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	<title>Arquivos sergio moro - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos sergio moro - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Editor do Intercept defende &#8220;jornalismo de impacto&#8221; na abertura de seminário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2019 15:15:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#VazaJato]]></category>
		<category><![CDATA[Operação Lava Jato]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Editor do The Intercept Brasil, Leandro Demori foi a grande atração da abertura do seminário “Que país é esse? &#8211; Comunicação e Política em uma Democracia em Crise”, na terça-feira (1), realizado pela Universidade Federal de Pernambuco com parceria da Marco Zero Conteúdo. No auditório professor Denis Bernardes, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Editor do The Intercept Brasil, Leandro Demori foi a grande atração da abertura do seminário “Que país é esse? &#8211; Comunicação e Política em uma Democracia em Crise”, na terça-feira (1), realizado pela Universidade Federal de Pernambuco com parceria da Marco Zero Conteúdo. No auditório professor Denis Bernardes, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) da universidade, o jornalista falou sobre a Vaza Jato e as encruzilhadas da mídia, da política e da justiça.</p>
<p>A palestra foi mediada pela professora Maria Eduarda Rocha, da UFPE e do Programa Fora da Curva, da Rádio Universitária, e teve como debatedores o sócio-fundador da Marco Zero Conteúdo, Laércio Portela e o doutor em ciência política da USP, Sérgio Ferraz. Logo que o evento foi anunciado, as vagas para conferência gratuita de Demori esgotaram rapidamente. Eventos com a participação dele se tornaram mais disputados depois que o The Intercept passou a publicar os arquivos vazados de chats entre os procuradores do Ministério Público Federal e o ministro da Justiça, então juiz Sérgio Moro, que revelam o uso político da Operação Lava Jato.</p>
<p>O conteúdo das denúncias levadas a público pelo The Intercept é incisivo, e Demori não se esquiva dos questionamentos ao trabalho. O jornalista, que anda acompanhado por um segurança por sofrer ameaças, tem participado de debates em universidades e já participou de audiência sobre a Vaza Jato na Câmara dos Deputados, em Brasília. Também enfrentou os que são abertamente críticos às reportagens, como o apresentadores do programa Pânico, na rádio Jovem Pan.</p>
<p>Nesses espaços, o jornalista quase sempre é questionado sobre o envolvimento do The Intercept Brasil com hackers, que seriam as fontes das mensagens vazadas. Na palestra da UFPE não foi diferente. Demori revirou os olhos, mas aproveitou a pergunta para reafirmar o direito dos jornalistas de “receberem denúncias de fontes anônimas e de publicar informações que sejam de interesse público”. E, sobre o trabalho do The Intercept, reafirmou a opção pelo jornalismo de impacto. “Se não incomoda ninguém, não serve pra nada”, disse.</p>
<p>Ainda aproveitando o mote da pergunta, o editor alfinetou: “Ninguém pergunta ao Antagonista, à Crusoé ou ao Fausto do Estadão se eles compraram o inquérito dos hackers que corre em segredo de Justiça”. Ele se referia às matérias baseadas em vazamentos de depoimentos de supostos hackers. No Twitter, ele havia comentado horas antes que a trama foi empacotada “como se nós (os jornalistas do Intercept) fossemos criminosos”.</p>
<p>Sobre a Vaza Jato e o papel da imprensa, Demori contextualizou que cenário político que se construiu no Brasil a partir dos protestos em 2013, também conhecidos como jornadas de junho, criou um ambiente ideal para que a Operação Lava Jato dominasse a narrativa midiática. “A Lava Jato ofereceu, durante cinco anos, notícia gratuita com um alto poder explosivo. Eles criaram uma massa de informação e deram à população a oportunidade de visualizar apenas uma parte”, argumentou, assinalando os desvios na condução da operação, que estão sendo comprovados nas reportagens publicadas pelo The Intercept, em parceria com vários veículos jornalísticos brasileiros.</p>
<div id="attachment_19409" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/WhatsApp-Image-2019-10-02-at-11.31.29.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-19409" class="wp-image-19409 size-large" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/10/WhatsApp-Image-2019-10-02-at-11.31.29-1024x576.jpeg" alt="Até esta quinta-feira (3), o &quot;Que país é esse?&quot; discutirá a conjuntura política brasileira no campus da UFPE" width="702" height="394"></a><p id="caption-attachment-19409" class="wp-caption-text">Até esta quinta-feira (3), o &#8220;Que país é esse?&#8221; discutirá a conjuntura política brasileira no campus da UFPE. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div>
<p>Deltan Dallagnol, procurador do MPF, é o principal alvo das denúncias da série de reportagens. O conteúdo vazado revela que Deltan fez da Lava Jato uma espécie de ‘guerra santa’, na avaliação do jornalista. “Ele tinha um raciocínio religioso onde a corrupção era o mal e era o demônio”, explicou. Esse raciocínio e a perseguição ao ex-presidente ficam evidentes quando se sabe que o nome está citado 14.357 vezes nos arquivos da Vaza Jato. Isso sem contar com os apelidos dados ao fundador do PT. “Eles construíram uma narrativa pública de modo que muitas pessoas acreditam que personifica a corrupção. Enquanto ele está preso, não há corrupção”, observou.</p>
<p>Nessa ‘luta do bem contra o mal’, a Lava Jato se tornou intocável. Quem se colocava contra ou era corrupto, ou a favor da corrupção. Isso valia inclusive para a própria imprensa, que publicava os conteúdos divulgados pela Força-Tarefa da operação sem questionamentos, na opinião de Demori. O grampo telefônico que revelou conversas entre a então presidente (PT) e , que foram divulgados na GloboNews, por exemplo, estavam entre “mais de 20 grampos telefônicos desconhecidos que foram enterrados. Apenas um foi ao ar”, destacou.</p>
<p>Questionado sobre os impactos da Vaza Jato na política brasileira, o editor do The Intercept disse que não espera a demissão do ministro da Justiça Sérgio Moro. No entanto, ele considera que as derrotas sofridas por ele na Câmara dos Deputados, como no caso da tramitação do “pacote anticrime”, por exemplo, já são uma consequência direta do desgaste da imagem do principal ministro do governo de Jair Bolsonaro (PSL), a partir das revelações das reportagens.</p>
<p><b>Seminário</b></p>
<p>Até a próxima quinta-feira (3), o seminário <a href="http://marcozero.org/seminario-na-ufpe-vai-debater-midiia-e-politica-no-contexto-do-autoritarismo/">“Que país é esse? – Comunicação e Política em uma Democracia em Crise”</a> segue debatendo o momento político brasileiro. A programação ainda conta com nomes como o do professor Vladimir Safatle, da USP, que lançará o livro “Dar corpo ao impossível: o sentido da dialética a partir de Theodor Adorno”, durante o evento.</p>
<p><span style="color: #1d2129;">Nesta quinta-feira (3),&nbsp;o papel das formas de comunicação alternativas no “ecossistema” de mídias do Brasil será debatido por Inácio França, sócio-fundador da Marco Zero Conteúdo, com&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">Ana Veloso, do Obmídia e ex-integrante do Conselho Curador da EBC) e Paula , do Programa Fora da Curva e da Rádio Universitária Paulo Freire) e&nbsp;</span><span style="color: #1d2129;">Gustavo Almeida, da Empresa Pernambuco de Comunicação &#8211; EPC.&nbsp;&nbsp;</span>Os horários de todas as palestras podem ser consultados <a href="https://www.facebook.com/events/1063377184053469/">aqui</a>.</p>
<p>O seminário também acontece em comemoração ao aniversário de quatro anos da Marco Zero Conteúdo e dos três anos do Programa Fora da Curva. As conferências estão sendo exibidas ao vivo no canal da UFPE no Youtube e no Facebook do Programa Fora da Curva.</p>
<blockquote>
<h4>Leia mais:</h4>
<h4 class="post-title" style="color: #19232d;"><a href="http://marcozero.org/jornalismo-politica-e-comunicacao-popular-em-debate-acompanhe-a-agenda-da-marco-zero-e-participe/">Jornalismo, política e comunicação popular em debate. Acompanhe a agenda da Marco Zero e participe!</a></h4>
<h4 class="post-title" style="color: #19232d;"><a href="http://marcozero.org/parceria-do-intercept-com-midia-conservadora-da-tilt-ideologico-na-direita-diz-editor-do-site/">Parceria do Intercept com mídia conservadora dá “tilt ideológico” na direita, diz editor do site</a></h4>
<h4 class="post-title" style="color: #19232d;"><a href="http://marcozero.org/no-ringue-do-facebook-extrema-direita-consegue-mais-compartilhamentos-sobre-a-vazajato/">No ringue do Facebook, extrema-direita consegue mais compartilhamentos sobre a #VazaJato</a></h4>
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		<title>Moro esconde os crimes do sociólogo e inventa os do metalúrgico, diz Jessé Souza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2019 20:55:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[Jessé Souza]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maria Eduarda da Mota Rocha e Yvana Fechine, de Paris, especial para a Marco Zero Conteúdo “Moro esconde os crimes do sociólogo quase francês e inventa crimes para o metalúrgico”. Essa foi uma das declarações de impacto do sociólogo brasileiro Jessé Souza em conferência realizada nesta terça (2) no Instituto de Altos Estudos da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Eduarda da Mota Rocha e Yvana Fechine, de Paris, especial para a Marco Zero Conteúdo</strong></p>
<p>“Moro esconde os crimes do sociólogo quase francês e inventa crimes para o metalúrgico”. Essa foi uma das declarações de impacto do sociólogo brasileiro Jessé Souza em conferência realizada nesta terça (2) no Instituto de Altos Estudos da América Latina (IHEAL), em Paris, para um anfiteatro lotado por franceses e brasileiros. Na frase em que faz uma referência irônica ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem o então juiz Sérgio Moro temia “melindrar”, <a href="https://theintercept.com/2019/06/18/lava-jato-fingiu-investigar-fhc-apenas-para-criar-percepcao-publica-de-imparcialidade-mas-moro-repreendeu-melindra-alguem-cujo-apoio-e-importante/">segundo revelações do The Intercept Brasil (TIB)</a>, Jessé de Souza resume as análises que tem produzido sobre o combate seletivo à corrupção promovido pela Lava Jato com o objetivo de criminalizar&nbsp; Lula, um dos poucos líderes populares que a história política do Brasil produziu.</p>
<p>Uma das vozes mais audíveis do pensamento de esquerda no Brasil nesse ciclo, a julgar pelo seu sucesso editorial, Jessé Souza tem reafirmado que o combate à corrupção do Estado funciona como uma cortina de fumaça para encobrir as verdadeiras causas da desigualdade brasileira e para fornecer uma justificação moral a um elite que “odeia negros e pobres”, mas que não quer se assumir como “canalha” devido aos seus pudores cristãos.</p>
<p>Localizando no Estado a raiz de todos os problemas, essa elite financeira, midiática e judiciária desvia o foco para a política e esconde causas muito mais profundas da desigualdade, como, por exemplo, a sonegação fiscal e a alta taxa de juros. É o que defende Jessé Souza. Enquanto uma organização independente inglesa estimou em 520 bilhões de dólares o montante de impostos não pagos no Brasil, a Lava Jato faz estardalhaço pela recuperação de um bilhão, argumenta Souza.</p>
<p>Já a alta taxa de juros faz com que os pobres e a classe média que paga impostos sustente os ganhos de quem não trabalha, que vive por exemplo dos rendimentos financeiros obtidos através dos títulos da dívida pública, argumentou o sociólogo. A caça aos políticos pela Lava Jato funciona então, segundo Jessé,&nbsp; como a perseguição ao tráfico, onde se prende o pequeno traficante e se deixa livre o dono do negócio. “A boca de fumo é o Banco Central”, afirmou, aproveitando a recente apreensão de 39 quilos de cocaína no avião presidencial como metáfora para sua análise dos papeis políticos hoje no Brasil. “Quem mais rouba no país fez doutorado em Chicago e usa terno italiano ou francês”, disse Souza, arrancando risos da plateia.</p>
<p>Na conferência, ele reafirmou que a desqualificação da política é importante porque é somente através dela que negros e pobres podem conseguir mudar a sua condição, o que é “intolerável” para uma elite que “aprendeu a gozar com a humilhação cotidiana dos que considera inferiores sociais” desde a escravidão. Mas, como o cristianismo recrimina o ódio ao mais fraco, ele precisa ser recoberto por uma justificação moral que impeça a visão de si e dos mais próximos como “canalhas”. E é aí que entra a caça aos corruptos, os “outros”, localizados na política e no Estado, argumentou Souza.</p>
<h3>Desqualificação da política</h3>
<p>Nesta chave de interpretação, a criminalização de Lula e do PT reedita uma velha artimanha em uma sociedade que pouco mudou desde 1930 e que derruba governos minimamente preocupados com os mais pobres, explicou o sociólogo. Foi assim com Vargas, com Jango e também com Lula e Dilma, mais recentemente, lembrou ele. Moro seria então, segundo Souza, o “Lacerda” dos nossos tempos, prestando-se ao trabalho de defenestração da liderança popular do momento. Aliás, uma das noções que justificam o atual estado de coisas no Brasil, é “populismo”, ideia mais recentemente invocada pelo sociólogo. Segundo Jessé Souza, ela funciona desqualificando tudo o que vem do povo como sujo, corrompido e vulgar, inclusive, ou principalmente, os líderes que ousam lhe fazer concessões.</p>
<div id="attachment_17079" style="width: 712px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/IMG-20190702-WA0027.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-17079" class="size-large wp-image-17079" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/07/IMG-20190702-WA0027-1024x768.jpg" alt="Brasileiros e franceses lotaram sala para ouvir o sociólogo Jessé Souza em Paris" width="702" height="526"></a><p id="caption-attachment-17079" class="wp-caption-text">Brasileiros e franceses lotaram sala para ouvir o sociólogo Jessé Souza em Paris</p></div>
<p>Como “fragmento dessa longa história”, o fenômeno Bolsonaro não se sustentaria, segundo Jessé Souza, sem apoio de outras classes sociais além da elite financeira, que conta com “100 mil brasileiros, não mais do que isso”, afirmou. Os outros segmentos em que Bolsonaro ganhou respaldo seriam justamente os que se sentiram ameaçados pelas concessões feitas aos negros e pobres. O maior pecado de Lula, nesse sentido, na sua visão, teria sido abrir a universidade, “esse bunker da classe média”, ameaçando a sua forma primordial de ocupar uma posição na estrutura de classes, que é o monopólio do conhecimento respaldado socialmente.</p>
<p>Mas o núcleo duro do bolsonarismo é o que Souza chama de “lixo branco”, servindo-se de uma expressão surgida nos Estados Unidos para explicar o alto índice de racismo entre brancos pobres do Sul, justamente os mais próximos socialmente dos negros no momento em que eles começavam a diminuir o fosso econômico, educacional e simbólico em relação ao conjunto da sociedade estadounidense.</p>
<p>Citando pesquisa com italianos pobres do interior de São Paulo, Souza lembra que nada pode ser pior nesse universo, que é bem parecido com o mundo de origem de Bolsonaro, do que o casamento com um negro ou uma negra. Jessé Souza explica que nessa fração pobre e branca da sociedade brasileira a cor da pele é o único traço distintivo dos negros em relação aos quais se julgam moral e socialmente superiores. A identificação de Bolsonaro com essa fração de classe reacende o fascismo brasileiro que já existia desde o começo do século XX. “Bolsonaro é a vingança desse lixo branco”, concluiu o sociólogo, denunciando que o moralismo dessa classe baixa e branca não passa de uma forma de racismo.</p>
<p>A conferência do sociólogo Jessé de Souza, intitulada <em>O Brasil de Bolsonaro: dividir para reinar</em>,&nbsp; foi uma iniciativa da ARBRE (Association pode la recherche sur le Brésil en Europe), de Sens Public e da RED.br (Rede Europeia pela Democracia no Brasil), uma entidade formada por professores e intelectuais franceses e pesquisadores brasileiros radicados no país, e recebeu o apoio do IHEAL e da Universidade Paris 13.</p>
<p>Desde a eleição de Bolsonaro, a Red.br tem realizado eventos com o objetivo de apresentar à sociedade francesa os retrocessos políticos e sociais no Brasil. Jessé de Souza, que acaba de chegar a Paris para uma temporada de estudos e pesquisa, é professor da Universidade Federal do ABC (São Paulo) e autor, entre outros livros, de <em>A elite do atraso</em> (2017) e <em>A classe média no espelho </em>(2018).</p>
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		<title>Esquerda quer participação de outros partidos para investigar Moro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2019 00:16:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Maria Carolina Santos (colaboraram Inácio França e Laércio Portela) Em um dia sem sessões, o vazamento das conversas entre o procurador Deltan Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro, hoje Ministro da Justiça, dominou Brasília. Enquanto os políticos começam a voltar para a capital federal, os pedidos de investigações sobre a conduta da Lava [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Carolina Santos (colaboraram Inácio França e Laércio Portela)</strong></p>
<p>Em um dia sem sessões, o vazamento das conversas entre o procurador Deltan Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro, hoje Ministro da Justiça, dominou Brasília. Enquanto os políticos começam a voltar para a capital federal, os pedidos de investigações sobre a conduta da Lava Jato tendem a incluir não só os partidos de esquerda, mas também os do chamado Centrão. Há quem defenda uma convocação para Moro prestar esclarecimentos no Congresso ou até mesmo uma CPI sobre o caso.</p>
<p>Nesta terça-feira (11), presidentes e lideranças de partidos de esquerda &#8211; PT, PCdoB, PDT, PSB e PSOL &#8211; se reunirão no Congresso para analisar os próximos passos a serem dados. Além de avaliar a possibilidade da instalação de uma CPI e da convocação do ministro, também estará em pauta pedidos de afastamento de Moro e dos procuradores de suas funções públicas.</p>
<blockquote><p><strong>Leia mais:&nbsp;<a href="https://marcozero.org/vazamentos-mostram-parcialidade-da-lava-jato-dizem-juristas-pernambucanos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Vazamentos mostram parcialidade da Lava Jato, dizem juristas pernambucanos</a></strong></p></blockquote>
<p>Uma decisão já foi tomada nesta segunda-feira: obstrução total às votações de matérias de interesse do governo Jair Bolsonaro na Câmara e no Senado. Foi o que disseram em entrevista coletiva em Brasília a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Ivan Valente (PSOL-SP).</p>
<p>A ideia geral, porém, é que o caso não vire mais um embate entre Bolsonaristas x Esquerda, de acordo com uma dezena de políticos ouvidos pela Marco Zero. Para o senador pernambucano Humberto Costa (PT), é preciso construir uma articulação “para que outros partidos, inclusive partidos de centro e centro-direita, participem desse processo. Assim, a investigação tomará uma dimensão ainda mais significativa”, acredita, afirmando que as denúncias vão além do caso de Lula. “O mais importante agora é apurar o que esses procuradores e esse juiz fizeram com o estado democrático de direito. A Lava Jato agora é um problema da democracia brasileira: a imagem do MP e do Poder Judiciário estão em jogo”.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/assine" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-13083 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg" alt="bannerAssine" width="730" height="95"></a></p>
<p>A presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), afirmou à Marco Zero que “o PT não vai tomar decisões sozinho, tudo será discutido entre os demais partidos de esquerda. E também queremos ampliar esse diálogo com outros partidos do Congresso, os movimentos sociais e a sociedade”, explicou. Para ela, a situação de Sérgio Moro à frente do Ministério da Justiça é insustentável. “Ele não pode ser o comandante da Polícia Federal. E se a Polícia Federal precisar abrir uma investigação contra o próprio Moro e os procuradores?”, argumentou.</p>
<p>Ela criticou as postagens e declarações de Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro – filhos do presidente Jair Bolsonaro – e do vice-presidente Hamilton Morão. “Querem minimizar o vazamento, mas não conseguirão. O caso é gravíssimo e tem que gerar a anulação do processo contra Lula”. Segundo Gleisi, os advogados do ex-presidente estão analisando quais serão os encaminhamentos jurídicos, a partir dos vazamentos, para garantir a liberdade do ex-presidente.</p>
<p>Pelo Twitter, o governador Paulo Câmara (PSB) afirmou que as denúncias são graves e precisam ser apuradas com agilidade. “Apenas assim é possível se fazer Justiça, com a isenção e o equilíbrio inerentes a uma verdadeira democracia”. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) soltou uma nota em que classifica as trocas de mensagens como “ilegais, imperdoáveis e precisam ser apuradas com o devido rigor”.</p>
<p>O deputado federal Danilo Cabral (PSB) considera pacificado o entendimento de que Moro deve ir responder aos questionamentos dos parlamentares. “O fundamento da democracia é uma justiça que preserve o caráter essencial de sua imparcialidade. Temos que abstrair esse debate da política para que o cidadão se veja naquela condição. O Estado tem o dever de prestar a Justiça. Esse papel não pode tomar lado. E a conduta mostrada lá (nas mensagens) é claramente uma conduta tem quem tomou um lado, quando era para ter se preservado distante, para fazer seu julgamento com elementos que chegassem de ambas as partes”, disse.</p>
<p>Líder do Solidariedade na Câmara, um dos partidos do chamado Centrão, o deputado Augusto Coutinho também rotula o conteúdo do vazamento como fatos graves. “É um conteúdo entre quem acusa e quem julga, de uma relação que não deveria existir. Não podem ser minimizados”, mas acrescenta que “temos que ter cuidado para isso não contaminar o parlamento que tem tantas matérias importantes para serem avaliadas”.</p>
<p>Outra divergência em relação a deputados de esquerda é sobre os mecanismos que devem ser usados pelo Congresso. “CPI é o extremo de uma investigação. Não vejo motivo para CPI. Agora, uma convocação de um ministro para a Câmara, para prestar explicação é algo legítimo e uma prerrogativa do parlamento. Certamente isto vai acontecer, não sei se em caráter de convocação ou de em caráter de convite. Melhor seria por convite. Não somos de oposição, e minha opinião é que devemos acompanhar os fatos, não cabe a nós essas ações (de convocação do ministro)”, diz.</p>
<h2>Sem radicalização</h2>
<p>A deputada federal Marília Arraes (PT) vê o vazamento como uma tragédia anunciada. “Essas mensagens vieram só provar o que nós já dizíamos. O que não podemos deixar é que continuem flexibilizando a ética em nome de um “salvacionismo” como vinham fazendo com as atitudes criminosas de Sérgio Moro, como o vazamento das conversas da presidenta. Moro impediu Lula de ser candidato e hoje integra esse governo que ele ajudou a colocar no poder. Nos sentimos muito ameaçados quando uma pessoa como essa está no maior cargo da Justiça do País”, afirmou.</p>
<p>O deputado Carlos Veras, também petista, tem a expectativa de que quase todos os partidos da Casa devem pedir a investigação sobre Moro. “É importante ressaltar que a própria nota do MPF não desmente nada do que foi publicado”, disse.</p>
<p>Deputado federal mais votado em Pernambuco, João Campos (PSB) defendeu em nota a isenção da Justiça, a apuração dos fatos e questionou se Moro “tem por princípio seguir a máxima de Maquiavel, onde os fins justificam os meios?”.</p>
<p>Para a vice-governadora Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB, o clima de terceiro turno e de radicalização só interessa ao próprio Bolsonaro. “A gente tem que sair desse imprensado, não pode cair nessa armadilha. Teria mais eficácia se as iniciativas fossem tomadas pelas instituições, ou seja, pela presidência do Congresso, pelo STF, não pelos partidos de esquerda. O problema é que, em meio a um escândalo desses, muita gente quer assumir o protagonismo. Precisamos conter esse sentimento, pois há o risco de queimar a largada e, como aprendi no atletismo, quando você queima a largada, já perdeu a corrida”, avalia.</p>
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		<title>No Recife, Sérgio Moro não encanta plateia e se esquiva sobre articulação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 May 2019 17:21:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ministerio da justica]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[segurança publica]]></category>
		<category><![CDATA[sergio moro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A primeira passagem oficial pelo Recife do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, foi sem distrações. E com muita pressa. Na agenda oficial, Sérgio Moro tinha três compromissos no Recife: café da manhã com o governador Paulo Câmara (PSB), às 7h, no Palácio do Campo das Princesas; reunião sobre o Pacto Pela Vida, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A primeira passagem oficial pelo Recife do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, foi sem distrações. E com muita pressa. Na agenda oficial, Sérgio Moro tinha três compromissos no Recife: café da manhã com o governador Paulo Câmara (PSB), às 7h, no Palácio do Campo das Princesas; reunião sobre o Pacto Pela Vida, às 8h; e o principal evento, palestra sobre o combate à corrupção para policiais dentro do Programa de Fortalecimento das Polícias Judiciárias.</p>
<p>Pouco depois das 6h30, a comitiva do ministro foi vista parando nos semáforos de Boa Viagem em direção ao centro do Recife. Antes das 6h50 já estava no Palácio. Ainda faltavam uns minutos para as 8h quando chegou na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) para a reunião do Pacto pela Vida, junto com o governador. Às 8h20, os dois saíram para uma rapidíssima coletiva de imprensa. Antes das 8h30, Moro entrou na sala para a palestra. Saiu às 10h04. Às 11h30, pegaria um voo comercial de volta para Brasília.</p>
<p>Nos pouco mais de três minutos em que passou respondendo aos jornalistas (e assessores do governo), Sérgio Moro escolheu as perguntas e deu respostas protocolares. Abriu a rápida coletiva afirmando que veio para o curso e que foi convidado &#8220;gentilmente pelo governador para conhecer o programa Pacto pela Vida”.</p>
<p><a href="http://www.marcozero.org/assine"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-13083" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/01/bannerAssine.jpg" alt="bannerAssine" width="730" height="95"></a></p>
<p>Nesta introdução, disse que o programa do governo de Pernambuco estava no caminho certo, por trabalhar com &#8220;inteligência e integração&#8221; e elogiou a participação de Paulo Câmara nas reuniões. E afirmou, sem explicar de que forma, que o governo federal quer aprofundar as relações com o estado no combate à violência.</p>
<p>Mesmo com o afago já dado, a primeira das quatro perguntas que Moro escolheu responder foi “sobre a funcionalidade do programa Pacto pela Vida, como o senhor avalia?”, feita não por um dos muitos repórteres que se espremiam para tentar falar com o ministro, mas sim por uma assessora de comunicação do governo de Pernambuco. A levantada de bola surtiu efeito e Moro repetiu os comentários anteriores com outras palavras, mais longas.</p>
<p>A pergunta seguinte era inevitável e foi sobre o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – que Moro, antes mesmo de assumir o Ministério, havia requisitado o controle para o presidente Jair Bolsonaro. A Câmara dos Deputados impôs mais uma derrota ao governo na noite de ontem (22), e o Coaf voltou ao controle do Ministério da Economia, de Paulo Guedes.</p>
<p>“Já me manifestei ontem (pelo twitter). Faz parte. O governo fez uma proposta legislativa, foi colocada no Congresso, houve uma votação, por uma maioria apertada (228 a 210) se decidiu pela volta do Coaf ao Ministério da Economia. Embora eu não tenha gostado evidentemente da decisão, respeitamos a decisão”, afirmou, esticando as palavras.</p>
<p>Logo em seguida, foi perguntado se esperava um veto presidencial a essa mudança. Explicou então que achava que nãoseria possível– por questões de legislação – , &#8220;mas é algo a ser avaliado&#8221;, afirmou. “Ministro, quem errou na articulação? (do Coaf)”, perguntou por duas ou três vezes uma repórter, em alto e bom som. Foi ignorada.</p>
<p>A outra pergunta que Moro escolheu responder foi sobre o recuo (pontual) de Bolsonaro em relação ao decreto que amplia porte e posse de armas no Brasil. Enquanto andava, falou apenas que “o presidente foi sensível a algumas queixas que foram feitas. Isso é normal numa política pública”. E entrou no corredor que leva ao auditório da Seplag.</p>
<h2>Sem selfies e sem perguntas</h2>
<p>Em um auditório pequeno, lotado por policiais civis e assessores dos governos federal e estadual, Sérgio Moro falou por cerca de uma hora sobre medidas de combate à corrupção. Sem o suporte de projeções ou banners, ele falou sobre exemplos da Lava Jato e não citou nenhuma investigação ocorrida recentemente. A palestra foi a portas fechadas, sem acesso da imprensa, que ficou na recepção do primeiro andar, vigiada por policiais. Do lado de fora, foram ouvidos aplausos, curtos, em três situações.</p>
<p>A Marco Zero conversou com três pessoas que assistiram à palestra de Moro. Nenhuma saiu impressionada pelas palavras do ministro. “Eu esperava mais. Ele fala bem, tenta até ser engraçadinho&#8230;mas ele não falou algo realmente interessante ou que seja relevante. Foi só o <em>migué</em>”, afirmou um policial civil.</p>
<p>A organização inicial previa um momento de perguntas e respostas entre Moro e os policiais, mas quando chegou neste hora o ministro afirmou que não poderia mais ficar no auditório. Os três ouvintes classificaram a palestra como “nada demais” ou “genérica”.</p>
<p>Na saída, duas emissoras de televisão, dois sites e uma rádio ainda aguardavam o ministro. Olhando fixamente para a frente e com passos ágeis, ele se limitou a dizer “agora não”, sem olhar para os interlocutores. Não tirou fotos com os convidados da palestra, alegando pressa para ir ao aeroporto.</p>
<p>Na agenda oficial, o único compromisso que Moro ainda tem nesta quinta-feira é uma audiência com o deputado federal Diego Garcia (Podemos-PR), em Brasília. Um levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o ministrou já teve audiências com mais de um sexto dos membros do Congresso, rivalizando em número apenas com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM). A maior parte das visitas a Moro foi de deputados da bancada da bala. Com a perda do Coaf, Moro deve investir ainda mais em articulação com os deputados para tentar aprovar seu polêmico <a href="https://www.justica.gov.br/seus-direitos/elaboracao-legislativa/projetos/anticrime-1/anticrime" target="_blank" rel="noopener noreferrer">pacote Anticrime</a>.</p>
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