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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Padre Vito Miracapillo volta ao Recife para receber título de cidadão pernambucano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 18:28:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O padre italiano Vito Miracapillo, expulso do Brasil pela ditadura militar por sua atuação em defesa dos trabalhadores rurais e dos direitos humanos, recebe nesta segunda-feira (21) o título honorífico de cidadãopernambucano. A homenagem será entregue em reunião solene às 18h na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), por iniciativa do deputado estadual João Paulo Lima [&#8230;]</p>
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<p>O padre italiano Vito Miracapillo, expulso do Brasil pela ditadura militar por sua atuação em defesa dos trabalhadores rurais e dos direitos humanos, recebe nesta segunda-feira (21) o título honorífico de cidadãopernambucano. A homenagem será entregue em reunião solene às 18h na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), por iniciativa do deputado estadual João Paulo Lima (PT).</p>



<p>A solenidade contará com a presença da cônsul da Itália no Recife, Maria Salamandra, do senador italiano Fabio Porta e de representantes da Diocese de Andria e da paróquia de Padre Vito na Itália. &#8220;Tive a oportunidade de testemunhar de perto o trabalho pastoral do Padre Vito e a sua dedicação por nossa gente mais pobre. Este título é o reconhecimento formal de algo que o povo pernambucano já sabia há muito tempo: ele pertence a esta terra e a esta gente&#8221;, afirma João Paulo.</p>



<p>Nascido em Andria, na Itália, em 1947, Vito Miracapillo foi ordenado sacerdote em 1971. Chegou definitivamente ao Brasil em outubro de 1975 para atuar nas comunidades da Mata Sul pernambucana, com passagens por Palmares, Maraial, Jaqueira, Sertãozinho e Ribeirão.</p>



<p>Em 7 de setembro de 1980, recusou-se a celebrar uma missa em homenagem ao Dia da Independência por considerar que não havia independência verdadeira enquanto grande parte da população permanecesse sem direitos básicos. A recusa provocou forte reação do regime militar. Considerado &#8220;nocivo&#8221; e &#8220;indesejável&#8221; com base no Estatuto do Estrangeiro, teve habeas corpus rejeitado por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal e foi expulso do país em 31 de outubro de 1980. A decisão gerou manifestações de solidariedade no Brasil e no exterior, e um abaixo-assinado em Ribeirão reuniu mais de 20 mil assinaturas contra a expulsão.</p>



<p>Padre Vito ficou 13 anos impedido de retornar ao Brasil. Em 1993, durante o governo Itamar Franco, o decreto de expulsão foi revogado. Em 2011, no governo Dilma Rousseff, recebeu visto permanente como reparação pela perseguição sofrida. Desde então, mantém vínculos com as comunidades da Diocese de Palmares e retorna regularmente a Pernambuco. O sacerdote também possui livros publicados no Brasil e na Itália sobre fé, direitos humanos e cidadania.</p>
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		<title>&#8220;Clamor&#8221;, livro sobre rede de apoio a refugiados de ditaduras será adaptado para o cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 22:32:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Madeira]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[livro sobre a ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Marjorie Estiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mouhamed Harfouch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem Clamor, do jornalista Samarone [&#8230;]</p>
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<p>A atuação de uma rede de apoio que ajudava refugiados da repressão dos países sul-americanos que, na segunda metade dos anos 1970, fugiram para o Brasil é uma história dos tempos da ditadura ainda a ser descoberta pelo público brasileiro. Agora, uma das poucas obras que trata desse tema, o livro-reportagem <em>Clamor</em>, do jornalista Samarone Lima, está sendo adaptado para o cinema.</p>



<p>O filme será dirigido por Malu de Martino, cujo trabalho mais marcante foi o longa-metragem <em>Como esquecer</em>, e filmado em Santos e em Valparaíso, no Chile. A produção ainda está nas fases iniciais, com o elenco sendo montado.</p>



<p>A atriz <a href="https://www.instagram.com/estianomarjorie/">Marjorie Estiano</a> (da série <em>Sob pressão</em> e do filme <em>Ainda estou aqui</em>) foi a primeira a ser anunciada; ela fará o papel da jornalista inglesa Jan Rocha, ex-correspondente no Brasil da BBC durante a ditadura, uma das criadoras do grupo Clamor. Seu marido, o brasileiro Plauto, será interpretado por <a href="https://www.instagram.com/mouhamedh/">Mouhamed Harfouch</a>, que atuou em novelas globais como <em>Cordel Encantado</em> e <em>Verdades Secretas</em>. O ator, de ascendência síria por parte de pai, é ativista em organizações de solidariedade a refugiados sírios no Brasil.</p>



<p>A jornalista britânica, que, até hoje, vive no Brasil, é a figura central na história do Clamor.</p>



<p>Em razão do seu trabalho como correspondente estrangeira, era constantemente procurada por militantes exilados que fugiam da máquina repressiva das ditaduras da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai ou por parentes de desaparecidos nesses países. Na época, pressionados internamente e pela opinião pública internacional, os militares brasileiros iniciavam a &#8220;abertura&#8221; política do regime, o que tornou o país um refúgio próximo de casa para os perseguidos vindos do Cone Sul.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/clamor-marjorie-estiano.jpeg" alt="A imagem mostra uma mulher sentada em uma poltrona cinza clara, em um ambiente interno elegante. Ela veste um vestido longo de cetim marrom e sapatos de salto alto amarelos, que criam um contraste marcante. Usa colar e pulseira dourados, e tem o cabelo curto e ondulado, penteado de forma descontraída. Está com uma expressão confiante e um leve sorriso, com uma das mãos apoiada na cabeça. Ao lado, há uma mesa redonda de madeira com um abajur dourado e branco e um telefone preto, compondo um cenário sofisticado e acolhedor." class="" loading="lazy" width="503">
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	                                        <p class="m-0">Marjorie Estiano será a protagonista do filme
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @estianomarjorie</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Junto com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e o pastor presbiteriano Jaime Wright, ela criou o Clamor. Sob a proteção de dom Paulo Evaristo Arns, o grupo passou a ter como sede uma sala na Cúria Metropolitana de São Paulo, ora prestando assistência jurídica aos refugiados, ora articulando uma rede para ajudá-los a encontrar casa, trabalho e alimento. No entanto, a atividade do grupo de maior impacto eram os boletins com relatos de casos e fotos de prisioneiros ou desaparecidos.</p>



<p>Graças ao boletim publicado em três idiomas (português, espanhol e inglês), o Clamor chegou aos personagens que protagonizaram o fato detalhado por Samarone Lima no livro e que será recontado no cinema: a localização de Anatole e Victoria, duas crianças uruguaias desaparecidas. Anos após o sumiço dos irmãos, o grupo descobriu que o menino e a menina foram abandonados por militares argentinos no meio da rua em Valparaíso, a mais de 1.400 quilômetros de Buenos Aires, onde seus pais tinham sido assassinados pela repressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Solidariedade brasileira</h2>



<p>Aos 86 anos e vivendo no Brasil desde 1969, <a href="https://marcozero.org/ao-falar-que-a-amazonia-e-nossa-bolsonaro-diz-que-a-amazonia-e-do-crime-afirma-jornalista-britanica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jan Rocha </a>acredita que o filme será importante ao tratar de um aspecto da história do Brasil pouco conhecido do público do país. &#8220;Sei que um filme nunca consegue captar tudo, sei que serão necessárias licenças poéticas para melhor condensar a história, mas será uma oportunidade para que o Clamor alcance uma audiência maior do que a do livro&#8221;, afirma a jornalista, autora de um livro sobre o grupo, <em>A solidariedade não tem tem fronteiras,</em> expressão usada pelo cardeal Arns para justificar seu apoio.</p>



<p>Ela acredita que, além da própria história do grupo, &#8220;também não é muito conhecido o fato de o Brasil ter recebido milhares de refugiados de toda a América do Sul naqueles anos em que o Brasil vivia uma fase diferente da ditadura, a partir de 1977, principalmente&#8221;. O processo de reabertura permitiu, por exemplo, a instalação de dois escritórios do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Rio de Janeiro e em São Paulo.</p>



<p>Os brasileiros foram muito generosos e acolhedores com esses refugiados. Essa é a impressão que, quase meio século depois, permanece na memória de Jan Rocha. &#8220;A solidariedade brasileira vai chegar às telas do cinema; espero que o filme consiga mostrar isso&#8221;, diz a inglesa.</p>



<p>Na sala cedida pela Cúria Metropolitana ao Clamor chegavam pessoas vivendo situações dramáticas, a exemplo de esposas com maridos desaparecidos e pais cujos filhos foram assassinados ou presos em locais desconhecidos. Mesmo assim, Jan Rocha recusa o rótulo de &#8220;heroísmo&#8221; à atuação do grupo. &#8220;Fazíamos o que precisava ser feito diante de tanto desespero&#8221;, garante.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Direitos sem fronteiras</h3>



<p>No final dos anos 1990 e início dos 2000, quando trabalhava no jornal da Arquidiocese de São Paulo, Samarone Lima teve acesso ao acervo de documentos, recortes de jornais de vários países, depoimentos e fotografias armazenados nos arquivos do Clamor, desativado em 1991, logo após o fim da última ditadura sul-americana, a de Pinochet, no Chile. A pesquisa municiou a dissertação de mestrado do jornalista na Universidade de São Paulo (USP), base para o livro publicado e m 2005.</p>



<p>&#8220;O maior legado do Clamor é a ideia de que solidariedade não tem fronteiras geográficas, étnicas, religiosas, de crenças. É a grande lição para todos os grupos de direitos humanos que, por vezes, atuam solitários tentando alguma pequena conquista&#8221;, resume o autor do livro.</p>



<p>Samarone ressalta que o posicionamento de dom Paulo Evaristo vinha da convicção de que a luta contra a violação dos direitos humanos é universal: &#8220;Dom Paulo tinha conexões com igrejas em todo o mundo, e, com isso, o Clamor recebeu financiamento do Conselho Mundial de Igrejas, que bancou sua estrutura, custeou a viagem secreta para o Chile em busca de Anatole e Vicky&#8221;.</p>



<p>No filme, o arcebispo de São Paulo será interpretado por Augusto Madeira, que atuou na novela <em>Três Graças</em> e na série <em>A menina que matou os pais</em>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/05/Clamor-sebas-miquel-1024x675.jpeg" alt="A imagem mostra um chão de asfalto coberto por desenhos e palavras feitas com giz branco e azul. No centro, lê-se “FUE GENOCIDIO”, expressão em espanhol que significa “foi genocídio”. O texto está dentro de um contorno que lembra um lenço triangular, símbolo das Mães da Praça de Maio, movimento argentino que denuncia os desaparecimentos durante a ditadura militar. Dois pares de pés com tênis escuros aparecem caminhando sobre ou perto dos desenhos, sugerindo uma cena de rua, possivelmente durante um ato de memória ou protesto. No canto inferior direito, há a assinatura “@sebastianmiquel”." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">O grupo Clamor deu apoio a perseguidos das ditaduras na América do Sul
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Reprodução/Instagram @sebasmiquel</span>
                                    </figcaption>
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		<title>UFPE apresenta detalhes das perseguições da ditadura a professores, técnicos e estudantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 17:49:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 1964]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a ditadura de 1964 apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de seu levantamento. Realizado desde junho de 2025, o trabalho identificou pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos da universidade que foram alvo de práticas autoritárias do regime militar, que vão [&#8230;]</p>
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<p>A Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE sobre a ditadura de 1964 apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de seu levantamento. Realizado desde junho de 2025, o trabalho identificou pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos da universidade que foram alvo de práticas autoritárias do regime militar, que vão desde investigações sobre atividades “subversivas” até demissões, cancelamentos de bolsas e expulsões. Desse total, 132 pessoas foram presas ou detidas e, pelo menos, seis estudantes foram mortos pela repressão.</p>



<p>O evento <em>A UFPE e o compromisso com as memórias</em> acontece a partir das 9h, no auditório João Alfredo, na Reitoria, em uma data simbólica: os 62 anos do golpe militar. Além de detalhar os números e perfis das vítimas, a comissão anunciará as próximas etapas do trabalho de investigação e reconstrução histórica da repressão na instituição entre 1964 e 1985. </p>



<p>Como parte das atividades, serão remontadas exposições organizadas pelo Núcleo de Documentação sobre os Movimentos Sociais Dênis Bernardes (Nudoc) da UFPE: <em>Lutas de Classes sob a ditadura de 1964-1985</em> e <em>Tecendo memórias e lutas</em>, com foco nos assassinatos políticos de Soledad Barret e padre Henrique. Também será lançado um conjunto de vídeos de três minutos sobre estudantes da UFPE mortos pela repressão, que passarão a ser exibidos como interprogramas na TVU a partir das 18h.</p>



<p>Os produtos de memória são resultado de uma experiência pedagógica que envolveu estudantes de jornalismo no semestre passado, sob orientação das professoras Paula Reis e Yvana Fechine. Alunos produziram os vídeos no Laboratório de Imagem e Som (LIS) e também realizaram 18 reportagens e entrevistas que serão disponibilizadas no site da comissão. O levantamento de dados, por sua vez, conta com a participação de estudantes voluntários e bolsistas, sob supervisão de especialistas.</p>



<p>A escolha do Auditório João Alfredo, no prédio da Reitoria, carrega simbolismo histórico. João Alfredo Costa Lima, reitor da então Universidade do Recife à época do golpe de 1964, foi vítima da repressão e acabou renunciando ao cargo poucos meses depois, sob pressão de militares e setores que o acusavam de abrigar “comunistas” na instituição.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/dossie-revela-como-militares-interferiam-na-vida-academica-da-ufpe/" class="titulo">Dossiê revela como militares interferiam na vida acadêmica da UFPE</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/poder/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Poder</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/militares-vigiavam-ate-os-reitores-da-ufpe-durante-a-ditadura/" class="titulo">Militares vigiavam até os reitores da UFPE durante a ditadura</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/democracia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Democracia</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

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		<title>Fátima e Índia no coração do Agente Secreto</title>
		<link>https://marcozero.org/fatima-e-india-no-coracao-do-agente-secreto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jan 2026 16:01:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[O Agente Secreto]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Lua Lacerda* O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, surge em um momento significativo da produção cultural brasileira, quando o país tem sido compelido, histórica, política e simbolicamente, a encarar um de seus maiores traumas: a ditadura militar de 64. Essas narrativas dialogam com um presente em que golpistas e militares foram investigados, julgados [&#8230;]</p>
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<p>por Lua Lacerda*</p>



<p>O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, surge em um momento significativo da produção cultural brasileira, quando o país tem sido compelido, histórica, política e simbolicamente, a encarar um de seus maiores traumas: a ditadura militar de 64. Essas narrativas dialogam com um presente em que golpistas e militares foram investigados, julgados e condenados por tentativas recentes de ruptura democrática. Esse movimento histórico nos força a olhar “para trás”. A ditadura deixa de ser um capítulo encerrado e passa a ser algo que precisa ser constantemente rememorado, remexido, redito. Trata-se de um passado que não se esgota e que, talvez, nunca deva se esgotar.</p>



<p>Nesse contexto, O Agente Secreto se impõe como um filme fundamental. Não porque simplesmente retome a temática da repressão, mas porque o faz a partir de um lugar singular, tanto do ponto de vista estético quanto narrativo. Kleber Mendonça Filho trabalha com uma linguagem cinematográfica sofisticada, marcada por camadas, silêncios, deslocamentos e tensões internas. O filme não se limita a contar uma história, pois pensa o próprio modo de narrar. Seu movimento temporal, com constantes rupturas, retornos e infiltrações do presente, mimetiza o funcionamento da memória, que não se organiza de forma cronológica, mas por fragmentos, lapsos e insistências. É nesse gesto formal que o filme se afasta do relato histórico convencional e se constitui, ele próprio, como uma investigação sobre memória, arquivo e ausência.</p>



<p>Isso tem consequências diretas no modo como a narrativa se organiza e no lugar de onde ela é contada. Um dos aspectos mais relevantes do filme é, justamente, seu caráter profundamente local. A história se passa em Recife, e o personagem de Wagner Moura, Armando, é um professor universitário cuja experiência com a ditadura é situada e marcada pelas tensões regionais e pela xenofobia dos fascistas do Sul. Isso é fundamental. Durante muito tempo, as narrativas sobre o período ditatorial no Brasil se concentraram em certos centros, como Rio e São Paulo, e em experiências tomadas como universais, majoritariamente masculinas e brancas, apagando especificidades regionais, como as do Nordeste racializado. O Agente Secreto reivindica a importância dessas histórias locais como parte do processo de elaboração do trauma. Sem essas histórias faltosas, o trauma não pode ser completamente elaborado. A identificação do público recifense com o filme não é apenas afetiva. Ela também é política. Trata-se de uma forma de reparação simbólica, de reconstrução da memória a partir de um território específico.</p>



<p>Essa lógica se desdobra também no contraste entre diferentes gerações e diferentes modos de lidar com o passado, representado de forma precisa pelas duas jovens personagens pesquisadoras da atualidade. De um lado, a distração, a preguiça de olhar os jornais, de escutar os áudios, de se deter sobre aquilo que gera incômodo. Do outro, a figura da jovem curiosa, “danada”, insistente, elogiada pelo personagem Fernando por sua vontade de cavar arquivos, ouvir registros e buscar rastros. Esse contraste espelha uma tensão contemporânea muito real entre o esquecimento confortável e o trabalho ativo da memória. Essas pessoas que escavam o passado existem, nós somos elas e o próprio diretor também se coloca nesse lugar.</p>



<p>No entanto, um dos núcleos mais importantes do filme tem passado despercebido: a forma como são construídas duas personagens fundamentais, Fátima, interpretada por Alice Carvalho, e a mãe de Armando, conhecida apenas pelo apelido de “Índia”. Embora ocupem lugares muito distintos na narrativa, essas duas mulheres organizam, em camadas diferentes, o debate mais profundo que o filme propõe sobre memória e violência no Brasil. É a partir delas que O Agente Secreto desloca seu eixo da repressão política para algo anterior, estrutural. Uma história mais antiga e mais recalcada no inconsciente do país.</p>



<p><br>Fátima, esposa de Armando e mãe de Fernando, ocupa no filme um lugar tão decisivo quanto paradoxal. Mulher negra e politicamente consciente, ela aparece pouco, quase nunca como presença contínua no enredo, mas retorna de forma insistente como lembrança. Fátima está nas fotografias, na imagem que Armando carrega consigo, na memória do filho. Sua existência no filme se constrói menos pela ação direta do que pela permanência da ausência. Há apenas uma cena em que ela aparece corporalmente, em retrospectiva, no jantar com Armando e Girote. Nela, Fátima se impõe, fala com firmeza, xinga os fascistas. Essa breve aparição é suficiente para afirmar sua força e, ao mesmo tempo, evidenciar algo fundamental: Fátima é uma presença que o filme escolhe manter à margem do presente narrativo.</p>



<p>Parte da recepção tende a reduzi-lo a “mais um filme sobre a ditadura”. Sim, mas também trata-se de um filme que constrói uma longa investigação em torno da história da mãe de Armando, uma busca que atravessa toda a narrativa, inclusive em escolhas aparentemente laterais, como o local de trabalho do personagem. Ao final, o que se revela é silenciosamente violento: essa mulher era chamada de “Índia” porque era, de fato, indígena; foi violentada ainda muito jovem, aos 14 anos, quando vivia em condição de exploração doméstica, como escrava de uma família. Não há documentos, não há registros, não há arquivos. Tudo o que sabemos dela é a forma como era chamada (não o seu nome, mas o nome que lhe foi dado pelos outros).</p>



<p>Entre Fátima e a “Índia” se desenha uma gradação da violência brasileira: da mulher negra cuja presença persiste como ausência, ainda deixando vestígios na memória e nas imagens, à mulher indígena cuja história foi quase inteiramente apagada. Por isso elas estão no coração do filme: porque, embora seja possível narrar a ditadura, investigar seus crimes e reconstituir seus mecanismos de violência, há uma violência fundante, mais antiga e talvez mais decisiva, que permanece inalcançável. A violência colonial, o genocídio indígena e a exploração sexual e racial que estruturam a formação do Brasil não deixaram arquivos organizados, não cabem nos jornais, não aparecem nas gravações. Elas existem como ausência, como lacuna, como trauma sem nome e, ao mesmo tempo, como uma chave possível para compreender a violência que se desdobra posteriormente nesse território.</p>



<p>O gesto mais radical de O Agente Secreto está justamente naquilo que ele não consegue resolver. O filme olha para o passado na tentativa de compreendê-lo, mas reconhece seus próprios limites. Talvez seja justamente aí que ele se torne brilhante: ao admitir que as respostas mais importantes estão naquilo que não pode ser plenamente contado. Trata-se, portanto, de um filme sobre memória, mas também sobre o fracasso da memória. Um filme que investiga, que escava, que é danado e que, ao final, nos confronta com a constatação de que há uma violência fundante da história brasileira que não está nos registros. É nessa ausência, nessa ferida aberta, que o filme encontra sua força mais profunda.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Jornalista e escritora, doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É autora dos livros Ultramar (Editora da União, 2023) e Redemunho (Editora UFPB, 2019).</p>
    </div>
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		<title>Há 40 anos, &#8220;Brasil: Nunca Mais&#8221; escancarou para o país a violência da ditadura militar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2025 15:11:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Nunca Mais]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1985 eu tinha 16 anos, e nunca, nas conversas familiares, ou nas muitas escolas que tinha frequentado, alguém me informou que durante todos esses anos, eu tinha vivido sob uma ditadura. Nasci em maio de 1969, quando o país era governado por uma Junta Militar. Estava com cinco meses, quando assumiu a presidência o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 1985 eu tinha 16 anos, e nunca, nas conversas familiares, ou nas muitas escolas que tinha frequentado, alguém me informou que durante todos esses anos, eu tinha vivido sob uma ditadura.</p>



<p>Nasci em maio de 1969, quando o país era governado por uma Junta Militar. Estava com cinco meses, quando assumiu a presidência o sanguinário Emílio Garrastazu Médici.</p>



<p>Meu pai era funcionário do Banco do Brasil, e parecíamos nômades, em cima do seu Fusca cinza (placas IZ- 3059). Moramos no no Crato (CE), onde nasci, Brejo Santo (CE), Imperatriz (MA) e Fortaleza (CE). Nunca ouvi críticas aos milicos. Meu pai, bastante autoritário em casa, não tocava no assunto, mas nunca o vi elogiando o regime.</p>



<p>Num misterioso dia de 1985, por motivos que até hoje desconheço, apareceu em nossa casa um livro de capa vermelha, com a imagem de uma pessoa dentro de uma roda (para mim, era o que parecia), e um aviso: ”Um relato para a história”, e “prefácio de Dom Paulo Evaristo, Cardeal Arns”.</p>



<p>Era um ser estranho, aquele objeto.</p>



<p>Nossa biblioteca familiar tinha as onipresentes enciclopédias Delta Larousse, revistas Pais &amp; Filhos, além de de uma miscelânea que envolvia Adelaide Carraro, Jorge Amado, revistas “Placar”, e outros que não lembro. O livro que me fez ser leitor obstinado foi “Papillon, do francês Henri Charrièrre, que é uma história de aventuras.</p>



<p>Desavisadamente, resolvi abrir aquele livro que começava com “Brasil”, acompanhado do intrigante “Nunca Mais”.</p>



<p>Eram relatos comoventes e dolorosos, de pessoas que tinham sido presas e torturadas durante a ditadura. Todo o material foi coletado de depoimentos de pessoas que passaram por prisões, e foram torturadas.</p>



<p>Foram quase seis anos de um trabalho sigiloso, envolvendo advogados e jornalistas, sob o manto protetor do arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, com financiamento do Conselho Mundial de Igrejas, para coletar no Superior Tribunal Militar os relatos de presos políticos, feitos durante seus julgamentos. Além do arcebispo, o porjeto contou com o apoio fundamental do reverendo James Wright (1927-1999), da Missão Presbiteriana do Brasil Central.</p>



<p>O Brasil ainda estava sob o jugo dos militares, mas o mundo assombroso da violência, estava escancarada.</p>



<p>O livro se tornou um fenômeno. Lançado pela Editora Vozes, permaneceu na lista dos dez mais vendidos por 91 semanas. Na época, foi o livro de não-ficção brasileiro mais vendido de todos os tempos.</p>



<p>“Estávamos ainda sob a ditadura, mas nenhum militar falou nada, questionou nada. Contra os fatos, não há argumentos”, lembra Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos idealizadores do projeto.</p>



<p>Não sabia que minha vida estava mudando, por causa daquele livro. Três anos depois, eu estava no Recife, estudando Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, com a semente daquele livro monumental em minha alma.</p>



<p>Por essas coisas que não podemos explicar, em 1995 estava na Cúria Metropolitana da Igreja Católica de São Paulo, comandada pelo Cardeal Arns, trabalhando no jornal “O São Paulo”.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">40 anos depois&#8230;</span>

		<p><span style="font-weight: 400;">Desde o dia sete de setembro de 2024, no Memorial da Resistência, em São Paulo, essa história está aberta ao público, com a exposicão </span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="http://(https://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicao/uma-vertigem-visionaria-brasil-nunca-mais/" target="_blank" rel="noopener">Uma vertigem visionária &#8211; Brasil: Nunca Mais</a>.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste período, mais de 85 mil pessoas já visitaram a exposição, que tem cartazes, fotos, gráficos, documentos, gravações em vídeo das pessoas que participaram da conspiração pela memória e denúncia da ditadura. Um mergulho no passado, para que ele não se repita, no momento em que o Supremo Tribunal Federal se prepara para julgar os conspiradores do golpe de Estado liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. </span></p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/BNM-2.jpg" alt="Foto de uma sala de exposição em ambiente fechado, com piso de madeira e iluminação clara no teto. À esquerda, há uma vitrine de vidro com diversos livros e documentos dispostos lado a lado, entre eles o livro “Brasil: Nunca Mais”, com capa vermelha. Ao fundo, na parede escura da lateral esquerda, três nichos exibem telas com retratos em preto e branco de pessoas falando, aparentemente em vídeos ou depoimentos. No centro da imagem, uma parede clara exibe dois grandes textos em painéis cor-de-rosa e, ao lado, uma imagem de pés com etiquetas de necrotério — remetendo a vítimas da ditadura. Mais ao fundo, outras paredes brancas contêm painéis com textos em preto e folhas coloridas (em laranja e rosa) penduradas. A exposição trata de temas ligados à memória, direitos humanos e repressão no Brasil." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Exposição que resgata história do projeto já foi visitada por 85 mil pessoas
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Levi Fanan/Memorial da Resistência</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">O projeto</h2>



<p><em>Brasil: Nunca Mais</em> é a mais ampla pesquisa realizada pela sociedade civil sobre a tortura política no país. O projeto foi uma iniciativa do Conselho Mundial de Igrejas e da Arquidiocese de São Paulo, os quais trabalharam sigilosamente durante cinco anos sobre 850 mil páginas de processos do Superior Tribunal Militar. O resultado foi a publicação de um relatório e um livro, em 1985, que revelaram a gravidade das violações aos direitos humanos promovidas pela repressão política durante a ditadura militar. O sucesso da publicação continua influenciando gerações e impulsionou o compromisso do Estado brasileiro com o enfrentamento à tortura.</p>



<p>Com curadoria do pesquisador e professor Diego Matos, a mostra é dedicada à memória do projeto homônimo, empreendido entre 1979 e 1985. A iniciativa foi responsável por sistematizar e, clandestinamente, produzir cópias de mais de 1 milhão de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar (STM), revelando a extensão da repressão política do Brasil no período.</p>



<p>A história do projeto e seus desdobramentos é apresentada junto a testemunhos em vídeo de advogados, jornalistas e defensores de direitos humanos, que, por anos, tiveram seus nomes mantidos no anonimato: Paulo Vannuchi, Anivaldo Padilha, Ricardo Kotscho, Frei Betto, Carlos Lichtsztejn, Leda Corazza, Petrônio Pereira de Souza e Luiz Eduardo Greenhalgh, por meio do programa Coleta Regular de Testemunhos do Memorial. Há também entrevistas com Dom Paulo Evaristo Arns, Marco Aurélio Garcia, Eny Raimundo Moreira e Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, pertencentes ao acervo do Armazém Memória.</p>



<p>O arquivo de 707 processos judiciais expõe os depoimentos de presos políticos sobre as ações de repressão, vigilância, perseguição e tortura do aparato estatal. As cópias desse conteúdo, que por anos foram mantidas em segurança em acervos preservados na Suíça e nos EUA, tiveram repatriamento, retornando ao Brasil em 2011. Atualmente encontram-se sob salvaguarda do Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, em Campinas.</p>



<p>Hoje, o material coletado na pesquisa está disponível em site próprio, o <a href="https://bnmdigital.mpf.mp.br/pt-br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Brasil Nunca Mais Digital</a>, sob cuidados do Ministério Público Federal.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/07/BNM-ag-Brasil-Rovena-Rosa.webp" alt="Fotografia em plano médio de Dom Paulo Evaristo Arns, idoso, sorrindo amplamente. Ele veste um traje eclesiástico escuro com colarinho branco clerical e um pequeno crucifixo metálico pendurado no peito por uma corrente. Usa óculos e tem cabelos curtos, brancos e ralos. A imagem está levemente inclinada de baixo para cima, destacando sua expressão alegre e serena. Ao fundo, vê-se uma cortina verde escura e parte de um ambiente interno pouco iluminado. A luz incide sobre seu rosto, acentuando a atmosfera acolhedora e respeitosa da cena." class="" loading="lazy" width="688">
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Dom Paulo Evaristo Arns impulsionou a pesquisa
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil</span>
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                    </figure>

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		<title>A violência da ditadura militar começou pelas ruas do Recife</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Apr 2025 14:24:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[crimes da ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 1964]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório Bezerra]]></category>
		<category><![CDATA[violência da ditadura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A violência dos militares durante a ditadura não ficou apenas entre as paredes dos sombrios centros de tortura, como se viu no filme Ainda estou aqui. No Recife, poucas horas após o golpe de 1964, a dor e sofrimento chegaram às ruas e praças da cidade, levadas por militares completamente descontrolados, porém respaldados pelos seus [&#8230;]</p>
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<p>A violência dos militares durante a ditadura não ficou apenas entre as paredes dos sombrios centros de tortura, como se viu no filme <em>Ainda estou aqui</em>. No Recife, poucas horas após o golpe de 1964, a dor e sofrimento chegaram às ruas e praças da cidade, levadas por militares completamente descontrolados, porém respaldados pelos seus aliados civis, principalmente usineiros e políticos de direita. </p>



<p>Na tarde de 1º de abril daquele ano, numa das esquinas mais movimentadas da cidade naquela época, aconteceram os dois primeiros assassinatos cometidos pela ditadura. No dia seguinte, um idoso de 64 anos, o líder camponês Gregório Bezerra, foi torturado em plena praça de Casa Forte, endereço de dezenas de representantes da elite recifense. Essas são as histórias que contamos nesta videoreportagem: </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Assassinatos à luz do dia e tortura: as primeiras horas da ditadura militar no Recife" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/RNYfn2whcWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>&#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;, a ditadura sob uma perspectiva feminina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2024 13:07:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ainda estou aqui]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Eunice Paiva]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Lua Lacerda* Há muitos filmes sobre a ditadura militar brasileira, mas Ainda Estou Aqui traz uma perspectiva diferente: enquanto diversos outros filmes se concentram na história de homens revolucionários que sacrificaram suas vidas pela liberdade do país ou de mulheres combativas e destemidas, como Dilma Rousseff, a obra de Walter Salles narra a trajetória [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Lua Lacerda*</strong></p>



<p>Há muitos filmes sobre a ditadura militar brasileira, mas <em>Ainda Estou Aqui</em> traz uma perspectiva diferente: enquanto diversos outros filmes se concentram na história de homens revolucionários que sacrificaram suas vidas pela liberdade do país ou de mulheres combativas e destemidas, como Dilma Rousseff, a obra de Walter Salles narra a trajetória de Eunice Paiva. O filme encarna uma versão feminina — entre tantas possíveis — sobre os anos de chumbo, representando a experiência de uma esposa branca inserida na elite intelectual e política da época.</p>



<p>A narrativa nos leva ao ambiente doméstico, ao cotidiano de uma família de elite, para revelar o lado ‘do lar’ da tortura. Em vez de heróis públicos, vemos quem carrega as chagas do autoritarismo na “esfera privada”: uma mulher forçada a criar os filhos sozinha, em meio à violência dos “gorilas”, sem sequer derramar uma lágrima. “Nós vamos sorrir”, afirma Eunice Paiva quando os jornalistas pedem uma foto séria e triste da família. Como ela consegue ser tão forte? Claro que nós sempre questionamos e nos surpreendemos com a força das mulheres. </p>



<p>Afinal, poucas pessoas estão interessadas nas versões femininas sobre os eventos históricos. Na ditadura — e ainda hoje — os heróis masculinos frequentemente ocultam as contribuições e os sofrimentos femininos. O impacto das decisões “públicas” desses homens, no entanto, recai sobre elas. E, assim, sem a participação e as demandas femininas, a agenda pública vai refletindo os interesses dos homens.</p>



<p>Por isso, quando Eunice questiona Baby, personagem de Dan Stulbach que é amigo de seu marido, ela revela o coração da narrativa: “Baby, por que o Rubens foi preso? Eu estive lá, eu vi. Tenho o direito de saber o que Rubens estava fazendo”.<em> </em>Destinadas à gestão da casa e ao cuidado dos filhos, essas mulheres eram frequentemente excluídas da participação política nas decisões tomadas por seus maridos. Essa exclusão era justificada pela ideia da fragilidade feminina branca, que demanda proteção, e pela visão da família como uma instituição sagrada, que cabia às mulheres zelar e preservar. Esse é o ângulo do filme: a experiência de uma mulher branca da elite intelectual e política durante a ditadura militar. </p>



<p>Enquanto via sua vida desmoronar, criando cinco filhos sozinha, Eunice foi negada até mesmo à verdade sobre a prisão e a morte do marido. Sem sequer saber do envolvimento de Rubens Paiva, ex-deputado, com pequenas ações contra os militares, ela passa a suportar sua dor em silêncio. Por isso, o pôster de divulgação do filme captura a cena de uma fotografia de família: marido e filhos estão sorrindo, mas Eunice se dispersa. Nesse instante, ela fita os caminhões do exército que passam ao fundo. Seu olhar é introspectivo e aflito. Como responsável pelo cuidado do marido e dos filhos, Eunice teme que a “normalidade” de sua família seja comprometida pela ditadura.</p>



<p>No entanto, é justamente o destroço causado pelo exército, literalmente no seio de seu lar, que a convoca a assumir um papel socialmente ativo. Ela retorna à faculdade e passa a desempenhar um papel importante na luta pelos direitos dos povos indígenas do país. A ditadura arranca o véu da estabilidade familiar, da proteção e do heroísmo masculino, forçando-a a um protagonismo que parecia distante de seu destino inicial.</p>



<p>A história de Eunice não se distancia do Brasil de hoje. O autoritarismo ainda nos ronda e os homens continuam a assumir uma postura paternalista em relação às mulheres. Sim, claro que o sofrimento de Eunice foi causado pela ditadura militar, mas, ao nos contar a perspectiva da esposa e mãe, o filme também evidencia como a dita “proteção” masculina, tantas vezes, condena à ausência de escolha feminina. Para fazer um gancho com a atualidade, basta observarmos o controle sobre os direitos reprodutivos das mulheres. Muitas vezes mulheres são excluídas do direito de intervir, de colocar suas perspectivas à mesa e dizer o óbvio: “querido, eu carrego o peso das suas decisões”<em>. </em>Sim, ainda às custas das mulheres que muitos revolucionários são feitos.</p>



<p>Claro que a história de Eunice Paiva é apenas uma entre as diversas perspectivas femininas possíveis daquele período. Por isso, o filme está sendo tão criticado por apresentar “mais do mesmo”: o sofrimento de uma família branca e rica. Em <em>Ainda Estou Aqui</em>, testemunhamos a ruptura da aparente normalidade de uma família abastada do sul do país. Momentos familiares — danças em grupo, encontros com amigos, copos de whisky e partidas de gamão — são interrompidos pela brutalidade da ditadura.</p>



<p>Sim, para a classe média progressista, a violência do regime era uma novidade, enquanto, para os pobres e negros, ela já era cotidiana. Assassinatos por mãos fardadas, prisões arbitrárias, encarceramento em massa, maternidade solo e a ausência de redes de apoio sempre fizeram parte de suas realidades. Talvez seja por isso que a história dos Paivas provoca tanta comoção, enquanto as histórias daqueles que vivem sob constante tortura não são contadas? É uma possibilidade.</p>



<p>Mas, francamente, o que o filme de Walter Salles nos adverte, ao narrar pelos olhos de Eunice, é precisamente isso: há histórias que, quando finalmente narradas, ampliam nossa compreensão dos acontecimentos. </p>



<p>Ao mesmo tempo em que abre portas para uma nova perspectiva, o filme também nos deixa evidente o quanto ainda falta conhecer histórias de outras mulheres — negras, pobres, operárias, camponesas, militantes de base e tantas outras — que também enfrentaram a brutalidade do regime. Somente ao contarmos essas histórias seremos capazes de enfraquecer o discurso de que “a ditadura só afetou uma pequena parcela progressista da classe média” e compreender a dimensão concreta do autoritarismo brasileiro. </p>



<p>Após assistir <em>Ainda Estou Aqui, </em>o que fica é a certeza de que ainda há muitas outras histórias para serem contadas — mulheres de outras classes sociais, regiões, sexualidades e realidades. Dizemos que é preciso “relembrar para não esquecer”, mas precisamos também desafiar o risco da história única, como alerta Chimamanda Ngozi Adichie. Precisamos continuar discutindo e produzindo sobre a ditadura militar brasileira, mas optando por novas perspectivas, por personagens que ainda não foram narradas. Muito além de Eunice, inúmeras pessoas tiveram suas vidas marcadas pelo silêncio imposto pelo autoritarismo e pela violência.<br><br>São histórias que ainda aguardam para serem contadas.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>*Jornalista e escritora, mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É autora dos livros <em>Ultramar</em> (Editora da União, 2023) e <em>Redemunho</em> (Editora UFPB, 2019).</p>
    </div>
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		<title>O filme, a transição e os atestados de óbito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samarone Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 20:12:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ainda estou aqui]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Ainda estou aqui”, filme dirigido pelo cineasta Walter Moreira Salles, que conta a história da prisão e desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, em 1971, e o impacto em uma família de classe média, no Rio de Janeiro, durante a ditadura, chegou a 2,5 milhões de espectadores, em um mês. O filme mostra o impacto da [&#8230;]</p>
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<p>“Ainda estou aqui”, filme dirigido pelo cineasta Walter Moreira Salles, que conta a história da prisão e desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, em 1971, e o impacto em uma família de classe média, no Rio de Janeiro, durante a ditadura, chegou a 2,5 milhões de espectadores, em um mês.</p>



<p>O filme mostra o impacto da violência política, e a luta de Eunice Paiva, sua esposa, por verdade e justiça. No momento inicial, movida pelo desafio da sobrevivência, pela sobrevivência, com cinco filhos, Eunice tem que decidir tudo, e não esmorecer, psiquicamente.</p>



<p>A repercussão do filme, além das indicações a prêmios internacionais, como Oscar e Globo, provoca um sentimento catártico. O país vê, no cinema, o que o pacto político conservador, nos últimos anos da ditadura, produziu: a transição do poder dos militares para os civis aconteceu sem justiça, memória ou reparação.</p>



<p>Somente 25 anos depois do desaparecimento do seu marido, Eunice Paiva conseguiu o atestado de óbito.</p>



<p>Sem o corpo, sem um documento que comprovasse sua morte, ela não consegue movimentar a conta bancária do marido, nem receber o seguro de vida. A toque de caixa, vende o valioso terreno da família, para não faltar comida em casa e pagar o salário da empregada. Um momento impactante, para os filhos, é quando são informados que a charmosa casa onde moram, à beira da praia, no Leblon, Rio de Janeiro, foi alugada, e teriam que se mudar, em poucos dias, para o apartamento da família, em São Paulo.</p>



<p>É uma das cenas mais comoventes do filme, baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, que tinha 11 anos, quando seu pai foi levado de casa. A casa vai sendo desmontada, cada filho vai chorando ou engolindo seu choro, deixando os amigos para trás, a escola, o bairro, as memórias, a vida que teriam naquele lugar.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Reconhecimento tardio</h2>



<p>Somente há três dias, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou a questão dos atestados para os desaparecidos, durante a ditadura. Uma luta que começou em pleno regime militar, e não foi amparada pela Lei da Anistia, de 29 de agosto de 1979.</p>



<p>“Os desaparecidos não tinham Atestado de Óbito, tinham &#8216;Atestado de Ausência&#8217;, e ninguém aceitou isso”, lembra Diva Soares Santana, diretora do Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia, conselheira da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e familiar de desaparecidos políticos, que teve a irmã, Dinaelza Santana Coqueiro, desaparecida na Guerrilha do Araguaia, em 1974.</p>



<p>Em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi sancionada a Lei 9140, que obrigava os cartórios fornecerem atestados de óbito.</p>



<p>Como tem acontecido, ao longo dos anos, a identificação dos crimes cometidos pela ditadura tinha subterfúgios. No espaço para causa mortis, o cartório teria que colocar “de acordo com a Lei 9140/95”. No espaço para o local de desaparecimento, o texto seria o mesmo: “de acordo com a Lei 9140/95”.</p>



<p>A presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, procuradora da República Eugênia Gonzaga, que vinha lutando para a mudança no do documento, lembrou que o texto “sempre foi muito ofensivo”, porque “resolvia problemas burocráticos, mas não reparava, não dizia a verdade”.</p>



<p>Com a decisão do CNJ, o texto do documento terá uma reparação histórica. Na causa mortis, vai constar a informação “de morte não natural, violenta, causada pelo Estado a desaparecido no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política no regime ditatorial instaurado em 1964”.</p>



<p>“É um acerto de contas legítimo com o passado”, afirmou o presidente do CNJ, ministro Luís Roberto Barroso.</p>



<p>“É uma conquista, depois de tantos anos, conseguir um atestado desse, mas falta muita coisa”, lembra Diva.</p>



<p></p>
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		<title>Severino, o servidor público que enfrentou a ditadura na Faculdade de Odontologia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Nov 2024 21:15:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Universidade de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[UPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem vê o senhor baixinho, de jeito simples e bastante simpático, não imagina o quanto este homem simples contribuiu para manter a resistência de estudantes e servidores da Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP) durante a ditadura militar, que durou de 1964 a 1985, quando ainda integrava a Fundação de Ensino Superior de Pernambuco (Fesp), [&#8230;]</p>
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<p>Quem vê o senhor baixinho, de jeito simples e bastante simpático, não imagina o quanto este homem simples contribuiu para manter a resistência de estudantes e servidores da Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP) durante a ditadura militar, que durou de 1964 a 1985, quando ainda integrava a Fundação de Ensino Superior de Pernambuco (Fesp), antigo nome da Universidade de Pernambuco (UPE).</p>



<p>Severino Vitorino, de 71 anos, iniciou o trabalho na instituição como servente, seguindo os passos do pai e poucos anos depois se tornou técnico administrativo, função que executa até hoje.</p>



<p>Servidor desde 1969, sua coragem foi oficialmente reconhecida.  Ele foi um dos 12 homenageados pela UPE em uma cerimônia que celebrou os 59 anos da instituição na segunda-feira, 25 de novembro. “Pra mim foi uma viagem no meu passado. Com muito honra recebi essa homenagem por merecimento. Aos meus colegas que já se foram dedico e divido minha história de luta com eles”, refletiu ao receber seu Diploma de Resistência.</p>



<p>Durante um dos períodos mais sombrios da história do país, Severino foi um dos fundadores da Associação dos Servidores da FOP, integrou o Sindicato dos Enfermeiros, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde de Pernambuco. Ele fez mais: foi um colaborador ativo dos estudantes que dirigiam os diretórios acadêmicos da época.</p>



<p>Tanta movimentação lhe rendeu a desconfiança do diretor da FOP à época, Edrízio Barbosa Pinto, ferrenho defensor da ditadura militar. Foi assim que ele acabou sendo transferido para trabalhar na secretaria, depois no setor de compras, até chegar à biblioteca, onde passou dois anos sendo vigiado sem poder sair da sala e transitar em outros setores.</p>



<p>“Eu e os alunos que fazíamos as reuniões, tinha cartaz, tinha tudo. Nesse processo todo, eu terminei preso em 1986 [durante o governo de Gustavo Krause]”, afirma o servidor. A prisão durou apenas um dia, e isso graças a todas as provas que ele tinha sobre sua conduta na instituição. </p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/11/UPE-Severino-2.jpg" alt="Foto de Severino Vitorino sentado em uma cadeira azul, usando uma camisa de manga curta lilás e um chapéu preto. Ele é um homem branco, idoso, de óculos grandes e está gesticulando com o braço direito levantado e apontando para cima. A mão esquerda está sobre uma mesa redonda, que está coberta com várias fotografias espalhadas. A parede ao fundo é branca e não possui decorações." class="" loading="lazy" >
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</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<h2 class="wp-block-heading">A história sendo reescrita</h2>



<p>Os homenageados foram identificados durante a investigação para o desenvolvimento do livro <em>Universidade de Pernambuco: Histórias, Espacialidades, Memórias e Outras Narrativas</em>, escrito pelo professor de História Carlos André Moura, em colaboração com outros autores. A pesquisa revelou a atuação política de estudantes e servidores que não constavam nos relatórios da Comissão da Verdade, o que resultou em um desdobramento da pesquisa.</p>



<p>“Esse levantamento foi feito tanto na imprensa, quanto escutando os docentes mais antigos, os diretores e coletando a documentação da própria universidade. A gente está dando uma contribuição e reescrevendo a história. Porque a narrativa que se tinha e a história que a gente apresenta agora, é diferente”, afirma Carlos Moura, que também é diretor de comunicação da universidade. </p>



<p><strong>“</strong>É um ato de reforçar o nosso compromisso enquanto instituição pública de ensino superior com a democracia, com os direitos humanos e de reparar historicamente aqueles que foram perseguidos e impedidos de estudar porque estavam lutando pela democracia”, complementa Moura.</p>



<p>Também foram receberam diploma José Almino Arraes de Alencar Pinheiro, Maria Zélia de Sousa Levy e Paulo Santos Carneiro. Postumamente, foram homenageados<em> </em>Enildo Galvão Carneiro Pessoa, Francisco de Sales Gadelha de Oliveira, Ilmar Pontual Peres, Javan Seixas de Paiva, José Luiz Oliveira, José Romualdo Filho e Rildege de Acioli Cavalcanti.</p>



<p>A instituição também entregou o diploma de Medicina, <em>in memoriam</em>, a Rosane Alves Rodrigues, que foi representada por familiares, em reconhecimento à luta pela democracia, liberdade e direitos humanos durante o período ditatorial. Rosane estudava na Faculdade de Ciências Médicas, mas teve de buscar exílio no exterior e nunca conseguiu concluir a graduação.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/11/UPE.jpeg" alt="A imagem mostra um evento no auditório da UPE, onde várias pessoas estão participando. Na frente do auditório, há uma fila de pessoas segurando cartazes com fotos e textos. Os cartazes parecem ser de protesto ou homenagem, com algumas mensagens como TORTURA NUNCA MAIS. Atrás dessas pessoas, há uma mesa com várias outras pessoas em pé, algumas segurando documentos ou certificados. No fundo, há uma grande faixa com o texto IN PRIMIS SAPIENTIA e o logotipo da universidade. Algumas bandeiras estão ao lado da faixa." class="" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Luta de 12 pessoas foram reconhecidas oficialmente pela UPE
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Comunicação UPE</span>
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		<title>UPE quer identificar estudantes, técnicos e professores atingidos pela ditadura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Sep 2024 00:38:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Universidade de Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Universidade de Pernambuco (UPE) deu início a um inédito processo de identificar integrantes de sua comunidade acadêmica (docentes, técnicos ou estudantes) que, no período de 1964 a 1985, foram atingidos pela ditadura civil-militar. A ideia é rastrear, identificar e localizar aqueles que foram cassados, perseguidos, presos ou submetidos a outras formas de violência para [&#8230;]</p>
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<p>A Universidade de Pernambuco (UPE) deu início a um inédito processo de identificar integrantes de sua comunidade acadêmica (docentes, técnicos ou estudantes) que, no período de 1964 a 1985, foram atingidos pela ditadura civil-militar. A ideia é rastrear, identificar e localizar aqueles que foram cassados, perseguidos, presos ou submetidos a outras formas de violência para poder homenageá-los.</p>



<p>A UPE, que na época ainda se chamava Fundação de Ensino Superior de Pernambuco (FESP), possui alguns nomes de docentes e estudantes, cassados pelo Decreto nº 477, em fevereiro de 1969, coletados a partir do Relatório da Comissão da Estadual da Verdade em Pernambuco, porém, segundo a administração da instituição, é possível que existam outras pessoas que não forma incluídas naquele decreto.</p>



<p>Os responsáveis pelo trabalho fazem parte do curso de História da UPE, no campus da Zona da Mata Norte, criaram um formulário para que a sociedade possa contribuir com o processo de levantamento das informações até 30 de setembro. (clique aqui para ter acesso <a href="https://forms.gle/E4zXhzASZYdTCxUPA">https://forms.gle/E4zXhzASZYdTCxUPA</a>).<br><br>“Até o momento, a partir do Relatório da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, chegamos a seis nomes, um docente e cinco estudantes, mas precisamos aprofundar as pesquisas para propor ações que possam reconhecer a luta de membros da nossa comunidade acadêmica pela democracia”, enfatizou a retora da UPE, Socorro Cavalcanti.</p>



<p>A proposta foi aprovada pelo Conselho Universitário em agosto. Uma das docentes que aprovou a iniciativa foi a professora de Odontologia Aronita Rosenblatt, cujo pai foi preso e perseguido pelos militares: . “Foi um momento difícil, instante em que perdemos os nossos direitos e liberdade. Eu tinha 10 anos de idade quando o meu pai foi preso, torturado e sumiu. A iniciativa é pela memória de todos que tombaram na luta pela democracia, para que jamais volte a acontecer”, contou.</p>
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