Crédito: Alma Preta Jornalismo

Mais crianças e adolescentes foram assassinados em Pernambuco entre junho de 2019 e maio deste ano do que em estados mais populosos como São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, aconteceram no estado 165 dos 507 homicídios de meninos e meninas com menos de 18 anos monitorados pela Rede de Observatórios de Segurança ao longo de dois anos, além de 27 das 66 tentativas de assassinato.

A Rede é formada por entidade que monitoram a violência em cinco estados – Bahia, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo, além de Pernambuco, onde o observatório é coordenado pelo Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop). O monitoramento serviu de base para a elaboração do relatório A Vida Resiste, cujos resultados foram apresentados esta semana.

E Pernambuco aparece numa posição incômoda. Além da liderança em número de homicídios, como estado onde aconteceram os únicos cinco latrocínios em que as vítimas são crianças ou adolescentes e com o único feminicídio de menor de idade identificado no estudo.

Em números absolutos, Pernambuco tem o terceiro maior número de casos de violência, totalizando 300, ficando atrás de São Paulo e Rio de Janeiro: respectivamente com 353 e 324. O relatório constata que, “analisando as taxas por 100 mil habitantes, vemos que Pernambuco registrou uma taxa de 3,1 casos, enquanto o o Rio de Janeiro registrou 1,8 por 100 mil habitantes e São Paulo, 0,8 caso.

O estado também está no segundo lugar em número de crianças e adolescentes vítimas de balas perdidas, com 19 incidentes, liderando com folga entre os demais estados do Nordeste, pois a Bahia teve cinco casos e o Ceará, quatro. Com 37 registros, o Rio de Janeiro é a unidade da federação com mais casos, o que é ressaltado cotidianamente pela mídia nacional. No período, o estado de São Paulo não registrou nenhuma criança ou adolescente vítima de bala perdida.

Campeão em linchamentos

Não é só a violência contra menores de idade que chama a atenção em Pernambuco. A pedido da equipe do Gajop, a Rede de Observatórios teve de incluir no relatório um item que, originalmente, não seria monitorado: os linchamentos. Em nenhum outro estado houve tantos linchamentos.

A pesquisa levantou 56 casos de linchamento no estado em dois anos, ou seja, mais de dois por mês. Para efeitos de comparação, foram 25 crimes desse tipo no Rio e 20 em São Paulo. O Ceará aparece logo atrás de Pernambuco nas estatísticas, com 40 casos. De acordo com o relatório assinado pelas pesquisadoras Dália Celeste e Edna Jatobá, “tratamos dos números para todos os grupos etários, e não apenas para crianças e adolescentes, embora existam linchamentos e tentativas praticados contra pessoas desse grupo”.

A pesquisa aponta que os negros e pardos são as vítimas mais comuns de linchamentos ou tentativas de linchamento: “enfrentamos dificuldades para encontrar a cor das pessoas que foram linchadas ou quase linchadas nas notícias analisadas diariamente. No estado de Pernambuco, dos 56 eventos monitorados, em 31 (mais da metade) não temos essa informação. Dos 25 casos que possuem essa informação, 19 são pessoas pretas, duas são pardas e quatro são brancas”.

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