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	<title>Arquivos seca - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 21 Jan 2025 20:15:56 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos seca - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>117 municípios de Pernambuco em situação de emergência por falta de água</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 18:50:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[estiagem]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
		<category><![CDATA[verão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A governadora Raquel Lyra decretou situação de emergência em 117 municípios de Pernambuco devido à escassez de chuvas no estado, situação que os temporais da semana passada não foram suficientes para alterar. O decreto foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira, 21 de janeiro, e tem validade de 180 dias. A medida visa mitigar os [&#8230;]</p>
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<p>A governadora Raquel Lyra decretou situação de emergência em 117 municípios de Pernambuco devido à escassez de chuvas no estado, situação que os temporais da semana passada não foram suficientes para alterar. O decreto foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira, 21 de janeiro, e tem validade de 180 dias. A medida visa mitigar os efeitos da seca hidrológica nos reservatórios e na rede de abastecimento de água, que já afeta grande parte das cidades de Pernambuco.</p>



<p>O decreto é dividido em duas partes. A primeira homologa os decretos municipais de situação de emergência em vigência no estado, voltados para as zonas rurais dessas cidades. A segunda parte estabelece a situação de emergência nas zonas urbanas dos municípios listados no texto.</p>



<p>“Nossas equipes estão em alerta desde o primeiro dia dessa crise para mitigar os efeitos desta seca, que atinge grande parte dos nossos municípios. É um momento muito crítico, de estiagem severa, e com esse decreto poderemos agilizar ainda mais as medidas de socorro à população, principalmente da Região Metropolitana e do Agreste”, afirmou a governadora Raquel Lyra.</p>



<p>Em dezembro de 2024, o Governo de Pernambuco já havia decretado estado de alerta para 94 municípios também por conta da escassez de chuvas e dos impactos da estiagem prolongada.Mais 24 municípios foram adicionados à relação do mês passado.</p>



<p>De acordo com o governo estadual, as ações emergenciais voltadas ao enfrentamento da estiagem já estão em andamento, por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento, Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) e Defesa Civil, que vêm atuando de forma integrada, desde o monitoramento dos reservatórios e mananciais ao  planejamento da assistência.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Os preocupantes níveis das barragens</span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A barragem de Goitá está com acumulação em 4,6% de seu volume. Estão com volume inferior a 20% as barragens Bita e Utinga, com 19% e 9,7% de seu volume, respectivamente. Todas elas atendem o Grande Recife. Com relação aos reservatórios que abastecem o Agreste, a barragem de Jucazinho encontra-se em colapso, com 5,8 % de sua capacidade.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<p>A Apac aponta que o estado enfrenta uma seca de moderada a grave em boa parte do seu território. A previsão climática para o primeiro trimestre de 2025 indica chuvas abaixo da média, com pancadas isoladas no Sertão e períodos secos nas outras regiões. “Será um trimestre considerado seco para a Região Metropolitana, Zona da Mata e Agreste, enquanto que no Sertão, onde seria a estação chuvosa, poderão ocorrer pancadas de chuvas isoladas de intensidade moderada a forte, porém concentradas em poucos dias, seguidos de períodos com dias secos”, disse a diretora de Regulação e Monitoramento da Apac, Crystianne Rosal.</p>



<p><strong>*Errata: às 16h, o Governo de Pernambuco corrigiu a informação divulgada pela manhã, alterando o número de 118 para 117 municípios em estado de emergência</strong></p>
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		<title>Cientistas paraibanos criam indicador que prevê tendências de seca</title>
		<link>https://marcozero.org/cientistas-paraibanos-criam-indicador-que-preve-tendencias-de-seca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Apr 2024 15:53:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cientistas paraibanos criaram um indicador que avalia exposição e tendências de seca em regiões nas quais a escassez prolongada de água ainda não é uma realidade concreta. Chamado de NIFT, o novo índice é baseado em dez parâmetros e foi apresentado à comunidade científica internacional já revisado por partes na edição de março do Journal [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cientistas paraibanos criaram um indicador que avalia exposição e tendências de seca em regiões nas quais a escassez prolongada de água ainda não é uma realidade concreta. Chamado de NIFT, o novo índice é baseado em dez parâmetros e foi apresentado à comunidade científica internacional já revisado por partes na e<a href="https://doi.org/10.1016/j.jhydrol.2024.130857" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dição de março do <em>Journal of Hydrology</em></a>, periódico acadêmico sobre ciências hidrológicas.</p>



<p>O NIFT pode ser útil tanto para analisar regiões já afetadas pela seca quanto para identificar áreas potencialmente vulneráveis. O cálculo do indicador utiliza principalmente dados históricos de precipitação, considerando, sobretudo, quantidade, intensidade, frequência e tendência de eventos de seca, parâmetros que dão nome ao indicador.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>N = número ou quantidade de eventos de seca</p>
<p>I = intensidade da seca</p>
<p>F = frequência das secas</p>
<p>T = tendência</p>
        </div>
    </div>



<p>Para chegar ao novo índice, dados de mais de 3 mil séries históricas com 50 anos de registros foram examinados em âmbito nacional. Entre as principais novidades que o NIFT traz, está o fato de que ele não apenas considera a intensidade e a duração da seca, mas também como essas condições evoluem ao longo do tempo, tendo em vista a fadiga da área devido à persistência das condições de seca.</p>



<p>“Essa novidade fornece uma avaliação mais abrangente e dinâmica do impacto das secas meteorológicas, melhorando significativamente nossa compreensão dos efeitos das secas e, consequentemente, ajudando na implementação de medidas mais eficazes de mitigação e adaptação”, garante Reginaldo Moura Brasil Neto, principal autor do indicador.</p>



<p>Segundo Celso Augusto Guimarães Santos, orientador da tese de doutorado que deu origem ao indicador, apresentada e defendida publicamente em abril de 2023, no programa de pós-graduação em Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a compreensão e avaliação dos impactos das secas meteorológicas é um processo diverso e complexo, já que está intimamente ligado às variações da precipitação. “A precipitação é um elemento fundamental do ciclo hidrológico. Ela influencia a produtividade agrícola, o clima regional e a dinâmica dos processos atmosféricos e terrestres. Por isso, quantificar os impactos envolve vários parâmetros distintos”, explica Santos.</p>



<p>Para o professor e pesquisador, o trabalho representa um avanço significativo na metodologia de avaliação da exposição a secas meteorológicas, incorporando uma abordagem multidimensional. O estudo pode gerar patente e teve financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como é feito o cálculo</h2>



<p>O cálculo do índice NIFT é derivado de dez parâmetros distintos e baseado nos resultados da análise de séries de dados. </p>



<p>Os dez parâmetros são divididos em quatro grupos: </p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Divisão dos parâmetros do NIFT</span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Número e intensidade média dos eventos de seca;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Frequência com que ocorrem eventos de seca classificados como suaves, moderados, severos e extremos; </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Tendências observadas ao longo do tempo em termos de comportamento, duração e severidade das secas; </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Média anual de chuvas na região.</p>
            </div>
            </div>



<p>Os primeiros três grupos de parâmetros baseiam-se no Índice Padronizado de Precipitação (SPI), criado em 1993 e reconhecido internacionalmente por sua eficácia em medir a seca, pois permite avaliar o fenômeno em diversas escalas temporais, utilizando apenas dados de precipitação.</p>



<p>Os pesos atribuídos a cada parâmetro foram determinados através de um processo que incluiu testes empíricos e raciocínio lógico, assegurando que nenhum parâmetro domine indevidamente o índice e que a ponderação reflita precisamente a exposição à seca.</p>



<p>O valor do índice NIFT é então calculado através da soma do produto dos pesos e os valores padronizados de cada parâmetro. Esse método assegura que o NIFT ofereça uma avaliação detalhada e nuances da vulnerabilidade à seca.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a análise de 3 mil séries históricas</strong></h3>



<p>A análise de três mil séries históricas de 50 anos que subsidiaram o desenvolvimento do indicador inédito indica que as regiões com chuvas mais abundantes do Brasil estão concentradas no noroeste da região Norte, com níveis que se aproximam dos 3.500 mm anuais.</p>



<p>Os cientistas paraibanos disponibilizaram a figura abaixo, presente na comunicação científica que tornou público o novo indicador.</p>



<p>As regiões marcadas com tonalidades de amarelo a vermelho representam áreas com maior exposição à seca.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/seca-Paz.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/seca-Paz.jpeg" alt="Nesta imagem, podemos observar uma série de mapas que mostram os níveis de precipitação no Brasil ao longo de diferentes décadas, desde a década de 1970 até a década de 2010, incluindo um mapa médio. As áreas com menos chuvas estão sinalizadas nas cores amarelo, laranja e vermelho, enquanto as regiões com chuvas mais intensas estão marcadas com azul escuro. Essa visualização é interessante porque permite uma comparação visual das mudanças climáticas ao longo do tempo." class="" loading="lazy" width="606">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Journal of Hydrology, edição de março de 2024</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Nota-se que a região Semiárida do Brasil, frequentemente referenciada como “polígono das secas”, devido à sua predisposição histórica à aridez, é proeminente em todas as escalas temporais analisadas.</p>



<p>Adicionalmente, destaca-se que, apesar da precipitação volumosa comum na região Norte, o estado de Roraima demonstra uma assinatura de seca mais pronunciada em comparação com o restante da bacia amazônica.</p>



<p>Em termos de estabilidade, pontua-se a homogeneidade da precipitação na região Sul do país, onde não há delimitação tão evidente dos meses mais secos e mais chuvosos. Em tese, essa estabilidade varia em função de vários efeitos, a destacar a topografia, o clima, a vegetação e os sistemas climáticos atuantes.</p>



<p>No país como um todo, os resultados indicam que secas de caráter trimestral e semestral são as que tem os resultados mais expressivos, sendo a região do Semiárido a mais atingida e as regiões Norte e Sul menos afetadas.</p>



<p>“A seca nos últimos anos no Norte do Brasil tem chamado atenção. Notamos que, na última década, os percentuais de eventos secos, especialmente na região limítrofe entre os estados do Amazonas e Roraima, foram consideravelmente altos. Além disso, zonas específicas da região Norte apresentaram indícios de tendências de aumento das secas em escalas de curto, médio e longo prazo”, esclarece Santos.</p>



<p>Reginaldo Brasil Neto completa que a análise das distribuições espaciais de secas, conforme refletido nos índices NIFT para diferentes escalas temporais, permite inferir possíveis variações no regime de chuvas.</p>



<p>“As áreas destacadas por maiores valores de NIFT, indicando maior exposição à seca, podem sugerir redução na precipitação média ou aumento na sua variabilidade, embora uma análise direta e específica das tendências de precipitação não tenha sido o foco deste estudo”, aponta com cautela.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Em que o índice pode ajudar</h3>



<p>Para mitigar tais efeitos, Santos defende que estratégias multifacetadas são necessárias. Estas podem incluir, mas não se limitam, ao aprimoramento na coleta e análise de dados hidrometeorológicos, implementação de infraestrutura de conservação de água, adoção de práticas agrícolas adaptativas e desenvolvimento de políticas públicas que promovam a resiliência hídrica e a segurança alimentar.</p>



<p>Não foi feita uma análise específica quanto à exposição à seca para a cidade de João Pessoa, onde os cientistas moram e trabalham, nem para uma região mais abrangente como a América Latina. No entanto, esses aspectos representam os próximos passos da pesquisa. Por ora, os resultados referentes à Paraíba indicam que as regiões da Borborema e do Agreste são as mais vulneráveis às secas meteorológicas, apresentando níveis de exposição consideráveis quando comparados com o padrão nacional. Entre os vários fatores que podem influenciar os efeitos das secas, eles evidenciam as mudanças climáticas globais. “Essas alterações, que estão entre os desafios ambientais mais críticos da atualidade, conduzem eventos climáticos extremos mais graves e frequentes, incluindo as secas”, ressalta Celso Santos.</p>



<p>Estudos recentes, conforme os criadores do parâmetro inovador, projetam aumentos significativos na magnitude e na exposição socioeconômica das secas globais em climas 1,5° e 2,0° C mais quentes, enfatizando a urgência crescente de compreender e mitigar os impactos da seca.</p>



<p>A intenção é de que, através do NIFT, tomadores de decisão possam identificar, com maior precisão, quais são as regiões mais e menos expostas à ação das secas meteorológicas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/04/seca-no-amazonas.webp" alt="Nesta foto, vê-se um leito de rio seco na Amazônia com terra rachada no primeiro plano, com vegetação verde mais atrás, e estruturas flutuantes equipadas com pneus coloridos ao fundo." class="" loading="lazy" width="644">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Zonas específicas da Amazônia apresentam indícios de tendências de aumento das secas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Através dessa informação, estima-se que o processo de implementação de medidas mais eficazes de mitigação e adaptação sejam tomadas com maior eficácia, investindo esforços onde realmente seja necessário. A partir do NIFT, essas decisões poderão ser tomadas não só com base em diferentes escalas temporais, como também considerando diferentes escalas regionais”, defendem os cientistas paraibanos.</p>



<p>Indígenas e quilombolas, aponta o professor, também dependem fortemente do meio ambiente e de seus recursos. As secas podem comprometer suas práticas culturais, alimentação e acesso à água, ameaçando sua sobrevivência e cultura.</p>



<p>Reginaldo Moura Brasil Neto chama atenção para as cidades também, nas quais a falta de água pode levar a racionamentos, afetando o dia a dia de todos. Além disso, a produção de energia, principalmente a hidrelétrica, pode ser reduzida, levando a aumentos no custo da energia.</p>



<p>“Em resumo, as secas têm um efeito dominó que atinge todos os aspectos da nossa vida, desde o meio ambiente até a economia e cultura. Por isso, é importante encontrar formas de usar a água de maneira sustentável e buscar soluções para minimizar os impactos desses períodos de seca”, argumentam os cientistas paraibanos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Mais um efeito da mudança climática: semiárido aumentou e governo prepara mudança dos mapas</title>
		<link>https://marcozero.org/semiarido-aumentou-mudanca-dos-mapas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jan 2024 20:23:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As equipes técnicas dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Ciência, Tecnologia e Inovação estão preparando dados, mapas e documentos para que as ministras Marina Silva (Rede) e Luciana Santos (PCdoB) anunciem oficialmente, ainda no mês de janeiro, que o mapa do semiárido vai mudar. A região onde chove menos de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As equipes técnicas dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Ciência, Tecnologia e Inovação estão preparando dados, mapas e documentos para que as ministras Marina Silva (Rede) e Luciana Santos (PCdoB) anunciem oficialmente, ainda no mês de janeiro, que o mapa do semiárido vai mudar. A região onde chove menos de 800mm por ano e 60% a mais de risco de seca, aumentou sua área territorial dos atuais 569,4 mil Km<sup>2</sup> para 796 mil Km<sup>2</sup>, indicando um crescimento de 75 mil Km<sup>2</sup> a cada década, desde 1960. <br><br>O anúncio oficial ainda não tem data para acontecer, mas a página da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) intitulada &#8220;<a href="https://www.gov.br/sudene/pt-br/assuntos/projetos-e-iniciativas/delimitacao-do-semiarido" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Delimitação do Semiárido</a>&#8221; foi atualizada na manhã de quinta-feira, dia 11, e teve seu conteúdo substituído pela frase &#8220;conteúdo em atualização&#8221;.</p>



<p>As áreas classificadas como semiáridas se concentram na região Nordeste, com exceção do Maranhão, e norte de Minas Gerais.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/01/semiarido-sudene-site-2-175x300.jpeg">
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            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Gov.br</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Em 1960, período em que os dados das bases climatológicas começaram a ser divulgadas, a área de semiaridez era de 569 mil km², ou seja, em 60 anos e de acordo com o os ciclos de análise da pesquisa que consideram os períodos de 1960-1990, 1970-2000, 1980-2010 e 1990-2020, houve um aumento de 227 mil km².</p>



<p>Devido à expansão do semiárido, a área subúmida seca apresentou uma redução, passando de 365 mil km², em 1960, para 329 mil km², em 2020. Fazem parte do mesmo conjunto de efeitos das mudanças climáticas, o surgimento de uma região árida no Brasil, com pouco mais de 5,7 mil Km<sup>2</sup> no norte da Bahia, e o crescimento do território susceptível à desertificação, que salta de 710 mil Km<sup>2</sup> para mais de 1,08 milhão de Km<sup>2</sup>.</p>



<p>Todos esses dados foram obtidos na pesquisa realizada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Esse estudo demonstrou que o déficit hídrico gerado pela insuficiência de chuvas em algumas regiões pode afetar severamente a produtividade dos solos e aumentar a incidência de queimadas, o que a longo prazo pode acarretar em uma maior incidência da desertificação.</p>



<p>O levantamento constatou ainda que há uma tendência de expansão da aridez em todo o país, com exceção apenas da região sul e do litoral dos estados de Rio de Janeiro e São Paulo. De acordo com os pesquisadores, as variações estão associadas ao aumento da temperatura que causa uma maior evapotranspiração atmosférica.</p>



<p>“O aumento da temperatura média global que vem ocorrendo, em virtude da intensificação do efeito estufa causada pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa, contribui para o aumento de áreas áridas em algumas regiões, como no semiárido nordestino. Ademais, quanto maior a aridez de um local ou região, menor é a disponibilidade de água. Outro fator que contribui para esse processo é relacionado às atividades de uso do solo, como desmatamento e queimadas que geram degradação do solo”, afirmou o coordenador-geral do INPE, Gilvan Sampaio.</p>



<p>O coordenador do centro de pesquisa que integra o MCTI alertou também para os riscos socioambientais causados pela incidência e expansão das áreas áridas: &#8220;os riscos estão associados a intensificação da mudança do clima, com uma região semiárida se tornando árida e isso está associado a mudanças no comportamento da atmosfera da região. Há o risco ambiental, associado à perda da biodiversidade e a disponibilidade de água, que fica cada vez menor. Há também o risco social e econômico, pois alguns cultivos agrícolas que hoje são possíveis nessa região não serão mais, em virtude da menor disponibilidade de água, e isso pode gerar, por exemplo, êxodo rural&#8221;. </p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden)</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h2 class="wp-block-heading">A ameaça da desertificação</h2>



<p>Para o Governo Federal, as áreas suscetíveis à desertificação são definidas a partir de três categorias: subúmida seca, semiárida e árida. A categorização é calculada a partir de uma equação que leva em consideração o volume das precipitações de chuvas e a demanda de evaporação da atmosfera. Com isso, a aridez de uma região é caracterizada através do índice de aridez do solo, se este índice for menor do que 1, a demanda atmosférica é maior do que a precipitação, o que ocorre com mais frequência em regiões e biomas de clima mais seco como a Caatinga.</p>



<p>A partir dessas condições, pesquisadores do INPE e do Cemaden utilizaram uma base de dados climatológicos para analisar a variação da precipitação e a evapotranspiração do território brasileiro, no período entre 1960 e 2020.</p>



<p>De acordo com Alexandre Pires, diretor de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a pesquisa do INPE e Cemaden faz parte de uma série de ações do governo federal para mitigar o aumento da desertificação e suas consequências.</p>



<p>“A gente espera que esses dados nos ajudem na atualização do Plano Nacional de Combate à Desertificação e com isso nós esperamos traçar estratégias um pouco mais ousadas. Nosso objetivo é pensar em um plano para ser executado em 20 anos, e que dê resultados através do processo de monitoramento contínuo, definição de metasde curto, médio e longo prazo, com prazos específicos e com previsão orçamentária”, afirmou o diretor.</p>



<p>O anúncio dos novos dados sobre as áreas áridas no Brasil corrobora com a <a href="https://www.mdpi.com/2073-4433/14/11/1629" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pesquisa realizada pelo meteorologista e cientista fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Humberto Barbosa.</a> Divulgado em novembro de 2023, o estudo demonstrou que a incidência das áreas áridas severamente degradadas já são responsáveis por provocar a redução das chuvas causando assim um aumento de secas, principalmente na região Nordeste. </p>



<p>A pesquisa do Lapis utilizou dados do satélite Meteosat e foi desenvolvida com uma metodologia que permitiu a comparação entre a atividade da vegetação e da atmosfera. O estudo analisou a umidade do solo e a temperatura através da resposta da vegetação em períodos de seca, entre os anos de 2004 e 2022. Com isso, as análises levaram em consideração os índices de vegetação, precipitação, umidade do solo e temperatura.</p>
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		<title>Apagados da história oficial, campos de concentração da seca de 1932 estão marcados na memória popular</title>
		<link>https://marcozero.org/campos-de-concentracao-ceara-seca-de-1932/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 May 2022 19:58:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[campos de concentração]]></category>
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		<category><![CDATA[política higienista]]></category>
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		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
		<category><![CDATA[Senador Pompeu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fortaleza, Crato, Ipu, Quixeramobim, Cariús e Senador Pompeu. Nesses seis municípios do Ceará, há noventa anos, durante a grande seca de 1932, foram construídos sete campos de concentração com o propósito de conter os&#160; retirantes do interior do estado que tentavam chegar à capital. Na época chamados de “Currais do Governo”, os campos foram construídos [&#8230;]</p>
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<p>Fortaleza, Crato, Ipu, Quixeramobim, Cariús e Senador Pompeu. Nesses seis municípios do Ceará, há noventa anos, durante a grande seca de 1932, foram construídos sete campos de concentração com o propósito de conter os&nbsp; retirantes do interior do estado que tentavam chegar à capital. </p>



<p>Na época chamados de “Currais do Governo”, os campos foram construídos em pontos estratégicos, às margens das linhas férreas, para impedir com mais facilidade o embarque dos retirantes que, em desespero, invadiam os trens para buscar socorro em Fortaleza.&nbsp;</p>



<p>Atraídos por propostas de emprego e por promessas de amparo, assistência médica e alimentação, os flagelados eram, na verdade, mantidos em locais insalubres, tendo que se alimentar com rações enviadas pelo governo, plantas silvestres e até com a carne de animais que morriam de fome e sede nos campos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Na realidade, as pessoas confinadas eram reféns de uma&nbsp; política higienista que teve início em períodos anteriores de estiagem severa. Na segunda metade do século XIX, Fortaleza engrenou um processo de desenvolvimento econômico e urbano que perdeu força e se desestruturou com a chegada da seca de 1877, que durou até 1879 e levou mais de 100 mil retirantes de todo o estado a migrarem para a capital, que na época tinha uma população bem menor, de 30 mil habitantes. As autoridades, então, passaram a buscar meios para conter a chegada dessas pessoas ao centro da cidade de Fortaleza.&nbsp;</p>



<p>Trinta e seis anos depois, durante a estiagem de 1915, o governo não havia criado políticas de convivência com a seca, mas, com o apoio da elite fortalezense, aprimorado as suas estratégias para conter o fluxo de retirantes que rumavam para a capital. Lá, foram criados os primeiros campos de concentração para evitar que pessoas “potenciais portadoras de doenças” ou saqueadoras de mercados, consideradas uma séria ameaça à tranquilidade pública, ocupassem a cidade.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Reprodução/Géssica Amorim</p>
	                
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<p>Em 20 de junho de 1932, o jornal cearense O Povo destacava com informações oficiais o “Efetivo dos Campos de Concentração dos Flagelados”: em Ipu, o número de pessoas concentradas na data da publicação era de 6.507. Em Fortaleza, nos campos do Alagadiço e do Urubu, havia 1.800 pessoas. No município de Quixeramobim, 4.542. Em Senador Pompeu, no campo do Patu, 16.221 (na época, o número de concentrados chegou a ultrapassar o número de habitantes da cidade). No campo de Buriti, no Crato, havia 16.200 pessoas. Cariús, com o maior número,&nbsp; concentrava 28.648. Em todo o estado, o total de pessoas mantidas nos campos de concentração naquele ano era de 73.918.&nbsp;</p>



<p>O município de Senador Pompeu, localizado a cerca de 266 quilômetros de Fortaleza, é o único que ainda conserva parte da estrutura usada para&nbsp; isolar os emigrantes durante o período de estiagem de 1932. Diferente dos campos de concentração dos outros municípios, que construíam apenas barracões cobertos com folhas de carnaúba, lá, além dos barracões, foram utilizados os antigos casarões construídos na década de 1920 pela companhia inglesa de engenharia Norton Griffiths &amp; Company &#8211; encarregada da construção do açude do Patu, na zona rural do município. No sítio do Patu, para conter os confinados, foram utilizados o casarão dos inspetores da obra, duas casas de pólvora, um armazém, a estrutura de um hospital desativado, uma usina, um cemitério e uma estação de trem.</p>



<p>Hoje, o açude do Patu tem como principal finalidade o abastecimento de água da cidade. Segundo o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), o projeto de construção do açude é do ano de 1919 e as primeiras escavações foram feitas em 1921. Porém, as obras foram paralisadas em 1923, sendo retomadas depois de 61 anos e, finalmente, <a href="https://www.gov.br/dnocs/pt-br/assuntos/noticias/a-saga-da-construcao-da-barragem-do-patu" target="_blank" rel="noreferrer noopener">concluídas em 1987</a>.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ruínas dos casarões onde milhares morreram de fome. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Foi no campo de concentração do sítio Patu que, aos 16 anos, o pai da agricultora aposentada Alzira Lucinda Moraes de Lima, 70, esteve confinado. Mário Antônio de Moraes sobreviveu a 1932 e aos horrores da seca daquele ano. Ele faleceu com oitenta e cinco anos, em 2001. Durante o tempo que conviveu com a filha, lhe contou o que viu e viveu no período em que esteve isolado. “O meu pai dizia que ali era uma prisão. Era ele quem cavava as covas para enterrar os&nbsp; defuntos que morriam no campo. Ele dizia que eram dois, três, por noite. Falava dos cachorros brigando, querendo comer os cadáveres. As crianças que morriam, eram carregadas numas telhas. Papai contava que era um horror”.&nbsp;</p>



<p>Mário Antônio foi um dos poucos que conseguiram escapar do campo de concentração do Patu. Ele fugiu para Mombaça, município localizado a cerca de 307 quilômetros de Fortaleza. Nascido no povoado Riacho do Sangue, em Solonópole, que fica a 275 quilômetros da capital cearense.&nbsp; Foi de lá que, durante a seca, quando tentava viajar para Fortaleza, foi impedido pelos vigilantes das estradas e estações de trem e encaminhado para o campo do Patu.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Apagamento proposital</h2>



<p>Os campos de concentração no Ceará, vendidos como uma política de amparo, faziam parte de um projeto desenvolvido pelo governo estadual em parceria com o ministério de Viação e Obras Públicas do governo de Getúlio Vargas, que incentivava a criação de espaços para o confinamento de flagelados das secas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Não há registros oficiais que mostrem com precisão o número de mortos nos campos de concentração cearenses de 1932. Grande parte dos documentos e arquivos oficiais desapareceram. O advogado Valdecy Alves, que nasceu em Senador Pompeu e hoje vive em Fortaleza, estuda o assunto há mais de 20 anos. Ele escreveu três livros e também produziu outros três documentários a respeito. Valdecy considera a falta de informações uma tentativa de apagamento de um dos períodos mais sombrios da nossa história. </p>



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	                                        <p class="m-0">O pai de Alzira fugiu do campo de Patu e foi um dos sobreviventes da política higienista. Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>“Houve um gigantesco e proposital apagamento histórico dos campos de concentração no Ceará. O apagamento da memória é uma prática de quem detém o poder político e econômico. Os campos de concentração das secas são coisas tão vergonhosas praticadas pelo Estado brasileiro, que ele quer apagar. Hoje, eu entendo que os próprios governantes atuais têm receio do resgate da memória da seca de 32 até por medo de terem de indenizar os descendentes das pessoas que foram injustiçadas naquela época. As pessoas&nbsp; foram aprisionadas, usadas como mão de obra escrava para a construção de estradas, construção de ferrovias”, conta Valdecy.</p>



<p>Com uma área de aproximadamente 90 hectares, o sítio do Patu foi tombado como patrimônio histórico-cultural de Senador Pompeu em 2019 e atualmente está em processo de tombamento a nível estadual. Segundo a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, o projeto está em fase de instrução processual para reunir informações históricas, arquitetônicas e antropológicas. A previsão do encerramento dessa etapa é novembro de 2022.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Um &#8220;santo&#8221; coletivo</h3>



<p>Desde 1982, no segundo domingo de novembro, os moradores de Senador Pompeu e de outros municípios organizam a Caminhada da Seca. O evento acontece em homenagem aos retirantes mortos durante a severa estiagem de 1932, no campo de concentração da barragem Patu.&nbsp;</p>



<p>Prestes a completar 40 anos, a cada edição a caminhada reúne mais de 5 mil devotos que atribuem graças alcançadas às almas da barragem. A concentração dos fiéis começa ainda de madrugada, às 4h30 da manhã, na igreja matriz de Senador Pompeu e a procissão vai até o cemitério da barragem, construído pela própria população do município como um monumento simbólico. O trajeto percorrido é de três quilômetros nos quais os fiéis levam ao cemitério pão e água como oferta àqueles que morreram de fome e sede. </p>



<p>Quem idealizou o evento da caminhada da seca o evento foi Albino Donat, padre italiano que faleceu em 2013 e que teve a sua história marcada pela luta em defesa das causas populares em Senador Pompeu e nas outras cidades onde atuou como sacerdote. “ Eu acredito que Padre Albino revolucionou Senador Pompeu. E quase tudo o que a cidade produz hoje de artístico, de patrimonial, de produção literária e intelectual, se deve a ele”, conta o professor e produtor cultural Kleber Pinheiro, de 29 anos.</p>



<p>Os católicos da região se referem às vítimas da seca de 1932 como um &#8220;santo coletivo&#8221;. As celebrações para essa santidade formada por milhares de almas, mantêm viva a memória dos que morreram nos campos de concentração do Ceará e atraindo milhares de devotos todos os anos. Em 2021 a Caminhada da Seca entrou oficialmente para o roteiro turístico do estado.</p>



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	                                        <p class="m-0">A caminhada da seca mantêm viva a memória dos que morreram nos campos de concentração. Crédito: Isadora Brant</p>
	                
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<p></p>
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		<title>&#8220;João Dória, solução para o Semiárido não virá de Dubai nem de Israel&#8221;</title>
		<link>https://marcozero.org/joao-doria-solucao-para-o-semiarido-nao-vira-de-dubai-nem-de-israel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 19:08:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[Dória]]></category>
		<category><![CDATA[Dubai]]></category>
		<category><![CDATA[João Dória]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marcozero.org/?p=41365</guid>

					<description><![CDATA[<p>por Alexandre Pires, coordenador-geral da Articulação do Semiárido (ASA) Prezado Governador, Espero que esteja bem e com saúde! Esses dias, muito envolvido, com as atividades do trabalho, fui surpreendido pela mensagem de um amigo, ativista do Direito à Comunicação, me perguntando se eu tinha visto um vídeo em que o senhor fazia um discurso na [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/joao-doria-solucao-para-o-semiarido-nao-vira-de-dubai-nem-de-israel/">&#8220;João Dória, solução para o Semiárido não virá de Dubai nem de Israel&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Alexandre Pires, coordenador-geral da <a href="https://www.tenhosede.org.br/">Articulação do Semiárido (ASA)</a></strong></p>



<p>Prezado Governador,</p>



<p>Espero que esteja bem e com saúde!</p>



<p>Esses dias, muito envolvido, com as atividades do trabalho, fui surpreendido pela mensagem de um amigo, ativista do Direito à Comunicação, me perguntando se eu tinha visto um vídeo em que o senhor fazia um discurso na Câmara dos Vereadores de Guarabira, no agreste da Paraíba. Eu respondi que não e logo em seguida ele me enviou um vídeo curto, que assisti e ouvi algumas vezes, atento a cada gesto e palavra emitida naquela ocasião. No vídeo, o senhor defendeu algumas “soluções” políticas para nossos dilemas nordestinos importadas diretos de Dubai.</p>



<p>Gostaria de expressar algumas reflexões sobre o tema, sobretudo porque as ideias e propostas defendidas carregam o preconceito de boa parte da sociedade brasileira. Como sertanejo e, há vinte anos, militante do movimento agroecológico, gostaria de chamar atenção que é preciso vivência e muito estudo para entender a realidade do Nordeste e os aspectos que envolvem o Semiárido brasileiro.</p>



<p>Em primeiro lugar, o Nordeste não é igual a Semiárido nem mesmo a seca é o nosso maior problema. As desigualdades sociais e as injustiças econômicas são os principais motivos que corroem a vida de nosso povo. Aliás, nem dizemos mais “combate à seca”, mas sim Políticas de “Convivência com o Semiárido”. A seca se combate acabando com o desmatamento e as queimadas, preservando os rios e a vegetação. Para viver no Semiárido, defendemos políticas que envolvem tecnologias e práticas que respeitem e potencializem as forças da natureza.</p>



<p>Quando diz que “a seca tem solução sim, dede que haja vontade, planejamento, investimento em tecnologia, principalmente para os programas de irrigação por gotejamento”, o senhor sabia que hoje o Semiárido brasileiro abriga o maior programa do mundo de captação e armazenamento de água das chuvas para as populações difusas? Sim, são mais de 1.200.000 cisternas de placas construídas, mais de 19 bilhões de metros cúbicos de água que atendem aproximadamente 6 milhões de pessoas com água potável. Tecnologia local, desenvolvida por um agricultor, estudada por pesquisadores do Semiárido nordestino e construídas pelos milhares de profissionais que vivem e conhecem de perto essa realidade, porque são justamente parte dessa realidade.</p>



<p>Pois é governador, atualmente pouco mais de 200.000 famílias agricultoras têm pelo menos uma cisterna que capta e armazena algo em torno de 52m³. Elas usam essa água para a produção de alimentos agroecológicos, saudáveis para suas famílias e para a venda nas comunidades e sedes dos municípios. No Semiárido, já construímos um “exemplo que é possível mudar” como mencionado pelo senhor, no entanto, o mesmo presidente que o senhor ajudou a eleger, praticamente acabou com o Programa Cisternas, sendo que ainda temos uma demanda 350 mil tecnologias de água para o consumo humano e mais 800 mil para a produção de alimentos.</p>



<p>O senhor fala que em Israel se consegue produzir alimento para consumo interno e para exportação com o “domínio da tecnologia, trabalho, dedicação, perseverança e planejamento”. Muito curioso porque essas mesmas qualificações se podem encontrar no Nordeste. O senhor sabia? Aqui, existe redes de pesquisadores, de instituições públicas, organizações e movimentos sociais, que estão comprometidos em transformar as realidades junto com as pessoas e suas histórias. No entanto, somente em 2021 foram cortados cerca de 92% dos investimentos para a pesquisa e desenvolvimento (CNPq), o que está alinhado com o mesmo projeto político-econômico que o senhor defendeu nas eleições de 2018.</p>



<p>Além da falta de conhecimento, me deixou bastante atônito a natureza colonizadora que o senhor carrega ao defender que as “soluções” para o Semiárido estão lá fora, em Israel ou Dubai, e que irão chegar aqui pelas mãos dos paulistas. Não que tecnologias e experiências que deram certo em outros lugares não sejam bem vindas aqui. Todavia, fiquei me perguntando como pretende ser candidato a presidência do Brasil sem conhecer minimamente as realidades que formam esse país e que lhe digo, com toda certeza, que são muito diferentes dos ares que pairam nos grandes salões de festas e restaurantes cinco estrelas de São Paulo. Realidades ainda mais distantes de Dubai.</p>



<p>Imagine o que ficou passando por minha cabeça: então, o governador Dória apoia um presidente que destrói o Programa Cisternas, uma política pública premiada pela ONU como Política para o Futuro (em 2017), e depois vem aqui nos dizer qual a solução para enfrentarmos as secas? Veja mesmo! Será que a abertura do escritório do Governo de São Paulo em Dubai tem a ver com a proposta de importar tecnologia para o Semiárido brasileiro? Seria um escritório de negócios?</p>



<p>Não queremos mais ser parasitados pelos negócios de outrem. Nós estamos construindo nossos caminhos baseados em nossas próprias vivências! E imagine, governador, que nossas experiências com as cisternas, essa tecnologia premiada, foi adotada por vários outros países e regiões semiáridas do planeta como no Chaco Trinacional, no Corredor Seco da América Central e no Sahel. Já pensou que bacana! Tecnologia Made in Brazil!</p>



<p>O que me parece é que o povo do Nordeste tem mesmo a autoestima e sabedoria de que precisa tomar as rédeas de seu destino, porque não precisamos mais de ninguém vindo aqui dizer quais são as “soluções” para nossos problemas. Eu acho isso uma característica de uma classe muito atrasada e conservadora, algo nada moderno. Aliás, se o senhor me permite, nada mais atrasado na forma de pensar e agir como as elites brasileiras, não é? E aproveitando a deixa, se puder, avise à revista Veja, por favor, São Paulo não é a capital do Nordeste e que não queremos ser mais fornecedores de mão de obra barata nem sermos tratados como coitados ou miseráveis que devem tutelados.</p>



<p>Bom, já é tarde e preciso ir encerrando. Mas queria dizer uma última coisa. Uma dica, talvez. No seu percurso de candidato, procure evitar perguntas como “quem já foi a Dubai?”, porque nós nordestinos, além de destemidas e resilientes, somos um povo muito bem-humorado e sempre vamos achar que é piada.</p>



<p>Com todo respeito,<br>Alexandre Henrique Pires, sertanejo, nordestino, educador, ativista do movimento agroecológico, filho de agricultores, biólogo e mestre em desenvolvimento local.</p>





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		<title>Semiárido brasileiro vai ao Sahel senegalês em intercâmbio promovido pelas Nações Unidas</title>
		<link>https://marcozero.org/semiarido-brasileiro-vai-ao-sahel-senegales-em-intercambio-promovido-pelas-nacoes-unidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Nov 2018 14:10:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[África ocidental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira, 5 de novembro, 13 agricultores e agricultoras familiares do semiárido, acompanhados de quatro profissionais da Articulação do Semiárido (ASA), embarcam para o Senegal para iniciar a etapa africana do intercâmbio entre agricultores do Brasil e de outras áreas semiáridas do planeta. Na África, a comitiva brasileira irá conhecer a realidade das famílias que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira, 5 de novembro, 13 agricultores e agricultoras familiares do semiárido, acompanhados de quatro profissionais da Articulação do Semiárido (ASA), embarcam para o Senegal para iniciar a etapa africana do intercâmbio entre agricultores do Brasil e de outras áreas semiáridas do planeta. Na África, a comitiva brasileira irá conhecer a realidade das famílias que vivem no Sahel, região ao sul do deserto Saara, com 5,4 quilômetros de extensão que corta 14 países africanos do oceano Atlântico ao Mar vermelho.</p>
<p>O intercâmbio, iniciado no início deste ano, é promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em parceria com a ASA. Além da aproximação com a população rural senegaelesa, agricultores familiares do Semiárido brasileiro estão, desde o início do ano, em pleno intercâmbio com famílias agricultoras que vivem na Guatemala e El Salvador, coração do Corredor Seco da América Central.</p>
<p>Nesse mesmo período, irá acontecer a terceira fase do intercâmbio com os centroamericanos. De 5 a 14 de novembro, um grupo de 10 pessoas &#8211; entre elas mulheres cisterneiras, como são conhecidas as pedreiras que constroem cisternas de placa de cimento &#8211; vão realizar oficinas de construção destas tecnologias sociais que têm possibilitado o acesso à água de milhares de famílias no Semiárido brasileiro.</p>
<p>Nesse programa de intercâmbio, tanto os visitantes, quanto os anfitriões vivem em áreas semiáridas que, com as mudanças climáticas e a diminuição das chuvas, tendem a ter um maior índice de aridez do solo, com ampliação também do fenômeno da desertificação. Há projeções de estudos científicos que preveem uma redução de 50% da precipitação pluviométrica no Semiárido brasileiro neste século 21.</p>
<p><b>Rumo ao Senegal</b></p>
<p>No grupo que vai cruzar o Atlântico em direção à África, estão homens e mulheres experientes, conhecedores profundos do solo, dos ciclos da natureza, do comportamento das plantas, além de guardiões e guardiães da biodiversidade, conceito que inclui desde as sementes crioulas aos micro-organismos que vivem no solo.<br />
No Senegal, esse grupo irá encontrar uma população que vive, desde outubro do ano passado, uma crise alimentícia resultante da falta de chuva. Segundo a organização não governamental Ação Contra a Fome, estima-se que falta de chuva deixou mais de 245 mil pessoas sem alimentos no país, levando uma a cada cinco crianças a sofrer de desnutrição aguda.</p>
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		<title>Deus é brasileira e mora no Semiárido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inês Campelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Oct 2018 20:47:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíba]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>DEUS É BRASILEIRa E MORA NO SEMIÁRIDO by Marco Zero Conteúdo on Exposure</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe class="exposure-post-embed" src="https://marcozeroconteudo.exposure.co/2078ae4d6841150be3813b94a9cdbbaf?embed=true" style="width:100%;height:550px;margin-bottom:5px;border:solid 1px #ccc;border-radius:2px;"></iframe><br />
<a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/2078ae4d6841150be3813b94a9cdbbaf">DEUS É BRASILEIRa E MORA NO SEMIÁRIDO</a> by <a href="https://marcozeroconteudo.exposure.co/">Marco Zero Conteúdo</a> on <a href="https://exposure.co" style="text-transform:uppercase">Exposure</a></p>
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		<title>Novo semiárido passa no teste da maior seca da história</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jul 2018 13:03:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[a maior seca]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[ASA]]></category>
		<category><![CDATA[captação de água de chuva]]></category>
		<category><![CDATA[cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[Durval Muniz]]></category>
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		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Malvezzi]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
		<category><![CDATA[seca em pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
		<category><![CDATA[Temer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pela primeira vez na história, uma grande seca chegou ao final sem mortes, saques ou migração massiva para as metrópoles. E não foi uma seca qualquer: a estiagem que começou em 2012 e, namaior parte do semiárido, terminou com as chuvas do primeiro semestre deste ano é considerada como a mais duradoura desde que o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pela primeira vez na história, uma grande seca chegou ao final sem mortes, saques ou migração massiva para as metrópoles. E não foi uma seca qualquer: a estiagem que começou em 2012 e, namaior parte do semiárido, terminou com as chuvas do primeiro semestre deste ano é considerada como a mais duradoura desde que o fenômeno começou a ser monitorado, em 1845.</p>
<p>A seca pôs à prova as políticas públicas implantadas a partir de 2003 e as estratégias de convivência do semiárido adotadas pela sociedade civil a partir do final dos anos 1990, que resultaram na construção de 1,2 milhão de cisternas.</p>
<p>Estudioso do fenômeno e autor do livro <em>A invenção do Nordeste</em>, o professor de História da UFPE e UFRN, Durval Muniz, afirma que o batismo de fogo das novas condições do semiárido foi superado:</p>
<p>“O fortalecimento da economia local, gerada pelo Bolsa Família e pelo fortalecimento do salário mínimo, reduziu a importância da pecuária e das culturas de subsistência inadequadas para o região. E as tecnologias apropriadas, espalhadas por toda a região, garantiram água e alimentos para as famílias”.</p>
<p>“A imprensa não noticiou para não dar visibilidade às profundas mudanças provocadas pelo Governo Lula numa região vista como inviável e sem solução por séculos”.</p>
<p><iframe src="https://cdn.knightlab.com/libs/timeline3/latest/embed/index.html?source=1yb0W1gCLPpnASVwUmKWev_rac_IG6Sudps0JRL2TCAs&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650" width="100%" height="650" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<h2><strong>Dinheiro circulando</strong></h2>
<p>De acordo com os números disponíveis no Instituto Nacional do Semiárido (INSA), em 2012, no início da estiagem, 3,4 milhões de famílias recebiam R$ 518 milhões do programa Bolsa Família. Juntando esse valor aos R$ 2,1 bilhões (80% de verbas federais) movimentados pela Articulação do Semiárido (ASA) desde 2000 para construir cisternas e outras tecnologias, é possível ter ideia de como os efeitos da seca puderam ser minimizados.</p>
<p>O sociólogo Antônio Barbosa, um dos coordenadores de programas da ASA, conta que “a maior parte desses recursos foram gastos na região, com a remuneração dos agricultores capacitados para construir cisternas e compra de matéria-prima e ferramentas no comércio dos municípios”.</p>
<p>Das 1,2 milhão de cisternas existentes hoje na região, pelo menos a metade (622 mil) foi construída pela ASA. A outra metade foi viabilizada por meio de convênios individuais entre os governos estaduais e as ONGs que integram a ASA.</p>
<p>O golpe de 2016 e o governo Michel Temer estão colocando isso em risco. Os cortes de R$ 3 bilhões no Bolsa Família afetam diretamente a região, bem como a redução de 84% dos recursos para a Segurança Alimentar e Nutricional.</p>
<p>A Marco Zero Conteúdo entrou em contato com a titular da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Lilian Rahal, mas ela não respondeu às perguntas enviadas.</p>
<p><iframe style="overflow-y: hidden;" src="https://create.piktochart.com/embed/31394172-new-piktochart" width="824" height="1093" frameborder="0" scrolling="no"></iframe></p>
<h2><strong>O grande salto</strong></h2>
<p>A soma dessas pequenas soluções contribuiu para elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de toda a região. Considerando apenas os estados do Nordeste, os pesquisadores Uirá Araújo Nery da Cunha e Liliane Caraciolo Ferreira, do Núcleo de Pesquisa e Estudos Socioeconômicos do Semiárido, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), constataram que o IDH a região saltou de 03931,em 1991, para 0,6598 em 2010. O crescimento foi de 67,83%. No resto do País, a evolução foi de 50,08%.</p>
<p>A redução da mortalidade infantil reforça a percepção do que aconteceu na região. Ao final da grande seca de 1984, a taxa de mortalidade infantil era de 113 mortes por 1000 nascidos vivos. Morriam mais bebês do que se morre hoje em dia no Afeganistão, país com a pior taxa da atualidade (111 por 1000). Em 2015, último ano em que o indicador oficial está disponível, essa taxa já era de 17,5 por 1000.</p>
<p>O filósofo e teólogo Roberto Malvezzi é testemunha dessa evolução. Quando chegou ao sertão da Bahia para atuar pela Comissão Pastoral da Terra, presenciou um saque ao comércio de Campo Alegre de Lurdes, logo no início da seca que foi de 1979 a 1983. Nos anos 90, foi publicado o primeiro estudo do IDH. Então, ele soube que o desenvolvimento humano da pequena cidade onde havia presenciado o saque era semelhante ao da África subsaariana.</p>
<p>“Não foram só os programas sociais e a captação de água de chuva que mudaram o semiárido. Houve outros esforços da sociedade civil, do povo organizado, a exemplo da agroecologia e da educação contextualizada. As ações do governo garantiram acesso à luz elétrica, telefonia celular e a construção de algumas adutoras que finalmente saíram do papel”, explica Malvezzi.<br />
<iframe src="https://www.youtube.com/embed/UDdOEOm43G4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<h2><strong>A felicidade é verde</strong></h2>
<p>Acompanhar a visita de intercâmbio de agricultores da América Central ao semiárido da Paraíba e de Pernambuco, em junho, possibilitou ver e ouvir dezenas de homens, mulheres e adolescentes que vivem na roça repetir, em plena crise econômica e no ambiente pessimista do governo Temer, que “são felizes”, “não desejam outra vida” ou que “não se imaginam morando em outro lugar”. Frases que, melhor que os números, expressam o quanto mudou o cotidiano dessas famílias.</p>
<p>Na comunidade Sítio Carrasco, a 30 quilômetros de Campina Grande, Maria das Graças Domingos posa para fotos com orgulho diante da cisterna calçadão capaz de armazenar 52 mil litros de água da chuva (foto abaixo). Enquanto a filha estuda computação no Instituto Federal da Paraíba (IFPB) na cidade de Esperança, Nina, como é mais conhecida, e seu marido, Givaldo Firmino, trabalham sozinhos na propriedade de apenas 1,25 hectares.</p>
<p>Apesar do tamanho do sítio, a diversidade surpreende: o casal cultiva feijão, milho, cana-de-açúcar, seis variedade de laranja, quatro de limão, cajá, manga, além de um vaca leiteira e algumas galinhas. Em junho, venderam 1.600 mudas de limão galego. “No mercado eu só compro carne e material de limpeza. O resto a gente tira da terra”, conta Nina.</p>
<p>A propriedade do casal Petrônio Fernandes e Ivoneide Nunes é um pouco maior. São cinco hectares que asseguraram a criação e a educação de três filhas que participam ativamente dos trabalhos no campo. Uma delas, Petrúcia, é técnica agrícola e ajuda os pais a aplicar os princípios da agroecologia. O sítio da família em Juazeirinho (PB) é um modelo na região: a família reaproveita a água utilizada em casa para irrigar as fruteiras, introduziu plantas que servem como pesticidas naturais, aumentou a produção usando uma barragem subterrânea e comercializada os excedentes na feira de orgânicos do município.</p>
<p>A feira de Juazeirinho, aliás, é uma das 16 organizadas pela rede de entidades que trabalham e agroecologia no interior da Paraíba. O mais significativo é que essas feiras surgiram e cresceram ao longo do período de seca, assim como uma marca de produtos orgânicos, criada pela rede de organizações não-governamentais (ONGs).</p>
<p>Ivoneide costuma mostrar os detalhes para outros agricultores que a equipe da ONG Patac (Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas), filiada à ASA, leva até lá. “Faço questão de compartilhar. O que eu quero para mim, quero para os outros”.</p>
<p>Petrônio diz que, durante todos os anos de seca, “nunca deixei de tomar banho de chuvisco”. Ou seja, do chuveiro abastecido por um sistema que coleta água da chuva.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/07/290618MZC_CorredorSeco033.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-9682" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/07/290618MZC_CorredorSeco033-1024x576.jpeg" alt="Nina e a cisterna que garante a produção em seu sítio de 1,25 hectare" width="702" height="394"></a></p>
<h2><strong>Chuva de transparência</strong></h2>
<p>Entre a assinatura de um convênio e o agricultor usar a água da chuva em sua cisterna há um processo em que participação é uma das palavras-chave. A outra é transparência.</p>
<p>Antônio Barbosa é enfático: “Sabemos de onde veio cada centavo que recebemos. Sabemos para onde foi cada centavo que usamos. Coletamos, registramos, sistematizamos e disponibilizamos para qualquer interessado os dados e as informações relativas às nossas atividades”.</p>
<p>De acordo com Barbosa, uma medida simples dos gestores da ASA ajudou a tirar da informalidade pequenos comerciantes e constituir a cidadania de agricultores que sequer tinham documentos.</p>
<p>“Não fazemos nada com pessoas que não tenham CPF. Se o agricultor for escolhido para receber alguma tecnologia, tem de tirar o CPF. O armazém que pretende vender uma simples colher de pedreiro para o programa Um Milhão de Cisternas tem de ter CNPJ, emitir notas fiscais”, assegurou o sociólogo.</p>
<h2><iframe loading="lazy" style="overflow-y: hidden;" src="https://create.piktochart.com/embed/31393646-new-piktochart" width="824" height="932" frameborder="0" scrolling="no"></iframe></h2>
<h2><strong>1,2 milhão de cisternas ainda é pouco</strong></h2>
<p>Na década de 1970, enquanto os coronéis e os políticos nordestinos ainda batiam nas portas em Brasília para “vender” estradas de ferro, rodovias, açudes imensos e outras obras mirabolantes que “solucionariam” a seca, o agrônomo Aderaldo de Souza Silva já batia na tecla que uma das soluções possíveis seria captar água das poucas e irregulares chuvas. No início, ninguém lhe deu atenção.</p>
<p>No final dos anos 1990, a insistência começou a encontrar ouvidos atentos. Pouco depois, o especialista em Segurança Hídrica que atua na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já avaliava os impactos socioambientais das primeiras cisternas construídas.</p>
<p>“Estamos concluindo um estudo sobre esse novo semiárido. Posso lhe adiantar que defendo a continuidade do trabalho da ASA. Ainda precisamos de mais ou menos 600 mil cisternas. Com 1,8 milhão de equipamentos, será possível dizer que a seca foi superada”, afirma Souza Silva em sua sala de trabalho na Embrapa Semiárido, em Petrolina.</p>
<div class="embed-container"><iframe loading="lazy" title="Cisternas por Estado" src="//www.arcgis.com/apps/Embed/index.html?webmap=774d49ccb5f7492488739d1efcd0fa6d&amp;extent=-77.9277,-20.0936,-16.3604,2.8591&amp;zoom=true&amp;previewImage=false&amp;scale=true&amp;disable_scroll=true&amp;theme=light" width="800" height="700" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></div>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.google.com/maps/d/embed?mid=1xzHkdO8hbPdVAxlNf2ltLf6bXfkArjyA" width="1024" height="768"></iframe></p>
<h2><strong>Hora de resistir</strong></h2>
<p>As consequências do golpe de 2016 já chegaram ao semiárido. Pouco menos de 4.600 cisternas foram construídas pela ASA em 2018. Já é o menor número desde o início do programa.</p>
<p>O historiador Durval Muniz acredita que as políticas de convivência com o semiárido estão prestes a ser desmontadas. “Os partidos que representam as elites da região como o antigo PFL (DEM) foram amplamente derrotados na região porque perderam o monopólio do acesso a água, perderam o controle de indicar na fazenda de quem seria perfurado o próximo poço do DNOCS”, afirma o professor.</p>
<p>Muniz ressalva que “mesmo com seus pleitos históricos por ferrovia, transposição e refinarias de petróleo sendo atendidos, a elite local apoiou e continua apoiando o golpe porque assustou-se com a mobilidade social provocada pelas mudanças&#8221;.</p>
<p>O filósofo e teólogo Roberto Malvezzi , no entanto, permanece otimista. “A política de convivência com o semiárido é resultado da unidade dos movimentos sociais em torno da ASA. Ao superar as divergências políticas para focar num objetivo, os movimentos realizaram aquilo que no ano 2000 era apenas sonho. E isso não irá se apagar, a unidade permanece”.</p>
<p>Segundo Malvezzi, outro fator que não cairá no esquecimento é a mudança de vida das pessoas. “O agricultor sabe que sua vida mudou e sabe porque mudou. Mais que cisternas, a ASA construiu resistência”, sentencia.</p>
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		<title>A grande seca do jornalismo</title>
		<link>https://marcozero.org/a-grande-seca-do-jornalismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jul 2018 13:02:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[a maior seca]]></category>
		<category><![CDATA[Articulação do Semiárido (ASA)]]></category>
		<category><![CDATA[ASA]]></category>
		<category><![CDATA[cisternas]]></category>
		<category><![CDATA[crítica de mídia]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Globo]]></category>
		<category><![CDATA[saques]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O inverno de 2018 pôs fim a uma seca que começou em 2012 (ou 2011, dependendo da região). No entanto, os leitores dos principais jornais e revistas do eixo Rio-São Paulo e o público que acompanha os telejornais da maior emissora de TV do País, mal ficaram sabendo que os 23,9 milhões de habitantes de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O inverno de 2018 pôs fim a uma seca que começou em 2012 (ou 2011, dependendo da região). No entanto, os leitores dos principais jornais e revistas do eixo Rio-São Paulo e o público que acompanha os telejornais da maior emissora de TV do País, mal ficaram sabendo que os 23,9 milhões de habitantes de brasileiros que vivem no semiárido enfrentaram as consequências da mais prolongada e intensa estiagem da história.</p>
<p>É bem verdade que o assunto não desapareceu do noticiário, mas quase não mereceu edições especiais, não houve deslocamento dos melhores repórteres, fotógrafos e cinegrafistas cruzando os sertões nem séries de reportagens na TV com trilha sonora dramática tal qual uma pequena telenovela. A cobertura da mídia foi protocolar, limitada na maioria das vezes à questão climática da falta de chuvas ou às consequências econômicas.</p>
<p>Não deixa de ser curioso, afinal a pauta “seca no Nordeste” era obrigatória na mídia brasileira desde julho de 1878, quando a revista carioca <em>O besouro</em> publicou as primeiras fotografias de crianças esqueléticas e os relatos de José do Patrocínio sobre os efeitos da estiagem de 1877-1879.</p>
<p>De lá pra cá, o aparato tecnológico da comunicação mudou, mas a cobertura da seca continuou a mesma, sempre marcada pelas imagens de chão rachado, carcaças de gado, crianças famintas, pedintes nas estradas e notícias de saque.</p>
<p>Pela primeira vez na história não houve mortes de crianças, nem saqueadores invadindo armazéns para levar fardos de comida para justificar. Sequer foram vistas hordas de migrantes nas estradas para justificar a viagem de enviados especiais.</p>
<p>E as matérias editadas nas redações paulistanas e cariocas não se ocuparam de decifrar o porquê da ausência desses elementos na maior seca de todos os tempos.</p>
<p><strong>Amanhã, uma reportagem multimídia da Marco Zero Conteúdo irá mostrar aquilo que a mídia preferiu esconder</strong>: como a sociedade civil está desconstruindo a <em>indústria da seca</em> ao encontrar o caminho para conviver com as prolongadas estiagens. Por ora, entenda como os principais veículos de comunicação ocultaram exatamente aquilo que, por ser inédito, deveria ser a notícia.</p>
<h2><strong>A obsessão pelos índices pluviométricos</strong></h2>
<p>A análise de dezenas de reportagens publicadas pelos principais veículos de comunicação do País (Folha de S. Paulo, Estadão, Valor Econômico, revistas da editora Abril, Rede Record e veículos das organizações Globo) mostram que, entre 2012 e 2017, boa parte do que foi publicado sobre a seca baseou-se em dois indicadores: a situação dos reservatórios de água e os índices pluviométricos, ou seja, quanto choveu e onde choveu.</p>
<p>Apesar das exceções, a cobertura da maior seca da história limitou-se a uma sucessão de boletins sobre dois números que podem ser facilmente obtidos nos sites do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).</p>
<p>Parágrafos como esse, publicado pela revista Veja em maio de 2012, iria se repetir nos anos seguintes nos demais veículos analisados: “&#8230;a maioria desta área a redução das chuvas foi em média de 75% – chegando até 92% em alguns – e a maioria dos açudes localizados no sertão está com 30% da sua capacidade”.</p>
<p>Em abril deste ano, o Jornal Nacional da Globo informava o fim da seca , anunciando que “após seis anos de seca severa, chuva muda a paisagem”. Meses antes, no final de 2017, o telejornal de maior audiência no País dava conta que “quase metade das cidades do Nordeste” estava em estado de emergência por falta d’água nos reservatórios. Tudo burocrático, bem diferente das reportagens em tom de novela melodramática com que a Globo cobriu as estiagens dos anos 80.</p>
<h2><strong>Repórter no século XX – ou XIX</strong></h2>
<p>A Record optou pelo formato que sua concorrente, a Globo, usava no século XX. Produziu uma série novelesca que, em fevereiro de 2017, ocupou uma semana completa de seu telejornal noturno. O problema é que a emissora do bispo Macedo não copiou apenas o formato: usou a linguagem de dramalhão e relatou “a grande seca” como se fosse a mesma seca de 1983, exagerando no tom catastrófico, sem fazer qualquer referência às profundas mudanças que a região passou.</p>
<p>O tom de tragédia e de “problema”, que serviu para sustentar a indústria da seca e o preconceito contra a região, não foi monopólio da Record. A revista Época, do grupo Globo, publicou no último mês de abril um ensaio fotográfico sob o título “Um ensaio sobre as terras secas do Nordeste – a porção de terra seca, sem vida e sem salvação, cresce no Nordeste”. É preciso ler os textos que acompanham as imagens para saber que se trata das regiões que sofrem processos de desertificação.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/07/Época-abr_18.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-9695 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/07/Época-abr_18.jpg" alt="Época abr_18" width="558" height="424"></a></p>
<h2><strong>Merchandising da nova indústria da seca<br />
</strong></h2>
<p>Empresários “inovadores” e empreendedores “modernos” querem renovar a indústria da seca. E contam com as ferramentas que a mídia tradicional lhes oferece.</p>
<p>Em março de 2017, o Estadão publicou em sua página de Economia &amp; Negócios uma matéria intitulada ‘Ações para minimizar a seca que persegue o Nordeste’. Estranhamente, o texto não é assinado por nenhum jornalista da empresa e sim pela Amcham Brasil. Amcham é a sigla em inglês de Câmara de Comércio dos Estados Unidos.</p>
<p>Após os parágrafos iniciais repletos de clichês, frases feitas e inevitáveis versos de <em>Asa Branca, </em>a “matéria” finalmente revela as verdadeiras intenções da Amcham: vender um produto chamado<em> PackH2O</em>, uma espécie de mochila desenvolvida por uma indústria de embalagens industriais para resolver o problema do transporte individual de água por longas distâncias. A Amcham informa que mais de 200 mil packs para já foram distribuídos para latino-americanos que vivem em situação de vulnerabilidade.</p>
<p>O texto não revela quem pagaria pelos packH2O que seriam destinados aos brasileiros.</p>
<p>Se o jornal tivesse enviado bons repórteres ao semiárido, seus leitores teriam ficado sabendo que dezenas de outras tecnologias baratas e apropriadas à região já estão em uso, mudando a vida de milhões de brasileiros.</p>
<p>O produto de marketing que utiliza o pretexto de “ajudar o nordeste” mais bem sucedido talvez seja a água mineral da Ambev, a AMA, cujo lucro está sendo direcionado para a ONG Fundção Avina, que financia um projeto de desenvolvimento sustentável no Ceará. Manchetes como “Diretora da Ambev cria água capaz de reduzir a seca no Nordeste” (revista Glamour do grupo Globo) dão ideia de como a ação promocional de uma grande empresa recebe mais espaço do que a política estruturadora que alcança toda a região.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/07/Glamour_Globo_jan18.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-9696 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/07/Glamour_Globo_jan18.jpg" alt="Glamour_Globo_jan18" width="681" height="455"></a></p>
<h2><strong>Honrosas e limitadas exceções</strong></h2>
<p>Sim, as exceções existem. Apesar de focar sua cobertura nas consequências econômicas da estiagem, como o aumento dos preços do leite e do feijão, o jornal Valor Econômico publicou matérias relevantes, apontando que a seca exige a integração de várias políticas articuladas às alternativas tecnológicas. Tal abordagem difere bastante com a busca por uma solução mágica, única e que movimenta grandes volumes de dinheiro.</p>
<p>O mesmo Estadão do merchandising da mochila de água publicou em janeiro de 2017 aquele que, provavelmente, foi o melhor material jornalístico entre todos analisados. O especial “Nordeste enfrenta maior seca em 100 anos”, apesar de também repetir alguns lugares comuns sobre o fenômeno e a região, ao menos mencionou que os programas sociais “reduziram a migração” e identificou que os projetos de agroecologia oferecem alternativas para os agricultores.</p>
<p>Mesmo assim, a reportagem especial do jornal paulista relegou a um plano secundário as informações com maior valor jornalístico, que era a transformação em larga escala promovida por mais de um milhão de cisternas de placas e centenas de milhares de outras tecnologias desenvolvidas pela sociedade civil e universalizadas pelas políticas públicas dos governos Lula e Dilma.</p>
<p>Apesar da sensibilidade dos repórteres, a edição do Estadão restringiu a nova realidade da região à dimensão de algo menor, restrita a indivíduos isolados.</p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
<h3><a href="http://marcozero.org/padroes-de-manipulacao-na-grande-imprensa-um-manual-para-tempos-de-crise/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="color: #ff6600;">Padrões de manipulação na grande imprensa, um manual para tempos de crise</span></a></h3>
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		<title>O vocabulário proibido da crise da água</title>
		<link>https://marcozero.org/o-vocabulario-proibido-da-crise-da-agua/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joel Santos Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2015 23:36:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[blindagem]]></category>
		<category><![CDATA[crise hídrica]]></category>
		<category><![CDATA[cumplicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Alckmin]]></category>
		<category><![CDATA[manipulação de informações]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[mídia paulista]]></category>
		<category><![CDATA[omissão]]></category>
		<category><![CDATA[racionamento]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como nas guerras, a primeira vítima na crise da água enfrentada por São Paulo foi a verdade. A ampla blindagem articulada pelo governador Geraldo Alckmin para reduzir os danos à popularidade teve como principal objetivo – parcialmente alcançado – manter a população distante das informações que confirmariam a gravidade da crise e suas causas. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>				Como nas guerras, a primeira vítima na crise da água enfrentada por São Paulo foi a verdade. A ampla blindagem articulada pelo governador Geraldo Alckmin para reduzir os danos à popularidade teve como principal objetivo – parcialmente alcançado – manter a população distante das informações que confirmariam a gravidade da crise e suas causas. A estratégia do governo não teria dado certo sem a cumplicidade das empresas de mídia.</p>
<p>O geólogo Delmar Mattes, um dos maiores especialistas brasileiros em gestão de recursos hídricos, analisou a cobertura dos veículos de comunicação de alcance nacional e chegou a esta conclusão.</p>
<p><div id="attachment_537" style="width: 260px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-537" class="size-full wp-image-537" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2015/06/demar-mattes.jpg" alt="Delmar Mattes, especialista brasileiro em gestão de recursos hídricos. Foto: Agência Brasil" width="250" height="317" /><p id="caption-attachment-537" class="wp-caption-text">Delmar Mattes. Foto: Agência Brasil</p></div></p>
<p><strong>Como o senhor  avalia cobertura jornalística da crise hídrica que castiga São Paulo?</strong><br />
<strong>Delmar Mattes &#8211;</strong> Primeiro é preciso deixar claro que a grande mídia foi e continua sendo cúmplice da estratégia do governo do Estado em não informar a população sobre a gravidade dessa crise. De modo geral, ela tem divulgado apenas aquilo que interessa à Sabesp e ao Governo do Estado. A imprensa não tem questionado, por exemplo, a estratégia da falta de transparência combinada com uma manipulação de informações e afastamento da população em qualquer tipo decisão.</p>
<p><strong>Com que objetivo? </strong><br />
Impedir que as medidas implantadas e as soluções emergenciais propostas pelos movimentos sociais organizados sejam debatidas pela sociedade. Para isso, com a cumplicidade da grande mídia, procura manter a sociedade desinformada sobre a real situação da crise, divulgando dados e informações que possam criar expectativas animadoras, impedindo também a formação de canais de participação e de controle social.  Deste modo as discussões das soluções de propostas acabam ficando limitadas aos círculos fechados do Governo.</p>
<p><strong>Como o senhor define esse comportamento do governo?</strong><br />
Para garantir o cumprimento dessas orientações, o Governador implantou uma grande operação de blindagem, inclusive na mídia, a partir de um plano de controle de aliados políticos (partidos aliados, especialmente o PSDB, parlamentares, entidades da sociedade) voltado para uma a unificação de seus discursos.</p>
<p>No plano interno proibiu os funcionários de revelarem informações. A operação tinha, evidentemente, como alvo principal a mídia. Para alguns editores, foi distribuído um glossário contendo expressões e palavras que deveriam ser evitadas e substituídas por outras “mais adequadas”.</p>
<p><strong>O senhor citar um exemplo dessa blindagem interna? </strong><br />
Ficou praticamente vetado o uso de expressões como “volume morto”, “racionamento”, “crise de água”, “falta de chuvas” e no lugar usar respectivamente, os termos “reserva técnica”, “administração da disponibilidade hídrica”, “falta de mira” ou “pontaria de São Pedro”.</p>
<p><strong>Como a sociedade através dos movimento sociais   podem furar esse bloqueio e levar à sociedade a real extensão dessa crise que ameaça deixar São Paulo sem água, a partir de outubro?</strong><br />
Em primeiro lugar, precisamos mudar radicalmente as políticas adotadas até agora, e implantar aquelas que serão capazes de superar todos os problemas que a crise hídrica já provocou. Isso precisa ser feito evidentemente, por intermédio de um amplo debate na sociedade, o que exigirá um certo tempo de elaboração e obtenção de entendimentos e consensos mais amplos na sociedade.</p>
<p><strong>E como fazer isso ?</strong><br />
O movimento Coletivo de Luta pela Água, do qual faço parte, defende a implantação de um Plano de Emergência, com ampla participação da sociedade, baseado nas seguintes medidas urgentes: decretação imediata de um estado de calamidade pública; não aumento de tarifas de água e cancelamento dos descontos concedidos aos grandes consumidores (shoppings, jornais, emissoras de TV, condomínios de luxo etc), requisição de poços artesianos para uso comum e a  implantação de um programa de cisternas e reservatórios coletivos.</p>
<p><strong>Então esse é o grande desafio?</strong><br />
Sim. O Plano de Emergência é o nosso grande desafio, uma vez que o Governo do Estado não é transparente, manipula informações e não quer que a sociedade discuta as medidas que ela acha importantes e necessárias para enfrentá-la e o resultado final é o quadro que estamos vendo.</p>
<p><strong>Em sua opinião, quais são as prioridades do  Plano de Emergência defendido pelo movimento Coletivo de Luta pela Água?</strong><br />
Iniciativas para captar água em diferentes e variadas fontes (bicas, poços rasos e nascentes), fornecimento de água prioritário para os equipamentos de saúde, educação entre outros e um programa para assegurar a qualidade da água.		</p>
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