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	<title>Arquivos travestis - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 28 Feb 2024 21:33:53 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos travestis - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Quem é a jovem trans que vai representar Pernambuco em conferência global de segurança de dados</title>
		<link>https://marcozero.org/quem-e-a-jovem-trans-que-vai-representar-pernambuco-em-conferencia-global-de-seguranca-de-dados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Nov 2023 13:23:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ibura]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[mulher trans]]></category>
		<category><![CDATA[segurança de dados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cria do bairro do Ibura, na zona sul do Recife, Luana Maria acredita que a tecnologia é uma ferramenta de transformação social capaz de desenvolver políticas de bem viver para as pessoas negras, LGBTQIA+ e periféricas. Aos 23 anos, a programadora e diretora executiva da Pajubá Tech vai representar Pernambuco na Data Privacy Global Conference, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cria do bairro do Ibura, na zona sul do Recife, Luana Maria acredita que a tecnologia é uma ferramenta de transformação social capaz de desenvolver políticas de bem viver para as pessoas negras, LGBTQIA+ e periféricas. Aos 23 anos, a programadora e diretora executiva da <a href="https://www.instagram.com/pajubatech/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pajubá Tech</a> vai representar Pernambuco na <a href="https://dpgconference.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Data Privacy Global Conference</a>, a conferência internacional que realiza debates sobre o ecossistema regulatório dos direitos digitais e novas tecnologias, que acontece em São Paulo nesta segunda-feira, 27 de novembro. </p>



<p>“Eu vou para aprender e também para marcar território e dizer que a nossa população preta, LGBT e periférica  pode estar dentro desses espaços e pode ainda ocupar cargos de liderança”, afirmou a jovem mobilizadora social. Mulher trans, Luana Maria tem o sonho de utilizar seus conhecimentos na área de tecnologia e programação para criar soluções práticas para os problemas sociais que incidem dentro de sua comunidade, sobretudo para mudar a realidade de violência enfrentada pela população trans. “Eu vejo que a tecnologia está cada vez mais abrindo vagas afirmativas para a diversidade e, ao mesmo tempo, eu me vejo inserida em um contexto desumano onde Pernambuco lidera como <a href="https://marcozero.org/pernambuco-e-o-segundo-estado-do-brasil-que-mais-mata-pessoas-trans/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um dos estados que mais mata pessoas trans no Brasil,</a> por isso que meu trabalho é voltado para uma tecnologia social, que seja capaz de proporcionar soluções diversas para as problemáticas da quebrada”, declarou a programadora. </p>



<p>Movida pela curiosidade e pela inquietação, a trajetória de Luana tem muito a nos ensinar sobre a potência intelectual e estratégias de resistência da juventude negra e periférica que lutam para conseguir promover mudanças e melhorias não só para si mesmo, mas para toda a sua comunidade. Além de ressaltar a importância da educação pública na formação de lideranças. Sendo assim, deixemos Luana conduzir este relato. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ingresso na área de tecnologia</strong></h2>



<p>&#8220;Eu fui nascida e criada lá no Ibura, que é um bairro que tem o desenvolvimento humano bem baixo, uma das periferias mais violentas do Recife e Região Metropolitana e sempre foi um desafio muito grande para gente viver dentro da periferia. Mas ao mesmo tempo o Ibura é uma fábrica de artistas, de pessoas multiplicadoras. E então, em 2017, eu comecei a me empoderar e pensar nas soluções para os desafios do nosso cotidiano porque eu sou essa pessoa que gosta de propor soluções. Foi aí que, enquanto articuladora social, eu cofundei um coletivo chamado Favela LGBT, que é um coletivo que visa, principalmente, dar visibilidade a artistas LGBTs na periferia.</p>



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	                                        <p class="m-0">Aos 23 anos, Luana Maria vai representar Pernambuco na Data Privacy Global Confere. Crédito: Arnaldo Sete / MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Depois disso, em 2019, ingressei no IFPE [Instituto Federal de Pernambuco], no curso técnico de Saneamento, e foi onde começou o meu interesse por tecnologia, especificamente em uma disciplina chamada Geoprocessamento, onde a gente estuda geotecnologia, georreferenciamento e a gente utiliza um programa chamado QGIS.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O QGIS é um aplicação de Sistema de Informações Geográficas (SIG) gratuito e de código aberto que oferece suporte à visualização, edição e análise de dados geoespaciais. O SIG facilita a manipulação e análise de dados espaciais e se refere a todos os aspectos do gerenciamento e uso de dados geográficos digitais, como dados vetoriais e raster</p></blockquote>



<p>E aí eu fui pesquisar, porque eu sou uma pessoa muito curiosa, e vi que o QGIS é um software livre. Um software livre é, basicamente, uma comunidade que vai cada vez mais melhorando naquela plataforma, e esse movimento do software livre é um movimento incrível que democratiza o acesso do conhecimento técnico da área da tecnologia, da programação. Então, eu comecei a ter interesse por essa área.</p>



<p>A partir disso, eu comecei a pesquisar escolas, organizações que dessem aulas de programação de graça, porque estudar a programação em si é um conhecimento muito elitizado, enfim, a área da tecnologia é composta, basicamente, por homens brancos, cisgêneros, héteros, que têm dinheiro para poder investir na sua formação e eu não tenho. Então, eu fui em busca de organizações que ajudassem a impulsionar a minha carreira na área da tecnologia. Foi aí que eu encontrei o <a href="https://minasprogramam.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Minas Programam</a> e ingressei no programa de formação em 2021.  </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O Minas Programam é uma iniciativa criada em 2015 para desafiar os estereótipos de gênero e de raça que influenciam nossa relação com as áreas de ciências, tecnologia e computação. A iniciativa promove oportunidades de aprendizado sobre programação para meninas e mulheres, priorizando àquelas que são negras ou indígenas.</p></blockquote>



<p>Em 2022, eu ingressei no Bootcamp da <a href="https://brazil.generation.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Generation Brasil</a>, que é uma organização lá de São Paulo, e me formei como desenvolvedora Java First Tech Junior, e me tornei alguém capaz de desenvolver software, com instrução sobre linguagem e programação. No final de 2022, consegui uma bolsa pelo Prouni no curso de Sistemas para a Internet, na Faculdade Imaculada Conceição do Recife. Ainda em 2022 participei do Cidadão Digital, que é um programa da <a href="https://new.safernet.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Safernet Brasil</a>, junto com a Meta, que visa pensar as tecnologias, as redes sociais para serem utilizadas de forma mais ética, para poder repassar para os jovens informações de segurança e evidenciar que podemos usar as redes sociais de forma não violenta porque a internet não é uma terra sem lei, é um espaço público e por isso precisamos pensar em sua regulamentação. Foi o Cidadão Digital que me empoderou dessas informações, de pensar uma cidadania digital, de pensar uma internet segura&#8221;.<strong> </strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Pajubá Tech: iniciativa estratégica de inclusão </strong></h3>



<p>&#8220;Em outubro de 2022, comecei a ter essa inquietação, de querer proporcionar espaços para outras pessoas trans e travestis também ingressarem na área da tecnologia. Eu vejo que a tecnologia está cada vez mais abrindo vagas afirmativas para a diversidade e ao mesmo tempo eu me vejo inserida em um contexto desumano onde Pernambuco lidera como estado que mais mata pessoas trans no Brasil, por isso que meu trabalho é voltado para uma tecnologia social, que seja capaz de proporcionar soluções diversas para as problemáticas da quebrada. </p>



<p>Então decidi criar a Pajubá Tech, que é uma iniciativa, um empreendimento social, que entende a tecnologia como tecnologia social e não apenas como tecnologia da informação. Atualmente, a Pajubá Tech tem dois objetivos: propor consultorias para que as empresas possam tornar seus processos seletivos mais diversos e proporcionar ambientes de trabalhos acolhedores para pessoas negras e LBTQIA+ , e o objetivo Adocacy que é apresentar estratégias de incidências políticas que afirmem a inclusão de pessoas trans e travestis no mercado de trabalho. </p>



<p>Esse ano eu consegui minha primeira experiência como desenvolvedora, só depois de dois anos como estudante dentro do mercado da tecnologia, e fundar a Pajubá chega como uma solução para a falta de oportunidades para pessoas trans ingressarem no mercado de trabalho.</p>



<p>Hoje, a Pajubá foca muito no território do Ibura, mas a gente realizou o Summit Tech LGBTQIA + periférico, que foi o primeiro encontro de tecnologia e inovação voltado para a comunidade LGBTQIA +, e o evento acabou tomando uma expansão muito maior e várias pessoas da região metropolitana participaram, e  isso reforça o fato de que não há espaços dentro do nosso território que sejam inclusivos e abracem a nossa diversidade, e uma organização como a Pajubá é composta por três mulheres trans e travestis, que são do Ibura, e é a prova de que mulheres trans e travestis sempre estiveram na liderança de diversas iniciativas, sobretudo no movimento LBTQIA+. </p>



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	                                        <p class="m-0">O 1ª Summit Tech LGBTQIA+ aconteceu em setembro de 2023, no Ibura. Crédito: Dimitri Carlovich Gouveia</p>
	                
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<p>Então a Pajubá Tech é também sobre continuar um legado de outras mulheres trans e travestis, que precisam criar estratégias, que morreram de forma violenta, e nós queremos outras mulheres e homens trans através da nossa atuação e trajetória, queremos que essas pessoas tenham outras narrativas e oportunidades que não seja a prostituição, porque o que a gente vê hoje dentro do nosso território é que pessoas trans e travestis são mortas e ninguém faz nada, porque nosso corpo é visto como um nada&#8221;. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Criação de ferramenta para a população trans</strong></h3>



<p>&#8220;O Data Privacy abriu bolsas com uma vaga para cada região do Brasil e eu decidi me inscrever. No processo de seleção tive que escrever uma carta motivacional falando o porquê que eu gostaria de participar da conferência e também como eu replicaria o conhecimento adquirido lá. A Data Privacy Global Conference é uma conferência que reúne diversos setores, várias instituições do mundo todo para poder discutir segurança de dados e discutir como a inteligência artificial tem sido utilizada para pensar as regulamentações da internet.</p>



<p>No Brasil, o debate sobre essas novas tecnologias ainda não está tão avançado, nós temos a Lei Geral de Proteção de Dados, mas ela ainda é muito falha. Então, precisamos discutir como os dados podem ser utilizados como uma ferramenta de transformação social, esse é o meu objetivo tanto na minha participação na conferência como no trabalho que desenvolvo na Pajubá Tech.</p>



<p>A gente vem pensando cada vez mais como não há dados sobre  o emprego formal para as pessoas trans e travestis e quando não existe dados a gente basicamente está dizendo que aquele público não existe. E se a gente for pensar de forma geral, quem hoje fomenta os dados de assassinato de pessoas trans e travestis, por exemplo, é a Antra [Associação Nacional de Travestis Trantexuais],  e a Pajubá pensa em criar uma solução tecnológica que contribua para o monitoramento de dados de pessoas trans que não estão empregadas. </p>



<p>Então, ir para a Data Privacy é muito além de aprender e trazer essas informações para o meu território, para a minha organização, é para discutir como a gente pode fazer essas cooperações que ajudem a contribuir com políticas públicas para a população trans e travesti. Por isso, eu vou para aprender e vou também para marcar território e dizer que a nossa população preta, LGBT e periférica pode estar dentro desses espaços e pode ainda ocupar cargos de liderança.</p>



<p>A partir do ano que vem, especificamente no mês de janeiro, que é o mês da visibilidade trans, a gente quer começar a co-construir esse diálogo com o poder público para que a gente possa ter um protótipo dessa solução que a gente quer efetivar e construir. E isso não só a Pajubá Tech construindo, mas também quem está lá no território do Ibura, a travesti, que está lá na ponta, que está se prostituindo, porque a gente entende que a participação não é só de quem está na linha de frente, fazendo o ativismo e tal,  mas quem também não está tão empoderada dessas articulações, mas vive e entende o cotidiano da periferia&#8221;.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><br><br><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Se você chegou até aqui, já deve saber que colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>
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		<title>Pernambuco é o segundo estado do Brasil que mais mata pessoas trans</title>
		<link>https://marcozero.org/pernambuco-e-o-segundo-estado-do-brasil-que-mais-mata-pessoas-trans/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jan 2023 18:56:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas trans]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Trans Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[travestis]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[violência Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com nove casos registrados, Pernambuco ficou em segundo lugar no ranking de estados brasileiros com maior número de assassinatos de pessoas trans e travestis em 2022. Em todo o país foram registrados 100 assassinatos, uma redução de cerca de 12% em comparação com o ano de 2021, quando houve 111 casos. Nos dois levantamentos anteriores, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com nove casos registrados, Pernambuco ficou em segundo lugar no ranking de estados brasileiros com maior número de assassinatos de pessoas trans e travestis em 2022. Em todo o país foram registrados 100 assassinatos, uma redução de cerca de 12% em comparação com o ano de 2021, quando houve 111 casos. Nos dois levantamentos anteriores, Pernambuco aparecia em sétimo (2020) e quinto (2021) lugares. O estado com maior número de assassinatos foi o Ceará, com 11 registros.</p>



<p>Considerando ainda o número de pessoas trans que cometeram suicídio, com o registro de 15 óbitos, e mais três vítimas fatais decorrentes da aplicação clandestina de silicone industrial, o número de mortes violentas e sociais atingiu o total de 118 pessoas trans no Brasil em 2022.</p>



<p>Os dados são do dossiê <strong>“Registro Nacional de Assassinatos e Violações de Direitos Humanos de Pessoas Trans no Brasil em 2022”</strong>, realizado pela Rede Trans Brasil, que será publicado na íntegra no próximo domingo, 29 de janeiro, data que marca o Dia Nacional da Visibilidade Trans.</p>



<p>“Este relatório, que iniciou em 2016, completa sua sétima edição neste ano de 2023, demonstrando que o Brasil continua a liderar a lista de assassinatos em todo o mundo, reverberando a falta de políticas públicas e, sobretudo, a omissão do Estado, no que se refere à resolução destes casos. Os dados apresentados no dossiê demonstram que a desigualdade e o preconceito são recorrentes no nosso cotidiano”, afirma Sayonara Nogueira, secretária de comunicação da Rede Trans Brasil.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo</strong></h3>



<p>De acordo com o dossiê da Rede Trans Brasil, em 2022, na América Latina e Caribe ocorreram 222 homicídios de pessoas trans e travestis, destes, 100 foram registrados no Brasil.</p>



<p>Em 2022, o ranking anual da Transgender Europe (TGDEU), associação internacional que utiliza os dados coletados pela Rede Trans Brasil em seus estudos, divulgou que o Brasil é o líder mundial em número de assassinatos de pessoas trans há 14 anos. Os dados coletados entre outubro de 2021 e setembro de 2022 mostraram que dos 327 casos registrados em todo o mundo, 96 aconteceram no Brasil, o que representa 29% do total.</p>



<p>Para Dália Celeste, afro-transativista, pesquisadora da Rede de Observatório da Segurança e analista de dados no Instituto Fogo Cruzado, a falta de políticas públicas voltadas para a população trans é um fator determinante para que o Brasil siga liderando o ranking.</p>



<p>“As políticas de segurança para as pessoas trans e travestis ainda não existem, o que existe é uma cobrança e um grande debate que surgiu graças à organização de movimentos sociais que lutam pela causa, mas o governo permanece negligenciando, invisibilizando e violando os direitos humanos básicos para essa população”, disse Celeste.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Região Nordeste apresenta números alarmantes</strong></h3>



<p>O Nordeste foi a região com a maior concentração de mortes violentas em 2022, segundo o relatório da Rede Trans Brasil, com 43% do total, seguido da região Sudeste, com 27%. A região Norte registrou 12% dos assassinatos, o Centro-Oeste teve 11% e a região Sul apresentou o menor percentual com 7%.</p>



<p>Em números absolutos, o Ceará foi o estado brasileiro com mais registros de assassinatos de pessoas trans em 2022, com 11 homicídios. Em segundo lugar está Pernambuco com 9 assassinatos, e em terceiro lugar, empatados, estão Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com 7 casos registrados.</p>



<p>Em Pernambuco, os assassinatos de pessoas trans e travestis foram registrados nos seguintes municípios: Belém de São Francisco; Belo Jardim; Cabo de Santo Agostinho; Lagoa Grande; Palmares; Santa Cruz do Capibaribe; São Bento do Una e Vitória de Santo Antão.</p>



<p>“Pernambuco estar ocupando esse lugar no ranking é alarmante, mas também não é uma surpresa, infelizmente. Eu acredito que o estado se tornou bastante violento exatamente pela falta de segurança pública e de políticas públicas voltadas para a população trans. Além disso, a gente precisa debater questões importantes como empregabilidade, educação e garantia de renda, porque a falta dessas garantias faz com que as pessoas trans e travestis vivam em situação de vulnerabilidade extrema e isso também causa o aumento da morte e da violência”, destacou Dália Celeste.</p>



<p>A pesquisadora afro-transativista também acredita que a disseminação do discurso bolsonarista de “ideologia de gênero” contribuiu para a escalada de violência contra a população trans, tendo em vista que “a dinâmica desses assassinatos se perpetua de uma forma muito similar e sempre acontecem de forma brutal, resultados de crimes de ódio que desumanizam os corpos trans”.</p>



<p>Procuramos o Governo de Pernambuco para questionar quais medidas e projetos a gestão de Raquel Lyra (PSDB) pretende realizar para mudar o contexto de violência contra as pessoas trans e travestis.</p>



<p>Em nota, a gestão afirmou que &#8220;está executando as ações de enfrentamento à violência contra as pessoas trans em Pernambuco de maneira transversal, envolvendo mais de uma secretaria, órgãos estaduais e sociedade civil organizada, para assim reforçar e implementar medidas de prevenção e repressão&#8221;. <br><br>Leia a nota enviada pelo governo de Pernambuco na íntegra: </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O Governo do Estado está executando as ações de enfrentamento à violência contra as pessoas trans em Pernambuco de maneira transversal, envolvendo mais de uma secretaria, órgãos estaduais e sociedade civil organizada, para assim reforçar e implementar medidas de prevenção e repressão.</p><p>Por meio de uma política pública multissetorial, o Governo do Estado irá assegurar a implementação e o fortalecimento de serviços de atendimentos especializados, garantindo a proteção e o acolhimento da população LGBTQIA+.</p><p>O Governo do Estado tem a compreensão de que a população LGBTQIA+ está entre as mais marginalizadas da sociedade e reforça que combate, com firmeza, o preconceito, a discriminação, a violência e a banalização de atos criminosos para que todas pessoas de fato sejam seguras e acolhidas em Pernambuco.</p></blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Faixa etária, identidade de gênero e raça</strong></h3>



<p>De acordo com o levantamento da Rede Trans Brasil, mais da metade das pessoas trans assassinadas no país em 2022 tinham menos de 35 anos de idade. A maioria dos casos foi de vítimas na faixa etária dos 26 a 35 anos, seguido daquelas entre 18 a 25 anos. A vítima mais jovem tinha 15 anos e a mais velha 59 anos. Dos 100 casos monitorados, 29 ocorrências não traziam a idade da vítima.</p>



<p>Sayonara Nogueira destacou que a falta de informações relevantes sobre as vítimas de homicídio é um problema recorrente na cobertura de violência contra a população trans. “Existe uma subnotificação destes dados, uma vez que os órgãos oficiais do governo não se propõem à realização de nenhuma pesquisa a respeito de nossa comunidade. Portanto, não é possível afirmar que as informações e resultados apresentados no dossiê representam a totalidade dos homicídios e violências cometidos contra travestis, mulheres e homens trans e pessoas transmasculines e de gênero diverso, devido às limitações durante o monitoramento e à ausência de informações governamentais”, disse a secretária de comunicação da Rede Trans Brasil.</p>



<p>Em relação à raça/ etnia das vítimas, dos 100 assassinatos contabilizados no dossiê, 19 não apresentaram informações sobre a autodeclaração. Dos casos que contém registro, 77,8% das vítimas eram pessoas racializadas, a maioria se autodeclararam pretas e pardas; com exceção de uma indígena, e uma amarela.</p>



<p>Ainda de acordo com o dossiê, todas as pessoas trans assassinadas em 2022 se identificavam com o gênero feminino e a maioria era de trabalhadoras sexuais. Além disso, a maior parte dos assassinatos ocorreram em vias públicas.</p>



<p>Dália Celeste explica que há uma relação direta entre o alto índice de assassinatos de mulheres trans e travestis e o trabalho sexual: “Tudo que não segue um padrão de masculinidade é colocado em um lugar de inferioridade, por isso, o grande número de assassinatos e violências contra mulheres trans e travestis é causado pelo ódio a identidade feminina. Outro fator que influencia é a falta de empregabilidade que faz com que muitas dessas mulheres pratiquem a prostituição não como uma opção, mas como a única alternativa de sobrevivência já que não conseguem ter acesso a outros empregos, e isso coloca elas em um lugar de violência constante”.</p>



<p>A Rede Trans Brasil também analisou casos de violações em direitos humanos que aconteceram com pessoas trans em 2022. Entre as violações com maior número de registros, destacam-se: proibição do uso do banheiro, agressão física e violência política de gênero (ameaças, intimidação psicológica, humilhações e ofensas).<br><br></p>



<p>*<em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Em Pernambuco, maioria das candidaturas ao governo ignora LGBTI+ nos seus planos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2022 14:57:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[eleições Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[lgbtfobia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Raíssa Ebrahim (Marco Zero) e Camilla Figueiredo (Agência Diadorim) Em Pernambuco, um dos estados brasileiros com maior índice de violência contra LGBTI+, sete dos 11 candidatos ao governo não citam propostas para essa população nos seus programas. É isso que aponta uma análise feita pela Agência Diadorim e a Marco Zero Conteúdo, com base [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Raíssa Ebrahim (Marco Zero) e Camilla Figueiredo</strong> (<strong><a href="https://www.adiadorim.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Diadorim</a></strong>)</p>



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<p>Em Pernambuco, um dos estados brasileiros com maior índice de violência contra LGBTI+, sete dos 11 candidatos ao governo não citam propostas para essa população nos seus programas. É isso que aponta uma análise feita pela Agência Diadorim e a Marco Zero Conteúdo, com base nos documentos protocolados por cada candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).</p>



<p>A pesquisa Ipec divulgada na última quarta-feira (21) para o governo estadual mostra que a candidata Marília Arraes (SD) segue na liderança, com 33% das intenções de voto, cinco pontos percentuais a menos do que no levantamento anterior do instituto, divulgado no dia 6. Na segunda colocação, Danilo Cabral (PSB), Raquel Lyra (PSDB), Miguel Coelho (União Brasil) e Anderson Ferreira (PL) estão numericamente empatados, todos com 11%. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.</p>



<p>Na liderança da corrida eleitoral, Marília Arraes não cita uma só vez a sigla LGBTI+ em seu plano de governo. Ela deixou de fora esse grupo até mesmo no trecho em que afirma “combater as desigualdades, especialmente aquelas estruturadas pelo racismo, o machismo e a discriminação de classe.&#8221; &#8220;Nosso estado será de todas as cores, de todas as pessoas! Igualdade de gênero, raça, direito à diversidade de pensamento e crença, serão tratados como garantias constitucionais, conquistas do estado brasileiro”, diz o texto da candidata.</p>



<p>Danilo Cabral, por sua vez, apoiado pelo atual governador do estado, Paulo Câmara, incluiu em um eixo dedicado à “proteção e emancipação social, garantia de direitos e políticas específicas” um tópico em “defesa dos direitos, atenção específica e condições para inclusão socioeconômica da população LGBTQIA+&#8221;. A proposta, porém, é genérica e não explica quais serão as ações efetivas.</p>



<p>Já Raquel Lyra, ex-prefeita de Caruaru, no Agreste pernambucano, reconhece em seu programa de campanha que pessoas vítimas de preconceito “simplesmente por serem quem são” sofrem com “a exclusão social e o ultraje da violência”, mas não propõe qualquer projeto de reverter essa realidade.</p>



<p>Os candidatos Anderson Ferreira, correligionário do presidente Jair Bolsonaro, e Miguel Coelho, excluíram completamente LGBTI+ das suas propostas de gestão encaminhadas ao TSE.</p>



<p>Dos 11 postulantes ao cargo de chefe do Executivo de Pernambuco, seis não passaram de 1% na pesquisa do Ipec. Desses candidatos, três têm propostas diretas para a população LGBTI+ do estado: Claudia Ribeiro (PSTU), João Arnaldo (PSOL) e Jones Manoel (PCB), principalmente nas áreas de educação, saúde e segurança. Embora reconheça a necessidade de enfrentar “divisões” e “preonceito”, o pastor Wellington (PTB) não cita qualquer plano para isso. Jadilson Bombeiro (PMB) e Ubiracy Olímpio (PCO) ignoraram completamente a pauta.</p>



<p>Entre todas as candidaduras ao governo de Pernambuco, a campanha de Jones Manoel é a que mais tem propostas para lésbicas, gays, bissexuais, trans, travestis e intersexo: são quase oito páginas de programa dedicadas a essa população, no tópico intitulado “Programa LGBTQ+”.</p>



<p>Dentre as 19 propostas do representante do Partido Comunista Brasileiro, estão criar casa de atenção integral a travestis e pessoas trans, com espaços formativos para empregabilidade, seguindo modelo da carta-proposta da RATTs, com assistência financeira por tempo de atividade dentro da casa; aprovar lei de cota de trabalho trans e travesti no setor público; promover campanhas de conscientização e educação sexual; ampliar programas de saúde no SUS; criar conselho popular LGBTI+ dentro da Secretaria de Saúde, composto pela própria população, além de questões de acolhimento, atenção psicossocial, formação, geração de estatísticas, entre outras.</p>



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<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Precisamos de pertencimento”</strong></h2>



<p>“Estamos fartas de inclusão, precisamos de pertencimento”. A afirmação é de Caia Maria, conselheira estadual dos direitos da população LGBT em Pernambuco. “A grande diferença entre as duas coisas é que, no pertencimento, nós não somos apenas ouvidas. Nós queremos estabelecer um diálogo político, com resultado concreto das nossas falas, com respostas”, explica ela, que é articuladora política e vice-coordenadora da Nova Associação de Travestis e Pessoas Trans de Pernambuco (Natrape) e também faz parte da Rede Autônoma de Travestis e pessoas Trans de Pernambuco (RATTs-PE).</p>



<p>Caia concorda que a falta de aprofundamento das pautas LGBTI+ nos planos de governo tem a ver com o cenário político atual no Brasil, uma vez que candidatos e candidatas estão precisando conquistar votos de grupos mais conservadores. “Que concessões são necessárias fazer para o conservadorismo e para as igrejas evangélicas em nome de uma eleição?”, questiona.</p>



<p>E mais: será que o <a href="https://marcozero.org/candidaturas-trans/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">recorde de candidaturas de pessoas trans</a> nestas eleições acontece por causa do reacionarismo bolsonarista ou apesar dele?, provoca Caia novamente. Ela comenta que a resistência a Bolsonaro também acontece através de outras formas de organização política e que é preciso introjetar que as pessoas trans possam trabalhar politicamente sem esse cenário. “Qual é realmente o cenário estimulante para essas candidaturas? É o cenário conservador? Eu acredito que não, acredito que o cenário estimulante deve ser um menos conservador, com uma esquerda progressista e realmente aliada, que faça um debate qualificado. O que está acontecendo agora não é exatamente uma proliferação de candidaturas trans, é uma aposta radical na ocupação da institucionalidade”, reflete.</p>



<p>Na avaliação de Caia, há algum tempo, a esquerda cisgênera e alguns espaços de discussão, inclusive de parte do movimento LGBTI, se veem, de certa forma, “imunes a todas as críticas ao conservadorismo”. E isso, diz ela, repercute em candidaturas de um modo geral. Ao mesmo tempo em que a agenda política LGBTI tem se tornado um coletivo de pautas incontornáveis e isso tem levado candidaturas e as próprias pessoas que constroem internamente as candidaturas e os partidos a olhar para essas vidas, isso tem acontecido de uma maneira ainda muito pouco sofisticada. “É uma inclusão que acontece muito de uma maneira meramente formal”, define.</p>



<p>Nesse ponto, Caia toca na preocupação com a revisão do vocabulário político, da gramática política e das referências utilizadas, uma vez que isso significa um comprometimento com a qualidade do debate. Nestas e nas últimas eleições, observou-se uma “salada” de siglas. Muitas campanhas inserem a maior quantidade possível de letras como se isso fosse sinônimo de inclusão. Mas muita gente talvez nem saiba o significado de todas as letras. E pior: nem sempre as candidaturas têm propostas para as pessoas representadas pelas letras que usam.</p>



<p>“Algumas identidades estão sendo instrumentalizadas em nome de uma inclusão falsa, porque essa inclusão não aparece nos programas políticos”, reforça Caia, lembrando que, inclusive, não identidades estão sendo tratadas como identidades, como é o caso queer, que baseia a letra “Q” na sigla LGBTQI+. Além disso, pouco ou nada se fala sobre as pautas da transmasculinidade dentro das casas legislativas e dos executivos, incluindo os debates sobre aborto e a ocupação dos espaços de poder e decisão.</p>



<p>Em relação à sigla do movimento, Caia, que usa LGBTI (sem o mais), demonstra uma preocupação com a desorganização política e também a falta de conferências nacionais, que pactuam essa questão e tantas outras e funcionam como referenciais. As últimas conferências aconteceram em 2016, quando ficou definido o uso da sigla LGBTI. Desde então, não houve mais eventos. O último não aconteceu por causa da pandemia de covid-19. “Um novo governo Lula deve ter como demanda prioritária da população LGBTI a realização de uma nova conferência”, diz. Sobre o “+”, ela comenta que não gostaria de ser referenciada dessa forma, portanto o não utiliza.</p>



<p>Para o representante da ONG Leões do Norte Welington Medeiros, as pautas LGBTI+, quando tratadas nos planos de governo, apareceram de forma “muito genérica, sem intimidade nem profundidade”. “As pessoas parece que não sabem o que está acontecendo e as assessorias, que não se inteiram, não conhecem”, comenta.</p>



<p>“Talvez isso seja também porque os cargos que as pessoas ocupam na Prefeitura do Recife e no Governo do Estado não são militantes, não têm inserção na militância. É uma pauta que não tem muita mudança. Isso também se deve ao fato de não haver verba”, complementa, citando o caso do Centro de Referência LGBT, hoje Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH).</p>



<p>Na avaliação de Welington, é preciso ir além da questão do preconceito. Pautar, por exemplo, a descentralização dos serviços e das políticas públicas de olho no interior do Estado, a renda e empregabilidade &#8211; o que inclui dialogar com empresários e comerciantes, sobretudo para colocar as pessoas trans e travestis no mercado. Além disso, ele cita a violência, o atendimento à saúde, a qualificação do debate na mídia e como os temas são tratados nas escolas. “Há muitas especificidades que precisam ser discutidas”, reforça.</p>



<p>“Quantas vezes o governo estadual recebeu a população LGBTI+?, questiona Welington. “A pauta do segmento não pode servir para negociação com a ala conservadora política do Estado, não podemos ser essa moeda”, crava.</p>



<p>Na semana passada, a ONG Leões do Norte cancelou o debate que faria com candidatos ao governo de Pernambuco, porque nenhum dos concorrentes convidados confirmou presença.</p>



<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/Cif5SmnJjri/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/Cif5SmnJjri/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank" rel="noopener"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; 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margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/Cif5SmnJjri/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank" rel="noopener">Uma publicação partilhada por Movimento LGBT Leões do Norte (@leoesdonortelgbt)</a></p></div></blockquote> <script async="" src="//www.instagram.com/embed.js"></script>



<p>Em 2021, Pernambuco teve 735 casos de violência contra LGBTI+, entre crimes de lesão corporal, homicídio e estupro, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foram 131 registros a mais em comparação com 2020.</p>



<p>Em setembro do ano passado, a <strong>Diadorim</strong> e a <strong>Marco Zero</strong> revelaram que o estado <a href="https://adiadorim.org/especial/2021/09/com-politicas-publicas-esvaziadas-pernambuco-enfrenta-onda-de-ataques-transfobicos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vive um apagão nas políticas de combate à LGBTIfobia</a>. Com apoio metodológico da Plataforma Justa, a reportagem apurou que desde 2018 os orçamentos da gestão Paulo Câmara (PSB) destinados a essa população foram esvaziados ou contingenciados. Situação que, segundo especialistas, resultou em uma “onda de ataques transfóbicos”.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/em-pernambuco-maioria-das-candidaturas-ao-governo-ignora-lgbti-nos-seus-planos/">Em Pernambuco, maioria das candidaturas ao governo ignora LGBTI+ nos seus planos</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Assassinatos de mulheres trans não param e entidades cobram ações do governo em Pernambuco</title>
		<link>https://marcozero.org/assassinatos-de-travestis-e-mulheres-trans-nao-param-e-entidades-cobram-acoes-do-governo-em-pernambuco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Feb 2022 23:12:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres trans]]></category>
		<category><![CDATA[transfeminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[transfobia]]></category>
		<category><![CDATA[travestis]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A transfobia continua a fazer vítimas em Pernambuco. Os assassinatos de três mulheres trans em fevereiro &#8211; duas mortes aconteceram em São Bento do Una, no Agreste e outra em Palmares, na Mata Sul &#8211; somaram-se a outro caso registrado nos primeiros do ano no Cabo de Santo Agostinho, dando sinais de que o crescimento [&#8230;]</p>
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<p>A transfobia continua a fazer vítimas em Pernambuco. Os assassinatos de três mulheres trans em fevereiro &#8211; duas mortes aconteceram em São Bento do Una, no Agreste e outra em Palmares, na Mata Sul &#8211; somaram-se a outro caso registrado nos primeiros do ano no Cabo de Santo Agostinho, dando sinais de que o crescimento expressivo deste tipo de crime ao longo de  2021 poderá ter continuidade ao longo deste ano.</p>



<p>As vítimas foram mortas por disparos de arma de fogo, passaram a fazer parte de uma estatística que comprova a escalada de violência contra a população trans e de travestis do estado. De acordo com o dossiê anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra), em 2021, Pernambuco ficou em quinto lugar no ranking do maior número de assassinatos de pessoas trans, com 11 casos, subindo duas posições em relação ao ano anterior, quando registrou 7 transfeminicídios. O documento indicou também que o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo.</p>



<p>Com os assassinatos do último fim de semana, em apenas dois meses o estado já registrou 4 assassinatos de pessoas trans, ou seja, mais da metade do que foi registrado em todo ano de 2020. Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco afirmou que as investigações dos assassinatos já foram iniciadas e seguem até que os crimes sejam esclarecidos, mas não informaram se os suspeitos foram identificados ou detidos.</p>



<p>Na <a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/02/16/tres-travestis-foram-assassinadas-em-apenas-um-fim-de-semana-em-pernambuco" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sexta-feira, 11 de fevereiro</a>, no bairro Santa Rosa, em Palmares, um homem pilotando uma moto atirou numa mulher trans identificada como Júlia, de 23 anos, que morreu no local. No dia seguinte, na zona rural de São Bento do Una, duas mulheres trans, uma de 18 anos e outra de 31 anos, foram atacadas e mortas no distrito de Queimada Grande, em circunstâncias que a Polícia Civil não esclareceu. Antes, <a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2022/01/03/mulher-trans-e-morta-a-tiros-em-rua-no-cabo-de-santo-agostinho-enquanto-voltava-para-casa.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em janeiro</a>, no bairro Bela Vista, no Cabo, a auxiliar de cozinha Blenda Schneider foi morta a tiros quando voltava da casa de uma amiga.</p>



<p>Para Caia Maria Coelho, integrante da Nova Associação de Travestis e Transexuais de Pernambuco (Natrape) e da Rede Autônoma da Travestis e transexuais de Pernambuco (Ratts-PE), o aumento do número de assassinatos é consequência da falta de políticas públicas. “É uma realidade muito triste e o poder público precisa ser responsabilizado por essas mortes. Diversas entidades da sociedade civil estão interessadas em estabelecer um diálogo direto com os governos estaduais e municipais, mas ainda não há um processo de ouvidoria regular instaurado graças a uma institucionalização burocrática que dificulta essa escuta”, afirmou a ativista.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/com-politicas-publicas-esvaziadas-pe-enfrenta-onda-de-ataques-transfobicos/" class="titulo">Com políticas públicas esvaziadas, PE enfrenta ‘onda de ataques transfóbicos’</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/genero/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Gênero</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Falta diálogo</strong> com governo</h2>



<p>A Ratts-PE, da qual Caia Coelho faz parte, foi criada em novembro de 20121, a partir da união de diversas entidades, para atuar de forma mais incisiva na criação de políticas públicas para pessoas trans com o objetivo de garantir segurança e qualidade de vida para essa população.</p>



<p>Um dos principais mecanismos utilizados pela rede para tentar diálogo com gestores governamentais foi a elaboração de uma carta proposta de combate ao extermínio de pessoas trans e travestis em Pernambuco. A expectativa era de que a carta fosse entregue ao governador Paulo Câmara em uma reunião que estava marcada para acontecer em janeiro de 2022, mas, até hoje, o encontro não aconteceu.</p>



<p>“Isso é muito preocupante, porque com a implementação das propostas que os movimentos sociais estão demandando, momentos políticos como esse, de aumento do transfeminicídio no estado, não estariam acontecendo”, declarou Caia.</p>



<p>A Marco Zero procurou a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos para saber se havia uma nova data para o encontro entre a Ratts e o governador, ou algum outro representante do governo. A assessoria da secretaria respondeu por meio de nota, mas não sinalizou a possibilidade de nenhuma reunião e apenas indicou quais são as iniciativas que estão em vigência no estado para o combate da violência contra a população LGBTQIA +.</p>



<p>Confira a íntegra da nota:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>De forma intersetorial e com diálogo com as gestões municipais, o Governo do Estado tem atuado para fortalecer o segmento LGBTQIA+ e prevenir casos de violência através da construção de ações afirmativas e de conscientização destinadas à população e da promoção de projetos de capacitação para as pessoas do segmento e para gestores e gestoras que atuam nessa política pública.</p>



<p>O Comitê de Prevenção e Enfrentamento da Violência LGBTfóbica foi instituído em 2021 e tem estruturado ações de enfrentamento a essas violações. Nele, estão reunidas as Secretarias Estaduais da Mulher; de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude; de Defesa Social; de Saúde; de Educação e Esportes; de Justiça e Direitos Humanos e de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas.</p>



<p>O comitê tem trabalhado de forma integrada para capacitar, assessorar e mobilizar, em articulação com os municípios, a prevenção, o acolhimento às vítimas e a punição aos agressores. As ações são desenvolvidas em equipamentos de cada secretaria. Um dos exemplos são as capacitações promovidas junto às equipes de assistência social nos municípios para encaminhamentos preventivos ou o acolhimento a eventuais vítimas.</p>



<p>Vale lembrar que equipamentos municipais e estaduais estão à disposição, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) – que dispõem de equipes capacitadas para atendimento a esse público –, além do Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH), disponível pelo telefone (81) 3182.7665.</p>



<p>Denúncias sobre violações aos direitos de pessoas LGBTQIA+, que são um passo importante para a prevenção de crimes mais graves, podem ser encaminhadas pelo Disque 100 ou pela Ouvidoria Social: 0800.081.4421, (81) 98494.1298 ou 98494.1291.</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O abrigo que não saiu da promessa</strong></h3>



<p>Uma das reivindicações presente na carta elaborada pela Ratts-PE é a disponibilização de casas abrigo para o público LGBTQIA+ em diversas cidades e regiões do estado. Em julho de 2021, após ao assassinato brutal da travesti Roberta Nascimento, de 33 anos, que foi queimada viva no Cais Santa Rita, área central do Recife, o prefeito João Campos (PSB) anunciou em suas redes sociais a autorização de edital para a criação de um espaço de acolhimento a pessoas LGBTIA+. Porém, mais de seis meses depois, o abrigo continua sendo uma promessa.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/27a1.png" alt="➡" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Casa de Acolhida LGBTI+ <br><br>Autorização para o edital de um novo espaço de acolhida para a população LGBTIA+, especialmente para pessoas trans e travestis. Serão ofertados leitos para amparar pessoas do segmento em maior situação de vulnerabilidade social.</p>&mdash; João Campos (@JoaoCampos) <a href="https://twitter.com/JoaoCampos/status/1412859947533148162?ref_src=twsrc%5Etfw">July 7, 2021</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p>No dia 28 de janeiro, a Ratts publicou uma nota cobrando o lançamento do edital para a criação do abrigo que, segundo Caia Maria Coelho, deveria ter sido publicado no final de janeiro. O documento foi apoiado pelas seguintes entidades não-governamentais: Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco (Amotrans), Monstruosas, Rede de Pessoas Trans Vivendo com Hiv Aids (Rntthp), Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+), Nova Associação de Travestis e Transexuais de Pernambuco (Natrape), Frente Trans PE e Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa).</p>



<p>“O projeto do abrigo é uma possibilidade de poder acolher mais gente, não só pessoas travestis e transexuais, mas todo o público LGBT. Assim a gente conseguiria oferecer mais cursos para qualificar essas pessoas para o mercado de trabalho, porque hoje em dia o nosso espaço é pequeno para atender tanta gente, mas a gente sempre dá um jeitinho”, afirmou Mirella Drielly, secretária da Amotrans.</p>



<p>Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Política sobre Drogas, afirmou que “A Prefeitura do Recife informa que está empenhada em viabilizar a casa de acolhimento para a população LGBTI+ uma vez que compreende as dimensões do preconceito e discriminação enfrentados por esse público. A Prefeitura esclarece ainda que o Termo de Referência para implantação de uma casa de acolhimento LGBTI+ para pessoas em situação de vulnerabilidade já foi iniciado e o texto do edital encontra-se em processo de avaliação pelos órgãos de controle do município. A previsão é que o Edital de Chamamento Público, que convocará Organizações Sociais, seja divulgado até o fim do mês de março”.</p>



<p>No dia 4 de fevereiro, em <a href="https://jc.ne10.uol.com.br/pernambuco/2022/02/14942401-mesmo-com-repercussao-de-mortes-pernambuco-continua-carecendo-de-politicas-e-casas-de-acolhimento-a-transexuais.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">matéria publicada pelo Jornal do Commercio</a>, a prefeitura havia informado que o edital de chamamento público seria divulgado até a segunda quinzena de fevereiro.</p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Elas estão vivas, porém exaustas</title>
		<link>https://marcozero.org/elas-estao-vivas-porem-exaustas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Jul 2021 19:04:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[homicídios]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres trans]]></category>
		<category><![CDATA[transfeminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[travestis]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Jorge Cavalcanti* e Julia Bueno** “Ontem sofri uma represália. Estou na delegacia, mas pode falar&#8221;. Foi assim que Fernanda Falcão, 28 anos, respondeu ao contato da reportagem enquanto tentava prestar uma queixa de violência, na tarde da última sexta-feira, 9 de julho, algumas horas depois do Hospital da Restauração (HR) confirmar que teve fim [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Jorge Cavalcanti* e Julia Bueno**</strong></p>



<p>“Ontem sofri uma represália. Estou na delegacia, mas pode falar&#8221;.</p>



<p>Foi assim que Fernanda Falcão, 28 anos, respondeu ao contato da reportagem enquanto tentava prestar uma queixa de violência, na tarde da última sexta-feira, 9 de julho, algumas horas depois do Hospital da Restauração (HR) confirmar que teve fim a via crucis de Roberta Nascimento Silva, 33 anos. Após internação de 16 dias em estado gravíssimo por ter tido o corpo queimado enquanto dormia, Roberta passou a fazer parte das estatísticas, tendo seu nome somado à lista das 80 pessoas trans assassinadas no País no primeiro semestre do ano. Não foi a primeira vez que Fernanda vivenciou risco de morte. Numa delas, foi atingida por disparo de arma de fogo no peito. Sobreviveu! </p>



<p>Roberta e Fernanda, mulheres trans negras e pobres, caçadas pelo sistema no Brasil machista, racista e “terrivelmente evangélico” de Jair Bolsonaro, critério que o presidente anunciou que usou para indicar o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).</p>



<p>No momento em que foram registrados em Pernambuco quatro crimes violentos letais intencionais e quatro tentativas de homicídio por transfobia num período de pouco mais de um mês &#8211; CVLI é a terminologia técnica utilizada para designar esses crimes nos dados oficiais, “transfeminicído” ainda não está tipificado na legislação -, a Marco Zero Conteúdo conversou com quatro mulheres trans &#8211; . Cibelle, Dália, Fabiana e Fernanda. </p>



<p>Elas são referências, ao lado de outras pessoas trans, na defesa da garantia e promoção dos direitos humanos. Todas são firmes em dizer que a “demonização” dos corpos trans é antiga e estrutural, estimulada por religiões e igrejas; e que as violências praticadas por homens ficaram mais intensas e constantes desde que Bolsonaro subiu a rampa do Palácio do Planalto.</p>



<p>Da impossibilidade do cuidado da saúde mental, da empregabilidade nos espaços de trabalho ao papel das famílias no acolhimento de parentes trans, a educação sem transfobia de crianças e jovens. E de como envelhecer é um privilégio das pessoas de identidade “cisgênera” &#8211; condição de quem tem a identidade de gênero correspondente ao gênero que lhe foi atribuído no nascimento.</p>



<p>Se você ainda não as conhece, aí estão elas. A reportagem solicitou que cada uma escolhesse a foto com a qual gostaria de ser retratada. As entrevistas tiveram início a partir da pergunta: “como vai você?”</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Não são casos isolados, é cultura do extermínio”</strong></h2>



<p>Pesquisadora de dados na Rede de Observatório da Segurança, Dália Celeste, 30, atualmente realiza o monitoramento de 16 indicadores para o banco de informações qualificadas organizado no Estado pelo Gajop (Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares), incluindo ocorrências de violência contra a população LGBTQI+, feminicídio e abuso policial fazem parte do seu cotidiano. É a vida delas!</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Dália monitora os dados da violência de gênero pelo Gajop (Crédito: Arquivo pessoal)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Eu sempre pontuo bastante: não são casos isolados, sabe? Isso é a cultura do extermínio. Nós tivemos oito casos dentro de menos de 25 dias. Que foram quatro casos de transfeminicídio, com o resultado da Roberta ontem, e quatro casos de tentativa. Então, assim, não são casos que são emblemáticos por ser num contexto de ser uma vez ou outra. Mas são casos que sempre estão acontecendo e que, hoje, está se tomando uma repercussão no estado porque a gente tem trabalhado de forma bastante potente na divulgação. </p>



<p>Então, por muitas das vezes, Jorge, eu sempre gosto muito de definir que o transfeminicídio, por exemplo, é ocasionado por esse sistema, pelo contexto do homem no sentido dele não ter vergonha do desejo que sente por pessoas trans e travestis. Ele não tem essa vergonha do desejo, tanto que buscam esses corpos, mas eles matam porque não sabem lidar com o corpo que foram ensinados desde criança a odiar. </p>



<p>A gente está num processo que é um processo muito de urgência. A gente precisa urgentemente debater e conversar sobre a responsabilidade da transfobia, sabe? A responsabilidade da transfobia, quando falo nesse sentido, não é das pessoas trans e travestis. É uma responsabilidade da cisgeneridade. E a cisgeneridade precisa começar a dialogar sobre isso. Precisa conversar sobre isso entre si. Porque essa responsabilidade não é nossa. A gente precisa educar, inclusive, os nossos filhos. A cisgeneridade precisa educar seus filhos no sentido de também fazer com que crianças cresçam respeitando o outro. A gente sabe que a transfobia é estrutural, mas o caso da Roberta foi cometido por um adolescente. Então, perceba, um adolescente queimou uma mulher trans, uma travesti viva no Centro da cidade.”</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/07/Dalia-Celeste.mp3"></audio></figure>



<p>“Nessa conjuntura atual, nós não podemos dizer que estamos bem. No momento, eu estou buscando me manter viva, estou resistindo. Eu não gosto de utilizar essa palavra, resistir. Acho que termina sendo… Dá uma sensação de que a gente está aguentando o peso para poder tentar viver, quando o correto seria existir, apenas. Dentro desse processo, venho adoecido bastante psicologicamente, mas ao mesmo tempo buscando o autocuidado e ressignificar meus afetos e buscar estratégias de sobrevivência.”</p>



<p>“Falar de empregabilidade, no Brasil, ainda é tão sintomático visto que pessoas trans e travestis não possuem emprego formal, não são contratadas. A gente está dentro de um sistema que, realmente, nos exclui desses espaços. Até falar de empregabilidade, a gente precisa ter um debate educacional, que ainda existe essa dificuldade dentro desse debate. Eu sempre pontuo a importância de pessoas cis-aliadas, por exemplo, contratarem pessoas trans para trabalhar dentro de seus mercados. E, quando a gente percebe a negação dessa empregabilidade, isso só reforça o processo da transfobia, que é a exclusão dentro dos espaços formais de trabalho e o lançamento desses corpos, mais uma vez, na marginalização. Isso é como o sistema funciona e trabalha: para excluir.”</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>* * *</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Quando se queima uma trans, a referência são bruxas”</strong></h2>



<p>As memórias de Fernanda Falcão, 28 anos, são intensas o suficiente para render um livro sobre suas vivências. Coordenadora de articulação política do GTP+ (Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo) e da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, ela é enfermeira e tem no peito a marca da transfobia letal que quase custou-lhe a vida, há quatro anos. A tentativa de homicídio por arma de fogo não aconteceu numa esquina enquanto Fernanda fazia programa, mas dentro de uma instituição do Estado, quando ela exercia a função de mediadora de conflito dentro do sistema prisional de Pernambuco.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Fernanda foi baleada quando trabalhava no sistema prisional (Crédito: Arquivo pessoal)</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“O sentimento que mais está presente em mim é o de repulsa, de ódio do que vem acontecendo. Não que venha acontecendo de agora. E não que isso venha acontecendo só no governo Bolsonaro. Se propagou. Esse governo trouxe clareza para os pensamentos que estavam escondidos, guardados. Isso é muito pesado. Porque, se a gente refletir, desde a própria Inquisição, ela tinha esse trabalho de gerenciar e de tratar essas questões sexuais ou de qualquer outro tipo. Então não tem como estar bem com isso ou dizer que isso é algo que vem começando agora. Ou é só a partir desse governo, né? Até porque é inconcebível pensar que esse presidente se elegeu. Realmente, é inconcebível, em todas as formas, pensar que a nossa nação brasileira, de forma legítima, elegeu essa pessoa. </p>



<p>Claro, tendo em vista que a nossa população é formada, por sua grande maioria, de pessoas que são marginalizadas dentro do processo, da própria sociedade. Ainda somos colocados enquanto minoria como mulher, mas somos maioria, enquanto população negra, mas somos maioria. E o que eu venho vendo é que o reflexo do ontem está se posicionando e se fortalecendo hoje, como trouxe a própria Inquisição. E a gente vivencia, mais uma vez, isso, né? Nossos gêneros, nossa identidade de gênero, nossa orientação sexual sendo, mais uma vez, massacradas. </p>



<p>E a resposta, ela vem como no próprio tempo da Inquisição. As pessoas estão sendo queimadas. Nossos corpos, eles são demonizados dentro desse contexto. E a gente vê que isso se transversaliza muito com a religião. A religião tem um papel muito potente na morte de todas essas pessoas. Quando se queima… Se você for buscar relatos, não foram só aqui em Pernambuco. Quando se queima uma pessoa trans, quando se queima um ser humano, se traz muito aquela referência das bruxas, da demonização daquele ser.” ,</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/07/Fernanda-Falcao.mp3"></audio></figure>



<p>Não tem como se ter uma vida digna se você não consegue se autosubsistir, se você não consegue acessar os espaços. E espaços de prestígio, não só espaços marginalizados, não, como os espaços que a gente ocupa hoje, como o da prostituição. Agora, para mim, é algo muito perigoso. Para que a gente esteja se colocando em espaços de poder como lideranças, dentro de empresas ou, senão, dentro da própria gestão de algum espaço, seja ele público ou privado. </p>



<p>A gente sabe que a nossa vida está muito direcionada à retirada do direito, à retirada da credibilidade, da possibilidade de qualificação da pessoa. Ter acesso ao trabalho é dizer que você precisa, inicialmente, criar uma política pública que seja estratégica, que mantenha e reconheça essas pessoas inicialmente na escola. Antes disso, se forme uma sociedade em que pais e mães não coloquem seus filhos ou suas filhas trans ou travestis para fora de casa sempre muito jovens. Ou, no caso dos homens trans, um primo, um irmão ou um pai não estupre no intuito de corrigir. A gente está extremamente infectado com todo o contexto social. </p>



<p>Não consigo pensar, hoje, como dizer ‘vamos dar emprego à população trans’ que não seja, mais uma vez, de forma a marginalizar a mesma, a colocar mais uma vez o corpo transsexual e travesti dentro de salões de beleza ou no escuro, na prostituição. É complicado todo esse contexto porque o trabalho, aí principalmente o trabalho que te faça feliz, o trabalho em que você se reconheça, vem a partir de um contexto geral, né? Todo esse processo de estigma está arraigado na nossa cultura. O nosso corpo já foi marginalizado a um ponto, que eu volto a dizer, eles veem nosso corpo de forma extremamente demonizada. Não seria diferente isso dentro do trabalho, até porque eu coloco por mim mesma. Já estive gestora no governo desse estado e trabalhei um tempo na mediação de conflitos no sistema prisional. O meu pago foi um tiro no centro do peito, onde os demais não aceitavam e não entendiam o meu corpo enquanto um corpo de liderança.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>* * *</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Com 35 anos, a gente já é considerada uma pessoa idosa&#8221; </strong></h2>



<p>Natural de Tacaimbó, município do Agreste pernambucano, Cibelle Gracielle da Silva chegou ao Recife em 1985. À época, fazia mais de uma década que não se sentia bem com o corpo, mas ali não havia qualquer possibilidade de redefinir a identidade de gênero. A cirurgia de redesignação sexual só seria oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às mulheres trans em 2008. No Recife, o Espaço Trans foi aberto no Hospital das Clínicas. Cibelle fez a inscrição e deu início ao processo. Nasceu, de novo, no dia 7 de agosto de 2019. Hoje, aos 60 anos, ela é comunicadora popular, com um canal no Youtube, e parceira da Escola Livre de Redução de Danos.</p>



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	                                        <p class="m-0">A youtuber Cibelle diz que, aos 35 anos, travestis são idosas (Crédito: Arquivo pessoal)</p>
	                
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<p></p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2021/07/Cibelle-Gracielle-da-Silva-1.mp3"></audio></figure>



<p>Nos outros governos, a gente tinha uma perspectiva de mais apoio, de mais segurança. A gente tinha uma confiabilidade bem maior, né? Nos últimos dias, a gente vem passando por muitas dificuldades, principalmente porque a escalada da violência está muito forte. E a gente sente com isso. Com idade de 60 anos, a gente que é trans já ultrapassou da idade. Porque é considerada uma pessoa idosa uma pessoa trans com 35 anos. Eu ultrapassei essa idade de 35 anos e minha perspectiva é que a gente precisa ir para a rua, defender a bandeira da igualdade social, apesar de a gente enfrentar ainda muitas questões homofóbicas e transfóbicas. Que, no passado, era ruim o preconceito e a discriminação, mas hoje a coisa está se agravando mais. Até porque, no meu ponto de vista, as pessoas transsexuais precisam ocupar espaço na sociedade com cargos. Então é importante que a gente faça um trabalho de conscientização para as pessoas entrarem na política, nos movimentos sociais para a gente, juntos, levar essa bandeira da igualdade para a rua.</p>



<p>(&#8230;)</p>



<p>A cada dia que a gente tem um parlamentar fazendo discurso homofóbico, a cada dia que a gente assiste nas igrejas um pastor evangélico fazendo discurso homofóbico nas suas pregações, isso aumenta mais a ira das pessoas contra as travestis e transsexuais. Então a gente precisa levantar essa bandeira, ir para as ruas dizer que somos gente. Nós pagamos impostos e que nós não somos diferentes de ninguém. Nós somos iguais. Cis ou trans, nós somos iguais.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>* * *</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“A violência nos persegue e vai nos perseguir por muito tempo”</strong></h3>



<p>Fabiana Oliveira, 42 anos, faz parte da Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de PE (Amotrans) e vai concluir um curso superior. O diploma tem simbolismo e começou a ser construído há mais de 20 anos, quando Fabi entrou na faculdade pela primeira vez e viu-se forçada a abandonar os estudos por conta de transfobia. Viveu em São Paulo, fora do Brasil e, com as voltas que o mundo dá, retornou ao curso que um dia precisou largar. Hoje está a dois períodos de se formar psicóloga.</p>



<p></p>



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	                                        <p class="m-0">Fabiana voltou à universidade para se formar em psicologia (Crédito: Arquivo pessoal)</p>
	                
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<p><strong>Marco Zero</strong> &#8211; <strong>O que fazer para cuidar da saúde mental sendo uma pessoa trans?</strong></p>



<p><strong>Fabiana</strong> &#8211; É praticamente impossível ter saúde mental nesse contexto, dentro de uma sociedade que desumaniza os corpos de travestis e transsexuais, que diariamente mata e violenta toda pessoa que não esteja seguindo a identidade de gênero compulsória cisheteronormativa.</p>



<p><strong>MZ</strong> &#8211; <strong>Como a transfobia se sustenta na nossa sociedade?</strong></p>



<p><strong>Fabiana</strong> &#8211; Quando você é lésbica, gay ou bissexual, ainda sim você está dentro de um status de humana e humano. Mas a gente não é percebida enquanto ser humano. Somos percebidas como bicho, monstro, aberração, diabólicas. Isso tudo não é de agora, foi construído ao longo de muito tempo, com a igreja atrelada a isso. Enquanto uma travesti branca, enfrento menos riscos do que uma travesti negra, por conta do racismo da nossa sociedade. Não uso a palavra privilégio porque é difícil falar de privilégio quando se é travesti. Está distante do nosso vocabulário.</p>



<p><strong>MZ &#8211; Como você avalia o governo Bolsonaro para as pessoas trans?</strong></p>



<p><strong>Fabiana</strong> &#8211; O que se está fazendo é uma não distribuição daquilo que os serviços prestam. O governo não está financiando nenhuma pauta LGBT. E isso faz com que as políticas sejam silenciadas. A violência que ele expressa verbalmente parece que tomou conta da sociedade. Hoje, depois de mais de 20 anos de transição, eu estou passando por um momento violento novamente. Parece que voltei aos anos 1990, quando a discussão era “eu não sou ele, eu sou ela”. A violência nos persegue e vai nos perseguir por muito tempo.</p>



<p><strong>MZ &#8211; Você usa com frequência as redes sociais para fomentar esse debate. O quanto exaustivo é isso?</strong></p>



<p><strong>Fabiana</strong> &#8211; Existe uma cobrança muito grande às pessoas que estão de frente nessa luta. As pessoas acham que a gente tem que estar 24 horas no ar, dispostas a bater de frente. Mas não é assim. Eu só posso cuidar da outra pessoa quando cuido de mim. E quem vai cuidar de mim? Às vezes a gente não tem ninguém. Mas nunca vou deixar de ser ativista. Nós que somos travestis somos a própria bandeira.<br></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Métodos medievais persistem: no Brasil, primeira morte foi em 1614</strong></p><cite>A sequência de casos de violência extrema contra pessoas trans em Pernambuco trouxe à luz o <a href="https://transfeminismo.com/transfeminicidio/">relatório da Antra</a> que documentou por transfobia, no primeiro semestre do ano no Brasil, 80 assassinatos, 33 tentativas de homicídio e 27 violações de direitos humanos, além de 9 casos de suicídios cometidos por pessoas trans. “A dinâmica do assassinato contra pessoas trans não segue o mesmo padrão dos homicídios em geral, pelo caráter que agrega o cruzamento entre o racismo, a violência de gênero e a transfobia estrutural direcionada às vítimas, assim como a forma e intensidade com que os assassinatos são cometidos”, destaca o documento.<br><br>O monitoramento da Antra ressalta como ainda persistem atuais os métodos e o nível de violência com que são perpetrados os crimes contra a vida desta população. Uma pesquisa histórica revela que o caráter medieval das mortes completou quatro séculos. No Brasil, a primeira pessoa executada por homofobia foi em 1614. Um indígena Tibira teria sido amarrado à boca de um canhão pela cintura. Com o disparo, o corpo foi dilacerado aos pés do do Forte de São Luís do Maranhão.<br><br>O motivo: o indígena seria afeminado demais para o julgo dos colonizadores europeus. À época, a pena capital era autorizada pelo papa ou pela Inquisição. Mas a execução sequer foi comunicada previamente às autoridades. O acontecido foi registrado pelo frade capuchinho Yves D’Évreux no diário Viagem ao Norte do Brasil. Em 2016, uma placa alusiva foi instalada no local para lembrar o “1º caso de homofobia do Brasil”.</cite></blockquote>



<p>*<strong>Jornalista com 16 anos de atuação profissional e interesse em narrativas decoloniais e de defesa e promoção dos direitos humanos. Acumula passagem nas redações do Jornal do Commercio e da TV Jornal e experiência em assessoria de comunicação política no Poder Legislativo (Assembleia Legislativa e Câmara do Recife)</strong></p>



<p><strong>**Formada em psicologia, especialista em Psicologia Política, Redutora de Danos da Escola Livre de Redução de Danos, também é membra da ARP-Trans PE (Associação Regional de Psicos Trans de Pernambuco), Poeta e trabalha com temas ligados a sexualidade, gênero, raça, defesa de direitos humanos e antiproibicionismo</strong></p>



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