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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Movimento social vai à Justiça para garantir transporte público no 2º turno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 19:39:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma representação à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público tenta impedir que, no dia do segundo turno, se repita o que aconteceu no domingo, 4 de outubro, quando pouco mais da metade da frota do sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana do Recife circulou. De acordo com a Frente de Luta pelo Transporte Público [&#8230;]</p>
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<p>Uma representação à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público tenta impedir que, no dia do segundo turno, se repita o que aconteceu no domingo, 4 de outubro, quando pouco mais da metade da frota do sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana do Recife circulou. De acordo com a Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco, apenas 1.308 ônibus, de um total de 2.482, estiveram à disposição dos eleitores no primeiro turno.</p>



<p>Por conta disso, o coordenador da Frente, Pedro Josephi, que também é integrante do Conselho Superior de Transporte Metropolitano, e o dirigente estadual do PT Adriano da Silva Costa, protocolaram a petição junto à Procuradoria Regional Eleitoral, ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) e à Defensoria Pública da União. Outros dois requerimentos administrativos foram apresentados ao Consórcio Grande Recife e na EPTI (Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal) para que disponibilizem a frota integral no dia das eleições.</p>



<p>A inclusão da EPTI nesse requerimento se justifica porque a ausência de transporte na zona rural também foi percebido no interior do estado.</p>



<p>“Esperamos que a justiça determine que o Governo do Estado e as prefeituras cumpram as decisões judiciais do STF e do TSE para garantir a tarifa zero, além de apresentarem a listagem integral dos veículos e da frota que vai operar. Diminuir a frota ou não disponibilizá-la configura crime eleitoral”, afirmou Pedro Josephi.</p>



<p>De acordo com os autores da representação, a taxa de abstenção em Pernambuco está relacionada à falta de veículos disponíveis para os eleitores. “Cruzamos os dados e tivemos abstenção maior nos lugares que faltaram transporte. Somente no Ibura, quase 20 mil eleitores não foram votar”, explica Adriano Costa, que mapeou a abstenção em todos os municípios do estado e nos bairros do Recife.</p>



<p><strong>Abstenção maior no Grande Recife</strong></p>



<p>A abstenção em Pernambuco no primeiro turno deste ano foi de 18,18%, nada muito diferente dos 18,21% da primeira votação em 2022. Em números absolutos, 1,3 milhão de eleitores não compareceram às suas seções eleitores para votar.</p>



<p>Nas cidades da Região Metropolitana, no entanto, a ausência de eleitores em 2026 foi maior do que há quatro anos. No Recife, por exemplo, quase 16% dos eleitores não foram às urnas (em 2022, a abstenção foi de 14,2%); em Olinda, a abstenção este ano passou de 15% (em 2022, foi de 13,16%), enquanto que em Jaboatão dos Guararapes chegou a 20,76% (há quatro anos não chegou a 19%).</p>



<p>No interior, o município pernambucano com maior percentual de eleitores ausentes foi Buíque, com 27,7% de abstenção.</p>



<p>De acordo com Adriano Costa, esse percentual pode ser reduzido se a decisão do STF e do TSE for cumprida. “Listamos todos os veículos (ônibus e vans) que rodam no sistema de transporte público onde tem contrato, os escolares, aqueles adquiridos com verba federal e todos que a justiça determinou a utilização para transporte gratuito de passageiros. O problema é que grande parte não operou no 1º turno”, comenta Costa.</p>



<p>No total, foram identificados 108 ônibus escolares federais, 599 ônibus escolares estaduais comprados e 741 ônibus e vans municipais.</p>
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		<title>Entre lágrimas e pesquisas perdidas, UFPE tenta retomar a normalidade após incêndio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 19:41:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[DINE]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Incêndio na UFPE]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem esperava encontrar pânico ou clima de guerra no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), hoje pela manhã, depois de controlado o incêndio no prédio de laboratórios multidisciplinares, acabou se deparando com um ambiente de cautela e normalidade. Prevaleceu o bom senso. Reitoria, lideranças estudantis e representantes dos professores evitaram vincular o fogo às [&#8230;]</p>
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<p>Quem esperava encontrar pânico ou clima de guerra no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), hoje pela manhã, depois de controlado o incêndio no prédio de laboratórios multidisciplinares, acabou se deparando com um ambiente de cautela e normalidade. Prevaleceu o bom senso. Reitoria, lideranças estudantis e representantes dos professores evitaram vincular o fogo às ameaças de bomba postadas e enviadas por bolsonaristas.</p>



<p>Quem deu a senha para se manter a cautela foi o reitor Alfredo Gomes. Logo cedo, em entrevista para emissoras de TV, ele disse que não poderia “fazer nenhum tipo de julgamento. Vamos nos basear nos fatos que forem constatados pela apuração do Corpo de Bombeiros, da Polícia Federal e das instâncias internas da universidade. Vamos aguardar as conclusões da perícia”.</p>



<p>Gomes convocou duas reuniões durante a manhã. Na primeira, com a equipe de infraestrutura da instituição, ele se informou sobre as reais dimensões dos estragos e das condições de manutenção da unidade. Em seguida, com os orientadores e coordenadores dos laboratórios destruídos, tomou pé de quais pesquisas foram perdidas, a maioria das áreas de Farmácia, Química, Biologia, Ciências da Computação e Educação Física.</p>



<p>À tarde, o reitor acompanhou o ministro da Educação na vistoria à unidade destruída pelo fogo. Na universidade, o ministro Leonardo Barchini assegurou &#8220;vamos reconstruir o prédio, vamos recomprar todos os equipamentos e dar todo o suporte à comunidade universitária&#8221;. Ele não descartou a possibilidade da causa ser criminosa: &#8220;não sabemos se foi acidental ou não. Por isso determinamos à Polícia Federal para que viesse aqui saber do ocorrido. Já abriram o inquérito e já estão fazendo oitivas de suspeitos&#8221;, explicou o titular da pasta da Educação.</p>



<p>Aparentemente, o incêndio e as ameaças de bomba não afetaram a rotina da UFPE. Enquanto investigadores e peritos da Polícia Federal examinavam o local &#8211; o que só aconteceu depois que a Defesa Civil de Pernambuco atestou que não havia risco de desabamento &#8211; a 200 metros dali, centenas de estudantes de escolas de Ensino Médio visitavam a Expo UFPE, uma mostra dos vários cursos da instituição para adolescentes que vão fazer o Enem este ano.</p>



<p>O mesmo não pode ser dito em relação à rotina e à vida acadêmica dos pesquisadores  (mestrandos, doutorando e professores) dos laboratórios atingidos pelas chamas. Aos poucos, rapazes e moças que foram chegando ao local onde se dedicavam à pesquisa, se agrupando à sombra de uma árvore na lateral da unidade. Vários choravam. Ninguém se referiu a problemas na manutenção das instalações.</p>



<p>Eduardo Camelo, que faz seu primeiro ano de mestrado em Ciências da Computação, foi um dos poucos que aceitou dar entrevista. E não segurou as lágrimas. “Tenho amigos que perderam anos de trabalho, de pesquisa, de dedicação. Olho pra isso e lembro das noites sem dormir, de tudo que fizemos e, agora, está perdido”.</p>



<p>Seu esforço para manter a serenidade era visível enquanto dava detalhes, tanto do cotidiano nos laboratórios quanto do valor dos equipamentos queimados. Com o dedo apontado para o primeiro andar, bem na frente do que sobrou do prédio, ele explicava: &#8220;ali, onde você tá vendo aquelas ferragens retorcidas, onde tá tudo incinerado, ficava um computador de última geração que custava uns R$ 300 mil. Para fazer experimentos simulando uma rede 5G, a gente usava cinco placas de vídeo de ponta, de R$ 10 mil cada uma. Tínhamos notebook de 128 GB de RAM só para rodar uma IA específica. Foi isso que perdemos”.</p>



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	                                        <p class="m-0">Eduardo Camelo não segurou as lágrimas diante do laboratório
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero.</span>
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<h2 class="wp-block-heading">Mutirão para abrigar os pesquisadores</h2>



<p>Ex-coordenador do curso de Licenciatura em Química, o presidente da Associação dos Docentes da UFPE, Ricardo Oliveira, estava empenhado em um mutirão de professores do seu departamento para identificar possíveis espaços e laboratórios para acolher as equipes que trabalhavam na sede da antiga Dine.</p>



<p>“Vai levar muito tempo para recuperar o que foi perdido. E há coisas, resultados de pesquisas ou dados de teses de doutorado, por exemplo, que não será possível recuperar”, lamentou o sindicalista, evitando apontar culpados ou estabelecer relação com os ataques da extrema direita. “O mais importante é entender a perda coletiva desse desastre, pois a sociedade como um todo é a muito prejudicada”.<br>Ele lembrou que o incêndio destruiu um equipamento de RMN, ou Ressonância Magnética Nuclear, que vale no mercado, no mínimo, R$ 8 milhões, considerando o custo com a instalação e adaptação do espaço físico.</p>



<p>A RMN é um exame de imagem avançado que utiliza campos magnéticos e ondas de rádio para criar imagens detalhadas dos órgãos e tecidos do corpo.</p>



<p>Reitor da universidade de 2003 a 2022, Amaro Lins, professor do departamento de Engenharia Civil, também destacou o valor incalculável das pesquisas que foram prejudicadas. “Hoje, a UFPE trabalha em rede com as principais universidades do mundo. Os laboratórios consumidos pelo fogo faziam parte de redes globais de pesquisas, seus resultados são compartilhados por pesquisadores de todas essas redes. Por isso, não é só a UFPE que sai prejudicada”, lamentou o ex-reitor.</p>



<p>Segundo Lins, não será possível recuperar, por exemplo, amostras coletadas de um trabalho de Biologia que estava sendo desenvolvimento há dois ou três anos. “A universidade vai levar muito tempo para se recompor”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Três incêndios em uma semana</span>

		<p>O primeiro dos três incêndios que alimentaram tensão e boatos na UFPE aconteceu na quarta-feira, 30 de setembro, em um laboratório do departamento de Física. O espaço foi completamente destruído. Segundo a administração da universidade, a causa do acidente foi imediatamente identificada, pois um grupo de pesquisadores estava manipulando produtos químicos em um forno que atinge temperaturas próximas a 1000°C. No domingo da eleição, 4 de outubro, uma falha em um aparelho de ar condicionado destruiu um freezer no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Pedido para investigar ameaças</h2>



<p>A coordenadora do Diretório Central dos Estudantes, Raysa Dias, aluna de Engenharia de Materiais, contou que a diretoria recém-eleita para a entidade precisou atuar durante a madrugada para evitar o pânico nos grupos de whatsapp. “As pessoas relacionaram imediatamente o incêndio às ameaças de bomba, de explosão, enviadas durante dias aos estudantes de Jornalismo e que se tornaram mais intensas após ao ato pró-Lula do dia 6, mas nós atuamos para apaziguar, entendemos que essas especulações são perigosas em um momento de fragilidade da nossa democracia”, comentou Raysa.</p>



<p>No entanto, segundo ela, o DCE não pretende deixar as ameaças passar em branco: vamos, ainda na tarde de hoje (08/10), formalizar um pedido para que a Polícia Federal investigue e identifique os autores das ameaças de bomba feitas a estudantes da UFPE. “Eles estão tão certos da vitória, estão tão certos de que não serão punidos, que nem escondem seus nomes e fotos”, contou Raysa.</p>



<p>Na madrugada de ontem, o DCE também foi chamado para articular um abrigo para os moradores da Casa do Estudante, que fica ao lado do prédio incendiado e foi severamente atingido pela fumaça, precisando ser evacuado. “Muita gente passou mal, precisou ser socorrida. Felizmente, a reitoria liberou um espaço para que estudantes tivessem onde passar a noite.</p>





<p></p>
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		<title>&#8220;Para vencer, a mensagem de Lula precisa ser de futuro&#8221;, defende Jones Manoel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 21:50:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Jones Manoel]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O maior fenômeno eleitoral de Pernambuco em 2026 acredita que, para virar o jogo e vencer o bolsonarismo, a campanha do presidente Lula precisa oferecer uma perspectiva de futuro e não apenas insistir naquilo que já foi realizado. “A mensagem tem que ser de futuro. Nesses 20 dias, o presidente Lula precisa apresentar um projeto [&#8230;]</p>
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<p>O maior fenômeno eleitoral de Pernambuco em 2026 acredita que, para virar o jogo e vencer o bolsonarismo, a campanha do presidente Lula precisa oferecer uma perspectiva de futuro e não apenas insistir naquilo que já foi realizado. “A mensagem tem que ser de futuro. Nesses 20 dias, o presidente Lula precisa apresentar um projeto político que convença as pessoas de que vale a pena sair de casa pra votar, de que vale a pena fazer campanha, de que se for reeleito vai ter um impacto concreto e positivo na vida das pessoas”, defende o historiador Jones Manoel (PSOL).<br><br>Eleito como segundo deputado federal mais votado do estado, com 249 mil votos, na primeira vez em que disputou o cargo, Jones não acredita que o problema da campanha de Lula está na forma como se comunica, mas sim no conteúdo daquilo que é comunicado: “ele precisa apontar para o futuro colocando em debate a tarifa zero, o enfrentamento do caos urbano com a expansão do sistema metroferroviário, reindustrializar o Brasil, para gerar emprego em massa, enfrentar de maneira concreta a crise climática para superar a sensação objetiva de mal-estar nas grandes cidades, que são quentes, engarrafadas, violentas, sujas e tumultuadas”.</p>



<p>Famoso por sua postura combativa nas redes sociais, ele entende que a solução para Lula não é usar mais ou menos as redes sociais, como apontou em vídeo que viralizou outra campeã de votos, <a href="https://www.instagram.com/anaelisast">a mineira Ana Elisa (PT)</a>. “O meio da mensagem não é neutro, o meio da mensagem é importante, mas é preciso considerar a importância da mensagem”, explica.</p>



<p>Os gastos de campanha de Jones Manoel registrados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que não há incoerência entre aquilo que fala e sua estratégia nas redes. Mesmo contando com 2,1 milhões de seguidores no Instagram, por exemplo, ele gastou R$ 140 mil com impulsionamento.</p>



<p>Para efeitos de comparação, Pedro Campos (PSB), o deputado federal mais votado, investiu R$ 232 mil em anúncios nas redes sociais da Meta (Instagram, Facebook e Threads), Anderson Ferreira (PL), a terceira maior votação, gastou E$ 227 mil. Já Rosa Amorim (PT), que teve 144 mil votos, gastou R$ 600 mil, quatro vezes mais do que o comunista do PSOL.</p>



<p>“É uma bobagem investir fortunas em impulsionamento. Vou explicar: é mais interessante postar carrosséis de fotos com as pessoas que participam de nossas atividades. Quem estava lá vai se ver nas fotos e compartilhá-las em seus perfis, quem não pôde ir, mas é da cidade ou do bairro, vai identificar os amigos nas fotos e também compartilham”, revela, dando o caminho das pedras. Ou, ao menos, uma parte dele.</p>



<p>Deve funcionar, afinal ele foi o deputado federal mais votado em Recife, Olinda e Paulista; segundo mais votado em Jaboatão dos Guararapes e terceiro mais votado em Abreu e Lima e Cabo de Santo Agostinho.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mandato para mobilizar e politizar</h2>



<p>Jones garante que, no Congresso Nacional, irá “recuperar uma tradição da esquerda, que é cumprir o mandato com um pé na política institucional e outro pé para usar a institucionalidade como um mecanismo para alavancar as lutas, para a mobilização popular e organização da classe trabalhadora”.</p>



<p>Segundo ele, sua atuação como deputado só terá sentido se não se pautar apenas na costura de acordos de bastidores, mas também “fazer com que pessoas se sintam parte do processo, que seja pautado na mobilização popular, na politização e a articulação política”.</p>



<p>As perspectivas sobre os rumos do mandato, no entanto, estão condicionadas ao resultado do segundo turno da eleição presidencial. “Uma coisa é ser deputado com Lula presidente, outra coisa bem diferente será exercer o mandato com Flávio Bolsonaro na presidência”, garante. Questionado sobre qual seria a maior diferença, Jones Manoel responde com ironia: “se o for para a oposição a bancada do PT vira o exército bolchevique, o PT na oposição volta a falar de socialismo, de revolução, de imperialismo, de Marx, de Che Guevara, Fidel Castro e tudo que você imaginar. O PT na situação é outro contexto”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sem fórmula para derrotar a direita</strong></h2>



<p>Jones Manoel não foi surpreendido com as inúmeras vitórias eleitorais do PL e do bolsonarismo no dia 4 de outubro. “Eles estão crescendo desde 2018, só foi pego de surpresa quem olha só pra eleição presidencial, mas não olha pro quadro geral como um todo”, argumenta. Em sua análise, três fatores que estão conectados contribuem decisivamente para esses resultados.</p>



<p>Sincero, ele admite que o primeiro motivo seria o fato de as esquerdas ainda não terem encontrado a fórmula para derrotar o extremismo de direita: “a gente ainda não conseguiu encontrar uma fórmula para enfraquecer o campo deles, eles tiveram derrotas táticas, é bem verdade, mas não sofreram nenhuma derrota estratégica. A a gente não tem fórmula política pra isso”.</p>



<p>O segundo motivo seriam as emendas pix e as demais emendas parlamentares impositivas, chamadas anteriormente de orçamento secreto. Ele acredita que boa parte dessas vitórias podem ser explicadas pelo derramamento de dinheiro nos municípios gerados por essas emendas. Ele cita como exemplo, a eleição de Alvinho Lira, o filho de Arthur Lira de 20 anos de idade que foi o deputado federal mais votado em Alagoas.</p>



<p>Por fim, mas não menos importante, estaria o enraizamento e a capilaridade da extrema direita na sociedade. “A extrema-direita está mais organizada socialmente em igrejas evangélicas, em grupos de corrida, em espaços de fortalecimento de empreendedorismo, em espaços de palestras, em grupos de coach, de negócio motivacional, de associações empresariais e comerciais. O tecido organizativo deles está se expandindo, enquanto o nosso tecido organizativo está se retraindo”.</p>


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		<title>Por que o Nordeste que vota em Lula também elege o centrão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 18:59:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Centrão]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
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		<category><![CDATA[Nordeste com Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Marco Zero foi até o Planalto da Borborema, na Paraíba, para entender porque a região brasileira que, desde 2006, vota maciçamente nas candidaturas presidenciais do PT (Lula, Dilma Rousseff, Fernando Haddad e novamente Lula), também elege como campeões de voto parlamentares do chamado centrão. Em Alagoa Grande, onde a equipe de reportagem acompanhou o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Marco Zero foi até o Planalto da Borborema, na Paraíba, para entender porque a região brasileira que, desde 2006, vota maciçamente nas candidaturas presidenciais do PT (Lula, Dilma Rousseff, Fernando Haddad e novamente Lula), também elege como campeões de voto parlamentares do chamado centrão. Em Alagoa Grande, onde a equipe de reportagem acompanhou o início das preparações da <a href="https://marcozero.org/edicao-2027-da-marcha-das-margaridas-ja-comecou-na-paraiba/">edição 2027 da Marcha das Margaridas</a>, o ex-governador Ricardo Coutinho, do PT, resumiu assim o fenômeno: &#8220;a extrema direita é do Sul do país, o centrão é do Nordeste&#8221;.</p>



<p>Neste município, conhecido por ser o epicentro de lutas sociais de agricultores, Lula obteve 75,5% dos votos em 2022. Na mesma eleição, no entanto, o deputado federal mais votado &#8211; com quase 23% dos votos da cidade &#8211; foi Aguinaldo Ribeiro, um dos nomes mais destacados do PP na Câmara Federal, onde já foi vice-líder do partido, líder do governo Michel Temer e vice-líder da federação União Brasil-PP.</p>



<p>Saiba mais na videoreportagem do editor Inácio França, com imagens de Arnaldo Sete, apresentada por Beatriz Mota:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Por que o Nordeste que vota em Lula também elege o “centrão”" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/bkaMgGjhFnw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Agora, se você quiser relembrar porque o Nordeste vota em Lula, é só clicar no link abaixo:<br></p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/entenda-de-uma-vez-por-todas-porque-o-nordeste-sabe-votar/" class="titulo">Entenda de uma vez por todas porque o Nordeste sabe votar</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		<p>O post <a href="https://marcozero.org/porque-o-nordeste-que-vota-em-lula-tambem-elege-o-centrao/">Por que o Nordeste que vota em Lula também elege o centrão</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Edição 2027 da Marcha das Margaridas já começou na Paraíba</title>
		<link>https://marcozero.org/edicao-2027-da-marcha-das-margaridas-ja-comecou-na-paraiba/</link>
					<comments>https://marcozero.org/edicao-2027-da-marcha-das-margaridas-ja-comecou-na-paraiba/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 14:56:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[energia eólica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha das margaridas]]></category>
		<category><![CDATA[marcha das mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíba]]></category>
		<category><![CDATA[Polo Borborema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alagoa Grande (PB) &#8211; Os usineiros paraibanos que, em agosto de 1983, pagaram 1,5 milhão de cruzeiros (ou 36,3 mil reais a dinheiro de hoje, corrigidos pela inflação) a uma dupla de matadores profissionais pelo assassinato da líder camponesa Margarida Maria Alves acreditavam que o crime seria o suficiente para gerar pânico entre as famílias [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/edicao-2027-da-marcha-das-margaridas-ja-comecou-na-paraiba/">Edição 2027 da Marcha das Margaridas já começou na Paraíba</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Em parceria com <a href="https://amadomundo.com/margaridas-pela-vida-pelo-alimento-e-por-dignidade/">Amado Mundo</a>, conteúdo do projeto Território do Voto*</strong></li>
</ul>



<p><strong>Alagoa Grande (PB)</strong> &#8211; Os usineiros paraibanos que, em agosto de 1983, pagaram 1,5 milhão de cruzeiros (ou 36,3 mil reais a dinheiro de hoje, corrigidos pela inflação) a uma dupla de matadores profissionais pelo assassinato da líder camponesa Margarida Maria Alves acreditavam que o crime seria o suficiente para gerar pânico entre as famílias agricultoras e de cortadores de cana, colocando um ponto final na luta por direitos sociais e trabalhistas. Não poderiam estar mais enganados.</p>



<p>A morte de Margarida se transformou em um marco. Desde então, os movimentos sociais acumularam força e conquistas nas regiões do Brejo e do Planalto da Borborema. O primeiro exemplo disso foi o <a href="https://aspta.org.br/article/polo-da-borborema-ator-contemporaneo-das-lutas-camponesas-pelo-territorio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo Borborema</a>, uma articulação de sindicatos de trabalhadores rurais e 150 associações comunitárias de 15 municípios criada em 1993, dez anos depois do crime.</p>



<p>Sete anos depois, veio a <a href="https://www.marchadasmargaridas.org.br/?pagina=homepage">Marcha das Margaridas</a>.</p>



<p>A primeira Marcha das Margaridas pelas avenidas de Brasília aconteceu em agosto de 2000, com a participação de 20.000 trabalhadoras rurais. Inicialmente, o movimento fez parte de uma mobilização global contra a fome e a violência de gênero, a Marcha Mundial de Mulheres.</p>



<p>Naquele momento, a comissão de mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) decidiu que a Marcha aconteceria no primeiro ano de mandato dos presidentes da República, sempre no dia 12 de agosto, data do assassinato de Margarida Alves.</p>



<p>Desde então, foram oito marchas. A próxima já está sendo preparada para acontecer em 2027, independente de quem esteja ocupando o Palácio do Planalto.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/marcha-3-Leonia-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/marcha-3-Leonia.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">&#8220;Terra é poder&#8221;, sentencia Leônia, resumindo luta das mulheres paraibanas
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“O movimento social do Brasil precisou se reunir para garantir os direitos pelos quais, historicamente, Margarida Maria Alves deu sua vida. Garantir o acesso à terra, à aposentadoria, à própria educação, essas eram as preocupações de Margarida Maria Alves”, recorda Maria Leônia Soares da Silva, agricultora no município de Massaranduba e coordenadora de mulheres da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado da Paraíba (Fetag-PB).</p>



<p>No início de setembro, Leônia, ou Léa, como é mais conhecida, esteve à frente da caminhada com centenas de mulheres de vários municípios paraibanos que marcou o início dos preparativos para a Marcha do próximo ano. O ato público começou diante da casa de Margarida e terminou no Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande.</p>



<p>Ela explicou porque o movimento social atua para manter vivo o nome de Margarida entre os mais jovens: “o caminho que está construído hoje não foi construído da noite para o dia, já vem sendo trilhado há muito tempo. Muitas pessoas vieram construindo as políticas, vieram pautando a questão da educação contextualizada, a questão do acesso à água, da água com dignidade, lembrando que o acesso à terra ainda é um desafio”.</p>



<p>“Ter terra é ter vida, ter terra é ter alimento, ter terra é dignidade, ter terra é poder”, sentencia Leônia.</p>



<p><a href="https://marcozero.org/margaridas-marcham-em-brasilia-por-direitos-no-campo-autonomia-das-mulheres-e-democracia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nenhuma das Marchas das Margaridas foi tão tensa quanto a de 2019</a>, a única sob o governo Bolsonaro. Pela primeira vez, garrafas de vinagre foram incluídas no kit levado pelas participantes e seriam usadas para umedecer os lenços caso a Polícia Militar do Distrito Federal tivesse usado gás lacrimogêneo. No final, nada disso foi necessário e as mulheres acabaram levando as garrafas para usar em suas cozinhas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Outra marcha</h2>



<p>Manifestações assim, conduzidas por mulheres, não são episódios isolados naquela região. Todos os anos, desde 2010, milhares de famílias agriculturas, principalmente mulheres, saem em caminhadas pelas ruas de alguma das cidades da região para cobrar políticas públicas ou denunciar violações de direitos. É a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, organizada pelo Polo Borborema.</p>



<p>Houve casos, como em 2023, em Montadas, quando o número de participantes da marcha era praticamente o mesmo da população do município. Naquela ocasião, a cidade de 5,8 mil habitantes recebeu 5 mil pessoas em uma manhã.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mulheres-da-paraiba-voltam-a-marchar-em-protesto-contra-impactos-dos-parques-eolicos/" class="titulo">Mulheres da Paraíba voltam a marchar em protesto contra impactos dos parques eólicos</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>Nas últimas edições, a principal motivação da marcha foi o protesto contra os impactos gerados pelos grandes empreendimentos de energia eólica no interior do Nordeste.</p>



<p>“Como agricultoras, como movimento sindical que está nos territórios, a gente começou a perceber que a forma e o modelo como essas energias chegaram não é viável para a gente continuar no campo fazendo agricultura familiar”, explica Maria do Céu da Silva, agricultora e sindicalista em Solânea, lembrando que a virada de chave em relação às eólicas aconteceu em 2018.</p>



<p>“Foi quando a gente começou a descobrir anemômetros (instrumento que mede a velocidade do vento) implantados nas comunidades rurais. Então, nas visitas de intercâmbios com as mulheres ou com a juventude, a gente percebeu que aquilo não era bom, que esse modelo de energia traz muita violência para a vida das mulheres para o campo, traz muitas doenças, diminui a produção dos animais e das lavouras, vai tirando toda a paz, todo o sossego daquelas famílias”, contou Maria do Céu.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/marcha-2-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/marcha-2.jpg" alt="" class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Projeto que regulamenta distância de aerogeradores aguarda sanção
</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>De tanto bater nessa tecla, a marcha das mulheres paraibanas alcançou uma vitória que, por enquanto, é parcial. Em junho, a Assembleia Legislativa do estado aprovou o projeto de lei 2.061, que estabelece a distância mínima de 1.500 metros entre aerogeradores e residências ou edificações de uso público, coletivo ou privado.</p>



<p>O governador Lucas Ribeiro (PP), candidato à reeleição com apoio do presidente Lula (PT), ainda não sancionou a lei.</p>



<p>A pressão pela sanção contou com o reforço da Procuradoria da República na Paraíba, que emitiu uma <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-pb/noticias/mpf-defende-sancao-integral-de-lei-sobre-distancia-minima-de-torres-eolicas-na-paraiba" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nota Técnica sobre o tema</a> assinado pelo procurador José Godoy Bezerra de Souza. O documento defende considerar os impactos socioambientais da expansão eólica e aponta a necessidade de regulamentações que garantam a proteção das comunidades.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Quem tenta calar as vozes das mulheres do campo? | Territórios do Voto" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/pzCz8Gfm4EM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><span style="font-weight: 400;">*</span><span style="font-weight: 400;">O projeto<strong> Territórios do voto</strong> é uma parceria do canal Amado Mundo com os veículos independentes</span><a href="https://vozdascomunidades.com.br/"> <span style="font-weight: 400;">Voz das Comunidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, no Rio de Janeiro; </span><a href="https://agenciamural.org.br/"><span style="font-weight: 400;">Agência Mural</span></a><span style="font-weight: 400;">, em São Paulo, e</span><span style="font-weight: 400;"> Marco Zero</span><span style="font-weight: 400;">, em Pernambuco, na cobertura das eleições 2026.</span> <span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">A produção desse material conta com o apoio do Instituto Betty e Jacob Lafer (IBJL)</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
    </div>
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			</item>
		<item>
		<title>Podcast de debate eleitoral (ainda) não é Cazé TV</title>
		<link>https://marcozero.org/podcast-de-debate-eleitoral-ainda-nao-e-caze-tv/</link>
					<comments>https://marcozero.org/podcast-de-debate-eleitoral-ainda-nao-e-caze-tv/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 21:21:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Moura]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Fala Ordinário Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Jones Manoel]]></category>
		<category><![CDATA[Recife Ordinário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para começar, um elogio sincero: é muito louvável que um perfil com as características do Recife Ordinário, que em outros tempos seria classificado nas categorias &#8220;humor&#8221; ou &#8220;variedades&#8221;, promova uma discussão eleitoral em seu podcast. Há a possibilidade de que este escriba esteja sendo ingênuo, mas também é preciso ressaltar a digna postura do apresentador [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para começar, um elogio sincero: é muito louvável que um perfil com as características do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NTuh1Ba3d0A">Recife Ordinário</a>, que em outros tempos seria classificado nas categorias &#8220;humor&#8221; ou &#8220;variedades&#8221;, promova uma discussão eleitoral em seu podcast. Há a possibilidade de que este escriba esteja sendo ingênuo, mas também é preciso ressaltar a digna postura do apresentador Gabriel Oliveira em seu esforço para garantir um mínimo de seriedade na troca de &#8220;ideias&#8221; entre os dois candidatos a deputado federal, o comunista Jones Manoel e um vereador de extrema-direita cujo nome não será publicado neste texto de opinião por questões de higiene.</p>



<p>Por melhores que tenham sido as intenções e motivações de quase todos os envolvidos — à exceção do histérico extremista de direita —, o fato de o debate ter sido transmitido no YouTube não quer dizer que tenha sido um conteúdo de YouTube. Ao contrário, o resultado foi um produto muito semelhante aos aborrecidos e intermináveis debates veiculados desde a redemocratização, em meados dos anos 1980, pela televisão brasileira.</p>



<p>O formato não ajudou. A produção e as assessorias dos debatedores não foram além da batidíssima divisão em blocos temáticos, enormes por sinal, com um candidato perguntando para o outro. E cada um respondendo o que bem entende. Faltou agilidade, mas não só.</p>



<p>Faltou jornalismo. Explico: senti falta de jornalistas profissionais com postura independente e crítica, capazes de tirar Jones e seu oponente das respectivas zonas de conforto. Por exemplo, questionar o comunista como a tal &#8220;esquerda radical&#8221; pode conduzir mudanças políticas sem obter sucesso nas urnas e sem mobilização social; ou perguntar ao direitista por que, em meio a toda sua verborragia, não citou nenhuma vez o nome de Flávio Bolsonaro.</p>



<p>Sem o elemento crítico, o que se viu foram dois monólogos. Ok, talvez seja impossível manter um mínimo de diálogo com aquele vereador direitista. Aliás, cabe parênteses: é provável que, se fosse tal indivíduo uma mulher, logo estaria sendo chamado pelos demais políticos de &#8220;louca&#8221;, &#8220;histérica&#8221;, &#8220;desequilibrada&#8221; e &#8220;tresloucada&#8221;. Como é homem, branco, que bate nas costas dos colegas nos corredores da Câmara Municipal, conta com a complacência até mesmo da bancada (masculina) do PSB, partido de João Campos, seu alvo nº 2 (o número 1 são as vereadoras mulheres, conforme se lê <a href="https://marcozero.org/entre-mimimi-e-silenciamento-camara-do-recife-vira-palco-de-violencia-contra-mulheres/">nessa reportagem da Marco Zero</a>).</p>



<p>Até os cacoetes de candidatos e candidatas de tempos analógicos foram repetidos por Jones e pelo outro. O comunista abusou de iniciar suas réplicas com o surrado &#8220;mais uma vez ele não respondeu&#8221;. Repetitivo e previsível.</p>



<p>Já o extremista de direita espalhava pegadinhas e cascas de bananas irrelevantes, coisas como &#8220;você sabe quanto custa um pneu de ônibus?&#8221; ou &#8220;quantas unidades de saúde têm no estado?&#8221;. Personagens do passado, dinossauros da política, viviam repetindo esse tipo de bobagem surrada. O sindicalista Luiz Antônio de Medeiros, só pra citar um exemplo que lembro de cabeça, fez isso com mais brilho e humor ao perguntar à grã-fina Marta Suplicy se ela sabia onde ficava o bairro de Sapopemba, durante uma disputa para prefeitura de São Paulo em 1996.</p>



<p>Mesmo cansativo e arrastado para quem suportou até o final, o debate foi ótimo para os envolvido. Os debatedores tiveram a oportunidade de se posicionarem como antagonistas na disputa para as vagas na Câmara dos Deputados. Formando quase um núcleo coadjuvante, correndo paralelo à trama principal da novela protagonizada por Raquel Lyra e João Campos.</p>



<p>Se o vereador pôde discursar e fazer jogo de cena para seu público da machosfera radicalizada, Jones Manoel teve competência em se apresentar como um político mais maduro, capaz de transitar por temas diversos, indo além do perfil de revolucionário e capaz de agradar ao chamado &#8220;voto de opinião&#8221; da esquerda. E isso, historicamente em Pernambuco, tem um potencial nada desprezível.</p>



<p>E, finalmente, para o Recife Ordinário, foi pra lá de excelente. Até então o episódio de maior audiência de seu podcast não tinha passado de 63 mil visualizações. No momento em que este texto foi publicado, o debate já caminhava para 270 mil visualizações, sem contar a repercussão nacional. E isso sem que os produtores tenham encontrado um formato e uma linguagem tão intensa, ágil, descontraída e adaptada à internet como as transmissões esportivas da Cazé TV.</p>



<p></p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Recife Ordinário revela: vereador simulou atraso com ajuda da assessoria</span>

		<p class="western" align="left"><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Há meses o debate estava anunciado para começar às 19h, mas só teve início às 19h27min porque o vereador extremista chegou atrasado.</p>
<p>Perto do final da <em>live</em>, o clima esquentou quando ele acusou o apresentador e a produção do Recife Ordinário de estarem favorecendo Jones Manoel. Nesse momento, Gabriel Oliveira surpreendeu a todos ao dizer que “não era palhaço” e que o parlamentar estava sendo “escroto e safado”.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>O que o atraso tem a ver com o desabafo do moderador?</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Hoje, a equipe do Recife Ordinário <a href="https://www.youtube.com/live/Xv7Ket4JvfM?si=mcuv-ZRfsswZ-D9t">fez uma nova live revelando o que aconteceu nos bastidores</a>, revelando a ligação entre os dois momentos.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Ele e a equipe dele se organizaram para nos enganar, para atrapalhar nosso trabalho. E eu não sei por que ele fez isso com a gente”.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Estava combinado que os debatedores teriam de chegar meia hora antes para que tudo fosse testado com antecedência. Na live, os produtores revelaram que os assessores do vereador presentes ao estúdio se mostravam surpresos com o atraso, não sabiam explicar a razão, falando muito por cima que seu chefe estaria com um problema familiar. Em seguida, foi dito que ele só poderia participar online em razão de um imprevisto com sua mãe, e que ele precisava dar suporte a ela.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Já estavam me enganando”, desabafou Gabriel. Eram 19h20min. Dois minutos antes, o vereador havia mandando uma mensagem para o whatsapp do apresentador com o seguinte texto: “Meu irmão, deu ruim. Tô com minha mãe. Imprevisto. Faz com ele. Sem bronca”.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Era tudo mentira.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Entre a mensagem por zap e a chegada do vereador foram apenas 10 minutos de intervalo, revelou uma das produtoras.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>As câmeras de segurança do estúdio e de outros estabelecimentos na rua mostraram o vereador passando várias vezes de carro em frente ao local bem antes das 19h. “Ele desceu, ficou esperando começar, poderia ter entrado antes para que o debate começasse na hora certa, mas preferiu irromper, chegar de maneira errada, sem me deixar falar, desrespeitando todas as regras”, contou Oliveira. O extremista acabou sentando na poltrona que estava reservada para o apresentador, mais próxima da câmera, ou seja, ficando mais em evidência no vídeo durante a <em>live</em>.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Aturamos tudo isso, fizemos acontecer, mas ele tentou construiu a narrativa para o público dele, que é um público agressivo, que ataca as pessoas, que a gente estava favorecendo Jones. Por isso eu precisava trazer isso, pra mostrar quem é esse cara”, queixou-se.</p>
<p class="western" align="left"><!-- /wp:paragraph --></p>
<p>&nbsp;</p>
	</div>
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		<title>&#8220;Clamor&#8221;, livro sobre rede de apoio a refugiados de ditaduras será adaptado para o cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 22:32:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Madeira]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[livro sobre a ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Marjorie Estiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mouhamed Harfouch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem Clamor, do jornalista Samarone [&#8230;]</p>
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<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem <em>Clamor</em>, do jornalista Samarone Lima, está sendo adaptado para o cinema.</p>



<p>O filme será dirigido por Malu de Martino, cujo trabalho mais marcante foi o longa-metragem <em>Como esquecer</em>, e filmado em Santos e em Valparaíso, no Chile. A produção ainda está nas fases iniciais, com o elenco sendo montado.</p>



<p>A atriz <a href="https://www.instagram.com/estianomarjorie/">Marjorie Estiano</a> (da série <em>Sob pressão</em> e do filme <em>Ainda estou aqui</em>) foi a primeira a ser anunciada; ela fará o papel da jornalista inglesa Jan Rocha, ex-correspondente no Brasil da BBC durante a ditadura, uma das criadoras do grupo Clamor. Seu marido, o brasileiro Plauto, será interpretado por <a href="https://www.instagram.com/mouhamedh/">Mouhamed Harfouch</a>, que atuou em novelas globais como <em>Cordel Encantado</em> e <em>Verdades Secretas</em>. O ator, de ascendência síria por parte de pai, é ativista em organizações de solidariedade a refugiados sírios no Brasil.</p>



<p>A jornalista britânica, que, até hoje, vive no Brasil, é a figura central na história do Clamor.</p>



<p>Em razão do seu trabalho como correspondente estrangeira, era constantemente procurada por militantes exilados que fugiam da máquina repressiva das ditaduras da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai ou por parentes de desaparecidos nesses países. Na época, pressionados internamente e pela opinião pública internacional, os militares brasileiros iniciavam a &#8220;abertura&#8221; política do regime, o que tornou o país um refúgio próximo de casa para os perseguidos vindos do Cone Sul.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/clamor-marjorie-estiano-254x300.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/clamor-marjorie-estiano.jpeg" alt="A imagem mostra uma mulher sentada em uma poltrona cinza clara, em um ambiente interno elegante. Ela veste um vestido longo de cetim marrom e sapatos de salto alto amarelos, que criam um contraste marcante. Usa colar e pulseira dourados, e tem o cabelo curto e ondulado, penteado de forma descontraída. Está com uma expressão confiante e um leve sorriso, com uma das mãos apoiada na cabeça. Ao lado, há uma mesa redonda de madeira com um abajur dourado e branco e um telefone preto, compondo um cenário sofisticado e acolhedor." class="" loading="lazy" width="503">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Marjorie Estiano será a protagonista do filme
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @estianomarjorie</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Junto com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e o pastor presbiteriano Jaime Wright, ela criou o Clamor. Sob a proteção de dom Paulo Evaristo Arns, o grupo passou a ter como sede uma sala na Cúria Metropolitana de São Paulo, ora prestando assistência jurídica aos refugiados, ora articulando uma rede para ajudá-los a encontrar casa, trabalho e alimento. No entanto, a atividade do grupo de maior impacto eram os boletins com relatos de casos e fotos de prisioneiros ou desaparecidos.</p>



<p>Graças ao boletim publicado em três idiomas (português, espanhol e inglês), o Clamor chegou aos personagens que protagonizaram o fato detalhado por Samarone Lima no livro e que será recontado no cinema: a localização de Anatole e Victoria, duas crianças uruguaias desaparecidas. Anos após o sumiço dos irmãos, o grupo descobriu que o menino e a menina foram abandonados por militares argentinos no meio da rua em Valparaíso, a mais de 1.400 quilômetros de Buenos Aires, onde seus pais tinham sido assassinados pela repressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Solidariedade brasileira</h2>



<p>Aos 86 anos e vivendo no Brasil desde 1969, <a href="https://marcozero.org/ao-falar-que-a-amazonia-e-nossa-bolsonaro-diz-que-a-amazonia-e-do-crime-afirma-jornalista-britanica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jan Rocha </a>acredita que o filme será importante ao tratar de um aspecto da história do Brasil pouco conhecido do público do país. &#8220;Sei que um filme nunca consegue captar tudo, sei que serão necessárias licenças poéticas para melhor condensar a história, mas será uma oportunidade para que o Clamor alcance uma audiência maior do que a do livro&#8221;, afirma a jornalista, autora de um livro sobre o grupo, <em>A solidariedade não tem tem fronteiras,</em> expressão usada pelo cardeal Arns para justificar seu apoio.</p>



<p>Ela acredita que, além da própria história do grupo, &#8220;também não é muito conhecido o fato de o Brasil ter recebido milhares de refugiados de toda a América do Sul naqueles anos em que o Brasil vivia uma fase diferente da ditadura, a partir de 1977, principalmente&#8221;. O processo de reabertura permitiu, por exemplo, a instalação de dois escritórios do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Rio de Janeiro e em São Paulo.</p>



<p>Os brasileiros foram muito generosos e acolhedores com esses refugiados. Essa é a impressão que, quase meio século depois, permanece na memória de Jan Rocha. &#8220;A solidariedade brasileira vai chegar às telas do cinema; espero que o filme consiga mostrar isso&#8221;, diz a inglesa.</p>



<p>Na sala cedida pela Cúria Metropolitana ao Clamor chegavam pessoas vivendo situações dramáticas, a exemplo de esposas com maridos desaparecidos e pais cujos filhos foram assassinados ou presos em locais desconhecidos. Mesmo assim, Jan Rocha recusa o rótulo de &#8220;heroísmo&#8221; à atuação do grupo. &#8220;Fazíamos o que precisava ser feito diante de tanto desespero&#8221;, garante.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Direitos sem fronteiras</h3>



<p>No final dos anos 1990 e início dos 2000, quando trabalhava no jornal da Arquidiocese de São Paulo, Samarone Lima teve acesso ao acervo de documentos, recortes de jornais de vários países, depoimentos e fotografias armazenados nos arquivos do Clamor, desativado em 1991, logo após o fim da última ditadura sul-americana, a de Pinochet, no Chile. A pesquisa municiou a dissertação de mestrado do jornalista na Universidade de São Paulo (USP), base para o livro publicado e m 2005.</p>



<p>&#8220;O maior legado do Clamor é a ideia de que solidariedade não tem fronteiras geográficas, étnicas, religiosas, de crenças. É a grande lição para todos os grupos de direitos humanos que, por vezes, atuam solitários tentando alguma pequena conquista&#8221;, resume o autor do livro.</p>



<p>Samarone ressalta que o posicionamento de dom Paulo Evaristo vinha da convicção de que a luta contra a violação dos direitos humanos é universal: &#8220;Dom Paulo tinha conexões com igrejas em todo o mundo, e, com isso, o Clamor recebeu financiamento do Conselho Mundial de Igrejas, que bancou sua estrutura, custeou a viagem secreta para o Chile em busca de Anatole e Vicky&#8221;.</p>



<p>No filme, o arcebispo de São Paulo será interpretado por Augusto Madeira, que atuou na novela <em>Três Graças</em> e na série <em>A menina que matou os pais</em>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Clamor-sebas-miquel-1024x675.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Clamor-sebas-miquel-1024x675.jpeg" alt="A imagem mostra um chão de asfalto coberto por desenhos e palavras feitas com giz branco e azul. No centro, lê-se “FUE GENOCIDIO”, expressão em espanhol que significa “foi genocídio”. O texto está dentro de um contorno que lembra um lenço triangular, símbolo das Mães da Praça de Maio, movimento argentino que denuncia os desaparecimentos durante a ditadura militar. Dois pares de pés com tênis escuros aparecem caminhando sobre ou perto dos desenhos, sugerindo uma cena de rua, possivelmente durante um ato de memória ou protesto. No canto inferior direito, há a assinatura “@sebastianmiquel”." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O grupo Clamor deu apoio a perseguidos das ditaduras na América do Sul
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @sebasmiquel</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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		<title>Receita de empatia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 15:24:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[petrolina]]></category>
		<category><![CDATA[saúde da família]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em postagens nas redes sociais, repercutem as reportagens sobre um médico de Saúde da Família de Petrolina na Folha de S. Paulo, Globo, Record, Correio Braziliense. Há motivos para tamanha notoriedade: ele criou uma ferramenta online para elaborar receitas que facilitam a vida dos pacientes, ajudando as pessoas analfabetas ou com pouco letramento a entender [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em postagens nas redes sociais, repercutem as reportagens sobre um médico de Saúde da Família de Petrolina na Folha de S. Paulo, Globo, Record, Correio Braziliense. Há motivos para tamanha notoriedade: ele criou uma ferramenta online para elaborar receitas que facilitam a vida dos pacientes, ajudando as pessoas analfabetas ou com pouco letramento a entender o passo a passo do tratamento.</p>



<p>A tal ferramenta se traduz em um site chamado <a href="https://www.cuidadoparatodos.com.br/sobre" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cuidado para Todos</a> e possibilita aos médicos gerarem prescrições com desenhos, ícones e adesivos no lugar daqueles garranchos incompreensíveis. Em uma das matérias publicadas leio que o médico se chama Lucas Cardim e que, antes de criar o sistema com ajuda de um amigo de infância que hoje trabalha na Suíça como engenheiro de software do Google, ele perdia um tempão desenhando xícaras, sol, lua e colheres no receituário de papel.</p>



<p>As receitas desenhadas a mão já tinham rendido alguma repercussão em blogs locais, mas agora foi pra valer, viralizou a tal ponto que <a href="https://www.youtube.com/@drauziovarella">Dráuzio Varela o convidou para participar de um podcast em São Paulo</a>, gravado na terça-feira, 5 de maio. Na véspera, ele gravou sua participação no programa Caldeirão do Mion, da Rede Globo.</p>



<p>Vida de celebridade. Ou subcelebridade. No entanto, nada mais distante da personalidade e dos objetivos desse sujeito.</p>



<p>Depois que li as notícias e conversei um pouco com Cardim, percebi que o Cuidado para Todos é a síntese das motivações que levaram Cardim a fazer o Enem para Medicina, anos depois de concluir sua primeira graduação em Jornalismo.</p>



<p>Foi nessa época em que o conheci, quando fizemos juntos um livro para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Ele como fotógrafo e eu como escriba, percorremos Alagoas para contar o que estava por trás da redução dos números da mortalidade infantil. Graças aos burocratas da agência das Nações Unidas em Brasília, o que devia ser um instigante livro-reportagem se tornou um calhamaço burocrático, tão aborrecido quanto pretensioso. Mas isso é outra história, um mero comentário ácido repleto de recalque ou ressentimento.</p>



<p>O que importa agora é contar que as dezenas de visitas que fizemos a postos de saúde em vilarejos na beira de estrada e UTIs em maternidades públicas alagoanas encerraram a carreira do repórter-fotográfico Lucas Cardim e o levaram à medicina.</p>



<p>“Não sou capaz de melhorar a vida das pessoas com a fotografia, vou estudar para cursar Medicina. Como médico vou poder fazer alguma coisa”. Foram essas suas palavras – ou quase – quando me contou sobre a decisão que tomara. Não sei dizer se a maior inspiração veio do sentimento de indignação diante do péssimo exemplo de um médico que só aparecia uma vez por semana numa unidade de saúde em Santana do Ipanema ou do respeito diante do pediatra que dobrava plantões na UTI do hospital de Arapiraca.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Do sonho à prática</h2>



<p>Mais de uma década depois, não me surpreendi ao ver seu nome associado à preocupação com as camponesas e camponeses que atende no posto de saúde de Bebedouro, zona rural de Petrolina, onde vive desde que se formou na Universidade Federal do Vale do São Francisco.</p>



<p>Mais do que se preocupar, ele não ficou paralisado, salivando indignação, esperando algo ou alguém aparecer com alguma solução. Ele correu atrás, imaginou uma saída e mobilizou gente que seria capaz de, assim como ele, trabalhar de graça para tornar realidade a ideia que concebeu.</p>



<p>Ele não acredita em soluções individuais ou milagres particulares. Agora, depois e arrumar um jeito de melhorar as receitas que passa para os pacientes, quer transformar isso em política pública, quer que outras pessoas sejam beneficiadas, quer motivar outros colegas médicos e médicas a usarem o site.</p>



<p>Isso é puro suco de Lucas Cardim.</p>



<p>“O acesso é gratuito, qualquer profissional de qualquer local do Brasil pode acessar e usar. Estamos conversando com o Ministério da Saúde para doar os códigos e fazer toda a transferência de tecnologia para o SUS”, explica. Inicialmente, ele me disse que outros dez municípios de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo estão treinando os profissionais de saúde de suas respectivas redes para usar a ferramenta. Depois de gravar o podcast com Varela, me enviou um áudio pelo zap dizendo que Davi Rios, seu amigo do Google na Suíça atualizou os dados de acesso e uso da plataforma: agora são pelo menos 200 médicos usando os formulários de receitas em 22 estados brasileiros.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="973" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-973x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-75366 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-973x1024.jpeg 973w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-285x300.jpeg 285w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-768x808.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio-150x158.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Cardim-Drauzio.jpeg 1253w" sizes="(max-width: 973px) 100vw, 973px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>No áudio, sua voz estava cansada. Foram vários voos, um atrás do outro, engarrafamentos em São Paulo e Rio de Janeiro, filmagens cansativas. “Estou indo pro aeroporto, não vejo a hora de voltar para casa, colocar meu filho para dormir e, depois, retomar os atendimentos”.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Quando fala em voltar ao trabalho, Cardim está se referindo a consultas que podem durar mais de uma hora com os homens, mulheres e crianças do Bebedouro que costuma ir à unidade de saúde da família local. Sim, é isso mesmo que você leu: consultas de mais de uma hora de duração no SUS, algo que é raro até mesmo em clínicas particulares. No Recife mesmo, sei de médicos especialistas que chegam numa policlínica da prefeitura da zona norte às 7h da manhã, atendem 30 pacientes no <em>vapt-vupt</em> e, às 8h, estão de saída, direto para seu consultório privado. E ai de quem ousar cobrá-los por um atendimento decente.</p>



<p>O posto do Bebedouro não é uma unidade básica de saúde tão básica assim. Por insistência dele, a secretária de saúde e o curso de Medicina da UFPE assinaram um convênio vinculando a unidade ao programa de residência médica de Medicina da Família e Comunidade. Assim, ele recebe alunos e alunas, atuando como preceptor. </p>



<p>O detalhe é que as três impressoras do posto usadas para imprimir os relatórios dos residentes e as próprias receitas geradas no site Cuidado para Todos foras compradas por Cardim. Aliás, conversei com outros dois profissionais da rede municipal de saúde de Petrolina que, para usar a ferramenta, também tiveram que levar suas respectivas impressoras para o local de trabalho.</p>



<p>A assessora de imprensa da secretaria municipal de Saúde, todavia, me garantiu que &#8220;já está na fase final de aquisição dos equipamentos necessários para a expansão do projeto. Assim que os aparelhos chegarem, a implantação será iniciada de forma gradativa em toda a rede municipal de saúde”. Petrolina conta com 57 Unidades Básicas de Saúde e seus 420 mil habitantes têm 85% de cobertura da Estratégia Saúde da Família.</p>



<p>Lucas Cardim não espera pela burocracia do serviço público. Mesmo admitindo que é preciso discutir &#8220;como outras boas ideias podem desaparecer no abismo que existe entre a assistência e a gestão&#8221;, ele continua sonhando alto. No texto de apresentação da plataforma que criou, ele revela que &#8220;sonha em transformar a Unidade Básica do Bebedouro em uma Unidade Escola Rural, incluindo a agricultura de subsistência e alimentação saudável como parte indissociável dos cuidados em Saúde&#8221;.</p>
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		<title>Influenciador digital vira réu por fingir ser PM para dar golpe em vítima de violência doméstica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 19:09:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[influenciador digital]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O influenciador digital pernambucano conhecido por Emerson Freitas, 26 anos, foi investigado por fingir ser policial militar para aplicar um golpe contra uma mulher vítima de violência doméstica e protegida por uma medida protetiva. Indiciado pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil de Pernambuco, teve suas conversas com a vítima gravadas pela mulher, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O influenciador digital pernambucano conhecido por Emerson Freitas, 26 anos, foi investigado por fingir ser policial militar para aplicar um golpe contra uma mulher vítima de violência doméstica e protegida por uma medida protetiva. Indiciado pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil de Pernambuco, teve suas conversas com a vítima gravadas pela mulher, o que foi fundamental para subsidiar a investigação e fazer com que a Justiça aceitasse a denúncia do Ministério Público estadual (MPPE). A <strong>Marco Zero</strong> teve acesso aos áudios.</p>



<p>De acordo com informações do processo judicial, que é público, na abordagem à vítima, Emerson teria se apresentado como “sargento Emerson, da Casa Civil e homem de confiança da governadora (Raquel Lyra) e da vice (Priscila Krause)”, depois ele admitiu em depoimento que não tinha qualquer relação com as duas. Em outro momento, disse também que era o “caveira 015” do Bope, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado.</p>



<p>Inicialmente, a mulher pensou que poderia se tratar de um policial corrupto e passou a gravar os diálogos. Após uma pesquisa na internet, viu que &#8211; na verdade &#8211; o homem era um influenciador digital que mantinha um perfil nas redes sociais de estilo policialesco, à época com quase 80 mil seguidores.</p>



<p>O resultado da busca também mostrou uma matéria, publicada em um portal em outubro do ano anterior, que dizia no título: “Emerson Freitas, liderança na fiscalização da segurança pública, é um nome forte da direita para 2024 no Recife”. A foto que acompanhava o texto era de Emerson ladeado pelos deputados Alberto Feitosa e Coronel Meira, ambos do PL.</p>



<p>A vítima, então, gravou a segunda investida do falso policial. Em seguida, procurou o GOE, apresentou os áudios e formalizou a denúncia. Isso aconteceu em maio de 2023.</p>



<p>Durante as diligências da Polícia Civil, uma busca autorizada judicialmente no endereço do então investigado, na zona norte do Recife, reuniu uma lista de itens apreendidos, como munições de uso restrito, um distintivo policial, um gorro da Polícia Militar, dois coldres e um par de algemas. Emerson não estava em casa no momento do cumprimento do mandado. Uma vizinha do influenciador digital foi convidada pela equipe do GOE a acompanhar as buscas e serviu de testemunha.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/Emerson-auto.jpeg" alt="A imagem mostra a fotografia de um documento oficial impresso, com o título indicando “Operações Especiais – GOE”, localizado na Avenida Odete Monteiro, em Recife (PE). O texto relata a realização de uma busca minuciosa em um imóvel, com base no Art. 245, § 7º do Código de Processo Penal, descrevendo uma lista numerada de itens arrecadados e depositados. Entre os objetos listados estão munições de calibres .40 e 9mm, uma capa para colete balístico, coldres, um gorro verde com identificação da Polícia Militar, uma algema, um distintivo da Polícia Militar, crachás institucionais (incluindo de gabinete de vereador e da Assembleia Legislativa de Pernambuco), uma cópia de RG em nome de Emerson Jhuan Pereira do Nascimento, além de envelopes contendo certificados de aplausos destinados a policiais militares e documentos diversos, como termo de depoimento, procuração e mandado de intimação. O documento aparenta ser parte de um registro formal de apreensão de materiais." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Trecho do inquérito do GOE
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A investigação teve desdobramentos. Atualmente, Emerson Jhuan Pereira do Nascimento consta como réu. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Pernambuco contra ele por estelionato consumado, falsidade ideológica e uso de documento falso.</p>



<p>O influenciador digital apresenta-se nas redes como “repórter investigativo”, mas ainda é estudante de Jornalismo em uma faculdade privada no Recife. Ele também responderá pelo crime previsto no artigo 12 do Estatuto do Desarmamento: possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização, no interior de sua residência.</p>



<p>A juíza titular da 17ª Vara Criminal da Capital, Ana Maria da Silva, determinou que Emerson fosse notificado da ação penal no dia 15 de dezembro passado. Quinze dias depois, o influenciador digital anunciou em vídeo que é pré-candidato a deputado estadual nas eleições deste ano.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como foi a investigação do GOE</h2>



<p>Em abril de 2023, o 190 foi acionado para atender um chamado de possível descumprimento da Lei Maria da Penha em um endereço no centro do Recife. Ao local da ocorrência, na companhia de policiais militares fardados, chega um homem que vestia calça jeans, camisa preta, distintivo no pescoço e armamento na cintura à mostra. Identificou-se à mulher protegida por medida protetiva como “Sargento Emerson Freitas, da Casa Civil”.</p>



<p>O depoimento da vítima foi corroborado pelo trabalho do GOE, com a anexação, inclusive, de imagens de câmeras de segurança que comprovam que o influenciador digital, com distintivo no pescoço, seguiu em viatura caracterizada da Polícia Militar do local da ocorrência à Delegacia da Mulher de Santo Amaro, área central do Recife, para onde a mulher e o ex-companheiro foram levados.</p>



<p>Lá, o delegado Marco Fidelis interpretou que não houve quebra da medida protetiva, determinou “outras providências” e o ex-marido foi liberado.</p>



<p>No dia seguinte, de acordo com informações reunidas no inquérito, o falso policial procurou a mulher e disse que havia descoberto um plano do ex-marido para matá-la. Na versão contada por Emerson, o ex-marido havia contratado um matador profissional por R$ 90 mil para a execução.</p>



<p>De acordo com o depoimento da vítima ao delegado Ivaldo Pereira Santiago, é a partir daí que tem início o processo de extorsão para que, em troca de vantagem pretendida, o falso policial sustasse o plano de encomenda da morte da mulher.</p>



<p>“O que a senhora pode fazer para ajudar a gente, pra gente continuar, pra gente lhe ajudar…”, diz Emerson, em um trecho do diálogo que acabou gravado sem que ele soubesse.</p>



<p>“Eu estou fazendo um trabalho de intermediário, porque sei que ele (o ex-marido) está avançando… ele está com arma, é um cabrito, os meninos deram a ele”. As gravações das duas conversas do falso policial com a vítima somam 37 minutos.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Áudios - Reportagem - Emerson Freitas" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/lS7iqZJGU5s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Réu, mas ainda não localizado pela Justiça</strong></h2>



<p>O influenciador já é formalmente réu, mas &#8211; até a publicação desta reportagem &#8211; não havia sido notificado pela Justiça estadual para tomar conhecimento formal da ação penal. Só quando isso ocorrer é que começam a contar os prazos do processo.</p>



<p>Por duas vezes, um representante da Justiça de Pernambuco foi ao endereço conhecido de Emerson, mas não conseguiu encontrá-lo.</p>



<p>Tanto no dia 19 de dezembro, uma sexta-feira, às 7h45, quanto no dia 10 de janeiro, um sábado, por volta das 16h, um oficial de justiça &#8211; sem sucesso &#8211; foi até o endereço informado como sendo o de Emerson Jhuan, em Casa Amarela, na zona norte do Recife. É o mesmo endereço onde a equipe do GOE cumpriu mandado de busca e apreensão.</p>



<p>Nas redes sociais, porém, Emerson segue ativo. Faz publicações cotidianamente em locais de ocorrência e entrada de delegacias.</p>



<p>Emerson esteve presente, por exemplo, na entrevista coletiva que o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, concedeu à imprensa no final de janeiro. Na ocasião, o auxiliar da governadora Raquel Lyra (PSD) apresentou justificativas para a divulgação pela TV Record de que uma equipe da Polícia Civil monitorava um secretário do prefeito do Recife, João Campos (PSB).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/Emerson-citacao.jpeg" alt="A imagem mostra um documento oficial do Tribunal de Justiça de Pernambuco, com o cabeçalho “Poder Judiciário” e o título “Certidão ID 226032947” centralizado na página. O texto certifica que a oficial de Justiça Ilana Costa informou ter comparecido, em duas datas e horários específicos (19 de dezembro de 2025 e 10 de janeiro de 2026), ao endereço indicado para citar Emerson Jhuan Pereira do Nascimento, mas deixou de realizar a citação porque ninguém atendeu aos chamados e o imóvel, descrito como um edifício residencial no formato caixão e sem portaria ou caixa de correios, dificultou a diligência. A certidão registra que o expediente é devolvido para novas providências e encerra com a afirmação de veracidade, local e data (Recife, 13 de janeiro de 2025), além da identificação e matrícula da oficial de Justiça." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Trecho do processo que corre na Justiça de Pernambuco
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Muitas mentiras</h3>



<p>Na sede do GOE, acompanhado do advogado e diante do delegado Ivaldo Pereira, o influenciador digital admitiu tanto ter procurado a mulher no dia seguinte ao episódio na delegacia de Santo Amaro para falar do suposto plano de execução quanto ter lhe contado cinco mentiras, ao menos. Ele disse ainda que “não exigiu nenhum valor fixo” da vítima, mas admitiu que “pediu uma ajuda”.</p>



<p>No processo, as páginas da transcrição do interrogatório confirmam que Emerson Jhuan “admite que criou uma história de que ela estaria em perigo de vida, mas tudo com o intuito de se aproximar sentimentalmente da mesma”.</p>



<p>Algumas linhas abaixo, ele dá mais detalhes da narrativa que inventou: “&#8230;havia descoberto um plano do marido contra a vida dela e que gostaria de oferecer proteção a sua vida (&#8230;) queria que a vítima sempre solicitasse a sua presença física para fazer sua ‘segurança’, sempre com intuito de estar perto dela; que toda a história contada é inverídica”.</p>



<p>Ele também confessou que, para impressionar o alvo, “mentiu quando falou que estaria de serviço” do trabalho como policial militar. Mentiu também quando falou que trabalhou por sete anos no Batalhão de Trânsito e quando disse que era “caveira”.</p>



<p>Sobre as munições de uso restrito apreendidas em sua residência, Emerson disse que “acredita que esqueceu no bolso após ter frequentado algum stand de arma de fogo”. Em relação aos demais itens policiais apreendidos, Emerson respondeu que havia comprado na &#8220;feira do troca&#8221; e que eles seriam para “gravar vídeos de personagens policiais”.</p>



<p>Sobre o distintivo que aparece usando nas imagens de câmera de segurança anexadas ao inquérito, conforme atestou a vítima em depoimento, o influenciador digital disse que o achou descartado no lixo.</p>



<p>Emerson disse à polícia que não anda armado, mas que já teve um armamento de <em>airsoft</em> (umjogo onde os jogadores participam de simulações de operações policiais ou militares com armas de pressão que atiram projéteis plásticos). O influenciador digital também admitiu que não tem relação de confiança com a governadora, nem com a vice-governadora. Ao fim do depoimento, ele disse que está sofrendo perseguição política por causa do seu “trabalho investigativo”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Arrependido&#8221;</h3>



<p>Emerson Jhuan atendeu ao pedido da equipe de reportagem para se posicionar em relação à decisão da Justiça de levá-lo a julgamento. Ele confirmou a sequência de fatos verificados na investigação do GOE, mas diz que está de “cabeça erguida” porque se arrependeu do que fez.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Leia abaixo a íntegra da resposta enviada pelo influenciador digital:</li>
</ul>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>&#8220;Agradeço contato e, sobretudo, pelo respeito ao direito à ampla resposta, princípio fundamental para o exercício responsável do jornalismo.</p>
<p>Sobre a conclusão do inquérito conduzido pelo Grupo de Operações Especiais (GOE) e seu desdobramento em ação penal, recebo com naturalidade e de cabeça erguida, ciente das minhas responsabilidades e preparado para assumir as consequências dos meus atos. Em nenhum momento neguei os fatos constantes nos autos, até porque houve, de minha parte, arrependimento sincero. Inclusive, já tive a oportunidade de pedir desculpas à vítima, o que fiz de forma direta e respeitosa.</p>
<p>Em relação às tentativas de notificação, esclareço que, embora eu não resida mais no endereço anteriormente informado, continuo tendo vínculo com o imóvel e recebo correspondências normalmente. Além disso, meu endereço atual e os contatos dos meus advogados estão devidamente disponibilizados à Justiça, e já fui intimado em outras ocasiões, tanto por meio eletrônico quanto presencialmente. Por isso, coloco-me, como sempre estive, à disposição para todos os esclarecimentos necessários.</p>
<p>Agradeço novamente pela oportunidade de me manifestar.&#8221;</p>
	</div>



<p></p>



<p><br></p>



<p></p>
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			</item>
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		<title>Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/empresarios-apagam-videos-das-bandas-da-farra-dos-caches-de-olinda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 18:45:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
		<category><![CDATA[cachês do carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025 já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025</a> já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre a farra dos cachês, publicada pela <strong>Marco Zero</strong>. A <strong>MZ</strong>, no entanto, baixou e salvou a maioria dos filmes e fez um compilado dos &#8220;melhores momentos&#8221;. Confira:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Compilado shows (Reportagem Farra dos Cachês)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/IlYsLYhzT8U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><br><br>Os primeiros vídeos a serem retirados foram do cantor Maurinho e banda, que tinha as imagens de suas apresentações postadas na página da empresa M. Lira Produções. Maurinho recebeu R$ 120 mil em cachê por três shows em Rio Doce. Dois deles foram em festas promovidas por blocos e outro no polo oficial da prefeitura. Para efeitos de comparação, a tradicional Pitombeira dos Quatro Cantos recebeu R$ 123 mil por vários desfiles ao longo de todo o ano de 2025.</p>



<p>A M. Lira pertence ao empresário Marcos Pinheiro de Lira Júnior. De acordo com o site <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=13444210000110&amp;nomeFornecedor=M%20LIRA%20PRODUCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tome Conta</a>, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), a produtora forneceu camisetas para um festival de teatro patrocinado pela prefeitura em 2012, mas só voltou a prestar serviços para o poder público em Pernambuco em 2024. A empresa participou de 17 licitações em Pernambuco, gerando em seu favor 24 empenhos municipais das prefeituras de Goiana, Gravatá, Jucati e Olinda, além de outros quatro empenhos emitidos pelo Governo do Estado.</p>



<p>Em 2025, a prefeitura de Olinda emitiu 11 empenhos em favor desse CNPJ, dos quais nove foram efetivamente pagos, todos direcionados para fazer pagamentos a atrações do Carnaval: Rabo da Gata, Pegada Prime e o já mencionado Maurinho.</p>



<p>À noite, foram retirados os vídeos da banda Arreda e Dance, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil para cada apresentação, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows tinham comprovação publicada no Youtube. Em contato com o produtor da banda, a reportagem questionou quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. Recebeu como resposta a informação que seria entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=36486990000167&amp;nomeFornecedor=BRENO%20NASCIMENTO%20DE%20ANDRADE%20PRODUCOES&amp;tipoCredorPessoa=2">site do TCE</a>, a produtora da Arreda e Dance, a AO Produções, foi beneficiária de 25 empenhos de duas prefeituras, todos no ano de 2025. Desse total, 14 empenhos são da prefeitura de Goiana e 11, de Olinda. Entre os empenhos de Olinda, cinco foram pagos e seis deles acabaram sendo anulados e substituídos em seguida pelos outros que foram efetivamente pagos, tendo como objetivo o pagamento das bandas Amarula e Forrozão Arreda e Dance.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" class="titulo">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Não tenho nada a ver com Mirella e Lupércio&#8221;</h2>



<p>A AO Produções, junto com outras três empresas cujas bandas foram beneficiadas por contratos com cachês no valor em torno de R$ 50 mil por apresentação, dividem o mesmo endereço, o número 1000 da rua Maria Luiza da Silva, em Igarassu, Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>De acordo com o empresário Anderson Oliveira, pai do responsável jurídico pela produtora, o jovem Breno Nascimento de Andrade, as bandas Amarula e Arreda e Dance apenas cumpriram aquilo que dizia o edital da prefeitura. Segundo ele, seu maior desconforto com a publicação da reportagem &#8220;foi ver meu nome como se eu estivesse metido com Mirella e Lupércio, pois eu nem gosto desses dois, não tenho nada a ver com essa mulher e esse homem. Politicamente para mim é péssimo vocês terem me colocado junto com esses dois&#8221;. Anderson diz ser comunista, do PCdoB, há 25 anos.</p>



<p>Segundo o empresário, sua empresa ainda tem dinheiro a receber da prefeitura de Olinda. Realmente, de acordo com o Tome Conta, um empenho de R$ 50 mil relativo a um show da banda Amarula aparece como liquidado, mas com o pagamento ainda em aberto. Questionado diretamente pela <strong>MZ</strong> se teve de dividir o valor dos cachês com algum vereador ou gestor municipal de Olinda, ele negou: &#8220;não trabalho com isso, não&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Trabalhismo e profissionalismo&#8221;</h3>



<p>A única artista citada na reportagem que entrou em contato com a <strong>Marco Zero</strong> foi a cantora Natália Rosa. Agenciada pela MSC Promoções, ela tem 24,5 mil seguidores em seu perfil de Instagram. Segundo o portal da transparência da Prefeitura de Olinda e o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=47534968000161&amp;nomeFornecedor=MSC%20PROMOCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2">portal do TCE</a>, ela fez dois shows no Carnaval 2025 com cachês de R$ 70 mil cada, recebendo, portanto, R$ 140 mil da gestão. As apresentações foram nos blocos Rainha e Urso do Pote de Ouro.</p>



<p>De acordo com sua assessoria de imprensa, “o cachê atualmente praticado pela artista Natalia Rosa é fruto de um processo contínuo de construção de carreira, pautado pelo trabalho, profissionalismo e investimento em divulgação e posicionamento artístico”.</p>



<p>Com presença em programas de televisão em Pernambuco e na Paraíba, “além de citações e matérias publicadas na Folha de Pernambuco”, ela teria – sempre de acordo com a assessoria -, conquistado um “histórico de visibilidade, aliado ao crescimento do público e à consolidação de sua atuação no mercado musical, compõe critérios objetivos e legítimos para a definição de cachê, conforme as práticas adotadas no setor cultural”.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/empresarios-apagam-videos-das-bandas-da-farra-dos-caches-de-olinda/">Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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