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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>A carrocinha de cachorro-quente que, há 60 anos, testemunha a degradação do centro do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Carolina Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jan 2024 13:50:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[centro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na esquina da rua da Palma com a Tobias Barreto há uma pequena e disputada testemunha das mudanças no centro do Recife dos últimos sessenta anos. Apenas pelo olhar, é mais uma das carrocinhas de alimentação que se espalham nas esquinas cada vez mais esvaziadas do chamado vuco-vuco. Mas o cachorro-quente do Amaro é especial: [&#8230;]</p>
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<p>Na esquina da rua da Palma com a Tobias Barreto há uma pequena e disputada testemunha das mudanças no centro do Recife dos últimos sessenta anos. Apenas pelo olhar, é mais uma das carrocinhas de alimentação que se espalham nas esquinas cada vez mais esvaziadas do chamado vuco-vuco. Mas o cachorro-quente do Amaro é especial: o segredo, dizem, está no molho. Há seis décadas, a carrocinha se mantém no centro. Há 60 anos na mesmíssima esquina.</p>



<p>O comércio foi fundado, claro, por Amaro. Em 1963, Amaro Belarmino de Oliveira começou a vender cachorro-quente no Cais de Santa Rita. Passou pouco tempo e logo se mudou para a entrada de um prédio naquela esquina. Foram 30 anos do lado de dentro e 30 anos (e contando) do lado de fora. “O dono do prédio pediu para ele desocupar, porque ia fazer a partilha dos bens dele”, conta Marcos Kennedy, um dos sete filhos que Amaro criou vendendo cachorro-quente e quem, há 30 anos, mantém o nome do pai como o lanche mais disputado do centro do Recife.</p>



<p>Já às 7h da manhã Marcos, que tem a mesma idade do negócio, está pelo centro. Sai cedo de casa, no Pina, de bicicleta, de segunda a sábado. Só não vai quando chove. Faz a limpeza diária da carrocinha antes de começar a vender, às 8h. Vai até 16h ou até o fim do estoque &#8211; o que não é raro de acontecer. Tem dias que vende 200 cachorros-quentes. Usa máscara cirúrgica (“porque lido com alimentos”) e não aceita dinheiro enquanto ainda está servindo o lanche (“para não contaminar”).</p>



<p>Uma alteração que Marcos fez na carrocinha foi um “puxadinho” de madeira para evitar que cocô de pombo caia sobre ele. Acredita que as aves &#8211; que transmitem várias doenças para os humanos &#8211; contribuíram para a morte do pai em 2007, por doença respiratória. Seu Amaro trabalhou até perto de morrer, aos 79 anos.</p>



<p>Do começo do negócio para cá, a maior mudança foi nos refrescos que acompanham o cachorro-quente. Antes, eram tamarindo, cajá e mangaba. Tamarindo e cajá, seu Marquito, como os clientes antigos o chamam, encontra fácil. Mas a mangaba sumiu do mercado. Pouco antes da pandemia já era difícil achar a fruta, tinha só um fornecedor que ele conhecia. Depois, ficou sem nada. “Era o refresco mais conhecido daqui, o povo era louco por ele. Mas não tem mais a fruta, acho que por conta dos condomínios que estão construindo onde a mangaba cresce”, lamenta.</p>



<p>A decadência que o centro do Recife enfrenta hoje, Marcos credita à explosão do crack. “O mundo era outro. De 20 anos pra cá, talvez mais, o centro mudou muito. O viciado não pensa, ele vê algo e toma à força. Já vi inúmeras violências aqui, mas a gente tem que ficar calado, na da gente. Roubo de corrente sempre acontece. A polícia deveria focar no atravessador: se não tivesse essa figura, o ladrão não ia ter a quem vender o roubo”, diz. Já levaram três bicicletas que ele usa para ir trabalhar.</p>



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	                                        <p class="m-0">Para Gustavo, cachorro-quente do Amaro tem sabor de infância. Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Além de melhorar a segurança no centro, ele nota que os fios, ao longo dos anos, foram deixando a vista do centro do Recife mais caótica. “É uma poluição. Acho que é algo difícil de ser feito, mas é preciso. O trânsito precisa de educação. Ninguém quer dar a vez, param onde não se deve”, diz. E pede que o centro comercial também seja incluído no turismo recifense, com a Casa da Cultura e o Forte das Cinco Pontas.</p>



<p>Os clientes mais antigos, mesmo que não frequentem o centro com a mesma assiduidade de antes, não abandonam o cachorro-quente. O comerciante Gustavo Rodrigo desde os dois anos de idade vai ao cachorro-quente de Amaro. Conheceu porque um tio era dono de uma loja de autopeças na outra esquina. Hoje, mais de 40 anos depois, segue cliente do cachorro-quente com pão francês, carne moída e gosto de comida caseira. E um tempero de nostalgia. “O centro do Recife era com esses mesmos prédios que estão aqui hoje. Mas o tipo de comércio era outro: na época isso aqui era uma rua só de peças de carros e ferramentas. Tinha muito mais gente vindo aqui, era muito mais seguro. Ou, melhor dizendo, a sensação de segurança era maior, a gente não sabia tanto sobre a violência, porque não havia internet, não se era tão ligado em notícias”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O molho é o segredo</strong></h2>



<p>A receita do molho foi criada por Amaro. Marcos não cozinha o cachorro-quente. É outro irmão dele, Adeílton, quem faz de madrugada toda a preparação da salsicha, da carne moída e do molho &#8211; que tem pimenta do reino como carro-chefe, e, sim, é uma delícia. Os pais de Marcos e Adeilton não tiveram filhas, foram sete filhos homens. “O peixe de coco lá em casa tinha que ser no coco ralado. E a gente ajudava nisso”, conta Marcos, que nasceu e cresceu em Brasília Teimosa, “onde surgiu o primeiro conselho de moradores da América Latina”, exalta.</p>



<p>Ele tem viva na mente a memória da mobilização da população pelo acesso à praia e à moradia. “Era um conselho de muita luta, fazia protestos, era muito politizado. Brasília Teimosa tem muita história. O Iate Clube construía muro para que o povo não tivesse acesso à praia. e a gente ia lá de noite e derrubava. E antes teve o governo, que derrubava as casas que o povo construía. Eu era pequeno, mas meu pai participou desse movimento”, conta.</p>



<p>A tradição familiar na culinária vai seguir quando os irmãos se aposentarem. Mas nem o filho de Marcos, nem o de Adeílton devem levar adiante o cachorro-quente de Amaro. André Luiz, filho de Adeílton, é chef de cozinha, mas na Irlanda, onde trabalha em uma restaurante de comida internacional. “Ele quer pegar o ponto do molho do cachorro-quente do pai, mas ainda não acertou”, se diverte Marcos.</p>



<p>Já o filho único de Marco é juiz federal. Com o dinheiro do cachorro-quente &#8211; “e do trabalho da minha esposa, que trabalhava numa confecção, a gente dava um jeito aqui e ali” &#8211; Felipe Mota foi estudar no colégio Boa Viagem, “um colégio de rico”. Começou Direito na Universo e terminou na Unicap. Passou em vários concursos, que o pai enumera orgulhoso: Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco, Procuradoria do Banco Central e Procurador da República…Há dez anos assumiu como juiz federal em Serra Talhada e agora está em Garanhuns. “Ele não pede para eu parar de trabalhar. Ele sabe que não adianta, eu venho escondido. Ele não quer que eu pedale, mas eu pedalo escondido. Sou viciado em pedalar”, ri.</p>



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	                                        <p class="m-0">Marcos vai do Pina ao centro de bicicleta todos os dias, Crédito: Arnaldo Sete/MZ Conteúdo</p>
	                
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		<title>Moradores deixam Ocupação Marielle Franco, no Centro do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Apr 2019 00:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com Maria Carolina Santos A Ocupação Marielle Franco, no Centro Recife, foi um marco na luta pela moradia popular no centro da cidade. Foi também simbólica na participação feminina à frente dos movimentos sociais e ajudou a mudar a percepção de grupos mais sensíveis da sociedade civil e de parte da mídia tradicional, sobre as ocupações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com Maria Carolina Santos</p>
<p>A Ocupação Marielle Franco, no Centro Recife, foi um marco na luta pela moradia popular no centro da cidade. Foi também simbólica na participação feminina à frente dos movimentos sociais e ajudou a mudar a percepção de grupos mais sensíveis da sociedade civil e de parte da mídia tradicional, sobre as ocupações populares (que já foram por muito tempo tratadas como invasões) e sobre as razões pelas quais famílias inteiras decidem enfrentar riscos como a ameaça das desocupações violentas e reações negativas de outros grupos sociais ao ato de &#8220;violar a propriedade privada&#8221;, mesmo em nome da justiça social.</p>
<p>Neste sábado (6), depois de 382 dias, ela chegou ao fim. Mas não foi por ordem judicial, pelo enfraquecimento da articulação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que coordenou a ocupação, ou por desistência por parte das mulheres que comandaram todo o processo. O imóvel, localizado no  número 91 da Praça da Independência, bem no Centro do Recife, abandonado há dez anos, deixou de oferecer condições dignas e seguras às famílias que resistiram no local por mais de um ano. &#8220;É muita tristeza, mas não perdemos a luta&#8221;, assegura Edilene Correia, de 45 anos, na ocupação desde o início.</p>
<p><div id="attachment_14862" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Branca_.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14862" class="wp-image-14862 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Branca_.jpg" alt="Edilene fixou na sua porta a placa de Marielle Franco. Ao lado, o caminhão com sua mudança pronto para seguir. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="530" /></a><p id="caption-attachment-14862" class="wp-caption-text">Edilene fixou na sua porta cartaz de Marielle Franco. Ao lado, o caminhão com sua mudança pronto para seguir. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>Na madrugada do dia 20 de março do ano passado, cerca de 200 famílias iniciaram a ocupação do antigo Edifício SulAmérica. Liderada por Mulheres do MTST, a ocupação ganhou o nome de Marielle Franco, em homenagem à vereadora que havia sido brutalmente assassinada uma semana antes. Na assembleia realizada na noite da última sexta (5), restavam apenas 30 famílias entre os atuais moradores e, conjuntamente com a direção do MTST, elas decidiram deixar o prédio.</p>
<p><div id="attachment_14858" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_escadaria_.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14858" class="wp-image-14858 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_escadaria_.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="354" /></a><p id="caption-attachment-14858" class="wp-caption-text">Móveis dos andares altos desceram amarrados em corda, enquanto os ocupantes carregavam sacolas e objetos pequenos pela escadaria. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>A decisão não foi fácil. Por um ano, essas famílias puderam morar no centro da cidade, ter acesso a serviços e espaços restritos apenas a quem tem condições financeiras de morar em bairros centrais, mas viveram parte do tempo também sem água, sem esgoto, sem energia e, principalmente, sem esperança de uma solução por parte do poder público que ignora os imóveis abandonados e deteriorados no centro da cidade, mesmo com a legislação em vigor que determina a função social da propriedade. A sociedade civil, que inicialmente se mobilizou para defender a ocupação e viabilizar doações, passada a comoção, também se afastou do problema e as doações ficaram cada vez mais escassas.</p>
<blockquote><p><a href="http://marcozero.org/domingo-na-ocupacao-marielle-franco/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Domingo na Ocupação Marielle Franco</a></p></blockquote>
<p>A precariedade do edifício, abandonado desde 2008, se mostrou um grave risco à integridade dos ocupantes. Os problemas do sistema de água e esgoto, por exemplo, foram se agravando, e o custo para a manutenção ficou cada vez mais alto. Parte do primeiro andar, que abrigava o mobiliário doado para a creche, estava inundado por esgoto. O sistema de bombas, instalado por iniciativa da sociedade civil e responsável por puxar água do poço para as caixas d&#8217;água, queimava periodicamente. Sem abastecimento, as famílias precisavam carregar água para os seis andares e o projeto da cozinha comunitária ficou inviável.</p>
<p>Dez famílias seguiram para outra ocupação do MTST, a Carolina de Jesus, no Barro, Zona Oeste do Recife. Algumas foram para casa de familiares e outras continuam a busca por moradia digna por conta própria. O mobiliário doado ficará armazenado pelo movimento para ser utilizado posteriormente na Ocupação Carolina de Jesus. O edifício foi fechado e o portão soldado após a completa desocupação, finalizada neste sábado (6), por volta das 20h, . O clima de despedida na arrumação da mudança era de tristeza, mas também de firmeza. É necessário, se posicionaram as mulheres, honrar essa trajetória que durou pouco mais de um ano e transformou a vida e a luta por moradia.</p>
<p><div id="attachment_14857" style="width: 1610px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Rejane_.jpg"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-14857" class="wp-image-14857 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/04/Desocupação-da-Marielle-Franco_Rejane_.jpg" alt="Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo" width="1600" height="1158" /></a><p id="caption-attachment-14857" class="wp-caption-text">A vista preferida de Rejane e as paredes desenhadas pela filha de 11 anos. Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p></div></p>
<p>&#8220;Aqui foi muito bom, mas agora é outro tempo. Estamos saindo com o coração despedaçado, mas sabendo que essa resistência mostrou a força da mulher. E é isso que o movimento representa: a luta, ensinando a gente a ser guerreira, a ter tranquilidade e a ser rude quando precisa. Eu me reconheci aqui, aos 45 anos de idade, e estou saindo de cabeça erguida&#8221;, diz Rejane Oliveira, esperando em meio aos sacos já fechados para descer com a mudança.</p>
<p>Em nota, o MTST enumera as dificuldades encontradas para a manutenção do prédio: &#8220;Dar vida a um patrimônio abandonado há tanto tempo tem seu preço. Nesse período, para manter a ocupação foram necessárias várias ações de reforma e manutenção no prédio, desde o conserto recorrente das bombas d’água, instalação de caixas d’água e um sistema de encanação por andar, reparos elétricos, recuperação da encanação dos banheiros, etc. Por um lado, essas ações acabaram sendo muito custosas, por outro, é necessário desenvolver reformas que sejam de caráter definitivo, para que se garanta moradia adequada para as famílias&#8221;.</p>
<blockquote><p><a href="http://marcozero.org/ocupacao-marielle-franco-completa-30-dias-de-resistencia-e-sonhos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ocupação Marielle Franco completa 30 dias de resistência e sonhos</a></p></blockquote>
<p>O fim da ocupação, no entanto, não representa o fim da luta por moradia digna para os moradores, tampouco significa que o MTST abre mão do prédio – que deve quase R$ 1,5 milhão em IPTU à Prefeitura do Recife. O Movimento quer que a prefeitura cumpra o decreto municipal 31.671/2018, que prevê a desapropriação de imóveis abandonados. Uma das exigências do decreto é justamente que o imóvel não esteja ocupado.</p>
<p>O MTST também vai solicitar que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) acompanhe o caso, já alvo de inquérito civil com o objetivo de garantir o direito à moradia digna das famílias da Ocupação Marielle Franco.</p>
<p><strong>Confira na íntegra a nota do MTST:</strong></p>
<p><em>QUE OS IMÓVEIS ABANDONADOS E DEVEDORES VIREM MORADIA E TRABALHO PRA O POVO!</em></p>
<p><em>Nota sobre a Ocupação Marielle Franco.</em></p>
<p><em>O MTST Brasil vem comunicar que, após um ano de muita luta, resistência e esperança, a Ocupação Marielle Franco seguirá a luta em outro formato.</em></p>
<p><em>Isso porque a continuidade desse processo, diante do completo descompromisso da gestão municipal em avançar num diálogo fundamental para a cidade, exige de nós bastante responsabilidade e outras garantias. Dar vida a um patrimônio abandonado há tanto tempo tem seu preço. Nesse período, para manter a ocupação foram necessárias várias ações de reforma e manutenção no prédio, desde o conserto recorrente das bombas d’água, instalação de caixas d’água e um sistema de encanação por andar, reparos elétricos, recuperação da encanação dos banheiros, etc. Por um lado, essas ações acabaram sendo muito custosas, por outro, é necessário desenvolver reformas que sejam de caráter definitivo, para que se garanta moradia adequada para as famílias.</em></p>
<p><em>Neste sentido, tomamos a iniciativa de desocupar o prédio para:</em></p>
<p><em>· Exigir da Prefeitura da Cidade do Recife o cumprimento do Decreto nº 31.671 de 2018, que prevê a desapropriação de imóveis abandonados, sendo uma de suas exigências que o imóvel não esteja ocupado;</em></p>
<p><em>· Finalizar os projetos de reforma hidráulica e elétrica, captar os recursos necessários e implementar os mesmos, sem que as famílias estejam expostas a uma situação de risco;</em></p>
<p><em>· Que os projeto de creche, cozinha produtiva para as mulheres e outras iniciativas sejam implementados para as famílias em outros locais viabilizados pelo movimento;</em></p>
<p><em>· Solicitar do Ministério Público o acompanhamento do caso, mediante Inquérito Civil já aberto com o objetivo de garantir o direito à moradia das famílias da Ocupação Marielle Franco, recomendando para isso que a Prefeitura da Cidade do Recife tome também as medidas cabíveis para que isso aconteça.</em></p>
<p><em>Agradecemos a todas e todos apoiadores que até aqui fortaleceram esse marco da resistência no Recife, afirmando que esse é mais um passo necessário para a conquista definitiva que atingiremos.</em></p>
<p><em>Fé na luta, venceremos!</em></p>
<p><em>MTST, a luta é pra valer!</em></p>
<p>[Best_Wordpress_Gallery id=&#8221;88&#8243; gal_title=&#8221;Desocupação da Marielle Franco&#8221;]</p>
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		<title>Conde da Boa Vista vai mudar. De novo, sem debate</title>
		<link>https://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 May 2018 18:35:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[avenida]]></category>
		<category><![CDATA[centro]]></category>
		<category><![CDATA[centro do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem manchetes nem pompa, no dia 4 de dezembro de 2017 Maria Eduarda Andrade Lima Campos, filha do ex-governador Eduardo Campos, deixou seu cargo de gerente no Instituto Pelópidas Silveira para assumir a diretoria de Projetos Especiais da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). Mais do que duplicar o salário – passou [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sem manchetes nem pompa, no dia 4 de dezembro de 2017 Maria Eduarda Andrade Lima Campos, filha do ex-governador Eduardo Campos, deixou seu cargo de gerente no Instituto Pelópidas Silveira para assumir a diretoria de Projetos Especiais da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb). Mais do que duplicar o salário – passou de R$ 5.036,00 para mais de R$ 10.300,00 -, a nomeação assinada pelo prefeito Geraldo Julio conferiu à jovem arquiteta de 25 anos a responsabilidade de coordenar o novo projeto de requalificação da avenida Conde da Boa Vista.</p>
<p>Não é fácil a tarefa de resolver os problemas da mais desastrosa intervenção urbana dos 12 anos de gestão petista no Recife e que as obras do BRT, iniciadas no governo do seu pai e ainda inacabadas, só agravaram.</p>
<p>Após o embate eleitoral contra João Paulo nas eleições de 2016, a Conde da Boa Vista tornou-se um desafio a ser superado pelo atual prefeito. Em janeiro e fevereiro deste ano, Geraldo Julio afirmou pelo menos duas vezes, em entrevistas para veículos distintos, que o projeto estava sendo “discutido com algumas representações da sociedade e pretendo apresentar o projeto nas próximas semanas, as obras devem começar ainda nesse semestre”.</p>
<h5><span style="color: #ff6600;"><a href="https://radiojornal.ne10.uol.com.br/noticia/2018/02/05/nao-houve-discussao-diz-geraldo-julio-sobre-uber-no-carnaval-57074" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="color: #ff6600;">Escute a entrevista de Geraldo Julio falando sobre a Conde da Boa Vista (trecho a partir de 15’53&#8243;)</span></a></span></h5>
<p>Se as palavras do prefeito estivessem corretas, a filha de Eduardo Campos estaria conduzindo dezenas de reuniões e fóruns de debates sobre a avenida. O fato é que, meses após as afirmações do prefeito e de Maria Eduarda assumir a coordenação do projeto, as “representações da sociedade” não participaram de qualquer discussão ou debate sobra a próxima intervenção na avenida. E só não desconhecem completamente o projeto porque fotos de vários fragmentos já circulam de celular em celular. A única exceção foi a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), cujos diretores foram contemplados com uma apresentação exclusiva.</p>
<h2>Entidades de arquitetura querem contribuir</h2>
<p>Se o debate anunciado pelo prefeito estivesse realmente ocorrendo, seria natural que dele estivesse participando o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-PE), afinal uma das missões da entidade é promover “o aperfeiçoamento do exercício da Arquitetura e do Urbanismo”. O arquiteto e empresário Sandro Guedes, integrante do Conselho, da diretoria da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PE) e do Conselho da Cidade do Recife assegura que não participou de nenhuma discussão “nem representando o CAU, Ademi ou como conselheiro da Cidade”.</p>
<p>Guedes acredita que o projeto tenha sido “elaborado internamente, não chegou para discussão pública”. Mesmo assim, ele o viu em uma reunião na prefeitura: “Não era ainda o projeto executivo, acredito que foi entregue para análise da acessibilidade. O CAU ainda tentará contribuir”.</p>
<p>O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) solicitou à prefeitura, em março, que o projeto fosse apresentado aos seus integrantes. O presidente da seccional pernambucana, Roberto Ghione, contou que “a gente não conhece ainda o projeto. Foram apresentados ofícios na Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano e na Emlurb, solicitando divulgação e debate público do projeto”.</p>
<p>O presidente do IAB admitiu que ele e muitos dos diretores estão preocupados com o modo como a questão está sendo tratada pela prefeitura: “Defendemos que obra pública deve ser realizada através de concurso de projetos. Nesse caso, por sua significância, representatividade e operacionalidade deveria, no mínimo, ter um debate com a participação de profissionais especializados e da sociedade em geral. São intervenções muito sensíveis, que envolvem a vivência diária de muita gente. Por isso tem que ser intervenções bem pensadas e compartilhadas, que envolvem dinheiro público. Fazer entre quatro paredes, sem consultar todos os interessados, não é o caminho adequado”.</p>
<h2>Universidades conveniadas nada sabem</h2>
<p>Como a prefeitura mantêm convênios com duas universidades exatamente nessa área, havia a possibilidade dessas instituições estarem participando da elaboração do projeto. A hipótese não foi confirmada.</p>
<p>A assessoria de comunicação do grupo multidisciplinar de Pesquisa e Inovação para as Cidades (Inciti), da Universidade Federal de Pernambuco, informou que o grupo não foi convidado e não participou de nenhum debate sobre a qualificação da avenida Conde da Boa Vista. Essa rede de pesquisadores da UFPE desenvolveu, em convênio com a secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife, o projeto Parque Capibaribe.</p>
<p>Com a Universidade Católica de Pernambuco, a prefeitura mantém um projeto específico para planejar propostas e estratégias de revitalização para a área central da capital pernambucana. É o Plano Centro Cidadão. Apesar da Conde da Boa Vista integrar o objeto do convênio, os urbanistas da Unicap só conhecem o projeto da avenida “de ouvir falar”.</p>
<p>Uma das coordenadoras das ações do Plano, Clarissa Duarte, mantêm o otimismo: “Buscamos contactar a Secretaria responsável e nos foi informado que seremos convidado a participar em momento oportuno, uma vez que estão ainda amadurecendo e lapidando aspectos importantes da proposta que não podem ser apresentados à sociedade com certas indefinições”.</p>
<p>Em sua opinião, como a sociedade civil possui fóruns de mobilização e exige ser ouvida, o debate acontecerá. “O momento é de grande demanda por participação da sociedade, acho pouco provável que a gestão escolha o caminho da ‘imposição urbanística’. Temos o exemplo recente da colaboração entre Prefeitura e sociedade civil com o caso da humanização de trecho da Rua do Príncipe, que levou em consideração os trabalhos realizados pelo Centro Cidadão’.</p>
<h2>Ciclistas não foram consultados</h2>
<p><div id="attachment_8692" style="width: 410px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Amiciclo1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8692" class="wp-image-8692" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Amiciclo1-300x233.jpg" alt="Amiciclo" width="400" height="312"></a><p id="caption-attachment-8692" class="wp-caption-text">Página do Plano Diretor Cicloviário apontando a necessidade de uma ciclovia na Conde da Boa Vista</p></div></p>
<p>A Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) encaram o projeto da Conde da Boa Vista como a chance da prefeitura tirar do papel ao menos uma das ciclovias previstas no Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana, elaborado de forma participativa em 2014 pelo governo de Pernambuco, ainda na gestão de Eduardo Campos. Por enquanto, isso deve ficar apenas no desejo dos ciclistas.</p>
<p>No início do ano, após as primeiras informações sobre o projeto e a entrevista do prefeito, a Ameciclo, protocolou um pedido para a Emlurb. A resposta foi decepcionante: “Disseram que a gente deveria passar lá para ver o projeto. Estranhei. Será que só existe no papel? Não tem um arquivo de Autocad para mandar por e-mail?”, espantou-se Cézar Martins, da Ameciclo.</p>
<p>Outro ativista da ONG, Daniel Valença, é mais taxativo: “A Ameciclo teve a oportunidade de opinar nas mudanças da Agamenon Magalhães, mas não foi consultada neste, que está sendo feito às escondidas, a gente não tem a mínima ideia do que vai acontecer por lá”.</p>
<h2>Nem instâncias oficiaisdiscutiram</h2>
<p>Em tese, elaborar o projeto de requalificação de uma avenida seria atribuição da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), afinal seu papel institucional é, segundo o site oficial da prefeitura, “executar obras estruturadoras e serviços de engenharia com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do Recife”. A assessoria da URB, no entanto, afirmou que suas equipes não participam da formatação do projeto.</p>
<p>O Conselho da Cidade, organismo do poder executivo municipal, também não irá convocar sessões para discutir a questão. Seu presidente, o secretário municipal de Planejamento Urbano, Antônio Alexandre, posicionou-se sem meias palavras: “Não é função do Conselho. Essa será apenas uma obra de requalificação, não irá abrir uma nova via, não terá impacto ambiental. Não tenho competência para falar sobre esse projeto, mas posso garantir que todas as equipes da prefeitura ligadas ao tema estão participando e contribuído com sua elaboração”.<br />
Entre os conselheiros – o Conselho da Cidade é um órgão colegiado com participação da sociedade civil &#8211; há quem discorde do secretário. Advogado e professor de Filosofia da UFRPE, Leonardo Cisneiros solicitou oficialmente que o tema fosse incluído na pauta da próxima reunião do órgão. Antônio Alexandre negou o pedido.</p>
<p>Cisneiros rebate o secretário: “Se isso não for discutido no Conselho, será discutido onde? Estamos falado do principal corredor de transporte público da cidade”. Para justificar sua opinião, ele cita duas atribuições do Conselho previstas em sua página oficial: “Convocar audiências e consultas públicas sobre empreendimentos de impacto, planos urbanísticos, grandes obras públicas (&#8230;)” e “Requisitar, no exercício das suas atribuições, informações e documentos aos órgãos do Município do Recife, bem como convocar autoridades municipais quando necessário”.</p>
<h2>Câmara ignora discussão</h2>
<p>Presidente da recém criada Comissão de Mobilidade Urbana e Acessibilidade da Câmara Municipal do Recife, o vereador Gilberto Alves não possui nenhuma razão para criticar a opção da prefeitura em não abrir a questão da avenida para o debate. Afinal, ele foi líder do governo Geraldo Júlio na Câmara por quatro anos. Mesmo assim, ele admite sem hesitar: “Em relação à Conde da Boa Vista estou igual a você: só conheço de ouvir dizer”.</p>
<p>Na Comissão, ele coordena a discussão em torno do Plano de Mobilidade Urbana, que será transformado em lei municipal após ser debatido e aprovado pelo Legislativo. E faz um alerta: “Nenhuma intervenção na Conde da Boa Vista pode incluir parâmetros que contrariem o que fará parte do Plano”.</p>
<h2>Empresários conheceram e gostaram</h2>
<p>No dia 22 de fevereiro deste ano, os diretores da Câmara dos Dirigentes Lojistas assistiram em primeira mão a uma apresentação do projeto de requalificação da Conde da Boa Vista. Apesar de coordenar a ação, Maria Eduarda não compareceu. Quem representou a prefeitura foi João Braga, secretário de Mobilidade, e Taciana Ferreira, presidente da CTTU. As dúvidas técnicas foram esclarecidas pelo engenheiro Eduardo Cândido Coelho, sócio da Fratar Engenharia Consultiva e responsável técnico pelo projeto.</p>
<p>A atuação da Fratar no processo é tão intrigante que, em breve, merecerá um texto à parte.</p>
<p>Francisco Cunha, consultor da CDL pela TGI Consultoria, estava presente e gostou do que viu. Ele disse que a apresentação teve caráter consultivo para colher opiniões dos comerciantes do centro.</p>
<p>Segundo Cunha, a maioria das “observações feitas disseram respeito às paradas dos ônibus, à localização das estações do BRT e à circulação prevista dos automóveis. Creio que são corretas e adequadas as premissas que orientaram o estudo apresentado: a humanização da avenida e a priorização dos pedestres e dos usuários de transporte público. O desafio é conseguir adequar os fluxos intensos a uma calha limitada. Até onde pude perceber, o esforço feito estava sendo bem sucedido”.</p>
<p>Na ocasião, João Braga anunciou que as obras começariam no final de abril, conforme publicado na seção de notícias do site da CDL.</p>
<h3>Linha do tempo<br />
<iframe loading="lazy" src="https://cdn.knightlab.com/libs/timeline3/latest/embed/index.html?source=1rkOtd8dAdHjID0vOTp6G43KxzeJpWTjBDMWPdMnmYX0&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650" allowfullscreen="allowfullscreen" width="100%" height="650" frameborder="0"></iframe></h3>
<h1><b>Secretário garante que a discussão vai acontecer</b></h1>
<p>Sim, o projeto da Conde da Boa Vista será debatido, mas só quando acabar a fase de estudos e a Emlurb tiver algo mais definido para apresentar. Quem garante é o engenheiro Roberto Gusmão, que acumula os cargos de presidente da Autarquia e secretário municipal de Infraestrutura e Habitação.</p>
<p><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Resposta-Roberto-Gusmão.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-8666 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/Resposta-Roberto-Gusmão-215x300.jpg" alt="Resposta Roberto Gusmão" width="215" height="300"></a></p>
<p>Apesar de Maria Eduarda ser a responsável técnica, ele é o único gestor destacado para falar oficialmente sobre o andamento do projeto, conforme seu colega, o secretário de Planejamento Urbano Antônio Alexandre, deixou claro logo no início da apuração desta reportagem.</p>
<p>Com ênfase e demonstrando segurança. Gusmão esclareceu que a Emlurb começou ouvindo a CDL por uma razão óbvia: “A avenida é uma via essencialmente comercial, com dezenas de lojas e até um shopping, então era preciso escutar os comerciantes para conhecer a razões de algumas lojas terem estacionamento e outras não, a dinâmica dos veículos de serviço, por exemplo”.</p>
<p>Chefe direto de Maria Eduarda Campos, o secretário assegura que, em breve, as entidades serão convidadas a opinar sobre o projeto. Enquanto isso não acontece, a equipe envolvida precisa “estudar para a prova”, ou seja, fundamentar tecnicamente cada item incorporado.</p>
<p>“Vamos ouvir todas as entidades, vamos ouvir as universidades, mas não basta querer mudar alguma coisa, vai ser preciso ter estudado para a prova também, vai ser preciso saber argumentar”, diz Gusmão, sempre bem humorado. Segundo ele, o projeto, apesar de “bem estudado” não será pétreo, “estaremos abertos a mudanças, desde que sejam apresentadas para o bem do pedestre e da cidade”.</p>
<blockquote>
<h1>Detalhes de um projeto que já nasce problemático</h1>
<p>Fragmentos do projeto apresentado por Maria Eduarda Campos e por Eduardo Cândido Coelho, diretor da empresa de consultoria responsável pela elaboração da proposta, a Fratar Engenharia Consultiva, em reuniões com técnicos da prefeitura circulam nos grupos de whatsapp de arquitetos e urbanistas pernambucanos. A Marco Zero teve acesso a algumas dessas imagens, no entanto elas não podem ser publicadas para não expor os autores das fotografias. Então, a partir do que foi exibido, sinalizamos algumas mudanças que constam nos trechos do projeto que estão circulando sem autorização oficial.</p>
<p>Entre os urbanistas, as maiores fontes de preocupação são as travessias. Na maior parte da avenida estão previstas travessias assimétricas (ou descontínuas), aquelas onde o pedestre atravessa a primeira metade da avenida, para no canteiro central em uma ilha protegida por gradil e espera o sinal abrir para completar a avenida numa faixa pouco mais à esquerda ou à direita.</p>
<p>Esse tipo de travessia foi uma das opções adotadas pela mesma empresa Fratar no projeto do cruzamento das avenidas Norte e Cruz Cabugá.</p>
<p><div id="attachment_8681" style="width: 476px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/exemplo-de-travessia-descontínua-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8681" class="wp-image-8681 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/05/exemplo-de-travessia-descontínua-2.jpg" alt="Exemplo de faixa descontínua em Belo Horizonte (MG)" width="466" height="205"></a><p id="caption-attachment-8681" class="wp-caption-text">Exemplo de faixa descontínua em Belo Horizonte (MG)</p></div></p>
<p>A travessia existente no trecho da rua Sete de Setembro é uma das mais arriscadas da avenida em razão do grande movimento de pedestres. Do jeito que está previsto, o canteiro central naquele trecho poderá chegar a 1,20 metro de largura. Não parece haver espaço para tanto. Hoje, o batente existente tem apenas 40 centímetros e não há espaço para dois ônibus em movimentos passarem ao mesmo tempo, em qualquer um dos lados da Conde da Boa Vista.</p>
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento da Conde da Boa Vista com a rua Sete de Setembro</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045794370256633859/1024/10/scaletowidth#tl-1045794370256633859;'" alt="" width="428" height="453"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script>Coordenadora executiva do Plano Centro Cidadão, a urbanista Clarissa Duarte adverte para a importância das travessias, um dos principais problemas da Conde da Boa Vista: “É necessário que o pedestre tenha facilidade e conforto para a travessia, que não encontre obstáculos para atravessar a avenida em completa segurança”. Sob estes critérios, além dos gradis projetados para possibilitar a travessia em dois tempos, há mais um motivo para polêmica: em vários cruzamentos está desenhada uma faixa de pedestres bastante incomum, no mesmo sentido do fluxo dos ônibus e bem no meio da avenida. Assim, em locais como o cruzamento com a rua da Aurora, Hospício ou Gervário Pires, o pedestre poderá ficar exposto aos BRTs passando ao seu lado.</p>
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a ruado Hospício</h3>
<h3 style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045796318003331075/1024/10/scaletowidth#tl-1045796318003331075;'" alt="" width="409" height="460"></h3>
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a rua da Aurora</h3>
<h3 style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045797845875032067/1024/10/scaletowidth#tl-1045797845875032067;'" alt="" width="549" height="465"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script></h3>
<p>As calçadas de ambos lados da avenida, da rua do Hospício à Dom Bosco, serão alargadas, transformando-se em calçadões para pedestres e pelo comércio informal, apesar do projeto não mencionar essa atividade. Apesar disso, não haverá ciclovia nem de um lado nem do outro. A atual faixa exclusiva para carros desaparecerá. Apesar de mais estreita, a Conde da Boa Vista estará aberta para carros de passeio, que dividirão espaço com os ônibus comuns, pois o BRT ocupará as duas faixas centrais.</p>
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a Gervásio Pires</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045790997092499459/1024/10/scaletowidth#tl-1045790997092499459;'" alt="" width="406" height="413"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script>As estações do BRT, ainda intocadas e já deterioradas, serão deslocadas para o centro da avenida. Em alguns casos, como na altura da rua José de Alencar e das Ninfas, deixarão de obstruir os cruzamentos.</p>
<h3 style="text-align: center;">Cruzamento com a rua José de Alencar</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alwaysThinglink aligncenter" style="max-width: 100%;" src="//cdn.thinglink.me/api/image/1045799220281344003/1024/10/scaletowidth#tl-1045799220281344003;'" alt="" width="1024" height="530"><script src="//cdn.thinglink.me/jse/embed.js" async="" charset="utf-8"></script></p>
<p>O caótico cruzamento com a Soledade poderia render muita discussão caso a prefeitura não tivesse optado por obstruir o debate com especialistas. Hoje, atravessar esse trecho requer doses de paciência, perspicácia e sorte, principalmente para os muitos deficientes visuais que se deslocam todos os dias para a Fundação Altino Ventura, situada a 200 metros de distância.</p>
<p>Ao menos de acordo com as imagens que chegaram para os arquitetos, o que está prevista para esse trecho é uma confusa sequências de travessias descontínuas, incluindo uma delas em forma de letra ‘V’, que leva das duas calçadas da Soledade (do lado do Colégio São José e do ponto próximo ao prédio do consórcio Grande Recife) a uma ilha triangular chamada “hélice”.</p></blockquote>
<h2><b>Consensos e dissensos do projeto</b></h2>
<p>Mesmo sem apresentar qualquer esboço, o secretário Roberto Gusmão, revelou alguns dos aspectos do projeto que estão quebrando a cabeça dos técnicos. De acordo com ele, apesar de vários itens terem sido incluídos no projeto cujas imagens circulam extra-oficialmente, não há consenso a respeito de:</p>
<ul>
<li>Posição das paradas de ônibus comuns e dos BRTs</li>
<li>Trechos do canteiro central a serem usados pelos pedestres</li>
<li>Intervalos de tempo dos semáforos</li>
<li>Travessias de pedestres</li>
<li>Alternativa ao ar-condicionado para manter conforto nas estações de BRT</li>
</ul>
<p>Já as obras consideradas de “engenharia” já podem ser dadas como definidas e devem custar aproximadamente R$ 6 milhões. Segundo o secretário, são consideradas como “simples”, que dificilmente mudarão até a finalização:</p>
<ul>
<li>Alargamento das calçadas</li>
<li>Iluminação</li>
<li>Drenagem</li>
<li>Canteiro central para receber as estações do BRT</li>
</ul>
<p>Além disso, o projeto contemplará o mobiliário urbano (principalmente lixeiras) e paisagismo, itens que foram esquecidos no projeto de 2008, quando o prefeito era João Paulo e o secretário de Planejamento, João da Costa – curiosamente a Emlurb, na época presidida pelo próprio Roberto Gusmão, executou a obra.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/conde-da-boa-vista-vai-mudar-de-novo-sem-debate/">Conde da Boa Vista vai mudar. De novo, sem debate</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estudo confirma ociosidade de imóveis no bairro de Santo Antônio</title>
		<link>https://marcozero.org/estudo-confirma-ociosidade-de-imoveis-no-bairro-de-santo-antonio/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carlos Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Apr 2018 09:20:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura e urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[centro]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[exclusão]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um estudo inédito revela que há 42 imóveis desocupados ou menos da metade ocupados no bairro de Santo Antônio. O espaço disponível é correspondente a 2.106 unidades habitacionais. Para isso, seria necessário um investimento estimado de R$ 252.781.694,85. A área ociosa significa pouco mais de 14% do total de área construída em todo o bairro [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um estudo inédito revela que há 42 imóveis desocupados ou menos da metade ocupados no bairro de Santo Antônio. O espaço disponível é correspondente a 2.106 unidades habitacionais. Para isso, seria necessário um investimento estimado de R$ 252.781.694,85. A área ociosa significa pouco mais de 14% do total de área construída em todo o bairro – incluindo igrejas, conventos, palácios e sobrado.</p>
<p>O levantamento foi feito pela Organização não-governamental <a href="https://habitatbrasil.org.br/">Habitat para a Humanidade Brasil</a>, em parceria com a ONG FASE, o coletivo <a href="https://www.facebook.com/groups/1670804096527012/">A Cidade Somos Nós</a>, o MTST Brasil e o <a href="https://www.facebook.com/CAUSUFPE">Coletivo Arquitetura, Urbanismo e Sociedade (CAUS)</a>. O objetivo do trabalho foi identificar imóveis ociosos e vazios no centro do Recife.</p>
<p>O trabalho será divulgado hoje pela manhã, na sede da Habitat, e em seguida haverá um debate com a participação de Betina Guedes, Promotora de Habitação e Urbanismo; Antônio Alexandre, Secretário de Planejamento Urbano da Prefeitura de Recife, e o vereador Ivan Moraes, Vice-Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal do Recife.</p>
<p>&#8220;Nosso objetivo com esse levantamento é provocar o debate para promoção de habitação de interesse social em áreas centrais da cidade. Estamos em um momento essencial para essa discussão uma vez que o Plano Diretor da cidade está em processo de revisão e é justamente nele que estes mecanismos devem estar contemplados”, explica Mohema Rolim, Gerente de Programas da Habitat para a Humanidade Brasil e responsável pela coordenação do estudo.</p>
<p><strong>Estudo</strong></p>
<p>Desde 2016 o coletivo A Cidade Somos Nós vem realizando o que chamamos de Rolês da Função Social, um evento para observar e mapear de forma colaborativa a ociosidade de imóveis dos bairros do Centro do Recife”, afirma Leonardo Cisneiros, professor da UFRPE e integrante do coletivo A Cidade Somos Nós. “O objetivo, além de fazer esse levantamento, era o de realizar um debate ao vivo sobre soluções e sensibilizar as pessoas para o potencial de transformação da cidade que poderia vir de um aproveitamento desses imóveis para a moradia popular”, explica</p>
<p>Para o levantamento que será apresentado hoje, apenas edificações com 5 pavimentos ou mais foram analisadas. Essa estratégia foi usada para filtrar as edificações com maior potencial de reabilitação para habitação. Dos 1.002 lotes do bairro de Santo Antônio, cadastrados na base do <a href="http://www2.recife.pe.gov.br/servico/informacoes-geograficas-do-recife-esig">Sistema de Informações Geográficas (ESIG)</a>, 155 possuem edificações com 5 ou mais pavimentos.</p>
<p>Esta base inicial de 155 lotes foi atualizada após as idas a campo, essenciais para confirmar a informação e identificar distorções. A partir da análise de campo, um lote foi acrescido e outros 44 excluídos. Os edifícios foram excluídos pela diferença entre as informações contidas no cadastro da prefeitura e a observação em campo. Em alguns casos, o número de pavimentos do cadastro não correspondia com a realidade, ou eram imóveis históricos/institucionais em que não seria possível a produção de habitação, como no Teatro de Santa Isabel ou no Palácio da Justiça. Isso totalizou um número final de 112 lotes analisados.</p>
<p><strong>Resultado</strong></p>
<p>Dos 112 lotes, 42 estão totalmente desocupados ou com menos da metade de sua área ocupada. Isso quer dizer que 37,5% dos imóveis analisados estão ociosos. Dos 30 imóveis identificados como menos da metade da área ocupada, 26 concentravam a maioria da ocupação no térreo e/ou na sobreloja.</p>
<p>&#8220;É um número muito alto e pode ser ainda maior. A maior parte tem uma boa conservação”, afirma Mohema Rolim. Os imóveis foram classificados como Bom (74) e Regular (33), com apenas 4 apresentando conservação Ruim e 1 sem opção assinalada.</p>
<p>O nível de ociosidade no bairro pode ser ainda maior. Dos 243 domicílios particulares permanentes recenseados pelo IBGE em 2010, 100 aparecem como não ocupados, totalizando 41,15% do total de domicílios do bairro. O número apresenta um crescimento considerável em relação aos 7,49% no censo anterior (2000), onde 20 dos 267 domicílios particulares permanentes recenseados estavam vagos.</p>
<p>Os dados do estudo confirmam informações da reportagem <a href="http://marcozero.org/dividas-de-r-346-milhoes-de-iptu-expoem-abandono-e-cobica-no-centro-do-recife/">Dívidas de R$ 346 milhões de IPTU expõem abandono e cobiça no Centro do Recife</a>, que publicamos recentemente. Em particular, a mancha da inadimplência em IPTU no bairro de Santo Antônio é mais densa, revelando por sua vez a relação entre abandono de imóveis, falta de politicas habitacionais e déficit habitacional.</p>
<p>Para a professora de arquitetura e urbanismo da Unicap, Clarissa Duarte, as políticas públicas precisam destinar recursos tanto&nbsp; para o fomento do uso habitacional quanto para a reabilitação das ruas de acesso às habitações. “Esse é um caminho para intensificar a densidade habitacional, que hoje no centro é insustentável”, afirma. “O ideal se aproxima de uma densidade entre 300 a 350 habitantes por hectare&nbsp; e temos na área trechos com menos de 20 habitantes por hectare ”, completa Clarissa.</p>
<p>“Nenhum lugar do mundo se sustenta sem ser habitada, nem economicamente, nem culturalmente, muito menos do ponto de vista da segurança e da cidadania”, afirma a professora. “Serviços complementares à habitação, como creches, supermercados, farmácias e mercadinhos precisam ser simultaneamente oferecidos. Habitar é muito mais do que ter uma habitação&#8221;, afirma.</p>
<p>Espera-se com ansiedade saber como o poder público em geral e a administração municipal atual podem sinalizar melhoras nesse sentido. O debate que ocorre na sede da Habitat, depois da apresentação do estudo, uma boa oportunidade para o representante da gestão atual indicar possíveis ações que beneficiem o bem público. A ver.</p>
<p><strong>Veja o mapa com os 142 imóveis apontados no estudo. Clique sobre os pontos para informações detalhadas sobre as edificações<br />
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<p><strong>Veja o mapa de calor com os resultados do mapa acima<br />
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<div class="embed-container"><small><a style="color: #0000ff; text-align: left;" href="//marcozero.maps.arcgis.com/apps/Embed/index.html?webmap=d2f4c35d92c3437a83285d0427eb171b&amp;extent=-34.8904,-8.0699,-34.868,-8.0587&amp;zoom=true&amp;scale=true&amp;disable_scroll=true&amp;theme=light" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Visualizar mapa grande</a></small><br />
<iframe loading="lazy" title="Predios desocupados-Calor" src="//marcozero.maps.arcgis.com/apps/Embed/index.html?webmap=d2f4c35d92c3437a83285d0427eb171b&amp;extent=-34.8904,-8.0699,-34.868,-8.0587&amp;zoom=true&amp;previewImage=false&amp;scale=true&amp;disable_scroll=true&amp;theme=light" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" width="800" height="700" frameborder="0"></iframe></div>
<blockquote><p><strong>Raio X da ociosidade dos espaços no Recife</strong></p>
<p><strong>62 mil</strong> unidades é o déficit habitacional do Recife</p>
<p><strong>Universo da pesquisa:</strong> Bairro de Santo Antônio/1.002 lotes/</p>
<p>Edificações com 5 pavimentos ou mais: 112 lotes</p>
<p><strong>Resultados:</strong><br />
<strong>42</strong> completamente desocupados<br />
<strong>30</strong> com menos da metade da área ocupado</p>
<p><strong>(37,5% dos imóveis analisados estão ociosos)</strong></p>
<p><strong>16</strong> com mais da metade da área ocupada<br />
<strong>52</strong> com a maioria ou totalmente ocupado<br />
<strong>2</strong> imóveis que não tiveram situação de ocupação assinalada<br />
<strong>105.325,71</strong> m² de área construída desocupada<br />
<strong>14,37%</strong> do total de área construída em todo o bairro<br />
<strong>2.106</strong> unidades habitacionais</p>
<p>Para isso, seria necessário um investimento estimado de <strong>R$252.781.694,85</strong></p></blockquote>
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