O padre italiano Vito Miracapillo, expulso do Brasil pela ditadura militar por sua atuação em defesa dos trabalhadores rurais e dos direitos humanos, recebe nesta segunda-feira (21) o título honorífico de cidadãopernambucano. A homenagem será entregue em reunião solene às 18h na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), por iniciativa do deputado estadual João Paulo Lima (PT).
A solenidade contará com a presença da cônsul da Itália no Recife, Maria Salamandra, do senador italiano Fabio Porta e de representantes da Diocese de Andria e da paróquia de Padre Vito na Itália. “Tive a oportunidade de testemunhar de perto o trabalho pastoral do Padre Vito e a sua dedicação por nossa gente mais pobre. Este título é o reconhecimento formal de algo que o povo pernambucano já sabia há muito tempo: ele pertence a esta terra e a esta gente”, afirma João Paulo.
Nascido em Andria, na Itália, em 1947, Vito Miracapillo foi ordenado sacerdote em 1971. Chegou definitivamente ao Brasil em outubro de 1975 para atuar nas comunidades da Mata Sul pernambucana, com passagens por Palmares, Maraial, Jaqueira, Sertãozinho e Ribeirão.
Em 7 de setembro de 1980, recusou-se a celebrar uma missa em homenagem ao Dia da Independência por considerar que não havia independência verdadeira enquanto grande parte da população permanecesse sem direitos básicos. A recusa provocou forte reação do regime militar. Considerado “nocivo” e “indesejável” com base no Estatuto do Estrangeiro, teve habeas corpus rejeitado por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal e foi expulso do país em 31 de outubro de 1980. A decisão gerou manifestações de solidariedade no Brasil e no exterior, e um abaixo-assinado em Ribeirão reuniu mais de 20 mil assinaturas contra a expulsão.
Padre Vito ficou 13 anos impedido de retornar ao Brasil. Em 1993, durante o governo Itamar Franco, o decreto de expulsão foi revogado. Em 2011, no governo Dilma Rousseff, recebeu visto permanente como reparação pela perseguição sofrida. Desde então, mantém vínculos com as comunidades da Diocese de Palmares e retorna regularmente a Pernambuco. O sacerdote também possui livros publicados no Brasil e na Itália sobre fé, direitos humanos e cidadania.
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