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	<title>Arquivos enchentes - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 22 Feb 2026 20:53:30 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos enchentes - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Cajueiro, o bairro do Recife que, há 40 anos, sofre com as cheias do rio Beberibe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Feb 2026 20:53:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cajueiro]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[prefeitura do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Carina Barros* Imagine morar em um bairro onde o acesso à moradia digna é prejudicado por frequentes alagamentos e enchentes de um rio. Essa é a realidade dos moradores da parte mais baixa do bairro de Cajueiro, na zona norte do Recife. Com 59 hectares, o bairro é dividido em duas partes, a alta, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Carina Barros*</strong></p>



<p>Imagine morar em um bairro onde o acesso à moradia digna é prejudicado por frequentes alagamentos e enchentes de um rio. Essa é a realidade dos moradores da parte mais baixa do bairro de Cajueiro, na zona norte do Recife. Com 59 hectares, o bairro é dividido em duas partes, a alta, com ruas asfaltadas, ladeiras e casarões elegantes, e a parte mais baixa, formada por casas próximas ao rio Beberibe, na divisa entre Recife e Olinda. Nessa área, quando chove, o medo aflora junto com as águas das enchentes.</p>



<p>Desde a década de 1980, o rio Beberibe já passou por muitas intervenções por parte do poder público, amplos foram os programas do Governo do Estado em parceria com as prefeituras dos municípios (Recife e Olinda) e iniciativas do Governo Federal para realizar obras de revitalização. O mais recente projeto é o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em 2007 pelo Governo Federal, que estava voltado para os investimentos em infraestrutura para todas as regiões do Brasil.</p>



<p>Segundo o Ministério das Cidades, o programa, dividido em duas fases &#8211; PAC 1 (2007-2010) e PAC 2 (2011-2014) -, totalizou mais de 600 bilhões de reais em investimentos. Contudo, foi interrompido por causa de crises econômicas e políticas.</p>



<p>O bairro de Cajueiro, no entanto, foi deixado de lado e muitos moradores tiveram que deixar suas casas para morar de aluguel em outros lugares, pois as enchentes continuaram a ser um transtorno rotineiro. Atualmente, os poucos moradores que ficaram continuam porque o acesso à moradia digna na Região Metropolitana do Recife custa caro.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroRua.jpeg" alt="A foto de Nivaldo Belmiro mostra uma rua de terra em área residencial, bastante enlameada, com marcas de pneus e poças de água espalhadas; de cada lado há casas com fachadas desgastadas, algumas com pintura desbotada ou grafites, e fios elétricos cruzam o céu parcialmente nublado, onde o sol projeta sombras; à direita, vê-se um amontoado de lixo ou objetos descartados, compondo uma cena que evidencia condições precárias de infraestrutura e saneamento no local." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Alagamentos constantes nas ruas do bairro expulsam moradores
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">Quem fica sempre é o mais preto, pobre e periférico</h2>



<p>De acordo com um estudo realizado pelo <a href="https://polis.org.br/estudos/">Instituto Pólis</a>, em 2022, na Região Metropolitana do Recife, a população periférica e negra é a que mais sofre com os riscos de enchentes, que afetam 59% das pessoas com renda domiciliar de R$ 2,1 mil. Os dados da pesquisa também apontam que cerca de 22% dos lares atingidos são chefiados por mulheres que ganham até um salário mínimo. Além de ser difícil ter uma boa qualidade de vida recebendo esse valor, as famílias ficam ainda mais vulnerável a doenças ocasionadas pela falta de saneamento básico.</p>



<p>Segundo a bióloga, professora e pesquisadora Paula Fortunato, a população circunvizinha do Beberibe sofre com a fragilidade do meio ambiente e, como o rio é muito canalizado, o uso da água para consumo se torna inapropriado. &#8220;Na recente pesquisa, realizada pelos meus alunos do Curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário da UniFafire, no ano de 2024, encontramos cianobactérias e microorganismos que têm potencial tóxico que podem ocasionar graves doenças”, relata.</p>



<p>A falta de oportunidade de viver em um lugar seguro se reflete na história de Laudicéia Silva, de 68 anos, moradora do bairro há 40. Ela lembra bem das noites mal dormidas em períodos de fortes chuvas em que sempre teve a casa inundada. Atualmente, a casa dela está em reforma, pois as chuvas extremas de 2022 que afetaram a Região Metropolitana do Recife e matou 134 pessoas nos municípios de Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e Olinda. Na pior tragédia do século no Recife, ela ficou desabrigada.</p>



<p>A dona de casa não conseguiu mais voltar para a residência e, até o momento, mora num local alugado na mesma região. &#8220;Quando chove muito aqui, também alaga. Já tive que sair com água no peito e tive uma doença bacteriana nas pernas. Meu sonho é sair daqui,&#8221; disse.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroLaudiceia.jpeg" alt="A foto de Laudiceia Silva mostra o interior de um cômodo em reforma, com paredes pintadas de verde e piso de azulejos; no centro há um espaço retangular aberto no chão, como um buraco em obra, e ao fundo vê-se uma porta que leva a outro ambiente com prateleiras e objetos guardados; o teto é de vigas de madeira parcialmente expostas e, à direita, uma janela com grades deixa entrar a luz natural; Laudiceia está em pé, usando uma camiseta colorida com um personagem estampado, além de bermuda azul e sandálias, compondo uma cena que transmite simplicidade e o esforço de melhorar a casa." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Com a temporada das chuvas prestes a começar, Laudiceia perde o sono
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p>Débora Silva, de 63 anos, irmã e vizinha de Laudicéia, também compartilha do mesmo sentimento. A dona de casa relata que nem guarda-roupa tem mais, porque já perdeu a maioria dos móveis com as enchentes. É tanta desilusão que ela não acredita que algum dia o poder público possa olhar para a comunidade. &#8220;Há 30 anos que moro aqui e sempre alagou, meu sonho é viver em uma casa digna e sair daqui, para a gente já deu&#8221;, afirmou.</p>



<p>Se as enchentes recorrentes trazem desesperança para a comunidade, ainda é mais difícil para quem vive na casa que é sempre a primeira a alagar. Essa é a realidade de Iraci Silva, de 62 anos. Na casa em que a doméstica mora com o marido, não tem muitos móveis e a situação é de extrema pobreza.</p>



<p>Há 36 anos morando na região, ela desabafa: &#8220;quando enche, não tenho para onde ir, às vezes vou para um abrigo, mas não gosto muito, porque não há nada melhor do que a nossa casa. Então, fico na rua esperando secar e nesse tempo todo não temos nada concreto, só temos promessas da prefeitura, até já cadastraram a gente, mas disseram que não tem lugar para fazer a casa.&#8221;</p>



<p>Nivaldo Belmiro, de 57 anos, autônomo e morador há 40 anos da região, lembra que viu a favela ser construída ao longo dos anos e presenciou a chegada das enchentes recorrentes que atravessam a vida dos vizinhos ao redor. Na foto que abre esta reportagem, ele mostra as marcas da água na parede. </p>



<p>Na casa em que mora com a esposa, Nivaldo já mantém os móveis suspensos, pois tem medo de perdê-los durante as enxurradas. Quando a enchente chega ao bairro, além da marca da lama que segue o percurso até o leito do rio, as paredes ficam úmidas e mofadas. Para o morador, o desastre de 2022 marcou toda a comunidade. &#8220;As águas do rio cobriram o portão da minha casa, não saímos daqui, era impossível passar. Logo depois veio assistência de bombeiros, psicólogos, Defesa Civil, mas a maioria daqui não recebeu auxílio, e era para todo mundo receber diante da nossa condição social&#8221;, disse.</p>



<p>Entre os anos 2023 e 2024, Nivaldo passou por um momento delicado de saúde, pois depois do contato com a água poluída do rio, contraiu leptospirose e quase morreu. Dentre tantas vulnerabilidades que o morador enfrenta com a família, ele percebe que a cor da pele influencia na forma como as pessoas vivem na sociedade.</p>



<p>&#8220;Dói ver como algumas pessoas são simplesmente esquecidas e marginalizadas por sua cor de pele e pela idade, como se não servissem mais ao Estado. É doloroso presenciar a relutância de quem vem de fora em pisar em nossas casas. Morando aqui, vejo pessoas constantemente ficarem doentes. E a gente vê que pessoas com mais recursos hesitam em entrar em um lar onde há um enfermo. Julgam a nossa moradia, por mais que sejamos limpos e, quando oferecemos algo, nunca querem nada&#8221;, desabafou.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroGeladeira.jpeg" alt="A foto mostra o interior simples de uma casa com paredes de blocos de concreto aparentes e teto de chapas metálicas; contra a parede há uma geladeira branca elevada sobre um suporte, com sacolas penduradas na porta, e ao lado um televisor transmite um jornal que noticia em português um acidente envolvendo caminhão e trem; abaixo da TV há uma pequena prateleira com objetos variados como um ventilador e um brinquedo de pelúcia, enquanto no chão aparecem uma bacia vermelha cheia de roupas e uma caixa de ferramentas verde; ao fundo, uma cortina vermelha com estampas florais separa o espaço principal de uma área de depósito com prateleiras e recipientes, compondo um ambiente modesto e organizado de forma prática." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">O surrealismo dos móveis suspensos é a cena normal para quem vive em Cajueiro
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>O racismo ambiental presente</strong></h2>



<p>Entender o racismo ambiental ajuda a explicar como as consequências de um mesmo evento podem variar drasticamente conforme o CEP, a cor da pele e os acessos de cada indivíduo. O termo se originou na década de 1980 nos Estados Unidos, por meio de pesquisas realizadas pelo químico Robert Bullard, que percebeu que comunidades brancas eram mais privilegiadas do que as comunidades negras e pobres na forma como o governo norte-americano limpava os aterros de lixos tóxicos e punia os poluidores.</p>



<p>Uma experiência concreta para esse estudo foi em Afton, no Condado de Warren, na Carolina do Norte, em que o fator raça e classe social estavam interligados. Diante de tanta injustiça ambiental, foi a partir dessa pesquisa que o reverendo Benjamin Chavis Jr. cunhou a expressão racismo ambiental. Esse conceito se aplica às regiões brasileiras em que as vulnerabilidades socioambientais estão cada vez mais escancaradas devido à negligência do Estado.</p>



<p>Nas comunidades ribeirinhas do rio Beberibe, esse racismo se concretiza quando o avanço das mudanças climáticas sobressai na parcela da população mais negra da sociedade. Nesse contexto socioambiental, segundo a cientista social, pesquisadora e presidente da Associação Gris, Joice Paixão, a segurança na moradia não é um direito de todos.</p>



<p>&#8220;Nos bairros de classe média, rios são locais de lazer. Já para quem vive nas margens do Beberibe, o rio se transforma em fonte de tragédia. Isso não é culpa da natureza, mas reflexo direto do racismo estrutural e ambiental que molda a cidade. Precisamos de uma governança que coloque os territórios no centro, não só para opinar, mas sim para planejar, executar e avaliar, pois uma política pública que não conversa com a comunidade não funciona&#8221;, afirmou Paixão.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Salve o Beberibe!</h3>



<p>Com o objetivo de denunciar as mazelas que assolam o rio Beberibe, em 2020 surgiu o coletivo Salve o Beberibe. A iniciativa é tocada por nove integrantes e conta com mais de 50 voluntários. Ações de limpeza e o trabalho com o diálogo sobre educação ambiental nas escolas e no território são o carro chefe dessa instituição que atua sem sede e sem fins lucrativos.</p>



<p>O coordenador do projeto e estudante de Ciências Biológicas com ênfase em ciências ambientais, Victor Santana, também entende que a população negra e periférica vive às margens do Beberibe por falta de acesso a oportunidades a lugares melhores e, por consequência disso, são empurradas para áreas vulneráveis devido à especulação imobiliária.</p>



<p>&#8220;As pessoas que residem em áreas mais sensíveis sofrem mais intensamente com enchentes. É muito importante falar também sobre a especulação imobiliária desenfreada, pois quando as cidades crescem, elas crescem, de uma maneira característica aqui e em toda a América Latina, de maneira horizontal, elas crescem em área e crescem em população. Então, conforme as cidades vão crescendo, a pobreza é destinada para a periferia. É tudo proposital&#8221;, afirmou.</p>



<p>Apesar de ser tão degradado, o rio Beberibe já foi fonte de renda e sustentou diversas famílias que moram às suas margens. É por isso que o coletivo leva em consideração que é preciso defender e resistir no território. &#8220;Temos o sentimento de pertencimento por saber que o rio já foi limpo e que sustentou diversas famílias no passado. Apesar de degradado, ainda vemos vidas no rio Beberibe. A gente também enxerga que há a possibilidade de continuar lutando para preservá-lo e reutilizá-lo um dia&#8221;, concluiu.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Conheça mais sobre o Salve Beberibe</strong></li>
</ul>





<ul class="wp-block-list">
<li><strong>O que os órgãos Públicos têm a dizer?</strong></li>
</ul>



<p><strong>Nota da Prefeitura do Recife</strong></p>



<p>A prefeitura informa que captou R$ 57,5 milhões, junto ao Governo Federal, para realizar obras de urbanização nas comunidades vulneráveis do bairro de Cajueiro. Os recursos vêm do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Seleções e o projeto executivo está sendo elaborado. A intervenção inclui ações de Saneamento Integrado e melhoria da mobilidade, com a construção de mais um trecho da via marginal do Rio Beberibe, conectando as partes já existentes e criando uma ligação entre o Arruda e a BR-101.</p>



<p>A Prefeitura do Recife esclarece que, constitucionalmente, rios que têm nascente e foz no território do Estado são de responsabilidade dos governos estaduais, o que restringe a atuação da gestão municipal no tocante à dragagem, alargamento de calha ou de limpeza, enquanto atua diretamente na autuação de ligações clandestinas na rede de esgotamento sanitário na cidade do Recife. O Beberibe nasce no município de Camaragibe, passando ainda pela cidade de Olinda para convergir com o rio Capibaribe na cidade do Recife.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/CajueiroRiacho.jpeg" alt="A foto mostra um canal estreito de água turva que atravessa uma área residencial, ladeado por margens com grama; à esquerda há um muro alto com grafites e casas atrás dele, enquanto à direita aparece uma parede de tijolos com mais residências, algumas com varandas e antenas parabólicas; fios elétricos cruzam o céu parcialmente nublado, onde também se vê uma grande palmeira destacando-se no centro da cena; o reflexo do céu e da vegetação na superfície da água cria um efeito simétrico" class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Coletivos como o Salve Beberibe mobilizam voluntários para reduzir danos das cheias
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<p><strong>Nota do Governo do Estado de Pernambuco</strong></p>



<p>Em nota, o governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado (Seduh), informou que o governo investe R$ 113 milhões nas obras de desassoreamento do Rio Beberibe, em Peixinhos, Olinda. O projeto executivo está em fase final para que a licitação seja aberta. Além disso, o Governo já está realizando obras de saneamento e pavimentação da área.</p>



<p>Essas intervenções são complementares às ações previstas pelo governo do Estado no programa Periferia Viva, do governo federal, uma parceria que prevê investimentos de mais de R$ 291 milhões, sendo R$ 130 milhões do governo do Estado e R$ 161 milhões do governo federal. Essas iniciativas do Estado contribuíram para que o Governo Federal se sentisse motivado a selecionar a iniciativa do Periferia Viva para ser implantada em Pernambuco.</p>



<p>A parceria com o governo federal já garantiu a instalação do Posto Territorial em Peixinhos. O espaço é base das equipes técnicas e ponto de atendimento à população, promovendo diálogo, reuniões e ações para fortalecer a participação comunitária nas melhorias do território.</p>



<p>O trecho do Cajueiro localizado na faixa ribeirinha do Rio Beberibe está inserido na área de intervenção do Periferia Viva. Nas proximidades da Rua Alice Tibiriçá, estão em andamento estudos técnicos para definir as obras necessárias e avaliar possíveis remoções de moradias em áreas de risco ou interferência direta com a intervenção.</p>



<p>Caso haja necessidade de remoção, os moradores impactados serão contemplados com aluguel social e, posteriormente, com unidades habitacionais, conforme as diretrizes do programa. O projeto do Periferia Viva prevê a construção de mais de 1.000 unidades habitacionais que serão destinadas às famílias ribeirinhas da região.</p>



<p>A Seduh reafirma seu compromisso com o desenvolvimento urbano sustentável, a segurança das populações ribeirinhas e a condução de políticas públicas que promovam transformação social com responsabilidade e diálogo.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Carina Barros</strong> é é jornalista pela Universidade Federal de Pernambuco e mestranda em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM/UFPE) com enfoque em jornalismo ambiental, racismo ambiental e análise em cobertura jornalística televisiva e Técnica em Artes Visuais, formada pela Instituição Federal de Pernambuco &#8211; (IFPE)</p>
<p><strong>Esta reportagem foi produzida no âmbito do Programa de Fellowship para Jornalistas Negros e Negras do Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), iniciativa que fortalece a cobertura jornalística antirracista sobre justiça climática e populações negras no Brasil</strong></p>
    </div>



<p></p>
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			</item>
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		<title>Como o Recife transformou o Beberibe em um rio de problemas</title>
		<link>https://marcozero.org/como-o-recife-transformou-o-beberibe-em-um-rio-de-problemas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Feb 2026 21:55:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[rio Beberibe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Carina Barros* Sufocado por construções irregulares, o rio Beberibe, localizado na Região Metropolitana do Recife (RMR), sofre com o abandono histórico e com obras de revitalização que caminham a passos lentos. Se historicamente o rio era a principal fonte de abastecimento de água entre as duas cidades irmãs, Recife e Olinda, hoje o cenário [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Carina Barros*</strong></p>



<p>Sufocado por construções irregulares, o rio Beberibe, localizado na Região Metropolitana do Recife (RMR), sofre com o abandono histórico e com obras de revitalização que caminham a passos lentos. Se historicamente o rio era a principal fonte de abastecimento de água entre as duas cidades irmãs, Recife e Olinda, hoje o cenário da bacia hidrográfica não é nada favorável, pois a poluição, alagamentos, enchentes recorrentes durante períodos de fortes chuvas e a falta de dragagem fazem parte do seu leito.</p>



<p>Esses fatores, em uma cidade que segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ocupa a 16ª entre as mais ameaçadas do mundo pelas alterações clima, só revelam o quanto as populações ribeirinhas e periféricas sofrem com a falta de planejamento urbano que impacta os mais vulneráveis socialmente. Tais problemas acontecem pela ausência de iniciativas de planejamento metropolitano integrado em infraestrutura que estão sendo deixadas de lado na Região Metropolitana do Recife (RMR), principalmente para a população que vive próximo às áreas de rios e morros.</p>



<p>Para o arquiteto e urbanista Fabiano Rocha Diniz, vice-coordenador do Observatório das Metrópoles e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a ocupação urbana ilustra como grande parte do espaço foi preenchida por pessoas de baixa renda, por não terem condições e apoio financeiros para construir moradias em lugares seguros e bem localizados. “Essa ocupação aconteceu sem planejamento, sem saneamento básico, sem ruas calçadas e em áreas bem arriscadas, que sofrem muito com desastres naturais, como as chuvas fortes. Esse problema só piora com a falta de políticas públicas para planejar, controlar e melhorar essas ocupações precárias”, pontuou.</p>



<p>Quando esse processo acontece de forma lenta, fica difícil acompanhar o avanço das obras nos bairros periféricos. O entorno do rio Beberibe é um exemplo do descaso do poder público, em implementar políticas que caminham vagarosamente. E nesse retrato político, quem mais sofre com as enchentes é a população.</p>



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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Beberibe-5-lixo-1024x671.jpeg" alt="A imagem mostra uma área urbana marcada pela pobreza e pela poluição. No fundo, há casas improvisadas feitas de materiais variados como tijolos, madeira e chapas de metal, todas em condições precárias. À frente dessas construções, existe um grande acúmulo de lixo e entulho — móveis quebrados, recipientes plásticos e outros resíduos espalhados pelo chão. Entre esse lixo, dois cavalos estão parados, o que indica que animais domésticos circulam pelo local. No primeiro plano, há um corpo d’água poluído, com lixo boiando e vegetação crescendo nas margens." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Margem olindense no rio Beberibe, no bairro de Peixinhos
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
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<h2 class="wp-block-heading">A Veneza Brasileira no reflexo dos seus rios</h2>



<p>A Veneza Brasileira, como é conhecida a capital pernambucana em razão de seus rios e pontes, esconde os desafios de quem vive em territórios adensados e compostos por morros, que cobrem 67,43% do seu território. Além de ser uma cidade anfíbia que se localiza apenas quatro metros acima do nível do mar, quando o inverno ou qualquer chuva chega na RMR a população fica em estado de alerta para riscos de inundações e deslizamentos de barreiras. E entre tantos rios que cruzam a região metropolitana, o Capibaribe e o Beberibe se encontram, transbordam e refletem diferentes realidades.</p>



<p>O rio Capibaribe, com extensão total com cerca de 280 quilômetros da nascente até a foz, deriva do tupi e significa &#8220;na água de capivara&#8221;, vindo da junção de <em>kapibara</em>, <em>y</em> e <em>pe</em>. A bacia, localizada na cidade do Recife, na zona oeste, banha bairros elitizados da cidade, como Poço da Panela e Casa Forte. Além disso, o rio faz confluência com o Beberibe, que por sua vez também deriva do termo indígena, mas com etimologia incerta, a palavra tem muitos significados, dentre eles, o ‘<em>tupi labebier-y’</em>, que significa ‘rio das raias’.</p>



<p>A bacia hidrográfica do rio Beberibe, localizada na zona norte, tem a nascente em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, formada pela confluência dos rios Pacas e Araçá. Com 23,7 quilômetros de extensão, o Beberibe percorre as cidades vizinhas de Recife e Olinda, incluindo diversos bairros periféricos. No lado recifense estão Campina do Barreto, Porto da Madeira, Beberibe, Dois Unidos e Linha do Tiro. E do lado olindense Águas Compridas, Caixa D’água e Peixinhos. Até desaguar no Oceano Atlântico, por razões diferentes, Beberibe e Capibaribe sofrem assoreamento em diversos pontos em seus leitos.</p>



<p>Enquanto o rio Capibaribe, em suma maioria, conecta uma parte nobre da cidade com bairros que se beneficiam de praças, limpeza urbana, ruas asfaltadas, segurança e iluminação pública. O Beberibe sofre com a ausência de obras de revitalização urbana que se prolongam de um programa para o outro desde a década de 1980.</p>



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                <source media="(max-width: 799px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Beberibe-6-Capibaribe-300x200.jpg">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Beberibe-6-Capibaribe.jpg" alt="A imagem mostra uma área urbana moderna no Recife. Há prédios residenciais altos ao fundo, de aparência recente e cores neutras. Ao lado deles corre o rio Capibaribe, acompanhado por uma calçada para pedestres com grades metálicas de proteção. No primeiro plano, algumas pessoas caminham tranquilamente por essa via, aproveitando o espaço público. À esquerda, um longo muro está coberto por um mural colorido, cheio de desenhos artísticos — figuras de animais e formas abstratas — que dão vida e energia ao ambiente. A presença da água, da vegetação nas margens e da arte urbana cria uma atmosfera agradável, sugerindo que o local foi planejado para ser mais acolhedor e culturalmente vibrante." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">O rio Capibaribe, na altura do bairro das Graças, recebeu investimentos 
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>O rio Beberibe e as políticas públicas</strong></h2>



<p>Desde os séculos XVI e XVII, o rio Beberibe abastecia as áreas vizinhas e servia para suprir as atividades econômicas da região. Seja na produção de açúcar ou no desenvolvimento das áreas urbanas que o rio banhava, ainda, sim, ele era um suporte para que as lavadeiras desempenhassem seu trabalho manual na beira do rio.</p>



<p>Ao longo dos anos, a contaminação desenfreada dessa bacia hidrográfica, devido às construções das indústrias, como a fábrica Minerva, localizada no bairro de Dois Unidos, que despejava dejetos poluentes no curso do rio Beberibe e a ocupação de moradias irregulares por pessoas que não tinham acesso e recurso digno à terra, culminou na poluição do meio ambiente. Assim, o Beberibe foi fruto de muitas investidas do poder público. Desde a década de 1980 até a atualidade, projetos foram elaborados para sanar o problema.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Cronologia das obras públicas no Beberibe</span>

		<p align="justify"><span style="font-size: medium;">Em 1980 a 1990, </span><span style="color: #000080;"><span style="font-size: medium;"><u><a href="https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_16&amp;Pesq=DNOS%20promete%20%E2%80%9Cdomar%E2%80%9D%20rio&amp;pagfis=9269">o projeto elaborado pelo </a><a href="https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_16&amp;Pesq=DNOS%20promete%20%E2%80%9Cdomar%E2%80%9D%20rio&amp;pagfis=9269">Departamento Nacional de Obras de Saneamento </a><a href="https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_16&amp;Pesq=DNOS%20promete%20%E2%80%9Cdomar%E2%80%9D%20rio&amp;pagfis=9269">(DNOS)</a></u></span></span><span style="font-size: medium;">,<!-- A Edição esse Jornal com a marcação verde, está neste link: 
https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_16&amp;Pesq=DNOS%20promete%20%e2%80%9cdomar%e2%80%9d%20rio&amp;pagfis=9269 --> responsável por executar a política nacional de saneamento, tinha o intuito de minimizar os impactos das enchentes para as comunidades que viviam em casas ribeirinhas, realizando a realocação da população para lugares seguros. As informações sobre os investimentos e resultados, durante este período, são escassas, no entanto, em uma matéria divulgada no dia 11 de junho de 1980, no jornal Diario de Pernambuco, consta que o Diretor Regional do DNOS, Engenheiro Walter Luna, afirmava que os investimentos eram de mais de 100 milhões em cruzeiros, sendo dos recursos de Cr$ 48 milhões para dragagem e mais Cr$ 30 milhões para desapropriações, além de Cr$ 30 milhões para o convênio com o Estado e Secretaria de Habitação e mais Cr$ 10 milhões para projetos executivos. Na atualidade, esse valor corresponde em torno de 36 mil reais.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-size: medium;">Nos anos de 1990 a 2012, houve as investidas do Prometrópole, financiado pelo Banco Mundial, e gerido pelo Governo do Estado de Pernambuco, junto com as Prefeituras de Recife e Olinda. Com articulação em 1990 e a implementação em 2003, o Programa de Infraestrutura em Áreas de Baixa Renda da Região Metropolitana do Recife foi responsável por diversas intervenções urbanas nas Unidades de Esgotamento (UEs), que repartiram o território da bacia. De acordo com informações do Governo do Estado, o investimento para esse projeto foi de </span><a href="http://www2.condepefidem.pe.gov.br/web/condepe-fidem/apresentacao11#:~:text=O%20Programa%20de%20Infra%2DEstrutura,e%20com%20diversas%20entidades%20da"><span style="font-size: medium;"><u>US$ 84</u></span></a><span style="font-size: medium;"> <a href="http://www2.condepefidem.pe.gov.br/web/condepe-fidem/apresentacao11#:~:text=O%20Programa%20de%20Infra%2DEstrutura,e%20com%20diversas%20entidades%20da">milhões</a>, quando foi assinado o acordo de empréstimo com o Banco Mundial/BIRD, sendo 55% referentes ao empréstimo e 45% à contrapartida do Governo do Estado de Pernambuco e das duas prefeituras participantes. Esses recursos foram investidos em infraestrutura, urbanização de assentamentos precários, transporte e programa de resíduos sólidos. </span></p>
<p align="justify"><span style="font-size: medium;">Já em 2007, foi lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)</span> <span style="font-size: medium;">pelo Governo Federal, com investimentos em infraestrutura em todas as regiões do Brasil. O projeto se dividiu em duas fases, PAC 1 (2007-2010) e PAC 2 (2011-2014), e conforme o Ministério das Cidades, os lucros investidos foram mais de </span><a href="https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/wp-content/uploads/2019/06/Adauto-CARDOSO-e-Rosana-DENALDI-Urbaniza%C3%A7%C3%A3o-de-favelas-no-Brasil.pdf"><span style="font-size: medium;"><u>600 bilhões</u></span></a><span style="font-size: medium;">. No entanto, ao longo dos anos, crises econômicas e políticas, ocasionadas pelo processo de </span><span style="font-size: medium;"><i>impeachment </i></span><span style="font-size: medium;">da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), eleita democraticamente pela população na época, contribuíram para a descontinuidade do projeto, com cortes no orçamento, atrasos e paralisação das obras. </span></p>
<p align="justify"><span style="font-size: medium;">Apesar desses acontecimentos, na Região Metropolitana do Recife, de acordo com a Secretária de Saneamento da Prefeitura mais de 1.500 unidades habitacionais foram entregues e moradores ribeirinhos dos bairros da bacia do Beberibe, foram beneficiados com moradia, urbanização integrada das favelas com a pavimentação, drenagem, abastecimento de água, iluminação pública, equipamentos comunitários, refinaria multicultural, saneamento integrado e ações de educação sanitária e socioambiental. </span></p>
<p align="justify"><span style="font-size: medium;">Atualmente, o entorno do rio Beberibe conta com investimentos do Programa Periferia Viva, do Governo Federal, que faz parte do Novo PAC. O projeto promete transformar a realidade de comunidades vulneráveis às margens do Beberibe em Recife, promovendo segurança, bem-estar e sustentabilidade. Segundo o Governo do Estado, o valor contabiliza mais de R$ 350 milhões investidos para urbanização, dragagem do rio Beberibe, pavimentação de ruas e entre outras ações. O programa, como todos os outros que já passaram, é mais uma forma de responder problemas crônicos, em que nem sempre a solução surge por completo em territórios que são historicamente desiguais e com alta densidade. </span></p>
<p align="justify"><span style="font-size: medium;">Segundo o pesquisador e assistente social Jorge Gondim, o Beberibe é um exemplo nítido da negação de direitos, marcada pela fragmentação das ações por parte do Governo do Estado e das prefeituras de Recife e Olinda, em sempre elaborar políticas de caráter paliativo. </span></p>
<p align="justify">“<span style="font-size: medium;">Diversos programas já foram implementados na bacia, houve o DNOS, o Prometrópole, o PAC 1 e, posteriormente, o PAC 2, com algumas ações sendo interrompidas. A conjuntura pós-2016, com a desarticulação dos programas habitacionais e de infraestrutura no Brasil, e o esvaziamento do PAC pelo governo Bolsonaro a partir de 2018, agravaram um processo já historicamente moroso, levando à total dissolução dos esforços. E a população é quem sofre diretamente as consequências da ineficácia dessas ações, o que gera por parte dos moradores uma profunda incredulidade. Essa sensação de abandono reflete na necropolítica e na expressão concreta do racismo ambiental”, afirmou. </span></p>
	</div>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Beberibe-7-antiga-1024x636.jpeg" alt="A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas às margens de um rio ou riacho, cercado por vegetação densa e árvores altas, incluindo palmeiras. A cena é em preto e branco, o que transmite uma sensação de registro histórico. A maioria das pessoas são mulheres, que estão lavando roupas de forma tradicional: algumas esfregam peças sobre pedras, outras enxaguam diretamente na água, enquanto algumas apenas observam ou descansam próximas. O ambiente é rural e transmite a ideia de uma atividade comunitária, onde o trabalho doméstico se mistura com convivência social em meio à natureza." class="w-100" loading="lazy" >
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	                                        <p class="m-0">Lavadeiras no Beberibe em Peixinhos, Olinda, em 1927
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Manoel Tondella/Acervo Fundaj</span>
                                    </figcaption>
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<h3 class="wp-block-heading">Racismo ambiental e vulnerabilidade</h3>



<p>O termo racismo ambiental surgiu nos Estados Unidos (EUA) na década de 1980, entre lutas de caráter social, territorial, ambiental e de direitos civis. O pesquisador Benjamin Franklin Chavis Jr notou que comunidades negras, periféricas e pobres que viviam em Afton, no Condado de Warren, na Carolina do Norte, eram desproporcionalmente afetadas pela contaminação de lixos tóxicos e pelo estresse climático, o que, ao longo do tempo, se configura nessa forma de racismo. O conceito é pensado e adaptado por vários pesquisadores no Brasil, que percebem em cada região as consequências do racismo ambiental.</p>



<p>No Recife, por exemplo, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do censo de 2022, apontam que a capital pernambucana se destaca por ter a sexta maior população preta em números absolutos entre as cidades brasileiras, tendo 1.488.920 habitantes, sendo 12,3% (182.546) pretos, 48,5% (722.555) pardos, 38,8% (578.413) brancos, 0,2% (2.703) amarelos e 0,2% (2.656) são indígenas. Há ainda 47 pessoas com cor/raça ignorada.</p>



<p>A composição racial da Região Metropolitana do Recife também reflete sobre o território adensado que, durante períodos de chuvas intensas, as vulnerabilidades socioambientais se destacam de maneira distinta em cada grupo social. Segundo a Advogada, Ativista Socioambiental e Pesquisadora de Resiliência Urbana, Camila Silva, esse racismo é resultado do processo de urbanização brasileira. “O racismo ambiental muitas vezes surge da falta de políticas habitacionais e ambientais. Acredito que, para combater o racismo ambiental, é preciso ajustar as políticas habitacionais locais para garantir moradia segura para todos, especialmente longe de áreas propensas a alagamentos e deslizamentos de terra”, disse.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A dor que não tem nome, mas tem cor</strong></h3>



<p>O cenário da tragédia de 2022, na Região Metropolitana do Recife, em que 134 pessoas morreram por enchentes e deslizamentos de barreiras e mais de 120 mil ficaram desabrigadas ou desalojadas, ainda não saiu da cabeça dos moradores que vivem em situação de vulnerabilidade. O desastre socioambiental atingiu em grande proporção os municípios de Camaragibe, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, e se tornou a maior catástrofe do século XXI, superando eventos climáticos anteriores como as enchentes de 1966 e 1975.</p>



<p>Essa tragédia provocada pelas fortes chuvas, deixou feridas que nem o tempo consegue cicatrizar por completo e o medo da chuva acompanha a rotina daqueles que tiveram a casa coberta pela lama. Segundo Allana Santos, de 21 anos, residente no bairro de Dois Unidos, em Recife, o trauma desse desastre foi tão grande que, hoje, a <em>social media</em> e sua família ainda não conseguiram voltar para casa. Além da moradia, que está em reforma, atualmente, ela e os parentes moram em uma casa alugada no mesmo bairro, mas não vê a hora de voltar para o lugar em que cresceu e construiu memórias afetivas.</p>



<p>“Nas chuvas de 2022, perdemos tudo. Realmente, a casa ficou em uma situação inexplicável e, então, fomos morar próximo de familiares, foi quando decidimos reformar a nossa casa, porque até então achávamos que podíamos lavar como sempre e voltar, mas dessa vez não foi possível”, contou.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 ">
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                <source media="(min-width: 800px)" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Beberibe-8-Allana.jpeg">
                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Beberibe-8-Allana.jpeg" alt="A imagem de Allana Santos mostra uma jovem de cabelos cacheados, vestindo camiseta escura e calça jeans, em pé no vão de uma porta. Ela apoia as mãos no cós da calça, transmitindo uma postura firme e confiante. O prédio onde está é antigo e desgastado: as paredes têm tijolos e concreto expostos, com sinais claros de deterioração. O interior atrás dela é escuro e parece abandonado, com estruturas como vigas e talvez uma escada visíveis na penumbra. O contraste entre a presença da pessoa e o ambiente em ruínas sugere força e resistência." class="w-100" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Allana Santos desabafa: &#8220;Não dá para ficar nessa situação a vida toda, todos os anos é assim”.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Carina Barros</span>
                                    </figcaption>
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<p>Allana lembra que o governo já fez promessas de que iria passar uma pista próximo à área em que ela morava com a família e que não podia fazer reforma no terreno. Mas, entre tantas promessas, nada foi realizado e a esperança foi sendo deixada de lado a partir do momento em que ela e a família tiveram que se movimentar para realizar reparos no imóvel. “Além de termos perdido a maioria dos móveis em casa, graças a Deus ficamos com saúde, mas não temos esperança de que os órgãos públicos olhem para cá. Já fui atrás de representantes dos bairros, mas sempre fica nesse enigma, de um jogar para o outro e ninguém faz nada. E o resultado disso tudo é que as pessoas da comunidade ficam mais esquecidas e empobrecidas, pois a verba não chega”, finalizou.</p>



<p>Para Benedito da Silva, de 72 anos, morador do bairro Porto da Madeira, o problema sempre se repete. O técnico de mecânica aposentado mora em uma casa com rua asfaltada que termina no rio Beberibe e onde os alagamentos são recorrentes. Quando chove muito, o estresse e a ansiedade não deixam ele dormir. Esses medos rondam o morador há 35 anos.</p>



<p>Com essa problemática, Benedito teve que abandonar a parte de baixo da casa e construir um primeiro andar para morar com a esposa, pois se tornou difícil vender o imóvel em uma área tão fragilizada pelas enchentes. “No momento, eu não tenho condição de sair daqui, vou deixar um patrimônio desse para vender barato? Não tenho condições. Gostaria muito que os órgãos públicos construíssem um muro de arrimo próximo ao rio, daí salvava a gente”, desabafa.</p>



<p>Segundo Maria das Graças, de 50 anos, vizinha de Benedito, quanto mais o tempo passa, mais os traumas se acumulam. A supervisora de obras em parques solares mora desde os 45 anos no bairro, em um terreno que possui três casas e um salão. Quando chove muito, todo o local alaga, como a casa dela é mais aterrada, não entra água. A última vez que chegou a entrar foi em 2022 em que Graça acompanhou de perto a enchente e o sofrimento dos moradores. “Já chorei muito em alguns momentos por conta do sofrimento da minha mãe, há dois anos ela faleceu e só está acumulando os traumas”, conta.</p>



<p>Com os problemas dos alagamentos constantes, ela não consegue alugar a casa e continua fechada. O desejo da moradora é que o governo faça mais melhorias para a população que sofre com esses problemas históricos. “Estamos cansados, já. Gostaria muito que o Governo do Estado realizasse um trabalho voltado para a limpeza do rio e educação ambiental para a própria população não fazer descarte irregular do lixo. Um mutirão uma vez na semana resolveria esse problema, com certeza”, disse.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>O que o Governo de Pernambuco tem a dizer?</strong></li>
</ul>



<p>&#8220;O Governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado (Seduh), investe R$ 113 milhões nas obras de desassoreamento do Rio Beberibe, em Peixinhos, Olinda. O projeto executivo está em fase final para que a licitação seja aberta. Além disso, o Governo já está realizando obras de saneamento e pavimentação da área.</p>



<p>Essas intervenções são complementares às ações previstas pelo governo do Estado no programa Periferia Viva, do governo federal, uma parceria que prevê investimentos de mais de R$ 291 milhões, sendo R$ 130 milhões do governo do Estado e R$ 161 milhões do governo federal. Essas iniciativas do Estado contribuíram para que o Governo Federal se sentisse motivado a selecionar a iniciativa do Periferia Viva para ser implantada em Pernambuco.</p>



<p>A parceria com o governo federal já garantiu a instalação do Posto Territorial em Peixinhos. O espaço é base das equipes técnicas e ponto de atendimento à população, promovendo diálogo, reuniões e ações para fortalecer a participação comunitária nas melhorias do território.</p>



<p>Atualmente o governo do Estado investe com recursos próprios R$ 26,7 milhões na implantação do sistema de esgotamento sanitário e pavimentação de ruas em comunidades ribeirinhas de Peixinhos. Estão sendo implementadas estações elevatórias, redes coletoras, ramais de ligação e grandes tubulações nas unidades de esgotamentos UE 11 (Peixinhos/ Azeitona, Vila das Mulheres Pedreiras e entre outras) e na UE 12 (Peixinhos/ Cabo Gato, Giriquiti e Condor), ambas localizadas na região da bacia do rio Beberibe e situada no bairro de Peixinhos, Olinda.</p>



<p>A implantação do sistema de esgotamento sanitário vai beneficiar 7.500 famílias e a pavimentação vai melhorar a mobilidade do bairro, que serve de importante interligação de transportes entre Olinda e Recife. O sistema de esgoto terá extensão total de 21 quilômetros, permitindo o saneamento de 20 ruas na UE 11 e outras 67 na UE 12, que também terá cinco ruas pavimentadas totalizando 1.952 metros de obras.</p>



<p>A verba que está sendo investida no esgotamento sanitário da região foi recuperada pela atual gestão do Estado junto à Caixa Econômica. O dinheiro estava parado, sem uso, e a Caixa já havia solicitado sua devolução por não haver sido aplicado.</p>



<p>O Estado também está tocando na região a modalidade Reforma no Lar do Morar Bem PE, primeiro programa de habitação de interesse social de Pernambuco. Atualmente, foram concluídas as primeiras 202 casas, de 600 programadas para a primeira etapa, estão sendo beneficiadas com reformas de R$ 18 mil por residência pagas com recursos estaduais.</p>



<p>Através da Pernambuco Participações (Perpart), empresa vinculada à Seduh, o Estado iniciou o processo de regularização fundiária em Peixinhos, onde estão localizadas 1.732 unidades habitacionais, com área de 42 hectares. Na primeira etapa, foram realizados serviços de engenharia, como o levantamento topográfico, além do cadastro da documentação de 230 famílias, com previsão de entrega dos primeiros títulos até junho de 2026.</p>



<p>O traçado atual do Programa Periferia Viva abrange o trecho entre a avenida Cidade de Monteiro e a foz do rio Beberibe, totalizando aproximadamente 5,6 quilômetros de margens requalificadas. Ainda que não contemplasse diretamente a Av. Hildebrando de Vasconcelos, em Dois Unidos, o programa poderá gerar benefícios indiretos à região por meio da requalificação urbana e ambiental do entorno&#8221;.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Carina Barros</strong> é é jornalista pela Universidade Federal de Pernambuco e mestranda em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM/UFPE) com enfoque em jornalismo ambiental, racismo ambiental e análise em cobertura jornalística televisiva e Técnica em Artes Visuais, formada pela Instituição Federal de Pernambuco &#8211; (IFPE)</p>
<p><strong>Esta reportagem foi produzida no âmbito do Programa de Fellowship para Jornalistas Negros e Negras do Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), iniciativa que fortalece a cobertura jornalística antirracista sobre justiça climática e populações negras no Brasil</strong></p>
    </div>
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		<title>Urbanistas apontam erros de projeto em parque alagável às margens do rio Tejipió</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jul 2024 09:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[parque alagável]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao tomar como referências projetos urbanísticos de cidades da China, Estados Unidos e Chile, a Prefeitura do Recife planeja inaugurar nos próximos meses o primeiro parque alagável da capital pernambucana. O parque faz parte do projeto de urbanização das margens do rio Tejipió e deve ser entregue no segundo semestre deste ano. Em visita às [&#8230;]</p>
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<p>Ao tomar como referências projetos urbanísticos de cidades da China, Estados Unidos e Chile, a Prefeitura do Recife planeja inaugurar nos próximos meses o primeiro parque alagável da capital pernambucana. O parque faz parte do projeto de urbanização das margens do rio Tejipió e deve ser entregue no segundo semestre deste ano.</p>



<p>Em visita às obras do parque, localizado no bairro do IPSEP, no dia 18 de junho, técnicos da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), acompanhados por representantes da rede de pesquisa Inciti &#8211; Pesquisa e Inovação para as Cidades, de comunidades ribeirinhas e ativistas ambientais, puderam tirar dúvidas sobre a execução do projeto com funcionários da Autarquia de Urbanização do Recife (URB).</p>



<p>A visitação fez parte das atividades do seminário &#8220;Soluções e Inovações para Comunidades Ribeirinhas do Recife&#8221;, da Fase em parceria com a UFPE e a Secretaria Nacional das Periferias, vinculada ao ministério das Cidades.</p>



<p>A interação entre o engenheiro responsável pela obra e os urbanistas teve momentos constrangedores.</p>



<p>Logo na chegada ao local houve questionamentos sobre os cálculos utilizados pelos engenheiros para delimitar em qual nível o rio pode chegar em caso de cheia e enchentes. De acordo com o engenheiro da obra e funcionário da <a href="https://urb.recife.pe.gov.br/a-urb/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">URB</a>, Antônio Teixeira, foi considerada a medida de 2,70 m, que é a cota mais alta da maré registrada no último ano. </p>



<p>Procuramos a URB para conferir se a informação repassada pelo engenheiro estava correta, mas até o fechamento da matéria não obtivemos resposta.</p>



<p>Ou seja, apenas a alta da maré integraram os cálculos, o grande volume de chuvas não foi considerado. De acordo com Ana Raquel Meneses, arquiteta, urbanista e pesquisadora do Inciti, esse erro pode resultar em graves consequências para as comunidades ribeirinhas: “é um projeto que foi feito para atender uma situação atual, mas que não foi embasado em cálculos da dimensão do volume de água, foi de observação só, então não tem uma base de cálculos segura para saber se o projeto realmente vai dar conta do que precisa. É um investimento que tende a ficar obsoleto logo”.</p>





<h2 class="wp-block-heading" style="text-transform:none">Um engenheiro otimista</h2>



<p>“A gente tem um grande volume de água de chuvas e a gente sabe que com as mudanças climáticas isso tende a crescer, com esse volume de eventos climáticos, a intensidade deles, mas o projeto não previu isso. Então, se as expectativas se realizarem, esse projeto não vai atender à demanda que teremos daqui a dois, cinco anos, a gente vai ter que rever de novo”, concluiu a arquiteta.</p>



<p>Ao ouvir os questionamentos de Ana Raquel, o engenheiro da URB hesitou em responder e tentou argumentar dizendo que é preciso ser mais otimista. “Vocês estão muito pessimistas”, diz Antônio Teixeira ao grupo que realiza a visita ao parque. “Este é um projeto que só terá efeito junto com outras ações como o processo de dragagem do rio. O principal objetivo é dar vida útil ao local e evitar que a comunidade invada e ocupe novamente essa área que já tem um histórico de alagamento”, afirmou Teixeira.</p>



<p>Para o arquiteto, urbanista e educador social da Fase, André Araripe, falta embasamento de estudos com dados atualizados sobre os impactos das mudanças climáticas na construção do parque: “a gente tem um programa importante para a cidade, que é o <a href="https://promorar.recife.pe.gov.br/">Promorar</a>, que está realizando diversos estudos, inclusive estudos hidrológicos aqui da bacia do rio Tejipió e traz cálculos das marés com projeções futuras, casando isso com precipitações mais severas de chuva. É fundamental que essas informações façam parte dos projetos de urbanização do Recife, mas parece que falta uma comunicação entre os órgãos municipais”.</p>



<h3 class="wp-block-heading" style="text-transform:none">No papel, um projeto ousado</h3>



<p>O parque alagável é um projeto urbano que está em consonância com as diretrizes das cidades-esponja, uma iniciativa de adaptação climática voltada para a gestão de águas pluviais e fluviais fortalecendo a infraestrutura ecológica e os sistemas de drenagem.</p>



<p>O projeto do parque alagável apresentado pela prefeitura prevê a absorção da água da chuva retendo, liberando, filtrando e liberando-a lentamente. Desse modo, o escoamento da água acontece em uma velocidade menor e assim o sistema de drenagem ganha tempo para receber o volume de água gradualmente.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>A cidade-esponja é uma cidade que tem a capacidade de integrar a gestão da água urbana nas políticas e projetos de planejamento urbano, com iniciativas projetadas para absorver um grande volume de água.</p>
        </div>
    </div>



<p>Para isso, as obras devem ser realizadas com materiais de cobertura de solo resistentes e adaptáveis à água. Além disso, devem ser utilizadas espécies de plantas adequadas para funcionar como barreira ripária em inserções de grandes áreas de solo natural. O projeto da PCR prevê ainda a instalação de vários equipamentos para uso da comunidade no parque alagável, são eles: pista de cooper; área com mesas de jogos; playground; academia; mini-campo; áreas de convivência e área para piquenique.</p>



<p>A ideia é que o parque tenha total funcionalidade em períodos de chuvas amenas e escassas.</p>



<p>Moradora do bairro do IPSEP há 30 anos, Ana Maria Silva, está confiante na melhoria que o projeto pode trazer para a comunidade, mas afirma estar mais interessada na dragagem e para conter o avanço das águas do que com o parque em si. “Ainda não tiveram chuvas tão fortes quanto aquelas [de maio de 2022], né? Por isso não alagou ainda, mas nesses dias choveu aqui e encheu tudo, o rio subiu, e eu fiquei com medo que invadisse minha casa de novo”. A moradora perdeu todos os móveis na enchente de 2022.</p>



<p>No local das obras, é possível encontrar telas de contenção para lixo, arrimo de rachão telado e contenções de gabião e de alvenaria estrutural, em torno do rio. Arrimo de rachão e contenção de gabião, apesar dos nomes bem diferentes, são dois tipos de muros de arrimo. A instalação das estruturas dos equipamentos do parque ainda estão em fase inicial e o local tem um solo batido.</p>



<p>De acordo com a URB, o parque será coberto por um concreto poroso o que garanta a efetividade do projeto da cidade-esponja. Contudo, a arquiteta Ana Raquel Meneses contesta a efetividade do material a longo prazo: “esse concreto poroso entope fácil com a sujeira, até com a poluição difusa que vem da areia ele entope, então ele perde essa característica porosa com um pouquinho mais de uso. E se tiver alagamento, vai se perder ainda mais rápido, e a manutenção desse solo não está prevista ainda no pacote de obras. A própria URB diz que deve ser a Emlurb a realizar essa manutenção, mas não há nada certo ainda”.</p>





<p>Oo parque alagável vai ocupar uma área de 3,9 mil metros quadrados e incluem ainda o alargamento da calha e a pavimentação da rua Vitória da Conquista. De acordo com a PCR, a obra custará R$ 2,4 milhões. A gestão municipal afirmou que já alargou esse trecho do Tejipió &#8211; no bairro do IPSEP &#8211; de 10 para 30 metros, com a desapropriação de cerca de 100 imóveis que estavam situados às margens do rio.</p>



<p>“Outras intervenções na bacia do rio Tejipió já estão com licitações em andamento, no âmbito do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental (ProMorar), maior projeto de requalificação urbana e social da cidade. Em 2024, serão investidos cerca de R$ 40 milhões para obras de alargamento e dragagem do rio, construção de reservatórios e outro parque alagável para acumular as águas fluviais no período de chuvas fortes. Ao longo dos seis anos do programa ProMorar, estão previstos investimentos de R$ 500 milhões na bacia”, declarou a Prefeitura do Recife em nota enviada à Marco Zero.</p>



<p>Para André Araripe, além de amenizar os impactos das enchentes, a PCR deve se preocupar em realizar desapropriações de forma segura para os moradores de comunidades ribeirinhas. Questionamos a URB sobre os valores das desapropriações que ocorreram no entorno do rio Tejipió, de acordo com a gestão municipal, “cada imóvel foi avaliado individualmente e recebeu um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores”.</p>
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		<title>Bolsonaro mentiu ao prometer enviar para Pernambuco R$ 1 bilhão que nem existe no orçamento</title>
		<link>https://marcozero.org/bolsonaro-mentiu-ao-prometer-enviar-para-pernambuco-r-1-bilhao-que-o-governo-federal-nao-tem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jun 2022 21:37:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direito à Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsonaro mente]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[mentiras de Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[mortes nos morros]]></category>
		<category><![CDATA[R$ 1 bilhão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>*com colaboração de Maria Carolina Santos No dia 18 de fevereiro, Bolsonaro foi até a região serrana do Rio de Janeiro para sobrevoar Petrópolis devastada pela lama e anunciar que iria liberar R$ 1 bilhão para serem usados nas obras de recuperação da cidade ou no atendimento aos desabrigados. Esta semana, ele repetiu a programação [&#8230;]</p>
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<p><strong>*com colaboração de Maria Carolina Santos</strong></p>



<p>No dia 18 de fevereiro, Bolsonaro foi até a região serrana do Rio de Janeiro para sobrevoar Petrópolis devastada pela lama e anunciar que iria liberar R$ 1 bilhão para serem usados nas obras de recuperação da cidade ou no atendimento aos desabrigados. Esta semana, ele repetiu a programação sobrevoando Recife e Jaboatão, anunciando também R$ 1 bilhão para Pernambuco. Logo, os perfis e os políticos bolsonaristas celebraram, pegando carona no anúncio do presidente da República.</p>



<p>Infelizmente, trata-se de mais uma mentira de Jair Bolsonaro. Ou melhor, mais duas: a que ele contou em Petrópolis e a de Jaboatão.</p>



<p>A primeira dúvida a respeito do suposto bilhão de reais foi levantada no perfil no Twitter do advogado recifense Gabriel Maciel, especialista em licitações e contratos públicos. Ainda na tarde de 30 de maio, ele questionou: “Bolsonaro anunciou ontem um bilhão em recursos federais para atender às vítimas da situação emergencial em Pernambuco. Será mesmo?” Na sequência, o próprio autor do post responde.</p>



<p>Mais cuidadoso do que o presidente, Maciel recorreu a textos publicados em sites do próprio Governo Federal para embasar sua argumentação. No mesmo dia da vinda de Bolsonaro à Região Metropolitana do Recife, <a href="https://www.gov.br/mdr/pt-br/noticias/governo-federal-faz-sobrevoo-e-anuncia-acoes-em-cidades-atingidas-pelas-chuvas-em-pernambuco">o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) publicou</a>: “&#8230;o ministro Daniel Ferreira destacou que o Ministério do Desenvolvimento Regional conta com cerca de R$ 1 bilhão destinados a ações de defesa civil. Esse montante ficará disponível durante todo o ano de 2022 para todas as áreas do País que sofrerem prejuízos”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://twitter.com/GMFontes/status/1531466928899883015?s=20&#038;t=byxN7e3gxalCDS72-PJ50g
</div></figure>



<p>Com a colaboração da assessoria da liderança do Partido Socialista Brasileiro (PSB) na Câmara Federal, confirmamos que as postagens de Gabriel Maciel estão corretas: não existe R$ 1 bilhão à disposição do governo estadual ou das prefeituras pernambucanas.</p>



<p>O dinheiro que existe para ações de Defesa Civil são créditos extraordinários estabelecidos por duas medidas provisórias, as de números 1.096 e 1.102, publicadas respectivamente em 20 de janeiro e 24 de fevereiro deste ano. A primeira autorizou o governo a usar R$ 550 milhões com esse objetivo, enquanto a segunda libera mais de R$ 479 milhões. Total: pouco menos do que R$ 1 bilhão e 30 milhões para serem usadas em todos os 27 estados durante 2022 inteiro. Assim como havia explicado o ministro Daniel Ferreira.</p>



<p>Ser autorizado a gastar é uma coisa, realmente usar o dinheiro é outra. Até o último dia de maio, sempre de acordo com as planilhas repassadas pela liderança do PSB, o governo havia pago R$ 134 milhões previstos pela MP 1.096 (aproximadamente 24,4%) e apenas R$ 543 mil (ou 0,11%) da segunda MP.</p>



<p>E nenhum real desses que foram usados teve Pernambuco como destino. Até agora, 22 estados já foram beneficiados com uma parte desses R$ 1 bilhão: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Bolsonaristas repetiram mentira imediatamente</h2>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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	                </figure>

	


<p>Nas redes bolsonaristas, o R$ 1 bilhão foi vendido como um trunfo do presidente. No canal do telegram, a intenção foi comunicar que o valor todo era para a tragédia na Região Metropolitana do Recife. No domingo, quando sobrevoou a região, o canal oficial do presidente postou que &#8220;mantemos hoje R$ 1 bilhão disponíveis para ações de socorro, assistência e restabelecimento de serviços essenciais, e que ainda podem ser usados na reconstrução de casas destruídas em razão das chuvas e infraestruturas públicas&#8221;, em meio um texto com vários pontos de ações no estado.</p>



<p>No canal do filho e senador Flávio Bolsonaro um ataque à imprensa colocava o R$ 1 bilhão como a informação mais importante da visita de Bolsonaro, dada pela Jovem Pan, em contraponto a chamada do G1, da Globo.</p>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Menos recursos para habitação, mais mortes</strong></h3>



<p>Os dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Governo Federal <a href="https://www.siop.planejamento.gov.br/">(SIOP)</a> ajudam a dimensionar a responsabilidade do Governo Federal nos episódios de desastres naturais que terminam em centenas de mortes, como aconteceu este ano em Minas Gerais, na Bahia, em Petrópolis e na Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>Se em 2014, ao final do primeiro mandato de Dilma Rousseff, o Governo Federal investiu mais de R$ 11 bilhões no programa Minha Casa Minha Vida, quatro anos depois, com Michel Temer, esse valor caiu para 1/3. No ano passado, com Bolsonaro, o total executado do programa Casa Verde Amarela chegou a apenas R$ 310 milhões. Ou seja: em 2021, o Brasil investiu em moradia para os mais vulneráveis apenas 3% do que foi pago sete anos antes.</p>





<p>Os gastos do MDR com Gestão de Riscos e Resposta a Desastres também caíram significativamente desde 2014, quando a presidenta Dilma Rousseff destinou R$ 1,7 bilhão para essa finalidade. Sob Temer, esse montante caiu praticamente pela metade. Em 2021, foram pagos R$ 747 milhões para as ações de defesa civil e prevenção de riscos, incluindo despesas do ano anterior.</p>





<p><em><strong>A foto desta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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		<title>Comunidade do Sapo Nu, Curado: “Aqui nós fomos os bombeiros”</title>
		<link>https://marcozero.org/comunidade-do-sapo-nu-curado-aqui-nos-fomos-os-bombeiros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laércio Portela]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jun 2022 16:02:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[alagamento]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas recife]]></category>
		<category><![CDATA[comunidade Sapo Nu]]></category>
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		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[moradia]]></category>
		<category><![CDATA[rio tijipió]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A água subiu rápido, muito rápido e a correnteza veio forte. Acostumados com as inundações, os moradores da comunidade do Sapo Nu, no Curado, não imaginavam que essa seria a pior de todas. O rio Tejipió – que corta a região &#8211; transbordou e as águas avançaram sem obstáculos sobre as casas na madrugada do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A água subiu rápido, muito rápido e a correnteza veio forte. Acostumados com as inundações, os moradores da comunidade do Sapo Nu, no Curado, não imaginavam que essa seria a pior de todas. O rio Tejipió – que corta a região &#8211; transbordou e as águas avançaram sem obstáculos sobre as casas na madrugada do sábado (28). Apesar dos apelos por telefone, o socorro dos bombeiros e da defesa civil não chegou e os vizinhos precisaram improvisar os mais diversos meios para salvar vidas numa situação de caos.</p>



<p>“Aqui nós mesmos fomos os bombeiros”, relata o office boy Fernando da Silva, 33 anos, morador da Colina, um morro ao lado do Sapu Nu. Ele dormia na casa da sogra na área de baixo e, diante do desespero dos moradores, se juntou a outros jovens para resgatar dezenas de pessoas, muitas crianças e idosos, que estavam ilhadas nas suas residências há muitas horas temendo pelo pior. Precisaram agir por conta própria para evitar uma tragédia.</p>



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<p>Na quarta-feira à tarde (1), uma equipe da <strong>Marco Zero Conteúdo</strong> visitou a comunidade. Passados cinco dias da enchente, o cenário de devastação ainda está por toda parte. Na lama acumulada, nos móveis destroçados, nas roupas, livros, brinquedos, colchões e eletrodomésticos inutilizados se avolumando do lado de fora das casas. Mas especialmente na memória de cada família. Mães, pais, avós e avôs que zelaram para que os filhos, filhas, netos e netas não fossem arrastados pela correnteza.</p>



<p>O mutirão salvou a vida de famílias como a do motorista Martinélio Anaíldo da Silva, 47. Ele, a esposa Rafaela e os filhos Adriele e Lucas, de 21 e 15 anos, ficaram de 3h da madrugada até 17h30 dentro da casa inundada. Na residência da frente, a auxiliar administrativa Lauriene Rodrigues da Silva, 40, temeu pela vida da filha Isadora, de oito anos. O marido, Cristiano, quebrou a telha para a família se refugiar no telhado ao lado da caixa dágua, onde ficaram por quatro horas até a ajuda chegar.</p>



<p>Do alto de sua casa, na Rua Camponesa, Lauriene, Cristiano e Isadora viram as famílias de Martinélio e das residências vizinhas de Tiago, Gilma e Deusaura serem salvas num bote improvisado com um grande isopor e cordas. Em outros lugares da comunidade, o socorro chegou de jangada e até em portas de geladeiras. Apesar de toda destruição e da força das águas do rio Tejipió, não houve vítimas fatais.</p>



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<p>Muito moradores, no entanto, estão de luto pela morte de parentes em outras regiões de moradia precária do Grande Recife atingidas pelas fortes chuvas dos últimos dias. Marceneiro, serralheiro e soldador, Leandro Alves, 43 anos, perdeu o neto de apenas 10 meses de vida quando a casa onde sua filha Letícia, 17, e o marido viviam no Ibura foi atingida por um deslizamento de barreiras. Desde então, ele acolheu a filha no Sapo Nu.</p>



<p>Nesta quarta (1), Leandro reclamava da falta de apoio dos órgãos públicos no socorro às vítimas da enchente na comunidade. “Nem Bombeiros, nem Celpe, nem Exército, nem Marinha, nem Defesa Civil apareceram por aqui”. Agora, ele pede caminhões para levar os destroços que tomam as ruas. “Imagine se acontece uma nova enchente com todo esse entulho por aí”. Na rua ao lado, a primeira equipe da Prefeitura do Recife começava a trabalhar na desobstrução dos caminhos com um trator.</p>



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<p>Por toda parte percebia-se um certo sentimento de revolta pela indiferença do poder público e da imprensa. “Vocês são os primeiros que chegam por aqui.”, foi um comentário frequente enquanto a equipe da MZ circulava pelas ruas enlameadas da comunidade.</p>



<p>Essa invisibilização machuca, mas não paralisa os moradores de Sapo Nu. Na terça (31), um grupo deles bloqueou a pista da BR-232 para exigir o religamento da energia de algumas ruas que estavam sem luz desde o sábado. O protesto foi desmobilizado pela Polícia Rodoviária Federal, mas surtiu efeito e a Celpe fez o religamento.</p>



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	                                        <p class="m-0">Gilma José Rodrigues mora sozinha à beira do rio Tejipió e precisou da ajuda dos vizinhos para ser socorrida num bote feito de isopor e cordas. Crédito: Arnaldo Sete</p>
	                
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<p>O companheirismo que salvou vidas no sábado continua fazendo a diferença para a reconstrução de Sapo Nu. Em cada esquina é possível ver o apoio de amigos e vizinhos na limpeza compartilhada das casas e na ajuda para o transporte dos objetos e móveis que restaram. A atuação de coletivos periféricos e de jovens ativistas tem garantido a segurança alimentar e a proteção de muita gente que perdeu todos os bens materiais.</p>



<p>Uma dessas pessoas que não tem medido esforços para ajudar é a estudante de ciências sociais da UFPE, Judy Maria de Amorim, 23, cuja família foi diretamente afetada pela inundação em Sapo Nu. Ela e um grupo de amigas vêm se dedicando desde o fim de semana a organizar o recebimento e entrega de doações de alimentos, roupas e materiais de higiene aos moradores mais atingidos. “A situação é muito grave. Temos que fazer a nossa parte”, explica.</p>



<p>Esse pequeno relato das histórias vividas em Sapo Nu deve muito a Judy, que foi nossa guia pela comunidade.</p>



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<p><strong>COMO AJUDAR OS MORADORES DE SAPO NU</strong> <strong>E OUTRAS COMUNIDADES PRÓXIMAS</strong></p>



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<p>Pix:  judyamorim1@gmail.com  JUDY MARIA DE AMORIM</p>



<p>Endereço: MERCEARIA DO VAVÁ, NO FINAL DA RUA THOMAZ LIMA, COMUNIDADE DO SAPO NU, CURADO</p>



<p>Tipo de doações necessárias: ALIMENTOS NÃO PERECÍVEIS, COLCHÕES, ÁGUA, PRODUTOS DE HIGIENE E LIMPEZA, FRALDAS, ABSORVENTES, LENÇÓIS E AGASALHOS.</p>



<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>



<p>Pix: 133.520.574-86 BRUNA ALVES DE LIMA (Coletivos <strong>@perifericas e @espacoculturaldasmarias</strong>)</p>



<p>Endereço: RUA QUARENTA E NOVE, 40, ZUMBI DO PACHECO</p>



<p>Tipo de doações necessárias: ALIMENTOS NÃO PERECÍVEIS, COLCHÕES, ÁGUA, PRODUTOS DE HIGIENE E LIMPEZA, FRALDAS, ABSORVENTES, LENÇÓIS E AGASALHOS.</p>



<p><em><strong>As imagens desta reportagem foram produzidas com apoio do <a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do <a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
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]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Petróleo, pandemia e, agora, enchente: a vida dos pescadores artesanais está cada vez mais difícil</title>
		<link>https://marcozero.org/petroleo-pandemia-e-agora-enchente-a-vida-dos-pescadores-artesanais-esta-cada-vez-mais-dificil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jun 2022 14:57:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[caranguejos mortos]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas no recife]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[goiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As fortes chuvas que atingiram Pernambuco no último fim de semana também impactaram comunidades tradicionais pesqueiras. De acordo com o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), devido às enchentes provocadas pelo grande volume de chuvas, famílias inteiras que vivem da pesca artesanal tiveram suas casas alagadas e estão desabrigadas.A preocupação agora é também com o pós-desastre, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As <a href="https://marcozero.org/somente-as-chuvas-nao-explicam-mortes-nos-morros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fortes chuvas</a> que atingiram Pernambuco no último fim de semana também impactaram comunidades tradicionais pesqueiras. De acordo com o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), devido às enchentes provocadas pelo grande volume de chuvas, famílias inteiras que vivem da pesca artesanal tiveram suas casas alagadas e estão desabrigadas.A preocupação agora é também com o pós-desastre, porque, além da perda de embarcações e materiais de trabalho, a lama compromete a pesca e a coleta dos mariscos e crustáceos. </p>



<p>O buraco dos caranguejos está tomado pela lama em várias localidades. Além disso, uma grande quantidade de caranguejo-uçá apareceu morta na Reserva Extrativista (Resex) Acaú-Goiana, na divisa entre Pernambuco e Paraíba. Em Goiana, na Mata Norte, onde o rio Goiana transbordou (o que não acontecia desde 2014), pescadores e pescadoras denunciam também o aparecimento de problemas de saúde após as enchentes. </p>



<p>Segundo informações do agente pastoral Severino Santos, as chuvas destruíram a comunidade do Baldo do Rio. &#8220;A quantidade de água nos estuários põe em risco a atividade e a segurança alimentar das famílias de pescadores das outras cinco comunidades beneficiárias da Resex Acaú-Goiana. Duas dessas comunidades têm na cata do caranguejo sua maior fonte de renda. Em Gongaçari, 70% dos pescadores são catadores de caranguejo. Nas comunidades de Povoação de São Lourenço e Tejucupapo, o número de catadores de caranguejo é bem grande também&#8221;, contabiliza.</p>





<p>Laurineide Santana, do CPP , contextualiza a situação: “As pescadoras e pescadores já vêm sofrendo há um tempo. Primeiro foi a <a href="https://marcozero.org/category/oleo-no-nordeste/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">contaminação do petróleo</a>, em seguida a pandemia, que ainda nem passou, e agora vem essa situação das chuvas que deixou várias comunidades de Pernambuco em situação de calamidade”.Ela relata que as cidades de Goiana, na Zona da Mata Norte, Igarassu, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife, são as que estão em estado mais crítico em relação ao número de pescadores desabrigados. </p>



<p>“São várias comunidades atingidas e mais uma vez o governo não tem uma estratégia de acolhimento e atendimento para a categoria dos pescadores, que é tão importante e gera alimentos para todo o estado. Então a gente conta com a solidariedade de amigos e ONGs parceiras”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A preocupação com a retomada</strong></h2>



<p>O transbordar dos rios afeta diretamente a atividade pesqueira, que após o impacto causado pelas chuvas deve demorar a se restabelecer. Além disso, muitos materiais utilizados na pesca foram perdidos com as enchentes. Agora, os pescadores e as pescadoras se preocupam com a renda, que ficará comprometida durante um bom tempo, como explica a presidenta da Colônia de Pescadores do Baldo do Rio, em Goiana, Ângela Fonseca: “Quando essa água [da enchente] baixar é que vem o sofrimento do pescador porque o buraco do caranguejo está enterrado, acabou com os buracos dos caranguejos, nada vai ter para pescar no rio por um tempo e como é que a gente faz com os pescadores?”</p>



<p>Ângela teve sua casa coberta pelas águas e agora está em um dos abrigos cedidos pela Prefeitura de Goiana, na escola municipal Doutor Manoel Borba, localizada no centro da cidade. A pescadora relata que falta estrutura no acolhimento, pois algumas pessoas ainda estão sem colchões e roupas, além de haver atraso na distribuição das refeições. Outro problema exposto por ela diz respeito a uma questão de saúde. “A gente está com uma coceira que a gente ainda não sabe o que é, o hospital está cheio de crianças e mulheres com essa coceira e estamos sofrendo”, disse.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/pescadoras-e-pescadores-levam-desespero-da-fome-a-assembleia-legislativa-e-ao-palacio-do-governo/" class="titulo">Pescadoras e pescadores levam desespero da fome à Assembleia Legislativa e ao Palácio do Governo</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/racismo-ambiental/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Racismo ambiental</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p>A Prefeitura de Goiana repassou que, até a terça-feira, 31 de maio, havia 545 pessoas desabrigadas na cidade. A gestão municipal disponibilizou três escolas municipais para acolher as vítimas das enchentes. A cheia do Rio Goiana atingiu as comunidades do Baldo do Rio, Bom Tempo, Vila Operária e Rua da Impoeira, onde as casas foram invadidas pelas águas e as famílias tiveram que sair às pressas. Não há nenhuma confirmação de mortos ou desaparecidos.</p>



<p>Com o nível do rio, que transbordou no último domingo, 29 de maio, voltando a baixar, algumas famílias já se preparam para retornar às suas casas, mas ainda com muitas dificuldades para enfrentar. “A nossa grande preocupação é nas próximas semanas quando essas famílias voltam para os seus lares, mas continuam com muitos problemas. Muitas perderam tudo, perderam comida, móveis, materiais de pesca, embarcações e a gente só conta com a solidariedade dos parceiros porque o estado não tem uma política para atender de forma emergencial a nossa categoria”, reforça Laurineide Santana.</p>



<p>Para a assessora jurídica do CPP, Ornela Fortes, a falta de ações de monitoramento e diálogo com as comunidades pesqueiras pelo poder público agrava ainda mais as consequências causadas pelas enchentes. “O que a gente percebe, nas várias comunidades pesqueiras que foram atingidas nesse primeiro momento, é a falta de coordenação do governo do estado no levantamento dos impactos e na articulação com as prefeituras para saber o que essas comunidades precisam a curto, médio e longo prazos. Isso é bastante angustiante porque essa falta de coordenação faz com que essa relação de vulnerabilidade abra espaço para mais situações de desigualdade e para mais violação de direitos”, declara Ornela.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Campanha de doações</strong></h3>



<p>A fim de amenizar os problemas gerados por consequência das chuvas, o Conselho Pastoral dos Pescadores criou uma campanha de arrecadação de donativos para as famílias de pescadores e pescadoras de Pernambuco.As doações podem ser feitas na Associação das Marisqueiras da Povoação de São Lourenço, em Goiana, ou na Sede do Conselho Pastoral dos Pescadores, localizada na Avenida Governador Carlos de Lima Cavalcante, 4688, em Rio Doce, Olinda. </p>



<p>Os itens solicitados são: materiais de limpeza e higiene pessoal, colchões, lençóis e alimentos em geral.</p>



<p>Doações em dinheiro também podem ser feitas através do pix: 042.572.374-73, no nome de Edjane Agostinho da Silva. Mais informações podem ser encontradas <a href="https://www.instagram.com/cppnacional/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>nas redes sociais do CPP.</strong></a></p>



<p></p>



<p><em><strong>Esta reportagem foi produzida com apoio do<a href="http://www.reportfortheworld.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Report for the World</a>, uma iniciativa do<a href="http://www.thegroundtruthproject.org/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">The GroundTruth Project.</a></strong></em></p>



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		<title>Atrasadas, obras do rio Fragoso não irão solucionar os alagamentos em Olinda</title>
		<link>https://marcozero.org/atrasadas-obras-do-rio-fragoso-nao-irao-solucionar-os-alagamentos-em-olinda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 May 2021 18:37:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Socioambiental]]></category>
		<category><![CDATA[alagamentos]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[inundações]]></category>
		<category><![CDATA[Jardim Atlântico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Perdi tudo pela segunda vez. Só deu tempo de pegar meus documentos e tirar os meus filhos de dentro de casa”. Andreia Neves, moradora do bairro de Jardim Atlântico, em Olinda, precisou sair de casa às pressas na noite da quinta-feira, 13 de maio. Com água na cintura, ela não conseguiu salvar os seus pertences [&#8230;]</p>
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<p>“Perdi tudo pela segunda vez. Só deu tempo de pegar meus documentos e tirar os meus filhos de dentro de casa”. Andreia Neves, moradora do bairro de Jardim Atlântico, em Olinda, precisou sair de casa às pressas na noite da quinta-feira, 13 de maio. Com água na cintura, ela não conseguiu salvar os seus pertences e procurou abrigo na casa de uma amiga. “Guarda-roupa, cama da minha filha, o berço do meu filho, minha geladeira nova, fogão, está tudo lá na água, não presta mais nada”, desabafou.</p>



<p>Como ela disse, essa não é a primeira vez que Andreia enfrenta as consequências dos alagamentos que acontecem no entorno do Rio Fragoso. Em 2019, a moradora passou pela mesma situação e, além de perder os pertences, teve parte da estrutura de sua casa danificada. E os transtornos estão longe de acabar. “A gente [moradores do Jardim Fragoso] procurou tanto a Prefeitura quanto a Cehab há meses, mas o problema é que eles deixam para resolver tudo quando a chuva já está acontecendo e depois dizem que, por causa da chuva, não dá para fazer nada. E por que não fez quando ainda estava sol? ”, questiona.</p>



<p>De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac), a estação pluviométrica de Jardim Atlântico registrou 167 mm de chuva entre as 9h da quinta-feira, dia 13 de maio, e as 9h desta sexta-feira, 14 de maio. Na manhã de quinta-feira, a agência havia alertado para as continuidades de chuvas intensas, com potencial para ultrapassar 150mm, nas regiões da Mata Sul, Mata Norte e Região Metropolitana do Recife.</p>



<p>Os alertas da Apac sempre tiram o sono dos moradores das proximidades do Rio Fragoso. É o caso de Eliane Alves, que está ilhada em seu apartamento no Jardim Atlântico. “As pessoas que moram no térreo já estão com água nas canelas, está impossível de sair”, declarou. Próximo ao prédio onde Eliane vive está o Bar do Zito, estabelecimento que pertence ao seu irmão e que foi atingido e danificado pelas inundações mais uma vez. “Desde 2016 é assim, sempre que chove ele perde tudo”.</p>



<p>A fim de resolver os alagamentos nos bairros cortados pelo curso do rio, a Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab) e a Prefeitura de Olinda executam a obra de intervenção e requalificação do rio Fragoso &#8211; ou canal do Fragoso, como denominam as autoridades. Iniciadas em 2013, as obras tinham previsão para acabar em 2016, porém, cinco anos depois ainda não se sabe quando serão finalizadas e os moradores seguem em situação de risco com a chegada das chuvas.</p>



<p>Eliane Alves afirma que a situação até piorou depois do início das obras. “Eu moro aqui há 33 anos e antes não era assim, a água do canal não chegava na minha casa. Desde 2016, depois dessas obras, as coisas pioraram e muito, eu digo que moro dentro do canal”, declarou.</p>



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	                                        <p class="m-0">Mais uma vez, Jardins Fragoso e Atlântico foram tomadas pelas águas do rio Fragoso. Crédito: Cortesia</p>
	                
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Obras podem não ser a solução</strong></h2>



<p>“O projeto está preocupado em melhorar a malha viária, a diminuição dos alagamentos está em segundo plano, aí é onde está o problema”, declarou o ambientalista Alexandre Moura. Morador de Jardim Atlântico, em Olinda, Alexandre enfrenta as consequências dos alagamentos e acompanha de perto as obras no rio Fragoso.</p>



<p>O questionamento apresentado pelo ambientalista diz respeito ao fato das obras estarem inseridas no projeto maior da criação da Via Metropolitana Norte, um sistema viário que prevê a integração entre a PE-15, em Olinda, e a PE-01, em Paulista. A obra está dividida em quatro etapas e custou R$ 451,8 milhões, somados recursos federais e estaduais.</p>



<p>Junto com outros moradores de bairros da região, ativistas e acadêmicos, Alexandre integra o Fragoso Resiste, um coletivo que monitora os impactos ambientais e os efeitos das obras do rio Fragoso nos alagamentos causados pela chuva.O coletivo questiona a falta de estudos dos impactos ambientais que as obras causam para o município de Olinda e defendem que as propostas apresentadas pelo projeto não são capazes de solucionar os alagamentos.</p>



<p>“Analisando o projeto do canal, observa-se que a concepção foi realizada para a construção da avenida que sairá da ponte do Janga margeando o canal e terminará na PE-15. Para a avenida, o canal funcionará bem. Porém, para resolver os problemas de alagamento nas áreas baixas da bacia hidrográfica, a solução é mais complexa e exige um estudo detalhado de cada local”, declarou, Jaime Cabral, professor de Engenharia e coordenador do Grupo de Recursos Hídricos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



<p>Cabral participou de um mapeamento da geometria do canal do Fragoso. O estudo atestou que a área do entorno no canal é muito baixa e, por isso, diversos pontos de alagamento continuarão existindo mesmo após a finalização das obras do canal. O professor explicou que, para o levantamento foi utilizado um modelo computacional que trabalha com as equações matemáticas da conservação da massa e da quantidade de movimento com uma boa precisão.</p>



<p>O estudo incluiu duas projeções de qual seria o impacto das chuvas em dois cenários: o primeiro, com o tempo de retorno de dois anos após a obra concluída e o outro com o tempo de retorno de 100 anos. O cálculo é feito com base  na média acumulada dos prazos de precipitação das chuvas. O modelo computacional indica que a os alagamentos ao longo do rio irão continuar, apesar das obras.</p>



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	                                        <p class="m-0">Projeção das enchentes Olinda dois anos após o final das obras do rio Fragoso. Créditos: Coletivo Fragoso Resiste</p>
	                
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	                                        <p class="m-0">No cenário projetado 100 anos depois, os alagamentos seriam ainda maiores. Crédito: Coletivo Fragoso Resiste</p>
	                
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<p>“A altitude do terreno é só ligeiramente maior do que o nível da maré alta, de modo que as águas escoam muito lentamente em direção ao mar. Alguns trechos eram antigos manguezais que foram aterrados e são locais muito vulneráveis aos alagamentos. Além disso, a crescente urbanização da bacia vai deixando os lotes cada vez mais impermeabilizados, então a água de chuva não consegue se infiltrar no terreno e vai se acumulando nos locais baixos”, concluiu o professor.</p>



<p>Ainda de acordo com Jaime Cabral, uma das medidas que podem solucionar, ou pelo menos diminuir, os alagamentos em alguns bairros de Olinda é a construção das lagoas de retenção. Porém, esta etapa das obras, que é de responsabilidade da Prefeitura de Olinda, ainda não foi entregue. “A ideia da Lagoa de retenção é boa. Ela funciona segurando a água da chuva num local perto da PE-15 evitando que a água chegue nos bairros mais baixos e produza alagamento”, explicou.</p>



<p>O projeto em torno do rio Fragoso é dividido entre a Cehab e a Prefeitura de Olinda. A Cehab entregou a primeira fase do projeto em março de 2020 com o revestimento de 2,3 quilômetros do rio e a construção de oito pontes. De acordo com a Companhia, a lagoa de retenção, que é de responsabilidade da Prefeitura de Olinda, deveria ter sido entregue no mesmo período.</p>



<p>A licitação para a realização da lagoa de contenção do Fragoso só foi realizada pela prefeitura na última segunda-feira, 10 de maio, mais de um ano depois da conclusão da primeira etapa entregue pela Cehab. Ainda assim, não há prazo para finalização das obras. Em 2017, o Tribunal de Contas do Estado, por meio de um processo de auditoria especial, passou a vistoriar e acompanhar a execução da obra no entorno do rio Fragoso.</p>



<h3 class="wp-block-heading">&#8220;Não é um canal, é um rio&#8221;</h3>



<p>“Uma das reivindicações do Fragoso Resiste é pela denominação correta do local. Não é um canal, é um rio”, afirmou o ambientalista Alexandre Moura. Em 2016, as chuvas fortes do inverno resultaram em mais um drama para a população olindense e os debates sobre as obras no rio Fragoso foram fortalecidos.</p>



<p>Em uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o Alexandre defendeu a criação de uma área verde de lazer, o Parque Jardim Atlântico. A aprovação do projeto de revestimento e concretagem das margens do Fragoso impossibilitaram a proposta do ambientalista que agora luta, junto com o coletivo, para conseguir a implantação de parques lineares.</p>



<p>“A criação dos parques lineares nada mais é do que a implantação de equipamentos como quadras, academias, praças, nos trechos da margem do rio que ainda não foram revestidos, que ficam mais próximos da foz”, declarou Alexandre. De acordo com ele, esses parques podem ajudar a preservar uma área verde dos bairros, além de proporcionar lazer para a população.</p>



<p>O ambientalista aponta para o erro que é se referir ao rio como um canal e como isto pode impactar no meio ambiente. “Desde que deram início as obras começaram a se referir ao rio como um canal, mas são definições e funções muito diferentes&#8221;, declarou Alexandre.A diferença não é só semântica, mas, no dicionário, rio é definido como um curso de água natural, mais ou menos torrencial, que corre de uma parte mais elevada para uma mais baixa e que deságua em outro rio, no mar ou num lago. Já o canal é um sulco ou vala corrida, natural ou artificial, por onde corre água.</p>



<p>Integrantes do coletivo Fragoso Resiste estão tentando realizar uma audiência pública na Assembleia Legislativa ou na Câmara de Vereadores de Olinda para expôr os questionamentos sobre a obra do Rio Fragoso, além de exigir um estudo oficial e detalhado sobre os impactos ambientais e as possíveis soluções que o projeto trará para o problema dos alagamentos.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Chuva das últimas 24 horas</h4>



<p>A Marco Zero Conteúdo recebeu diversos vídeos, imagens e queixas de moradores sobre os transtornos causados pelas fortes chuvas que ocorreram nas últimas 24 horas. Alagamentos nos bairros de Casa Caiada, Jardim Atlântico, Fragoso, que impedem a passagem de automóveis e pedestres e danificam estruturas. </p>



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	                                        <p class="m-0">Depois de prontas, obras devem piorar as enchentes com o passar do tempo. Crédito: Cortesia</p>
	                
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<p>Em nota, a Prefeitura de Olinda afirmou que está seguindo um planejamento estratégico traçado pela Operação Inverno com ações de retirada da vegetação de baronesas, limpeza dos 27 canais que cortam a cidade e suporte na limpeza das ruas da cidade com trabalho de máquinas e funcionários.</p>



<p>Devido ao alerta emitido pela Apac, que prevê a ocorrência de fortes chuvas também nesta sexta-feira, a recomendação é que a população procure a Defesa Civil em casos de emergência. O número para contato com a Defesa Civil de Olinda é 0800 281 2112.</p>



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<p>O post <a href="https://marcozero.org/atrasadas-obras-do-rio-fragoso-nao-irao-solucionar-os-alagamentos-em-olinda/">Atrasadas, obras do rio Fragoso não irão solucionar os alagamentos em Olinda</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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