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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Grito dos Excluídos e Excluídas tomou as ruas do Recife em defesa da democracia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Sep 2021 17:35:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Errou feio quem imaginava que, na quinta manifestação seguida em pouco mais de três meses, as forças progressistas do Recife estariam desmobilizadas ou acuadas pelas ameaças de violência bolsonarista. Pelo 27º ano consecutivo, o Grito dos Excluídos e Excluídas aconteceu no Recife na manhã de 7 de setembro, mas desta vez com foco na defesa [&#8230;]</p>
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<p>Errou feio quem imaginava que, na quinta manifestação seguida em pouco mais de três meses, as forças progressistas do Recife estariam desmobilizadas ou acuadas pelas ameaças de violência bolsonarista. Pelo 27º ano consecutivo, o Grito dos Excluídos e Excluídas aconteceu no Recife na manhã de 7 de setembro, mas desta vez com foco na defesa da democracia e em resposta à ameaça golpista do presidente Jair Bolsonaro. Como nos quatro protestos anteriores, a concentração do ato aconteceu na praça do Derby e teve como destino o pátio da basílica de Nossa Senhora do Carmo, a três quilômetros de distância.</p>



<p>E também como das outras quatro vezes este ano, as esquerdas tomaram as ruas com a marca da diversidade e pluralidade: frades franciscanos ao lado de militantes empunhando as bandeiras do movimento LGBTQIA+, policiais antifascistas caminhando junto às lideranças indígenas, estudantes misturando-se aos ex-presos políticos da geração de 1968, feministas com evangélicos, bandeiras vermelhas dividindo espaço com fantasias que lembravam o carnaval de rua de Olinda, como a que associa a imagem clássica da morte a Bolsonaro.</p>



<p>Os missionários franciscanos Gabriel Maria, Mariófilo Maria e Lourenço de Santa Isabel saíram da comunidade do Tururu, no Janga, para participar pela primeira vez do Grito levando bandeiras do ex-presidente Lula (PT). “Temos uma formação voltada para a luta das classes sociais. Pela vida do pobre, como Francisco nos ensinou, por isso viemos por todos os excluídos. E, principalmente, pelo Fora Bolsonaro. Ele não servia e agora é que não serve mesmo para a condição do nosso país. Chegou a vez do povo mostrar sua força e tirar do poder essa pessoa que não serve para o Brasil”, explicou o frade Mariófilo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Diversidade marcou o Grito dos Excluídos e Excluídas. Crédito: Giovanna Carneiro/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Indígenas e militantes “das antigas”</strong></h2>



<p>Logo à frente da passeata, que começou a atravessar a avenida Agamenon Magalhães pouco depois das 11h, estava a cacica Valquíria Kialonu, da Karaxu Wanassu, entidade que agrega indígenas de vários povos que vivem na cidade do Recife. &#8220;Estamos aqui em busca dos nossos territórios, dos nossos direitos, e também de políticas públicas&#8221;, disse ela, que também representa a Assikuka, Associação Indígena em Contexto Urbano.</p>



<p>De acordo com Valquíria, 3.645 indígenas estão vivendo no Recife e mais de 6 mil moram em contexto urbano em várias cidades de Pernambuco. No entanto, ela explicou que muitos estão hoje em Brasília, no acampamento contra o Marco Temporal. &#8220;Somos Fora Bolsonaro porque ele está tirando todos os nossos direitos que foram conquistados desde a Constituição de 1988. Somos contra o PL 490. Nós existimos antes do Estado, antes de 1988. É um governo genocida. Estamos pleiteando também as políticas públicas dentro da cidade, somos indígenas onde estivermos, mesmo no contexto urbano&#8221;, disse a cacica.</p>



<p>Acompanhando os representantes da geração de militantes que participaram da resistência à ditadura militar, o sociólogo e ex-preso político Edval Nunes Cajá comentou sobre o momento de ameaça de ruptura democrática: &#8220;Não esperávamos que o retrocesso político, econômico e social fosse tamanho. Estamos vivendo uma situação de barbarização impensável da sociedade brasileira. Aumento da quantidade de pessoas em situação de rua, sem alimentos&#8230;é preciso deter essa marcha sinistra para o fascismo&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Cacica Valquíria representou organizações da luta indígena. Crédito: Laércio Portela/MZ Conteúdo</p>
	                
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bolsonarismo na polícia está caindo</strong></h3>



<p>O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco e coordenador nacional do Movimento Policiais Antifascismo, Áureo Cisneiros, levou boas notícias ao Grito dos Excluídos e Excluídas. Ele reconhece que a atmosfera de golpe de Estado aumentou e se tornou mais intensa nos últimos dias, mas ele está convicto de que “isso não vai prosperar”.</p>



<p>“Até porque o bolsonarismo caiu muito. Na polícia civil, por exemplo, houve ataques (do governo) aos direitos dos policiais civis. Na polícia militar temos uma resistência maior, mas a gente vê que já está também dando uma reviravolta&#8221;, revelou, concluindo que, &#8220;passando o Sete de Setembro não vai mais ter esse clima para golpe aqui no Brasil&#8221;.</p>



<p>Segundo ele, o Movimento Policiais Antifascismo tem cerca de dois mil integrantes em todo o Brasil. &#8220;Temos a esperança que nosso projeto seja implementado, num possível governo progressista, que é de uma segurança pública pautada nos direitos humanos, na cidadania. Temos movimento no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, nas principais capitais do Nordeste. Estamos nas ruas contra o golpe, contra o fascismo e que se estabeleça no Brasil uma ordem democrática firme. É isso o que a gente quer e é por isso que estamos na luta. Não vamos admitir nenhum tipo de golpe&#8221;, afirmou.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Ciranda e frevo</strong></h4>



<p>A dispersão do ato no pátio do Carmo ajudou os militantes a lembrar do carnaval, cancelado em 2021 por causa da pandemia. Teve ciranda, teve orquestra de frevo e teve calor, muito calor. Sob o sol das 13h20min, os manifestantes espalharam-se pelas avenidas do centro. Enquanto a maioria seguiu para casa ou para o Armazém do Campo, na rua do Imperador, outros foram dar suporte às 150 famílias da Frente Popular por Moradia no Centro, que ocuparam o prédio do Centro Cultural dos Correios, na avenida Marquês de Olinda, fechado durante a pandemia.</p>



<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="gtvLzP6sxN"><a href="https://marcozero.org/familias-sem-teto-ocupam-predio-dos-correios-no-recife-antigo-fechado-no-inicio-da-pandemia/">Famílias sem-teto ocupam prédio dos Correios no Recife Antigo fechado no início da pandemia</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Famílias sem-teto ocupam prédio dos Correios no Recife Antigo fechado no início da pandemia&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/familias-sem-teto-ocupam-predio-dos-correios-no-recife-antigo-fechado-no-inicio-da-pandemia/embed/#?secret=kC7Aayk2Xx#?secret=gtvLzP6sxN" data-secret="gtvLzP6sxN" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>



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		<title>Entidades do Semiárido mudam tática e partem para o corpo a corpo com parlamentares</title>
		<link>https://marcozero.org/entidades-do-semiarido-mudam-tatica-e-partem-para-o-corpo-a-corpo-com-parlamentares/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Apr 2019 19:54:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[resistência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao contrário do que está acontecendo na maior parte dos movimentos sociais e da esquerda brasileira, a paralisia e a perplexidade não tomaram conta das quase três mil entidades que fazem parte da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil). Para enfrentar o desmonte das políticas públicas de convivência com o Semiárido, a ASA mudou sua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">Ao contrário do que está acontecendo na maior parte dos movimentos sociais e da esquerda brasileira, a paralisia e a perplexidade não tomaram conta das quase três mil entidades que fazem parte da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil).</p>
<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">Para enfrentar o desmonte das políticas públicas de convivência com o Semiárido, a ASA mudou sua forma de atuação e iniciou, desde o final do ano passado, um corpo a corpo com parlamentares no Congresso Nacional, assembleias legislativas e câmaras de vereadores nos municípios.</p>
<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">O primeiro resultado dessa ação será o lançamento, no próximo dia 24, da Frente Parlamentar em Defesa da Convivência com o Semiárido, uma frente mista (deputados e senadores) que irá atuar no Congresso Nacional. A primeira tarefa desta Frente será assegurar recursos no Plano Plurianual 2020-2023, o que, para Cícero Félix, que representa a Bahia na coordenação-executiva da ASA, seria o primeiro passo para a definição de uma política de Estado para o Semiárido baseada no conceito de convivência com a região e não no combate à seca.</p>
<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">E há muito a ser defendido. “A agenda da convivência está em risco. Não vamos deixá-la ser ignorada ou esquecida”, afirma Cícero, lembrando que foram as 1,2 milhão de cisternas e outras 103 mil tecnologias de convivência, construídas a partir de 2003, que possibilitaram à população do Semiárido atravessar a pior seca da história da região entre 2012 e 2018.</p>
<p><div id="attachment_15015" style="width: 582px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/carlos-veras.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-15015" class="wp-image-15015" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/carlos-veras.jpg" alt="carlos veras" width="572" height="343"></a><p id="caption-attachment-15015" class="wp-caption-text">O deputado Carlos Veras (PT) será o futuro coordenador da Frente Parlamentar no Congresso</p></div></p>
<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">A Frente Parlamentar será coordenada pelo deputado federal pernambucano Carlos Veras (PT), um dos responsáveis por levar o tema aos demais deputados, junto com o mineiro Patrus Ananias (PT) e o maranhense Ubirajara do Pindaré (PSB). “Alcançamos um número de assinaturas superior ao exigido pelo regimento, e isso demonstra que os colegas têm atenção com as demandas específicas das populações do Semiárido”, conta Veras.</p>
<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">Há a expectativa que deputados de todos os partidos, incluindo o governista PSL, componham a Frente desde o primeiro momento. “As frentes parlamentares são suprapartidárias. É bom que seja assim, para cobrarmos as devidas responsabilidades dos parlamentares que devem estar além de suas questões ideológicas, aliás, uma moda fluída lançada pelo presidente quando quer desmontar ou barrar as políticas públicas. Para nós da esquerda, as ideologias dos grupos e partidos são partes inerentes à própria atividade política e à democracia. Só os governos autoritários consideram as ideologias um entrave”, critica Carlos Veras.</p>
<p><span style="font-size: medium;"><b>Busca por novos aliados</b></span></p>
<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">O corpo a corpo junto aos políticos não se limita a Brasília. O impacto da convivência com o Semiárido será mostrado em centenas de municípios e também nas assembleias legislativas dos 10 estados que compõem a região. Ainda na próxima semana será lançada uma Frente Parlamentar estadual em Minas Gerais, articulada pela deputada estadual Marilene Alves de Souza (PT), a Leninha, que já foi coordenadora da própria ASA em seu estado.</p>
<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">A atual coordenadora executiva da ASA em Minas Gerais, Valquíria Lima, revela que as ONGs que trabalham na implementação das políticas, estão procurando vereadores dos municípios onde atuam para solicitar a realização de audiências públicas para que os resultados na economia local e na qualidade de vida sejam apresentados à comunidade e às lideranças.</p>
<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">“Para incidir na política, precisamos abrir canais com a institucionalidade. Para isso, vamos fortalecer o diálogo com o Poder Legislativo. Em outras palavras, vamos buscar novos aliados para poder enfrentar a situação que está posta”, explica Valquíria.</p>
<p style="margin-bottom: 0.35cm; line-height: 150%;">Serão apresentados numa linguagem simples, por exemplo, os números que mostram como o IDH da região cresceu 67,83% de 1991 a 2010, quando, no resto do País, a evolução foi de 50,08%, conforme dados que a Marco Zero publicou na reportagem &#8220;<a href="http://marcozero.org/novo-semiarido-passa-no-teste-da-maior-seca-da-historia/">Novo semiárido passa no teste da maior seca da história</a>&#8220;. Ou como a mortalidade infantil caiu de 113 bebês mortos a cada 1000, no último ano da ditadura militar,em 1984, até 17,5 óbitos por 1000 no ano de 2015. Ou, num exemplo ainda mais fácil de entender, a multiplicação das feiras agroecológicas pelo interior de todos os estados da região.</p>
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		<title>Defesa da educação pública dá o tom da abertura da Conferência Latino Americana de Ciências Sociais em Buenos Aires</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Nov 2018 22:10:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
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		<category><![CDATA[Boaventura Sousa Santos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Aquiles Lopes (de Buenos Aires) A defesa das universidades públicas e de qualidade esteve no centro dos debates no primeiro dia do Congresso Latino Americano de Ciências Sociais (Clacso), que está sendo realizado em Buenos Aires. Os grandes fóruns iniciais reuniram mais de 30 mil pessoas na sede Club Ferro Carril Oeste, tradicional time [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Aquiles Lopes (de Buenos Aires)</strong></p>
<p>A defesa das universidades públicas e de qualidade esteve no centro dos debates no primeiro dia do Congresso Latino Americano de Ciências Sociais (Clacso), que está sendo realizado em Buenos Aires. Os grandes fóruns iniciais reuniram mais de 30 mil pessoas na sede Club Ferro Carril Oeste, tradicional time de futebol do subúrbio da capital. Para que as pessoas pudessem acompanhar os debates quatro telões foram montados ocupando duas quadras e também a área externa, tamanho o público interessado.</p>
<p>Pesquisadores, escritores, cineastas, pensadores e estudantes da América Latina e da África participam do evento, que, até sexta-feira, acontece simultaneamente em diferentes pontos da cidade, pois a quantidade de painelistas inscritos ultrapassa 7 mil, entre eles nomes como o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel.</p>
<p>Com milhares de participantes oriundos do meio acadêmico do continente, a educação é um dos assuntos mais discutidos nesta Clacso. A crise educacional na Colômbia, onde professores, estudantes e alunos estão em greve contra os cortes no orçamento da educação, foi a grande referência para o que muitos educadores trataram como o projeto de desmonte do pensamento crítico.</p>
<p>“Não imaginem que o que está acontecendo é algo isolado ou obra do acaso. Faz parte de um plano internacional de ajustes implantado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), com escolas à distância e ensino cada vez mais técnico. Temas como Filosofia, História, Artes e Sociologia vão sendo retirados da vida dos estudantes”, afirmou Sonia Alesso, secretária geral dos trabalhadores em Educação na Argentina e representante da América Latina no Comitê Mundial da Educação.</p>
<p>No caso colombiano, o subfaturamento nas receitas para as universidades chega a 4,5 trilhões de pesos, enquanto o presidente Ivan Duque anunciou um novo investimento de aproximadamente 1 trilhão. Sonia também expressou preocupação com o projeto de educação anunciado pelo futuro governo brasileiro, que, a exemplo da Colômbia, propõe a redução de investimentos nas universidades públicas. “A educação não muda o mundo, mas muda os sujeitos que vão mudar o mundo”, disse ela citando Paulo Freire.</p>
<p>Um dos mais reconhecidos pensadores mundiais da atualidade, o catedrático da Universidade de Coimbra Boaventura Sousa Santos também fez referências a Paulo Freire e ao modelo defendido pelo próximo governo brasileiro. “A escola sem partido acaba de elencar os livros que devem ser proibidos: Karl Marx, José Saramago, Paulo Freire e Milton Santos. Eu estou muito triste porque ainda não tenho esse privilégio”, ironizou. Para Boaventura, uma sociedade não pode ser formada por tecnocratas, que aprendem apenas técnicas de trabalho e não têm capacidade de pensar.</p>
<p>O português, no entanto, fez críticas à academia, que precisa escutar mais os ensinamentos populares, incluindo os saberes acumulados por povos indígenas, negros e outras minorias que não estão catalogados da forma tradicional, consagrada pelo modelo europeu de ensino. Novamente o Brasil serviu como exemplo: “O pensamento acadêmico não é o único capaz de explicar o que acontece no mundo. Claro que a ciência moderna pode ajudar. Estou envolvido numa luta enorme no Brasil neste momento, contra os agrotóxicos no país. Temos aí o conhecimento dos químicos, que mostra os males das substâncias, mas também dos camponeses do interior do Ceará, que estão morrendo de câncer e vendo a terra ser degradada”, disse.</p>
<h2><strong>Luta política</strong></h2>
<p>A Clacso reúne pessoas e lideranças dos campos da esquerda e centro-esquerda, incluindo muitos ativistas dos movimentos sociais. Portanto, o debate político eleitoral está presente em todos os lugares, das rodas de café aos painéis e conferências. Além do resultado das eleições no Brasil, extremamente comentadas, há a expectativa para a disputa eleitoral na Argentina, que acontece em outubro de 2019.</p>
<p>Com inflação alta, aumento nos impostos e desemprego crescente, a aprovação do atual presidente Maurício Macri, segundo pesquisa da Universidade de San Andres realizada em julho, é de 37%, enquanto 76% dos argentinos afirmam estarem insatisfeitos com a maneira de governar do presidente.</p>
<p><div id="attachment_11845" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/clacso_3_estadio.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-11845" class="size-medium wp-image-11845" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/11/clacso_3_estadio-300x200.jpg" alt="Foto; Clacso" width="300" height="200"></a><p id="caption-attachment-11845" class="wp-caption-text">Clacso atraiu milhares de pessoas</p></div></p>
<p>Neste cenário a figura de Cristina Kirchner ressurge com uma enorme força e coube à ex-presidente a principal fala na abertura da Clacso. “Este governo agravou os problemas, privatizando empresas, dolarizando tarifas, impostos e combustíveis e ficamos mais dependentes do FMI. Temos que quebrar as diferenças entre esquerda e direita e pensar numa nova categoria de frente social, que agrupe todos os que foram agredidos por esta gestão”, afirmou Cristina diante de uma multidão que, para ouvi-la falar, se amontoou pelas ruas ao redor do estádio do Ferro Carril.</p>
<p>A ausência mais sentida foi a do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, que deveria ter conduzido um painel na terça-feira (20). Sem detalhar as razões, Mujica enviou um comunicado à organização da Clacso informando não poder comparecer “por problemas pessoais”.</p>
<p>Num dos momentos mais marcantes, pesquisadores e estudantes negros subiram ao palco para celebrar o Dia da Consciência Negra comemorado no Brasil em homenagem a Zumbi dos Palmares. A imagem de Marielle Franco foi projetada nos telões e aplaudida de pé pela plateia. Aliás, há uma faixa “Marielle Vive” na entrada do clube, na movimentada avenida Avellaneda.</p>
<p>Entre os atores políticos brasileiros, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-candidato à presidência Guilherme Boulos (PSol) e a ex-candidata à vice-presidência Manuela D´Ávila (PCdoB) foram os principais nomes. Como esperado, os três fizeram duras críticas ao presidente eleito, ao impeachment de 2016 e ao processo de politização do Judiciário.</p>
<p>Apesar do clima &nbsp;muitas vezes emotivo e dos gritos de <em>Lula Livre</em> dentro do clube, coube a Boaventura fazer um alerta aos militantes. “O problema que surge neste século é que nem revolução, nem reforma democrática estão na agenda. Como diria Gramsci, estamos mantendo a posição e não o movimento. Esta não é uma questão intelectual, mas política. A primeira medida quando se chega ao poder deve ser transformar o poder. Não se pode transformar o mundo sem transformar o poder”, ponderou.</p>
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		<title>Na comunidade das frustrações</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Aug 2015 13:14:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Diego Viana Do Para ler sem olhar Um mês agitado para um ano agitado. Tivemos manifestações, denúncias formais, guerra de narrativas, dança de cadeiras, mas continuamos na incerteza sobre quem despachará do Planalto em 2016. Voltamos a experimentar a combinação sufocante de desemprego em alta, poder de compra em baixa e câmbio proibitivo, enquanto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>				Por Diego Viana<br />
Do <a href="https://vianadiego.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Para ler sem olhar</a></p>
<div class="entry-content clear">
<p>Um mês agitado para um ano agitado. Tivemos manifestações, denúncias formais, guerra de narrativas, dança de cadeiras, mas continuamos na incerteza sobre quem despachará do Planalto em 2016. Voltamos a experimentar a combinação sufocante de desemprego em alta, poder de compra em baixa e câmbio proibitivo, enquanto as medidas destinadas a recolocar a economia nos trilhos parecem ter o efeito contrário. Em que pese tudo isso, a constatação mais interessante de agosto de 2015 é provavelmente o vigor daquilo que poderíamos denominar, sem hesitação, a classe dominante do Brasil – mas com artigo definido: “a” classe dominante.</p>
<p>Sabemos que ela existe; sempre há algo como uma classe dominante, e não é só aqui. Podemos até descrevê-la, apontar quem faz parte dela, citar o latifúndio, as “doze famílias” da mídia – se é que são mesmo doze –, os industriais de São Paulo, o sistema financeiro. Mas não é todo dia que a vemos em ação, mobilizada em um esforço concentrado, com a cara à mostra. No mínimo, é instrutivo. E também sintomático.</p>
<p>Como se sabe, os itens a serem levados ao parlamento sob o título de <a href="http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2015/08/10/conheca-a-agenda-brasil-tentativa-do-governo-para-debelar-a-crise/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“Agenda Brasil”</a> – note-se como o nome, deliberadamente, não denota coisa alguma (fora o anglicismo) – resultam de uma concertação ágil e veloz. Segundo consta, a iniciativa partiu dos proprietários do maior grupo de comunicação do país, envolveu as entidades de classe do setor produtivo no Sudeste, também abarcou as confederações de indústria e agronegócio, e por fim foi costurado pelo presidente do Senado, em diálogo direto com o ministro da Fazenda. Talvez essa seqüência esteja trocada, mas que importa? O dado relevante é vermos mídia, indústria, agronegócio, dinastias políticas, todos amalgamados e abençoados pelo sistema financeiro.</p>
<p>O que convenceu esse conjunto de poderosos a deixar os bastidores, mesmo que momentaneamente, parece ter sido a bagunça (e essa é realmente a melhor palavra) da conjuntura política. Nada garante que essa bagunça vá se dissipar, já que não temos motivos para achar que a cúpula do Executivo vai aprender a fazer política da noite para o dia – depois de tanto tempo?! E com a saída de Michel Temer da articulação política, essa hipótese parece ainda mais absurda. O que significa que mesmo o acordão de cúpula pode ruir, a depender da sorte de Dilma Rousseff com o TCU e o destino que esteja reservado para Eduardo Cunha – que já deu mostras de que quer sabotar também esse acordão, comprando briga com os poderosos que estão incomodados com ele.</p>
<p>Isso para não falar da economia…</p>
<p>Ainda assim, pode ser amargo, mas também é interessante observar à distância a destreza e a desenvoltura com que nossa classe dominante age e decide o futuro do país, quando julga necessário. Uma desenvoltura que ficou intocada nesses 27 anos de Nova República, sem sofrer um arranhão sequer desde a adoção da Constituição de 1988, nem com os avanços atribuídos aos tucanos, como o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, nem com aqueles atribuídos aos petistas, como a inclusão de renda e a expansão do mercado interno.</p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p>Se, por um lado, possuir uma classe dominante que paira impávida acima do sistema político está longe de ser algo aberrante – basta ver o que se passou nos EUA e na Europa desde a crise de 2008 –, por outro também parece que estamos assistindo a um evento com cara e cheiro de Brasil. Da dissolução da primeira constituinte em 1823 à proclamação da República, da reforma urbana de Pereira Passos à revolução de 30, do Estado Novo às cassações de 1964 e ao AI-5, decisões verticais em momentos graves são recorrentes.<sup><span lang="pt-BR"><a class="sdfootnoteanc" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/08/27/na-comunidade-das-frustracoes/#sdfootnote1sym" name="sdfootnote1anc"><sup>1</sup></a></span></sup></p>
<p>Os itens divulgados da tal agenda, em suas diferentes versões e mesmo ainda na forma de meras intenções, são talhados com toda a clareza para satisfazer a interesses, muitos deles imediatistas, de quem controla o PIB brasileiro. A começar pelo agronegócio e as empreiteiras, com as infames medidas para agilizar a concessão de licenças ambientais, como se estivéssemos com falta de desastres ecológicos nas megaobras e nos latifúndios país afora. Como se a estação de Cabrobó, recém-inaugurada, não fosse feita para transpor água de um rio São Francisco <a href="http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2012/09/25/interna_vidaurbana,398575/pesquisadores-anunciam-a-extincao-inexoravel-do-rio-sao-francisco.shtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">que está secando</a>. E, se há claramente problemas no sistema tributário e na legislação trabalhista, a regularização dos terceirizados, tal como proposta, fará pouco para reduzir a discrepância entre o “empregado sortudo e privilegiado” e o trabalhador precário, “pejotizado”, e muito para garantir que corporações tratem o trabalho ainda pior do que já tratam.</p>
<p>Considerações de maior envergadura, que antecipem tendências globais inclusive já anunciadas, como o imperativo sustentável e o redesenho da estrutura produtiva global, estão inteiramente ausentes, substituídas por um termo polivalente e ambíguo: a “competitividade”. Mas a competitividade de um miserável país de latifúndios e baixo valor agregado é incompatível com a de um país sustentável e pujante, do mesmo modo que o sentido do desenvolvimento na era do aço e do carvão é um e na era do byte e do painel solar é outro. A “agenda Brasil”, por trás de seu silêncio, já carrega uma escolha nesse mar de distinções – infelizmente, a <a href="http://www.scielo.br/pdf/sssoc/n112/04.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mesma escolha</a> que o círculo de Dilma já tinha feito.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1593" src="https://vianadiego.files.wordpress.com/2015/08/af9dcc9e42e6ac55c1117f4ba7afc448.jpg?w=696" alt="af9dcc9e42e6ac55c1117f4ba7afc448" /></p>
<p>Outro problema, igualmente grave, de uma carta de intenções tão extensa, que se aproveita daquilo mesmo que pretensamente viria resolver – o momento de desarticulação completa tanto na esquerda como no centro (precisamos ter isso em mente!) –, é que ela lança a uma condição secundária todo o processo político, as negociações entre diferentes grupos de interesse e representantes de classe, a busca de soluções intermediárias (chamadas também de soluções “de compromisso”, em mais um anglicismo – não que eu seja necessariamente contra os anglicismos). Todas essas coisas que fazem da democracia parlamentar um regime mais maleável e palatável que qualquer outro já experimentado – como na famosa frase de Churchill.</p>
<p>É verdade que tudo que está proposto ali ainda vai passar pelo Congresso, o que é da natureza da democracia parlamentar, com todos os seus defeitos. Mas o que há de mais despolitizante e no caso da “agenda Brasil” é o próprio acordo de bastidores. Com o pano de fundo de toda a nossa história de soluções verticais para a política e a economia – se não citei acima o mais descarado de todos, cito agora: o <a href="http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CONV%C3%8ANIO%20DE%20TAUBAT%C3%89.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">convênio de Taubaté</a> –, fica difícil evitar a sensação de que a posição secundária reservada à política propriamente dita é como o seu “lugar natural” no Brasil, o que daria razão a Sérgio Buarque de Holanda quando ele escreve que a democracia no Brasil é um <a href="http://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v26n76/03.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“lamentável mal-entendido”</a>. Será que continua sendo assim, depois de tantas gerações, tantas lutas – tanto sangue, suor e lágrimas, para citar Churchill mais uma vez?</p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p>Pensamentos negativos, esses. Mas o estranho nisso tudo é que não há como dizer que o país esteja na pasmaceira, despolitizado e desinteressado dos assuntos de Brasília. Temos, afinal, manifestações a rodo, múltiplas e desconexas, desde o famoso junho de 2013 até os “Fora Dilma”, passando pelo “Não Vai Ter Copa” do ano passado e as contraposições governistas, mas encabuladas, aos protestos de direita – e os panelaços, claro. As contradições do Brasil estão perfeitamente explícitas nesses episódios todos: da escolha de quem a polícia e a Justiça reprimirá, sob aplausos de todo o espectro político institucional e com instrumentos bem questionáveis do ponto de vista legal (que o diga Rafael Braga Vieira, preso por porte de Pinho Sol) até a estranha mistura de recusa à corrupção com uniformes da CBF, passando pelos aplausos a uma das polícias mais brutais e corruptas do universo. Eu diria que o momento histórico já está merecendo o epíteto “decisivo”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-1588" src="https://vianadiego.files.wordpress.com/2015/08/commodi6.jpg?w=550&amp;h=521" alt="Commodi6" width="550" height="521" /></p>
<p>A rigor, o que se pode dizer não é que o país esteja paralisado ou desmobilizado – antes o contrário, isso era o que se dizia antes de 2013 – mas que está amarrado, rodando em falso, tateando às escuras. De um lado, com dificuldade em desapegar-se do PT, ou já desapegados desse partido mas sem ter outro ao qual se referenciar, aqueles com sensibilidade de centro-esquerda sentem que estão no meio de um túnel escuro, com uma luz no fundo se aproximando em alta velocidade, apitando e cheirando a fumaça.</p>
<p>De outro lado, os que têm sensibilidade de centro-direita abrem os jornais e dão com os representantes do partido que poderia acolher seus sentimentos – refiro-me ao PSDB – emitindo declarações cada vez mais tacanhas e retrógradas. E, muitas vezes, nada mais do que tolas. Sem falar na incompetência de um governador que deixa sua capital sem água (e depois mente sem enrubescer, dizendo que isso não aconteceu). Não é sem motivo que se refugiam no mero anti-petismo, sem grande desenvolvimento programático. Em certa medida, é um caso de escapismo.</p>
<p>Assim, na falta das âncoras do que um dia foi o centro, sem ninguém investido de suficiente autoridade moral para, como dizia Fernando Henrique, “administrar o atraso”, o caminho da hegemonia e até, cruz credo, do poder está desimpedido para toda uma malta de fundamentalistas religiosos, saudosos da ditadura, adoradores da truculência policial e qualquer grupelho de desvairados pretensamente politizados, desses cujos cartazes os sensatos – porém órfãos – se comprazem em ironizar, como se esse sarcasmo todo fosse conter a enxurrada do retrocesso.</p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p>Pois é justamente nesse momento que vemos costurar-se um acordo de cúpula operado pela tal classe dominante, e para ela mesma, por cima das nossas cabeças. Um acordo que (repito) se aproveita da própria situação que supostamente vem resolver: a tibieza nos círculos centrais, normalmente os mais parrudos, do sistema político; o Executivo politicamente incapaz e administrativamente imóvel; a Câmara dos Deputados entregue a interesses pessoais e delírios fundamentalistas; a desconfiança global com a economia brasileira. A contrapartida que nos oferecem, se é que se pode falar assim, é a permanência da mandatária no poder, para alegria de seus parcos correligionários restantes – mas como no máximo um fantoche, uma vez que sua equipe já deu inúmeras mostras de incapacidade para recuperar o poder de iniciativa.<sup><span lang="pt-BR"><a class="sdfootnoteanc" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/08/27/na-comunidade-das-frustracoes/#sdfootnote2sym" name="sdfootnote2anc"><sup>2</sup></a></span></sup></p>
<p>Fico me perguntando qual seria o resultado, se o acordo e a “agenda Brasil” forem bem-sucedidos em manter Dilma no posto até o fim do mandato. Afinal, as energias que estão à solta nas ruas do Brasil, a começar pelas do “Fora Dilma” (mas de jeito nenhum se limitando a elas) não vão simplesmente se dissipar. A erosão lenta do PT nesse período não vai contribuir para a elaboração de novas forças de centro-esquerda, assim como a fixação de parte do PSDB com o impeachment – bem como o jogo de caciques do resto do partido – vai manter a centro-direita anestesiada e satisfeita em andar a reboque do extremismo conservador.<sup><span lang="pt-BR"><a class="sdfootnoteanc" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/08/27/na-comunidade-das-frustracoes/#sdfootnote3sym" name="sdfootnote3anc"><sup>3</sup></a></span></sup> Em uma palavra, repetida três vezes: frustração, frustração, frustração.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-1594" src="https://vianadiego.files.wordpress.com/2015/08/screen_shot_2013-12-05_at_91103_pm-142c5ac750e3750d142.png?w=550&amp;h=400" alt="screen_shot_2013-12-05_at_91103_pm-142C5AC750E3750D142" width="550" height="400" /></p>
<p>Há outros pontos nevrálgicos no Brasil contemporâneo onde a frustração pode já estar construindo comportamentos e narrativas insensatos – a frustração é péssima conselheira. Vendeu-se na última década a idéia do Brasil Grande, Brasil Potência, Brasil quinta maior economia, Brasil desenvolvido, sem miséria e assim por diante. Vendeu-se a idéia de que seríamos um país de classe média e que todos teriam chances na vida. De uns tempos para cá, essa imagem ficou reduzida às viagens de avião e ao consumo de roupas e eletrônicos, como no já longínquo episódio do rolezinho – que no entanto ocorreu há menos de dois anos. Mas há elementos muito mais essenciais.</p>
<p>O caso das faculdades, por exemplo. O jovem da classe C, ou “nova classe média”, como se dizia, via no acesso ao ensino superior a porta de entrada para o respeito. Melhor dizendo, o <a href="http://revistaseletronicas.pucrs.br/teo/ojs/index.php/civitas/article/view/4319" target="_blank" rel="noopener noreferrer">reconhecimento</a>. A bolsa do Fies, o ProUni e, mais tarde, o Ciência Sem Fronteiras seriam o caminho para uma carreira de sucesso, algo como um “sonho americano” em que o diploma exerceria um papel crucial. E agora, com cortes no CsF e com um quadro recessivo intenso, como vai reagir quem acreditou nesse sonho, se endividou, passou anos dormindo poucas horas por noite para poder conciliar trabalho e estudo? Alguém que se dá conta de que a faculdade que fez é de baixíssima qualidade; que o mercado de trabalho, não bastasse encolher, ainda por cima esnoba o fruto de tanto esforço?<sup><span lang="pt-BR"><a class="sdfootnoteanc" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/08/27/na-comunidade-das-frustracoes/#sdfootnote4sym" name="sdfootnote4anc"><sup>4</sup></a></span></sup></p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p>Uma das falhas das narrativas polarizadoras, à direita (“petralhas!”) como à esquerda (“coxinhas!”), é fechar os olhos justamente para essa comunidade das frustrações. Pensando bem, chega a ser engraçado se dar conta de que existe um abraço de afogados entre gente que se odeia tanto. Nessa comunidade das frustrações há espaço para todos nós, incluindo aqueles que chegamos a crer, em algum momento, que seria dado um salto quântico na política deste país, e também no dia-a-dia social, quando a miséria extrema fosse erradicada, inviabilizando alguns dos modos pelos quais as oligarquias se perpetuam. Pode até ser (quem sabe?) que esse vácuo, esse impasse, tenha origem numa ainda invisível derrocada das oligarquias… Mas seria invisível mesmo: hoje, tudo que podemos ver é o exato oposto, a oligarquia propondo um acordão de cúpula para superar o impasse da maneira que mais a beneficie. A ela e mais ninguém.</p>
<p>É preciso enxergar melhor essa comunidade da frustração, que transparece, por exemplo, na heterogeneidade das opiniões que uma <a href="http://gpopai.usp.br/pesquisa" target="_blank" rel="noopener noreferrer">pesquisa realizada por universidades paulistas</a> captou nas manifestações “Fora Dilma” do dia 16. Em primeiro lugar: como bem apontaram seus detratores, de fato, verdade verdadeira, a grande maioria das pessoas que ali estavam eram brancas, eleitoras de Aécio Neves em 2014, detentoras de diplomas universitários. São contra cotas (62%) e são punitivistas (60%). O que justificaria, pelo visto, tachá-los de elite, “elite branca”, ou, como eu dizia meses atrás, <a href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/03/21/o-impasse-e-os-impasses/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“a elite que não é elite”</a>.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/08/5diego.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1001" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/08/5diego.jpg" alt="5diego" width="550" height="334" /></a></p>
<p>Mas os tais detratores preferiram ignorar que essa mesma pesquisa aponta nas nossas “manifestações de direita” a concordância “total” com a saúde pública para todos (88%) e gratuita (74%), a educação pública para todos (92%) e gratuita (87%), e com o transporte coletivo (72%) – que poderia ser gratuito, com concordância total ou parcial, para 50,4%. Isso mesmo: metade dos manifestantes “de direita e saudosos da ditadura” vêem algum sentido na idéia de tarifa zero, o que os coloca em linha com os anarquistas do MPL. A mesma multidão supostamente ultra-capitalista rejeita em massa (73%) o financiamento empresarial de campanha.</p>
<p>Acontece que uma multidão como aquela pode parecer um grande bloco quando vista nas fotografias à distância, e mais ainda nos recortes feitos com interesses precisos, ao elencar os cartazes mais esquisitos e os personagens mais pitorescos, como o já batido “por que não mataram todos em 64”. Mas multidões não se deixam apreender assim. Elas costumam se comportar menos como o gado conduzido ao abatedouro e mais como os íons de um campo eletromagnético ainda não polarizado, vinculados por ligações fracas; e no caso dessa multidão de agosto, ligações até mesmo circunstanciais, como a rejeição enfática a um governo em particular.</p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p>O quadro se torna ainda mais heterogêneo se incorporarmos a ele aqueles que rejeitam o governo sem participarem das manifestações – nas periferias, por exemplo. E mais heterogêneo ainda quando lembramos de tantos grupos de esquerda que estiveram nas ruas entre junho de 2013 e o “Não Vai Ter Copa” – sem falar nas manifestações do Movimento Passe Livre também este ano em São Paulo e Belo Horizonte, as greves de professores no Paraná e em São Paulo, a resistência de índios e ribeirinhos em Belo Monte. É muita energia se acumulando, muita raiva, muita hostilidade. E muita repressão, sem dúvida, o que não ajuda em nada. Acima de tudo, muita frustração, o afeto-rei da política brasileira em 2015.</p>
<p>Não consigo deixar de ver uma boa dose dessa frustração no recrudescimento da violência quotidiana, social, que se materializa em massacres como o do Cabula, chacinas como a de Osasco, linchamentos em diversas cidades, estupros recorrentes (fiquei particularmente chocado com um dos casos ocorridos no metrô de São Paulo, felizmente não consumado), ataques a transexuais, atentados contra religiões de matriz africana, a polícia do Rio barrando jovens negros, suburbanos, que queriam ir à praia. Talvez em outra escala, o mesmo valha para a guerra em torno das ciclovias “do Haddad” em São Paulo – na verdade, em torno de qualquer iniciativa do prefeito petista. Com o risco de soar especulativo, anti-científico e o cacete, sinto que tudo isso manifesta uma tensão crescente: as pessoas estão com os nervos à flor da pele e os caminhos mais sensatos para discutir a convivência social estão fechados no Brasil.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/08/6diego.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-1002 alignright" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/08/6diego.jpg" alt="6diego" width="300" height="401" /></a></p>
<p>Tentando clarear um pouco o quadro, eu poderia tentar vincular tudo isso aí acima às expectativas dos diferentes segmentos sociais, tal como expressas, por exemplo, em 2010, o ano do “crescimento chinês”. Uma nova estrutura social, dizia-se, em forma de losango e não mais pirâmide, traria um novo ciclo de desenvolvimento, ao custo dos privilégios de alguns poucos. Quais privilégios? Talvez a falha trágica esteja em não se ter tocado nessa pergunta, levantando assuntos sensíveis e cruciais como o latifúndio, o patrimonialismo e a carteirada. Falou-se bastante em baixar os juros (parece que isso ficou para as calendas gregas) e no fim do trabalho doméstico. E só.</p>
<p>É claro que este último item já seria uma enorme conquista, mas dificilmente viria sozinho e se estabeleceria de maneira duradoura. De fato, continuaremos a ser uns escravocratas mal disfarçados enquanto qualquer assalariado puder contar com uma doméstica em casa. “Ter uma empregada”, como se diz. Qualquer gerente, qualquer assistente. No Brasil, até algumas empregadas domésticas têm empregadas domésticas! Mas não é só a empregada, claro, embora essa seja uma figura paradigmática. O que dizer de porteiros para abrir a porta do elevador, restaurantes com um garçom para cada duas mesas, postos de gasolina cheios de frentistas?</p>
<p>Mas veio o crescimento. Vieram o ProUni e o Fies. Filhos de trabalhadores precários, domésticos em particular, puderam tentar profissões mais bem pagas e consideradas mais dignas. O custo desse trabalho começou a subir e a gritaria foi tão violenta que camponeses da China ouviram e ficaram se perguntando de onde vinha tanta barulheira. Por causa de um único, mísero privilégio ameaçado. Finalmente, estávamos diante da perspectiva de que alguns não seriam mais obrigados a se humilhar e outros teriam de tomar conta da própria vida. E foi um pandemônio.</p>
<p>Acontece que parou por aí. Para contra-atacar a ofensiva anti-governista, os defensores de Dilma podem perfeitamente invocar a raiva de uma elite que vê seus privilégios ameaçados – um deles, pelo menos. “Agora pobre anda de avião e faz faculdade”, como se diz. E o que mais? Os ruralistas seguem exaurindo as terras e metendo a grana no bolso. Os bancos continuam sendo alimentados como gansos de <i>foie gras</i> pelos juros usados para segurar o câmbio e, com ele, a inflação. A mídia continua absurdamente concentrada. Os elefantes brancos da Copa, a poluição e as remoções na “Cidade Olímpica” e e o ecocídio de Belo Monte estão aí para mostrar que o único temor que um empreiteiro precisa ter hoje no Brasil é o de passar uma breve temporada na cadeia. E depois voltar à rotina.</p>
<p>Paradoxo! Mais um para a interminável coleção brasileira: é perfeitamente verdadeira a raiva por causa de privilégios perdidos… e é perfeitamente verdadeira a manutenção dos privilégios históricos. Isto aqui, ô-ô, é um pouquinho de Brasil, iaiá.</p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p>Momentos como este, que misturam agressividade, imobilismo e frustração, sugerem a aproximação de um clímax catártico. Talvez a ascensão de um líder muito carismático, para o bem ou para o mal, arrastando multidões com a promessa de eliminar a sujeira ou reconquistar a pujança nacional, algo assim. Talvez uma guerra civil, um golpe de Estado, um colapso financeiro. Já passamos por algumas dessas experiências, e até mais: tivemos também um suicídio.</p>
<p>A esta altura, uma possível catarse seria o tão propalado impeachment de Dilma, com suas variantes – impugnação da chapa, renúncia, licença médica. Fico imaginando como seria esse momento (talvez eu descubra logo), dado o nível de tensão em que as pessoas se encontram. Seria certamente uma imagem impactante, o retrato vivo da destruição do PT, que alguns iam vivenciar como epifania e outros tentariam retratar com tintas de tragédia – Dilma, aliás, certamente tem cara de quem se esforçaria para ser um Creonte do planalto central…</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/08/7diego.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1003" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/08/7diego.jpg" alt="7diego" width="550" height="309" /></a></p>
<p>É mesmo preciso discutir a sério o que seria essa catarse, o que ela implicaria, o que viria depois, a quem interessa – e o que podemos esperar caso ela não ocorra. Esta última hipótese talvez seja a mais fácil de responder: a tensão continuaria crescendo, o PT continuaria sendo carcomido, os tucanos continuariam em suas disputas de caciques. As sensibilidades mais ao centro, esquerda como direita, seguiriam órfãs, e talvez pudéssemos torcer avidamente pela recomposição de outras forças para ocupar esse espaço antes que sobrevenha a próxima reviravolta – ou, para seguir na analogia teatral, a próxima peripécia –, que seria cataclísmica. Caso contrário, vozes no estilo Reinaldo Azevedo vão encontrar cada vez mais ressonância e cada vez mais hidrófobos passariam à ação. Para não falar em personagens terríveis, daqueles que circulam pelo meio político e podem fazer leis, controlar orçamentos públicos, gozar de imunidade parlamentar…</p>
<p>Sobre a catarse de um impeachment ou renúncia, meu medo é que ocorra o exato oposto disso: que as tensões se acalmem de uma vez só – o que seria uma ilusão temporária, sem dúvida. Nesse cenário, Dilma desceria a rampa, em grande medida, com o figurino de um bode expiatório, sacrificado pela pólis (estranha pólis, essa nossa) para expurgar nossas incontáveis transgressões. Não é por acaso que um dos maiores interessados em manter de pé a tese do impeachment (mas talvez não levá-lo a cabo) é justamente Cunha, no esforço de enfraquecer o governo e afastar de si próprio o perigo espectral das investigações de corrupção.</p>
<p>Na imaginação simplória de muita gente, a remoção do PT do poder significaria o sucesso do combate à corrupção, a realização definitiva de um processo acompanhado com avidez; daí por diante, nada mais seria necessário fazer, o problema estaria resolvido, o mal cortado pela raiz. Seria possível voltar ao dia-a-dia, ao “business as usual”, à vida de sempre. Mas a vida de sempre, no Brasil, bem sabemos o quanto envolve a violência, a corrupção, o déficit democrático. Sangra o boi de piranha, a boiada segue firme, pisoteando o território.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/08/8diego.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1004" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/08/8diego.jpg" alt="8diego" width="550" height="293" /></a></p>
<p>Escoar todas as frustrações pelo buraco negro de um impeachment poderia ter a vantagem de evitar a explosão que se anuncia, mas seria uma solução falsa, que removeria o ímpeto daquela que talvez seja a única boa notícia do momento: a ofensiva contra as relações incestuosas entre grande capital e grande política no Brasil, que são, não custa lembrar, generalizadas e suprapartidárias (prefiro dizer: diapartidárias). Passado o momento catártico, permaneceria o rancor. Novas frustrações se somariam às já existentes quando ficasse claro o quanto as estruturas permanecem intocadas – estruturas que sustentam o incesto mencionado acima.</p>
<p>Muitos da multidão presente no “Fora Dilma” se sentiriam traídos e, mais uma vez, frustrados. Mas é bastante comum que mobilizações multitudinárias acabem resultando em transformações políticas que em nada lembram as reivindicações originais dos protestos; está aí a Primavera Árabe que não me deixa mentir. Acontece que, ao provocar um curto-circuito no exercício quotidiano do poder, essas mobilizações abrem espaço para oa ação de outras forças e outros poderes, em geral mais organizados e com objetivos mais claros que os seus. No nosso caso, ainda não chegamos a esse ponto, já que a tal classe dominante entrou em ação.</p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p>Isso tudo é o que caracteriza o impasse, o mato-sem-cachorro, o vai-não-vai. Estamos entre dois pólos. Aqui, uma catarse que nada resolve, mas passa a impressão de resolver, para a alegria dos eventuais sobreviventes – Cunha à testa. Ali, o acordão que tudo resolve, mas seria melhor que não resolvesse, porque só resolve para uns e deixa o abacaxi na mão de todos os demais – você e eu, basicamente. No meio, um governo que já se demonstrou inviável em inúmeras ocasiões desde 2011, incapaz de garantir vitórias parlamentares com segurança mesmo nos momentos de maior apoio popular, e hoje sem quase nenhuma popularidade, nenhum poder de iniciativa e nenhum diálogo com as próprias bases, isto é, com o que um dia foram suas bases.</p>
<p>Seguimos assistindo ao desenrolar da trama em nossa comunidade de frustrações, em nosso abraço de afogados. Seguimos torcendo pelos nossos grupos políticos favoritos e odiando uns aos outros. Seguimos acompanhando as chacinas reiteradas e a dissolução dos códigos de convívio social, acusados de “defender bandido” e outras imbecilidades. Aqui na terra, como diz Chico Buarque, vão jogando futebol; mas cada vez pior, e nem uma goleada em casa por 7 a 1 nos dá forças para derrubar o <i>Ancien Régime</i>. E seguindo com Chico – já que citei o pai, cito o filho também: uns dias chove (cada vez menos), outros dias bate sol (cada vez mais forte), “mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta”.</p>
<p class="western" lang="pt-BR" style="text-align: center;"><strong>NOTINHAS</strong></p>
<div id="sdfootnote1">
<p class="sdfootnote-western"><a class="sdfootnotesym" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/08/27/na-comunidade-das-frustracoes/#sdfootnote1anc" name="sdfootnote1sym">1</a><span lang="pt-BR">Há também os exemplos que contaram com expressivo apoio popular, como a candidatura de Tancredo (depois de rejeitada a emenda Dante de Oliveira) e a derrubada de Collor.</span></p>
</div>
<div id="sdfootnote2">
<p class="western"><a class="sdfootnotesym" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/08/27/na-comunidade-das-frustracoes/#sdfootnote2anc" name="sdfootnote2sym">2</a><span lang="pt-BR">É especialmente difícil analisar uma conjuntura em que uma das principais variáveis é a incompetência e o comportamento errático de um pequeno grupo de indivíduos que ocupam uma posição central. Nos últimos meses, até anos, houve várias ocasiões em que portas se abriram para que o governo saísse das cordas, e ele mesmo preferiu continuar levando bordoadas. Não dá para explicar. Tudo seria muito diferente com lideranças mais sagazes.<br />
</span></p>
</div>
<div id="sdfootnote3">
<p class="western"><a class="sdfootnotesym" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/08/27/na-comunidade-das-frustracoes/#sdfootnote3anc" name="sdfootnote3sym">3</a><span lang="pt-BR">Que está estranhamente misturado a grupos ultra-liberais em economia, composto por jovens incultos que importaram suas idéias de neo-conservadores americanos, já desqualificados em seu próprio país.</span></p>
</div>
<div id="sdfootnote4">
<p class="western"><a class="sdfootnotesym" href="https://vianadiego.wordpress.com/2015/08/27/na-comunidade-das-frustracoes/#sdfootnote4anc" name="sdfootnote4sym">4</a><span lang="pt-BR">No que está muitas vezes enganado, diga-se. O diploma de uma péssima faculdade, na mão de um formando esforçado e ambicioso, pode valer bem mais do que o de muitos colegas que tive da USP.</span></p>
<p class="western">
</div>
</div>
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