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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Movimento de médicos que mistura aborto com cloroquina tem ligações com Ministério da Saúde</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Apr 2021 18:02:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Mariama Correia, da Agência Pública “Quem defende a vida não pode ser a favor do aborto”; “atendimento precoce salva sua vida”. Essas mensagens estão em dez outdoors espalhados por Fortaleza (CE). A ação é do “Ainda Há Bem”, um movimento formado por médicos conservadores do Ceará que surgiu de forma um tanto misteriosa. Sem [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Mariama Correia, da <a href="https://apublica.org/2021/04/movimento-de-medicos-que-mistura-aborto-com-cloroquina-tem-ligacoes-com-ministerio-da-saude/">Agência Pública</a></strong></p>



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<p>“Quem defende a vida não pode ser a favor do aborto”; “atendimento precoce salva sua vida”. Essas mensagens estão em dez outdoors espalhados por Fortaleza (CE). A ação é do “Ainda Há Bem”, um movimento formado por médicos conservadores do Ceará que surgiu de forma um tanto misteriosa. Sem divulgar a lista de seus integrantes, lançaram, em pleno feriado da Semana Santa, uma articulada campanha de marketing, com publicações em redes sociais, mídia exterior, jornais e distribuição de alimentos em bairros periféricos. Embora se diga apartidário, o grupo, que associa aborto e um suposto tratamento precoce contra a covid-19, tem ligações com gestores do Ministério da Saúde e com o grupo político do senador Eduardo Girão (Podemos).</p>



<p>Girão é autor do Projeto de Lei (PL) 5.435/2020, que ficou conhecido como “bolsa estupro”, porque queria criar um incentivo financeiro para que as vítimas de estupro não abortassem. Esse dispositivo foi retirado do PL depois da grande repercussão na mídia, mas os movimentos feministas defendem que a proposta seja cancelada por completo. “A ‘bolsa estupro’ é apenas um detalhe sórdido em um projeto cujo objetivo final é criminalizar ainda mais o aborto no Brasil”, comentou Jolúzia Batista, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea).</p>



<p>Nas redes sociais, o “Ainda Há Bem” se apresenta como um movimento estadual de médicos cristãos que pretende se tornar nacional. O site do movimento foi registrado no fim de março em nome da Inovates, uma organização que trabalha com o desenvolvimento de soluções sustentáveis para empresas. O responsável pelo domínio, de acordo com o site Registro.BR, é Gabriel Fabres Beliqui, diretor-presidente da Inovates. No registro aparece também o nome de Vinícius Nunes Azevedo, diretor do Ministério da Saúde. Ele é sócio de Gabriel Beliqui e de Anselmo Buss Júnior – o presidente da Inovates – na Inovates Consult, que tem outro CNPJ, mas o mesmo telefone e o mesmo endereço eletrônico da Inovates no cadastro da Receita Federal.</p>



<p>Vinícius foi nomeado diretor do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (Deges) em julho do ano passado, ainda na gestão do ministro Eduardo Pazuello, substituído pelo médico Marcelo Queiroga em março deste ano. Chegou a ser exonerado do cargo em fevereiro pelo ministro chefe da Casa Civil, general Braga Netto, mas a decisão foi revista poucos dias depois. A reportagem procurou o Ministério da Saúde para esclarecimentos, mas não obteve retorno até a publicação.</p>



<p>Em abril, pouco depois da aparição do “Ainda Há Bem”, Marcelo Queiroga designou Vinícius como substituto eventual da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, atualmente Mayra Pinheiro, a pediatra cearense conhecida como “capitã cloroquina”. Mayra ganhou relevância no Ministério da Saúde durante a gestão de Pazuello, quando virou uma espécie de porta-voz do chamado “tratamento precoce da covid-19”, que inclui ivermectina e cloroquina – medicações sem eficácia comprovada no combate à doença e que têm sido associadas a sérios efeitos colaterais, como hepatite.</p>



<p>A secretária Mayra divulgou o lançamento do “Ainda Há Bem” no seu perfil do Facebook. A postagem, em 31 de março, mostra os outdoors que já estavam sendo instalados em várias avenidas de grande circulação de Fortaleza e no município de Juazeiro do Norte, região do Cariri cearense. Cada outdoor custa aproximadamente R$ 750, segundo funcionários da Divulcart, empresa que assina as peças. Porém, ainda de acordo com as fontes consultadas pela reportagem, as dez peças da campanha de mídia exterior do “Ainda Há Bem” foram instaladas “sem custo, a pedido de representantes da empresa Coco Bambu”. A rede de restaurantes nascida no Ceará pertence ao empresário bolsonarista Afrânio Barreira, que, assim como o presidente, é devoto da cloroquina.</p>



<p>Pelo WhatsApp, Gabriel Beliqui informou que é “apoiador do projeto” que chamou de “bela iniciativa”. Ele disse que ajudou “apenas com o registro do domínio” do movimento Ainda Há Bem e negou que a Inovates tenha envolvimento institucional com o grupo, embora o site esteja registrado com o CNPJ da empresa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O senador e a secretária negacionistas</h2>



<p>Em 17 de março, pouco antes do lançamento do “Ainda Há Bem”, a secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, se reuniu com o senador Eduardo Girão (Podemos) e com o presidente do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), Wilames Freire Bezerra, que são seus conterrâneos. A reportagem solicitou detalhes sobre o assunto da reunião, mas não recebeu resposta do Ministério da Saúde.</p>



<p>A relação entre o empresário e senador Eduardo Girão e a secretária bolsonarista é antiga. Ela se candidatou ao Senado em 2018, formando chapa com ele, que conseguiu se eleger na época pelo Pros. Eles compartilham pautas conservadoras e são nomes fortes do ativismo antiaborto no Ceará. Como presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, ela mobilizou apoio para o movimento Pró-Vida de Fortaleza.</p>



<p>Desde 2008, a capital cearense é palco da Marcha pela Vida, um dos principais eventos do gênero Brasil, apoiado por artistas de relevo, como a cantora Elba Ramalho. A organização é do Movida (Movimento a Favor da Vida), pertencente a Eduardo Girão. Antes de assumir o mandato, Girão frequentava manifestações e audiências públicas, algumas ao lado da atual ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O papel do Sindicato dos Médicos do CE</h3>



<p>No Ceará, o sindicato dos médicos ainda é comandado pelo grupo político ligado à secretária Mayra Pinheiro. Conselheiro fiscal da atual gestão, o cirurgião Marcelo Esmeraldo Holanda apresenta o movimento de médicos anti-aborto e pró-cloroquina “Ainda Há Bem” em um vídeo. “Nós somos contra o aborto e a favor da vida porque somos cristãos por convicção”, diz na gravação. Ao lado dele está Fernando Dantas, da Associação Anjo Rafael, por meio da qual o grupo de médicos anti-aborto distribuiu alimentos na comunidade do Barroso, em Fortaleza.</p>



<p>“O grupo que está no comando do sindicato é muito ligado a pautas reacionárias. Defende cegamente Bolsonaro (mesmo com mais de 350 mil mortes por covid-19 no País), tratamento profilático ou precoce com medicações que as evidências científicas já demostraram ser ineficazes e inadequadas”, afirma o Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS do Ceará, que reuniu assinaturas de 1.113 médicos do estado, em oposição a uma nota de apoio a Bolsonaro lançada por médicos de Fortaleza, cuja lista de assinaturas inclui o vice-reitor da Universidade Federal do Ceará, o médico José Glauco Lobo Filho; a secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro; Marcelo Esmeraldo e Edmar Fernandes de Araújo Filho, que é diretor financeiro do Sindicato dos Médicos do Ceará.</p>



<p>Edmar foi presidente da entidade na gestão anterior e candidato a vereador pelo Pros, mesmo partido que elegeu Eduardo Girão no Senado. Em seu perfil no Instagram, ele defende o uso profilático de azitromicina e ivermectina no combate à covid-19, ambos remédios do chamado “kit covid”, que, como já dito, não têm eficácia comprovada contra a doença.</p>



<p>Por telefone, a comunicação do sindicato dos médicos do Ceará informou que o Ainda Há Bem é um movimento independente e que a adesão do médico Marcelo Esmeraldo não tem relação com a entidade. A comunicação da entidade disse não ter informações sobre a participação de outros integrantes da diretoria no movimento de médicos conservadores. O ‘Ainda Há Bem’ informou, pela página do Facebook, que responderia os questionamentos da reportagem por telefone, mas não fez contato até a publicação.</p>



<p>Até o momento da publicação, não recebemos informações do ministério da Saúde sobre o envolvimento dos seus servidores no movimento de médicos pró-cloroquina e contra o aborto. Também não conseguimos contato com o diretor Vinícius Nunes Azevedo.</p>



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<h4 class="wp-block-heading">Extrema-direita de jaleco</h4>



<p>O “Ainda Há Bem” não é o único movimento de médicos conservadores articulado em defesa de tratamentos ineficazes contra a covid-19 no Brasil. O próprio Conselho Federal de Medicina tem se alinhado com o discurso bolsonarista pró-cloroquina. Em fevereiro deste ano, 11 grandes jornais brasileiros publicaram um informe publicitário pró-cloroquina da Associação Médicos pela Vida, que é bancada por indústrias farmacêuticas, como revelou o Estado de S. Paulo e tem manifestos na internet com mais de 4 mil assinaturas.</p>



<p>A secretária Mayra Pinheiro e o senador Eduardo Girão também estão envolvidos na Associação Médicos pela Vida. Eles até mesmo aparecem em um vídeo do movimento. “Todo brasileiro tem direito à sua própria autonomia de receber as medicações cloroquina e hidroxicloroquina associadas à azitromicina”, diz Mayra no vídeo. “A gente vai garantir isso ao povo cearense”, completa.</p>



<p>“Nunca tínhamos visto tantos movimentos articulados de médicos conservadores no Brasil como há agora”, comenta Cristião Rosas, ginecologista obstetra, representante da Rede Médica pelo Direito de Decidir. “Esses profissionais têm se empoderado politicamente e articulado redes estaduais e nacionais, com forte discurso religioso”, observa.</p>



<p>Cristião Rosas alerta que “políticas públicas de saúde – como o enfrentamento da covid-19 e do aborto, que é legalizado no Brasil quando a gestação traz riscos para a saúde da mulher, é resultante de um estupro ou se o feto for anencéfalo – não podem ser pautadas pela religião. “Sou presbiteriano, mas entendo que descriminalizar o aborto é reduzir as mortes das mulheres, sobretudo negras e pobres. Também sou médico pela vida, mas pela vida das mulheres. Ser pró-vida não é ser antidireitos”, diz.</p>



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		<title>Flávio Bolsonaro mentiu: Búzios não zerou covid nem adotou &#8220;tratamento precoce&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Mar 2021 13:41:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conteúdo verificado: Publicação no Instagram de Flávio Bolsonaro reproduz imagens de duas notícias sobre os casos de coronavírus em Búzios, no Rio de Janeiro, após o carnaval. Na legenda do post, o senador parabeniza o prefeito da cidade pela adoção do tratamento precoce contra a covid-19. É falso que a cidade de Búzios, no litoral [&#8230;]</p>
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<p><strong>Conteúdo verificado</strong>: <strong>Publicação no Instagram de Flávio Bolsonaro reproduz imagens de duas notícias sobre os casos de coronavírus em Búzios, no Rio de Janeiro, após o carnaval. Na legenda do post, o senador parabeniza o prefeito da cidade pela adoção do tratamento precoce contra a covid-19.</strong></p>



<p>É falso que a cidade de Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, zerou as internações de pacientes de covid-19 após o Carnaval devido à adoção de um tratamento precoce contra a doença, conforme compartilhou o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em seu perfil no Instagram. A prefeitura de Búzios não adotou a medida, que, além disso, tem tido seu uso desestimulado em estudos recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS).</p>



<p>No post de 22 de fevereiro, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) destaca uma montagem com imagens de duas manchetes de grandes veículos da imprensa e cita a redução de internações na cidade. Em seu post, ele comemora a queda, atribuindo-a ao um suposto “tratamento precoce” implementado pela prefeitura.“Salvando vidas e desmascarando a ‘torcida da morte’! Parabéns ao Prefeito de Búzios pelo tratamento precoce contra #covid_19 que implementou em sua cidade!”, diz sua legenda.</p>



<p>A primeira notícia é de 16 de fevereiro, com o título “<a href="https://oglobo.globo.com/rio/defensoria-publica-de-saude-estima-que-buzios-tera-aumento-exponencial-de-casos-de-covid-19-apos-carnaval-24884979">Defensoria Pública de Saúde estima que Búzios terá aumento exponencial de casos de Covid-19 após o carnaval</a>”. A segunda é do dia 18, com o título “<a href="https://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2021/02/18/buzios-zera-numero-de-pacientes-internados-com-covid-19-e-nao-tem-casos-confirmados-nas-ultimas-24-horas.ghtml">Búzios zera número de pacientes internados com Covid-19 e não tem casos confirmados nas últimas 24 horas</a>”.</p>



<p>O senador erra ao afirmar que o prefeito da cidade, Alexandre Martins (Republicanos-RJ), adotou um protocolo de tratamento precoce, seja à base de medicações como cloroquina, ivermectina ou azitromicina – todos sem eficácia comprovada cientificamente, mas usados em diversas fake news, algumas <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/texto-engana-ao-dizer-que-cloroquina-cura-987-dos-pacientes-com-covid-19/">desmentidas pelo Comprova</a>.</p>



<p>A informação foi negada pelo próprio prefeito durante <a href="https://web.facebook.com/RC24h/videos/244708637342479">entrevista</a> concedida em 25 de fevereiro para o <a href="https://rc24h.com.br/">Portal RC24h</a>. Questionado sobre a publicação, Alexandre Martins explicou que o uso da cloroquina ou outros medicamentos do chamado “tratamento precoce” não faz parte da estratégia adotada em Búzios para o tratamento da covid-19. Os médicos, conforme indica a legislação, têm autonomia para usar, mas esta não foi uma estratégia adotada na cidade.</p>



<p>A matéria do G1, compartilhada no post de Flávio Bolsonaro, leva em consideração uma <a href="https://buzios.rj.gov.br/covid-19-zero-pacientes-internados-em-buzios-e-atuacao-do-municipio-no-enfrentamento-a-pandemia/">nota em que a prefeitura de Búzios</a> afirma não ter registrado novos casos de infecção ou internação pela covid-19 durante 24 horas, entre os dias 16 e 17 de fevereiro. No mesmo dia da publicação, entretanto, o número de infecções voltou a subir. Segundo dados do <a href="https://buzios.aexecutivo.com.br/boletim.php">boletim epidemiológico</a>, entre o sábado de carnaval (12 de fevereiro) e o fechamento desta verificação, Búzios registrou 124 novos casos de covid-19.</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Como verificamos?</h2>



<p>Consultamos os dados dos <a href="https://buzios.aexecutivo.com.br/boletim.php">boletins de evolução epidemiológica</a>, no portal da transparência da Prefeitura de Búzios.</p>



<p>Pesquisamos estudos internacionais publicados sobre o tempo médio de incubação do vírus, para entender seu contágio, e sobre a eficácia de tratamentos precoces contra a covid-19. Para falar disso, também conversamos com o infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.</p>



<p>Entramos em contato, em 23 de fevereiro, com a assessoria de imprensa da prefeitura de Búzios, por e-mail e pelo telefone, para questionar as medidas sanitárias ainda em vigor na cidade e saber por vias oficiais se a prefeitura adquiriu medicamentos para o tratamento precoce contra a covid-19, bem como o total desembolsado pelo órgão. O Comprova não obteve retorno. Em seguida, buscamos algumas repercussões na mídia sobre a postagem de Flávio Bolsonaro, e encontramos as declarações do prefeito.</p>



<p>Procuramos ainda pela assessoria de imprensa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que fez a publicação, mas não houve retorno até o fechamento da verificação.</p>



<p><em>O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 3 de março de 2021</em>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Verificação</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Tratamento precoce</strong></li></ul>



<p>Segundo o prefeito Alexandre Martins (Republicanos-RJ, mesmo partido de Flávio Bolsonaro), o uso da cloroquina ou outros medicamentos do chamado “tratamento precoce” não faz parte da estratégia adotada em Búzios para o tratamento da covid-19. Em <a href="https://web.facebook.com/RC24h/videos/244708637342479">entrevista</a> concedida em 25 de fevereiro para o <a href="https://rc24h.com.br/">Portal RC24h</a>, o prefeito explicou que o atendimento adotado pela cidade se refere a um diagnóstico rápido da doença, viabilizado através da maior disponibilidade de Unidades Básicas de Saúde (UBS), leitos hospitalares e profissionais de saúde, o que permite um atendimento mais ágil da população.</p>



<p>“Quando a gente fala em atendimento precoce, não é a medicação que se toma, mas o momento que se procura a Saúde para buscar um diagnóstico. Com atendimento precoce a gente trata mais rápido, já que é uma doença que evolui muito rápido. Isso, no nosso entendimento, é a peça chave fundamental”, esclarece.</p>



<p>Questionado pela entrevistadora se a Secretaria de Saúde da cidade, comandada pelo médico Marcelo Amaral, está orientando que o médicos receitem medicações como a cloroquina, azitromicina, ivermectina e sulfato de zinco como tratamento no início dos sintomas da covid-19, o prefeito explicou que não há uma linha de atuação definida e repassada aos profissionais. Ele também esclarece que os médicos têm total liberdade para receitar remédios para seus pacientes.</p>



<p>“Não tem um protocolo de atendimento. Óbvio que a gente sabe que hoje, o que mais se tem indicado, até por uma pesquisa que nós fizemos, é a azitromicina, ivermectina, vitamina C com zinco, é o que geralmente o que os médicos mais indicam. A cloroquina, eu particularmente não tenho visto nenhum médico indicar aqui em Búzios, e eu tenho conversado com muitos médicos.”</p>



<p>Em outra <a href="https://rc24h.com.br/noticia/ver/44595/boca-miuda--os-bastidores-da-politica-na-regiao-dos-lagos-nesta-quarta-feira--24-">reportagem</a>, publicada no dia anterior pelo Portal RC24h, o prefeito foi mais direto sobre seu posicionamento quanto ao uso da cloroquina.</p>



<p>“Estamos seguindo orientação do Conselho Federal de Medicina, cada médico receita os medicamentos de acordo com cada paciente. A cloroquina está descartada, ninguém mais usa essa porcaria”, afirmou ao jornal.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Evolução da covid-19 em Búzios</strong></li></ul>



<p>O Comprova analisou os dados sobre a covid-19 em Búzios, disponíveis no <a href="https://buzios.aexecutivo.com.br/boletim.php">portal da transparência</a> da prefeitura. Em 18 de fevereiro, a Prefeitura de Búzios divulgou em seus canais oficiais que <a href="https://buzios.rj.gov.br/covid-19-zero-pacientes-internados-em-buzios-e-atuacao-do-municipio-no-enfrentamento-a-pandemia/">não havia contabilizado novos casos de covid-19 ou internação</a> naquele dia, informação que foi replicada pelo senador Flávio Bolsonaro dias depois.</p>



<p>Os dados se referiam ao boletim do dia 17, que não registrou novos testes positivos nas 24 horas anteriores. Na ocasião, a cidade contabilizava um total de 3.132 casos desde o início da pandemia, 32 mortes, 114 pessoas em isolamento domiciliar e nenhum paciente internado. Já no dia 18, foram registradas 2 novas internações por covid-19. Na data da postagem de Flávio Bolsonaro, 22 de fevereiro, Búzios contabilizava 3.159 casos, com um paciente internado e 92 em isolamento domiciliar.</p>



<p>No <a href="https://buzios.aexecutivo.com.br/boletim.php">último boletim</a> divulgado antes da publicação desta verificação, do dia 02 de março, o município registrava 74 pacientes em isolamento domiciliar e duas internações, além de um total de 3.238 casos e 32 óbitos desde o início da pandemia. Desde o carnaval (12/02), a cidade registrou 124 novos casos do novo coronavírus.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Cedo para ter impacto</strong></li></ul>



<p>O argumento base da publicação é que nos dias seguintes ao carnaval, findado no dia 16, os números da cidade fluminense não teriam crescido. No entanto, o tempo médio de incubação do vírus é de cerca de duas semanas e estima-se que os primeiros sintomas surjam, em média, <a href="https://drauziovarella.uol.com.br/coronavirus/quanto-tempo-demora-para-aparecerem-os-sintomas-do-novo-coronavirus/">dentro de cinco dias</a>, de acordo com a universidade norte-americana Johns Hopkins, que acompanha a evolução global da pandemia. Ou seja, não é possível medir o impacto do contágio em apenas um ou dois dias, como leva a crer a postagem publicada por Flávio Bolsonaro, que se refere ao dia 18 de fevereiro.</p>



<p>“É muito cedo para dizer. O período de incubação vai até duas semanas, em média de cinco a sete dias para aparecerem os sintomas. Pelo contrário: no [período do] Natal, após as festas de final de ano, [a praia de] Pipa [RN] teve diagnóstico de duas variantes simultâneas, provavelmente de pessoas que estiveram juntas naquela região vindo de locais diferentes. Qualquer tipo de aglomeração que possa ter ocorrido no carnaval, ela vai mostrar até duas semanas depois”, afirma o infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.</p>



<p>Segundo ele, este contágio gera ainda um “efeito cascata”. “A pessoa se infectou no carnaval. Os sintomas dela aparecem em até duas semanas, mas ela pode ter transmitido para outra pessoa no período de incubação. Esta, para outras e assim sucessivamente. Então, começa a ver de uma a duas semanas depois, mas o alcance disso, sem nenhuma medida restritiva, vai muito além”, explica.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Não existe tratamento precoce</strong></li></ul>



<p>Além de encorajar aglomerações, a publicação busca ainda creditar o suposto sucesso do combate à pandemia na cidade ao “tratamento precoce” sob o argumento de que a cloroquina, hidroxicloroquina e outros medicamentos teriam prevenido o contágio.</p>



<p>Não há provas disso. Na verdade, atualmente, o consenso internacional é de que o tratamento com cloroquina <a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2021/01/27/kit-covid-e-kit-ilusao-os-dados-que-apontam-riscos-e-falta-de-eficacia-de-tratamento-precoce.htm">não tem eficácia</a> em nenhum estágio do combate à covid-19, seja no uso precoce, no surgimento de sintomas, ou no estágio grave da doença.</p>



<p>Pelo contrário. Nesta semana, a OMS <a href="https://www.sciencedaily.com/releases/2021/03/210301211630.htm">publicou um relatório</a> em que não só diz não recomendar o tratamento precoce com cloroquina como “aconselha fortemente contra” seu uso para tratar precocemente a covid-19. Segundo a organização, a droga “não é mais uma prioridade de pesquisa” e pesquisadores “deveriam focar em outras drogas”.</p>



<p>“A droga anti-inflamatória hidroxicloroquina não deve ser usada para prevenir infecção em pessoas que não estão com covid-19”, diz o texto. A recomendação é baseada em um estudo feito com 6 mil pacientes e o resultado, mais uma vez, é que a droga não oferecia eficácia alguma para prevenir a doença.</p>



<p>Em outubro do ano passado, um <a href="https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/global-research-on-novel-coronavirus-2019-ncov/solidarity-clinical-trial-for-covid-19-treatments">estudo global da OMS</a>, com 11 mil pessoas, já havia concluído que hidroxicloroquina e o antiviral remdesivir são “decepcionantes” no combate à covid e <a href="https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.10.15.20209817v1">não têm eficácia comprovada</a>.</p>



<p>“É mais uma fake news, um desserviço”, afirma Stanislau. “Evidentemente que não existe tratamento precoce nenhum. Isso é uma bobagem que só no Brasil ainda persiste.”</p>



<ul class="wp-block-list"><li><strong>Por que investigamos?</strong></li></ul>



<p>Em sua <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/projeto-comprova-inicia-terceira-fase-com-28-veiculos-de-comunicacao/">terceira fase</a>, o Comprova verifica conteúdos duvidosos sobre covid-19 e políticas públicas do Governo Federal que tenham grande potencial de viralização. A postagem do senador Flávio Bolsonaro obteve mais de 20,5 mil curtidas e endossa um tratamento sem comprovação científica.</p>



<p>O Comprova já desmentiu diversas publicações que também estimulam a desinformação sobre a doença ao promover tratamentos sem eficácia, como o texto que afirma que <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/texto-engana-ao-dizer-que-cloroquina-cura-987-dos-pacientes-com-covid-19/">cloroquina cura 98,7% dos pacientes</a> com covid-19 e que o “tratamento precoce” com a droga <a href="https://projetocomprova.com.br/publica%C3%A7%C3%B5es/tratamento-precoce-com-hidroxicloroquina-nao-evitou-mortes-em-porto-feliz/">evitou mortes em Porto Feliz</a>, no interior paulista.</p>



<p><a href="https://projetocomprova.com.br/about/">Falso</a>, para o Comprova, é o conteúdo que tenha sofrido edições com intuito de mudar o seu significado original.</p>



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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/flavio-bolsonaro-mentiu-buzios-nao-zerou-covid-nem-adotou-tratamento-precoce/">Flávio Bolsonaro mentiu: Búzios não zerou covid nem adotou &#8220;tratamento precoce&#8221;</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>O mundo começa a vacinar, mas a Hapvida ainda obriga médicos a receitar cloroquina</title>
		<link>https://marcozero.org/o-mundo-comeca-a-vacinar-mas-a-hapvida-ainda-obriga-medicos-a-receitar-cloroquina/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Dec 2020 23:35:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cloroquina]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[hidroxicloroquina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O estoque de cloroquina da Hapvida parece ser infinito. No momento em que as vacinas começam a tornar-se realidade e passam a ocupar o centro do debate público mundial, o maior plano de saúde do Brasil ainda insiste em distribuir para seus pacientes a ineficaz cloroquina como solução para a Covid-19. Pior: a empresa continua [&#8230;]</p>
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<p>O estoque de cloroquina da Hapvida parece ser infinito. No momento em que as vacinas começam a tornar-se realidade e passam a ocupar o centro do debate público mundial, o maior plano de saúde do Brasil ainda insiste em distribuir para seus pacientes a ineficaz cloroquina como solução para a Covid-19.</p>



<p>Pior: a empresa continua a constranger os médicos de suas unidades de atendimento a prescrever e entregar as caixas do medicamento utilizado contra o lúpus e a malária, mas comprovadamente inútil para tratar a Covid.</p>



<p>Seis meses depois de ser acusada de demitir um médico e de ameaçar outros profissionais por não prescreverem a droga, a Hapvida persiste em intimidar os clínicos que atendem na sua rede exclusiva de 33 hospitais, 20 serviços de pronto-atendimento e 90 clínicas espalhadas por 14 estados. Duas médicas confirmaram a pressão recebida e descreveram o ambiente pesado na empresa.</p>



<p>“Há um tempo que a Hapvida vem forçando um protocolo que só ela está usando. Queria muito provar como eles estão nos coagindo, mas agora só fazem isso pessoalmente, não estão mandando mais mensagens”, relatou uma profissional que trabalha em um pronto-atendimento do Recife. Ela enviou uma imagem da tela do sistema da Hapvida usado pelo seu corpo de médicos.</p>



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	                                        <p class="m-0">A recomendação é clara: &#8220;Não deixe de prescrever&#8221; cloroquina</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Outra médica, também do Recife, contou que o clima de intimidação gera boatarias e fofocas: “Pra você ter ideia de como estão as coisas, há uns 15 dias houve o boato de que o superintendente do Hapvida iria nas unidade escolher dois médicos aleatoriamente e perguntar se conheciam o estudo e se prescrevem cloroquina rotineiramente”. Essa conversa aconteceu no dia 30 de novembro, mas até o fechamento desta reportagem, as visitas surpresas não tinham acontecido.</p>



<p>O estudo ao qual a médica se refere chama-se “Risco de hospitalização para pacientes ambulatoriais Covid-19 tratados com vários regimes de medicamentos no Brasil: análise comparativa”. Não se trata, contudo, de um estudo independente realizado por algum instituto de pesquisa reconhecido no meio científico. Ao contrário, foi realizado nas unidades da Hapvid, por médicos do próprio plano de saúde em colaboração com pesquisadores de outras instituições, e assinado também por um controverso cientista americano da universidade de Yale.</p>



<p>Voltaremos ao estudo que sustenta a prática da Hapvida mais adiante.</p>



<p>Por enquanto, vale registrar que o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) confirmou a existência de uma investigação sobre a prática da operadora, mas que o sigilo é mantido em virtude do código de ética da profissão. A denúncia também chegou à 11ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde, mas foi enviada ao Cremepe por se tratar de questão relacionada ao exercício da profissão.</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress aligncenter wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="NZm53iij0S"><a href="https://marcozero.org/maior-operadora-do-brasil-hapvida-entra-no-jogo-politico-da-hidroxicloroquina/">Maior operadora do Brasil, Hapvida entra no jogo político da hidroxicloroquina</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Maior operadora do Brasil, Hapvida entra no jogo político da hidroxicloroquina&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/maior-operadora-do-brasil-hapvida-entra-no-jogo-politico-da-hidroxicloroquina/embed/#?secret=MwhGG7zyQO#?secret=NZm53iij0S" data-secret="NZm53iij0S" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Alguém aí tem lúpus?”</strong></h2>



<p>No dia 2 de dezembro, o autônomo Lucas Souza Pinto, de 30 anos, foi às redes sociais fazer uma oferta: “Alguém que tenha a doença Lúpus ou conhece quem tenha e que esteja precisando de Hidroxicloroquina?” Em seguida explicou que estava fazendo o oferecimento porque tinha recebido o remédio numa emergência da Hapvida e não pretendia tomá-lo.</p>



<p>“Eu e minha companheira começamos a sentir os sintomas no dia 25 de novembro. Fomos três vezes na unidade da Hapvida. Na segunda vez, ela pediu uma consulta pra requisitar também um teste pelo Hapvida, que acabou não sendo realizado. Mesmo sem sermos testados e não passarmos por nenhum exame, recebemos o kit-desperdício com seis comprimidos de cloroquina. Minha companheira levou apenas uma injeção pelo cansaço. Mais nada”.</p>



<p>Quando procurou o pronto-atendimento pela terceira vez na esperança de ser testado, Lucas foi atendido por um médico que fez questão de interagir mais. “O atendimento foi bem melhor e o próprio médico perguntou logo se tínhamos tomado e recomendou que não era pra tomar. Ele também confirmou que não adianta ir no Hapvida atrás de teste porque estão acabando e eles só estavam testando os internados com gravidade”.</p>



<p>Lucas e a companheira, a professora Mariana Prímola, de 28 anos, melhoraram sem a hidroxicloroquina, mas ainda estão com dor de cabeça e de garganta. A tosse e a fadiga passaram.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O estudo da Hapvida</strong></h3>



<p>A Marco Zero enviou três perguntas para a assessoria de comunicação da Hapvida:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>A Hapvida determina sua equipe de médicos a, compulsoriamente, prescrever a cloroquina para pacientes com covid?</li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>Os médicos são punidos se não prescreverem?</li></ul>



<ul class="wp-block-list"><li>Qual a base científica para a prescrição da cloroquina?</li></ul>



<p>Após a publicação da matéria, a empresa enviou a seguinte nota:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>NOTA DE RESPOSTA</strong><br>A operadora de planos de saúde reitera que não interfere na relação médico-paciente e na conduta médica escolhida pelo profissional, apenas aconselha qual a melhor alternativa indicada.</p><p>Sobre a prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina, a operadora afirma, ainda, que fica a critério do profissional, inclusive 50% dos médicos não prescrevem.</p><p>A empresa ressalta o compromisso com todos os seus clientes e profissionais e segue empenhando esforços em meio à pandemia.</p></blockquote>



<p>Para responder à terceira questão, foram enviados o link para a publicação do estudo e um vídeo de pouco menos de seis minutos apresentando o tal estudo publicado na edição novembro/dezembro do jornal científico Travel Medicine and Infectious Disease (Medicina de viagem e doenças infecciosas, em inglês) e já compartilhado pelos perfis bolsonaristas. O estudo pode ser encontrado nesta <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1477893920304026">página</a>.</p>



https://youtu.be/UOtzZ-eevs4



<p>Longe de ser uma pesquisa científica independente, o estudo nasceu dentro da própria Hapvida. Metade dos seus 10 autores são funcionários da empresa, incluindo uma diretora de hospital da operadora no interior de São Paulo. A validação nos parâmetros científicos foi feita pela comissão de ética da Universidade de Fortaleza (Unifor), uma instituição privada da capital cearense, cidade onde a Hapvida tem sua sede. </p>



<p>Os resultados  indicam que “o uso de hidroxicloroquina (HCQ), prednisona ou ambos reduziu significativamente o risco de hospitalização em 50-60%”. Foram analisados os dados dos prontuários de 717 pacientes da operadora de plano de saúde.</p>



<p>Os médicos mais curiosos, porém, poderão encontrar na página desse estudo outro link, bem ao lado (ver imagem abaixo), para outro artigo cujo titulo alerta para a “toxicidade cardíaca” da cloroquina e hidroxicloroquina e porque elas “não devem ser usados rotineiramente no tratamento da doença covid-19”.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<h4 class="wp-block-heading">Yale versus Yale</h4>



<p>O vídeo é uma peça de propaganda do estudo e tem como âncora o médico americano Harvey Risch, apresentado como professor de Epidemiologia e Saúde Pública da Universidade de Yale. O título impressiona, mas uma breve consulta na internet revela que outros 20 professores de Medicina de Yale atacaram duramente a defesa obstinada que Risch fez da cloroquina.</p>



<p>O jornal da própria universidade, o <a href="https://yaledailynews.com/blog/2020/08/16/ysph-professor-criticized-for-promoting-unproven-drug-to-treat-covid-19/">Yale News, publicou no dia 16 de agosto</a> uma detalhada matéria sobre o choque entre Risch e seus colegas professores. A reportagem informa que, no dia 27 de maio, Risch publicou no American Journal of Epidemiology (Jornal Americano de Epidemiologia) um artigo defendendo que “a combinação de drogas [hidroxicloroquina +azitromicina + corticóides] pode prevenir efetivamente a hospitalização para a maioria dos pacientes ambulatoriais de alto risco sintomáticos e que é segura para uso em curto prazo no início do curso da infecção”. Semanas antes, Donald Trump havia endossado o uso do medicamento como capaz de curar a Covid-19.</p>



<p>Assim que foi publicada a tese foi contestada por pesquisadores de Yale e de vários outros centros de pesquisa.</p>



<p>Vinte docentes de Yale publicaram um artigo conjunto dizendo que “Risch, um epidemiologista de câncer respeitado, tem o direito de expressar suas opiniões”, mas afirmaram estar preocupados “com a segurança dos pacientes e a coerência de nossa resposta nacional de emergência Covid-19, em meio a desinformação sendo disseminada por pessoas como Risch quando existem evidências contrárias claras”.</p>



<p>Albert Ko, chefe do departamento e professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública de Yale, foi enfático e disse que “não conhece pessoalmente nenhum médico que continue a prescrevê-la em Yale”.</p>



<p>Da Universidade de Minnessota, o cientista David Boulware enviou em um e-mail irônico para o Yale News: “Se a Universidade de Yale apoia o Prof. Risch, por que a Universidade de Yale ou a Escola de Saúde Pública de Yale não financiam o ensaio clínico duplo-cego randomizado controlado por placebo para provar que o mundo está errado que hidroxicloroquina + azitromicina + zinco funcionam como terapia para Covid-19 ? ”</p>



<p>Boulware não poderia imaginar tanto interesse da Hapvida em apoiar o doutor Harvey Risch.</p>



<p><em>(Atualizada às 15h50 do dia 11/12/2020 para acrescentar a nota de resposta da Hapvida)</em></p>



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		<title>Maior operadora do Brasil, Hapvida entra no jogo político da hidroxicloroquina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2020 21:44:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cloroquina]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[Hapvida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Organização Mundial de Saúde (OMS) suspendeu os testes com a hidroxicloroquina em pacientes com a Covid-19. Estudos vêm apontando ineficácia, riscos colaterais e aumento dos casos de morte. Mas nada disso impediu que o Ministério da Saúde &#8211; com ministro interino há 13 dias &#8211; publicasse um protocolo, com intenções mais políticas do que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Organização Mundial de Saúde (OMS) suspendeu os testes com a hidroxicloroquina em pacientes com a Covid-19. Estudos vêm apontando ineficácia, riscos colaterais e aumento dos casos de morte. Mas nada disso impediu que o Ministério da Saúde &#8211; com ministro interino há 13 dias &#8211; publicasse um protocolo, com intenções mais políticas do que sanitárias, com orientações para o uso da droga em casos leves. Também não impediu que a maior operadora de saúde do Brasil, a Hapvida, seguisse receitando e doando a medicação para uso em casa.</p>



<p>Para piorar, médicos da empresa denunciam que estão sendo pressionados a prescrever o remédio. Segundo profissionais ouvidos pela reportagem, a comunicação da chefia, via WhatsApp, começou amena, mas foi ganhando tons de pressão pela necessidade de seguir o protocolo da Hapvida, que indica a medicação no início dos sintomas.</p>



<p>O caso da Hapvida, que é líder no Norte e Nordeste, se soma a médicos com patrocínio político da deputada bolsonarista Clarissa Tércio (PSC) e grupos empresariais que vêm promovendo a hidroxicloroquina. Eles se intitulam “Doutores da verdade” e prescrevem e doam a droga em comunidades da periferia do Recife, como mostramos <a href="http://marcozero.org/medicos-com-patrocinio-politico-e-planos-de-saude-promovem-uso-da-cloroquina/">aqui</a>, há algumas semanas.</p>



<p>Após o alerta dos riscos da medicação no combate ao novo coronavírus dado pela OMS, a Prefeitura do Recife e o Governo de Pernambuco informaram, no início da semana, que retiraram o remédio de seus protocolos.</p>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> teve acesso a algumas dessas mensagens de WhatsApp. Nelas, está dito que não se pode deixar de seguir o protocolo institucional e profissionais que não estiverem receitando o remédio, que faz parte de um kit de medicações, terão que explicar pessoalmente as razões.</p>



<p>A comunicação pede ainda que os médicos parem de falar sobre os riscos da hidroxicloroquina, uma vez que os pacientes que estão indo para casa com o kit estão tendo melhoras e não estão retornando às unidades com agravamento de quadros. Uma matéria publicada nesta quinta-feira (28) pela Folha de São Paulo relata que já houve demissão na Hapvida.</p>



<p>Acontece que o protocolo de manejo de pacientes com a Covid-19, da Hapvida, ao qual a reportagem também teve acesso, cita um artigo de evidências in vitro e o outro que é de um estudo clínico não randomizado, sem critério de inclusão e já amplamente refutado. Isso sem contar que a própria Hapvida cita como referência um artigo que mostra as complicações cardíacas resultantes do uso da hidroxicloroquina.</p>



<p>A denúncia contra a Hapvida chegou ao Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), inclusive com temor de retaliações, por isso o anonimato dos denunciantes. Em nota, a entidade informou que “a posição do sindicato é o respeito à autonomia do médico e do paciente, já afirmada em nota pública” e informou que enviou a denúncia ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).</p>



<p>Consultado, o Cremepe se restringiu a reforçar que “o tratamento do paciente é autonomia do médico, seguindo o que foi estabelecido pelo <a href="http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=28672:2020-04-23-13-08-36&amp;catid=3">CFM</a> (Conselho Federal de Medicina)”.</p>



<p>Nos pacientes sem indicação para internação, a recomendação é o isolamento domiciliar por 14 dias, o oferecimento dos serviços de teleatendimento para orientações e retirada de dúvidas, e a prescrição da ivermectina, do prednisona e da hidroxicloroquina, de acordo com a idade e a presença de comorbidades. Tudo isso mediante a assinatura de um termo de consentimento do paciente.</p>



<p>O documento, cuja última atualização é de 22 de maio, reconhece que não há tratamento recomendando para a Covid-19, mas, ainda assim, insiste em manter a  hidroxicloroquina no protocolo da operadora. Está lá escrito: “Apesar de não haver nenhum tratamento recomendado atualmente para o combate à infecção pelo novo coronavírus, alguns estudos em seres humanos sugerem benefício com o uso da hidroxicloroquina em pacientes infectados, devido ao seu efeito imunomodulador e de redução da replicação viral, devendo ser usado, portanto, preferencialmente nos primeiros dias de sintomas”.</p>



<p>O documento da Hapvida fala também da possibilidade de associação ao antibiótico azitromicina: “O seu uso pode ser potencializado em associação ao azitromicina em pacientes que possam ser monitorizados (em internação hospitalar)”.</p>



<p>No entanto, um <a href="https://www.thelancet.com/pdfs/journals/lancet/PIIS0140-6736(20)31180-6.pdf">estudo</a> feito pela Universidade de Harvard com 96 mil pacientes e publicado pela renomada revista britânica The Lancet, na semana passada, mostrou que usar cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 não traz nenhum benefício. E pior: aumenta o risco de arritmias cardíacas e de óbitos.</p>



<p>Quando associada ao antibiótico, a droga pode ser ainda mais perigosa: a taxa de mortalidade foi a maior do estudo, de 23%. E, ao contrário do que propagam muitos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, a publicação científica fala da ineficácia quando o tratamento é “iniciado precocemente após o diagnóstico”.</p>



<p>A pesquisa francesa que listava os benefícios da hidroxicloroquina combinada ao azitromicina e vinha sendo bastante citada por quem defende a associação das drogas foi retirada do ar recentemente pelos próprios autores. Aliás, nesta quarta-feira (27), França e Itália proibiram o uso da medicação para tratar Covid-19 e a Bélgica emitiu um alerta contra a droga.</p>



<p>O tal estudo francês, que nunca foi publicado em revista científica com revisão por pares, ganhou repercussão e se popularizou depois de uma publicação da Fox News, nos Estados Unidos. Foi ele que embasou a campanha #TeichLiberaCloroquina nas redes sociais pressionando o então ministro da Saúde, Nelson Teich, a liberar o uso nos tratamentos do novo coronavírus.</p>



<p>Além disso, em parecer conjunto, Associação de Medicina Intensiva Brasileira, Sociedade Brasileira de Infectologia e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia não recomendam, por consenso, o uso da hidroxicloroquina para tratar o novo coronavírus.</p>



<p>“A polêmica da hidroxicloroquina já está desvendada. É um medicamento antimalárico, relativamente seguro, e usado como imunomodulador em algumas doenças autoimunes como artrite reumatóide e lúpus. Não deve ser endemoniado por essas indicações, mas infelizmente não se mostrou eficaz contra a Covid-19. Nós bem que estamos torcendo para que surja uma droga que impeça a multiplicação viral ou mesmo que reduza os danos causados pelo novo coronavírus, mas ainda não temos essa alternativa terapêutica”, reforça Ana Brito, médica infectologista e pesquisadora da Fiocruz Pernambuco.</p>



<p>A reportagem vem há uma semana tentando um posicionamento da Hapvida, mas, através de sua assessoria de imprensa, o grupo disse que não tinha uma resposta para os questionamentos da reportagem.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Hapvida faz aceno político</h2>



<p>Em linha com os anúncios do governo federal, a indicação de uso da hidroxicloroquina pela Hapvida é um aceno político de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Com 6 milhões de usuários, 39 hospitais, 185 clínicas e 42 pronto-atendimentos, o Sistema Hapvida, que abriu seu capital na bolsa há dois anos, é quem mais atende brasileiros depois do Sistema Único de Saúde (SUS).</p>



<p>Ao mesmo tempo em que o Brasil vivia um aprofundamento do desmonte do SUS e o congelamento dos gastos com saúde e educação, após o golpe de 2016, a família Pinheiro expandia seus negócios, de estrutura altamente verticalizada, com a popularização dos planos de saúde.</p>



<p>Aliás, os cortes do sistema público de saúde calculados em R$ 20 bilhões vêm colocando em xeque a capacidade de combate ao vírus, como mostramos em <a href="http://marcozero.org/cortes-de-r-20-bilhoes-no-sus-do-pos-golpe-poem-em-xeque-controle-do-coronavirus-no-brasil/">reportagem</a> logo no início da pandemia.</p>



<p>No final de março, numa reunião por videoconferência organizada pelo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, um grupo de mega empresários se prontificou a ajudar o governo federal nas demandas de saúde. Na presença de ministros (o da Saúde, na época Luís Henrique Mandetta, não estava), Bolsonaro fez um apelo para que o setor produtivo do país não pare diante da pandemia.</p>



<p>Entre os participantes estava Candido Pinheiro, presidente do Conselho de Administração da Hapvida. O segmento de saúde suplementar faturou R$ 213,5 bilhões em 2019.</p>



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	                                        <p class="m-0">Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida</p>
	                
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<p>Enquanto as farmácias estão desabastecidas da hidroxicloroquina para pessoas com lúpus ou artrite reumatóide, a Fundação Ana Lima, braço social da Hapvida, fez uma doação da medicação às operadoras do sistema. O presidente da companhia, Jorge Pinheiro, citado pela Forbes em 2019 como um dos homens mais ricos do mundo, com um patrimônio de US$ 1,2 bilhão na época, assegurou haver tratamento com a droga para 20 mil pessoas. “Mas estamos trabalhando para ampliar essa quantidade”, adiantou.</p>



<p>A reportagem questionou a Hapvida sobre com quem e como adquiriu tantas unidades do remédio, já que ele está em falta nas farmácias. Mas ficamos sem a resposta.</p>



<p>O Sistema Hapvida já investiu mais de R$ 70 milhões em ações contra o novo coronavírus, com compra de insumos médicos, equipamentos de proteção individual, materiais, medicamentos, equipamentos tecnológicos e reforço na infraestrutura. Também fretou aeronave para distribuir insumos para sua rede própria em todo o país e fazer o remanejamento de equipes para as áreas com maior incidência da doença.</p>



<p>Com mais de 400 mil casos e 25 mil mortes por coronavírus no Brasil, Jorge disse, esta semana, em <a href="https://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN22X2E7-OBRBS">teleconferência</a> com analistas ao comentar uma suposta redução da curva de contaminação: “Já estamos vendo sinais de que isso pode estar acontecendo em algumas de nossas regiões de atuação. Estamos muito otimistas de que o evento pode estar em curva descendente e estamos discutindo planos de desmoblização de algumas praças”.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A pressão pela polarização</h3>



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	                                        <p class="m-0">(crédito: Barcroft Media Getty Images)</p>
	                
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<p>“A discussão é uma distorção do ponto de vista científico e da medicina baseada em evidências. Então me parece que o uso é uma questão muito mais no campo da política”, avalia Fausto Pereira dos Santos, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) entre os anos 2003 e 2010, durante o governo Lula.</p>



<p>Ele lembra que, a todo tempo, se polarizou a discussão e se tentou reduzir no Brasil o papel das evidências, principalmente as internacionais, numa discussão muito rasa, como se as instituições e os governos de outros países que adotaram medidas contra a propagação da Covid-19 tivessem uma atuação contra o governo brasileiro e as ideias que se pregam no Brasil.</p>



<p>“Isso é uma paranoia, uma alucinação completa e uma resistência a tudo que se tem feito no restante do mundo”, critica Fausto.</p>



<p>“O sistema de saúde suplementar sempre buscou nas discussões internas e na incorporação de novas medicações a base das evidências. Então é de se estranhar que agora essas mesmas empresas lancem mão de uma ferramenta ao contrário de tudo que é discutido dentro do aparato regulatório”, complementa.</p>



<p>Daniel Dourado, médico, advogado sanitarista, professor e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (USP), pondera ainda quenenhum desses medicamentos citados no kit da Hapvida têm registro para tratamento da Covid-19, então, em tese, nem poderiam fazer parte de um protocolo oficial.</p>



<p>Para ele, isso mostra claramente que o governo federal está “forçando a mão” e nem todos querem bancar o custo jurídico e político disso, não à toa que secretários e dois ministros saíram de seus cargos de chefia da pasta de Saúde, que segue com um ministro interino.</p>



<p>“De onde foi tirada essa posologia? Não há evidência nenhuma. É off label, fora de bula”, provoca Daniel, para quem, no cenário atual de publicações científicas e posicionamentos de entidades de classe, qualquer incentivo ou pressão pelo uso da hidroxicloroquina é “muito grave”.</p>



<p>A <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> também procurou a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) para repercutir a denúncia, mas a entidade se restringiu a dizer que vem acompanhando as iniciativas lideradas pelo Ministério da Saúde e “tem orientado suas associadas a atuarem em consonância com as melhores práticas de políticas públicas”.</p>



<p>“É importante lembrar ainda que não há no mundo uma orientação definitiva para o tratamento de Covid-19, não existe um protocolo único a ser seguido. A recomendação do tratamento é uma soberania médica, que leva em conta o histórico individual de saúde de cada paciente, que tem de consentir com o mesmo. Todas as alternativas objetivam alcançar o melhor resultado assistencial e a preservação da vida das pessoas. A única opção que não é levada em consideração é deixar o paciente desassistido”, diz a nota.</p>



<p><strong>Atualização</strong></p>



<p>Nesta sexta (29), dia seguinte à publicação desta matéria, a Hapvida enviou uma nota à reportagem. Segue o texto na íntegra:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p> O Sistema de saúde, fundado por um médico, em seus mais de 40 anos de atuação, sempre respeitou a soberania médica. O profissional médico é sempre a autoridade máxima, quando o principal compromisso é salvar vidas.</p><p>Prova disso, no que se refere à prescrição da hidroxicloroquina dentro das nossas unidades, é que pouco mais que a metade dos pacientes recebeu a medicação por prescrição médica e consentimento do cliente (55%). Cerca de metade dos médicos adotou a droga como tratamento, em comum acordo com os pacientes.</p><p>A outra metade dos pacientes não recebeu, porque não houve prescrição médica (cerca de 45%). Prova da soberania do médico. O profissional teve total liberdade de tomar outra condução terapêutica</p><p>Nosso corpo médico das emergências e urgências é formado por 2 mil médicos. Se houve alguma demissão, seguramente, esse não foi e nem será o fator decisório.<br>A medicação é doada aos pacientes, que contam com a prescrição como forma de afiançar o acesso ao tratamento, visto que a medicação não é mais encontrada à venda nas farmácias das cidades.</p><p>A operadora segue determinada no combate à pandemia, com investimento de mais de 70 milhões de reais em equipamentos, profissionais e insumos que auxiliem na promoção à saúde dos pacientes. </p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/maior-operadora-do-brasil-hapvida-entra-no-jogo-politico-da-hidroxicloroquina/">Maior operadora do Brasil, Hapvida entra no jogo político da hidroxicloroquina</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Episódio #4: A farra da Cloroquina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2020 18:32:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cloroquina]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[podcast]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O post <a href="https://marcozero.org/episodio-4-a-farra-da-cloroquina/">Episódio #4: A farra da Cloroquina</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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<figure class="wp-block-embed-soundcloud wp-block-embed is-type-rich is-provider-soundcloud wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://soundcloud.com/user-53106966/arrumadinho-ep04-a-farra-da-cloroquina
</div><figcaption>Em mais uma atitude genocida, Bolsonaro força o Ministério da Saúde a autorizar o uso de cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes leves da Covid-19, apesar de todas as evidências sobre a ineficácia e os riscos desses medicamentos.<br> No Recife, um grupo de médicos intitulado Doutores da Verdade, financiado por empresários e por uma deputada bolsonarista e evangélica, distribui cloroquina nas comunidades carentes.</figcaption></figure>
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		<title>Médicos com patrocínio político e planos de saúde promovem uso da cloroquina</title>
		<link>https://marcozero.org/medicos-com-patrocinio-politico-e-planos-de-saude-promovem-uso-da-cloroquina/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2020 21:57:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Clarissa Tércio]]></category>
		<category><![CDATA[cloroquina]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[planos de saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Enquanto estudos internacionais apontam para a não eficácia &#8211; e o pior, para os riscos colaterais &#8211; do uso da hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19, um grupo de médicos do Recife, chamados “Doutores da Verdade”, vem receitando e distribuindo a medicação de graça em comunidades. A compra do remédio e a promessa de salvar [&#8230;]</p>
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<p>Enquanto estudos internacionais apontam para a não eficácia &#8211; e o pior, para os riscos colaterais &#8211; do uso da hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19, um grupo de médicos do Recife, chamados “Doutores da Verdade”, vem receitando e distribuindo a medicação de graça em comunidades.</p>



<p>A compra do remédio e a promessa de salvar vidas são patrocinadas por empresários e pela deputada estadual evangélica Clarissa Tércio (PSC), que anunciou a doação de metade do seu salário para a compra da hidroxicloroquina.</p>



<p>Planos de saúde também estão doando, com prescrição, a medicação, inclusive para o uso em domicílio. Sob o argumento da escassez da droga no mercado farmacêutico brasileiro, a Fundação Ana Lima, braço social do Sistema Hapvida, doou a hidroxicloroquina para as operadoras do Sistema Hapvida (Hapvida, São Francisco, América e RN Saúde).</p>



<p>Em Belém, a Unimed também está com uma ação desse tipo, distribuindo aos seus pacientes com prescrição, por drive thru, o coquetel cloroquina, azitromicina e ivermectina.</p>



<p>As ações políticas e do mercado de saúde estão alinhadas com o anúncio desta quarta-feira (13) do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele disse que vai discutir com o ministro da Saúde, Nelson Teich, a ampliação do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina.</p>



<p>Mesmo ciente de que não há eficácia comprovada, Bolsonaro defende que o uso da medicação tem que ser pensado de forma emergencial e alega que existem médicos no Brasil e no exterior com o entendimento de que a utilização é adequada sobretudo se feita precocemente e em pacientes do grupo de risco.</p>



<p>“Se fosse minha mãe, com 93 anos, eu vou atrás dela, pego o médico&#8230; Claro que não vou forçar, mas tem muitos que concordam com esse tipo de medicamento e ela usaria. Enquanto não tiver medicamento comprovado no mundo, temos esse no Brasil que pode dar certo ou não, mas como não pode esperar quatro ou cinco dias, é melhor usar”, disse o presidente.</p>



<p>O anúncio de Bolsonaro, que também aproveitou para falar da necessidade de alinhamento com os ministros, acontece um dia depois de Teich ter feito alertas sobre o uso da cloroquina em sua conta no Twitter.</p>



<figure class="wp-block-embed-twitter wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Um alerta importante: a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica. O paciente deve entender os riscos e assinar o “Termo de Consentimento” antes de iniciar o uso da cloroquina.</p>&mdash; Nelson Teich (@TeichNelson) <a href="https://twitter.com/TeichNelson/status/1260221915861483525?ref_src=twsrc%5Etfw">May 12, 2020</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<p> No início desta semana, um dos maiores estudos já feitos com hidroxicloroquina no combate à Covid-19 apontou que a droga não diminui a mortalidade, seja usada com ou sem associação à azitromicina. O estudo foi feito com 1.438 pessoas hospitalizadas em 25 hospitais da região metropolitana de Nova York e publicado no importante periódico médico <a href="https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2766117?guestAccessKey=37423576-72c0-44b9-a502-5cb7af9ffb4c&amp;utm_source=twitter&amp;utm_medium=social_jama&amp;utm_term=3335648345&amp;utm_campaign=article_alert&amp;linkId=88395979">Journal of the American Medical Association (Jama)</a>.</p>



<p>Além da não eficácia, a publicação aponta que o uso da hidroxicloroquina pode aumentar os riscos de problemas cardíacos.</p>



<p>Na semana passada, o <a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2012410">The New England Journal of Medicine</a>, outra publicação médica respeitada mundialmente, mostrou, após estudo com 1.376 pacientes, também em Nova York, que não houve evidências de queda no número de mortes e intubações após o uso da medicação.</p>



<p>No fim de abril, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (National Institute of Allergy and Infectious Diseases &#8211; Niaid), dos Estados Unidos, publicou que contraindicava o uso da hidroxicloroquina com azitromicina no combate ao coronavírus por conta do potencial de toxicidade.</p>



<p>Sobre o uso da cloroquina ou hidroxicloroquina individualmente, o instituto disse ainda não haver dados para indicar ou contraindicar.</p>



<p>A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) confirmou, nesta quarta (13), mais 592 novos casos da Covid-19 &#8211; 232 se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) e 360 são casos leves. Agora, Pernambuco totaliza 14.901 casos já confirmados, sendo 7.876 graves e 7.025 leves. Também foram confirmados laboratorialmente mais 67 óbitos, totalizando 1.224 mortes no estado. </p>



<p>LEIA TAMBÉM: <a href="http://marcozero.org/sem-quarentena-obrigatoria-6-mil-pernambucanos-podem-morrer-ate-fim-de-junho/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="Sem quarentena obrigatória, 6 mil pernambucanos podem morrer até fim de junho (abre numa nova aba)">Sem quarentena obrigatória, 6 mil pernambucanos podem morrer até fim de junho</a></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Médicos defendem uso precoce da cloroquina</strong></h2>



<p>O grupo Doutores da Verdade atendeu cerca de 100 pessoas na noite da última segunda-feira (11) na Igreja Evangélica Ministério Labareda, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte da capital, e está avaliando qual será a próxima comunidade atendida. A ideia é percorrer vários locais pobres com a ação.</p>



<p>Segundo o pneumologista e alergologista, com mestrado em medicina pela UFPE, Antônio Aguiar, cerca de 15 pacientes tiveram, na ocasião, após consulta e avaliação médica, a indicação do uso da cloroquina e levaram a medicação para casa mediante assinatura de um termo de consentimento e atestando que conhecem os riscos dos efeitos colaterais.</p>



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<p>“Não podemos banalizar o uso, a maioria não irá precisar de tratamento”, disse ele em conversa com a <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> por telefone nesta quarta (13). “A impressão que a imprensa passou é que todo mundo que tem coronavírus vai morrer. Tenho atendido muita gente com estresse, depressão e ansiedade achando que é uma pena de morte”, afirmou.</p>



<p>De acordo com Antônio, “existem muitas evidências apontando a eficácia (do remédio) em revistas sérias internacionais, mostrando que, quando usado precocemente, a gente diminui os números de internamento, a necessidade de UTI e os casos de óbitos”.</p>



<p>Porém, o médico não citou as fontes da informação quando questionado, detalhando, no entanto, que já há metanálise mostrando a eficácia do remédio, quando se reúnem vários trabalhos já publicados.</p>



<p>O especialista sustenta que o que está havendo é “uma confusão, inclusive entre médicos”, pois, na visão dele, muitos estudos importantes demonstraram que realmente não há eficácia no tratamento, mas em pacientes já hospitalizados. Antônio disse ter 180 pacientes em seu consultório, onde prescreve o remédio, e apenas um óbito até agora.</p>



<p>No início da epidemia no Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM), por não haver tratamento para o novo coronavírus, autorizou que médicos prescrevessem a hidroxicloroquina, inclusive ambulatorialmente, desde que haja um consentimento do paciente de que é um tratamento experimental ou se for para fins de estudo científico.</p>



<p>Nesta terça (12) à noite, em live no Instagram com a deputada Clarissa Tércio (PSC), Antônio Aguiar, que disse saber que tem o apoio do Cremepe (Conselho Regional de Medicina de Pernambuco), declarou: “Não estou fazendo nada ilegal. Podem denunciar ao Cremepe. Estou apenas curando pacientes e, se não curar, estou diminuindo o sofrimento”.</p>



<p>“Não vão pelos dados da televisão, o coronavírus está desaparecendo, toda virose é limitada, ela faz seu ciclo. O vírus vem, causa seu estrago e vai passar. Vamos ter fé e esperança”, afirmou o pneumologista.</p>



<p>Em nota enviada à reportagem, o Cremepe informou que “instaurou expediente de apuração das informações referentes ao programa ‘Doutores da verdade’. O expediente corre em sigilo processual para não comprometer a investigação. Os expedientes são regidos pelo Código de Processo Ético &#8211; Profissional (CPEP) estabelecidos pela Resolução CFM Nº 2.145/2016”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Clarissa Tércio prega o isolamento vertical</strong></h3>



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	                                        <p class="m-0">Clarissa Tércio (PSC) ao lado do marido, o pastor Júnior, em ação dos &#8221; Doutores da Verdade&#8221;</p>
	                
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<p>Sempre alinhada às falas do presidente, a deputada Clarissa Tércio, financiadora de atos pró-Bolsonaro no Recife, defende o isolamento vertical, em que somente os grupos de risco, a exemplo de idosos e pessoas com comorbidades, precisam ficar isolados em casa.</p>



<p>Especialistas no mundo inteiro já mostraram, desde o início da pandemia, que, num estágio de crescimento exponencial dos casos, situação que o Brasil vive hoje, é necessário ampliar as restrições de contato social. Países europeus se arrependeram de terem iniciado as ações com isolamentos seletivos porque os casos cresceram assustadoramente.</p>



<p><strong>Confira algumas frases ditas pela deputada na live:</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Vocês não devem se assustar com as más notícias propagadas pela grande mídia”</p><p>“Acho absurdo estar colocando o tempo todo fotos de covas e pessoas morrendo. Estamos atravessando um momento difícil, mas vai passar”</p><p>“Eu estou aí há um tempo, acho até que peguei esse negócio porque é o tempo todo entrando em UTI, em hospital e agora nessas ações”</p><p>“Em momento nenhum negamos a doença, sempre defendemos o isolamento vertical e o cuidado das pessoas que são grupo de risco. Elas, sim, expostas à doença é muito perigoso”</p></blockquote>



<p>São essas as ideias que a deputada propaga também em seus canais de comunicação e na Rádio Ministério Novas de Paz, líder de audiência na Região Metropolitana do Recife e que pertence à Assembleia de Deus de mesmo nome, presidida pelo seu pai, o pastor Francisco Tércio. Seu marido, o pastor Júnior, também pertence à igreja, que possui mais de 20 mil fiéis.</p>



<p>A deputada também vem pedindo para que o governo de Pernambuco publicize onde estão as medicações recebidas via governo federal e como estão sendo distribuídas. Ela também requereu que o remédio seja usado nas UPAs . O protocolo do uso do medicamento cloroquina, para casos graves, é definido pelo Ministério da Saúde (MS) e seguido pelo estado.</p>



<p>Isto é, ele é disponibilizado para uso, “a critério médico, como terapia adjuvante no tratamento de formas graves, em pacientes hospitalizados, sem que outras medidas de suporte sejam preteridas em seu favor”.</p>



<p>A<strong> Marco Zero Conteúdo</strong> perguntou à SES-PE quantas unidades foram enviadas por Brasília: “O governo federal enviou duas remessas dessa medicação para Pernambuco, que foram encaminhadas às unidades hospitalares, totalizando 184 mil comprimidos. Além disso, a SES-PE adquiriu 86.200 comprimidos de hidroxicloroquina para atender pacientes da Covid-19, além de doentes com outras patologias que fazem uso do medicamento, por meio da Farmácia de Pernambuco, como lúpus e artrite reumatóide”, respondeu a secretaria em nota.</p>



<p>Clarissa Tércio também sustenta seus argumentos com base em declarações do mercado ao citar o presidente do Sistema Hapvida, Jorge Pinheiro. Em comunicado que a reportagem recebeu via assessoria de imprensa do Hapvida, Jorge diz que “a percepção clínica de nossos médicos é de que o uso da hidroxicloroquina, em associação com outras drogas, na fase inicial da doença, tem sido um elemento essencial para evitar a gravidade da Covid-19 em nossos pacientes. Dessa forma, para cuidar do nosso paciente e contribuir para que a sua situação não se agrave, vamos doar a medicação, desde que tenha prescrição médica. Quando ele se consultar com nosso médico em nossas unidades, e o médico entender que ele possui condições de ficar em casa e precisa da medicação, daremos acesso à hidroxicloroquina, já que muitos pacientes têm nos relatado dificuldades de encontrar a medicação na rede farmacêutica do país como um todo. Já temos, no momento, tratamento para 20 mil pessoas, mas estamos trabalhando para ampliar essa quantidade”.</p>



<p>Clarissa disse ontem na live, com pico de audiência de quase 800 pessoas simultaneamente, que acredita que “existe uma militância contra a droga”. “Pode denunciar na Polícia Federal, FBI, Interpol, o que for. Não somos criminosos, não estamos fazendo nada errado”, provocou.</p>



<p>E aproveitou para alfinetar o Psol, partido opositor e para quem ela <a href="https://marcozero.org/pressao-e-articulacao-politica-garantem-juntas-na-presidencia-da-comissao-de-direitos-humanos/">perdeu a presidência da Comissão de Direitos Humanos</a> da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), presidida pelo mandato coletivo das Juntas: “Do Psol não podemos esperar aplausos. É bem provável que, se eu tivesse distribuindo maconha e pílula abortiva, eu estaria sendo aplaudida”. </p>



<p>O Psol, através da advogada e ex-candidata ao governo do estado, Dani Portela, protocolou denúncia no Ministério Público de Pernambuco (MPPE), no Cremepe e na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pedindo investigação das ações do grupo “ Doutores da Verdade” e a relação com a deputada evangélica na promoção do uso da hidroxicloroquina em bairros de periferia.</p>



<p>A promotora Ivana Botelho, do MPPE, informou à <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> que o órgão decidiu distribuir a “notícia de fato” sobre o grupo “Doutores  da Verdade” e vai iniciar uma investigação com o objetivo de verificar se há dano à saúde pública. O MPPE também oficiou o Cremepe para saber que providências o órgão tomou em relação ao fato. </p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Lives X artigos científicos</strong></h4>



<p>“Infelizmente estamos vivendo um momento em que lives são mais importante que artigos científicos”. A declaração é do médico clínico geral Pedro Alves, há mais de dois meses na linha de frente do combate à Covid-19 na enfermaria do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), referência em infectologia.</p>



<p>Ele avalia como natural, diante de uma pandemia, o medo e a necessidade de ir-se atrás de uma cura. Mas alerta que não há evidências robustas até o momento de que o uso da cloroquina é eficiente. “Na verdade, as evidências até agora não estão conseguindo demonstrar a eficácia. Hoje, à luz da ciência, não há vantagens e, para alguns pacientes, há até riscos maiores”, frisa.</p>



<p>Pedro também problematiza a a possibilidade de comprovação da eficácia da cloroquina a partir das ações de promoção do remédio: “Com um presidente que acha que é uma gripezinha, você vai lançar mão de uma droga que não tem efetividade comprovada num tratamento em massa para um percentual muito pequeno que terá complicações. Como você vai comprovar que a droga foi a solução? Porque já é evidente, do ponto de vista científico, que a maioria dos quadros são domiciliares e sem maiores complicações”.</p>



<p>O médico levanta outras questões: o fato de profissionais se colocarem numa posição de propagadores de uma verdade absoluta e prometerem uma solução, o que não é permitido pela ética médica. O código, no artigo 113, diz que não se pode “divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente”.</p>



<p>Na avaliação do professor de farmacologia e coordenador do curso de farmácia da Unicap, Leando Medeiros, que vem acompanhando de perto as publicações científicas, as iniciativas de incentivo ao uso da medicação são uma tentativa política de forçar a barra, uma forma de mostrar serviço e mostrar que existe uma preocupação política com a saúde das pessoas.</p>



<p>“É mais um mecanismo de tentativa e erro para que as pessoas se recuperam rapidamente para voltar a estimular economia”, critica. A grande preocupação de Leandro é que, com esse tipo de iniciativa, vai se estar dando acesso a um medicamento muito útil para tratar outras doenças, como malária, lúpus e artrite reumatoide, desabastecendo pacientes que precisam.</p>



<p>Segundo ele, até farmácias de manipulação que fazem a hidroxicloroquina com prescrição médica estão com dificuldade de abastecer porque seus fornecedores também têm limitação.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>“Fake news na ciência”</strong></h4>



<p>“É um fenômeno de fake news na ciência”, conclui Rafaela Pacheco, médica de família e comunidade, sanitarista, professora de medicina da UFPE Caruaru e presidente da Associação Pernambucana de Medicina de Família e Comunidade.</p>



<p>“Não é surpreendente perceber que as pessoas que não têm notadamente habilidade para ler e criticar de forma efetiva um artigo científico caiam nessas orientações travestidas de ciência. Assustador é ver a categoria médica ter esse tipo de comportamento. É compreensível a pressão e angústia dos profissionais de saúde e a sensação de impotência. Eu acolho esse sofrimento, mas desespero não é o melhor conselheiro”, sobe o tom da crítica.</p>



<p>Rafaela avalia que a mídia também tem uma responsabilidade nisso porque as publicações geram ansiedade e uma corrida pelos remédios. “Pode ser que amanhã isso mude, mas o que temos por enquanto são dados sérios publicados por revistas renomadas internacionalmente e não há comprovação de sucesso no tratamento (com hidroxicloroquina)”, aponta.</p>



<p>Outra preocupação de Rafaela, que atende em uma unidade de referência municipal para a Covid-19, é que as promessas de tratamento e cura terminem gerando um descuido no que de fato há comprovação de eficácia: o isolamento social e o uso de máscara. “O pouco que temos conseguido (de isolamento), com tanto esforço público e societário, pode ir de ralo abaixo”, alerta.</p>



<p>A médica prevê ainda outro problema na atenção primária: o comprometimento do vínculo na relação entre médico e paciente, “algo muito caro para quem trabalha com medicina de família e comunidade e cuidado longitudinal. Imagina a cobrança pela prescrição do medicamento e a necessidade de explicar tudo isso o tempo todo à população&#8221;, pondera.</p>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/medicos-com-patrocinio-politico-e-planos-de-saude-promovem-uso-da-cloroquina/">Médicos com patrocínio político e planos de saúde promovem uso da cloroquina</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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