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	<title>Raíssa Ebrahim, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 23 Mar 2026 20:59:14 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Raíssa Ebrahim, Autor em Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Complexo eólico e Governo de Pernambuco são alvo de ação inédita por danos socioambientais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 19:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[CPRH]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável]]></category>
		<category><![CDATA[eólicas]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É extensa a lista de violações apresentadas à Justiça de Pernambuco pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em ação inédita no estado, contra os responsáveis pela instalação e operação do complexo eólico Ventos de São Clemente, formado por oito parques e 126 aerogeradores nos municípios de Caetés, Venturosa, Pedra e Capoeiras, no agreste. Pela primeira [&#8230;]</p>
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<p>É extensa a lista de violações apresentadas à Justiça de Pernambuco pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em ação inédita no estado, contra os responsáveis pela instalação e operação do complexo eólico Ventos de São Clemente, formado por oito parques e 126 aerogeradores nos municípios de Caetés, Venturosa, Pedra e Capoeiras, no agreste.</p>



<p>Pela primeira vez em Pernambuco, empresas eólicas são alvo de uma Ação Civil Pública (ACP) por danos socioambientais. A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) também foi denunciada na ação, protocolada na sexta-feira 13 de março. Além da Ventos de São Clemente Holding S.A., também são rés no processo judicial a Casa dos Ventos Energias Renováveis S.A. e a Echoenergia Participações S.A.</p>



<p>Na última segunda (16), famílias camponesas junto à Escola dos Ventos e à CPT fizeram uma mobilização em frente à Vara Única da Comarca de Caetés. Formada por agricultores, pastoral, representantes da Fiocruz e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a escola é um coletivo de mobilização, pesquisa e ação contra os impactos das eólicas.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/caetes-1-1024x768.jpeg" alt="A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em frente a um prédio, segurando um grande banner preto com letras brancas pintadas à mão. O texto no banner diz “EÓLICAS MATAM”, em português, indicando um protesto contra projetos de energia eólica. Ao fundo, há paredes revestidas de azulejos brancos, colunas de tijolos vermelhos, além de plantas e palmeiras que compõem o cenário externo. É uma cena de manifestação pública, marcada pela crítica a empreendimentos ligados às turbinas de vento." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Moradores prejudicados já fizeram vários protestos contra eólicas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Cortesia/CPT</span>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Linha do tempo: das promessas aos problemas</strong></h2>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> montou uma linha do tempo com base nas informações da Ação Civil Pública, mostrando a cronologia dos danos provocados por eólicas em Caetés e adjacências desde 2012, quando a Casa dos Ventos chegou prometendo renda mensal complementar, emprego para os filhos, dinamização da economia da região, melhoria da qualidade de vida e energia elétrica mais barata. Depois o complexo foi adquirido pela Echoenergia, em 2017.</p>



<p>A linha do tempo vai até os dias atuais, envolvendo um embate jurídico e o complexo eólico Ventos de São Clemente funcionando sem licença de operação, autorizada apenas por uma liminar obtida em segunda instância na Justiça.</p>





<div style="height:780px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading">A extensão dos danos</h2>



<p>As mais de 500 famílias afetadas, segundo a pastoral, vivem nas comunidades Pau Ferro, Pontais, Laguinha, Barrocas, Tanque Novo, Paraguai, Mulungu, Quitonga, Piado, Exu, Montevidéu, Toquinho, Vermelha e Serrote. São famílias que, em geral, têm um longo histórico de posse da terra, que remonta a várias gerações, e que vivem da agricultura familiar e da criação de animais.</p>



<p>Muitas têm ascendência indígena, plantam milho, feijão, batata doce, macaxeira e palma, criam vacas para produção de leite e queijo e também porcos, cabras, ovelhas e galinhas. A operação das turbinas provocou, em 10 anos, uma série de danos tanto à saúde física e mental quanto à produção agropecuária e consequentemente à segurança alimentar e à geração de renda dessas pessoas.</p>



<p>Os problemas apresentados na Ação Civil Pública incluem ainda rachaduras nas casas após uso de explosivos para detonação e abertura de estradas; diminuição da disponibilidade hídrica em face do soterramento de barreiros e da destruição de lajedos e caldeirões; perda de vegetação nativa com a supressão de caatinga sem reposição no mesmo território; adoecimento da população; desenvolvimento de doenças diversas, de natureza tanto psíquica quanto física, como insônia, diminuição da capacidade auditiva, dor de cabeça, ansiedade. depressão, irritação nos olhos, problema de visão, fadiga, alergia na pele, palpitações no coração e hipertensão.</p>



<p>Os animais domésticos, por sua vez, apresentam sinais de estresse, adoecimento, morte prematura e alteração reprodutiva. As famílias relatam seus animais estão visivelmente estressados (com sinais de agitação e agressividade); as vacas vêm produzindo menos leite; as galinhas vêm pondo menos ovos ou quase nenhum; os poucos ovos postos terminam por não “gorar”, isto é, não desenvolvem o embrião, que apodrece durante a incubação; há cada vez maior incidência de filhotes (bezerros, porcos, pintos e outros) natimortos ou que, nascidos vivos, vêm a óbito em poucos dias, porque estão debilitados; e as galinhas vêm morrendo prematuramente.</p>



<p>De 2013 para cá, também houve diminuição ou desaparecimento da fauna silvestre, com diminuição drástica da presença de pássaros, morcegos e abelhas, importantes polinizadores e disseminadores de sementes. Houve ainda redução da produtividade agrícola e diminuição da geração de renda familiar e da segurança alimentar.</p>



<p>Muitas edificações racharam, comprometendo a segurança das casas e a inutilidade das cisternas. Os parques eólicas também foram responsáveis por uma quebra da inversão térmica noturna, alteração do padrão natural do vento e a diminuição da umidade do solo.</p>



<p>Embora os complexos Ventos de São Clemente e Ventos de Santa Brígida tenham sido construídos pelo mesmo empreendedor (Casa dos Ventos Energias Renováveis S.A.) e conformem juntos um único complexo maior, denominado Complexo Caetés, com um total de 233 aerogeradores, as licenças foram solicitadas em separado, o que, segundo a CPT, facilitou a burocracia para operação e questões de comprovação de possíveis impactos.</p>



<p>Além disso, não se levou em consideração os sítios vizinhos às turbinas, que têm sido diretamente atingidos pelo seu funcionamento, apesar de não terem torres instaladas e por isso não receberem qualquer contrapartida financeira. Na prática, elas também arcam com todos os ônus e prejuízos de terem, a poucos metros de distância, os aerogeradores em funcionamento.</p>



<p>Atualmente já se sabe, por meio de estudos, que famílias residentes a uma distância de pelo menos 500 metros de distância das torres estão submetidas a ruídos cuja intensidade está acima dos parâmetros adotados pelo ordenamento jurídico.</p>



<h3 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>Um complexo que opera sem licença</strong></h3>



<p>As comunidades atingidas, organizadas em parceria com outros atores (inclusive com a população atingida pelo complexo Ventos de Santa Brígida), promoveram um novo protesto, em fevereiro de 2025, desta vez ocupando a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), no Recife, para pressionar a CPRH.</p>



<p>O órgão ambiental, na época, indeferiu o pedido de renovação da Licença de Operação, determinando a imediata paralisação dos aerogeradores. A Ventos de São Clemente iniciou então o desligamento dos aerogeradores. No entanto, isso durou pouco tempo. A empresa logo recorreu e, em segundo instância, conseguiu retomar as atividades graças a uma liminar. Poucos dias depois, em 12 de março, uma torre aerogeradora se rompeu e despencou, num terreno onde, felizmente, não havia circulação de pessoas e não houve feridos.</p>



<p>Instaurou-se então um processo de conciliação, na tentativa de uma solução consensual entre a CPRH e a Ventos de São Clemente/Echoenergia. Não houve, contudo, participação ativa de representantes das comunidades atingidas, denuncia a CPT. Essa tentativa de conciliação já se arrasta desde o final de março de 2025.</p>



<p>Uma das mais recentes movimentações foi a apresentação de um quinto plano pela Echoenergia, após os quatros anteriores terem sido indeferidos pela CPRH, que prevê tão somente a permuta de terras para as famílias situadas a até 280 metros dos aerogeradores e dispostas a sair do território.</p>



<p>“A proposta é, portanto, de que as famílias abram mão de seus terrenos e recebam, em troca, outras terras previamente selecionadas pela Echoenergia. O plano deixa expresso que ‘não serão oferecidas compensações financeiras ou alternativas’, mas apenas a realocação para terras equivalentes, identificadas como ‘elegíveis’ pela Echoenergia”, reclama a CPT em ação.</p>



<p>Com relação às famílias que não pretendem deixar o território, a Echoenergia não apresentou qualquer proposta sobre como pretende afastar e reinstalar as torres aerogeradoras em locais seguros. Mesmo assim, em audiência judicial realizada em outubro de 2025, a CPRH posicionou-se no sentido de aprovar o 5º Plano da Ventos de São Clemente/Echoenergia. Em seguida, elaborou e firmou um Termo de Compromisso com a empresa.</p>



<p>A <strong>MZ</strong> procurou a Echoenergia e a CPRH para ouvi-los, mas não houve qualquer retorno até o fechamento desta reportagem.</p>
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		<title>Homens matam uma mulher a cada quatro dias em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 12:52:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2025, homens assassinaram 88 mulheres em Pernambuco, 14% a mais que em 2024, quando eles vitimaram 77 mulheres. Isso significa que o estado contabilizou um feminicídio a cada quatro dias somente no ano passado. Pernambuco é o segundo estado do Nordeste onde homens mais cometem feminicídios, ficando atrás apenas da Bahia, onde eles mataram [&#8230;]</p>
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<p>Em 2025, homens assassinaram 88 mulheres em Pernambuco, 14% a mais que em 2024, quando eles vitimaram 77 mulheres. Isso significa que o estado contabilizou um feminicídio a cada quatro dias somente no ano passado. Pernambuco é o segundo estado do Nordeste onde homens mais cometem feminicídios, ficando atrás apenas da Bahia, onde eles mataram 102 mulheres em 2025. Os dados constam no estudo <em>Retrato dos Feminicídios no Brasil</em>, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado no dia 4 de março.</p>



<p>Essa é a maior quantidade de feminicídios já registrados em Pernambuco desde 2017, quando o então governador Paulo Câmara assinou o decreto que instituiu o feminicídio na classificação dos crimes violentos letais. Dos 88 casos, 15 foram no Recife, seis em Jaboatão dos Guararapes e cinco em Caruaru. A maioria das vítimas tinha entre 35 e 64 anos (38,64%).</p>



<p>Leia, no final desta reportagem, uma entrevista com a premiada socióloga pernambucana Ana Paula Portella.</p>



<p>Confira <a href="https://marcozero.org/homens-estupram-ao-menos-seis-mulheres-e-meninas-por-dia-em-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> reportagem sobre estupro na última década em Pernambuco.</p>



<p>O Brasil também bateu recorde de feminicídios em 2025, foram 1.568, um crescimento de 4,7% em relação a 2024. O estudo do Fórum detalha com dados o que se repete em todo o país: mulheres negras são as mais expostas à violência letal de gênero (62,6%); na maioria dos casos, o agressor é parceiro ou ex-parceiro íntimo (apenas 4,9% foram assassinadas por desconhecidos); e os crimes, em sua maioria, acontecem dentro de casa (66,3%).</p>



<p>“A evolução das taxas de outros crimes contra mulheres, como ameaça, perseguição, violência psicológica, lesão corporal, estupro e tentativa de feminicídio, também vêm aumentando de forma consistente nos últimos anos, o que indica que o corpo das mulheres segue sendo visto como território alheio, que poderia ser ameaçado, agredido, sexualmente violentado e assassinado”, destaca o Fórum em nota técnica.</p>



<p>Para analisar esse cenário, a <strong>Marco Zero</strong> entrevistou socióloga pernambucana Ana Paula Portella, doutora em Sociologia e mestra em Saúde Pública com mais de três décadas de atuação em pesquisa aplicada, avaliação de políticas públicas, violência de gênero, segurança pública e direitos humanos. Especialista em violência letal contra mulheres, feminicídio, interseccionalidade (gênero, raça e classe) e análise de políticas públicas, ela é autora do livro <em>Como morre uma mulher?</em>.</p>



<p>A publicação é resultado da tese de doutorado de Ana Paula e ganhou o prêmio de Melhor Tese da América Latina e do Caribe conferido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. O livro analisa os contextos e as dinâmicas de produção da morte violenta de mulheres, incluindo os feminicídios, além de propor e aplicar um modelo de análise de dados em contextos de ausência de informações essenciais, como é o caso de muitos bancos de dados do sistema de segurança e justiça.</p>



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	                                        <p class="m-0">Ana Paula Portella é especialista em violência contra mulheresCrédito: Keila Vieira
</p>
	                
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<p>Marco Zero &#8211; <strong>Nunca se debateu e se deu tanta visibilidade aos casos de violência contra mulher. Por outro lado, as reações estão cada vez mais agressivas e os casos de violência de gênero não param de crescer. Como isso se explica?</strong></p>



<p><strong>Ana Paula Portella &#8211; </strong>Existe um debate anterior a isso, que é se a violência de fato está aumentando ou se ela está sendo mais registrada, mais visibilizada e melhor classificada. Casos que, há um tempo, não seriam vistos como feminicídio hoje estão sendo classificados como feminicídio, porque existem protocolos e medidas dentro do sistema de segurança e justiça que orientam seus agentes a observarem os casos de morte violenta feminina de outra maneira e identificarem, nesses casos, o que é feminicídio e o que não é feminicídio.</p>



<p>Esse é um debate, a gente não tem como responder a essa pergunta neste momento e eu não conheço pessoas que estejam fazendo estudos para identificar se realmente a gente tem um aumento de casos ou se a gente tem uma melhora na visibilização do problema e na classificação dos casos.</p>



<p>De qualquer maneira, isso não importa, porque, como a gente está tratando de violência letal, é uma coisa que não deveria acontecer. Então um único caso é excessivo. Essa questão do aumento ou da redução, na minha perspectiva, é irrelevante porque temos que trabalhar com a perspectiva de uma sociedade que não tenha nenhum caso de violência letal contra as mulheres. E temos aqui em Pernambuco número muito maior do que um. Estamos em torno de 300 casos, se não me engano, de violência letal e, entre esses, cerca de 80 feminicídios.</p>



<p>De qualquer maneira, respondendo diretamente a essa preocupação dos casos mais graves, dos casos aparentemente mais violentos do que o que a gente tinha no passado, eu acho que vale a pena chamar a atenção para o recrudescimento do conservadorismo que tem acontecido no mundo inteiro e, aqui no Brasil também, nesses últimos dez ou 15 anos.</p>



<p>Todo esse avanço da extrema-direita — e tivemos aqui o governo Bolsonaro, que institucionalizou esse avanço no Governo Federal — traz com ele uma revalorização e um fortalecimento dos valores conservadores de gênero. Temos toda uma exacerbação das diferenças entre homens e mulheres, de uma maior valorização daquilo que é masculino, daquilo que é viril, daquilo que é violento. E com todo o debate em torno da liberação e do uso das armas de fogo, existe uma exaltação desses padrões, tanto do ponto de vista institucional e político, no campo da extrema-direita, como no campo da moral e da religião, por meio das igrejas neopentecostais.</p>



<p>Isso certamente cria um terreno fértil para a relegitimização da violência contra as mulheres, mas também do contexto de dominação dos homens contra as mulheres. Essa visão sobre as mulheres de que os homens são superiores, de que eles são melhores e que, por isso, têm e podem deter o poder de vida e morte sobre mulheres e crianças. Essas masculinidades agressivas e tóxicas têm sido fortalecidas nesse período. E esse é o período também que a gente vê crescer essa coisa no mundo virtual, desses ambientes da <em>deep web</em>, de debates, de jogos e de conversas, das quais participam majoritariamente meninos e homens jovens.</p>



<p>Esse é um ambiente que tem crescido entre as crianças e entre os meninos adolescentes sem supervisão parental, então é como se tivesse aberto um grande portal nos últimos anos, onde os meninos são efetivamente educados para serem homens a partir desses portais. Então se abre um campo de sociabilidade onde esses meninos têm exemplos a partir dos quais eles podem moldar a sua própria identidade masculina, em que não se tem supervisão nem dos pais nem de outros adultos nem de instituições. Então, ele está correndo livre. O que temos visto é que eles estão caminhando para esse campo do tradicionalismo, do tradicionalismo e do conservadorismo. Esses são ambientes que também valorizam a violência em todas as suas formas.</p>



<p><strong>Apesar do crescimento das denúncias e da busca por informação e acolhimento — prova é que o 180, a cada ano, bate recorde de registros —, ainda é muito difícil interromper o ciclo de violência contra as mulheres. Por quê?</strong></p>



<p>Interromper o ciclo da violência depende de coisas muito sensíveis. Uma mulher que está envolvida em uma situação abusiva precisa, em primeiro lugar, ter consciência de que essa relação é abusiva, precisa perceber e entender que ela está confundindo amor com abuso. Isso requer tempo, conhecimento, informação e apoio externo.</p>



<p>Além disso, mesmo que ela consiga diferenciar e perceber que a relação de fato é abusiva, ela precisa ter uma rede de apoio sólida, consistente e capaz de conter a reação agressiva masculina que fatalmente vai surgir no momento que ela decidir sair dessa relação. Essa rede de apoio tem que ser tanto pessoal e familiar como institucional, porque a contenção da reação masculina não é uma coisa simples. Não é simples conter um homem que está decidido a matar alguém. Nesse contexto que estamos vivendo, esses homens estão decidindo matar as mulheres e matar seus filhos. A situação está realmente ficando mais grave nesse sentido.</p>



<p>Nem todas as mulheres têm acesso a esse tipo de rede — e as mulheres sabem disso e precisam se proteger. Muitas não saem da situação porque sabem que, no momento em que saírem, esse homem vai reagir e ela não tem a quem recorrer. Daí a importância das políticas públicas, da ação do sistema de segurança e justiça, das medidas protetivas, das casas de acolhimento, dos centros de referência. É importante que a mulher saiba que isso existe para saber a quem pode recorrer.</p>



<p>É bom a gente lembrar também que boa parte dos casos de feminicídio acontece justamente quando a mulher pede a separação, depois que ela pede a separação ou depois que ela sai de casa. As mulheres que estão nessas relações sabem disso e procuram se proteger, então é importantíssimo que a sociedade tenha consciência disso e que os círculos próximos dessa mulher se constituam como uma rede de apoio e que isso seja dito muito em voz alta, que ela saiba ‘olha, você pode contar comigo, eu estou percebendo que a sua situação é ruim, então venha para cá’. Que as pessoas conversem sobre isso e se disponham a protegê-la, como também as políticas públicas, que, para a nossa sorte e graças ao movimento feminista nos últimos 40 anos, já existem aqui no país.</p>



<p>O ideal é que a relação abusiva seja interrompida no início, nos seus primeiros sinais, de modo que não dê tempo e não se permita que o homem cultive a sua reação mais violenta e agressiva. Mas, no início, é justamente o momento mais difícil da mulher perceber que a relação é abusiva porque os sinais são ambíguos. Então ela confunde isso com amor. É uma situação que só pode ser resolvida quando a sociedade brasileira como um todo compreender o que é uma relação abusiva, quando todas as pessoas conseguirem identificar esses sinais e quando tivermos realmente essas redes de apoio eficazes para proteger as mulheres e as crianças.</p>



<p><strong>As mulheres negras são a maioria das vítimas de feminicídio. Como o racismo estrutural impacta a vida dessa população e por que, no caso delas, é mais difícil quebrar esse ciclo de abusos?</strong></p>



<p>O racismo estrutural impacta a vida das mulheres imensamente. É, sem dúvida, o tipo de relação de poder e de dominação mais forte e poderoso na sociedade brasileira. Eu diria até que é mais poderoso do que as relações de gênero, mas atua de uma maneira muito articulada com as questões de gênero. Se a gente observar as condições em que vivem essas mulheres, vamos ver que elas têm redes familiares e redes sociais mais frágeis, vivem em condições materiais mais precárias.</p>



<p>Para uma parte importante delas, especialmente as mais jovens, têm menor acesso à informação e ao conhecimento que poderia facilitar procurarem ajuda e buscarem proteção para a violência. Isso as deixa numa situação muito mais frágil do que as mulheres que não são negras e que estão em condições materiais melhores.</p>



<p>Além disso, a questão racial é frequentemente usada como base para o exercício de poder e da dominação. Quando o homem quer destratar uma mulher ou quando as pessoas, em geral, aqui no Brasil, numa sociedade que tem um racismo tão alto e tão vigoroso, a questão da raça é utilizada frequentemente como medida de desvalor, como forma de xingamento, de diminuir essa mulher.</p>



<p>Eles já usam o fato de a gente ser mulher como algo ofensivo. No caso das mulheres negras, você vai ter a junção da questão do racismo e da misoginia atuando conjuntamente para desvalorizar essa mulher, para submetê-la e oprimi-la, o que vai deixá-la em uma situação de muito maior fragilidade do que aquela que não sofre o efeito do racismo.</p>



<p>A questão do racismo é tão essencial que a gente verifica que a maior proporção de vítimas da violência de gênero é de mulheres negras, jovens e pobres que vivem em situação de precariedade social.</p>



<p><strong>A maioria dos feminicidas é o marido, o namorado, o amante ou o ex. O que isso revela sobre o comportamento dos homens e a estrutura da sociedade?</strong></p>



<p>Eu acho que revela muito claramente que a gente vive numa sociedade patriarcal. Essas situações em que os homens matam as mulheres e matam as crianças significam que eles se compreendem como detentores do poder total sobre a vida da família. E isso é a descrição mais clara do patriarcado. A sociedade ainda é complexa, contraditória, é ambígua. A gente convive, ao mesmo tempo, com contextos progressistas, avançados e contextos conservadores, mas, no que se refere ao campo conservador, isso é um evidente traço da permanência das relações patriarcais na sociedade. Ainda tem muita luta pela frente para desfazer isso.</p>
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		<title>Homens estupram ao menos seis mulheres e meninas por dia em Pernambuco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 11:37:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[estupro]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Homens estupraram ao menos 2.354 mulheres e meninas em Pernambuco em 2025. Isso significa que eles abusaram de, no mínimo, seis mulheres e meninas a cada 24 horas no estado somente no ano passado. Os dados são da Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS-PE) e, sem dúvida, estão subnotificados porque muitas não prestam queixa. A [&#8230;]</p>
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<p>Homens estupraram ao menos 2.354 mulheres e meninas em Pernambuco em 2025. Isso significa que eles abusaram de, no mínimo, seis mulheres e meninas a cada 24 horas no estado somente no ano passado. Os dados são da Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS-PE) e, sem dúvida, estão subnotificados porque muitas não prestam queixa. A maioria das vítimas (70%) tinha entre zero e 17 anos, ou seja, crianças e adolescentes.</p>



<p>“Nós sempre tratamos o estupro como um caso subnotificado. Esse número tem uma tendência de ser de seis a oito vezes maior do que o que está colocado”, diz a coordenadora-executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) e conselheira do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Edna Jatobá.</p>



<p>O aumento na quantidade de pedidos de ajuda através da Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 reflete a realidade — e também o aprimoramento do serviço de informação e acolhimento. Em 2024 (dado mais recente publicado pelo Ministério das Mulheres), o 180 registrou um total de 31.030 atendimentos oriundos de Pernambuco, um aumento de 40,6% em relação a 2023.</p>



<p>O Instituto Patrícia Galvão e o Instituto Locomotiva mostram, em números, o que quase todas as mulheres sentem: é cada vez mais perceptível que não existem espaços totalmente seguros para elas. Em pesquisada realizada pelas duas instituições no ano passado, 82% das entrevistadas declararam ter “muito medo” de sofrer um abuso sexual. Esse percentual era de 78% em 2020.</p>



<p>O temor também está presente na hora de decidir ou não pela denúncia. Muitas têm medo do agressor, sentem vergonha e temem ser desacreditadas, além de haver ainda muita falta de informação sobre os direitos das mulheres. Um outro levantamento publicado, no ano passado, também pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva mostra que oito em cada dez vítimas de violência sexual não buscaram nenhum atendimento.</p>



<p>O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, publicado recentemente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comprova que ainda é imensa a dificuldade de se punir os agressores. Das 67.157 perícias sexológicas realizadas em 2024, apenas 9,8% resultaram em laudos positivos.</p>





<p></p>



<h2 class="wp-block-heading">Estupro de vulneráveis bate recorde no Brasil</h2>



<p>Quem tem menos de 14 anos é considerado vulnerável pela legislação brasileira, que reconhece que crianças não têm capacidade de consentir sobre relações sexuais, independente de vínculo ou autorização familiar. Em 2024, o Brasil registrou 67.204 casos de estupro de vulneráveis, a maioria do sexo feminino e negra, de acordo com a 19ª edição do Anuário do Fórum. A taxa nacional chegou a 31,6 casos por 100 mil habitantes, o maior número da série histórica.</p>



<p>Na visão da organização, “casos recentes que mobilizaram o debate público reforçam a importância de compreender a dimensão desse problema e de garantir que a proteção da infância seja tratada como prioridade absoluta pelo Estado e pela sociedade”. A decisão recente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos que manteve relações com uma menina de 12 anos, chocou grande parte do país e gerou uma reação nacional. Depois o desembargador reviu a decisão e condenou o criminoso. Agora, <a href="https://www.poder360.com.br/poder-justica/pgr-pede-inquerito-contra-desembargador-afastado-de-mg/">o próprio magistrado será investigado</a> por suspeita de abuso sexual.</p>



<p>Edna detalha que existe uma tendência maior de notificação dos casos envolvendo crianças e adolescentes graças um sistema garantidor de direitos mais bem estruturado, com serviços vinculantes, conselhos tutelares e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).</p>



<p>Mas, na visão dela, a sociedade não está preparada para enfrentar o debate do estupro. Prova é, segundo destaca, a dificuldade para aprovar, no final de 2024, a resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A medida estabelece um protocolo específico para atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, incluindo a garantia da interrupção legal da gravidez quando decorrente de estupro.</p>



<p>A resolução prevê, por exemplo, o treinamento de profissionais para identificar situações de violência sexual e a garantia de um atendimento rápido, sigiloso e livre de preconceitos, priorizando o cuidado e o respeito à vítima. “Essa resolução sofreu muita resistência, da Câmara de Deputados, do Senado, da igreja e até do próprio Governo Federal inicialmente, mesmo sendo um governo de esquerda”, relembra.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:37% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1.jpg" alt="" class="wp-image-74802 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/03/edna-1-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“Quando temos um tribunal de Justiça e setores do judiciário que entendem como consensual uma relação entre um homem de 35 anos e uma menina de 12 anos e absolvem isso, como aconteceu em Minas Gerais, temos a prova cabal de que a nossa sociedade anui, legitima o estupro, especialmente praticado contra crianças e adolescentes”, avalia Edna.</p>
</div></div>



<p></p>



<p>“O crime de estupro é muito difícil de detectar sem a ajuda da sociedade. Porque acontecem dentro das residências, dentro das famílias, dentro do lugar onde essas meninas e mulheres deveriam se sentir mais seguras. Existe uma proteção muito grande aos agressores e uma baixíssima proteção às vítimas de violência sexual. Temos uma inversão de valores”, observa.</p>



<p>“E quando tentamos, a partir dos órgãos de controle e dos órgãos colegiados, fazer alguma coisa para diminuir essa distorção, essas iniciativas são rechaçadas pela sociedade a partir do manto do conservadorismo”, aponta a especialista. “Precisamos preparar a sociedade para esse debate e que ele seja realizado à luz da ciência e da garantia de direitos, e não refém do extremismo religioso”, frisa.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Elas não estão seguras dentro de casa</h3>



<p>A casa da vítima ainda é o cenário onde mais situações de violência são registradas. De acordo com a edição 2025 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 65,7% dos casos de estupro em 2024 aconteceram dentro das residências, sendo que 45,5% dos autores do crime eram parentes e 20,3% eram parceiros ou ex-parceiros íntimos.</p>



<p>“O Anuário mais uma vez qualifica os dados, mostrando que a violência de gênero continua associada ao ambiente doméstico, à desigualdade racial e a ciclos de abuso. Mas os casos mais recentes se destacam por trazer um elemento que não pode ser ignorado: a intensidade e a crueldade dos ataques”, diz o Fórum.</p>



<p>Na avaliação de Edna, do Gajop e do CNDH, é preciso olhar para esse tipo de crime como uma questão de segurança pública, mas não só. Para ela, é urgente que a sociedade fortaleça a educação de gênero e a educação sexual, ainda muito rechaçada pelas escolas, além de fortalecer o acesso de mulheres e meninas à informação sobre direitos e canais de denúncia.</p>



<p>Ela também destaca que é preciso fortalecer as mães dessas meninas com políticas públicas que também passem pela geração de renda e de proteção para quando há necessidade de retirada imediata das vítimas dos espaços de denúncia para quebrar o ciclo de continuidade das violências.</p>
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		<title>O regresso das multidões do Elefante de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 20:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era domingo de Carnaval, há mais de dez anos, quando o minguado — porém, ainda vivo — Elefante de Olinda passou pouco aclamado pelo povo e sem nenhum ardor pela avenida Joaquim Nabuco, no Varadouro. Com quase nenhum esplendor, mas ainda exaltando suas tradições, a agremiação desfilava ao som de apenas dois clarins, uma faixa [&#8230;]</p>
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<p>Era domingo de Carnaval, há mais de dez anos, quando o minguado — porém, ainda vivo — Elefante de Olinda passou pouco aclamado pelo povo e sem nenhum ardor pela avenida Joaquim Nabuco, no Varadouro. Com quase nenhum esplendor, mas ainda exaltando suas tradições, a agremiação desfilava ao som de apenas dois clarins, uma faixa de tecido desgastado, uma orquestra de dez músicos, um pequeno grupo de foliões e desfilantes com fantasias velhas. Com no máximo 25 pessoas, aquele era o retrato do declínio do clube carnavalesco fundado em 1952 que, por muito tempo, arrastou multidões e cujo hino se confunde com o hino do Carnaval de Olinda.</p>



<p>Alguns anos depois dessa cena, o gigante acordou e, no Carnaval de 2026, e se prepara para, mais uma vez, arrastar uma multidão de 30 mil desfilando seu recorde: seis alas de fantasias, abre-alas, faixa, dois porta-estandartes, duas companhias de dança, vários clarins e duas orquestras. Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o clube comemora 74 anos com uma nova diretoria que atuou para revibrar corações de amor a sonhar, numa Olinda sem igual. Atualmente o Elefante realiza quatro desfiles carnavalescos: o Trote, o Baile Encarnado, o Elefantinho e o desfile oficial, sempre aos domingos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-2-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração noturna de rua, provavelmente ligada ao carnaval ou a um festival cultural. No centro, há um grande estandarte bordado com a inscrição “Elefante de Olinda”, destacando os anos 1952 e 2023, em referência aos 71 anos desse grupo tradicional. O estandarte é colorido e ornamentado com desenhos de sol, palmeiras e paisagem. Abaixo dele, uma multidão de pessoas festeja com braços erguidos, enquanto confetes ou espuma caem sobre elas. As ruas estão enfeitadas com fitas coloridas e iluminadas, criando um ambiente alegre e vibrante de comemoração coletiva." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante de Olinda desfila a frente de 30 mil pessoas no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Estávamos na calçada, na casa da minha sogra, quando, de repente, vi a faixa ‘Elefante de Olinda’. Eu gritei &#8216;minha gente, corre, é o Elefante de Olinda&#8217;. E sai desfilando com meu companheiro, Anax Botelho”. Quem revive essa história em detalhes é Juliana Serretti, 36 anos, que hoje compõe a diretoria do clube.</p>



<p>“Como pode a gente passar o Carnaval todo cantando o hino do Elefante, que virou até um grande clichê, e a agremiação estar desse jeito? Precisamos fazer alguma coisa”, pensou Juliana. Foi quando ela e Anax — cujos pais se conheceram e se apaixonaram durante um desfile do Elefante — começaram a buscar quem estava à frente da agremiação.</p>



<p>“Aí conhecemos seu João, já falecido e um dos homenageados do Elefante no Carnaval 2026. Ele foi, por muitos anos, presidente e carregou o clube nas costas. É graças à teimosia de seu João que ainda estamos aqui”, relembra ela. O Elefante, mesmo à míngua, nunca deixou de desfilar um só Carnaval. “Depois começamos a chamar várias pessoas que sabíamos que têm amor pela folia e algum vínculo com o Elefante, sempre frisando para seu João que a gente não queria cachê nem tomar o poder dele. Nosso desejo era realmente levantar o clube”, detalha.</p>



<p>Uma dessas pessoas é Rafael Antônio, 36 anos, neto de Élcio, um dos fundadores da agremiação, e que hoje também faz parte da diretoria e é porta-estandarte. “Minha família sempre alugou casa em Olinda no Carnaval e, quando eu era pequeno e vinha uma troça muito grande, as pessoas lá de casa colocavam as crianças e as cadeiras para dentro. O Elefante, quando chegou uma vez, minha avó, ainda viva, ficou muito triste porque, na época, o clube passou já muito pequeno. Não passou gigante como era antes, quando as fantasias, inclusive, eram feitas na casa dela”, recorda ele, dizendo que, depois disso, nunca mais viu a agremiação passar novamente.</p>



<p>Rafael também relembra o motivo do nome “Elefante”: “Antigamente, havia as festas que o pessoal chamava de assustado. As pessoas entravam na casa dos outros, que ofereciam comes e bebes. Num desses assustados, Chuquinha, um dos fundadores, pegou um pequeno elefante de biscuit em cima da geladeira e guardou no bolso. A turma comeu, bebeu e foi embora. Quando chegaram nos Quatro Cantos de Olinda, Chuquinha colocou o elefantinho na cabeça e começou a dançar”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1024x643.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma festa popular realizada à noite em uma rua cheia de pessoas. A multidão veste roupas festivas, muitas em vermelho, e duas bandeiras grandes e ornamentadas se destacam no centro. Uma delas traz o nome “Cariri” com bordados em azul e dourado; a outra celebra os 70 anos do grupo “Elefante de Olinda”, com bordados coloridos e a figura de um elefante sob o sol. Acima da rua, há fitas verdes e amarelas penduradas, e também um letreiro em forma de coração com a palavra “Paz”. O clima é alegre, vibrante e transmite a energia de uma celebração cultural tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Elefante e Cariri juntos no Carnaval de Olinda. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>E as cores? “O Elefante usa vermelho e branco porque, no seu primeiro desfile, o grupo jogava no Bonfim Futebol Clube, em que meu tio era goleiro. As cores do time eram vermelho e branco e o pessoal saiu para desfilar vestindo as camisas do Bonfim”.</p>



<p>A reportagem também perguntou sobre a rivalidade com a Pitombeira dos Quatro Cantos, que já foi motivo de muita violência com brigas e facadas, mas hoje tornou-se mais um motivo de brincadeira. A dupla da diretoria conta, rindo, a origem dessa rivalidade. Num desfile, há muitas décadas, uma pessoa levou uma plaquinha escrita “A Pitombeira não morreu, está doente”, porque, naquele ano, a troça não saiu no Carnaval. No ano seguinte, ela também não desfilou e essa mesma pessoa exibiu a plaquinha “A Pitombeira morreu, aqui jaz”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Juliana e Rafael, da diretoria do Elefante. Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">O financiamento do regresso</h2>



<p>Rafael comenta que o ressurgimento do Elefante de Olinda manteve uma outra tradição: a de ser composto por amigos-foliões. O ano era 2017 quando o grupo conquistou totalmente a confiança de seu João e ele passou a diretoria para a nova geração.</p>



<p>“E aí o nosso grande orgulho foi quando as pessoas começaram a dizer novamente ‘recolhe que o Elefante vem aí’&#8221;, comemoram, explicando, em seguida, que as coisas não aconteceram de uma hora para outra. Foi através da venda de produtos como camisa, boné, bolsa e, este ano, meias (que esgotaram rapidamente) que a diretoria foi conseguindo mais verba, além do <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachê pequeno</a> pago pela Prefeitura de Olinda, este ano de apenas R$ 48 mil para três exibições.</p>



<p>Mesmo com pouca verba pública, o Elefante mantém o baile como um evento gratuito, em que só se toca frevo e nada além disso. O clube conta com um patrocínio de R$ 10 mil da Pitú e não aceita dinheiro das bets, apesar de algumas empresas já terem oferecido. O desfile do domingo de Carnaval, o maior de todos, não sai por menos de R$ 60 mil.</p>



<p>Quem também chegou junto com força nessa história foi o maestro Oséas Leão, da Furiosa: “Ele também é responsável por esse renascimento. Ter a orquestra de Oséas no Elefante foi uma grande conquista, no nosso primeiro Trote. Mas isso porque ele topou cobrar um cachê que conseguíamos pagar”, afirma Juliana.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1-300x200.jpeg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.18.50-1-1024x682.jpeg" alt="Essa imagem mostra uma celebração de rua à noite, cheia de cores e detalhes festivos. No centro, há uma pessoa vestida com uma fantasia elaborada de elefante: cabeça grande com presas, coroa e roupas bordadas com pedras e enfeites brilhantes. Ao lado dela, aparece um estandarte ricamente decorado com bordados coloridos e franjas, trazendo a inscrição “Elefante de Olinda – 70 anos – 1952 2022”, além da figura de um elefante dourado sob o sol, cercado por palmeiras. Ao fundo, outras pessoas em trajes festivos participam da comemoração, reforçando o clima alegre e cultural de um carnaval ou festa tradicional brasileira." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Um dos estandartes do clube com o Elefante símbolo da agremiação. Crédito: Hugo Muniz
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Hugo Muniz</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">O hino &#8220;Regresso do Elefante&#8221;</h3>



<p>Ao longo das décadas em que o Elefante esteve adormecido, muito da sua história se perdeu. Uma dessas perdas foi a partitura do hino <a href="https://www.youtube.com/watch?v=klKix-hvcCk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Regresso do Elefante</a>, que era (e agora voltou a ser) tocado quando a orquestra recolhe, ao final dos desfiles. Tradicionalmente a agremiação encerra com esse frevo e inicia com o frevo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5XuKm_PKhk" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A chave de tudo é o segredo</a>. Isso faz parte da mística do Elefante, é quando Oséas faz, com as mãos, um sinal de que está girando uma chave.</p>



<p>“Mas ninguém sabia nem como era esse frevo, nunca tínhamos ouvido. Sabíamos apenas uns trechos da letra graças à Newtinho, do bloco Dez de Xarque e uma Latinha. Por sorte, Célio Gouveia, também da diretoria do Elefante, encontrou um vinil super antigo, num sebo, e lá estava o Regresso do Elefante&#8221;, conta Juliana. O grupo entregou o vinil à Lúcio, maestro da Orquestra Henrique Dias, que conseguiu refazer a partitura.</p>



<p>“Às vezes, estou varrendo a sala de casa quando ouço as orquestras, no Clube Vassourinhas, perto da minha casa, ensaiando e tocando novamente o Regresso do Elefante. É quando penso ‘ele está vivo’, compartilha.</p>



<p>Essa é uma das várias histórias sobre o ressurgimento do clube presentes no documentário recém-lançado Elefante Encarnado, de Juliana Beltrão, um filme da memória viva do Elefante e do amor de um povo que transforma tradição em alegria e resistência.</p>



<p>“A gente está no Elefante, mas a gente passa. O Elefante fica. O elefante veio antes, estamos aqui durante e ele vai continuar depois. Então o Elefante não é nosso, não é de ninguém, mas é de todo mundo junto”, declara Juliana ao final da entrevista.</p>



<p>Uma coisa é certa: mesmo nos anos mais difíceis, quem algum dia brincou o Carnaval nas ladeiras de Olinda cantou o hino do Elefante, talvez a música mais tocada da folia em Pernambuco e que se tornou quase um hino não oficial tanto da festa quanto da própria cidade.</p>



<p>Cliquei abaixo para escutar com arranjo e regência do maestro Duda.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe title="Maestro Duda e Sua Orquestra - Elefante de Olinda" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Bl_2eRGpsdQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p><br><br></p>
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		<title>Frevo pede passagem em carta sobre baterias de samba no Carnaval de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 19:01:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias contam com mais verba da Prefeitura de Olinda do que as agremiações (veja, mais abaixo, alguns cachês).</p>



<p>Um ponto sobre a festa, no entanto, é unânime e une frevo, samba e foliões: o caos de se fazer qualquer desfile no Sítio Histórico de Olinda por causa da falta de ordenamento urbano por parte da prefeitura da cidade. Sobram depoimentos e imagens de bateria e orquestra se cruzando nas ladeiras e ruas estreitas. Mas também não faltam provas de que ambas precisam, a todo tempo, driblar ambulantes, carros de mão, veículos estacionados, motos e até caminhões.</p>





<p>Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo) publicou uma carta aberta sobre as baterias de samba. “A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais”, diz trecho do texto.</p>



<p>A Afrevo, em defesa do ritmo, argumenta que “a crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo”.</p>



<p>“Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo”, expõe a associação. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira, na íntegra, a nota a Afrevo</span>

		<p>O Carnaval de Olinda é uma das mais importantes expressões da identidade cultural brasileira, enquanto sua principal trilha sonora, o frevo, é patrimônio imaterial da humanidade reconhecido pela Unesco. Um bem cultural dessa magnitude exige responsabilidade coletiva de preservação.</p>
<p>O frevo arrasta multidões nas ruas estreitas da cidade, nascido e criado com uma formação musical própria para execução acústica, sem a necessidade de amplificação mecânica. As orquestras desfilam há mais de um século em harmonia com os modos de vida do Sítio Histórico de Olinda.</p>
<p>A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo.</p>
<p>Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo.</p>
<p>Na nossa terra, junto com o frevo, convivem amorosamente maracatus de baque virado, maracatus rurais, caboclinhos, papangus, caretas e tantas outras manifestações da cultura popular, inclusive o samba quando celebrado harmonicamente com nossas tradições.</p>
<p>O frevo é código-fonte do Carnaval pernambucano. É algo que nos torna únicos no planeta. Nossa impressão digital.</p>
<p>A maestria do frevo no ciclo momesco é generosa e multicultural, mas também é bravia e vigilante nas trincheiras da resistência clássica do povo pernambucano.</p>
<p>A fala do Maestro Oséas sobre a dificuldade frente às baterias de samba amplificadas é um alerta necessário. Proteger o frevo não é conservadorismo pueril. É compromisso com a memória, com a cidade e com o futuro do nosso Carnaval.</p>
<p>Da madeira que o cupim foge do cheiro, é feito o frevo. Eterno!</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os cachês das baterias de samba</strong></h2>



<p>Na esteira das críticas à invasão das baterias, a<strong> MZ</strong> levantou, no Portal da Transparência de Olinda, os cachês dos cinco grupos que mais receberam verba da gestão Mirella Almeida (PSD) na festa de 2025: Auê (R$ 60 mil, por três apresentações), Cabulosa (R$ R$ 66 mil por três apresentações), D’breck (40 mil, por duas apresentações), Fábrica de Samba (R$ 70 mil por quatro apresentações) e Patusco (R$ 60 mil, por três apresentações).</p>



<p>Alguns dos valores estão acima do que receberam algumas das mais tradicionais agremiações de frevo da cidade para realizarem várias saídas carnavalescas no ano passado: Elefante de Olinda (R$ 42 mil), Ceroula (R$ 54 mil), Cariri (R$ 40 mil), Boi da Macuca (R$ 27 mil), John Travolta (R$ 40 mil), Vassourinhas (R$ 43 mil), Menino da Tarde (R$ 12 mil) e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> mostrou, em reportagem publicada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, que muitos cantores e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural de Pernambuco receberam cachês bem mais altos que agremiações tradicionais. Leia <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>. Vários desses pagamentos também são mais altos do que o das baterias de samba.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prefeitura de Olinda publica decreto</h3>



<p>De 2001, a chamada Lei do Carnaval de Olinda (5309/2001) regulamenta a questão do som, impedindo sons potentes em pontos fixos que não sejam os polos oficiais. São permitidas freviocas e trios desde que haja autorização. A lei, porém, não versa especificamente sobre as baterias de samba, uma vez que, naquela época, essa não era uma problemática.</p>



<p>Após diálogo com o frevo e o samba, a prefeitura publicou, na tarde desta quarta-feira, 11 de fevereiro,  em seu site, um <a href="https://www.olinda.pe.gov.br/prefeitura-de-olinda-regulamenta-uso-de-equipamentos-de-som-no-carnaval-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto temporário (008/2026)</a>, válido para este ano, que regulamenta a utilização de equipamentos móveis de sonorização durante o Carnaval. Entre as medidas, estão: &#8220;as passarelas naturais terão prioridade para a circulação contínua de foliões e, especialmente, das agremiações tradicionais, como blocos de frevo, maracatus e afoxés. Fica proibido o uso de equipamentos sonoros que impeçam ou dificultem a evolução dessas manifestações, bem como qualquer obstrução física ou sonora que comprometa o caráter tradicional da festa.</p>



<p>A utilização de equipamentos móveis de sonorização dependerá de autorização prévia e expressa da Prefeitura. As agremiações interessadas deverão protocolar requerimento com antecedência mínima de 24 horas antes do início do período carnavalesco, apresentando documentação completa, descrição técnica do equipamento, roteiro e cronograma do desfile, além de termo de responsabilidade. A autorização poderá ser suspensa ou cassada a qualquer momento em caso de descumprimento das normas estabelecidas.</p>



<p>O descumprimento das regras poderá resultar na apreensão imediata do equipamento, aplicação de multa inicial de R$ 10 mil, além da perda de incentivos financeiros municipais e responsabilização administrativa, cível ou criminal&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Samba reclama da falta de ordenamento urbano</strong></h4>



<p>Em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, o representante da Associação do Samba de Olinda, Deco Guimarães, do Patusco, fundado há 64 anos, disse temer que o acirramento termine em episódios de violência, uma vez que, segundo ele, alguns grupos de samba vêm recebendo ameaças na internet. “São pessoas dizendo que vão quebrar os carros e se juntar para atrapalhar os desfiles”, reporta.</p>



<p>“A questão não é o samba, é o som. Realmente houve um crescimento de baterias, dos blocos de samba e todas utilizam seu som. Mas isso tomou uma proporção tão grande e desnecessária que está se tornando até perigosa para a gente o samba”, comentou, dizendo que agora tudo virou culpa do samba. Na avaliação de Deco, a questão, que se tornou uma “perseguição”, “vai ter que ser resolvida de todo jeito”, mas as mudanças agora “só serão possíveis para o Carnaval 2027”, uma vez que a abertura da folia já é nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, e, há anos, o assunto vem sendo debatido sem surtir qualquer transformação.</p>



<p>Na avaliação do presidente da associação, não há desrespeito ao frevo, e, sim, dificuldade em conciliar todos os ritmos por falta de organização. “O que acontece é que, às vezes, a rua está muito congestionada de ambulantes, carros sem adesivo, carros de serviço, em pleno horário da folia. O problema mais é estrutural”. A sugestão de Deco é também que a prefeitura criasse “corredores da folia”, nos principais pontos de desfile, como Largo do Guadalupe, Ribeira, Ladeira da Prefeitura e Quatro Cantos.</p>



<p>Deco frisa que a associação tem interesse em chegar a um “denominador comum que seja bom para todo mundo”. Deco disse que não vê problema em desfilar na parte baixa de Olinda ou em um polo dedicado ao samba, desde que haja estrutura para isso. </p>



<p>Sobre os cachês pagos pela gestão Mirella, o presidente defende que as agremiações de frevo, sobretudo as mais tradicionais e que arrastam mais foliões, precisam receber mais verba municipal.</p>



<p>A bateria Cabulosa anunciou, nesta terça-feira, 10 de fevereiro, que já este ano não desfilará mais pelas ladeiras. O grupo realizará seu desfile na parte baixa da cidade, na Av Sisnundo Gonçalves, em frente ao Colégio São Bento, com concentração na Praça do Jacaré.</p>



<p>“Diante das últimas notícias, entrevistas e informações que vêm gerando debates entre baterias, foliões, admiradores do frevo, blocos e orquestras, a Bateria Cabulosa optou, de forma consciente e responsável, por evitar embates e transtornos, realizando seu primeiro desfile em um espaço que também é belíssimo, simbólico e plenamente adequado para o Carnaval de Olinda”, diz a nota. Confira <a href="https://www.instagram.com/bateriacabulosa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a íntegra.</p>
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		<title>Empresários apagam vídeos das bandas da &#8220;farra dos cachês&#8221; no Carnaval de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 18:45:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
		<category><![CDATA[cachês do carnaval]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025 já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre [&#8230;]</p>
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<p>Vídeos que comprovam a realização dos shows das bandas e dos cantores de pouca expressão que receberam <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cachês de valores elevados no Carnaval de Olinda em 2025</a> já não estão disponíveis no YouTube. As peças começaram a ser retiradas do ar no início da tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, horas após a reportagem sobre a farra dos cachês, publicada pela <strong>Marco Zero</strong>. A <strong>MZ</strong>, no entanto, baixou e salvou a maioria dos filmes e fez um compilado dos &#8220;melhores momentos&#8221;. Confira:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Compilado shows (Reportagem Farra dos Cachês)" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/IlYsLYhzT8U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><br><br>Os primeiros vídeos a serem retirados foram do cantor Maurinho e banda, que tinha as imagens de suas apresentações postadas na página da empresa M. Lira Produções. Maurinho recebeu R$ 120 mil em cachê por três shows em Rio Doce. Dois deles foram em festas promovidas por blocos e outro no polo oficial da prefeitura. Para efeitos de comparação, a tradicional Pitombeira dos Quatro Cantos recebeu R$ 123 mil por vários desfiles ao longo de todo o ano de 2025.</p>



<p>A M. Lira pertence ao empresário Marcos Pinheiro de Lira Júnior. De acordo com o site <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=13444210000110&amp;nomeFornecedor=M%20LIRA%20PRODUCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tome Conta</a>, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), a produtora forneceu camisetas para um festival de teatro patrocinado pela prefeitura em 2012, mas só voltou a prestar serviços para o poder público em Pernambuco em 2024. A empresa participou de 17 licitações em Pernambuco, gerando em seu favor 24 empenhos municipais das prefeituras de Goiana, Gravatá, Jucati e Olinda, além de outros quatro empenhos emitidos pelo Governo do Estado.</p>



<p>Em 2025, a prefeitura de Olinda emitiu 11 empenhos em favor desse CNPJ, dos quais nove foram efetivamente pagos, todos direcionados para fazer pagamentos a atrações do Carnaval: Rabo da Gata, Pegada Prime e o já mencionado Maurinho.</p>



<p>À noite, foram retirados os vídeos da banda Arreda e Dance, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil para cada apresentação, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows tinham comprovação publicada no Youtube. Em contato com o produtor da banda, a reportagem questionou quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. Recebeu como resposta a informação que seria entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p>De acordo com o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=36486990000167&amp;nomeFornecedor=BRENO%20NASCIMENTO%20DE%20ANDRADE%20PRODUCOES&amp;tipoCredorPessoa=2">site do TCE</a>, a produtora da Arreda e Dance, a AO Produções, foi beneficiária de 25 empenhos de duas prefeituras, todos no ano de 2025. Desse total, 14 empenhos são da prefeitura de Goiana e 11, de Olinda. Entre os empenhos de Olinda, cinco foram pagos e seis deles acabaram sendo anulados e substituídos em seguida pelos outros que foram efetivamente pagos, tendo como objetivo o pagamento das bandas Amarula e Forrozão Arreda e Dance.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" class="titulo">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/cultura/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Cultura</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Não tenho nada a ver com Mirella e Lupércio&#8221;</h2>



<p>A AO Produções, junto com outras três empresas cujas bandas foram beneficiadas por contratos com cachês no valor em torno de R$ 50 mil por apresentação, dividem o mesmo endereço, o número 1000 da rua Maria Luiza da Silva, em Igarassu, Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>De acordo com o empresário Anderson Oliveira, pai do responsável jurídico pela produtora, o jovem Breno Nascimento de Andrade, as bandas Amarula e Arreda e Dance apenas cumpriram aquilo que dizia o edital da prefeitura. Segundo ele, seu maior desconforto com a publicação da reportagem &#8220;foi ver meu nome como se eu estivesse metido com Mirella e Lupércio, pois eu nem gosto desses dois, não tenho nada a ver com essa mulher e esse homem. Politicamente para mim é péssimo vocês terem me colocado junto com esses dois&#8221;. Anderson diz ser comunista, do PCdoB, há 25 anos.</p>



<p>Segundo o empresário, sua empresa ainda tem dinheiro a receber da prefeitura de Olinda. Realmente, de acordo com o Tome Conta, um empenho de R$ 50 mil relativo a um show da banda Amarula aparece como liquidado, mas com o pagamento ainda em aberto. Questionado diretamente pela <strong>MZ</strong> se teve de dividir o valor dos cachês com algum vereador ou gestor municipal de Olinda, ele negou: &#8220;não trabalho com isso, não&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Trabalhismo e profissionalismo&#8221;</h3>



<p>A única artista citada na reportagem que entrou em contato com a <strong>Marco Zero</strong> foi a cantora Natália Rosa. Agenciada pela MSC Promoções, ela tem 24,5 mil seguidores em seu perfil de Instagram. Segundo o portal da transparência da Prefeitura de Olinda e o <a href="https://tomeconta.tcepe.tc.br/fornecedor/?cpfCnpj=47534968000161&amp;nomeFornecedor=MSC%20PROMOCOES%20LTDA&amp;tipoCredorPessoa=2">portal do TCE</a>, ela fez dois shows no Carnaval 2025 com cachês de R$ 70 mil cada, recebendo, portanto, R$ 140 mil da gestão. As apresentações foram nos blocos Rainha e Urso do Pote de Ouro.</p>



<p>De acordo com sua assessoria de imprensa, “o cachê atualmente praticado pela artista Natalia Rosa é fruto de um processo contínuo de construção de carreira, pautado pelo trabalho, profissionalismo e investimento em divulgação e posicionamento artístico”.</p>



<p>Com presença em programas de televisão em Pernambuco e na Paraíba, “além de citações e matérias publicadas na Folha de Pernambuco”, ela teria – sempre de acordo com a assessoria -, conquistado um “histórico de visibilidade, aliado ao crescimento do público e à consolidação de sua atuação no mercado musical, compõe critérios objetivos e legítimos para a definição de cachê, conforme as práticas adotadas no setor cultural”.</p>
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		<title>A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 09:33:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[a farra dos cachês]]></category>
		<category><![CDATA[cachês no carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval de Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto dez das mais tradicionais agremiações de frevo de Olinda receberam, juntas (e com atraso), menos de R$ 500 mil em cachês no Carnaval do ano passado, a prefeitura de Mirella Almeida (PSD) empenhou quase R$ 3 milhões para aproximadamente 30 artistas e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural do Estado. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Enquanto dez das mais tradicionais agremiações de frevo de Olinda receberam, juntas <a href="https://marcozero.org/agremiacoes-de-frevo-temem-mais-um-carnaval-de-atrasos-apos-mirella-vetar-prazo-para-caches/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(e com atraso)</a>, menos de R$ 500 mil em cachês no Carnaval do ano passado, a prefeitura de Mirella Almeida (PSD) empenhou quase R$ 3 milhões para aproximadamente 30 artistas e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural do Estado.</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> analisou, no portal da transparência do município e na ferramenta Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), os 407 contratos artísticos da festa de 2025 e encontrou um padrão: diversas contratações desse tipo por cachês bastante altos. Em sua maioria, no valor de R$ 50 mil — mas até de R$ 70 mil — para apresentações em polos descentralizados e blocos da periferia, vários ligados a políticos locais, incluindo o vereador Felipe Nascimento (PSD), marido de Mirella, e o ex-prefeito Lupércio Nascimento (PSD), tio de Felipe.</p>



<p>Além disso, a reportagem encontrou, ao longo da apuração, relações de parentesco entre os sócios de algumas das produtoras que mais receberam pagamento no Carnaval e que agenciaram esse tipo de show. Sendo que quatro dessas empresas estão cadastradas num mesmo endereço, uma rua sem asfalto em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife (confira detalhes ao longo deste texto).</p>



<p>São grupos como o <a href="https://www.instagram.com/arredaedanceofc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Forró Arreda e Dance</a>, que tocou cinco vezes no último Carnaval, a um cachê de R$ 50 mil, totalizando R$ 250 mil pagos com verba pública. Todos os shows têm comprovação publicada no Youtube. A <strong>MZ</strong> conseguiu o contato do produtor da banda e telefonou para saber quanto seria o cachê para uma suposta festa particular. A resposta: entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.</p>



<p><em><strong>Após a publicação da reportagem, diversos vídeos foram apagados do Youtube.</strong></em></p>



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                                            <span>Crédito: Reprodução</span>
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<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=iSL6KFLedDU&#038;t=105s
</div></figure>



<p>Outra questão que chamou a atenção no levantamento da <strong>MZ</strong> é que, em sua maioria, os termos de autorização das contratações da folia de 2025 foram assinados pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Gabriela Campelo, à frente da pasta de Cultura na segunda gestão Lupércio (2021-2024). O orçamento da secretaria, no entanto, sequer menciona a palavra “Carnaval”, conforme pode ser verificado nas páginas 134 e 135 da<a href="https://www.olinda.pe.leg.br/institucional/projeto-de-lei/projetos-de-lei-2024/pl-69-2024-autor-poder-executivo-loa.pdf"> lei orçamentária de 2025</a>. Todo o orçamento da festa, pouco mais de R$ 13,6 milhões, está concentrado na Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo.</p>



<p>As apresentações do Forró Arreda e Dance aconteceram no Polo Tabajara e em quatro blocos da periferia, todos bancados com verba pública pela atual gestão. Dois desses blocos estão ligados ao vereador Felipe Nascimento, com apoio cultural de Lupércio. Um desses dois blocos é o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=iSL6KFLedDU&amp;t=105s" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rouxinol</a>, em Rio Doce, reduto eleitoral dos Nascimento. O nome de Felipe e de Lupércio aparece em diversas postagens no <a href="https://www.instagram.com/p/DUJMInbkeQW/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram</a>.</p>



<p>O outro bloco é o Priquitudas. Neste <a href="https://www.youtube.com/watch?v=vidCLSr_6oI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vídeo</a> do show do Arreda e Dance, o apresentador do palco menciona expressamente os apoios. Ele diz assim: “Com vocês, para vocês, um oferecimento da Prefeitura de Olinda, vereador Felipe Nascimento e Professor Lupércio no palco das Priquitudas”.</p>



<p>As outras duas apresentações do Arreda e Dance foram no bloco <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CcNbJE9lR1Y&amp;list=RDCcNbJE9lR1Y&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Tabacudo do Vizinho</a>, ligado ao vereador <a href="https://www.instagram.com/p/DP_hDbADWk4/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ricardo Sousa</a> (Avante), pai da secretária de Comunicação de Olinda, Dandara Maryanna, jornalista recém-formada e nomeada para o cargo, no final do ano passado, com apenas 22 anos. E no bloco <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jE8PEpx5tf0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os Chegados</a>, apoiado pelo vereador <a href="https://www.instagram.com/p/DGig1zCxa_p/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Milcon Rangel</a> (MDB).</p>



<p>Outra banda dentro desse padrão encontrado pela reportagem no portal da transparência de Olinda é a Farra Boa, que realizou quatro apresentações no último Carnaval, com cachês de R$ 40 mil cada, totalizando R$ 160 mil. A Farra Boa se apresentou na <a href="https://www.youtube.com/watch?v=XgLScs3He7M" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TCM Acorda Tu</a>, apoiada pelo <a href="https://www.instagram.com/p/C3LRJ13gcjO/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vereador Biai</a> (Avante), em seu nono mandato consecutivo; no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlXb_WYDX8A" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco Menina de Rio Doce</a>, apoiado pelo ex-vereador <a href="https://www.instagram.com/p/Co_EQMbsYUN/?img_index=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tonny Magalhães</a> (PSB); Os Papudinhos do Santa; e no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ST41o_X-bUc" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo de Rio Doce</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um negócio em família</h2>



<p>A empresa agenciadora da banda Arreda e Dance é a AO Produções, registrada em nome de Breno Nascimento de Andrade. Breno é um jovem dono de uma oficina de motos na Várzea, zona oeste do Recife, e filho de Anderson Oliveira, produtor cultural, cujas iniciais dão nome à produtora (AO). Somente em 2025, a Prefeitura de Olinda empenhou um total de R$ 600 mil e pagou R$ 302 mil à AO até a data de publicação desta reportagem.</p>



<p>O endereço de cadastro da empresa — rua Maria Luiza da Silva, 1000, em Igarassu — é o mesmo de outras três agenciadoras de bandas de pequeno porte e sem histórico na cena cultural do estado que fecharam contrato com a gestão Mirella no último Carnaval. São elas: P2 Produções, Argos e Bereshit.</p>



<p>A P2 Produções somou R$ 1,5 milhão em empenho e R$ 882 mil em valores pagos. Entre suas agenciadas, está a banda Farra Boa. Quem comanda a P2 é Leo Pimentel. A empresa está registrada no nome do pai dele, Aurides de Sousa Pimentel, falecido em julho de 2025. Já a mãe de Leo, Maria Linete Soares da Fonseca, é o nome que aparece no registro da Argos Produções, agenciadora da Brasil Nambuco, uma orquestra de seis integrantes.</p>



<p>A Brasil Nambuco fez três apresentações no Carnaval 2025, cada cachê foi R$ 50 mil: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_YGiMVuALT4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco do Rouxinol</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=B_GqAACQadI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco Cachorro Teimoso</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ov63p45t_hg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bloco dos Churros</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=m2jj1UUdEjg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polo Guadalupe</a>. Ainda segundo o portal da transparência, a gestão Mirella empenhou R$ 863 mil para a Argos e pagou, até agora, R$ 341 mil.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.youtube.com/watch?v=_YGiMVuALT4
</div></figure>



<p>A quarta e última empresa com o mesmo endereço na rua sem asfalto na periferia de Igarassu é a Bereshit (nome hebraico), uma produtora especializada em eventos gospel. O registro da Bereshit está em nome de Paulo Luiz Correia do Carmo, barbeiro e fiel da igreja evangélica Embaixada da Comunhão, em Maranguape, município de Paulista, Região Metropolitana do Recife, cujo pastor sênior é Leonardo Martins, que aparece em posts <em>collab</em> com Leo Pimentel no Instagram.</p>



<p>Uma das bandas agenciadas pela Bereshit na festa do ano passado foi a Bregueço do Brasil, que somou três shows e um total de R$ 150 mil cachês. O grupo se apresentou nos blocos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=AV3LvPRhwO8&amp;list=RDAV3LvPRhwO8&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Menina de Rio Doce</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=qvSiNZwKYTg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cachorras de Jatobá</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=i_NKVgJ5rpU&amp;list=RDi_NKVgJ5rpU&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gato Mia</a>.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ratio ratio-16x9"><iframe loading="lazy" title="Banda Bregueço  do Brasil no bloco Menina de Rio doce dia 04/03/2025" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/AV3LvPRhwO8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>A reportagem tentou contato com Leo Pimentel por telefone e WhatsApp, mas não teve retorno até o fechamento desta publicação.</p>



<p>Além das bandas que receberam seus cachês por meio de pagamentos feitos às quatro produtoras de Igarassu, os mais de 400 contratos analisados indicam que outras bandas e cantores pouco conhecidos receberam valores acima dos praticados no mercado. Foram os casos de um cantor chamado <a href="https://www.youtube.com/watch?v=z96X9KMqRS8">Maurinho</a>, das banda Rabo da Gata, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ivKeojwcLu4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amarula</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=RdcwYiTAeZY" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Furacão do Arrocha</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=DTA2tHWmPO8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Som Brasileiro</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=H8HlHhCSbmw&amp;list=RDH8HlHhCSbmw&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Espartilho</a>, além da autointitulada rainha do bregocha, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnItEIp9RbY&amp;list=RDJnItEIp9RbY&amp;start_radio=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Natália Rosa</a>.</p>



<p>Todos com cachês acima de R$ 30 mil por cada apresentação em festas de blocos ou nos acanhados palcos de bairro. Outra cantora, Luanny Vital aparece como beneficiária de R$ 80 mil referentes a dois shows, mas os empenhos aparecem como anulados tanto no portal da transparência quanto no site do TCE.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Agremiações pedem mais investimento público</h3>



<p>Enquanto isso, agremiações tradicionais receberam, para realizar vários desfiles, cachês bem mais baixos do que a soma de muitas dessas bandas citadas pela reportagem, a exemplo de Elefante de Olinda (R$ 42 mil) — para três desfiles: Trote, abertura do Carnaval e desfile oficial —; Pitombeira (R$ 123 mil); Ceroula (R$ 54 mil); Cariri (R$ 40 mil); Boi da Macuca (R$ 27 mil); Homem da Meia Noite (R$ 80 mil por quatro apresentações em eventos oficiais); John Travolta (R$ 40 mil); Vassourinhas (R$ 43 mil); Menino da Tarde (R$ 12 mil); e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>





<p>Para uma agremiação ir para rua, é preciso mobilizar uma grande cadeia produtiva, que passa pelos clarins, carregadores de faixa, seguranças, passistas, porta-estandarte, orquestra e confecção de fantasias. Para além desses elementos unânimes em quase todas elas, existem custos operacionais durante o ano e atividades formativas que algumas agremiações assumem, como aulas e cursos. </p>



<p>A <strong>MZ</strong> apresentou dados do levantamento do Portal da Transparência à Associações das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), disse ter recebido as informações com “espanto”. “Nós recebemos com espanto esses dados, porém isso só comprova o nosso sentimento de que a maior fatia dos investimentos públicos em contratações durante o Carnaval já não era para as tradicionais agremiações de rua. Mesmo entendendo a importância dos polos descentralizados e das atrações dos mais variados gêneros durante o Carnaval, como forma de tornar plural e acessível o contato com a cultura em todas áreas da cidade, é preciso que a maior parte dos investimentos públicos sejam destinados para os fazedores de cultura tradicionais da nossa cidade”, afirmou em nota.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a Prefeitura de Olinda</strong></h3>



<p>Questionada, a gestão Mirella respondeu através de nota. Confira na íntegra:</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

		<p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda esclarece que todas as contratações artísticas realizadas para o Carnaval seguem rigorosamente os princípios da legalidade, da transparência, da impessoalidade e do interesse público, por meio de convocatória pública amplamente divulgada, com regras, critérios técnicos e limites financeiros previamente estabelecidos.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os valores pagos às atrações artísticas são definidos a partir de critérios objetivos previstos em edital público, que incluem a comprovação de preço de mercado, o detalhamento completo dos custos envolvidos, a quantidade de apresentações autorizadas e as características específicas de cada formato de evento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>É fundamental destacar que não existe um valor único ou padronizado para apresentações artísticas, pois cada contratação considera variáveis como número de integrantes, equipe técnica envolvida, estrutura de produção, logística, tempo de apresentação e responsabilidades tributárias. Dessa forma, comparações diretas entre atrações de naturezas distintas, como bandas de palco, orquestras itinerantes e cortejos de cultura popular, não refletem adequadamente a complexidade de cada contratação.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Os valores divulgados nos contratos correspondem ao valor global da contratação, que engloba cachê artístico, pagamento de músicos, equipe técnica, produção, logística, impostos e encargos legais. Esse modelo assegura formalização, rastreabilidade dos recursos públicos e fiscalização administrativa de toda a cadeia produtiva envolvida.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Além disso, todas as propostas passam por análise técnica e administrativa, com possibilidade de negociação e adequação de valores, conforme previsão expressa no edital, sempre observando os valores praticados no mercado e a disponibilidade orçamentária.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Pernambuco, e Olinda, em especial, é reconhecido nacionalmente como um celeiro de talentos, com uma produção artística diversa, contínua e em permanente renovação. A política cultural do Carnaval de Olinda prioriza a valorização do artista pernambucano, diretriz expressa na convocatória pública, que estabelece que no mínimo 95% da programação seja composta por atrações do Estado.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Embora não exista qualquer obrigatoriedade de repetição de artistas entre um ano e outro, é natural que determinados nomes voltem a integrar a programação, especialmente nos polos descentralizados e eventos de bairro, pensados para ampliar oportunidades, fortalecer trajetórias locais e garantir circulação artística nos territórios.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A eventual recorrência de atrações decorre exclusivamente da habilitação regular nos editais, do atendimento aos critérios técnicos e do interesse público, não havendo qualquer forma de indicação política, privilégio ou direcionamento, sendo vedada, inclusive, a contratação de artistas que afrontem as normas legais e os dispositivos de prevenção ao nepotismo.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda reconhece a centralidade histórica e cultural das agremiações de frevo para a identidade do Carnaval da cidade. Por esse motivo, após o Carnaval, a gestão municipal já alinhou com a Associação do Frevo a realização de um seminário específico, com o objetivo de avaliar, discutir e realinhar os parâmetros de cachês das agremiações, considerando suas particularidades, custos reais, sustentabilidade das entidades e a valorização do patrimônio cultural imaterial.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura com o diálogo permanente com o setor cultural e com o aprimoramento contínuo dos instrumentos de fomento e contratação artística.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A participação de artistas em edições posteriores do Carnaval de Olinda está sempre condicionada ao cumprimento integral das regras da convocatória vigente, à apresentação de documentação atualizada, à análise técnica e à negociação administrativa prevista nos instrumentos normativos.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Não há recondução automática de atrações, tampouco garantia prévia de contratação, sendo todas as participações submetidas aos critérios legais, técnicos e orçamentários da Administração Pública.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>No Carnaval de 2025, foi adotada uma organização administrativa integrada, com divisão de responsabilidades entre secretarias, visando garantir maior eficiência, controle e capacidade de execução de um evento de grande porte.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A produção executiva dos palcos dos polos ficou sob responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Inovação e Tecnologia, enquanto a Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo concentrou sua atuação nos cortejos de cultura popular, nas agremiações tradicionais e nas expressões diretamente vinculadas ao patrimônio cultural imaterial da cidade.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Essa divisão foi formalizada por decreto municipal, com abertura de crédito específico e definição clara das competências de cada pasta, não representando desvio de finalidade nem sobreposição de funções, mas sim uma estratégia administrativa de gestão integrada do evento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A Prefeitura de Olinda reafirma seu compromisso com a transparência, a valorização da cultura local, o fortalecimento da economia criativa e o uso responsável dos recursos públicos. Todas as contratações passam por controle documental, prestação de contas e fiscalização administrativa, estando disponíveis para consulta nos canais oficiais de transparência.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A gestão municipal permanece à disposição para prestar esclarecimentos adicionais, sempre com base em dados oficiais, documentos públicos e nos instrumentos legais que orientam a política cultural do município.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<ul class="wp-block-list">
<li>A diretoria do Homem da Meia Noite informa que recebeu R$ 80 mil por quatro apresentações em eventos promovidos pela prefeitura de Olinda e não R$ 100 mil, conforme publicado originalmente. Por essa razão, o texto foi modificado às 15h45min do dia 9 de fevereiro de 2026.</li>
</ul>



<p><strong>*Colaborou Inácio França</strong></p>



<p><em>Reportagem atualizada em 10/02/2026, às 01h38</em></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/">A farra dos cachês do Carnaval de Olinda na gestão de Mirella</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Agremiações de frevo temem mais um Carnaval de atrasos após Mirella vetar prazo para cachês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 18:42:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Troças, clubes e blocos de frevo de Olinda estão apreensivos com o cenário de pagamento dos cachês deste ano e temem mais um Carnaval de atrasos. Com repasses da festa do ano passado ainda em aberto, a prefeita Mirella Almeida (PSD) vetou integralmente, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, a emenda à Lei Municipal do Carnaval [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Troças, clubes e blocos de frevo de Olinda estão apreensivos com o cenário de pagamento dos cachês deste ano e temem mais um Carnaval de atrasos. Com repasses da festa do ano passado ainda em aberto, a prefeita Mirella Almeida (PSD) vetou integralmente, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, a emenda à Lei Municipal do Carnaval que estabelecia prazo máximo de até 45 dias após a folia para quitação de cachês de todos os fazedores de cultura.</p>



<p>O argumento de Mirella para o veto é de cunho constitucional. Segundo ela, a emenda viola o Artigo 141 da Lei Federal 14.133/2021 e a Lei Orgânica do município (saiba mais adiante). No entanto, para a categoria que constrói e sustenta a tradição do Carnaval olindense, a questão passa por vontade política, planejamento, organização e dignidade do trabalho desenvolvido por músicos, passistas, artesãos, costureiras e demais profissionais. </p>



<p>Agora a comunidade do frevo — ritmo reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade —, por meio da recém-criada Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), pressiona a prefeita por “uma explicação plausível para tal decisão, bem como uma alternativa concreta que assegure às agremiações melhores condições de previsibilidade e respeito”. O pedido foi feito em nota pública nesta quarta (22).</p>



<p>&#8220;O que não pode continuar acontecendo é que agremiações de frevo precisem aguardar longos meses para receber pelas atividades culturais executadas durante o Carnaval, comprometendo sua sustentabilidade, sua organização interna e a própria continuidade de suas atividades&#8221;, diz o texto (confira, mais abaixo, a nota na íntegra).</p>



<p>A emenda à Lei Municipal do Carnaval nº 5.306/01 foi proposta pela vereadora Eugênia Lima (PT) e aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores em dezembro, quando aproximadamente 60% das atrações que participaram do Carnaval de 2025 ainda não haviam recebido seus cachês.</p>



<p>O texto aprovado buscava garantir previsibilidade e respeito ao trabalho cultural, argumenta a parlamentar, uma vez que a proposta vai além da questão do prazo de 45 dias. A emenda prevê também penalidades em caso de descumprimento, como atualização monetária, juros de 1% ao mês e multa de 2%. Também estabelece prioridade desses débitos no cronograma de restos a pagar do exercício seguinte.</p>



<p>A proposta ainda obriga o Poder Executivo a comunicar e justificar eventuais atrasos ao órgão central de controle interno e ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, apresentando um plano de regularização em até 15 dias após o vencimento do prazo. Em casos de atrasos superiores a 60 dias referentes a exercícios anteriores sem plano de quitação aprovado, o município ficaria impedido de publicar novos editais ou programações oficiais de shows, salvo situações de interesse público devidamente justificadas.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a nota das agremiações na íntegra</span>

		<p>A AFREVO – Associação das Agremiações de Frevo de Olinda – vem a público se manifestar acerca do veto integral da Emenda à Lei do Carnaval de Olinda, recentemente aprovada pela Câmara Municipal, que estabelecia prazo para o pagamento dos cachês das agremiações participantes do Carnaval.</p>
<p>A decisão da Prefeitura em vetar a referida emenda gera preocupação e impacta diretamente as agremiações de frevo da cidade, que são responsáveis por sustentar, há décadas, o caráter popular, democrático e culturalmente singular do Carnaval de Olinda. O pagamento em tempo hábil dos cachês não se trata apenas de uma questão administrativa, mas de uma condição básica para o planejamento, a organização e a dignidade do trabalho desenvolvido por músicos, passistas, artesãos, costureiras e demais profissionais que fazem o verdadeiro carnaval de Olinda.</p>
<p>Diante do veto, a Afrevo espera que seja apresentada, de forma clara e objetiva, uma explicação plausível para tal decisão, bem como uma alternativa concreta que assegure às agremiações melhores condições de previsibilidade e respeito. O que não pode continuar acontecendo é que agremiações de frevo precisem aguardar longos meses para receber pelas atividades culturais executadas durante o Carnaval, comprometendo sua sustentabilidade, sua organização interna e a própria continuidade de suas atividades.</p>
<p>O Frevo, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, é elemento central da identidade de Olinda. Sua permanência e vitalidade dependem, necessariamente, do fortalecimento de suas agremiações e do respeito aos seus direitos. A previsibilidade nos pagamentos é parte fundamental desse processo, garantindo não apenas a continuidade das tradições, mas também relações institucionais mais justas e transparentes entre o poder público e quem faz o Carnaval acontecer.</p>
<p>A AFREVO reafirma que seu papel é o de representar, defender e valorizar as agremiações de frevo, atuando de forma propositiva e aberta ao diálogo com o poder público. Entendemos que o caminho para o fortalecimento do Carnaval de Olinda passa pela construção coletiva de soluções que respeitem quem historicamente sustenta essa manifestação cultural.</p>
<p>Seguimos à disposição para o diálogo institucional, certos de que é possível avançar em medidas que assegurem melhores condições para as agremiações e contribuam para a preservação do frevo, da cultura popular e da própria história de Olinda.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Articulação para derrubar veto</h2>



<p>Eugênia Lima afirmou que já está se articulando com um conjunto de vereadores para tentar derrubar o veto de Mirella assim que os trabalhos legislativos forem retomados, em fevereiro.</p>



<p>“Ao contrário do que a prefeita argumentou, não estamos invadindo a competência do Executivo ao propor fixação de prazos. Também não estamos impondo gastos. O que queremos é transparência no que está sendo contratado. A prefeitura de Olinda não pode contratar fazedores de cultura sem garantia de pagamento. Quando Mirella diz que a emenda é inconstitucional, ela está indo contra a lei que, na verdade, já existe e estabelece o prazo de 15 dias após o Carnaval para pagamento de agremiações e orquestras especificamente. A lei muda conforme a vontade dela?”, questiona a vereadora.</p>



<p>Em nota, a prefeitura “ressalta a importância de todos os artistas e fazedores de cultura para o município”, mas que, “apesar de relevante”, o projeto é “inconstitucional”. A gestão cita o Artigo 141 da Lei Federal 14.133/2021, que diz que “no dever de pagamento pela Administração, será observada a ordem cronológica para cada fonte diferenciada de recursos”. E também a Lei Orgânica de Olinda em seus incisos IV e V do Art. 33. A saber: “São da competência privativa do prefeito, os projetos de lei que disponham sobre: organização administrativa, orçamentária, serviços público e pessoal da administração (IV) e Criação, estruturação e definição de atribuições dos órgãos da administração pública municipal (V)”.</p>



<p>“Por estes motivos, embora a gestão reafirme a importância dos fazedores de cultura para o Carnaval, fez-se necessário o veto para a preservação da legalidade e da responsabilidade fiscal”, explicou a prefeitura em nota.</p>



<p>“Mesmo assim, a gestão destaca que está empenhada para realizar os pagamentos dos artistas e fazedores de cultura em até 45 dias após o evento. Os devidos repasses devem ser realizados em tempo hábil, levando-se em consideração o recebimento das cotas de patrocínio e convênio, assim como a prestação de contas necessária por parte de cada artista”, prometeu.</p>
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		<title>Spray de pimenta no bloco e outros abusos da PM nas prévias de Carnaval em Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jan 2026 20:23:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Spray de pimenta nos Quatro Cantos, confusão generalizada no Largo do Amparo e um folião baleado no bairro de Guadalupe. A violência, em alguns trechos do cortejo da tradicional Troça Carnavalesca Mista John Travolta, no último domingo (18), no Sítio Histórico de Olinda, é o retrato do que se repete todos os anos nas prévias [&#8230;]</p>
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<p>Spray de pimenta nos Quatro Cantos, confusão generalizada no Largo do Amparo e um folião baleado no bairro de Guadalupe. A violência, em alguns trechos do cortejo da tradicional Troça Carnavalesca Mista John Travolta, no último domingo (18), no Sítio Histórico de Olinda, é o retrato do que se repete todos os anos nas prévias de Carnaval. Porém, desta vez com um adicional: o aumento do abuso e da truculência por parte da Polícia Militar de Pernambuco, especialmente no desfile de bonecos mais populares.</p>



<p>Com frequência, mesmo sem qualquer motivo aparente, os “laranjinhas” — como é chamado o efetivo recém-egresso dos cursos de formação — atravessam as agremiações fazendo uma espécie de cordão e interrompendo não só a dança e a brincadeira, mas as próprias orquestras.</p>



<p>Quando o desfile do boneco azul e branco de franjinha, no domingo (18), passava pelos famosos Quatro Cantos de Olinda, a PM chegou a parar o cortejo usando spray de pimenta na tentativa de conter a multidão, que cantava, em coro, “essa cidade vai tremer a galera vai suar, arrea, arrea, arrea, arrea arrea, arrea”. A substância atingiu até o maestro Oséas Leão, de 70 anos, à frente orquestra que desfila com o John Travolta, boneco reverenciado por muitas famílias e crianças.</p>



<p>O uso do spray de pimenta foi desproporcional, segundo observação da repórter que aqui escreve, presente em todo o desfile, e também de relatos colhidos pela reportagem. Não havia qualquer sinal de violência por parte do público naquele momento.</p>



<p>Um pouco mais à frente, no início da Rua do Amparo, membros da agremiação relatam que uma policial militar — que não foi identificada pela diretoria, mas se dizia no comando do efetivo — ameaçou acabar com a festa se o novo boneco não saísse da casa de Sílvio Botelho, &#8220;pai dos bonecos gigantes de Olinda&#8221;. Era um dia especial para o “Jontra”. Na comemoração de seus 47 anos, houve a apresentação do novo boneco, confeccionado por Sílvio. Mas, por questões inerentes às grandes festas carnavalescas, a homenagem aconteceu com alguns minutos de atraso.</p>



<p>Em vídeo ao qual a <strong>MZ</strong> teve acesso, dá para ouvir a PM gritando “porra” e “caralho” diversas vezes se dirigindo a membros da agremiação. Na sequência, ela esbraveja “se a porra do boneco novo não sair”.</p>



<p>Para o presidente da troça, Eraldo José Gomes, este ano houve um aumento da agressividade da corporação. E ele acrescenta: “a polícia abandonou o nosso cortejo no meio do caminho, como em 2023, e nunca termina o trabalho dela até o final do desfile. Isso dificulta o nosso trabalho com os foliões que gostam e amam o nosso John Travolta”.</p>



<p>Há três anos, após dois anos sem Carnaval por causa da pandemia de covid 19, músicos e foliões do John Travolta foram surpreendidos com um toque de recolher imposto pela PM encerrando o cortejo, sob ameaça de voz de prisão. A <strong>MZ</strong> publicou reportagem na época, relembre <a href="https://marcozero.org/acao-truculenta-de-pms-interrompe-cortejo-de-troca-em-olinda-e-acende-alerta-para-toque-de-recolher-nas-previas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



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	                                        <p class="m-0">John Travolta tradicionalmente reúne famílias e crianças em Olinda. Crédito: Anderson Stevens/cortesia</p>
	                
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<p>Filha do presidente Eraldo, Mayara Joanna Gomes, também da diretoria da troça, lamenta a atuação da PM no momento da troca dos bonecos, na rua do Amparo. “Eu lembro que a policial falou ‘ou bota a porra desse boneco para andar ou vou acabar com esse caralho’. Em algum momento, ela também falou ‘ou sai agora ou vai dar merda’. Não vi necessidade daquilo. Um momento que a gente esperou, que era para ser mágico e de alegria acabou se tornando um caos”, relata, frisando que houve muita agressão verbal e que o cacetete da policial terminou atingindo o bonequeiro.</p>



<p>“Tínhamos uma surpresa preparada para ser revelada naquele momento. Após meses de trabalho, o John ganhava, pela primeira vez, um irmão gêmeo. A missão era apresentar isso aos foliões durante o cortejo, em frente à casa de Silvio (Botelho). Houve contratempos, como acontece em qualquer manifestação popular de rua. Mas nada que justificasse o que veio a seguir”, avalia Vika Lima, que atua na troça.</p>



<p>“A partir daí, instalou-se o caos: pressão, ataques verbais, intimidação, medo. O clima era de completo descontrole. Em vários momentos, temi que essa policial partisse fisicamente para cima das pessoas. O que está acontecendo com a Polícia Militar? Estamos regredindo a cada dia? O mínimo respeito não está sendo garantido?”, questiona.</p>



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	                                        <p class="m-0">John Travolta carrega 47 anos de tradição,trabalho coletivo e do compromisso com a festa de rua
</p>
	                
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<p>A agremiação publicou uma <a href="https://www.instagram.com/p/DTtOhzOEjFV/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">carta aberta</a>, nesta segunda (19), em suas redes sociais, sobre os ocorridos do domingo (18).</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira trecho da carta do John Travolta</span>

		<p>“Repudiamos todo e qualquer tipo de violência. Seja a violência praticada por agentes da Polícia Militar, que desrespeitaram foliões, a diretoria e o nosso boneco símbolo maior da nossa festa, seja por pessoas que provocam brigas e colocam em risco quem está na rua para celebrar. Infelizmente, não foi possível encerrar o cortejo como gostaríamos. A interrupção do percurso aconteceu diante de episódios de violência ao longo do trajeto, e nos solidarizamos profundamente com a pessoa ferida, um folião presente em nossa história, que merece todo respeito e cuidado. Aproveitamos para compartilhar que a grande surpresa deste ano era a chegada do segundo boneco. Um gesto de continuidade e expansão, pensado para que o John Travolta possa alcançar ainda mais espaços.”</p>
	</div>



<p>O final do cortejo foi bruscamente interrompido após um folião e morador do Sítio Histórico ser baleado na rua Severino Judeu Ramalho, no Guadalupe. Ele fraturou o braço com o impacto do projétil e segue hospitalizado, com quadro estável, aguardando uma cirurgia ortopédica. Em resposta à reportagem, a Polícia Militar informou que “até o momento, não há identificação de autoria”. Disse também que “o caso foi devidamente registrado e encaminhado à Polícia Civil de Pernambuco, que instaurou procedimento investigativo para apurar as circunstâncias do fato”.</p>



<p>O rapaz foi acolhido e protegido, durante alguns minutos, por um cordão formado por amigos e outros foliões, porque o Samu, apesar de rapidamente solicitado, não chegou. Somente após pedido do secretário-executivo de Cultura de Olinda, Alexandre Miranda, que acompanhava o desfile, é que integrantes do 1º Batalhão de Polícia Militar, já presentes no local, socorreram a vítima para a UPA de Tabajara e posteriormente encaminharam ao Hospital Miguel Arraes. Nesta terça (20), o folião ferido foi transferido para o Hospital Santo Amaro, área central do Recife.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Poder público um passo atrás de organizar a festa”</strong></h2>



<p>Diretor da Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense, Patrimônio Vivo de Pernambuco, fundada em 1921, João Nires diz que a truculência da Polícia Militar de Pernambuco nas prévias e no Carnaval não é novidade. Mas ele percebe que o abuso “tem se intensificado no ruge-ruge na frente das orquestras”. “Qualquer coisinha a polícia já chega e já bate. Nas agremiações mais periféricas, isso tem sido uma prática constante”, diz.</p>



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	                                        <p class="m-0">Novo boneco do John Travolta em frente à sede do Cariri Olindense no bairro de Guadalupe, em Olinda. Crédito: Raíssa Ebrahim/Marco Zero</p>
	                
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<p>“Mesmo a gente sendo os criadores, organizadores e idealizadores, a festa tem problemas sociais que não cabem a gente resolver, como o controle urbano, de trânsito e de garrafas e a violência. Esses são papéis da prefeitura e do governo do estado. Mas parece que todo ano é uma surpresa quando o Carnaval está chegando. Todo ano tem Carnaval e prévia, mas parece que o poder público sempre é pego de surpresa e está um passo atrás de organizar a festa”, opina João.</p>



<p>Para ele, também falta mapear e agir nas “zonas de perigo”: “há locais onde a gente sabe que vai ter problema e confusão. A gente já foge desses locais, mas só quem não vê isso é a polícia, só quem não vê isso é o Estado na hora de nos proteger. Esses e outros fatores são uma eterna ameaça para a festa”.</p>



<p>No domingo (18), uma pessoa também foi baleada no Recife, durante o bloco CDU na Folia, quando 20 pessoas foram detidas pela Polícia Militar na capital. No dia seguinte, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, comentou os casos do Recife e de Olinda. Segundo ele, como são eventos que reúnem muitas pessoas, “em determinados momentos, pode ser que aconteça algum tipo de ocorrência”.</p>



<p>“É uma festa que reúne muitas pessoas. Então, em determinados momentos, pode ser que aconteça algum tipo de ocorrência. Nós trabalhamos para prevenir ou, em ocorrendo, para que a gente dê uma resposta o mais rápido possível”, afirmou.</p>



<p>Quem também foi a público comentar os fatos, na segunda (19), foi o diretor de planejamento operacional da PM, coronel João Barros. Ele falou que “organizadores de eventos exercem grande influência sobre a segurança pública”. Barros garantiu que as ocorrências não tiveram relação com falta de efetivos nas ruas.</p>



<p>“Alguns fatos atribuídos a blocos não ocorreram, de fato, durante os desfiles. Um exemplo é o caso de uma pessoa baleada no Vasco da Gama, que aconteceu após o encerramento do bloco, quando já não havia mais foliões no local. O mesmo ocorreu em Olinda, na Joaquim Nabuco, onde o bloco já havia se encerrado. Esses casos estão sob investigação da Polícia Civil, e ainda não há autoria definida”, afirmou. Sobre Olinda, no entanto, isso não é verdade, o cortejo do John Travolta seguia ainda seu curso.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Efetivo da PM cresce sem qualidade</strong></h2>



<p>Folião e morador de Olinda, Igor Travassos, mostra o que mudou, na opinião dele, em relação a anos anteriores: “A diferença para os últimos anos é a quantidade. Não tem como negar que agora o efetivo aumentou, mas a qualidade não seguiu o mesmo caminho. Formam inúmeros policiais e os colocam na rua sem qualquer experiência, parece que eles foram treinados para bater independente de qualquer coisa. O que se viu, em diversos momentos, foram policiais completamente despreparados. E, se você pedisse calma ou tentasse qualquer diálogo, ouvia gritos e mais truculência. A pergunta que fica é: se nas prévias está assim, imagina durante o Carnaval?”.</p>



<p>“Me espanta a quantidade de efetivo policial sem qualquer inteligência. As câmeras espalhadas pelo Sítio Histórico de Olinda não deveriam ajudar o trabalho policial? Se todo final de semana tem prévias, por que os postos de observação só são colocados no carnaval?”, questiona.</p>



<p>E acrescenta: “Um outro ponto importante é sobre gestão urbana. Em vários momentos, o empurra-empurra, natural do Carnaval, se intensifica não por causa do frevo ou da multidão, mas por falta de ordenamento urbano, com carros estacionados em vias importantes, ambulantes parados em locais de muita movimentação sem qualquer orientação e inúmeros buracos em todo o Sítio Histórico. Na esquina das ruas José Ramalho e Orlando Silva, onde aconteceu o tumulto e os disparos, eu vi três policiais caindo seguidamente numa vala aberta. Pode parecer que não, mas tudo isso contribui para que a violência se instaure”.</p>



<p>Para a foliã e advogada popular Luana Varejão, somente a presença de efetivo policial não garante a segurança. “É importante o policiamento, é importante a segurança pública durante o Carnaval, mas é importante isso ser feito com estratégia, não com a polícia ficando parada, fazendo cordão de isolamento e agredindo as pessoas gratuitamente porque não podem chegar perto dela, mesmo numa situação em que todo mundo está extremamente imprensado”.</p>



<p>Ela defende que é possível um outro ordenamento da PM, com o efetivo estrategicamente posicionado perto das paredes e nas laterais dos desfiles, e não no meio dos blocos empurrando as pessoas com cassetete.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a Polícia Militar de Pernambuco</strong></h2>



<p>Em nota à <strong>Marco Zero</strong>, a PMPE informou que “as prévias carnavalescas de Olinda ocorrem desde o dia 7 de setembro, com planejamento operacional contínuo e integrado” e justificou o uso de spray de pimenta.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a nota da PMPE na íntegra</span>

		<p>A Polícia Militar de Pernambuco informa que as prévias carnavalescas de Olinda ocorrem desde o dia 7 de setembro, com planejamento operacional contínuo e integrado. Em média, cerca de 250 policiais militares são empregados por evento, com reforço aproximado de 40% no efetivo no Sítio Histórico durante o período pré-carnavalesco, ampliando a presença policial e a capacidade de resposta.</p>
<p>Nos fins de semana e em eventos de maior porte, a atuação proativa da PMPE resulta em intervenções e detenções relacionadas a práticas delituosas e condutas incompatíveis com a ordem pública, com encaminhamento dos envolvidos às autoridades competentes. Sobre o uso de espargidores químicos segue-se a doutrina do uso progressivo da força e é empregado de forma pontual para conter tumultos e evitar agressões mais graves, sempre de maneira escalonada e proporcional.</p>
<p>Sobre a ocorrência registrada no domingo (18/01), até o momento não há identificação de autoria. O caso foi devidamente registrado e encaminhado à Polícia Civil de Pernambuco, que instaurou procedimento investigativo para apurar as circunstâncias do fato. A vítima foi socorrida por uma viatura do 1º BPM para a UPA de Tabajara e, posteriormente, encaminhada ao Hospital Miguel Arraes.</p>
	</div>



<p>A corporação, no entanto, não respondeu a alguns questionamentos da reportagem: se a policial militar que agiu com violência, segundo os relatos, foi identificada, qual seu nome e patente, o que justifica a prática dos cordões dos “laranjinhas” no meio dos desfiles e por que ela seria eficaz na avaliação da PM e, por último, por que, durante as prévias, não há, em Olinda, a instalação de postos de observação, como acontece no Carnaval.</p>
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		<title>Recife vai às ruas com força contra PL da Dosimetria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2025 21:13:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[PEC da Bandidagem]]></category>
		<category><![CDATA[PL da Dosimetria]]></category>
		<category><![CDATA[sem anistia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Movimentos, centrais sindicais e partidos de esquerda do Recife se juntaram, na rua da Aurora, centro da capital, a pelo menos outras 50 cidades brasileiras para ocupar as ruas neste domingo (14) contra a anistia e o PL da Dosimetria &#8211; que reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos outros golpistas de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Movimentos, centrais sindicais e partidos de esquerda do Recife se juntaram, na rua da Aurora, centro da capital, a pelo menos outras 50 cidades brasileiras para ocupar as ruas neste domingo (14) contra a anistia e o PL da Dosimetria &#8211; que reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos outros golpistas de 8 de janeiro de 2023. A manifestação teve início às 14h e ocupou todo o espaço entre as ruas Princesa Isabel e Mário Melo.</p>



<p>Num contexto de duras críticas ao Congresso Nacional por avaliar que as pautas de deputados federais e senadores são contrárias aos interesses do povo, os atos reuniram parcela da sociedade crítica ao centrão e aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). O PL da Dosimetria foi aprovado pela Câmara dos Deputados &#8211; num placar de 291 votos a favor e 148 contra &#8211; e agora, está tramitando no Senado. Em caso de aprovação, ainda precisa da sanção do presidente Lula (PT).</p>



<p>Outras pautas presentes na manifestação do Recife foram o fim do feminicídio e do transfeminicídio, a rejeição ao Marco Temporal e às privatizações da Compesa e do metrô. Com trio elétrico em que lideranças discursam ao microfone, cartazes, Som na Rural e grupos percussivos, os gritos na tarde deste domingo eram principalmente &#8220;anistia é o caralho&#8221;, &#8220;lugar de golpista é na cadeia&#8221;, &#8220;Congresso inimigo do povo&#8221; e &#8220;não à ditadura do Legislativo&#8221;.</p>



<p>&#8220;Estou aqui para engrossar a massa contra esse Congresso inimigo do povo que quer nos enfiar goela abaixo essa dosimetria&#8221;, disse Dulce Ferreira, de 62 anos, à Marco Zero durante a manifestação na Aurora. &#8220;Porque vai de encontro a tudo aquilo que a gente acredita. Onde já se viu anistiar bandido?&#8221;, questionou. Para ela, as pautas deste domingo &#8220;vão se refletir como amadurecimento e crescimento nas urnas. A política tem que ser vista como uma forma de garantir os nossos direitos. Que a gente possa falar, possa gritar, possa reivindicar e sustentar aquilo que a gente quer se garantir a fazer&#8221;, disse.</p>



<p>&#8220;Esse é um Congresso que só trabalha para a bandidagem, em vez de ficar do lado do povo. Não podemos retroceder, a democracia da gente foi conquistada a duras penas&#8221;, avaliou a dona de casa Gorete Silva, 55 anos. Ela também foi às ruas em defesa das mulheres: &#8220;Estamos aqui para lutar pelas mulheres, cada vez mais independentes. Porque as mulheres estão morrendo, os homens estão assassinando as mulheres por acharem que elas são propriedade deles&#8221;.</p>



<p>Por conta da programação natalina na avenida Rio Branco, a manifestação não seguiu em passeata até o Marco Zero, como costuma acontecer.</p>


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