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	<title>Arquivos educação antirracista - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 29 May 2025 20:23:31 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos educação antirracista - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Centro Luiz Freire inicia nova edição de projeto de educação quilombola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 May 2025 20:20:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Luiz Freire]]></category>
		<category><![CDATA[educação antirracista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O projeto Educquilombo &#8211; Educação Escolar Quilombola, do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), está em nova edição abordando a educação quilombola nos Planos Municipais de Educação. O projeto é realizado em parceria com a Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco (CEACQ) e apoio financeiro do Fundo Malala no Brasil. Nesta nova [&#8230;]</p>
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<p>O projeto Educquilombo &#8211; Educação Escolar Quilombola, do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), está em nova edição abordando a educação quilombola nos Planos Municipais de Educação. O projeto é realizado em parceria com a Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco (CEACQ) e apoio financeiro do Fundo Malala no Brasil.</p>



<p>Nesta nova etapa, o Educquilombo amplia a área de atuação, alcançando diretamente oito municípios de Pernambuco, sendo um do Agreste (Bom Conselho) e sete do Sertão (Betânia, Carnaíba, Custódia, Mirandiba, Orocó, Salgueiro e Serra Talhada).</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="500" height="500" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo.jpg" alt="A logomarca tem formato circular e representa a identidade da Educação Escolar Quilombola. No centro, há o rosto de perfil de uma pessoa negra com expressão serena, usando um turbante vermelho. Ao fundo, aparece uma paisagem com árvores, colinas e o céu alaranjado, remetendo à natureza e à ancestralidade. Ao redor da imagem central, em forma de círculo, está escrito: “Educação Escolar Quilombola – Ancestralidade e resistência”. Abaixo do círculo, o nome do projeto aparece em letras estilizadas e marrons: “EDUCQUILOMBO”. Logo abaixo, em letras laranja: “Nos Planos Municipais de Educação”." class="wp-image-70979 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo.jpg 500w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo-300x300.jpg 300w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo-150x150.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/05/CCLF-quilombo-logo-96x96.jpg 96w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O objetivo do Educquilombo é incidir politicamente nos processos de revisão e atualização dos PMEs para que as demandas educacionais do movimento quilombola estejam presentes no Plano Decenal dos municípios.</p>
</div></div>



<p>O objetivo do Educquilombo é incidir politicamente nos processos de revisão e atualização dos PMEs para que as demandas educacionais do movimento quilombola estejam presentes no Plano Decenal dos municípios.</p>



<p>Iniciado ainda em novembro de 2024 e com conclusão prevista para novembro de 2026, o projeto busca fortalecer a pauta da educação na agenda política do movimento quilombola estadual, mobilizar a opinião pública em torno do tema central do projeto, produzir estratégias de <em>advocacy </em>para uma ação política e levantar dados sobre as realidades quilombola nos municípios e no estado.<br><br>Atualmente, o Educquilombo nos PMEs realiza atividades formativas sobre Comunicação e Educação com jovens quilombolas de Mirandiba; mobilização de parceiros estratégicos que atuem no campo dos Direitos Humanos; articulação com o movimento quilombola a nível local e nacional; construção de instrumentos político-pedagógicos que serão utilizados ao longo do projeto; e participação em audiências públicas, no Legislativo estadual e nacional, sobre os Planos Decenais de Educação.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Como foi a primeira etapa</span>

		<p><span style="font-family: Tox Typewriter, monospace;"><span style="font-size: medium;">O projeto Educquilombo &#8211; Educação Escolar Quilombola (2019-2024) foi realizado pelo CCLF, em parceria com a Articulação Social das Comunidades Quilombolas de Mirandiba (ASCQUIMI), com apoio do Fundo Malala no Brasil. O projeto atuou em Mirandiba, município com maior número de comunidades quilombolas em Pernambuco, e se dedicou à luta pelo direito à Educação Escolar Quilombola. Dentre os vários impactos e resultados, o projeto, protagonizado pelas lideranças locais e jovens meninas quilombolas, conseguiu assegurar a criação de uma política pública no município, a Lei Nº 683/2020, que oficializa as Diretrizes Curriculares da Educação Escolar Quilombola de Mirandiba.<br />
</span></span></p>
	</div>
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		<title>Na Bahia, bibliotecas comunitárias estimulam educação antirracista na primeira infância</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Aug 2024 13:24:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[educação antirracista]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Karina Costa, do site Conquista Repórter (BA) Era uma vez três mulheres que descobriram nos livros a possibilidade de transformar a vida de dezenas de crianças e suas famílias. Em Vitória da Conquista, município localizado na região sudoeste da Bahia, elas decidiram criar espaços onde meninos e meninas pudessem brincar, imaginar e, principalmente, ler [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Karina Costa, do <a href="https://conquistareporter.com.br/bibliotecas-comunitarias-estimulam-educacao-antirracista-na-primeira-infancia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site Conquista Repórter (BA)</a></strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="339" height="124" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/conquista.jpeg" alt="" class="wp-image-65199 size-full"/></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Era uma vez três mulheres que descobriram nos livros a possibilidade de transformar a vida de dezenas de crianças e suas famílias. Em Vitória da Conquista, município localizado na região sudoeste da Bahia, elas decidiram criar espaços onde meninos e meninas pudessem brincar, imaginar e, principalmente, ler e ouvir histórias nas quais se sentissem representados através de protagonistas negros e negras. </p>
</div></div>



<p>Esses lugares, chamados de bibliotecas comunitárias, estão em pontos geográficos onde o acesso a equipamentos culturais, muitas vezes, não é garantido.</p>



<p>Carolina Maria de Jesus, Nelson Mandela, Dandara e Zumbi dos Palmares são algumas das figuras negras históricas que os pequenos passam a conhecer através dos livros disponíveis nessas bibliotecas. Presentes em áreas rurais e periféricas de Conquista, elas buscam proporcionar a crianças na primeira infância uma educação antirracista a partir do acesso à leitura.</p>



<p>De acordo com o Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), dos mais de 370 mil habitantes da cidade,<a href="https://primeirainfanciaprimeiro.fmcsv.org.br/municipios/vitoria-da-conquista-ba/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">9,12% têm de 0 a 6 anos,</a>faixa etária que compreende uma fase crucial para o desenvolvimento infantil. Isso representa mais de 30 mil crianças, sendo que 66,01% são negras. Além disso, o município do interior baiano abriga a<a href="https://blogdosena.com.br/vitoria-da-conquista-e-a-10a-cidade-com-maior-populacao-quilombola-do-pais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">10ª maior população quilombola do país em números absolutos</a>.</p>



<p>E é exatamente em um território quilombola,<a href="https://conquistareporter.com.br/beco-de-vo-dola-e-reconhecido-como-primeiro-quilombo-urbano-de-vitoria-da-conquista/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">certificado em janeiro de 2024 pela Fundação Palmares,</a>que está situada a Biblioteca Comunitária Kilombeco, no bairro Pedrinhas. O nome faz referência à palavra “quilombo” e à travessa estreita onde fica a instituição: o “Beco de Vó Dôla”, batizado assim em homenagem a Maria Petronilha, uma das primeiras mulheres negras a ocupar a localidade. Sua neta, Laiz Gonçalves Souza, é uma das pessoas que leva adiante seu legado e coordena a biblioteca da comunidade, criada há quatro anos.</p>



<p>Em uma pequena<strong> </strong>casa revestida de azulejo na fachada, a Kilombeco atende cerca de 30 crianças a partir dos dois anos de idade. O projeto começou em 2020, durante a pandemia da covid-19, quando Laiz precisou ajudar sua filha e suas sobrinhas com as aulas remotas. Mas logo ela percebeu que outras famílias também necessitavam do apoio. Dessa forma, uma atividade pontual se tornou uma iniciativa permanente que muda a vida de muitas pessoas, principalmente de meninos e meninas negras do Quilombo de Vó Dôla.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/conquista-1.jpg" alt="A imagem mostra a fachada de uma pequena casa com uma placa que diz “KILOMBECO BIBLIOTECA COMUNITÁRIA KILOMBO DE VÓ DÔLA”. A casa tem uma fachada de azulejos com padrões geométricos verdes e brancos. À esquerda, há uma janela com grades e, à direita, uma porta aberta que leva para o interior. Junto da grade da porta aberta há uma mulher jovem, negra, de óculos, cabelos compridos por cima dos ombros vestindo roupas casuais (camiseta branca e calça jeans). Ela está de pé encostada à parede de azulejos." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Laiz Gonçalves, neta de Vó Dôla, em frente à casa onde funciona a biblioteca comunitária Kilombeco
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Afonso Ribas/Conquista Repórter</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Impacto na autoestima</h2>



<p>Isadora Oliveira, de 7 anos, é uma menina que tem orgulho do seu <em>black power</em>. Ela mora em uma casa situada a poucos metros da Kilombeco. Desde os três anos de idade, frequenta o espaço coordenado por Laiz. Quem a acompanha de perto, como a mãe Luciana Silva, e a voluntária da biblioteca, Maiane Moreira, consegue perceber o quanto a garotinha se desenvolveu ao longo do tempo, inclusive quando o assunto é autoestima.</p>



<p>“Um dia eu falei pra ela brincando: ô Isa, quando você crescer e aguentar secador, vou alisar seu cabelo. Na hora ela respondeu: meu cabelo mesmo não, ele é lindo, é black”, relembra a mãe sorrindo.</p>



<p>Numa folha de papel branca, com giz de cera preto, Isadora desenhou o seu cabelo afro e me pediu que fizesse os cacheados das amiguinhas. “Naiumi, Kiara, eu, Raíssa, Luiza e Lívia”, disse apontando para as figuras. Ela me mostrava quem eram as meninas no seu desenho.</p>



<p>Naquela ocasião, Isa contou que gosta do seu cabelo de qualquer jeito e explicou que é principalmente sua tia quem lhe arruma com diferentes penteados. Disse também que gosta de ir para a escola, mas que lá não costuma ouvir histórias de meninas parecidas com ela.</p>



<p>Na Biblioteca Comunitária Kilombeco, Laiz e as voluntárias do projeto buscam apresentar para as crianças obras literárias que celebram a cultura afro-brasileira e o protagonismo negro, a exemplo do livro “Meninas Negras”, da<a href="https://mazzaedicoes.com.br/dt_team/madu-costa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">autora mineira Madu Costa,</a>que de maneira lúdica busca reforçar a autoestima da criança a partir da valorização de seus antepassados.</p>



<p>A rejeição da própria imagem e a dificuldade de confiar em si mesmo são alguns dos possíveis efeitos do racismo no desenvolvimento infantil, de acordo com estudo do <a href="https://ncpi.org.br/publicacoes/wp7-racismo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI)</a>. Por isso, a introdução de referências artístico-literárias que valorizam a identidade e a cultura negra representa um primeiro passo para auxiliar crianças como Isadora na construção da autoconfiança e do senso de pertencimento.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/conquista-2.jpg" alt="A imagem é um desenho infantil que mostra seis figuras que representam pessoas negras, desenhadas com giz de cera ou lápis de cor. As figuras estão lado a lado e variam em cores, sugerindo diversidade. Cada figura tem diferentes estilos de cabelo e cores de roupas, como verde, amarelo, roxo, rosa, laranja e marrom. Acima das figuras, há estrelas desenhadas em tons de vermelho e rosa. O fundo é uma folha de papel branca colocada sobre uma superfície de madeira." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Desenho feito por Isadora, de sete anos. 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Karina Costa/Conquista Repórter</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Para Laiz Gonçalves, uma mulher negra e candomblecista, nascida no Quilombo de Vó Dôla, é um orgulho ver que as novas gerações de sua comunidade não têm medo ou vergonha de afirmar de onde vêm. “Antigamente a gente não falava que era do Candomblé, do Beco ou das Pedrinhas, porque tínhamos medo do preconceito, do racismo. E hoje as crianças falam que são do quilombo onde tem um terreiro”, conta a coordenadora.</p>



<p>O Terreiro de Xangô, inclusive, foi o primeiro espaço físico a abrigar as crianças da Kilombeco. Só foi possível alugar um local específico para as atividades da biblioteca após o projeto ser oficialmente<a href="http://culturaviva.gov.br/agente/253753/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reconhecido como Ponto de Cultura.</a>A certificação foi concedida pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade, através da Lei Cultura Viva<a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13018.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(13.018/2014)</a>. O reconhecimento possibilitou que a entidade recebesse apoio financeiro para a manutenção e o desenvolvimento das ações socioculturais.</p>



<p>Não há como negar a extrema importância do investimento de órgãos públicos em iniciativas como a Kilombeco. Mas o alicerce que mantém o projeto vivo é a união e o empenho das mulheres negras do Beco de Vó Dôla. Lideradas por Laiz, elas trabalham juntas para garantir que seus filhos, sobrinhos e netos tenham acesso à educação e, principalmente, consigam viver suas vidas orgulhosos de suas raízes.</p>



<p>Durante a manhã, as crianças de zero a 6 anos frequentam a Creche Municipal Tia Zaza. Já no turno vespertino, elas vão até a biblioteca, onde têm acesso à leitura e outras atividades lúdicas, como desenho e pintura. “A gente sempre escuta das professoras que os alunos daqui estão um pouco mais avançados. É uma benção para a comunidade ter um lugar assim”, explica Maiane Moreira, uma das voluntárias do projeto.</p>



<p>Enquanto creches e escolas ainda são espaços onde o racismo é reproduzido, iniciativas como a Kilombeco surgem para acolher crianças negras em suas particularidades e ensinar sobre o respeito à diversidade étnico-racial. “A gente tinha um problema na creche. Antes de comer o lanche, os meninos tinham que fazer uma oração. Até que nós conversamos com a diretora e explicamos que o culto deles é outro. Agora eles mesmos já sabem que podem dizer não”, conta Laiz Gonçalves Souza.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Lugares de resistência</h3>



<p>A cerca de 10km do Beco de Vó Dôla, está um outro espaço construído por uma mulher negra que é referência para a sua comunidade. Mickelle Xavier é pedagoga e conselheira tutelar. Foi a partir de uma experiência como estudante na Universidade Federal da Bahia (UFBA) que nasceu a Biblioteca Comunitária Miro Cairo. Entre 2018 e 2019, ela atuou como estagiária em um espaço de educação não formal: a Associação Conquistense para Atendimento Especializado à Pessoa Autista (Acaepa).</p>



<p>Quando Mickelle viu Vitória Aparecida, mãe de uma criança autista, iniciar por conta própria um projeto social que pudesse atender outras mães atípicas, ela compreendeu que também precisava fazer algo pela sua comunidade. “Todos nós temos responsabilidade quando o assunto é a educação e a oferta de dignidade para uma criança. Então comecei a pensar sobre isso e não me vi fazendo nada para ajudar essa causa”, conta.</p>



<p>Decidida a contribuir com o futuro das crianças do seu bairro, o Miro Cairo, ela inscreveu a biblioteca como um projeto de extensão da UFBA. No início, conseguiu 300 livros doados por uma empresa do ramo dos recicláveis. Com esse acervo, iniciou atividades como reforço escolar e clubes de leitura em uma área comum de um condomínio residencial, construído através do<a href="https://www.gov.br/cidades/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/habitacao/programa-minha-casa-minha-vida/sobre-o-minha-casa-minha-vida-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">programa do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida”</a>.</p>



<p>Porém, o local não era adequado para receber os alunos. Não tinha banheiro, nem água ou energia elétrica. Mickelle então decidiu transferir as atividades para a garagem de sua casa. Cinco anos depois, em 2024, o projeto saiu da residência da pedagoga e agora é realizado em um espaço próprio: uma casa alugada graças ao recurso que a iniciativa recebeu do Ministério da Cultura, através da Lei Cultura Viva<a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13018.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(13.018/2014)</a>.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
            <picture>
                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/conquista-3.jpg">
                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/conquista-3.jpg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/conquista-3.jpg" alt="A imagem mostra três meninas sentadas no chão, dentro de um ambiente fechado, envolvidas em uma atividade artística. A criança à esquerda está desenhando em uma folha de papel branco com um lápis, e há um copo de plástico transparente cheio de lápis de cor ao lado dela. A criança no meio está segurando um lápis de cor perto do rosto, e há outro copo de plástico transparente cheio de lápis de cor à sua frente. A criança à direita está observando, com as mãos no colo." class="" loading="lazy" >
            </picture>

	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Crianças atendidas pela biblioteca comunitária Miro Cairo durante uma manhã de contação de histórias e desenhos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Afonso Ribas/Conquista Repórter</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Assim como tantas outras bibliotecas comunitárias no Brasil, a Miro Cairo partiu da mobilização de uma pessoa da sociedade civil. A pesquisa <a href="https://rnbc.org.br/publicacao/o-brasil-que-le-bibliotecas-comunitarias-e-resistencia-cultural-na-formacao-de-leitores/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“O Brasil que Lê”,</a> publicada em 2018, aponta que esses espaços “refletem movimentos de resistência à exclusão e de luta por direitos e cultura”. É exatamente esse o fio condutor do trabalho realizado por Mickelle.</p>



<p>O bairro Miro Cairo, composto principalmente por conjuntos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida, está localizado às margens do anel do contorno rodoviário, em Vitória da Conquista. É uma comunidade situada a quilômetros de distância de equipamentos públicos como museus e centros culturais. Diante de tantas ausências, a biblioteca surge como uma forma de aproximar as famílias, e principalmente os meninos e as meninas, do universo da leitura.</p>



<p>Cerca de 80 crianças são atendidas pelo projeto. A maioria delas são filhos de catadores de recicláveis ou de trabalhadores das indústrias. Para a primeira infância, a biblioteca oferece o Clube de Leitura Mirim, onde os pequenos ouvem histórias e, aqueles que já sabem ler, podem fazer leituras para os coleguinhas.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Leitura de &quot;O menino Nito&quot;, por Safira, na Biblioteca Comunitária Miro Cairo" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/bQzSW64OJTU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading">Protagonismo negro</h3>



<p>O acervo da Biblioteca Comunitária Miro Cairo já ultrapassou a marca de 5.000 títulos. Grande parte das obras é fruto de doações. Mas além disso, Mickelle compra um ou outro livro sempre que o seu orçamento permite. Quando nossa equipe de reportagem visitou o local, numa manhã de sábado, encontramos em exposição diversas produções que trazem nas capas meninos e meninas negras ou abordam temáticas que tratam da diversidade étnico-racial.</p>



<p>“Minha mãe é negra sim!”, de Patrícia Santana; “Que cor é a minha cor?”, de Martha Rodrigues; “E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas”, de Emicida; “O pequeno príncipe preto”, de Rodrigo França. Essas são algumas das literaturas que descobrimos fazer parte do acervo da biblioteca. No novo espaço, crianças corriam, desenhavam e brincavam enquanto aguardavam o momento da contação de histórias.</p>



<p>Uma dessas crianças era Miguel, de 5 anos. Ele estava acompanhado de sua avó, Fátima Vieira. Naquela manhã, o pequeno não estava contagiando a todos com sua alegria costumeira. Há algumas semanas um episódio de violência havia abalado o seu emocional. Dentro do transporte escolar, foi agredido por garotos mais velhos por causa da religião da qual ele e sua mãe são adeptos: o<strong></strong>Candomblé Angola.</p>



<p>O racismo religioso é uma problemática que a Biblioteca Comunitária Miro Cairo busca combater através da educação e da leitura. Ao apresentar para os leitores mirins histórias que retratam os orixás e outros elementos das religiões de matrizes africanas, Mickelle acredita que é possível realizar uma transformação, mesmo que a passos pequenos.</p>



<p>Quem também confia no potencial transformador do projeto é Jolucia Santos. Ela é voluntária na biblioteca e mãe de Safira, uma menina que começou a frequentar o espaço com três anos. “É uma ação muito importante. Na periferia, a maioria das crianças são negras e elas precisam se ver nos livros. A minha filha quando vê uma menina com as trancinhas iguais às dela na capa já quer logo ler aquela história”, relata.</p>



<p>De acordo com Lucimar Rosa Dias, pedagoga, mestra em Educação e membro do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), as bibliotecas comunitárias podem atuar como aliadas na promoção de uma educação antirracista para crianças, mas existem fatores que precisam ser levados em consideração, a exemplo da seleção dos livros.</p>



<p>Segundo a pesquisadora, é necessário que seja feita uma curadoria especializada para que não sejam distribuídas obras literárias que se dizem antirracistas, mas na verdade reforçam estereótipos. Além disso, ela aponta que é essencial prestar atenção em quem escreve os livros. “É preciso saber quantos títulos foram de fato produzidos por autores e autoras negras comprometidos com a perspectiva antirracista”, destaca Lucimar.</p>



<p>Desde a sua concepção, a Biblioteca Miro Cairo busca apresentar para as crianças obras que colocam a população negra como protagonista. Mas ainda assim, Mickelle procura formas de ampliar essa atuação com foco no combate ao racismo. “A partir de agora vamos adquirir livros de escritoras negras daqui da cidade e da região. Estamos articulando também a compra de 50 títulos para um clube de leitura preta”, explica.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/conquista-4.jpg" alt="A imagem mostra uma prateleira com vários itens em exposição. À esquerda, há duas bonecas com pele escura e cabelo cacheado; uma está usando óculos e uma camisa verde, enquanto a outra está com um vestido laranja. No centro e à direita da prateleira, há cinco livros em pé com capas coloridas. As capas dos livros apresentam ilustrações e designs artísticos, mas os detalhes específicos como títulos ou autores não são visíveis. Abaixo desses itens, há uma fileira de livros coloridos dispostos horizontalmente, sugerindo que esta pode ser uma estante em uma biblioteca ou livraria voltada para literatura infantil ou representação cultural. Ao fundo, há parte de um quadro acolchoado azul, indicando que este pode ser um ambiente educacional." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">O acervo da Biblioteca Comunitária Miro Cairo já ultrapassou a marca de 5.000 títulos.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Afonso Ribas/Conquista Repórter</span>
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<h3 class="wp-block-heading">Primeiros passos</h3>



<p>Enquanto Mickelle Xavier caminha para ampliar o acervo de obras escritas por autores e autoras negras, a professora Juliana Brito dá os primeiros passos para fazer da Biblioteca Comunitária Donaraça uma aliada na luta contra o racismo. Situado na zona rural de Vitória da Conquista, no distrito Cabeceira do Jiboia, o projeto começou a tomar forma em 2014.</p>



<p>Foi naquele ano que Juliana e seu esposo, Josué, adquiriram um sítio no povoado. Mais tarde, em 2018, quando ambos já tinham criado laços com moradores da comunidade, a professora começou a dar aulas de reforço para crianças e adolescentes. O casal também passou a emprestar livros do seu acervo pessoal para vizinhos e pessoas próximas.</p>



<p>Dois anos depois, em 2020, o que antes não tinha nome se tornou oficialmente uma biblioteca comunitária. Uma das principais ações do projeto é a Capanga Literária, que funciona como uma espécie de delivery de literatura. Dentro de uma bolsa, Juliana coloca livros que ela mesma seleciona. Posteriormente, o material é entregue nas casas dos leitores e leitoras que tomam os títulos emprestados por algumas semanas.</p>



<p>Além dos empréstimos de obras literárias, a Donaraça oferece o seu espaço para que mulheres da comunidade possam estudar para concursos públicos, processos seletivos e realizar outros tipos de formação, como aprender artesanato, por exemplo. Joelma Oliveira, de 38 anos, foi uma das pessoas que começou a frequentar o local para receber esse tipo de auxílio e, durante essas visitas, costumava levar junto o seu filho mais novo.</p>



<p>Com pouco mais de três anos de idade,<strong></strong>Rafael, que não estava matriculado em uma creche, passou a visitar a biblioteca e, assim, tomar gosto pela literatura mesmo antes de aprender a ler. “Eu via o meu filho criar as histórias a partir das imagens dos livros. Então, eu percebo que a Donaraça ainda tem muito a oferecer para a nossa comunidade”, relata Joelma, que hoje atua como voluntária no projeto criado por Juliana e Josué.</p>



<p>A moradora do Cabeceira do Jiboia conta que o acesso aos livros por meio da biblioteca comunitária foi essencial para o desenvolvimento do seu filho. Com 5 anos de idade, o menino começou a frequentar a escola e, quando chegou lá, surpreendeu os educadores porque já conseguia ler. “A professora me chamou e disse que ia ter que dar uma avançada nele. A gente fica até emocionada e orgulhosa com tudo isso”, destaca.</p>



<p>Histórias como as de Rafael e Joelma fazem Juliana e Josué, dois apaixonados pela literatura e pelos livros, acreditar na importância da Donaraça para aquela comunidade. Com quatro anos de existência do projeto, o objetivo agora é ampliar as atividades e o acervo da biblioteca, inclusive para incluir obras que celebram autores e autoras negras.</p>



<p>No sábado em que nossa reportagem visitou a biblioteca, as crianças estavam reunidas para ouvir uma contação de histórias afro-brasileiras e indígenas. A atividade foi promovida em parceria com o projeto social Maria Nilza. Naquela manhã, era a primeira visita de muitos meninos e meninas à Donaraça. Para a pedagoga Juliana Varges Ferraz, iniciativas como essa precisam ser permanentes, principalmente para crianças na primeira infância.</p>



<p>“Estamos tão acostumados a ver apenas o negativo quando falamos das culturas africanas, que o nosso papel agora é fazer um movimento contrário, não somente falar do sofrimento. E é essencial que esses contos sobre ancestralidade sejam apresentados para crianças nessa faixa etária de aprendizado”, destaca a voluntária do Maria Nilza.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2024/08/conquista-5.jpg" alt="A foto mostra uma mulher de pele clara, óculos de aros grandes, com cabelos pretos presos por trás do pescoço, em um ambiente interno, segurando uma pilha de livros coloridos. A pessoa está vestindo uma camiseta branca com desenhos gráficos e texto. No fundo, há vários objetos, incluindo um modelo de esqueleto à esquerda, uma porta azul no centro e itens decorativos como vasos e quadros na parede." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Juliana Brito, coordenadora da biblioteca comunitária Donaraça, segurando um livro em ambas mãos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Victória Lôbo/Conquista Repórter</span>
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    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>Essa reportagem foi contemplada pelo edital ‘Bolsas de Reportagem: A Primeira Infância como Pauta Prioritária’, promovido pela<a href="https://ajor.org.br/"><strong><em> Ajor (Associação de Jornalismo Digital</em></strong></a><strong><em>) e a </em></strong><a href="https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/"><strong><em>Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal</em></strong></a><strong><em>.</em> </strong></p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Poder público ignora a luta de 23 comunidades quilombolas por uma escola no sertão baiano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Oct 2023 21:04:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Júlia Moa Os ecos do passado escravocrata persistem no interior da Bahia. Vinte e três comunidades rurais e quilombolas de Palmas de Monte Alto, a 720 quilômetros de Salvador, pedem ajuda: há 15 anos os moradores reivindicam aos poderes públicos a construção de uma escola nas terras de seus antepassados. Enquanto o pedido não [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Júlia Moa</strong></p>



<p>Os ecos do passado escravocrata persistem no interior da Bahia. Vinte e três comunidades rurais e quilombolas de Palmas de Monte Alto, a 720 quilômetros de Salvador, pedem ajuda: há 15 anos os moradores reivindicam aos poderes públicos a construção de uma escola nas terras de seus antepassados. Enquanto o pedido não é atendido, a única solução para as crianças e jovens é encarar percursos de até 80 quilômetros, cinco vezes na semana, dentro de um ônibus sucateado para estudar na escola que existe na sede do município.</p>



<p>A logística é puxada e testa a resiliência dos pais e alunos; das 24 horas do dia, durante quatro (duas horas para ir e duas para voltar), os alunos estão em trânsito. Isso porque as comunidades do Baixio, que significa distantes da sede do município, estão isoladas 45 quilômetros da zona urbana, e desde 2008 inexiste uma escola que ofereça educação infantil, ensino fundamental e médio, além dos cursos profissionalizantes. Os estudantes têm como única alternativa o deslocamento até Palmas do Monte Alto ou outros povoados nos arredores.</p>



<p>Nelci Conceição, tataraneta de Vitor Rico, o primeiro quilombola que, há pelo menos 350 anos, pisou no solo conhecido hoje como quilombo Aroeira, é liderança do Coletivo de Comunidades Montealtenses e coordenadora do Conselho de Igualdade Racial Comunitário das Comunidades Quilombolas de Palmas do Monte Alto. Segundo ela, vivem por ali aproximadamente 2 mil quilombolas e agricultores familiares, e a construção de uma unidade escolar é demanda emergencial. “Nossos estudantes enfrentam o fator climático de muito sol, poeira e vento em péssimas estradas. Os ônibus escolares também não estão em boas condições para transportar os estudantes que têm o direito à educação. Precisamos de ajuda”, afirma Conceição. Sua crítica à pedagogia disseminada nas escolas fora dos territórios quilombolas se debruça sobre a não valorização das especificidades, contextos e tradições de seu povo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Na infância, ela e seus irmãos frequentavam uma escola perto da comunidade. Eles andavam a pé aproximadamente três quilômetros para chegar à fazenda Aroeira. Quando o primeiro professor formado no quilombo começou a trabalhar, moradores conseguiram improvisar, no quarto de uma casa, a escola que trabalhava com a Educação de Jovens e Adultos (EJA), o programa Alfabetização Solidária e ainda dava conta de atender à educação infantil. O plano durou apenas dois anos, de 2006 a 2008, e, por decisão política, a escola foi fechada, com os alunos sendo transferidos para espaços fora dos quilombos.</p>



<p>Em 2021, o requerimento da construção do prédio escolar foi encaminhado para o então governador da Bahia, Rui Costa, atual ministro-chefe da Casa Civil. Este ano, o pedido chegou a Jerônimo Rodrigues (PT), eleito em 2022. Governo estadual e a Secretaria Municipal de Educação de Palmas do Monte Alto foram procurados pela reportagem e não manifestaram posição.</p>



<p>Para a construção da unidade escolar, um terreno foi doado à comunidade quilombola Brasileira, a 28 quilômetros de Palmas de Monte Alto, em um ponto praticamente equidistante para as 23 comunidades . A previsão é de que 1.200 estudantes venham a frequentar diariamente a escola, no dia em que ela for inaugurada.&nbsp;</p>



<p>“É visível na gestão pública municipal a falta de interesse em construir uma unidade educacional no Baixio, alegando falta de recursos. O foco deles está na edificação, dentro da cidade, de um colégio do campo, e nós queremos uma resolução que atenda os alunos das áreas descobertas”, destaca Nelci. Tivemos acesso ao ofício enviado aos órgãos governamentais, e não houve sequer uma visita técnica no terreno para conferir as possibilidades.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A lavradora Diana de Jesus Brito teve a rotina da família alterada no momento em que a Escola Municipal Flores, na zona rural do Baixio, encerrou as atividades em 2022 com a justificativa de não ter o número suficiente de alunos para o funcionamento do espaço. Atualmente, sua filha de 7 anos, realocada numa outra instituição longe de casa, sai para estudar às 11h e retorna apenas às 19h. A preocupação em relação à segurança das crianças no trajeto e a falta de equilíbrio nos hábitos alimentares, pois elas precisam almoçar muito antes dos familiares, por volta das 10hs, torna sacrificante o dia a dia de todos.</p>



<p>&#8220;É muito cansativo deslocar daqui do quilombo até a cidade. Enfrentamos quatro horas na estrada em ônibus sem nenhuma qualidade. Seria bom ter uma escola mais próxima, porque não sobrecarregaria a minha mente, e eu poderia estar mais disposta para os estudos&#8221;, desabafa Cleide Vânia dos Santos Neves, 15 anos, que, diante da correria semanal, às vezes não consegue almoçar antes de ir para a escola. Ela persiste por gostar de aprender e sabe da importância em adquirir conhecimento para o seu sonho profissional, a faculdade de Medicina.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Divulgação</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>Essa luta cotidiana inicia, na perspectiva da líder do Grupo de Mulheres do Quilombo Vargem Comprida, Vanda Santos de Oliveira, aos quatro anos de idade, quando a maioria das crianças adoece. Uma tosse que perdura o ano inteiro, diarreias e vômitos por ingerirem água quente nas altas temperaturas do sertão baiano são algumas das consequências enfrentadas pelos pequenos quilombolas desde cedo. “A educação no campo para os pais e discentes se tornou difícil, nossos filhos encaram quilômetros de estrada de chão todos os dias para estudar. Sonhamos com escolas e creches para educar os remanescentes quilombolas dentro da cultura afro-brasileira sem perder o vínculo de valorização da nossa ancestralidade”, reflete Vanda.</p>



<p>A desmotivação cerca Diego Levy, oito anos anos, que, mesmo acordando às 5h da manhã para ir para a escola, não adaptou o seu relógio biológico à imposição rotineira. Diego prefere ser desafiado apenas pelos números; sua matéria preferida é a matemática. Por conta dela, se anima para não perder o pique e abandonar os estudos.&nbsp;</p>



<p>Utilizando os dados numéricos para avaliar o cenário educacional dos quilombolas do Baixio, observamos no levantamento fornecido pelas comunidades que 278 pessoas são analfabetas. Mesmo diminuindo a taxa de analfabetismo no Brasil,<a href="https://educacao.uol.com.br/noticias/2020/07/15/analfabetismo-entre-negros-e-quase-tres-vezes-maior-do-que-entre-brancos.htm"> de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),</a> pessoas que não sabem ler e escrever são majoritariamente negras. Comprovando mais uma vez que o racismo estrutural segue em curso com o projeto que desprivilegia gente preta do mapa da existência. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mediação para resolver</strong></h2>



<p></p>



<p>A quilombola Shirley Pimentel de Souza, membro do Fórum Permanente de Educação Escolar Quilombola da Bahia e doutoranda em Antropologia Social na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz que o movimento quilombola está tentando se articular para sanar as divergências via mediação da Defensoria Pública. A questão das comunidades do Baixo é pauta prioritária no Fórum, assim como publicizar nas redes sociais e grupos de WhatsApp, para poder circular as notícias das violações dos direitos das comunidades quilombolas, pressionando o poder público para que os órgãos responsáveis possam agir.</p>



<p>&#8220;A negação da ancestralidade africana repercutindo dentro do espaço escolar é fruto do racismo estrutural institucionalizado. As escolas possuem racismo na base. Temos um arcabouço de legislação que garante o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígenas nas escolas e, posteriormente, temos as diretrizes curriculares para educação escolar quilombola&#8221;, informa Shirley, que acompanha as comunidades quilombolas na organização de uma maior representatividade dentro do currículo escolar a fim de impedir a destruição do conhecimento local, conceito conhecido como<a href="https://www.politize.com.br/o-que-e-epistemicidio/"> epistemicídio.</a></p>



<p>A Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) está conferindo presencialmente a conjuntura das escolas quilombolas pelo país, cenas calamitantes são descritas em diferentes cantos. Givânia Maria da Silva, co-fundadora da Conaq e coordenadora do Coletivo Nacional de Educação, menciona que na Bahia o fechamento das escolas quilombolas causa impactos negativos. Sabe-se que muitas instituições encerraram as atividades mesmo com a alta frequência de estudantes. &#8220;Todos esses problemas nos fazem compreender que o projeto colonial em curso impede o avanço significativo na educação quando o público-alvo é a população negra. Lamentável estar no século 21 e ainda não ter os direitos assegurados a todas as pessoas. Não é verdade que durante a pandemia da covid-19 as crianças quilombolas estudaram remotamente; isso nunca aconteceu. Elas ficaram sem estudar por um longo tempo&#8221;, contesta Givânia.</p>



<p>Na tentativa de recuperar o tempo perdido e somar forças nas demarcações territoriais, a Conaq investe no treinamento e formação de professores, para que estes estejam munidos de ferramentas práticas no ensino inclusivo e antirracista nas esferas municipais, estaduais e federais.</p>



<p>O Ministério da Igualdade Racial (MIR), órgão inaugurado em 2023 no mandato do presidente Lula (PT), declarou coordenar o Programa Aquilomba Brasil, que recupera e amplia o programa Brasil Quilombola, e a Agenda Social Quilombola. Conforme a Coordenação-Geral de Educação Étnico-racial, as políticas específicas para a educação quilombola ainda não foram finalizadas e aprovadas num plano de ação. Da mesma forma, até o presente, não está finalizado o plano de ação do Aquilomba Brasil, onde constarão as métricas físicas e financeiras dos programas que incidirão sobre a comunidade quilombola nos próximos quatro anos, de forma integrada por todos os ministérios, envolvendo repasse de recursos, formação continuada, oferecimento de bolsas, termos de compromisso e acordos para a viabilização de obras etc.</p>



<p>No entanto, a Coordenação-Geral do Ministério da Educação (MEC) informou que o seu plano de ação será autorizado pela respectiva Secretaria no decorrer deste mês, quando poderá ser passado de forma integral e segura.</p>



<p>O que está funcionando neste momento, voltado para a melhoria da formação da equipe de educação nos quilombos, é o Escola Quilombo, um curso de aperfeiçoamento em educação escolar quilombola que preconiza a formação continuada de profissionais da educação e lideranças quilombolas. Este programa está acontecendo simultaneamente no Instituto Federal da Bahia (IFBA), Instituto Federal do Pará (IFPA), Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                                        <p class="m-0">Palmas de Monte Alto, no sertão baiano. Crédito: Prefeitura de Palmas de Monte Alto</p>
	                
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quilombos como solução</strong></h3>



<p></p>



<p>A Bahia é permeada por contradições e conflitos em sua dinâmica territorial. Rafael Sanzio Araújo dos Anjos, geógrafo e professor titular da Universidade de Brasília (UnB), chama a atenção para o Censo Demográfico de 1872. Nele, a Bahia foi a província que apresentou o maior número de africanos, africanas e descendentes recenseados. Ou seja, a Bahia é um estado de essência africana, comprovada cartográfica e historicamente.</p>



<p>&#8220;A resistência não resolvida de cinco séculos ainda se configura de forma predominante na sociedade atual e nos territórios afro-brasileiros, sobretudo nos quilombos contemporâneos e nos terreiros religiosos de matriz africana. Neste sentido, o processo educacional (público e privado) é uma pista concreta para a transformação deste quadro de resistência colonial no país, onde os segmentos invisibilizados secularmente passem a ser vistos e inseridos na cidadania nacional&#8221;, pontua Sanzio, que sinaliza a negligência estatal no não reconhecimento oficial das tradições e tecnologias que os antepassados trouxeram da África, como a agricultura comunitária, a medicina natural, a religião estruturada, a mineração eficaz, as técnicas de arquitetura e construção, o artesanato e utensílios de cerâmica e palha, as línguas diversas, o sistema de numeração e matemática, a relação sagrada com o espaço geográfico, a amplitude da culinária, a forma comunitária de uso e ocupação do território, dentre outras maneiras de expressão cultural e tecnológica.</p>



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	                                        <p class="m-0">Rafael Sanzio. Crédito: UnB</p>
	                
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<p>Na avaliação do professor Sanzio, as ações do atual Governo Federal indicam a opção de não resolver de forma eficaz as demandas territoriais conflitantes. Nessa direção, a falta de uma &#8220;política de Estado&#8221;, consistente e duradoura, e não &#8220;política de governo,&#8221; pontual e cosmética, possibilita o processo de extinção e descaracterização desses territórios étnicos, vistos erroneamente como &#8220;espaços de problemas,&#8221; porém podem ser olhados com outra ótica, ou seja, &#8220;territórios das soluções&#8221; para demandas sociais e econômicas da nação. Como exemplo, ele cita a economia quilombola com sua diversidade de produtos e referências produtivas que podem ser inseridas nas cidades brasileiras.</p>



<p>“O ‘Selo Quilombola’ que agrega valor e integridade ao território e a comunidade tradicional, poderia ser implementado de forma mais assertiva na estrutura do Estado. Entretanto, constatamos que o Brasil africano continua invisível oficialmente há 135 anos, melhor dizendo, a rejeição secular do Estado ao fim do sistema escravista é o fio condutor básico da frequente articulação para a naturalização-normalização da democracia precária e da conservação dos privilégios. Importante lembrar que a manutenção do quadro de desinformação da população brasileira no que se refere ao continente africano continua sendo um entrave estrutural para uma perspectiva real na democracia racial do país”.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O professor da UnB frisa o papel da educação para a inserção da população de matriz africana na nossa sociedade: “A inferiorização desta população no sistema escolar causa danos imensuráveis para as sucessivas gerações. Uma vez que estamos tratando com uma ordem que está institucionalizada há mais de um século, sobretudo na educação geográfica permitida e na forma distorcida e limitada como é ensinada no país”.<br><br><strong>*Jornalista multimídia, vencedora do prêmio Respeito e Diversidade do MPF</strong></p>



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		<title>Em protesto contra racismo, há três meses comunidade quilombola ocupa escola no Piauí</title>
		<link>https://marcozero.org/em-protesto-contra-racismo-ha-tres-meses-comunidade-quilombola-ocupa-escola-no-piaui/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 May 2023 16:32:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[direito à educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Sarah Fontenelle Santos e Maura Vitória, publicado originalmente no site Ocorre Diário O conflito que já dura mais de 90 dias entre a Comunidade Quilombola Macacos e a Prefeitura Municipal de São Miguel do Tapuio, no norte do Piauí, dá sinais de mais negligência e falta de diálogo. Em audiência no último 19 de [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Sarah Fontenelle Santos e Maura Vitória</strong>, <strong>publicado originalmente no site </strong><a href="https://ocorrediario.com/quilombo-macacos-escola-ocupada-ha-80-dias-e-prefeitura-se-nega-ao-dialogo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Ocorre Diário</strong></a></p>



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<p>O conflito que já dura mais de 90 dias entre a Comunidade Quilombola Macacos e a Prefeitura Municipal de <a href="https://www.saomigueldotapuio.pi.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">São Miguel do Tapuio</a>, no norte do Piauí, dá sinais de mais negligência e falta de diálogo. Em audiência no último 19 de abril, a prefeitura enviou dois representantes sem autorização para negociação, dificultando a resolução do conflito.&nbsp;</p>



<p>Moradores e principalmente as crianças da comunidade, continuam com seus direitos violados sem nenhum tipo de satisfação dos gestores públicos, que preferem tratar a situação sob a lei do silêncio, inclusive, procurados duas vezes por nossa equipe de reportagem, não responderam aos nossos questionamentos.</p>



<p>Segundo o defensor público da União Benoni Ferreira Moreira, a comunidade se manifestou junto à DPE e a DPU, reiterando o interesse em desocupar a escola, desde que o município retornasse a cumprir direitos historicamente conquistados pela comunidade. Maria Felix, moradora da comunidade, afirma que o processo está desgastante, mas que não vão desocupar a escola sem garantia de resultados positivos para a comunidade. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que&nbsp;a comunidade ocupou a escola?&nbsp;</strong></h2>



<p>O que motivou a comunidade a fazer esse movimento? Desde que essa gestão municipal tomou posse, em janeiro de 2021, a comunidade vinha tentando diálogo para ser atendida em suas demandas. Passou-se o primeiro ano da gestão e o município não dava o retorno sobre solicitações de reuniões, conversas. &nbsp;</p>



<p>Passado um ano, no dia 13 de maio de 2022, a comunidade fez um seminário na própria comunidade sobre a falsa abolição da escravidão no Brasil e a secretaria municipal de Educação começou a colocar obstáculos para o evento. Como o seminário era uma sexta-feira, a secretária alegou que era dia útil e não poderia interromper as aulas, ainda que o prédio da escola seja único espaço que a comunidade dispunha para isso.&nbsp;</p>



<p>Diante disso, a comunidade procurou a Defensoria Pública da União para saber se tinham o direito de realizar a atividade. Recebendo resposta positiva, resolveu-se por dar continuidade à organização. Diplomaticamente, os quilombolas convidaram todos os representantes de órgãos municipais, representantes da Defensoria Pública da União, da Defensoria Pública Estadual do Piauí, secretaria estadual de Assistência Social e Cidadania e outros parceiros. Sucedeu-se uma discussão crítica no evento que ficou intitulado como <em>13 de maio: a falsa abolição</em>. &nbsp;</p>



<p>O final do evento trouxe uma análise da situação da comunidade e como de praxe, acerca da postura de movimentos sociais ou comunitários que buscam direitos, chegou-se a um documento detalhado de reivindicações, que foi enviado, com o detalhamento necessário, para cada órgão destinatário da demanda elencada.&nbsp;</p>



<p>Foi o suficiente para serem respondidos com represálias por parte da gestão municipal. Maria Felix lembra que, após esse momento, as perseguições na escola pioraram, com professores e funcionários incutindo uma ideia de vergonha nos estudantes por serem quilombolas, deboches e descumprimento de acordos formais e da lei.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“A escola está na comunidade, mas a comunidade não está na escola”</strong></h3>



<p>Dentre as violações mais flagrantes está a tentativa da secretaria municipal de Educação de não colocar a palavra &#8220;quilombola&#8221; na fachada da escola, o que já havia sido decidido pela própria gestão municipal. Após isso, a comunidade buscou a câmara de vereadores, que também garantiu o direito de manter o nome e, mais uma vez, a diretora tentou descumprir, mas a comunidade insistiu e manteve-se o nome.&nbsp;</p>



<p>A comunidade também passou a ser impedida de usar a escola como de costume para reuniões, eventos culturais e novenas. Por isso, a comunidade vem afirmando em suas assembleias: “A escola está na comunidade, mas a comunidade não está na escola”.</p>



<p>O defensor Benoni Moreira lembra que o direito à educação quilombola não existe apenas para a comunidade Macacos, mas é um direito de todas as pessoas quilombolas e deve ser cumprido. Segundo dld, as escolas quilombolas têm um incremento de 30% a mais na merenda escolar do que as escolas tradicionais e que esse direito não está sendo respeitado.&nbsp;</p>



<p>Além disso, a alimentação das escolas do campo, elas devem ser prioritariamente comprada da Agricultura Familiar, qo que também não está acontecendo, apesar da verba ser repassada diretamente pelo Ministério da Educação (MEC) para o município.&nbsp;</p>



<p>Maria Felix, destaca também que a alimentação na escola está vindo muito empobrecida. “Depois do novo gestor, a gente teve acesso à licitação da merenda escolar e é totalmente diferente do cardápio que está sendo ofertado. Só tem carne moída, leite com cuscuz, leite com biscoito, é basicamente leite e alguma coisa”, elenca os problemas.&nbsp;</p>



<p>A questão se generaliza em outras escolas “E essa reclamação está em todas as escolas de São Miguel do Tapuio e não tem diferença no cardápio das outras escolas para a comunidade quilombola, violando nossos direitos”, acrescenta Maria Felix.&nbsp;</p>



<p>Maria lembra também que o município, na gestão anterior, já vinha se adequando à questão do uso de alimentos certificados e aprovados enquanto pertencente à Agricultura Familiar e muitos agricultores locais já estavam aptos a fornecer alimentos para a escola, mas esta gestão não tem levado isso em consideração.&nbsp;</p>



<p>A outra questão é que quando se fala de escola quilombola deve haver um incremento de disciplinas que trabalhem a questão quilombola e a própria história da comunidade, por isso, que já se prevê o incremento no recurso, explica Benoni. Outra violação muito grave está na violação do direito à consulta prévia assegurado pela convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&nbsp;</p>



<p>Acrescenta-se ao rol de flagrantes desrespeitos o fato de que a escola possui um conselho onde a comunidade não participa. Aqui, foi adotada a tática de colocar funcionários com filhos na escola, que não tenha desacordo com a direção, para compor o conselho, dando-lhe legitimidade ao menos em termos formais, mas na prática se constitui em nova violação, argumenta a comunidade.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Linha do tempo do conflito</strong></h4>



<p>A ocupação teve início no dia&nbsp;<strong>6 de fevereiro de 2023</strong>, quando deveria ter iniciado as aulas, mas a comunidade avaliou que não faria sentido, já que a escola vinha deseducando seus estudantes com práticas racistas e humilhações. &nbsp;</p>



<p>No dia&nbsp;<strong>8 de março</strong>&nbsp;houve uma reunião de conciliação, onde foi apresentado um termo de ajustamento de conduta com pautas, como a melhoria da merenda escolar de acordo com escolas quilombolas, consulta prévia de acordo com a convenção da OIT e implementação da educação quilombola na escola, saúde quilombola, dentre outras.</p>



<p>O prefeito Pompilio Evaristo Filho (PSD) recebeu a proposta e disse que não teria como dar resposta naquele momento, daria no fim da tarde, mas ao final desse primeiro prazo, disse que precisaria de mais 15 dias. Depois de sucessivas tentativas por parte da comunidade, o prefeito afirmou que aceitaria a substituição dos professores e a comunidade pediu que fosse assinado o termo de compromisso. O prefeito se recusou e a comunidade por todas as violações que já passou, decidiu continuar na ocupação.&nbsp;</p>



<p>No dia&nbsp;<strong>30 de março</strong>, a Secretaria de Educação publicou portaria transferindo as crianças para uma unidade escolar fora do Quilombo, considerada outra ação racista que fere os direitos quilombolas ao ter educação que se adeque à realidade e aos modos de vida locais. &nbsp;</p>



<p>Fechado o diálogo ainda mais, o prefeito entrou com ação de reintegração de posse e transferiu as aulas dos estudantes para uma outra escola. Com isso, a Defensoria Pública do Estado em parceria com a Defensoria Pública da União, entrou com ação cível pública para garantia de direito reivindicado pela comunidade e suas diversas pautas.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Em&nbsp;<strong>19 de abril</strong>, como já mencionado, houve audiência judicial, onde o prefeito demonstrou mais uma vez negligência enviando um preposto e um advogado sem poderes de negociação.&nbsp;</p>



<p>Na ocasião, o Ministério Público do Estado solicitou prazo para manifestação, sendo concedido pelo juiz, o prazo de dez dias úteis, tanto para MPE quanto para o MPU, contando a partir do dia 20 de abril. Por esta contagem o prazo terminou no dia&nbsp;<strong>5 de maio</strong>, quando o juiz poderia decidir atendendo ao pedido do prefeito, para a desocupação da escola ou atender o pedido da comunidade.</p>



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		<title>Uma sala de aula radicalmente democrática: com igualdade de gênero e antirracista</title>
		<link>https://marcozero.org/uma-sala-de-aula-radicalmente-democratica-com-igualdade-de-genero-e-antirracista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 17:27:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[8 de março]]></category>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Paula Ferreira* e Andressa Pellanda** A cada dia morrem em média quatro mulheres no país vítimas de violência de gênero, machismo, e misoginia, em uma sociedade que vive ainda as marcas das desigualdades, do racismo, do patriarcado e do conservadorismo, herdados dos tempos coloniais. Mulheres são desumanizadas todos os dias. Hoje é dia de [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Paula Ferreira* e Andressa Pellanda**</strong></p>



<p>A cada dia morrem em média quatro mulheres no país vítimas de violência de gênero, machismo, e misoginia, em uma sociedade que vive ainda as marcas das desigualdades, do racismo, do patriarcado e do conservadorismo, herdados dos tempos coloniais. Mulheres são desumanizadas todos os dias.</p>



<p>Hoje é dia de irmos às ruas em vários estados do Brasil para clamar por uma sociedade justa. Lutamos com e pelas mulheres negras, indígenas, quilombolas, lésbicas, trans e travestis, contra a vulnerabilidade social e as desigualdades históricas de classe, raça e gênero &#8211; tríade indissociável.</p>



<p>O desmonte nos últimos anos das parcas políticas públicas de cunho antirracista e não sexista têm trazido consequências na vida de mulheres e meninas. Na economia, vivemos sob a Emenda Constitucional nº 95/2016, motriz do desfinanciamento das áreas sociais, aprofundadas pela pandemia. A vulnerabilidade extrema da população não foi suficiente para sua revogação.</p>



<p>No que tange à política educacional, o país tem remado contra a maré. Políticas como a militarização das escolas e a reforma do ensino médio são exemplos de ações estatais avessas à educação como prática da liberdade. Uma coloca na gestão escolar o aparato do Estado mais doutrinador, violento e verticalizado: a polícia militar; e a outra, construída sem gestão democrática e na contramão das demandas dos secundaristas, reduz o direito à educação a uma lista de matérias inadequadas, precariza ainda mais o trabalho docente, sem financiamento suficiente. É a educação que “só trabalha para reforçar a dominação”, como ensinou <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/12/15/quem-e-bell-hooks-escritora-e-ativista-morreu-aos-69-anos.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">bell hooks</a>.</p>



<p>A Lei 10.639/2003, que inclui no currículo oficial das redes de ensinos a obrigatoriedade da temática &#8220;História e Cultura Afro-Brasileira&#8221;, completou 20 anos em 9 de janeiro e pouquíssimo se avançou na equidade racial na educação básica. Será que teríamos em nossas instituições educacionais maior consciência sobre o racismo e sobre a necessidade de garantia dos direitos de meninos e meninas negras se tivéssemos o antirracismo como pauta central nos livros didáticos, nas atividades pedagógicas e nos projetos político-pedagógicos? Educar estudantes para agir contra as diversas discriminações é prepará-los para transgredirem a opressão histórica.</p>



<p>Olhar para a política pública educacional é crucial para romper esses ciclos de violações de direitos, garantindo às meninas e mulheres, da creche ao ensino superior, uma educação pública e gratuita de qualidade, que seja radicalmente inclusiva, antirracista, não sexista, democrática. Nossa legislação &#8211; da Constituição Federal ao Plano Nacional de Educação &#8211; é precisa, forte e dá o caminho para isso. Não precisamos inventar a roda, precisamos é de um Estado que faça valer nossos direitos. E seguiremos nas ruas, nas escolas, nas universidades e na política, até que cada uma de nós os tenha garantidos.</p>



<p>*<strong>Paula Ferreira</strong> é<strong> antirracista, pedagoga, e integrante da Rede de Ativistas pela Educação do Fundo Malala no Brasil (Rede Malala) e do Comitê Pernambucano da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.</strong></p>



<p><strong>**Andressa Pellanda é feminista antirracista, educadora popular, coordenadora geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, integrante da Rede de Ativistas pela Educação do Fundo Malala no Brasil (Rede Malala), e doutoranda em Ciências no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP).</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado custa caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa </em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>página de doaçã</strong></a><strong><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o</a> </strong><em>ou, se preferir, usar nosso </em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Apoie o jornalismo que está do seu lado</strong><em>.</em></cite></blockquote>
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		<title>Cendhec realiza formação em pedagogia para enfrentamento do racismo com ativista do Fundo Malala</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 15:01:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[cendhec]]></category>
		<category><![CDATA[educação antirracista]]></category>
		<category><![CDATA[Fundo Malala]]></category>
		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) realizará hoje, quinta-feira, 30 de setembro, das 18h30 às 21h30, oficina de formação para 50 professoras, educadoras sociais e estudantes, sobre interseccionalidade e educação pública, com o tema “Classe, raça e gênero por uma escola transformadora”. A atividade será conduzida pela pedagoga Benilda Brito, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (<a href="https://www.cendhec.org.br/">Cendhec</a>) realizará hoje, quinta-feira, 30 de setembro, das 18h30 às 21h30, oficina de formação para 50 professoras, educadoras sociais e estudantes, sobre interseccionalidade e educação pública, com o tema “Classe, raça e gênero por uma escola transformadora”. A atividade será conduzida pela pedagoga Benilda Brito, mestra em Gestão Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundadora do Odara Instituto da Mulher Negra e com atuação em programas de direitos humanos. Benilda é uma das ativistas pela educação do <a href="https://malala.org/">Fundo Malala</a>.</p>



<p>A formação integra o projeto “Na Trilha da Educação. Gênero e Políticas Públicas para Meninas”, que pretende fortalecer a rede de educadoras, estudantes, gestoras e gestores de escolas públicas para o enfrentamento das desigualdades de gênero, raça e classe social na educação pública. De acordo com Benilda, “o movimento negro sempre teve como foco a educação como uma importante ferramenta de combate ao racismo, monitorando as taxas de evasão das meninas negras e propondo políticas públicas para combater o problema&#8221;.</p>



<p>O preechimento das vagas se deu por meio de um processo com dois momentos. O primeiro, com disponibilidade de 30 vagas, teve como foco os profissionais da rede pública de ensino de nove escolas parceiras do projeto “Na Trilha” nos municípios de Igarassu, Recife e Camaragibe. Foram preenchidas então 20 inscrições.  Em seguida, o  procedimento foi aberto  às educadoras e educadores sociais, estudantes e demais profissionais de ensino, em um total de 23 vagas. Nos dois processos a triagem se deu por ordem de inscrição. As demais vagas foram destinadas aos Conselhos Municipais de Educação das três cidades e a organizações não governamentais.</p>



<p>A formação será realizada pela plataforma Zoom Meet do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF) e transmitida ao público pelo <a href="https://www.youtube.com/user/Cendhec">canal do Cendhec no YouTube</a>.</p>



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		<title>A educação antirracista em tempos de &#8220;épandemia&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Nov 2020 21:29:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[educação antirracista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Joaninha Dias* Começo logo dizendo que Educação Antirracista não é um projeto escolar para ser executado em determinados períodos do ano letivo. Educação Antirracista é currículo e precisa estar no cotidiano da escola sempre, desde a sala de aula, passando por todos os ambientes escolares e pelas pessoas que trabalham neles. Precisa estar no [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Joaninha Dias*</strong></p>



<p>Começo logo dizendo que Educação Antirracista não é um projeto escolar para ser executado em determinados períodos do ano letivo. Educação Antirracista é <strong>currículo </strong>e precisa estar no cotidiano da escola sempre, desde a sala de aula, passando por todos os ambientes escolares e pelas pessoas que trabalham neles. Precisa estar no cartaz de “Boas-Vindas”, na hora do recreio, no momento da escolha do livro didático, nas reuniões pedagógicas, no planejamento de ações educativas e muito mais.<br><br>A minha vida como afrodescendente foi sempre permeada pelo debate dentro do seio familiar. A história de nosso povo sempre nos interessou demais e desde muito pequena recebia informações de que a “abolição dos escravos” foi uma farsa e que a história do povo negro não começava com a escravidão e nem terminava com a abolição. <br><br>Quando estudava nas séries iniciais em uma escola da Rede Municipal de Ensino do Recife, sempre comemorava-se o “13 de maio” com pinturas de desenhos de negros escravizados sendo libertados e com louvores incansáveis à Princesa Isabel e sua Lei Áurea. Sempre me incomodou o fato de que tudo que eu conhecia e debatia dentro da minha família não era discutido, comentado ou citado nas aulas que tinha nessa escola. <br><br>Ao mesmo tempo, o racismo, o preconceito e a discriminação já faziam parte da minha vida também e a escola nunca me ajudou a me aceitar como negra nem a lutar contra os apelidos e as constantes piadas racistas. Se a escola que estudei quando criança praticasse uma Educação Antirracista, minha infância e a das outras crianças negras, grande maioria nas escolas da rede pública de ensino, seria bem diferente. A vida adulta também.<br></p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-marco-zero-conteudo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="FxcNHpUxSx"><a href="https://marcozero.org/para-joaninha-dias-quebrar-correntes-e-o-que-a-educacao-antirracista-faz/">Para Joaninha Dias, “quebrar correntes é o que a educação antirracista faz.”</a></blockquote><iframe loading="lazy" class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Para Joaninha Dias, “quebrar correntes é o que a educação antirracista faz.”&#8221; &#8212; Marco Zero Conteúdo" src="https://marcozero.org/para-joaninha-dias-quebrar-correntes-e-o-que-a-educacao-antirracista-faz/embed/#?secret=ZlE718fFmp#?secret=FxcNHpUxSx" data-secret="FxcNHpUxSx" width="500" height="282" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p>A sociedade é racista, o governo é racista, a justiça é racista, consequentemente, a escola é racista e precisamos <em>desnormalizar</em> o que o racismo normaliza há séculos. O fato de não estudarmos a história dos grandes povos africanos e as pessoas negras sempre serem apresentadas nas escolas como “escravas”, de não lermos textos escritos por pessoas negras nas aulas, ou nunca termos feito uma releitura de uma obra de arte pintada/esculpida por uma pessoa negra ou, até mesmo, ouvido contos e músicas, assistido filmes nos quais o povo negro protagonizava em lugar de poder, sem subserviência ou sofrimento, faz parte dessa normalização do racismo.<br><br>A Educação Antirracista discute racismo, tece relações entre a escravização e a situação atual do povo negro, desmistifica as ideias de bonito e feio, puxa a reflexão sobre a demonização das religiões de matriz africana, traz pra dentro das salas de aula a produção científica/ artística/ literária/ cultural/ histórica/geográfica… do povo negro. <br><br>Faz a criança/adolescente/jovem/adulto negro se reconhecer nos conteúdos, textos, fotos, debates. Faz as pessoas brancas perceberem que não é normal só elas estarem representadas em todos os espaços e que existe muita coisa errada na normalidade com que esse fato foi tratado até agora. Em cada disciplina, em cada conteúdo do currículo, é necessário refletir, combater o racismo e colocar o legado negro, pois foi esse mesmo racismo que fez e faz com que nada da construção e produção do povo negro chegue às salas de aula. É um trabalho da escola como um todo. Envolvendo totalmente pessoas, espaços e ações.<br><br>(Deixo bem explicado aqui, que a Educação Antirracista abrange os povos negro e indígenas no Brasil, mas estou me atendo ao povo negro neste escrito).</p>



<p>Em tempos de <em>épandemia</em> (palavra criada pela família Dias e que é a junção das palavras epidemia e pandemia, refletindo a situação de caos sanitário/social/econômico/emocional que vivenciamos atualmente), as escolas estão fechadas e as tentativas de se firmar novas formas de educação através de aulas remotas, coloca ainda mais em evidência o abismo social: professoras(es) dando aulas de dentro das suas casas, com seus computadores e celulares (obtidos com recursos próprios) pagando contas aumentadas de internet e energia para crianças e jovens sem aparelhos eletrônicos e acesso à internet. <br><br>Mesmo a educação sendo um direito de todos e todas, ela deixa de ser a partir do momento que a aula da escola pública é veiculada em um sistema que não dá oportunidade de acesso a todos e todas. E a Educação Antirracista é ainda mais distanciada destas crianças e jovens sem acesso aos meios mínimos para as aulas.<br><br>Essa <em>épandemia </em>vai passar e a luta por uma Educação Antirracista continuará! Axé!</p>



<p><em>* Joaninha Dias é professora antirracista na Rede Pública de Ensino, pedagoga formada pela UFPE, poeta, escritora erótica, autora de atividades pedagógicas afrocentradas, ativista e coordenadora da REDE de Mulheres Negras de Pernambuco.</em></p>
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		<title>Para Joaninha Dias, “quebrar correntes é o que a educação antirracista faz.”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2020 22:31:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[antirracista]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<category><![CDATA[feminismo negro]]></category>
		<category><![CDATA[Julho das Pretas]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Você se reconhece como mulher negra?”, questiona Joaninha Dias à repórter logo no primeiro contato. Ao escutar a resposta, a professora antirracista e ativista da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco topou conversar com a Marco Zero e iniciou uma aula em forma de entrevista que explica desde a origem do seu sobrenome até a [&#8230;]</p>
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<p>“Você se reconhece como mulher negra?”, questiona Joaninha Dias à repórter logo no primeiro contato. Ao escutar a resposta, a professora antirracista e ativista da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco topou conversar com a Marco Zero e iniciou uma aula em forma de entrevista que explica desde a origem do seu sobrenome até a vivência de quem se propõe diariamente a mover as estruturas da educação por uma sociedade antirracista.</p>



<p>Pedagoga formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Joaninha tem 37 anos de idade e atua como professora há 17 anos. Costuma dizer que é ativista no movimento negro desde criança, quando um tio a levava para as reuniões do Movimento Negro Unificado (MNU). Desde 2017, faz parte da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, processos organizativos que segundo ela “movimentam o mundo daqui para frente”.</p>



<p>“O sobrenome Dias da minha família veio de uma maneira muito ancestral mesmo. O meu bisavô foi criado em um orfanato. O nome dele era Carlos José André, ele não tinha sobrenome. Quando ele casou e o meu avô nasceu, ele colocou o nome de José Roque Dias e disse que a partir do nascimento do meu avô os ‘Dias melhores viriam’. Essa é a origem da minha família Dias.”</p>



<p>Mulher negra, gorda, bissexual e praticante do poliamor, como gosta de ressaltar, Joaninha é nascida e criada no bairro recifense de Água Fria. Mora lá até hoje, local de onde se expressa para o mundo como educadora, poeta, escritora e autora de atividades pedagógicas afrocentradas como é o caso do <em>Manual de Atividades com Contos Africanos</em> que escreveu. Atualmente, dá aula para o Ensino Fundamental I das redes públicas de duas cidades de Pernambuco.</p>



<p>A conversa sobre educação antirracista sob a perspectiva de Joaninha Dias, você pode conferir abaixo.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Arquivo pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Como é ser professora antirracista em um país que ainda está longe de ter uma educação antirracista?</strong></p>



<p>Na verdade, na verdade&#8230; É um trabalho extremamente árduo porque nós estamos trabalhando uma educação antirracista em um país racista que não reconhece que é racista, nem reconhece que é o racismo que faz com que os corpos estejam no chão todos os dias. É muito complicado vivenciar essa realidade todos os dias quando você olha ao seu redor e vê o racismo em todos os ambientes, em todas as suas etapas, em todos os locais, em todos os sistemas, em tudo. É adoecedor. E ser uma professora antirracista dentro desse contexto é exatamente a luta árdua pela mudança, sabe? Porque a primeira coisa para você ser antirracista é o reconhecimento que a educação do Brasil é uma educação racista. Tudo o que tem no currículo é racista, a organização é racista, as aulas são racistas. Tudo é racista, porque na verdade é um projeto que fez o apagamento do povo indígena e do povo preto. Isso faz com que a gente necessite colocar o raio antirracista em tudo. Em todo material didático que a gente recebe, em todo livro didático, em toda aula. Temos que colocar na aula sempre a contribuição de todos os povos não brancos dentro do contexto, sabe? O tempo inteiro trazer as imagens de pessoas negras, as conquistas, as produções. E, desde o início da aula, se rebelar e não fazer a oração inicial que é sempre o pai nosso que dizem que é universal, mas só universal para quem é cristão, para quem não é cristão, não é. E a escola é laica. Então começa aí o ato de você não fazer essa oração e dizer às crianças que elas também não façam porque a escola não tem essa função social. A escola não é religiosa, não é pra ser, pelo menos. No horário do recreio, por exemplo, as pessoas dizem “parem de correr”. Não gente, é para correr mesmo, exercitar o corpo, brincar com o sol na cara. Entendesse? É esse tipo de coisa, é vivenciar o antirracismo em todas as situações. É o tempo todo. É cansativo, mas é extremamente necessário, porque é preciso que o antirracismo esteja presente em todos os momentos da educação.</p>



<p><strong>Nos processos organizativos dos movimentos negros, podemos dizer que a educação é a base?</strong></p>



<p>Sim. Na organização dos movimentos negros ela sempre foi a base de tudo, mas uma educação negra, uma educação baseada em nós, para nós, por nós. Valorizando os nossos conhecimentos, um currículo feito para nós e por nós, com nossa ancestralidade, com nossos conhecimentos, com um currículo organizado e pensado, com as contribuições do povo negro dentro. Esses processos educativos sempre estiveram presentes dentro dos movimentos negros Esse empoderamento educacional dos nossos, dentro dos nossos espaços, é o que faz com que a gente se torne mais forte ainda. Então, educação negra enraizada dentro de nós, para nós e por nós é um dos processos organizativos para ter a base para uma reconstrução e reorganização dos movimentos sempre todos os dias.</p>



<p><strong>Como se dão essas práticas hoje atualmente? Pergunto sobre você como professora antirracista e integrante da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco. O <em>Manual de Atividades com Contos Africanos</em> é um exemplo disso?</strong></p>



<p>Bom, falando primeiramente enquanto integrante da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, nós temos vários processos educativos dentro do nosso movimento, porque a gente acredita que a educação de nós mesmas, mulheres pretas, é base para a luta. Então, temos muitas rodas de conversa, debates, palestras, oficinas em várias cidades e comunidades que atuamos. Nós temos também os trabalhos como as Jornadas Negras de Formação Política, atividade voltada para a aprendizagem de nossa história de luta e ministrada por e para mulheres negras de nosso estado. Atividade esta aberta também para movimentos e coletivos parceiros. Ainda temos as Jornadas Negras de Formação para Adolescentes, com uma pauta construída à partir dos interesses desse público e ministrada pelas mulheres dentro da faixa de juventude da Rede. Em 2019 realizamos o nosso primeiro Encontro de Crianças Negras, com atividades pensadas e organizadas para o entendimento nossa historicidade e ancestralidade, nossa luta, nossa beleza, brinquedos e brincadeiras, nossos heróis e heroínas, nossas heranças de África. E esses processos de educação se dão de maneira bem efetiva e afetiva, nessa busca por aprender e por ensinar. Porque a gente está nisso mesmo, sabe? Todas nós temos algo para ensinar e para aprender. Então existe essa troca, de uma ensinar a outra. Existem os momentos organizados para pensar sobre diversos temas. Organizar pessoas negras que falem sobre esses temas e construir conhecimento coletivo e ancestral. Essa formação garante muita coisa. Em relação à minha produção de material antirracista, eu sou uma professora e também autora de atividades pedagógicas sobre afrodescendência. Atividades antirracistas que, na verdade, buscam a ideia de popularizar materiais que tenham cunho antirracista e sejam distribuídos de maneira gratuita para que todas as crianças tenham acesso a esse material. E que o poder aquisitivo, o dinheiro, não seja um empecilho para aquele professor, aquela professora, aquela criança, aquela mãe e aquele pai que querem usar o material. Os responsáveis só precisam baixar o material e utilizar em casa.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong><em>LEIA TAMBÉM:</em></strong> <a href="https://marcozero.org/o-circo-popular-e-o-espetaculo-do-respeito-a-diversidade/">O circo popular e o espetáculo do respeito à diversidade</a><br></p></blockquote>



<p><strong>Em entrevista ao Instituto da Mulher Negra, Geledés, a pedagoga Clélia Rosa afirmou que a Lei 10.639/2003 não tem sido efetivada porque a educação antirracista tem acontecido por meio de projetos e não como uma mudança estrutural nas diretrizes e bases da educação nacional. Você compartilha desta análise?</strong></p>



<p>Concordo total com a colega. Uma máxima que eu falo sempre é “Educação antirracista não é projeto. É currículo!”. Projetos acontecem pontualmente em determinados momentos do ano letivo. A educação antirracista ela acontece todo dia, entendeu? Em cada momento da sala de aula, em cada análise, em cada conversa, texto, em cada vídeo e debate. As pessoas confundem, e muitas vezes é o racismo que faz isso, acreditam que a Lei 10.639/2003 veio com a obrigatoriedade e que fazer projeto dá conta. Projetos são feitos em datas comemorativas, eventos. E a educação antirracista tem que ser diária. Um exemplo disso é quando você chega na sala de aula e vai trabalhar o gênero textual poema. Você abre o livro didático e os poemas que estão lá são de pessoas brancas, quem ilustra aqueles poemas são ilustradores e ilustradoras brancas. Todo livro didático é branco. E como eu coloco o antirracismo nisso? Eu trago também poetas pretos e pretas, eu trago também ilustradores pretos e pretas, eu mostro a história deles e como eles escrevem. Trago para exemplo as imagens deles, porque a criança preta precisa se ver e a criança branca precisa entender que não existe só ela no mundo, sabe? Porque ela se vê demais.</p>



<p><strong>Você sente que as pessoas e os governos ainda acham que a educação antirracista é apenas para pessoas negras?</strong></p>



<p>As pessoas ainda acham que racismo só tem a ver com pessoa preta, então acreditam que a educação antirracista só tem a ver com pessoa preta também. É um erro enorme, porque a educação antirracista é para todos. É para todas as pessoas, porque as pessoas brancas têm a educação delas, porque é educação que prima por elas. Elas veem nas atividades, se veem nas fotos, se veem em tudo. Mas essa é uma educação racista, entendeu? A educação racista é para todos porque é com ela que o povo preto vai se ver na sala de aula todo dia e o povo branco vai entender que ele não é o único no mundo. </p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>&#8220;É comum algumas professoras brancas chegarem e dizerem “Joaninha, eu amo muito seu trabalho. Seu trabalho é maravilhoso! Eu gosto muito dele, acho massa o que você faz”. E eu viro para elas e digo: &#8220;Mas você tem que fazer também&#8221;</strong></p></blockquote>



<p>Vai reconhecer seus privilégios, privilégios de estarem em todos os lugares sem nunca terem parado pra pensar o porquê estão em todos os lugares e a pessoa preta nunca está. Só está em lugares de degradação. Então, os governos estão tentando fazer a linha da educação das relações étnico-racial, mas tentando sair do esquema de projeto. Mas, ainda longe de chegar no esquema diário e interligado com as organizações, conceitos e ideias do que se pode fazer. Isso é uma coisa que deixa a gente muito irritada mesmo, arretada, porque é mais uma pedra no caminho. Mais um problema que a gente tem que ultrapassar para fazer o trabalho, para conseguir fazer o entendimento. É comum algumas professoras brancas chegarem e dizerem “Joaninha, eu amo muito seu trabalho. Seu trabalho é maravilhoso! Eu gosto muito dele, acho massa o que você faz”. E eu viro para elas e digo: &#8220;Mas você tem que fazer também&#8221;. Porque a educação antirracista é para ser feita por todas as professoras e não somente as pretas.</p>



<p><strong>De acordo com as suas experiências em sala de aula, quais são as principais questões levantadas pelas crianças em relação à temática racial? É um desafio diferenciar o bullying do racismo?</strong></p>



<p>Primeiramente, a questão de diferenciar bullying de racismo é uma coisa muito recorrente em sala de aula. Existe uma naturalização do racismo como bullying, isso é mais um traço do racismo institucionalizado. Eu faço sempre a alusão de que, quando você chama um colega de macaco e você chama uma colega de baleia, a diferença é que quando se chama uma pessoa negra de macaca você está dizendo que ela não é uma pessoa, que ela não tem humanidade, que ela não merece o título de humana, sabe? Isso é o traço racista em tudo. Se eu chamo uma pessoa de baleia porque ela é gorda, é gordofobia. Entendo tudo isso! A diferença é que eu não digo que ela é uma baleia literalmente, eu só digo que ela se assemelha. Quando eu chamo uma pessoa preta de macaco, eu estou dizendo que ela é inferior a mim humanamente. E essa é a conversa que se tem em sala de aula, aí perguntamos o porquê de não chamar de outra coisa. Fazemos essas reflexões porque a escola é onde as crianças sofrem muito racismo. E esse racismo termina sendo naturalizados pelas escolas como caso de abuso, não tratam como racismo. Não se trata a ideia de que não foi um abuso, de que a criança foi desumanizada racista e estruturalmente. Essa conversa com as crianças, lógico que não nesse tipo de linguagem, é uma linguagem voltada ao entendimento de que a gente tem que levar essas questões. Dentro das salas de aula, quando eu trabalho, eu levo muitos artistas e escritores. Muitas pessoas pretas de todas as áreas do conhecimento, pessoas de perto e de longe e tudo o que você possa imaginar. Uma coisa que é recorrente, que a gente sempre tem muita conversa, é principalmente o racismo religioso. As crianças tem muito interesse em saber porque são religiões que são demonizadas na vida delas, então elas têm interesse sobre isso. E também sobre questões como, por exemplo, Pernambuco foi a capitania que deu mais lucro na época da cana-de açúcar porque o povo que veio para cá foi o povo banto, que é o povo de África que era especialista em agricultura, que criou os instrumentos como enxada e tudo mais. Essa vontade de aprender e conhecer vai surgindo e as aulas vão ficando motivadas. E a gente vai levando esses materiais e entrelaçando com os assuntos que estão dentro do currículo, porque é isso que eu chamo de raio antirracista. O currículo está lá, eu pego ele e transformo em uma educação antirracista.</p>



<p><strong>Recentemente, as mortes de George Floyd nos EUA e a morte do menino Miguel aqui no Recife causaram comoção. Mas, perdemos vidas negras todos os dias desde o tempo da colonização do Brasil com pouca ou nenhuma comoção social. Houve um levante de pautar a educação antirracista como forma de mudar esta realidade. O que você pensa sobre estes levantes na perspectiva de luta? Eles se dissolvem ou representam transformações?</strong></p>



<p>A morte de George Floyd teve muita cobertura da mídia mundial e isso fez com que chegasse à maioria dos lugares do mundo, sim, e vem a reflexão de que as pessoas pretas morrem todo tempo em todo lugar. Nossos jovens morrem pelas mãos da polícia o tempo todo, todo dia. Nossas mulheres pretas morrem tentando dar à luz às crianças pretas e não recebem anestesia porque dizem que nós aguentamos mais dor. Nós estamos encarceradas e encarcerados nos presídios em condições insalubres, nós vivemos abaixo da linha da pobreza.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>&#8220;Casos como o de George Floyd mostram para as pessoas que é isso que acontece com a gente diariamente. Que aquilo que aconteceu com Floyd é o que acontece com a gente o tempo todo, não é um caso isolado.&#8221;</strong></p></blockquote>



<p>Somos os que ganhamos menos e que menos nos alimentamos direito. E isso tudo remete ao racismo estrutural que nos permeia o tempo todo. Casos como o de George Floyd mostram para as pessoas que é isso que acontece com a gente diariamente. Que aquilo que aconteceu com Floyd é o que acontece com a gente o tempo todo, não é um caso isolado. E existem sim, nesses levantes, muita comoção nas redes sociais, mas na vida real mesmo são poucos os aliados e as aliadas que se firmam nessa luta antirracista, nessa busca por uma educação antirracista que realmente coloque que a dor e a vida do povo preto são importantes. Depois da comoção geral, os aliados que ficam são poucos, sabe? Nós temos o caso do menino Miguel, desse crime hediondo, e o quanto que isso dilacera todas as pessoas pretas. As mulheres pretas. E nós, da Rede de Mulheres Negras, ficamos totalmente dilaceradas por dentro, por fora, na alma, no espírito, no corpo e na mente. Estamos na luta nas passeatas, na organização dos atos, mas o outro lado a gente está também de conversar com Mirtes, saber como ela está. Saber se ela tem alimento, do lado de ter uma conversa, de cuidar. As políticas públicas não veem para cuidar de nós e sim vem nos dilacerar mais. Falo isso emocionada porque isso me toca muito no que vivencio a vida inteira. Essas comoção e empatia são pontuais, momentâneas, e se dissolvem. Ficam alguns apoios e algumas pessoas que reconhecem seus privilégios e vêm para junto na luta antirracista, mas não representam tantas transformações. Ainda são os nossos que morrem e ainda não causam tanto espanto como se fosse uma pessoa branca morrendo. A perspectiva de luta que se tem e que se reconhece é que, no final das contas, a comoção tem que fazer mais do que comover. Tem que comover e tem que propiciar atitude de luta e apoio, parceria e junção para que o antirracismo prevaleça em todas as esferas sociais desse país.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito :Arquivo pessoal</p>
	                
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<p><strong>Como está a educação antirracista em tempos de pandemia?</strong></p>



<p>Eu sou professora de escola pública, sempre fui. Nessa pandemia, vem a preocupação de que as crianças não conseguem ter a estrutura para estudar, não conseguem se concentrar porque não tem como fazer pela internet algo que no pessoal a gente já tem dificuldade de fazer. Há preocupação com a alimentação dessas crianças, com o ambiente que elas estão em casa. Com o acesso à internet e ao celular, ao que puder, sabe? Preocupação com o tipo de atividade que elas estão fazendo. E como se dá a educação antirracista em tempos de pandemia? A minha preocupação maior é que as crianças não estão tendo acesso ao que a escola sempre propiciou, sabe? Que era o momento de estar ali. Estou falando por mim, estou falando nesse momento enquanto professora e pessoa. E o que a sala de aula sempre representou para mim e o que eu queria que representasse para as crianças. Sempre foi um ponto de segurança, um lugar seguro. A sala de aula era o momento de interação, aprendizado e cumplicidade. De conversa, de apoio e segurança, de você falar o que fosse para a professora e saber que tinha ali uma pessoa para lhe ajudar, para lhe auxiliar em todos os sentidos e que, no outro dia, você voltaria e encontraria aquele ambiente rico de produção de conhecimento e aprendizado. Se vendo nos desenhos, a sua cor preta lá. Vendo pessoas que escreveram, que produziram, que construíram coisas no tom da sua pele também. A preocupação é grande demais. Porque, no final das contas, o que é internet e celular pra ter aula online se a dificuldade para aprender e a ler dentro da sala de aula é tanta? Imagina no celular. O que eu faço para dar uma minimizada porque eu não tenho como fazer mais já que é pandemia? As atividades vão seguindo., principalmente atividades relacionadas à música pra ter uma ludicidade com cantores e cantoras pretas para termos atividades de alfabetização neste contexto. Usando as músicas desses artistas, muitos jogos e brincadeiras dentro do contexto de caça-palavras, palavras cruzadas, jogo de sete erros, pinturas. Muita contação de história, muito aconchego e acalanto na melhor maneira que dá para fazer.</p>



<p><strong>Estamos no Julho das Pretas, mas a dica vai servir para a vida. Te peço que indique um livro que você considera indispensável para as mulheres negras lerem e peço que direcione uma fala para elas. Algo que diria à todas.</strong></p>



<p>Eu não posso indicar um livro, entendeu? Eu sou quem indica pessoas que escreveram os livros, porque o meu mantra é “Leia pessoas negras.”Leia homens negros, mas leia mulheres negras. O mercado editorial coloca homens brancos e mulheres brancas nas publicações. Ler homens negros e mulheres negras é revolução. Então, lê mulher preta! Lê a tua vizinha, a tua amiga, lê a tua amiga que faz um poema. A tua irmã que escreveu a receita de bolo que a tua vó passou. Lê as pessoas da tua cidade, do teu estado, as pessoas do país todo. Leia Conceição Evaristo, Elisa Lucinda, Maria Carolina de Jesus, Juliana Borges, Cidinha da Silva, Inaldete Pinheiro, Odailta Alves, Joy Thamires. Lê e vai lendo, lendo e reconhecendo essas mulheres pretas que tem muito a dizer, a escrever e muito a contar. Na verdade, o que conta esse reconhecimento é nosso. Somos nós e nós. Ler mulheres negras é se reconhecer nas linhas, se ver nas palavras. É olha para outra mulher e estar com um espelho, saber que aquela mulher te olha e se vê também e o quanto isso é ancestral e maravilhoso.</p>



<p>O recado que eu quero dar para você, mulher preta, é que você se olhe no espelho e se reconheça maravilhosa. Porque você descende de um povo inteligente, organizado, belíssimo, estruturado, dono de todas as belezas e riquezas de África. Você já nasceu para ser maravilhosa e lembre-se que você não está sozinha, que você não precisa ser forte o tempo todo porque o racismo nos coloca em um lugar tão desumanizador que parece que a gente não pode sofrer. Parece que a gente não pode chorar ou sentir a dor. Só precisa sentir as pancadas e ficar firme? Não. Você pode chorar, se apoiar da sua amiga, sua irmã e seu irmão e dizer: eu estou cansada. E ele ou ela vão ser apoio e cuidado para você. Aqui não estamos mandando ninguém desistir, é só poder descansar contando um com outro. Lembre-se: você não está sozinha.</p>



<p>Os materiais afrocentrados produzidos por Joaninha Dias e citados na matéria são: Manual de Atividades com Contos Africanos; Contos Africanos: a ancestralidade guiando nossos passos; Caderno de atividades Afrocentradas; Orin: Música Preta na Sala de Aula. Interessados em ter acesso podem enviar um e-mail para o endereço eletrônico: joaninha.dias@yahoo.com.</p>



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