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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Raquel Lyra recua e muda decreto que não garantia gratuidade de passagem com antecedência para votar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2026 01:51:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O decreto de gratuidade de passagem, publicado por Raquel Lyra (PSD), nesta quinta-feira, 22 de outubro, terminou causando novas denúncias contra a governadora reeleita e agora também contra a Progresso, uma das principais empresas de viação que atuam em Pernambuco. No início da noite de sexta-feira, a governadora recuou, revogando o decreto que estabelecia como [&#8230;]</p>
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<p>O decreto de gratuidade de passagem, publicado por Raquel Lyra (PSD), nesta quinta-feira, 22 de outubro, terminou causando novas denúncias contra a governadora reeleita e agora também contra a Progresso, uma das principais empresas de viação que atuam em Pernambuco. No início da noite de sexta-feira, a governadora recuou, revogando o decreto que estabelecia como facultativa a emissão antecipada das passagens gratuitas pelas empresas de ônibus e tornou como obrigatória a emissão.</p>



<p>O decreto, publicado após pressão da oposição e da sociedade civil, assegurava que o transporte intermunicipal seja gratuito para que eleitores fora do seu domicílio eleitoral consigam se deslocar para votar no segundo turno, no domingo, 25 de outubro. No entanto, em seu artigo 3°, afirmava que fica &#8220;facultado às empresas prestadoras emitir os bilhetes gratuitos com antecedência de até 48 horas, a partir da 0h do dia 23 de outubro de 2026&#8221;. Isso gerou queixas e denúncias de gente que mora mais distante, precisa se deslocar com antecedência e relata que não conseguiu a passagem de graça.</p>



<p>Em um vídeo que circula na internet, moradores de Petrolina, no sertão, tentam retirar o bilhete gratuito na Progresso, mas, segundo o relato, esbarram com a negativa da empresa. A situação, denuncia o material, teria atingido cerca de 30 pessoas.</p>



<p>Segundo o internauta que grava a situação, os funcionários estariam alegando que o decreto da governadora atendia apenas viagens com até 75 quilômetros de distância. Essa determinação, porém, não consta na publicação do Governo do Estado.</p>



<p>O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) também denunciou em suas redes que recebeu várias denúncias de que a mesma empresa estaria se negando a prestar informações pelo serviço de atendimento ao consumidor (SAC) sobre a garantia da gratuidade da passagem para quem precisasse viajar no sábado e que, indo ao guichê, a empresa também estaria se negando a garantir o direito.</p>



<p>A resolução emitida pela Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI), entre suas determinações, assegura que &#8220;a gratuidade aos usuários no segundo turno das Eleições Gerais de 2026, em 25 de outubro de 2026, desde que solicitada nos guichês das empresas, no período compreendido entre às 0h do dia 23 às 23h59min do dia 25 de outubro&#8221;.</p>





<p>Diante desta situação, o advogado Pedro Josephi, coordenador da Frente de Luta pelo Transporte de Pernambuco, e o dirigente estadual do PT Adriano Costa protocolaram requerimentos no Procon Recife e no Procon Pernambuco pedindo a fiscalização das empresas de ônibus intermunicipais reguladas pela EPTI. No pedido, o foco é o Terminal Integrado de Passageiros (TIP) e os guichês de venda.</p>



<p>A gratuidade foi garantida após cobranças da Justiça Eleitoral e da representação apresentada pela Frente à Procuradoria Regional Eleitoral, com cópia à Defensoria Pública da União e ao TRE-PE.</p>



<p>Pelo decreto, o eleitor apresenta o título de eleitor ou o e-Título e um documento oficial com foto para receber o bilhete de ida até a cidade onde vota. Na volta, mostra o documento, o comprovante de votação e o bilhete de ida. O decreto também obriga as empresas a divulgar as regras nos guichês e nos canais digitais e a operar no domingo com frota e horários no mínimo iguais aos de um dia útil.</p>



<p>&#8220;Um direito no papel não basta. O eleitor precisa chegar ao guichê e sair com a passagem na mão, sem exigência a mais e sem ouvir que não tem vaga. Por isso pedimos ao Procon que esteja no TIP de sexta a domingo&#8221;, afirma Pedro Josephi.</p>



<p>A promotora de Justiça do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Shirley Patriota, determinou que a EPTI fosse notificada para garantir o ajuste que determina &#8220;expressamente que a disposição sobre a faculdade da oferta/emissão da gratuidade na sexta-feira (23/10) e no sábado (24/10) não deve vigorar, passando tal medida a ser de caráter estritamente obrigatório para todas as empresas operadoras, garantindo assim que os eleitores que precisam viajar com antecedência devido às grandes distâncias não sejam prejudicados&#8221;.</p>



<p>A Frente orienta o eleitor que tiver a passagem negada a anotar o nome da empresa, o guichê e o horário, e a denunciar ao Procon, ao Ministério Público Eleitoral, à Defensoria Pública da União ou à Ouvidoria do TRE-PE, pelo WhatsApp (81) 98200-9005. Na Região Metropolitana do Recife, os ônibus serão gratuitos no domingo das 4h às 19h30, sem necessidade de apresentar documento.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que o governo do Estado disse:</span>

		<p>A Marco Zero havia entrado em contato com o Governo do Estado questionando se estavam cientes dessa situação, o que justificaria o artigo 3º do decreto apresentar a condição de gratuidade com antecedência de 48h como sendo algo facultativo, e não obrigatório,  se o governo pretende tomar alguma medida e, por fim, o que tinham a dizer sobre a denúncia em relação aos 75 quilômetros estipulados pela empresa Progresso.</p>
<p>Em nota, o Governo do Estado por meio da EPTI afirmou que &#8220;todas as empresas foram notificadas para garantir o cumprimento do decreto estadual e das regulamentações que atendem à determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na tarde desta sexta-feira (23), seguindo recomendação do Ministério Público, a EPTI notificou novamente as empresas, reforçando a obrigatoriedade&#8221;.</p>
<p>Complementou reiterando que &#8220;caso seja comprovado o descumprimento por parte de alguma empresa concessionária, ela estará sujeita a sanções por parte da EPTI. O descumprimento da legislação também poderá ser comunicado ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral para a apuração de eventual responsabilidade pela prática de crime eleitoral.&#8221;</p>
<p>Sobre os 75 quilômetros, informaram que não tinham novas atualizações sobre o caso.</p>
	</div>



<p></p>
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		<title>Governo do Estado é pressionado para garantir gratuidade de transportes no segundo turno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 21:48:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Às vésperas do segundo turno das eleições, diferentes instituições intensificaram a pressão sob o Governo de Pernambuco para garantir a gratuidade do transporte público urbano e intermunicipal em todo o estado no dia da votação. Em manifestações encaminhadas à gestão estadual, Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), Ministério Público Eleitoral (MPE), Ministério Público de Pernambuco [&#8230;]</p>
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<p>Às vésperas do segundo turno das eleições, diferentes instituições intensificaram a pressão sob o Governo de Pernambuco para garantir a gratuidade do transporte público urbano e intermunicipal em todo o estado no dia da votação. Em manifestações encaminhadas à gestão estadual, Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), Ministério Público Eleitoral (MPE), Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a Federação Brasil da Esperança defenderam a medida como condição para assegurar o direito ao voto.</p>



<p>Até o fechamento deste reportagem o governo Raquel Lyra não se posicionou.</p>



<p>A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, fez um pedido ao TRE-PE argumentando que a gratuidade adotada no primeiro turno apenas na Região Metropolitana do Recife deveria ser ampliada para todo o território pernambucano. O presidente da federação em Pernambuco, Carlos Veras, sustentou que o custo das passagens não pode se tornar um obstáculo ao exercício do voto, especialmente para moradores do interior.</p>



<p>“O direito ao voto não pode depender do dinheiro da passagem. Cabe ao Governo do Estado cumprir a legislação e garantir transporte gratuito em todo Pernambuco, para que ninguém deixe de votar por falta de transporte”, afirma Carlos Veras.</p>



<p>Após analisar o pedido, o TRE-PE encaminhou, na última segunda-feira (19), o ofício à governadora Raquel Lyra cobrando providências para garantir transporte intermunicipal gratuito em todas as regiões do estado, incluindo Zona da Mata, Agreste e Sertão. </p>



<p>O tribunal ressaltou que a gratuidade nos dias de votação não é uma escolha administrativa, mas uma obrigação prevista na legislação eleitoral, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF nº 1.013/DF e expressamente disciplinado pelo art. 23 da Resolução TSE nº 23.751/2026. Também defendeu que a operação ocorra com frequência semelhante à praticada em dias úteis.</p>



<p>O Ministério Público Eleitoral reforçou a cobrança ao notificar empresas de transporte para que mantenham a oferta de ônibus em nível compatível com os dias úteis e divulguem previamente itinerários e horários disponíveis. A instituição alertou que a redução do serviço no dia da eleição pode configurar impedimento ao exercício do voto e solicitou informações à Justiça Eleitoral sobre o atendimento a moradores de áreas rurais, comunidades indígenas, quilombolas e demais populações tradicionais.</p>



<p>Já o MPPE direcionou sua atuação à Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) e à Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi). O órgão recomendou a manutenção integral das linhas e da frota, sem redução de horários, além da fiscalização do cumprimento da gratuidade pelas operadoras. Também pediu planejamento específico para atender pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e a criação de canais de atendimento para registro de problemas durante o dia da votação.</p>



<p></p>
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		<title>Conheça as igrejas evangélicas em Pernambuco que não apoiam a extrema direita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Oct 2026 18:50:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Batista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O eleitorado cristão voltou ao centro das atenções de candidatos e coordenadores de campanhas eleitorais. Nas eleições anteriores, as principais lideranças evangélicas e católicas se vincularam ás candidaturas de direita e, principalmente, de extrema direita. No entanto, o segmento está longe de ser monolítico, tanto que, em 2026, diversos grupos evangélicos se aproximaram do campo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O eleitorado cristão voltou ao centro das atenções de candidatos e coordenadores de campanhas eleitorais. Nas eleições anteriores, as principais lideranças evangélicas e católicas se vincularam ás candidaturas de direita e, principalmente, de extrema direita. No entanto, o segmento está longe de ser monolítico, tanto que, em 2026, diversos grupos evangélicos se aproximaram do campo progressista em Pernambuco. </p>



<p>A menos de uma semana das eleições, a corrida presidencial mostrou o cenário que já vinha se desenhando anteriormente, segundo o Datafolha: entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o atual presidente detém a maior fatia das intenções de votos entre os católicos, com 45% contra 33% do concorrente. Entre os evangélicos, ele leva 27% do eleitorado. </p>



<p>O relatório <em><a href="https://institutodx.org/narrativasreligiosas/relatorio9/" data-type="link" data-id="https://institutodx.org/narrativasreligiosas/relatorio9/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral</a></em> mostra o desenho do eleitorado evangélico neste período. A pesquisa do Instituto Democracia em Xeque e Casa Galileia é realizada quinzenalmente a partir de discussões em redes sociais de organizações, lideranças e políticos ligados ao campo evangélico. O levantamento indica que &#8220;convergem em narrativas que associam o governo a problemas diversos e apresentam a rejeição a Lula como argumento para o voto em Flávio”.</p>



<p>Já entre os evangélicos de esquerda, o período é marcado por uma mobilização eleitoral mais massiva. “A campanha ganha centralidade entre perfis evangélicos de esquerda, com pedidos de voto, divulgação de eventos, críticas e estímulo ao compartilhamento. Ao mesmo tempo, lideranças contestam a ideia de um ‘voto evangélico’ homogêneo e disputam as relações entre fé, democracia e política”, indica o levantamento.</p>



<p>De acordo com a pesquisadora em Comunicação, Religiões e Política no Instituto de Estudos da Religião (Iser) e editora-geral do Coletivo Bereia, Magali Cunha, a pesquisa <a href="https://iser.org.br/religiaoevidapublicanobrasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Religião e Vida Pública</a> do Iser mostrou que a população evangélica é muito participativa nos espaços digitais e a maioria deste grupo se informa sobre política pelas plataformas de mídias sociais. Significa que a forma de comunicação eleitoral com evangélicos via mídias sociais é decisiva.</p>



<p>Cunha confirma que, apesar do eleitorado evangélico ser majoritariamente mais conservador, ele também é composto por pessoas com outras identidades além da fé. “Que segue não apenas indicações feitas nas igrejas, mas tendências sociais que mostram um país dividido com base em emoções, em um anti-determinado candidato/partido”, explica.</p>



<p>“O voto é a decisão que leva em conta todas as expectativas, avaliações e projeções de vida, do cotidiano, relacionadas a essas identidades. Por isso, o eleitorado evangélico é plural, não homogêneo majoritariamente, mas não radicalmente conservador, com uma parcela significativa que vota nas esquerdas e um grupo &#8216;pendular&#8217; que decide a partir do que percebe nos movimentos de campanha”, complementa.</p>



<p>“Sempre houve nas igrejas evangélicas brasileiras os grupos mais conservadores e os grupos mais abertos, progressistas que são herdeiros da tradição teológica do evangelho social”, lembra a pesquisadora, reforçando que as igrejas evangélicas brasileiras são marcadas por uma pluralidade. Entretanto, os grupos hegemônicos, ou seja, que possuem mais patrimônio, maior distribuição territorial, acabam tendo mais voz e mais mídia, causando uma percepção de voz única dentro do campo evangélico.</p>



<p>“É interessante que, mais recentemente, durante o período de avanço da extrema direita no Brasil, a partir de 2014, é que nós vamos ver os conflitos aparecerem. Essa negação da pluralidade, a negação da existência de tendências teológicas diversas e a construção de um discurso único que seria o discurso verdadeiro e que tudo aquilo que não fosse dentro desse discurso único, ultraconservador, seria contra a realidade da igreja e deveria ser extirpado”, aponta Cunha.</p>



<p>A especialista ainda reforça que os grupos mais alinhados à esquerda com pautas que abraçam os direitos humanos continuam resistindo. “A gente tem tendências teológicas, leituras e interpretações diversas. Dentro dessa pluralidade enorme, há os grupos que leem na Bíblia e se alimentam de uma leitura de uma fé que os impele a atuar por direitos humanos e por justiça social”, conta.</p>



<p>“No Brasil, a gente tem muitos grupos hoje que são herdeiros dessa tradição: o movimento negro evangélico, movimentos de mulheres, movimentos feministas, movimentos por justiça na moradia, movimentos por justiça ambiental, movimentos contra a pobreza, por igualdade de renda, movimentos por trabalhadores. São muitos grupos espalhados Brasil afora, com todas essas pautas relacionadas a direitos humanos, em especial na defesa da vida, acima de tudo, a vida humana e a vida não humana, refletida no meio ambiente”, conclui.</p>



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	                                        <p class="m-0">Igreja em Olinda existe há 33 anos e acolhe fiéis LGBTQIA+
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<h2 class="wp-block-heading">Pelo direito de existir e resistir na fé</h2>



<p>“A gente tem uma escolha não neutra, que é exatamente lutar por pessoas que as outras igrejas não querem. Os outros espaços religiosos não apoiam essas pessoas. A população negra e LGBT não tem voz, não tem vez. E aqui, na Igreja Batista de Bultrins, desde 2023, quando nós ordenamos a primeira pastora lésbica batista, fizemos uma decisão de acolher pessoas LGBT nessa igreja exatamente para que esse espaço seja um espaço acolhedor para todas as pessoas”, conta o pastor Bruno Aguiar.</p>



<p>A Primeira Igreja de Bultrins nasceu há 33 anos na comunidade Vila Esperança, no bairro dos Bultrins, em Olinda, Região Metropolitana do Recife. Bruno explica que a igreja já surgiu em um contexto de atender pessoas que têm direitos violados, como os mais pobres e, mais recentemente, reforçando o acolhimento da comunidade LGBT com a Pastoral da Diversidade.<br><br>Em agosto, a igreja foi reinaugurada, após reparos em parte do teto, que havia caído meses antes. No culto de reinauguração, foi possível ver a pluralidade dos fiéis que participaram. Pessoas trans, gays e lésbicas trabalhando pela obra e louvando o Deus cristão com a segurança de que aquele também é o espaço deles.</p>



<p>Augusto Neto é um dos integrantes da Pastoral da Diversidade. Professor universitário, arquiteto e urbanista, comunista e não binário, que anteriormente foi convidado a se retirar junto com a esposa, uma mulher feminista, de uma igreja tradicional por questionar padrões da instituição. Na PIB, enxergou um lugar para professar a sua fé sem medo.</p>



<p>“Eu comecei a frequentar Bultrins e percebi que, em nenhum momento, a igreja pediu para que eu abandonasse a minha sexualidade. Bultrins, em nenhum momento, pediu para que eu abandonasse o meu entendimento político, não só enquanto  uma pessoa progressista, mas uma pessoa comunista”, relata.</p>



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<iframe title="Fé, política e inclusão: O que pensam os evangélicos progressistas no Brasil? | Territórios do Voto" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/LuQ7R5BGDp0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Apesar de ter uma identidade política demarcada e de ter muitos integrantes de esquerda, Neto enxerga como problemático colocar a igreja dentro da caixa progressista. “A gente não está sendo progressista. A gente está sendo bíblico, muitas vezes. Em aceitar as pessoas do jeito que elas são. Em falar sobre o pecado quando a gente fala sobre o mal que ele faz ao outro e que faz a si mesmo. Não o pecado como uma característica sua de nascimento enquanto pessoa gay ou lésbica”, argumenta.</p>



<p>As mulheres de fé também são parte central nos debates sobre a democracia. Pensando nessas reflexões, o projeto <a href="https://pastoralvivas.org/" data-type="link" data-id="https://pastoralvivas.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pastoral Vivas</a>, uma iniciativa de três organizações, o Instituto Lamparina, Casa Galileia, e Novas Narrativas Evangélicos, que buscam dialogar o campo da justiça reprodutiva com as mulheres que possuem alguma fé, em sua maioria as mulheres evangélicas.</p>



<p>A proposta é subverter a fé da ideia de controle e aplicá-la no campo do cuidado, justiça, escuta e liberdade. Para isso, são criados espaços seguros de comunhão, redes de apoio e leituras bíblicas, em um trabalho coletivo para garantir a dignidade das mulheres.</p>



<p>“Quando a gente fala de justiça reprodutiva a gente fala de algo mais amplo mesmo, de pensar contracepção ou não pensar, pensar de segurança de criar esses filhos que quer ter inclusive para que se possam crescer os filhos que se quer ter. Mas também de saúde reprodutiva e aborto. Não dá para negar essa pauta”, afirma Débora Oliveira, coordenadora da Pastoral Vivas e do Instituto Lamparina.</p>



<p>Débora reforça que a dinâmica parte de um processo de troca, pensando em construção de conhecimento com encontros on-lines e presenciais. Um dos resultados dos encontros até aqui foi o <em>Guia Narrativo da Pastoral Vivas</em>, que reúne estudos bíblicos, cartas escritas por mulheres de fé, orações e um glossário para conversar sobre a vida das mulheres a partir da dinâmica da fé, sobretudo cristã.</p>



<p>Ao olhar para esse eleitorado, o de mulheres evangélicas, Débora conta que a Lamparina tem feito análises de conjuntura e enxerga que as mulheres de fé não têm o voto convencido apenas pelo candidato que professa sua mesma religião, mas leva os fatores da vida cotidiana em consideração na hora de escolher.</p>



<p>“Esse é um campo que não tá decidido. As mulheres evangélicas são sujeitos políticos de muita autonomia e que pensam política muito a partir do chão das suas vidas, da concretude das suas vidas. Elas estão olhando também pro candidato que se diz evangélico, mas elas estão olhando também pro que esse candidato que se diz evangélico diz, elas estão olhando também pro candidato que não se diz evangélico e o que ele diz, porque elas sabem o preço do supermercado quando sobe, elas sabem como é a política do Vale Gás, por exemplo, são elas que recebem Bolsa Família, que criam seus filhos”, pontua.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Deus, nós e a natureza</h2>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>O bem-estar comunitário fora da comunidade evangélica também atravessa congregações vistas como tradicionais, é o caso da Igreja Batista de Coqueiral (IBC). Com 100 anos de existência, esta é a instituição mais antiga do bairro da zona oeste do Recife. Hoje, é presidida pelo pastor José Marcos da Silva, que integra a equipe de 11 pastores há 23 anos.</p>



<p>A integração com a comunidade aconteceu após diversos eventos que provocaram a reflexão das lideranças sobre a relevância daquela congregação na comunidade. Primeiro, começaram com ações para as crianças, seguiram com projetos de empregabilidade e qualificação para jovens, até perceberem a necessidade de uma formação política para à luz das mazelas estruturais que a comunidade enfrentava.</p>



<p>Assim foi criada a Escola de Fé e Política, que levou letramento político para que a comunidade compreendesse o “pecado estrutural”, como eles se referem às mazelas estruturais que atravessam as periferias, como racismo, questões ambientais, violações de direitos.</p>



<p>“Esse movimento de buscar compreender isso, que fez a igreja de Coqueiral ser uma igreja que, quando chega a polarização e o bolsonarismo e captura a igreja evangélica, a igreja de Coqueiral não precisou fazer nada para não ser capturada. Por quê? Porque ela tinha aí pelo menos oito, nove anos que já vinha em formação política e compreende que essa captura ela se deu justamente porque o povo evangélico não era politizado”, avalia.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;É quando a velha frase de Dom Helder caiu como uma luva em nós: se dou pão ao pobre, me chamam de santo, mas quando pergunto por que o pobre não tem pão, me chamam de comunista&#8221;</p>
</div>


<p>A igreja também está ligada a discussões sobre o racismo ambiental em áreas banhadas pelo rio Tejipió. Em 2016, instituiu o Projeto Rio Limpo Cidade Saudável, com apoio de uma organização internacional, para atuar com educação socioambiental e fomento a políticas públicas para a região.  </p>



<p>Foi no berço das discussões socioambientais que nasceu o movimento Nós na Criação, que começou como um grupo de estudos de jovens da IBC e agora tem uma trajetória própria olhando para o campo evangélico a partir de discussões que disseminam o pensamento ecoteológico. </p>



<p>A ecoteologia é uma corrente que une a teologia à ecologia, refletindo sobre a fé e a espiritualidade a partir do compromisso com o cuidado da terra e do meio ambiente. &#8220;A ecoteologia nos apresenta que ninguém pode ser obrigado a morar em cima do rio sujeito ou sujeita a ter tudo atropelado pela enchente&#8221;, reflete Josias Vieira Kaeté, pastor da IBC e do Movimento Nós na Criação. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/igreja-Nos-2-2-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/10/igreja-Nos-2-2.jpg" alt="Vista de uma sala residencial simples com paredes brancas e janelas de moldura lilás, onde um grupo de pessoas está reunido em círculo e sentado em diferentes assentos, enquanto uma pessoa toca violão ao centro; o ambiente é iluminado, acolhedor e organizado para um encontro comunitário ou momento de conversa e reflexão." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Grupo Nós na Criação promove reflexões unindo ecologia e teologia
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Nesta perspectiva, o movimento organiza encontros mensais com pessoas de diferentes igrejas para pensar sociedade e justiça socioambiental. &#8220;A gente olha a partir do prisma do próprio Jesus de Nazaré, quando ele fala de equidade e não fala de igualdade, né? Quando ele diz que se fulano tem mais necessidade, ele tem que ter mais acesso. Se beltrano tem menos necessidade do que fulano, ele vai ter menos acesso, porque tem que ser o suficiente. Não pode sobrar na mesa de ninguém, porque quando sobra na mesa de alguém é porque faltou na do outro&#8221;, pontua Kaeté.</p>



<p>Com experiências que não os contemplava em igrejas, o designer gráfico Thiago Ferreira e a estudante de Serviço Social Dalethe Melissa, encontraram no grupo uma nova forma de olhar o mundo e o evangelho. Ambos cresceram em um contexto conservador que já não fazia sentido para o que acreditavam enquanto jovens politizados.</p>



<p>Melissa conheceu o Nós na Criação em 2021 na busca de uma nova narrativa que contemplasse o evangelho e que olhasse para as questões sociais. &#8220;Eujá estava me aproximando também da pauta socioambiental. Ter encontrado um espaço que dialogasse sobre como que a gente se relaciona na natureza, sobre perspectiva indígena, perspectiva ecoteológica, sobre decolonialidade. Foi me encontrar&#8221;, aponta. </p>



<p>Thiago conta que passou por diferentes cenários evangélicos, mas não se encontrou em nenhum deles. Chegou a montar uma igreja com amigos no Curado que promovia estudos bíblicos para o público em geral, inclusive não evangélicos. Foi nesta época que conheceu o pastor Josias e a sua companheira, Jéssica. Iniciou na escola de Fé e Política e seguiu para o Nós na Criação. </p>



<p>Ele conta que foi o encontro com esses grupos que percebeu que a relação com os pastores e igreja poderia ser diferente: &#8220;foi a primeira vez que eu tive uma relação de amizade, de igualdade com um pastor. O pastor sempre estava no lugar acima de nós, o anjo da igreja. E essa foi a primeira vez que eu vi que ele era um ser humano normal, que tem defeitos igual a mim, que tem estudos igual a mim, e que era um pastoreio mútuo. Eu também ajudava, ele me ajudava. Então eu percebi que ele não é um anjo, é uma pessoa normal. E infelizmente acontece muito nas igrejas esse endeusamento com as lideranças pastorais e espirituais&#8221;.</p>
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		<title>No Recife, Lula joga em casa contra bets, Vorcaro e Bolsonaro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 19:19:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto Costa]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Lula no Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Marília Arraes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com colaboração de Jorge Cavalcanti A nove dias das eleições e diante de uma multidão no Marco Zero do Recife, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e candidato ao governo “Lula 4” fez da caminhada, ao lado de aliados, um palanque contra bets, o banqueiro Daniel Vorcaro e seu principal adversário, Flávio Bolsonaro [&#8230;]</p>
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<p><strong>Com colaboração de Jorge Cavalcanti</strong></p>



<p>A nove dias das eleições e diante de uma multidão no Marco Zero do Recife, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e candidato ao governo “Lula 4” fez da caminhada, ao lado de aliados, um palanque contra <em>bets</em>, o banqueiro Daniel Vorcaro e seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). Essas têm sido suas principais bandeiras na reta final da campanha. Lula foi enfático, ao atacar a oposição, dizendo que o Brasil está diante de uma disputa entre “verdade e mentira” e “democracia e apartheid”.</p>



<p>O presidente também antecipou que anunciará, ainda nesta sexta-feira, 25 de setembro, em São Paulo, o fim das casas de jogos de azar online. O anúncio deve ser feito por por meio de Medida Provisória. Lula ressaltou ainda, em seu discurso, em cima de um trio elétrico, a importância do voto feminino e do combate à violência contra a mulher.</p>



<p>Ao lado do ex-prefeito do Recife e candidato a governador João Campos (PSB) e dos candidatos ao Senado Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), que tenta a reeleição, ele discursou por pouco menos de 30 minutos. O evento reuniu a estrutura da Frente Popular num dos principais cartões-postais da capital.</p>



<p>Boa parte do discurso do candidato foi construída em cima da ideia de que os eleitores terão que escolher, nas urnas, entre aquilo que ele apresenta como “verdade” e aquilo que atribui aos adversários como “mentira”. “É essa verdade que vamos ter que colocar no debate com os mentirosos, porque eles só sabem mentir. Agora temos dez dias para fazer com que a verdade vença a mentira”, afirmou.</p>



<p>O presidente também apresentou a eleição como uma disputa entre “democracia e apartheid” e recuperou duras críticas à condução do ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período da pandemia de covid-19. Lula chegou a afirmar que votar na família Bolsonaro seria votar também “em Vorcaro” e na “quadrilha da Previdência Social”.</p>



<p>O ato aconteceu na semana em que notícias revelaram a escalada do escândalo envolvendo a ligação entre o dono do Banco Master e Flávio. Novas mensagens recuperadas pela Polícia Federal, no celular de Vorcaro, apontam menções a seis encontros, além de sucessivas conversas e cobranças por recursos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A PF também identificou que o senador tentou falar com Vorcaro nos quatro dias anteriores à prisão do banqueiro e, em uma mensagem, se declarou: “estou e estarei contigo sempre”.</p>



<p>A caminhada de Lula no Recife também acontece poucos dias após a abertura da Assembleia Geral da ONU, em que ele transformou o discurso diplomático em uma defesa da soberania brasileira, dando um recado semelhante ao desta sexta (25) ao dizer que as eleições de 4 de outubro colocarão o país diante de uma escolha entre “democracia e negacionismo”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/Lula-Stuckert.jpg" alt="Fotografia panorâmica do Marco Zero, no Recife, mostrando uma grande manifestação pública com milhares de pessoas concentradas na praça e nas áreas próximas ao cais, predominando as cores vermelha e amarela em bandeiras, faixas e cartazes de apoio ao presidente Lula; em primeiro plano, a multidão ocupa praticamente todo o espaço visível, com muitas bandeiras erguidas acima das cabeças, enquanto, ao fundo, aparecem o rio, diversas embarcações decoradas com bandeiras, o quebra-mar e o mar ao horizonte; à direita, vê-se parte da estrutura urbana da área portuária e algumas palmeiras, sob céu parcialmente nublado, compondo uma cena de grande mobilização popular." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Multidão lotou o Marco Zero por terra e mar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Ricardo Stuckert</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong><em>Bets</em> e voto feminino</strong></h2>



<p>O relógio marcava 10h30 quando Lula saiu do Novotel, no Cais de Santa Rita, já em carro aberto, até a praça do Marco Zero, num percurso de pouco mais de um quilômetro feito em aproximadamente 50 minutos. Uma multidão já o acompanhava até o trio elétrico em que o presidente discursou.</p>



<p>A pauta do fim das <em>bets</em> apareceu ainda durante a caminhada, quando Lula exibiu uma cartolina branca com a frase “fim das <em>bets</em>”. E, em sua fala, foi apresentada como uma das prioridades, num tom bastante direto. “Tem muita gente doente por causa do jogo, tem muita gente endividada. Eu quero dizer a vocês: eu vou acabar com as <em>bets</em>”, afirmou.</p>



<p>“Eu não acho correto o povo brasileiro estar devendo, se matando e ficando doente com uma doença chamada ludopatia por causa de jogo”, completou. Em seguida, orientou quem sente vontade de apostar dizendo “Se tiver vontade de jogar, compre um litro de leite”.</p>



<p>Lula também rebateu a reação de clubes de futebol, que têm receitas provenientes de patrocínio e publicidade dessas plataformas. “Os times de futebol não têm direito de querer sobreviver às custas das dívidas dos pobres”, disse. E disparou: “Eles querem mamar nas <em>bets</em>”.</p>



<p>Outro eixo importante do discurso do presidente foi o eleitorado feminino. Lula pediu que as mulheres votem em mulheres e lembrou que elas são maioria entre os eleitores. A estratégia, disse ele, pode resultar em uma presença maior de mulheres no Congresso Nacional. Ele aproveitou para conectar o tema ao combate à violência contra a mulher, sobretudo no ambiente doméstico, e estimulou os homens a dividirem as tarefas do lar com as companheiras. </p>



<p>O presidente só esqueceu um detalhe: a principal adversária de João Campos, que estava ao seu lado, é uma mulher, a governadora Raquel Lyra (PSD). O lapso passou a render memes instantâneos nas redes sociais.</p>



<p>“Precisamos educar os homens para que os homens compreendam que as mulheres que querem morar conosco não são nossas empregadas nem propriedades”, disse. E zombou da postura masculina simulando um homem pedindo serviços à esposa dentro de casa: “Amor, onde está minha toalha? Amor, onde está minha cueca? Amor, a janta está pronta?”. “Você não quer fazer comida? Pelo menos lave a louça”, recomendou. Pediu também que pessoas conversem sobre o assunto em fábricas, escolas e igrejas.</p>



<p>Em uma espécie de pergunta e resposta com a multidão, Lula perguntava “quem criou” e o público respondia “foi Lula”, ao elencar Samu, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Fome Zero, Bolsa Família, Prouni, Fies, Brasil Sorridente, políticas de cotas, além de investimentos em Pernambuco, como BR-101, Transnordestina, Refinaria Abreu e Lima e indústria farmacêutica em Goiana. Ele lembrou da criação de universidades e institutos federais e destacou a geração de empregos e a política de valorização do salário mínimo.</p>



<p>Ao final, Lula aproveitou para explicar ao público a ordem de votação na urna eletrônica e citou os números de João, Marília e Humberto. E pediu mobilização até o primeiro turno e disse que não haverá trégua na reta final.</p>



<p>Apesar de João Campos ter permanecido ao lado de Lula durante todo o evento, o discurso do presidente foi majoritariamente nacional. Para terminar, ele disse “Quem gosta de educação vota em Lula e João”. Depois, repetiu a fórmula para a saúde, falando “Quem gosta de saúde vota em Lula e em João”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Lula reúne jovens e idosos</h2>



<p>“Desde pequena, na minha família, sou incentivada a estar pela minha comunidade, pelo coletivo. Então Lula foi sempre um exemplo, assim como a esquerda e eu me considero uma pessoa de esquerda. Gosto muito das propostas de Lula, ele olha muito para a população, para o pessoal periférico e abraça as minorias. Isso é muito importante para os jovens”, avaliou Mirelle Duarte, 23 anos, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>.</p>



<p>Quem também acompanhou o presidente no Recife foi Maria de Lourdes Santos, 85 anos, socióloga aposentada, para quem Lula tem “compromisso com o Brasil, o povo e a soberania”. “Ele é democrático, gosta do povo, defende a igualdade, não um autoritário fascista, defende os direitos de mulheres, crianças, o Bolso Família e o salário mínimo. Votarei até quando eu puder”, declarou.</p>


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		<title>Instituto AzMina lança projeto para orientar escolas a identificar violência digital de gênero</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 19:53:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Escolas]]></category>
		<category><![CDATA[gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta quinta-feira, 24 de setembro, às 19h, o Instituto AzMina lança o projeto &#8220;Não curto. Não compartilho&#8221;, que reúne uma cartilha educativa e um material audiovisual para auxiliar educadores, escolas, lideranças jovens e famílias sobre o desafio de violências facilitadas pelo uso de tecnologia, sobretudo entre meninas e mulheres. O evento acontecerá online e as [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nesta quinta-feira, 24 de setembro, às 19h, o <a href="https://institutoazmina.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto AzMina</a> lança o projeto &#8220;Não curto. Não compartilho&#8221;, que reúne uma cartilha educativa e um material audiovisual para auxiliar educadores, escolas, lideranças jovens e famílias sobre o desafio de violências facilitadas pelo uso de tecnologia, sobretudo entre meninas e mulheres. O evento acontecerá online e as inscrições são gratuitas através de <a href=". A inscrição é aberta ao público e pode ser feita pelo link: https://hoy.bio/at7rrqfoya." target="_blank" rel="noreferrer noopener">formulário</a>.</p>



<p>Segundo a pesquisa &#8220;Disrupting Harm in Brazil &#8211; Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia&#8221;, a cada cinco adolescentes de 12 a 17 anos, pelo menos uma já foi vítima de exploração ou abuso sexual nesse contexto. São diferentes formas de violências que são agravadas quando crianças e adolescentes têm contato cada vez mais cedo com o mundo digital, principalmente com as Inteligências Artificiais Generativas (IAs).</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/NCNC_INFOGRAFICO-ASSESSORIA-01-HORIZONTAL-1024x724.png" alt="Infográfico com dados sobre violências facilitadas por tecnologias. Informa que 1 em cada 5 adolescentes de 12 a 17 anos foi vítima de exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia. Mostra também que 1 em cada 10 brasileiras sofreu violência digital no último ano e que denúncias de violência digital contra mulheres cresceram 188,6%. O design utiliza ícones de celulares, figuras representando pessoas e destaque visual nas cores laranja, roxo e azul." class="" loading="lazy" width="605">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
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                    </figure>

	


<p>Pensando nisso, o projeto conta com um glossário que cataloga 25 práticas de violência digital de gênero, organizadas em sete categorias. Termos como <em>stalking</em>, <em>deepfake porn</em>, <em>sextorsão</em>, <em>doxing</em>, <em>outing</em> e <em>cyberflashing</em> são definidos e contextualizados, com atenção especial a como essas práticas afetam as pessoas de forma desigual.</p>



<p>Além do glossário, a cartilha oferece pontos de observação para os educadores, como: sinais de alerta para que educadores, familiares e colegas identifiquem quando um estudante pode estar sofrendo violência digital; orientações de acolhimento; boas práticas para grupos de <em>WhatsApp</em>; canais de denúncia e rede de proteção; e atividades pedagógicas interdisciplinares, alinhadas a competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), para trabalhar o tema em Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, Sociologia e Tecnologia.</p>



<p>Como indicação de aplicação em sala de aula e grupos formados por adolescentes e jovens, a cartilha oferece sugestão pedagógica de como conduzir o diálogo a partir do audiovisual, além de outras maneiras de continuar discutindo o tema junto às tradicionais disciplinas escolares. A proposta é de que as discussões sejam feitas em grupos mistos de adolescentes e jovens.</p>



<p>“Gênero, raça, classe e outros determinantes se encontram nas nossas relações, provocando impactos distintos, principalmente entre mulheres e meninas negras, pessoas LGBTQI+, pessoas com deficiências, idosos, etc. Por isso, a nossa proposta é refletir em coletividade, abrir espaço de fala com nossos jovens e construir junto com eles as estratégias de superação”, conta Mari Leal, gerente do PenhaS — Programa de Enfrentamento à Violência de Gênero do Instituto AzMina.</p>



<p>O material é lançado num contexto em que o Brasil discute os limites da regulação de plataformas digitais e o papel da escola na prevenção de violências que já não distinguem <em>online </em>do <em>offline</em>. Após o lançamento, o produto audiovisual e a cartilha ficarão disponíveis gratuitamente, tanto para acesso online como para download no site <a href="https://azmina.com.br/" data-type="link" data-id="https://azmina.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">AzMina</a>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/09/NCNC_INFOGRAFICO-ASSESSORIA-02-HORIZONTAL-1024x724.png" alt="Infográfico sobre “6 sinais de alerta para identificar violência digital de gênero”. Os sinais apresentados são: mudanças de humor, queda no rendimento escolar, faltas recorrentes, uso ansioso ou evitativo do celular, queixas físicas frequentes e comentários indiretos de sofrimento. Cada sinal é acompanhado por exemplos como tristeza, isolamento, baixa concentração, dores sem causa aparente e falas de autodepreciação. Layout em tons de laranja, roxo e azul, com ícones de alerta dentro de janelas que simulam telas de computador." class="" loading="lazy" width="642">
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	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
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		<title>Clarissa Tércio perde pedido de direito de resposta contra o Macumba Ordinária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 19:14:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[aborto legal]]></category>
		<category><![CDATA[Clarissa Tércio]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Macumba ordinária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A candidata a deputada federal Clarissa Tércio (PP) perdeu no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), nesta segunda-feira (14), o direito de resposta por uma publicação feita em 19 de agosto no perfil Macumba Ordinária no Instagram. A publicação afirmava que a parlamentar e o então deputado estadual Joel da Harpa chamaram de &#8220;assassina&#8221; uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A candidata a deputada federal Clarissa Tércio (PP) perdeu no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), nesta segunda-feira (14), o direito de resposta por uma publicação feita em 19 de agosto no perfil <a href="https://www.instagram.com/macumbaordinaria/">Macumba Ordinária</a> no Instagram. A publicação afirmava que a parlamentar e o então deputado estadual Joel da Harpa chamaram de &#8220;assassina&#8221; uma criança de 10 anos, vítima de estupro, que veio do Espírito Santo ao Recife para realizar um aborto legal”.</p>



<p>À época, eles se juntaram a outros fundamentalistas religiosos na porta do Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam/UPE) para impedir que o procedimento fosse realizado. Mesmo em meio a tumulto, gritaria e orações nas porta do hospital, o procedimento foi realizado com sucesso.</p>



<p>Na mesma semana em que a postagem foi realizada, o desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, solicitou a retirada do conteúdo em caráter de urgência. No entanto, após a análise das provas apresentadas por Renato Fonseca, administrador da página, o magistrado argumentou que compreendeu a necessidade de ponderar elementos apresentados pela defesa. </p>



<p>O desembargador foi relator do caso na 44ª Sessão Ordinária do tribunal, que negou o pedido feito pela parlamentar e foi acompanhado por quatro, dos cinco desembargadores que estavam presentes. Entre as argumentações, o relator utilizou das provas apresentadas a partir de produções jornalísticas para afirmar que não havia dúvidas sobre a ocorrência dos fatos.</p>



<p>Para ele, a publicação seria uma síntese crítica sobre um episódio real em que a candidata estava inequivocamente envolvida. Portanto, não haveria falsidade que justificasse direito de resposta. Ao trazer trechos do parecer emitido pela Procuradoria Regional Eleitoral que também julgou o pedido improcedente, o relator também apontou:</p>



<p>“A atuação da justiça eleitoral em debate democrático guia-se pelo princípio da intervenção mínima do debate político, particularmente em redes sociais. E ainda diz, a requerente ataca a publicação sustentando que veicula fato mentiroso, porquanto não haveria prova de ela própria haver conferido a expressão injuriosa ‘assassina’. Porém, documentalmente, fatos que amparam sua publicação como matéria jornalística de veículos respeitados e arremata que inexiste falsidade na premissa de que a criança de 10 anos foi chamada de assassina por integrantes do protesto liderado e integrado pela candidata. Não subsistindo no caso, fato sabidamente inverídico, requisito autorizatório da concessão do direito de resposta”.</p>



<p>A decisão não foi unânime. Durante o julgamento, o desembargador Breno Duarte de Oliveira levantou dúvida sobre a atribuição direta da fala à candidata. Ele reconheceu que houve manifestação hostil, mas questionou se havia elementos probatórios suficientes para afirmar que Clarissa Tércio pessoalmente chamou a criança de assassina. Para ele, seria necessário prova mais palpável, como uma imagem ou registro direto, e não apenas reportagens que falam do grupo em geral.</p>



<p>Contudo, o relator rebateu e relembrou que o movimento foi liderado pela recorrente e outros deputados, e que os jornalistas presentes registraram o coro chamando a criança e a equipe médica de assassinos. Ele argumenta ainda que, estando a candidata inserida e liderando o ato, não seria possível dissociá-la do contexto coletivo. Mesmo que não haja prova individualizada da fala, a participação ativa no movimento já vincula a candidata ao episódio.</p>



<p>Além dos materiais de imprensa utilizados pela relatoria, em 18 de agosto, a parlamentar publicou um vídeo em seu canal do youtube em que afirmava: “tem uma assassinato de um bebê de 22 semanas de gestação […] a gente não quer permitir isso, a menina tá vindo lá do Espírito Santo. Pernambuco, vai compartilhando, vai avisando para todo mundo. Um bebê vai ser morto aqui”.</p>



<p>Apesar das objeções do desembargador Breno Duarte de Oliveira, os desembargadores Marcelo Labanca, Washington Amorim, Paulo Cordeiro e Roberta Viana Jardim, acompanharam o voto do relator que negou o recurso interposto. </p>



<p>A advogada de Clarissa Tércio (PP) também esteve na sessão para apresentar as argumentações da defesa. Já a equipe jurídica do perfil Macumba Ordinária está atuando para reaver a publicação suspensa pela Meta.  </p>



<h2 class="wp-block-heading">Relembre o caso </h2>



<p>Em agosto de 2020, chegava ao recife uma criança de 10 anos vinda do Espírito Santo para realizar o procedimento de aborto legal no Cisam, após ser estuprada pelo tio. A família só descobriu os crimes quando a criança se queixou de dores e foi levada ao hospital, onde já se encontrava com mais de 20 semanas de gravidez.</p>



<p>A justiça do Espírito Santo negou o procedimento e ela foi acolhida no hospital recifense que é referência em aborto legal. Entretanto, o que já era um pesadelo para criança ficou ainda pior quando <a href="https://marcozero.org/parlamentares-evangelicos-atacam-clinica-para-impedir-aborto-legal-e-expoem-crianca-de-10-anos-vitima-de-violencia/" data-type="link" data-id="https://marcozero.org/parlamentares-evangelicos-atacam-clinica-para-impedir-aborto-legal-e-expoem-crianca-de-10-anos-vitima-de-violencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">parlamentares evangélicos e um grupo de fundamentalistas religiosos tentaram impedir a realização do procedimento em frente ao hospital. </a><br><br>Quem encabeçou o cerco à maternidade foi a própria Clarissa Tércio (PSC), na época deputada estadual. Ao lado dela, estavam os deputados Joel da Harpa (PP), Clayton Collins (PP) e a vereadora do Recife Michele Collins (PP). <br><br>Gritos, brigas, orações e embates com o movimento feminista que também foi ao local para impedir a investida fundamentalista, não foram suficientes para barrar o aborto. O procedimento foi realizado pelo então diretor médico do Cisam, Olímpio Moraes.</p>



<p>“Nós trabalhamos atendendo a população pernambucana e nordestina há mais de 20 anos e nunca presenciei isso. Eu acho que o ódio, a intolerância estão sendo impulsionadas nesse momento que estamos vivendo de negacionismo, de fundamentalismo religioso”, afirmou o médico à época, em entrevista a MZ. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Bancada evangélica tenta impedir aborto em criança de 10 anos" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/NHLGmK9j8Z4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Sem auxílio, famílias de Olinda ainda sofrem com os estragos da enchente de 1º de maio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 20:50:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[rio Beberibe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três meses após as chuvas de 1º de maio, que deixaram seis pessoas mortas e quase 3 mil desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco, a Marco Zero voltou ao bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda, para saber como ficou a vida das famílias que, atingidas por mais uma enchente do rio Beberibe, não receberam do [&#8230;]</p>
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<p>Três meses após as <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chuvas de 1º de maio</a>, que deixaram seis pessoas mortas e quase 3 mil desabrigadas ou desalojadas em Pernambuco, a <strong>Marco Zero</strong> voltou ao bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda, para saber como ficou a vida das famílias que, atingidas por mais uma enchente do rio Beberibe, não receberam do Governo do Estado o Auxílio Pernambuco, no valor de R$ 2,5 mil. O que a reportagem encontrou foi um misto de revolta e desesperança.</p>



<p>A gestão Raquel Lyra (PSD) destinou R$ 8,75 milhões a 3,5 mil famílias nos 27 municípios que tiveram situação de emergência decretada, na época, na Região Metropolitana do Recife (RMR), na Zona da Mata e agreste. O dinheiro, porém, não foi, nem de longe, suficiente para atender todo mundo que teve casas danificadas e perdeu móveis e eletrodomésticos.</p>



<p>Somente Olinda, Recife e Goiana (um dos municípios mais atingidos, localizado na Zona da Mata Norte) cadastraram, juntos, 13.782 pessoas. Essa soma é quase quatro vezes maior que o total de famílias beneficiadas com Auxílio do governo estadual em todo o estado (3,5 mil famílias).</p>



<p>O reflexo dessa diferença pode ser visto nas comunidades Beira-Rio, Condor, Cabo Gato, Boa Esperança, Cuscuz e Embalo, todas em Peixinhos, onde moradores ainda não conseguiram se reestabelecer totalmente.</p>



<p>A título de comparação, a gestão do ex-governador Paulo Câmara (na época, no PSB) destinou R$ 150 milhões para 100 mil famílias atingidas pelas chuvas de maio de 2022, que deixaram 130 mortos e quase 130 mil desabrigados ou desalojados no estado. O valor do auxílio, na época, foi de R$ 1,5 mil.</p>



<p>No Recife, o então prefeito João Campos (PSB), hoje candidato a governador na disputa com Raquel, e a Câmara Municipal, adicionaram mais de R$ 1 mil à ajuda do governo estadual, criando o Auxílio Municipal e Estadual (AME), de R$ 2,5 mil para quase 2,5 mil pessoas.</p>



<p>Apesar de o desastre de 2022 ter sido bem maior, as comunidades de Olinda relataram, em maio, que naquela comunidade o impacto da enchente foi bem maior este ano, quando moradores “nadaram”, dentro de casa, com lixo, ratos e cobra. Naquele dia, a lama invadiu até mesmo casas mais distantes das margens do Beberibe, que teve sua última obra de dragagem feita em 2013. Relembre <a href="https://marcozero.org/a-espera-da-dragagem-rio-beberibe-transborda-lixo-lama-e-doencas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Cadastro tardio e verba insuficiente</h2>



<p>Em Olinda, a gestão Mirella Almeida (PSB) cadastrou, tardiamente, quatro mil moradores após as chuvas de maio, mas o pagamento foi direcionado a apenas 726 pessoas, isto é, 18,15% dos cadastros. Nas comunidades que a <strong>MZ</strong> visitou pela segunda vez este ano, conta-se nos dedos quem recebeu o dinheiro, porém é grande a quantidade de pessoas que perderam mobílias ou tiveram danos graves nas residências. Das três mulheres entrevistadas pela reportagem, apenas uma recebeu o benefício.</p>



<p>No dia das chuvas, Daniele Freitas, de 34 anos, e Ketilyn Ferreira, de 23 anos, beneficiárias do Bolsa Família e moradoras da comunidade do Cuscuz, viram suas casas racharem com o aumento da intensidade das chuvas. Ao passo que o aguaceiro ia aumentando, as casas iam rachando ainda mais.</p>



<p>Ketilyn mora com Andreza Beatriz, de 21 anos, e o filho de cinco anos com autismo nível três de suporte, no final da comunidade, uma das últimas casas. A base alta da construção não impediu que houvesse danos. O piso abriu e a água começou a minar do chão, então a parede cedeu e começou a se afastar da base.</p>



<p>Nessa altura, a família de Ketilyn estava ilhada. Ela só conseguiu sair com a ajuda do pai e do irmão, que saíram do bairro de Campo Grande, no Recife, para resgatá-los.</p>



<p>Se não fosse a mobilização da família, a casa ainda estaria rachada, pois elas não teriam condições de minimamente recuperar o imóvel. “Meu pai e minha mãe se juntaram, pediram para um homem ajeitar e botaram calha. Mas pode ver que, onde tem a ferragem, já está rachando de novo. Aí a mesma coisa agora com a última cheia [chuvas que aconteceram no começo de julho]. A água entrou por debaixo do piso e estourou todinho”, detalha.</p>



<p>Ketilyn está cadastrada no CadÚnico e luta para receber ao benefício a que o filho tem direito. Mesmo assim, não conseguiu acesso ao Auxílio Pernambuco. A frustração toma conta da família. Andreza reflete: “Como o auxílio foi para as pessoas que tinham crianças, pessoas que perderam a casa, que foram danificadas, a gente ficou sem entender porque não recebeu. Porque a gente tem ele e os documentos estão todos certos”.</p>



<p>No começo do beco, Daniele passou por algo parecido, mas a casa está ainda sem móveis, sem telhado e com rachaduras grandes. Ela precisou alugar outra residência, por R$ 250, para morar com a filha e o marido, pois, no momento, não tem condições de fazer os reparos necessários para retornar.</p>



<p>A dor de perder tudo relembra o que viveram em 2022. “Eu já não tinha quase nada. Porque já foi problema para eu conseguir dar uma ajeitadinha na casa, aquela cheia em 2022 me atingiu também, e muito. Cedeu a minha casa. Como a cheia entrou com força, a correnteza da água vinha todinha para cá. Aí, com os R$ 1,5 mil que eu recebi na época [do governo Paulo Câmara], tive como ajeitar. Também peguei emprestado, arrumei um cartão para comprar material. Eu já não tinha condições, já fiz o máximo possível para dar uma ajeitadinha para eu ficar aqui”, relata Daniele.</p>



<p>Próximo dali, na comunidade do Bote, Alexandre José, de 40 anos, mora há mais de dez anos em um barraco de madeira às margens do rio Beberibe. “Tentei salvar a geladeira, mas não deu tempo”, conta o homem que perdeu tudo. Três meses depois, ainda vê sua casa revirada junto com os poucos móveis e eletrodomésticos que não foram arrastados pelas chuvas.</p>



<p>Também beneficiário do Bolsa Família, Alexandre complementa a renda fazendo a travessia dos moradores de Peixinhos para Cajueiro pelo rio. O pouco dinheiro que pegou, nos últimos dias, foi para recuperar o bote com que trabalha. “Não chega ninguém para ajudar a gente aqui, não. Se não formos eu e ele aqui, acabou. Como se diz aqui, a gente é esquecido”, lamenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A vulnerabilidade extrema da falta de documentos</strong></h2>



<p>Se a verba do Auxílio Pernambuco não foi suficiente para os cadastrados, a possibilidade ficou ainda mais distante para quem não tem nem os documentos básicos. É o caso do flanelinha Zenon Ferreira, de 69 anos. O idoso, que não é aposentado, quase perdeu a vida dentro do barraco onde mora. As paredes improvisadas com madeiras, telhas e papelões foram embora com a correnteza.</p>



<p><strong>&#8220;</strong>Foi a pior cheia. Já teve cheia grande também, viu? Faz tempo, há uns 10 anos ou mais. Mas essa de maio foi a pior que teve&#8221;, lamenta Zenon, que mora no local há 31 anos. Agora, ele está com os documentos em dia para tentar a aposentadoria.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-Zenon.jpg" alt="Um homem idoso está sentado em uma cadeira branca no interior de uma casa precária, com piso de terra batida irregular e paredes de madeira cobertas por um telhado de zinco ondulado que deixa entrar raios de luz por entre as frestas. Ele veste camiseta amarela com estampa colorida, shorts xadrez, chinelos vermelhos e um boné listrado, e olha para cima com as mãos sobre as pernas, enquanto ao seu redor se veem baldes, recipientes, um barril com etiqueta, panos pendurados fazendo divisórias e troncos de madeira sustentando a estrutura, num ambiente de pouca luz marcado pelo contraste entre claridades que entram pelas brechas e sombras profundas." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Agora, a esperança de Zenon Ferreira é conseguir se aposentar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Segundo a gestão estadual, o pagamento do Auxílio Pernambuco usou como base a quantidade de cadastros repassada ao governo pelas prefeituras no princípio da situação de emergência provocada pelas chuvas do dia 1º. Havia pressa por causa da situação e da necessidade de envio do Projeto de Lei à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).</p>



<p>“Naquele momento, os municípios tinham formado aquela quantidade de famílias e foi a quantidade que nós trabalhamos. Então algumas famílias que estão reclamando ou não estavam no critério ou realmente chegaram depois e não estavam nesse critério de priorização”, afirmou a secretária estadual de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS), Andreza Pacheco, em julho, após uma onda de protestos.</p>



<p>O decreto do Auxílio Pernambuco priorizou pessoas com deficiência, gestantes e mulheres responsáveis pelo núcleo familiar.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Mobilização da comunidade</h3>



<p>Os cadastros em Olinda foram realizados tardiamente após pressão popular. Em Peixinhos, a gestão de Mirella Almeida começou a realizar os cadastros nas comunidades em 21 de junho. Em 26 de junho de 2026, a gestão ainda informava que estava realizando o cadastramento das famílias atingidas no bairro de Rio Doce.</p>



<p>A visita às casas afetadas aconteceu ao lado de mobilizadores locais integrantes do Comitê Popular de Luta pelo Direito à Vida. Um mês depois do início dos cadastros, o comitê se reuniu com moradores e representantes do Governo do Estado para tratar desse e de outros assuntos.</p>



<p>Com mais de 30 pessoas presentes, os moradores compartilharam suas angústias e a sensação de insegurança e desamparo. No entanto, Josiane Silva, diretora da Secretaria Estadual de Periferias de Pernambuco, foi categórica ao afirmar que não haveria mais pagamentos a quem se cadastrou e não foi contemplado.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/peixinhos-reuniao.jpg" alt="Em uma sala de paredes brancas com piso de cerâmica clara, dezenas de pessoas — homens e mulheres de diferentes idades, alguns de máscara e roupas casuais — estão sentadas em cadeiras plásticas dispostas em duas fileiras que se enfrentam, formando um corredor central, enquanto participam de uma reunião comunitária; o ambiente é decorado com bandeirinhas coloridas de festa junina, fotos e documentos afixados nas paredes, e ao fundo, além de um arco, vê-se uma parede azul-clara com um crucifixo e um ventilador de teto, sugerindo um espaço de caráter religioso ou comunitário." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Moradores pressionaram representantes do governo estadual em reunião
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<p>Questionada pelos moradores sobre a escolha das pessoas que receberiam o dinheiro, a representante afirmou que quem selecionou e encaminhou para o Governo do Estado foi a própria prefeitura.</p>



<p>A <strong>MZ</strong> perguntou à Prefeitura de Olinda sobre os critérios de seleção utilizados e por que tantas pessoas ficaram de fora. A gestão respondeu “realizou os cadastros em conformidade com os critérios estabelecidos pelo Governo do Estado. Além de atender às exigências do processo, o levantamento também servirá como instrumento de mapeamento da realidade local, permitindo a coleta de informações que subsidiem a elaboração de políticas públicas voltadas à população”.</p>
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		<title>O trauma de passar pelo setor de traumatologia do Hospital Otávio de Freitas</title>
		<link>https://marcozero.org/o-trauma-de-passar-pelo-setor-de-traumatologia-do-hospital-otavio-de-freitas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 14:19:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[hospital Otávio de Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Isis recebeu alta, mas sua vida jamais será a mesma. Após quebrar o braço em um acidente de moto voltando de Carpina, na Zona da Mata Norte, para o Recife, Isis François, de 26 anos, tem vivido situações que não deseja a ninguém. O acidente aconteceu em setembro e, após passar por diferentes hospitais, 24 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Isis recebeu alta, mas sua vida jamais será a mesma. Após quebrar o braço em um acidente de moto voltando de Carpina, na Zona da Mata Norte, para o Recife, Isis François, de 26 anos, tem vivido situações que não deseja a ninguém. O acidente aconteceu em setembro e, após passar por diferentes hospitais, 24 horas depois ela foi parar no Hospital Otávio de Freitas (HOF), na zona oeste do Recife, onde chegou com o ferimento já infeccionado. Por isso, passou um mês internada até ter condições de passar pela cirurgia.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="576" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-76450 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-576x1024.jpeg 576w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-169x300.jpeg 169w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-768x1365.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-864x1536.jpeg 864w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3-150x267.jpeg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-3.jpeg 900w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O Hospital Otávio de Freitas é uma referência no atendimento a esse tipo de ferimento. Lá, de janeiro de 2025 a julho de 2026, foram realizadas 2.683 cirurgias de traumato-ortopedia. Dessas, 1.747, o que equivale a 65,1% do total, foram realizadas pelo plantão de emergência. O total de cirurgias representa, aproximadamente, 1/3 (um terço) de todos os procedimentos desse tipo realizados nos hospitais da rede estadual.</p>
</div></div>



<p>Quando imaginava que teria apenas de se cuidar durante o pós-operatório para garantir uma boa recuperação, tudo desandou para Isis. Logo após receber alta pela primeira vez, já começou a se sentir mal. Na consulta retorno da cirurgia, 15 dias depois, percebeu um ponto inflamado e questionou o médico, que disse ser normal.</p>



<p>“Foi criando como se fosse uma queloide. Aí as pessoas que viam diziam que queloide não ficava assim, porque inchava e desinchava. Depois de eu ficar correndo atrás, no pé, o médico passou um antibiótico e chegou um tempo que ela secou. E eu dizendo que aquilo não era normal. No que secou, depois fazendo as fisioterapias, apareceu uma bolinha longe da cicatriz como se fosse um furo de agulha de onde saia secreção”, conta.</p>



<p>Sempre que tinha oportunidade questionava o médico sobre esse furo na pele e todas as vezes ouvia a mesma resposta: é normal. Foi em uma ida ao INSS para conseguir o auxílio-doença, no mês de março, que a desconfiança aumentou. “Ela [a médica] disse que eu teria que voltar no médico porque isso não era normal não, que estava saindo secreção”, relata.</p>



<p>A situação piorou com o tempo. Em maio, Isis se internou novamente, mas antes disso teve que passar dois dias em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) aguardando uma ambulância para ser transferida. “Quando eu cheguei lá, foi o mesmo ortopedista. Ele disse que eu não ia poder ficar no hospital porque tinha gente pior que eu. Então eu respondi &#8216;olha, eu vou ficar porque eu não aguento mais essa dor&#8217;,&#8221; recorda. Àquela altura, a placa de titânio implantada pela equipe médica do Otávio de Freitas teria sido rejeitada pelo corpo da jovem, começou a ficar exposta e precisou ser retirada. Isso aconteceu depois de um mês de internação, mais 40 dias tomando antibióticos em casa e muitas idas ao hospital.</p>



<p>Até hoje, ela sofre com uma infecção resistente, mas, como o material retirado não foi coletado para a cultura, não se sabe qual a bactéria causadora da doença. “Depois da cirurgia eu já estava sentindo umas molezas, alguma coisa estranha. Antes era &#8216;só&#8217; a secreção que saía do braço, mas depois que passou a anestesia, eu comecei a ficar sentindo o corpo mole, dor de cabeça. Hoje, sinto moleza nas pernas, a cabeça doendo dos dois lados, tortura, febre e o braço fica furando, com uma sensação de pinicar”, reflete.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O cenário do abandono</h2>



<p>As paredes limpas com aparência de recém-pintadas podem ser vistas nos corredores externos. A grama bem cortada também. No entanto, basta entrar na enfermaria da traumatologia para o cenário mudar. Ali, o mato no pátio interno está alto, há muito não recebe uma poda, para impedir que as pessoas passem há caçambas de lixo.</p>



<p>Os quartos são quentes, abafados e pequenos. A maioria das portas não têm fechaduras, os banheiros ostentam infiltrações, as privadas não têm assentos, falta tampa nas caixas acopladas e higiene adequada. Todos os pacientes ouvidos pela reportagem reclamaram da limpeza. Ou melhor, da sujeira. A mãe de Isis, por exemplo, precisou levar desinfetante para amenizar o odor enquanto a filha estava internada.</p>



<p>Os animais merecem um capítulo à parte na lista de reclamações. Gatos e timbus são vistos circulando pelos corredores das enfermarias repletas de pacientes recém cirurgiados, fora os ratos, baratas e tudo quanto é inseto.</p>



<p>O caso de Isis, como se vê, não é isolado. A Marco Zero foi até o hospital e, com ajuda das famílias de pacientes, passou todo o período de visitas em contato com quatro pessoas internadas na enfermaria de traumatologia para retirada de placas, tratamento de infecções que persistem, causados por bactérias não identificadas. Outro paciente está internado há quatro meses, mas não quis que sua história fosse publicada. Mas todos eles contaram viver um drama tão angustiante quanto dolorido.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-2-300x213.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/HOF-2-1024x726.jpeg" alt="A foto mostra um pequeno banheiro simples e um pouco desgastado. No centro há um vaso sanitário branco, sem tampa no reservatório de água, deixando o interior visível. À esquerda do vaso, há uma pia branca pequena fixada na parede, com torneira e canos aparentes. O fundo é formado por uma parede de azulejos brancos, alguns escurecidos ou manchados, especialmente próximos ao chão e à pia. No piso, que parece ser de cimento ou cerâmica marrom, há um balde plástico branco com inscrições parcialmente legíveis e uma tampa de ralo circular branca caída ao lado. O ambiente aparenta estar úmido e precisar de limpeza ou manutenção." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Banheiro no setor de traumatologia no Hospital Otávio de Freitas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Colapso dos rins, ameaça de amputação e mais infecções</strong></h2>



<p>Em leitos próximos, Henrique Cavalcanti, de 51 anos, e Edcley Xavier, de 35 anos, contam histórias parecidas e que se prolongam há vários meses. Henrique está internado desde janeiro. Isso mesmo: há quase sete meses numa enfermaria, onde foi parar depois que desviou sua moto para não atropelar um carroceiro em Boa Viagem e acabou se chocando com a carroça.</p>



<p>Quando ele foi levado para o Otávio de Freitas com o fêmur e a perna esquerda quebrados, Edcley já estava lá há um mês, também por causa de um acidente de moto.</p>



<p>Não é só isso que os dois têm em comum. Ambos lutam contra infecções persistentes. Henrique enfrenta uma osteomielite, uma doença grave que atinge os ossos, cujo tratamento o levou à hemodiálise por mais duas semanas.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Em respeito à imagem e à vulnerabilidade dos pacientes, não publicaremos suas fotografias feitas durante a visita da equipe da MZ.</p>
        </div>
    </div>



<p>Segundo ele, ao prescrever um antibiótico forte por 21 dias, o médico advertiu: “tem um antibiótico que é muito bom e é muito forte. Agora esse antibiótico, você corre o risco de perder a audição. Você corre o risco de ficar com a pele toda escura. E vamos rezar para não afetar os rins”, conta. Tomou apenas 14 dias da medicação e precisou ir para hemodiálise às pressas. Ou seja, os rins foram severamente afetados.</p>



<p>O pior estava por vir. Em uma das frequentes trocas de médicos, o residente que teria acompanhado a penúltima limpeza fez uma sugestão que deixou o paciente apavorado: amputar a perna. “Eu disse que achava que isso era o último caso, a última instância. Se lá tem medicamento, tem estrutura, tem tudo para fazer, se não tem aqui, me manda para o hospital que faz. Mas chegar ao ponto de dizer isso ao paciente sem discutir com outro médico antes?”</p>



<p>A poucos metros de Henrique, Edcley espera o fim do tratamento com antibióticos porque também contraiu uma infecção no hospital. Quando estivemos lá, a previsão de alta estava próxima.</p>



<p>Assim que chegou, passou quatro dias na emergência sem comer e sem tomar água aguardando a cirurgia. Só conseguiu fazer o procedimento depois disso. O fixador foi colocado e Xavier passou mais dois meses internado. Depois da retirada do fixador, foram mais 15 dias para colocar a placa de titânio. Após 30 dias voltou para tirar os pontos. Foi aí que começou a sair secreção do local, um quadro quase idêntico ao de Isis.</p>



<p>A própria equipe médica afirmou que a infecção ocorreu no bloco cirúrgico.</p>



<p>Além disso, como a cirurgia foi próximo ao joelho, segundo o rapaz a indicação é que ao retirar a placa, o médico aproveitasse para tirar também a fibrose do joelho, o que não aconteceu. Por isso, vai precisar passar por uma nova cirurgia. “É sofrimento e risco. Esse hospital aqui tá todo contaminado”, pontua.</p>



<p>O homem denuncia que os médicos circulam pelos corredores com roupas que utilizam na cirurgia. “O médico tem que estar lá dentro do bloco cirúrgico. O médico não é para estar vindo aqui no corredor buscar paciente com a roupa que vai operar, não. É um açougue?”, questiona.</p>



<p>Além disso, Edcley e o parente que lhe acompanha questionam a falta de higiene do local. São gatos, cachorros, timbus, árvores com cupins, mato alto e limpeza precária que, para eles, aumenta o risco de contaminação. Os vídeos recebidos pela MZ confirmam isso.</p>



<p>Se Edcley aguarda a próxima cirurgia, Henrique alimenta a esperança de que o tratamento surta efeito e que possa recuperar minimamente a sua perna. Dias antes de conversar com a Marco Zero, teve um vislumbre de esperança, pois na última avaliação, outro médico descartou a possibilidade de colocar o fixador novamente e prescreveu seguir com os antibióticos.</p>



<p>Além disso, há o desalento. Para quem chegou para tratar fraturas e sofreu o impacto do colapso dos seus rins e a ameaça de amputação, agora ele convive com um profundo desânimo. “Dentro da hemodiálise eu tinha visto as piores coisas que eu nunca tinha visto ainda, nunca pensei que uma hemodiálise fosse um negócio tão pesado, um sistema tão pesado que a máquina é toda adaptada dentro de você. Um cateter, ou no pescoço ou na virilha. O meu não conseguiu pegar no pescoço, pegou aqui na virilha… eu não estava com opção naquele momento. Eu estava numa situação que afetou a perna, afetou os rins e o psicológico já está a mil, sem saber o que focar realmente na vida”, lamenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p>De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), no período entre janeiro de 2025 e julho de 2026, “foram registrados 50 procedimentos de retirada de placas, parafusos ou outros materiais de síntese. Esse número corresponde a 1,86% das 2.683 cirurgias ortopédicas realizadas. Os 50 registros representam procedimentos, e não necessariamente 50 pacientes distintos, não podendo ser interpretados como 50 casos de infecção ou de ‘rejeição’”.</p>
<p>Seguindo essa lógica, após as primeiras cirurgias e colocação da placa, as repetidas cirurgia realizadas apenas nos pacientes mostrados nesta reportagem juntos somam seis procedimentos. O equivalente a 12% dos 50 casos informados pela SES.</p>
	</div>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe loading="lazy" title="Enfermaria da traumatologia Hospital Otávio de Freitas" width="422" height="750" src="https://www.youtube.com/embed/q_WAyAaRzo4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading">O que diz o Governo de Pernambuco</h3>



<p>A Marco Zero procurou a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) questionando os pontos apontados nesta reportagem e pedindo um representante do órgão para falar das denúncias feitas. Ignoraram a possibilidade e enviaram uma nota que afirma:</p>



<p>Sobre os três casos dos pacientes descritos, a conduta médica foi direcionada ao controle da infecção, à preservação do membro e à reavaliação da necessidade de procedimentos reconstrutivos ou complementares, conforme a evolução clínica. Nos documentos analisados, não há indicação formal de amputação.</p>



<p>Sobre a atuação dos médicos residentes, O Hospital Otávio de Freitas (HOF) reforça que eles são profissionais graduados em medicina e regularmente inscritos no Conselho Regional de Medicina (CRM). A residência médica é uma modalidade de especialização em serviço, realizada sob supervisão de médicos especialistas e preceptores.</p>



<p>Os residentes podem examinar pacientes, registrar evoluções, realizar procedimentos e participar de cirurgias, conforme seu nível de formação, sempre integrados à equipe responsável. As descrições cirúrgicas dos casos apresentados identificam os cirurgiões responsáveis e seus auxiliares. Não existe orientação institucional para que procedimentos ou decisões complexas sejam realizados por residentes sem supervisão. Eventuais queixas relacionadas ao tempo de visita, à comunicação ou à identificação do médico responsável podem ser apuradas individualmente, desde que sejam fornecidas informações que permitam localizar o episódio.</p>



<p>Sobre a questão de animais transitando pela unidade, a direção do HOF informa que mantém contratos regulares de limpeza e desinfecção hospitalar, seguindo protocolos técnicos e sanitários estabelecidos pelas normas vigentes. Além disso, são realizadas ações periódicas de controle ambiental e manejo da área externa, incluindo medidas voltadas à prevenção e mitigação da presença de animais nas dependências da unidade.</p>



<p>A direção informa ainda que a unidade vem desenvolvendo ações educativas junto aos funcionários, pacientes e acompanhantes para orientá-los a não alimentar nem interagir com os animais e, também, a comunicar sua presença sempre que identificados. Rotineiramente, são realizadas rondas pela administração do serviço para identificar a presença de animais. Além disso, foram instaladas barreiras físicas para impedir o acesso desses animais às dependências da unidade.</p>



<p>Em relação aos apontamentos sobre o Setor de Traumatologia do HOF, a unidade esclarece ainda que a Superintendência de Engenharia e Manutenção elaborou e atualizou o Plano de Ação para Requalificação do Trauma Adulto e Pediátrico, contemplando intervenções nas enfermarias, postos de enfermagem e depósitos de material de limpeza (DML), incluindo a recuperação de paredes, tetos, pias, vasos sanitários, revestimentos, portas, fechaduras, sistemas de ventilação e demais adequações estruturais.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Problema crônico</h3>



<p>Os problemas não são de hoje. O hospital tem uma reputação negativa entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Em 2021, a Marco Zero acompanhou <a href="https://marcozero.org/hospital-otavio-de-freitas-esta-um-caos-e-gente-por-cima-de-gente/">denúncias de superlotação feitas por pacientes e acompanhantes</a>. Os pacientes eram amontoados pelos corredores da unidade e ficavam à mercê de uma vaga em um leito.</p>



<p>Em 26 de maio deste ano, a então governadora Raquel Lyra (PSD) e a vice-governadora Priscila Krause (PSD) entregaram a requalificação do centro cirúrgico ambulatorial da unidade, alegando ainda a melhoria da recepção da emergência, fachada e portaria da unidade. Comemoram o investimento de mais de R$ 800 mil, somando mais de R$ 158 milhões em investimentos, com obras de ampliação, novos equipamentos, modernização da estrutura e abertura de novos leitos. No entanto, os relatos dos pacientes indicam que esse investimento ainda não chegou na traumatologia.</p>



<p>Apenas dois dias depois, o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) julgou a auditoria especial operacional realizada no primeiro semestre de 2025, com objetivo de, segundo o documento, “analisar os fatores operacionais internos e externos que têm impactado a produção cirúrgica do centro cirúrgico”, relatada pelo conselheiro Marcos Loreto.</p>



<p>O julgamento divulgado em 02 de junho no Diário Oficial do TCE-PE, constatou, entre os problemas apresentados, que a unidade possuía inadequações na estrutura física do centro cirúrgico, como o descascamento do revestimento nas paredes e na junção com o piso em todas as salas operatórias, a existência de diversos equipamentos inoperantes nos blocos cirúrgicos e a ausência de reserva técnica &#8211; os aparelhos de backup para o sistema.</p>



<p>Também identificou que “o centro cirúrgico apresentou baixa efetividade operacional, revelada por indicadores de processo, destacando-se elevado índice de cancelamentos de cirurgias (entre 16,7% e 18,6%) por causas em grande parte evitáveis, e significativo atraso para o início da primeira cirurgia do dia”.</p>



<p>Além disso, “a análise do desempenho do Bloco da Traumatologia/Ortopedia revelou efetividade de apenas 47,5% (ORE /ECC), abaixo da média observada em centros brasileiros de porte similar (50-60%), enquanto o Bloco Central (Geral) não pôde ter seu indicador mensurado devido à impossibilidade de definir o Tempo Total Disponível e o Tempo Total Utilizado”.</p>



<p>O documento também constatou a inconsistência nos dados e informações disponibilizadas no sistema informatizado, causando subutilização e falhas de registro pelas equipes.</p>



<p>Entre as considerações, atestou-se que “a baixa efetividade do centro cirúrgico na realização de cirurgias eletivas, evidenciada pelo indicador <em>Overall Equipment Effectiveness (ORE/ECC)</em>, de apenas 47,5% no Bloco da Traumatologia/Ortopedia — índice inferior à média de centros de porte similar —, e pelo fato de a maior parte das cirurgias ditas “eletivas” ser proveniente da Emergência, gerando fila de espera e aproveitamento aquém do ideal da capacidade instalada”.</p>



<p>Por fim, ficou determinado que a Secretaria Estadual de Saúde e a Direção do HOF adotassem medidas para sanar as deficiências apresentadas e melhorar a qualidade dos atendimentos aos pacientes em 60 dias. Como já apresentado nesta reportagem, mesmo com as melhorias divulgadas pelo governo do estado, ainda há denúncias de desassistência na unidade.</p>



<div data-wp-interactive="core/file" class="wp-block-file"><object data-wp-bind--hidden="!state.hasPdfPreview" hidden class="wp-block-file__embed" data="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/DOU-TCE-PE-02.06.2026.pdf" type="application/pdf" style="width:100%;height:600px" aria-label="Incorporado de DOU TCE-PE 02.06.2026."></object><a id="wp-block-file--media-c7ece1d0-f5e8-4c84-9b70-59877272ff97" href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/DOU-TCE-PE-02.06.2026.pdf">DOU TCE-PE 02.06.2026</a><a href="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/08/DOU-TCE-PE-02.06.2026.pdf" class="wp-block-file__button wp-element-button" download aria-describedby="wp-block-file--media-c7ece1d0-f5e8-4c84-9b70-59877272ff97">Baixar</a></div>
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		<title>&#8220;A gente não vai recuar&#8221;, garante Rosane Borges</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 09:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[antirrascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pensar na construção de uma coletividade que atenda de maneira justa às demandas da sociedade, é pensar na participação direta de todos os grupos que estão sendo impactados com as decisões do Estado. Em uma passagem recente pelo Recife, a professora e pesquisadora Rosane Borges, lançou seu novo livro Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pensar na construção de uma coletividade que atenda de maneira justa às demandas da sociedade, é pensar na participação direta de todos os grupos que estão sendo impactados com as decisões do Estado. Em uma passagem recente pelo Recife, a professora e pesquisadora Rosane Borges, lançou seu novo livro <em>Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível</em>, e trouxe reflexões importantes para projetar um futuro em que grupos ditos minoritários estejam no centro do debate.</p>



<p>Acompanhada pelas jornalistas Kauana Portugal e Catarina de Angola, e pela ativista Ingrid Farias, o debate de lançamento apresentou perspectivas que envolvem política, comunicação, território e transformação social. Com a presença de ativistas, coletivos e organizações da sociedade civil, o encontro fez parte da programação do Julho das Pretas, organizada pelo Observatório Feminista do Nordeste.  </p>



<p>Neste dia internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25), a Marco Zero traz as reflexões da professora para a construção de um novo mundo onde a participação das mulheres negras tecem um futuro de bem-viver para a coletividade. Pessoas negras, pessoas indígenas, pessoas LGBTQIAPN+, corpos dissidentes, brancos, pessoas rurais e pessoas da área urbana trabalhando para que seja um mundo possível para todos. &#8220;É escandaloso ter apenas um grupo que pensa e decide o que é o país, o que é o comum desse país&#8221;, analisa Borges.</p>



<p>A data é comemorada em homenagem ao primeiro Encontro de Mulheres Afrolatinoamericanas e Afrocaribenhas ocorrido em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana. O encontro marcou a história da luta de mulheres afrodescendentes ao reunir centenas de mulheres de mais de 32 países para discutir e encontrar estratégias para combater o racismo e o sexismo. Trinta e quatro anos depois, essas mesmas mulheres continuam na luta para garantir que os direitos conquistados não sejam retirados e que novas formas de viver sejam pensadas em uma dinâmica de justiça social e racial.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:45% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-76246 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-1365x2048.jpg 1365w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-scaled.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Rosane Borges é referência para os estudos sobre comunicação, raça, gênero e cultura. Jornalista, escritora e professora, é doutora em Ciências da Comunicação pela USP, professora convidada do Diversitas (FFLCH-USP), coordenadora da Escola Online Longa e docente da PUC-SP. Além do livro lançado em julho, ela é autora de diversos livros, entre eles: <em>Fragmentos do tempo presente </em>(2021), <em>Esboços de um tempo presente</em> (2016), <em>Mídia e Racismo</em> (2012) e <em>Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro</em> (2004).</p>



<p></p>
</div></div>



<p>Marco Zero &#8211;<strong>No livro, você parte dos modelos sociais atuais. Então, de uma forma geral, como é que você tem avaliado esses modelos da contemporaneidade?</strong></p>



<p><strong>Rosane &#8211;</strong> São modelos em colapso. Por isso que eu começo falando no meu livro que é a queda de céu, a queda de tudo, na trilha do Davi Kopenawa, porque é um modelo que já se esgotou. Tanto do ponto de vista da política institucionalizada, quando a gente vê o Donald Trump, quando a gente vê Netanyahu, quando a gente vê Milei, quando a gente vê o bolsonarismo, a gente diz que isso se esgotou, porque isso não é política, é antipolítica, é o politicismo.</p>



<p>Do ponto de vista das relações sociais, há o esgarçamento das relações sociais, dos afetos palavra que a gente tá usando muito que tá até desgastada, mas é preciso a gente pensar o que que a gente tá chamando de afeto. Então, tem o esgarçamento dos afetos, tem o esgarçamento da sociabilidade. A pandemia brutalizou a gente no espaço público, acho que tem uma brutalidade. Tem um rebaixamento da inteligência coletiva, eu acho que as redes sociais elas jogam um papel fundamental nesse rebaixamento da inteligência coletiva.</p>



<p>A gente tem uma predação ambiental. A pergunta que até coloco no livro que a gente tem que fazer é: aonde que a gente vai com as nossas trouxas de roupas? Porque os lugares, os territórios estão cada vez mais sendo destruídos e devastados. E não é pela natureza, é pela ação do homem. Então, acho que o que a gente tem hoje no contexto das relações vigentes é a degradação, é o colapso, é um capitalismo de crise que avança para dentro das nossas subjetividades, colonizando as nossas subjetividades. Para além de avançar para fora esse capitalismo que não viu fronteiras, que o dinheiro não tem fronteiras, só as pessoas que são interditadas, a política migratória interdita pessoas, mas não interdita o capital.</p>



<p>Então, esse é um contexto nefasto e ao mesmo tempo contraditório, porque nós chegamos do ponto de vista da performatividade técnica a uma alta performatividade, inteligência artificial, às tecnologias da inteligência em geral, para além da inteligência artificial. A gente tem um contexto de um poder maquínico das máquinas, ou seja, a gente tem uma performatividade técnica elevada, mas que, contraditoriamente, a gente tem um rebaixamento do que a gente chamou de civilização no passado, de pacto civilizatório, de sociedade, de humanidade, de bem-estar, de direito.</p>



<p>Então, eu acho que esse é o contexto que o livro traz no primeiro momento. E aí é preciso, nesse contexto ruim, difícil, que é inviável para a gente, inclusive para a gente cogitar uma vida digna, é um contexto inviável para uma vida digna, a gente cogitar possibilidade de outra forma de existência, que já, inclusive, estão em pleno exercício das matrizes indígenas às matrizes africanas.</p>



<p><strong>Pensando um pouco nesse contexto de transformação da sociedade, quais as principais contribuições das mulheres negras e dos grupos ditos minoritários para o debate sobre democracia, sobre justiça social, sobre a erradicação das desigualdades?</strong></p>



<p>O nosso papel é um papel importante, porque sempre é aquele que faz um movimento antecedente. Ou seja, para além de a gente dizer que a gente precisa participar da vida coletiva dentro de um desenho federativo, qual o nosso passo antecedente? A gente, inclusive, questiona o desenho federativo. A gente não só está pedindo e reivindicando por políticas públicas. E parte das políticas públicas do Brasil só existem graças à reivindicação histórica dos grupos historicamente discriminados, mas ao mesmo tempo que a gente pede por políticas públicas, a gente questiona as normas da institucionalidade.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;a gente reivindica acesso ao mundo, mas também a gente postula transformação desse mundo&#8221;.</p>
</div>


<p>A gente aponta os limites da democracia e a gente diz que não cabe, não vale apenas a gente ter representação num contexto de um mundo do que precisa ser reestruturado. Então, eu acho que nosso papel é bifronte, importante, porque a gente reivindica acesso ao mundo como ele é, a gente precisa reivindicar acesso ao mundo, participar da vida coletiva como ela é, capitalista, excludente, etc., mas também a gente postula transformação desse mundo. Ou seja, eu acho que a nossa grande contribuição é acesso ao mundo como ele é, na mesma medida que também a gente tenta transformar esse mundo, tenta questionar as normas que atribuem reconhecimento diferenciado, como já diria Judith Butler.</p>



<p>Tenta dizer que esse modelo de Estado tem que ser repensado. É por isso que o nosso olhar é sempre um olhar muito utópico. É um olhar que a gente diz, &#8216;tá bom, como é que a gente faz não só para participar da vida, para jogar o jogo, mas para a gente mudar as regras desse jogo&#8217;. E dizer, inclusive, que não é nem mudar as regras do jogo, o jogo tem que ser outro, não são só as regras.</p>



<p><strong>Como é que a gente pode pensar no fim desse mundo e na construção de um mundo possível, pensando também na contribuição da comunicação para essa construção?</strong></p>



<p>O que nos conforta é que pensar um outro mundo, pensar os futuros possíveis, não nos leva a pensar na lógica do grau zero, da tábula rasa: &#8216;ah, vamos reiniciar da página em branco&#8217;. O que nos conforta é que quando a gente diz que a gente precisa pensar esse outro mundo, mundo, já existem experiências, laboratórios desse mundo. Eu digo que nós estamos no metaverso desde o 14 de maio, não é? Então a gente tem mundos paralelos, eu acho que o que nos conforta é que esses mundos paralelos de resistência, de reinvenção, de criação, de produção, eles precisam ser projetados como matriz coletiva de uma outra experiência de vida.</p>



<p>E a comunicação é fundamental nesses tópicos, porque também a gente não parte da comunicação como veículo, como a tecnologia, o instrumento. Não é o celular, não é a rede social. Mas a comunicação é uma troca, é um sistema de vínculo que nos proporciona criar a possibilidade de conexão com o outro, sem que esse outro fique no lugar do outro. Contudo, que esse outro projete, também, todos os eus. Então, no momento de alterofobia, na morte do outro, é preciso que a gente reposicione também o debate de comunicação, pois não pode ser reduzido ao debate das <em>big techs</em>. Passa por elas, porque a gente precisa destituir o capitalismo algorítmico, mas é preciso também compreender que a comunicação hoje não deve passar apenas pela lógica algorítmica que orienta perfis, comoditiza as vidas, porque você faz uma curadoria de si.</p>



<p>Pensar comunicação nesse sentido é fundamental, porque ela deixa de ser apenas uma estratégia para determinado fim, mas ela passa a ser também um princípio que acompanha estratégias de produção de vínculo, de construção de subjetividades, de instituição de outras plataformas e etc.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9455DSC04256-1024x683.jpg" alt="A imagem mostra um debate em uma livraria com quatro pessoas sentadas em um palco diante de um público em cadeiras brancas. O espaço tem paredes laranjas, plantas decorativas e um painel verde com o nome “Jardim”. À esquerda, um telão exibe o cartaz “Imaginários Emergentes e Mulheres Negras” com ilustrações de uma mulher, um tigre e o símbolo feminista. O mesmo cartaz aparece à direita em um suporte próximo a livros, reforçando o tema literário e cultural do evento." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Rosane Borges, Kauana Portugal, Catarina de Angola e Ingrid Farias debatem os futuros possíveis
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Mariana Lira</span>
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                    </figure>

	


<p><strong>Qual a importância de mulheres negras e periféricas na construção do imaginário de um futuro possível, justo e menos difícil?</strong></p>



<p>Eu acho que a importância é exatamente no sentido que a gente olha. Se a gente pensar hoje o contexto das eleições, a gente vive, em termos de enunciado, um imaginário empobrecido, porque do ponto de vista social, a gente tem uma narrativa empobrecida sobre o que é política, sobre o que é política pública e etc. Então, qual o nosso papel enquanto mulheres negras? Quando eu digo no livro que é preciso que a gente geste o impossível, que a gente amplia os horizontes do possível. O nosso papel é trazer narrativas que sejam mais ousadas. </p>



<p>Veja, a gente está na narrativa que a gente não quer que a extrema-direita venha, a gente não quer que ditadura venha. Então, a gente está numa narrativa, inclusive, reativa. A gente deixou de ter uma narrativa propositiva. Quando a gente fala em imaginário, a gente está propondo, a gente não está só reagindo. A gente não está só combatendo a regressão. A gente está dizendo também como é que pode vir a emancipação. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;é preciso que a gente amplie os horizontes do possível. O nosso papel é trazer narrativas que sejam mais ousadas&#8221;. </p>
</div>


<p>O nosso grande papel, quando a gente fala de imaginários na política, a gente está falando também de possibilidades, de sonhar, de emancipar, de criar uma narrativa em que as pessoas possam dizer: essa narrativa coletiva, é uma narrativa do sonho, da esperança, da transformação. E não apenas da manutenção, da contenção da crise, da defesa. Porque é isso, a gente está no contexto da defesa ao monstro que continua arriscando não só o Brasil, mas o mundo e a América Latina. Se a gente pensar o que são as eleições desse ano, a América Latina é um horror.</p>



<p><strong>No lançamento do livro, o Observatório Feminista do Nordeste fez a provocação de quem tem sido reconhecido como capaz de imaginar o futuro do Brasil. </strong><strong>Então, queria perguntar a você: quem tem sido reconhecido por imaginar o futuro do Brasil?</strong></p>



<p>Homens brancos, urbanos, de preferência sudestino, que a eles é atribuído o discurso competente de pensar a coisa pública e os destinos de uma coletividade. Isso é tão terrível e, ao mesmo tempo, tão cristalino tão real, porque é um país que segue dando a homens brancos o poder de definir os destinos de uma coletividade, é um país que coloca em risco a sua própria democracia.</p>



<p>Se a gente pensar a origem da democracia grega, tem um pensador que eu gosto muito, o Jacques Rancière, que ele vai dizer que a democracia grega começa com o vício de origem. E é a democracia grega que vai inspirar a democracia ocidental liberal. Ele vai dizer qual é o vício de origem que a democracia grega nasce, ela carrega. Na democracia grega nem todo mundo podia falar, as mulheres não podiam falar, a criança não tinha o direito à fala. O artesão estava ocupado com o trabalho manual, então ele não falava no espaço público.</p>



<p>Aí ele dizia o seguinte, quem falava na democracia grega? Homens adultos que definiam os destinos de uma coletividade, definiam o comum. O comum é isso, é a economia, é a política, é o vestimento, é a cultura, são as regras que ordenam uma comunidade. Se a gente pensar o Brasil, a gente também carrega esse vício da democracia grega com um acréscimo terrível, a exclusão de mulheres, de indígenas e de pessoas negras, de mulheres negras, da população LGBTQIAPN +.</p>



<p>Por que a gente fica um dia assim e outro também, que nós temos que ter uma mulher no Supremo Tribunal Federal (STF)? Max Weber dizia que as três instâncias do poder, eram direitos (social), economia e política. Se a gente pensar que esse é o tripé que sustenta o poder de uma sociedade, a gente está ausente. Quando a gente olha para o STF, a nossa instância máxima, nós não estamos. Quando a gente olha os acordos econômicos, seja a economia privada, os financistas, também nós não estamos. É até bom que a gente não esteja mesmo, porque aquilo ali é o terror. Mas quando a gente pensa em economia pública, nós não estamos.</p>



<p>Quando a gente pensa política, nós estamos chegando com muita luta com as mandatas, a vereança e etc. Mas nós também não somos ministras para além dos lugares que eles acham que a gente deve estar. Pensar os destinos de uma coletividade é ter uma corporeidade que não seja apenas a corporeidade branca. A gente não tá querendo excluir as pessoas brancas a gente quer dizer &#8216;é o seguinte, para pensar os destinos de uma coletividade, você tem que ter pessoas negras, mulheres negras, pessoas indígenas, pessoas LGBTQIAPN +, corpos dissidentes, brancos, pessoas rurais e pessoas da área urbana&#8217;. Não se trata apenas do cálculo da representatividade, trata-se de você pensar o poder e a corporeidade do poder. É escandaloso ter apenas um grupo que pensa e decide o que é o país, o que é o comum desse país.</p>



<p>Você ter o ministro da economia, ele está definindo os destinos de todo mundo. E normalmente, hora a hora, é só o homem branco que define os destinos de uma coletividade. E a gente veio para dizer o seguinte, na linha da Érica: não toleraremos mais. A gente não quer só ser destinatário de políticas públicas. A gente não quer só ser exibida pelos governos, mesmo progressistas, que dizem &#8216;olha, o que eu fiz por vocês&#8217;. Não. A gente reconhece que tem que ter política mesmo para quem está na base. A gente não está querendo dizer que não tem que ter.</p>



<p>Além de sermos pessoas faltantes pela tragédia da escravidão, pela manutenção disso no capitalismo, nós também somos pessoas de inteligência, de tática, que pensam, que articulam. Que entendem de economia, de política, de jurisprudência, de lei, de cultura, de artes, de educação, de matemática e de inteligência artificial. A gente também está querendo ser reconhecida nesse lugar. Para além do lugar que é real, ninguém está negando isso, das sujeitas assaltantes a quem o Estado precisa prover com políticas públicas em escala.</p>



<p><strong>Nesses lugares de representação, que estratégia a gente precisa adotar enquanto sociedade para aumentar essa representação de mulheres negras nesse espaço de poder?</strong></p>



<p>Primeiro é a luta, o que a gente aprendeu com quem veio antes. É ter o campo da denúncia, da luta. De não transigir de alguns princípios, de saber aquilo que a gente negocia e aquilo que a gente não negocia e ter estratégias de formação das nossas meninas e mulheres para dizer o que cabe a cada uma de nós.</p>



<p>Há quem quer estar na universidade, há quem quer estar na política institucional, há quem quer estar na mídia, na imprensa, há quem quer estar nos territórios, nas organizações não governamentais. Então, acho que a gente precisa ter estratégia de essa coisa de ninguém largar a mão de ninguém, se ela tem uma verdade, é a verdade do ponto de vista da estratégia de dizer quem nós somos, de onde a gente veio e para onde a gente quer ir.</p>



<p>E é pensar isso coletivamente, pensar isso de maneira estratégica. E dizer que a gente não vai recuar. De onde a gente veio até onde a gente chegou não há possibilidade mais de recuo, nem do ponto de vista discursivo, nem do ponto de vista da prática.</p>



<p></p>
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		<title>Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 22:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
		<category><![CDATA[rio Tejipió]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura de uma Carta Manifesto e coleta de testemunhos de moradores sobre os impactos do Projeto ProMorar/BID na Bacia do Rio Tejipió.</p>



<p>O documento, que será apresentado às autoridades municipais, ao Judiciário e a organismos internacionais como Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), denuncia a falta de transparência do escritório social responsável por fazer a ligação entre a Prefeitura do Recife e as comunidades atendidas pelo programa. Além disso, também há queixas referentes aos riscos à saúde provocados pelas enchentes recorrentes e a ineficiência das obras de dragagem nas imediações da comunidade do Barro, realizadas em 2024.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Trecho da Carta Manifesto</span>

		<p>&#8220;As comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, por meio das entidades acima citadas, vêm reivindicar publicamente informações claras, transparentes e prévias sobre o andamento do PROMORAR em seus territórios; a garantia de participação efetiva nos processos de deliberação sobre os projetos; a comunicação antecipada acerca de eventuais reassentamentos das famílias que poderão ser impactadas; a apresentação de propostas de moradia adequada para essas famílias; a regularização fundiária dessas localidades; e, sobretudo, a implementação de soluções que ponham fim às inundações e aos alagamentos que, de forma recorrente, impõem perdas materiais, comprometem a saúde física e mental e que violam o direito à vida digna das moradoras e dos moradores&#8221;.</p>
	</div>



<p>Entre as reivindicações estão a garantia de permanência das famílias no território, reassentamento apenas após a entrega das novas unidades habitacionais, indenizações justas de no mínimo R$ 85 mil e obras estruturantes contra alagamentos. O movimento também exige maior participação feminina nos processos decisórios e formativos, ao criticar a superficialidade das ações voltadas às mulheres ao citar as oficinas de estética e autocuidado oferecidas pelo programa.</p>



<p>O evento contará com a presença de entidades como Instituto Solidare, Instituto Transformar, Cendhec, MNDH/PE, Nós na Criação e Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte), além de lideranças religiosas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-722x1024.jpeg" alt="A imagem de um cartaz que traz uma mensagem direta e mobilizadora: “Até quando vamos sofrer com as inundações? É hora de agir!”. Ele convoca moradores cansados de perder móveis, ver suas casas alagadas e viver com medo sempre que chove a se unir ao Movimento Gota D’Água. O ato está marcado para sábado, 25 de julho, com concentração às 6h da manhã no Marco Zero, em Recife. Haverá ônibus saindo das comunidades às 4h30, e o texto encerra com o chamado: “Sua presença pode mudar essa história”." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: reprodução</span>
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