O inflamável teor das favelas

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Por Juliana Almeida*

A Via Mangue da Torre tem cerca de um quilômetro de extensão. Margeada pelo Rio Capibaribe, ela começa perto do Carrefour, passa pela ponte do Parque de Santana e termina na Avenida Professor Estevão Francisco da Costa, em frente ao Parque Liberdade, na Vila Santa Luzia. O percurso não é asfaltado nem prioriza velocidade e carros – muito pelo contrário, por ali se encontra lixo, becos sem iluminação e barracos.

A Via Mangue da Torre é uma favela.

Ela começou a existir em julho de 2008 quando a antiga comunidade de barracos e lama foi remanejada para o conjunto habitacional Abençoada por Deus, na Iputinga. Da favela de mesmo nome, 428 famílias se mudaram para apartamentos de 39m² e outras 421 receberam auxílio-moradia para saírem do lugar em que viviam.

As medidas eram parte do Programa Recife Sem Palafitas que planejava também executar um processo de urbanização para evitar ocupações futuras na área. Não foi o que aconteceu. Desde a inauguração do conjunto, 16 famílias nem se mudaram nem receberam qualquer tipo de auxílio. Permaneceram, como remanescentes, a acompanhar o crescimento da nova favela.

Os que chegaram depois apareciam por esperança de conseguir uma casa melhor no futuro. Outros vinham pela completa desesperança mesmo. E, embora ninguém queira se identificar dessa forma em público, alguns dos beneficiados voltaram às antigas moradias irregulares. Com filhos, sem emprego, o auxílio não dava conta das despesas que uma casa comum tem. O valor mensal recebido é de R$ 200,00, quantia reajustada pela última vez em 2003, antes deles receberem a ajuda. Alugueis na cidade não costumam ser menores que R$ 300,00, fora água, energia, alimentação.

A segunda etapa do habitacional não saiu, e a opção de alguns foi voltar.

Via Mangue no dia no 29 de abril de 2016, sábado à tarde. Foto: Juliana Almeida

Via Mangue da Torre no dia no 29 de abril de 2016, sábado à tarde. Foto: Juliana Almeida

Em torno das mais de quinhentas famílias espremidas, Vila de Santa Luzia parece acolhedora. Vizinhos conversam em frente às casas, tenha ou não luz do dia. E mesmo à noite na Rua Souza Bandeira, meninos testam suas habilidades com as magrelas, entre alguns carros pacientes. As pessoas andam com calma pelos mercadinhos, farmácias e lojas de roupa a menos de dez minutos da movimentada Caxangá.

Em fevereiro de 2016, nossas histórias se cruzaram. Eu, como estagiária do caderno de Cotidiano da Folha de Pernambuco, uma jornalista em formação. Eles, como vítimas de um incêndio de grandes proporções, como pauta para o dia. A correria, o calor e o choro daquele dia me deixaram uma marca. O que acontece depois do socorro imediato dos incêndios nas favelas? Voltei, para descobrir a resposta, em abril.

Numa barbearia, Rafael Lima, 30, atende um cliente com uma pequena lâmina bem afiada. Enquanto os pelos somem, o barbeiro conversa. Fico sabendo da vida da vizinha, que não era muito bonita e hoje arrasta olhares de marmanjos pela rua. A mãe da moça se gaba de ter sido assim na mesma idade, e os homens desanimam. Riem, mudam de assunto, falam do tempo. Chuvas de abril deixaram alguns parentes ilhados. “Eles perderam todos os moveis”, conta.

Foto: Juliana Almeida

Foto: Juliana Almeida

No meio da conversa, troca a lâmina. Descarta a anterior num pote grande de proteína que faz a vez de lixeira. Era a segunda vez que o via fazer isso, e já estava no final do atendimento. Me espanto. Perguntou se aquilo tudo é lâmina mesmo. “É sim, mas os meninos reaproveitam”. Como? “É para dizer a verdade ou a versão leve? Os meninos usam para cortar pedra de crack ou roubar, 80% dos jovens aqui se drogam ou roubam”. Assinto em silêncio. E continuo a observar como tratam o tema, falando de traficantes da área que tinham tudo e entraram no crime, de que não pode cobrar dívida de tráfico na conversa, etc. Há um reconhecimento do que os rodeia sem grandes julgamentos. Ao menos ali, não percebi nenhum sinal de desejo de se envolver a ponto de modificar essa realidade.

Com a propaganda certa, morar na Via Mangue da Torre não soa nada mal. Não é preciso pagar impostos, conta de água ou luz – e mesmo assim você pode ter água limpa e energia. Na barbearia, comentários sobre a brisa, refrescada pelo rio, fazem alguns sorrirem. “O vento ali é muito massa”, comentam, “acho que vou fazer um (barraco) pra mim”, brincam. As vantagens são verdadeiras e quem mora ali consegue percebê-las – é preciso, para continuar vivendo ali.

Porém o desconforto, falta de privacidade, espaço, lazer e saneamento básico… essas questões também estão presentes quando se acorda de manhã. Lembro de ouvir uma moradora atingida dizer que todo dia acordava e achava aquilo tudo feio. Arrumava uma coisa ou outra, remendava, rebocava, mas continuava feio. “Mas era meu”, me disse.

Quando o agente de atendimento Sérgio Luiz da Silva, 47, me deixou entrar na sua casa, ele não contou os problemas nem teceu elogios. Ele só se desculpava da “bagunça”. Eram quase seis horas da noite e ele tinha acabado de voltar do trabalho.

Depois do incêndio, o barraco de Sérgio, feito de alvenaria e com um primeiro andar foi condenado pelo Corpo de Bombeiros. O primeiro andar tinha vindo abaixo e os bombeiros queriam derrubar o resto, para evitar outro acidente. Ao redor, os barracos tinham sido todos destruídos. Sérgio teimou em permanecer no lugar, fez alguns reparos e não saiu.

Seu barraco é como vários outros: um desafio à organização japonesa, um exemplo de como se apertam e se arrumam espaços se não tem para onde crescer. Em cima da cama de Sérgio, existe uma prateleira que faz a vez de dispensa. A geladeira está bem perto da cama, ao lado da pia, bem em frente ao banheiro. Tudo ali ao alcance de dois passos ou um giro do corpo.

Mesmo vivendo nesse espaço confinado, a única casa de Sergio é dividida para acomodar mais um morador. Com menos de 4m², na outra “casa” cabe apenas uma cama de solteiro. No espaço também vive David Luiz, um poodle de quatro anos, bravo e porteiro.

Sérgio Luiz da Silva, 47 e David Luiz, 4 anos na casa que foi condenada pelos bombeiros em fevereiro. Foto: Juliana Almeida

Sérgio Luiz da Silva, 47 e David Luiz, 4 anos na casa que foi condenada pelos bombeiros em fevereiro. Foto: Juliana Almeida

Além disso, quem mora na Via Mangue precisa estar sempre atento. “Rato, barata, escorpião… já vi até jacaré na porta de casa. Se a gente não ficar de olho pode acontecer alguma coisa com as crianças ou com a gente mesmo”, disse Davisson de Oliveira, carroceiro, de 24 anos. Morando há sete anos sob a lama e a maré, Davisson ensina que as madeiras de sustentação precisam ser sempre trocadas. “Uma vez por ano, mais ou menos, a madeira fica ruim e tem que trocar. A gente enfia o pé na lama, coloca o pau, amarra no lugar e aí tira o outro.” Sim, com móveis e tudo dentro.

Davisson de Oliveira está reconstruindo a palafita pela segunda vez para morar com a esposa e a filha de dois anos. Seu outro filho com a ex-esposa, um menino de cinco anos, o visita constantemente. Anos atrás, a causa foi uma enchente. Dessa vez, o motivo de Davisson precisar reconstruir a palafita é o incêndio ocorrido no dia 3 de fevereiro deste ano. Tirando cerca de R$ 30,00 por dia puxando carroça, ele não vê alternativa que não seja voltar.

O carroceiro Davisson de Oliveira sabe que precisa trocar a madeira de sustentação da palafita a cada ano. “A gente enfia o pé na lama, coloca o pau, amarra no lugar e aí tira o outro.” Sim, como móveis e tudo dentro. Foto: Juliana Almeida

O carroceiro Davisson de Oliveira sabe que precisa trocar a madeira de sustentação da palafita a cada ano. “A gente enfia o pé na lama, coloca o pau, amarra no lugar e aí tira o outro.” Sim, como móveis e tudo dentro. Foto: Juliana Almeida

Enquanto a reconstrução não fica pronta, Davisson e sua família dividem uma casa com mais 92 pessoas. O abrigo da Travessa do Gusmão, no centro da cidade, abre suas portas apenas em momentos emergenciais, como quando ocorrem enchentes, deslizamentos ou incêndios de grandes proporções. Contudo, o local não era o bastante para abrigar todos que precisavam, outras 64 pessoas foram para outro abrigo, no bairro do Engenho do Meio. É ali que Lucas Dalton mora com a sua mãe desde fevereiro.

Com 15 anos, Lucas continua indo ao colégio e trabalhando numa oficina de bicicletas na Vila de Santa Luzia. Aprendeu a consertar as magrelas com o dono da oficina. Enquanto conversamos, Lucas não larga o pneu da bicicleta que aparentemente soltou a borracha do lugar. Ele esvazia o pneu, põe a borracha no canto certo, volta a encher, e depois devolve a roda para o lugar certo na bicicleta, arrumando a correia. Com o dinheiro, compra algo para comer ou guarda.

No abrigo, servem sopa, cuscuz, macaxeira ou pão. No almoço é arroz com feijão mesmo, mas no jantar servem um pão para cada um e é aí que ele sofre. “Ah, eu queria uns três ou quatro. Eu digo: ô, tia, isso aqui só dá não, me dá mais um aí. Ela diz que tem mais gente, mas às vezes eu consigo”, conta. Disse que lá não falta comida, mas no mesmo quarto dormem cinco famílias: um casal num colchão, uma mãe com o filhinho pequeno na mesma cama também, ele e a mãe num beliche, cada um no colchão e mais duas famílias na mesma condição que a deles.

Porém, as famílias atingidas pelo incêndio não estão apenas nos abrigos. Foram mais de 200 famílias atingidas pelo fogo que começou por acidente, com a explosão de um botijão ou um curto-circuito, num dos barracos que ficam no meio da favela e por trás da Escola Creusa Barreto Dornelas Câmara, mais conhecida como CAIC.

No dia 3 de fevereiro de 2016, as ruas da Vila de Santa Luzia foram mobiliadas com os pertences de quem tentava salvar o que tinha. A correria era geral. Ninguém sabia até onde iria o fogo e muitos conseguiram se precaver, temendo perder o pouco que tinham. Os que não tiveram a mesma sorte salvaram alguns documentos, bichos de estimação, ou apenas a vida. Ninguém morreu.

Não tinha um mês que eu estava estagiando. Eu voltava do banheiro, na redação, numa manhã tranquila quando as tevês começaram a transmitir as imagens da cortina de fumaça na favela. Fui escalada para a pauta – a única repórter disponível. Não há como ter muita noção ou orientação nesses acontecimentos. Cheguei lá perdida. O fotógrafo e eu nos separamos e não o encontrei até voltarmos. As pessoas choravam e eu não sabia o que lhes perguntar, como lhes amparar, como prosseguir. Era uma situação muito delicada, como se várias pequenas mortes estivessem sendo descobertas.

Tendo começado por volta das nove da manhã, o incêndio foi contido ao meio-dia. Depois, quem não foi atingido pelo fogo se tornou alvo de oportunistas. À tarde, um mutirão foi montado na escola municipal Creusa Barreto Dornelas Câmara para ajudar os moradores a retirar os documentos perdidos.  Enquanto as filas se avolumavam, crianças seguiam brincando no jardim. Em meio ao drama, crianças continuavam sendo crianças. Agindo como tal.

Um dia de mutirão não foi o bastante e o trabalho continuou no dia seguinte, resultando em 360 documentos retirados. Porém, de acordo com a presidente da ONG Centro de Ensino Popular e Assitência Social do Recife Santa Paula Frassinetti (Cepas), Elza Nira, ainda há pessoas sem documentos.

No mutirão, a Defesa Civil também tentava levantar o número de famílias atingidas. O primeiro registro foi de 771 famílias. Contudo, o último levantamento da prefeitura era de 206 casas para a área afetada. Esse foio principal impasse da história: o número de pessoas afetadas. Quantas e quais? Quem são elas?

Registro da Sanear que os moradores da Via Mangue até 2014 receberam. Quem chegou depois da data, não tinha nenhum tipo de registro. Foto: Juliana Almeida

Registro da Sanear que os moradores da Via Mangue até 2014 receberam. Quem chegou depois da data, não tinha nenhum tipo de registro. Foto: Juliana Almeida

Uma comissão com dez pessoas, antigos moradores da favela, com o apoio da presidente da ONG local, Elza Nira, foi montada para representar a Via Mangue nas reuniões com a Prefeitura do Recife. Elza foi convocada por conta do CNPJ, necessário em algumas das negociações. Os moradores que compõem a comissão são todos homens que perderam os barracos que tinham. Entre 25 e 42 anos, a maioria deles é auxiliar de serviços gerais ou está desempregada. Eles estão morando na casa de parentes, ou em estruturas precárias.

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Eduardo Henrique, 35, Waldecir dos Santos, 28, Willames Santos, 29, Emílio Carvalho, 42, Jorge Carlos, 25, Elza Nira, 51, Ivan Xavier, 38 e Edvaldo da Silva, 41. Estavam numa reunião na sede da Cepas antes da oitava reunião com a Prefeitura. Foto: Juliana Almeida

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Eduardo Henrique, 35, Waldecir dos Santos, 28, Willames Santos, 29, Emílio Carvalho, 42, Jorge Carlos, 25, Elza Nira, 51, Ivan Xavier, 38 e Edvaldo da Silva, 41. Estavam numa reunião na sede da Cepas antes da oitava reunião com a Prefeitura. Foto: Juliana Almeida

É a situação de Emílio. Emílio Alexander Mariano de Carvalho, 42, está morando com a esposa e seus dois filhos, de 15 e 18 anos, num quarto com banheiro. Ali também tem a geladeira, o fogão, um armário, uma cama de solteiro e uma tevê. O sistema da tevê a cabo também foi salvo, e virou o passatempo da mulher que não tem muito para onde se virar. À noite é o momento mais complicado: quatro pessoas precisam dormir ali. “A gente põe um lençol no chão, dá um jeitinho”, explica a esposa. No barraco em que viviam, tinham muito mais espaço, inclusive um primeiro andar.

Vista da cama de solteiro para quatro pessoas, na casa atual de Emílio e da família. Foto: Juliana Almeida

Vista da cama de solteiro para quatro pessoas, na casa atual de Emílio e da família. Foto: Juliana Almeida

Desde o início do diálogo com a Prefeitura do Recife foram feitas nove reuniões e dois protestos. Nos dias 14 de abril e 12 de maio, os moradores atearam fogo em pneus na Rua José Bonifácio, na Torre, em busca de atenção. O último encontro com a prefeitura foi resultado do protesto.

O tema de tantos debates está no tipo de benefício que os moradores querem e no que é oferecido pela gestão pública municipal. A prefeitura ofereceu o auxílio pecúnia no valor de R$ 1.500,00 dividido em três meses. Porém, a comissão percebia que o valor não resolveria o problema de moradia, não permitindo que eles adquirissem uma casa para morar.

Os moradores querem ter algo mais definitivo: entrar num projeto habitacional e receber o auxílio-moradia até o habitacional estar pronto. “A esperança que a gente tem é ganhar uma casa”, disse Emílio. Morando na área desde 1998, quando a favela ainda se chamava Abençoada por Deus, Emílio já viveu num barraco quando era adolescente.

Nesse sentido, a comissão procurou terrenos em que o plano poderia ser feito. Chegaram à oitava reunião com a proposta de oito terrenos. Naquela manhã não houve um posicionamento concreto, o impasse permanecia. A ideia era continuar batalhando em outra frente, também com a ajuda do “Movimento de luta nos bairros, vilas e favelas por moradia”, do qual Elza Nira faz parte.

Ninguém melhor do que Emílio para contar a saga dos moradores da Via Mangue da Torre:

Porém, recentemente, a Prefeitura do Recife autorizou a entrada dos moradores num plano habitacional. Quando o terreno escolhido for legalizado, cerca de 200 pessoas vão receber o auxílio mensal até a entrega dos apartamentos.

A notícia tem ar de bom desfecho. Contudo, a situação não foi resolvida em definitivo. Alguns membros da própria comissão não têm seus nomes na lista de beneficiados. Lista que ficou sob responsabilidade desse grupo de moradores. Um deles relata que outras famílias atingidas também não estão na listagem. Segundo a mesma fonte, parte da comissão colocou o nome de familiares e outras pessoas para que estas também recebessem verba do governo. A parcela que não foi incluída deve entrar com um processo junto ao Ministério Público de Pernambuco para criar uma nova lista.

Suspiro. Percebo que isso também faz parte da favela, erros, desavenças, desassossego. Não são vítimas nem vilões. São humanos e por isso levam um pouco dos dois.

Foto: Juliana Almeida

Foto: Juliana Almeida

Vida que segue

Meses após a realização dessa reportagem, em julho, ligo para Ivan Xavier, um dos integrantes da comissão. Ele parece bem, no geral. Está numa casa na Vila de Santa Luzia, pagando aluguel, trabalhando na oficina de bicicletas, seguindo a vida. Me conta que o auxílio finalmente deve sair. “Disseram que vão pagar entre o dia 28 julho e o dia 5 de agosto. Se Deus quiser sai amanhã (28)”.

Ao todo, 196 famílias estão com o nome na lista. “Aquele problema de que gente que não foi atingido estar na lista foi resolvido. Queriam pagar a 150 famílias, só. Pouco a pouco a gente foi conseguindo espaço para todos”, garante. Ele me conta que Lucas saiu do abrigo, está morando com a mãe e os quatro irmãos em uma casa alugada agora, Nova Morada. Mas ainda há pessoas nos abrigos. “Eles só vão sair quando receberem o dinheiro. E só estamos tendo essa chance por causa do incêndio. Se isso não tivesse acontecido, ficaríamos lá até terem interesse na área”, comentou. Apenas no Recife, o déficit habitacional gira em torno de 70 mil famílias sem moradia. Segundo o levantamento da ONG Habitat para Humanidade Brasil o número preciso é de 62.687 residências.

Juliana Almeida* Juliana tem várias ideias fervilhando na cabeça. Um dos seus planos é viajar o mundo em busca de boas histórias. Por enquanto, se teletransporta através dos livros e fotografias. Atualmente ela faz jornalismo na UFPE e estagia no caderno Cotidiano da Folha de Pernambuco.

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