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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
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	<title>Marco Zero Conteúdo - Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</title>
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		<title>Enquanto governo estadual comemora, Grande Recife bate recordes de violência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 15:41:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[Violência armada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Ana Maria Franca* Raquel Lyra se elegeu com a bandeira da segurança pública como prioridade. Prometer reduzir a violência é fácil. Difícil é sustentar o compromisso com políticas eficientes. Em novembro de 2023, a governadora apresentou o plano estadual “Juntos Pela Segurança” com a ambiciosa meta de reduzir em 30% as mortes violentas intencionais [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Ana Maria Franca*</strong></p>



<p>Raquel Lyra se elegeu com a bandeira da segurança pública como prioridade. Prometer reduzir a violência é fácil. Difícil é sustentar o compromisso com políticas eficientes.</p>



<p>Em novembro de 2023, a governadora apresentou o plano estadual “Juntos Pela Segurança” com a ambiciosa meta de reduzir em 30% as mortes violentas intencionais até 2026. No entanto, a poucos meses do prazo estabelecido pelo próprio governo, o Relatório Anual do Fogo Cruzado indica que as metas de segurança pública seguem distantes da realidade. Enquanto a governadora comemora reduções pontuais, Pernambuco bate recordes históricos de violência armada.</p>



<p>Em 2025, a região metropolitana do Recife registrou recordes em três indicadores críticos: 16 crianças de 0 a 11 anos baleadas, o maior número desde 2019; 132 adolescentes de 12 a 17 anos baleados; e 72 pessoas foram vítimas de bala perdida, um aumento de 49% em relação a 2024 e recorde nos últimos sete anos.</p>



<p>Os dados contrastam com a narrativa governamental. A taxa de Mortes Violentas Intencionais foi de 32,74 por 100 mil habitantes em 2025 — uma redução que a governadora celebra, mas ainda muito distante da meta de 26,5 prometida para 2026.</p>



<p>A estratégia do governo tem sido priorizar o investimento no aumento de efetivo policial e aparato bélico. No entanto, os recordes mostram que insistir na lógica do confronto e da ostensividade não protege quem mais precisa.</p>



<p>Entre abril de 2018 e dezembro de 2025, período em que monitoramos a região, 902 adolescentes foram baleados no Grande Recife, sendo que 42% dessas vítimas ocorreram durante a gestão Lyra. E as circunstâncias dessas mortes revelam um padrão: 96% foram homicídios diretos.</p>



<p>Chama atenção também que quase 80% das mortes violentas intencionais foram cometidas com armas de fogo, mas o plano estadual não apresenta estratégias específicas para reduzir a circulação desses armamentos.</p>



<p>Em ano eleitoral, o governo Lyra tende a apresentar investimentos em efetivo e equipamentos como “avanços”, mas crianças e adolescentes que fazem parte do grupo prioritário do plano continuam desprotegidos, as disputas entre grupos armados explodiram e o recorde de vítimas de balas perdidas mostra o descontrole da violência armada.</p>



<p>Os dados produzidos pela sociedade civil são importantes para a população compreender de fato o que acontece em suas cidades, para além dos dados oficiais. Metas e promessas precisam ser checadas. E as informações produzidas pelo Fogo Cruzado estão à disposição para isso.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*Ana Maria Franca</strong> é coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco</p>
    </div>



<p></p>
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		<item>
		<title>Mais tiroteios e mais mortes provocadas pela polícia no Grande Recife em 2023</title>
		<link>https://marcozero.org/mais-tiroteios-e-mais-mortes-provocadas-pela-policia-no-grande-recife-em-2023/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Feb 2024 14:32:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado]]></category>
		<category><![CDATA[governo Raquel Lyra]]></category>
		<category><![CDATA[tiroteios]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O relatório anual do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta semana, aponta que o ano de 2023 teve o maior número de tiroteios registrados nos últimos cinco anos no Grande Recife, com aumento de 8% em relação ao ano anterior. Desde que a organização começou a monitorar a violência armada na região metropolitana, em 2019, a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O relatório anual do <a href="https://fogocruzado.org.br/">Instituto Fogo Cruzado</a>, divulgado nesta semana, aponta que o ano de 2023 teve o maior número de tiroteios registrados nos últimos cinco anos no Grande Recife, com aumento de 8% em relação ao ano anterior. Desde que a organização começou a monitorar a violência armada na região metropolitana, em 2019, a violência atingiu seu auge ano passado, com 1.827 trocas de tiros contabilizadas, o que dá uma média de exatamente cinco tiroteios por dia, durante todo o ano.Em contraste, 2019 foi o ano de menor volume de tiroteios (1.287).</p>



<p>Nos tiroteios, 2.076 pessoas foram baleadas, resultando em 1.497 mortos e 579 feridos. Ainda em comparação com a série histórica, o número de vítimas fatais indica que as mortes ocorreram em 97% dos tiroteios. Isso quer dizer que 2023 foi o ano mais letal, com uma média de seis baleados por dia na região metropolitana do Recife.</p>



<p>Se comparado apenas a 2022, houve aumento de 14% na quantidade de mortos e queda de 9% na quantidade de feridos, o ano anterior acumulou 1.945 baleados, com 1.308 mortos e 637 feridos.</p>



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	                                        <p class="m-0">Relatório anual 2023/Instituto Fogo Cruzado
</p>
	                
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<p>Em números absolutos, as cinco cidades mais atingidas pela violência armada foram Recife, com 673 tiroteios (521 mortos e 241 feridos); Jaboatão dos Guararapes, com 347 tiroteios (296 mortos e 103 feridos); Olinda com 214 tiroteios (173 mortos e 58 feridos); Cabo de Santo Agostinho com 143 tiroteios (123 mortos e 39 feridos); e Paulista com 91 tiroteios (75 mortos e 18 feridos).</p>



<p>Jaboatão dos Guararapes concentrou o maior número de bairros com mais tiroteios. Dos cinco bairros da RMR mais afetados, quatro estão localizados na cidade: Muribeca, Barra de Jangada, Prazeres e Cajueiro Seco. Da capital, apenas a Iputinga apareceu no ranking dos 10 mais violentos. </p>



<p>O relatório também traz o perfil dessas vítimas. A maioria dos baleados foram homens adultos, representando 90% dos atingidos. Considerando as profissões, entre os trabalhadores informais, foram 11 entregadores/motoboys, 14 mototaxistas, 12 motoristas de aplicativo e 12 vendedores ambulantes. Já na segurança pública, 21 agentes policiais foram baleados no Grande Recife.</p>



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	                                        <p class="m-0">Relatório anual 2023/Instituto Fogo Cruzado
</p>
	                
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                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Polícia mata mais no 1º ano de Raquel Lyra</strong></h2>



<p>Outro índice que chama a atenção é o maior envolvimento de policiais nas mortes violentas. No Grande Recife, 2023 teve os maiores números de toda a série histórica. Foram 99 tiroteios em ações e operações policiais, que resultaram em 113 baleados pela polícia, principalmente a militar, incluindo os 13 mortos em quatro chacinas.</p>



<p>O relatório ressalta que esse aumento de casos coincide com o primeiro ano de gestão da governadora Raquel Lyra (PSDB). Até outubro de 2023, <a href="https://marcozero.org/mortes-violentas-aumentam-nos-primeiros-10-meses-do-governo-raquel-lyra/">os índices apontavam aumento em mortes violentas intencionais, mortes em decorrência de envolvimento policial e feminicídio,</a> não só na região metropolitana, mas em todo o estado.  </p>



<p>Quando analisado de janeiro a dezembro, de acordo com a base de dados abertos da Secretaria de Defesa Social (SDS), 2023 registrou um total de 3.633 de mortes violentas intencionais (MVIs), enquanto no ano anterior, foram 3.425. Diferente dos dados do Fogo Cruzado que analisam apenas violência armada, as MVIs são caracterizadas pela soma de indicadores de diferentes tipos de crimes que resultam em mortes, como homicídio, latrocínio, feminicídio, lesão corporal seguida de morte e morte decorrente de intervenção policial.</p>



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	                                        <p class="m-0">Relatório anual 2023/Instituto Fogo Cruzado
</p>
	                
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                    </figure>

	


<p>O estado passou o ano todo sem ter um plano efetivo de segurança pública. Em julho, foi anunciado o programa Juntos pela Segurança, no entanto, apenas no final de novembro o Governo do Estado apresentou à população o plano estadual de segurança pública e defesa social em detalhes. Entre as novidades, o que mais chamou atenção foi o estabelecimento da meta de redução de 30% até 2026 dos três indicadores prioritários: crimes contra a vida, violência contra a mulher e roubos.Caso seja atingida, será o menor índice desde 1985.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/governadora-quer-reduzir-violencia-em-30-ate-2026/" class="titulo">Governadora quer reduzir violência em 30% até 2026, mas não explica como isso vai acontecer</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<p></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cabo de Sto. Agostinho é o município do Grande Recife onde tiroteios e homicídios mais aumentaram em 2022</title>
		<link>https://marcozero.org/cabo-de-sto-agostinho-e-o-municipio-do-grande-recife-onde-tiroteios-e-homicidios-mais-aumentaram-em-2022/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2022 10:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo de Santo Agostinho]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado]]></category>
		<category><![CDATA[homicídios no Grande Recife]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
		<category><![CDATA[Violência em Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No primeiro semestre de 2022, o município de Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, apresentou altos índices de violência e morte causados por disparos de arma de fogo, de acordo com levantamento da plataforma Fogo Cruzado. Ocorreram, em média, 127 tiroteios e sete operações policiais que resultaram em 108 mortes e 48 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No primeiro semestre de 2022, o município de Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, apresentou altos índices de violência e morte causados por disparos de arma de fogo, de acordo com levantamento da plataforma Fogo Cruzado. Ocorreram, em média, 127 tiroteios e sete operações policiais que resultaram em 108 mortes e 48 feridos. Em comparação aos primeiros seis meses de 2021 (quando foram registrados 66 homicídios), houve um aumento de 64% no número de mortes e 345% na ocorrência de operações policiais na cidade.</p>



<p>Esses dados fazem parte do relatório semestral do Fogo Cruzado que será publicado nesta quinta-feira, 21 de julho, pela plataforma.</p>



<p>Em comparação com os demais municípios da Região Metropolitana do Recife, também monitorados pelo levantamento, o Cabo foi o município que apresentou a maior variação em todos os índices analisados: ocorrência de disparos/tiroteios; mortos e feridos por disparo de armas de fogo e execução de operações policiais. Além disso, esse foi o semestre com maior número de mortos no município desde 2018, com média de 18 mortes por mês.</p>



<p>Porém, o Grande Recife continua sendo o local com o maior número de homicídios e operações de segurança. Desde o início do monitoramento do Fogo Cruzado em Pernambuco, em abril de 2018, este foi o semestre mais violento na região, com 896 disparos/tiroteios e 708 mortes. Ou seja, uma média de cinco tiroteios e quatro mortes por dia.</p>



<p>O monitoramento registrou também uma diminuição no número de operações policiais em Ipojuca, município vizinho ao Cabo, em comparação com o primeiro semestre de 2021. No entanto, os disparos/ tiroteios registraram uma alta de 58% e passaram de 15 para 24. Assim como o número de mortos que passou de 14 para 22.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><span class="has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color">Acesse os números completos do levantamento feito pelo Fogo Cruzado</span></strong></h4>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Violência progressiva</strong></h2>



<p>Em 2015, o Cabo de Santo Agostinho ficou em primeiro lugar no Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014, divulgado pela Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República. A violência é uma consequência marcante e constante dessa vulnerabilidade, que coloca a vida dos jovens do município em risco.Para o cientista social e membro do Fórum de Juventudes do Cabo (Fojuca), Matheus Mariano, o contexto social da cidade está relacionado com a expansão das atividades do Complexo Industrial Portuário de Suape, que não se desenvolveu em comunhão com um planejamento da gestão municipal.</p>



<p>“Essa vulnerabilidade é construída a partir de diversos aspectos, desde a falta de educação e emprego, até questões de trânsito. Isso é causado pelo grande aumento populacional que não vem acompanhado de urbanização, tudo aconteceu de forma desorganizada, sem planejamento. As pessoas começaram a ser empurradas para as margens da cidade em estado de vulnerabilidade e o resultado dessa conta, de falta de planejamento e assistência, não podia ser outro, além do aumento da violência, do tráfico de drogas e consequentemente dos homicídios”, destacou Mariano.</p>



<p>Matheus frisou ainda a demarcação dos territórios de acordo com a situação financeira de seus moradores, que, segundo ele, escancara ainda mais as desigualdades e marginaliza a juventude. Segundo o cientista, a cidade está dividida em três partes: “o Complexo Industrial Portuário, a Praia do Paiva e o resto do Cabo de Santo Agostinho”.</p>



<p>“No Cabo, nós temos uma juventude sem perspectiva de futuro e, devido à falta de políticas de educação, essa juventude é pouco qualificada e não consegue adentrar no mercado de trabalho. O aumento do tráfico e das mortes que ele causa é também reflexo de uma cidade desagregada, abandonada, que deixa a juventude à mercê de outras forças”, finalizou Mariano.</p>



<p>De acordo com os dados do Fogo Cruzado, do segundo semestre de 2018 até o primeiro semestre deste ano, o Cabo de Santo Agostinho registrou o total de 569 mortes e 213 feridos por disparo de armas de fogo. O levantamento aponta o aumento constante e progressivo da violência, que coloca em situação de vulnerabilidade não apenas as vítimas, como ressalta a coordenadora geral do Centro das Mulheres do Cabo, Nivete Azevedo: “Essa violência armada também traz consequências para a vida das mulheres. A gente sabe que a violência do Cabo tem vitimado muito mais a juventude, os jovens negros, mas isso também rebate sobre a as mulheres porque as famílias têm um adoecimento muito grave, principalmente as mães. Há um adoecimento emocional e mental por conta do medo da violência que atinge os seus filhos”.</p>



<p>Segundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, o perfil das vítimas de mortes no Cabo de Santo Agostinho é de homens entre 15 e 29 anos. Também de acordo com a SDS, de 2018 a 2021, 1.987 jovens entre 18 e 24 anos foram mortos por disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Recife, a maioria eram homens negros. </p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/sem-politica-para-juventude/" class="titulo">Sem política para juventude, Cabo mantém rotina de assassinatos de jovens</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
            
		            </div>
	            </div>
        </div>

		


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			</item>
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		<title>Porque o Fogo Cruzado mapeia tiros no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/por-que-o-fogo-cruzado-mapeia-tiros-no-grande-recife/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Apr 2022 00:36:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Cecília Olliveira* A sensação de insegurança e o medo da violência são sentimentos comuns de boa parte dos moradores do Grande Recife. Entender a dimensão desta violência é o desafio do Fogo Cruzado, instituto que há quatro anos tem produzido dados sobre a violência armada na Região Metropolitana do Recife. Ancoramos por aqui em [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Cecília Olliveira* </strong></p>



<p>A sensação de insegurança e o medo da violência são sentimentos comuns de boa parte dos moradores do Grande Recife. Entender a dimensão desta violência é o desafio do Fogo Cruzado, instituto que há quatro anos tem produzido dados sobre a violência armada na Região Metropolitana do Recife. Ancoramos por aqui em abril de 2018, e desde então mapeamos mais de 6 mil tiroteios, que deixaram mais de 4.600 mortos. Os números são altíssimos, e justificam esse medo. Se não há plano de governo que alcance bons resultados na segurança pública, precisamos agir.</p>



<p>Passamos a mapear os tiroteios na Região Metropolitana do Recife em 2018 porque queríamos entender, através dos dados, as dinâmicas da violência armada na região. O que o Grande Recife carrega de diferente de outras metrópoles brasileiras? O que tem de igual? O que deu certo em outros lugares que pode funcionar também por aqui? Descobrimos, por exemplo, que muitas das mortes por armas de fogo acontecem dentro de casa. Nesses quatro anos, 784 pessoas foram baleadas naquele que deveria ser seu lugar mais seguro, o lar. Analisando esta informação, foi possível notar que estas balas têm alvo certo, normalmente frutos de acerto de contas ou homicídios sob encomenda. Percebemos também que o número de tiroteios dentro de presídios é absurdo. Foram 23 tiroteios com 61 baleados nos últimos quatro anos. Como aquelas armas entraram ali?? Como uma pessoa consegue atirar dentro de um presídio sem qualquer obstáculo?</p>



<p>No ano passado, armas de fogo foram usadas em mais de 80% dos homicídios cometidos no Estado. Mas a Secretaria de Defesa Social não tem um banco de dados com detalhes sobre as armas apreendidas &#8211; o que era previsto pelo Pacto pela Vida quando o programa foi instituído, em 2007. E sabe qual o impacto disso? Não é possível saber quem matou quem, com que arma, se essa arma foi usada em outros crimes, de onde ela veio. Estas armas precisam ser rastreadas para que seja possível elucidar crimes e para mapear as ocorrências. A falta dessas informações dificulta o combate à violência.</p>



<p>Somado a isso, no ano passado a Polícia Civil descobriu que mais de 300 armas e milhares de munições foram furtadas do depósito da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), no Recife. De acordo com a investigação, o material foi vendido para traficantes. Ou seja, as armas da polícia podem estar matando por aí. É preciso manter um controle rígido sobre os paióis das polícias e investigar estes desvios.</p>



<p>Ao mesmo tempo em que o acesso às armas foi sendo facilitado, os mecanismos de fiscalização e investigação não foram aprimorados.</p>



<p>O Pacto Pela Vida, tido como transformador em sua criação, em 2007, murchou com o passar dos anos. O programa do governo do estado que tinha como meta a redução de homicídios é passado. Isso é comum com muitos programas que não são construídos como projeto de estado, mas de governo. A gestão passa, e o projeto também.</p>



<p>Há quase uma década, as regiões Norte e Nordeste, que concentram apenas 35% da população brasileira, respondem por mais da metade das mortes violentas do país &#8211; a maioria delas perpetradas com armas de fogo. Isso mostra o tamanho do problema da segurança pública. A população nordestina assiste seus estados serem aqueles que mais sobem no ranking de mortes por armas de fogo ano após ano. A região é líder nesse índice (37% do total), e supera o Sudeste em números absolutos desde 2009.</p>



<p>O contexto da violência em Pernambuco é difícil: policiais civis se manifestam por valorização e melhores condições de trabalho, e delegacias têm até fechado mais cedo porque faltam profissionais e estrutura, gerando subnotificações de denúncias e queixas de crimes. Nesta brecha, grupos armados tomam conta de regiões inteiras. No Cabo de Santo Agostinho houve até toque de recolher no ano passado. Este ano não está sendo muito diferente: 2022 já começou com a morte de um menino de 9 anos, filho de um líder rural, assassinado a tiros por homens encapuzados na Mata Sul. O promotor do Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público que investiga o crime disse que &#8216;é típico de atividade de grupo de extermínio e pistolagem&#8217;</p>



<p>Todo esse cenário de falência na segurança pública é ancorado pela falta de transparência na gestão. Foi isso que motivou a abertura do Fogo Cruzado em Pernambuco. Em 2017, a divulgação diária dos números de homicídios, informações como os nomes, idades e cor da pele das vítimas no estado, saiu do ar. Desde então é divulgado apenas um boletim mensal com o número de mortes por cidade. O Ministério Público então começou a investigar a falta de transparência &#8211; e isso ainda está pendente.</p>



<p>Esse vácuo estratégico na produção e divulgação de dados mostra que nós temos que agir. Dados sobre violência armada, em específico, não eram produzidos &#8211; e não apenas em PE. Estes dados nos revelam mais sobre dinâmicas criminais do que a análise dos homicídios em si, devido a sua agilidade e também a possibilidade de análise em menores períodos de tempo.</p>



<p>Nós, sociedade, podemos fazer isso. Produzir as informações que precisamos para cobrar a responsabilidade das autoridades com propriedade. É essa a chave.</p>



<p><strong>* Cecília Olliveira é jornalista investigativa dedicada à cobertura do tráfico de drogas e de armas e à violência. Em 2016, frustrada com a falta de dados publicamente disponíveis, ela começou a mapear os tiroteios no Rio de Janeiro. Essa ideia se transformou no Fogo Cruzado, hoje um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada. Hoje o FC está se espalhando por todas as grandes cidades do Brasil. Ela foi a única finalista latino-americana do Prêmio Repórteres Sem Fronteiras para a Imprensa de 2020, que celebra vozes intrépidas e corajosas na mídia global.</strong></p>
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		<title>Sem política para juventude, Cabo mantém rotina de assassinatos de jovens</title>
		<link>https://marcozero.org/sem-politica-para-juventude/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 20:22:15 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[arma de fogo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rafael Negrão* &#8220;Ela vivia em Gaibu com as amizades, e eu passava o dia todo com a foto dela perguntando a um e a outro. Uma vez, entrei numa favela com meu menino e colocaram uma arma na cabeça do meu filho, mas não conseguimos achar ela&#8221;, relembra dona Maria da Saúde, mãe da [&#8230;]</p>
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<p><strong>Por Rafael Negrão*</strong></p>



<p>&#8220;Ela vivia em Gaibu com as amizades, e eu passava o dia todo com a foto dela perguntando a um e a outro. Uma vez, entrei numa favela com meu menino e colocaram uma arma na cabeça do meu filho, mas não conseguimos achar ela&#8221;, relembra dona Maria da Saúde, mãe da jovem Thainara Santos que na época dessas dolorosas lembranças tinha 14 anos.</p>



<p>Thainara era uma jovem sorridente e feliz que tinha uma boa relação com a mãe e seus cinco irmãos, que residem no Bairro São Francisco, na periferia do Cabo de Santo Agostinho. Sonhava em ser advogada. No entanto, tudo isso foi interrompido em 2015 com a notícia que abalou a família da adolescente: ela foi executada com um tiro de espingarda calibre 12 na cabeça aos 16 anos.<br><br>“Eu estava no portão de casa. Lembro que caí ajoelhada, abraçada com meu pai, e gritava. É uma dor que nunca vai passar. Cada vez eu fico mais triste, porque não teve justiça. Minha filha tão jovem, tão alegre. Não tive nem chance de me despedir”, relata Maria da Saúde, ao lembrar do momento em que recebeu a notícia da morte que já pressentira.</p>



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	                                        <p class="m-0">Maria da Saúde e a filha Thainara Santos. Crédito: Arquivo Pessoal</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>A foto de Thainara permanece na parede da casa simples, como se fosse um talismã. E a mãe carrega consigo&nbsp; a imagem das últimas recordações com a filha. Na imagem, a garota estava em um aniversário sorrindo, com uma das mãos na cintura e uma saia e blusa no tom azul. “Essa foi a última foto que ela tirou. Olha como ela estava feliz”, diz a mãe com olhos marejados de água.</p>



<p>Histórias trágicas como a de Thainara fazem parte do cotidiano do Cabo de Santo Agostinho que, há mais de uma década, é considerada a cidade mais vulnerável para um jovem viver no Brasil por instituições que monitoram os números da violência contra jovens e adolescentes. O município tem pouco mais de 210 mil habitantes, de acordo com as <a href="https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/cabo-de-santo-agostinho/panorama">estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (I</a>BGE), e sempre figura nos relatórios do Instituto Fogo Cruzado.</p>



<p>No segundo semestre de 2021, por exemplo, o Fogo Cruzado apontou que, por dois meses consecutivos (setembro e outubro), a quantidade de tiroteios registrados no município, respectivamente 29 e 23,&nbsp;só ficou atrás do Recife na Região Metropolitana. Em 2021, a quantidade total de tiroteios aumentou 25% em comparação com 2020 no Cabo, totalizando 158 mortos por arma de fogo. Só nos primeiros 27 dias de 2022, o Fogo Cruzado identificou pelo menos 26 homicídios na cidade.</p>



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<p>Os números do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmam o monitoramento do Fogo Cruzado, pois de acordo com a publicação, a cidade registra a segunda maior taxa de homicídios do Brasil, com 90 assassinatos a cada 100 mil habitantes, ficando atrás somente de Caucaia, no Ceará, com 98,6 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Em 2021, foram registrados no Cabo, ao longo do ano, 178 homicídios – segundo dados da Secretaria de Defesa Social &#8211; nos bairros que são considerados os mais violentos da cidade (Charneca, Gaibu, Vila Claudete, Centro, Ponte dos Carvalhos, Charnequinha e Cidade Garapu).</p>



<p>Os mortos, em sua maioria, são jovens negros, pobres das diversas localidades periféricas e do litoral da cidade. Geralmente, são comuns assassinatos durante o dia e as vítimas têm de 15 a 29 anos de idade, predominantemente do sexo masculino.</p>



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<p>Segundo os dados do Fogo Cruzado, o distrito de Ponte dos Carvalhos foi o território, de toda a Região Metropolitana do Recife, com o maior registro de tiroteios, em 2021, somando 43 eventos desse tipo que deixaram 47 baleados. Destes, 31 morreram e 16 ficaram feridos.</p>



<figure class="wp-block-video"><video height="1080" style="aspect-ratio: 1920 / 1080;" width="1920" controls src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2022/01/GRAFICO-Sem-politica-para-juventude_01.mp4"></video></figure>



<p>Em julho, uma jovem de 24 anos, foi assassinada a tiros no distrito dentro de sua própria casa, invadida por quatro homens. Segundo o consolidado do Fogo Cruzado de 2021, esse crime é um exemplo do perfil da violência armada na Região Metropolitana do Recife: “episódios focados, com alvo certo, ainda que a vítima esteja em casa – parte deles atingindo mulheres”. A intenção de matar ou ferir deliberadamente uma pessoa já conhecida pelo criminoso é demonstrada pelas estatísticas: em 94% dos tiroteios registrados no Grande Recife houve vítimas. Essa taxa é de 29% na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.</p>



<h1 class="wp-block-heading"><strong>Desenvolvimento insustentável</strong></h1>



<p>Vale ressaltar que a violência no Cabo se acentuou ainda mais a partir da primeira metade da década de 2010, principalmente a partir de 2013 e 2014, época do <em>boom</em> da expansão do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS), o maior porto público da Região Nordeste e ocupa a quinta posição no ranking nacional.<br><br>Para as obras da Refinaria Abreu e Lima, do Estaleiro Atlântico Sul e de ampliação do porto haviam chegado trabalhadores de todos os lugares do País e de várias partes do mundo. Aquela época é lembrada, até hoje, pelos moradores do Cabo e Ipojuca, se referindo aos homens de &#8220;fardas&#8221;. Cabo, assim como o município vizinho de Ipojuca, era o destino de investimentos e de trabalhadores atraídos pela política desenvolvimentista implementada pelo então governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014, e pelos ex-presidentes Lula e Dilma.<br><br>Eram muitos empregos ofertados para os trabalhadores da indústria pesada, principalmente da terraplanagem. As obras eram impulsionadas pelo Programa de Aceleramento e Crescimento (PAC) do Governo Federal. A partir de 2015, com a crise econômica, a região testemunhou a segunda maior desmobilização de trabalhadores da história do Brasil: em pouco tempo, 42 mil pessoas ficaram desempregadas.</p>



<p>O fenômeno é analisado pelo cientista social, Matheus Mariano, mestre em Sociologia pela Fundação Joaquim Nabuco. &#8220;O porto de Suape colaborou muito com o aumento da violência porque houve o surgimento de novas periferias durante as obras de construção da refinaria e do estaleiro, até chegar no resfriamento das obras com o escândalo da Lava Jato, tendo ocorrido o processo da favelização urbanística na cidade, com destaque para o litoral cabense&#8221;, explica Mariano.<br><br>Mateus ainda ressalta que o Cabo saiu de uma lógica interiorana no começo dos anos 2000, com seus engenhos e usinas de álcool e açúcar, direto para a indústria. “Mesmo tendo algumas indústrias, tínhamos bairros que eram rurais, onde se tinha cana ou parte do latifúndio e, hoje, não se tem mais porque tudo virou ruas, casas, bairros ou ocupações”, acentua o pesquisador.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">As drogas e o resgate pela cultura</h2>



<p>Tantas mudanças em tão pouco tempo trouxeram violência e o tráfico de drogas para o cotidiano da região e para a vida de milhares de jovens.</p>



<p>“Eu me envolvi com o mundo do tráfico quando tinha 13 anos. Fui apadrinhado”, relata um jovem que, por segurança, não pode ser identificado. Negro, favelado, nascido na periferia e artista de rua, filho de uma mãe solo, atuava como um apaziguador social na comunidade em que nasceu e foi criado. O bairro é um dos mais violentos da cidade. “O tráfico me trouxe um poder volátil, feroz, pois ninguém mexia comigo, porque eu andava com gente que me protegia”, conta. “Eu aconselhava os caras, separava brigas de casais”, revela.<br><br>Apesar de ter roupas novas e acesso a outros bens, o envolvimento no tráfico causou um sofrimento pessoal e destruição familiar na vida do jovem, pois a mãe chorava todos os dias com receio das consequências. “Eu estava regozijado com aquele mundo, porque eu tinha de tudo, mas eu no fundo percebi o quanto mal eu fazia para as pessoas, pois aquele cara que financia a droga faz muitas mães chorarem. Quantas mulheres vão apanhar do marido por conta do dinheiro para comprar a pedra de crack em vez da feira? Era uma tristeza involuntária que eu carregava”, afirma.</p>



<p>“Eu sempre penso que quando o poder público não chega junto na comunidade, a criminalidade toma conta e se faz presente”, conta.</p>



<p>A virada da chave na vida do jovem foi dada pela arte e a religião. “O hip hop e o rap salvaram a minha vida, porque a arte salva vidas. Mesmo não tendo o que comer ou o que beber, as batalhas de rap reuniam a galera e me fizeram ver o quanto a minha arte transformava vidas. Cheguei a ouvir comentários nas apresentações que minhas músicas evitaram suicídios”, afirmou entusiasmado.<br><br>O apoio de entidades da sociedade civil organizada e de alguns amigos foram importantes nesse processo. Além disso, a religião de matriz africana oportunizou a mudança radical em sua vida. &#8220;Foi através de um convite de uma mãe de santo, que me chamou para conversar e deixar aquela vida, que eu abdiquei de tudo para viver a religiosidade e a minha arte&#8221;, relata o jovem.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Monitoramento de câmeras e guarda municipal armada</strong></h3>



<p>A reportagem entrevistou um policial civil que atua no município do Cabo. Ele pediu para não ser identificado. Disse que 91% dos homicídios praticados no Cabo de Santo Agostinho são contra homens, sendo que, em sua avaliação, a maioria das vítimas teria envolvimento com atividades criminosas, com destaque para o tráfico de drogas e disputas de facções por territórios.</p>



<p>Segundo relatou o policial, há homicídios registrados no Cabo de vítimas que não teriam sido assassinadas na cidade, alertando para a prática de ocultação de corpos em várias áreas do município. &#8220;Matam em outros locais e os corpos aparecem principalmente nas áreas rurais daqui. O Cabo tem 463,6 km², é um grande território e, por isso, é tão fácil essa prática na cidade&#8221;.</p>



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	                                        <p class="m-0">Central de Monitoramento da Secretaria de Defesa Social instalada na praia de Gaibu. Crédtio: Rafael Negrão</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p>O perfil das vítimas das mortes no Cabo de Santo Agostinho, segundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS/PE), é de jovens, a maioria homens dos 15 aos 29 anos. Dos 178 homicídios registrados na cidade em 2021, 14 foram de mulheres, sendo três enquadrados como feminicídio, quando a vítima é morta pela condição de ser mulher.</p>



<p>O policial ouvido pela reportagem destaca a integração da Polícia Civil e da Guarda Municipal na cidade. “No Cabo, os guardas municipais têm porte de armas e foram treinados para atuar no enfrentamento à violência. 117 guardas foram treinados para reforçar a segurança local. Também foram instaladas câmeras em vários pontos da cidade e uma Central de Monitoramento da SDS/PE foi instalada na Praia de Gaibu&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Faltam políticas públicas para a juventude</strong></h3>



<p>O Cabo de Santo Agostinho tem o quarto maior Produto Interno Bruto entre as 15 cidades da Região Metropolitana, é um dos municípios com destaque na indústria, no comércio, na cultura e tem um litoral composto por praias que são destinos turísticos tradicionais na região. Apesar disso, a juventude cabense se queixa da falta de espaços públicos e políticas afirmativas que valorizem a população que é exterminada quase todos os dias na cidade.</p>



<p>“A gente vive numa cidade extremamente violenta para o jovem, pois sofremos com a falta de emprego, de educação, de políticas públicas para as juventudes que são vítimas dessas vulnerabilidades e dessa alta taxa de letalidade, que tem ceifado a vida da nossa população”, diz Glaubberthy Rusman, integrante do Fórum de Juventudes do Cabo (Fojuca).</p>



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	                                        <p class="m-0">Fachada da Escola José Alberto de Lima, ponto central de uma ampla área de lazer que segue se deteriorando no centro do Cabo à espera de uma reforma que não sai do papel. Crédito: Rafael Negrão</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p><br>Há quatro anos a principal pista de skate localizada no centro da cidade, por trás da Escola José Alberto de Lima, mais conhecido como Caic, permanece fechada para a reforma do espaço público, que beneficiava adolescentes e jovens das comunidades dos bairros do entorno, como Torrinha, Bela Vista, Malaquias e Alto do Cruzeiro.<br><br>O espaço também servia para a prática de esportes radicais e a batalha de <em>rappers </em>que reuniam jovens das diversas localidades do Cabo de Santo Agostinho.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Baixo investimento público nos jovens</strong></h3>



<p>Com um orçamento anual de 4 milhões de reais, segundo o <a href="https://portaldatransparencia.cabo.pe.gov.br/media/arquivos/legislacao/LOA/LOA%202021.pdf">Portal da Transparência da Prefeitura</a>, a Secretaria Executiva de Juventude e Esportes pode usar esses recursos para investir nas políticas públicas e afirmativas para os jovens cabenses, porém o investimento anual na política da juventude é de 95 mil reais ao mês.</p>



<p>Recentemente, o próprio secretário de Esportes da cidade, Adriano Batista, mais conhecido por <em>Nino Beleza</em>, reconheceu que o orçamento da pasta é muito pequeno para o investimento na política de juventude e esportes. &#8220;Nós reconhecemos que é muito pouco recurso para ser investido na política para a juventude, porque, dos 4 milhões, 70% são gastos com manutenção de equipamentos públicos e a folha de pagamento dos funcionários, restando pouco mais de 1 milhão para investimentos&#8221;.</p>



<p>O secretário se queixa que a gestão anterior à sua não teria cuidado dos equipamentos públicos, deixando a maior parte dos campos de futebol, quadras e praças públicas abandonadas.&nbsp;</p>



<p>O município tem oito escolas-modelo municipais &#8211; com quadras poliesportiva &#8211; e mais duas quadras municipalizadas, mas, segundo um relatório produzido pela Prefeitura, entre janeiro e março de 2021, os equipamentos públicos estão sucateados. O relatório foi solicitado pela reportagem, no entanto, não foi liberado, sob a alegação de que se trata de documento interno da gestão.</p>



<p>&#8220;Infelizmente, as gestões não deixaram programas de governo para as juventudes. E, neste segundo ano, nós estamos planejando novas ações, porque não há projetos para dar continuidade.”, alega o secretário. Entre elas, estariam o segundo Festival de Canto, mais uma versão do Duelo de Rima Municipal e o Encontro de Grafitagem. Há ainda a expectativa de ativação do Conselho de Juventude, órgão de controle e monitoramento de políticas públicas para a área, e a retomada dos Jogos Escolares entre estudantes das escolas municipais, estaduais e privadas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Espaço cultural abandonado</strong></h3>



<p>No centro do Cabo de Santo Agostinho, um outro espaço público agoniza desde que um incêndio quase o destruiu em 2017: o Teatro Municipal Barreto Júnior. Considerado um patrimônio da cidade, celeiro de artistas cabenses, foi palco do grupo Teatro de Amadores de Pernambuco. Antes do fogo, sediou vários eventos, como o Festival Nacional de Teatro do Cabo e a Mostra Cabense de Esquetes e Poesia Encenadas (Mocaspe). Artistas como Zé Geraldo se apresentaram lá inúmeras vezes.&nbsp;</p>



<p>O espaço também abrigava exposições culturais e era um local que servia de escola para os amantes das artes. Atualmente, o prédio encontra-se em ruínas e o fundo serve de estacionamento para os carros dos policiais do 18⁰ Batalhão da Polícia Militar.</p>



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	                                        <p class="m-0">Fachada do Teatro Municipal Barreto Júnior. Equipamento cultural ficou completamente destruído por dentro depois de um incêndio em 2017 e permanece desativado. Crédito: Rafael Negrão.</p>
	                
                                    </figcaption>
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<p><br>Inaugurada em<strong> </strong>2012, ao custo de 8,5 milhões de reais, a Praça 9 de Julho, localizada às margens da PE-60, parece provar o desrespeito com o dinheiro público. A praça não tem árvores, bancos e a construção do anfiteatro Luiz Alves Lacerda, com capacidade para 600 pessoas, nunca foi concluída. A realidade é outra, o espaço serve para o uso de drogas e a prática do sexo. Na pandemia, foi adaptada para a vacinação contra a Covid-19.</p>



<p>A praça começou a ser construída na gestão do ex-prefeito Lula Cabral em um terreno de quase 30 mil m². Foram prometidos um jardim com espelho d’água, esplanada aberta para grandes eventos, palco fixo, minicentro de convenções com anfiteatro, sanitários, estacionamento, ruas paralelas para uma melhor circulação, escadarias de acesso e rampas com acessibilidade para cadeirantes, além de uma passarela que faria ligação com o bairro da Cohab. Porém, quem chega no equipamento público se depara com uma situação bem diferente. Em 2018, o ex-prefeito foi preso. Hoje, está solto e responde a processo na Justiça Federal por corrupção passiva e gestão fraudulenta do Instituto de Previdência Social dos Servidores do Cabo.</p>



<p>* <strong>Rafael Negrão é comunicador social, formado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Ativista LGBTQI+, reside no Cabo de Santo Agostinho, atuando como assessor de comunicação do Centro das Mulheres do Cabo (CMC) e do Fórum Suape Espaço Socioambiental.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Esta reportagem é resultado da bolsa para o laboratório-escola Dados em Narrativas Jornalísticas, realizado em parceria pela Marco Zero Conteúdo, Instituto Fogo Cruzado, Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco e Fundação Friedrich Ebert.</strong></p></blockquote>



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	<p>O post <a href="https://marcozero.org/sem-politica-para-juventude/">Sem política para juventude, Cabo mantém rotina de assassinatos de jovens</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Mapeamento revela que 362 adolescentes foram baleados no Grande Recife em quatro anos</title>
		<link>https://marcozero.org/mapeamento-revela-que-362-adolescentes-foram-baleados-no-grande-recife-em-quatro-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Inácio França]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Sep 2021 17:34:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[armas de fogo]]></category>
		<category><![CDATA[criança e adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado]]></category>
		<category><![CDATA[gajop]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra criança e adolescente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Dia do Adolescente, o Instituto Fogo Cruzado acaba de publicar os resultados de um mapeamento contínuo que realiza desde 1º de abril de 2018, quando passou a atuar em Pernambuco. Ao longo desse período, 362 adolescentes tiveram suas vidas impactadas e, em 67% dos casos, interrompidas pela violência armada. O relatório também inclui o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No Dia do Adolescente, o Instituto Fogo Cruzado acaba de publicar os resultados de um mapeamento contínuo que realiza desde 1º de abril de 2018, quando passou a atuar em Pernambuco. Ao longo desse período, 362 adolescentes tiveram suas vidas impactadas e, em 67% dos casos, interrompidas pela violência armada.</p>



<p>O relatório também inclui o recorte temporal comparando o período que vai de 1º de janeiro a 21 de setembro de cada um dos quatro anos do levantamento. Com esse critério, foram 285 adolescentes baleados, dos quais 190 morreram e 95 ficaram feridos. O ano mais violento para adolescentes foi 2020, com 81 atingidos por disparos de armas de fogo, dos quais 49 morreram. O ano com mais mortes foi 2019, com 54 ferimentos letais em um total de 74 vítimas.</p>



<p>Somente este ano, 69 adolescentes foram baleados, resultando em 49 óbitos. Apesar do número de atingidos ser 15% menor que em 2020 entre 1º de janeiro e 21 de setembro, a quantidade de mortes nestes dois anos foi igual. O que significa que os tiros foram ainda mais fatais em 2021. Entre os 69 baleados mapeados pelo Fogo Cruzado, 91% deles foram vítimas de execuções, homicídios ou tentativas de homicídio. Apenas dois adolescentes foram atingidos por bala perdida, o que mostra que esses jovens não apenas tiveram o primeiro contato com a violência de forma brutal, mas, na maior parte das vezes, foram os alvos dela.</p>



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<p>Nem mesmo estar em casa é seguro na adolescência em Pernambuco. Em 2021, 12 adolescentes foram baleados dentro de suas residências. Uma das vítimas tinha 17 anos, estava grávida de três meses, e foi encontrada morta com marcas de tiro onde morava com a família, no dia 26 de abril, no bairro de Arthur Lundgren II, em Paulista. O principal suspeito, o próprio pai, teria se matado em seguida.</p>



<p>Os municípios com maior número de vítimas adolescentes em 2021, os cinco mais afetados são o Recife, com 25 baleados, Jaboatão dos Guararapes (13), Olinda (8), Cabo de Santo Agostinho (7) e Paulista (7).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Data sem comemoração</strong></h2>



<p>Para o psicólogo Romero Silva, da equipe técnica do <a href="https://gajop.org/">Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares (Gajop)</a>, organização parceira do Fogo Cruzado em Pernambuco, “mais do que comemorar o 21 de setembro como Dia do Adolescente, precisamos apontar a necessidade de Pernambuco fazer o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes, precisamos produzir vida a partir de políticas públicas que enfrentem uma cultura de violência”.</p>



<p>Silva menciona outros dados, estes apresentados oficialmente pelo Governo de Pernambuco, indicando que, em 2020, um total de 245 crianças e adolescentes foram assassinados no território estadual, o que representa 6,6% do total de crimes violentos registrados no período. Nove das vítimas tinham menos de 11 anos de idade. “Os números vão dando significado ao que vem acontecendo em Pernambuco: a incidência no campo da segurança pública não está colocando a criança como prioridade ao pensar que modelo de segurança é esse”. Para ele, o acesso fácil às armas de fogo está diretamente ligado a esse tipo de violência.</p>



        <div class="leia-tambem d-flex flex-column py-2 my-4 my-md-5">
            <span class=" d-block mb-2">MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO:</span>

            <div class="d-flex flex-column">
                <a href="https://marcozero.org/em-pernambuco-numero-de-assassinatos-de-criancas-e-adolescentes-e-maior-do-que-no-rio-e-em-sao-paulo/" class="titulo">Em Pernambuco, número de assassinatos de crianças e adolescentes é maior do que no Rio e em São Paulo</a>
	                    <div class="tags d-flex mt-3 flex-wrap">
                            <a href="https://marcozero.org/formatos/reportagem/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Reportagem</a>
            
		                    <a href="https://marcozero.org/temas/violencia/" class="btn text-uppercase me-2 mb-2">Violência</a>
			        </div>
	            </div>
        </div>

		


<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que é o Fogo Cruzado</strong></h3>



<p>O Instituto Fogo Cruzado usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. Com metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da Instituição produz mais de 20 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e, em breve, em mais cidades brasileiras.</p>



<p>Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real. Elas estão disponíveis no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente <a href="https://fogocruzado.org.br/">na página do Instituto</a>.</p>



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		<title>Aumenta número de crianças e adolescentes vítimas de bala perdida no Grande Recife</title>
		<link>https://marcozero.org/aumenta-numero-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-bala-perdida-no-grande-recife/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Britto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jan 2021 19:43:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fogo Cruzado]]></category>
		<category><![CDATA[Violência armada]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra criança e adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[violência letal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem aulas e sem projetos sociais, culturais e esportivos, crianças e adolescentes estiveram dentro de casa boa parte do tempo em 2020, mas isso não quer dizer que estiveram fora de perigo. No ano em que a pandemia do novo coronavírus mudou radicalmente a vida de muitas pessoas, a violência letal por bala de fogo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sem aulas e sem projetos sociais, culturais e esportivos, crianças e adolescentes estiveram dentro de casa boa parte do tempo em 2020, mas isso não quer dizer que estiveram fora de perigo. No ano em que a pandemia do novo coronavírus mudou radicalmente a vida de muitas pessoas, a violência letal por bala de fogo vitimou 11 crianças e 93 adolescentes na Região Metropolitana do Recife &#8211; destes, duas crianças e 57 adolescentes morreram. Os dados são do Fogo Cruzado Recife, que a Marco Zero teve acesso com exclusividade.</p>



<p>Comparado com o ano de 2019, o número de crianças baleadas (10) aumentou 10% e o de adolescentes baleados (109) diminuiu 15%. Apesar da sutil redução no grupo de adolescentes (Idade entre 12 anos e 18 anos incompletos), o contexto em que jovens são alvos de balas não mudou.</p>



<p>Um dado que chama atenção, de acordo com a leitura do Fogo Cruzado, é a quantidade de vítimas de balas perdidas. No Grande Recife, das crianças e adolescentes baleados, 64% das crianças (7) e 8% dos adolescentes (7) foram vítimas de bala perdida.</p>



<p>No entanto, para Deila Martins, coordenadora executiva do Gajop, organização parceria do Fogo Cruzado e que trabalha no monitoramento de políticas de segurança pública, bala perdida é termo que não dá conta do contexto da violência letal contra crianças e adolescentes. &#8220;A gente usa o termo bala perdida, mas infelizmenteela tem uma direção”, afirma.</p>



<p>O perfil de quem é alvejado é a reprodução da lógica da violência em geral: homens, negros e jovens numa faixa etária de 13 a 16 anos.&#8221;A principal característica dessa violência é que se referem principalmente a adolescentes do sexo masculino, negros, e moradores da periferia. São adolescentes que muitas vezes estão à margem das políticas públicas. Eles não estão inseridos em projetos sociais,e pelos casos que a gente vem acompanhando muitos não estão matriculados nas escolas e não estão tendo suporte de políticas de prevenção à violência”, explica.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bala perdida com destino</strong> certo</h3>



<p>Uma vez desassistidos por políticas públicas, esse é o perfil de quem mais morre por armas de fogo. Dos 93 adolescentes baleados em 2020, 7 foram vítimas de bala perdida no Grande Recife: destes, um morreu e seis ficaram feridos. Em 2019 o número de crianças e adolescentes vítimas foi menor: cinco crianças e um adolescente foram vítimas de bala perdida na RMR &#8211; destes, uma criança morreu.</p>



<p>Equipamentos públicos com serviços para a juventude e famílias, como Compaz, foram fechados durante período longo. Na avaliação de Deila, a falta de alternativas e a dificuldade das famílias manterem as crianças dentro de casa agravaram a exposição a situações de violência.</p>



<p>&#8220;Muitos serviços foram fechados e a abertura foi gradual, como vários outros equipamentos sociais. Os CREAs deixaram de fazer atendimento presenciale isso impacta principalmente aqueles adolescentes que estão cumprindo medida socioeducativa em meio aberto, que são adolescentes que muitas vezes já tiveram a trajetória marcada pela violência. Então, eles precisam de um atenção especial e essa atenção ficou precarizada no contexto da pandemia”, exemplifica.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Prevenção no município</strong></h3>



<p>Com a pandemia, os sistemas de assistência e ocupação destinados a crianças e adolescentes fecharam as portas ou reduziram drasticamente o atendimento. Deila, no entanto, destaca o papel fundamental de atuar na prevenção à violência que os municípios deveriam assumir, mas nem sempre o fazem.</p>



<p>&#8220;Quando a gente pensa CVLI (Crimes Violentos Letais Intencionais) a gente sempre pensa no papel do Governo do Estado, mas a gente precisa compreender a política de segurança pública em um aspecto mais amplo, e quando se trata de crianças e adolescentes muitos dos recursos para combater e, principalmente, prevenir estão nos municípios”, defende.</p>



<p>Essa violência está vinculada à presença ou ausência de políticas nos municípios. Segundo ela, pelo que é possível analisar dos dados levantados pelo Fogo Cruzado, que monitora notícias e recebe informações por meio de aplicativo e rede de parceiros, um diagnóstico preciso das localidades ajudaria a combater esse tipo de violência com inteligência e ações integradas. &#8220;Os recursos para prevenção da violência, que é o que de fato vai incidir na redução do número de homicídios de adolescentes, precisa acontecer com investimento municipalnos equipamentos sociais”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Políticas públicas</strong></h3>



<p>Deila reconhece que 2020 foi um período muito difícil em todas as áreas e não foi diferente para o campo da prevenção na segurança pública.A implementação e o controle de políticas públicas ficaram mais complicados.</p>



<p>Apesar de os dados do Fogo Cruzado apresentarem uma redução no grupo de adolescentes alvejados por arma de fogo, o número ainda é alto e incompatível com uma sociedade que tem, na Constituição Federal, a criança e adolescente como prioridades.</p>



<p>&#8220;Do que a gente tem conhecimento houve iniciativa municipal provocada pelo COMDICA (Conselho Municipal de Defesa e Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Cidade do Recife) em fortalecer rede de atenção e de proteção para criança e adolescente. Foi formado um comitê com presença de vários atores, não só municipais, mas da sociedade civil. Essa é uma iniciativa importante de destacar porque é um trabalho em rede, que é o que a gente precisa fortalecer”, pontua Deila.</p>



<p>Mas, na sua avaliação, um ponto ainda negligenciado é a construção de planos municipais de redução da violência letal contra crianças e adolescentes. &#8220;É preciso ter um diagnóstico mais específico do perfil da vítima da violência, dos equipamentos disponíveis e das dificuldades enfrentadas para que seja desenvolvido um plano Municipal de redução da violência letal.Isso é algo que não existe aqui em Pernambuco em nenhum município”, afirma.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><strong>Seja mais que um leitor da Marco Zero&#8230;</strong></p><p>A Marco Zero acredita que compartilhar informações de qualidade tem o poder de transformar a vida das pessoas. Por isso, produzimos um conteúdo jornalístico de interesse público e comprometido com a defesa dos direitos humanos. Tudo feito de forma independente.</p><p>E para manter a nossa independência editorial, não recebemos dinheiro de governos, empresas públicas ou privadas. Por isso, dependemos de você, leitor e leitora, para continuar o nosso trabalho e torná-lo sustentável.</p><p>Ao contribuir com a Marco Zero, além de nos ajudar a produzir mais reportagens de qualidade, você estará possibilitando que outras pessoas tenham acesso gratuito ao nosso conteúdo.</p><p>Em uma época de tanta desinformação e ataques aos direitos humanos, nunca foi tão importante apoiar o jornalismo independente.</p><p><a href="https://marcozero.org/assine/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">É hora de assinar a Marco Zero</a></p></blockquote>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/aumenta-numero-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-bala-perdida-no-grande-recife/">Aumenta número de crianças e adolescentes vítimas de bala perdida no Grande Recife</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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