<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<atom:link href="https://marcozero.org/tag/saude-publica/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 May 2026 13:49:30 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.10</generator>

<image>
	<url>https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/02/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
	<link>https://marcozero.org/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Receita de empatia</title>
		<link>https://marcozero.org/receita-de-empatia/</link>
					<comments>https://marcozero.org/receita-de-empatia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 15:24:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[petrolina]]></category>
		<category><![CDATA[saúde da família]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=75346</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em postagens nas redes sociais, repercutem as reportagens sobre um médico de Saúde da Família de Petrolina na Folha de S. Paulo, Globo, Record, Correio Braziliense. Há motivos para tamanha notoriedade: ele criou uma ferramenta online para elaborar receitas que facilitam a vida dos pacientes, ajudando as pessoas analfabetas ou com pouco letramento a entender [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/receita-de-empatia/">Receita de empatia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em postagens nas redes sociais, repercutem as reportagens sobre um médico de Saúde da Família de Petrolina na Folha de S. Paulo, Globo, Record, Correio Braziliense. Há motivos para tamanha notoriedade: ele criou uma ferramenta online para elaborar receitas que facilitam a vida dos pacientes, ajudando as pessoas analfabetas ou com pouco letramento a entender o passo a passo do tratamento.</p>



<p>A tal ferramenta se traduz em um site chamado <a href="https://www.cuidadoparatodos.com.br/sobre" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cuidado para Todos</a> e possibilita aos médicos gerarem prescrições com desenhos, ícones e adesivos no lugar daqueles garranchos incompreensíveis. Em uma das matérias publicadas leio que o médico se chama Lucas Cardim e que, antes de criar o sistema com ajuda de um amigo de infância que hoje trabalha na Suíça como engenheiro de software do Google, ele perdia um tempão desenhando xícaras, sol, lua e colheres no receituário de papel.</p>



<p>As receitas desenhadas a mão já tinham rendido alguma repercussão em blogs locais, mas agora foi pra valer, viralizou a tal ponto que <a href="https://www.youtube.com/@drauziovarella">Dráuzio Varela o convidou para participar de um podcast em São Paulo</a>, gravado na terça-feira, 5 de maio. Na véspera, ele gravou sua participação no programa Caldeirão do Mion, da Rede Globo.</p>



<p>Vida de celebridade. Ou subcelebridade. No entanto, nada mais distante da personalidade e dos objetivos desse sujeito.</p>



<p>Depois que li as notícias e conversei um pouco com Cardim, percebi que o Cuidado para Todos é a síntese das motivações que levaram Cardim a fazer o Enem para Medicina, anos depois de concluir sua primeira graduação em Jornalismo.</p>



<p>Foi nessa época em que o conheci, quando fizemos juntos um livro para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ele como fotógrafo e eu como escriba, percorremos Alagoas para contar o que estava por trás da redução dos números da mortalidade infantil. Graças aos burocratas da agência das Nações Unidas em Brasília, o que devia ser um instigante livro-reportagem se tornou um calhamaço burocrático, tão aborrecido quanto pretensioso. Mas isso é outra história, um mero comentário ácido repleto de recalque ou ressentimento.</p>



<p>O que importa agora é contar que as dezenas de visitas que fizemos a postos de saúde em vilarejos na beira de estrada e UTIs em maternidades públicas alagoanas encerraram a carreira do repórter-fotográfico Lucas Cardim e o levaram à medicina.</p>



<p>“Não sou capaz de melhorar a vida das pessoas com a fotografia, vou estudar para cursar Medicina. Como médico vou poder fazer alguma coisa”. Foram essas suas palavras – ou quase – quando me contou sobre a decisão que tomara. Não sei dizer se a maior inspiração veio do sentimento de indignação diante do péssimo exemplo de um médico que só aparecia uma vez por semana numa unidade de saúde em Santana do Ipanema ou do respeito diante do pediatra que dobrava plantões na UTI do hospital de Arapiraca.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Do sonho à prática</h2>



<p>Mais de uma década depois, não me surpreendi ao ver seu nome associado à preocupação com as camponesas e camponeses que atende no posto de saúde de Bebedouro, zona rural de Petrolina, onde vive desde que se formou na Universidade Federal do Vale do São Francisco.</p>



<p>Mais do que se preocupar, ele não ficou paralisado, salivando indignação, esperando algo ou alguém aparecer com alguma solução. Ele correu atrás, imaginou uma saída e mobilizou gente que seria capaz de, assim como ele, trabalhar de graça para tornar realidade a ideia que concebeu.</p>



<p>Ele não acredita em soluções individuais ou milagres particulares. Agora, depois e arrumar um jeito de melhorar as receitas que passa para os pacientes, quer transformar isso em política pública, quer que outras pessoas sejam beneficiadas, quer motivar outros colegas médicos e médicas a usarem o site.</p>



<p>Isso é puro suco de Lucas Cardim.</p>



<p>“O acesso é gratuito, qualquer profissional de qualquer local do Brasil pode acessar e usar. Estamos conversando com o Ministério da Saúde para doar os códigos e fazer toda a transferência de tecnologia para o SUS”, explica. Inicialmente, ele me disse que outros dez municípios de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo estão treinando os profissionais de saúde de suas respectivas redes para usar a ferramenta. Depois de gravar o podcast com Varela, me enviou um áudio pelo zap dizendo que Davi Rios, seu amigo do Google na Suíça atualizou os dados de acesso e uso da plataforma: agora são pelo menos 200 médicos usando os formulários de receitas em 22 estados brasileiros.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="973" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-973x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-75366 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-973x1024.jpeg 973w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-285x300.jpeg 285w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-768x808.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-150x158.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio.jpeg 1253w" sizes="(max-width: 973px) 100vw, 973px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>No áudio, sua voz estava cansada. Foram vários voos, um atrás do outro, engarrafamentos em São Paulo e Rio de Janeiro, filmagens cansativas. “Estou indo pro aeroporto, não vejo a hora de voltar para casa, colocar meu filho para dormir e, depois, retomar os atendimentos”.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Quando fala em voltar ao trabalho, Cardim está se referindo a consultas que podem durar mais de uma hora com os homens, mulheres e crianças do Bebedouro que costuma ir à unidade de saúde da família local. Sim, é isso mesmo que você leu: consultas de mais de uma hora de duração no SUS, algo que é raro até mesmo em clínicas particulares. No Recife mesmo, sei de médicos especialistas que chegam numa policlínica da prefeitura da zona norte às 7h da manhã, atendem 30 pacientes no <em>vapt-vupt</em> e, às 8h, estão de saída, direto para seu consultório privado. E ai de quem ousar cobrá-los por um atendimento decente.</p>



<p>O posto do Bebedouro não é uma unidade básica de saúde tão básica assim. Por insistência dele, a secretária de saúde e o curso de Medicina da UFPE assinaram um convênio vinculando a unidade ao programa de residência médica de Medicina da Família e Comunidade. Assim, ele recebe alunos e alunas, atuando como preceptor. </p>



<p>O detalhe é que as três impressoras do posto usadas para imprimir os relatórios dos residentes e as próprias receitas geradas no site Cuidado para Todos foras compradas por Cardim. Aliás, conversei com outros dois profissionais da rede municipal de saúde de Petrolina que, para usar a ferramenta, também tiveram que levar suas respectivas impressoras para o local de trabalho.</p>



<p>A assessora de imprensa da secretaria municipal de Saúde, todavia, me garantiu que &#8220;já está na fase final de aquisição dos equipamentos necessários para a expansão do projeto. Assim que os aparelhos chegarem, a implantação será iniciada de forma gradativa em toda a rede municipal de saúde”. Petrolina conta com 57 Unidades Básicas de Saúde e seus 420 mil habitantes têm 85% de cobertura da Estratégia Saúde da Família.</p>



<p>Lucas Cardim não espera pela burocracia do serviço público. Mesmo admitindo que é preciso discutir &#8220;como outras boas ideias podem desaparecer no abismo que existe entre a assistência e a gestão&#8221;, ele continua sonhando alto. No texto de apresentação da plataforma que criou, ele revela que &#8220;sonha em transformar a Unidade Básica do Bebedouro em uma Unidade Escola Rural, incluindo a agricultura de subsistência e alimentação saudável como parte indissociável dos cuidados em Saúde&#8221;.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/receita-de-empatia/">Receita de empatia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/receita-de-empatia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</title>
		<link>https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/</link>
					<comments>https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 22:31:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[bebida]]></category>
		<category><![CDATA[cegueira]]></category>
		<category><![CDATA[intoxicação]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=72630</guid>

					<description><![CDATA[<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/">Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Náuseas, enjoo, cólica abdominal, letargia. Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol podem se assemelhar à uma ressaca, mas é um quadro que pode evoluir para a morte. Usado como solvente na indústria, o metanol é altamente tóxico para seres humanos e pode estar no uísque que foi bebido por um grupo de homens em Lajedo, no agreste de Pernambuco. Um ficou cego e a polícia investiga se a morte de outros três têm relação com a contaminação da bebida. Apesar do cheiro e do gosto serem bastante semelhantes ao do etanol – o álcool consumido em bebidas –, os danos ao corpo são bem diferentes.<br><br>Ao ser ingerido, o metanol é metabolizado pelo fígado primeiro em formaldeído (o popular &#8220;formol&#8221;) e posteriormente em ácido fórmico, o que causa acidez no sangue, levando a uma acidose metabólica grave. “Como o fígado precisa de tempo para metabolizar o metanol até o ácido fórmico, os sintomas não são imediatos. A pessoa pode tomar a bebida em uma festa e ir para casa tranquilamente, não é como um &#8216;boa-noite cinderela&#8217;”, afirma o médico Pedro Alves, preceptor de clínica médica do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/" class="titulo">Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><br>O envenenamento por metanol se manifesta em média de 12 a 24 horas após a ingestão da bebida adulterada, com sintomas genéricos de uma intoxicação qualquer. “O que vai chamar atenção na evolução dos sintomas são as manifestações neurológicas e oftalmológicas: uma dor de cabeça muito forte, desorientação, vista turva. Mesmo algum tempo depois de beber, a pessoa ainda vai estar como se estivesse meio embriagada. Isso aí já é a toxicidade do metanol”, diz o médico.<br><br>Um artigo de revisão científica de intoxicações por metanol, publicado em 2022 na <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8731680/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revista Archives of Toxicology</a> por pesquisadores poloneses indicou que a intoxicação por metanol tem taxas de mortalidade variando entre 18% e 44%, segundo dados dos Estados Unidos. Danos à visão são comuns: estima-se que sintomas visuais ocorram em cerca de 50% dos casos.</p>



<p>“O ácido fórmico atinge o sistema nervoso central. E o nervo óptico faz parte do sistema nervoso central”, explica a oftalmoglogista Camilla Alliz, preceptora de catarata e retina na Fundação Altino Ventura (FAV). Chamada de Neuropatia Óptica Induzida por Metanol, essa condição é muito grave e pode resultar em deficiência visual de longo prazo ou irreversível, levando até à cegueira. “O consumo de apenas 4 ml de metanol pode ser suficiente para provocar a perda completa da visão”, alerta a oftalmologista. Os sintomas visuais normalmente se manifestam entre 12 e 48 horas após a exposição, segundo o artigo de 2022. De acordo com nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) divulgada hoje, a dose oral letal do metanol é estimada em 30 a 240ml(20a150g).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/Metanol-siste-nervoso-Ribhav-Agrawal-Pixabay-300x189.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/Metanol-siste-nervoso-Ribhav-Agrawal-Pixabay-1024x646.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/Metanol-siste-nervoso-Ribhav-Agrawal-Pixabay-1024x646.png" alt="A imagem é uma ilustração artística do perfil de uma cabeça humana, voltada para a esquerda, com destaque para o cérebro e o sistema nervoso. O rosto e a cabeça são representados em tons de azul escuro, enquanto o cérebro aparece em cores vibrantes — rosa, vermelho, roxo e fios luminosos em amarelo e laranja — que lembram feixes de energia ou conexões neurais. Os fios luminosos se entrelaçam de forma densa, transmitindo a ideia de atividade cerebral intensa e redes de sinapses. O fundo é preto, o que realça ainda mais o contraste das cores brilhantes." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Nervo ótico compõe o sistema nervoso central
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ribhav Agrawal/Pixabay</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Quando o metanol causa danos ao nervo óptico, a maioria dos casos é irreversível, diz Camilla Alliz. “A grande preocupação é que, uma vez atingido o nervo óptico, muitas vezes não é possível reverter o quadro. O paciente pode primeiro perceber uma visão embaçada. Ou, muitas vezes, o paciente acorda e já não consegue enxergar, pode ser algo súbito”, alerta Alliz. Quando chega nesse ponto, é difícil que o paciente volte a enxergar. “Infelizmente, quando atinge o nervo óptico, que faz parte do sistema nervoso central, a maioria das vezes não se consegue reverter o dano. E não existe transplante de nervo óptico. Se a pessoa sentir qualquer alteração visual, precisa imediatamente ir na emergência”, avisa a médica.</p>



<p>A identificação e o tratamento rápidos são importantes para evitar a progressão da doença, mesmo que já se tenha algum déficit visual inicial. O diagnóstico precoce, porém, não é tão simples, por conta dos sintomas inespecíficos da intoxicação.</p>



<p>Existe um teste que aponta a presença de metanol, mas é pouco disponível no Brasil. “O que o médico pode fazer se o paciente chegar com histórico de ingestão de bebida alcoólica na noite ou no dia anterior, com sintomas persistentes, é ver se há acidose metabólica, que pode ser identificada através de um exame de sangue simples”, recomenda o médico Pedro Alves. A partir daí, o tratamento pode incluir antídotos contra o metanol e hemodiálise.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Antídotos estão em falta ou escassos no Brasil</h2>



<p>Há dois antídotos usados em hospitais para intoxicações por metanol. Um é o etanol puro e o outro o fomepizole (ou 4-metilpirazol) – ambos impedem a conversão do metanol no perigoso ácido fórmico. No Brasil, porém, não há disponibilidade do fomepizole. “É o mais indicado, pois não tem os efeitos colaterais do etanol”, pontua Pedro Alves.<br><br>O tratamento, então, é feito com etanol puro na veia, que também não está plenamente disponível nos hospitais e deve ser solicitado ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Pernambuco (CIAtox) mais próximo. Mas até o etanol está em escassez: em nota na terça-feira (30), o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp apontou que o Brasil não tem estoque suficiente de antídotos para tratar muitos casos de intoxicação por metanol. Já a Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Abracit) cobrou a incorporação do fomepizole ao Sistema Único de Saúde (SUS).<br><br>A base científica para o uso do etanol puro é que ele compete com o metanol pelo metabolismo no fígado, e a enzima do fígado que realiza essa conversão, a álcool desidrogenase (ADH), tem uma afinidade até 20 vezes maior pelo etanol do que pelo metanol. “É como se o metanol e o etanol estivessem competindo para serem metabolizados por essas enzimas hepáticas. Como o fígado tem uma predisposição a metabolizar preferencialmente o etanol, ao injetar etanol no paciente o fígado fica ocupado, fazendo com que o metanol não metabolizado seja eliminado do corpo pela urina”, explica Pedro Alves.<br><br>Embora o álcool comum encontrado nas bebidas seja de fato um antídoto que pode salvar vidas em casos de intoxicação por metanol, não é recomendado que ele seja administrado por meio do consumo de bebidas alcoólicas, devido aos riscos e à falta de controle. “A pessoa pode entrar em coma alcoólico, por exemplo”, diz Pedro Alves. No ambiente hospitalar (com etanol venoso), a dosagem é monitorada, e o paciente é acompanhado de perto, o que não ocorre na ingestão caseira.<br><br>A terapia combinada, que inclui antídoto e hemodiálise, é a abordagem preferencial para casos graves, pois permite a remoção acelerada e simultânea tanto do metanol quanto do ácido fórmico. Enquanto as investigações policiais e epidemiológicas estão em curso e não se sabe ainda a origem e distribuição dessas bebidas contaminadas com metanol em Pernambuco, os médicos recomendam que as pessoas redobrem a atenção ao comprar bebidas alcóolicas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Foi divulgada no começo da noite desta quarta-feira (01) uma nota técnica conjunta da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde e Atenção Primária (SEVSAP) e a Secretaria Executiva de Atenção à Saúde (SEAS). É um alerta sobre risco de intoxicação exógena por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.</p>
<p>No texto, a nota afirma que o padrão identificado nos casos de São Paulo – mais de 35 sob suspeita – diferem dos registros anteriores no país. “Historicamente, as intoxicações por metanol ocorriam predominantemente em populações em situação de vulnerabilidade social, relacionadas à ingestão de álcool combustível (etanol automotivo) adulterado com metanol. No entanto, os casos recentes envolvem indivíduos em contextos sociais de consumo — como bares, festas e residências — com relato de ingestão de bebidas como gin, uísque, vodca e outras destiladas, de diferentes marcas e procedências”.</p>
<p>A nota, voltada para profissionais de saúde, estabelece os procedimentos que devem ser adotados em suspeita de intoxicação por metanol e ficará disponível no site da Secretaria Estadual de Saúde.</p>
        </div>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/">Entenda por que o metanol pode matar ou levar à cegueira irreversível</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/entenda-por-que-o-metanol-pode-matar-ou-levar-a-cegueira-irreversivel/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/</link>
					<comments>https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Oct 2025 18:59:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[adulteração]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[polícia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=72632</guid>

					<description><![CDATA[<p>Apesar de oficialmente o Governo do Estado trabalhar com três casos suspeitos, mais uma pessoa pode ter consumido bebida envenenada com metanol em Pernambuco. Além das duas mortes notificadas à Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), uma terceira pessoa que estava bebendo com as outras vítimas teria sido levada para uma unidade de saúde em Lajedo, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/">Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Apesar de oficialmente o Governo do Estado trabalhar com três casos suspeitos, mais uma pessoa pode ter consumido bebida envenenada com metanol em Pernambuco. Além das duas mortes notificadas à Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), uma terceira pessoa que estava bebendo com as outras vítimas teria sido levada para uma unidade de saúde em Lajedo, no agreste do estado, e falecido antes mesmo de ser levada para o Hospital Regional Mestre Vitalino, em Caruaru, onde as outras três vítimas foram atendidas – apenas um homem sobreviveu, perdendo a visão.</p>



<p>A informação foi repassada no final da manhã desta quarta-feira (1º de outubro) pelo delegado de Lajedo, Cledinaldo Orico, na sede da SES-PE, no Recife. “Nós fomos informados sobre a existência de outra pessoa que veio a falecer. Então, seriam três mortos, mas o hospital não notificou e pode ser que tenha havido alguma confusão nos depoimentos. Nós não sabemos ainda”, afirmou. De acordo com o delegado, as mortes ocorreram no início de setembro e a delegacia começou a investigar o caso rapidamente, inclusive com vítimas ainda hospitalizadas.</p>



<p>O Hospital Mestre Vitalino, no entanto, só notificou a SES-PE na tarde de ontem sobre a suspeita de intoxicação por metanol. De acordo com o delegado, amostras da bebida foram recolhidas na investigação no começo de setembro, mas o resultado ainda não ficou pronto e deve ser divulgado “em breve”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/" class="titulo">Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/saude/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Saúde</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“A esposa de uma das vítimas nos procurou e nos apresentou algumas garrafas de uísque, supostamente corrompidas. Então nós, de imediato, procedemos à oitiva dessa senhora enquanto o marido dela estava em estado grave no hospital, em Caruaru. De imediato, já requisitamos também a realização da perícia, tanto nos corpos dos atendidos, quanto também na bebida. Temos uma suspeita grande (sobre a intoxicação por metanol), mas ainda não temos certeza, porque a certeza depende da perícia técnica”, afirmou o delegado. “O esposo da mulher que procurou a delegacia veio a óbito. Ela também nos deu a notícia de outro homem que morreu, que até então não se suspeitava ter sido por intoxicação, mas que por conta da sequência de internamentos, gerou essa coincidência e foram feitas essas conexões”, disse, sobre a possível terceira morte suspeita.</p>



<p>Uma das linhas de investigação seguidas pela polícia aponta que uma das vítimas teria comprado uma quantidade de garrafas de uísque em um caminhão. “Ele teria comprado para revender, mas também consumiu com os amigos antes de um festival de rock em Lajedo. Uma linha informa que ele adquiriu isso de um caminhão na cidade de Belo Jardim, mas há a possibilidade dessa informação não ser verídica, então estamos checando”, disse o delegado, que não quis informar que outras linhas de investigação também estão sendo apuradas. Uma das vítimas era moradora da cidade de João Alfredo, distante quase 150 quilômetros de Lajedo.</p>



<p>Dessas pessoas que beberam a bebida, as duas que tiveram a morte notificada ontem à SES-PE foram dois homens, um de 30 anos e outro de 43 anos. O sobrevivente foi um cunhado de uma das vítimas, de 32 anos, que perdeu a visão dos dois olhos. A prefeitura de Lajedo também teria informado a morte de um homem de 25 anos, mas esta ainda não notificada oficialmente à SES-PE.</p>



<p>Para não atrapalhar as investigações, a polícia não informou a quantidade de garrafas compradas pela vítima, nem se já identificou o vendedor ou o local de onde o caminhão pegou as bebidas. O rótulo da bebida adulterada também não foi divulgado. O caminhão apontado pelo comprador teria como origem o estado de São Paulo.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:33% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-72645 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-1366x2048.jpg 1366w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-2-delegado-scaled.jpg 1707w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Nós também comunicamos aos outros órgãos policiais e à cadeia hierárquica, a fim de sabermos se no estado de Pernambuco há outros indivíduos também vitimados pela ingestão dessas substâncias, bem como também oficiamos à polícia de São Paulo para ver se há um elo comum entre as mortes ocorridas em São Paulo e os casos aqui em Pernambuco. As investigações estão apenas no início e a nossa preocupação é evitar que novas vítimas surjam”, disse Orico, afirmando que a Polícia Federal também já começou diligências em Pernambuco.</p>
</div></div>



<p> “Por ora, não temos ainda confirmação que se trata de uma mesma cadeia de fornecimento, com penetração em vários estados. Mesmo assim, a Polícia Federal, muito prudentemente, já se antecipou e já iniciou as suas investigações”, afirmou.</p>



<p>Diretora geral da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Karla Baêta afirmou que só no final da tarde de ontem o hospital notificou a SES-PE sobre a possibilidade de duas mortes terem sido causadas por metanol. “Se não tem a notificação, não tem como a gente saber. Então, desde ontem, estamos nesse trabalho de iniciar a investigação epidemiológica sanitária, que é diferente da investigação policial”, disse.</p>



<p>“É uma perda de oportunidade um caso ter acontecido no início de setembro e a gente só ter ciência agora, quase no início de outubro. Quase 30 dias de lacuna. É perda de oportunidade, mas a gente só tem como saber se é notificado”, lamentou a diretora. “Por isso que eu faço realmente uma chamada para os profissionais de saúde, hospitais, rede pública ou privada, para que notifiquem, para que nos cientifiquem dessas ocorrências, para que possamos atuar oportunamente”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Atendimento de casos suspeitos deve ser rápido</span>

		<p>Os sintomas nas seis horas após o consumo de metanol não diferem dos de uma ressaca: letargia, sonolência, dor abdominal, ânsia de vômito, náusea, dor de cabeça. “O problema é que a partir das seis horas começa a aumentar o número de sintomas neurológicos e visuais. Ou seja, a pessoa já começa a ficar com hipotensão, já começa a também ter distúrbios de visão. É um alerta muito forte para procurar a unidade de saúde e relatar na anamnese (nas perguntas da consulta médica) o consumo da bebida. Isso é muito importante, porque facilita tanto para quem vai procurar a unidade de saúde, quanto para os profissionais que estejam alertas com relação a esses sintomas”, informou a diretora da Apevisa.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Atenção à origem das bebidas</h2>



<p>A Apevisa está desde ontem atuando em três linhas: “uma primeira linha é realmente organizar com as vigilâncias sanitárias dos municípios o comércio de bebida alcoólica. Estamos em contato com a superintendência do Ministério da Agricultura aqui no estado de Pernambuco, que é responsável pelo registro das bebidas alcoólicas e o que deve acontecer é uma operação conjunta, entre a Apevisa, Ministério Público, Ministério da Agricultura, Delegacia do Consumidor e o Procon”, afirmou Karla Baêta.</p>



<p>Uma outra linha de atuação é junto aos serviços de saúde. “Os profissionais de saúde têm que estar em alerta para a detecção e tratamento oportuno para que a gente não tenha novos óbitos. Isso é de extrema importância. Nesse momento, que é um alerta nacional, sintomas que são compatíveis com intoxicação, que seria sintoma de embriaguez mais acentuado, já direcionam a necessidade de que as pessoas procurem a unidade de saúde e façam relato de que bebida foi consumida e onde foi adquirida, para que facilite o nosso trabalho”, afirmou.</p>



<p>Outro trabalho é junto aos consumidores e comerciantes. A diretora da Apevisa recomenda que as pessoas comprem bebidas alcoólicas apenas lacradas, com os selos do Ministério da Agricultura e em lugares confiáveis. Um ponto de atenção são as bebidas vendidas nas praias, como drinks, que já chegam ao consumidor nos copos. “É um trabalho junto aos comerciantes, para que comprem as bebidas apenas de fornecedores idôneos. Bebidas que estejam dentro da legalidade, tanto do ponto de vista do Ministério da Agricultura, quanto da vigilância sanitária”, afirmou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-3-apevisa-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-3-apevisa-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/10/metanol-coletiva-3-apevisa-1024x683.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Karla Baêta, da Apevisa, afirmou que atraso na notificação foi &#8220;oportunidade perdida&#8221;
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/">Polícia investiga origem de uísque adulterado por metanol e quatro casos suspeitos em Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/policia-investiga-origem-de-uisque-adulterado-pro-metanol-e-quatro-casos-suspeitos-em-pernambuco/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol</title>
		<link>https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/</link>
					<comments>https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 23:36:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[metanol]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=72614</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) divulgou na noite desta terça-feira (30) que foi notificada sobre possíveis casos de intoxicação por metanol em três homens do Agreste, resultando em duas mortes e uma sequela grave. Dois homens são residentes no município de Lajedo e um de João Alfredo. Os três pacientes pernambucanos foram atendidos [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/">Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) divulgou na noite desta terça-feira (30) que foi notificada sobre possíveis casos de intoxicação por metanol em três homens do Agreste, resultando em duas mortes e uma sequela grave. Dois homens são residentes no município de Lajedo e um de João Alfredo. </p>



<p>Os três pacientes pernambucanos foram atendidos no Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru. Os dois homens que morreram eram moradores de Lajedo. O terceiro paciente, morador de João Alfredo, recebeu alta hospitalar, mas ficou com perda de visão bilateral como sequela permanente.</p>



<p>Pernambuco é o segundo estado a notificar mortes suspeitas por metanol. Desde a semana passada, o governo do estado de São Paulo investiga intoxicações por lá. Hoje, foi divulgado que cinco pessoas morreram após sete casos de intoxicação por metanol em São Paulo, sendo uma morte já comprovadamente causada por consumo de bebida alcoólica adulterada e quatro em investigação. </p>



<p>Ainda não se sabe como as bebidas foram adulteradas. Há divergências entre a Polícia Federal e o governo de São Paulo. Hoje, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, informou que já foi instaurado inquérito policial para investigar as circunstâncias envolvendo os casos de intoxicação em São Paulo. A Polícia Federal investiga, inclusive, a ligação da adulteração de bebidas alcoólicas com o crime organizado, em especial o Primeiro Comando da Capital (PCC). Já o governo de São Paulo descarta ligação das adulterações com o PCC. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que é metanol?</span>

		<p>O metanol, também conhecido como álcool metílico ou álcool de madeira, é uma substância química que representa um risco fatal quando consumido, mesmo em doses pequenas. Embora pertença à mesma família do etanol (o álcool potável), o metanol é classificado como altamente tóxico e é usualmente empregado na indústria química.</p>
<p>A presença do metanol em bebidas destinadas ao consumo humano indica, geralmente, que o produto foi adulterado. Nos casos recentes em São Paulo, as vítimas haviam consumido bebidas destiladas, como gin, whiskey e vodka.</p>
	</div>



<p>De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), em casos suspeitos de intoxicação, o hospital é responsável por relatar o quadro clínico, notificar a ocorrência e registrar as informações coletadas na anamnese. Contudo, a investigação é conduzida pelas vigilâncias da unidade estadual. Quando há óbito com suspeita de intoxicação, o corpo é encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para a realização de exames que garantam a conclusão da causa.</p>



<p>A Apevisa afirmou que após receber a notificação já iniciou a preparação de ações de fiscalização em distribuidoras de bebidas alcoólicas de Pernambuco. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Sintomas de alerta</h2>



<p>Segundo a SES-PE, os sintomas iniciais de intoxicação podem ser confundidos com os da ingestão de álcool comum — como náuseas, vômitos, dor abdominal e sonolência. Porém, entre 6h e 24h após o consumo, podem surgir sinais mais graves, como visão turva, fotofobia, cegueira, convulsões e até coma. O socorro médico em até seis horas após o início dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento da intoxicação.</p>



<p>A Apevisa recomenda que os serviços de saúde notifiquem imediatamente todos os casos suspeitos ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e ao Cievs/PE. Também orienta a busca ativa de pessoas que possam ter consumido bebidas da mesma origem, além da capacitação das equipes de saúde para o manejo clínico adequado, incluindo uso de antídotos específicos e hemodiálise nos casos graves.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Onde denunciar possíveis bebidas adulteradas</span>

		<p>O Governo do Estado conta com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox-PE), que funciona 24 horas para orientar consumidores e profissionais de saúde, pelo número 0800 722 6001. Denúncias também podem ser feitas à Ouvidoria da SES-PE (136 / ouvidoria@saude.pe.gov.br), ao Procon-PE (0800 282 1512 / (81) 3181-7000 / denuncia@procon.pe.gov.br) e à Delegacia de Crimes contra o Consumidor – Decon (81 3184-3835 / dp.consumidor@policiacivil.pe.gov.br).</p>
	</div>



<p>À população, a Agência Pernambucana orienta para a importância de observar sinais que podem indicar adulteração: verificar se a bebida possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), rótulo completo, lacre adequado, além de comprar apenas em locais confiáveis – mas aqui vale lembrar que em São Paulo um conhecido bar foi interditado hoje após uma mulher ficar cega após consumir caipirinhas com metanol no estabelecimento. A Apevisa também divulgou, em nota, que é essencial redobrar a atenção com drinques prontos e evitar produtos sem procedência ou com preços muito abaixo do mercado.</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/">Pernambuco registra três casos suspeitos de intoxicação por metanol</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/pernambuco-registra-tres-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A turista paulista que quebrou o pé no carnaval e passou por via crúcis no sistema de saúde de Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/a-turista-paulista-que-quebrou-o-pe-no-carnaval-e-passou-por-via-crucis-no-sistema-de-saude-de-pernambuco/</link>
					<comments>https://marcozero.org/a-turista-paulista-que-quebrou-o-pe-no-carnaval-e-passou-por-via-crucis-no-sistema-de-saude-de-pernambuco/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Mar 2025 18:19:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[saúde em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=69542</guid>

					<description><![CDATA[<p>Comemorar o aniversário em plena Olinda, na sexta-feira pré-carnaval, tinha tudo para ser uma lembrança inesquecível na vida da paulista Ingrid Fernandes, de 27 anos, uma gerente de tecnologia que juntou uma turma de pernambucanos e de sua terra em um bar no sítio histórico, no dia 28 de fevereiro. O que parecia ser uma [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-turista-paulista-que-quebrou-o-pe-no-carnaval-e-passou-por-via-crucis-no-sistema-de-saude-de-pernambuco/">A turista paulista que quebrou o pé no carnaval e passou por via crúcis no sistema de saúde de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Comemorar o aniversário em plena Olinda, na sexta-feira pré-carnaval, tinha tudo para ser uma lembrança inesquecível na vida da paulista Ingrid Fernandes, de 27 anos, uma gerente de tecnologia que juntou uma turma de pernambucanos e de sua terra em um bar no sítio histórico, no dia 28 de fevereiro. O que parecia ser uma grande ideia, acabou dando início a uma sofrida peregrinação por hospitais públicos da Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>Na madrugada de sexta para o sábado, a jovem tropeçou, caiu e quebrou o pé, além da tíbia e a fíbula [ossos da canela da perna], na altura do tornozelo. A partir daí, a paulista entendeu as dificuldades de quem depende do sistema de saúde pública em Pernambuco. No final das contas, já depois do carnaval,  a cirurgia necessária só foi realizada, porque amigos e familiares se mobilizaram para custear o procedimento e as despesas adicionais de um hospital particular através de uma vaquinha.</p>



<p>A <em>via crúcis</em> de Ingrid começou quando, ao ser levada por uma equipe do SAMU para a UPA da Cidade Tabajara, em Olinda, onde ela chegou por volta das 03h30. O primeiro atendimento pelo médico de plantão só aconteceu às 6h da manhã. Ela contou que, apesar de a unidade estar vazia, o atendimento demorou. Na unidade foi constatado que ela precisaria passar por uma cirurgia, mas a transferência para o Hospital Miguel Arraes (HMA), em Paulista, só foi feita às 18h daquele dia. Ou seja, 12h entre o primeiro atendimento e a transferência, quase 15 horas após a acidente.</p>



<p>Durante a transferência, a imobilização se deslocou e isso causou dores intensas. Ingrid chegou ao hospital gritando, mas foi acolhida com indiferença pela profissional de plantão na triagem, que depois descobriu que seria a gerente de enfermagem da unidade. De acordo com ela, a enfermeira disse que nada poderia ser feito além de aguardar, pois dependia do sistema. Só quando outros pacientes se comoveram com suas dores e começaram a reclamar, outra profissional apareceu, explicando os critérios de prioridade e a acolhendo com mais atenção.</p>



<p>“É uma coisa diferente do que uma outra pessoa simplesmente bater a porta na minha cara. Esse gesto bastante violento e desumano ali, naquele contexto. Na verdade, essa outra profissional só veio depois que eu comecei a pedir o telefone da ouvidoria”, relembra a jovem.</p>



<p>No entanto, o médico que a atendeu deu uma boa notícia ao avisar a cirurgia seria feita no dia seguinte e que, por isso, ela deveria se manter de jejum. No domingo, para sua surpresa, ninguém do setor tinha informação alguma sobre o agendamento cirurgia. Após horas de espera, a acompanhante foi em busca do Serviço Social social do hospital para entender o que estaria ocorrendo. A assistente social, então, encontrou um registro de &#8220;pedido de possibilidade de prioridade para cirurgia&#8221;. Ou seja, não se tratava sequer de uma prioridade, apenas da possibilidade. Sem essa informação, Ingrid iria manter jejum inútil por mais tempo. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Próxima parada: Vitória de Santo Antão</h2>



<p>A estadia no HMA não se prolongou. Na noite daquele domingo, ela foi transferida para a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (Apami), em Vitória de Santo Antão, a 61 quilômetros de Paulista, uma unidade particular conveniada pelo Governo do Estado no âmbito do <a href="https://portal.saude.pe.gov.br/cuida-pe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">programa Cuida PE</a>. De acordo com o site do governo estadual, o Cuida PE é uma iniciativa criada para reduzir &#8220;fila de espera por cirurgias, exames e consultas especializadas em todo o estado de Pernambuco&#8221;. O que parecia ser motivo de esperança, acabou gerando mais espera. </p>



<p>Ingrid conta que, durante o tempo em que esteve internada na unidade, só foi avaliada por um médico uma vez. O profissional informou que o pé estava muito inchado e que seria necessário aguardar. No dia seguinte, uma enfermeira fez a mesma avaliação. Durante o período em que ficou nesse hospital de Vitória, ela dividiu a enfermaria com mais de 20 pessoas, mas havia apenas 12 leitos, com dois banheiros &#8211; um estava sem água e o outro com a lâmpada quebrada. Com poucos ventiladores, a sala estava sempre muito quente.</p>



<p>Não havia cadeira de rodas para os pacientes com pernas e pés quebrados irem ao banheiro. “Uma senhora que também estava com o pé fraturado foi pulando até o banheiro e lá se machucou novamente, ela voltou chorando de dor”, conta a gerente de tecnologia.</p>



<p>Na segunda-feira a mãe de Ingrid, que trabalha na área de saúde em São Paulo, conseguiu passagens e chegou a Pernambuco para ajudá-la. Uma das primeiras atitudes de sua mãe, Orleide, foi ir até o setor que atendia os pacientes particulares, de onde ela trouxe uma das cadeiras de rodas disponíveis. Essa ala particular do hospital, aliás, parecia um universo paralelo, com ar-condicionado nas enfermaria, equipamentos de sobra e mais e mais funcionários trabalhando.</p>



<p>Seus pais ficaram chocados com os transtornos que a jovem enfrentou. O pai, Reginaldo Lourenço, de 56 anos, trabalha há 33 anos na área da saúde como técnico de raio-X. Por isso, tem experiência com procedimentos ligados a traumas como o da filha.</p>



<p>“O pior (da espera) é a fibrose dos tendões que romperam, não foi só a fratura. Rompimento do tendão tem que ser uma urgência ortopédica, porque a partir do momento que cria fibrose no tendão, precisa de outro procedimento de raspagem, e pode ficar com o movimento comprometido. Ela é jovem, isso não pode acontecer”, desabafa o Lourenço.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/pe-1-169x300.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/pe-1-576x1024.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/pe-1-576x1024.jpg" alt="A imagem mostra uma pessoa sentada em uma cadeira de plástico roxa. Ela está com uma das pernas esticada no chão, enquanto a outra está enfaixada e elevada sobre uma almofada azul. Parece que essa perna sofreu algum tipo de lesão ou procedimento médico. Ao lado da perna enfaixada, há uma garrafa de água de rótulo azul. O ambiente parece ser uma sala de hospital ou clínica, pois há uma cama hospitalar ao fundo." class="" loading="lazy" width="564">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Espera e jejum inútil no Hospital Miguel Arraes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ingrid Fernandes/Cortesia</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">A solução</h3>



<p>Graças à mobilização de amigos, amigas e parentes pela internet, a espera e incerteza foram sanadas. Com dinheiro nas mãos para se submeter a uma cirurgia em um hospital particular, a família decidiu  retirá-la da Apami e levá-la a uma unidade especializada em ortopedia no Recife, onde os médicos não viram qualquer problema em operá-la por causa do inchaço, como tinham lhe dito em Vitória de Santo Antão. </p>



<p>“Existem alguns tipos de espera: uma espera que é dentro dessa dor aguda em que cada segundo parece uma hora. Outra espera que é se espera no vazio, todo o otimismo que eu fui tendo ao longo dos dias em relação a pequenas notícias foi frustrado. E a espera depois que eu operei, assim, é do momento que eu possa voltar a andar e etc. É uma espera mais confortável, do corpo fazer o trabalho dele”, relata a Fernandes.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O que dizem os serviços de saúde</h3>



<p>A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da fundação responsável pela gestão da  UPA de Olinda para saber o motivo da demora do atendimeto no  plantão. Também entramos em contato com a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (Apami) e a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE), mas só a equipe da SES nos respondeu:</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) foi procurada para responder sobre a parceria com o Apami pelo programa Cuida PE. Questionada sobre como acompanham os hospitais conveniados, com que frequência fazem o monitoramento, quais as orientações para o atendimento aos pacientes do SUS e qual o valor destinado para esta unidade, se resumiu a dizer, por meio de nota que verificaram e “não houve atendimento do Cuida PE durante o carnaval”. Também sugeriram que procurássemos diretamente a unidade de saúde.</p>
        </div>
    </div>



<p> </p>



<p>A única instituição que respondeu foi o Hospital Miguel Arraes, afirmando, por meio de nota, que:</p>



<p>“Lamenta a experiência negativa relatada pela usuária, mas esclarece que, mesmo diante dos desafios inerentes aos serviços públicos de urgência e emergência, tem atuado a fim de qualificar a experiência de seus pacientes. </p>



<p>No final do ano passado, o serviço implantou uma Coordenação de Hospitalidade, ligada à área de Atendimento, que vem se dedicando a qualificar o acolhimento aos usuários, desde sua chegada ao serviço, até a alta hospitalar.</p>



<p>Esse trabalho está sendo realizado de forma gradativa e engloba diversas áreas do serviço, incluindo o aperfeiçoamento da Ouvidora, que já conta com a Ouvidoria Ativa; treinamento com a equipe de setores chaves como Assistência, Atendimento e Administrativo; e até mesmo a mudança no fluxo de atendimento aos usuários.</p>



<p>Por fim, o HMA informa que o caso já foi repassado à sua equipe de Ouvidoria, que está acompanhando o ocorrido e repassando aos setores envolvidos para tomar as providências necessárias para que situações como essa não voltem a se repetir.”</p>



<h3 class="wp-block-heading">Situação é rotina para pernambucanos</h3>



<p>Os dados da Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE), em 2025, indicam que houve 28.279 atendimentos nas UPAs e 16.996 nas grandes emergências durante o carnaval, número maior que o ano anterior, quando ocorreram 21.962 e 14.211 atendimentos, respectivamente. Grandes eventos como carnaval atraem mais pessoas para o estado e podem agravar os problemas da saúde pública, mas o que foi enfrentado por Ingrid Fernandes é a realidade de todos os pernambucanos que precisam do SUS, sobretudo dos serviços de urgência. </p>



<p>A médica sanitarista, especialista em saúde pública e professora do Centro de Ciências Médicas (CCM) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Bernadete Perez, apresenta um panorama da situação da saúde pública de Pernambuco. Em casos de fratura fechada, a mesma que a jovem sofreu, os pacientes esperam 30, 40 ou mais dias pelo procedimento necessário para resolução do problema. &#8220;Se priorizam, nessas situações, fraturas expostas, deixam todos os casos de fratura fechada em espera. As pessoas ficam dias com dor, sofrimento, descaso e desrespeito, só que de forma naturalizada&#8221;, afirma a especialista. </p>



<p>Segundo Perez, isso acontece por uma série de fatores, um deles, é o caso das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) que são utilizadas como estratégia de desafogar grandes hospitais, mas em casos de traumato-ortopedia, por exemplo, são ineficientes. Os grandes hospitais como Otávio de Freitas, Getúlio Vargas, Hospital da Restauração e Miguel Arraes, são cronicamente superlotados para resolver situações cirúrgicas deste tipo. </p>



<p>&#8220;As UPAs têm funcionado em Pernambuco como um sistema de instância burocrática que atrapalha e impede que as pessoas cheguem no lugar que elas precisam no tempo terapêutico que o caso requer. As UPAs não têm leito cirúrgico e não têm ortopedia cirúrgica&#8221;, afirma. &#8220;Faltam leitos, faltam profissionais, faltam serviços e as UPAs geram uma situação de ampliação do tempo de espera, da demora para a ação do tempo terapêutico de saúde&#8221;, completa. </p>



<p>A especialista enxerga que o serviço que já se arrastava no governo Paulo Câmara (PSB), têm sido ainda mais desafiador no governo Raquel Lyra (PSD). &#8220;É uma situação que o pernambucano e a pernambucana vive diariamente e não é de agora, é de vários anos. Uma piora crônica que se agrava nesses momentos (de grandes eventos)&#8221;, reitera Perez. </p>



<p>Mas a especialista indica algumas ações possíveis para que essa realidade mude: melhorar a atenção hospitalar que seja integrada em rede, abrir portas de urgência e emergência com ampliação de serviços, sobretudo, nesses casos de traumato-ortopedia, ampliar leitos, centros cirúrgicos e equipes integradas. Além disso, descentralizar os atendimentos desta natureza para desafogar os hospitais da RMR que recebem atendimentos de todos os lugares do estado. </p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-turista-paulista-que-quebrou-o-pe-no-carnaval-e-passou-por-via-crucis-no-sistema-de-saude-de-pernambuco/">A turista paulista que quebrou o pé no carnaval e passou por via crúcis no sistema de saúde de Pernambuco</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/a-turista-paulista-que-quebrou-o-pe-no-carnaval-e-passou-por-via-crucis-no-sistema-de-saude-de-pernambuco/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Rio Doce, em Olinda, espera por reforma de policlínica desde o início da gestão Lupércio</title>
		<link>https://marcozero.org/rio-doce-em-olinda-espera-por-reforma-de-policlinica-desde-o-inicio-da-gestao-lupercio/</link>
					<comments>https://marcozero.org/rio-doce-em-olinda-espera-por-reforma-de-policlinica-desde-o-inicio-da-gestao-lupercio/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2024 20:21:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[rio doce]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=65739</guid>

					<description><![CDATA[<p>Parte da população da IV etapa de Rio Doce, em Olinda, onde vivem cinco mil pessoas, enfrenta o abandono de uma policlínica há sete anos. Em vez de atendimento médico, o que se vê no terreno é mato alto, lixo, entulho e grades e janelas furtadas. Na frente, uma placa escancara o atraso: com recurso [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/rio-doce-em-olinda-espera-por-reforma-de-policlinica-desde-o-inicio-da-gestao-lupercio/">Rio Doce, em Olinda, espera por reforma de policlínica desde o início da gestão Lupércio</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Parte da população da IV etapa de Rio Doce, em Olinda, onde vivem cinco mil pessoas, enfrenta o abandono de uma policlínica há sete anos. Em vez de atendimento médico, o que se vê no terreno é mato alto, lixo, entulho e grades e janelas furtadas. Na frente, uma placa escancara o atraso: com recurso de cerca de R$ 1 milhão assegurada pelo Governo Federal, a mais recente promessa de reforma deveria ter começado em agosto de 2023 e terminado em janeiro deste ano. </p>



<p>Enquanto isso, as famílias que precisam de atendimento têm que se deslocar para outras unidades de saúde e enfrentar filas de espera. Em um dos redutos eleitorais do prefeito Professor Lupércio (PSD), há quase oito anos à frente da gestão municipal, a saúde na VI etapa de Rio Doce é o tema da segunda reportagem da série <em>A Olinda que a prefeitura esqueceu</em>. Ao final, conheça as propostas dos candidatos à prefeitura este ano.</p>



<p>“Para eu pegar a ficha para o médico é difícil. Porque eu não posso andar, eu tenho a perna amputada. Para eu andar, eu tenho que depender de uma cadeira, de um carro, de dinheiro, de gente. Quando a policlínica era aqui pertinho, era mais fácil”, diz a aposentada Rosilene Maria Dias, 65 anos, moradora da rua Esperança, ao lado da policlínica, há 18 anos. O local atendia, segundo a prefeitura, entre 150 e 200 pessoas por dia quando estava em funcionamento. Quase cega por conta da diabetes, ela perdeu parte de uma perna para a doença em 2020 e precisa constantemente de consultas e exames. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0457.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0457.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0457.jpg" alt="Foto da placa Reforma na policlínica de Rio Doce, diante de prédio térreo de paredes brancas e aparentando desgaste. Em torno do prédio há um terreno baldio e de relevo acidentado. A foto foi tirada de dia, com céu azul pálido." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A cuidadora de Rosilene, Maria Luciene da Silva, 56 anos, conta que aguarda há três anos por uma colonoscopia. “Fiz a cirurgia de retirada de um tumor em 2019, tenho a requisição para o exame, mas o pessoal só manda aguardar”, relata, relatando que “todo telefone que toca eu tenho a esperança de que seja do posto de saúde”.</p>



<p>O caso da policlínica abandonada foi parar no Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Em novembro de 2022, foi tema de uma audiência pública em que foi debatida a necessidade de reabertura dos serviços. A audiência aconteceu também para “incentivar a participação efetiva da comunidade diretamente afetada pela ausência da prestação de serviço à saúde no entorno”, como destacou, na época, a promotora Maisa Silva Melo de Oliveira, no texto da convocação.</p>



<p>Em frente à unidade, localizada na rua Trinta e Oito, fica o conjunto habitacional Júlia Beatriz, do Minha Casa Minha Vida, inaugurado pelo então governador Paulo Câmara, em dezembro de 2019, e onde vivem 224 famílias.</p>





<p>Em nota enviada à <strong>Marco Zero</strong> esta semana, o MPPE informou que a 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda acompanha, por meio do procedimento administrativo, as obras da policlínica da IV etapa de Rio Doce. Como último andamento, dentro desse procedimento, a promotoria oficiou a Prefeitura de Olinda, no dia 3 de setembro, cobrando informações atualizadas da reforma. A gestão municipal tem um prazo de 30 dias para responder.</p>



<p>A dona de casa Francinete Maria Pimentel, 43 anos, tem cinco filhos, mora desde 1998 na comunidade CSU (Centro Social Urbano), como é conhecida essa localidade da IV etapa. Ela denuncia que cupins da policlínica abandonada já invadiram casas e que a quantidade de muriçocas aumentou bastante por causa do mato. De acordo com Francinete, para marcar médico em outro posto é preciso se arriscar saindo de casa de madrugada. Por orientação municipal, a policlínica da II etapa, a dois quilômetros, e outra policlínica da IV etapa, a um quilômetro de distância, estão acumulando os pacientes da comunidade CSU. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0473.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0473.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/MG_0473.jpg" alt="Foto de Francinete Maria Pimentel e sua filha Débora Vitória. Ela é uma mulher negra, de cabelos crespos grisalhos presos atrás da cabeça, usando um vestido preto estampado com flores brancas. A menina é negra, usando vestido estampado laranja de alças." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Segundo os indicadores de saúde (2017 a 2020), somente 50% dos olindenses tinham cobertura de agentes de saúde e 39% de saúde bucal. “A população aqui precisa muito, sobretudo as crianças e os idosos. Aqui perto, só temos a policlínica”, acrescenta a dona de casa. Além disso, ela reclama que não há dentista. Recentemente precisou se apertar para pagar por um procedimento dentário. &#8220;Mas a gente não tem condições muitas vezes de pagar R$ 100 a um dentista. Somos pessoas que vivem de Bolsa Família, de faxina&#8221;, explica. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Empresa contratada descumpriu contrato </h2>



<p>À reportagem, a Prefeitura de Olinda informou que a primeira empresa licitada para reformar a policlínica da IV etapa de Rio Doce, a BSR Construtora e Incorporadora, descumpriu o contrato e foi punida. O reinício das obras está agora a cargo da Projetar Construções e Projetos. Diferente do que a MZ constatou na semana passada e do que os moradores da área relatam, a prefeitura afirma que a Projetar reiniciou os serviços em julho. No dia em que visitamos o local, havia somente um vigilante. </p>



<p>Segundo o plano de ação pactuado com a Caixa Econômica Federal, acrescentou a prefeitura, as obras se estenderão até 26 de dezembro de 2024.Entre a saída de uma e a entrada da outra, “a edificação passou por processo de vandalismo e depreciação, levando a necessidade de retrabalho alguns destes detectados por ocasião dos serviços ora executados”, diz a nota.</p>



<p>Assim, segundo a gestão, “os valores inicialmente pactuados para reforma da unidade sofreram ajustes necessários para garantia da funcionalidade da unidade custeados como contrapartida do município, através do Tesouro Municipal” e o valor da reforma está agora em R$ 946.752,86.</p>



<p>A prefeitura também acrescentou que há um esforço em reabrir 10 unidades de saúde que estavam fechadas quando Lupércio assumiu. A policlínica da IV etapa de Rio Doce é a única ainda sem entrega.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Resumo das principais propostas para a saúde</span>

		<p><b>Mirella</b> <b>(PSD)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Instituir um modelo de implantação de regiões sanitárias<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar a cobertura da Estratégia de Saúde da Família<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Transformar o perfil da Policlínica João de Barros Barreto em uma UPA-E<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Firmar parceria com o governo estadual para instalação de uma UPAe<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reabertura da Maternidade Brites de Albuquerque<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Instituir uma Política Municipal de Atenção à Saúde Bucal<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar duas Policlínicas da Mulher<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir na qualificação do atendimento em saúde para os casos de violência </span><span style="font-weight: 400;">doméstica e sexual<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Instituir uma Política Municipal de Regulação em Saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD)<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar as ações de promoção, prevenção e assistência da saúde mental<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar um centro municipal de atenção às pessoas com Transtorno do Espectro </span><span style="font-weight: 400;">Autista (TEA)<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar o acesso aos medicamentos da atenção básica e a entrega em casa de kit de </span><span style="font-weight: 400;">medicamentos de uso contínuo<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Disponibilizar meios de transporte para atendimento de emergência<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aprimorar a atenção à saúde para atendimento da população descoberta e de áreas </span><span style="font-weight: 400;">de difícil acesso<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Criar área dentro da gestão para apoiar a formação continuada dos profissionais de </span><span style="font-weight: 400;">saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aprimorar a informatização de todas as unidades de assistência à saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Otimizar os canais de comunicação e interação com os usuários<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Qualificar a gestão das unidades de saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fortalecer e ampliar o atendimento nos CAPS<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Modernizar a Vigilância Sanitária<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fortalecer as ações desenvolvidas pelos agentes comunitários de saúde e pelos </span><span style="font-weight: 400;">agentes comunitários de endemias<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Realizar eventos municipais de saúde, com vista à educação da comunidade<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Criação do Programa Nova Visão, com exames oftalmológicos e aquisição de óculos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aumentar a quantidade de Academias da Saúde</span></p>
<p><b>Vinícius Castello (PT)</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Requalificar, reformar e ampliar o serviço público de saúde municipal, melhorando as </span><span style="font-weight: 400;">Unidades de Saúde, os Pronto-Socorros e reestruturando os hospitais, ampliando o número de </span><span style="font-weight: 400;">leitos para pronto-atendimento</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span>&#8211; Garantir acesso ao atendimento ginecológico de qualidade e ampliar o número de leitos <span style="font-weight: 400;">da obstetrícia, com incentivo aos programas de parto humanizado<br />
</span>&#8211; Expandir o Ambulatório Rafaella Cicarelli, de atenção às pessoas LGBTQIAPN+<br />
&#8211; Apoiar e ampliar o Programa Brasil Sorridente<br />
&#8211; Implementar Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PICS)<br />
&#8211; Fortalecer as Políticas Municipais de Vigilância em Saúde &#8211; sanitária, epidemiológica, <span style="font-weight: 400;">ambiental e de trabalhadoras e trabalhadores<br />
</span>&#8211; Criação de centro técnico especializado de referência em saúde e atenção psicossocial <span style="font-weight: 400;">às pessoas atípicas e com deficiência.</span></p>
<p><b>Izabel Urquiza (PL)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir em políticas de saúde da pessoa com deficiência<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir em políticas de atenção básica, ampliando a cobertura da estratégia saúde da família e instituindo horários estendidos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Priorizar a saúde bucal, contratando unidades odontológicas móveis<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover o controle de doenças crônicas não transmissíveis<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fomentar programas de saúde ocular e de atenção à saúde da mulher<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Retomar a maternidade municipal<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar um aplicativo que conecte a população aos serviços de saúde do município<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar um núcleo de telemedicina<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar o número de equipes e equipamentos de diagnóstico por imagem<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Investir na assistência farmacêutica criando um comitê de farmacoterapia<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover políticas e rede de urgência e emergência, fortalecendo o SAMU<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Viabilizar programas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover a regulação operacional da saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover e garantir cuidados abrangentes e de qualidade para a população idosa<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fortalecer a equipe médica através da contratação de profissionais por processos seletivos ou concursos públicos<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Fazer parcerias com faculdades para recrutar internos e aprimorar a formação da equipe<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Melhorar o atendimento nas policlínicas e centros de especialidades<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar a oferta de serviços especializados<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Oferecer diagnósticos precoces e tratamentos especializados mais acessíveis<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar alternativas de contratação e fixação de profissionais médicos especialistas<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar telemedicina para consultas de especialistas de difícil fixação local<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar prontuário eletrônico na rede especializada integrado à atenção básica<br />
</span>&#8211; Aumentar a adesão e o acesso aos serviços de saúde da família rural<br />
<span style="font-weight: 400;">&#8211; Ampliar e qualificar os serviços de pré-natal e pós-natal<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Desenvolver campanhas educativas sobre cuidados durante a gravidez e planejamento familiar<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar programas de educação sexual em escolas e comunidades<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Disponibilizar métodos contraceptivos gratuitos (DIU hormonal) e serviços de orientação sobre planejamento familiar<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover campanhas de conscientização sobre a prevenção e controle de ISTs<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Disponibilizar testes rápidos e gratuitos para ISTs<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Oferecer suporte contínuo para pessoas vivendo com HIV/AIDS<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Expandir os programas de rastreamento e diagnóstico precoce de câncer de colo de útero e mama<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reduzir as taxas de morbidade e mortalidade feminina associadas a doenças evitáveis e condições graves<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aprimorar a atenção clínico-ginecológica</span></p>
<p><b>Antônio Campos</b> <b>(PRTB)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Médicos nos bairros<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reestruturação dos postos de saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Rotatividade mamamóvel<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aumento de equipes PSF<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Aplicativo Saúde Agora<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Hospital da Mulher<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Centro de saúde mental<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Banco de leite </span></p>
<p><b>Márcio Botelho</b> <b>(PP)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8211; Promover a informatização do sistema de saúde para eliminar filas e resolver problemas de marcação e atendimento<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Desenvolver app municipal para agendar consultas e exames e acompanhar entrega de medicamentos, resultados de exames e marcações de consultas<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Expandir a Estratégia Saúde da Família (ESF)<br />
</span>&#8211; Incentivar mutirões de saúde para reduzir filas<br />
<span style="font-weight: 400;">&#8211; Implementar o sistema HÓRUS, do Ministério da Saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Estabelecer laboratório de prótese dentária<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Estabelecer Centro de Imagem Municipal, com raio-X, ultrassonografia, mamografia, ecocardiograma e eletrocardiograma<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reestruturar unidades de saúde<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Reabrir, investir e expandir laboratório de coletas de exames<br />
</span><span style="font-weight: 400;">&#8211; Implantar casa de parto</span></p>
	</div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/rio-doce-em-olinda-espera-por-reforma-de-policlinica-desde-o-inicio-da-gestao-lupercio/">Rio Doce, em Olinda, espera por reforma de policlínica desde o início da gestão Lupércio</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/rio-doce-em-olinda-espera-por-reforma-de-policlinica-desde-o-inicio-da-gestao-lupercio/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pernambuco confirma terceiro óbito fetal por febre oropouche</title>
		<link>https://marcozero.org/pernambuco-confirma-terceiro-obito-fetal-por-febre-oropouche/</link>
					<comments>https://marcozero.org/pernambuco-confirma-terceiro-obito-fetal-por-febre-oropouche/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Aug 2024 21:57:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[óbito fetal]]></category>
		<category><![CDATA[oropouche]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[vigilância epidemiológica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=65226</guid>

					<description><![CDATA[<p>O aumento de casos, os primeiros registros de mortes e de novos sintomas relacionados à febre oropouche estão deixando pesquisadores brasileiros com várias perguntas. A doença não é uma novidade. A primeira vez que o vírus foi isolado no Brasil foi ainda na década de 1960, mas, até recentemente, era uma doença endêmica em povoados [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pernambuco-confirma-terceiro-obito-fetal-por-febre-oropouche/">Pernambuco confirma terceiro óbito fetal por febre oropouche</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O aumento de casos, os primeiros registros de mortes e de novos sintomas relacionados à febre oropouche estão deixando pesquisadores brasileiros com várias perguntas. A doença não é uma novidade. A primeira vez que o vírus foi isolado no Brasil foi ainda na década de 1960, mas, até recentemente, era uma doença endêmica em povoados ribeirinhos na Amazônia Legal, com raros surtos registrados fora dessas áreas.</p>



<p>Mas este ano está sendo atípico, com um aumento de quase 200 vezes na incidência em comparação aos casos notificados na última década. Pelo menos 21 dos 27 estados já confirmaram casos do final de 2023 para cá. Foram registrados 831 casos em 2023 e 7.653 em 2024.</p>



<p>O vírus está espalhado por todo o país, mas se apresenta com mais força no Norte: 83,2% (6.895 de 8.284, dados de 2023 até maio deste ano) das infecções do Brasil foram lá. Em Pernambuco já são confirmados 122 casos da febre oropouche e três óbito de fetos &#8211; o mais recente confirmado nesta terça-feira, 20 de agosto -, <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/o/oropouche/painel-epidemiologico">de acordo com o painel do Ministério da Saúde</a>. </p>



<p>Várias hipóteses – que não são excludentes, mas se somam – estão sendo levantadas e pesquisadas para explicar essa mudança no comportamento do vírus.</p>



<p>Uma delas é alertada há muito tempo por especialistas: as mudanças climáticas e o desmatamento, que fazem com que esses vírus avancem pelas áreas rurais, urbanas e de climas mais amenos. No estado de Santa Catarina, por exemplo, já foram confirmados 176 casos neste ano. “Todas essas mudanças que estão ocorrendo nos últimos anos sem dúvida têm favorecido um deslocamento maior de muitas espécies de insetos e de vírus, antes restritos aos ambientes silvestres, ampliando assim as áreas de risco de transmissão&#8221;, diz a pesquisadora do departamento de Entomologia da Fiocruz Pernambuco Alice Varjal.</p>



<p>Outra hipótese é a de que não há necessariamente um aumento tão significativo, mas sim um maior diagnóstico da doença &#8211; que, clinicamente, pode ser facilmente confundida com outras arboviroses. Isso porque, em 2023, o Ministério da Saúde descentralizou os testes que detectam a febre oropouche, que antes ficavam concentrados no Instituto Evandro Chagas, no Pará. Ou seja, até mais ou menos um ano atrás, todo caso suspeito era encaminhado para lá para ter a confirmação, o que dificultava o diagnóstico laboratorial.</p>



<p>Com a descentralização, os Laboratórios Centrais (Lacens) de todos os estados conseguem fazer o teste de RT-PCR, que foi desenvolvido pela equipe do pesquisador Felipe Naveca, da <a href="https://amazonia.fiocruz.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fiocruz Amazônia</a>. O teste molecular identifica a presença do vírus se for realizado em até cinco dias após os primeiros sintomas. Os testes sorológicos para confirmar se as pessoas tiveram ou não a doença após esse período ainda não estão descentralizados.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Uma nova cepa do oropouche</h2>



<p>Essas duas hipóteses se somam a uma recente descoberta: o vírus mudou. A pesquisadora da Fiocruz Pernambuco Clarice Morais, coordenadora do Serviço de Referência em Arboviroses, explica que a cepa do vírus identificada neste surto atual não é a mesma de décadas anteriores e sim uma combinação de dois tipos do vírus <em>Orthobunyavirus oropoucheense</em> (OROV), que causa a doença.</p>



<p>Ela cita dois artigos publicados no final de julho com a liderança de pesquisadores brasileiros que lançam luz sobre esta nova cepa e o novo comportamento do vírus. Ambos estudos ainda estão em <em>preprint</em> – ou seja, ainda sem revisão de pares – e são assinados por pesquisadores de várias instituições importantes como a Fiocruz, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</p>



<p><a href="https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.07.23.24310415v1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma das pesquisas sequenciou e analisou 382 genomas completos</a> do OROV em amostras humanas coletadas entre 2022 e 2024 em quatro estados do Norte com o objetivo de rastrear a origem e a evolução genética do vírus que levou ao surto atual. As análises genômicas revelaram que a nova linhagem é a combinação de um segmento do vírus detectado na região leste da Amazônia, de 2009 a 2018, e de dois segmentos de vírus detectados no Peru, Colômbia e Equador de 2008 a 2021.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/oropouche.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/oropouche.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/oropouche.jpg" alt="A foto mostra uma criança de costas, em pé em um cais de madeira, segurando um guarda-chuva amarelo e preto. A criança está olhando para um rio de águas barrentas. Na margem oposta do rio, há várias casas coloridas sobre palafitas e barcos atracados ao longo da margem. O céu está nublado, sugerindo que pode estar chovendo ou que choveu recentemente. A cena parece retratar a vida cotidiana em uma comunidade ribeirinha" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Doença era mais comum na Amazônia, mas agora está espalhada pelo Brasil
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Nicolas Rénac</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O estudo indica que essa nova linhagem provavelmente emergiu na região central do estado do Amazonas entre 2010 e 2014 e se espalhou silenciosamente durante a segunda metade da década de 2010.</p>



<p>Já <a href="https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2024.07.27.24310296v1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o outro artigo</a> sugere que o surto atual pode estar relacionado com uma maior eficiência de replicação desta nova linhagem do vírus, que também escaparia à imunidade por infecção anterior.</p>



<p>A pesquisa combinou múltiplas fontes de dados, incluindo dados moleculares, genômicos e sorológicos, com dados epidemiológicos do Brasil de 1º de janeiro de 2015 até 29 de junho deste ano. O estudo mostrou que esse novo rearranjo do vírus da oropouche replicou aproximadamente 100 vezes mais rápido nas células de mamíferos em comparação com uma cepa protótipo.</p>



<p>Até então, o que a ciência sabia era que havia quatro tipos do vírus da oropouche e que a infecção por qualquer um deles gerava anticorpos para proteger contra a reinfecção. Este novo estudo sugere que essa nova cepa pode infectar também quem já teve a doença. </p>



<p>Mas ainda não se sabe se o vírus está mais perigoso – e, por isso, capaz agora de causar mortes, como a das duas mulheres, com menos de 30 anos e sem comorbidades, na Bahia, que são os primeiros casos de mortes por oropouche já registrados. Ou se o vírus já havia causado mortes antes, mas passaram sem o diagnóstico correto, já que o exame laboratorial não era acessível e os profissionais de saúde não estavam atentos a esta possibilidade. </p>



<p>&#8220;Como é que esse vírus age no organismo? Quais são os mecanismos para ele estar realmente causando essas formas mais graves, que antes não tinham sido evidenciadas? Com a expansão do diagnóstico é que estamos vendo esses casos mais graves, que podem ter associação com essa linhagem nova que está circulando. Com o aumento das ações de vigilância epidemiológica e das pesquisas, as respostas para essas perguntas devem aparecer&#8221;, afirma Clarice Morais. </p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>O vírus da febre oropouche foi inicialmente descoberto na cidade de Vega de Oropouche, em Trinidad e Tobago, e por isso recebeu esse nome. Na década de 1960, o vírus foi detectado na região Amazônica. Embora a entrada exata do vírus na área não seja conhecida, ele está presente na Amazônia desde então, circulando principalmente em animais reservatórios e vetores silvestres, com mais força nos períodos chuvosos.</p>
<p>Além do Brasil, há aumento de casos de 2023 para cá na Colômbia, no Peru, na Bolívia e em Cuba.</p>
        </div>
    </div>



<h3 class="wp-block-heading">Sintomas parecidos com outras arboviroses</h3>



<p>A febre oropuche é uma arbovirose, mas essa classificação significa apenas que é um vírus transmitido por um artrópode, animal invertebrado que possui patas articuladas, neste caso um inseto. Apesar dos sintomas da doença serem parecidos com o de outras arboviroses, como a dengue, o OROV é de uma outra família viral.</p>



<p>Clinicamente, a febre oropuche não difere muito da dengue. Há febre de início repentino, dores pelo corpo, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, moleza, dores nas articulações. “Um sintoma que pode ser diferenciador e é bem característico da oropouche é uma dor de cabeça muito forte, que não passa com analgésicos comuns”, pontua Clarice Morais.</p>



<p>Essa dor de cabeça lancinante também pode voltar após a fase aguda da doença, da mesma forma que as dores nas articulações causadas pela chikungunya também persistem. “A dor de cabeça pode ter recidivas, reaparecendo uma semana, 15 dias após os outros sintomas já terem passado. Mas não voltam todos os sintomas, só a dor de cabeça”, esclarece a pesquisadora.</p>



<p>Nos casos mais graves, a febre oropouche pode evoluir para hemorragias e inflamações neurológicas, como encefalite e meningite. É o chamado neurotropismo, quando um intruso, no caso um vírus, consegue ultrapassar a barreira hematoencefálica, que protege o sistema nervoso. <br><br>“Já sabemos que esse vírus consegue ultrapassar a barreira hematoencefálica, que é formada por células bem unidas, uma barreira difícil de penetrar. Mas os mecanismos com os quais o vírus da oropouche faz isso ainda estão sob investigação. Estamos com mais perguntas do que respostas no momento”, diz Clarice Morais, que acrescenta que uma pesquisa da Fiocruz Pernambuco está começando a estudar como o OROV infecta o sistema nervoso.</p>



<p>O Ministério da Saúde já montou três grupos de pesquisa sobre oropouche com objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o principal vetor da doença e o comportamento do vírus no organismo, além do acompanhamento de estudos científicos em andamento. Esses estudos estão sendo realizados em parceria com a Fiocruz, Instituto Evandro Chagas (IEC) e Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado do Amazonas.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Oropouche em Pernambuco</span>

		<p>De acordo com o boletim epidemiológico mais recente da Secretaria de Saúde de <span style="font-weight: 400;">Pernambuco, o estado possui, atualmente, 122 casos confirmados da febre oropouche. O vírus oropouche foi identificado em pacientes dos municípios de: Jaqueira, Pombos, Água Preta, Moreno, Maraial, Cabo de Santo Agostinho, Rio Formoso, Timbaúba, Itamaracá, Jaboatão dos Guararapes, Catende, Camaragibe, Ipojuca, Itaquitinga, Macaparana, Sirinhaém, Bonito, Garanhuns, Aliança e Machados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A recomendação do Ministério da Saúde é de que todas as pessoas com sintomas de arboviroses que testem negativo para dengue, zika e chikungunya sejam também testadas para oropouche.</span></p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Maruim é o principal vetor</h3>



<p>No ambiente urbano, o vírus da Oropouche é transmitido aos seres humanos principalmente pelo maruim, um inseto menor que o bem conhecido e temido <em>Aedes aegypti</em>. “Para você ter uma ideia, já foram descritas mais de 150 espécies de maruim no Norte do País. Só aqui em Pernambuco, já foram descritas 16 espécies diferentes de maruim”, afirma Alice Varjal. <br><br>“Agora, isso significa dizer que todas essas espécies estão envolvidas com a transmissão do oropouche? não, porque essas espécies têm hábitos diferentes. Muitas delas sequer são suscetíveis a esse vírus. Existe toda uma relação que tem que acontecer entre o patógeno, que é o vírus, e o vetor, que é o inseto, para que ele realmente seja caracterizado como de importância para a transmissão”, explica a pesquisadora.<br><br>Comprovadamente, o principal vetor do OROV é o <em>Culicoides paraenses</em>, uma espécie de maruim encontrada na maioria dos estados brasileiros. Mas há suspeitas de que o <em>Culex</em> <em>quinquefasciatus</em>, a muriçoca comum, possa também ter alguma atuação na transmissão da oropouche. &#8220;Mas não de forma importante, pelo que conhecemos hoje da literatura. Ainda são necessário mais estudos que confirmem ou afastem esta possibilidade”, explica Alice Varjal.<br><br>No ambiente silvestre, a transmissão do OROV para outros hospedeiros vertebrados que também são considerados reservatórios naturais do vírus, como preguiças, marsupiais, primatas e pássaros, se dá não só pelo <em>C. paraensis</em> mas também pelos mosquitos <em>Aedes serratus</em>, <em>Coquillettidia venezuelensis</em> e o<em> Culex</em>, mais conhecido como mosquito comum ou muriçoca.<br><br>A menos que haja o envolvimento de outros vetores do vírus, mais frequentes e adaptados as áreas fortemente urbanizadas, a pesquisadora não acredita que a febre oropouche vá se espalhar tanto quanto as outras arboviroses com transmissão vetorial atribuída ao <em>Aedes aegypti</em>. &#8220;Ao que tudo indica, será uma nova arbovirose endêmica no país inteiro. Porém, não deve ter tantos casos nas cidades por conta das características do maruim, que prefere áreas de mata e plantações. A vigilância no Brasil está agora muito atenta para que a gente consiga desenvolver em cada região, em cada contexto, as ações necessárias para proteger as populações mais expostas&#8221;, diz Alice Varjal.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">As diferenças entre maruim e mosquito</span>

		<p>Maruins e mosquitos não são o mesmo inseto. Ambos são da ordem Diptera (porque têm duas asas funcionais), no entanto, os maruins pertencem a família Ceratopogonidae, enquanto os mosquitos pertencem a família Culicidae.</p>
<p>&#8220;O tamanho está entre as principais diferenças entre os muruins e os mosquitos. Enquanto o maruim mede de 1 a 3 milímetros, os mosquitos medem de 4 milímetros até no máximo 1 centímetro, portanto 4 a 5 vezes maiores que os maruins&#8221;, diz Varjal.</p>
<p>Os mosquitos <em>Aedes aegypti</em> e <em>Culex quinquefasciatus</em>, por exemplo, medem de 5 a 7 milímetros. Outras diferenças dizem respeito às picadas. A do maruim pode ser menos dolorida, porém mais incômoda porque provoca intensa coceira e irritação na pele.</p>
<p>&#8220;Os mosquitos são mais ágeis do que os maruins no reflexo de se afastar do hospedeiro ao menor sinal de movimento e consequentemente de se livrar das suas reações de defesa às picadas. Os maruins, geralmente, atacam um mesmo hospedeiro em maior número do que os mosquitos&#8221;, afirma a pesquisadora da Fiocruz.</p>
<p>Enquanto as larvas de <em>Aedes</em> se desenvolvem em água limpa e parada, as dos maruins crescem em criadouros no solo, em lugares úmidos, com pouca água e ricos em matéria orgânica, proveniente da decomposição de folhas, fezes e outros detritos. Ambientes de florestas, matas, manguezais, plantações de frutas  – como banana, cacau e áreas de criação de animais  – são locais ideais para os maruins.</p>
<p>Para a prevenção do maruim em áreas urbanas, o Ministério da Saúde recomenda que a população mantenha quintais limpos, evitando o acúmulo de folhas e lixo orgânico doméstico.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Grávidas devem ter atenção redobrada</h3>



<p>Como é uma doença que quase não era estudada, não há vacinas nem tratamento específico para a febre oropouche. A prevenção segue sendo a melhor estratégia. Pessoas grávidas ou tentando engravidar devem redobrar a atenção: o vírus pode ser transmitido para o feto caso a grávida seja infectada. </p>



<p>E há cada vez mais evidências de que a oropouche, assim como o zika vírus, pode causar morte fetal e o nascimento de bebês com malformações congênitas, como a microcefalia.</p>



<p>com maior vigilância e pesquisas entre os afetados pela febre oropouche, o Brasil ainda é o único a relatar casos da transmissão vertical do OROV durante a gravidez. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), essa relação já havia sido verificada também em um surto em Manaus entre 1980 e 1981, quando o vírus foi detectado em nove mulheres grávidas e dois abortos.</p>



<p>Até esta terça-feira (20), Pernambuco já confirmou três perdas gestacionais em que os fetos foram diagnosticados com o vírus oropouche. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, não é possível ainda determinar se o mais recente caso confirmado, ocorrido na cidade de Machados, no Agreste Setentrional, foi causado pela infecção pelo vírus. Amostras da mãe e do feto serão encaminhadas ao Instituto Evandro Chagas, no Pará.</p>



<p>Os outros dois óbitos com fetos positivos para a arbovirose foram registrados nos municípios de Rio Formoso e Ipojuca. Em apenas um deles, até o momento, foi confirmado que a febre oropouche foi o motivo do óbito.</p>



<p>O Ministério da Saúde recomenda uma série de medidas de proteção para evitar ou reduzir a exposição às picadas dos insetos, como o uso de roupas compridas, de sapatos fechados e de repelentes nas partes do corpo expostas, sobretudo nas primeiras horas da manhã e ao final da tarde.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/oropouche-repelente.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/oropouche-repelente.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/oropouche-repelente.jpg" alt="A imagem mostra uma pessoa vestindo uma camisa azul, segurando e pressionando o bico de um frasco de spray branco com a mão direita. O foco está na ação de borrifar, e o rótulo do frasco não está visível, sugerindo que o conteúdo pode ser qualquer coisa, desde protetor solar até repelente de insetos. O fundo está desfocado, mas parece ser um ambiente verde e exuberante, possivelmente ao ar livre." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Uso de repelentes e roupas de mangas compridas ajuda a prevenir picadas de maruins
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Por ser muito pequeno, o maruim pode passar por telas contra mosquitos. Mas isso não significa que elas não funcionem inteiramente. “A tela de alguma forma sinaliza para os maruins que há uma barreira naquele local e ele vai procurar outro ponto em que tenha um acesso mais livre. A tela não vai impedir a passagem dele, mas vai minimizar”, diz</p>



<p>Uma medida bastante eficiente que funciona contra o maruim é o uso de roupas de manga comprida e calças. &#8220;A picada do maruim nem sempre consegue ultrapassar a barreira do tecido, justamente porque o seu aparelho bucal picador é bem pequeno comparado ao do mosquito, que às vezes consegue picar por cima das roupas. Portanto, os maruins vão buscar as partes do corpo que estiverem expostas, sobretudo pés, pernas, braços e mãos&#8221;, explica Alice Varjal.</p>



<p>Não há estudos que indiquem qual é o tipo de repelente mais eficaz contra os maruins, mas o uso de repelentes que funcionam contra mosquitos é indicado, como os que contém DEET, IR3535 ou icaridina. &#8220;No entanto, por conta da transmissão vertical do OROV para o feto, as grávidas são mais vulneráveis e não podem usar qualquer tipo de repelente. Normalmente, é recomendado que usem os que são à base de icaridina”, acrescenta a pesquisadora.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/pernambuco-confirma-terceiro-obito-fetal-por-febre-oropouche/">Pernambuco confirma terceiro óbito fetal por febre oropouche</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/pernambuco-confirma-terceiro-obito-fetal-por-febre-oropouche/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por que o Brasil é o segundo país com maior número de novos casos de hanseníase</title>
		<link>https://marcozero.org/por-que-o-brasil-e-o-segundo-pais-com-maior-numero-de-novos-casos-de-hanseniase/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jan 2024 10:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hanseníase]]></category>
		<category><![CDATA[hanseníase]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=58920</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Fabiana Coelho Vinte e seis de janeiro é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hanseníase. As estatísticas mais recentes registram mais de 200 mil casos novos da doença no mundo. Quase 30 mil deles estão no Brasil, que ocupa a vice-liderança mundial – atrás apenas da Índia. Neste Janeiro Roxo, mês em [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/por-que-o-brasil-e-o-segundo-pais-com-maior-numero-de-novos-casos-de-hanseniase/">Por que o Brasil é o segundo país com maior número de novos casos de hanseníase</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Fabiana Coelho</strong></p>



<p>Vinte e seis de janeiro é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hanseníase. As estatísticas mais recentes registram mais de 200 mil casos novos da doença no mundo. Quase 30 mil deles estão no Brasil, que ocupa a vice-liderança mundial – atrás apenas da Índia. Neste Janeiro Roxo, mês em que a população deveria ser convocada a discutir a hanseníase, é o caso de questionar como uma doença, que tem cura e não se transmite facilmente, pode continuar existindo por mais de 3.500 anos?</p>



<p>Para quem atua na área, três pontos merecem ser destacados: as falhas nos diagnósticos; a negligência com alguns sintomas e as políticas públicas insuficientes de prevenção e tratamento.</p>



<p>O caso de Maurineia Vasconcelos é emblemático. Ela tem hanseníase há 23 anos. Quando obteve o diagnóstico, a doença já estava avançada. Não havia manchas no corpo, apenas dores. Os médicos falavam em reumatismo ou febre reumática. Foram quase dois anos de peregrinação pelos postos de saúde.</p>



<p>Maria (nome fictício) passou mais de 20 anos buscando a causa para suas dores. Recebeu diagnósticos de fibromialgia, Síndrome do Túnel do Tarso, polineuropatia, a lista é longa.</p>



<p>Ambas carregam no corpo as consequências destes diagnósticos tardios: Maurineia tem as “mãos em garra”, um nervo dos braços comprometido e metade da perna esquerda amputada; Maria tem pés e mãos deformados. “A hanseníase tem cura mas, se não tratada logo, as sequelas são permanentes, a exemplo de poblemas vasculares, feridas crônicas e nervos destruídos. Tudo isso pode causar cegueira, amputações e muitos outros problemas”, afirma Pollyane Medeiros, do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas Pela Hanseníase (<a href="https://morhan.org.br/">Morhan</a>), em Jaboatão.</p>



<p>Foi o que aconteceu com Maurineia. Com uma ferida crônica, que não foi tratada adequadamente, ela precisou amputar metade da perna esquerda em 2020. “Isso acontece com muitas pessoas e é uma de nossas lutas: que as pessoas com sequelas possam ter acesso a um acompanhamento digno, com salas de curativo e mais facilidade na assistência”, diz Pollyane.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sintomas negligenciados</strong></h2>



<p>Para Alexandre Menezes, diretor da organização não governamental <a href="https://www.nhrbrasil.org.br/">Fundação NHR Brasil</a>, pouquíssimos médicos estão capacitados para diagnosticar a doença. “Fala-se da hanseníase como uma doença dermatológica e a maioria dos especialistas da área são dermatologistas, mas trata-se de uma doença dos nervos. Geralmente as lesões na pele só surgem quando ela já está adiantada. Os sintomas neurais são negligenciados”, explica.</p>



<p>Andrea Maia é médica vascular e hansenóloga. Trabalha nessa área há 14 anos, no Serviço de Referência Municipal de Petrolina. Para ela, a própria OMS (Organização Mundial de Saúde) tem responsabilidade na negligência aos sintomas neurais quando define os casos da doença conforme o número de lesões na pele. “A bactéria parasita células que ficam dentro dos nervos periféricos ou em pequenos nervinhos da pele. Os profissionais de saúde não aprendem sobre o acometimento neural na faculdade. Como tentar acabar com uma doença neurológica se temos que esperar que ela apareça na pele?”, questiona.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/01/lepra-4-Andrea-300x295.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/01/lepra-4-Andrea-1024x1008.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/01/lepra-4-Andrea-1024x1008.jpg" alt="" class="" loading="lazy" width="301">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Andreia Maia. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Uma das pacientes de Andrea, que prefere não se identificar, descobriu a hanseníase por acaso. Com uma espécie de cansaço permanente nas pernas, procurou uma médica vascular para tratar o que ela acreditava ser um problema de circulação. Ao apalpar os nervos da paciente, Andrea percebeu um espessamento. Os sintomas eram discretos mas, com as observações clínicas e um exame PCR, a especialista conseguiu confirmar o diagnóstico.</p>



<p>A maioria dos exames disponíveis hoje podem apenas sugerir a doença. A baciloscopia só é positiva quando o paciente já apresenta muitos bacilos espalhados pela pele. A dosagem de anticorpos pode servir para acompanhamento, mas a presença de anticorpos apenas indica que o paciente está exposto à doença, e não que tenha a presença da bactéria. O PCR permite detectar a infecção e investigar o DNA do microorganismo.</p>



<p>No caso dos sintomas neurais, também é possível observar o espessamento e alterações dos nervos a partir de instrumentos como a ultrassonografia e a eletroneuromiografia. “Mas a ultrassom de nervos periféricos e a eletroneuromiografia não estão disponíveis na maioria das cidades. E o PCR, por enquanto, só é realizado em centros de pesquisa. Não está disponível comercialmente e nem pelo SUS”, afirma Andrea.</p>



<p>Para o diagnóstico, os médicos precisam levar em conta diversos fatores, incluindo o histórico do paciente. Segundo Andrea, área de pele aparentemente normal, mas com anestesia, já fecha o diagnóstico. É importante avaliar a sensibilidade e a força muscular dos olhos, mãos e pés. “Outro achado comum, mas desconhecido pela maioria das pessoas e profissionais de a saúde, é a presença de áreas sem pelo nas pernas de homens”, relata a médica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Falta prevenção</strong></h2>



<p>Apesar de não ser uma doença cuja transmissão esteja relacionada à questões de saneamento básico ou higiene, a hanseníase afeta sobretudo as classes sociais mais baixas. “A qualidade da nutrição é um dos fatores que contribui para isso. Trata-se de uma doença que afeta de forma diferente as pessoas conforme o grau de imunidade. E uma alimentação inadequada diminui a imunidade”, explica Andrea.</p>



<p>Para Alexandre Menezes, questões como moradia e assistência à saúde também contribuem para que a doenca se torne uma doença que atinge sobretudo os mais pobres. “A hanseníase não se transmite facilmente, como uma covid ou uma gripe. É preciso haver um contato prolongado. Nas áreas mais pobres é comum mais de dez pessoas dividirem um único quarto. Ambientes pequenos, mal ventilados e com grande concentração de pessoas”, explica.</p>



<p>A recomendação da OMS e do Ministério da Saúde é que, nos casos de hanseníase, seja feita a investigação dos contatos, ou seja, que as pessoas próximas sejam acompanhadas clinicamente. Mas, os vários grupos que atuam no enfrentamento à doença são unânimes em afirmar que esse acompanhamento é falho e, quando acontece, restringe-se aos contatos domiciliares.</p>



<p>Entre outras iniciativas, a NHR Brasil tem se dedicado a uma pesquisa clínica de medicação preventiva para contatos próximos de pacientes com hanseníase. Os testes estão sendo feitos com famílias de Fortaleza e Sobral (Ceará), e também por filiais da organização na Índia e Indonésia. A pesquisa envolve estudos, mapeamento de casos e administração dos medicamentos. A expectativa é que seja concluída em 2026.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Juntos contra o preconceito</strong></h3>



<p>Mesmo sendo uma doença que tem cura e de difícil transmissão, o estigma ainda pesa contra os que têm hanseníase. Recentemente, Pollyane Medeiros, do Morhan, testemunhou um episódio de preconceito que de um profissional de saúde em uma clínica de fisioterapia. “Ao ter acesso ao laudo de uma pessoa com sequelas, que já tinha cumprido tratamento, ele chegou a afirmar, na frente de todos, que a hanseníase não tinha cura, revelando sua ignorância sobre a doença e expondo a pessoa à discriminação e preconceito”.</p>



<p>Falta de informações e uma cultura milenar, atrelada a conceitos bíblicos e religiosos, contribuem para isso. Uma das entrevistadas que não quis se identificar relata: “Deixei de ser convidada para alguns eventos quando falei a colegas sobre minha doença”.</p>



<p>Organizações como a NHR Brasil e a Morhan, e diversos grupos de autocuidado, contribuem para que pessoas com hanseníase lidem de forma coletiva com a doença. Premiada no ano passado durante o Fórum Social Brasileiro de Doenças Infecciosas e Negligenciadas, Maurineia Vasconcelos coordena o Grupo Saúde, que reúne pacientes da policlínica municipal Clementino Fraga, no Vasco da Gama. Atividades de empoderamento, oficinas de empreendedorismo, troca de experiências, apoio e assistência, festividades e eventos ajudam os participantes a lidar com a doença e com o preconceito.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/01/lepra-3-300x238.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/01/lepra-3-1024x811.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/01/lepra-3-1024x811.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas Pela Hanseníase existe há 42 anos. Crédito: Acervo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Controvérsias no tratamento</strong></h3>



<p>A hanseníase tem cura, mas ainda há controvérsias quanto à forma de administração dos medicamentos. A médica Andrea Maia, por exemplo, é contra a padronização nos prazos de duração do tratamento. “Passado o período de seis meses ou um ano, sugerido pela OMS, é preciso haver um acompanhamento cuidadoso. Tenho observado casos em que algumas bactérias resistem”, conta.</p>



<p>Glauco Lima teve hanseníase na década de 80. Teve erupções na pele e demorou até obter o diagnóstico. Na época, o processo de tratamento era mais longo e complexo. Seis anos depois, a doença se manifestou nos tendões.</p>



<p>Ele garante que foi infectado duas vezes. Mas, para Andrea, é possível que alguma bactéria tenha resistido e, com o tempo, voltou a se reproduzir no organismo. “Este é o objeto de minha tese de mestrado. Venho acompanhando casos em que, mesmo depois do período de tratamento, o material coletado e enviado para biópsia revela a presença de bactérias vivas. Acredito na importância de haver um acompanhamento dos pacientes para que os prazos para administração dos medicamentos seja adequado a cada situação”, diz.</p>



<p>O fato é que, embora seja uma doença milenar, ainda há um longo caminho a percorrer até zerar a transmissão da doença, meta antiga para quem atua na Saúde Pública. Para isso, há que reforçar os estudos e informações sobre a doença; melhorar as políticas de prevenção e tratamento; dar atenção aos sintomas invisíveis e neurais; e agir contra a desinformação e preconceito.</p>



<p></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>S</strong>erviço:</h4>



<p>Fique atento aos sintomas: não apenas manchas ou falta de sensibilidade na pele. Dormência ou formigamento em mãos ou pés, câimbras constantes, dores no corpo, fraqueza ou cansaço muscular. Tudo isso também pode ser um sinal de Hanseníase. O tratamento da doença é feito apenas pela rede pública. Se você tem alguns destes sintomas e é atendido na rede particular, pode convencer seu médico a fazer uma investigação mais aprofundada antes de procurar o posto de saúde de seu bairro.</p>



<ul class="wp-block-list"><li>A NHR Brasil é filial da NLR, uma organização holandesa que atua há 50 anos no enfrentamento à Hanseníase no mundo. A sede fica no Ceará, mas ela tem atuação em todo o país. Você pode entrar em contato pelo e-mail <a href="mailto:nhr@nhrbrasil.org.br">nhr@nhrbrasil.org.br</a> ou acompanhar a instituição pelo site ou no Instagram <a href="https://www.instagram.com/nhrbrasil/">@nhrbrasil</a></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>O Morhan tem 42 anos de atuação em todo Brasil. Em Pernambuco, possui núcleos no Recife, Jaboatão e Vitória de Santo Antão. Você pode se informar pelo site ou acompanhar pelo Instagram <a href="https://www.instagram.com/morhanjaboataope/">@morhanjaboataope</a> e <a href="https://www.instagram.com/morhanrecife/">@morhanrecife</a></li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>Grupos de autocuidado: existem cinco grupos de autocuidado ativos em pernambuco: um no sistema prisional; um na policlínica Clementino Fraga; dois no hospital Otávio de Freitas; e um na policlínica municipal Lessa de Andrade, na Madalena.</li></ul>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/por-que-o-brasil-e-o-segundo-pais-com-maior-numero-de-novos-casos-de-hanseniase/">Por que o Brasil é o segundo país com maior número de novos casos de hanseníase</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Itapissuma dá exemplo ao Brasil e vacina 100% das crianças contra a poliomielite</title>
		<link>https://marcozero.org/itapissuma-da-exemplo-ao-brasil-e-vacina-100-das-criancas-contra-a-poliomielite/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2022 23:03:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[campanha de vacinação]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[poliomielite]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
		<category><![CDATA[Vacina]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=52701</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Yuri Euzébio* Na contramão do cenário nacional, em Itapissuma, município do litoral norte de Pernambuco, a campanha de vacinação contra a poliomielite alcançou em outubro deste ano 100% de doses aplicadas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Saúde do Governo Federal. A marisqueira Joana D’arc Maciel, de 23 anos, mãe de quatro filhos [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/itapissuma-da-exemplo-ao-brasil-e-vacina-100-das-criancas-contra-a-poliomielite/">Itapissuma dá exemplo ao Brasil e vacina 100% das crianças contra a poliomielite</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Yuri Euzébio*</strong></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/11/infovacina-trainee-300x162.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/11/infovacina-trainee.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/11/infovacina-trainee.png" alt="" class="" loading="lazy" width="133">
            </picture>

	                </figure>

	


<p>Na contramão do cenário nacional, em Itapissuma, município do litoral norte de Pernambuco, a campanha de vacinação contra a poliomielite alcançou em outubro deste ano 100% de doses aplicadas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Saúde do Governo Federal.</p>



<p>A marisqueira Joana D’arc Maciel, de 23 anos, mãe de quatro filhos que mora no bairro da Várzea, em Itapissuma, foi uma das inúmeras mães que aderiram ao chamado da prefeitura. “Levei todos para se vacinarem. E foi uma experiência muito boa. Fui com todos para saber quais vacinas poderiam tomar”, disse. “Pra mim, o diferencial da campanha daqui foi a possibilidade de agendar com antecedência o dia da vacina porque fica mais certo, não ficamos dando volta no posto esperando, podendo até não ter a vacina para a criança”, revelou.</p>



<p>De acordo com a coordenadora de vigilância sanitária do município, Niedja Brito,<strong> </strong>que coordenou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) da cidade, o sucesso da vacinação da pólio vem do esforço coletivo entre todos os profissionais de saúde. “O segredo foi o trabalho em equipe, realizando a busca ativa pelo tradicional porta a porta, fomos nas casas com a técnica e a agente de saúde”, afirmou.&nbsp;</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/11/WhatsApp-Image-2022-11-18-at-19.21.00-225x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/11/WhatsApp-Image-2022-11-18-at-19.21.00-768x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/11/WhatsApp-Image-2022-11-18-at-19.21.00-768x1024.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" width="320">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A marisqueira Joana D&#8217;Arc Maciel vacinou os quatro filhos durante a campanha. Foto: Arquivo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A prefeitura também fez uma extensa campanha publicitária. “Tivemos a comunicação com um <em>card </em>nas redes sociais, uma vinheta pra divulgar através de um carro de som nas ruas e ações em creches, escolas municipais e particulares para conseguirmos atingir a meta”, completou. Niedja ainda explica que, além do dia nacional de vacinação, a cidade realizou uma campanha municipal para reforçar a importância da vacina.</p>



<p>A coordenadora detalha também os procedimentos que formaram uma força-tarefa para o sucesso da ação. “No porta a porta, vamos direto naquela casa onde tem criança que não tomou vacina. O importante também é o agente de saúde ir nas residências das áreas dele e identificar quem são as crianças que não tomaram a vacina e passar para as técnicas e enfermeiras irem lá”, resumiu.</p>



<p>Segundo o Governo de Pernambuco foram 1.521 crianças vacinadas em Itapissuma, isso sem qualquer apoio ou incentivo do Governo Federal nas campanhas de divulgação da vacinação.&nbsp;</p>



<p>No âmbito nacional, os números são bem preocupantes. Em setembro de 2022, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, emitiu um alerta de que o Brasil é um dos países sul-americanos que correm um &#8220;risco muito alto&#8221; de retorno da poliomielite. Em outubro, um susto: um possível primeiro caso em Santo Antônio do Tauá, município do Pará, após 33 anos sem a doença.</p>



<p>O Ministério da Saúde ainda estuda o caso, mas afirmou que o mais provável é de que seja um caso de aplicação errada das doses da vacina. Na cidade paraense do caso, o índice de vacinação era baixíssimo, de apenas 30%. No estado do Pará como um todo, 44%.</p>



<p>Mesmo tendo sido prorrogada, a campanha de imunização nacional deste ano só chegou a 65,6% do público-alvo, cerca de 7,6 milhões de crianças, quando a meta era 95%.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Governo Federal despreza campanhas</strong></h2>



<p>Também conhecida como paralisia infantil, a poliomielite é uma doença transmissível por um dos três tipos do poliovírus. Esses vírus têm uma transmissão fecal-oral e as crianças (ou adultos) não vacinadas podem ser infectadas. O vírus se instala no intestino, onde se replica e entra na corrente sanguínea. Em alguns casos, atinge o sistema nervoso central, podendo deixar lesões graves como consequência. Os grupos mais vulneráveis são as crianças abaixo dos cinco anos de idade.</p>



<p>Os sintomas mais frequentes da doença são febre, mal-estar, dor de cabeça, de garganta e no corpo, vômitos, diarreia, constipação (prisão de ventre), espasmos, rigidez na nuca e até mesmo meningite. Nas formas mais graves instala-se a flacidez muscular, que afeta, em regra, um dos membros inferiores. Apenas um em cada 200 casos da doença resulta em paralisia, que pode afetar até os músculos dos pulmões, resultando em óbito.</p>



<p>No Brasil, a vacina contra a poliomielite faz parte da rotina de imunização infantil, é gratuita e é considerada, de longe, a melhor forma de prevenção da doença. A imunização deve ser iniciada a partir dos dois meses de vida. A falta de campanhas de vacinação efetivas tem deixado o Brasil vulnerável para a volta da doença, erradicada por aqui desde 1994.&nbsp;</p>



<p>Epidemiologista da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), Fernando Verani critica a atuação do Governo Federal pelo enfraquecimento das campanhas. “O vírus da pólio só foi erradicado do Brasil porque o Programa Nacional de Imunizações durante décadas, a partir de 1980, conseguiu atingir e manter altíssimas coberturas vacinais no país inteiro e coberturas mais do que altíssimas, indo além de 95%, 98%, de forma homogênea. Ou seja, em todos os bairros de um município essas coberturas foram altas”, detalhou.</p>



<p>Verani afirma que esse cenário mudou a partir de 2016. “As campanhas simplesmente pararam de existir. O que o ministério chama hoje de campanha de vacinação não é o tipo de campanha que foi feita a partir de 1980, então continuamos tendo baixa cobertura”, disse. “A última campanha, ou aquilo que o Ministério da Saúde denomina campanha, terminou no dia 30 de setembro. Foi prorrogada, mas de qualquer maneira o resultado final é muito baixo para manter protegido o país, caso haja uma importação do poliovírus de algum país em que ele ainda circula”, lamentou Verani.&nbsp;</p>



<p>Os quase quatro anos de Jair Bolsonaro na presidência, que chegam ao fim no próximo mês, aprofundaram a crise da vacinação no Brasil.&nbsp; “A falta de definição política do Governo Federal em priorizar os investimentos sociais é um grande entrave. É um governo que escolheu deliberadamente não fazer qualquer investimento social”, resumiu Verani, sobre o governo Bolsonaro.</p>



<p>A volta da pólio pode ter um custo enorme para o Brasil. “A paralisia causada pelo poliovírus não é recuperável, não é reversível. Ela tem uma instalação aguda muito súbita e a criança nunca mais se recupera, fica paralítica pelo resto da vida”, diz Verani. “Isso se traduz em custos econômicos, custos sociais, custos emocionais. Porque você imagina uma família que tem uma criança paralítica para o resto da vida, o que isso significa. O impacto da volta doença seria muito alto para a sociedade, principalmente para as famílias dessas vítimas”, arrematou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/11/WhatsApp-Image-2022-11-18-at-19.09.49-300x270.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/11/WhatsApp-Image-2022-11-18-at-19.09.49-1024x922.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/11/WhatsApp-Image-2022-11-18-at-19.09.49-1024x922.jpeg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Falta de saneamento aumenta risco</strong></h3>



<p>O vírus da pólio é altamente contagioso. Verani explica que a forma mais comum de contágio é pela falta de higiene e de saneamento básico. “A criança coloca a mão suja na boca, brinca com outra criança e dissemina o vírus que pode causar a paralisia infantil. Em muitos lugares há falta de água, nós sabemos a situação do saneamento no Brasil hoje”, aponta.&nbsp;</p>



<p>Convém lembrar aqui que, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento 2020, aproximadamente 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável e 100 milhões dos habitantes não têm atendimento à coleta de esgoto.</p>



<p>Em Pernambuco, por exemplo, apenas 30,8% da população tem acesso a esgoto e 81,7% à água tratada. Isso significa que sete em cada dez pessoas não têm sistema de esgoto em suas casas. Só 32,4% do esgoto gerado é tratado, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR). Os índices estão bem abaixo da média nacional, que já não é alta: a rede de esgoto contempla 55% da população. Já a taxa de atendimento de água é de 84,1%.</p>



<p>De acordo com Verani, tudo isso corrobora diretamente no risco de retorno da doença. “Falta de saneamento básico e infraestrutura também são pontos sensíveis para a pólio, mas para compensar isso temos uma vacina muito eficiente que é a vacina oral, aquela da famosa da gotinha, que todos conheciam”, afirmou. “Eram sempre dois dias de campanha, uma em junho e a outra em agosto, com a vacina oral e hoje temos vários municípios com deficiência de saneamento e, além disso, baixíssima cobertura vacinal por uma falta de prioridade do atual Governo Federal”.</p>



<p>O especialista ainda reflete porque algumas regiões do Brasil são mais vulneráveis do que outras. “As coberturas menores no Norte e Nordeste do país trazem a reflexão no que diz respeito ao acesso e o que está sendo feito ativamente”, explica sobre a diminuição dos recursos voltados para comunicação, treinamento e priorização da campanha de vacinação nacional.</p>



<p>O último caso que tivemos de pólio no Brasil foi em 1989, no Rio Grande do Norte, depois a transmissão foi interrompida e não houve mais a doença paralisia infantil causada pelo poliovírus no país. Agora, 33 anos depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como alto o risco da volta da paralisia infantil no Brasil, colocando o país em alerta máximo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong><strong>Brasil tem histórico de eficiência em vacinação</strong></strong></h3>



<p>Historicamente, a poliomielite sempre foi combatida com eficiência no Brasil.&nbsp; É o que assegura a historiadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Dilene Raimundo do Nascimento. “A poliomielite, na verdade, só se tornou um problema de saúde pública mais para a metade final do século XIX. Antes tinham apenas casos esporádicos. Mais adiante, em 1917, tiveram epidemias enormes nos Estados Unidos, com muitos óbitos de crianças e isso foi o que motivou as pesquisas em relação àquela doença que nem se sabia qual era”, explicou.</p>



<p>A doença provocou inúmeros surtos e epidemias em território nacional e em outras partes do mundo no começo do século XX. Só no Brasil, foram 26.827 casos entre 1968 e 1989, segundo dados do Ministério da Saúde.&nbsp;</p>



<p>De acordo com Dilene a grande virada da campanha de vacinação da pólio foi a partir do ano de 1979. “O Governo Militar estava precisando de políticas sociais para atrair a atenção da opinião pública e também ocorreram epidemias importantes no Paraná e em Santa Catarina, então houve uma mudança no Ministério da Saúde com contratação de vários técnicos de saúde pública e epidemiologia, enfim uma equipe nova querendo mostrar trabalho”.</p>



<p>A historiadora explica que a soma desses fatores, no final de 1979, levou essa equipe a elaborar um programa de vacinação que desse conta de controlar a poliomielite no Brasil. Foi assim que surgiram os dias nacionais de vacinação, que tiveram início em junho e agosto de 1980. Pela primeira vez, o governo conseguiu alcançar todo o território brasileiro com a vacinação das crianças de até cinco anos de idade. Já no primeiro ano do Dia Nacional de Vacinação, caiu consideravelmente o número de casos e, no terceiro ano, já ficou próximo de zero. Ou seja, o planejamento foi bem sucedido.</p>



<p>Muitos Dias Nacionais de Vacinação foram necessários até que o país fosse declarado livre da poliomielite, em 1994. </p>



<p>Dilene Nascimento endossa o ponto de vista de Verani sobre a falta de campanhas. “A partir de 2016, com a mudança no Governo Federal, essa questão da vacinação foi negligenciada. Foi negligência do Governo. Hoje em dia, você quase não vê propaganda de vacinação. É uma série de atitudes. É o pai que vai levar a criança para vacinar e não tem vacina no posto. A campanha tem que ser permanente e as unidades de saúde têm que estar estruturadas e providas das vacinas para atender a demanda”, diz.&nbsp;</p>



<p>Para a historiadora, esse conjunto de ações (ou a falta deles) desestrutura a programação de combate à doença, o que, consequentemente, baixa a cobertura vacinal e traz o risco da existência de novos casos. &nbsp;</p>



<p>Mas há um raio de esperança. Fernando Verani enxerga a mudança no Governo Federal, com a eleição de Lula, como um alento neste momento difícil para a saúde. “Certamente teremos um novo governo de inclusão social e de apoio à ciência, além da reconstrução de tudo que foi destruído por esse governo genocida e negacionista. O presidente eleito  já anunciou que fará um Dia V da vacinação, uma grande campanha nacional para recuperar as coberturas vacinais principalmente das crianças. Irá também priorizar o SUS”, concluiu um dos fundadores da Escola Politécnica de Saúde da Fiocruz.</p>



<p><strong><em>* Sob supervisão de Maria Carolina Santos. Esta reportagem faz parte do programa Infovacina Trainee, da Agência Bori</em></strong>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa&nbsp;<a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a>&nbsp;</strong>ou, se preferir, usar nosso&nbsp;<strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong>.<br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/itapissuma-da-exemplo-ao-brasil-e-vacina-100-das-criancas-contra-a-poliomielite/">Itapissuma dá exemplo ao Brasil e vacina 100% das crianças contra a poliomielite</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Zika vírus não dá trégua em Pernambuco: 127 crianças nasceram com microcefalia em 2020 e 2021</title>
		<link>https://marcozero.org/zika-virus-nao-da-tregua-em-pernambuco-127-criancas-nasceram-com-microcefalia-em-2020-e-2021/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kleber Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Oct 2021 21:54:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[microcefalia]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[saúde em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[Zika vírus]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=40646</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enquanto a covid-19 ocupa o noticiário e atrai todas as atenções do público, pelo menos 127 crianças nasceram em Pernambuco com microcefalia entre o início de 2020 e os nove primeiros meses de 2021, período em que as preocupações de autoridades de saúde, cientistas e médicos estavam focadas na pandemia. O último informe técnico da [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/zika-virus-nao-da-tregua-em-pernambuco-127-criancas-nasceram-com-microcefalia-em-2020-e-2021/">Zika vírus não dá trégua em Pernambuco: 127 crianças nasceram com microcefalia em 2020 e 2021</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Enquanto a covid-19 ocupa o noticiário e atrai todas as atenções do público, pelo menos 127 crianças nasceram em Pernambuco com microcefalia entre o início de 2020 e os nove primeiros meses de 2021, período em que as preocupações de autoridades de saúde, cientistas e médicos estavam focadas na pandemia. O último informe técnico da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) revela que, de janeiro de 2020 até setembro deste ano, 169 crianças foram notificadas para o Síndrome Congênita do Zika. Desse total, 42 ainda estão com o diagnóstico em investigação ou estão com os exames classificados como &#8220;inconclusivos&#8221;.</p>



<p>O boletim da SES, mostra que, em 60 municípios pernambucanos, foram registrados 62 (53% das notificações ao longo de 2020) casos de microcefalia e 27 (23,1%) de microcefalia severa. Em 2021, classificaram-se 25 (48,1%) dos registros como microcefalia e 13 (25%) com microcefalia severa, conforme a padronização da Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, o estado também registrou a confirmação de uma criança que nasceu no Recife em 2015 &#8211; ano em que o estado foi o epicentro da epidemia -, mas somente agora teve o diagnóstico concluído. </p>



<p>A médica sanitarista e vice-presidente da <a href="https://www.abrasco.org.br/site/">Associação Brasileira de Saúde Coletiva</a> (Abrasco), Bernadete Perez, chama a atenção para a subnotificação que, segundo ela, se repete desde o período do pico epidêmico. Ao longo do tempo, pesquisadores encontraram crianças sem notificação nenhuma, e esses especialistas desconfiam que a situação esteja bem pior com a crise da covid-19.<br><br>“A pandemia agudizou a situação crônica e a gente acha que existe uma subnotificação importante. [Ainda assim] os números revelam que essa situação permanece porque nenhuma condição no território foi alterada, continuamos com locais altamente vulneráveis e marcados pela pobreza, infestação do mosquito, além de uma rede que permanece fragmentada, sem respostas coordenadas”, avalia.<br><br>No mesmo dia em que a gestão Paulo Câmara (PSB) publicou os dados mais recentes, além de Bernadete, outros pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e diversas instituições públicas realizaram um fórum virtual. O encontro contou com a participação de mães e familiares das crianças que relataram o cenário atual. Durante o encontro, pesquisadores que há seis anos acompanham as causas e os efeitos da enfermidade, a conclusão em 2021 de um caso de 2015 é mais uma prova da negligência do estado com esses pacientes e suas famílias.<br><br>“A situação é de dificuldade de acesso e fragmentação da rede. Ninguém sabe definir qual a equipe de referência que, de fato, cuida das crianças e famílias de forma a articular o conjunto de serviços que elas precisam com um plano terapêutico singularizado para cada paciente. Isso nunca existiu na verdade, mas com a pandemia foi piorando porque os poucos serviços foram restringidos”, afirma Bernadete.<br><br>“Se a gente tiver a capacidade de uma política pública com respostas coordenadas e projetos de mudanças mais amplas nas áreas sociais, sanitárias e de saúde que pudessem olhar essas crianças a partir de uma equipe de referência capaz de coordenar seus cuidados, porque daqui a pouco teremos adolescentes. Constituir uma forte rede de seguridade social, saúde e de solidariedade”, avalia Bernadete.<br><br>Para a médica, a solução do problema da Síndrome Congênita do Zika passa também pela ampliação da rede de atenção básica. Pelos cálculos da especialista, somente quando os governos federal, estadual e municipais garantirem a cobertura de no mínimo 80% das pessoas que vivem no território, aumentando capacidade de resolução das equipes, diversificar as ofertas e práticas terapêuticas indo além de remédios e exames.<br><br>“A gente tem que pensar qual o papel das equipes de saúde, de pesquisa e, principalmente, dos gestores em saúde, e qual a ética de cuidado a gestão estadual tem produzido para essas crianças? Acredito que a gente precisa articular quais são as contribuições teóricas e práticas das pesquisas porque essa situação dessas crianças é de exclusão e violência que tem sido invisibilizada pelo estado ano a ano. Temos que dar o direito a essas pessoas de pensarem um futuro, isso é um ato de resistência”, finaliza a dirigente da Abrasco.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/quatro-anos-depois-do-surto-do-zika-criancas-com-microcefalia-nao-tem-assistencia-adequada/" class="titulo">Quatro anos depois do surto do Zika, crianças com microcefalia não têm assistência adequada</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/AAABanner-300x39.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/AAABanner.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/10/AAABanner.jpg" alt="" class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                </figure>

	


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/zika-virus-nao-da-tregua-em-pernambuco-127-criancas-nasceram-com-microcefalia-em-2020-e-2021/">Zika vírus não dá trégua em Pernambuco: 127 crianças nasceram com microcefalia em 2020 e 2021</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
