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	<title>Arquivos frevo - Marco Zero Conteúdo</title>
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	<description>Jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 13 Feb 2026 22:14:35 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos frevo - Marco Zero Conteúdo</title>
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		<title>Pás e Vassourinhas explicam como frevo nasceu do suor dos trabalhadores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jeniffer Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 20:13:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval de Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval do Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, [&#8230;]</p>
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<p>A história de dois dos clubes carnavalescos mais antigos do Brasil, o Clube das Pás e o Vassourinhas, ajudam a entender como o ritmo que é a marca registrada do carnaval pernambucano foi criado por trabalhadores negros de bairros da periferia do Recife. Criadas no final do século XIX como associações que representavam categorias profissionais, as duas agremiações seguem varrendo o tempo como guardiãs da cultura popular.</p>



<p>Mais conhecido por seus bailes notunos e pela tradicional gafieira em seu salão de dança no coração de Campo Grande, bairro da zona norte do Recife, o Clube das Pás é bem mais do que um espaço para dançar. O que muitos recifenses talvez não saibam é que ele é o clube carnavalesco mais antigo em atividade na capital pernambucana, que desfila desde 1988 como clube pedestre nos desfiles oficiais organizados pelo poder público.</p>



<p>Fundado em 19 de março de 1888, uma segunda-feira de carnaval, antes mesmo da abolição da escravatura no Brasil, o clube nasceu após um grupo de carvoeiros, trabalhadores que faziam carregamento de carvão, abastecerem um navio durante um período de greve de portuários e escravos de ganho &#8211; pessoas escravizadas que trabalhavam nas ruas fazendo diferentes serviços ou vendendo mercadorias, obrigados a dar parte dos seus rendimentos aos “senhores”.<br><br>Os trabalhadores fizeram o serviço e foram comemorar, com suas pás nas costas, o salário recebido no Clube dos Caiadores, no bairro de São José. Com alguns trocados no bolso e em pleno carnaval, eles tinham motivos para festejar, tanto que decidiram criar o Clube Carnavalesco Misto das Pás.</p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:44% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="533" height="799" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg" alt="" class="wp-image-74620 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c.jpg 533w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-200x300.jpg 200w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55087217389_25e8aee7d0_c-150x225.jpg 150w" sizes="(max-width: 533px) 100vw, 533px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>“O clube passa, em todos os momentos históricos e políticos do Brasil, 1888, 19 de março, em 13 de maio, a libertação dos escravos. Depois vem a república, o estado novo, a ditadura militar em 64, vem a redemocratização e em todos os momentos, o Clube das Pás participa efetivamente aqui no estado de Pernambuco”, conta Álvaro Melo, diretor de promoções e eventos do Clube das Pás, que é apaixonado pelo clube desde quando o conheceu, há 30 anos. </p>
</div></div>



<p></p>



<p>Hoje, o clube continua desfilando e ganhando prêmios com suas apresentações no grupo especial do Recife. Todos os preparativos acontecem na sede da agremiação, em um espaço acima do famoso salão de dança, com uma equipe de dez pessoas que começa a se preparar até seis meses antes do carnaval. Lá são confeccionadas roupas e adereços.</p>



<p>Os carros alegóricos também são construídos pela própria equipe do Clube das Pás, que, este ano, desfilará no domingo à noite, na passarela da avenida Dantas Barreto concorrendo com outros cinco clubes de frevo &#8211; Reizado Imperial, Amante das Flores, Guaiamum na Vara, Girassol da Boa Vista e o já mencionado Vassourinhas.</p>



<p>Carnavalesca e administradora do barracão, Gislaine Cordeiro, está na função há dois anos e é a pessoa que comanda o espaço e comanda o desenho dos desfiles. “É muita luta, a gente corre muito, a gente tem aquela dinâmica de chegar cedo pra terminar cedo, o mais breve possível. Mas sabe onde é que a gente sente alegria? Quando bota na avenida, até as apresentações pela prefeitura são gratificantes, você se sente feliz é uma emoção, porque você sabe que aquele trabalho saiu de todo um conjunto de pessoal”, conta.</p>



<p>Já quem cuida dos figurinos é Hilário da Silva, carnavalesco responsável pela parte de criação e confecção dos figurinos e adereços, também participa de todos os processos. Na função há 11 anos, ele conta que existe um processo do tema ao protótipo para chegar na confecção e que todos eles são feitos com muita dedicação. “Eu amo, adoro fazer carnaval. Quando eu começo, dedico minha vida, porque se você não se dedicar de corpo e alma, a coisa não sai. Então, quando a gente gosta de carnaval, a gente tem o sangue na veia mesmo, a gente já está pensando no próximo trabalho”, diz.</p>



<p>Mas o clube não é feito apenas por essa equipe, existem centenas de pessoas envolvidas para que as apresentações aconteçam, são entre 250 e 300 pessoas que vão para a avenida em dia de desfiles.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/Pas-2-1024x582.jpeg" alt="A cena mostra um desfile carnavalesco cheio de cores e detalhes. No centro, há um grande estandarte ornamentado com franjas douradas e símbolos de pás cruzadas, trazendo inscrições que remetem a um clube fundado em 1888. Ao redor do estandarte, pessoas vestem fantasias elaboradas, em tons vivos de amarelo, com enfeites de estrelas e flores nas cabeças. Ao fundo, espectadores assistem sentados diante de uma parede multicolorida." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">Clube das Pás e Vassourinhas desfilam na avenida Dantas Barreto, no domingo de Carnaval.
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Acervo Clube das Pás</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h2 class="wp-block-heading">“O frevo não é uma brincadeira inocente”</h2>



<p>Um ano depois do surgimento do Clube das Pás, em 1889, um outro grupo de trabalhadores decidiu criar o Vassourinhas, tão importante para a história do frevo por ter como o hino a Marcha nº 1.<br><br>Entre as várias versões que existem sobre o surgimento do grupo, a que mais apresenta evidências históricas, segundo o diretor Thomás Ricardo, conta que um grupo de amigos se reuniu após o trabalho, próximo à Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no bairro de São José, na festa do Dia de Reis, em 6 de janeiro, a primeira depois da abolicão.<br><br>“O Clube Vassourinhas vai surgir justamente no final do século XIX, início do século XX num contexto pós-abolição, num contexto de proclamação da república, onde os populares vão cada vez mais, apesar ainda de muitas restrições impostas, mas esses dois condicionantes, esse contexto vai favorecer para que o clube surja, assim como outras agremiações também vão surgir”, conta Thomás.</p>



<p>Diferente do Clube das Pás, todos os trabalhadores não necessariamente eram varredores de rua, apesar de também existirem em bom número no grupo. Thomás afirma que eles exerciam diferentes funções, mas como era uma tendência da época nomear um clube carnavalesco com o nome de algum instrumento de trabalho ou então com o nome de alguma categoria profissional, assim o fizeram.</p>



<p>“É muito importante a gente sempre reverenciar e destacar que o frevo, ele não é uma brincadeira inocente. O surgimento desse clube não vai ser uma brincadeira pura e simplesmente inocente, não”, reforça Thomás. “As elites não queriam que os populares tivessem direito de acesso às ruas, só que os populares não vão aceitar, assim como também os fundadores do Vassourinhas, eles vão cada vez mais conquistando as ruas, cada vez mais conquistando adeptos, até se transformar no grande clube carnavalesco que vai surgir e que vai justamente conquistar o Brasil”, continua.</p>



<p>Durante o século XX, o clube consolidou sua força. Em 1909, Joana Batista e Matias da Rocha, ambos negros e vindos das periferias do Recife, compuseram o hino que se tornaria quase um sinônimo de frevo, a Marcha nº1.</p>


    <div class="box-explicacao mx-md-5 px-4 py-3 my-3" style="--cat-color: #1E69FA;">
        <span class="titulo"><+></span>

        <div class="int mx-auto">
	        <p>Clique <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fRPS-Ud-DpU" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para escutar uma gravação de 1945</a> ou <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5pLhkCBo1fY" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui para a versão antológica que levanta multidões</a> já nos primeiros acordes.</p>
        </div>
    </div>



<p>Nos anos 1950, em uma viagem ao Rio de Janeiro para se apresentar oficialmente, a excursão que reuniu aproximadamente 60 músicos da banda da Polícia Militar de Pernambuco, além de fantasias e estandartes, fez uma escala em Salvador que transformou o percurso em um momento histórico.</p>



<p>Segundo Thomás Ricardo, “a cidade de Salvador realmente enlouqueceu com aquela apresentação. Eles nunca tinham visto o frevo, nunca tinham visto um carnaval sendo feito daquela forma”. A multidão se reuniu para assistir ao espetáculo, e o impacto foi tão grande que alguns músicos se machucaram em meio à aglomeração. Para garantir a segurança, surgiu a ideia de colocar os músicos sobre um carro, como solução improvisada que inspiraria Dodô e Osmar na criação do trio elétrico.</p>



<p>Esse detalhe mostra como o Vassourinhas não apenas consolidou o frevo como expressão pernambucana, mas também influenciou diretamente o carnaval baiano. “O Clube Vassourinhas realmente possui uma história muito bonita, que se confunde com a história do Carnaval do Brasil”, resume Tomás, reforçando o papel da agremiação como ponte entre tradições regionais e como catalisadora de novas formas de festa popular.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Próximo objetivo é retomar as ruas</strong></h3>



<p>Hoje, assim como o Clube das Pás, o Vassourinhas de Recife desfila no Grupo Especial do Concurso de Agremiações do Carnaval do Recife, mas o desejo da diretoria é retomar os desfiles de rua que, outrora, foram a marca desses clubes.</p>



<p>Historicamente, os clubes centenários realizavam arrastões pelas ruas da cidade, mas com o tempo, ao migrarem para sedes próprias nas periferias do Recife, ficaram mais restritos a bailes e concursos oficiais. Ele defende que essa prática precisa ser retomada: “eu acho que é muito importante que as agremiações do Recife tenham (seus arrastões). Não só o Vassourinhas, mas eu queria que os Lenhadores, o Clube das Pás também tivessem seus arrastões, porque se a gente for ver nos jornais antigos, essas agremiações faziam arrastão.”</p>



<p>Tomás cita exemplos de Olinda, onde os Lenhadores e o Vassourinhas mantêm seus arrastões, e reforça que o Vassourinhas do Recife, o original, fundado em 1889, deveria seguir essa tradição. Para ele, os arrastões são uma forma de devolver os clubes às ruas, aproximando-os dos foliões e reafirmando sua identidade popular.</p>



        <figure class="wp-block-image my-5 img-center text-center">
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                <img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2026/02/55078594301_fa543fb2fc_c.jpg" alt="A imagem mostra Thomás Ricardo, um homem em pé, de braços cruzados, diante de dois estandartes festivos e ornamentados. Ele veste uma camiseta amarela com desenhos que combinam com os símbolos dos estandartes, indicando ligação com o grupo representado. Os estandartes são ricamente decorados em cores vivas como dourado, azul e vermelho, trazendo inscrições que mencionam “Vassourinhas” e “Recife”, além de figuras e emblemas. O conjunto transmite orgulho cultural e celebração de tradições locais." class="" loading="lazy" >
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	                        <figcaption class="legenda-credito mx-md-5">
	                                        <p class="m-0">
</p>
	                
                                            <span>Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero</span>
                                    </figcaption>
                    </figure>

	


<h3 class="wp-block-heading"><strong>Agremiações pedestres que contam a história de um tempo</strong></h3>



<p>Luiz Vinícius Maciel, historiador e coordenador de memória do Paço do Frevo, conta a importância da existência desses clubes até hoje. São agremiações pedestres que contam a história de um tempo e que permanecem resistindo aos desafios enfrentados ao longo dos anos.</p>



<p>“Essa trajetória longa que esses clubes têm, que diante de muitos desafios continua existindo até hoje, é valiosa não só para um lugar de salvaguarda e cuidado com a tradição do que é o frevo, de muitos elementos que vêm do passado, de recontar essas histórias, de transmitir essas histórias, esses saberes de como geriam a agremiação e como é que a manifestação acontece na rua, da dança, da música”, aponta o historiador.</p>



<p>Maciel também aponta a importância desses clubes para as comunidades que estão inseridas até hoje. “São agremiações que nasceram no centro do Recife, mas que por mil motivos, ao longo da história da cidade, foram se espalhando para as periferias. Você tem o Clube das Pás está em Campo Grande, o Vassourinhas está em Afogados, os Lenhadores estão na Mustardinha. E são espaços que muitas vezes vai ter o brega do fim de semana, vai ter a festa da terceira idade, vai ter o velório de alguém, tem situações, às vezes, da escola quebrou o ar-condicionado, a turma vai ter aula no clube. Então, são espaços importantes também para aquelas comunidades de troca social, de sociabilidade, até hoje, em 2026”, reflete.</p>
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		<title>Frevo pede passagem em carta sobre baterias de samba no Carnaval de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 19:01:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após diversos episódios de baterias de samba com som amplificado tomando o lugar do anfitrião e grande responsável pela tradição do Carnaval de Olinda — o frevo —, a associação que representa as agremiações do mais pernambucano dos ritmos resolveu ir a público pedir passagem (literalmente). Além de disputar espaço com as orquestras, algumas baterias contam com mais verba da Prefeitura de Olinda do que as agremiações (veja, mais abaixo, alguns cachês).</p>



<p>Um ponto sobre a festa, no entanto, é unânime e une frevo, samba e foliões: o caos de se fazer qualquer desfile no Sítio Histórico de Olinda por causa da falta de ordenamento urbano por parte da prefeitura da cidade. Sobram depoimentos e imagens de bateria e orquestra se cruzando nas ladeiras e ruas estreitas. Mas também não faltam provas de que ambas precisam, a todo tempo, driblar ambulantes, carros de mão, veículos estacionados, motos e até caminhões.</p>





<p>Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo) publicou uma carta aberta sobre as baterias de samba. “A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais”, diz trecho do texto.</p>



<p>A Afrevo, em defesa do ritmo, argumenta que “a crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo”.</p>



<p>“Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo”, expõe a associação. </p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira, na íntegra, a nota a Afrevo</span>

		<p>O Carnaval de Olinda é uma das mais importantes expressões da identidade cultural brasileira, enquanto sua principal trilha sonora, o frevo, é patrimônio imaterial da humanidade reconhecido pela Unesco. Um bem cultural dessa magnitude exige responsabilidade coletiva de preservação.</p>
<p>O frevo arrasta multidões nas ruas estreitas da cidade, nascido e criado com uma formação musical própria para execução acústica, sem a necessidade de amplificação mecânica. As orquestras desfilam há mais de um século em harmonia com os modos de vida do Sítio Histórico de Olinda.</p>
<p>A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais. Atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo.</p>
<p>Não se trata de disputa entre culturas, mas de adequação ao território cultural e à legislação de proteção do patrimônio material e imaterial, especialmente quanto à utilização de sistemas amplificados de som. Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo.</p>
<p>Na nossa terra, junto com o frevo, convivem amorosamente maracatus de baque virado, maracatus rurais, caboclinhos, papangus, caretas e tantas outras manifestações da cultura popular, inclusive o samba quando celebrado harmonicamente com nossas tradições.</p>
<p>O frevo é código-fonte do Carnaval pernambucano. É algo que nos torna únicos no planeta. Nossa impressão digital.</p>
<p>A maestria do frevo no ciclo momesco é generosa e multicultural, mas também é bravia e vigilante nas trincheiras da resistência clássica do povo pernambucano.</p>
<p>A fala do Maestro Oséas sobre a dificuldade frente às baterias de samba amplificadas é um alerta necessário. Proteger o frevo não é conservadorismo pueril. É compromisso com a memória, com a cidade e com o futuro do nosso Carnaval.</p>
<p>Da madeira que o cupim foge do cheiro, é feito o frevo. Eterno!</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os cachês das baterias de samba</strong></h2>



<p>Na esteira das críticas à invasão das baterias, a<strong> MZ</strong> levantou, no Portal da Transparência de Olinda, os cachês dos cinco grupos que mais receberam verba da gestão Mirella Almeida (PSD) na festa de 2025: Auê (R$ 60 mil, por três apresentações), Cabulosa (R$ R$ 66 mil por três apresentações), D’breck (40 mil, por duas apresentações), Fábrica de Samba (R$ 70 mil por quatro apresentações) e Patusco (R$ 60 mil, por três apresentações).</p>



<p>Alguns dos valores estão acima do que receberam algumas das mais tradicionais agremiações de frevo da cidade para realizarem várias saídas carnavalescas no ano passado: Elefante de Olinda (R$ 42 mil), Ceroula (R$ 54 mil), Cariri (R$ 40 mil), Boi da Macuca (R$ 27 mil), John Travolta (R$ 40 mil), Vassourinhas (R$ 43 mil), Menino da Tarde (R$ 12 mil) e Flor da Lira (R$ 12 mil).</p>



<p>A <strong>Marco Zero</strong> mostrou, em reportagem publicada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, que muitos cantores e bandas de pequeno porte sem qualquer histórico na cena cultural de Pernambuco receberam cachês bem mais altos que agremiações tradicionais. Leia <a href="https://marcozero.org/a-farra-dos-caches-do-carnaval-de-olinda-na-gestao-de-mirella/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>. Vários desses pagamentos também são mais altos do que o das baterias de samba.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Prefeitura de Olinda publica decreto</h3>



<p>De 2001, a chamada Lei do Carnaval de Olinda (5309/2001) regulamenta a questão do som, impedindo sons potentes em pontos fixos que não sejam os polos oficiais. São permitidas freviocas e trios desde que haja autorização. A lei, porém, não versa especificamente sobre as baterias de samba, uma vez que, naquela época, essa não era uma problemática.</p>



<p>Após diálogo com o frevo e o samba, a prefeitura publicou, na tarde desta quarta-feira, 11 de fevereiro,  em seu site, um <a href="https://www.olinda.pe.gov.br/prefeitura-de-olinda-regulamenta-uso-de-equipamentos-de-som-no-carnaval-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decreto temporário (008/2026)</a>, válido para este ano, que regulamenta a utilização de equipamentos móveis de sonorização durante o Carnaval. Entre as medidas, estão: &#8220;as passarelas naturais terão prioridade para a circulação contínua de foliões e, especialmente, das agremiações tradicionais, como blocos de frevo, maracatus e afoxés. Fica proibido o uso de equipamentos sonoros que impeçam ou dificultem a evolução dessas manifestações, bem como qualquer obstrução física ou sonora que comprometa o caráter tradicional da festa.</p>



<p>A utilização de equipamentos móveis de sonorização dependerá de autorização prévia e expressa da Prefeitura. As agremiações interessadas deverão protocolar requerimento com antecedência mínima de 24 horas antes do início do período carnavalesco, apresentando documentação completa, descrição técnica do equipamento, roteiro e cronograma do desfile, além de termo de responsabilidade. A autorização poderá ser suspensa ou cassada a qualquer momento em caso de descumprimento das normas estabelecidas.</p>



<p>O descumprimento das regras poderá resultar na apreensão imediata do equipamento, aplicação de multa inicial de R$ 10 mil, além da perda de incentivos financeiros municipais e responsabilização administrativa, cível ou criminal&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Samba reclama da falta de ordenamento urbano</strong></h4>



<p>Em entrevista à <strong>Marco Zero</strong>, o representante da Associação do Samba de Olinda, Deco Guimarães, do Patusco, fundado há 64 anos, disse temer que o acirramento termine em episódios de violência, uma vez que, segundo ele, alguns grupos de samba vêm recebendo ameaças na internet. “São pessoas dizendo que vão quebrar os carros e se juntar para atrapalhar os desfiles”, reporta.</p>



<p>“A questão não é o samba, é o som. Realmente houve um crescimento de baterias, dos blocos de samba e todas utilizam seu som. Mas isso tomou uma proporção tão grande e desnecessária que está se tornando até perigosa para a gente o samba”, comentou, dizendo que agora tudo virou culpa do samba. Na avaliação de Deco, a questão, que se tornou uma “perseguição”, “vai ter que ser resolvida de todo jeito”, mas as mudanças agora “só serão possíveis para o Carnaval 2027”, uma vez que a abertura da folia já é nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, e, há anos, o assunto vem sendo debatido sem surtir qualquer transformação.</p>



<p>Na avaliação do presidente da associação, não há desrespeito ao frevo, e, sim, dificuldade em conciliar todos os ritmos por falta de organização. “O que acontece é que, às vezes, a rua está muito congestionada de ambulantes, carros sem adesivo, carros de serviço, em pleno horário da folia. O problema mais é estrutural”. A sugestão de Deco é também que a prefeitura criasse “corredores da folia”, nos principais pontos de desfile, como Largo do Guadalupe, Ribeira, Ladeira da Prefeitura e Quatro Cantos.</p>



<p>Deco frisa que a associação tem interesse em chegar a um “denominador comum que seja bom para todo mundo”. Deco disse que não vê problema em desfilar na parte baixa de Olinda ou em um polo dedicado ao samba, desde que haja estrutura para isso. </p>



<p>Sobre os cachês pagos pela gestão Mirella, o presidente defende que as agremiações de frevo, sobretudo as mais tradicionais e que arrastam mais foliões, precisam receber mais verba municipal.</p>



<p>A bateria Cabulosa anunciou, nesta terça-feira, 10 de fevereiro, que já este ano não desfilará mais pelas ladeiras. O grupo realizará seu desfile na parte baixa da cidade, na Av Sisnundo Gonçalves, em frente ao Colégio São Bento, com concentração na Praça do Jacaré.</p>



<p>“Diante das últimas notícias, entrevistas e informações que vêm gerando debates entre baterias, foliões, admiradores do frevo, blocos e orquestras, a Bateria Cabulosa optou, de forma consciente e responsável, por evitar embates e transtornos, realizando seu primeiro desfile em um espaço que também é belíssimo, simbólico e plenamente adequado para o Carnaval de Olinda”, diz a nota. Confira <a href="https://www.instagram.com/bateriacabulosa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a> a íntegra.</p>
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		<title>Agremiações de frevo temem mais um Carnaval de atrasos após Mirella vetar prazo para cachês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Raíssa Ebrahim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 18:42:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[Mirella Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura de Olinda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Troças, clubes e blocos de frevo de Olinda estão apreensivos com o cenário de pagamento dos cachês deste ano e temem mais um Carnaval de atrasos. Com repasses da festa do ano passado ainda em aberto, a prefeita Mirella Almeida (PSD) vetou integralmente, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, a emenda à Lei Municipal do Carnaval [&#8230;]</p>
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<p>Troças, clubes e blocos de frevo de Olinda estão apreensivos com o cenário de pagamento dos cachês deste ano e temem mais um Carnaval de atrasos. Com repasses da festa do ano passado ainda em aberto, a prefeita Mirella Almeida (PSD) vetou integralmente, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, a emenda à Lei Municipal do Carnaval que estabelecia prazo máximo de até 45 dias após a folia para quitação de cachês de todos os fazedores de cultura.</p>



<p>O argumento de Mirella para o veto é de cunho constitucional. Segundo ela, a emenda viola o Artigo 141 da Lei Federal 14.133/2021 e a Lei Orgânica do município (saiba mais adiante). No entanto, para a categoria que constrói e sustenta a tradição do Carnaval olindense, a questão passa por vontade política, planejamento, organização e dignidade do trabalho desenvolvido por músicos, passistas, artesãos, costureiras e demais profissionais. </p>



<p>Agora a comunidade do frevo — ritmo reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade —, por meio da recém-criada Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), pressiona a prefeita por “uma explicação plausível para tal decisão, bem como uma alternativa concreta que assegure às agremiações melhores condições de previsibilidade e respeito”. O pedido foi feito em nota pública nesta quarta (22).</p>



<p>&#8220;O que não pode continuar acontecendo é que agremiações de frevo precisem aguardar longos meses para receber pelas atividades culturais executadas durante o Carnaval, comprometendo sua sustentabilidade, sua organização interna e a própria continuidade de suas atividades&#8221;, diz o texto (confira, mais abaixo, a nota na íntegra).</p>



<p>A emenda à Lei Municipal do Carnaval nº 5.306/01 foi proposta pela vereadora Eugênia Lima (PT) e aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores em dezembro, quando aproximadamente 60% das atrações que participaram do Carnaval de 2025 ainda não haviam recebido seus cachês.</p>



<p>O texto aprovado buscava garantir previsibilidade e respeito ao trabalho cultural, argumenta a parlamentar, uma vez que a proposta vai além da questão do prazo de 45 dias. A emenda prevê também penalidades em caso de descumprimento, como atualização monetária, juros de 1% ao mês e multa de 2%. Também estabelece prioridade desses débitos no cronograma de restos a pagar do exercício seguinte.</p>



<p>A proposta ainda obriga o Poder Executivo a comunicar e justificar eventuais atrasos ao órgão central de controle interno e ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, apresentando um plano de regularização em até 15 dias após o vencimento do prazo. Em casos de atrasos superiores a 60 dias referentes a exercícios anteriores sem plano de quitação aprovado, o município ficaria impedido de publicar novos editais ou programações oficiais de shows, salvo situações de interesse público devidamente justificadas.</p>


	<div class="informacao mx-md-5 px-5 py-4 my-5" style="--cat-color: #7BDDDD;">
		<span class="titulo text-uppercase mb-3 d-block">Confira a nota das agremiações na íntegra</span>

		<p>A AFREVO – Associação das Agremiações de Frevo de Olinda – vem a público se manifestar acerca do veto integral da Emenda à Lei do Carnaval de Olinda, recentemente aprovada pela Câmara Municipal, que estabelecia prazo para o pagamento dos cachês das agremiações participantes do Carnaval.</p>
<p>A decisão da Prefeitura em vetar a referida emenda gera preocupação e impacta diretamente as agremiações de frevo da cidade, que são responsáveis por sustentar, há décadas, o caráter popular, democrático e culturalmente singular do Carnaval de Olinda. O pagamento em tempo hábil dos cachês não se trata apenas de uma questão administrativa, mas de uma condição básica para o planejamento, a organização e a dignidade do trabalho desenvolvido por músicos, passistas, artesãos, costureiras e demais profissionais que fazem o verdadeiro carnaval de Olinda.</p>
<p>Diante do veto, a Afrevo espera que seja apresentada, de forma clara e objetiva, uma explicação plausível para tal decisão, bem como uma alternativa concreta que assegure às agremiações melhores condições de previsibilidade e respeito. O que não pode continuar acontecendo é que agremiações de frevo precisem aguardar longos meses para receber pelas atividades culturais executadas durante o Carnaval, comprometendo sua sustentabilidade, sua organização interna e a própria continuidade de suas atividades.</p>
<p>O Frevo, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, é elemento central da identidade de Olinda. Sua permanência e vitalidade dependem, necessariamente, do fortalecimento de suas agremiações e do respeito aos seus direitos. A previsibilidade nos pagamentos é parte fundamental desse processo, garantindo não apenas a continuidade das tradições, mas também relações institucionais mais justas e transparentes entre o poder público e quem faz o Carnaval acontecer.</p>
<p>A AFREVO reafirma que seu papel é o de representar, defender e valorizar as agremiações de frevo, atuando de forma propositiva e aberta ao diálogo com o poder público. Entendemos que o caminho para o fortalecimento do Carnaval de Olinda passa pela construção coletiva de soluções que respeitem quem historicamente sustenta essa manifestação cultural.</p>
<p>Seguimos à disposição para o diálogo institucional, certos de que é possível avançar em medidas que assegurem melhores condições para as agremiações e contribuam para a preservação do frevo, da cultura popular e da própria história de Olinda.</p>
	</div>



<h2 class="wp-block-heading">Articulação para derrubar veto</h2>



<p>Eugênia Lima afirmou que já está se articulando com um conjunto de vereadores para tentar derrubar o veto de Mirella assim que os trabalhos legislativos forem retomados, em fevereiro.</p>



<p>“Ao contrário do que a prefeita argumentou, não estamos invadindo a competência do Executivo ao propor fixação de prazos. Também não estamos impondo gastos. O que queremos é transparência no que está sendo contratado. A prefeitura de Olinda não pode contratar fazedores de cultura sem garantia de pagamento. Quando Mirella diz que a emenda é inconstitucional, ela está indo contra a lei que, na verdade, já existe e estabelece o prazo de 15 dias após o Carnaval para pagamento de agremiações e orquestras especificamente. A lei muda conforme a vontade dela?”, questiona a vereadora.</p>



<p>Em nota, a prefeitura “ressalta a importância de todos os artistas e fazedores de cultura para o município”, mas que, “apesar de relevante”, o projeto é “inconstitucional”. A gestão cita o Artigo 141 da Lei Federal 14.133/2021, que diz que “no dever de pagamento pela Administração, será observada a ordem cronológica para cada fonte diferenciada de recursos”. E também a Lei Orgânica de Olinda em seus incisos IV e V do Art. 33. A saber: “São da competência privativa do prefeito, os projetos de lei que disponham sobre: organização administrativa, orçamentária, serviços público e pessoal da administração (IV) e Criação, estruturação e definição de atribuições dos órgãos da administração pública municipal (V)”.</p>



<p>“Por estes motivos, embora a gestão reafirme a importância dos fazedores de cultura para o Carnaval, fez-se necessário o veto para a preservação da legalidade e da responsabilidade fiscal”, explicou a prefeitura em nota.</p>



<p>“Mesmo assim, a gestão destaca que está empenhada para realizar os pagamentos dos artistas e fazedores de cultura em até 45 dias após o evento. Os devidos repasses devem ser realizados em tempo hábil, levando-se em consideração o recebimento das cotas de patrocínio e convênio, assim como a prestação de contas necessária por parte de cada artista”, prometeu.</p>
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		<title>Cartografias do Frevo: um mapa contemporâneo do ritmo que não para de ferver</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:20:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O frevo, ritmo que pulsa nas ruas e nas veias de Pernambuco, é também uma linguagem de resistência, memória e criação. Mais do que uma herança cultural, ele se reinventa a cada passo, em cada esquina e em cada nova geração que se reconhece nesse compasso vibrante. É a partir dessa inquietação e da vontade [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>O frevo, ritmo que pulsa nas ruas e nas veias de Pernambuco, é também uma linguagem de resistência, memória e criação. Mais do que uma herança cultural, ele se reinventa a cada passo, em cada esquina e em cada nova geração que se reconhece nesse compasso vibrante. </p>
</div></div>



<p>É a partir dessa inquietação e da vontade de entender como o frevo permanece vivo que nasce o projeto de extensão Cartografias do Frevo, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).</p>



<p>A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo. Coordenado pela professora Ana Paula Campos e vice-coordenado pela professora Lívia Valença, o projeto reúne estudantes do Departamento de ComunicaçãoSocial da universidade e se dedica a registrar histórias de vida, práticas e experimentações que mantêm o frevo vivo e em transformação.</p>



<p>As entrevistas resultaram em uma série de onze reportagens que a Marco Zero publicará na íntegra a partir de uma parceria com o projeto Cartografias do Frevo. A série está organizada em três blocos, que dialogam com as múltiplas dimensões do frevo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Memórias e Preservação &#8211; </strong>mergulha nas origens e nos esforços de salvaguarda de acervos e mestres;</li>



<li><strong>Releituras e Futuro &#8211; </strong>acompanha artistas e pesquisadores que experimentam novas formas de expressão sem romper com a tradição;</li>



<li><strong>Frevo segue vivo nas ruas &#8211;</strong> destaca a força da folia popular e o papel político das agremiações e brincantes.</li>
</ul>



<p>Ao reunir histórias, reflexões e experiências de quem mantém o frevo em ebulição, a série <strong>Cartografias do Frevo</strong> propõe um olhar para o presente — um mapa afetivo e cultural que mostra que o ritmo, nascido da luta e da alegria, segue sendo um território fértil de invenção e pertencimento.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Leia aqui as entrevistas completas:</strong></h2>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bloco 1 &#8211; </strong><strong>Memórias e Preservação</strong></h3>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/carlos-dantas-museu-levino-ferreira-e-o-desafio-de-manter-viva-a-memoria-do-frevo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Carlos Dantas // Museu Levino Ferreira e o desafio de manter viva a memória do frevo</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/luiz-maciel-no-ritmo-do-frevo-pulsa-a-historia-de-pernambuco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Luiz Vinícius Maciel // No ritmo do frevo, pulsa a história de Pernambuco</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/mestre-tonho-das-olindas-ser-frevo-e-ser-capoeira/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mestre Tonho das Olindas // Ser frevo é ser capoeira</a></strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bloco 2 &#8211; Releituras e Futuro</strong></h3>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/catarina-deejah-carnaval-vivido-o-ano-inteiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Catarina DeeJah // Carnaval vivido o ano inteiro</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/dj-dolores-o-enigma-do-frevo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">DJ Dolores // O Enigma do Frevo</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/flaira-ferro-a-ousadia-em-mostrar-que-o-frevo-e-vivo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Flaira Ferro // A ousadia em mostrar que o frevo é vivo</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/leonardo-pellegrim-inovar-nao-e-trair-a-tradicao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Leonardo Pellegrim // Inovar não é trair a tradição</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/alexandre-urea-quando-a-tradicao-cruza-com-a-ousadia-de-experimentar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alexandre Urêa // Quando a tradição cruza com a ousadia de experimentar</a></strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Bloco 3 &#8211; Frevo segue vivo nas ruas</strong></h3>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/luciana-veras-e-na-rua-que-o-frevo-faz-revolucao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Luciana Veras // É na rua que o frevo faz revolução</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/maria-flor-o-frevo-nao-pode-ser-resumido-apenas-a-uma-sombrinha-colorida/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Maria Flor // O frevo não pode ser resumido apenas a uma sombrinha colorida</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://marcozero.org/joao-pedro-nires-cariri-busca-equilibrio-entre-resistencia-cultural-juventude-e-transformacao-social/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">João Pedro Nires // Cariri Olindense busca equilíbrio entre resistência cultural, juventude e transformação social</a></strong></p>
</div></div>
</blockquote>
</blockquote>



<p></p>
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		<title>Luciana Veras // É na rua que o frevo faz revolução</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:12:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Há quase 50 anos, o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho É Pouco arrasta pelas ladeiras de Olinda um dragão vermelho e amarelo que carrega mais do que confete e serpentina: carrega um ideal político e coletivo. Desde o primeiro desfile, em 1977, o bloco se destacou por unir descontração [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Há quase 50 anos, o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho É Pouco arrasta pelas ladeiras de Olinda um dragão vermelho e amarelo que carrega mais do que confete e serpentina: carrega um ideal político e coletivo.</p>
</div></div>



<p>Desde o primeiro desfile, em 1977, o bloco se destacou por unir descontração e seriedade, transformando alegria em posicionamento. “Organizar a raiva em defesa da alegria”, lema criado em plena pandemia, sintetiza a essência do grupo. A jornalista Luciana Veras, voluntária do <em>Eu Acho É Pouco</em>, explica que o bloco sempre foi “um espaço político por excelência”, onde a liberdade de ser e pensar se manifesta em plena rua.</p>



<p>Durante a Ditadura Militar, amigos perseguidos e torturados pelo regime criaram o bloco como forma de protesto. A orquestra e a folia tornaram-se armas simbólicas na defesa da redemocratização. “Passado meio século, estamos onde a gente sempre esteve: numa defesa ferrenha da democracia e também da liberdade de pensar o Carnaval como espaço em que as pessoas podem ser quem elas querem ser. De militância aberta, de esquerda”, afirma Luciana.</p>



<p>Para ela, o bloco continua em militância aberta e cotidiana: “Chegamos até aqui cada vez mais próximos desse ideal que não é utópico. Utopia é algo distante; o nosso ideal é concreto: a política se faz todo dia”.</p>



<p>Sem receber subvenção pública por escolha própria, o <em>Eu Acho É Pouco</em> mantém-se com a força da coletividade. A autonomia é sustentada pela venda de camisetas, eventos e o tradicional Baile Vermelho e Amarelo, realizado desde 1982. </p>



<h2 class="wp-block-heading">É a coletividade que leva o Dragão às ruas</h2>



<p>A agremiação não tem hierarquia nem diretoria: é movida por voluntários que trabalham durante todo o ano. “O Carnaval em Pernambuco vai muito além da sazonalidade. Estamos sempre pensando, planejando e renovando a agremiação”, diz Luciana.</p>



<p>Essa autogestão garante liberdade política e criativa. O bloco já desfilou em apoio à eleição de Dilma Rousseff, em protesto contra o golpe de 2016 e, mais recentemente, participou do ‘Cortejo do Futuro’, durante a posse de Lula em 2023, quando o dragão cruzou a Esplanada dos Ministérios junto ao bloco do Minhocão.</p>



<p>A renovação também passa pelas novas gerações e pela música. O Eu Acho É Pouquinho introduz as crianças à tradição carnavalesca, mostrando que o frevo é liberdade, política e brincadeira. Já a orquestra, regida por Rizonaldo Souza, mantém viva a essência do frevo de rua enquanto renova arranjos e incorpora canções como <em>Arrea a Lenha</em>, <em>Maracatu Atômico</em> e sucessos de Reginaldo Rossi.</p>



<p>Artistas como Ed Carlos e Flaira Ferro, conhecidos por reinventar o frevo, também já subiram aos palcos dos bailes da agremiação. Entre as ladeiras de Olinda e as festas de arrecadação, o <em>Eu Acho É Pouco</em> segue reafirmando o Carnaval como espaço de alegria, memória e resistência.</p>



<p>E, como lembra Luciana Veras, “Carnaval é política, sempre foi e sempre será”.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p><strong>*</strong> Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
    </div>
<p>O post <a href="https://marcozero.org/luciana-veras-e-na-rua-que-o-frevo-faz-revolucao/">Luciana Veras // É na rua que o frevo faz revolução</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>Maria Flor // O frevo não pode ser resumido apenas a uma sombrinha colorida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:11:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Foi ainda na infância, ao se tornar bolsista do Grupo de Teatro João Teimoso, que Maria Flor descobriu que a arte seria o caminho para a vida. Hoje, a multiartista (passista de frevo, pesquisadora e integrante do conselho consultivo do Paço do Frevo) reflete sobre uma trajetória marcada pelo cruzamento entre técnica [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Foi ainda na infância, ao se tornar bolsista do Grupo de Teatro João Teimoso, que Maria Flor descobriu que a arte seria o caminho para a vida. Hoje, a multiartista (passista de frevo, pesquisadora e integrante do conselho consultivo do Paço do Frevo) reflete sobre uma trajetória marcada pelo cruzamento entre técnica e afeto.</p>
</div></div>



<p>Em entrevista, ela conta como a convivência familiar com diferentes gêneros musicais se aprofundou à medida que seu olhar técnico sobre o frevo se desenvolveu. “De lá para cá eu participei de diversos trabalhos no frevo, música, dança, história, pesquisa, especialização. Isso tira essa ideia sazonalizada do frevo, a ideia só carnavalesca, e traz ele para um ambiente muito mais próximo da gente. Tem muito mais da nossa história dentro dele e muito mais dele na nossa própria história”, afirma.</p>



<p>Hoje, Maria Flor leva mais pessoas a viver essa experiência com o frevo por meio do minicurso “Frevo: trajetória, som e movimento”, ministrado no Paço do Frevo. O curso, pensado inicialmente para o público de fora de Pernambuco, acabou atendendo também a muitos pernambucanos interessados em conhecer o próprio estado a partir de suas manifestações populares.</p>



<p>A proposta é fazer o aluno enxergar o frevo para além da “sombrinha colorida”, como uma expressão potente, enraizada em um ambiente cultural que lhe dá sentido e força. “Se eu vou dar aula para uma pessoa que não é daqui, seja de música, de dança, eu vou ter que pensar uma forma de integrar ela com essa manifestação que ela não vive aqui”, explica.</p>



<p>Para Maria, é nas ruas, entre os brincantes das ladeiras de Olinda, no calor e no suor da festa, que o frevo revela sua potência. “Não romantizando toda essa precariedade, essa dificuldade que tanta gente vive, mas é como se ela trouxesse isso para a arte que ela realiza dentro do frevo enquanto cultura popular, como um potencializador de vontades”, diz.</p>



<p>Na contramão da lógica dos grandes centros e da visibilidade midiática, Maria destaca a importância dos mestres e mestras da cultura popular. “O maestro Oséas, o maestro Lúcio e Adriana do frevo são pessoas que fazem aquilo acontecer dentro da comunidade, que mudam a realidade daquelas pessoas, principalmente de crianças e adolescentes. Eu sou um exemplo disso, de ter uma pessoa assim”, conta.</p>



<p>A ausência de padrões rígidos, segundo ela, é o que torna o frevo um espaço de liberdade, capaz de atrair pessoas interessadas não apenas em dançar, mas em vivenciar a cultura popular de forma autêntica. Essa dualidade entre ludicidade e realidade é parte essencial da manifestação, em que a arte não se separa da vida cotidiana. “Foi esse caminho que me atraiu mais para o estudo do frevo quando eu passei a estudar lá em Olinda, nos brincantes das ladeiras”, recorda.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A lente histórica de Maria Flor</strong></h2>



<p>A trajetória do frevo enquanto música também é marcada por rupturas graduais com estruturas rígidas. Nascido de bases militares, marchas, dobrados e marcações, o gênero evoluiu conforme os próprios instrumentistas inseriam elementos novos e subjetivos em suas execuções. Com o tempo, o mercado fonográfico passou a organizar o frevo em três categorias: de rua, de bloco e canção.</p>



<p>Embora úteis para difusão, essas classificações também limitaram sua diversidade. “Isso vai além, encaixotando nos formatos, o que não deixa de escantear ou deixar de fora muitos outros que não necessariamente se adequam àquele lugar”, comenta.</p>



<p>Mesmo os compositores considerados tradicionais, que conviveram com ícones como Nelson Ferreira, inovaram, ainda que, por vezes, criticassem a mudança. Para Maria Flor, essa aparente contradição é parte natural da arte. “Muita gente pensa assim, que essas coisas novas vão acabar ofuscando ou deixando para trás a tradição. Acho que uma coisa não precisa apagar a outra. Você pode ter um processo de amadurecimento, mudança, adaptação, transformação, sem deixar que aquela tradição se perca no tempo.”</p>



<p>A Orquestra Experimental de Frevo da Universidade Federal de Pernambuco, da qual Maria Flor faz parte, exemplifica essa convivência entre tradição e inovação. O grupo incentiva o público jovem não apenas a interpretar o frevo, mas a criar novas sonoridades. “Já tivemos frevo com música eletrônica, com rabeca, acordeon, marimba, violino, quarteto de cordas”, lembra. Essa diversidade, para ela, prova que o frevo está longe de ser uma peça de museu: ele vive, respira e se reinventa a cada nova geração.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
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		<title>João Pedro Nires // Cariri busca equilíbrio entre resistência cultural, juventude e transformação social</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 21:10:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Em 1921, cinco amigos talvez não imaginassem que criariam o grupo responsável por anunciar a chegada do carnaval em Olinda. A Troça Carnavalesca MistaCariri Olindense, hoje Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, conquistou oficialmente esse título em 2016, mas já carregava há muito tempo o reconhecimento popular como símbolo de tradição. A [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Em 1921, cinco amigos talvez não imaginassem que criariam o grupo responsável por anunciar a chegada do carnaval em Olinda. A Troça Carnavalesca Mista<br>Cariri Olindense, hoje Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, conquistou oficialmente esse título em 2016, mas já carregava há muito tempo o reconhecimento popular como símbolo de tradição.</p>
</div></div>



<p>A história começou com o encontro de Augusto Canuto de Santana, Cosmo Botão, Jacinto Martinho, Isnar Colombo e Eugênio Cravina com um velho mascate vindo do Sertão do Cariri, região entre Pernambuco, Paraíba e Ceará, para vender ervas medicinais no centro do Recife. Encantados com sua figura, pediram permissão para homenageá-lo na agremiação que estavam fundando.</p>



<p>Desde então, todos os anos, o Cariri sai da sede, no bairro de Guadalupe, às quatro da manhã. À frente do cortejo, um homem fantasiado de mascate, com barbas brancas, chapéu de palha e montado em um burro, guia os foliões pelas ladeiras. A lenda dizia que o mascate “pegava crianças”, uma brincadeira inventada para impedir que os pequenos saíssem de casa durante a madrugada.</p>



<p>Quem melhor conta essa história é o educador musical e diretor de preservação e memória do Cariri Olindense, João Pedro Nires. Em entrevista exclusiva, ele explica que a troça é, para ele, quase um parente: “É aquele primo ou tio que exige atenção o tempo todo. Já demandou esforço, tempo e dinheiro da família”.</p>



<p>Esse esforço coletivo foi essencial para impedir que a tradição se interrompesse. Em 2008, quando o Cariri não desfilou, o bairro reagiu com indignação. “Saiu até no jornal: ‘revolta no bairro do Guadalupe’. Porque o Cariri não saiu”, relembra João.</p>



<p>O sentimento de pertencimento se renova a cada cortejo. Os versos do hino <em>“Lá vem o Cariri ali / Com saco de pegar criança / Pegando menino e moça / Pegando tudo o que a vista alcança”</em> embalam os foliões, que seguem o bloco com devoção.</p>



<p>No passado, a manutenção da troça dependia do “Livro de Ouro”, que circulava de casa em casa recolhendo doações. Hoje, além da contribuição da comunidade, o Cariri se sustenta com a venda de camisetas, ingressos de festas e patrocínios pontuais, além da bolsa do título de Patrimônio Vivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entre tradição e renovação</strong></h2>



<p>Para muitos moradores de Guadalupe, o som da orquestra do Cariri é o verdadeiro anúncio de que o carnaval começou. “Era uma agremiação bem restrita à sua saída às 4 horas da manhã. E de um tempo para cá, por vários fatores, o público vem mudando, vem chegando a juventude para brincar o Cariri, vem chegando uma galera de Recife, vem chegando a galera branca, é vem chegando a galera de São Paulo, de outros estados, enfim, para curtir”, conta João.</p>



<p>O desafio, agora, é equilibrar tradição e crescimento. “A logística se torna mais difícil: garantir espaço para os músicos, para os estandartes, para o burro do Cariri. Controlar não é dizer ‘vai pra cá, vai pra lá’, é trazer conforto”, explica.</p>



<p>Ainda assim, João vê a chegada do novo com entusiasmo. “A juventude vai chegar com mais gás, com mais energia, com mais potência. O novo sempre vem”, diz. Para ele, cabe às gerações anteriores orientar e equilibrar essa energia, garantindo que o “transe coletivo” continue.</p>



<p>João alerta para os perigos de um discurso que idealiza o passado. “É uma armadilha muito grande, principalmente para nós jovens, cair nesse discurso da essência, do que era original, do que é raiz”, afirma. Para ele, congelar o frevo e o carnaval em uma forma fixa é negar sua própria natureza transformadora.</p>



<p>Essa reflexão ganha ainda mais peso quando entra em pauta a inclusão. “A Troça Carnavalesca Mista, com ‘M’ de mista, inclui homens e mulheres. Algumas agremiações ainda não têm esse ‘M’. A gente vai manter isso em nome da tradição?”, provoca.</p>



<p>Preservar o Cariri é manter viva a memória coletiva e o pertencimento do bairro de Guadalupe, mas também aceitar que a tradição, como o frevo e o carnaval, só sobrevive se continuar se transformando. Afinal, como lembra João, “se o carnaval é o momento em que tudo pode ser, por que não pode também ser reinventado?”</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
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		<title>Leonardo Pellegrim // Inovar não é trair a tradição</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 20:58:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Do embate entre tradição e inovação, pulsa uma das manifestações culturais mais vivas e complexas do Brasil: o frevo. Em entrevista, o etnomusicólogo e mestre em música pela Unicamp,Leonardo Pellegrim, reflete sobre o gênero que, segundo ele, é muito mais do que música: é resistência, invenção e um modo de estar no [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Do embate entre tradição e inovação, pulsa uma das manifestações culturais mais vivas e complexas do Brasil: o frevo. Em entrevista, o etnomusicólogo e mestre em música pela Unicamp,<br>Leonardo Pellegrim, reflete sobre o gênero que, segundo ele, é muito mais do que música: é resistência, invenção e um modo de estar no mundo.</p>
</div></div>



<p>Depois de anos no Conservatório de Tatuí, em São Paulo, onde, paradoxalmente, encontrou um semestre inteiro dedicado à música pernambucana, Leonardo migrou para a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Lá, deparou-se com um ambiente acadêmico que considerou profundamente eurocentrado e pouco aberto à legitimidade da música popular dentro das próprias estruturas. “A Universidade Federal, o Departamento de Música, é um ambiente extremamente conservador. Tem gente que não gosta e combate o movimento da música popular”, comenta o pesquisador.</p>



<p>Em movimento contrário a essa resistência, Leonardo e o mestre de frevo Nilsinho Amarantes criaram, em 2010, a Orquestra Experimental de Frevo na própria universidade. O objetivo era comprovar que o gênero, ao unir saberes acadêmicos e populares, se renova sem perder sua essência.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“O frevo sempre foi resistência”</strong></h2>



<p>Seja nas ladeiras de Olinda ou nos corredores do campus, o frevo se afirma como um espaço de batalha e permanência. Diante do que Leonardo chama de uma “mania de Beethoven”, a crença de que “a música do mundo é a música da Europa”, o gênero pernambucano rompe com o eurocentrismo e mostra-se estruturado, decolonial e antirracista. “O frevo acontece musicalmente e politicamente. Sempre viveu nessa luta contra a perspectiva colonial, ao mesmo tempo em que tenta impor e reinventar uma tradição”, explica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>“Porque o frevo está vivo. E se ele está vivo, ele vai mudar”</strong></h2>



<p>Para Leonardo, a comunidade do frevo é extremamente apegada à tradição, mas isso não impede que novos artistas tragam oxigênio ao gênero. Ele cita exemplos como Gabi Carvalho, dançarina da Companhia Arte e Folia; Rafael, integrante da banda Frevo de Pau e Corda; e Henrique Albino, que experimenta novas formas no frevo de rua e instrumental. Todos representam a coragem de inovar mesmo diante das críticas internas.</p>



<p>O etnomusicólogo critica a tentativa de institucionalizar o frevo como algo fixo e imutável:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“<em>Por que vocês não assumem que é diferente e documentam as diferenças? O gênero vai se perpetuar enquanto vivo. Inovar não mata o frevo. Maestro Formiga e Edson Rodrigues foram inovadores em seu tempo. O próprio Spok muda de opinião conforme a história. O gênero é vivo, sabe?”</em></p>
</blockquote>



<p>Leonardo destaca que o diálogo entre o frevo e outros gêneros musicais não é novidade. Já nos anos 1950 e 1960, compositores misturavam elementos de forró em suas composições, e o maestro Edson Rodrigues alternava entre jazz e bossa nova nos bares do Recife Antigo. Essas intersecções, mesmo que veladas, sempre existiram e hoje ganham nova força.</p>



<p>Para ele, o futuro do frevo depende justamente dessa abertura ao diálogo. Ao defender a experimentação como prática natural do gênero, Leonardo reafirma a vitalidade de uma tradição que se mantém pulsante porque nunca para de se reinventar.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
    </div>



<p></p>
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		<title>Alexandre Urêa // Quando a tradição cruza com a ousadia de experimentar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Zero Conteúdo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 20:57:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* No passado, escutar um clássico do forró em ritmo de frevo, uma bossa-nova agitada pelo gênero e até um rock reinventado pelo passo, poderia ser considerado ousado. Hoje, há quem diga: o que dá a nova cara para o frevo é a experimentação. Com ousadia ou anseio por inovar, artistas iniciantes e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><br>No passado, escutar um clássico do forró em ritmo de frevo, uma bossa-nova agitada pelo gênero e até um rock reinventado pelo passo, poderia ser considerado ousado. Hoje, há quem diga: o que dá a nova cara para o frevo é a experimentação. Com ousadia ou anseio por inovar, artistas iniciantes e grupos já consolidados criam um som completamente novo a partir da tradição.</p>
</div></div>



<p>Em uma entrevista exclusiva, o músico, ex-integrante da banda Eddie e atual vocalista do grupo Academia da Berlinda, Alexandre Urêa, comenta os efeitos do diálogo entre diferentes gêneros que dá origem a novos frevos. De forma positiva, Urêa destaca: “tinha uma galera que era muito raiz, mas os maestros estão abrindo a mente”.</p>



<p>Chico Science e Nação Zumbi, Banda Eddie, Academia da Berlinda, Borso Samba Clube, Orquestra Contemporânea, a multiartista Flaira Ferro, o maestro Forró, que de forró não tem quase nada, e o maestro Spok, são algumas das bandas e nomes lembrados por Urêa como responsáveis por não deixar que as melodias dos diferentes carnavais sejam iguais. Mais que isso, por perdurar a folia para além de fevereiro, fazê-la embalar nas ladeiras de Olinda e alçar voos mais distantes.</p>



<p>Sem contar nomes como Alceu Valença, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, por exemplo, que contribuem para o frevo ser enaltecido como é hoje e que dão o repertório e a inspiração para o contemporâneo reinventar. A partir disso, “a gente sai da raiz, né? Aquela coisa do som raiz, a gente fica mais com um som universal”, afirma.</p>



<p>Urêa faz questão de relembrar que a base do frevo nunca foi estática: “[o frevo] ainda é um ritmo clássico, a dança é clássica, mas é uma coisa que, pra época, sempre foi moderna, um balé misturado com capoeira, por ter os saltos, os pulos, o ficar de ponta de pé”.</p>



<p>Da mesma forma que as primeiras pessoas contagiadas pelo frevo se encantaram pelos diversos elementos, cada vez mais jovens desta geração se aproximam pelas novas musicalidades. Gostem ou não das letras, o “tum, tum, tum” ou a marcação “1, 2, 1, 2” tão característica permanecem no ritmo e transformam tanta gente em novos fanáticos pelo frevo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Eu mesmo termino conhecendo essas músicas que, assim, uma letra que para mim não é legal, mas tem um ritmo divertido, aí termino escutando, conhecendo mais, sem nem saber quem é o artista”.</p>
</blockquote>



<p>Para Urêa, “o frevo também é uma coisa eterna. Tem mais de 100 anos, já é Patrimônio da Humanidade”. Logo, recriar com este gênero nunca vai ser ultrapassado, mas um resgate ao próprio início tão diversificado.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
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<p>O post <a href="https://marcozero.org/alexandre-urea-quando-a-tradicao-cruza-com-a-ousadia-de-experimentar/">Alexandre Urêa // Quando a tradição cruza com a ousadia de experimentar</a> apareceu primeiro em <a href="https://marcozero.org">Marco Zero Conteúdo</a>.</p>
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		<title>DJ Dolores // O Enigma do Frevo</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2025 20:54:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[frevo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Beatriz Santana* Fora dos limites de Pernambuco, o frevo conquistou um músico que ainda não sabia, mas assumiria a missão de tentar decifrá-lo. O primeiro contato de Hélder Aragão, o DJ Dolores — compositor, produtor cultural e expoente do Manguebeat — com o ritmo vibrante foi em Sergipe, seu estado natal. Até então, o [&#8230;]</p>
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<p><strong>por Beatriz Santana*</strong></p>



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:18% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="766" height="1024" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg" alt="" class="wp-image-73638 size-full" srcset="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-766x1024.jpg 766w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-224x300.jpg 224w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-768x1027.jpg 768w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa-150x201.jpg 150w, https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/11/Logo-certa.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Fora dos limites de Pernambuco, o frevo conquistou um músico que ainda não sabia, mas assumiria a missão de tentar decifrá-lo. O primeiro contato de Hélder Aragão, o DJ Dolores — compositor, produtor cultural e expoente do Manguebeat — com o ritmo vibrante foi em Sergipe, seu estado natal. </p>
</div></div>



<p>Até então, o frevo era apenas “música de carnaval”. Mas, ao chegar ao Recife, Dolores se deu conta do quanto o ritmo está entranhado na cultura local e decidiu estudá-lo com profundidade.</p>



<p>O resultado dessa imersão é “O Enigma do Frevo”, um projeto multimídia apoiado pelo Itaú Cultural, que transforma o ritmo em um campo de pesquisa e experimentação. A iniciativa reúne um álbum musical com dez faixas, uma web série de oito episódios e um site acervo que concentra todo o material coletado ao longo de cerca de sete meses.</p>



<p>Antes de compor qualquer música, o artista se propôs a compreender a história e o contexto do frevo. “Eu queria fazer um disco de frevo, mas me toquei que não sabia de verdade. Apesar de já ter gravado e tocado com grandes artistas, nunca tinha parado para estudar. [Daí] me propus o seguinte: só começaria a pensar no disco depois de ter feito a pesquisa”, conta.</p>



<p>Durante o processo, Dolores entrevistou figuras emblemáticas do frevo, como a historiadora Carmem Lélis, a multiartista Flaira Ferro e a passista e professora de dança Inaê Silva. Com elas, buscou entender o frevo sob uma perspectiva estética, histórica e social. Foi então que percebeu o quanto o gênero, para além da música, é uma expressão urbana, contemporânea e cosmopolita. “Quando você vai adentrando a história, se surpreende com os detalhes”, afirma.</p>



<p>Entre essas descobertas, destaca-se a percepção sobre o embranquecimento do frevo. “O frevo que eu conheci naquela época soava muito branco. Fui descobrindo que talvez o frevo que eu tenha conhecido fosse assim e não o gênero em si”, reflete.</p>



<p>Essa constatação levou o DJ a revisitar o frevo como reflexo das dinâmicas sociais e da presença negra que ajudaram a moldar Pernambuco. “O Enigma do Frevo é uma pesquisa muito pessoal, porque eu gostaria de entender melhor sobre o frevo, não só como gênero musical, mas o que o envolve social e antropologicamente”, complementa.</p>



<p>Inspirado também pela criatividade de artistas contemporâneos, Dolores observa uma “onda meio pop” que ajuda a manter o ritmo vivo e acessível. “Acho bacana que aconteça, porque talvez desperte interesse sobre outros aspectos dessa cultura”, afirma. Para ele, o diálogo entre tradição e inovação é inevitável: “Se uma cultura vai mudando e se adaptando aos dias, é justamente para permanecer contemporânea, porque senão ela morre”.</p>



<p>Com sua pesquisa concluída, o artista chega à metáfora que encerra o projeto: “Você só pode chamar de conhaque se for feito na região de Conhaque, na França. Champanhe é a mesma coisa. Tem o terroir, o solo propício. Nesse caso, Pernambuco tem o terroir do frevo, o lugar perfeito, só podia ter nascido aqui”.</p>



<p>A partir dessa analogia, DJ Dolores encerra o projeto com a convicção de que o frevo é uma linguagem que só pode ser plenamente compreendida a partir do contexto de origem. Em “O Enigma do Frevo”, ele traduz essa percepção em som, imagem e palavra, numa tentativa de revelar o que há de enraizado, mutante e ainda misterioso desta manifestação cultural.</p>



<p>O resultado é um trabalho que reconecta o frevo às suas matrizes populares, enquanto projeta novas possibilidades para o futuro. E a reflexão final: enquanto artistas celebrarem o passado, conversarem com outras produções do presente e experimentarem com o futuro, não saberemos no que o frevo vai se transformar e, por isso, o enigma é indecifrável.</p>


    <div class="infos mx-md-5 px-5 py-4 my-5">
        <span class="titulo text-uppercase mb-2 d-block"></span>

	    <p>* Beatriz Santana é estudante de Jornalismo da UFPE.</p>
<p>As reportagens publicadas aqui fazem parte da parceria entre a Marco Zero Conteúdo e o projeto de extensão “Cartografias do Frevo”, desenvolvido por professores e alunos do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A iniciativa busca mapear a contemporaneidade do frevo a partir de entrevistas com mestres, músicos, passistas e artistas que reinventam o ritmo.</p>
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