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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Dona Santú, 83 anos, não vê a hora de votar em Lula, &#8220;nem que seja na China&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Sep 2022 21:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Géssica Amorim, do Coletivo Acauã O voto é facultativo para brasileiros com mais de 70 anos. No entanto, mesmo sem a obrigação de votar, muitos idosos não abrem mão de escolher e eleger os seus candidatos. Para as eleições do próximo domingo, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em todo o país, 14,8 [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Géssica Amorim, do <a href="https://medium.com/@coletivoacaua/about" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coletivo Acauã</a></strong></p>



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<p>O voto é facultativo para brasileiros com mais de 70 anos. No entanto, mesmo sem a obrigação de votar, muitos idosos não abrem mão de escolher e eleger os seus candidatos. Para as eleições do próximo domingo, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em todo o país, 14,8 milhões de idosos estão aptos a ir às urnas. O número representa 9,5% do total dos mais de 156 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar em 2022.</p>



<p>Em Pernambuco, segundo maior colégio eleitoral do Nordeste, com mais de 7 milhões de eleitoras e eleitores, o número de idosos acima dos 70 anos votantes é de quase 630 mil. A aposentada Maria Alves de Sá, de 83, conhecida como Dona Santú, faz parte desse grupo. Ela é moradora de Sítio dos Nunes, distrito do município de Flores, no Sertão do Pajeú.</p>



<p>Mesmo com a idade elevada e problemas de saúde que dificultam a sua locomoção, Dona Santú faz questão de ir votar. E o que lhe motiva, este ano, é a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com empolgação e orgulho, dona Santú afirma que é capaz de ir à China, para votar no candidato. “Com Lula, eu voto até na China, se for preciso. Nunca andei de avião, minha filha, mas eu ia”, garante.</p>



<p>Ao ser perguntada sobre de onde vem a admiração pelo candidato, Dona Santú responde prontamente: “Ele foi muito bom. Você devia ser pequena, quando ele ganhou pela primeira vez, não vai lembrar, mas tudo mudou aí. Foi bom para muitos pobres. A gente pôde comprar comida, quem não tinha onde morar recebeu casa, teve o Bolsa Família também. Depois, ele ganhou de novo e continuou. Ajeitou tudo direitinho ”.</p>



<p>Dona Santú vota desde 1958. De lá para cá, ela só deixou de comparecer às urnas duas vezes, por conta de problemas de saúde. Nas eleições deste ano, mesmo com a mobilidade parcialmente comprometida por lesões nas pernas, causadas por uma dermatose chamada Eczema (inflamação que provoca na pele manchas vermelhas, bolhas e coceiras), a aposentada faz questão de exercer a cidadania votando.</p>



<p>No domingo, Dona Santú irá até o local de votação de carro, acompanhada por um de seus netos. Para os idosos que ultrapassaram os 70 anos, têm condições de votar, mas estão em dúvida, ela manda um recado: “vamos fazer uma forcinha e botar Lula pra frente! Porque, sem Lula, com aquele homem [Jair Bolsonaro], ninguém vai pra frente, não”.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>***</strong></p>



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<p>O <strong>Coletivo Acauã</strong> é um<strong></strong>coletivo de jornalismo independente com base no sertão e no agreste de Pernambuco cujo propósito é trabalhar e fortalecer o jornalismo local, preenchendo lacunas noticiosas em municípios considerados desertos ou quase desertos de notícias, com pouca ou nenhuma cobertura de imprensa local.</p>



<p>O Acauã será parceiro da Marco Zero na cobertura das eleições deste domingo no interior de Pernambuco.</p>



<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Uma questão importante!</strong></p><cite><em>Colocar em prática um projeto jornalístico ousado como esse da cobertura das Eleições 2022 é caro. Precisamos do apoio das nossas leitoras e leitores para realizar tudo que planejamos com um mínimo de tranquilidade. Doe para a Marco Zero. É muito fácil. Você pode acessar nossa</em><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">página de doação</a><em>ou, se preferir, usar nosso</em><strong>PIX (CNPJ: 28.660.021/0001-52)</strong><em>.</em><br><br><strong>Nessa eleição, apoie o jornalismo que está do seu lado</strong></cite></blockquote>
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		<title>Justiça realiza audiência do caso de estupro coletivo em Flores, mas dois acusados continuam foragidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 18:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em dezembro do ano passado, um caso de estupro coletivo chocou e provocou uma inédita mobilização das mulheres da cidade de Flores, no Sertão do Pajeú, a 391 quilômetros do Recife. Lá, em dezembro de 2021, uma mulher de 29 anos foi dopada e estuprada por três homens, que gravaram o crime e compartilharam as [&#8230;]</p>
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<p>Em dezembro do ano passado, um caso de estupro coletivo chocou e provocou uma inédita mobilização das mulheres da cidade de Flores, no Sertão do Pajeú, a 391 quilômetros do Recife. Lá, em dezembro de 2021, uma mulher de 29 anos foi dopada e estuprada por três homens, que gravaram o crime e compartilharam as imagens em grupos de Whatsapp.</p>



<p>Em uma rápida entrevista para a Marco Zero, a mulher vítima do estupro &#8211; cuja identidade continuará sendo preservada &#8211; falou um pouco a respeito de como têm sido os seus dias desde quando tudo aconteceu. “Estou tentando não pensar nas coisas. Uma vez por semana, vou à psicóloga. Fora isso, só tenho saído de casa para trabalhar. Tenho feito faxina em três casas, aqui em Flores. A terapia tem me ajudado muito, o apoio da minha família e das minhas amigas também. Mas eu quero justiça e que as pessoas parem de me julgar”. </p>



<p>Na época do crime, ela trabalhava como copeira da Câmara Municipal de Vereadores, mas, no início deste ano, seu contrato não foi renovado, em decisão que, segundo ela mesma, não tem qualquer relação com a repercussão do estupro. Ela já tinha sido avisada que seria afastada porque os aprovados do concurso realizado pela casa legislativa seriam empossados e começariam a trabalhar em 2022.</p>



<p>A Polícia Civil de Pernambuco informou que o inquérito policial foi concluído e encaminhado para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), com denúncias formais contra os três acusados. A audiência de instrução do caso aconteceu na manhã da terça-feira, 15 de março,, quando, além da vítima, foram ouvidos um dos acusados, Josélio Siqueira, de 61 anos, que permanece preso desde o final de 2021, e mais cinco testemunhas. Os outros dois acusados, Heitor Santana, filho da vereadora Flávia Santana (PSB) e primo do prefeito Marconi Santana (PSB), e João Victor Alves, ambos de 18 anos, continuam foragidos.</p>



<p>A vítima chegou a trabalhar como babá de Heitor. Pouco antes do crime, ele a encontrou casualmente quando ela saía da prova de um concurso público realizado pela prefeitura do município e a convidou para tomar uma cerveja. Para a moça, ainda é muito difícil falar sobre a violência que sofreu naquele dia. </p>



<p>A advogada da vítima, Thyale Chabloz, revelou que a moça e algumas pessoas que têm lhe amparado estão sofrendo represálias. “Acho muito importante dizer que a vítima e quem tem lhe dado apoio estão sofrendo represálias. E a gente não pode deixar que isso aconteça, porque pessoas específicas vão acabar mandando em tudo o que acontece na cidade. A gente tem que dar voz e vez às mulheres que passam por esse tipo de situação”.</p>



<p>O processo corre em segredo de justiça. Thyale avaliou positivamente a audiência. “O que eu posso dizer, é que a audiência foi muito boa. As testemunhas apresentadas pela defesa foram contraditórias. E esse crime não ficará impune”.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/mulheres-de-flores-vao-as-ruas-pedir-prisao-de-tres-homens-que-doparam-e-estupraram-copeira/" class="titulo">Mulheres de Flores vão às ruas pedir prisão de três homens que doparam e estupraram copeira</a>
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
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		<title>Mulheres de Flores vão às ruas pedir prisão de três homens que doparam e estupraram copeira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Dec 2021 19:53:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A informação de que uma mulher havia sido estuprada por três homens, um deles primo do prefeito e filho de uma vereadora, espalhou-se rapidamente por Flores, município de 23 mil habitantes no sertão do Pajeú, a 391 quilômetros do Recife. Na terça-feira, 21 de dezembro, dezenas de mulheres precisaram apenas de algumas horas para organizar [&#8230;]</p>
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<p>A informação de que uma mulher havia sido estuprada por três homens, um deles primo do prefeito e filho de uma vereadora, espalhou-se rapidamente por Flores, município de 23 mil habitantes no sertão do Pajeú, a 391 quilômetros do Recife. Na terça-feira, 21 de dezembro, dezenas de mulheres precisaram apenas de algumas horas para organizar uma passeata pelas ruas da cidade para exigir justiça para a copeira de 29 anos que, na noite do domingo, dia 19, foi dopada, levada para um motel da cidade e estuprada várias vezes.&nbsp;</p>



<p>De acordo com informações oficiais da Polícia Civil, até o momento, três homens foram apontados como suspeitos do crime. Dois dos acusados são considerados foragidos pela polícia: Heitor Santana, filho da vereadora Flávia Santana (PSB) e primo do prefeito Marconi Santana (PSB), e João Victor Alves, ambos de 18 anos. O terceiro acusado, Josélio Siqueira, de 61 anos, foi preso e encaminhado para audiência de custódia na manhã desta quarta-feira, 22.&nbsp;A delegada Jessica Bezerra de Almeida comanda a busca dos dois fugitivos.</p>



<p>A copeira é funcionária da Câmara de Vereadores do município. Segundo informações fornecidas por sua irmã, ela chegou a ser babá de Heitor, que, na noite do crime, a encontrou casualmente e a convidou para tomar uma cerveja, enquanto ela saía do local onde fazia a prova de um concurso público. “Ela trabalhou muitos anos na casa dele como doméstica e babá. Ele a convidou para sair depois do concurso e ela foi. Confiou nele”, conta a irmã mais nova da vítima &#8211; cujo nome também será omitido para evitar que a família seja exposta.</p>



<p>Os homens gravaram os sucessivos estupros no quarto do motel e compartilharam os vídeos. No dia seguinte, perderam o controle da situação. Os vídeos viralizaram no Whatsapp por Flores e pelos municípios vizinhos. De acordo com a irmã da copeira, um dos rapazes chegou a procurar a vítima para oferecer dinheiro para que ela saísse da cidade. A moça não aceitou e contou aos seus familiares o que lembrava sobre a noite em que foi estuprada.</p>



<p>Em<a href="https://www.instagram.com/p/CXwDbftL5gN/"> nota</a> publicada em seu perfis nas redes sociais, o prefeito Marconi Santana afirmou que é &#8220;contra qualquer ato de violência contra mulher, seja ele físico, psicológico e ou sexual&#8221;. O político assegurou que sua família &#8220;não comunga com o ato praticado e que cabe às autoridades competentes a aplicação da norma jurídica para a matéria&#8221;.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero…</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>



<p></p>
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		<title>A vida sem auxílio emergencial: despensa vazia, dívidas penduradas e carne só de vez em quando</title>
		<link>https://marcozero.org/a-vida-sem-auxilio-emergencial-despensa-vazia-dividas-penduradas-e-carne-so-de-vez-em-quando/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Sep 2021 14:27:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[crise econômica]]></category>
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		<category><![CDATA[pandemia e economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em meados de 2020, o projeto de extensão Reportagens Especiais do curso de Comunicação Social do campus Caruaru da UFPE levou a estudante Géssica Amorim a relatar os impactos do auxílio emergencial nas famílias do interior de Pernambuco. A reportagem foi publicada pela Marco Zero como parte da parceria com o Observatório da Vida Agreste. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Em meados de 2020,</strong> <strong>o</strong> <strong>projeto de extensão Reportagens Especiais do curso de Comunicação Social do campus Caruaru da UFPE</strong> <strong>levou a estudante Géssica Amorim a relatar os impactos do auxílio emergencial nas famílias do interior de Pernambuco</strong>. <strong>A reportagem foi publicada pela Marco Zero como parte da parceria com o <a href="https://www.ufpe.br/ova">Observatório da Vida Agreste</a>. Este ano, Géssica foi contratada como estagiária da nossa equipe. Essa semana, ela retornou à casa da sua entrevistada de um ano atrás.</strong></p>



<p>Quando visitei a casa da agricultora Ivonete da Silva, 48, pela primeira vez, há pouco mais de um ano, no distrito de&nbsp; Sítio dos Nunes, sertão do Pajeú, ela tinha acabado de realizar o sonho de fazer a feira do mês em fardos (como se vende em atacado), comprar um celular para se comunicar com a família e pagar as contas atrasadas que tinha nas bodegas do distrito.&nbsp;</p>



<p>Àquela época, o que possibilitou a dispensa cheia de Ivonete, a quitação das suas dívidas e a compra do seu primeiro celular, foi o pagamento provisório do Auxílio Emergencial em 2020, que, inicialmente, durou de abril a setembro, destinando o valor de R $1.200 a mulheres mães e chefes de família cadastradas no Bolsa Família. Com a sua prorrogação de três meses, o valor do benefício caiu para R $300, com parcelas pagas até o mês de dezembro.&nbsp;</p>



<p>Durante seis meses, os R$1.200 do auxílio proporcionaram um pequeno e momentâneo salto na qualidade de vida de Ivonete e de sua família. Ano passado, a renda mensal da família da agricultora era de R$ 2.239, somando o valor do benefício à aposentadoria rural do seu marido José Januário da Silva, 77, que recebe um salário mínimo.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

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                <a href="https://marcozero.org/flores-despensa-dividas-e-internet/" class="titulo">Flores: despensa cheia, quitação de dívidas e acesso à internet</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
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<p>Segundo estudo publicado em 2020 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 4,4 milhões de domicílios brasileiros sobreviveram apenas com a renda do Auxílio Emergencial, em julho daquele ano. Entre os domicílios mais pobres, o rendimento das famílias atingiu 124% do que seriam as suas rendas “normais”. </p>



<p>Mais comida, dinheiro para custear despesas com água e eletricidade, gastos com saúde e transporte, mas por tempo determinado. Com fim do Auxílio Emergencial, Ivonete volta a receber os R$ 265,00 do seu cadastro do Bolsa Família e a contar apenas com o valor da aposentadoria de José Januário para manter uma família de oito pessoas.</p>



<p>Fazendo as contas, levando em consideração o preço do gás, do aumento dos valores dos itens da cesta básica e a conta de luz mais cara, não há dificuldade em imaginar que a situação da família de Ivonete, agora, está ainda mais complicada do que antes. “A gente compra carne de vez em quando. Agora está muito cara, não dá pra ser sempre. Feira de fardo, também, não dá mais. Tem que comprar o que dá e pagar as contas. E em um canto ou outro fica alguma coisa pendurada, que a gente precisa pegar quando falta durante o mês. E ele [José Januário] tem problema de saúde. Tem que comprar remédio pra pressão todo mês”, conta Ivonete.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A mulher que copia livros</h2>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Géssica Amorim/MZ Conteúdo</p>
	                
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<p>Descobri que Ivonete gosta de transcrever livros. De todo tipo, sejam didáticos ou paradidáticos.&nbsp; Usando como apoio dois tamboretes que ficam na varanda da casa onde mora, ela costuma passar as tardes transcrevendo para os seus cadernos o que está escrito nos livros que ganha de professoras da escola do distrito ou os que encontra e recolhe na rua ou no lixo.&nbsp;</p>



<p>A agricultora conta que tem esse costume desde que parou de frequentar a escola, aos 15 anos, quando teve o seu primeiro filho. Ela não chegou a terminar o ensino fundamental, mas diz que, se tivesse continuado a estudar, provavelmente hoje seria professora. “Eu parei de estudar muito nova, quando tive meu primeiro filho. Eu tinha 15 anos, queria ser professora, mas depois que engravidei, pronto, meu ‘ser professora’ foi cuidar de menino”.</p>



<p>Ivonete faz tudo com muito gosto, já perdeu a conta do que leu e transcreveu ao longo de mais de 30 anos, mas, durante esse tempo, infelizmente, não considerou e nem considera voltar a estudar. “Quando eu não estou fazendo nada, eu pego um livro e vou pintar, escrever. Tem livro, aí, que eu já li mais de 500 vezes. Eu não penso em voltar pra escola. Meu negócio é só ler e escrever, não tenho mais paciência pra outras coisas. Eu prefiro ficar quieta, aqui, mesmo”.</p>



<p>Ler, escrever e colorir as ilustrações e desenhos dos livros é o que envolve Ivonete e as palavras. O critério para a escolha dos livros é que eles não sejam de matemática. Os números, ela dispensa. “Eu recebo todo tipo de livro. Quem quiser me dar, eu aceito. Agora, só não mande de matemática. Eu não gosto de jeito nenhum, nunca gostei de conta”.</p>



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		<title>Mulheres da zona rural de Flores, sertão do Pajeú, vão às ruas pedir justiça para mais um feminicídio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Géssica Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Aug 2021 20:04:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poucos dias antes de ser assassinada pelo ex-marido José Carlos, Samara Cruz de Melo, de 29 anos, chegou a gravar e enviar pelo Whatsapp mensagens de áudio para amigos e conhecidos, alertando sobre as ameaças que vinha recebendo. Na noite de terça-feira, 17 de agosto, um homem subiu o telhado da casa onde ela vivia [&#8230;]</p>
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<p>Poucos dias antes de ser assassinada pelo ex-marido José Carlos, Samara Cruz de Melo, de 29 anos, chegou a gravar e enviar pelo Whatsapp mensagens de áudio para amigos e conhecidos, alertando sobre as ameaças que vinha recebendo. Na noite de terça-feira, 17 de agosto, um homem subiu o telhado da casa onde ela vivia com quatro filhos, afastou as telhas e atirou de cima para baixo, matando a mulher com um tiro na cabeça enquanto ela dormia. José Carlos está sendo procurado pela polícia e os áudios que ela havia enviado reforçam a suspeita sobre ele. O crime aconteceu no distrito de Fátima, território de Flores, município no sertão do Pajeú. </p>



<p>Logo depois que a notícia do assassinato espalhou-se pelo povoado, os áudios gravados pela mulher passaram a ser compartilhados por amigos e parentes. Um deles revela que José Carlos já havia tentado invadir a casa da ex-mulher da maneira. Numa das gravações, ela alerta sobre o momento em que o ex-marido tirou as telhas da casa para tentar entrar, o que a deixou apavorada. Em seguida, ela diz que ligou para usando o número 190, mas não conseguiu ser atendida. Alguns dias depois estava morta.</p>



<p>O distrito de Fátima está longe de ser um lugar calmo: uma rápida busca no Google revela que, nos últimos seis anos, ocorreram pelo menos cinco homicídios no povoado. Essa lista de mortes inclui outro feminicídio. Em abril do ano passado, Maria do Socorro Alves da Silva, estava grávida de cinco meses quando foi morta a facadas pelo ex-namorado, que fugiu em seguida.</p>



<p>Para as mulheres do distrito, a morte de Samara foi a gota d&#8217;água. Ontem, elas tomaram as ruas do vilarejo para pedir justiça. A manifestação teve início às 10h da manhã desta sexta-feira, 20 de agosto. Aproximadamente 150 pessoas foram reivindicar segurança no distrito e pedir justiça para o caso de Samara. A ex-vereadora de Flores, Patrícia Cardin, de 44 anos, participou do ato e conta que a população do lugar está revoltada com o crime. “Nós moramos num distrito de quase sete mil pessoas. Toda a população está revoltada. Quando coisas assim acontecem por aqui, ainda mais um caso de feminicídio, todo mundo fica perplexo. Nós não temos segurança nenhuma aqui. O ato também foi para cobrar isso. Samara poderia estar viva, se tivesse sido escutada e segura”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Vida sofrida, morte violenta</h2>



<p>Samara sofria com transtorno bipolar e tomava remédios todos os dias para se manter emocionalmente estável. De acordo com uma prima da mulher, José Carlos sabia dos horários em que ela fazia uso dos medicamentos, dos seus efeitos que causavam sonolência e se aproveitou disso para cometer o crime sem dificuldade.</p>



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	                                        <p class="m-0">Crédito: Arquivo de família</p>
	                
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<p>A vida de Samara Cruz sempre foi difícil. Sua tia Maria José, conhecida como dona Miúda, de 62 anos, contou que, ainda bebê, Samara foi entregue pela mãe à avó paterna, dona Antônia Jovina, e, por ela, foi criada até atingir a maioridade.&nbsp;O pai de Samara, irmão de Miúda, foi assassinado quando ela tinha apenas dez anos.&nbsp; </p>



<p>Na época, ele morava em São Paulo quando foi morto, mas, segundo a tia, ele tinha planos de voltar à Flores para buscar a filha e levá-la para morar no Sudeste.&nbsp; Sobre o destino da mãe da sobrinha, Miúda revela que ela ainda é viva, que também foi embora para São Paulo, mas que nunca quis manter contato com a filha. Diz ainda que, para ir embora, a mulher teria vendido outra filha para poder comprar passagens de ônibus. “Ela foi embora para São Paulo e deixou Samara com a minha mãe. Ela ainda era um bebê de colo. Deixou ela lá em casa e foi embora. A passagem que ela comprou pra ir pra São Paulo, foi com o dinheiro que ela recebeu depois de ter vendido a outra filha, que era irmã mais velha de Samara. Nunca mais quis saber da menina”.&nbsp;</p>



<p>Segundo dona Miúda, Samara não chegou a completar o Ensino Fundamental. No distrito de Fátima, ela trabalhava cuidando de crianças e fazia faxina em casas de conhecidos. A sua avó, dona Jovina, faleceu em 2015.&nbsp; A tia a ajudava como podia. Apesar de todas as dificuldades que passou, de acordo com a parente, Samara era uma pessoa alegre e que vivia sorrindo. “Quando dava, eu pagava um aluguel, fazia uma feira. Ajudava quando era possível. Nós éramos próximas. Ela era uma menina alegre, vivia sorrindo e disposta a viver”, recorda Miúda. Samara Cruz deixou quatro filhos, que agora estão sob a guarda do seu primeiro marido e pai de duas das crianças. Ele é morador do distrito vizinho, Sítio dos Nunes. </p>



<p>A Polícia Civil informou que deu início às investigações sobre o caso e que José Carlos está foragido. </p>



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<p></p>
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