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	<title>Arquivos agroecologia - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 17 Nov 2025 21:37:25 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos agroecologia - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Alemanha e França vão custear projetos de adaptação climática e agroecologia no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 20:59:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[ASA]]></category>
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		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na Conferência do Clima da ONU (COP 30), os governos do Brasil e da Alemanha anunciaram uma nova parceria estratégica para a preservação de cinco biomas brasileiros. O projeto, intitulado &#8220;Redes pela Conservação&#8221;, será financiado pela Iniciativa Internacional para o Clima do governo alemão e executado por redes de organizações da sociedade civil já consolidadas [&#8230;]</p>
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<p>Na Conferência do Clima da ONU (COP 30), os governos do Brasil e da Alemanha anunciaram uma nova parceria estratégica para a preservação de cinco biomas brasileiros. O projeto, intitulado &#8220;Redes pela Conservação&#8221;, será financiado pela Iniciativa Internacional para o Clima do governo alemão e executado por redes de organizações da sociedade civil já consolidadas nos territórios.</p>



<p>A iniciativa focará suas ações nos biomas Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa. A execução ficará a cargo de redes locais: a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), a Rede Cerrado e a Rede EcoVida. O objetivo central é combater o desmatamento, fortalecer práticas sustentáveis de uso da terra e promover a resiliência climática nessas regiões.</p>



<p>Um dos pilares do projeto é o aproveitamento da expertise e da capilaridade das redes locais. Na Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, as ações serão coordenadas pela ASA e por dez de suas organizações membro. As atividades planejadas incluem desde apoio técnico para manejo agroecológico e implantação de tecnologias sociais de acesso à água, até o fortalecimento de áreas de conservação e territórios de povos tradicionais.</p>



<p>Além disso, o projeto prevê o monitoramento ambiental, a promoção de intercâmbios entre comunidades e pesquisadores, e a utilização de instrumentos financeiros como os Fundos Rotativos Solidários. A parceria é gerida por um consórcio que inclui a Cáritas Alemã, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e as redes de sociedade civil, visando integrar saberes populares e científicos para a conservação da sociobiodiversidade.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/COP30-europa-Caio-Paganotti-Greenpeace.jpg" alt="A imagem mostra uma vista aérea de uma área onde uma plantação cultivada se encontra com uma floresta densa. À esquerda, vê-se um campo agrícola com fileiras bem organizadas de plantas verdes, formando linhas paralelas que seguem uma direção diagonal. Essas linhas podem ser resultado de trilhas de tratores ou sistemas de irrigação. À direita, há uma floresta com vegetação espessa e variada, exibindo diferentes tons de verde, o que indica a presença de várias espécies de árvores. A transição entre o campo e a floresta é nítida, destacando o contraste entre o espaço manejado pelo ser humano e o ambiente natural." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Ameaçado pela soja, Cerrado será um dos biomas beneficiados com recursos da Alemanha
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Caio Paganotti/Greenpeace</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Dinheiro francês para a agroecologia no semiárido</strong></h2>



<p>A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) firmaram, nesta segunda-feira (17), um contrato de 1 milhão de euros para o &#8220;Projeto Mapear&#8221;. A cerimônia de assinatura ocorreu no Pavilhão do BNDES, na Zona Verde da COP 30, em Belém, com a presença de representantes das instituições envolvidas.</p>



<p>O projeto tem como objetivo central monitorar e avaliar políticas públicas a partir do &#8220;Programa Ecoforte &#8211; aprendendo com as redes de agroecologia no país&#8221;. Baseado na metodologia de pesquisa-ação, o Mapear irá até 2028 acompanhar de perto as transformações vivenciadas por famílias agricultoras beneficiadas pelo programa, analisando desde processos de capacitação até a dinâmica de seus agroecossistemas.</p>



<p>O Programa Ecoforte, criado em 2013 e agora em sua terceira edição, é uma das principais apostas do Governo Federal para apoiar a agroecologia e a transição para sistemas alimentares mais saudáveis. Financiado pelo BNDES e Fundação Banco do Brasil com um investimento recorde de R$ 100 milhões, a iniciativa busca ampliar a geração de renda para agricultores, conservar o meio ambiente e expandir a produção e o consumo de alimentos saudáveis.</p>



<p>A parceria inédita entre a ASA e a AFD, portanto, visa fortalecer o controle social e compreender as trajetórias de transição agroecológica, gerando aprendizados valiosos para a consolidação de sistemas alimentares sustentáveis e territorializados no Brasil.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/COP30-europa-3.jpg" alt="A imagem mostra uma cena em uma feira livre ao ar livre. Uma família de quatro pessoas está reunida atrás de uma barraca de mercado coberta por um toldo verde e branco com as palavras CAR e Bahia. A barraca exibe diversos produtos alimentícios, como potes de conservas, itens embalados e produtos de panificação. Um dos adultos veste uma camiseta branca com o logotipo Semiárido Show, sugerindo que o evento pode estar relacionado a uma iniciativa regional voltada para agricultura ou desenvolvimento comunitário. Ao fundo, é possível ver outras barracas e vendedores, compondo um ambiente movimentado e acolhedor, típico de feiras locais que valorizam o comércio de produtos regionais e a participação familiar." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Com recursos franceses, ASA irá monitorar impactos da agroecologia na vida das famílias
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

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		<title>Recife recebe o 2º Encontro Nacional de Agricultura Urbana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2025 19:51:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[combate à fome]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A semana será marcada pelo 2º Encontro Nacional de Agricultura Urbana (ENAU), que acontece entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, no Recife. O evento marca uma década desde sua primeira edição, realizada no Rio de Janeiro. Com o tema “Cidades que plantam! Agriculturas urbanas na luta contra fome e por justiça [&#8230;]</p>
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<p>A semana será marcada pelo <a href="https://www.instagram.com/enau.agriculturaurbana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">2º Encontro Nacional de Agricultura Urbana (ENAU),</a> que acontece entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, no Recife. O evento marca uma década desde sua primeira edição, realizada no Rio de Janeiro. Com o tema “Cidades que plantam! Agriculturas urbanas na luta contra fome e por justiça climática”, o encontro reunirá mais de 200 participantes vindos de todas as regiões do país, com o objetivo de fortalecer redes de articulação, debater políticas públicas e promover práticas agroecológicas em ambientes urbanos e periurbanos.</p>



<p>Promovido pelo Coletivo Nacional de Agricultura Urbana (<a href="https://agroecologia.org.br/agricultura-urbana/">CNAU</a>), o Encontro será realizado no Instituto Aggeu Magalhães, da Fiocruz, na Cidade Universitária, com atividades limitadas aos inscritos, e na praça da Várzea, no sábado, 2 de agosto, aberto ao público. O evento valoriza as diversas experiências de agricultura desenvolvidas em comunidades, ocupações e territórios urbanos.</p>



<p>Na pauta estão itens como a implementação da Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (<a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/Lei/L14935.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lei Nº 14.935</a>), a promoção da segurança alimentar, e a luta por justiça climática, reforçando o papel da agricultura como ferramenta de transformação social nas cidades. A agenda do encontro inclui seminários, oficinas, rodas de conversa, intercâmbios com experiências locais, apresentações culturais e uma feira agroecológica.</p>



<p>A culminância ocorre no sábado com a Feira de Sabores e Saberes, das 8h às 16h30, na praça da Várzea, com expositores de várias regiões, trocas de sementes e mudas, além da plenária final com a leitura da carta política do II ENAU que acontece em paralelo à feira e um ato público com programação cultural, pela tarde.</p>



<p>Segundo a organização do evento, a escolha da capital pernambucana como sede do evento se deve à sua forte articulação local e ao grande número de iniciativas urbanas, como hortas comunitárias, quintais produtivos e cozinhas solidárias. O protagonismo da cidade reforça seu papel como referência nacional na construção de políticas e práticas agroecológicas.</p>



<p>O ENAU conta com apoio de diversos parceiros, como os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Secretaria Executiva de Agricultura Urbana e Secretaria de Projetos Especiais da Prefeitura de Recife, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Fiocruz Pernambuco, Universidade de Brasília (UnB), entre outras organizações da sociedade civil. </p>



<p></p>





<p></p>
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		<title>O curso de agricultura urbana que está mudando a vida de mulheres recifenses</title>
		<link>https://marcozero.org/o-curso-de-agricultura-urbana-que-esta-mudando-a-vida-de-mulheres-recifenses/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Mar 2025 15:40:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
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		<category><![CDATA[hortas comunitárias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Sabe uma colcha de retalhos que a gente começa fazendo de pedacinho e, de repente, está bem grandona? Pronto, isso aqui é uma pequena colcha de retalho que nós levantamos. Nos apoiando uma na outra”, comparação feita por Aldenize Maria da Silva, de 51 anos, sobre a horta popular e agroecológica Saber Viver, localizada na [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Sabe uma colcha de retalhos que a gente começa fazendo de pedacinho e, de repente, está bem grandona? Pronto, isso aqui é uma pequena colcha de retalho que nós levantamos. Nos apoiando uma na outra”, comparação feita por Aldenize Maria da Silva, de 51 anos, sobre a horta popular e agroecológica Saber Viver, localizada na comunidade da Fazendinha, em Boa Viagem. </p>



<p>A horta comunitária é uma das cinco acompanhadas pela Escola Marias, a primeira escola de agricultura urbana para mulheres da periferia, iniciativa do Centro Sabiá com parceria do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).</p>



<p>Aluna da segunda turma, Aldenize foi instigada pela amiga Vera Lúcia para se inscrever no projeto e viu sua vida ganhar um novo sentido. À época, a dona de casa enfrentava uma depressão, mas o conhecimento e a prática na horta têm a ajudado a conviver com seus desafios internos. “Você se sente bem quando começa a entender o verde. Então é isso, a minha vida mudou muito [&#8230;] E a gente não só tem comida, como a gente tem uma farmácia viva aqui”, conta. </p>



<p>Estruturada com base nos conceitos e práticas da agroecologia, a horta tem de tudo: desde plantas medicinais como boldo, menta, capim santo, erva cidreira, até frutas, legumes e tubérculos.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Sabia-7-turma.jpg" alt="A imagem mostra sete mulheres em um jardim comunitário. Seis delas estão vestindo camisetas roxas com um logotipo branco e bonés da mesma cor. Uma das mulheres, à direita da foto, está usando uma camiseta cinza com um desenho de trevo verde e uma touca roxa. O grupo está segurando ferramentas de jardinagem, como enxadas e ancinhos. Elas estão posicionados em frente a uma área de plantação cheia de plantas verdes. No fundo, há uma cerca de metal, árvores e alguns prédios ao longe." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Terceira turma da Escola Marias está produzindo alimentos em terreno na zona sul do Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Vera Lúcia de Barros, de 54 anos, começou estimulada pela participação do filho, Robson, que é uma pessoa com deficiência. Também integrante da segunda turma, ela entrou depois do filho porque se apaixonou pelo trabalho desenvolvido. Depois, passou a incentivar outras amigas a participar. “Isso aqui é para o resto da vida. A gente tem que procurar tratar, plantar, cuidar direto mesmo, independente de qualquer coisa. Onde eu estou, eu já estou procurando alguma muda ou semente pra trazer pra horta. E onde eu chego, só falo da nossa horta”, comenta.</p>



<p>O local que é motivo de orgulho para as alunas passou anos abandonado pelo poder público. Situado entre o canal de Setúbal e o túnel Augusto Lucena, recebeu a primeira intervenção quando a Prefeitura do Recife construiu uma quadra e um espaço de convivência. Contudo, ainda havia um espaço não utilizado, e foi ali que uma representante do MTST enxergou o potencial de transformar aquele solo improdutivo.</p>



<p>Recém iniciada na terceira turma da Escola, Danielly Felix, de 33 anos, coordenadora da ocupação 8 de março do MTST, enxerga a importância de mulheres estarem unidas plantando e colhendo o próprio alimento. “Para mim está sendo uma honra por ser uma mulher negra, principalmente uma mulher trans, estar no meio dessas mulheres na horta comunitária”, afirma. “Eu acho que é muito importante você poder bater no peito e dizer: eu fiz um curso de agroecologia&#8221;, completa Danielly.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/recife-tera-primeira-escola-de-agricultura-urbana-para-mulheres-da-periferia/" class="titulo">Recife terá primeira escola de agricultura urbana para mulheres da periferia</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/bem-viver/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Bem viver</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h2 class="wp-block-heading">Segurança alimentar e autonomia</h2>



<p>A expectativa é de que 100 mulheres se formem ao longo dos dois anos de curso. Ao todo serão quatro turmas de 25 alunas, uma por semestre. A terceira turma teve as aitividades iniciais neste mês de março. O curso é dividido em dois módulos, um de produção e outro de transformação dos alimentos.</p>



<p>As estudantes vêm de territórios da Região Metropolitana do Recife que já desenvolvem trabalhos relacionado à luta por direitos e também já contam com assessoria do Centro Sabiá. “O projeto atende a mulheres das cinco comunidades onde o Sabiá atua. Não é um projeto aberto para o público geral, pois foi criado para fortalecer esses territórios&#8221;, afirma Simone Arimateia, assessora técnica do Centro Sabiá.</p>



<p>Além da Fazendinha, as outras comunidades beneficiadas são Horta Popular Agroecológica Dandara, em Peixinhos, a Cozinha Solidária do MTST, na Vila Santa Luzia e a Horta das Margaridas, no Jiquiá. O Quilombo Onze Negras, no Cabo de Santo Agostinho, também participou do projeto nas duas primeiras turmas.</p>



<p>As aulas não acontecem só no território. Durante o curso, as alunas assistem a duas aulas mensais na UFRPE com conteúdos que abordam segurança alimentar e nutricional, saúde, geração de renda e melhoria da qualidade de vida. Além disso, elas participam de seis palestras sobre temas relacionados à garantia de direitos humanos e promoção de justiça social, partindo do olhar da agricultura Urbana e periurbana Agroecológica. Cada turma realiza, ainda, um intercâmbio de imersão para contato com outras experiências urbanas de agriculturas.</p>



<p>“Nesses dois dias de aula, é uma imersão com professoras que são agricultoras. Não são pessoas que chegam só pra falar. São pessoas que têm vivência, experiência. O que essas professoras estão ensinando é o dia a dia delas. E são agricultoras urbanas, a renda delas vem do que produzem no quintal. É o quintal produtivo delas”, explica Arimateia.</p>



<p>A iniciativa do Centro Sabiá é financiada com recursos do Programa Nacional de Agricultura Urbana, do Governo Federal, resultante de uma emenda parlamentar do deputado federal, Túlio Gadelha (Rede). Em parceria com o Núcleo de Agroecologia e Campesinato da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Movimento dos Trabalhadores/as Sem-Teto (MTST).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Sabia-2-tabuleta-300x200.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Sabia-2-tabuleta.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/03/Sabia-2-tabuleta.jpg" alt="Essa é uma foto de um espaço de agricultura urbana. Em primeiro plano, há uma placa de madeira decorada com manchas de tinta azul e verde. Ela tem os nomes de algumas plantas escritos à mão: QUIABO-VERDE, MAMÃO, PITANGA, BERIGELA. Atrás da placa, vê-se um cultivo com plantas verdes. No fundo, prédios altos e um céu azul completam a paisagem, destacando o contraste entre a natureza cultivada e o ambiente urbano." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Com base na agroecologia, as hortas da Escola Marias têm de tudo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/o-curso-de-agricultura-urbana-que-esta-mudando-a-vida-de-mulheres-recifenses/">O curso de agricultura urbana que está mudando a vida de mulheres recifenses</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Movimentos sociais vencem lobby empresarial e Lula inclui redução de agrotóxicos em novo plano de agroecologia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Oct 2024 20:22:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos orgânicos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos saudáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Mundial da Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[governo Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O convite para o lançamento dos planos nacionais de Abastecimento Alimentar e de Agroecologia e Produção Orgânica, no Palácio do Planalto, só começou a circular na manhã de segunda-feira, 14 de outubro, mas as organizações sociais que trabalham com esses temas já previam que no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o governo Lula [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O convite para o lançamento dos planos nacionais de Abastecimento Alimentar e de Agroecologia e Produção Orgânica, no Palácio do Planalto, só começou a circular na manhã de segunda-feira, 14 de outubro, mas as organizações sociais que trabalham com esses temas já previam que no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o governo Lula apresentaria os dois documentos ao público. Até o último momento, no entanto, os ativistas não arredaram pé da inclusão do programa de redução de agrotóxicos em um dos planos, o de Agroecologia, o que acabou acontecendo.</p>



<p>Por essa razão, representantes das organizações e movimentos sociais dizem que há motivos para comemorar, pois os dois planos são considerados &#8220;conquistas da sociedade&#8221;. O Plano de Abastecimento será o primeiro do tipo na história do país.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="853" height="1280" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Petersen.jpg" alt="" class="wp-image-66721 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O agrônomo e doutor em Estudos Ambientais Paulo Petersen, coordenador-executivo da ong AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia e integrante do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO) afirma que é preciso celebrar. &#8220;O alimento não pode ser tratado como uma mercadoria como outra qualquer. Se a alimentação for regulada apenas pelo mercado, parcelas importantes da sociedade seguirão passando fome ou só terão acesso aos produtos ultraprocessados vendidos nas grandes redes de supermercados. Permanecerão sem acesso a alimentos saudáveis e adequados”, afirma.</p>
</div></div>



<p>No Mato Grosso, a conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Cidinha Moura, os dois planos são consequência de 20 anos de discussão sobre a necessidade de uma política de segurança alimentar. &#8220;É mais do que uma vitória&#8221;, resume a conselheira, que também é <a href="https://fase.org.br/pt/noticias/volta-do-consea-cidinha-moura-coordenadora-da-fase-mt-e-uma-das-conselheiras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">coordenadora da ong Fase</a> no mesmo estado do ministro Fávaro.</p>



<p>&#8220;Para nós do movimento agroecológico os dois planos juntos são fundamentais para fortalecer as iniciativas em agroecologia no Brasil, pois, além de políticas de produção de alimentos, precisamos de políticas capazes de construir mercados para a agricultura familiar e para agricultura agroecológica&#8221;, explicou Cidinha Moura. </p>



<p>Petersen também participou das discussões e oficinas populares que subsidiaram o governo na elaboração dos planos. Para ele, “o Estado precisa intervir no mercado ao estimular a produção diversificada e saudável, garantir compras institucionais, preços mínimos, estruturas descentralizadas de estocagem de alimentos, e outras medidas necessárias para que cumpra sua função regulatória. Esses planos criam essaperspectiva”.</p>



<p>Outro desdobramento dos planos será, na visão do coordenador da AS-PTA, a possibilidade de criação de políticas de produção local para fomentar sistemas de abastecimento territoriais, ou seja, onde os mercados consumidores estejam próximos às famílias produtoras. &#8220;Mais feiras livres, menos atacarejos&#8221;, resume o agrônomo. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A força do lobby do agro</h2>



<p>Paulo Petersen conta que o lançamento do Plano Nacional de Agroecologia já deveria ter acontecido antes, mas foi adiado quatro vezes, por pressão do Ministério da Agricultura, que não aceitava a menção à redução dos agrotóxicos. O nome do ministro Fávaro, aliás, não aparece no convite oficial (abaixo), assinado pelos ministros Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário; Wellington Dias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; e Márcio Macedo, secretário-geral da Presidência da República.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula.jpg" alt="Convite com o título Alimento saudável no prato, para lançamento dos plano nacional de Abastecimento Alimentar e do Plano nacional de agroecologia e produção orgânica, que vai acontecer no dia 16 de outubro de 2024, ás 11h, no Palácio do Planalto." class="" loading="lazy" width="475">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Quando, em meados de setembro, o presidente Lula se manifestou contra o grande consumo de agrotóxicos no Brasil, os defensores da agroecologia se animaram, entendendo como um sinal que o plano de agroecologia e produção orgânica finalmente seria lançado, incoporando o programa de redução do uso de venenos na agricultura. O plano saiu com o programa, mas há o risco do capítulo referente à redução dos agrotóxicos virar letra morta, afinal há pelo menos 10 anos o Ministério da Agricultura vem boicotando o programa de redução de agrotóxicos, como informou em agosto o site <a href="https://ojoioeotrigo.com.br/2024/08/ministerio-da-agricultura-boicota-programa-de-reducao-de-agrotoxicos-ha-dez-anos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O joio e o trigo</a>.</p>



<p>O coordenador da AS-PTA acredita que é uma questão chave é entender que a defesa do uso de agrotóxicos interessa mais às indústrias químicas do que os agricultores, mesmo os grandes fazendeiros. &#8220;O programa de redução de agrotóxicos não é uma proposta radical, que veta os venenos de uma vez por todas, nada disso. Seria um programa que contribuiria de imediato com o agronegócio que poderia produzir com menos contaminantes e a preços mais baixos ao utilizar inovações de base agroecológica já disponíveis, mas que estão bloqueadas pela pressão das indústrias de agrotóxicos para que elas continuemlucrando”explica. </p>



<p>O problema, segundo ele, é que são as indústrias que financiam as campanhas eleitorais das bancadas parlamentares defensoras do veneno.</p>



<p>Cidinha Moura sabe de perto como isso funciona. &#8220;Nós dos movimentos aqui no Mato Grosso, conhecemos bem de perto a estratégia do agronegócio. O ministro Fávaro sempre foi de receber em seu gabinete as indústrias de agrotóxicos e, em todos os momentos ele faz a defesa dessas empresas com veemência mesmo. Por isso, nós imaginávamos que a luta seria árdua, mas que não seria tanto como foi&#8221;, desabafa a conselheira do Consea.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Dois anos para planos saírem do papel</h3>



<p>De acordo com Islândia Bezerra da Costa, diretora de Apoio à Aquisição e à Comercialização da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, apesar do plano de abastecimento alimentar não citar os agrotóxicos, deixa implícito a intenção de reduzir seu uso quando fala &#8220;em sistemas alimentares e sustentáveis e em transição agroecológica&#8221;. As duas coisas excluiriam os agrotóxicos.</p>



<p>A diretora assegura que o Ministério de Agricultura e Pecuária, mais conhecido pela sigla Mapa, terá papel importante na execução do plano. &#8220;Estão previstas ações específicas para o Mapa, especialmente voltadas para o público da agricultura familiar, como a inclusão produtiva das normas sanitárias [estender as ações da Vigilância Sanitária à agricultura familiar]. O Mapa se comprometeu com essa ação e isso é muito simbólico, afinal historicamente o Mapa opera é direcionado para grande agricultura&#8221;, explicou.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:40% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="1600" height="758" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Islandia.jpeg" alt="" class="wp-image-66716 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Islândia Bezerra explica que o plano não desconsidera a importância do agronegócio e das corporações industriais de alimentos: &#8220;sabemos que não dá para delegar e terceirizar a nossa soberania alimentar para esses dois grandes setores que, economicamente e politicamente, são muito fortes&#8221;, reconhece. </p>
</div></div>



<p>Ela também afirma que, apesar de abrir a possibilidade de parcerias com redes varejistas de supermercados, nenhum diálogo foi aberto com grandes corporações como Nestlé ou Unilever. &#8220;Acho que isso é não é não é nenhum segredo, mas é uma escolha política&#8221;, garante a diretora, que já foi presidente da Associação Brasileira de Agroecologia(ABA).</p>



<p>A partir do momento em que os planos forem lançados nesta quarta-feira, o desafio do governo Lula será tirá-los do papel até 2026. De acordo com Islândia Bezerra, a equipe do ministério está &#8220;empreendendo assim todos os esforços necessários pra gente colocar as ações de estruturação do abastecimento. Tratando de ações concretas, no lançamento, a gente já vai ter anúncios de entrega de novas centrais populares de abastecimento alimentar, a gente tem uma expectativa de que isso repercuta nos territórios para a população entender a importância da agricultura familiar&#8221;.</p>



<p>A conselheira do Consea e coordenadora da Fase, Cidinha Moura, acredita que há uma condição para transformar o plano em realidade: vontade política. &#8220;Considero que, em dois anos seja possível avançar nas ações pensadas para o Plano Nacional de agroecologia para o Plano Nacional de Abastecimento, desde que haja uma vontade política mesmo do governo Lula&#8221;, explica.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Participação popular e dos ministérios</h3>



<p>O tema da segurança alimentar e combate à fome voltou a ganhar força na pandemia, quando foi constatado que 33 milhões estavam passando fome no Brasil. A repercussão desse número gerou uma mobilização social que levou o presidente Lula a, em dezembro de 2023, durante a 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, assinar o decreto de <a href="https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202312/presidente-assina-decretos-que-reforcam-compromisso-com-a-seguranca-alimentar#:~:text=H%C3%A1%20ainda%20um%20decreto%20para%20tratar%20da%20Pol%C3%ADtica,e%20o%20abastecimento%20descentralizado%20e%20popular%20de%20alimentos.">criação da política nacional de abastecimento alimentar</a>, que previa a criação dos planos correspondentes.</p>



<p>De acordo com Islândia Bezerra, cuja diretoria foi uma das diretamente envolvidas no tema, foi necessária &#8220;toda uma costura&#8221; na Esplanada dos Ministérios, incluindo autarquias, BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Finep (agência estatal financiadora de inovação e pesquisas), Apex (agência de fomento à exportação), entre outras. &#8220;Elas entraram no conjunto de consultas do que poderia importar para uma política nacional de abastecimento alimentar&#8221;, explica.</p>



<p>Além da discussão dentro do perímetro governamental, houve consultas populares com participaçao de comunidades indígenas, quilombolas, associações e sindicatos de trabalhadores rurais, movimento de pequenos agricultores, redes e coletivos da agroecologia. No final, isso resultou na identificação de 28 iniciativas se desdobrando em 96 ações estratégicas. </p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/planos-Lula-Favaro-Tomaz-Silva.webp" alt="Foto de Carlos Fávaro, homem branco, de meia idade, com cabelos lisos escuros penteados para trás, usando paletó cinza, camisa branca e gravata cinza com grafismos brancos. Ele está em uma espécie de palco, tendo como interlocutor à esquerda da imagem, outro homem mais jovem, de cabelos escuros, mas que por estar de perfil não é possível ver completamente seu rosto. Os dois estão a frente de um grande painel onde é possível ler em inglês H.E. Carlos Fávaro Minister of Agriculture, Brazil." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Fávaro (á dir.) representa interesses do agronegócio, mas Mapa desempenhará papel no plano
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>
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		<title>Hortas e cozinhas comunitárias: mulheres do sertão potiguar buscam a independência</title>
		<link>https://marcozero.org/hortas-e-cozinhas-comunitarias-mulheres-do-sertao-potiguar-buscam-a-independencia/</link>
					<comments>https://marcozero.org/hortas-e-cozinhas-comunitarias-mulheres-do-sertao-potiguar-buscam-a-independencia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 21:59:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[AS-PTA]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Norte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caraúbas (RN) &#8211; A cozinha comunitária do assentamento São José se abre para o sertão. No mês de setembro, a memória das chuvas já não está presente nos arbustos e nas árvores da caatinga. A paisagem da porta pra fora é bonita: quase tudo seco, mas vivo, debaixo de um imenso céu azul, ainda maior [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Caraúbas (RN) &#8211; </strong>A cozinha comunitária do assentamento São José se abre para o sertão. No mês de setembro, a memória das chuvas já não está presente nos arbustos e nas árvores da caatinga. A paisagem da porta pra fora é bonita: quase tudo seco, mas vivo, debaixo de um imenso céu azul, ainda maior que o calor que faz na região do Médio Oeste do Rio Grande do Norte. Dentro da cozinha, perto de forno e fogão, mulheres agricultoras buscam o sonho da independência e de uma vida melhor.</p>



<p>Alexsandra Farias de Oliveira, conhecida como Sandra, é a líder do grupo de mulheres do assentamento. Ela conta que a cozinha comunitária foi construída em 2012, por meio de um projeto captado pela ong Diaconia, que também implementou uma cozinha semelhante para outro grupo de mulheres, as do assentamento Ursulina.</p>



<p>A Marco Zero visitou em setembro essas duas cozinhas em Caraúbas para entender como elas fortalecem as mulheres agricultoras do sertão e ajudam no fornecimento da merenda de mais de 2,5 mil alunos das 24 escolas do município.</p>



<p>A cozinha do assentamento São José conta hoje com a participação de cinco mulheres. Depois de passar por cursos e capacitações, começaram a produzir salgados, doces &#8211; o de mamão com coco é um dos destaques –, biscoitos e outros quitutes. Por um tempo, venderam a produção delas na feira da cidade. “Depois da pandemia, o movimento diminuiu. As pessoas não estão mais adaptadas a lanchar na feira”, comenta Sandra.</p>



<p>Hoje, elas produzem por encomenda ou quando surge alguma ocasião especial. Para Josilene Ferreira de Lima, conhecida como Rosa, trabalhar na cozinha significa ter uma renda extra. “Consigo pagar alguma conta ou comprar algo de necessidade. Em meses bons, cada uma consegue tirar cerca de R$ 500. Nos meses ruins, não chega nada”, conta. Neste mês de outubro as mulheres do assentamento São José devem começar a produzir bolos para a merenda escolar do município.</p>



<p>Para as mulheres do assentamento de Ursulina, também na zona Rural de Caraúbas, a venda para a merenda escolar, através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), é muito importante para a melhoria de vida delas. “No ano passado, cheguei a tirar quase R$ 900 com cada pedido. E teve mês que foram dois pedidos. Foi ótimo e deu para pagar as contas em casa”, conta índia Batista de Oliveira, uma das cozinheiras de Ursulina.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Este ano, porém, a prefeitura de Caraúbas começou apenas neste mês a fazer os pedidos de bolos para as escolas municipais. “É ruim porque a gente se prepara para fazer essa produção e os pedidos demoram a chegar”, diz Dilvânia Fernandes, líder do grupo de mulheres de Ursulina. “Mas quando pedem é bom. Porque os pedidos são muito grandes e o pagamento não demora”, completa.</p>



<p>Com as eleições batendo na porta, Dilvânia fala da importância de se votar em candidatos e candidatas que apoiem as mulheres e a agricultura familiar. “Eu acho que os políticos poderiam olhar mais para o trabalho das mulheres, que não é um trabalho fácil. A gente acorda de manhã cedo para cuidar de filho, cuidar de casa, cuidar de tudo. E e ainda temos tempo para batalhar pelo que a gente sonha”, diz.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Um quintal que é uma feira</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Aos 77 anos, a agricultora Joana da Conceição Fernandes mora com a mãe, de 97 anos, e uma neta numa casa com quintal grande no assentamento Ursulina.  Acorda cedo, antes do sol nascer, para preparar o café da manhã. Nos primeiros raios de sol, abre a porta da cozinha e se depara com um quintal que mais parece um sítio. Tem uma dezena de fruteiras, diversos legumes e plantas medicinais. Ainda cedinho, liga a bomba para encher uns tambores e vai com uma moringa aguando cada planta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A casa dela é considerada um quintal produtivo, mas dona Joana não vende nada da sua produção. O consumo é feito pela casa dela e as famílias dos três dos nove filhos que moram no assentamento de Ursulina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos fundos do quintal, ainda há espaço para animais. Dona Joana cuida de dois porcos, muitas galinhas e algumas cabras. “Toda a vida eu gostei de plantar. Muitas coisas que eu tenho aqui eu já não compro. Faço minha feira no quintal”, conta. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Um quadradinho verde no sertão</h2>



<p>No meio da paisagem da estação seca do sertão, a horta das mulheres de São José é um quadradinho verde e produtivo. Mas é preciso muitos cuidados para mantê-la assim. Com a ajuda da irrigação por aspersão, três mulheres da comunidade plantam e colhem coentro, couve, cebolinha, mamão, pimentão, alface. A irrigação tem que ser cuidadosa, já que a água usada é bastante salina e pode prejudicar a qualidade do solo, podendo até mesmo levar ao processo de desertificação.</p>



<p>Como o sol em Caraúbas é inclemente, também é necessário oferecer algum tipo de sombra para que as verduras cresçam. Isso é feito com o uso de redes que cercam toda a horta, garantindo também que animais não entrem na horta. Toda a assistência técnica para a produção dos alimentos veio por meio de projetos da Diaconia. </p>



<p>Cedinho da manhã, Damiana Veríssimo já está pela horta para dar água para as plantas. Liga a irrigação no que dá e rega restante com balde. “Quando é dia de plantar, a gente planta; quando é dia de colher, a gente colhe”, conta Damiana.</p>



<p>O que é produzido pelas mulheres é vendido e, depois de retirado os custos, dividido entre elas. Vendem para a prefeitura de Caraúbas, pelo PNAE e pelo PAA, na feira e por delivery. Mesmo plantando sem o uso de agrotóxicos, não conseguem melhorar o preço da venda na feira. “Só quando é pelo governo que conseguimos um preço melhor, por ser um produto orgânico. Na feira, a gente tem que vender pelo preço que as outras barracas, que plantam com veneno, vendem. se não for assim, ninguém compra”, lamenta Maria das Dores Veríssimo, agricultora do grupo de mulheres.</p>



<p>Na lida diária, na horta ou na cozinha comunitária, as agricultoras ainda têm que enfrentar o machismo. Fazer com que maridos e companheiros entendam o valor do trabalho delas não é uma tarefa simples. “Quando o projeto da Diaconia chegou aqui, chamaram os homens para uma reunião. Eles não foram. Tiveram então que ir de casa em casa, explicando como era importante que as mulheres participassem desse processo”, relembra Sandra.</p>



<p>Ela própria teve problemas para o marido aceitar que ela também tinha voz na comunidade.<br>“Eu nunca deixei de fazer o que eu queria, eu quis trabalhar porque eu quis ser dona de mim. Nas reuniões da associação, a gente não quer ser mais do que o homem. Queremos o nosso lugar, o nosso respeito. Queremos ter a nossa própria renda pra gente sobreviver, pra não ficar dependendo do marido. Se a gente está cozinhando, plantando, estamos ajudando em casa”, diz.</p>



<p>Foi com muito esforço que o marido de Sandra compreendeu o valor do trabalho dela. E até passou a ajudá-la na horta comunitária das mulheres. Mas uma tragédia aconteceu em 2016: ele estava trabalhando para levar água para a horta quando levou um choque elétrico ao tocar em uma bomba de água, falecendo na hora.</p>



<p>Na casa de Rosa, as disputas são constantes, mas ela não abre mão de participar das atividades da cozinha comunitária. “A gente briga direto. Ele gosta de tudo que eu levo pra casa da horta, mas há 14 anos que a gente briga porque ele não quer que eu vá para lá. Mas eu só saio de lá quando eu morrer. Enquanto eu tiver vida, vou plantar”, disse Rosa.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/54025431893_b274605c2a_c.jpg" alt="Agricultora Vanusa Vieira de Lima" class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crédito: Arnaldo Sete/MZ</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Plantas medicinais no quintal de casa</span>

		<p><!-- wp:heading {"level":4} --></p>
<p>Embiratanha, imburana, mastruz e quixabeira são algumas das plantas medicinais que Vanusa Vieira de Lima coloca na garrafada que serve “para tudo”. Moradora do assentamento Primeiro de Maio, ela também produz garrafadas com propriedades antiinflamatórias e para problemas respiratórios, infertilidade e outras tantas enfermidades.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>“Tomo todo dia a garrafada antiinflamatória. Não sinto nenhum tipo de dor e todos meus exames são bons”, conta. Quase todas as plantas que usa, ela colhe no quintal de casa. Outras, nas matas de caatinga perto do assentamento.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Vanusa aprendeu a fazer as garrafadas na tentativa e erro. “Quem fazia aqui no assentamento se aposentou e não deu as receitas. como eu já sabia quais eram as plantas que se usava para cada coisa, fui testando quanto de açúcar era necessário para cada produto”, conta. Para atender a todos os públicos, ela faz garrafas com e sem açúcar.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>Durante anos, Vanusa liderou a horta comunitária das mulheres do assentamento. Todo sábado vendia os produtos na feira e tirava uma renda que ajudava na casa. Mas as mulheres que trabalhavam com ela na horta foram saindo, mudando de residência ou de interesses sozinha, Vanusa não conseguiu mais dar conta. Mudou parte da horta para o quintal dela, que tem de quase tudo um pouco.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --></p>
<p>A horta foi doada para uma escola técnica do assentamento e Vanusa concentrou sua produção nas plantas medicinais. Vende as garrafadas na feira e por encomenda, por preços que variam de R$13 a R$25. “Tudo que levo, eu vendo. Eu acho muito bom trabalhar. A minha vontade é de crescer. Porque a gente que mora na zona rural já sabe que é muito difícil as condições de vida. Mas enquanto eu tiver vida e saúde, ter coragem, eu tenho o suficiente”, diz.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Compras públicas ajudam a agricultura familiar</h2>



<p>O trabalho das mulheres nas hortas, nos quintais e nas cozinhas é fortalecido pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). São dois programas do Governo Federal, geridos pelos municípios, em que há o repasse de verba para a compra direta a agricultores e agricultoras, como pessoa física ou em associações e cooperativas.</p>



<p>Neste ano, Caraúbas recebeu R$369 mil do PNAE para a compra de alimentos para a merenda dos alunos das escolas de Caraúbas. O PNAE destina pelo menos 30% da verba repassada para cada município para a compra de alimentos produzidos pela agricultura familiar. Mas nem sempre as prefeituras conseguem cumprir essa meta. “O número de agricultores vem diminuindo aqui na região”, lamenta a nutricionista Mona Lídghya Pessoa, responsável técnica pela compra de alimentos para o PNAE em Caraúbas. “Os jovens preferem ir para as cidades, em busca de empregos. Ou ficam na zona rural, mas vão trabalhar nos projetos de frutas para fazer polpa, para exportação. Não ficam mais na agricultura. Mas com os programas, conseguem vender mais e, quem sabe, continuar trabalhando no campo&#8221;, completa. </p>



<p>Para ter uma ideia de quem são os agricultores e agricultoras do município que podem fornecer produtos para os programas do Governo Federal, a prefeitura de Caraúbas realizou de 2020 para cá dois mapeamentos no município. “Praticamente não houve mudança. Hoje, em 2024, nós temos como fornecedores a CooperUba, que é uma cooperativa, e quatro fornecedores individuais. Nos mapeamentos fazemos um trabalho para que outros agricultores se cadastrem nos programas, mas alguns alegam burocracia, mesmo a gente facilitando, e outros dizem que não têm interesse, porque consideram o valor de compra baixo”, afirma a nutricionista.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/cirandas-da-borborema-o-que-prefeitos-podem-fazer-para-incentivar-jovens-a-permanecerem-no-campo/" class="titulo">Cirandas da Borborema: o que prefeitos podem fazer para incentivar jovens a permanecerem no campo</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/sementes-crioulas-como-as-prefeituras-podem-ajudar-os-agricultores-a-produzirem-alimentos-saudaveis/" class="titulo">Sementes crioulas: como as prefeituras podem ajudar os agricultores a produzirem alimentos saudáveis</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A equipe de reportagem visitou os territórios a partir do convite da Rede ATER NE e AS-PTA, que executam o <strong>Projeto Cultivando Futuros: transição agroecológica justa em sistemas alimentares do Semiárido brasileiro.</strong> A iniciativa também é desenvolvida na Alemanha pela agência de cooperação internacional Pão para o Mundo (Brot fur de Welt, nome em alemão). A ação tem financiamento do Ministério Federal da Alimentação e da Agricultura da Alemanha (BMEL, na sigla em alemão).</p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/hortas-e-cozinhas-comunitarias-mulheres-do-sertao-potiguar-buscam-a-independencia/">Hortas e cozinhas comunitárias: mulheres do sertão potiguar buscam a independência</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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					<wfw:commentRss>https://marcozero.org/hortas-e-cozinhas-comunitarias-mulheres-do-sertao-potiguar-buscam-a-independencia/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>Sementes crioulas: como as prefeituras podem ajudar os agricultores a produzirem alimentos saudáveis</title>
		<link>https://marcozero.org/sementes-crioulas-como-as-prefeituras-podem-ajudar-os-agricultores-a-produzirem-alimentos-saudaveis/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2024 22:37:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Alimentação saudável]]></category>
		<category><![CDATA[AS-PTA]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Programa de Sementes de Lagoa Seca, criada pela lei municipal 206/2014, a &#8220;lei de sementes&#8221;, foi o primeiro a ser implantado na região da Serra da Borborema, semiárido paraibano. Exemplo para municípios vizinhos, o programa garante o cultivo, o repasse e o beneficiamento das &#8220;sementes da paixão&#8221; &#8211; como se chama na região as [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Programa de Sementes de Lagoa Seca, criada pela lei municipal 206/2014, a &#8220;lei de sementes&#8221;, foi o primeiro a ser implantado na região da Serra da Borborema, semiárido paraibano. Exemplo para municípios vizinhos, o programa garante o cultivo, o repasse e o beneficiamento das &#8220;sementes da paixão&#8221; &#8211; como se chama na região as sementes crioulas, produzidas pelas famílias agricultoras que adotam a agroecologia -, assim como veta a compra e distribuição de sementes transgênicas e híbridas pela gestão municipal.</p>



<p>Esta conquista para as famílias agricultoras do território só aconteceu a partir da luta e da organização de diferentes atores do município, como o sindicato dos trabalhadores rurais e as organizações da sociedade civil. Foi o então vereador Nelson Anacleto, à época filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), quem propôs e aprovou a lei na câmara dos vereadores da cidade, mas a ideia só saiu do papel em 2021, quando o próprio Anacleto assumiu a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do município.</p>



<p>Foram mais de seis anos para que a lei fosse efetivamente implantada, e isso só aconteceu, segundo Anacleto, a partir da vontade política da gestão municipal. “Tem que ter decisão política. Você tem que ter a lei formal, a mobilização social e a decisão política”, reforça o ex-secretário, atual candidato a vereador da cidade, pleiteando um quarto mandato.</p>



<p>A decisão política, no caso de Lagoa Seca, se materializou no momento em que a prefeitura comprou aproximadamente 1.400 quilos de sementes crioulas em outros municípios para viabilizar a implantação do programa, pois a região vinha passando por uma seca que durou quase dez anos. Com isso, foram beneficiadas em torno de 120 famílias agricultoras e, a partir do segundo ano, não houve mais necessidade de comprar sementes de outros municípios, pois, mesmo com a seca, os agricultores conseguiram uma boa produção. No último levantamento, realizado em 2023, o Programa Municipal de Sementes conseguiu comprar cinco toneladas das famílias agricultoras locais. </p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A apenas nove quilômetros de Campina Grande e com aproximadamente 28 mil habitantes, Lagoa Seca possui dois terços da população residente na zona rural, sendo essencial uma política pública que fortaleça estes territórios e os sistemas alimentares baseados na agricultura familiar e agroecologia.</p>
        </div>
    </div>



<p>Mas o programa vai além de apenas entregar as sementes. Desde a implantação, é realizado o acompanhamento para do plantio, manejo e controle de qualidade dessas sementes para assegurar a produção e manutenção do programa pelos anos seguintes. Noaldo de Andrade, atual secretário de agricultura, explica que a seleção das famílias escolhidas para receber as sementes é feita com base nesse acompanhamento.</p>



<p>Um dos agricultores familiares do território que receberam as sementes crioulas foi William Gertrude dos Santos, de 34 anos, que havia perdido sua plantação de batatas doce após o período de seca. Com as sementes e o auxílio teórico e técnico da prefeitura e da AS-PTA (organização não governamental que atua na região há 31 anos no fortalecimento da agricultura familiar e do desenvolvimento rural sustentável), o agricultor viu os bons frutos aparecerem.</p>



<p>“Os primeiros anos também de cultivo foram excelentes, porque eu peguei bons anos de inverno. Plantei feijão preto, o feijão carioca também, e coloquei em torno de 10 sacos para a secretaria de agricultura. O milho também foi uma bênção, as espigas eram muito bonitas”, afirma William. “A vizinhança ficou admirada por eu conseguir cultivar uma lavoura livre de veneno, livre de qualquer tipo de agrotóxico”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/54024280887_377ae187f3_c.jpg" alt="A imagem mostra um homem branco, de meia idade, de cabelos curtos e óculos de grau pé sob um terraço com telhado com telhas expostas, segurando três espigas de milho. As espigas têm grãos amarelos brilhantes e estão parcialmente descascadas, revelando os grãos. A pessoa está vestindo uma camiseta rosa com a palavra “destaque” impressa em letras brancas. Ao fundo, há vegetação e uma estrutura que sugere um ambiente rural ou de fazenda." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">William não esconde a satisfação com a produção das sementes crioulas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Com o programa municipal de sementes os agricultores voltaram a preservar e abastecer não só os bancos comunitários de sementes, mas os banco de sementes familiares. Eles possuem sementes suficientes para vender à prefeitura e guardar para os próximos plantios. Os bancos comunitários de sementes são essenciais para agricultura familiar na região da Borborema. Estima-se que a região possui 60 bancos de sementes abastecidos pelos próprios agricultores.</p>
    </div>



<h2 class="wp-block-heading">Exemplo a ser seguido</h2>



<p>O que William vivenciou em Lagoa Seca, também é a realidade da jovem agricultora do município de Montadas, Valéria dos Santos, de 26 anos. Filha e neta de agricultores &#8211; assim como Willliam -, ela perpetua os conhecimentos familiares no manejo das sementes crioulas. A jovem, que começou plantando no sítio dos pais, hoje possui dois hectares dedicados ao cultivo de alimentos saudáveis com o uso de sementes crioulas.</p>



<p>“Hoje em dia é difícil a gente encontrar uma semente que seja livre de transgênicos, livre de produtos químicos que são colocados na semente para conservar. Então a gente ter essa oportunidade de ter acesso a uma semente de qualidade é excelente”, explica Valéria.</p>



<p>Oa esforços para replicar em Montadas um programa municipal de sementes semelhante inspirado na experiência de Lagoa Seca, aconteceu a partir da articulação do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável para implantar seu próprio programa de sementes, em parceria com representações da sociedade civil, do sindicato dos trabalhadores rurais, da prefeitura e da Empresa de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer).</p>



<p>Com o aporte de recursos inicial da prefeitura, o programa de sementes de Montadas teve início com a compra de 1.200 quilos de feijão e 600 quilos de milho. A distribuição ocorre com dez quilos de feijão e cinco quilos de milho para cada agricultor fazer o seu plantio, mas requer a devolução de um quilo a mais do que foi retirado, ou seja, se o agricultor recebe dez quilos, ele precisa devolver 11 quilos para reforçar o banco de sementes. Pelo menos 150 famílias agricultoras são beneficiadas diretamente pelo programa.</p>



<p>“No ato da distribuição o agricultor nos dá algumas informações, tipo o endereço dele, a localidade e a comunidade onde ele vai realizar o plantio e a gente acompanha. Geralmente a gente faz algumas visitas aos sítios no período de colheita para saber como é que tá a colheita das famílias, se estão tendo uma boa produção. Depois a gente vai novamente informando a eles que já estamos recebendo a semente”, relata Edmilson Vieira, secretário de Agricultura de Montadas e integrante do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/sementes-6-paixao.jpg" alt="A imagem mostra várias sacolas de papel marrom alinhadas em fileiras, estendendo-se ao fundo onde se tornam menos nítidas devido à profundidade de campo. Cada sacola tem um texto impresso que inclui as palavras “SEMENTES DA PAIXÃO” e “10 kg”." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Nos 13 municípios da Borborema há, pelo menos, 60 bancos comunitários de sementes
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Diferente de Lagoa Seca, o município de Montadas tem um desafio a mais no plantio do milho da paixão. Segundo os agricultores, no território existe um latifundiário que possui criação de aves e, para alimentá-las, planta milho transgênico. Por isso, o milho crioulo de propriedades vizinhas está sempre correndo o risco de ser contaminado.</p>



<p>As sementes transgênicas são oriundas de organismos geneticamente modificados (OGMs), isso quer dizer que foram alteradas geneticamente, com inclusão de DNA de outra espécie. Geralmente são utilizadas por ter uma resistência maior a pragas e tolerância a herbicidas. Se plantadas próximas a lavouras orgânicas ou agroecológicas podem contaminá-las por diversos fatores. No caso do milho, ocorre a polinização cruzada de forma natural, através do vento e das abelhas, por isso a dificuldade em plantá-los em territórios próximos de lavouras de transgênicos.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Resgate do plantio das batatinhas sementes </span>

		<p>Montadas já foi conhecida como a terra da batatinha, mas na época da &#8220;revolução verde&#8221;, onde se realizava financiamentos rurais com a distribuição de pacotes de agrotóxicos, as condições de plantio ficaram difíceis para este tipo de alimento. Com isso, a babatinha ficou quase extinta entre os agricultores familiares.</p>
<p>Nos últimos anos, um forte movimento dos sindicatos do Polo da Borborema &#8211; rede de sindicatos rurais e 150 associações comunitárias de 13 municípios &#8211; para resgatar o plantio das batatas, agora, de forma agroecológica. Hoje, aproximadamente 25 famílias agricultoras já trabalham com esse cultivo, incluindo William e Valéria, mencionados acima.</p>
<p>Entre as iniciativas para resgatar o cultivo das batatas é a implementação de uma unidade frigorífica no Banco Mãe de Sementes, no município de Lagoa Seca, que possibilita que os agricultores armazenem suas batatinhas sementes para o próximo período de plantio. O estímulo da produção possui a articulação dos sindicatos do Polo, da AS-PTA, do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e de outras organizações parceiras.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">As mulheres agricultoras na disputa eleitoral</h3>



<p>A articulação sindical do Polo da Borborema tem sido essencial para as conquistas dos agricultores e agricultoras da região, conhecida pelas lutas sociais conduzidas por Margarida Maria Alves, liderança assassinada por fazendeiros em 1983. Nestas eleições, várias mulheres agricultoras, com atuação como sindicalistas, tentam se eleger para as câmaras de vereadores dos seus municípios com o objetivo de defender e fortalecer os princípios da agricultura familiar e agroecológica. </p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/sementes-7-marizelda.jpg" alt="" class="wp-image-66354 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Em Esperança, Marizelda Salviano (foto à esq.) foi vice-presidente do sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agriculturas Familiares, mas se afastou do cargo para pleitear uma vaga como vereadora filiada ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Com um histórico de militância, Marizelda iniciou sua trajetória nos movimentos sociais e, há 14 anos, é uma das principais lideranças entre os agricultores da região.</p>
</div></div>



<p>&#8220;A gente vai estar na câmara pelos agricultores para trabalhar na região da Borborema pela agroecologia, com o movimento de mulheres, para travar o debate pelo não uso de transgênicos e do não uso do veneno. Eles que plantam e colhem e muitas vezes não têm como vender. É uma luta nossa quando a gente olha para o todo, quando o governo não favorece as sementes crioulas&#8221;, afirma.</p>



<p>Se for eleita, uma das suas propostas é criar em Esperança uma lei semelhante a de Lagoa Seca e Montadas, para que os agricultores tenham as sementes das paixões preservadas e valorizadas para garantir a soberania e segurança alimentar no município. &#8220;É garantir que essas sementes sejam preservadas, mas também identificar como levar esses alimentos para a mesa das famílias e para a merenda escolar&#8221;, assegura Marizelda. </p>



<p>Segundo a candidata, hoje o município tem aproximadamente 35% da merenda escolar oriunda da agricultura familiar. Uma de suas metas é chegar aos 100%, garantindo a alimentação saudável das crianças e adolescentes do município. Também há a intenção de levar os alimentos dos produtores locais para os outros equipamentos públicos que, de alguma forma, distribuem alimentos. </p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:29% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/10/sementes-1-Ana-Paula.jpg" alt="" class="wp-image-66358 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Não muito distante de Esperança, a sindicalista Ana Paula Cândido (foto à dir.), também está na corrida por uma vaga na câmara de Queimadas pelo PP. A base da sua campanha se estrutura na valorização de projetos voltados para o homem, a mulher do campo e a juventude rural. Uma das propostas é que os agricultores possam produzir suas sementes com destino certo, sendo compradas pela secretaria de agricultura e distribuídas nos bancos de sementes comunitários que já existem.</p>
</div></div>



<p>&#8220;E com esse projeto, a economia vai girar dentro do nosso município, onde os agricultores vão produzir, vão ter recurso em dinheiro, mas também os outros agricultores vão ser beneficiados com as sementes de boa qualidade para o plantio, para a própria alimentação dos animais&#8221;, afirma Ana Paula. Segundo ela, o sindicato dos trabalhadores rurais já tentou emplacar este projeto na câmara municipal com os atuais vereadores, mas não obteve sucesso. </p>



<p>Para fortalecer ainda mais a comercialização dos produtos oriundos da agricultura familiar, Paula também fala da certificação a partir do selo SIM, o Serviço de Inspeção Municipal. &#8220;Que a gente possa produzir os nossos alimentos, as polpas, os derivados, mas que a gente possa colocar na merenda escolar, mas a gente tem uma dificuldade dentro do município&#8221;, reforça. Para as áreas rurais, a candidatura também propõe o reflorestamento de áreas afetadas pelo desmatamento e políticas de cuidados para os animais dos agricultores com profissionais do próprio município. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/cirandas-da-borborema-o-que-prefeitos-podem-fazer-para-incentivar-jovens-a-permanecerem-no-campo/" class="titulo">Cirandas da Borborema: o que prefeitos podem fazer para incentivar jovens a permanecerem no campo</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/educacao/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Educação</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		

    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A equipe de reportagem visitou os territórios a partir do convite da Rede ATER NE e AS-PTA, que executam o <strong>Projeto Cultivando Futuros: transição agroecológica justa em sistemas alimentares do Semiárido brasileiro.</strong> A iniciativa também é desenvolvida na Alemanha pela agência de cooperação internacional Pão para o Mundo (Brot fur de Welt, nome em alemão). A ação tem financiamento do Ministério Federal da Alimentação e da Agricultura da Alemanha (BMEL, na sigla em alemão).</p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/sementes-crioulas-como-as-prefeituras-podem-ajudar-os-agricultores-a-produzirem-alimentos-saudaveis/">Sementes crioulas: como as prefeituras podem ajudar os agricultores a produzirem alimentos saudáveis</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Cirandas da Borborema: o que prefeitos podem fazer para incentivar jovens a permanecerem no campo</title>
		<link>https://marcozero.org/cirandas-da-borborema-o-que-prefeitos-podem-fazer-para-incentivar-jovens-a-permanecerem-no-campo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Sep 2024 23:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura Familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[convivência com o semiárido]]></category>
		<category><![CDATA[Polo da Borborema]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esperança (PB) &#8211; Com olhos e ouvidos atentos, as crianças da Escola Municipal Antônio Adelino dos Santos, na comunidade do Carrasco, zona rural de Esperança, município do agreste paraibano, esperavam com curiosidade para saber o que havia &#8220;do outro lado da janela&#8221;. Este foi o tema escolhido para ser trabalhado com as crianças filhas de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>A Marco Zero voltou ao semiárido nordestino. Desta vez, nossas equipes de repórteres foram à Paraíba e ao Rio Grande Norte conhecer iniciativas postas em práticas por parcerias entre o poder público municipal e organizações sociais que estão melhorando as condições de vida na região. Às vésperas das eleições municipais, essas experiências são exemplos de como prefeituras podem adotar projetos que nascem na esfera não governamental e ampliar tanto seus resultados quanto seu impacto na vida das pessoas.</strong></p>
    </div>



<p><strong>Esperança (PB) </strong>&#8211; Com olhos e ouvidos atentos, as crianças da Escola Municipal Antônio Adelino dos Santos, na comunidade do Carrasco, zona rural de Esperança, município do agreste paraibano, esperavam com curiosidade para saber o que havia &#8220;do outro lado da janela&#8221;. Este foi o tema escolhido para ser trabalhado com as crianças filhas de agricultores e agricultoras no projeto Cirandas da Borborema.</p>



<p>De forma lúdica e afetiva, o projeto inclui um processo de escuta e provoca reflexões sobre o território, a agricultura familiar e a agroecologia em 18 escolas das redes de ensino de 11 dos 13 municípios do Polo da Borborema, uma articulação de 13 sindicatos de trabalhadores rurais da região da serra da Borborema. Ao menos duas mil crianças de 50 comunidades estão integradas à iniciativa. </p>



<p>O Cirandas acontece há 22 anos a partir das parcerias realizadas entre a AS-PTA, organização não governamental que desenvolveu a metodologia, as comunidades, os sindicatos que compõem o Polo e as prefeituras dos municípios. É a principal estratégia em curso na região para fortalecer o pertencimento e aquilo que é chamado de sucessão rural, ou seja, a transferência para as novas gerações da responsabilidade sobre os sítios e pequenas fazendas das famílias.</p>



<p>“Nós precisamos escutar essas crianças, valorizá-las no lugar onde elas moram, as suas identidade, o saber que elas carregam. A agroecologia, esse contexto todo da agricultura familiar, é um grande instrumento de aprendizagem, a todo momento as crianças estão aprendendo”, afirma Maria Denise Pereira, coordenadora do núcleo de infância e educação da AS-PTA.</p>



<p>De maneira geral, as atividades das Cirandas ocorrem nas escolas, mas há casos em que são os salões de reunião das associações comunitárias que recebem as crianças. Quando envolve os adolescentes, que já estão no Ensino Médio em escolas estaduais, a Ciranda pode acontecer até mesmo na casa de algum deles. </p>



<p>De acordo com Maria Denise, o maior ou menor grau de envolvimento das prefeituras ao programa está vinculado ao relacionamento das gestões municipais com o respectivo sindicato rural. No caso de Esperança, a gestão do prefeito Nobson Almeida (PP) incorporou à Ciranda as atividades regulares da rede, dedicando uma semana letiva inteira dedicada ao tema escolhido. </p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Vovó Amorosa&#8221;</h2>



<p>Cada criança tem uma percepção diferente sobre a comunidade em que vive e se sente confortável em compartilhar com a Vovó Amorosa, principal personagem das Cirandas. Nessa partilha, Maria Cecília Duarte, de 10 anos, chamou a atenção pela consciência socioambiental ao responder o que desejaria ver do outro lado da janela mágica: um mundo sem poluição.</p>



<p>Filha de agricultores, sua mãe é Marizelda Duarte da Silva, uma das principais lideranças na luta que as mulheres da Borborema travam contra os abusos e desmatamento praticado pelas empresas de energia eólica. A menina demonstra ter clareza da importância de valorizar a sua comunidade para viver com dignidade, tema presente na comunidade onde vive. “Eu acho que tem que preservar e saber o que estão preservando, sentindo assim, como é bom você preservar onde você mora. Porque se você preservar onde você mora, você vai descobrir que pode continuar naquele lugar”, ressalta a menina.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-2.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-2.jpg" alt="O ambiente na imagem é uma sala de aula. As paredes estão decoradas com desenhos e obras de arte coloridas, incluindo representações de animais, paisagens e vários designs abstratos. A parte inferior das paredes é azul, enquanto a parte superior é branca, com vários desenhos infantis fixados. Há cadeiras vermelhas visíveis no primeiro plano, sugerindo uma área de assentos para alunos ou participantes. Na sala de aula estão duas pessoas. Uma mulher adulta jovem, parda, de cabelos pretos compridos, usando óculos, blusa preta e relógio dourado no pulso esquerdo. À sua frente, encostada em seu corpo está uma menina branca, de cabelos pretos lisos, usando blusa de uniforme escolar branca com mangas azuis e gola vermelha." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">A professora Luzia vê as Cirandas como fundamentais para a formação da filha Luíza
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A articulação para realizar as Cirandas também procura integrar os pais às atividades para que eles também possam enxergar a potência e os encantos da comunidade. “Eu fico muito encantada e emocionada também, porque eu acho que é algo único. Não são todas as escolas, eu acredito, que têm esse privilégio de ter todo esse acompanhamento, todos esses dias dinâmicos. Isso aqui é uma aula para eles, é uma aula lúdica e eu sou apaixonada pelo lúdico”, afirma Luzia de Cássia, professora e mãe de Luíza, de cinco anos.</p>



<p>“É uma forma de mostrar para minha filha o quão especial é o lugar que a gente mora. Então é uma forma dela ver o quão lindo é. E não só ela, mas nós como os pais aprendemos também, aqui na escola eu acabei aprendendo a importância de não desmatar, da plantação e tudo mais”,reforça. A professora veio de São Paulo acompanhada dos pais para morar no Sítio Carrasco há 10 anos. Casou-se, construiu família, trabalha na comunidade em que mora e não pensa em sair do lugar.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O papel das prefeituras</h2>



<p>Nas primeiras edições das Cirandas, as atividades aconteciam em associações, casas de lideranças comunitárias, embaixo de árvores, onde fosse possível. Mas o entusiasmo das crianças e o envolvimento das professoras e professores fortaleceram as Cirandas a ponto da AS-PTA apostar nas parcerias com os sindicatos e as prefeituras.</p>



<p>Em Esperança, duas das 17 escolas rurais recebem o projeto. Estas instituições já costumam trabalhar a partir do conceito de educação contextualizada à realidade rural, portanto o projeto reforça a dinâmica já existente. De acordo com a equipe da organização não governamental, a parceria ressaltou como as gestões municipais podem ajudar a fortalecer o pertencimento de seus estudantes nos territórios em que vivem, contrariando a lógica enraizada de que eles precisam sair da comunidade para se desenvolverem.</p>



<p>“As escolas rurais, além de trabalhar a valorização do lugar onde as crianças vivem, incorporam outros projetos que ressaltam a riqueza natural do território, valorizando o contexto de vivência das famílias dentro de uma dinâmica, inclusiva e inovadora, com práticas educativas que utilizam material concreto de acordo com a comunidade”, afirma Veridiana da Costa Duarte, coordenadora das escolas do campo do município.</p>



<p>Para que o trabalho seja desenvolvido, ocorre uma série de reflexões a partir do que já está previsto para ser trabalhado pelas instituições municipais. As discussões e o planejamento acontecem primeiro no âmbito do território, afunilando depois para o que será executado em cada município, envolvendo profissionais da educação, representantes das comunidades, dos sindicatos e a própria equipe da AS-PTA.  Desse debate sai a definição das atividades, das abordagens e das temáticas que vão ser trabalhadas no ano, divididas em dois semestres.</p>



<p>“Com as crianças a gente faz toda a questão das experiências, elabora as atividades com eles para que eles possam desenvolver essas atividades e se apropriarem do tema, para que, no dia da Ciranda, eles possam fazer as apresentações”, afirma Jéssica da Silva, professora do ensino fundamental. “Nessa parceria a gente consegue fazer um trabalho que esteja de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que é o documento que rege a educação, mas que também traga as vivências deles para dentro da sala de aula”, reforça.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Amigo da agricultura familiar </span>

		<p>O projeto também possui um sistema de vínculo solidário, em parceria com a organização internacional ActionAid, que acompanha o desenvolvimento das crianças assistidas pelas Cirandas e apresenta o contato com o <strong>Amigo da Agricultura Familiar</strong>, como é chamado o doador, através de cartas e desenhos. São quase mil crianças acompanhadas na parceria, que vai da infância até a juventude. Esta é uma maneira de apresentar a efetividade do projeto, como as crianças estão bem e têm se percebido nesse processo de formação e valorização dos filhos e filhas do campo.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Infância inspirada, juventude ativa</h3>



<p>Um dos articuladores do núcleo de educação da AS-PTA é Matheus Silva, jovem de 25 anos que foi cirandeiro &#8211; expressão usada para as crianças que participam do projeto &#8211; e hoje é considerado uma jovem liderança da comunidade e do sindicato do município. Matheus é uma das pessoas que visita os adolescentes para compreender como estão suas dinâmicas no território, os ajudando a olhar para a comunidade de uma maneira diferente, focando na perspectiva de viverem por meio da agricultura familiar.</p>



<p>Quando as crianças saem da escola do campo, avançando nos anos escolares, e vão para a cidade, o trabalho passa a ser desenvolvido de forma diferente. Se, quando pequenos, se encantam com as atividades lúdicas, ao chegar na adolescência tendem a olhar para o mundo com outros desejos. Desta forma o acompanhamento passa a ser feito pelo núcleo de Juventudes da organização.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-3.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-3.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-3.jpg" alt="A imagem mostra uma sala de aula com várias crianças e alguns adultos. As crianças estão usando uniformes combinando, com camisas brancas e calças ou saias azul-marinho. Elas estão sentadas em cadeiras vermelhas dispostas em fileiras, com as mãos levantadas, como se estivessem respondendo a uma pergunta ou se voluntariando para uma atividade. No primeiro plano, uma criança está de pé com os braços levantados. Um adulto está ajoelhado no chão em frente a essa criança, fazendo um sinal de paz com a mão. Outros adultos estão ao fundo da sala, alguns também com as mãos levantadas. As paredes estão decoradas com pôsteres educativos coloridos e trabalhos artísticos." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Matheus (à esq.) participou do projeto quando criança, agora faz parte da coordenação
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>“Hoje eu sou considerado um jovem referência para o território através da Ciranda. Começou lá aquele despertar que a equipe tanto fala. Eu ia cirandar na comunidade de Água Seca, um pouco mais acima da minha. Foi lá que surgiu aquele despertar, que eu me vi como agricultor mesmo. Vi que só eu poderia fazer diferente, eu não poderia deixar para o próximo. Eu tinha que mudar, falar e ser a voz ativa”, relembra Matheus.</p>



<p>Mas este despertar não ocorre apenas para as crianças, foi em uma das atividades que Edson Johnny, de 28 anos, atualmente dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais  e Agricultores e Agricultoras Familiares de Esperança, se encantou pelo trabalho de articulação do território. À época, era estudante de Pedagogia e estagiário em uma escola do campo, mas foi só se participar das reuniões de planejamento das Cirandas para encontrar seu espaço na luta pela defesa da agricultura familiar e agroecologia.</p>



<p>“A partir daí, eu passo por todo um processo de formação para entender o que é o movimento, o que é o sindicato, o que é a luta, para que eu possa, junto, atuar nas comunidades e, na condição de jovem, discutir com agricultores, de chegar em uma comunidade e reunir, articular, de mobilizar os agricultores. Tudo isso é motivo de muito orgulho”, enfatiza Johnny.</p>



<p>Hoje, além da atuação sindical, o jovem é estudante de Agronomia, compondo também a comissão executiva do Movimento de Juventudes do Polo da Borborema, além de fazer parte da rede de juventudes da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-4.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-4.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/09/Cirandas-4.jpg" alt="A imagem mostra uma cena interna onde uma pessoa, de costas para a câmera, está falando para um grupo de pessoas sentadas. A pessoa está em pé em frente a uma estrutura de madeira que se assemelha a uma porta, pintada de laranja, que emoldura a visão para a audiência. A sala tem paredes brancas decoradas com vários pôsteres e desenhos coloridos. As pessoas sentadas estão voltadas para a pessoa em pé, sugerindo que estão atentas, possivelmente participando de uma palestra ou apresentação." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dia da apresentação do projeto é marcante na vida das escolas da Borborema
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p></p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>A equipe de reportagem visitou os territórios a partir do convite da Rede ATER NE e AS-PTA, que executam o <strong>Projeto Cultivando Futuros: transição agroecológica justa em sistemas alimentares do Semiárido brasileiro.</strong> A iniciativa também é desenvolvida na Alemanha pela agência de cooperação internacional Pão para o Mundo (Brot fur de Welt, nome em alemão). A ação tem financiamento do Ministério Federal da Alimentação e da Agricultura da Alemanha (BMEL, na sigla em alemão).</p>
    </div>
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		<title>Como garantir direitos através das hortas comunitárias?</title>
		<link>https://marcozero.org/como-garantir-direitos-atraves-das-hortas-comunitarias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jul 2024 13:35:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura urbana]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[hortas comunitárias]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório das Metrópoles]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Felipe Jardim* O sistema alimentar global enfrenta diversos desafios em toda a sua cadeia, desde a produção até o gerenciamento de resíduos, o que exige uma profunda transformação em direção à sustentabilidade social, econômica e ambiental. Essa mudança envolve a redefinição de valores sociais, normas, práticas e conflitos da nossa relação com a natureza. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Felipe Jardim*</strong></p>



<p>O sistema alimentar global enfrenta diversos desafios em toda a sua cadeia, desde a produção até o gerenciamento de resíduos, o que exige uma profunda transformação em direção à sustentabilidade social, econômica e ambiental. Essa mudança envolve a redefinição de valores sociais, normas, práticas e conflitos da nossa relação com a natureza.</p>



<p>Neste sentido, os bens comuns urbanos surgem como uma das diferentes e promissoras alternativas para guiar a necessária transformação. Trata-se de um sistema de gestão sustentável dos recursos da cidade com foco no uso deles para benefício social, contrariando a lógica do uso apenas como mercadoria, com vantagens para poucos. Tal gestão é feita por um grupo de pessoas que compartilham objetivos, regras, interesses, trabalho, vantagens, responsabilidades, problemas, materiais etc. Um desses exemplos é feito pelas hortas comunitárias.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que são hortas comunitárias?</strong></h2>



<p>A agricultura urbana varia de acordo com o contexto social e legal de cada país. Dentre as múltiplas expressões estão, dentro e nas bordas das cidades, as hortas comunitárias, mas também os quintais produtivos, agricultura familiar e quilombola, fazendas verticais etc.</p>



<p>Com a variedade de formas, propósitos e produtos, não existe um conceito único de hortas comunitárias. Porém, em suma, elas apresentam componentes físicos e não-físicos dentro da lógica dos bens comuns. Os aspectos físicos incluem geralmente o espaço de cultivo e de compostagem, que pode ser em locais públicos ou privados, como calçadas, térreo ou terraços de áreas residenciais, prédios escolares e parques públicos. Também é interessante notar que o cultivo pode acontecer de forma vertical ou suspensa, especialmente quando não existe muito espaço disponível no solo.</p>



<p>Os elementos físicos, ainda, abarcam a construção (tendas para proteção e para descanso humano, estruturas para armazenamento e segurança dos materiais e produtos, área social para conversas, tomada de decisões ou cursos, banheiro seco e, por vezes, cozinhas comunitárias) e os materiais de cultivo (sol, água, ferramentas, sementes, adubos e pesticidas naturais que promovem a produção de alimentos agroecológicos, ou seja, sem uso de agrotóxicos e com respeito à natureza).</p>



<p>Já os componentes não-físicos dizem respeito à mão de obra, fundos, autorizações de construção, conhecimento, ancestralidade, treinamento e redes de apoio. Sobre a mão de obra, ressalta-se que as hortas são frequentemente iniciadas por grupos auto-organizados de amadores e especialistas. O grupo é composto por voluntários e, por vezes, trabalhadores pagos pelo governo ou por organizações não governamentais. As pessoas envolvidas possuem perfis diversos, incluindo diferentes níveis de experiência em agricultura, renda, idade, gênero (com destaque para as mulheres), nível de escolaridade, cidade/estado/país de origem e etnias.</p>



<p>Quanto ao financiamento, os hortelões podem adotar variadas formas de captação de recursos para iniciar e manter a horta, como <em>crowdfunding</em> (“vaquinha online”), aluguel de lotes por meio de pequenas taxas (mais comum em casos fora do Brasil) ou contribuições monetárias feitas em cursos, workshops e eventos. Mesmo quando a horta é organizada como um negócio (costumeiramente, no Brasil, há um espaço de venda na própria horta, em feiras ou lojas, mas há casos internacionais de hortas com restaurante/café e outros equipamentos de geração de renda), ela ainda é sem fins lucrativos. Em alguns casos, há financiamento ou apoio técnico total ou parcial de governos, organizações não governamentais e empresas privadas.</p>



<p>Em relação aos produtos, as hortas comunitárias oferecem uma rica variedade alimentícia, desde legumes e frutas até Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANCs) e ervas aromáticas/medicinais. Em alguns exemplos, há pequenos animais de criação. Essa produção pode destinar-se ao consumo familiar, lazer, promoção da saúde, fins educativos e ao contexto de programas de desenvolvimento comunitário e integração social.</p>



<p>As hortas comunitárias vêm ganhando destaque global, inclusive como política pública, e representam novas formas de relação com o solo e o alimento da cidade. Comprovando tal afirmação, no exterior, chama a atenção os casos de Berlim, Alemanha, onde há hortas comunitárias em um <a href="https://www.allmende-kontor.de/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>antigo aeroporto</u></a> e em cemitérios <a href="https://www.instagram.com/prinzessinnengarten_kollektiv/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>totalmente</u></a> ou <a href="https://www.instagram.com/elisabeet_berlin/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>parcialmente</u></a> desativados.</p>



<p>Já no Brasil, dentre as capitais, são modelos expressivos as políticas públicas das prefeituras do <a href="https://100politicas.escolhas.org/estudo/programa-hortas-cariocas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Rio de Janeiro</u></a> (com <a href="https://sdgs.un.org/partnerships/hortas-cariocas-urban-green-gardens" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>reconhecimento</u></a> da Organização das Nações Unidas como modelo de desenvolvimento sustentável), de <a href="https://100politicas.escolhas.org/estudo/unidades-produtivas-da-agricultura-urbana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Belo Horizonte</a> e de <a href="https://100politicas.escolhas.org/estudo/programa-agricultura-urbana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Curitiba</u></a>.</p>



<p>No Recife, desde 2021, existe o <a href="https://100politicas.escolhas.org/estudo/programas-hortas-urbanas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Programa Hortas Urbanas</u></a>, de responsabilidade da Secretaria Executiva de Agricultura Urbana do poder municipal. Já o Governo do Estado de Pernambuco possui o <a href="https://portal.saude.pe.gov.br/programa/secretaria/programa-horta-em-todo-canto" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Programa Hortas em Todo Canto</u></a>, por meio da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan). O Governo Federal, por sua vez, apresenta, desde 2023, o <a href="https://www.gov.br/mda/pt-br/noticias/2023/09/governo-federal-cria-o-programa-nacional-de-agricultura-urbana-e-periurbana" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana</u></a>, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.</p>



<p>Tais iniciativas já eram importantes para enfrentar a situação de <a href="https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/wp-content/uploads/2023/01/Reforma-Urbana-e-Direito-a-Cidade_RECIFE-v1.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>insegurança alimentar e nutricional</u></a> pelo Brasil nos últimos anos, porém passaram a ter maior destaque no combate aos efeitos da pandemia de covid-19 (quando muitas pessoas perderam suas fontes de renda e, consequentemente, ficaram sem condições de comprar alimentos), conforme identificou o grupo de pesquisa Observatório das Metrópoles/UFPE em uma <a href="https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/wp-content/uploads/2023/01/Reforma-Urbana-e-Direito-a-Cidade_RECIFE-v1.pdf"><u>pesquisa sobre o Recife</u></a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">As hortas e a promoção de direitos</h2>



<p>As hortas comunitárias também possuem múltiplos benefícios e conexões com o Direito. Inicialmente, é fundamental citar, <a href="https://www.db-thueringen.de/servlets/MCRFileNodeServlet/dbt_derivate_00062555/Dissertation_FelipeJardimdaSilva.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>segundo recente pesquisa internacional</u></a>, a relação entre hortas comunitárias e o direito humano à alimentação adequadados membros da horta e/ou de outras pessoas, a exemplo de vizinhos, integrantes de escolas, creches, hospitais, asilos, presídios etc.</p>



<p>Tal relação pode ocorrer de diferentes formas. Uma delas é a possibilidade de acessofísico e econômico aos produtos frescos e de qualidade, que são essenciais para combater a insegurança alimentar entre diversos grupos sociais vulneráveis, como mulheres, estudantes e idosos. Por conseguinte, elas contribuem para a manutenção da vida com qualidade e da saúde (direito humano à vida, direito humano à saúde e direito humano ao padrão adequado de vida).</p>



<p>Além disso, as hortas também podem combater a falta de disponibilidade de alimentos saudáveis (desertos alimentares), especialmente em bairros pobres, periféricos e de maior presença da população preta e parda. Por exemplo, no Recife, <a href="https://www2.recife.pe.gov.br/servico/feiras-e-pontos-agroecologicos" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>as feiras e os pontos agroecológicos</u></a>, que representam o acesso aos produtos saudáveis e sem agrotóxicos perto de casa, não estão presentes em todos os bairros. Assim, as hortas têm o potencial de lutar não só contra o racismo ambiental (ao aumentar os espaços verdes e de contato com a natureza), mas também o racismo alimentar, dois fenômenos que violam o direito humano à igualdade.</p>



<p>As hortas comunitárias também são importantes para a promoção da aceitabilidade cultural dos alimentos, proporcionando oportunidades de educação alimentar/ambiental (direito humano à educação e direito humano à informação) e troca cultural (direito humano à liberdade de participação na vida cultural da comunidade), incluindo aprendizado e prática de nutrição, como coproduzir alimentos, identificação de locais para coleta de alimentos, troca de sementes, preservação e transferência de conhecimento. Além do mais, a produção de alimentos agroecológicos (sem uso de produtos químicos artificiais, fertilizantes, pesticidas etc.) faz parte da aceitabilidade.</p>



<p>Neste sentido, destaca-se a <a href="https://marcozero.org/recife-tera-primeira-escola-de-agricultura-urbana-para-mulheres-da-periferia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>Escola Marias – Mulheres e Agricultoras Urbanas na Região Metropolitana do Recife</u></a>. Outra iniciativa desse tipo, o Centro Sabiá, semeando a mudança através da agroecologia, recebe um impulso fundamental com o financiamento do Programa Nacional de Agricultura Urbana do Governo Federal. Esse apoio, fruto de uma emenda parlamentar, fortalece ainda mais a iniciativa. Mas o Centro Sabiá não trilha esse caminho sozinho. Ao seu lado, estão parceiros valiosos: o Núcleo de Agroecologia e Campesinato da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Movimento dos Trabalhadores/as Sem-Teto (MTST). Juntos, formam uma rede de expertise e engajamento, impulsionando a causa da agricultura sustentável, do desenvolvimento social e do empoderamento ao capacitar 100 mulheres que já dedicam seus esforços à agricultura urbana e periurbana com base em princípios agroecológicos nas comunidades periféricas do Grande Recife.</p>



<p>Indo adiante, existe a contribuição das hortas comunitárias para a sustentabilidadealimentar em três dimensões. Em primeiro lugar, em termos ambientais, elas podem ter impactos positivos sobre a biodiversidade, apoiando os ecossistemas locais. Inclusive, ao aumentar o escoamento de águas das chuvas, as hortas tornam-se pontos locais de diminuição dos impactos das mudanças climáticas. Elas também oferecem uma solução prática para diversos desafios dentro do sistema agroalimentar, incluindo produção, distribuição e gestão de resíduos. Ao promover a produção e consumo de alimentos locais, as hortas contribuem para reduzir a dependência do transporte de longa distância e diminuir os impactos ambientais associados à distribuição de alimentos. Somado ao contato com a natureza, tais fatores relacionam-se com o direito humano ao meio ambiente equilibrado.</p>



<p>Em segundo lugar, em termos econômicos, elas podem contribuir para o abastecimento dos mercados locais e criar oportunidades de geração de renda por meio do trabalho social/administrativo e venda direta ou indireta (receitas) de produtos da horta, relacionando-se com o direito humano ao trabalho. Isso pode representar a redução das disparidades socioeconômicas.</p>



<p>Em terceiro lugar, em termos <em>sociais</em>, as hortas comunitárias podem melhorar a equidade social e a justiça ao fornecer acesso igualitário a alimentos nutritivos para comunidades marginalizadas e ao promover abordagens inclusivas e participativas para o desenvolvimento sustentável. Outros sentidos são o de promoção da organização coletiva (direito humano à liberdade de reunião e associação pacífica), com destaque especial para os <a href="https://marcozero.org/nas%20hortas-comunitarias-mulheres-produzem-alimentos-saudaveis-em-areas-urbanas-do-grande%20recife/)%20(https://marcozero.org/projeto-cria-hortas-comunitarias-e-quintais-produtivos-em%20%20terrenos-baldios-do-grande-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>grupos de mulheres no Grande Recife</u></a>, e de integração social de pessoas com diferentes origens (direto humano à socialização e direito humano à não-discriminação), além da oferta de opção de lazer e relaxamento (direito humano ao lazer). Isso tem especial significado a novos moradores de uma área e para abrir espaço à preservação da memória de pessoas vindas de outros locais (direito humano de liberdade de locomoção e residência e direito à memória).</p>



<p>Outra vantagem das hortas comunitárias é o potencial de transformar espaços urbanos por meio da ocupação e regeneração de terrenos ociosos (áreas subutilizadas, não utilizadas ou não construídas), situação <a href="https://marcozero.org/projeto-cria-hortas%20comunitarias-e-quintais-produtivos-em-terrenos-baldios-do-grande-recife/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>já noticiada pela Marco Zero Conteúdo</u></a> no Grande Recife. Por meio disso, ocorre a concretização do direito à cidade, considerando a perspectiva de decisão pelos cidadãos de qual cidade será construída dentro do Estado Democrático de Direito (direito humano à liberdade de opinião e expressão; e direito humano à autodeterminação), e o direito de se moldar individualmente e coletivamente enquanto ser humano (com direitos e deveres) a partir da experiência urbana (direito humano ao desenvolvimento da personalidade).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/horta-2-felipe-jardim-a7.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/horta-2-felipe-jardim-a7.jpg" alt="A foto retrata uma cena de destruição na horta do Jiquiá. Há uma estrutura parcialmente colapsada com vigas de madeira expostas e um telhado de metal ondulado, parte do qual caiu ao chão. A área circundante está repleta de destroços, incluindo pedaços quebrados do telhado de metal, tijolos e outros escombros não identificáveis. Um grande banner roxo com texto em amarelo e branco sinalizando o Sítio agroecológico urbano margaridas está entre os destroços." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Horta comunitária destruída por homens armados no bairro do Jiquiá, Recife
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading">Os desafios para as hortas</h3>



<p>Apesar dos benefícios listados acima, algumas hortas comunitárias acabam sendo temporárias, com estruturas que são voluntariamente ou forçadamente removidas ou danificadas, atingindo não só o alimento e os direitos já listados, mas também o afeto, a dedicação, as memórias e as relações sociais de amizade ali construídas.</p>



<p>Neste sentido, recentemente foi denunciado o caso de que uma <a href="https://marcozero.org/homens-encapuzados-destroem-horta%20%20comunitaria-apoiada-pela-prefeitura-do-recife-no-jiquia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>horta comunitária apoiada pela Prefeitura do Recife, no Jiquiá, foi destruída</u></a>. A disputa no Sítio Agroecológico Margaridas, da Ocupação Aliança com Cristo, integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), se dá em razão de uma suposta propriedade do solo. Especificamente no referido caso, a <a href="https://www.instagram.com/p/C9J-iDmOvva/?img_index=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>ameaça de morte à Elisângela da Silva</u></a>, coordenadora do MTST e moradora da Ocupação Aliança com Cristo, ainda representa perigo ao direito à vida, à paz, à segurança pessoal, ao acesso à terra e aos recursos naturais, à liberdade e à manutenção dos direitos humanos. Visto isso, espera-se ação urgente das autoridades públicas nesse caso, além de vigilância contínua em outras hortas comunitárias para que futuras ocorrências desse tipo não venham a acontecer.</p>



<p>No entanto, esta não é a única barreira para que as hortas comunitárias cumpram o papel de promotoras de direitos. Na verdade, a criação, organização, desenvolvimento e manutenção de uma horta comunitária pode passar por diversos desafios, que podem ser organizados nos seguintes tópicos:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Restrições legais e institucionais, vieses socioculturais e descrença: </strong>incluem questões sociais, legais e políticas, como a falta de reconhecimento dos benefícios; a proibição por lei de atividades agrícolas em áreas urbanas; a falta de segurança na posse da terra (como o caso citado acima); a baixa visibilidade na agenda dos tomadores de decisão política/administrativa e a perda de território para o mercado imobiliário, para interesses políticos (para construir outras instalações que garantem maior visibilidade), para interesses privados (cercamento de área pública por vizinhos) ou para <a href="https://globoplay.globo.com/v/10992135/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><u>agentes criminosos</u></a>;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Acesso limitado aos recursos, insumos e meios financeiros: </strong>abrangem conflitos naturais, políticos, burocráticos e econômicos, como a competição com outros usos da terra e o acesso limitado à água, sementes e ferramentas, além de problemas relacionados à manutenção financeira e, mais comum em casos fora do Brasil, com altos valores de caução para acesso à terra;</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Riscos específicos do cultivo em áreas urbanas: </strong>abarcam limitações sociais e naturais, por exemplo, a contaminação dos alimentos por causa da poluição do ar, do solo e da água (emissões de substâncias tóxicas por veículos automotores, falta de saneamento básico etc.), vandalismo e gentrificação (processo socioespacial de segregação caracterizado pela valorização acentuada de uma área urbana);</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Problemas com a organização e com recursos humanos: </strong>abarcam casos de dificuldades em estabelecer redes de apoio para produção e venda, carência de dados para formular políticas públicas e falta de conhecimento sobre a agricultura agroecológica, a gestão da horta, a segurança sanitária e a coleta, a manipulação e a embalagem dos produtos.</li>
</ul>



<p>Tais questões são obstáculos para os benefícios e direitos sociais, econômicos e ambientais que as hortas comunitárias podem oferecer. Diante disso, é essencial discutir com o Poder Público futuras políticas para proteger e promover as hortas comunitárias, tendo em vista que ele é o principal responsável pelas estruturas legais e institucionais das dinâmicas urbanas, especialmente na esfera de governo local.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Propostas para enfrentar os desafios</strong></h3>



<p><strong>Para combater as restrições legais e institucionais, vieses socioculturais e descrença:</strong></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Inclusão de hortas comunitárias em planos e regulamentações urbanísticas, como o Plano Diretor, Lei de Uso e Ocupação do Solo etc., para reconhecimento legal das hortas comunitárias como áreas comuns urbanas;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Participação da comunidade na tomada de decisões sobre desenvolvimento urbano;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Identificação de espaços e apoio na transformação de terrenos ociosos em espaços para hortas comunitárias;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Reconhecimento dos direitos trabalhistas e previdenciários dos agricultores urbanos;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Promoção da agroecologia e certificação da produção orgânica;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>6. </span>Criação de órgãos públicos especializados em agricultura urbana;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>7. </span>Apoio à colaboração entre diferentes atores envolvidos em hortas comunitárias, como ONGs, órgãos de assistência técnica, movimentos sociais etc</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>8. </span>Monitoramento e avaliação do impacto social, econômico e ambiental das hortas comunitárias;  Campanhas de conscientização pública sobre os benefícios das hortas comunitárias</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>9. </span>Promoção da inclusão social e da diversidade nas hortas comunitárias</p>
            </div>
            </div>



<p><strong>Para combater o acesso limitado aos recursos, insumos e meios financeiros:</strong></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Garantia de acesso à terra, água e eletricidade para as hortas comunitárias;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Incentivo à troca de sementes e compostagem;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Promoção de práticas agrícolas sustentáveis;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Criação de mecanismos de financiamento para hortas comunitárias.</p>
            </div>
            </div>



<p><strong>Para combater os riscos específicos do cultivo em áreas urbanas:</strong></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Estabelecimento de diretrizes de segurança (não só das instalações para evitar furto de ferramentas, mas também na questão sanitária, hidráulica, elétrica etc.) e qualidade dos produtos para as hortas comunitárias;</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Desenvolvimento de análise de qualidade dos recursos naturais (solo, ar, água, iluminação solar, sementes etc);</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Promoção de pesquisa e inovação para mitigar riscos.</p>
            </div>
            </div>



<p><strong>Para combater os problemas com a organização e com recursos humanos:</strong></p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>Oferta de programas de treinamento em práticas agroecológicas e em manipulação de alimentos na coleta, armazenagem, embalagem, transporte e venda</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Incentivos financeiros para atrair mais hortelões, como o auxílio financeiro pagos pelo Programa Hortas Cariocas</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>Integrar a participação entre bancos de alimentos, cozinhas comunitárias e outras iniciativas de compartilhamento de alimentos. Além disso, as hortas comunitárias podem ser integradas à habitação (direito à moradia) e prover qualidade socioambiental, como na reurbanização de favelas e nas residências do Programa Minha Casa, Minha Vida &#8211; ilustrado pelo caso recifense do Conjunto Habitacional Ruy Frazão.</p>
            </div>
            </div>



<p>Caso as recomendações propostas sejam adotadas pelos tomadores de decisão, diversos cenários podem se desenrolar. Dentre eles, está o reconhecimento e a proteção das hortas comunitárias como valiosos espaços urbanos comuns, permitindo a sua operação dentro das leis de zoneamento e regulamentos de desenvolvimento. Esse reconhecimento pode fomentar a participação comunitária, concedendo aos participantes um senso de pertencimento e empoderando-os nos processos de tomada de decisão, além de promover o direito à cidade.</p>



<p>Também é válida a adoção de códigos legais que promovam a agroecologia e certifiquem que a produção orgânica pode alinhar as hortas comunitárias com os objetivos de sustentabilidade, garantindo estabilidade por meio da posse da terra a longo prazo. Ainda mais, a implementação de medidas poderia transformar terrenos baldios em espaços públicos de produção de alimentos, garantindo acesso à terra e promovendo a proteção ambiental por meio de práticas sustentáveis. Mecanismos de financiamento, como subsídios e bolsas, poderiam apoiar as hortas comunitárias, especialmente em áreas economicamente desfavorecidas, potencialmente atraindo mais hortelões e aumentando seu impacto. Fora isso, as medidas adotadas podem mitigar os riscos associados à agricultura urbana e incentivar a pesquisa e inovação para desenvolver soluções econômicas para segurança e controle de qualidade dentro das hortas comunitárias.</p>



<p>Indo além, os esforços para abordar dificuldades relacionadas aos recursos humanos poderiam resultar em desenvolvimento de capacidades por meio de programas de treinamento e assistência técnica, equipando os hortelões comunitários com as habilidades necessárias para um gerenciamento bem-sucedido da horta. Por fim, as políticas habitacionais, tanto em sua vertente de provisão de habitação de interesse social (Programa Minha Casa, Minha Vida) quanto nos processos de urbanização de favelas, deveriam potencializar a qualidade de vida de seus moradores ao integrar os direitos à moradia e à alimentação por meio das hortas comunitárias.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*<span style="color: #000000;"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Doutor em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e em Sociologia pela Friedrich-Schiller University Jena (Alemanha); mestre em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Integrante da Comunidade Interdisciplinar de Ação, Pesquisa e Aprendizagem (CIAPA/UFPE) e pesquisador do Observatório da Metrópoles (Núcleo Recife). </span></span></span> <strong><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Cont</span></span></span></strong><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>ato</strong>: felipejardim@outlook.com ou pelo <a href="https://www.instagram.com/felipejardim_fj/">Instagram. </a></span></span></p>
    </div>
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		<title>Homens encapuzados destroem horta comunitária apoiada pela Prefeitura do Recife no Jiquiá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jul 2024 18:35:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[horta comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Jiquiá]]></category>
		<category><![CDATA[MTST]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na madrugada desta sexta-feira, dia 5 de julho, um grupo de homens armados e encapuzados destruíram as cercas e quebraram telhas do espaço de uma horta comunitária que conta com apoio oficial da secretaria de Políticas Urbanas da Prefeitura do Recife. O ataque aconteceu na comunidade Aliança com Cristo, no bairro do Jiquiá, zona oeste [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na madrugada desta sexta-feira, dia 5 de julho, um grupo de homens armados e encapuzados destruíram as cercas e quebraram telhas do espaço de uma horta comunitária que conta com apoio oficial da secretaria de Políticas Urbanas da Prefeitura do Recife. O ataque aconteceu na comunidade Aliança com Cristo, no bairro do Jiquiá, zona oeste da capital pernambucana, onde as mulheres estão sendo capacitadas pela organização não governamental <a href="https://centrosabia.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro Sabiá </a>para se tornarem agricultoras urbanas.</p>



<p>Não é a primeira vez que a horta da rua Passo da Santa Cruz foi atacada. Em 2021, durante a pandemia, na primeira tentativa de se plantar verduras, legumes e frutas, dois policiais civis apareceram no local acompanhados de um homem que se dizia funcionário de um cartório. Eles intimidaram as donas de casa que pretendiam produzir alimentos no terreno baldio dizendo que a área tinha dono e que as elas teriam de sair dali.</p>



<p>Desta vez, a pressão começou há algumas semanas, quando os representantes do suposto proprietário do terreno, Delmiro Rodrigo Andrade da Cruz Gouveia, que é <a href="https://www.portodorecife.pe.gov.br/noticia-int.php?id=1683204214" target="_blank" rel="noreferrer noopener">presidente do Porto do Recife</a>, nomeado pela governadora Raquel Lyra, procuraram os gestores da prefeitura e apresentaram uma escritura e comprovantes de pagamento de IPTU que, em tese, comprovariam que a área teria sido arrematada em leilão por R$ 150 mil.</p>



<p>Os documentos surpreenderam a equipe da secretaria executiva de Agricultura Urbana. Durante vários meses, os técnicos da prefeitura fizeram um levantamento da situação fundiária do terreno e constataram que não havia de registro de propriedade no 7º Cartório de Imóveis, não havia cadastro no sistema do IPTU e também não foram encontrados registros do imóvel no Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Então, a secretaria decidiu apoiar a horta comunitária por entender que se tratava de área pública.</p>



<p>Desde então, o Centro Sabiá passou a ministrar cursos para as mulheres, enquanto outra respeitada organização, o <a href="https://serta.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta)</a>, pretendia trazer seus alunos de agroecologia para ajudar a preparar o terreno e iniciar as plantações. “Garantimos R$ 50 mil para comprar equipamentos ao ganhar um edital do <a href="https://casa.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundo Casa Ambiental</a>”, explicou a íder comunitária Elisângela de Jesus.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Jiquia-1.jpg" alt="Grupo de 20 pessoas, a maioria delas mulheres vestindo camisetas verdes, posando para fotografia ao ar livre em um ambiente rural, com vegetaão densa ao fundo." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Mulheres da comunidade estão fazendo cursos de agroecologia
</p>
	                
                                            <span> Crédito: Divulgação</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Ataque anunciado</h2>



<p>Até terça-feira, as tratativas estavam acontecendo entre a gestão municipal e o suposto proprietário, mas tudo mudou quando um homem chamado Carlos e é pago para “vigiar” o terreno procurou Elisângela. “Ele bateu aqui na minha casa e avisou que a turma do dono do terreno iria vir na sexta-feira para tirar tudo de lá”, conta a moradora, que é mais conhecida como Janja e é ligada ao Movimentos Trabalhadores Sem Teto (MTST).</p>



<p>Janja havia mobilizado as mulheres da Aliança com Cristo para resistir à investida. Mas, horas antes, a quadrilha de encapuzados apareceu. “Vieram me acordar aqui em casa para avisar, eu corri pra lá com o celular já filmando, mas quando cheguei perto, um deles atirou e vieram pra cima de mim. Uma vizinha abriu a porta da casa e me botou pra dentro. Eles ficaram chutando o portão, me xingando e dizendo que iam apagar a filmagem”.</p>



<p>Janja conta que ficou na casa da vizinha até amanhecer, quando pediu ajuda à prefeitura e às organizações que compõem a Articulação de Agricultura Urbana, entre elas as ONGs Fase, as mulheres da horta Dandara, de Olinda, o Movimento Negro Unificado (MNU) e a ex-deputada estadual Jô Cavalcanti, coordenadora do MTST.</p>



<p>À Marco Zero, o “vigia” Carlos garantiu que não tem nada a ver com o ataque. “Até passei mal quando vi as cercas no chão”, disse. O presidente do Porto do Recife, Delmiro Gouveia informou por meio de sua assessoria que estava “surpreso com a notícia”. Ele rambém disse que “não tem conhecimento de nada e muito menos concorda com qualquer tipo de violência. Ele também desconhece quem teria interesse em destruir a horta”.</p>



<p>A secretária-executiva de Agricultura Urbana, Adriana Barata Figueira, não deu respondeu às tentativas da Marco Zero de fazer contato para que explicasse como a gestão municipal irá atuar.</p>



<p>O advogado do Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social (Cendhec), Luiz Emmanuel, foi à rua  Passo da Santa Cruz, na manhã de ontem, e se comprometeu a pesquisar todos os processos judiciários nos quais o terreno é mencionado para identificar qual a real condição fundiária do imóvel. &#8220;Uma coisa chama a atenção: se a SPU informou à prefeitura que não tem qualquer registro do terreno, porque a escritura apresentada pelo homem que alega ser o dono informa o pagamento de um laudêmio à própria SPU?&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Jiquia-3-cerca.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/07/Jiquia-3-cerca.jpg" alt="A foto retrata uma cena ao ar livre de uma área inundada com água barrenta cobrindo o chão. Vários prédios estão dos dois lados da enchente, construídos com tijolos e outros materiais, indicando uma área residencial ou comercial. Uma tábua de madeira está colocada sobre o terreno enlameado, possivelmente servindo como uma passarela improvisada. No primeiro plano, uma cerca de metal com arame farpado está jogada no chão. Vegetação, incluindo capim alto e bananeiras, é visível no primeiro plano e no fundo, sugerindo que esta área pode ser propensa a inundações ou estar próxima de uma fonte de água. O céu está nublado, o que poderia implicar chuvas recentes ou iminentes." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Cercas e equipamentos foram comprados com recursos do Fundo Casa
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
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		<title>O Nordeste se reinventa para enfrentar o aquecimento global</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2024 15:27:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Solânea (PB) &#8211; &#8220;A vida aqui melhorou 100%. Economicamente nem se fala, mas melhorou mesmo porque estamos mais organizados e, agora, temos mais conhecimento da realidade&#8221;. A afirmação do agricultor Antônio José da Silva, conhecido pelos vizinhos como Antônio Cadete, de 61 anos, parece desconectada dos efeitos das mudanças climáticas no semiárido, a exemplo da [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-cover"><span aria-hidden="true" class="wp-block-cover__background has-background-dim"></span><div class="wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow">
<div class="wp-block-group is-vertical is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-76a81b31 wp-block-group-is-layout-flex">
<p>Por séculos, as únicas tragédias provocadas pelo clima no Brasil eram as &#8220;secas do Nordeste&#8221;, como diziam as manchetes dos jornais e os noticiários da televisão. As imagens de crianças famintas, migração em massa e gado morto construíram o estereótipo da região como um peso para o resto do país. As elites locais reforçavam esse estigma com seus líderes políticos sempre exigindo mais verbas do Governo Federal.</p>



<p>Por isso, soou assustadora a projeção de que o Nordeste brasileiro será uma das três regiões do planeta que mais irá sofrer com secas prolongadas e aumento do calor provocado pelo aquecimento global – as outras duas são o sul da Europa e da Austrália.</p>



<p>Os efeitos das mudanças climáticas já são percebidos, mas o cenário não é de tragédia. Para entender o que está acontecendo, entre o final de maio e os primeiros dias de junho, equipes da Marco Zero visitaram comunidades na Bahia, Ceará e Paraíba em parceria com a Rede de Assistência Técnica e Extensão Rural de Agroecologia (Rede Ater NE).</p>



<p>O resultado dessas viagens será apresentado na série de reportagens <strong><a href="https://marcozero.org/a-reinvencao-do-nordeste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A reinvenção do Nordeste</a></strong>. Nas próximas semanas vamos contar como a sociedade civil se articulou de maneira inédita na história do país para construir soluções capazes de, ao mesmo tempo, gerar renda, produzir alimentos e conservar o ambiente.</p>
</div>
</div></div>
</div></div>



<p></p>



<p></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:15% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="341" height="341" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/selo-2-3.png" alt="" class="wp-image-63506 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Solânea (PB) &#8211; </strong>&#8220;A vida aqui melhorou 100%. Economicamente nem se fala, mas melhorou mesmo porque estamos mais organizados e, agora, temos mais conhecimento da realidade&#8221;. A afirmação do agricultor Antônio José da Silva, conhecido pelos vizinhos como Antônio Cadete, de 61 anos, parece desconectada dos efeitos das mudanças climáticas no semiárido,</p>



<p></p>
</div></div>



<p>a exemplo da mais longa seca da sua história de 2012 a 2018; maior irregularidade das chuvas; calor até três graus acima da média histórica durante o verão e registro de um extenso território que passou para a condição de aridez.</p>



<p>Todos esses impactos no clima da região estão projetadas nos relatórios do IPCC, sigla em inglês do <a href="https://www.ipcc.ch/">Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas,</a> instância da Organização das Nações Unidas (ONU) que faz avaliações científicas sobre a mudança do clima.</p>



<p>Ao descrever as mudanças vividas pelos agricultores e agricultoras da comunidade onde vive,  no município de Solânea, na Paraíba, Antônio Cadete respalda aqueles que dizem que, ao contrário do que está acontecendo na maior parte do Brasil, <a href="https://outraspalavras.net/desigualdades-mundo/mudancas-climaticas-o-semiarido-saiu-na-frente/">o semiárido “saiu na frente”</a> no enfrentamento das mudanças climáticas. É o caso do ex-coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o músico e teólogo Roberto Malvezzi, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da própria CPT. Malvezzi crava que isso só foi possível graças &#8220;à sociedade civil que, em 20 ou 30 anos, fez aquilo que o Estado brasileiro não foi capaz de fazer em 500 anos&#8221;.</p>



<p>É bem verdade que o ponto de vista de Cadete não é aplicável integralmente à uma porção tão diversificada do território nacional, mas ajuda a traduzir os resultados de um processo que teve início na década de 1990, quando movimentos sociais e comunidades de agricultores abandonaram a lógica de “combate à seca”, que norteava as políticas públicas desde o Brasil Império, e a substituiu pelo paradigma da “convivência com o semiárido”. Essa expressão, aliás, foi usada pela primeira vez pelo economista Celso Furtado, em 1959, durante o processo de criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Solanea-Cadete-1.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Solanea-Cadete-1.jpg" alt="Foto de Antônio Cadete sentado em uma poltrona de couro preto na sala de estar de sua casa. Ele usa chapéu marrom , camisa cinza clara, calça cinza escura, pés descalços com a sandália junto à poltrona e está com a cabeça levemente inclinada para a direita. A sala tem paredes de cor creme e uma porta marrom à direita com a palavra “Jesus” escrita em letras decorativas. Ao lado dessa porta, há uma pequena janela gradeada. Na parede esquerda, há duas fotos emolduradas; uma retrata a Virgem Maria em um fundo azul e a outra não é claramente discernível devido ao reflexo, mas parece ser uma moldura com duas fotos. Abaixo dessas molduras, há uma rede de dormir pendurado em um gancho na parede à esquerda da imagem." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O paraibano Cadete acredita que o conhecimento é o motor das mudanças 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para conviver com o semiárido é preciso entender que as secas são eventos naturais, cíclicos, portanto não é possível &#8220;combatê-las&#8221;. A partir disso, se constrói uma nova relação do sertanejo com o ambiente natural, reduzindo a degradação e devastação da Caatinga, como explica o site da <a href="https://www.acaatinga.org.br/combater-a-seca-ou-conviver-com-o-semiarido-o-que-devemos-fazer/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Caatinga</a>, uma organização não governamental que administra uma reserva natural no sertão do Ceará.</p>



<p>Do ponto de vista dos governos, a convivência exige políticas públicas a partir de novos métodos. De acordo com o site da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (<a href="https://www.embrapa.br/portfolio/convivencia-com-a-seca-no-semiarido#:~:text=Coexistir%20com%20o%20fen%C3%B4meno%20da%20seca%2C,conservando%20as%20potencialidades%20dos%20recursos%20naturais.&amp;text=Coexistir%20com%20o%20fen%C3%B4meno,potencialidades%20dos%20recursos%20naturais.&amp;text=o%20fen%C3%B4meno%20da%20seca%2C,conservando%20as%20potencialidades%20dos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Embrapa</a>), é preciso entender o conceito &#8220;sob a ótica do desenvolvimento regional, transformando ameaças em oportunidades&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O tamanho do problema</h2>



<p>Cientistas e centros de pesquisas brasileiros sem vínculos com as Nações Unidas atestam repetidamente o que o IPCC projetou. Na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o meteorologista Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites <a href="https://lapismet.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(Lapis)</a> publicou artigo científico no <em><a href="https://lapismet.com.br/wp-content/uploads/2024/03/YJARE105142-final.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Journal of Arid Environments</a></em> com dados que alterariam o mapa do semiárido brasileiro. De acordo com Barbosa, 725 mil km<sup>2</sup>do semiárido brasileiro passaram da condição subúmida seca ou úmida para semiárido no intervalo de apenas três décadas, de 1990 a 2022: &#8220;isso significa que 55% da região agreste se tornou semiárida, com estiagens de cinco a seis meses por ano&#8221;.</p>



<p>O estudo de Barbosa sugere também que as terras áridas brasileiras são ainda mais vastas que os 5.700 km<sup>2</sup> no norte da Bahia, conforme anunciado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) no final do ano passado. Para o meteorologista da UFAL, &#8220;282 mil km<sup>2</sup>do semiárido brasileiro já se tornaram áridos. Isso corresponde a mais de 8% das terras da região que já enfrentam pelo menos 10 meses de estiagem&#8221;.</p>



<p>As conclusões de Barbosa não diferem muito dos <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/aquecimento-global-faz-surgir-primeira-zona-arida-e-expande-clima-semiarido-e-areas-secas-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">números do Inpe/Cemaden</a>, adotados como oficiais pelo governo brasileiro. Essas instituições consideram que o semiárido foi de 570 mil km<sup>2</sup> no período 1960-1990 para quase 800 mil km<sup>2</sup> entre 1990-2020, o equivalente a 9,4% do território nacional.</p>



<p>Quem atua na região, traduz o cenário com dados menos abrangentes, mas que refletem a realidade local.  O Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), organização não governamental fundada em 1990, uma das 12 que formam a Rede <a href="https://www.instagram.com/redeaterneagroecologia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ater Nordeste de Agroecologia</a>, acompanha as chuvas na região desde 1994. Usando dados da Embrapa Semiárido, constata a curva descendente da média anual de precipitação pluviométrica. É com essas informações que o IRPAA trabalha junto às famílias agricultoras do norte da Bahia, como se verá nessa série de reportagens.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/chuvas-em-Juazeiro-INFO.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/chuvas-em-Juazeiro-INFO.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/chuvas-em-Juazeiro-INFO.png" alt="A imagem é um gráfico de barras intitulado “A CHUVA ANUAL EM JUAZEIRO, BA (mm por ano)”. Ele mostra a quantidade de chuva em milímetros para diferentes anos. O eixo vertical à esquerda do gráfico varia de 0 a 1000 mm, aumentando em incrementos de 200 mm. O eixo horizontal na parte inferior lista os anos da esquerda para a direita, embora anos específicos não sejam visíveis nesta descrição. Cada ano tem uma barra vertical correspondente que representa a quantidade de chuva para aquele ano. As barras variam em altura, indicando flutuações na precipitação anual ao longo dos anos. Algumas barras são muito curtas, sugerindo pouca chuva, enquanto outras são muito mais altas, indicando maiores quantidades de precipitação. Essa imagem é relevante, pois fornece dados visuais sobre padrões climáticos e níveis de precipitação ao longo do tempo em Juazeiro, BA. A fonte dos dados é creditada na parte inferior: “Fonte: Embrapa Semiárido”." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>A partir de informações como essas, em março deste ano, a equipe do IRPAA publicou documento constatando que &#8220;aridez no Brasil não é novidade, pois desde 1992 o volume médio de chuvas é inferior<br>a 600 mm/ano, com evapotranspiração potencial na casa dos 3.000 mm/ano, o que lhe confere em determinados intervalos de tempo, índices de aridez inferior à 0,2 (categoria árida)&#8221;.</p>



<p>As estiagens recorrentes e prolongadas fragilizam a cobertura vegetal, o que acelera a degradação do solo e, em consequência, o processo de desertificação. O mestre em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (USP), Bruno Proença Pacheco Pimenta, calculou a perda de saúde da vegetação da caatinga e dos cultivos agrícolas da região, projetando cenários para os anos de 2040 e 2070. Em seu estudo, Pacheco Pimenta considerou o aumento da temperatura média da região e a ocorrência de secas extremas ou ocasionais.</p>



<p>Suas estimativas podem ser visualizadas nos mapas abaixo:<br></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Saude-Vegetal-INFO.png">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Saude-Vegetal-INFO.png">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Saude-Vegetal-INFO.png" alt="A imagem é uma representação gráfica do Índice de Saúde da Vegetação (VHI) para uma região semiárida. Ela mostra três mapas lado a lado: Média do índice VHI entre 2012 e 2018: O mapa à esquerda exibe o VHI médio para o período de 2012 a 2018. As cores variam do verde ao vermelho, indicando diferentes níveis de saúde da vegetação. Projeção do índice VHI para 2040: O mapa central projeta o VHI para o ano de 2040. Novamente, as cores representam a saúde da vegetação. Projeção do índice VHI para 2070: O mapa à direita projeta o VHI para 2070. Aqui, também, as cores indicam a saúde da vegetação. Cada mapa possui uma escala na parte superior, variando de 0 a 1000 km, e uma legenda à direita, provavelmente correspondendo aos valores do VHI. Abaixo de cada mapa, há um título específico. A fonte dessa imagem é Bruno Pacheco Pimenta." class="" loading="lazy" width="661">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><br>Combinação de fatores</h3>



<p>Será que, para enfrentar um fenômeno de dimensões planetárias, bastaria a aplicação do conceito de convivência para explicar a melhoria da vida das pessoas em centenas de comunidades? Não é só isso, como enfatiza Luciano Silveira, integrante do grupo gestor da Rede Ater NE: &#8220;´é uma combinação de fatores&#8221;. </p>



<p>Tornou-se lugar comum associar a adoção de tecnologias &#8220;alternativas&#8221;, principalmente as cisternas de placas, como chave para explicar a melhoria da qualidade de vida no semiárido. Silveira assegura que o fenômeno é mais complexo. &#8220;Passa pela biodiversidade do que é cultivado sem depender de perímetros irrigados, de sementes transgênicas ou de rebanhos geneticamente melhorado em condições artificiais. Passa também pelo conhecimento compartilhado, na contramão da apropriação privada dos recursos da natureza, pela democratização do acesso à terra e àgua e pela gestão coletiva de insumos e equipamentos&#8221;, explica.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Os conceitos de <strong>agricultura orgânica e agroecologia</strong> surgem entre os anos 1925 e 1930 com o botânico inglês Albert Howard, que trabalhou e pesquisou o tipo de agricultura praticada pelos camponeses na Índia, no qual ressaltava a importância da utilização da matéria orgânica e da manutenção da vida biológica do solo.</p>
<p>A agroecologia é prática agrícola que incorpora questões sociais, culturais, políticas, ambientais, éticas e energéticas. É um conceito que abrange todo o ecossistema, e não apenas a produção e o consumo de alimentos. Em oposição às monoculturas e ao emprego de transgênicos, dos fertilizantes industriais e dos agrotóxicos, a agroecologia tem como objetivo beneficiar a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável da sociedade e da natureza.</p>
        </div>
    </div>



<p>Silveira, que é um dos coordenadores da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, organização que atua na região da serra da Borborema, na Paraíba, reforça não ser novidade o fato de que a ecologia do semiárido estar condicionada ao clima. &#8220;A novidade é a exacerbação disso&#8221;, completa. Alinhado ao que diz Malvezzi, ele defende que a sociedade civil organizada soube valorizar a experiência e o conhecimento de quem vive na região. &#8220;Isso produziu um conjunto de inovações que potencializaram a capacidade de conviver com o semiárido&#8221;.</p>



<p>A construção de mais de um milhão de cisternas de placas de concreto criou, segundo Silveira e Malvezzi, uma malha hídrica descentralizada, democratizando o acesso à captação d&#8217;água, contrariando o paradigma das grandes obras decididas de cima para baixo. &#8220;Isso possibilitou que a sociedade se encontrasse com as potencialidades do bioma em um novo padrão de produção agrícola: a agroecologia&#8221;, explica o gestor da Rede Ater NE.</p>



<p>O paraibano Antônio Cadete, o agricultor de Solânea que deu a surpreendente resposta sobre a melhoria da vida em meio ao clima cada vez mais extremo, é enfático ao afirmar que o principal fator das mudanças não foi a cisterna: &#8220;Foi o conhecimento da natureza que, hoje, nós temos, a troca de experiências com outros agricultores. Os técnicos falavam em agroecologia, mas a gente achava que era uma coisa estranha e distante, mas aí entendemos que já fazia parte da nossa vida, que nossos pais e avós já conheciam&#8221;.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Juazeiro-Gogo.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Juazeiro-Gogo.jpg" alt="Foto de Roberto Malvezzi, um homem branco, idoso, de fartos cabelos brancos, usando camiseta cinza, de braços cruzados. Ele está em pé numa calçada à beira de um rio, com céu nublado ao fundo." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Roberto Malvezzi atribui mudanças à sociedade civil e movimentos sociais
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Malvezzi conta que, para chegar às cisternas, ao encontro com o bioma e ao reconhecimento dos saberes do povo da região, a sociedade avançou &#8220;na base de experiência e erro. Trouxeram algaroba do Peru nos anos 1940, criaram ema, bancos públicos financiaram fazendeiros que importaram gado europeu, até camelo tentaram introduzir. Foi quando os pesquisadores da Embrapa e das universidades disseram &#8216;peraí, temos que estudar a caatinga&#8217;.&#8221;</p>



<p>Para o assessor da CNBB, a contribuição da ciência precisa ser reconhecida. &#8220;A parte técnica foi importante porque era preciso entender como a caatinga sobrevive às secas? Como os animais da caatinga sobrevivem às secas? Você precisa aprender a se prevenir no tempo da chuva, ter água para o tempo que não vai ter chuva, produzir ração para o tempo da seca. Os povos que vivem no gelo têm desafios semelhantes, armazenando aquilo que se produz, guardando também para os animais sobreviverem&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Governo Federal anuncia conservação da caatinga</h3>



<p>A Marco Zero procurou os ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente para saber quais os planos do Governo Federal para a região. Até o momento de publicação desta reportagem de abertura da série especial, não houve resposta às nossas demandas. Se houver, publicaremos a seguir em outra matéria.</p>



<p>No entanto, no dia 10 de junho, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, esteve em Juazeiro, na Bahia, e em Petrolina, Pernambuco, na Missão Climática pela Caatinga para lançar uma campanha nacional de enfrentamento à desertificação em companhia do secretário-executivo da Convenção de Combate à Desertificação da ONU (UNCCD, na sigla em inglês), Ibrahim Thiaw.</p>



<p>Marina Silva disse que &#8220;as melhores políticas públicas vêm da sociedade, o programa Um Milhão de Cisternas veio da sociedade, o Sistema Únido de Saúde veio a sociedade, dos sanitaristas, as políticas ambientais vêm do movimento ambientalista e da academia&#8221;. </p>



<p>Durante o evento, o ministério reforçou as iniciativas do Governo Federal para a conservação e recuperação da Caatinga:</p>



    <div class="lista mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #EBEB01;">
        <span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block"></span>

                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>1. </span>O Fundo para o Meio Ambiente Global destinará R$ 30,2 milhões para o projeto Conecta Caatinga (gestão integrada da paisagem para o enfrentamento da mudança do clima).</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>2. </span>Fundo do Marco Global para a Biodiversidade aprovou R$ 50 milhões para o projeto &#8220;Arca: Áreas Protegidas da Caatinga&#8221; (expansão e consolidação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e o envolvimento das comunidades locais na Bahia, em Pernambuco e no Piauí).</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>3. </span>ICMBio, por sua vez, anunciou a seleção de 12 propostas prioritárias para criação de novas Unidades de Conservação até 2026. Estão em análise a ampliação do Parque Nacional da Serra das Confusões (PI), a Floresta Nacional de Açu (RN), o Refúgio de Vida Silvestre do Soldadinho do Araripe (CE). </p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>4. </span>Lançamento do livro Manejo Florestal da Caatinga, que consolida resultados de 40 anos de experimentação da sociedade civil e de pesquisadores com o manejo sustentável do bioma.</p>
            </div>
                    <div class="lista__item">
                <p class="m-0"><span>5. </span>Criação da Rede de Pesquisadoras e Pesquisadores no Combate à Desertificação e Mitigação das Secas, para apoiar a implementação da Política Nacional de Combate à Desertificação.</p>
            </div>
            </div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Curaca-Ze-Nosso-1.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Curaca-Ze-Nosso-1.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/06/Curaca-Ze-Nosso-1.jpg" alt="A imagem é uma vista aérea de uma paisagem rural. No centro, há um pequeno prédio com telhado vermelho, cercado por várias parcelas de terra com diferentes tipos de vegetação. Algumas parcelas têm fileiras organizadas, que podem ser cultivos, enquanto outras têm vegetação mais aleatória, possivelmente árvores ou arbustos. Também há duas estruturas circulares próximas ao prédio, que podem ser tanques de armazenamento ou silos. O solo é predominantemente marrom, sugerindo que pode ser solo seco ou um caminho de terra que leva ao redor do prédio. Essa imagem pode ser interessante pela perspectiva das práticas agrícolas rurais e do uso da terra." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Agroecologia ajuda a deixar no passado as imagens da miséria e da fome
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Leia todas as reportagens da série:</strong></li>
</ul>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/a-reinvencao-do-nordeste/" class="titulo">A reinvenção do Nordeste</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/semiarido/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Semiárido</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p><br><br><br></p>
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