, em algum nível, minimizar o erro apontado&#8221;, mas questiona se &#8220;abrir espaço apenas para &#8216;cargos de entrada&#8217; é, de fato, proporcionar a inclusão de pessoas negras e LGBTQIAP+?&#8221;. Antes, ela sugeriu que o problema seria mais estrutural, pois a curadoria do evento, &#8220;realizada por homens e pessoas brancas&#8221;. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Ajuda de custo e jornada de seis horas</h2>



<p>Na mesma nota em que pediram desculpas, os organizadores do REC&#8217;n&#8217;Play anunciaram que o festival &#8220;vai oferecer contrapartidas de capacitação aos voluntários participantes, além de um auxílio de custo&#8221;. Originalmente, as informações disponibilizadas aos interessados e interessadas mencionavam apenas o fornecimento de um kit lanche e duas camisas do evento. No entanto, o trabalho voluntário é uma prática legal, regulada pela <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9608compilado.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">lei 9.608/98</a>, que o define como atividade não remunerada, sem vínculo empregatício, mediante termo de adesão, em que o prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar.</p>



<p>O advogado trabalhista popular Thiago Medeiros, que usa o perfil de X/Twitter <a href="http://@thiagopmedeiros" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Dr. Marinho Mendes</a>, analisou o formulário de inscrição oferecido pelo festival, que saiu do ar após o final do prazo de inscrição, e constatou que &#8220;o trabalhador encara um turno de seis horas, durante o dia ou à noite, em que não é descrito se há pausa para intervalo&#8221;. Os turnos possíveis iam das 9h às 15 e das 14h às 20h. Para ele, &#8220;as funções também incluem serviços de &#8216;Recepção&#8217;, &#8216;Comunicação&#8217;, &#8216;Produção&#8217;, &#8216;Intérprete de Libras&#8217;, atividades profissionais que poderiam muito bem ser destinadas a contratações formais de trabalhadores com remuneração de cunho temporário, específico para o evento&#8221;.</p>



<p>Ele questiona &#8220;o quanto as empresas de tecnologia com alto discurso de empreendedorismo e sustentabilidade camuflam suas atividades por meio da utilização de mão-de-obra com baixo custo de trabalhadores jovens e desesperados pela inserção no mercado?&#8221;, lembrando que o balanço do Porto Digital em 2022, anunciado em março deste ano, apresentou um <a href="https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/economia/2023/03/porto-digital-fatura-r-4-75-bilhoes-em-2022-crescimento-e-de-29.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">faturamento de R$ 4,75 bilhões</a> &#8211; que, na verdade, é o faturamento de todas as empresas instaladas no parque tecnológico, conforme explicou a instituição em resposta aos questionamentos da MZ.</p>



<h3 class="wp-block-heading">5 perguntas para a organização do festival</h3>



<p>Por meio da assessoria de imprensa do festival, a MZ enviou cinco perguntas para as equipe da organização do evento (Porto Digital e Ampla Comunicação). Todas elas foram respondidas em tempo hábil para a publicação: <br><br><strong>1) O Porto Digital e a organização do Rec&#8217;n&#8217;Play justificam a criação de cotas de vagas para assegurar a diversidade. Houve cota de vagas similar para trabalhos remunerados?</strong></p>



<p>As vagas remuneradas diretamente pelo evento foram preenchidas por ordem prioritária para todos os moradores da Comunidade do Pilar que quiseram trabalhar no evento e posteriormente com os que trabalharam em anos anteriores. Também é importante lembrar das vagas que são geradas, administradas e remuneradas diretamente pelos parceiros e apoiadores do Festival.</p>



<p><strong>2) Fornecedores e prestadores de serviço do festival foram orientados a contratar negros, LGBTs etc para atuar no Festival?</strong></p>



<p>A inclusão é uma das grandes premissas do Rec&#8217;n&#8217;Play. Faz parte da pauta afirmativa do evento. E essa visão é compartilhada e valorizada junto a todas às pessoas e parceiros que colaboram com a sua realização</p>



<p><strong>3) Qual o orçamento do festival? Ou seja, quanto custa o Rec&#8217;n&#8217;Play?</strong></p>



<p>Hoje, Rec&#8217;n&#8217;Play recebe de patrocínio de menos de R$ 2 milhões para organizar um festival deste tamanho, com dezenas de locais e mais de 500 atividades, todas gratuitas.</p>



<p><strong>4) Qual o faturamento do Porto Digital em 2022? </strong></p>



<p>Do Núcleo de Gestão do Porto Digital, algo em torno de R$ 40 milhões. O que é divulgado neste caso é o faturamento de todas as empresas do ecossistema, onde cada uma é responsável pela sua gestão.</p>



<p><strong>5) A escolha das palavras é fundamental. Pergunto por que usar na nota publicada no perfil oficial a surrada frase &#8220;Desculpa a quem possa ter se ofendido&#8221;, presente na quase totalidade dos pedidos de desculpas feitos por ocasião de ofensas racistas, misóginas e fascistas no passado recente?</strong></p>



<p>Como já citado anteriormente, o festival defende ações afirmativas para pautas que entendemos fundamentais, como ciência, tecnologia, diversidade, inclusão e a educação como mola propulsora de mudança e transformação. E nesse processo de educação, também nos colocamos no lugar de quem precisa aprender e evoluir, reconhecendo que ainda estamos sendo letrados sobre questões não só relacionadas ao futuro, mas à história. Então, tão importante quanto o pedido de desculpas que precisa ser feito, a nota tenta afirmar esses nossos compromissos e nos levar a uma lugar melhor como sociedade.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a></strong><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Sindicato e empresa de tecnologia assinam acordo para reduzir jornada de trabalho sem corte nos salários</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Jul 2022 18:18:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação (Sindpd-PE) ficaram com a pulga atrás da orelha quando chegou o convite de uma empresa mineira de tecnologia com escritório no Recife. O conteúdo parecia inacreditável para os sindicalistas acostumados à tensão e aos impasses das campanhas salariais: os representantes da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação (<a href="http://www.sindpdpe.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sindpd-PE</a>) ficaram com a pulga atrás da orelha quando chegou o convite de uma empresa mineira de tecnologia com escritório no Recife. O conteúdo parecia inacreditável para os sindicalistas acostumados à tensão e aos impasses das campanhas salariais: os representantes da Gerencianet queriam negociar com o Sindicato um acordo para reduzir a jornada de trabalho, porém preservando os salários e benefícios dos seus funcionários em Pernambuco.</p>



<p>Parecia bom demais para ser verdade. “Nossa primeira reação foi pensar que se tratava de uma armadilha da empresa. Lemos, relemos e pensávamos ‘onde tá a pegadinha nisso aí´”, conta a presidenta do Sindpd, Sheyla Lima. Quando a minuta da proposta chegou, o departamento jurídico da entidade concluiu que não havia nada oculto nas entrelinhas do documento. Telefonemas para os dirigentes sindicais de Minas Gerais e de São Paulo confirmaram que o mesmo texto estava sendo discutido nesses estados com a empresa.</p>



<p>As negociações avançaram rapidamente durante os meses de maio e junho. “Foi tudo muito leve, ficamos ainda mais surpresos com aquilo que escutamos do pessoal da empresa”, admitiu a sindicalista, pois a proposta havia sido elaborada com a participação dos empregados. “Com a nossa experiência em mesa de negociação, a gente percebe logo quando as propostas são feitas de cima para baixo ou com representantes de funcionários dominados pelos patrões. Não foi esse o caso”.</p>



<p>Durante o processo, o Sindicato ainda conseguiu incluir no acordo alguns itens que não constavam na proposta inicial. O mais importante foi garantir que novos funcionários que, eventualmente venham a ser contratados, possam usufruir imediatamente dos benefícios. “E eles também concordaram que a gente divulgasse aqui pelo Recife. Vai ser um exemplo para os empresários de visão curta do Porto Digital e do resto do estado, que só pensam em cortar salários e tirar o sangue dos empregados”, antecipou a presidenta.</p>



<p>O acordo tem caráter experimental, com validade por seis meses, contados a partir de 1º de julho, quando a nova jornada de trabalho foi implantada para os 300 funcionários da empresa, todos contratados com carteira assinada no regime da CLT.</p>



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	                                        <p class="m-0">Sindicato irá usar acordo para pressionar empresas pernambucanas na campanha salarial. Crédito: Ascom SINDPD-PE</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Objetivo é lucrar mais</strong></h2>



<p>Procuramos então a <a href="http://www.gerencianet.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gerencianet</a>. Apesar da iniciativa ser típica de uma empresa de países como Dinamarca ou Noruega, o sotaque mineiro do fundador e CEO Evanil Rosano de Paula descartou a probabilidade do empresário ter raízes nórdicas. “Faço questão de esclarecer: não somos uma ONG, somos capitalistas e nosso objetivo é maximizar os lucros. E, há 15 anos ininterruptos, desde a empresa foi criada, alcançamos esse objetivo com resultados bastante positivos. Porém, o nosso caminho para o lucro sempre foi apostando em pessoas, valorizando nossa equipe de funcionários, pagando salários acima da média e garantindo benefícios que impactam em qualidade de vida das famílias dos nossos colaboradores.</p>



<p>Evanil assegura que a decisão de reduzir a jornada de trabalho de 40 para 32 horas semanais não foi aleatória. Seria, na verdade, uma consequência da cultura corporativa, que começa já no processo de seleção de pessoal. “Nunca tivemos aporte financeiro de investidores, por isso, desde o primeiro momento focamos nas pessoas. Como estamos cercados de boas universidades, direcionamos nossos processos seletivos para jovens engajados, interessados em crescer conosco e fazer parte de um projeto maior”, explica o empresário, que tem, em sua equipe, profissionais formados nos cursos de Economia, Administração de Empresas, Estatística, Ciência da Computação, Engenharia e Jornalismo das universidades mineiras.</p>



<p>A “cultura” mencionada pelo empresário inclui restaurante que garante a custo zero café da manhã, almoço e lanche da tarde para a equipe, pagamento de cursos de idioma e qualificação profissional, além de algo ainda mais incomum no meio empresarial brasileiro: custeio de todas as mensalidades escolares dos filhos dos funcionários até a conclusão do Ensino Médio.</p>



<p>“Já perguntaram quais os resultados que esperamos com isso. Respondi dizendo que tomamos a decisão olhando para trás, a partir dos resultados que obtivemos com essa cultura. A empresa e a equipe estão prontas para isso, pois a redução da jornada exige uma mudança das relações de trabalho dos dois lados, tanto do empregado quanto de quem emprega. Nós entregamos qualidade vida, o colaborador entrega eficiência, qualidade dos serviços em tempo hábil”, conta.</p>



<p>Aqui, Evanil faz uma ressalva, pois não gosta de falar em prazos, pois, segundo ele, a imposição de prazos adoece o empregado. “Nossa expectativa é que a pessoa faça seu melhor”.</p>



<p>Para ilustrar o sucesso da cultura adotada pela sua empresa, o empresário lembra que a Gerencianet foi a primeira empresa de tecnologia do país a oferecer o PIX nos padrões estabelecidos pelo Banco Central (BC), o que aconteceu no mesmo dia do lançamento nacional do PIX, além de ter sido a 5ª empresa homologada como iniciadora de pagamentos pelo BC.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Auxílio home office</strong></h3>



<p>Outro aspecto da cultura corporativa da Gerencianet que os sindicalistas pernambucanos vão usar como argumento na campanha salarial deste ano é a concessão do auxílio <em>home office</em>. Ao saber que a empresa mineira – além de fornecer mesa e cadeira egonômicas &#8211; paga os gastos com internet e energia elétrica dos seus 230 funcionários que passaram a trabalhar em casa durante a pandemia, Sheyla Lima decidiu usar esse fato como trunfo nas negociações com as empresas pernambucanas. “Em 2021, as empresas recusaram pagar R$ 30,00 de auxílio para quem estava trabalhando em casa, apesar da economia que isso significa para elas e de estarem ganhando muito mais dinheiro depois da pandemia”, critica.</p>



<p>Procuramos a entidade que representa as mais de 2.900 empresas de tecnologia no estado, o Sindicato das Empresas deProcessamentode Dados do Estado de Pernambuco (Seprope), mas sua diretoria não quis comentar o acordo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a>ou, se preferir, usar nosso<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong>.</cite></blockquote>



<p></p>
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		<title>Presença feminina é cada vez menor no mercado de tecnologia em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Aug 2019 17:14:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[força sindical]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A proporção de mulheres no mercado de Tecnologia da Informação (TI), um campo estratégico e dominado pelos homens, vem diminuindo&nbsp;em Pernambuco&nbsp;nos últimos anos. E a tendência é que a participação feminina caia ainda mais. Em 2007, elas ocupavam 36,2% das vagas. Em 2017 (último dado disponível), portanto uma década depois, ocupavam apenas 31%. Para se ter ideia da discrepância, a proporção do mercado de trabalho geral no Brasil é de 44% de mulheres para 55% de homens.</p>
<p>Nesse setor tecnológico, elas estão mais presentes nas empresas públicas do que nas privadas, pelo histórico de entrada através de concursos públicos, e têm idade mais avançada que os homens. Com a saída das mais velhas e os processos de privatizações de grandes empresas já anunciados pelo governo Bolsonaro, a exemplo de Serpro e Dataprev, o futuro aponta para uma desproporção ainda maior.</p>
<p>Os números e a análise foram produzidos a partir dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e de um amplo e inédito levantamento realizado pela Norte Pesquisa sob encomenda do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Informática, Processamento de Dados e Tecnologia da Informação de Pernambuco (SindPD-PE).</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/prublicas_privadas.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-18556" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/prublicas_privadas-1024x216.jpg" alt="prublicas_privadas" width="702" height="148"></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De maneira geral, o levantamento comprova que a categoria de TI é altamente profissionalizada, com alto nível de escolaridade, altos salários, dominada por homens&nbsp; jovens e solteiros. A princípio, o resultado não surpreende. Esse é o perfil do mercado na maioria dos países. O que chama a atenção&nbsp;são as questões ligadas ao gênero.&nbsp; Paradoxalmente, a maior parte das 604 pessoas consultadas na pesquisa não identificarem discriminação de gênero. Ou seja, a baixa presença feminina não é processada pelo setor, não existindo essa percepção no cotidiano de trabalho.</p>
<p>“Minha hipótese está relacionada a uma tradição de que homens se vinculam a área tecnológica na formação. Isso tem a ver com a nossa formação cultural e cria uma situação particular, uma vez que trata-se de uma categoria pequena, mas estratégica, com capacidade de capilaridade e que presta serviços para outras empresas no setor de informação e estão relacionadas ao poder”, analisa o sociólogo e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Roberto Véras, coordenador técnico da pesquisa.</p>
<p>Para o presidente do Porto Digital, maior empregador do setor no Nordeste e um dos maiores polos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) do Brasil, “os dados são relevantes e preocupantes, mas não surpreendem”. O problema, segundo ele, começa na origem, pois as meninas não estão cursando tecnologia. “O resultado do Sisu (<span style="color: #545454;">Sistema de Seleção Unificada)</span> deste ano, mostra que somente 15% das estudantes entraram nos cursos de ciência da computação”, destaca.</p>
<p><div id="attachment_18558" style="width: 758px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Pierre-Lucena_Divulgacao.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18558" class="size-full wp-image-18558" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/Pierre-Lucena_Divulgacao.jpg" alt="Para o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, o problema está na base, no ensino médio (crédito: divulgação)" width="748" height="410"></a><p id="caption-attachment-18558" class="wp-caption-text">Para o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, o problema está na base, no ensino médio (crédito: divulgação)</p></div></p>
<p>Afora isso, o mercado tem hoje mais demanda do que oferta, então as questões de gênero terminam não sendo prioritárias em muitas empresas que estão mais preocupadas em ocupar as vagas a todo custo. “O ambiente de tecnologia precisa ser criativo, e não só técnico, com gente sentada escrevendo linha de código. Ele precisa ser o mais diverso possível. É uma necessidade econômica das empresas, lugares mais diversos têm melhor produtividade”,&nbsp;alerta Pierre.</p>
<p>Os dados mostram ainda claras diferenças de renda entre homens e mulheres. Elas ainda são a maior fatia nas faixas de renda inferior, enquanto eles se sobressaem nas faixas de renda superior. Enquanto 7,5% dos homens tinham renda bruta mensal individual acima de R$ 8.000,99, esse percentual era de 4,5% das mulheres. Já na faixa de renda de até R$ 988,19 (menor piso negociado para 2017), elas eram 4,5% e eles, 3,8%.</p>
<h2><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/salario_genero.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-18559" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/salario_genero-1024x490.jpg" alt="salario_genero" width="702" height="335"></a><b>Mais detalhes dos dados</b></h2>
<p>No cruzamento entre nível de escolaridade e gênero, fica evidente que os homens apresentam maiores proporções de ensino superior incompleto e completo, enquanto as mulheres estão bem à frente entre os que realizaram especialização. Isso mostra que, apesar de elas serem minoria, uma importante fatia consegue desenvolver melhor suas carreiras.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/WhatsApp-Image-2019-08-29-at-17.40.26.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18592 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/WhatsApp-Image-2019-08-29-at-17.40.26-1024x490.jpeg" alt="Tabela" width="702" height="335"></a></p>
<p>No recorte de raça, os números são ainda mais desfavoráveis. O cruzamento de dados mostra que há menos mulheres pretas do que homens pretos nas empresas de TI na Região Metropolitana do Recife.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/raça.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-18561" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/08/raça-1024x490.jpg" alt="raça" width="702" height="335"></a></p>
<p>A divisão por gênero também varia conforme o porte das empresas. A proporção de mulheres é maior nas empresas com mais funcionários. O professor Véras supõe que os negócios de maior parte necessitam de mais gente em setores de administrativo e de serviços, onde, em geral, há maior presença feminina. Os dados a respeito da formação também corroboram com essa análise: entre os que disseram não ter formação em TI, os homens foram 44,4%, enquanto as mulheres foram 12,0%.</p>
<p>Além disso, é entre os homens que o horizonte de tornar-se dono de seu próprio negócio se apresenta com maior relevância, enquanto para as mulheres o destaque fica para o horizonte do concurso público. São as mulheres que também dizem apresentar mais problemas de saúde, inclusive com maior consciência da relação de doenças com suas ocupações no trabalho.</p>
<h2>Futuro</h2>
<p>Em 2018, o Porto Digital lançou o Mulheres em Inovação, Negócios e Artes (Minas), um programa de equidade de gênero que tem como um dos princípios desmistificar a ideia de que “tecnologia não é lugar de mulher”. O projeto tem financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações por meio de emenda parlamentar da, na época, deputada federal Luciana Santos (PCdoB), atualmente vice-governadora de Pernambuco. Para o fim do ano, está prevista a entrega de uma creche na área do Porto Digital.</p>
<p>Algumas empresas, sobretudo as estrangeiras de maior porte, estão mais atentas no combate à hegemonia masculina, concedendo, por exemplo, licença-maternidade de seis meses para evitar que as mães peçam demissão no retorno ao trabalho. Pierre Lucena também destaca a expansão de empresas em 2018, como a Accenture, que hoje emprega 2,5 mil pessoas. E a atração de outras companhias que não são de TI diretamente, mas que também produzem softwares e que compõe o Porto, como a Fiat.</p>
<p>O objetivo do material do SindPD-PE, dividido em duas partes &#8211; a análise da Rais e a pesquisa de desenvolvimento próprio -, foi identificar o perfil dos trabalhadores e das trabalhadoras, com foco em desenvolvimento de softwares e a atividades conexas de consultoria, prestação de serviços, processamento de dados, entre outras. Levou-se em conta aspectos como dados sociodemográficos, formação profissional, inserção no trabalho, vida familiar, vida social, participação política, participação sindical e opiniões sobre temas comportamentais e políticos.</p>
<p>Como lembra o professor Véras, a categoria mudou bastante nas últimas décadas e, atualmente, tem um perfil contrastante, com os segmentos mais antigos ainda presentes, mas com uma parcela de jovens cada vez maior. Diante disso, as bases sindicais têm hoje um grande desafio de conhecer o público e traçar estratégias de atuação. Por isso o leque tão amplo nos aspectos qualitativos da pesquisa do SindPD-PE. Ao todo, foram 48 quesitos, alguns que se desdobram em outras questões. O relatório é um material de 253 páginas.</p>
<p>Para a presidente do SindPD-PE, Sheyla Lima, o levantamento é fundamental para conhecer melhor a categoria, uma vez que o sindicato nasceu, há 34 anos, numa realidade bem distante da atual. “O mundo do trabalho em TI transformou-se e quase dobrou nos últimos dez anos”, diz.</p>
<p>Para efeito de delimitação da base social, o sindicato se ateve aos empregos formalizados. Não foram, portanto, incluídas formas de trabalho autônomo, a exemplo dos contratos de Pessoas Jurídicas (PJs), que representava, em 2016, 12,5% do número de estabelecimentos de produção e serviços de software registrados em Pernambuco.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://cdn.flipsnack.com/widget/v2/widget.html?hash=fcmlg9n1w" width="100%" height="480" frameborder="0" scrolling="no" seamless="seamless" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Projeto Conexões: &#8220;Existe vida fora da grande mídia&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2016 15:49:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Segunda-feira à noite e o auditório da Jump Brasil, aceleradora do Porto Digital que funciona no bairro de Santo Amaro, estava lotado de jornalistas para participar do terceiro encontro do Projeto Conexões. O interesse dos profissionais de comunicação se justifica pelo tema escolhido: “Empreendedorismo, o mundo além da grande mídia”. Neste momento de aprofundamento da crise que afeta a chamada indústria jornalística, a proposta de focar em quem planeja montar seu próprio negócio em comunicação é atual e urgente.</p>
<p>O Projeto Conexões, que é uma parceria entre o Porto Digital, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Sindicato dos Jornalistas, contou neste terceiro encontro com a participação da Marco Zero Conteúdo. Como ponto de partida para o debate, algumas questões fundamentais: &#8220;Como empreender na área?&#8221;, &#8220;Como estabelecer parâmetros de monetização?&#8221;, &#8220;É possível formatar uma startup especializada em comunicação?&#8221;, &#8220;Quais experiências locais podem servir como exemplos bem sucedidos de empreendedorismo?&#8221;</p>
<p>A difícil missão de responder aos questionamentos coube ao Diretor-Presidente do Porto Digital, Francisco Saboya, à professora do curso de Comunicação Social de Caruaru, Ana Beatriz Nunes, e a Sérgio Miguel Buarque, da Marco Zero Conteúdo. A mediação foi feita por Osnaldo Moraes, diretor do Sindicato dos Jornalistas.</p>
<p>O Projeto Conexões é uma série de cinco encontros que tem como objetivo discutir o impacto das novas tecnologias na comunicação, além de apontar alguns caminhos de transformação em uma área carente de iniciativas inovadoras. A programação segue até o dia 02 de maio, com mais dois eventos nas próximas segundas-feiras, sempre às 19h, na Jump Brasil (rua Capitão Lima, 420). Os encontros são gratuitos mediante inscrição prévia, realizada sempre a partir das quartas-feiras que antecedem os encontros.</p>
<p>Confira abaixo a programação e os próximos palestrantes:</p>
<blockquote><p><strong>25/04 &#8211; Do mercado para a academia: qual a pergunta?</strong></p>
<p>Palestrantes: As professoras da UFPE Ana Beatriz Nunes, Sheila Borges e Ana Veloso, com mediação de Andréa Trigueiro, diretora do Sindicato dos Jornalistas e professora do curso de Jornalismo da Unicap.</p>
<p><strong>02/05 &#8211; A captação de recursos para projetos culturais: o público e o privado</strong></p>
<p>Palestrantes: A produtora cultural Carla Denise, Carol Vergolino, da Rec Produções, e Jair Pereira, da 2JP produção cultural, com mediação de Eduardo César Maia, professor da UFPE de Caruaru e editor do Café Colombo.</p></blockquote>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/04/jump2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1962" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2016/04/jump2.jpg" alt="jump2" width="528" height="960"></a></p>
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