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	<title>Arquivos campanha de vacinação - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Arquivos campanha de vacinação - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Itapissuma dá exemplo ao Brasil e vacina 100% das crianças contra a poliomielite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2022 23:03:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Yuri Euzébio* Na contramão do cenário nacional, em Itapissuma, município do litoral norte de Pernambuco, a campanha de vacinação contra a poliomielite alcançou em outubro deste ano 100% de doses aplicadas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Saúde do Governo Federal. A marisqueira Joana D’arc Maciel, de 23 anos, mãe de quatro filhos [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Yuri Euzébio*</strong></p>



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<p>Na contramão do cenário nacional, em Itapissuma, município do litoral norte de Pernambuco, a campanha de vacinação contra a poliomielite alcançou em outubro deste ano 100% de doses aplicadas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Saúde do Governo Federal.</p>



<p>A marisqueira Joana D’arc Maciel, de 23 anos, mãe de quatro filhos que mora no bairro da Várzea, em Itapissuma, foi uma das inúmeras mães que aderiram ao chamado da prefeitura. “Levei todos para se vacinarem. E foi uma experiência muito boa. Fui com todos para saber quais vacinas poderiam tomar”, disse. “Pra mim, o diferencial da campanha daqui foi a possibilidade de agendar com antecedência o dia da vacina porque fica mais certo, não ficamos dando volta no posto esperando, podendo até não ter a vacina para a criança”, revelou.</p>



<p>De acordo com a coordenadora de vigilância sanitária do município, Niedja Brito,<strong> </strong>que coordenou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) da cidade, o sucesso da vacinação da pólio vem do esforço coletivo entre todos os profissionais de saúde. “O segredo foi o trabalho em equipe, realizando a busca ativa pelo tradicional porta a porta, fomos nas casas com a técnica e a agente de saúde”, afirmou.&nbsp;</p>



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	                                        <p class="m-0">A marisqueira Joana D&#8217;Arc Maciel vacinou os quatro filhos durante a campanha. Foto: Arquivo pessoal</p>
	                
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<p>A prefeitura também fez uma extensa campanha publicitária. “Tivemos a comunicação com um <em>card </em>nas redes sociais, uma vinheta pra divulgar através de um carro de som nas ruas e ações em creches, escolas municipais e particulares para conseguirmos atingir a meta”, completou. Niedja ainda explica que, além do dia nacional de vacinação, a cidade realizou uma campanha municipal para reforçar a importância da vacina.</p>



<p>A coordenadora detalha também os procedimentos que formaram uma força-tarefa para o sucesso da ação. “No porta a porta, vamos direto naquela casa onde tem criança que não tomou vacina. O importante também é o agente de saúde ir nas residências das áreas dele e identificar quem são as crianças que não tomaram a vacina e passar para as técnicas e enfermeiras irem lá”, resumiu.</p>



<p>Segundo o Governo de Pernambuco foram 1.521 crianças vacinadas em Itapissuma, isso sem qualquer apoio ou incentivo do Governo Federal nas campanhas de divulgação da vacinação.&nbsp;</p>



<p>No âmbito nacional, os números são bem preocupantes. Em setembro de 2022, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, emitiu um alerta de que o Brasil é um dos países sul-americanos que correm um &#8220;risco muito alto&#8221; de retorno da poliomielite. Em outubro, um susto: um possível primeiro caso em Santo Antônio do Tauá, município do Pará, após 33 anos sem a doença.</p>



<p>O Ministério da Saúde ainda estuda o caso, mas afirmou que o mais provável é de que seja um caso de aplicação errada das doses da vacina. Na cidade paraense do caso, o índice de vacinação era baixíssimo, de apenas 30%. No estado do Pará como um todo, 44%.</p>



<p>Mesmo tendo sido prorrogada, a campanha de imunização nacional deste ano só chegou a 65,6% do público-alvo, cerca de 7,6 milhões de crianças, quando a meta era 95%.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Governo Federal despreza campanhas</strong></h2>



<p>Também conhecida como paralisia infantil, a poliomielite é uma doença transmissível por um dos três tipos do poliovírus. Esses vírus têm uma transmissão fecal-oral e as crianças (ou adultos) não vacinadas podem ser infectadas. O vírus se instala no intestino, onde se replica e entra na corrente sanguínea. Em alguns casos, atinge o sistema nervoso central, podendo deixar lesões graves como consequência. Os grupos mais vulneráveis são as crianças abaixo dos cinco anos de idade.</p>



<p>Os sintomas mais frequentes da doença são febre, mal-estar, dor de cabeça, de garganta e no corpo, vômitos, diarreia, constipação (prisão de ventre), espasmos, rigidez na nuca e até mesmo meningite. Nas formas mais graves instala-se a flacidez muscular, que afeta, em regra, um dos membros inferiores. Apenas um em cada 200 casos da doença resulta em paralisia, que pode afetar até os músculos dos pulmões, resultando em óbito.</p>



<p>No Brasil, a vacina contra a poliomielite faz parte da rotina de imunização infantil, é gratuita e é considerada, de longe, a melhor forma de prevenção da doença. A imunização deve ser iniciada a partir dos dois meses de vida. A falta de campanhas de vacinação efetivas tem deixado o Brasil vulnerável para a volta da doença, erradicada por aqui desde 1994.&nbsp;</p>



<p>Epidemiologista da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), Fernando Verani critica a atuação do Governo Federal pelo enfraquecimento das campanhas. “O vírus da pólio só foi erradicado do Brasil porque o Programa Nacional de Imunizações durante décadas, a partir de 1980, conseguiu atingir e manter altíssimas coberturas vacinais no país inteiro e coberturas mais do que altíssimas, indo além de 95%, 98%, de forma homogênea. Ou seja, em todos os bairros de um município essas coberturas foram altas”, detalhou.</p>



<p>Verani afirma que esse cenário mudou a partir de 2016. “As campanhas simplesmente pararam de existir. O que o ministério chama hoje de campanha de vacinação não é o tipo de campanha que foi feita a partir de 1980, então continuamos tendo baixa cobertura”, disse. “A última campanha, ou aquilo que o Ministério da Saúde denomina campanha, terminou no dia 30 de setembro. Foi prorrogada, mas de qualquer maneira o resultado final é muito baixo para manter protegido o país, caso haja uma importação do poliovírus de algum país em que ele ainda circula”, lamentou Verani.&nbsp;</p>



<p>Os quase quatro anos de Jair Bolsonaro na presidência, que chegam ao fim no próximo mês, aprofundaram a crise da vacinação no Brasil.&nbsp; “A falta de definição política do Governo Federal em priorizar os investimentos sociais é um grande entrave. É um governo que escolheu deliberadamente não fazer qualquer investimento social”, resumiu Verani, sobre o governo Bolsonaro.</p>



<p>A volta da pólio pode ter um custo enorme para o Brasil. “A paralisia causada pelo poliovírus não é recuperável, não é reversível. Ela tem uma instalação aguda muito súbita e a criança nunca mais se recupera, fica paralítica pelo resto da vida”, diz Verani. “Isso se traduz em custos econômicos, custos sociais, custos emocionais. Porque você imagina uma família que tem uma criança paralítica para o resto da vida, o que isso significa. O impacto da volta doença seria muito alto para a sociedade, principalmente para as famílias dessas vítimas”, arrematou.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Falta de saneamento aumenta risco</strong></h3>



<p>O vírus da pólio é altamente contagioso. Verani explica que a forma mais comum de contágio é pela falta de higiene e de saneamento básico. “A criança coloca a mão suja na boca, brinca com outra criança e dissemina o vírus que pode causar a paralisia infantil. Em muitos lugares há falta de água, nós sabemos a situação do saneamento no Brasil hoje”, aponta.&nbsp;</p>



<p>Convém lembrar aqui que, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento 2020, aproximadamente 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável e 100 milhões dos habitantes não têm atendimento à coleta de esgoto.</p>



<p>Em Pernambuco, por exemplo, apenas 30,8% da população tem acesso a esgoto e 81,7% à água tratada. Isso significa que sete em cada dez pessoas não têm sistema de esgoto em suas casas. Só 32,4% do esgoto gerado é tratado, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR). Os índices estão bem abaixo da média nacional, que já não é alta: a rede de esgoto contempla 55% da população. Já a taxa de atendimento de água é de 84,1%.</p>



<p>De acordo com Verani, tudo isso corrobora diretamente no risco de retorno da doença. “Falta de saneamento básico e infraestrutura também são pontos sensíveis para a pólio, mas para compensar isso temos uma vacina muito eficiente que é a vacina oral, aquela da famosa da gotinha, que todos conheciam”, afirmou. “Eram sempre dois dias de campanha, uma em junho e a outra em agosto, com a vacina oral e hoje temos vários municípios com deficiência de saneamento e, além disso, baixíssima cobertura vacinal por uma falta de prioridade do atual Governo Federal”.</p>



<p>O especialista ainda reflete porque algumas regiões do Brasil são mais vulneráveis do que outras. “As coberturas menores no Norte e Nordeste do país trazem a reflexão no que diz respeito ao acesso e o que está sendo feito ativamente”, explica sobre a diminuição dos recursos voltados para comunicação, treinamento e priorização da campanha de vacinação nacional.</p>



<p>O último caso que tivemos de pólio no Brasil foi em 1989, no Rio Grande do Norte, depois a transmissão foi interrompida e não houve mais a doença paralisia infantil causada pelo poliovírus no país. Agora, 33 anos depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como alto o risco da volta da paralisia infantil no Brasil, colocando o país em alerta máximo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong><strong>Brasil tem histórico de eficiência em vacinação</strong></strong></h3>



<p>Historicamente, a poliomielite sempre foi combatida com eficiência no Brasil.&nbsp; É o que assegura a historiadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Dilene Raimundo do Nascimento. “A poliomielite, na verdade, só se tornou um problema de saúde pública mais para a metade final do século XIX. Antes tinham apenas casos esporádicos. Mais adiante, em 1917, tiveram epidemias enormes nos Estados Unidos, com muitos óbitos de crianças e isso foi o que motivou as pesquisas em relação àquela doença que nem se sabia qual era”, explicou.</p>



<p>A doença provocou inúmeros surtos e epidemias em território nacional e em outras partes do mundo no começo do século XX. Só no Brasil, foram 26.827 casos entre 1968 e 1989, segundo dados do Ministério da Saúde.&nbsp;</p>



<p>De acordo com Dilene a grande virada da campanha de vacinação da pólio foi a partir do ano de 1979. “O Governo Militar estava precisando de políticas sociais para atrair a atenção da opinião pública e também ocorreram epidemias importantes no Paraná e em Santa Catarina, então houve uma mudança no Ministério da Saúde com contratação de vários técnicos de saúde pública e epidemiologia, enfim uma equipe nova querendo mostrar trabalho”.</p>



<p>A historiadora explica que a soma desses fatores, no final de 1979, levou essa equipe a elaborar um programa de vacinação que desse conta de controlar a poliomielite no Brasil. Foi assim que surgiram os dias nacionais de vacinação, que tiveram início em junho e agosto de 1980. Pela primeira vez, o governo conseguiu alcançar todo o território brasileiro com a vacinação das crianças de até cinco anos de idade. Já no primeiro ano do Dia Nacional de Vacinação, caiu consideravelmente o número de casos e, no terceiro ano, já ficou próximo de zero. Ou seja, o planejamento foi bem sucedido.</p>



<p>Muitos Dias Nacionais de Vacinação foram necessários até que o país fosse declarado livre da poliomielite, em 1994. </p>



<p>Dilene Nascimento endossa o ponto de vista de Verani sobre a falta de campanhas. “A partir de 2016, com a mudança no Governo Federal, essa questão da vacinação foi negligenciada. Foi negligência do Governo. Hoje em dia, você quase não vê propaganda de vacinação. É uma série de atitudes. É o pai que vai levar a criança para vacinar e não tem vacina no posto. A campanha tem que ser permanente e as unidades de saúde têm que estar estruturadas e providas das vacinas para atender a demanda”, diz.&nbsp;</p>



<p>Para a historiadora, esse conjunto de ações (ou a falta deles) desestrutura a programação de combate à doença, o que, consequentemente, baixa a cobertura vacinal e traz o risco da existência de novos casos. &nbsp;</p>



<p>Mas há um raio de esperança. Fernando Verani enxerga a mudança no Governo Federal, com a eleição de Lula, como um alento neste momento difícil para a saúde. “Certamente teremos um novo governo de inclusão social e de apoio à ciência, além da reconstrução de tudo que foi destruído por esse governo genocida e negacionista. O presidente eleito  já anunciou que fará um Dia V da vacinação, uma grande campanha nacional para recuperar as coberturas vacinais principalmente das crianças. Irá também priorizar o SUS”, concluiu um dos fundadores da Escola Politécnica de Saúde da Fiocruz.</p>



<p><strong><em>* Sob supervisão de Maria Carolina Santos. Esta reportagem faz parte do programa Infovacina Trainee, da Agência Bori</em></strong>.</p>



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		<title>Sociedades médicas pediram a Ministério campanha nacional contra a pólio</title>
		<link>https://marcozero.org/sociedades-medicas-pediram-a-ministerio-campanha-nacional-contra-a-polio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 21:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[campanha de vacinação]]></category>
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		<category><![CDATA[ministério da saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Verônica Almeida Uma campanha de comunicação prolongada para conscientizar sobre a importância da vacina contra a paralisia infantil foi sugerida desde 17 de outubro ao Ministério da Saúde pelas Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm) e de Pediatria (SBP). Em carta conjunta, as entidades médicas justificam o pedido “frente à grande dificuldade de alcançarmos a [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Verônica Almeida</strong></p>



<p>Uma <a href="https://sbim.org.br/noticias/1744-sbim-e-sbp-solicitam-ao-ms-ampla-campanha-informativa-sobre-a-polio">campanha de comunicação prolongada para conscientizar sobre a importância da vacina contra a paralisia infantil</a> foi sugerida desde 17 de outubro ao Ministério da Saúde pelas Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm) e de Pediatria (SBP). Em carta conjunta, as entidades médicas justificam o pedido “frente à grande dificuldade de alcançarmos a meta mínima de 95% da população-alvo da campanha de vacinação em curso no Brasil e tendo em conta que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou campanha de conscientização sobre vacina contra a poliomielite, vetando apenas o pronunciamento nacional do Excelentíssimo Ministro da Saúde”.</p>



<p>De acordo com o pedido, a campanha deveria focar em quatro pontos, considerados fundamentais pelas duas sociedades. O primeiro deles diz respeito aos “riscos reais que representa a poliomielite”, o segundo enfatiza a necessidade de alcançar “a cobertura vacinal de ao menos 95% da população-alvo para evitarmos que a doença retorne ao Brasil”, o terceiro defende “a segurança das vacinas VIP (injetável) e VOP (oral)”, enquanto o quatro destaca a “importância de seguir o esquema vacinal preconizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI)”.</p>



<p>O presidente da SBIm, Juarez Cunha, diz que é preciso recuperar “a efetividade do PNI, para que o programa continue sendo de sucesso”. Segundo ele, o trabalho conjunto de municípios, Estados e do Governo Federal tem destacada importância nesse cenário.</p>





<h2 class="wp-block-heading">Agenda pelos direitos da infância</h2>



<p>A efetividade do PNI é uma questão defendida pela Sociedade Brasileira de Imunizações num grupo maior de entidades da chamada <a href="https://agenda227.org.br/propostas/">Agenda 227</a>, que levou recentemente a candidatos a presidente da República propostas para a saúde e outros temas relacionados ao desenvolvimento e proteção da infância e da adolescência. Movimento apartidário nacional, da sociedade civil, lançado em abril deste ano, a Agenda 227 formulou as sugestões principalmente em razão dos impactos da crise deixada pela pandemia de Covid-19 e dos retrocessos em políticas públicas dos últimos anos. Faz alusão ao artigo 227 da Constituição Federal de 1988: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.</p>



<p>No item saúde da Agenda 227, dentre as propostas estão “reconquistar as metas de cobertura vacinal, recuperando a efetividade do Programa Nacional de Imunizações” e “fortalecer a Atenção Primária em Saúde, promovendo os atendimentos com foco nas crianças e nos adolescentes na Atenção Básica, por meio da expansão da Estratégia de Saúde da Família (ESF)”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Informação contra fake news</h2>



<p>A SBIm lançou a campanha <a href="https://paralisiainfantil.com.br/"><em>#VacinarParaNãoVoltar (VPNV)</em></a>, sobre a vacinação contra a pólio. A entidade também integra o projeto <a href="https://sbim.org.br/prcv/"><em>Pela Reconquista das Altas Coberturas Vacinais (PRCV)</em></a> <strong> </strong>numa parceria com o<strong> </strong><a href="https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/">Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz)</a> e o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programa-nacional-de-imunizacoes-vacinacao">PNI</a>, que tem apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e de outras entidades. O objetivo é recuperar as altas coberturas de vacinação e mobilizar a sociedade numa rede colaborativa e solidária. Dissemina informações seguras sobre doenças e vacinas, desfazendo notícias falsas e esclarecendo acerca dos imunizantes. O “<a href="https://www.youtube.com/watch?v=2Zi7AqdoE5c">Tira-Dúvidas</a>” da iniciativa, em formato de vídeos, fala da importância de se vacinar contra doenças que não são transmitidas no momento no Brasil, mas que podem voltar, como a poliomielite, e da segurança das vacinas distribuídas no País pelo SUS.</p>



<p>*&nbsp;<strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><p><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;página de doação</a><em>&nbsp;ou, se preferir, usar nosso&nbsp;</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em></p><p><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></p></blockquote>



<p></p>
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		<title>Orçamento, mobilização e comunicação para ampliar a cobertura de vacinas</title>
		<link>https://marcozero.org/orcamento-mobilizacao-e-comunicacao-para-ampliar-a-cobertura-de-vacinas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 20:52:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Verônica Almeida Embora o movimento antivacinas originado fora do Brasil possa influenciar uma ou outra família por aqui, os especialistas em vacinação e saúde pública acreditam que há problemas nacionais urgentes que precisam ser atacados com armas bem conhecidas, mas que foram sendo deixadas de lado nos últimos seis anos. Investimento prioritário para o [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Verônica Almeida</strong></p>



<p>Embora o movimento antivacinas originado fora do Brasil possa influenciar uma ou outra família por aqui, os especialistas em vacinação e saúde pública acreditam que há problemas nacionais urgentes que precisam ser atacados com armas bem conhecidas, mas que foram sendo deixadas de lado nos últimos seis anos. Investimento prioritário para o Programa Nacional de Imunizações e a Atenção Básica do SUS, uma articulação maior entre a coordenação do PNI e as equipes de saúde que atuam nas comunidades, estrutura eficiente para registro e análise dos dados da vacinação, campanhas publicitárias permanentes em todas as mídias, inclusive as tradicionais como TV e rádio e muita mobilização social, com diferentes setores por meios presenciais são algumas das medidas. Em resumo, uma postura a favor das vacinas declarada e transformada em ação pelos governantes.</p>



<p>“Não tem só uma causa para a queda da vacinação no Brasil. É multifatorial. Será importante uma atuação conjunta dos setores da saúde, da educação e da assistência social, além de devolver liderança ao PNI e melhorar o atendimento nos postos de saúde. A experiência muito boa do passado nos deixa otimistas de que somos capazes de retomar a cobertura. Discursos sobre menor vacinação no mundo não justificam a situação no Brasil. Por que está caindo a vacinação no país? Não temos movimento antivacina forte, daí ser o momento para combater o problema. Temos muito o que fazer e a gente dará conta”, afirma a pesquisadora Patrícia Boccolini, do Observatório de Saúde da Infância (Observa Infância), que reúne estudiosos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Centro Universitário Arthur de Sá Earp Neto (Unifase), do Rio de Janeiro.</p>



<p>Patrícia, que é professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis do Unifase, afirma que análises feitas pelo Observa Infância em dados dos Sistemas de Informação do PNI e de Nascidos Vivos apontam, na última década, para uma cobertura vacinal em queda quanto aos quatro imunizantes pioneiros, aqueles que originaram o calendário básico de vacinação no território nacional no fim da década de 1970: as vacinas contra sarampo, poliomielite, formas graves de tuberculose (BCG), difteria, tétano e coqueluche (DTP). Segundo ela, a cobertura vacinal contra pólio em 2021 foi a menor dos últimos 25 anos, com apenas 75% do público recebendo a proteção. Em 2019, lembra, o Brasil perdeu o Certificado de País Livre do Sarampo concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em razão dos surtos. Há dez anos o país não atinge a meta de vacinar 95% das crianças contra essa doença altamente contagiosa, caracterizada por coriza, manchas vermelhas na pele, podendo evoluir com pneumonia, problemas neurológicos e deixar sequelas como surdez. As análises do Observa Infância compreendem informações no Brasil, por Estados e capitais </p>



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<h2 class="wp-block-heading">Risco real</h2>



<p>Há um risco real de retorno de doenças antes erradicadas ou controladas, segundo Patrícia. “A pólio é endêmica. Um viajante pode trazer a doença e, com cobertura vacinal baixa no país, aquelas crianças mais vulneráveis podem se infectar e adoecer”, explica. Ainda conforme a pesquisadora, “há quatro décadas não tínhamos mortes por sarampo, mas nos últimos três anos no Brasil foram 26 óbitos de crianças com menos de 5 anos e aumento nas hospitalizações”. São mortes, destaca, evitáveis. Além de falta de investimento e de liderança no Programa Nacional de Imunizações, ela observa como agravante o fato de o país ter uma autoridade na presidência da República que é contra vacinas. “O que o PNI ainda faz deve-se unicamente aos técnicos que lá trabalham. Há um projeto de desarticulação do programa, com impacto em todas as esferas”, observa.</p>



<p>Patrícia Boccolini também chama a atenção para o retorno da grave insegurança alimentar. “As famílias que passam fome estão naturalmente mais preocupadas se terão comida hoje ou amanhã do que com vacina ou com uma doença que elas não veem, como a poliomielite”. É importante, na opinião da pesquisadora, que os programas de assistência e renda mínima voltem a acompanhar a vacinação das crianças. “O Bolsa Família fazia isso, o auxílio atual não exige o cartão de vacina em dia”, lembra.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Atenção básica atuante</h2>



<p>A pesquisadora defende uma melhor atuação da Atenção Básica do SUS, “com horários prolongados nas salas de vacinação dos postos, onde a população majoritariamente leva suas crianças para serem imunizadas” e uma integração desse tipo de ação com a rotina de outras atividades das unidades de saúde. Uma mãe que vai vacinar o filho na hora do intervalo do trabalho e encontra a sala de vacina fechada ou outro argumento do serviço para não oferecer a vacina, pode não ter uma segunda oportunidade para retornar, ressalta Patrícia. Ações no final de semana poderiam ajudar a regularizar o cartão de vacina, que precisa ser seguido com doses e prazos para cada faixa de idade.</p>



<p>Ela também observa que se perdeu muito da comunicação com a população. “Temos observado uma redução importante no investimento do governo federal em campanhas. É preciso falar o ano inteiro sobre a importância de vacinar as crianças e mostrar as consequências quando não se vacina. Antes o Zé Gotinha estava em todo o lugar, nos programas de TV e rádio, ele precisa reocupar espaços no imaginário popular”. A pesquisadora destaca a importância do investimento amplo na comunicação, além da adoção de uma linguagem que seja entendida pelos diferentes públicos e ações voltadas aos escolares. “Os municípios precisam de apoios dos governos federal e estaduais”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mais investimento</h2>



<p>Para o médico sanitarista Gonzalo Vecina, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a baixa cobertura vacinal ocorre desde 2016, quando também foi promulgada a Emenda Constitucional 95, estabelecendo o teto nas despesas públicas. “Com isso, muitos gastos deixaram de ser realizados por não caberem no teto. Um dos primeiros, no Ministério da Saúde, foi com campanhas, consideradas então desnecessárias. O nosso Programa de Imunização, com sucesso, é baseado em campanhas”. Desde então, completa, não é feita convocação para vacinar. Os negacionistas da vacina, acredita, devem representar 2% a 3%, mas numa proporção maior, de 15% a 20%, haveria pessoas que só querem mais explicações sobre as vacinas. Na Covid-19, exemplifica, a convocação para as dose foi feita pela imprensa, conseguindo mobilizar a população e possibilitando a cobertura alcançada.</p>



<p>Outro fator que, segundo Vecina, afeta a ida ao posto de saúde é o horário de funcionamento. “Nessa crise econômica, muitos pais têm medo de perder o emprego e o posto continua funcionando em horário comercial. A periferia funciona à noite, no sábado e domingo”, diz. Os serviços devem estar preparados para acolher o cidadão em horário estendido e nos fins de semana, defende.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mobilização nos territórios</h2>



<p>Para a superintendente de Imunizações em Pernambuco, Ana Catarina Melo, é preciso retomar estratégias que deram certo na década de 1990 e nos anos 2000, com campanhas publicitárias em massa por rádio e TV, convocações por rádios comunitárias, vacina porta a porta, em creches e escolas. “Tem que haver mobilização social nas comunidades, com o Agente Comunitário de Saúde visitando as famílias para conferir o cartão de vacina das crianças, e estratégias para facilitar a vacina, que vão desde o horário prolongado das salas de vacina nas unidades de saúde, vacinação na rede de ensino e nos domicílios”. Segundo ela, a população mudou, novas tecnologias foram incorporadas, como as redes sociais, “mas nem todos se comunicam por Face ou Instagram. Uma parte depende de TV e rádio para se informar”.</p>



<p>Em Pernambuco, desde 2009 a Lei 13.770, tornou obrigatória<strong></strong> nas unidades de ensino púbicas e privadas a apresentação da carteira de vacinação na matrícula. Na ausência do documento, recomenda-se, segundo Ana Catarina, prazo de seis meses para que seja apresentado e, diante de mais uma negativa, deve-se acionar o Conselho Tutelar.</p>



<p>Para Elizabeth Azoubel, que coordena as Imunizações no Recife, as campanhas permanentes de mídia são importantes para convocar a população para a vacina e combater as notícias falsas. Ela destaca também a importância de uma Atenção Básica ativa, com visita domiciliar pelos Agentes Comunitários de Saúde para verificar o cartão de vacina das crianças e ações em diferentes espaços, como a campanha feita no momento pelo município nas creches, escolas e unidades móveis.</p>



<p>*&nbsp;<strong><em>Este conteúdo integra a série Eleições 2022: Escolha pelas Mulheres e pelas Crianças. Uma ação do Nós, Mulheres da Periferia, Alma Preta Jornalismo, Amazônia Real e Marco Zero Conteúdo, apoiada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal</em></strong></p>



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