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	<title>Arquivos aridez - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 16 Oct 2025 17:25:31 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos aridez - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<item>
		<title>Falta orçamento para conter a desertificação</title>
		<link>https://marcozero.org/falta-orcamento-para-conter-a-desertificacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Apr 2024 15:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[aridez]]></category>
		<category><![CDATA[COP-30]]></category>
		<category><![CDATA[desertificação]]></category>
		<category><![CDATA[mudança climática]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até o final de 2022, Alexandre Pires era coordenador da Articulação do Semiárido (ASA), a rede de mais de três mil ONGs, associações e sindicatos que construíram mais de 1 milhão de cisternas em pequenas propriedades da agricultura familiar. Sua experiência na região levou a ministra Marina Silva a convidá-lo para dirigir o departamento de [&#8230;]</p>
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<p>Até o final de 2022, Alexandre Pires era coordenador da Articulação do Semiárido (ASA), a rede de mais de três mil ONGs, associações e sindicatos que construíram mais de 1 milhão de cisternas em pequenas propriedades da agricultura familiar. Sua experiência na região levou a ministra Marina Silva a convidá-lo para dirigir o departamento de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA).</p>



<p>No final de fevereiro ele concluiu uma das tarefas prioritárias de sua diretoria para o primeiro semestre de 2024: a redação do decreto que recriou a Comissão Nacional de Combate à Desertificação, que, até o início deste, só existia no papel, baseada em uma <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Dnn/Dnn11701.htm">legislação de 2008</a>, época em que as mudanças climáticas eram vistas como uma possibilidade no futuro.</p>



<p>Segundo Pires, a Comissão só funcionou até 2016, pois no ano anterior foi promulgada a lei que criou a política nacional de combate à desertificação. Após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, os governos seguintes não adequaram a comissão à nova realidade.</p>



<p>“A comissão será paritária entre sociedade civil e governo, com representantes de ministérios, do Instituto Nacional do Semiárido, da Codesvasf, da Sudene [Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste] e de organizações da sociedade civil que atuem nas regiões susceptíveis à desertificação”, explicou Pires. No final de fevereiro, o presidente <a href="https://in.gov.br/web/dou/-/decreto-n-11.932-de-27-de-fevereiro-de-2024-545333246">Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto</a> com a nova composição Comissão.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Alexandre-Pires.jpg" alt="Foto de Alexandre Pires segurando um microfone e um papel com texto escrito, em frente a um grupo de pessoas sentadas. Ele é um homem branco, de barba bem cuidada e cabelos escuros curtos, usando óculos de aro preto. O ambiente parece ser uma sala de aula ou espaço de reunião com pôsteres nas paredes. As pessoas estão sentadas em cadeiras dispostas em filas, aparentemente ouvindo a fala de Pires. Há uma atmosfera de engajamento político ou educacional." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Alexandre Pires, do MMA, confirmou recriação da Comissão Nacional de Combate à Desertificação.</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>De acordo com o decreto, a comissão continuará sendo presidida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e “terá a participação de outras 11 pastas do governo federal, além de instituições, agências, bancos de desenvolvimento e entidades civis dos estados com áreas susceptíveis à desertificação”. Ao todo, serão 42 membros, com respectivos suplentes.</p>



<p>Além da Comissão recriada, Alexandre Pires espera que até o dia 17 de junho, Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação, o Ministério do Meio Ambiente apresente um novo <a href="https://www.gov.br/sudene/pt-br/assuntos/noticias/combate-a-desertificacao-e-efeitos-da-seca-tera-novo-instrumento-para-tratar-acoes-em-escala-federal">Plano de Ação Nacional de Combate à Desertificação</a>. “Estamos atrasados, admito, mas estou otimista. A última atualização desse plano ocorreu em 2004. Assim, será possível voltar a captar recursos no exterior”, acredita.</p>



<p>O maior desafio da diretoria conduzida por Pires não é, no entanto, de natureza jurídica ou burocrática. O problema é dinheiro.</p>



<p>Ele revela o exíguo orçamento sob sua responsabilidade: R$ 5 milhões (pouco mais de US$ 1 milhão) em 2023, valor que se repetirá para todo o ano de 2024. Para efeitos de comparação, cada deputado federal brasileiro tem direito a, sozinho, apresentar R$ 37,8 milhões (US$ 7,7 milhões) em emendas ao orçamento a ser executado pelo governo.</p>



<p><a></a> Sem orçamento, Pires busca alternativas. Ele contou que o Ministério do Meio Ambiente recebeu do governo Bolsonaro apenas R$ 7 milhões em dois fundos &#8211; o Fundo Nacional de Mudanças Climáticas e o Fundo Nacional de Meio Ambiente. Para otimizar os recursos, os técnicos do MMA lançaram um edital conjunto dos dois fundos. “Nós propusemos a criação de uma linha de atividades sobre desertificação, ou seja, para contemplar recursos para projetos focados na desertificação. Foram aprovados sete projetos, dos quais cinco são com essa temática”, explicou. As atividades desses projetos acontecerão no sertão do Pajeú, em Pernambuco, na região do São Francisco, na Bahia, e no Xingó, em Alagoas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">Tribunais de Contas confirmam omissão do poder público</span>

	    <p>Em fevereiro deste ano, os tribunais de contas (TCEs) de cinco estados nordestinos &#8211; <span style="color: #333333;">Ceará, </span><span style="color: #333333;">Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e S</span><span style="color: #333333;">ergipe – </span><span style="color: #333333;">concluíram uma <a href="https://tcepe.tc.br/internet/docs/tce/Auditoria-Operacional-Regional_230728_115940.pdf">auditoria conjunta</a> sobre as políticas de combate à desertificação </span><span style="color: #333333;">desenvolvidas pelo poder público</span><span style="color: #333333;">. </span><span style="color: #333333;">A conclusão dos auditores coincide com a de ambientalistas e agricultores da região: a velocidade da degradação aumentou, mas as ações das prefeituras, governos estaduais e do Governo Federal são insuficientes.</span></p>
<p align="left"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;"><span style="color: #333333;">Um dos resultados da auditoria foi a apresentação de u</span><span style="color: #000000;">ma série de recomendações aos gestores públicos de cada estado. Entre elas a inclusão </span><span style="color: #000000;">do tema na agenda do Consórcio Nordeste </span><span style="color: #000000;">e a implementação das políticas estaduais urgentes sobre o assunto.</span> </span></span></p>
<p align="left"><span style="color: #333333;"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">O relatório aponta que, à exceção do estado do Ceará, nenhum outro governo estadual faz o monitoramento </span></span></span><span style="color: #333333;"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">do avanço da desertificação em seus territórios. De acordo com o meteorologista Humberto Barb</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">osa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">Lapis</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">), da Universidade Federal de Alagoas, isso acontece em razão da omissão da legislação brasileira.</span></span></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000;">“<span style="font-family: Calibri, sans-serif;"><span style="font-size: medium;">A Constituição de 1988 protege a Amazônia, mas não ampliou essa proteção para outros biomas do país, como a caatinga, o pampa, a mata atlântica, ou o cerrado. A lei não exige que se faça esse monitoramento, a exemplo do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) realiza na floresta amazônica”, explicou Barbosa.</span></span></span></p>
    </div>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/os-desertos-do-sertao/" class="titulo">Os desertos do sertão</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do projeto <a href="https://reportfortheworld.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Report For The World</a> e da <a href="https://br.boell.org/pt-br/fundacao-0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundação Henrich Böll</a></strong></li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Um &#8220;caçador de água&#8221; nas terras áridas do norte da Bahia</title>
		<link>https://marcozero.org/um-cacador-de-agua-nas-terras-aridas-do-norte-da-bahia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Mar 2024 17:26:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[aridez]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[calor extremo]]></category>
		<category><![CDATA[desertificação]]></category>
		<category><![CDATA[mudança climática]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para muitos fazendeiros, agricultores familiares e reassentados pela Chesf, tanto do lado baiano quanto da margem pernambucana do rio São Francisco, a presença de “seu Né” em suas propriedades significa a esperança de matar a sede dos rebanhos e das plantas. Há quem mande carro com motorista até Brejo do Burgo, um povoado de pouco [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para muitos fazendeiros, agricultores familiares e reassentados pela Chesf, tanto do lado baiano quanto da margem pernambucana do rio São Francisco, a presença de “seu Né” em suas propriedades significa a esperança de matar a sede dos rebanhos e das plantas. Há quem mande carro com motorista até Brejo do Burgo, um povoado de pouco mais de 100 casas no município de Glória, só para apanhar e deixá-lo em casa, depois que ele faz o serviço: indicar o local certo onde escavar os poços e garantir água.</p>



<p>Seu Né é um “caçador de água”.</p>



<p>Há mais de seis décadas ele percorre os sertões com gravetos em forma de forquilha ou arames de metal torcidos no formato da letra “e” minúscula. Estes instrumentos simples, toscos até, bastam para que ele identifique quais os pontos, sob o solo da caatinga, onde há água suficiente para viabilizar uma lavoura. Ele tem o dom da radiestesia, a suposta habilidade de perceber o campo eletromagnético dos depósitos subterrâneos de água.</p>



<p>Usamos a palavra “suposta” porque <a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-funcionam-as-forquilhas-para-achar-agua/">a ciência não comprova se isso é realmente possível</a>. Mas quem contrata seu Né está mais interessado nos resultados práticos do que nas verdades científicas.</p>



<p>Seu nome completo é Manoel Batista da Silva e está com 89 anos. No entanto, mesmo em Brejo da Burgo, poucos o chamam dessa maneira.</p>



<p>Ele nos recebeu em seu sítio, a seis quilômetros do povoado, em pleno Raso da Catarina, uma planície arenosa no norte da Bahia onde caminhar é tão cansativo como na areia fofa da praia. Sozinho, cuidando de um rebanho de aproximadamente 50 cabeças de gado sob um sol do sertão, demonstra uma disposição para o trabalho braçal incompatível com sua idade. No entanto, ao saber que nossa intenção era entrevistá-lo, ele parou o que estava fazendo. O gosto pela conversa, este sim, é totalmente compatível com a de um idoso com muitas histórias para contar.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/seu-Ne-1-mao.jpg" alt="Nesta foto vê-se uma mão enrugada e suja segurando um bastão. A pessoa está vestindo uma roupa branca, que parece estar um pouco suja. O foco principal está na mão e no bastão, com o fundo desfocado. As unhas da pessoa estão curtas e parecem estar sujas. A textura da pele é visível, indicando trabalho árduo ou idade avançada." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Seu Né diz que seus nervos &#8220;sentem&#8221; a água no subsolo 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">100% de acerto</h2>



<p>“Posso até ter errado algum poço, mas nunca tomei conhecimento disso, não”, garante, sem nenhuma sombra de falsa modéstia.</p>



<p>No final do século passado, seu Né ainda usava gravetos ou arames que se curvavam em direção ao ponto onde há água. Hoje, ele dispensa esses recursos. “Eu sinto a água, meus nervos sentem, não sei porque nem como isso acontece, só sei que nasci com o dom”. Em novembro, alguns dias antes da entrevista, ele conta que foi levado pelos agricultores de Salgado do Melão, um povoado do município de Macururé, e “locou” – termo que usa para dizer que localizou – 14 poços em reassentamentos da Chesf. “Só quiseram cavar três, deixaram os outros de reserva”, explica, detalhando como funciona sua atividade.</p>



<p>Por cada poço ele cobra R$ 500, mas nem sempre foi assim. Durante os anos em que atuou como sindicalista, ele se recusava a cobrar, pois exercia o cargo de diretor de Convivência com o Semiárido do Pólo Sindical do Vale do São Francisco, uma articulação de dezenas de sindicatos de trabalhadores rurais da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Ele considerava que fazia parte de sua missão “locar” poços e treinar outros “caçadores de água” com ajuda das organizações não-governamentais que atuam no semiárido e que, durante a COP-3, criaram a Articulação do Semiárido (ASA).</p>



<p>Ele só perdeu a energia para caçar poços d’água nos anos que se seguiram à morte de sua esposa. “Foi uma tragédia na minha vida, homem sem mulher é uma tristeza. Não tinha vontade pra mais nada”, explica. O que o salvou foram os sucessivos chamados de agricultores para encontrar fontes de água, necessidade que só aumenta por causa da piora das condições climáticas da região e a consequente desertificação.</p>



<p>Segundo ele, a necessidade de locar poços está cada vez maior porque rios, lagoas e açudes que, antes passavam alguns meses do ano com água, agora estão permanentemente secos, como é o caso da Lagoa do Brejo, vizinha a Brejo do Burgo.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/lagoa-seca-e-rio-sem-leito-os-sinais-da-desertificacao-acelerada/" class="titulo">Lagoa seca e rio sem leito: os sinais da desertificação acelerada</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/clima/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Clima</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>“Estão desmatando tudo, estão tirando as árvores que seguram a água e chamam a chuva como o pau d’arco e o pereiro. A caatinga tá pelada, sem nada por cima, desprotegida”, lamenta seu Né. Ele não tem dúvidas que é por isso que as coisas estão se tornando mais difíceis no semiárido: “Sei o que digo, eu ainda estou em mim”.</p>



<p>No sítio, seu Né só consegue manter seu rebanho em pé por causa da água de dois poços que encontrou e perfurou, um deles com 94 metros de profundidade e botando água pura há mais de 25 anos. Ele faz as próprias refeições em uma palhoça que abriga também a bomba do poço, pois a pequena casa, construída no alto de uma elevação do terreno só tem estrutura para a dormida.</p>



<p>Esse poço é a minha felicidade. No fim de tarde, eu chamo todo mundo pra beber água”, afirma. Por “todo mundo” ele se refere aos bois, vacas e novilhos. “Cuidar de gado pra mim é um entretenimento. Aliás, cuidar de bicho e conversar, quando quiserem ouvir minhas histórias, podem vir”, convida, oferecendo a água para a equipe de reportagem matar a sede e amenizar os efeitos do calor.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/lagoa-4.jpg" alt="Nesta foto, vemos um terreno árido e rachado com uma paisagem de árvores e céu ao fundo. O solo está coberto por rachaduras profundas formando padrões irregulares. Ao fundo, há uma linha de árvores ou arbustos que marca a transição entre o terreno e o céu. O céu é parcialmente nublado com nuvens esparsas, mas também tem áreas azuis visíveis indicando que não está completamente encoberto. A luz do dia é clara" class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Desmatamento da caatinga está secando mananciais como a Lagoa do Brejo
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	<p>O post <a href="https://marcozero.org/um-cacador-de-agua-nas-terras-aridas-do-norte-da-bahia/">Um &#8220;caçador de água&#8221; nas terras áridas do norte da Bahia</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Lagoa seca e rio sem leito: os sinais da desertificação acelerada</title>
		<link>https://marcozero.org/lagoa-seca-e-rio-sem-leito-os-sinais-da-desertificacao-acelerada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 10:26:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[aridez]]></category>
		<category><![CDATA[desertificação]]></category>
		<category><![CDATA[deserto]]></category>
		<category><![CDATA[semiárido brasileiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As fotografias produzidas por satélites são fundamentais para que os cientistas coletem dados precisos de qualquer ponto do planeta, para reduzir os danos de tragédias naturais e são fundamentais para entender os impactos globais das mudanças climáticas. O que não aparece nas imagens feitas do espaço, contudo, é o cotidiano das pessoas e comunidades que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As fotografias produzidas por satélites são fundamentais para que os cientistas coletem dados precisos de qualquer ponto do planeta, para reduzir os danos de tragédias naturais e são fundamentais para entender os impactos globais das mudanças climáticas. O que não aparece nas imagens feitas do espaço, contudo, é o cotidiano das pessoas e comunidades que vivem nas regiões mais atingidas pelo clima extremo.</p>



<p>Distantes 71 quilômetros uma da outra, uma ponte que se tornou inútil no sertão de Pernambuco e uma lagoa seca transformada em descampado de terra vermelha no norte da Bahia passam batido nas fotos dos satélites. Esses dois locais ilustram como a vida das famílias de agricultores está ficando difícil em uma das regiões mais ameaçadas pela desertificação e pelo avanço da aridez no semiárido brasileiro.</p>



<p>Não que a vida no distrito de Brejo do Burgo, zona rural do município baiano de Glória, tenha sido fácil um dia. No entanto, até meados da década de 2010, a Lagoa do Brejo era um manancial praticamente perene, com água suficiente para o gado. Hoje, as carcaças dos bois e vacas que morrem de sede e fome nas redondezas estão espalhadas no terreno plano, de solo rachado.</p>





<p>Em alguns pontos do terreno plano da lagoa desaparecida, cresce uma erva de folhas de um verde intenso, evidência de que ainda há umidade e que existe água no subsolo. A planta rasteira que nasce ali é chamada pelos moradores como “fumo bravo”. E a presença dela indica que a Lagoa do Brejo é imprestável para a agricultura.</p>



<p>“Esse fumo dá em solo com muita salinidade. Fora isso, não nasce mais nada aí”. Quem dá a explicação é Jorge de Melo, de 65 anos, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Glória, que mora há algumas centenas de metros da lagoa, numa das agrovilas do projeto Jusante, um reassentamento de famílias que tiveram suas terras alagadas pelo lago artificial da Usina Hidroelétrica de Itaparica. Foi ele quem acompanhou a nossa equipe no norte da Bahia.</p>



<p>Melo aponta as manchas brancas pontuam o solo vermelho, quase marrom, denunciando a grande concentração de sal, e conta que, durante o inverno, a Lagoa do Brejo recebia água de dois riachos, também completamente secos há anos. “Antes, tinha os meses da chuva, hoje quando chove é pouca coisa, quase nada. Só quem produz são os agricultores que receberam da Chesf lotes irrigados ou quem tem água dos poços”, explica o sindicalista. Ele conta que, depois de ser removido da terra que seria inundada em 1988, ficou 31 anos a espera do seu lote. Só em 2019 recebeu 20 hectares, mas o projeto de irrigação nunca saiu do papel, então teve de abrir um poço para poder produzir.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Chesf é a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, estatal privada durante o governo Jair Bolsonaro. Responsável pela construção e operação das usinas hidrelétricas da região, a empresa também reassentava e elaborava projetos de irrigação para as famílias que perderam suas terras para os lagos artificiais formados pelas barragens entre as décadas de 1970 e 1990</p>
        </div>
    </div>



<p>O distrito de Brejo do Burgo está na borda da faixa de 5,7 mil Km<sup>2</sup> que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) identificam como a primeira porção do território brasileiro com clima árido. O meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), explica que “os estudos mais recentes constataram que áreas degradadas como essas em torno dos projetos de irrigação já contribuem para reduzir as nuvens de chuva na região”.</p>





<h2 class="wp-block-heading">A ponte da BR-110</h2>



<p>Na sala da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolândia, o entra e sai de associados é constante. Essa é a rotina na sede da entidade que representa 7 mil agricultores e agricultoras, a maioria reassentados. Enquanto o presidente Natanael Caetano da Silva, de 43 anos, atende o público, seu antecessor José Maurício Filho, de 73, vai explicando o que mudou na região desde 1999, quando Pernambuco sediou a COP-3 da Desertificação. “Só piorou”, resume Maurício.</p>



<p>Quando a Organização das Nações Unidas (ONU) ocupou os auditórios do Centro de Convenções de Olinda por mais de uma semana, a paisagem do riacho Barreiras, onde a Chesf implantara um projeto de irrigação, já tinha sido transformada pela erosão, com voçorocas e crateras ferindo a terra nua, sem vegetação, de cor alaranjada. Era um <a href="https://marcozero.org/gilbues-o-deserto-vermelho-e-produtivo-do-piaui/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cenário parecido com Gilbués, no Piauí</a>, só que em menor escala.</p>



<p>As voçorocas desapareceram. E, ao contrário do que parece, esse é um indicador que o processo de desertificação se tornou mais intenso.</p>



<p>“Como o desmatamento aumentou, a terra ficou exposta, sem proteção. Aí, como de uns tempos pra cá só cai chove forte, temporal, a enxurrada vai arrastando a terra e acabou cobrindo os buracos que a erosão abriu no início. O leito do riacho quase não existe mais”, detalhou Maurício, um dos raros agricultores que continuam produzindo em meio a vários outros lotes abandonados pelos reassentados ao longo do século XXI.</p>



<p>É aqui que entra a ponte da BR-110, rodovia que, em Petrolândia, não é asfaltada e é mais conhecida como “Retão”, pois tem o traçado em linha reta que só acaba em Ibimirim, distante 77 quilômetros na direção nordeste.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/ponte-2.jpg" alt="Foto colorida de o agricultor José Maurício ao lado da ponte. Ele é um homem branco, idoso, de fartos bigodes brancos, usando boné verde, camisa social cinza de mangas compridas, calças jeans e sapatos pretos com cadarço. Ele está com os braços cruzados. O ambiente parece ser rural, com vegetação visível ao fundo e um céu nublado acima." class="" loading="lazy" width="293">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">José Maurício na ponte do &#8220;Retão&#8221;.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Logo no início, o “Retão” passa sobre o riacho Barreiras. Quando ele estava cheio, era comum ver crianças e adultos dando mergulhos para tomar banho na água que corria cinco metros abaixo do vão da ponte. De tão assoreado que o riacho está, isso não existe mais. Hoje, a distância do solo para o vão é de, no máximo, 80 centímetros, mas em alguns pontos não passa de um palmo. Fomos até lá para entender melhor.</p>



<p>“A areia está solta, não tem raízes para segurar, então quando chove rio acima, a água das chuvas sai arrastando tudo. O riacho foi assoreando até chegar a essa situação que não tem mais leito, sem o caminho natural para a água passar. Então a água se espalha pelo solo raso, inundando e aterrando”, explica o agricultor. Os poucos agricultores do Riacho Barreiras sabem que há o risco da própria ponte e a estrada serem soterradas em poucos anos.</p>



<p>E isso, tudo, a exemplo do que está acontecendo no reassentamento de Icó-Mandantes, no mesmo município (foco da reportagem que abriu essa série especial), começou em razão do desmatamento e das técnicas inadequadas estabelecidas pela Chesf nos anos 1990.</p>



<p>Sem querer Maurício confirma aquilo que o meteorologista Humberto Barbosa, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), mencionou na segunda reportagem desta série especial, sobre Gilbués, cujo link está alguns parágrafos acima: “Mesmo não conhecendo os termos técnicos, a população tem o conhecimento empírico sobre a desertificação, no interior do Nordeste as pessoas estão adaptadas a conviver com as áreas degradadas”.</p>



<p>O relato de Maurício é também uma síntese da vulnerabilidade da caatinga e do semiárido brasileiro. O mesmo cientista adverte, no entanto, que não se trata de uma fragilidade natural do bioma: “as políticas públicas que são colocadas tornam ela vulnerável. Alguns justificam porque é uma região mais povoada, mas ela poderia ser povoada e não ter nenhuma dessas vulnerabilidades se as políticas públicas tivessem sido dimensionadas para essa população. O que nunca foi prioridade porque sempre houve interesses políticos de mantê-la da forma como ela está”.</p>


<p>O post <a href="https://marcozero.org/lagoa-seca-e-rio-sem-leito-os-sinais-da-desertificacao-acelerada/">Lagoa seca e rio sem leito: os sinais da desertificação acelerada</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Os desertos do sertão</title>
		<link>https://marcozero.org/os-desertos-do-sertao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Mar 2024 20:15:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[aridez]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Semiárido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na zona rural nordestina, os agricultores costumam demonstrar orgulho e entusiasmo quando visitantes lhes pedem para visitar suas propriedades e ver de perto a lavoura. Não foi assim que Manoel Joaquim dos Santos reagiu ao nosso pedido para conhecer o lote de dez hectares na Agrovila 6 do assentamento Icó-Mandantes, em Petrolândia, município pernambucano de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na zona rural nordestina, os agricultores costumam demonstrar orgulho e entusiasmo quando visitantes lhes pedem para visitar suas propriedades e ver de perto a lavoura. Não foi assim que Manoel Joaquim dos Santos reagiu ao nosso pedido para conhecer o lote de dez hectares na Agrovila 6 do assentamento Icó-Mandantes, em Petrolândia, município pernambucano de 34 mil habitantes a 460 quilômetros do Recife.</p>



<p>Com gestos lentos e ar de enfado, Manoel saltou da motocicleta para abrir a porteira que dá acesso ao seu lote. No entanto, nem seria preciso entrar no terreno para entender a razão do desânimo, pois mesmo quem está do lado externo da cerca enxerga as centenas de troncos de coqueiros mortos, completamente sem folhas, como enormes palitos espetados no solo em fileiras, à direita de uma estreita estrada de cascalho.</p>



<p>À esquerda, em uma faixa mais baixa do terreno, outras centenas de coqueiros ainda mantinham parte das folhas, muitas delas já secas. Esses coqueiros estão morrendo. A terra onde foram plantados também.</p>



<p><a></a> O assentamento Icó-Mandantes está no Médio São Francisco, uma das regiões brasileiras onde o processo de desertificação e degradação do solo é mais intenso. Essa região inclui também o norte da Bahia e está a pouco mais de 100 quilômetros da área de 5,7 mil Km<sup>2</sup> que, de acordo com Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), é a primeira porção do território brasileiro com clima árido.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/000ico1.jpg" alt="Foto colorida de coqueiros que parecem estar mortos ou morrendo em um terreno árido. As plantas têm troncos grossos e escuros; suas folhas estão marrons e pendem para baixo, indicando falta de saúde ou morte. O solo é árido e coberto por folhas secas e detritos. O céu acima é parcialmente nublado mas claro, sugerindo que o clima pode ser quente ou seco. Não há sinais visíveis de vida vegetal saudável; a cena transmite uma sensação de desolação." class="" loading="lazy" width="345">
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>As áreas desertificadas estão espalhadas pelas duas margens do rio São Francisco. Por ironia, Manoel Joaquim vê sua plantação de coqueiros morrer e a produção de cocos despencar para zero a menos de dois quilômetros da margem do lago artificial de Itaparica.</p>



<p>O problema não é novo. Em novembro de 1999, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou em Recife, capital de Pernambuco, a COP-3 da Desertificação. Naquele ano, equipes de reportagem de jornais e TVs brasileiros percorreram as áreas mais ameaçadas do semiárido brasileiro, na Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Na época, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) eram 113 mil Km<sup>2</sup> de solo e vegetação degradados na região.</p>



<p>Desde então, o assunto saiu da pauta da imprensa e, salvo ações pontuais, tampouco recebeu atenção dos governos estaduais e Federal. Às vésperas da COP 30 do Clima, que acontecerá em 2025 em Belém, na Amazônia, e, em meio às ondas de calor que castigam o país, a desertificação voltou à pauta.</p>



<p>No entanto, os números atuais revelam um cenário mais grave desde a COP-3, que não se deu apenas em razão das mudanças climáticas e falta de ação das autoridades brasileiras. Erros de projetos financiados pelo governo brasileiro intensificaram ainda mais a desertificação na região.</p>



<p>De acordo com meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), “25% das terras da região semiárida apresentam algum nível de degradação em uma escala que vai de moderado, grave e muito grave. Desse total, estima-se que 13% das terras já se transformaram em deserto”.</p>



<p>De acordo com essa estimativa, 270 mil km<sup>2</sup> estão degradados, dos quais ao menos 127 mil km<sup>2 </sup>, ou 13% do território, podem ser considerados desérticos. No estado de Pernambuco, mais de 19,5 mil km<sup>2</sup> sofrem com o fenômeno.</p>



<div class="citacao ms-auto my-5">
	<p class="m-0">&#8220;Estima-se que 13% das terras já se transformaram em deserto&#8221;</p>
</div>


<p>Não há consenso sobre esses dados. Oficialmente, o governo brasileiro trabalha com o conceito de áreas suscetíveis à desertificação, o que representa um território de mais de 1 milhão de km<sup>2</sup>, mas isso inclui tudo o que está ao redor das áreas degradadas.</p>



<p>Já o engenheiro florestal, doutor em geoprocessamento pela Universidade Politécnica de Madri, Iêdo Bezerra Sá, pesquisador sênior da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), considera que a área desértica é inferior a 100 mil km<sup>2</sup>, pois costuma usar outra metodologia em seus trabalhos: “costumo excluir todas aquelas áreas cujo solo é, naturalmente, raso demais, com afloramento rochoso na superfície, e que sempre foram assim”.</p>



<p>Definida como a degradação do solo e perda de vegetação provocadas, principalmente, pela ação humana, a desertificação acelerou por causa da mudança climática, mas isso não explica tudo. Segundo Barbosa, que é doutor em Sensoriamento Remoto pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, “tem aumentado porque há processos como desmatamento, as carvoarias, a salinização, o sobrepastoreio, criação de animais em áreas muito pequenas”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><a></a> <strong>Desertificação bancada com dinheiro público</strong></h2>



<p>No entorno do lago artificial de Itaparica, no Médio São Francisco, onde vive Manoel Joaquim dos Santos, foram políticas públicas financiadas e executadas pelo próprio governo brasileiro que ajudaram a transformar milhares de quilômetros quadrados em deserto.</p>



<p>Manoel é um indígena da etnia<a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Pipip%C3%A3#SnippetTab"> </a><a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Pipip%C3%A3#SnippetTab"><u>Pipipã</u></a>, um homem de estatura baixa, de tórax largo, ainda forte aos 66 anos. Os pipipãs vivem no lado pernambucano do vale do rio São Francisco, espalhados em aldeias nos municípios de Petrolândia e Floresta. Em meados dos anos 1980, Manoel e sua família foram obrigados a deixar o lugar onde seu povo viveu durante séculos por causa da construção da usina hidrelétrica de Itaparica, cujo lago artificial inundou um território de 834 Km<sup>2</sup>, desalojando 10.500 famílias.</p>



<p>Não demorou para Manoel ser reassentado na agrovila de Icó-Mandantes. Em 1988, mesmo ano de inauguração da usina, ele recebeu seu lote de terra e o acesso à água. O sistema de irrigação, bancado pelo Governo Federal por meio da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), veio acompanhado de assistência técnica rural e orientação para que plantasse coqueiros, pois a produção seria adquirida por fábricas de derivados de coco instaladas na região.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/000ico4-1.jpeg" alt="Foto colorida de Manoel Joaquim, posando de braços cruzados à frente de seu lote de terra com os troncos de coqueiros mortos ao fundo. O céu está claro, azul e com poucas nuvens." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Manoel já não consegue produzir nada em seu lote de terra. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo.</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Ao lado do amigo Natanael Caetano de Silva, de 43 anos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolândia, Manoel começa a relaxar e mostrar entusiasmo com o interesse da equipe de reportagem. Ele conta que, durante os primeiros anos, tudo deu certo, até que os tubos que levavam a água do lago artificial até seu lote passaram a vazar e estourar, problemas que aconteciam a intervalos de tempo cada vez menores. “A Chesf não fazia manutenção, hoje está tudo destruído e, por isso, a água não chega mais aqui há quatro ou cinco anos”.</p>



<p>Contando apenas com a chuva, cada vez mais escassa, a produção diminuiu. Depois, os coqueiros foram morrendo um a um. As plantas do trecho mais baixo do terreno sobreviveram por mais alguns anos, pois quando chove, a água escorre para aquele lado.</p>



<p><a></a> Nessa altura, as mudanças climáticas se somaram aos erros do homem para potencializar a degradação do solo, afinal as chuvas estão mais escassas e mais irregulares.</p>



<p>A interrupção do fluxo d’água antecipou um problema que levaria mais alguns anos para acontecer por causa da salinização do solo provocada pela técnica de irrigação por aspersão, com grandes quantidades de água sendo jogada por potentes bicos aspersores. Adotada pela empresa estatal, o método está longe de ser adequado para coqueiros, sendo mais usado em grandes plantações de cana-de-açúcar, algodão, arroz, feijão, café, cana-de-açúcar, milho e soja . “Desperdiça água demais, coqueiro não precisa de tanto”, explica Manoel.</p>



<p> O resultado é que, além de seca, a terra está salinizada, praticamente estéril. “Os limoeiros estão murchando, sem as plantas até a abelhas dos apiários que eu tinha sumiram, umas morreram, outras foram embora”, lamenta o agricultor. Não fosse a aposentadoria rural no valor de um salário mínimo, Manoel estaria passando fome.</p>



<p>Natanael Caetano, o sindicalista, explica que as águas do lago de Itaparica são bastante salinas e, como foram usadas em grandes volumes, não foram aproveitadas pelas plantas, permanecendo no solo. “Além de seca, a terra agora está salinizada, imprópria para agricultura. A tendência é que, sem a cobertura vegetal, a situação piore porque, agora, quando chove, é tempestade”, diz.</p>



<p>Natanael explica que a maior parte das 800 famílias reassentadas nos quase 23 mil hectares (230 Km2) de Icó-Mandantes está na mesma situação de Manoel.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a Chesf</span>

		<p>Em nota, a atual gestão privada da Chesf – a privatização da Eletrobrás durante o governo Jair Bolsonaro incluiu a empresa estatal – informou que o “processo de operação e manutenção do sistema de irrigação do projeto Icó-Mandantes deve ser tratado pela <a href="https://www.bing.com/ck/a?!&amp;&amp;p=8dddc5abad8cc9d5JmltdHM9MTcwNjQ4NjQwMCZpZ3VpZD0xNmUxMjFjOS02YmU0LTZlN2EtMDFjMi0zM2ExNmFjODZmODAmaW5zaWQ9NTc3Mg&amp;ptn=3&amp;ver=2&amp;hsh=3&amp;fclid=16e121c9-6be4-6e7a-01c2-33a16ac86f80&amp;psq=codevasf&amp;u=a1aHR0cHM6Ly9wdC53aWtpcGVkaWEub3JnL3dpa2kvQ29tcGFuaGlhX2RlX0Rlc2Vudm9sdmltZW50b19kb3NfVmFsZXNfZG9fU8Ojb19GcmFuY2lzY29fZV9kb19QYXJuYcOtYmE&amp;ntb=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba</a> (Codevasf)”.</p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/000ico3.jpeg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/000ico3.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/000ico3.jpeg" alt="Nesta foto, vê-se tubos grandes e enferrujados descartados perto de um riacho em uma área com vegetação. Os tubos estão parcialmente cobertos de terra e parecem ter sido abandonados há algum tempo. Há vegetação crescendo ao redor e dentro dos tubos, indicando que eles têm estado lá por um período significativo. O cenário é próximo a um pequeno riacho ou rio, que pode ser visto à direita da imagem." class="w-100" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Sem manutenção, tubos do sistema de irrigação estão inutilizáveis. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"> <strong>O projeto “fantasma”</strong></h3>



<p>No norte da Bahia, exatamente no limite do perímetro que passou a ser considerado como terra árida, uma placa informa que ali existiu &#8211; ou deveria ter existido &#8211; um projeto de “Manutenção e recuperação das áreas degradadas junto à Usina Hidrelétrica de Itaparica”. O texto da placa também detalha que o prazo de execução do projeto seria de 48 meses, de setembro de 2015 a setembro de 2019. Acima do texto, as duas responsáveis: a Chesf e uma instituição chamada Universidade Livre do Meio Ambiente do Nordeste, a Unieco.</p>



<p>No entanto, os agricultores da vizinhança não sabem dizer o que aconteceu naquela área onde a tabuleta alerta que se trata de um lugar de “entrada proibida”.</p>



<p>O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Glória, na Bahia, Jorge Melo, que vive em uma agrovila de reassentados a 5,7 quilômetros do terreno, recorda que a Chesf conta que “plantaram umas árvores, pouca coisa, mas acho que 80% do que foi plantado já morreu”.</p>



<p>No portal de transparência do Governo Federal, são escassas as informações sobre o projeto, formalizado no contrato 348/2015 com o valor de R$ 1.417.900,00. (pouco mais de US$ 450 mil na cotação de 1º de abril de 2015, data da assinatura do contrato). Não houve licitação para a contratação da Unieco, que é considerada inadimplente pelo governo, e a situação do contrato está pendente.</p>



<p>A Unieco, apesar do nome, não é uma universidade, mas uma organização não-governamental cuja sede seria no Recife. “Seria” porque no endereço registrado como sede da ONG, no bairro do Poço da Panela, a proprietária e as funcionárias do pet shop que funciona no local nunca ouviram falar da Unieco.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">O que diz a Chesf</span>

		<p>Mais uma vez por meio de nota oficial, a Eletrobras e a Chesf asseguraram que o “Programa de Recuperação e Manutenção de Áreas Degradadas foi parte integrante do licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (também conhecida como Itaparica), que ocorreu de 2015 a 2019 e recuperou cerca de 60 hectares. Considerando as características da região (Caatinga), foram utilizadas predominantemente espécies de cactáceas e espécies arbustivas. A continuidade do programa encontra-se em discussão com o órgão ambiental para definição de objetivos e metodologias”.</p>
	</div>



<h3 class="wp-block-heading">Governo não tem orçamento para desertificação</h3>



<p>Até o final de 2022, Alexandre Pires era coordenador da Articulação do Semiárido (ASA), a rede de mais de três mil ONGs, associações e sindicatos que construíram mais de 1 milhão de cisternas em pequenas propriedades da agricultura familiar. Sua experiência na região levou a ministra Marina Silva a convidá-lo para dirigir o departamento de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA).</p>



<p>No final de fevereiro ele concluiu uma das tarefas prioritárias de sua diretoria para o primeiro semestre de 2024: a redação do decreto que recriou a Comissão Nacional de Combate à Desertificação, que, até o início deste, só existia no papel, baseada em uma <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Dnn/Dnn11701.htm">legislação de 2008</a>, época em que as mudanças climáticas eram vistas como uma possibilidade no futuro.</p>



<p>Segundo Pires, a Comissão só funcionou até 2016, pois no ano anterior foi promulgada a lei que criou a política nacional de combate à desertificação. Após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, os governos seguintes não adequaram a comissão à nova realidade.</p>



<p>“A comissão será paritária entre sociedade civil e governo, com representantes de ministérios, do Instituto Nacional do Semiárido, da Codesvasf, da Sudene [Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste] e de organizações da sociedade civil que atuem nas regiões susceptíveis à desertificação”, explicou Pires. No final de fevereiro, o presidente <a href="https://in.gov.br/web/dou/-/decreto-n-11.932-de-27-de-fevereiro-de-2024-545333246">Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto</a> com a nova composição Comissão.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/03/Alexandre-Pires.jpg" alt="Foto de Alexandre Pires segurando um microfone e um papel com texto escrito, em frente a um grupo de pessoas sentadas. Ele é um homem branco, de barba bem cuidada e cabelos escuros curtos, usando óculos de aro preto. O ambiente parece ser uma sala de aula ou espaço de reunião com pôsteres nas paredes. As pessoas estão sentadas em cadeiras dispostas em filas, aparentemente ouvindo a fala de Pires. Há uma atmosfera de engajamento político ou educacional." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Alexandre Pires, do MMA, confirmou recriação da Comissão Nacional de Combate à Desertificação.</p>
	                
                                            <span>Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</span>
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<p>De acordo com o decreto, a comissão continuará sendo presidida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e “terá a participação de outras 11 pastas do governo federal, além de instituições, agências, bancos de desenvolvimento e entidades civis dos estados com áreas susceptíveis à desertificação”. Ao todo, serão 42 membros, com respectivos suplentes.</p>



<p>Além da Comissão recriada, Alexandre Pires espera que até o dia 17 de junho, Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação, o Ministério do Meio Ambiente apresente um novo <a href="https://www.gov.br/sudene/pt-br/assuntos/noticias/combate-a-desertificacao-e-efeitos-da-seca-tera-novo-instrumento-para-tratar-acoes-em-escala-federal">Plano de Ação Nacional de Combate à Desertificação</a>. “Estamos atrasados, admito, mas estou otimista. A última atualização desse plano ocorreu em 2004. Assim, será possível voltar a captar recursos no exterior”, acredita.</p>



<p>O maior desafio da diretoria conduzida por Pires não é, no entanto, de natureza jurídica ou burocrática. O problema é dinheiro.</p>



<p>Ele revela o exíguo orçamento sob sua responsabilidade: R$ 5 milhões (pouco mais de US$ 1 milhão) em 2023, valor que se repetirá para todo o ano de 2024. Para efeitos de comparação, cada deputado federal brasileiro tem direito a, sozinho, apresentar R$ 37,8 milhões (US$ 7,7 milhões) em emendas ao orçamento a ser executado pelo governo.</p>



<p>Sem orçamento, Pires busca alternativas. Ele contou que o Ministério do Meio Ambiente recebeu do governo Bolsonaro apenas R$ 7 milhões em dois fundos – o Fundo Nacional de Mudanças Climáticas e o Fundo Nacional de Meio Ambiente. Para otimizar os recursos, os técnicos do MMA lançaram um edital conjunto dos dois fundos. “Nós propusemos a criação de uma linha de atividades sobre desertificação, ou seja, para contemplar recursos para projetos focados na desertificação. Foram aprovados sete projetos, dos quais cinco são com essa temática”, explicou. As atividades desses projetos acontecerão no sertão do Pajeú, em Pernambuco, na região do São Francisco, na Bahia, e no Xingó, em Alagoas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block">TRIBUNAIS DE CONTAS CONFIRMAM OMISSÃO DO PODER PÚBLICO</span>

	    <p>Em fevereiro deste ano, os tribunais de contas (TCEs) de cinco estados nordestinos – Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe – concluíram uma <a href="https://tcepe.tc.br/internet/docs/tce/Auditoria-Operacional-Regional_230728_115940.pdf">auditoria conjunta</a> sobre as políticas de combate à desertificação desenvolvidas pelo poder público. A conclusão dos auditores coincide com a de ambientalistas e agricultores da região: a velocidade da degradação aumentou, mas as ações das prefeituras, governos estaduais e do Governo Federal são insuficientes.</p>
<p align="left">Um dos resultados da auditoria foi a apresentação de uma série de recomendações aos gestores públicos de cada estado. Entre elas a inclusão do tema na agenda do Consórcio Nordeste e a implementação das políticas estaduais urgentes sobre o assunto.</p>
<p align="left">O relatório aponta que, à exceção do estado do Ceará, nenhum outro governo estadual faz o monitoramento do avanço da desertificação em seus territórios. De acordo com o meteorologista Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas, isso acontece em razão da omissão da legislação brasileira.</p>
<p align="left">“A Constituição de 1988 protege a Amazônia, mas não ampliou essa proteção para outros biomas do país, como a caatinga, o pampa, a mata atlântica, ou o cerrado. A lei não exige que se faça esse monitoramento, a exemplo do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) realiza na floresta amazônica”, explicou Barbosa.</p>
    </div>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do projeto <a href="https://reportfortheworld.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Report For The World</a> e da <a href="https://br.boell.org/pt-br/fundacao-0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fundação Henrich Böll</a></strong></li>
</ul>



<p></p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/os-desertos-do-sertao/">Os desertos do sertão</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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