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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Cine Arrimo faz Córrego do Sargento viver noites de festival de cinema ao ar livre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Nov 2025 20:37:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[cinema periférico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Eu achei ótimo, ninguém imaginava que a gente ia ter isso aqui um dia”, afirma Indileize Souza, de 40 anos, que estava acompanhada da mãe e da filha mais nova no segundo dia de exibição do Cine Arrimo, que aconteceu na última semana (27 de outubro a 2 de novembro) no Córrego do Sargento, zona [&#8230;]</p>
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<p>“Eu achei ótimo, ninguém imaginava que a gente ia ter isso aqui um dia”, afirma Indileize Souza, de 40 anos, que estava acompanhada da mãe e da filha mais nova no segundo dia de exibição do<a href="https://www.instagram.com/cinearrimo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Cine Arrimo</a>, que aconteceu na última semana (27 de outubro a 2 de novembro) no Córrego do Sargento, zona norte do Recife. Mãe, filha e neta aproveitaram o cinema à céu aberto instalado na área conhecida como &#8220;Barreirão&#8221; para conhecer filmes produzidos, em sua maioria, por realizadores da periferia.</p>



<p>As projeções aconteceram no muro de arrimo, construído em maio deste ano pela Prefeitura do Recife, e com a ajuda de um telão que precisou ser utilizado para que os moradores que estivessem mais próximos conseguissem ver as exibições.</p>



<p>Foram mais de 30 filmes que se conectam com o cinema periférico, além de sete filmes produzidos por moradores da comunidade durante a oficina “Outros Cinemas e o Minuto”, ministrada por Mila Nascimento, Uilma Queiroz e Alexandrehn. As obras abordam temas como território, tecnologia, organização social, gambiarras estéticas e questões contemporâneas como violência policial, luto e vida.</p>



<p>A iniciativa conta com a parceria do <a href="https://www.instagram.com/sargento_perifa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Sargento Perifa</a> e a equipe é composta, em sua maioria, por integrantes do coletivo e moradores do Córrego. José Carbonel, de 44 anos, trabalha com audiovisual há, pelo menos, 24 anos e é um dos integrantes do Perifa. Para ele, a iniciativa fortalece a comunidade e o reconhecimento dos moradores.</p>



<p>“A ideia é que a gente não pare por aqui, pelo contrário, que a gente potencialize mais esse projeto, que a gente continue. Então, não só exibir os processos de filmes cinematográficos no muro de arrimo, mas a gente produzir telas de arte, produções deles, subir uma foto de uma pipa digitalmente, por exemplo. E a gente ter esse olhar dos 360 graus da comunidade, que você vê o Córrego do Sargento e, dependendo de onde a gente tá, a gente consegue se ver”, afirma.</p>



<p>Esse projeto foi idealizado pela produtora e realizadora Ellen Meireles, que já morou na região da Linha do Tiro e tem uma relação afetiva com o território. Foi a partir dessa relação que o local para as exibições foi escolhido. Janaína Guedes, proponente da Mostra de Cinema Arrimo, afirma a importância de contar outras narrativas sobre o Recife, com produções de quem vêm da periferia da cidade.</p>



<p>“A gente não tem só o Recife da Boa Vista, do centro, da praia, a gente tem várias narrativas que devem ser contadas. E está sendo uma imensa alegria ver a criançada aqui reunida, assistindo, se empolgando com os filmes”, pontua Guedes.</p>



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	                                        <p class="m-0">Clima de festival tomou conta da principal rua do Córrego do Sargento
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carbonel/Manguecrew</span>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Três territórios, três olhares</strong></h2>



<p>Entre os moradores que produziram sete filmes de um minuto durante a oficina “Outros Cinemas e o Minuto”, estão Jonas Ribeiro, de 21 anos, integrante do Sargento Perifa e responsável pela identidade visual do Cine Arrimo, Márcia Luz, 55 anos, atriz e moradora da Soledade, no centro do Recife e, Lucas Silva, de 33 anos, técnico em edificações e morador de Cajueiro, também na zona norte.As exibições dessas produções aconteceram no último dia do evento.</p>



<p>“É muito gratificante ver o que a gente sonha faz tempo acontecendo”, refletiu Jonas, que participa das atividades do Coletivo Sargento Perifa desde o começo, quando ainda era adolescente. O jovem cresceu e desenvolveu diferentes habilidades de comunicação, além de um olhar crítico para a sociedade a partir das oficinas e cursos realizados pelo coletivo.</p>



<p>A partir desse olhar, o jovem desenvolveu o<em> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=9h56vY1cYIM&amp;list=PLNZHf9q7PI8pS-S9kXodk1-ciBUeKaBpZ&amp;index=6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Olhar do Último</a>,</em> um filme que mostra diferentes áreas do Córrego e contrastes entre as casas da comunidade. “Meu filme é sobre mostrar a comunidade. As diferenças que têm, principalmente das casas. Eu abordei as três partes que existem em um córrego só. Desde lá. Da avenida, entrando pra cá (no meio), até a última pessoa que mora lá dentro… Ele mostra a comunidade inteira e percebe o quão diversificado aqui é”, explica.</p>



<p>Na segunda vez que participa de uma oficina no Sargento Perifa, a atriz Márcia Luz destaca a integração e a relação intergeracional, característica presente nas atividades do coletivo. “Todo mundo junto, cooperando, se ajudando. Isso eu acho riquíssimo, entende? E também estar vivendo a minha cidade sob uma outra perspectiva”, afirma Luz que mora na região central da cidade.</p>



<p>Sua produção vem do olhar de quem chega ao território e é acolhida. “Na minha produção, na minha obra, eu estou trazendo a comunidade, a comunidade que me acolheu tanto. Então, eu estou falando sobre o <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sJR92B3ilXk&amp;list=PLNZHf9q7PI8pS-S9kXodk1-ciBUeKaBpZ&amp;index=3" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bibi y ri be</a> </em>[nome do curta metragem] e estou dando ênfase nas mulheres que estão aqui, nas mulheres que são lideranças desse espaço e que eu conheci nesse período”,explica.</p>



<p>Já Lucas Silva, escolheu levar para a produção o seu próprio território, o bairro de Cajueiro que fica a aproximadamente quatro quilômetros do Córrego do Sargento. “O nome é <a href="https://www.youtube.com/watch?v=UKMubOMvXcQ&amp;list=PLNZHf9q7PI8pS-S9kXodk1-ciBUeKaBpZ&amp;index=5" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Vivendo Cajueiro</em></a>. E tem aquelas pitadas de crítica social que a gente gosta, mas tem crítica construtiva também. Que é um lugar bom pra se viver, pra se morar, mas com problemas como em qualquer outro lugar também tem”, reflete Silva.</p>



<p>Esta oficina foi inspirada no projeto “Outros Sertões e o Minuto”, realizado pelos mesmo professores desta edição. Segundo Uilma de Queiroz, o projeto utiliza a palavra “outros” para falar desse momento em que estão buscando outras narrativas. “Que as pessoas falem de si a partir de seus próprios contextos e construindo dentro das ideias, o ponto de vista, a partir das localidades”, explica. Essa foi a primeira vez que o grupo ministrou uma oficina com essa perspectiva prática na região metropolitana do Recife.</p>



<p>As produções desenvolvidas durante a formação estão disponíveis no <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLNZHf9q7PI8pS-S9kXodk1-ciBUeKaBpZ" target="_blank" rel="noreferrer noopener">canal do youtube</a> do Outros Sertões. Além da parceria com o Sargento Perifa, o projeto conta com o incentivo da Lei Paulo Gustavo, do Governo Federal, por meio da Prefeitura do Recife, com apoio do Gabinete de Inovação Urbana.</p>
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		<title>Eleição do Conselho de Moradores de Brasília Teimosa vira caso de polícia e vai parar na Justiça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 19:53:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília Teimosa]]></category>
		<category><![CDATA[comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[movimento popular]]></category>
		<category><![CDATA[ZEIS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No próximo domingo, 30 de abril, os moradores e moradoras do bairro de Brasília Teimosa, localizado na Zona Sul do Recife, vão participar da eleição que define a presidência do Conselho de Moradores local. A gestão do órgão está sendo disputada por duas chapas: a Chapa 1, do atual presidente e candidato à reeleição, Wilson [&#8230;]</p>
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<p>No próximo domingo, 30 de abril, os moradores e moradoras do bairro de Brasília Teimosa, localizado na Zona Sul do Recife, vão participar da eleição que define a presidência do Conselho de Moradores local. A gestão do órgão está sendo disputada por duas chapas: a Chapa 1, do atual presidente e candidato à reeleição, Wilson Lapa; e a Chapa 2, encabeçada por Wilson Bibi, que tenta a eleição pela primeira vez. </p>



<p>A votação, que deveria ser realizada de quatro em quatro anos, está acontecendo com mais de um ano de atraso e, pela primeira vez em muitos anos, está sendo disputada por mais de uma chapa. De acordo com os moradores do bairro e integrantes da comissão eleitoral, o processo democrático de direito da população foi violado. </p>



<p>“O atual presidente tenta burlar o processo eleitoral de todas as formas. Primeiro, adiou as eleições por mais de um ano, depois alegou que a chapa 2 era fraudulenta e ilegítima, e agora não imprimiu as seis mil cédulas que serão usadas no dia da eleição e não apresentou a lista dos mesários”. A declaração é da professora Celeste Valença, moradora do bairro de Brasília Teimosa, que faz parte da comissão eleitoral. </p>



<p>O atual presidente, Wilson Lapa, está na presidência do conselho há 17 anos. De acordo com Celeste Valença, Lapa chegou a alterar o estatuto do órgão, que determinava que as eleições ocorressem de dois em dois anos, para que as gestões durassem quatro anos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um ano de atraso</h2>



<p>A eleição, que deveria ter ocorrido em abril de 2022, foi adiada sem justificativas pelo então presidente. Com isso, membros da oposição decidiram entrar com uma ação judicial para que o pleito fosse realizado. Agora, judicializada pela 31ª Vara Cível da Justiça de Pernambuco, a eleição acontecerá no próximo domingo, dia 30 de abril, com votação na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) João Bezerra, das 8h às 17h. </p>



<p>“Nós chegamos a um acordo junto com o juiz. Formamos uma comissão eleitoral composta por seis pessoas, três representantes de cada chapa, e asseguramos que a votação vai acontecer no próximo domingo. Em caso de qualquer impasse da comissão é o juiz que toma a decisão final”, afirmou o candidato oposicionista, Ewerton Bibi. </p>



<p>De acordo com Celeste Valença, mesmo com a judicialização do processo eleitoral, o atual presidente ainda tenta dificultar a realização da votação: “A comissão teve que assumir a impressão das cédulas de votação porque das seis mil que deveriam ser apresentadas pelo presidente, só chegaram duas mil. Também foi a comissão que organizou todo o processo eleitoral, reservou a escola, solicitou a segurança e a ambulância para prestar assistência no dia da votação, tudo isso era dever do presidente, mas ele não se mobilizou”. </p>



<p>“Eu espero que as pessoas vão às ruas para que as eleições não sejam impedidas de acontecer, é direito dos moradores e moradoras. As pessoas estão se mobilizando, estão fazendo caminhadas, estão colocando adesivos nas portas com as fotos de seus candidatos. Nas últimas eleições as pessoas estavam mais apáticas, mas nesse ano eu sinto que a energia está diferente, as pessoas estão mais engajadas. Eu espero que isso reflita na eleição do domingo&#8221;, concluiu a professora.</p>



<p>Conhecido pelo histórico de resistência de seus moradores na luta pelo direito à cidade, o bairro de Brasília Teimosa <a href="https://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2014/XI-049.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">inaugurou o debate que resultou na instauração das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis)</a> &#8211; áreas previstas no Plano Diretor e demarcadas na Lei de Zoneamento reservadas para assentamentos habitacionais de população de baixa renda. Em 2019, o bairro recebeu a Regularização Fundiária Urbana de Interesse Social através da Lei de Uso e Ocupação do Solo. </p>



<p>A Lei das Zeis protege o território da especulação imobiliária, que é bastante expressiva na Zona Sul do Recife, mas não impede que o assédio de empreiteiras e imobiliárias aconteça. Além disso, Projetos de Leis podem vir a modificar os direitos das Zeis e colocar os moradores de Brasília Teimosa em risco. </p>



<p>É por isso que o Conselho de Moradores de Brasília Teimosa, fundado em 1966, tem um papel fundamental em mobilizar o diálogo entre a comunidade e os órgãos públicos, a fim de preservar a integridade do território e de sua população. </p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Acusações de fraude</strong></h3>



<p>Uma das funções do Conselho de Moradores é a realização de assembleias para debater e reunir as demandas dos moradores, e tomar decisões que serão acordadas e repassadas aos órgãos públicos. Ao final de cada assembleia, uma ata para colher a assinatura dos participantes é repassada ao público.</p>



<p>Antes da realização das eleições do próximo domingo, a atual gestão do conselho apresentou as atas à comissão eleitoral. Para a surpresa dos moradores, muitas assinaturas pareciam ser falsificadas. “Tudo indica que várias coisas foram aprovadas em assembleias sem quórum e as assinaturas foram forjadas. Isso é muito grave, é falsidade ideológica”, afirmou Celeste Valença.</p>



<p>Diante da suposta fraude, os membros da comissão que integram a Chapa 2 encaminharam as atas para a Delegacia de Boa Viagem. No momento, os documentos estão retidos e aguardam a realização da perícia.</p>



<p>A Marco Zero procurou o candidato Wilson Lapa para esclarecer os fatos, mas até a publicação da matéria não obtivemos respostas.</p>



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<p>Até a eleição, moradores e moradoras de Brasília Teimosa seguem mobilizados nas campanhas e todo o burburinho da disputa parece ter aquecido os eleitores. Nas páginas de Instagram dos veículos de comunicação com conteúdos voltados para a comunidade é perceptível o engajamento do público diante da votação.</p>



<p>Nesta quarta-feira, 26 de abril, os comunicadores do <a href="https://www.instagram.com/blogdotioiggor/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Blog do Tio Iggor </a>e da <a href="https://www.instagram.com/radiobrasiliateimosa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rádio Brasília Teimosa</a> realizaram uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zsurQa45lJY" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>roda de diálogo com os candidatos da Chapa 1 e 2, em uma transmissão ao vivo no YouTube</strong></a>. Wilson Lapa não compareceu e não justificou sua ausência, com isso o debate ocorreu apenas com os integrantes da Chapa 2.</p>



<p>Durante a transmissão o público pôde discutir sobre pautas sociais relevantes para o bairro como educação, transporte público e saúde, e cobraram ações efetivas tanto da atual gestão quanto dos candidatos concorrentes.<br><br>&#8220;A nossa prioridade agora, antes de qualquer coisa, é garantir que as eleições aconteçam. Deixar que a população decida o que quer&#8221;, declarou Ewerton Bibi. </p>



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	                                        <p class="m-0">Eweton Bibi e Aldinho, candidatos da Chapa 2, durante a Roda de Diálogo. Crédito: Reprodução YouTube Rádio Brasília Teimosa</p>
	                
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		<title>Ibura: o que restou da Rua C</title>
		<link>https://marcozero.org/ibura-o-que-restou-da-rua-c/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sérgio Miguel Buarque]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 22:31:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Rua C, na Vila 27 de Abril, no bairro do Ibura, praticamente não existe mais. No sábado (28), por volta das 8h30, um deslizamento de barreira derrubou várias casas deixando um rastro de destruição na comunidade que é mais conhecida como Vila Betel. Mais do que os danos materiais, seis pessoas morreram e muitas [&#8230;]</p>
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<p>A Rua C, na Vila 27 de Abril, no bairro do Ibura, praticamente não existe mais. No sábado (28), por volta das 8h30, um deslizamento de barreira derrubou várias casas deixando um rastro de destruição na comunidade que é mais conhecida como Vila Betel. Mais do que os danos materiais, seis pessoas morreram e muitas outras estão hospitalizadas. Entre os mortos &#8211; quatro de uma mesma família &#8211; estão três crianças.</p>



<p>Pouco mais de 48 horas depois da tragédia, tratores e caminhões da prefeitura de Jaboatão dos Guararapes retiravam, sob o olhar silencioso de dezenas de pessoas da comunidade, lama e pedras misturadas com pedaços de móveis e objetos pessoais. Uma equipe da <strong>Marco Zero</strong> visitou o local e ouviu dos moradores relatos que misturam dor pelas perdas irreparáveis e revolta pelo sentimento de abandono por parte das autoridades.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Inês Campelo/MZ Conteúdo</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Com ausência do poder público (até agora, além das máquinas trabalhando, apenas uma equipe da Prefeitura de Jaboatão passou por lá para fazer um cadastramento das vítimas), a assistência mais básica é prestada pela sociedade civil. Os coletivos Ibura Mais Cultura, Periféricas, Espaço Cultural das Marias e Mulheres do 10 , por exemplo, estão desde sábado mobilizando e recolhendo doações. Se não fosse por eles, muitas das famílias desalojadas não teriam o que comer.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><a href="https://www.instagram.com/p/CeHFbJslJ7C/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Saiba aqui como ajudar</a></h4>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Minha casa caiu na Lagoa.<br>Graças a Deus não tinha ninguém em casa.<br>Aí a gente entrou no auxílio aluguel.<br>Meu filho estava, bem dizer, na barriga. Está com 21 anos.<br>21 anos a gente esperando. Todo ano a gente vai lá.<br>Não. Está em solicitação o terreno para construir.<br>Quando é que sai? Depois que morre?&#8221;</p><p><em><strong>Leônidas Bezerra</strong>, que por duas décadas esperou por outro lugar para morar, ilustra a falta de política pública para habitação em Pernambuco</em></p></blockquote>



<p>Os dramas vividos pelos moradores da Rua C são, em maior ou menor escala, os mesmos de milhares de pessoas nas periferias da Região Metropolitana do Recife. São histórias como a de Leônidas Bezerra, que perdeu a mulher, a filha e duas netas, e a de Isaías José da Costa Filho, que resgatou com vida a esposa e o filho, depois de escavar por quase uma hora e meia com ajuda dos vizinhos, que contamos a seguir:</p>



<iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/rb7pSvTfTic" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<iframe width="320" height="557" src="https://www.youtube.com/embed/jd5alja1U34" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
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		<title>Mulheres do bairro de Passarinho lutam por serviços públicos para a comunidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Dec 2019 02:43:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Principal]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[#OcupePassarinho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passarinho é um dos tantos bairros do Recife invisíveis para o poder público. Os  mais de 20 mil habitantes são desassistidos por serviços básicos, de dever do Estado, como saúde e educação. É um lugar completamente esquecido pelos políticos, que só costumam aparecer por lá em ano eleitoral. A comunidade é predominantemente de baixa renda. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Passarinho é um dos tantos bairros do Recife invisíveis para o poder público. Os  mais de 20 mil habitantes são desassistidos por serviços básicos, de dever do Estado, como saúde e educação. É um lugar completamente esquecido pelos políticos, que só costumam aparecer por lá em ano eleitoral.</p>
<p>A comunidade é predominantemente de baixa renda. Ela ocupa aproximadamente 400 hectares, até os limites dos municípios de Paulista e de Olinda. A maioria da população é de mulheres (50,98%). Elas também são as responsáveis (ou seja, as provedoras) de 41,3% dos domicílios.</p>
<p>Desde da ocupação da área, loteada para famílias vindas do Morro da Conceição nos anos 80, a história que as mulheres de Passarinho contam é sempre a mesma: descaso. Há tensões territoriais não resolvidas e uma lacuna imensa de políticas públicas para a população. Faltam saneamento básico, ruas calçadas, equipamentos de lazer, oportunidades de geração de renda e transporte público de qualidade, porque são poucas linhas de ônibus que servem a área. Nem pagando mais caro os moradores conseguem alternativas, já que aplicativos como Uber não atendem por lá.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-24282 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/Mulheres-de-Passarinho_-10.jpeg" alt="" width="1040" height="780" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/Mulheres-de-Passarinho_-10.jpeg 1040w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/Mulheres-de-Passarinho_-10-300x225.jpeg 300w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/Mulheres-de-Passarinho_-10-768x576.jpeg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/Mulheres-de-Passarinho_-10-1024x768.jpeg 1024w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/Mulheres-de-Passarinho_-10-600x450.jpeg 600w" sizes="(max-width: 1040px) 100vw, 1040px" /> Os problemas antigos se somam aos mais recentes. Há pelo menos três meses, o abastecimento de água começou a acontecer apenas uma vez por semana.“Comprei duas caixas d’água porque já chegou a faltar por 15 dias”, conta Enilda Francisca Ferreira, dona de casa. “Dez pessoas moram comigo. Seis são meus netos. Quando falta água é um deus nos acuda!”, reclama Marina José dos Santos, aposentada.</p>
<p>Vítima de paralisia infantil, a dona de casa Joelma Faustino se locomove com dificuldade. Ela mora em uma das ruas mais altas do território &#8211; que é cheio de áreas de morro, onde várias pessoas morreram por deslizamentos no período chuvoso no ano passado, mas nenhuma obra preventiva está sendo feita pela prefeitura para impedir novas tragédias este ano.</p>
<p>A falta de água da rua de Joelma é constante. É  impossível para ela descer o morro para apanhar botijões. “Fico dependendo da ajuda de amigos”, conta. A Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento) não informou os motivos do desabastecimento, embora já tenha sido alertada pelos moradores diversas vezes.</p>
<h2><b>Sem educação </b></h2>
<p>Enilda, Marina e Joelma fazem parte do Espaço Mulher, um local que promove atividades voltadas ao público feminino no bairro de Passarinho. Aproximadamente 30 moradoras participam do grupo, que é fruto da resistência das mulheres negras da comunidade. Há quatro anos elas organizam um evento chamado Ocupe Passarinho, onde denunciam os problemas que afligem à população.</p>
<p>Uma das questões é que o bairro não tem sequer uma creche. Esse serviço é reivindicado há anos. Aproximadamente 150 crianças de zero a três anos aguardam pelos atendimentos. “As mulheres são as principais prejudicadas porque as mães não têm onde deixar os filhos para trabalhar”, explica Edicleia Santos, coordenadora do Espaço Mulher. Ela diz que a desassistência impacta o rendimento médio das famílias e até a autoestima das mulheres.</p>
<p>Além da falta da creche, a escola municipal Marluce Santiago da Silva, em funcionamento no território, atende apenas 400 crianças até a 4° série. Ou seja, o restante dos estudantes precisa se deslocar para bairros vizinhos, como Beberibe. As vagas ofertadas pela unidade local também não dão conta da demanda atual.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-24283 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/IMG_2129-1.jpg" alt="" width="700" height="467" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/IMG_2129-1.jpg 700w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2019/12/IMG_2129-1-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /> Recentemente a prefeitura do Recife construiu um anexo para ampliar a capacidade da escola, mas o espaço ainda não está sendo utilizado, de acordo com os moradores. A secretaria de Educação do Recife não explicou os motivos, nem respondeu nossos questionamentos sobre a falta de uma creche.</p>
<p>“No ano passado matricularam apenas nove crianças novatas. Este ano, abriram 120 vagas, mas como priorizam os que já são alunos, sobram poucas para novos estudantes”, diz Edicleia. “Entra governo e sai governo, os problemas não se resolvem”, desabafa.</p>
<h2><b>Faltam médicos no posto de saúde</b></h2>
<p>Os dois postos de saúde que atendem os moradores do bairro estão sem médicos. Atualmente o único médico do bairro é um clínico geral que atende 12 pacientes por semana no Espaço Mulher, segundo as moradoras. Isso por iniciativa do próprio grupo feminino. Essa lacuna no serviço está prejudicando a mãe da estudante Cecília Maria, que era atendida no posto. Ela tem diabetes e deficiência visual.</p>
<p>“Atrapalhou ainda mais o que já estava ruim, porque minha mãe tem dificuldade de locomoção e, mesmo quando tinha médico no posto, eles se negavam a atender ela em casa quando ela precisava”, conta.</p>
<p>A secretaria de Saúde do Recife informou que o médico da Unidade de Saúde da Família (USF) Passarinho Baixo pediu transferência há um mês. “Enquanto um novo profissional não é lotado na unidade, os pacientes que precisam de atendimento médico estão sendo encaminhados para a Policlínica Clementino Fraga”. Essa unidade fica em outro bairro, no Vasco da Gama. Contrariando a fala dos moradores, a secretaria assegurou que o médico da USF de Passarinho Baixo está atendendo normalmente. A pasta informou por nota que,&#8221; ainda este ano, será lançado o edital para um concurso público que permitirá a contratação de novos médicos e enfermeiros para reforçar o atendimento na rede de saúde&#8221;, mas não cravou a data. Já estamos em dezembro.</p>
<h2><b>Conflitos territoriais</b></h2>
<p>O bairro de Passarinho também abriga duas ocupações. Uma delas é a Vila Esperança, onde vivem aproximadamente cinco mil famílias, sob a constante ameaça. Em 2014, uma liminar judicial, favorável à empresa Nordeste Pré-Moldados, que seria dona do terreno, determinou a retirada das famílias.</p>
<p>A liminar foi derrubada depois de mobilização da comunidade. “Mas o processo não foi concluído, isso deixa todos preocupados”, revela a coordenadora do Espaço Mulher, Edicleia. A ocupação mais recente é a da Vila Bom Jesus, que começou há dois anos. Atualmente 38 famílias vivem no terreno, em permanente disputa. “Apareceu uma pessoa dizendo que era dona, que a área pertencia ao município de Paulista. Mas nós provamos que a localização é Recife”, conta Tatiane Santos, moradora.Ela tem três filhas e está desempregada. O esposo vive de bicos.</p>
<p>Enquanto as disputas correm na Justiça, os moradores das ocupações sobrevivem em condições ainda piores das que são vistas nas áreas já regularizadas do bairro. “Não temos nada. Saneamento, água, ruas asfaltadas. A maioria dos moradores está desempregada”, revela Tatiana.</p>
<p>De fato, as oportunidades de empregos e geração de renda na comunidade são escassas, não apenas para os moradores das ocupações. As mulheres de Passarinho reclamam que existem várias fábricas instaladas no território, mas os moradores não são contratados. &#8220;Faltam políticas focadas na geração de emprego e renda. Os moradores daqui, jovens, mulheres, não têm oportunidades&#8221;, reclama Edicleia.</p>
<blockquote>
<h3><b>#OcupePassarinho </b></h3>
<p>Neste sábado (7), as mulheres de Passarinho cobram melhorias para o bairro. A programação do Ocupe Passarinho começa às 9h na sede do Grupo Espaço Mulher, que fica na rua Jandáia, número 5, e na praça do antigo terminal do micro-ônibus de Passarinho. Há apresentações culturais e palestras. A ação tem o apoio da Casa da Mulher do Nordeste, Fórum de Mulheres de Pernambuco, a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, Núcleo Jurema &#8211; UFRPE, NEPPAG – UFPE, Fase, Movimenta Cineclubes e Org. Popular, Bora, e apoio da OAK Foundation.</p></blockquote>
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		<title>Mulheres da Ilha de Deus viram musas inspiradoras de uma exposição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariama Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jan 2018 15:41:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Mãe, quem é aquela mulher pintada do muro?”, pergunta Júlio de 10 anos. “É a sua tataravó, Dona Albertina. Ela era parteira”, responde a mãe Maria Juliana dos Santos (27), enquanto catava sururu na Ilha de Deus, Zona Sul do Recife. Os olhos curiosos de Júlio reagiram surpresos à descoberta do vínculo com alguém cuja [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="Standard">“Mãe, quem é aquela mulher pintada do muro?”, pergunta Júlio de 10 anos. “É a sua tataravó, Dona Albertina. Ela era parteira”, responde a mãe Maria Juliana dos Santos (27), enquanto catava sururu na Ilha de Deus, Zona Sul do Recife. Os olhos curiosos de Júlio reagiram surpresos à descoberta do vínculo com alguém cuja história ele até então não conhecia. “Ela tem cara de pessoa trabalhadeira”, observa o menino, voltando a brincar com o irmão Ismael (8), junto da calçada onde a jovem mãe mecanicamente limpava baldes do produto de onde ela tira, sozinha, o sustento dos filhos.</p>
<p class="Standard">A pintura de Dona Albertina, a tataravó de Júlio e parteira que trouxe ao mundo 375 crianças na Ilha de Deus, está estampada no muro do posto de saúde da comunidade como um monumento de uma história que os livros oficiais não contam. O retrato em tinta spray é parte de uma série de pinturas em homenagem à liderança feminina na Ilha, uma força que se revela de tantas maneiras quando cruzamos a ponte “Vitória das Mulheres” para entrar nesse lado do Recife tão próximo do centro urbano, mas, contraditoriamente, um ponto cego da cidade.</p>
<p class="Standard">Além da pintura de Dona Albertina, o projeto assinado pela artista visual Mariana Lúcio produziu sete pinturas em telas feitas em spray e estêncil. Para produzir os quadros que retrataram nove mulheres marisqueiras da Ilha de Deus, a artista paulista mergulhou profundamente na realidade da população. Chegou a morar uma semana na casa de moradores do local. “Aprendi a catar marisco com elas, fazer caranguejo. Queria estabelecer um vínculo real”, lembra. Os retratos produzidos por Mariana ganharam uma exposição no Sesc Casa Amarela, que pode ser visitada até 9 de março.</p>
<p><div id="attachment_6759" style="width: 376px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/01/24232584_1611476145575863_6190532370208010343_n.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6759" class="wp-image-6759 " src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/01/24232584_1611476145575863_6190532370208010343_n-300x199.jpg" alt="24232584_1611476145575863_6190532370208010343_n" width="366" height="243"></a><p id="caption-attachment-6759" class="wp-caption-text">Mariana&nbsp;apresenta alguns dos quadros produzidos</p></div></p>
<p class="Standard">As biografias das mulheres que ilustram as telas, assim como a de Dona Albertina, contam a própria história da comunidade que nasceu à beira do manguezal e tira seu sustento da maré. “Aqui nada anda sem as mulheres. Estamos sempre na linha de frente de todas as conquistas. Foi com a luta da gente que conseguimos, por exemplo, que a prefeitura construísse a ponte na entrada da Ilha. Antes tinha que atravessar de barco”, lembra Érica de Paula (42) se referindo à ponte de concreto que ganhou o nome de Vitória das Mulheres e é parte de um projeto de urbanização.</p>
<p class="Standard">Érica mora na Ilha de Deus há dez anos com o filho, que hoje tem 19 anos. Ele vai para a maré pescar o sururu, enquanto ela se dedica à limpeza do produto. Sem interromper o hábil trabalho de separar o molusco da casca, ela fala sobre sua liderança na comunidade. “Não sou de associação comunitária nem nada, mas todas as vezes que tem problema vou resolver, por isso me considero um símbolo das mulheres daqui”, diz, comentando o fato de estar entre as retratadas na exposição.</p>
<p><div id="attachment_6760" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/01/Erica-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6760" class="wp-image-6760 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/01/Erica-1-300x295.jpg" alt="Erica (1)" width="300" height="295"></a><p id="caption-attachment-6760" class="wp-caption-text">Érica faz pose para a pintura</p></div></p>
<p class="Standard" style="text-align: left;">As mãos hábeis das catadoras de mariscos e sururu não param nem por um momento porque elas sabem o valor desse trabalho árduo. Muitas vezes é preciso um dia inteiro debulhando os frutos do mar para conseguir três quilos do produto, vendido ao preço máximo de R$ 10 o quilo. Sentada em uma calçada perto do mangue, Roberta Maria Fernandes (48), conhecida pelos moradores como Obede, conta que aprendeu a catar sururu aos 10 anos. “Meus pais catavam, meus avós também”, recorda.</p>
<p class="Standard" style="text-align: left;">As marcas de corte nas mãos de Obede revelam a dureza de sua rotina, que começa cedo e muitas vezes se estende até o fim do dia. “Essa sempre foi minha vida. Até trabalhei em casa de família, mas não deu certo e voltei pra maré. Nunca imaginei que iam fazer uma pintura minha. Quando ficou pronto eu fiquei orgulhosa, chamei todo mundo para ver”, narra.</p>
<p class="Standard">Do ponto onde Obede está vê-se nitidamente, do outro lado do rio, o shopping RioMar, um local que apesar de próximo representa, para a maioria dessas mulheres, um ambiente hostil. A mesma impressão se revela quando elas respondem que não frequentam os restaurantes chiques de Boa Viagem, nos quais o sururu catado na Ilha é vendido a preço de ouro. A jovem catadora Gleicy Kelly Silva (26), também participante do projeto, acha injusto que o trabalho dela seja tão mal remunerado. “Ganho pouco e não fico nem como o dinheiro todo, porque ainda pago uma parte para o pescador que vai buscar o sururu na maré”, conta. Ela mesma não desce para a maré porque é mãe solteira e precisa cuidar do filho de cinco anos.</p>
<p class="Standard"><b>Tradição e renovação</b></p>
<p class="Standard">Pescadeira mais antiga da comunidade, Maria de Fátima da Silva (56) é uma das poucas mulheres da Ilha a sair com os homens para pegar o produto na maré. “Fui a primeira, faço isso há 48 anos. Eu mergulhava para buscar o sururu, agora só pego apenas no raso”, revela, dizendo que o corpo todo marcado de ostras já não aguenta mais tanto esforço por conta da idade.</p>
<p><div id="attachment_6755" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/01/dinda-e-nêga.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6755" class="wp-image-6755 size-medium" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/01/dinda-e-nêga-300x271.jpg" alt="dinda e nêga" width="300" height="271"></a><p id="caption-attachment-6755" class="wp-caption-text">As irmãs Kerolyne e Karolyne (Dinda e Nêga) na exposição das mulheres da Ilha</p></div></p>
<p class="Standard">Maria aprendeu a ser pescadeira com os pais. A mãe morreu quando ela era pequena e o pai criou sozinho os filhos que nem ela mesma sabe ao certo quantos são. “Todo mundo que mora aqui é uma grande família”, diz. O ofício que aprendeu nesse lar, a pescadeira transmitiu aos quatro filhos que criou quase sozinha com o dinheiro das pescarias. Todos seguiram os passos da mãe na maré.</p>
<p class="Standard">Já as irmãs gêmeas Kerolyne e Karolyne (20) também trabalham na maré, mas sonham com uma vida diferente. As duas estudam e são envolvidas com atividades culturais dentro da própria Ilha. Kerolyne é dançarina no grupo Baquemaré, de danças afros e populares. “Meu talento é dançar”, diz. Já Karolyne é a DJ de um programa na rádio Boca da Ilha, da ONG Caranguejo Uça e produz vídeos. Para ela, participar do projeto também trouxe novos conhecimentos. “Gostei porque também aprendemos a fazer arte com estêncil”, comenta.</p>
<p class="Standard"><b>Dona Albertina, a mãe da Ilha de Deus</b></p>
<p class="Standard">Entre as famílias que tiram seu sustento do mangue, Dona Albertina ou mãe Bel, como era conhecida, é uma figura mítica, quase uma santa. Em quase todas as casas encontra-se um morador que foi trazido ao mundo com a ajuda dela. Suas cantigas, seu coco de roda, suas rezas e conselhos fazem parte das lembranças dos que conviveram com a grande mãe da Ilha, falecida há aproximadamente 15 anos.</p>
<p><div id="attachment_6754" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/01/ALBERTINA.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6754" class="wp-image-6754 size-full" src="http://marcozero.org/wp-content/uploads/2018/01/ALBERTINA.jpg" alt="ALBERTINA" width="640" height="480"></a><p id="caption-attachment-6754" class="wp-caption-text">Dona Albertina, a mãe Bel, fez 375 partos na Ilha de Deus</p></div></p>
<p class="Standard">Manter vivo o legado de Dona Albertina para as novas gerações é um dos objetivos do projeto artístico. Por isso, ela foi a única participante a ter o seu retrato estampado em um muro da comunidade, no posto de saúde local. “Quando as crianças olham para o muro, sabem quem foi ela. Ela é a própria Ilha de Deus”, reconhece a artista Mariana Lúcio.</p>
<p class="Standard">A autora das obras diz que, no fim da exposição, os quadros serão devolvidos às participantes. “É uma forma de homenageá-las e lembrar que elas são importantes, que alguém percebe essa importância”, comenta. “Muita gente chega aqui com um olhar de cima, querendo oferecer um saber novo. Mas para mim é uma troca. O que eu fiz foi porque eu vivi e aprendi com elas, elas são as artistas do cotidiano”, considera.</p>
<p class="Standard">
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