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	<title>Jeniffer Oliveira, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Jeniffer Oliveira, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>&#8220;A gente não vai recuar&#8221;, garante Rosane Borges</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 09:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[antirrascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pensar na construção de uma coletividade que atenda de maneira justa às demandas da sociedade, é pensar na participação direta de todos os grupos que estão sendo impactados com as decisões do Estado. Em uma passagem recente pelo Recife, a professora e pesquisadora Rosane Borges, lançou seu novo livro Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, [&#8230;]</p>
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<p>Pensar na construção de uma coletividade que atenda de maneira justa às demandas da sociedade, é pensar na participação direta de todos os grupos que estão sendo impactados com as decisões do Estado. Em uma passagem recente pelo Recife, a professora e pesquisadora Rosane Borges, lançou seu novo livro <em>Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível</em>, e trouxe reflexões importantes para projetar um futuro em que grupos ditos minoritários estejam no centro do debate.</p>



<p>Acompanhada pelas jornalistas Kauana Portugal e Catarina de Angola, e pela ativista Ingrid Farias, o debate de lançamento apresentou perspectivas que envolvem política, comunicação, território e transformação social. Com a presença de ativistas, coletivos e organizações da sociedade civil, o encontro fez parte da programação do Julho das Pretas, organizada pelo Observatório Feminista do Nordeste.  </p>



<p>Neste dia internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25), a Marco Zero traz as reflexões da professora para a construção de um novo mundo onde a participação das mulheres negras tecem um futuro de bem-viver para a coletividade. Pessoas negras, pessoas indígenas, pessoas LGBTQIAPN+, corpos dissidentes, brancos, pessoas rurais e pessoas da área urbana trabalhando para que seja um mundo possível para todos. &#8220;É escandaloso ter apenas um grupo que pensa e decide o que é o país, o que é o comum desse país&#8221;, analisa Borges.</p>



<p>A data é comemorada em homenagem ao primeiro Encontro de Mulheres Afrolatinoamericanas e Afrocaribenhas ocorrido em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana. O encontro marcou a história da luta de mulheres afrodescendentes ao reunir centenas de mulheres de mais de 32 países para discutir e encontrar estratégias para combater o racismo e o sexismo. Trinta e quatro anos depois, essas mesmas mulheres continuam na luta para garantir que os direitos conquistados não sejam retirados e que novas formas de viver sejam pensadas em uma dinâmica de justiça social e racial.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:45% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-76246 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-1365x2048.jpg 1365w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/IMG_9951DSC04256-scaled.jpg 1707w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Rosane Borges é referência para os estudos sobre comunicação, raça, gênero e cultura. Jornalista, escritora e professora, é doutora em Ciências da Comunicação pela USP, professora convidada do Diversitas (FFLCH-USP), coordenadora da Escola Online Longa e docente da PUC-SP. Além do livro lançado em julho, ela é autora de diversos livros, entre eles: <em>Fragmentos do tempo presente </em>(2021), <em>Esboços de um tempo presente</em> (2016), <em>Mídia e Racismo</em> (2012) e <em>Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro</em> (2004).</p>



<p></p>
</div></div>



<p>Marco Zero &#8211;<strong>No livro, você parte dos modelos sociais atuais. Então, de uma forma geral, como é que você tem avaliado esses modelos da contemporaneidade?</strong></p>



<p><strong>Rosane &#8211;</strong> São modelos em colapso. Por isso que eu começo falando no meu livro que é a queda de céu, a queda de tudo, na trilha do Davi Kopenawa, porque é um modelo que já se esgotou. Tanto do ponto de vista da política institucionalizada, quando a gente vê o Donald Trump, quando a gente vê Netanyahu, quando a gente vê Milei, quando a gente vê o bolsonarismo, a gente diz que isso se esgotou, porque isso não é política, é antipolítica, é o politicismo.</p>



<p>Do ponto de vista das relações sociais, há o esgarçamento das relações sociais, dos afetos palavra que a gente tá usando muito que tá até desgastada, mas é preciso a gente pensar o que que a gente tá chamando de afeto. Então, tem o esgarçamento dos afetos, tem o esgarçamento da sociabilidade. A pandemia brutalizou a gente no espaço público, acho que tem uma brutalidade. Tem um rebaixamento da inteligência coletiva, eu acho que as redes sociais elas jogam um papel fundamental nesse rebaixamento da inteligência coletiva.</p>



<p>A gente tem uma predação ambiental. A pergunta que até coloco no livro que a gente tem que fazer é: aonde que a gente vai com as nossas trouxas de roupas? Porque os lugares, os territórios estão cada vez mais sendo destruídos e devastados. E não é pela natureza, é pela ação do homem. Então, acho que o que a gente tem hoje no contexto das relações vigentes é a degradação, é o colapso, é um capitalismo de crise que avança para dentro das nossas subjetividades, colonizando as nossas subjetividades. Para além de avançar para fora esse capitalismo que não viu fronteiras, que o dinheiro não tem fronteiras, só as pessoas que são interditadas, a política migratória interdita pessoas, mas não interdita o capital.</p>



<p>Então, esse é um contexto nefasto e ao mesmo tempo contraditório, porque nós chegamos do ponto de vista da performatividade técnica a uma alta performatividade, inteligência artificial, às tecnologias da inteligência em geral, para além da inteligência artificial. A gente tem um contexto de um poder maquínico das máquinas, ou seja, a gente tem uma performatividade técnica elevada, mas que, contraditoriamente, a gente tem um rebaixamento do que a gente chamou de civilização no passado, de pacto civilizatório, de sociedade, de humanidade, de bem-estar, de direito.</p>



<p>Então, eu acho que esse é o contexto que o livro traz no primeiro momento. E aí é preciso, nesse contexto ruim, difícil, que é inviável para a gente, inclusive para a gente cogitar uma vida digna, é um contexto inviável para uma vida digna, a gente cogitar possibilidade de outra forma de existência, que já, inclusive, estão em pleno exercício das matrizes indígenas às matrizes africanas.</p>



<p><strong>Pensando um pouco nesse contexto de transformação da sociedade, quais as principais contribuições das mulheres negras e dos grupos ditos minoritários para o debate sobre democracia, sobre justiça social, sobre a erradicação das desigualdades?</strong></p>



<p>O nosso papel é um papel importante, porque sempre é aquele que faz um movimento antecedente. Ou seja, para além de a gente dizer que a gente precisa participar da vida coletiva dentro de um desenho federativo, qual o nosso passo antecedente? A gente, inclusive, questiona o desenho federativo. A gente não só está pedindo e reivindicando por políticas públicas. E parte das políticas públicas do Brasil só existem graças à reivindicação histórica dos grupos historicamente discriminados, mas ao mesmo tempo que a gente pede por políticas públicas, a gente questiona as normas da institucionalidade.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;a gente reivindica acesso ao mundo, mas também a gente postula transformação desse mundo&#8221;.</p>
</div>


<p>A gente aponta os limites da democracia e a gente diz que não cabe, não vale apenas a gente ter representação num contexto de um mundo do que precisa ser reestruturado. Então, eu acho que nosso papel é bifronte, importante, porque a gente reivindica acesso ao mundo como ele é, a gente precisa reivindicar acesso ao mundo, participar da vida coletiva como ela é, capitalista, excludente, etc., mas também a gente postula transformação desse mundo. Ou seja, eu acho que a nossa grande contribuição é acesso ao mundo como ele é, na mesma medida que também a gente tenta transformar esse mundo, tenta questionar as normas que atribuem reconhecimento diferenciado, como já diria Judith Butler.</p>



<p>Tenta dizer que esse modelo de Estado tem que ser repensado. É por isso que o nosso olhar é sempre um olhar muito utópico. É um olhar que a gente diz, &#8216;tá bom, como é que a gente faz não só para participar da vida, para jogar o jogo, mas para a gente mudar as regras desse jogo&#8217;. E dizer, inclusive, que não é nem mudar as regras do jogo, o jogo tem que ser outro, não são só as regras.</p>



<p><strong>Como é que a gente pode pensar no fim desse mundo e na construção de um mundo possível, pensando também na contribuição da comunicação para essa construção?</strong></p>



<p>O que nos conforta é que pensar um outro mundo, pensar os futuros possíveis, não nos leva a pensar na lógica do grau zero, da tábula rasa: &#8216;ah, vamos reiniciar da página em branco&#8217;. O que nos conforta é que quando a gente diz que a gente precisa pensar esse outro mundo, mundo, já existem experiências, laboratórios desse mundo. Eu digo que nós estamos no metaverso desde o 14 de maio, não é? Então a gente tem mundos paralelos, eu acho que o que nos conforta é que esses mundos paralelos de resistência, de reinvenção, de criação, de produção, eles precisam ser projetados como matriz coletiva de uma outra experiência de vida.</p>



<p>E a comunicação é fundamental nesses tópicos, porque também a gente não parte da comunicação como veículo, como a tecnologia, o instrumento. Não é o celular, não é a rede social. Mas a comunicação é uma troca, é um sistema de vínculo que nos proporciona criar a possibilidade de conexão com o outro, sem que esse outro fique no lugar do outro. Contudo, que esse outro projete, também, todos os eus. Então, no momento de alterofobia, na morte do outro, é preciso que a gente reposicione também o debate de comunicação, pois não pode ser reduzido ao debate das <em>big techs</em>. Passa por elas, porque a gente precisa destituir o capitalismo algorítmico, mas é preciso também compreender que a comunicação hoje não deve passar apenas pela lógica algorítmica que orienta perfis, comoditiza as vidas, porque você faz uma curadoria de si.</p>



<p>Pensar comunicação nesse sentido é fundamental, porque ela deixa de ser apenas uma estratégia para determinado fim, mas ela passa a ser também um princípio que acompanha estratégias de produção de vínculo, de construção de subjetividades, de instituição de outras plataformas e etc.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Rosane Borges, Kauana Portugal, Catarina de Angola e Ingrid Farias debatem os futuros possíveis
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Mariana Lira</span>
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                    </figure>

	


<p><strong>Qual a importância de mulheres negras e periféricas na construção do imaginário de um futuro possível, justo e menos difícil?</strong></p>



<p>Eu acho que a importância é exatamente no sentido que a gente olha. Se a gente pensar hoje o contexto das eleições, a gente vive, em termos de enunciado, um imaginário empobrecido, porque do ponto de vista social, a gente tem uma narrativa empobrecida sobre o que é política, sobre o que é política pública e etc. Então, qual o nosso papel enquanto mulheres negras? Quando eu digo no livro que é preciso que a gente geste o impossível, que a gente amplia os horizontes do possível. O nosso papel é trazer narrativas que sejam mais ousadas. </p>



<p>Veja, a gente está na narrativa que a gente não quer que a extrema-direita venha, a gente não quer que ditadura venha. Então, a gente está numa narrativa, inclusive, reativa. A gente deixou de ter uma narrativa propositiva. Quando a gente fala em imaginário, a gente está propondo, a gente não está só reagindo. A gente não está só combatendo a regressão. A gente está dizendo também como é que pode vir a emancipação. </p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;&#8230;é preciso que a gente amplie os horizontes do possível. O nosso papel é trazer narrativas que sejam mais ousadas&#8221;. </p>
</div>


<p>O nosso grande papel, quando a gente fala de imaginários na política, a gente está falando também de possibilidades, de sonhar, de emancipar, de criar uma narrativa em que as pessoas possam dizer: essa narrativa coletiva, é uma narrativa do sonho, da esperança, da transformação. E não apenas da manutenção, da contenção da crise, da defesa. Porque é isso, a gente está no contexto da defesa ao monstro que continua arriscando não só o Brasil, mas o mundo e a América Latina. Se a gente pensar o que são as eleições desse ano, a América Latina é um horror.</p>



<p><strong>No lançamento do livro, o Observatório Feminista do Nordeste fez a provocação de quem tem sido reconhecido como capaz de imaginar o futuro do Brasil. </strong><strong>Então, queria perguntar a você: quem tem sido reconhecido por imaginar o futuro do Brasil?</strong></p>



<p>Homens brancos, urbanos, de preferência sudestino, que a eles é atribuído o discurso competente de pensar a coisa pública e os destinos de uma coletividade. Isso é tão terrível e, ao mesmo tempo, tão cristalino tão real, porque é um país que segue dando a homens brancos o poder de definir os destinos de uma coletividade, é um país que coloca em risco a sua própria democracia.</p>



<p>Se a gente pensar a origem da democracia grega, tem um pensador que eu gosto muito, o Jacques Rancière, que ele vai dizer que a democracia grega começa com o vício de origem. E é a democracia grega que vai inspirar a democracia ocidental liberal. Ele vai dizer qual é o vício de origem que a democracia grega nasce, ela carrega. Na democracia grega nem todo mundo podia falar, as mulheres não podiam falar, a criança não tinha o direito à fala. O artesão estava ocupado com o trabalho manual, então ele não falava no espaço público.</p>



<p>Aí ele dizia o seguinte, quem falava na democracia grega? Homens adultos que definiam os destinos de uma coletividade, definiam o comum. O comum é isso, é a economia, é a política, é o vestimento, é a cultura, são as regras que ordenam uma comunidade. Se a gente pensar o Brasil, a gente também carrega esse vício da democracia grega com um acréscimo terrível, a exclusão de mulheres, de indígenas e de pessoas negras, de mulheres negras, da população LGBTQIAPN +.</p>



<p>Por que a gente fica um dia assim e outro também, que nós temos que ter uma mulher no Supremo Tribunal Federal (STF)? Max Weber dizia que as três instâncias do poder, eram direitos (social), economia e política. Se a gente pensar que esse é o tripé que sustenta o poder de uma sociedade, a gente está ausente. Quando a gente olha para o STF, a nossa instância máxima, nós não estamos. Quando a gente olha os acordos econômicos, seja a economia privada, os financistas, também nós não estamos. É até bom que a gente não esteja mesmo, porque aquilo ali é o terror. Mas quando a gente pensa em economia pública, nós não estamos.</p>



<p>Quando a gente pensa política, nós estamos chegando com muita luta com as mandatas, a vereança e etc. Mas nós também não somos ministras para além dos lugares que eles acham que a gente deve estar. Pensar os destinos de uma coletividade é ter uma corporeidade que não seja apenas a corporeidade branca. A gente não tá querendo excluir as pessoas brancas a gente quer dizer &#8216;é o seguinte, para pensar os destinos de uma coletividade, você tem que ter pessoas negras, mulheres negras, pessoas indígenas, pessoas LGBTQIAPN +, corpos dissidentes, brancos, pessoas rurais e pessoas da área urbana&#8217;. Não se trata apenas do cálculo da representatividade, trata-se de você pensar o poder e a corporeidade do poder. É escandaloso ter apenas um grupo que pensa e decide o que é o país, o que é o comum desse país.</p>



<p>Você ter o ministro da economia, ele está definindo os destinos de todo mundo. E normalmente, hora a hora, é só o homem branco que define os destinos de uma coletividade. E a gente veio para dizer o seguinte, na linha da Érica: não toleraremos mais. A gente não quer só ser destinatário de políticas públicas. A gente não quer só ser exibida pelos governos, mesmo progressistas, que dizem &#8216;olha, o que eu fiz por vocês&#8217;. Não. A gente reconhece que tem que ter política mesmo para quem está na base. A gente não está querendo dizer que não tem que ter.</p>



<p>Além de sermos pessoas faltantes pela tragédia da escravidão, pela manutenção disso no capitalismo, nós também somos pessoas de inteligência, de tática, que pensam, que articulam. Que entendem de economia, de política, de jurisprudência, de lei, de cultura, de artes, de educação, de matemática e de inteligência artificial. A gente também está querendo ser reconhecida nesse lugar. Para além do lugar que é real, ninguém está negando isso, das sujeitas assaltantes a quem o Estado precisa prover com políticas públicas em escala.</p>



<p><strong>Nesses lugares de representação, que estratégia a gente precisa adotar enquanto sociedade para aumentar essa representação de mulheres negras nesse espaço de poder?</strong></p>



<p>Primeiro é a luta, o que a gente aprendeu com quem veio antes. É ter o campo da denúncia, da luta. De não transigir de alguns princípios, de saber aquilo que a gente negocia e aquilo que a gente não negocia e ter estratégias de formação das nossas meninas e mulheres para dizer o que cabe a cada uma de nós.</p>



<p>Há quem quer estar na universidade, há quem quer estar na política institucional, há quem quer estar na mídia, na imprensa, há quem quer estar nos territórios, nas organizações não governamentais. Então, acho que a gente precisa ter estratégia de essa coisa de ninguém largar a mão de ninguém, se ela tem uma verdade, é a verdade do ponto de vista da estratégia de dizer quem nós somos, de onde a gente veio e para onde a gente quer ir.</p>



<p>E é pensar isso coletivamente, pensar isso de maneira estratégica. E dizer que a gente não vai recuar. De onde a gente veio até onde a gente chegou não há possibilidade mais de recuo, nem do ponto de vista discursivo, nem do ponto de vista da prática.</p>



<p></p>
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		<title>Lideranças comunitárias e evangélicas se unem para protestar por transparência do ProMorar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 22:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
		<category><![CDATA[rio Tejipió]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Neste sábado (25), o Movimento Gota D’Água, formado por organizações sociais, lideranças comunitárias e evangélicas realizará um ato público na Praça do Marco Zero, em Recife, a partir das 7h da manhã. O encontro reunirá moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, lideranças sociais e igrejas evangélicas para a leitura de uma Carta Manifesto e coleta de testemunhos de moradores sobre os impactos do Projeto ProMorar/BID na Bacia do Rio Tejipió.</p>



<p>O documento, que será apresentado às autoridades municipais, ao Judiciário e a organismos internacionais como Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), denuncia a falta de transparência do escritório social responsável por fazer a ligação entre a Prefeitura do Recife e as comunidades atendidas pelo programa. Além disso, também há queixas referentes aos riscos à saúde provocados pelas enchentes recorrentes e a ineficiência das obras de dragagem nas imediações da comunidade do Barro, realizadas em 2024.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Trecho da Carta Manifesto</span>

		<p>&#8220;As comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral, por meio das entidades acima citadas, vêm reivindicar publicamente informações claras, transparentes e prévias sobre o andamento do PROMORAR em seus territórios; a garantia de participação efetiva nos processos de deliberação sobre os projetos; a comunicação antecipada acerca de eventuais reassentamentos das famílias que poderão ser impactadas; a apresentação de propostas de moradia adequada para essas famílias; a regularização fundiária dessas localidades; e, sobretudo, a implementação de soluções que ponham fim às inundações e aos alagamentos que, de forma recorrente, impõem perdas materiais, comprometem a saúde física e mental e que violam o direito à vida digna das moradoras e dos moradores&#8221;.</p>
	</div>



<p>Entre as reivindicações estão a garantia de permanência das famílias no território, reassentamento apenas após a entrega das novas unidades habitacionais, indenizações justas de no mínimo R$ 85 mil e obras estruturantes contra alagamentos. O movimento também exige maior participação feminina nos processos decisórios e formativos, ao criticar a superficialidade das ações voltadas às mulheres ao citar as oficinas de estética e autocuidado oferecidas pelo programa.</p>



<p>O evento contará com a presença de entidades como Instituto Solidare, Instituto Transformar, Cendhec, MNDH/PE, Nós na Criação e Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte), além de lideranças religiosas.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/07/Movimento-Gota-Dagua-722x1024.jpeg" alt="A imagem de um cartaz que traz uma mensagem direta e mobilizadora: “Até quando vamos sofrer com as inundações? É hora de agir!”. Ele convoca moradores cansados de perder móveis, ver suas casas alagadas e viver com medo sempre que chove a se unir ao Movimento Gota D’Água. O ato está marcado para sábado, 25 de julho, com concentração às 6h da manhã no Marco Zero, em Recife. Haverá ônibus saindo das comunidades às 4h30, e o texto encerra com o chamado: “Sua presença pode mudar essa história”." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: reprodução</span>
                                    </figcaption>
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		<title>Caatinga Climate Week 2026 coloca semiárido no centro do debate climático</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 20:52:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caatinga]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Sabiá]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A segunda edição do Caatinga Climate Week acontece de 1 a 3 de julho. A abertura ocorre no Centro Cultural Cais do Sertão, no Recife, e segue para o agreste pernambucano nos dias seguintes. Promovido pelo Centro Sabiá e pelo Instituto Socioambiental (ISA), o evento reúne painéis e diálogos entre diferentes atores da sociedade civil [&#8230;]</p>
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<p>A segunda edição do Caatinga Climate Week acontece de 1 a 3 de julho. A abertura ocorre no Centro Cultural Cais do Sertão, no Recife, e segue para o agreste pernambucano nos dias seguintes. Promovido pelo Centro Sabiá e pelo Instituto Socioambiental (ISA), o evento reúne painéis e diálogos entre diferentes atores da sociedade civil para discutir a Caatinga. A iniciativa é inspirada nas semanas do clima realizadas em diversas partes do mundo e busca colocar o bioma exclusivamente brasileiro no centro do debate climático global.</p>



<p>Sob o tema A Caatinga falando para o mundo, a programação deste ano tem como objetivo amplificar as vozes de quem já constrói soluções concretas nos territórios do semiárido. Estão previstas participações de lideranças indígenas e quilombolas, agricultores e agricultoras familiares, representantes de movimentos sociais, articuladores da agenda socioambiental e gestores públicos, em uma programação que se dispõe a conectar saberes tradicionais, ciência, inovação social e justiça climática.</p>



<p>Após o dia de abertura no Recife, o evento segue nos dias 2 e 3 de julho com uma expedição pelo agreste pernambucano, quando os participantes visitarão experiências concretas de adaptação às mudanças climáticas desenvolvidas por comunidades locais. A programação &#8220;do cais ao sertão&#8221; reforça a proposta de aproximar debate urbano e vivência territorial, levando os participantes a conhecer de perto as tecnologias sociais criadas ao longo de gerações para viabilizar a convivência com o Semiárido.</p>



<p>A Caatinga ocupa cerca de 11% do território nacional, estendendo-se por dez estados do Nordeste e pelo norte de Minas Gerais. Historicamente marcada pela escassez hídrica e por desigualdades socioambientais, a região tem sido cada vez mais impactada pelos efeitos das mudanças climáticas. Ainda assim, é também reconhecida como um território de respostas: povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares desenvolveram, ao longo do tempo, conhecimentos e práticas voltados à produção de alimentos, à conservação ambiental e à gestão sustentável dos recursos naturais.</p>



<p>Realizada pela primeira vez em 2025, o evento propõe reconhecer a Caatinga como território de inovação, resistência e futuro. A programação completa está disponível no <a href="https://www.caatingaclimateweek.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site oficial</a> do evento, e atualizações podem ser acompanhadas pelo perfil da iniciativa no <a href="https://www.instagram.com/caatingaclimateweek/" type="link" id="https://www.instagram.com/caatingaclimateweek/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram</a>.</p>



<p></p>
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		<title>Mastectomia no SUS devolve liberdade do banho de mar para pessoas transmasculinas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2026 18:54:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[CISAM]]></category>
		<category><![CDATA[dia do orgulho LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[homens trans]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital da Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital das Clínicas]]></category>
		<category><![CDATA[mastectomia]]></category>
		<category><![CDATA[orgulho LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas trans]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tomar um banho de mar livremente pode não ser algo tão fácil para algumas pessoas. A comunidade trans e travesti, ou seja, das pessoas que não se identificam com o sexo atribuído na certidão de nascimento, enfrenta estigmas e preconceitos diariamente e uma simples ida a praia é motivo de medo e insegurança. Isso, no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tomar um banho de mar livremente pode não ser algo tão fácil para algumas pessoas. A comunidade trans e travesti, ou seja, das pessoas que não se identificam com o sexo atribuído na certidão de nascimento, enfrenta estigmas e preconceitos diariamente e uma simples ida a praia é motivo de medo e insegurança. </p>



<p>Isso, no entanto, está mudando. Homens trans e pessoas transmasculinas têm recorrido cada vez mais ao Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer os tratamentos hormonais e cirurgias necessárias para reafirmar suas identidades, a exemplo da mastectomia bilateral masculinizadora ou mamoplastia masculinizadora  (retirada das mamas) e da histerectomia, nome que se dá à retirada de útero e ovários.</p>



<p>O SUS é um catalisador dessa afirmação e, apesar dos desafios, contribui com a adequação de gênero dessa comunidade. Em Pernambuco, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), vinculado à Universidade de Pernambuco (UPE) e o Hospital da Mulher do Recife realizam acompanhamento ambulatorial e realizam as cirurgias de readequação de gênero. A Policlínica Lessa de Andrade também oferece o atendimento ambulatorial.</p>



<p>Juntos, os três hospitais já realizaram 99 procedimentos de mastectomia. No Hospital das Clínicas (HC), primeiro do estado a oferecer o serviço, desde 2016 foram 54 procedimentos, o Cisam/UPE realizou 21, enquanto no Hospital da Mulher aconteceram 24. Com a chegada da cirurgia no Hospital da Mulher, o acesso ao serviço por parte das pessoas trans atendidas foi acelerado, considerando que a fila foi reduzida. Hoje, o tempo médio de espera na unidade por alguma dessas cirurgias demora de 45 a 60 dias. </p>



<p>“Cada dia que passa é algo muito grandioso. É acordar e se sentir bem, se sentir dentro de você mesmo. Sair sem ter tanto medo, porque é isso que eu sentia quando eu tinha as mamas”, conta o auxiliar de serviços gerais, Jack Mowatt, de 30 anos, que recentemente fez a mastectomia bilateral masculinizadora no Hospital da Mulher do Recife.</p>



<p>Foi possível ver o brilho no olhar de Jack ao contar como o procedimento realizado há pouco mais de dois meses transformou sua vida. Ele foi uma das dez primeiras pessoas trans a passar pelo bloco cirúrgico no Hospital da Mulher, que começou a oferecer o serviço no final de 2025.</p>



<p>Natural de Rio Formoso, na mata sul de Pernambuco, veio morar no Recife aos 12 anos de idade. Desde criança sempre soube quem era, mas só ao chegar na capital e conhecer e dialogar com outros homens trans, pôde compreender melhor sua identidade ainda durante a adolescência.</p>



<p>Os desafios foram muitos e apenas na vida adulta começou o acompanhamento para a readequação de gênero. “Só agora na fase adulta é que eu consegui, de fato, ter essa autonomia, tanto financeira quanto pessoal, para encarar uma terapia, me entender melhor pra chegar nesse processo da transição e da mastectomia também”, afirma.</p>



<p>Jack conta que começou seu acompanhamento no Hospital da Mulher para um tratamento de mioma no ambulatório especializado da unidade. Por causa desses problema de saúde, precisou fazer uma histerectomia e passou a ser atendido pelo serviço de acompanhamento psicológico. O tratamento hormonal veio dois anos depois, culminando com a mastectomia em abril de 2026.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-23-at-11.24.37-1024x683.jpeg" alt="A imagem mostra Jack Mowatt, uma pessoa jovem ajoelhada em uma quadra esportiva coberta, sorrindo amplamente e abrindo os braços em sinal de comemoração. À sua frente, há três troféus metálicos de tamanhos diferentes, todos brilhantes e ornamentados — o maior tem alças curvas e uma tampa com uma pequena figura alada no topo. A pessoa veste um uniforme esportivo preto com detalhes lilás e rosa, e um crachá pendurado no pescoço. No uniforme, há um logotipo circular com o desenho de um felino e algumas palavras parcialmente legíveis. Ao fundo, vê-se arquibancadas com assentos coloridos em amarelo, azul e verde, além de banners com inscrições como “Recife”, “2025” e “Movimento”." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Jack Mowatt passou pela cirurgia de mastectomia em abril de 2026
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“É como se fosse algo que você não reconhecesse no seu corpo. Algo que incomodasse. Algo que fosse desconfortável em você, como uma mancha, algo assim. E quando você tira aquilo parece que tudo muda. A qualidade de vida diferente, surreal de tudo que eu já tinha sentido. Até quando vestia uma roupa qualquer, quando ia na praia não tirava roupa, não tomava um banho, ficava só era naquele chuveirão e muito mal, e corria logo porque achava que alguém estava olhando parecia uma fobia. Agora estou bem mais relaxado”, reflete.</p>



<p>Agora, Jack segue livre para ser quem é no seu trabalho em uma academia de <em>crossfit</em>, no sonho de realizar a graduação de Educação Física e como jogador no time de futsal Força Trans.</p>



<h2 class="wp-block-heading">“Sempre fui uma pessoa do mar”</h2>



<p>“Passando pra dar notícias para pessoas que amo muito que deu tudo certo com minha mastectomia, estou aqui na recuperação”, esse foi o áudio enviado pelo multiartista e artivista Vyvo Dayo, de 29 anos, poucas horas após sua mastectomia que aconteceu no sábado, 27 de junho, um dia antes do dia do orgulho LGBTIA+. Conversamos com Dayo dois dias antes para entender a expectativa que vivia. </p>



<p>Acompanhado pelo Cisam/UPE, o multiartista não imaginava que sua cirurgia iria ser realizada agora, pois a fila de espera na unidade é longa, por atender a todo o estado. No entanto, acabou conseguindo o procedimento no Hospital da Mulher, unidade que está ajudando a desafogar as filas de espera dos hospitais maiores.</p>



<p>Segurança e saúde são os fatores que mais pesaram para Dayo nos dias de expectativa antes da cirurgia, afinal as pessoas trans e travestis convivem durante anos com o medo de agressões e violações, o que as obriga a usarem mecanismos para disfarçar determinadas características. No caso de quem tem mama, é comum usar fitas e o <em>binder</em>, uma espécie de colete colocado para comprimir os seios. Por este e outros motivos, Dayo vê na mastectomia uma nova possibilidade de viver. E viver com qualidade. </p>



<p>“A minha expectativa para ter uma mastectomia é muito porque quero esse lugar da segurança, da segurança e da saúde. De não estar usando roupas ou fitas prendendo o meu peito, pois depois do uso o mpeito fica cortado. Quantas vezes meu peito fica todo machucado&#8230; às vezes com partes em carne viva, porque eu não consegui me adequar, inclusive ao binder por causa da respiração, já tive falta de ar”, desabafa.</p>



<p>O procedimento pode trazer a segurança necessária para fazer aquilo que, em outro tempo, era parte da rotina. “Sempre que eu tinha um tempinho eu corria ou então até me exercitar na praia, enfim, sempre fui uma pessoa muito do mar, da praia e também uma pessoa de muito de não ter vergonha de mostrar a minha pele, de gostar de roupas curtas. A transição voltada para os corpos, para as identidades da gente, cai muito nisso de não mostrar o seu corpo, por isso transmasculinas usam muito roupas folgadas”, conta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-28-at-08.30.16-768x1024.jpeg" alt="A imagem mostra uma pessoa jovem deitada em uma cama, sorrindo para a câmera em um ambiente de aparência simples e clara. Essa pessoa tem pele clara, cabelo curto e loiro, barba rala e bigode. Está sem camisa e parece relaxada, com expressão tranquila e alegre. Ao lado da cabeça há uma camiseta cinza dobrada e um travesseiro preto. No fundo, vê-se uma parede branca com um painel elétrico fixado, contendo tomadas e cabos conectados — o que dá a impressão de um quarto ou ambiente hospitalar." class="" loading="lazy" width="564">
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	                                        <p class="m-0">Dayo foi operado na véspera do Dia do Orgulho LGBTQIA+
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo pessoal</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Diferente de Jack, o multiartista é uma pessoa não-binária, cuja identidade de gênero não se encaixa nos gêneros tradicionais, transitando entre eles. Por isso, conta que diversas vezes já foi confundido com mulheres trans ou homens gays afeminados. “Cada vivência é submetido a um controle diferente. O controle que bate muito na gente é que transmasculino, pessoas não-binárias, passa por ‘esconda esse corpo, não se mostre’, afirma.</p>



<p>Até se entender como não-binário, Dayo passou por conflitos internos, processos depressivos e questionamentos, mas conta que a arte ajudou a salvá-lo. “Me descobri uma pessoa não-binária com uns 24 anos, mas ainda com muito medo do que isso iria significar socialmente. Sentia muito medo da repressão que já sofria sem apoio, sem referência. Até que fui buscando coletivos e descobrir referências na cultura <em>ballroom</em>”, relembra.</p>



<p>A cultura <em>ballroom</em> é um movimento político, artístico e de resistência criado por pessoas negras, latinas e LGBTQIA+ nos Estados Unidos na década de 1960. Esse movimento vai além de entretenimento, atuando como rede de apoio e acolhimento para corpos dissidentes, celebrando a diversidade por meio da dança, moda e autoexpressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Saúde e pertencimento caminham juntos</strong></h2>



<p>Há três anos, a organização não governamental <a href="https://gestos.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gestos</a> passou a oferecer atendimento psicológico em grupo para homens trans e transmasculinos, dos 18 aos 29 anos. Para a psicóloga Juliana Mazza, que acompanha o grupo desde o início, o procedimento é desejado pela maioria das pessoas atendidas no grupo, salvo algumas exceções que não o fariam por diferentes fatores.</p>



<p>&#8220;A gente percebeu que eles recebem a pessoa que fez a mastectomia de volta no grupo com muita felicidade e com muita propriedade. E a gente foi perguntando quem faria, quem não faria. E digamos que 98% do grupo faria a mastectomia. As pessoas que não fariam são as pessoas que, ou tem muito medo da cirurgia, acham que a cirurgia vai ser muito desgastante, ou temem o resultado, tem medo do processo. Ou ainda pessoas que, por terem as mamas pequenas, acreditam que com treino e hormônio conseguem bom resultado sem intervenção&#8221;, analisa.</p>



<p>Para a profissional a cirurgia também reduz a disforia, que tem a ver com a incompatibilidade dessa imagem corporal da pessoa. Ela explica que &#8220;a disforia tem relação com a saúde mental e com a imagem corporal. É conseguir ficar bem com o seu corpo. Essa ideia de se olhar no espelho, de se sentir como se não tivesse algum órgão intruso no corpo, sabe? Por isso que chamam de intruso também. Então, além de diminuir a disforia de gênero, aumenta a autonomia. Porque a ideia de poder treinar, de poder ir à praia, de poder tirar camisa, que tem a ver também com um comportamento que tem relação com o gênero&#8221;. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55355935597_5bc27cfec0_c.jpg" alt="A imagem mostra alguns folhetos impressos dispostos sobre uma superfície clara, como uma mesa. O foco está em um folheto em primeiro plano, enquanto os outros aparecem desfocados ao fundo. O folheto principal é de cor branca e contém texto em português com mensagens de conscientização sobre respeito às pessoas trans. No centro, lê-se em letras grandes: “PESSOAS TRANS SÃO COMO VOCÊ: HUMANAS E MERECEM RESPEITO”. Abaixo, há a frase “TRANSforme suas ideias!”. O design inclui pequenos símbolos de gênero — masculino, feminino e trans — espalhados ao redor do texto. Na parte superior, há um logotipo de uma instituição, mas os detalhes não estão totalmente legíveis." class="" loading="lazy" width="661">
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	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A enfermeira e supervisora do Espaço Trans do HC da UFPE, Paula Graça, reitera essa ideia da autonomia e liberdade. &#8220;Se sentir bem no seu corpo, se ver, se visualizar como a pessoa se enxerga e ser passável por uma sociedade. A passibilidade quer dizer que ela ou ele passa pela sociedade, transita sem ser identificado como uma pessoa trans. Isso é muito importante porque a gente sabe do estigma, a gente sabe que os olhares e as pessoas trans sentem esse olhar perverso, né? Então, essas cirurgias vão melhorar a autoestima da pessoa, porque ela se sente um homem, ela se sente uma mulher, ela quer ter os órgãos que ela acha que deve ter&#8221;, explica.</p>



<p>Mas nem toda pessoa trans deseja fazer uma intervenção cirúrgica. Graça explica existem pessoas trans que não desejam fazer intervenções e que elas não deixam de ser trans por isso. No entanto, nos casos que existe a disforia é extremamente importante. &#8220;Se essa pessoa tem uma disforia por aquele órgão que é sensual, no caso da mama, que chama a atenção como uma pessoa de gênero feminino, mas ela se sente gênero masculino, então essa mama incomoda. A retirada, a remoção dessa mama e colocar um peitoral masculino faz eles se sentirem livres. Para a questão psicológica da pessoa, a questão social melhora acho que 90%. Não melhora 100% sempre por conta da sociedade&#8221;, avalia.</p>



<p>O processo transexualizador no SUS exige que as unidades tenham equipes multidisciplinares para cuidar e acompanhar os pacientes. O HC tem a equipe composta por enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, endocrinologistas, assistentes sociais, ginecologistas, urologistas, mastologistas, cirurgiões plásticos, fonoaudiólogos, otorrinolaringologia e recepcionista.</p>



<p>No caso do HC, o acompanhamento acontece até um ano após a cirurgia. Apesar de ter sido o quinto serviço de saúde cadastrado no Ministério da Saúde para ter um espaço ambulatorial e cirúrgico para a população trans e travesti, uma referência nacional, o espaço trans enfrenta problemas estruturais. Para efeitos de comparação: desde 2016 foram realizados 54 procedimentos de mastectomia, enquanto que, no Hospital da Mulher do Recife, que começou a oferecer o serviço no fim do ano passado, já foram realizados 24, quase metade.</p>



<p>Isso acontece, porque o HC dispõe de quatro salas cirúrgicas para todos os procedimentos de afirmação de gênero previstos. Com a ampliação da equipe em 2025, foi possível ampliar o número de cirurgias de oito para até 18 ao ano, como explica Graça. Mesmo assim, a fila de espera do hospital é de mais de 1400 pessoas, por este motivo, eles aconselham as pessoas a iniciarem o acompanhamento nos serviços de saúde dos respectivos municípios.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Para não errar!</span>

		<p><strong>Sexo Biológico: </strong>conjunto de características corporais que diferenciam machos e fêmeas, definido desde a concepção. Expressa-se inicialmente pelos genitais: pênis (menino) ou vulva (menina).</p>
<p><strong>Identidade de Gênero:</strong> é como a pessoa se reconhece: masculina, feminina ou uma combinação dos dois, independentemente do sexo biológico. Pode ou não coincidir com o gênero atribuído ao nascer e envolve percepção do corpo, estilo, fala e comportamento social.</p>
<p><strong>Orientação Sexual: </strong>refere-se ao gênero das pessoas por quem sentimos desejo e afeto. Relaciona-se à identidade de gênero dos envolvidos, não ao sexo biológico.</p>
<p><strong>Transgeneridade: </strong>condição de quem possui identidade de gênero diferente daquela designada ao nascer, buscando viver e ser respeitada no gênero com que se identifica. Também chamada de transexualidade ou transidentidade.</p>
<p><strong>Cisgeneridade:</strong> condição de quem possui identidade de gênero correspondente ao gênero atribuído ao nascer.</p>
<p>Fonte: Cartilha Espaço Trans HC-UFPE/HUBrasil</p>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>&#8220;O fim da escala 6X1 é uma questão de luta de classes&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 20:39:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[congresso]]></category>
		<category><![CDATA[escala 6x1]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos meses, o debate sobre o fim da escala 6&#215;1 ganhou fôlego nas redes sociais, na imprensa e no Congresso Nacional a ponto de a Câmara dos Deputados aprovar, por 461 votos favoráveis e 19 contra, a Proposta de Emenda à Constituição 221/19. A PEC reduz a jornada de 44 horas semanais, seis dias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos últimos meses, o debate sobre o fim da escala 6&#215;1 ganhou fôlego nas redes sociais, na imprensa e no Congresso Nacional a ponto de a Câmara dos Deputados aprovar, por 461 votos favoráveis e 19 contra, a Proposta de Emenda à Constituição 221/19. A PEC reduz a jornada de 44 horas semanais, seis dias trabalhados e apenas um de folga para uma realidade de 40 horas semanais, com dois dias de folga, obrigatoriamente, e sem perda salarial. Agora, a disputa pela aprovação final acontece no Senado Federal, onde a proposta está em tramitação.</p>



<p>O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a proposta passará pela análise das comissões, e não diretamente pelo plenário da Casa. A primeira delas é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), comandada por Otto Alencar (PSD-BA). Assim como na Câmara, após passar por uma ou mais comissões, a PEC precisa ser aprovada por três quintos dos senadores em plenário, em duas votações seguidas.</p>



<p>Para entender o que está em jogo e os impactos que a mudança na jornada pode causar na vida do trabalhador e nos setores econômicos do país, a <strong>Marco Zero</strong> entrevistou a economista e pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) Darcilene Gomes. Ela analisa que a redução do tempo de trabalho vai dar fôlego ao trabalhador brasileiro e possibilitar que eleve até a autoestima da classe.</p>



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	                                        <p class="m-0">Pesquisadora da Fundaj Darcilene Gomes acredita que fim da escala 6&#215;1 pode impactar até mesmo a autoestima do trabalhador brasileiro. Crédito: ascom Fundaj</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Marco Zero &#8211; <strong>Como a jornada atual influencia a vida social dos trabalhadores, principalmente em relação à convivência, ao lazer e à saúde?</strong></p>



<p><strong>Darcilene Gomes &#8211;</strong> Obviamente, em uma jornada extensa, como é a de mais de 44 horas semanais, a pessoa tem apenas um dia e meio para todas as outras atividades da vida. É uma redução do espaço para cuidar da própria reprodução, inclusive. Do ponto de vista do trabalhador, é uma jornada cansativa, extensa e que prejudica a saúde física e mental e inclusive também a possibilidade de qualificação e melhoria das condições de vida. <br><br>Pelo fato de você trabalhar o dia inteiro, só resta uma parte do seu dia para fazer todas as outras coisas de que você precisa na vida: estudar, fazer comida, ir ao médico, praticar exercício físico, cuidar de filho, cuidar de casa. Essa equação não fecha, não tem como fechar. Na verdade, esse debate sobre o tempo de trabalho existe desde sempre, desde que o capitalismo existe, pois se trata da apropriação do tempo do trabalhador.</p>



<p>Já tivemos jornadas mais extensas. Agora, é um movimento histórico de redução da jornada de trabalho. Do ponto de vista legal, são poucos os países do mundo que ainda mantêm 44 horas, os países já transitaram para uma jornada menor. Até países aqui vizinhos, um exemplo é <a href="https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/reducao-da-jornada-as-licoes-do-chile-ao-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o Chile, que já tem uma legislação</a> de redução da hora de trabalho.</p>



<p>As novas gerações, da geração Z em diante (considera-se <a href="https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/geracao-z.htm">geração Z</a> o conjunto de indivíduos nascidos entre 1997 e 2009), têm uma relação diferente com o trabalho. Lembro que meu pai trabalhava numa área de construção pesada, de estradas, na construção civil, em que, além de trabalhar a jornada completa, fazia muitas horas extras. Essa geração atual não é mais tão apegada ao trabalho. </p>



<p>Tivemos uma experiência recente, com a pandemia, que mostrou o tanto que avançamos. Uma sociedade civilizada, avançada tecnologicamente, com antibióticos, vacinas, mas, do dia para noite, tivemos que sucumbir a tudo isso e ver parentes, amigos e a sociedade como um todo morrer por conta da covid-19.</p>



<p>Acho que essa experiência está ainda muito próxima da gente. Então vou trabalhar tanto assim para quê? Vem aí de novo um vírus qualquer e eu vou embora no dia seguinte. Então eu preciso viver o agora. Eu acho que o que está talvez muito forte nessas gerações é isso: viver o agora.</p>



<p>O que percebemos é que muitos trabalhadores que ainda estão sob a jornada de 44 horas são mais jovens. Então, por exemplo, onde é comum esse tipo de trabalho? É no comércio e em determinados serviços. Esses setores empregam muito os mais jovens, e os trabalhadores mais jovens já têm uma relação diferente com o trabalho.</p>



<p>Se olharmos, em média, a jornada de trabalho no Brasil, se considerarmos não só o trabalho formal, mas o trabalho com carteira assinada, que é esse que vai ser impactado no primeiro momento, a gente pega a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, essa jornada já é de 40 horas, em média. <br><br>Alguns setores da economia ainda trabalham com 44 horas, mas muitos outros já não trabalham mais com isso. É por isso que a gente diz que a economia vai absorver essa redução da jornada, porque ela já não terá um impacto sobre todos os setores econômicos. Vai ter, mas só para alguns. Alguns setores econômicos vão sentir mais, alguns não vão sentir. Então isso acaba sendo equalizado pela economia como um todo.</p>



<p><strong>Você citou países que já trabalham com essa dinâmica da redução da jornada, como o Chile. Que lição podemos tirar de outros países que já implementaram esses modelos, para um modelo realmente sustentável aqui no país?</strong></p>



<p>O Chile está em transição, mas você tem a França, por exemplo, que é menor ainda, com 36 horas semanais. O que percebemos é um movimento internacional de redução da jornada de trabalho. Nesse momento, no mundo, não estamos falando de elevação da jornada, estamos falando de redução. Nesse sentido, o Brasil não é uma experiência isolada. Não estamos querendo ser uma jabuticaba no mundo. O que queremos é chegar no mesmo sentido de outros países, para onde as outras economias estão indo.</p>



<p>Na verdade, ninguém sabe realmente qual vai ser o impacto disso. O que a experiência internacional mostra é que todo o movimento em curso de melhoria das condições de relação de trabalho e da legislação trabalhista é que ninguém morreu por isso. Inclusive nós tivemos a experiência da redução da jornada de trabalho na Constituição de 1988, de 48 para 44 horas.</p>



<p>O entendimento geral é que a economia vai absorver isso, vai equacionar e o impacto vai se diluindo. Provavelmente, alguns setores, aqueles mais intensivos em trabalho, que utilizam mais essa modalidade de trabalho, podem sentir. Eles vão pensar, &#8220;ah, pequena empresa talvez sinta mais&#8221;, mas esses impactos a gente só vai ter realmente clareza deles mais para frente. Quando implantarmos, quando sentirmos qual foi o resultado, vamos saber exatamente que setores foram mais e menos impactados.</p>



<p>A partir daí, o governo pode criar programas específicos para esses setores que tiverem problemas. Mas como eu falei, boa parte dos setores não vai ter problemas. E tem mais, é muito difícil analisarmos em todas as partes. Ao mesmo tempo em que alguns setores podem ter problemas, aqueles que precisam mais de trabalhadores, que utilizam muito a escala, podem ser prejudicados, outros podem ser beneficiados.</p>



<p>Quando aumentamos o tempo livre do trabalhador, esse tempo livre pode ser convertido em outras coisas. Por exemplo, em horas de lazer. Então setores desse segmento econômico podem ganhar com isso. Vamos pensar no ponto de vista da educação: um curso de especialização no final de semana. Se a pessoa não tinha final de semana, porque, no sábado, trabalhava até meio-dia, ela vai poder fazer um curso que não conseguia fazer antes. Ou seja, vários setores podem ganhar com isso. E não existe ninguém, com essa conta exata, de que tantos por cento dos setores vai ser prejudicado, apesar de ter ouvido muita gente falando que o desemprego vai subir.</p>



<p>Estamos, neste momento, num mercado de trabalho muito aquecido. Temos uma pequena elevação da taxa de desocupação neste mês, na última PNAD, mas o que temos visto, nos últimos anos, é uma taxa de desocupação muito baixa. Há setores desesperados em busca de trabalhadores, publicando anúncios informando que precisam de trabalhadores, porque há déficit. Esses setores que estão com dificuldade de empregar novas pessoas podem até ter uma melhora, principalmente os que utilizam a escala 6&#215;1. Pode ser que mais trabalhadores estejam disponíveis para esse segmento.</p>



<p>Enfim, do ponto de vista do bem-estar do trabalhador, da sua família, da família brasileira, vai ser extremamente positivo. Do ponto de vista da economia, ninguém pode dizer que vai ser negativo, mas a gente pode dizer que os efeitos benéficos, inclusive na produtividade desse trabalhador, podem expandir a economia.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;De que adianta a gente produzir, de que adianta crescer PIB, se não se reverter no bem-estar da população?&#8221;</p>
</div>


<p><strong>E o que o trabalhador pode esperar dessas mudanças?</strong></p>



<p>A melhora. Poderá melhor cuidar dos filhos, melhor cuidar de si. Especialmente as trabalhadoras mulheres serão beneficiadas, pois são as responsáveis pelo cuidado da família. O ideal seria que a gente pudesse discutir a redução da jornada de trabalho com uma distribuição mais igualitária dos cuidados na família, mas, se não é possível fazer isso agora, pelo menos vai se ter uma redução, estar mais em casa, com os filhos, a família e cuidar de si. Afinal, a melhoria no bem-estar dos trabalhadores, para mim, é o que deveríamos buscar o tempo inteiro.</p>



<p>De que adianta produzirmos e crescer PIB se isso não se reverte em bem-estar da população? Não tem sentindo. Que economia é essa em que só alguns vão conseguir ter uma vida muito confortável? Vamos espalhar um pouco de conforto da população como um todo.</p>



<p><strong>A discussão em torno dessa pauta foi bastante polarizada entre parlamentares de esquerda e de direita. O que explica o acirramento dessa polarização?</strong></p>



<p>Em economia, temos uma expressão de que eu gosto muito: &#8220;conflito distributivo&#8221;. É a riqueza de um país disputada pelas pessoas desse país, pelos trabalhadores e empregadores. Neste momento, estamos fazendo essa briga de conflito distributivo. O trabalhador vai puxar de um lado, o empregador vai puxar do outro, e o Congresso Nacional reforça essa luta de classes.</p>



<p>Não é uma questão de disputa de narrativa, é uma questão mesmo de defesa dos interesses dos grupos da sociedade. O Congresso é muito conservador, como sabemos, não só do ponto de vista dos costumes. A maior parte das pessoas que está no Congresso é ligada aos setores empresariais, estão ali para vocalizar os interesses desses grupos, pertencentes à elite econômica do país.</p>



<p>É super legítimo que tenhamos representação de interesses, o Congresso Nacional é exatamente para isso. Agora, é sempre uma disputa assimétrica. Esses setores econômicos, a elite econômica sempre têm um maior número de congressistas, porque financiam as eleições.</p>



<p>Como é um Congresso muito conservador, muito mais alinhado aos interesses da elite econômica, ter colocado esse debate na pauta este ano já foi uma grande vitória dessas forças que você chamou de esquerda, que são esses interesses mais alinhados ao maior conjunto da população.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0"> &#8220;Com um Congresso muito conservador, ter colocado esse debate na pauta este ano já foi uma grande vitória&#8221;</p>
</div>


<p>Se pensarmos que, pelo menos desde 2016, não tivemos nenhuma legislação benéfica para o conjunto dos trabalhadores, se lembrarmos que, em 2017, tivemos uma reforma trabalhista, que até hoje não conseguimos avaliar todos os prejuízos que ela trouxe, conseguir pautar essa discussão foi super importante para o Brasil como um todo, para o conjunto da classe trabalhadora. E foi uma estratégia muito boa, bem pensada de colocar discussão no ano eleitoral. Porque isso vai emparedar, como de fato ocorreu na Câmara, com a votação de mais de 400 deputados. Pois todos eles estão pensando em reeleição e não vão votar contra os interesses da maioria da população.</p>



<p>Porque quem os banca lá é a minoria da população, que é essa elite econômica, mas que não tem voto. Então precisa conquistar o voto, precisa dizer que está trabalhando em prol também dos trabalhadores. E, no ano eleitoral, votar contra uma pauta dessa seria muito ruim para as pretensões políticas dos deputados.</p>



<p>Agora, essa disputa não acabou. Os setores empresariais estão em peso em Brasília, fazendo pressão agora nos senadores, que formam um conjunto menor, mais fácil de pressionar. E, da mesma forma que na Câmara Federal, ali os interesses e o desalinhamento dos que representam os interesses da elite econômica e do povo também são enormes.</p>



<p>Vamos ver o que vai acontecer nos próximos dias, porque muitas coisas vão ser jogadas no tabuleiro. E agora, de novo, vai requerer das forças que defendem a pauta da diminuição da jornada também jogadas de mestre como as que conseguiram conquistar os mais de 400 votos na Câmara Federal.</p>



<p><strong>Conseguimos prever o que pode acontecer com esses próximos desdobramentos?</strong></p>



<p>Não tem como prever nada, não gosto de previsão porque essas coisas estão acontecendo rapidamente, há muita coisa sendo colocada ao mesmo tempo. Temos o peso muito forte das lideranças do Congresso. Agora, no Senado, o presidente Davi Alcolumbre, que, sabemos, não é uma pessoa que se alinha às pautas mais progressistas, está sendo pressionado para não votar ou para mudar a PEC.</p>



<p>É muito difícil prever o que vai acontecer nos próximos dias. O que eu torço é que consigamos esse respiro, porque mudar a pauta do trabalho e do trabalhador, alterar a jornada de trabalho no Brasil é uma medida para ontem. O trabalhador brasileiro precisa ganhar esse fôlego, ter esse refresco, ter mais tempo livre para o que ele quiser fazer. Acho que isso é imprescindível.</p>



<p>É um jogo que está sendo jogado por todo mundo. Todo mundo está correndo atrás e, depois de tantas perdas dos trabalhadores nos últimos tempos, há o caráter simbólico de uma vitória como essa. Acho que isso até melhora a autoestima do trabalhador brasileiro, do reconhecimento da sua própria força, até, quem sabe, para pleitear outras mudanças. Talvez por isso mesmo até os setores empresariais que não vão sentir o impacto disso, porque não trabalham mais com jornada de 44 horas, também se oponham a essa mudança.</p>
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		<title>Moradores do Ibura de Baixo sofrem por causa de obra da prefeitura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 01:23:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Ibura]]></category>
		<category><![CDATA[obra]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem mora na rua Manaíra, exatamente ao lado do muro da cabeceira da pista do aeroporto, está sempre atento ao ruído dos motores dos aviões que passam a poucos metros dos telhados de suas casas. No entanto, após o início das obras da nova ligação entre as avenidas Recife e Dom Helder Câmara, essa comunidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem mora na rua Manaíra, exatamente ao lado do muro da cabeceira da pista do aeroporto, está sempre atento ao ruído dos motores dos aviões que passam a poucos metros dos telhados de suas casas. No entanto, após o início das obras da nova ligação entre as avenidas Recife e Dom Helder Câmara, essa comunidade no Ibura de Baixo passou a se preocupar mais com problemas ao nível do solo do que com as aterrissagens dos airbus e boeings.</p>



<p>Desde que os operários da empresa contratada pela prefeitura do Recife começaram a construir a nova via de acesso ao Ibura, os moradores passaram a conviver com alagamentos praticamente em tempo integral &#8211; pouco importando se chove ou faça sol &#8211; mau cheiro contínuo da água estagnada, problemas de saúde e rachaduras nas paredes dos imóveis.</p>



<p>A obra é resultado de convênio entre a prefeitura e o Ministério das Cidades, com aporte de R$12,5 milhões feito pelo órgão federal. A placa que sinaliza a construção é clara: início em novembro de 2024 e encerramento em novembro de 2025, com realização de serviço de pavimentação, drenagem, macrodrenagem e urbanização do acesso entre as duas avenidas. No entanto, até agora, junho de 2026, apenas metade do trecho anunciado foi concluído.</p>



<p>A lista de reclamações é extensa, começando pela falta de diálogo do poder público e culminando nos transtornos descritos no segundo parágrafo deste texto. </p>



<p>O catador de recicláveis Alexsandro Silva, de 41 anos, mora entre os trilhos da ferrovia Transnordestina e o muro do aeroporto há 15 anos, mas este ano foi a primeira vez que viu a casa ser tomada pela água.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="683" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-683x1024.jpg" alt="A foto mostra Alexsandro Silva em pé sobre uma calçada estreita ao lado de uma casa com paredes desgastadas e pintura verde-azulada descascada. Ele está com os braços cruzados, vestindo camiseta cinza e bermuda listrada, e olha firme para a câmera. Ao lado dele corre um canal estreito de água, cercado por vegetação e entulho, com uma muralha alta e enferrujada do outro lado. O céu azul com nuvens claras contrasta com o cenário urbano precário." class="wp-image-75714 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-683x1024.jpg 683w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-768x1152.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-1024x1536.jpg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k-150x225.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293538133_61ffbc1384_k.jpg 1365w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Durante a chuva do dia 1º de maio, que deixou pessoas desabrigadas, com vários pontos de alagamentos na cidade, inclusive na avenida Recife, Sandro, como é conhecido, foi surpreendido quando seus pertences e materiais de trabalho foram levados pela correnteza.Ele conta que a área já tinha alagado outras vezes, mas dessa vez atingiu proporções bem maiores. Para piorar, boa parte da água não escorreu, ficando empoçada, sem ter por onde escoar.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>Não foi só o grande volume de chuva. A construção do canal que fará parte do novo sistema de drenagem e macrodrenagem, está aterrando o mangue por trás de um campinho de futebol, o campo do Real, e formou uma espécie de lago na área que foi aberta para passar o canal. Segundo os moradores com quem conversamos, para drenar este “lago”, os funcionários da prefeitura utilizam uma bomba que joga os dejetos em um curso d&#8217;água natural que já existia ali. Os resíduos acabaram obstruindo o córrego, agravando o problema.</p>



<p>“Antes a água batia no peito nesse córrego, o pessoal tomava banho, pegava beta. Agora não, porque isso não é só lama, é dejeto, vem uma ‘murrinha’ de um trator, puxa e vai jogando pro lado de cá. E quando eles tocam esse trabalho, é catinga de merda pura, ninguém aguenta ficar aqui dentro de casa não. É rato correndo de um lado pro outro, porque tão tirando os caminhos deles que ficam ali por trás, então de noite os ratos vem pra cá, disputando espaço com a gente”, explica Sandro.</p>



<p>Por medo que os filhos contraíam doenças, Sandro e a esposa, Daniele Patrícia, decidiram deixar os filhos com a avó. “Nem os filhos a gente pode deixar em casa, como dois adolescentes, um de 16 anos e outro de 14, vão ficar em casa numa situação dessa?”, questiona Sandro.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Algumas famílias também enfrentam falta de iluminação, pois algumas casas foram desapropriadas, algumas já foram demolidas e outras estão vazias, a espera do momento de irem abaixo. Só depois de reclamar junto aos funcionários da empreiteira, conseguiram que instalassem uma pequena lâmpada para iluminar o trecho. O ponto de luz foi ligado a uma gambiarra precária conectando a fiação das casas desapropriadas, com a das casas que permanecerem, por meio de fio e bocal, em uma das paredes que ainda ficaram de pé.</p>
<p>“Por medo disso cair numa noite de chuva e a fiação das casas da gente ir junto, dar um curto circuito e queimar nossos barracos, a gente foi atrás da empresa de novo. Só depois de oito dias eles vieram aqui, mas às sete da noite já dá medo de passar”, afirma a dona de casa Alessandra da Silva, que mora na Manaíra há dez anos.</p>
        </div>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">“Faz medo cair por cima”</h2>



<p>“Perdi dois guarda-roupa, rachou a casa, ainda tá rachada lá, faz medo cair por cima, né?” Essas palavras são de Jailton Nunes, que, há pelo menos 12 anos, mora com a esposa e as filhas em um beco com mais de 15 casas. Assim como seu vizinho Sandro, em todo esses anos sua família nunca tinha perdido móveis por causa de um alagamento.</p>



<p>A situação na casa de Jailton parece ser mais grave do que na vizinhança, pois duas paredes estão com grandes rachaduras. “É uma sensação ruim! Já tinha enchido na avenida Recife e num pedaço da área da linha de trem, mas aqui nunca! Mas depois dessa obra começou a encher, a água veio por trás e por frente”, conta. Quando ele fala &#8220;por trás&#8221;, se refere ao que restou do manguezal que está em processo de aterramento para construção do canal. &#8220;Pela frente&#8221; é onde tem a espécie de lago de águas podres formado em consequência da obra.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-1024x683.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55292480317_0ce80c14f6_k-1024x683.jpg" alt="A foto mostra um beco estreito entre construções antigas e desgastadas. As paredes estão manchadas e com mofo, e há uma porta encostada no chão, sugerindo abandono ou reforma. No muro à direita, vê-se a inscrição “URB 106” feita com tinta preta em spray, enquanto ao fundo há outra marca semelhante. O telhado de zinco está danificado, com partes faltando e fios expostos, e o chão apresenta poças d’água e sujeira. A cena transmite uma atmosfera de degradação urbana, típica de áreas periféricas ou em processo de demolição." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Moradores dizem que fFuncionários da prefeitura marcaram as casas sem explicar motivo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A casa da família de Jailton é uma das que foram marcadas pelas equipes da prefeitura antes do início das obras. Apesar das marcações, ele afirma que ninguém da prefeitura foi ao local para orientar ou tratar do assunto. “A gente falou com algumas pessoas, engenheiros, mas ainda não informaram nada a gente. Não falaram de indenização. Estão pagando o pessoal aos poucos, mas a gente ainda não sabe de nada, ninguém tomou decisão pra resolver nada”, lamenta Jailton.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Diálogo difícil com a prefeitura</h3>



<p>Todos os moradores que conversamos disseram que o diálogo com a prefeitura é difícil. Além de não terem sido consultados para a obra, mesmo após os problemas aparecerem, não se sentem ouvidos nem apoiados. Segundo Joelma Andrade, liderança do Centro Comunitário Mário de Andrade, mais de 230 casas foram desapropriadas para construção do acesso. No início do processo, as casas começaram a ser marcadas, mas as pessoas não tinha noção do que se tratava. Foi aí que Joelma procurou o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e a Defensoria Pública, que solicitaram a apresentação do projeto aos moradores, o que só teria acontecido depois de duas reuniões.</p>



<p>&#8220;Foi aí que eles apresentaram o projeto. No momento eu questionei para onde as águas iriam quando a chuva viesse. Disseram que nenhuma família iria sofrer mas, no entanto, é isso que está acontecendo, elas estão sofrendo&#8221;, conta Joelma.</p>



<p>A assistente social do Cendhec, Cristinalva Lemos, afirmou que apenas em 2025, após a provocação dessas organizações a prefeitura começou a se mobilizar para apresentar os projetos e dialogar minimamente com as famílias. A organização tem atuado junto às mulheres da região para discutir, sobretudo, a justiça socioambiental. No sentido de buscar os órgãos competentes que possam dar alguma resposta em relação aos transtornos que as pessoas. &#8220;O diálogo com o poder público é muito difícil&#8221;, conta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a prefeitura:</span>

		<p>A Prefeitura do Recife esclarece que as obras no Ibura fazem parte de um pacote de intervenções de R$ 12 milhões, financiado por convênio com o Ministério do Desenvolvimento Regional e a Caixa Econômica Federal, com contrapartida da gestão municipal. O projeto prevê a criação de uma nova rota de saída do bairro, com 1.100 metros de extensão ligando a Avenida Dom Hélder Câmara à Avenida Recife, além de obras de pavimentação, drenagem, macrodrenagem e urbanização de áreas públicas.</p>
<p>As obras de macrodrenagem seguem normas técnicas e têm autorização ambiental. O canal está em uma área anteriormente assoreada e sem profundidade suficiente para escoamento, e o projeto prevê dimensões capazes de absorver as águas em situações de chuva. A intervenção também viabiliza a requalificação da Avenida Dom Hélder Câmara, que será nivelada e receberá um reservatório subterrâneo para armazenar o volume de água que hoje escoa para a Avenida Recife.</p>
<p>Em relação às famílias que vivem às margens da linha do trem, a Prefeitura reconhece as dificuldades enfrentadas e esclarece que a região tem histórico de alagamentos, agravado pelo período chuvoso. Com a conclusão das obras do canal e das desapropriações, as águas passarão a seguir o curso projetado, reduzindo os alagamentos na área.</p>
<p>Sobre as casas da rua Manaíra, a gestão municipal informa que as residências nas imediações do número 46 estão incluídas no processo de desapropriação. As demais moradias com indícios de danos estruturais já foram vistoriadas, os valores de indenização foram negociados e estão em processo de pagamento.</p>
<p>Desde a fase de desenvolvimento do projeto, a gestão municipal manteve diálogo com a comunidade por meio de assembleias, reuniões e contato com lideranças locais. As negociações para desapropriação tiveram início em 2024 e estão sendo concluídas em 2026.</p>
<p>O projeto prevê ainda a urbanização de áreas públicas com novos espaços de lazer e convivência, incluindo quadra esportiva, parque infantil, campo de futebol requalificado e área para piquenique, além de arborização e paisagismo em todo o trecho da intervenção.</p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293537858_cfdb2d5f38_k-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/06/55293537858_cfdb2d5f38_k-1024x683.jpg" alt="A imagem mostra uma área periférica em processo de transformação, com casas simples de tijolo e vegetação densa ao redor de um canal de água parada. O solo parece irregular e há entulho e lama, sugerindo obras ou reconstrução. À esquerda, vê-se uma estrutura metálica enferrujada coberta por plantas, e algumas pessoas caminhando ao longe. O céu está parcialmente nublado, com tons dourados e azulados, indicando o fim de tarde. A cena transmite uma mistura de vulnerabilidade ambiental e cotidiano urbano, onde a natureza e a ocupação humana coexistem em condições precárias." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

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	                                        <p class="m-0">Com aterro do manguezal, águas da chuva não tem para onde escoar
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/moradores-do-ibura-de-baixo-sofrem-por-causa-de-obra-da-prefeitura/">Moradores do Ibura de Baixo sofrem por causa de obra da prefeitura</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Escola da Democracia abre formação para jovens mulheres da zona norte do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 18:20:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O edital da formação “Educação para a Cidadania”, voltada a jovens mulheres de 15 a 19 anos da rede pública de ensino que vivem em comunidades periféricas da zona norte do Recife, foi lançado pela Escola da Democracia. Com inscrições de 13 a 17 de maio, por formulário eletrônico, e apoio presencial nos dias 14 [&#8230;]</p>
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<p>O edital da formação “Educação para a Cidadania”, voltada a jovens mulheres de 15 a 19 anos da rede pública de ensino que vivem em comunidades periféricas da zona norte do Recife, foi lançado pela Escola da Democracia. Com inscrições de 13 a 17 de maio, por <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfSaJmpDeBdj4gUvItpnkNl4ytI6EZTgTFi0sO--YOuW5AyvA/viewform" type="link" id="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfSaJmpDeBdj4gUvItpnkNl4ytI6EZTgTFi0sO--YOuW5AyvA/viewform">formulário eletrônico</a>, e apoio presencial nos dias 14 e 15 no Compaz Eduardo Campos, o programa prevê bolsas mensais de R$ 500 e busca estimular o pensamento crítico, a participação cidadã e o acesso à formação política e social.</p>



<p>Serão disponibilizadas 42 vagas, divididas em duas turmas presenciais no Compaz Governador Eduardo Campos, localizado no Alto Santa Terezinha. Os encontros ocorrerão às terças e quintas, das 14h às 18h, entre maio e julho de 2026. O projeto recebeu o nome &#8220;Se adiante: é hora de colar no corre da democracia” e integra a Rede Compaz, vinculada à Secretaria de Cidadania e Cultura de Paz do Recife.</p>



<p>A iniciativa é destinada a jovens em situação de vulnerabilidade social, moradoras de bairros como Água Fria, Alto José Bonifácio, Arruda, Cajueiro, Linha do Tiro, Porto da Madeira e bairros do entorno do Alto Santa Terezinha. Para concorrer, é necessário estar cursando ou ter concluído o ensino médio em escola pública, possuir responsável inscrito no CadÚnico ou ser beneficiária de programas sociais, além de ter renda familiar per capita de até um salário-mínimo. Do total de vagas, 60% serão reservadas para jovens mulheres negras.</p>



<p>“Será um espaço para trocas e aprendizados sobre democracia a partir do que atravessa a vida de meninas e mulheres no cotidiano. É sobre direitos, território e consciência crítica para ler o mundo enquanto cidadãs”, apontou Madalena Rodrigues, diretora executiva da Escola da Democracia.</p>



<p>A programação será dividida em quatro módulos que abordam temas como democracia, poder e cidadania no Brasil, justiça interseccional, justiça socioeconômica, ambiental e climática, além do direito à comunicação. O resultado final será divulgado em 21 de maio, e a aula inaugural ocorrerá em 25 de maio, seguida pelo início das atividades regulares nos dias 26 e 28. Mais informações podem ser conferidas no <em>instagram</em> da Escola da Democracia (<a href="https://www.instagram.com/aescoladademocracia/">@aescoladademocracia</a>).</p>



<p></p>
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		<title>O que muda na vida das pessoas da periferia quando uma linha de ônibus deixa de existir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 19:12:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arthur lungren ii]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife]]></category>
		<category><![CDATA[grande recife consorcio de transportes]]></category>
		<category><![CDATA[linhas de ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[mirueira]]></category>
		<category><![CDATA[Paulista]]></category>
		<category><![CDATA[terminal integrado da macaxeira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem tem carro e mora nos bairros centrais das capitais não costuma se preocupar quando lê algo sobre mudanças em uma linha de ônibus qualquer que circula na periferia. A distância, mais social que geográfica, não permite que pessoas de classe média imaginem o quanto uma decisão dessas &#8211; sem consulta aos prinicipais interessados &#8211; [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quem tem carro e mora nos bairros centrais das capitais não costuma se preocupar quando lê algo sobre mudanças em uma linha de ônibus qualquer que circula na periferia. A distância, mais social que geográfica, não permite que pessoas de classe média imaginem o quanto uma decisão dessas &#8211; sem consulta aos prinicipais interessados &#8211; atinge e muda a rotina de vida de milhares de homens e mulheres que precisam do transporte coletivo todos os dias. Recentemente, a retirada das linhas Arthur Lundgren II/TI Macaxeira e Mirueira/TI Macaxeira gerou uma série de reclamações, principalmente de moradores dos bairros de Paratibe e Arthur Lundgren I que precisam ir até as zonas norte e oeste do Recife.</p>



<p>Primeiro, vamos falar das alterações para o leitor se situar.</p>



<p>De acordo com o consórcio Grande Recife, a linha 1902 (Mirueira/TI Macaxeira) possuía dois ônibus e transportava, diariamente, 950 passageiros. Essa linha passou a se chamar TI Abreu e Lima/Mirueira, obrigando as pessoas que precisam ir até o terminal integrado da Macaxeira, na zona norte da capital, a usar a linha 1906 (TI Pelópidas/ TI Macaxeira via Mirueira), que a assessoria do consórcio de transporte diz ter um tempo de deslocamento de 20 a 25 minutos. Se quiserem ir até o terminal integrado, de Abreu e Lima, a viagem duraria entre 40 e 50 minutos.</p>



<p>O segundo caso foi a alteração da linha 1948 (Arthur Lundgren II/TI Macaxeira), que deu lugar à TI Abreu e Lima/Arthur Lundgren II, que contava com quatro veículos e atendia todos os dias 2.337 passageiros dos bairros Arthur Lundgren II, Arthur Lundgren I, Paratibe, Aurora e Jardim Paulista Baixo. Assim, quem não mora em Arthur II ficou sem uma segunda opção para ir trabalhar. A nova linha circula apenas no bairro, deixando as comunidades vizinhas atendidas apenas por linhas que levam ao terminal Pelópidas da Silveira, na rodovia PE-15.</p>



<p>A aridez dos parágrafos acima pode dar a falsa impressão de que esta reportagem diz respeito a detalhes técnicos do sistema de transporte rodoviário da metrópole. A partir de agora, será possível entender como essas decisões mexe até com o sono de quem vive nesses bairros.</p>



<p>Cada morador sente o impacto de uma maneira diferente. Lorena Torres, assistente administrativa, de 27 anos, mora em Paratibe e há seis anos trabalha numa empresa na zona norte do Recife. Antes, para chegar no trabalho às 8h, saía de casa por volta das 6h40min, 6h50min, no máximo. Com as mudanças das linhas, passou a acordar mais cedo, pois tem de sair às 6h em ponto, qualquer minuto perdido gera um efeito dominó de atrasos.</p>



<p>Quando a linha Arthur II/TI Macaxeira estava em atividade, Lorena pegava dois ônibus e passava por apenas um terminal de integração para pegar outro ônibus. Agora para chegar no mesmo destino pega três ônibus e tem de entrar nas filas nas plataformas de embarque de duas integrações. Na última semana de abril, a Marco Zero a acompanhou na ida ao trabalho, uma viagem que levou quase duas horas (uma hora e cinquenta e cinco minutos pra ser mais exata) de Paratibe ao bairro do Poço da Panela.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55242168259_2c21156ddc_c.jpg" alt="Mulher jovem de óculos e camisa azul, está de braços cruzados em uma fila de terminal de ônibus, com pessoas ao fundo." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Lorena agora pega três ônibus e passa por três integrações para ir ao trabalho
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Eu tô acordando de 4h30, antes eu acordava às 5h. Antes eu tomava café um pouco mais tranquila porque sabia a hora que o ônibus ia passar, hoje eu evito, coloco na bolsa pra quando chegar no trabalho comer alguma coisa. Essa é a questão: não ter um tempo de qualidade antes de trabalhar, agora é acordar, tomar banho e sair”, explica Lorena.</p>



<p>Considerando que a maioria dos usuários de ônibus de Paulista só vai a outras cidades passando por terminais de integração, já no primeiro ônibus fomos em pé. Entre o tempo de espera até a chegada no TI Pelópidas foram 30 minutos. Com a fila grande precisamos aguardar três ônibus para conseguir ir sentados, o que só aconteceu aproximadamente 13 minutos depois de chegarmos ao terminal.</p>



<p>O ônibus seguiu lotado. Com o fluxo intenso de carros na BR-101, a chegada ao TI Macaxeira só aconteceu às 7h50min, ou seja, uma hora e vinte minutos depois de sairmos de Paratibe. Esse era o tempo que Lorena levava para chegar ao seu destino. Essa mudança não afetou apenas o tempo do trajeto, mas toda a dinâmica do dia da jovem. “Acaba sendo bem mais cansativo e pegando mais tempo. Um tempo que a gente não tem, tanto para vim trabalhar quanto para voltar para casa e descansar mesmo”, conta.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/mapa-bus-240x300.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/mapa-bus-819x1024.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/mapa-bus-819x1024.jpeg" alt="A imagem apresenta dois mapas comparativos que mostram a mudança de trajeto das linhas de ônibus que chegam ao Terminal Integrado (T.I.) Macaxeira, na Região Metropolitana do Recife. No mapa superior, em azul, está o percurso anterior da linha T.I. Macaxeira/Arthur Lundgren II, que seguia de Arthur Lundgren II até o terminal, passando por bairros como Jardim Paulista, Pau Amarelo, Passarinho e Nova Descoberta. Já no mapa inferior, em vermelho, aparece o trajeto atual das linhas T.I. Pelópidas/Paratibe e T.I. Pelópidas/T.I. Macaxeira, que agora conectam Paratibe ao T.I. Macaxeira por um caminho mais direto, atravessando áreas semelhantes, mas com uma integração diferente entre terminais. Essa comparação evidencia o redesenho das rotas de transporte público, destacando a substituição da antiga linha por novas conexões que otimizam o acesso ao terminal." class="" loading="lazy" width="613">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O que mudou na rota de Lorena até o terminal da Macaxeira
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Marco Zero Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Eu não tenho mais a opção de chegar cedo”</strong></h2>



<p>As alterações não afetam apenas os trabalhadores. Estudantes que precisam chegar aos campi da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) também sentiram a mudança. É o caso de Afonso Farias, 21 anos, estudante de Geografia na UFPE. Morador de Arthur Lundgren 1, para chegar na universidade de maneira que dê tempo para jantar antes do início da aula, ele agora tem de sair pelo menos uma hora antes do horário que fazia antes das mudanças nas rotas. </p>



<p>Afonso explica como foram essas mudanças: “atrás da minha casa tem uma parada de ônibus e o Arthur II/TI Macaxeira passava lá. Era uma mão na roda, porque quando eu perdi o Macaxeira, aí eu pegava o Arthur I. Agora, obrigatoriamente, eu tenho de pegar o Arthur I para ir para Pelópidas e quando eu perco esse, que é a minha única opção de ônibus, eu tenho que ir andando até a parada do Novo Atacarejo (próximo à avenida Marechal. Floriano Peixoto), que é bem longinha, aí já fico cansado, já para pegar mais dois ônibus”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55241933476_2bd1083507_c.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55241933476_2bd1083507_c.jpg" alt="Jovem de cabelo curto e camiseta preta gesticula em conversa, rodeado por pessoas em área pública com árvores." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Afonso sai da aula da UFPE às 21h30 e só chega em casa perto de meia-noite
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>O que mais pesa é o retorno para casa. Antes, ao largar às 21h30min, o jovem ainda conseguia chegar em casa por volta das 22h40min, mas hoje chega depois de 23h30min. “Parece que 22h10min da noite é horário de pico. No primeiro dia que eu peguei o TI Pelópidas/TI Macaxeira, depois dessa paralisação do Arthur II/TI Macaxeira, a fila do TI Pelópidas estava batendo em duas filas depois”, conta.</p>



<p>“Para ir no ‘busão’ em que eu fui, eu tive que esperar outro, e ainda assim fui em pé, porque no primeiro que saiu tinha tanta gente que nem em pé eu conseguiria ir. Se eu quisesse ir sentado, acho que ia ter que esperar mais um ou outro&#8221;, conta. Ele explica que, se acontecesse de perder o Arthur II/Macaxeira de 22h15min, o próximo só chegava às 23h05min, então chegava em casa às 23h30min por causa desses eventuais contratempos. &#8220;E esse é o horário que eu estou chegando todo dia agora. Eu não tenho mais a opção de chegar cedo. Todo dia eu estou chegando quase meia-noite em casa”, lamenta.</p>



<p>Jean Luca, de 24 anos, é estudante de Serviço Social e estuda à tarde, o que o obriga a pegar o ônibus em pleno horário de pico. O jovem calculou em três horas o tempo que está gastando para chegar em casa. Por isso, tem preferido aguardar horas para pegar uma carona, do que esperar horas dentro do ônibus. “Se já era demorado, com a existência dessa linha, imagina agora. Vou ter que pegar mais um transporte. Quando a gente é estudante e trabalhador, o nosso período de trabalho é prolongado por conta do trajeto, por conta das condições e agora vai se estender mais ainda por conta de uma linha que vai prejudicar toda a comunidade”, analisa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55242331925_2a5cef9257_c.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/55242331925_2a5cef9257_c.jpg" alt="Homem jovem de boné e camisa florida ao lado de uma parada de ônibus com textos de rotas antigas, em praça arborizada." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Jean Luca prefere esperar por uma carona do que passar três horas em ônibus e terminais
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Oficialmente, quem mora em Arthur Lundgren II e precisa usar ônibus leva de de 35 a 45 minutos para se deslocar nas linhas 1948 &#8211; TI Abreu e lima/TI Arthur Lundgren II e 901 &#8211; TI Abreu e lima/TI Macaxeira. Ao menos, esse é o cálculo do consórcio Grande Recife, que não respondeu quando perguntamos se seus técnicos fizeram a análise do trajeto dos moradores de Paratibe e Arthur I que também pegavam o antigo Arthur II/TI Macaxeira. O consórcio informou apenas que “praticamente, o tempo de deslocamento permaneceu o mesmo, porém o Grande Recife está trabalhando em alternativas para melhorar o serviço”.</p>



<p>Essa mudança também não está sendo bem recebida, pois os moradores disseram que não foram ouvidos no processo de mudança e, só ficaram sabendo dias antes. Quanto a isto o Grande Recife respondeu que “foram realizadas várias reuniões com as lideranças comunitárias de ambos os bairros e também com a Prefeitura de Paulista apresentando ambas as propostas. O projeto faz parte de uma série de mudanças que o CTM está realizando nos Terminais da Macaxeira e Abreu e Lima com objetivo de dimensionar os serviços de transporte público na região”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Mudanças sem ouvir ninguém</span>

		<p>A produção desta reportagem contou com a colaboração do Escambo Coletivo, que atua há 16 anos, a partir da necessidade de cultura e lazer para jovens de Paratibe, defendendo direito à cidade e valorizando o território dos moradores, com ações que vão da ocupação cultural à denúncia das faltas estruturais.</p>
<p>Os integrantes do coletivo relatam que a situação das linhas de ônibus em Paulista é marcada por desorganização e falta de diálogo com a população. Eles contam que muitos terminais foram desativados e que linhas desapareceram sem aviso, deixando moradores esperando em paradas onde ainda constam placas indicando rotas que não existem mais. Isso gera confusão e frustração, já que os usuários permanecem aguardando ônibus que nunca passam.</p>
<p>O coletivo critica a ausência de consulta pública antes das mudanças feitas pela Grande Recife, afirmando que a comunidade não foi ouvida sobre suas necessidades. Para eles, o transporte é um direito essencial ligado ao direito à cidade, mas a gestão trata o tema de forma unilateral, sem planejamento participativo. Uma outra mudança que ocorreu na região foi a retirada alteração da linha 1949 (Caetés/Paulista Centro) que passou a ser 1949 – TI Abreu e Lima (Circular Paulista), também com mudança de intinerário.</p>
<p>&#8220;A gente estava observando que nas paradas de ônibus ainda tem as duas linhas. E o pessoal continua esperando a linha passar, porque quando vai na parada, está lá escrito. E o pessoal simplesmente tem esperado o ônibus, porque tá lá, né? Vai passar. Então, você passa tipo um dia esperando sem saber”, conta Wilka Márcia, integrante do coletivo.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Terminais são importantes, mas não fundamentais</h3>



<p>O professor de engenharia civil e doutor em Engenharia de Transportes pela UFPE, Leonardo Meira, explica que o sistema de transporte público da Região Metropolitana é pensado para que se atenda a maior quantidade de pessoas possível dentro de uma rede completa. Segundo ele, pelo mundo afora, quando se trata dessa rede de transportes, eventualmente, determinada comunidade que tinha uma linha, pode dar lugar a outro itinerário que os técnicos julgam ser melhor pensando em rede. Como consequência, parte da população pode precisar readaptar suas rotas.</p>



<p>Ao pensar na efetividade dos terminais integrados que fazem parte dessa rede, o professor avalia que foram essenciais nos anos 1980 e 1990, por exemplo, mas que hoje com a tecnologia da integração temporal são importantes, mas não são fundamentais. “Hoje eu não diria que eles são absolutamente fundamentais, mas eu diria que eles ainda são muito importantes, porque ainda são usados no mundo inteiro para esse tipo de estação, ou esse tipo de terminal, seja de ônibus, seja de trem, seja do que for, ao redor do mundo ainda é muito utilizado”, conta.</p>



<p>Para Meira, a importância dos terminais está de no fato de se ter “um local determinado onde as pessoas possam esperar pelo ônibus, onde você sabe que vai ter ônibus saindo para vários locais diferentes, mas perdeu a importância no sentido do pagamento da tarifa, que antigamente dentro do terminal você não precisava pagar outra tarifa. E hoje com a tecnologia, com a integração temporal, você consegue fazer isso sem obrigar que a pessoa vá até o terminal”, explica.</p>



<p>O grande problema, na visão do professor, não são exatamente os terminais de integração, mas o tempo de espera. “Às vezes lhe obrigam a ir ao terminal integrado e lá você espera 20, 25, 30 minutos ou mais para aquele ônibus chegar. Então, o problema não é exatamente a existência do terminal integrado. O problema é a velocidade que os coletivos andam”, analisa.</p>



<p>Ele também explica que essa demora acontece por consequências de um trânsito que não dá condições para que esse trajeto flua. “Não tem faixa exclusiva na maioria das cidades, os ônibus ficam presos nos congestionamentos, ficam presos em protesto, ficam presos em alagamento, aumentando o tempo de viagem, ou seja, independente do motivo, a gente tem que se preocupar em aumentar a velocidade do transporte público”, conta. E isso só acontecerá com faixas exclusivas para que o ônibus não dispute espaço com outros veículos.</p>



<p>“Tem toda uma questão política de tirar espaço do automóvel, onde a classe média que anda de automóvel na sua SUV de 300 mil reais, não quer dividir espaço com o ônibus. Só que a SUV de 300 mil reais leva um passageiro e o ônibus leva dezenas de passageiros. É uma discussão política muito mais de dar velocidade às pessoas que mais necessitam que são aquelas que usam o transporte público”, explica.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/bus-1.jpg" alt="A imagem mostra o Terminal de Arthur Lundgren I, uma pequena estrutura de transporte público com cobertura de concreto ondulado e pilares brancos pintados de azul na base. As paredes também são azuis na parte inferior e brancas na superior, com algumas marcas de grafite. Há uma pessoa sentada no banco sob o abrigo, e árvores ao redor oferecem sombra. O chão é de paralelepípedos, e parte de um carro aparece à direita." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/0-que-muda-na-vida-das-pessoas-da-periferia-quando-uma-linha-de-onibus-deixa-de-existir/">O que muda na vida das pessoas da periferia quando uma linha de ônibus deixa de existir</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Oficina pública discute plano museológico participativo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 20:35:29 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Memorial da Democracia de Pernambuco dá início à construção de seu Plano Museológico Participativo com a realização da 1ª oficina pública no dia 29 de abril, das 14h às 18h, na sede da Associação das Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe). O encontro pretende reunir especialistas, estudantes e representantes da sociedade civil para [&#8230;]</p>
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<p>O Memorial da Democracia de Pernambuco dá início à construção de seu Plano Museológico Participativo com a realização da 1ª oficina pública no dia 29 de abril, das 14h às 18h, na sede da Associação das Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe). O encontro pretende reunir especialistas, estudantes e representantes da sociedade civil para debater diretrizes voltadas à preservação da memória das lutas democráticas no estado, especialmente no contexto da ditadura militar brasileira.</p>



<p>Aberto ao público e com inscrições gratuitas por <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfj24JoNq6PfD3IyTLaK14oW2JarL3xuJv0ZK20dY_MFTe-JA/viewform" target="_blank" rel="noreferrer noopener">formulário online</a>, o tema da oficina será &#8220;Quem Conta a História? Curadoria e Memória na Construção do Memorial&#8221;, para discutir os programas de acervo, exposição e pesquisa. O debate gira em torno dos desafios éticos e metodológicos enfrentados por instituições que lidam com registros de violência e violações de direitos humanos.</p>



<p>Entre os pontos centrais estão o papel dos museus na reparação histórica, a inclusão de vozes silenciadas nos acervos e os limites entre documentação e sensibilidade na abordagem dessas narrativas. A atividade contará com a participação da professora Letícia Julião (UFMG) e da pesquisadora Deborah Neves (Unifesp), que possuem experiências em projetos ligados à memória e aos direitos humanos.</p>



<p>A programação será dividida em momentos de sensibilização, debate e construção coletiva. Após a apresentação inicial do projeto, os participantes serão organizados em grupos temáticos para contribuir com propostas que servirão de base para o rascunho do plano museológico.</p>
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		<title>Mães se queixam de falta de profissionais e material escolar nas creches do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 13:07:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[creches]]></category>
		<category><![CDATA[João Campos]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Infância]]></category>
		<category><![CDATA[programa de creches]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quatro mães, três bairros, o mesmo problema. Pais e responsáveis com filhos matriculados nas creches municipais do Recife denunciam que, desde o início do ano letivo no início de fevereiro, as crianças não tiveram uma semana de aula com os horários completos. A informação que recebem é que isso acontece por falta de auxiliares de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quatro mães, três bairros, o mesmo problema. Pais e responsáveis com filhos matriculados nas creches municipais do Recife denunciam que, desde o início do ano letivo no início de fevereiro, as crianças não tiveram uma semana de aula com os horários completos. A informação que recebem é que isso acontece por falta de auxiliares de desenvolvimento infantil (ADIs) que estão com o quadro incompleto ou estão em campanha salarial.</p>



<p>Enquanto o João Campos (PSB) posta os feitos da prefeitura nas redes sociais &#8211; inclusive inauguração de novas creches -, responsáveis e profissionais da educação fazem reivindicações nos comentários do perfil do prefeito e candidato a governador. Além da questão da carga horária que impacta diretamente na rotina dos responsáveis, outro ponto questionado é que, um mês e meio do início do ano letivo, parte dos estudantes aguarda por fardamentos, materiais escolares e livros.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/o-que-joao-campos-nao-conta-sobre-as-creches-do-recife/" class="titulo">O que João Campos não conta sobre as creches do Recife</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>No Jordão Alto, zona sul do Recife, a Creche Cristo Rei está liberando os estudantes todos os dias mais cedo, desde o início das aulas. Joserlania Balbino é diarista e tem uma filha de dois anos matriculada na instituição, com os horários não sendo cumpridos ela perde dias de trabalho e reveza com o marido que é motorista de aplicativo. “A gente não tem condições de trabalhar pra tá na creche às 11h30 (para pegar as crianças), E isso tá complicando e dificultando a vida dos pais que trabalham, que precisam buscar uma renda fora”, conta.</p>



<p>Já em Boa Viagem, a situação é a mesma. As crianças da Creche Escola 14 Bis também não estão tendo os turnos completos. Na tarde da última terça-feira (24), os pais e responsáveis receberam o aviso que o atendimento dos dias seguintes funcionaria em rodízio, com três turmas na quarta-feira e outras três na quinta-feira. Apesar do rodízio, o comunicado diz que o horário será “normal”, das 7h às 16h. <br><br>Por lá, os responsáveis também têm dificuldades para manter suas rotinas de trabalhos porque são constantemente surpreendidos por alterações na oferta de aulas. Valquiria Balbino, também diarista e mãe de menino de um ano e nove meses, conta que é comum pagar uma pessoa para ficar com a criança enquanto trabalha. “Eu preciso trabalhar, porque moro de aluguel. Então preciso tirar da diária que recebo para uma pessoa pra ficar com ele à tarde”, afirma.</p>



<p>A promessa é que essa creche fosse inaugurada em 2025, mas só aconteceu este ano e, segundo as mães, já apresentam problemas estruturais como vazamentos, alagamento e até curto circuito. Aline Torres é uma dessas mães. Ela também tem um filho na 14 Biz que faz parte do grupo 03, com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo ela, as mães chegam a levar as crianças sem saber exatamente se vai ter aula ou não, porque os comunicados são feitos em cima da hora. O sentimento hoje é de frustração por ver o filho sem ter seu direito à educação atendido.</p>



<p>&#8220;Quando finalmente inaugura, inaugura sem horário integral, muitas vezes não tem aula, tem problemas estruturais e faltam profissionais, é muito frustrante mesmo. Me sinto imensamente triste, porque meu filho precisa ter aulas, a equipe da creche é perfeita, a diretora faz de tudo, corre atrás de melhorias e simplesmente não consegue, pois não dão a devida importância e atenção&#8221;, afirma Aline.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/04/creche-aline.jpg" alt="Na foto vemos Aline Torres, em frente ao portão de uma creche municipal em Recife. Ela veste um uniforme rosa claro e está de braços cruzados, transmitindo uma postura firme e confiante. Aline tem pele clara, cabelos escuros presos para trás e aparece em pé diante de um grande painel azul e laranja com o brasão da prefeitura. O cenário ao redor inclui uma parede revestida de azulejos, árvores ao fundo e um caminho pavimentado." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Aline Torres diz estar frustrada com atendimento na creche do filho
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Mas esse não é um problema apenas das instituições da zona sul. No bairro de Engenho do Meio, zona oeste, a Creche Ceape até chegou a ter aulas com carga horária completa, mas não a semana inteira. São dois dias com aula integral e três não, isso quando o expediente não é paralisado para reparos estruturais, como aconteceu no início da semana passada, quando a bomba quebrada precisou ser consertada.</p>



<p>Uma mãe que preferiu não se identificar informou que na última semana de março, na segunda e terça-feiras não teve aula. Já nesta semana, na segunda-feira (30), o atendimento foi até às 14h30, mas nos dias seguintes foi normalizado. &#8220;É um sistema bom, só que a gente tem que ter sempre uma segunda opção para ficar com nossos filhos, porque a gente não pode depender só disso (a creche)&#8221;, desabafa. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A falta que fazem os ADIs</h2>



<p>No início do ano, o prefeito da cidade comemorou o aumento de 1.800 vagas em creches, chegando à marca de 18 mil vagas ofertadas para a educação infantil &#8211; ou <a href="https://www.instagram.com/p/DWmo8jXj4Pb/?igsh=NGc5OHphYngxMHZt">19 mil, segundo a publicidade da prefeitura</a>. Acontece que uma categoria essencial para que essa demanda seja atendida com qualidade, os auxiliares de desenvolvimento infantil, trabalham em situação precária. A informação passada para as mães procede: são poucos os ADIs, como são chamados, e os que estão em atividade reivindicam melhores condições de trabalho e salário.</p>



<p>De acordo com a diretora interina da Associação dos Auxiliares de Desenvolvimento Infantil do Recife (Assadir), Gabrielli Silva, a principal reivindicação é que a gestão municipal reconheça os ADIs com a regulamentação da Lei Federal 15326/26 no município. Se isso ocorrer, seriam reconhecidos como professores de educação infantil, baseados na exigência de formação docente para ocupar o cargo.</p>



<p>No último concurso, em 2024, foi estipulado que para ser ADI é preciso ter formação em Magistério, Pedagogia ou alguma licenciatura plena. Segundo a nota de esclarecimento divulgada na época, “a formação de educadores para atuar na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental foi reformulada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996”.</p>



<p>No entanto, na prática e no salário, a categoria não recebe como educadora. Segundo a representante da associação, hoje o salário inicial de um ADI com carga horária de 40 horas semanais é de R$ 2.180,56, para quem tem diploma de Magistério e R$ 2.278,68 para quem é graduado em algum curso superior.</p>



<p>Gabrielli afirma que a categoria também reivindica um novo concurso público para o cargo. “O déficit de profissionais é alto devido à desvalorização da carreira e o não enquadramento na carreira do Magistério. O que deixa o salário do ADI abaixo do piso nacional, fazendo com que os profissionais migrem para outras redes que paguem melhor, isso ocasiona os rodízios e horários reduzidos nas unidades de educação infantil do Recife”, avalia a diretora.</p>



<p>Esse é um cargo que foi criado em 2005, pela lei 17.161, na gestão do então prefeito João Paulo. À época, foram criadas 1.545 vagas. Silva explica que “isso foi há 20 anos atrás, hoje a realidade é que o número de vagas nas creches foi triplicado e não houve uma recomposição de quadro efetivo. Para você ter ideia, no último concurso de 2024 foi chamado todo o cadastro reserva em menos de dois anos. Não acabou a validade do concurso e já tinham chamado 1.000 ADIs em uma seleção com oferta inicial de 300 vagas&#8221;. Segundo, dos 1.000 que tomaram posse quase a metade já pediu exoneração”.</p>



<p>Segundo a representante da categoria, muitos desses profissionais recebem as crianças sozinhos, pois o professor regente só chega às 07h30, ou até mesmo ficam sem tirar hora de almoço pois está sozinho em sala de aula, visto que o professor regente larga às 11h30.</p>



<p>“O ADI não pode abandonar a turma, então muitas vezes fica sozinho na sala de aula e tem que almoçar por lá mesmo enquanto as crianças dormem. Caso aconteça alguma coisa com uma criança e o ADI precise dar um apoio, as outras crianças da sala ficam desamparadas, o que é um perigo, pode configurar até abandono de incapaz, porém muitas gestoras assediam os ADIs para que eles fiquem na sala de aula mesmo nessas condições”, garante.</p>



<p>Atualmente, a lotação das salas de aula na educação infantil se organiza conforme a Portaria nº 156/2016 (e sua retificação) e a Resolução CME nº 14/2004, da seguinte forma: </p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Até 16 crianças por turma no berçário, com a proporção de um professor para cada cinco crianças, com dois ADIs no turno da manhã e três no turno da tarde;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Nos grupos 01 e 02 são até 21 crianças, com um professor para cada sete crianças, com dois auxiliares/ADIs pela manhã e três à tarde; </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>No grupo 03 são até 21 crianças, com um professor para cada 11 crianças, com um ADI no turno da manhã e dois no turno da tarde; </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Nos grupos 04 e 05 são até 26 crianças por turma, considerando um professor e um auxiliar.</p>
            </div>
            </div>



<p>Existe um grupo de trabalho em andamento que envolve a Assadir, o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Recife (Simpere) e outras entidades para discutir reformulações na educação do Recife, incluindo a recomposição nessa distribuição dos ADIs. A proposta que se discute é que o grupo 03 tenha um professor com dois auxiliares no turno da manhã e três no turno da tarde. Nos grupos 04 e 05, um professor com um auxiliar em um turno e, se for integral, dois no contraturno.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A denúncia que o MP arquivou</h3>



<p>Além disso, há uma denúncia sobre o acúmulo de funções e a falta de Agentes de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial (AADEE), profissionais que trabalham diretamente com crianças e adolescentes atípicos. “A gerência de educação especial, que é responsável pelos AADEEs, não manda eles para as unidades de educação infantil, o que acaba sobrecarregando ainda mais os ADIs. Sem contar os desvios de função, onde em algumas unidades temos os Auxiliares de Serviços Gerais dentro de sala de aula cuidando das crianças, o que é um absurdo”, denuncia.</p>



<p>O Ministério Público de Pernambuco esteve investigando a denúncia sobre o acúmulo de função de funcionários terceirizados. Em nota, o MPPE afirma que “desde então, o Ministério Público requisitou informações à Secretaria de Educação do Recife e promoveu diligências. Contudo, a denúncia não foi comprovada e o inquérito acabou arquivado”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a resposta da Prefeitura do Recife na íntegra: </span>

		<p>&#8220;A Secretaria de Educação do Recife informa que as situações relatadas em unidades da rede municipal são pontuais e também estão relacionadas ao contexto atual de mobilização da categoria, em função da campanha salarial em curso. A pasta esclarece que as paralisações e assembleias convocadas pelo sindicato têm impacto no funcionamento de algumas unidades, podendo ocasionar ajustes temporários na rotina escolar, como reorganização de horários e atendimento das turmas.</p>
<p>A Secretaria de Educação reforça que segue atuando de forma permanente para minimizar quaisquer prejuízos às famílias e aos estudantes, com a convocação contínua de profissionais e adoção de medidas administrativas para garantir a recomposição do atendimento o mais breve possível&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
	</div>



<p>Também perguntamos por qual motivo os materiais e os fardamentos ainda não foram entregues nessas e em outras unidades do Recife. Além disso, solicitamois dados sobre a realidade das creches e ADIs que existem hoje na rede, como o número total atualizado de creches, creche escolas e creches parceiras da Rede Municipal; o número total de vagas preenchidas nessas instituições; o número total de auxiliares de desenvolvimento infantil concursados, contratados e terceirizados na Rede Municipal.</p>



<p>No entanto, a prefeitura não respondeu a esses questionamentos.</p>
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